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[...] a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e àprática social. [...] para a promoção do exercício da ...
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satisfatório, sob condições que respeitem a própria vida. Deve haver o trabalhocoletivo na construção de um mundo mais hum...
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(1 12 2009 09 26 33) artigo (1)

  1. 1. O PAPEL DA FILOSOFIA NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA – UMAPROPOSTA A PARTIR DO PROJETO DE VOLUNTARIADO DO COLÉGIOSÃO JOAQUIM1.1 Voluntariado Juvenil: uma contextualizaçãoO voluntariado é uma prática bastante atual. Pode ser visto como umaresposta às problemáticas presentes em nossa sociedade. Essa atividade podeservir de proposta pedagógica que colabora diretamente no desenvolvimentode capacidades necessárias para os jovens alunos do ensino médio.1.1.1 Projeto de Voluntariado no Colégio São JoaquimPara início de conversa, é necessário entender o que é o Voluntariado ecomo surgiu tal Projeto no Colégio São Joaquim. Ele é realizado com jovensque buscam doar parte de seu tempo para ajudar pessoas que estão à margemda sociedade, um dos motivos que torna o voluntariado uma atividadeeducacional humanizadora, tanto para quem pratica a ação quanto para quema recebe. Essa atividade ajuda o jovem a formar uma consciência e a construirestratégias que beneficiem pessoas que vivem em situações menosfavorecidas.O projeto nasceu no ano de 2007, a partir de uma iniciativa do setor depastoral do Colégio São Joaquim1. Os responsáveis pela atividade articularamum grupo de jovens alunos do Ensino Médio que se mostravam desejosos deum trabalho que fosse além da sala de aula e que atingisse as pessoas maiscarentes. Elaborado o projeto e estruturado um grupo, os responsáveisrealizaram uma série de formações, visando preparar os alunos para o contatocom as pessoas que seriam atendidas pelo projeto.Desde o primeiro encontro com o grupo, das formações e das primeirasvisitas a entidades carentes da cidade de Lorena, a avaliação da iniciativa foi1Por se tratar de um colégio confessional católico, o Colégio São Joaquim conta com um setordenominado de Pastoral. Tal setor é responsável por uma série de atividades de cunhopedagógico, religioso e social. Estão vinculadas à Pastoral, iniciativas como ensaios debandas, dança, teatro; e ainda, as atividades relacionadas aos chamados “momentos fortes” daespiritualidade cristã e salesiana.
  2. 2. bastante positiva. Resultado disso é que o projeto continua a acontecer. Agoracom a participação de novos alunos e com a presença de estagiários do cursode filosofia que colaboram na formação e no acompanhamento dos alunos nasatividades realizadas.1.1.2 Mas o que é Voluntariado?A sociedade hodierna encontra grandes dificuldades quando se fala em“relações humanas”. Diante de uma realidade onde as desigualdades sociaisaumentam a cada dia, o homem parece ter se acostumado com os problemasque assolam a humanidade. Percebemos assim, uma falta de motivação dosjovens pela atuação ativa na sociedade como cidadãos. Em contrapartida,percebe-se um grande número de pessoas (dentre estas, muitos jovens), quedesejam ser agentes de transformação social, sentem-se responsáveis ebuscam meios de ajudar o próximo através de trabalhos voluntários.O voluntariado pode ser entendido de diversas formas. Do ponto de vistareligioso, podemos dizer que se trata de uma doação ao próximo numaperspectiva transcendental, ou seja, motivados pelo amor à Deus que semanifesta no serviço aos outros. Na visão social, podemos recorrer àelucidação de DOMENEGETTI que versa:O voluntariado constitui-se como sujeito social e político diverso doEstado e do Mercado, como “Terceiro Setor”, que supera a tensãoentre público e privado, no desenvolvimento de um novo espaço (oprivado-social), que não funciona segundo a lógica do lucro nem dacoerção, mas segue o principio da gratuidade e da participaçãovoluntária. (DOMENEGETTI, 2001, p. 13)O trabalho voluntário é realizado naquele que chamamos de “Terceirosetor”. Este termo é referente às organizações que cuidam de problemasligados à educação, saúde, meio ambiente, assistência social, abuso de álcoole drogas, sindicatos, museus etc., que cria capital social (composto porvoluntários) e empregos. É chamado de terceiro setor, pois difere do Primeiro eSegundo setor, público e privado respectivamente, que são os setores quedividem a sociedade. Apesar de ser diferente desses referidos setores de
  3. 3. nossa sociedade, o terceiro setor enfatiza a relação entre as ações públicas eas privadas.Assim dizendo, a Lei nº 9.608/982caracteriza como trabalho voluntário aatividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública dequalquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenhaobjetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou deassistência social, inclusive de mutualidade. Esta lei estabelece que o trabalhovoluntário esteja previsto em contrato escrito, termo de adesão que destaca anão existência de vínculo trabalhista no serviço voluntário.O Voluntariado também pode ser entendido como a forma de estimular acidadania ativa e o envolvimento comunitário. Ou seja, uma pessoa que aderea este tipo de serviço, trabalha, através de iniciativas pontuais, em vista demelhoria das condições de vida das pessoas. Não somente espera de braçoscruzados por políticas públicas que atendam a estas necessidades, maselabora, articula e pratica tais ações. É importante evidenciar que o terceirosetor e o trabalho voluntário têm seu surgimento intimamente ligadosexatamente à carência de políticas públicas que defendam e garantam adignidade e as condições mínimas para os cidadãos.Em especial para as pessoas mais jovens, o voluntariado assume umcaráter altamente educativo. Pode colaborar inclusive, no rendimento escolar,pois aumenta a motivação do aluno em buscar coisas novas e conhecimentosque subsidiarão o trabalho que realizam. No voluntariado, os alunos encontram“um espaço de liberdade e iniciativa; [...] o que se torna contestação corajosada mentalidade individualista e consumista que insidia muitos estratos sociais.”