Angulo popliteo

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Angulo popliteo

  1. 1. AVALIAÇÃO DO ÂNGULO POPLÍTEO EM JOELHOS DE ADOLESCENTES ASSINTOMÁTICOS ARTIGO ORIGINAL Avaliação do ângulo poplíteo em joelhos de adolescentes assintomáticos* ANTONIO ALBERTO AFFONSO FILHO¹, RICARDO DIZIOLI NAVARRO²RESUMO ABSTRACT Os autores apresentam a avaliação do ângulo poplí- Evaluation of the popliteal angle in asymptomatic ado-teo em adolescentes com joelhos assintomáticos. O ma- lescent kneesterial é constituído por 500 pacientes e 1.000 joelhos. A The authors present the evaluation of the popliteal an-medição do ângulo poplíteo foi feita utilizando técnica gle in asymptomatic adolescent knees. The material com-semelhante à de Vernieri. Os resultados da medição do prised 500 patients (1,000 knees). Measurement of theângulo poplíteo apresentaram, no sexo masculino, mé- popliteal angle was done using a technique almost like thatdia de 157º dos 10 até 13 anos, 155º dos 14 até os 17 of Vernieri. Results of this evaluation were, for boys, a meananos e 160º dos 18 até os 20 anos. E, no sexo feminino, of 157º from 10 to 13 years, 155º from 14 to 17 years, and163º no primeiro grupo, 165º no segundo e 167º no ter- 160º from 18 to 20 years of age. And for girls, 163º for theceiro. first group, 165º for the second group, and 167º for the third one.Unitermos – Ângulo poplíteo; adolescente Key words – Popliteal angle; adolescentsINTRODUÇÃO A dor anterior no joelho é uma queixa bastante comum Um recurso freqüentemente utilizado para o tratamentona prática diária dos ortopedistas, acometendo tanto atle- dos pacientes com esse tipo de dor é o alongamento mus-tas quanto pessoas sedentárias. cular. Sua etiologia é multifatorial e há consenso na literatura No estudo do encurtamento da musculatura isquiotibial,de que seu tratamento deva ser inicialmente clínico, fican- não há preferência nítida, na literatura, para um sistema dedo o operatório reservado para os casos de falha desse. avaliação dos encurtamentos dos flexores da coxa(1). Há, também, imprecisão na definição do ângulo poplí- teo e do seu ângulo suplementar, bem como do ponto de extensibilidade muscular avaliado.* Resumo de tese de mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação A maioria dos estudos sobre o ângulo poplíteo concen- em Ortopedia e Traumatologia da Escola Paulista de Medicina da Univer- tra-se em crianças(2,3,4). Em nosso meio não há um padrão sidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp). de normalidade para o ângulo poplíteo na adolescência,1. Mestre em Ortopedia e Traumatologia; Médico Assistente do Grupo de Joelho e Artroscopia do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da período que a Organização Mundial de Saúde define como EPM-Unifesp. sendo a faixa etária compreendida entre os 10 e 20 anos e2. Professor Adjunto-Doutor e Chefe do Grupo de Joelho e Artroscopia do que, segundo o consenso da literatura, é a mais acometida Departamento de Ortopedia e Traumatologia da EPM-Unifesp. pela dor anterior no joelho.Endereço para correspondência: Av. Heitor Villa-Lobos, 1.450 – 12245-280– São José dos Campos, SP. Tel.: (12) 3942-3316, fax: (12) 3922-6793. Nosso objetivo neste estudo foi avaliar as variações doRecebido em 14/8/01. Aprovado para publicação em 3/9/02. ângulo poplíteo em adolescentes com joelhos assintomáti-Copyright RBO2002 cos, no nosso meio.Rev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 10 – Outubro, 2002 461