(DOMENEGETTI, 2001, p. 17). A partir de então, o voluntário adquire umavisão global e crítica da realidade social e contribui para a remoção das causasda injustiça.Se considerarmos a realidade sociocultural, somada aos diversos ecomplexos desafios e situações conflitivas em que o jovem vive, o voluntariadose apresenta como um espaço alternativo não só de inserção social ecompromisso de cidadania responsável, mas também como uma proposta queajuda o jovem a conhecer a si mesmo e a descobrir suas potencialidades.2A íntegra da Lei está disponibilizada pelo Governo Federal no seguinte endereço eletrônico:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9608.htm.
  4. 4. Em se tratando de jovens, o voluntariado assume um papel de ação ereflexão e torna-se um espaço de educação sociopolítica. Tudo isso ajuda nodesenvolvimento do senso crítico, na conscientização sobre os direitoshumanos e sociais, no respeito às diferenças culturais e na vivência dasolidariedade. O contato com uma realidade diferente da sua (e muitas vezesmais dura que a sua), leva o jovem à reflexão e preenche os anseios que elecarrega consigo:Voluntario é o ator social e agente de transformação, que prestaserviços não remunerados em benefício da comunidade. Doando seutempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia deseu impulso solidário, e atende não só às necessidades do próximo,como também aos imperativos de uma causa. O voluntário atendetambém suas próprias motivações pessoais, sejam elas de caráterreligioso, cultural, filosófico ou emocional. (DOMENEGETTI, 2001, p.17).Em suma, o trabalho voluntário difere do esquema social e político tantodo Mercado quanto do Estado. No terceiro setor, a tensão entre público eprivado é superada e se dá abertura a um novo espaço, que se distingue porseguir o princípio da gratuidade e da relação voluntária. Assim, o voluntariadoestabelece relação com o mercado (pois produz e gera benefícios), com oEstado (preza pela garantia de direitos e bem comum) e ainda com as pessoas– desenvolvendo relações humanas marcadas pelo altruísmo e envolvimento.Como foi dito, o voluntariado se insere no que denomina-se terceirosetor. Para compreender como essa atividade pode ser uma prática educativae pedagógica que despertará sua consciência cidadão, é preciso clarificar ondese inserem as iniciativas voluntárias.1.1.3 O que é o Terceiro Setor?O primeiro setor é o Governo, responsável pelas questões sociais. Osegundo setor é o Privado, responsável pelas questões individuais. Com afalência do Estado em algumas áreas, o setor privado começou a ajudar nasquestões sociais, através das inúmeras instituições que compõem o chamadoTerceiro Setor. Ou seja, o terceiro setor é constituído por organizações sem
  5. 5. fins lucrativos e não governamentais, que têm como objetivo gerar serviços decaráter público.1.1.3.1 Principais responsáveis do Terceiro Setor3Existem diversos órgãos que cuidam das atividades e iniciativasrealizadas no chamado terceiro setor. Dentre elas:a) As fundações, que são as instituições que financiam o terceiro setor,fazendo doações às entidades beneficentes.b) As Entidades Beneficentes, que são as operadoras de fato e que cuidamdos carentes, idosos, meninos de rua, drogados e alcoólatras, órfãos emães solteiras; protegem testemunhas; ajudam a preservar o meioambiente; educam jovens, velhos e adultos; profissionalizam; doamsangue, merenda, livros, sopão etc. Enfim, fazem tudo.c) Os Fundos Comunitários, que consiste na doação de várias empresaspara um dado fundo, sendo que os empresários avaliam, estabelecemprioridades, e administram efetivamente a distribuição do dinheiro.d) As Entidades Sem Fins Lucrativos, que infelizmente, são, na realidade,lucrativas ou atendem os interesses dos próprios usuários. Um clubeesportivo, por exemplo, é sem fins lucrativos, mas beneficia somente osseus respectivos sócios.e) Temos ainda as ONGs (Organizações Não Governamentais). Ajudaprestando serviços a pessoas direta e indiretamente. Uma ONG quedefenda os direitos da mulher, fazendo pressão sobre nossosdeputados, está ajudando indiretamente todas as mulheres.f) As Empresas com Responsabilidade Social (diga-se que no fundo, aResponsabilidade Social é sempre do indivíduo, nunca de uma empresajurídica, nem de um Estado impessoal. Caso contrário, as pessoasrepassariam as suas responsabilidades às empresas e ao governo, aoinvés de assumirem para si). Porém, algumas empresas vão além dasua verdadeira responsabilidade principal (isto é, a financeira) e3O sub-item que se segue foi baseado em: CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DOBRASIL. Sem Trabalho... Por quê? Fraternidade e os desempregados: Texto-base CF 1999.Brasília: Edições CNBB, 1999.