  2. 2. A.A. AFFONSO FO & R.D. NAVARRO Objetivamos, ainda, determinar a influência do encurta-mento dos músculos gastrocnêmios na variação do ângulopoplíteo.MATERIAL E MÉTODOS Material Entre janeiro de 1999 e agosto de 2000, no DOT-EPM-Unifesp, foram avaliados 500 adolescentes (1.000 joelhos)sem quaisquer queixas relacionadas à articulação, prove-nientes da clínica particular (Medvale), ambulatório orto- Fig. 1 Medida dopédico hospitalar (Hospital Nossa Senhora de Fátima/Clí- ângulo poplíteonica São José) e pronto atendimento ortopédico (Hospital em extensãoVereador José Storopoli e Hospital São Paulo). Todas as (APext)avaliações foram feitas pelo mesmo examinador. Fig. 1 Para a medida dos ângulos foi usado um goniômetro Measurement of the poplitealpadrão de plástico. Os indivíduos com qualquer queixa re- angle inferente ao joelho ou com sintomatologia possivelmente extensionassociada com encurtamentos dos grupos musculares pes- (APext)quisados foram excluídos do estudo. Foram excluídos também os atletas de alto nível (enten-dendo-se como tais aqueles que treinam diariamente sobsupervisão técnica ou que participam de times ou seleções encurtamento dos músculos pesquisados (como, por exem-oficiais). plo, dorso curvo, dorsolombalgias, ciatalgias, aplanamen- Foram ainda excluídos os indivíduos com encurtamento to lombar postural, alterações neurológicas). Foram entãodos flexores da coxa maior que 10º, pesquisado na mano- colocados em decúbito dorsal horizontal (DDH), sendo ini-bra de Thomas. cialmente realizada a manobra de Thomas, pesquisando- Consideramos, para a avaliação, o sexo, a idade, a etnia, se a contratura em flexão do quadril que, quando encontra-o lado, a dominância e a freqüência de atividade física. da maior que 10º, excluiu o paciente da amostra. Nossa amostra foi composta de 500 indivíduos (tabela Foram pesquisadas as retrações da cápsula posterior do1), perfazendo um total de 1.000 joelhos (500 esquerdos e joelho e, quando encontradas, excluíram o paciente da500 direitos). amostra. A avaliação do ângulo poplíteo foi feita como preconi- Métodos zou Vernieri(1), com o indivíduo em DDH, o quadril do mem- Os voluntários foram submetidos a um exame ortopédi- bro inferior testado fletido a 90º, o membro inferior con-co geral, objetivando-se excluir da amostra indivíduos com tralateral em extensão completa sobre a mesa de exame,possíveis alterações dos joelhos ou relacionadas com o não sendo permitida a flexão do quadril ou joelho. A se- guir, o joelho do membro testado foi estendido passiva- TABELA 1 mente, com o pé em abandono, até o ponto no qual se per- Distribuição da amostra com relação ao sexo cebia a primeira resistência do músculo ao alongamento. Sample distribution in relation to sex Nesse ponto foi feita a medição do ângulo, com um dos braços do goniômetro alinhado com o eixo da coxa e o Sexo N outro com o eixo da perna (fig. 1). Os valores desse ângulo Masculino 231 foram chamados de ângulo poplíteo em extensão (APext). Feminino 269 Em seguida, a manobra foi repetida, com o pé em dorsi- Total 500 flexão passiva máxima, observando-se o ponto R1 do joe- lho (fig. 2). O ângulo medido nesse ponto foi denominadoFonte: DOT-EPM-Unifesp. ângulo poplíteo em dorsiflexão (APdors). Objetivou-se, com462 Rev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 10 – Outubro, 2002
  3. 3. AVALIAÇÃO DO ÂNGULO POPLÍTEO EM JOELHOS DE ADOLESCENTES ASSINTOMÁTICOS paramétrico para duas amostras independentes de Mann- Withney. Em todos os casos, o nível de rejeição da hipótese de nulidade foi fixado sempre em um valor menor que ou igual a 0,05 (5%). As médias foram calculadas e apresentadas a título de informação. Não se calcularam desvios padrões, pois, quando usa- mos testes não paramétricos, estamos pressupondo que a Fig. 2 distribuição das variáveis em causa não se comporta como Medida do curva de Gauss e, portanto, não há sentido em seu cálculo. ângulo poplíteo em dorsiflexão (APdors) RESULTADOS Fig. 2 O teste de Wilcoxon para a variável APext, bem como Measurement of the popliteal para a variável APdors, avaliando possíveis diferenças en- angle in tre os lados direito e esquerdo, mostrou não haver diferen- dorsiflexion ça estatisticamente significante entre os lados, em nenhum (APdors) do três grupos etários, tanto no sexo masculino quanto no feminino. O teste de Kruskal-Wallis, para a variável APdors (juntando-se os lados direito e esquerdo como uma única variável, uma vez que não se observou diferença estatisti-isso, avaliar o efeito do encurtamento dos gastrocnêmios camente significante entre eles), avaliando possíveis dife-no ângulo poplíteo. renças entre os três grupos etários, mostrou não haver, em A fim de melhorar os parâmetros de comparação, a nos- nenhum dos sexos, diferença estatisticamente significantesa amostra foi dividida em três grupos com relação à idade para os valores do ângulo poplíteo com dorsiflexão do pé.(tabela 2): grupo I, de 10 até 13 anos (esqueleticamente Porém, quando o mesmo teste foi realizado para a variá-imaturos); grupo II, de 14 até 17 anos (fase de maturação); vel APext, foi encontrada diferença estatisticamente signi-grupo III, de 18 até 20 anos (esqueleticamente maduros). ficante para os seus valores na comparação entre os três Método estatístico grupos etários, em ambos os sexos. Nesses casos, o teste de comparações múltiplas mostrou Para a análise estatística foram utilizados o teste não que no sexo masculino essa diferença se deu com o grupoparamétrico para duas amostras não independentes de Wil- II apresentando valores do APext menores que o grupo III,coxon, o teste não paramétrico para K amostras indepen- e, no sexo feminino, com o grupo I apresentando valoresdentes de Kruskal-Wallis, complementado, quando neces- do APext menores que o grupo III.sário, pelo teste de comparações múltiplas, e o teste não DISCUSSÃO TABELA 2 Composição dos grupos etários Ao estudarmos os encurtamentos da musculatura poste- Age group mix rior da coxa, não encontramos padronização, desde as téc- nicas para sua medição, até sua nomenclatura(1,4,5). Grupo Sexo Sexo Total de Entre as diversas técnicas de avaliação do comprimento etário masculino feminino indivíduos dos isquiotibiais(6,7,8,9,10,11), está a medição do ângulo poplí- teo. Aí, também não há consenso com relação a sua defini- I 94 103 197 ção e como deveria ser feita sua medida. II 88 82 170 III 49 84 133 O teste do ângulo poplíteo foi originalmente descrito por Amiel-Tison(2), em 1968, e media o ângulo formado na re-Fonte: DOT-EPM-Unifesp. gião posterior do joelho. Bleck(3), em 1979, chamou de ân-Rev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 10 – Outubro, 2002 463
  4. 4. A.A. AFFONSO FO & R.D. NAVARROgulo poplíteo aquele formado entre o eixo da perna e o um grau diferente de flexão do quadril. Fazendo-se a me-prolongamento do eixo da coxa, na região anterior do joe- dição com o quadril fletido a 90º, podemos obter melhorlho. Alguns autores(4,12,13) fizeram a medida do ângulo po- padronização da técnica.plíteo dessa maneira; outros(14,15), porém, fizeram a medi- Também visando uma padronização, mantivemos o mem-ção do déficit angular em relação à extensão total passiva bro contralateral em extensão total durante a medição, poisdo joelho, com a mesma técnica de Bleck(3), mas não deno- concordamos com Malheiros et al(12) em que a semiflexãominaram esse ângulo como ângulo poplíteo. E Forlin et do joelho ou quadril opostos altera o ângulo pelvifemoral,al(5) o denominaram ângulo suplementar. facilitando a extensão do joelho examinado. Pela mesma Em nosso meio, Vernieri(1) definiu o ângulo poplíteo razão, pesquisamos o encurtamento dos flexores do qua-como sendo o ângulo formado pelo eixo do fêmur e da dril e as retrações da cápsula posterior, que, além de alterartíbia, estando a