  6. 6. incentivam outras atitudes, como fazer produtos seguros, acessíveis,produzidos sem danos ambientais, e de estimular seus funcionários aserem mais responsáveis.g) As Empresas Doadoras, que financiam atividades de cunho social.h) A Elite Filantrópica, que são os empresários que fazem doaçõesfinanceiras em seu nome.i) As Pessoas Físicas, notadamente da classe média, que somam 90% daverba filantrópica global. As empresas contribuem somente com 10%dessa verba.j) A Imprensa, que atua como meio de divulgação do Terceiro Setor.k) E enfim, as Empresas Juniores Sociais, que caracterizam os projetoscomunitários associados à área acadêmica.Não se pode confundir o ‘Terceiro Setor’ com as atividades do ‘SetorTerciário’ da economia do comércio e serviços. Uma coisa não tem não nada aver com a outra. Para a Economia há três setores de renda: 1) a agriculturacomo setor primário; 2) a indústria como setor secundário; 3) e o comérciocomo setor terciário. Por isso, em vista desta possível confusão ou semelhançade termos, existem alguns estudiosos, como Roger Sue, que preferem chamaro Terceiro Setor de ‘Setor Quaternário’, incluindo-o nos setores da Economia,justamente para evitar qualquer outro tipo de equivoco.Então, tendo entendido o que é voluntariado e em que contexto seinsere, tratar-se-á agora, quais os aspectos mais importantes de tal iniciativacomo método educativo e pedagógico.1.1.4 Objetivos do ProjetoO projeto específico do Colégio São Joaquim se insere nas áreaseducativo-cultural e ainda na área social, que compreendem, entre outrascoisas, iniciativas educativas de caráter informal que visam à animação dacultura, do lazer e do esporte. Também estão presentes uma série deatividades que visam recuperar a dignidade das pessoas e satisfazer algumasnecessidades básicas, como a alimentação (através da arrecadação demantimentos). Além do grupo de voluntariado, existe um grupo de adolescência
  7. 7. missionária, que realiza um trabalho semelhante ao do voluntariado, só que emmenor escala devido à idade dos alunos.Dentre tantas características importantes do projeto, a motivaçãoprincipal é o serviço prestado pelos jovens alunos às pessoas atendidas. Ospróprios jovens acreditam e partilham, o quanto a experiência obtida com osdestinatários (somado ao respaldo teórico e o acompanhamento doseducadores) são subsídios para suas próprias vidas.Além das ações pontuais que beneficiam os atendidos, o projetocolabora na formação humana do aluno. Perceber as necessidades sociais e“tomar partido”, buscar soluções, é resultado de uma educação que possibilitaao jovem colocar em prática os conhecimentos adquiridos.1.1.5 Voluntariado Juvenil Salesiano: a experiência de Dom BoscoO referido projeto possui uma dimensão espiritual. Por estar vinculado auma escola confessional, de denominação católica, ele tem característicasevangélicas e cristãs. Nessa dinâmica cristã, os jovens descobrem a liberdadena iniciativa, “[...] entrevêem um caminho que os leva ao serviço pelos outros,reconhecem a possibilidade de uma profecia, que se torna contestaçãocorajosa da mentalidade individualista e consumista que insidia muitos estratossociais” 4.Devemos situá-lo ainda, na realidade salesiana5. O voluntariadosalesiano possui uma identidade própria e deve garantir uma qualidadeeducativo-pastoral em suas experiências. Preza por dirigir sua atenção ao4DIREÇÃO GERAL OBRAS DE DOM BOSCO: Dicastério para a pastoral juvenil e para asmissões. O voluntariado na Missão salesiana: manual de roteiro e orientações. Trad. Pe. JoséAntenor Velho. Roma, 2009, p. 16. (Inspetoria Salesiana de São Paulo – circulação interna)5Os “Salesianos de Dom Bosco” são parte de uma organização internacional de pessoasdedicadas, em tempo integral, à educação e ao serviço dos jovens, especialmente os maispobres e abandonados. Fundados por são João Bosco, um santo educador italiano do século19. Presente hoje, em mais de 128 países, têm como centro de sua missão a educação eevangelização. O serviço ou projeto educativo-pastoral que realizam tem por objetivo apromoção integral da pessoa. São realizadas atividades e obras nos oratórios e centrosjuvenis, escolas e centros de formação profissional, universidades, paróquias, obras e serviçossociais para jovens em situação de risco, comunicação social e em outras formas de presença,como a Articulação da Juventude Salesiana, o voluntariado, serviços de orientação vocacionale de formação cristã. Disponível em: http://www.salesianos.com.br. Acesso em 22 de setembrode 2009, às 10h54min.
  8. 8. crescimento humano do aluno, seu desdobramento cristão e religioso, suainserção na vida social e em comunidades de fé.É considerado um voluntariado salesiano quando realizado dentro de umcontexto ou vinculado a uma obra salesiana. Tem de estar inspirado nosvalores próprios da tradição e espiritualidade salesiana, inserida no projetoeducativo-pastoral e carregar os traços da pedagogia e do sistema preventivode Dom Bosco.A pedagogia salesiana tem como fundamento o sistema preventivo deDom Bosco, que por sua vez, sustenta-se por três pilares: a razão, a religião ea amorevollezza6. Este “método” educativo nasceu da própria experiência deDom Bosco. Ele era contra todo tipo de educação repressiva, pelo contrário,testemunhou “[...] uma educação motivada pelo amor, pela caridade e pelaalegria.” (CHALITA, 2004, p. 11, apud BRAIDO, 2004). Na raiz da missão deDom Bosco, o trabalho com os jovens e adolescentes com os quais trabalhara,tinha como meta torná-los bons cristãos e honestos cidadãos.O desenvolvimento da cidadania também fez parte dos objetivos dotrabalho de Dom Bosco. Este não se restringia à evangelização, mas visavacriar “homens novos” para uma sociedade nova. Tinha a peito a salvação dasalmas, mas esta missão devia ainda fazer com que o jovem tomasse uma novapostura diante da sociedade. Ele “realizou a própria obra educativa paraconsecução de fins ao mesmo tempo antigos e novos, levando os jovens aacolher e formar em si, tanto a fidelidade à perene novidade cristã quanto àcapacidade de inserir-se em uma sociedade libertada [...]”. (BRAIDO, 2004, p.211).Portanto, a atividade educativa salesiana também ajuda (e tem comoobjetivo) o desenvolvimento da capacidade e consciência cidadã. Inspirados notrabalho realizado por Dom Bosco, busca-se o desenvolvimento do jovem emsua totalidade, integrando a dimensão espiritual com a dimensão histórico-social.2.1 Ensino de Filosofia e desenvolvimento da consciência cidadã6Esta é uma palavra do idioma italiano que não possui tradução literal para o português. Podeser aproximada de carinho e amabilidade.