coxofemoral em flexão de 90º, a contrala- a medida do ângulo poplíteo, pode levar ao surgimento dateral em extensão máxima possível e o paciente em decú- dor anterior no joelho(18), e excluímos de nossa amostrabito dorsal, medindo o ângulo formado na face posterior aqueles que os apresentavam.do joelho. Acreditava ser essa a melhor maneira de avaliar Outro ponto de possíveis divergências na medição doo comprimento dos flexores do joelho, pois o valor do ân- ângulo poplíteo é o momento da extensão do joelho nogulo seria diretamente proporcional ao comprimento mus- qual é tomada a medida do ângulo.cular e inversamente proporcional ao seu encurtamento. Buscando qual seria o melhor ponto para a medição doKuo et al(16) e Fulkerson et al(17) mediram o ângulo poplí- ângulo poplíteo, encontramos a definição de comprimentoteo dessa mesma maneira. muscular de repouso (CMR)(19), que significa o ângulo da Buscando uma tentativa de padronização racional para a articulação no qual um músculo ou grupo muscular podedefinição do ângulo poplíteo, verificamos que um ângulo, gerar sua força de contração isométrica máxima. E quepor definição na geometria plana, é um par de linhas (L1, coincide com aquele comprimento no qual este músculoL2) originadas em um ponto chamado de vértice do ângu- exibe sua primeira resistência à tensão. Esse primeiro en-lo. Se a rotação for tomada como um conceito primário ao contro com uma resistência ao alongamento passivo podeângulo, então esse ângulo (L1^L2) pode ser definido como ser também chamado de ponto R1 e representa o CMR.a rotação anti-horária ou a quantidade de uma volta em Se continuarmos aplicando uma força de tensão a essetorno do vértice, necessária para fazer L1 coincidir com músculo após o encontro do ponto R1, podemos obter au-L2 e, por definição, o ângulo de 180º-aº é o suplemento do mento do seu comprimento, chegando ao ponto que podeângulo com aº. Sendo assim, concordamos com Vernieri(1) ser chamado de R2, que representa o comprimento máxi-e consideramos que o método de avaliação do ângulo po- mo atingido por esse músculo sob a ação de uma forçaplíteo pela técnica de Bleck é, na verdade, a medida do externa de tensão, refletindo as propriedades viscoelásti-ângulo suplementar do ângulo poplíteo (AP), como Forlin cas do músculo, do tecido conjuntivo, da cápsula articular,et al(5) já o haviam definido em seu estudo. Se considerar- dos vasos sanguíneos e nervos, enquanto R1 representariamos o eixo da perna como uma linha L1, o joelho como o a sobreposição ideal do filamento contrátil e a disposiçãovértice do AP e o eixo da coxa como uma linha L2, com o ótima do tecido conjuntivo a ele relacionado, juntamentejoelho em extensão completa, teremos 180º. Para que ti- com um componente de resposta neural máxima ao alon-véssemos 0º, seria necessária a sobreposição dessas linhas, gamento imposto ao tecido.o que é impossível. Dessa maneira, acreditamos que, por Sendo assim, acreditamos que o ponto de extensão dodefinição matemática, só pode ser chamado de ângulo po- joelho mais indicado para a medição do ângulo poplíteo éplíteo aquele medido na face posterior do joelho. o ponto R1. Com relação à técnica de medição do ângulo poplíteo Uma vez que estávamos avaliando indivíduos em desen-descrita por Amiel-Tison(2), com o quadril em flexão sufi- volvimento, preocupamo-nos com as prováveis influênciasciente para que a coxa encoste no peito ou na barriga do que o crescimento ou a puberdade poderiam exercer sobrepaciente, concordamos com Reade et al(4), que consideram o comprimento dos isquiotibiais, mas, de acordo com aque essa maneira torna a técnica menos exata com relação literatura(16,20), isso não ocorre.aos parâmetros de comparação, uma vez que, dependendo As variações do ângulo poplíteo foram estudadas comdo diâmetro abdominal do paciente examinado, teremos relação ao lado, sexo e idade.464 Rev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 10 – Outubro, 2002