  9. 9. O ensino de Filosofia tem uma série de objetivos a serem alcançados.Eles não devem ser fins em si mesmos, ao contrário, devem colaborar noprocesso educacional do aluno. O despertar para a cidadania também éfinalidade da filosofia como disciplina, visando inserir o aluno de formasignificativa no contexto social.2.1.1 O Ensino de Filosofia no Ensino Médio: Novas propostasmetodológicasO retorno da disciplina de Filosofia para a grade curricular do EnsinoMédio trouxe consigo diversas preocupações. Busca-se novas metodologiasque tornem a disciplina mais entusiasmaste para o aluno e que não reduzamde alguma forma as especificidades da Filosofia. Um embate que tem-sedesenvolvido é sobre os conteúdos a se trabalhar. Muitos autores questionamo ensino puramente histórico da filosofia versus o chamado “ensinar afilosofar”.O ensino de Filosofia na escola deve colaborar para o desenvolvimentoda capacidade crítica do aluno, em sua formação ética, e ainda, em suapreparação para o mundo do trabalho. Deve integrar temas transversais,dialogando com outras áreas do saber e assim, garantir uma educação integral.O estudante deve dominar também os conteúdos trabalhados. Toda essaformação é base necessária para o cumprimento da cidadania que o aluno éestimulado a assumir.Longe de querer reduzir o ensino da Filosofia a uma prática dedesenvolvimento da cidadania, o que iria descaracterizá-lo, queremos destacaruma parte específica dos objetivos de sua aplicação no Ensino Médio.2.1.1.1 A proposta do governo para o ensinoA educação deve ser um projeto abrangente, que inclui diversosprocessos educativos a serem desenvolvidos junto aos alunos. A legislaçãobrasileira prevê uma série de finalidades à educação. Tendo como base a LDB,destaca-se:
  10. 10. [...] a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e àprática social. [...] para a promoção do exercício da cidadania,fundamentada nos ideais de igualdade, liberdade, solidariedade,democracia, justiça social e felicidade humana, no trabalho comofonte de riqueza, dignidade e bem-estar universais [...] para aformação de cidadãos capazes de compreender criticamente arealidade social e conscientes de seus direitos e responsabilidades,desenvolvendo-lhes os valores éticos e o aprendizado daparticipação. (SAVIANI, 2007, p.22).É importante ressaltar que o documento enfatiza a ligação da educaçãoe do desenvolvimento pleno dos alunos com sua participação ativa nasociedade, seja através do mundo do trabalho ou do efetivo exercício dacidadania. A educação deve orientar o indivíduo à consciência de suaresponsabilidade diante da sociedade. Não pode, ao contrario, torná-lo apáticoàs necessidades coletivas que o rodeiam.Neste sentido, o desafio que se nos apresenta é grande. A filosofia comodisciplina no ensino médio vem ao encontro dessas finalidades, mas acarreta anecessidade de se pensar na oferta de um ensino de qualidade, que só serãopossíveis se forem estabelecidas condições adequadas para sua presençacomo disciplina, implicando a garantia de recursos materiais e humanos.2.2 Mas o que é Cidadania?Se o ensino de Filosofia deve colaborar para o desenvolvimento daconsciência crítica do aluno, para que este assuma seu papel de cidadão nasociedade, é preciso antes, conceituar o que entendemos por cidadania. Elanão pode ser entendida apenas como a atitude de reivindicar melhorescondições de vida para o ser humano, tais como saneamento básico, saúde,educação, fim de preconceitos e discriminações sociais, entre outros.A cidadania foi objeto de muito estudo e de discussões importantes, quemarcam a ruptura de paradigmas acerca dos direitos e da dignidade daspessoas. Ser cidadão significa, grosso modo, ter respeitados seus direitos edeveres. Esta ideia está fundamentada e documentada e deve ser garantida àspessoas pelo governo de cada nação:Tal situação está descrita na carta de Direitos da Organização dasNações Unidas (ONU), de 1948, que tem suas primeiras matrizesmarcantes nas cartas de Direito dos Estados Unidos (1776) e da
  11. 11. Revolução Francesa (1798). Sua proposta mais funda de cidadania éa de que todos os homens são iguais e que perante a lei, semdiscriminação de raça, credo ou cor. E ainda: a todos cabem odomínio sobre o seu corpo e sua vida, o acesso a um saláriocondizente para promover a própria vida, o direito à educação, àsaúde, à habitação, ao lazer [...]. (COVRE, 1991, p. 9).O próprio direito à vida, no sentido pleno, caracteriza o que vem a sercidadania. Este direito precisa ser construído de modo coletivo, visandoatender às necessidades básicas do homem.A cidadania é constituída de três conjuntos de direitos que compõem osdireitos do cidadão, não podendo ser desvinculados um do outro. A realizaçãoefetiva dos direitos depende dessa relação de complementaridade. Essesdireitos são ainda dependentes de organização política, econômica e socialpara que se realizem. Em síntese, todos devem ter o mesmo tipo de direitos,sem discriminação.Os direitos do cidadão estão divididos em civis, políticos e sociais. Osdireitos Civis garantem que o indivíduo possa dispor do seu próprio corpo, delocomover-se e de ter garantida a sua própria segurança. É o direito àLiberdade, contrário a qualquer regime que se caracterize como escravidão. Osdiretos políticos referem-se ao atendimento das necessidades básicas do serhumano, como alimentação, moradia, acesso à saúde e educação. E ossociais, estão ligados ao direito de livre expressão e de prática política ereligiosa.A própria origem da concepção da cidadania está ligada à filosofia, poisse relaciona ao surgimento e organização da vida em sociedade (o queconcebemos como cidades). Podemos atribuir em princípio à cidade ou à polisgrega, que era composta de homens livres, com participação política contínuanuma democracia direta, em que o conjunto de suas vidas em coletividade eradebatido em função de direitos e deveres. Neste sentido, o homem grego eraum homem livre e participativo. A atuação do indivíduo naquelas coisas quedizem respeito a ele mesmo e a seus convivas. Cidadania só se faz medianteuma relação de igualdade, onde prevalece o diálogo e não existe nenhumaforma de violência.Para melhor elucidar esta questão, podemos recorrer à filosofia de Kant,que fala do cidadão e do súdito, que devem obedecer às normas da lei. O
  12. 12. homem é um ser racional que deve usar de sua racionalidade para colaborarnum processo contínuo de crítica as leis se consideram que elas são injustas,para que exista um processo de reformulação daqueles que são consideradosdireitos do homem. Ele afirma que “o homem é um animal que, quando viveentre os outros de sua espécie, tem necessidade de um senhor”. (KANT, 1986,p. 10).Tal necessidade se dá pelo fato de que ele, por vezes, abusa de sualiberdade, condicionando a liberdade dos outros aos limites de uma lei. Umsenhor ajudaria a “direcionar” sua liberdade, e o faria ponderar suas ações.Esta ideia não contraria a dialética do esclarecimento elaborada por Kant, esegundo a qual há um processo de saída do homem de sua minoridade, daqual ele é o próprio responsável.A minoridade se caracteriza como a incapacidade de servir-se de seupróprio entendimento sem a tutela de outrem. É um estado de dependênciaque o homem é, muitas vezes, incapaz de perceber. A questão é encontrar umhomem que seja justo em si mesmo para governar os outros de modoigualitário e o mais próximo da perfeição possível.Kant, elabora assim, uma visão de mundo. A racionalidade proposta pelofilósofo, também tem fins de promover a coletividade. O homem desenvolve aprópria racionalidade, e esse desenvolvimento está ancorado também nainteligibilidade, no altruísmo, na liberdade. “No homem (única criatura racionalsobre a Terra) aquelas disposições naturais que estão voltadas para o uso desua razão devem desenvolver-se completamente apenas na espécie e nãoapenas no indivíduo.” (KANT, 1986, p. 5). Então, a racionalidade devepromover o desenvolvimento social e histórico dos homens; sua prática políticaestá no entre, no vínculo e na participação que estabelece.A revolução que a vivência plena da cidadania pode efetivar se dá napossibilidade de o homem romper com a alienação, com o esmaecimentodiante da realidade. Ele precisa passar a perceber a necessidade de suaparticipação. Isso se daria, a todo instante, nas relações diárias, na criação derelações que apontem, dentro do homem, as potencialidades que possui.Não há mudança sem uma efetiva investida do cidadão. A luta pelacidadania plena deve ser transformar o cotidiano das pessoas em algo bom e
  13. 13. satisfatório, sob condições que respeitem a própria vida. Deve haver o trabalhocoletivo na construção de um mundo mais humano e justo.Então, torna-se possível o desenvolvimento daquela ação social deconteúdo coletivo dos trabalhadores, no campo econômico, paraobter os bens e direitos a que fazem jus. E também, o exercício daação social no nível político, como construção da democracia em seusentido mais amplo – de uso da persuasão, do argumento, deconstrução da justiça, liberdade, igualdade. (COVRE, 1991, p. 74).Podemos dizer então, que a cidadania passa por um processo deconscientização da necessidade da própria participação na organização dasociedade. A filosofia pode contribuir em muito nessa dinâmica, pois estimula efomenta a formação ética, a autonomia intelectual e o pensamento crítico daspessoas, fazendo-as cada vez mais atentas e participativas.2.2.1 Ensino de Filosofia e desenvolvimento da consciência cidadãUm estudo tem caráter filosófico quando assume uma posturadiferenciada diante do mundo. Busca-se novas alternativas de entendimento. Afilosofia é, portanto, atitude reflexiva. Ela busca as raízes e os fundamentos dosproblemas sobre os quais se propõe refletir. É dotada de rigor, sistematizaçãoe métodos. E ainda, examina as questões de modo global, no seu conjunto oumeio em que está inserido.Evidentemente, não podemos dizer que a filosofia se justifica apenas porsua contribuição como instrumental para a cidadania. Tal afirmação serialimitada. O estudo da Filosofia abre os horizontes do educando, podemos dizeraté que em dimensão transdisciplinar7. Torna-o mais crítico e capaz de exercera própria cidadania. Tanto os conteúdos quanto as metodologias utilizadasdesenvolvem capacidades que são importantes no processo educacional que oaluno vive. Prepará-lo para a vida – eis o desafio no qual a filosofia podecolaborar.[...] “o papel peculiar da filosofia no desenvolvimento da competênciageral de fala, leitura e escrita – competência aqui compreendida deum modo bastante especial e ligado à natureza argumentativa da7Pode-se compreender transdisciplinaridade como não-linearidade. É a razão transversal,portanto, que escapa à lógica seqüencial e linear de alocação de disciplinas.
  14. 14. filosofia e à sua tradição histórica. Cabe, então, especificamente àFilosofia a capacidade de análise, de reconstrução racional e decrítica, a partir da compreensão de que tomar posições diante detextos propostos de qualquer tipo (tanto textos filosóficos quantotextos não filosóficos e formações discursivas não explicitadas emtextos) e emitir opiniões acerca deles é um pressuposto indispensávelpara o exercício da cidadania”. (SAVIANI, 2007, p. 26).A Filosofia cumpre um papel formador, visto que ela articula o saber.Evita que a consciência assuma algo como verdadeiro em razão deaparências. Não se restringe a meras opiniões ou ao senso comum, pelocontrário, aprofunda questões e as conecta à vida do aluno. Um conhecimentoassim, imbricado na vida do aluno, é capaz de transformar e significar aconcepção de mundo que ele tem.Ainda podemos caracterizar a filosofia como diálogo. Afinal, ela examinaminuciosamente, debate e levanta os prós e contras de um determinadoassunto ou problema. Apresenta abertura às outras diversas áreas doconhecimento e corrobora assim, na elaboração de conceitos. Os objetivos doensino de Filosofia, quando bem definidos, atuam também na compreensãodas outras disciplinas. Ela pode trazer esses conhecimentos adquiridos,acompanhando ou, pelo menos, respeitando o movimento do pensar à luz degrandes obras, independentemente do autor ou da teoria escolhida. Quando oaluno consegue realizar esta conexão, pode haver uma nova/maior motivaçãopara o seu estudo. Então,[...] essa significação subjetiva ganha corpo quando o sujeitoconsegue relacionar um novo conhecimento com aqueles que jáfazem parte de sua estrutura cognitiva, ou seja, quando o ato deconhecimento tem condições de configurar-se, em alguma medida,com um ato de reconhecimento. O que o aluno já sabe acabafuncionando como uma espécie de ponto de ancoragem para novasaquisições cognitivas. ((RODRIGO, 2009, p. 38).A Filosofia aparece, neste contexto, como uma experiência modificadorado pensamento e de si mesmo. Sempre partindo do momento em que osconteúdos estudados e as conexões que se realiza tomam um novo sentidopara o indivíduo. Os espaços para o diálogo permitem que o aluno se expresselivremente, incentivando-o a participar e exercitar o diálogo filosófico. Esseprocesso educativo se efetiva na colaboração e no intercâmbio das idéias,
  15. 15. reflexões e pontos de vista daquelas que participam , transformando-as emuma comunidade de investigação.Inicia-se o aluno no mundo da Filosofia através de uma combinaçãoentre o exame dos textos filosóficos e das situações vividas por ele. Isso nãofaz a Filosofia perder sua identidade e especificidade como uma disciplinacurricular do ensino médio. Diferentemente, leva o aluno a colocar em questãoaquilo que já sabe e a buscar novas fontes de conhecimento.Os estudantes podem passar de um estado de ignorância para umestado de conhecimento sobre temas concretos. É necessário, porém, que aescola seja o contexto onde se constrói a autonomia. Quando o aluno é capazde pensar por si próprio, se percebe também como agente transformador dasociedade. A filosofia serve como que um suporte, pano de fundo ou subsídio,que desvela o aluno das sombras da ignorância e o faz despertar para umvasto mundo de possibilidades.3.1 Ensino de Filosofia e Trabalho VoluntárioA filosofia nos capacita à criticidade. A liberdade e autonomia depensamento a que ela nos leva, nos insere de modo mais contundente nasociedade. Como disciplina ela pode nos instigar a uma busca criativa desoluções para as carências da vida comum.3.1.1 Pensamento crítico e participação: a filosofia como “pano de fundo”para o projeto de VoluntariadoQuando procura modificar a sociedade, o homem acaba por modificar-sea si mesmo. Essa situação só se dá quando o homem assume uma novamaneira de pensar, livre e crítica, capaz de colocar em questão os própriosvalores e de avaliar as próprias ações e posturas.O homem precisa então, desenvolver a capacidade reflexiva e o espíritocrítico, características próprias do verdadeiro filósofo. Quando reflete, a pessoaconsegue filtrar as informações que recebe (considerando o contexto atual,vivemos em meio a uma enxurrada de informações). Pensamento crítico é a
  16. 16. capacidade de dosar a validade e significado destas informações e ainda, acapacidade de aplicação e aprimoramento.Essa autonomia de pensamento leva a uma atitude de posicionamentodiante do mundo. A influência dos outros sobre nós pode “ameaçar nossaindependência, pois se esse outro fosse inócuo e não pudesse interferir emnossa independência, não teria sentido ser autônomo”. (GALLO, 2004, p. 68).Ela ainda leva a uma atitude de compartilhamento, pois a compreensão demundo leva a perceber que o mundo é conjunto, e não apenas a minhaindividualizada presença no mundo. Assim,O outro assume um papel importante nessa ação. Ela não pode seruma ação solitária ou solipsista. Não pressupõe que o mundo seja omeu mundo, mas que este seja um mundo compartilhado e ondeminha ação, mesmo a ação do pensamento, seja de intervenção nomundo. O mundo não seria o mesmo sem essa ação – isto é, negaradicalmente o ditado que afirma que a filosofia é aquilo que com ousem a qual o mundo continua tal e qual. Então a filosofia não seriauma ação inócua, apesar de não podermos esperar um produtodefinido dela, assim como se espera da resolução de um cálculo.(GALLO, 2004, p. 76).Não se trata aqui de uma espécie de pragmatismo, mas de umaconseqüência. A prática filosófica é intervenção no mundo. Ela muda a visão, acompreensão e acarreta em uma nova forma de agir. Tem sua dimensãoteórica com as ideias e conceitos e desemboca em sua dimensão prática, comações e inferências práxiológicas.A filosofia ainda pode servir como suporte para o desenvolvimento dacriatividade. O aluno, quando consegue perceber que os conteúdos estudadostêm uma intervenção prática no mundo, buscará, por meio de maneirasdiferenciadas, desenvolver aquilo que se espera. A criatividade está então,associada à inovação e em fazer as coisas que se espera de modos novo eoriginal.Dentre os objetivos traçados para o projeto de voluntariado, é importantedestacar o desenvolvimento da consciência cidadã do aluno. Tal característicapode ser observada também como um dos objetivos traçados para a disciplinade Filosofia.Podemos observar que existe a possibilidade de uma relação decomplementaridade entre o Voluntariado como proposta educativa e o ensino
  17. 17. de Filosofia. Estas duas instâncias colaboram no aprimoramento de uma sériede capacidades que o aluno deve desenvolver ao longo do Ensino Médio, eque o acompanharão por toda a vida.A questão fundamental é instigar o aluno a buscar soluções para asquestões e problemáticas que o incomodam. Esta é uma atitude filosófica,relacionada ao aprofundamento e busca por respostas; e é atitude de cidadãoconsciente, que se depara com a realidade, muitas vezes, marcada porinjustiças sociais, e estabelece propostas e se empenha pela mudança.Trata-se da criatividade, da curiosidade, da capacidade de pensarmúltiplas alternativas para a solução de um problema, ou seja, dodesenvolvimento do pensamento crítico, da capacidade de trabalharem equipe, da disposição para procurar e aceitar críticas, dadisposição para o risco, de saber comunicar-se, da capacidade debuscar conhecimentos. De forma um tanto sumária, pode-se afirmarque se trata tanto de competências comunicativas, que parecemsolicitar da Filosofia um refinamento do uso argumentativo dalinguagem, para o qual podem contribuir conteúdos lógicos própriosda Filosofia, quanto de competências, digamos, cívicas, que podemfixar-se igualmente à luz de conteúdos filosóficos.” (GALLO, 2004, p.30)O trabalho desenvolvido não pode se limitar à interpretação ou àcontextualização dos filósofos de forma fragmentada e unívoca, nem mesmo sereduzir a debates e discussões embasadas em textos filosóficos. Diversasmetodologias podem ser utilizadas para que se alcance de forma mais eficazos objetivos. As atividades devem conduzir o aluno a uma conexão de ideias eà capacidade de relacionar conteúdos com a própria vida, de modo especial,com a atividade voluntária.Em síntese, pode-se dizer que a filosofia pode contribuir em muito com odesenvolvimento da consciência cidadã. Podemos apontar a reflexão como umdos objetivos desse processo educacional. É na escola que o aluno aprofundaas mais diversas reflexões que o levam a ampliar o próprio horizonte de sentidoe de significação do mundo. E enfim, esse exercício deve levar a um outro: aoda plena cidadania, que também está vinculada ao fato de que a educaçãodeve aperfeiçoar o aluno como pessoa, inerente à sua formação ética, à sualiberdade, autonomia de pensamento e capacidade crítica.

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