  5. 5. AVALIAÇÃO DO ÂNGULO POPLÍTEO EM JOELHOS DE ADOLESCENTES ASSINTOMÁTICOS Com relação à dominância, em nossa amostra, o número porário se corrija espontaneamente na maioria dos casos.de sinistros é muito pequeno (3,6%), sendo menor do que No sexo feminino, talvez, essas variações do ângulo poplí-sua freqüência normal na população geral (ao redor de 5%). teo ocorram em uma fase um pouco mais precoce do queAssim, decidimos não levar em conta essa variável; além no sexo masculino, da mesma forma que a maturação es-disso, Malheiros et al(12) não encontraram diferença esta- quelética. Isso explicaria também observarmos, no sexotisticamente significante entre 522 crianças destras e 66 feminino, o mesmo padrão de aumento do ângulo poplíteosinistras com relação ao AP. com a idade, porém de forma gradativa, havendo uma di- Com relação à atividade física, apenas excluímos de nos- ferença estatisticamente significante entre os valores mé-sa amostra os atletas de alto nível. dios do ângulo poplíteo apenas entre o grupo de 10 até 13 Com relação à etnia, nossa população é altamente mis- anos e o grupo de 18 até 20 anos.cigenada, sendo assim, a nosso ver, impossível fazer uma O estudo de Jozwiak et al(13), em 920 indivíduos saudá-diferenciação criteriosa em nossa amostra. veis, de três até 19 anos de idade, encontrou valores limi- Nossos resultados são de difícil comparação com alguns tes do ângulo poplíteo (medido pela técnica de Bleck) paratrabalhos da literatura(2,3,4) devido às diferenças entre as o sexo masculino de 40º entre três e cinco anos, 50º entreamostras, principalmente com relação à idade. seis e 15 anos e 40º entre 16 e 19 anos; e, para o sexo Nossos resultados mostraram, no sexo masculino, mé- feminino, 30º entre três e cinco anos, 45º entre seis e 14dia de 157º dos 10 até 13 anos de idade, 155º dos 14 até os anos e 30º entre 15 e 19 anos. Esses dados corroboram17 anos e 160º dos 18 até os 20 anos. E no sexo feminino, nossa observação. Seus resultados mostram haver diminui-163º no primeiro grupo, 165º no segundo e 167º no tercei- ção natural no comprimento dos isquiotibiais, um poucoro. Esses valores são bastante próximos aos de Vernieri(1) e antes do estirão de crescimento da puberdade. Essa dimi-de Kuo et al(16). nuição ocorreu, no sexo masculino, na faixa etária dos seis Com relação aos lados direito e esquerdo, nossos resul- até os 15 anos, enquanto que, no feminino, dos seis até ostados mostraram-se semelhantes aos de Malheiros et al(12), 14 anos. De forma semelhante ao que observamos, essenão tendo sido encontrada diferença estatisticamente sig- encurtamento sofre correção espontânea com o aumentonificante entre eles. da idade. Em nossa amostra encontramos comprimento maior dos Em nossa amostra, composta por indivíduos sem quais-isquiotibiais no sexo feminino, o que parece ser um con- quer queixas relacionadas aos joelhos, obtivemos valoressenso na literatura(1,5,12,13,16). para o ângulo poplíteo que variaram de um mínimo de 120º Encontramos diferença estatisticamente significante nos a um máximo de 180º. Esses dados levam-nos a concordarvalores do ângulo poplíteo entre os grupos etários de 14 com Forlin et al(5) em que a retração da musculatura isquio-até 17 anos e 18 até 20 anos no sexo masculino e nos gru- tibial não está relacionada de maneira constante à dor an-pos de 10 até 13 anos e 18 até 20 anos no sexo feminino, terior do joelho. Levam-nos também a concordar com Ma-sendo que o ângulo poplíteo, em nossa amostra, se apre- lheiros et al (12) em que a medida do ângulo poplíteosentou maior na faixa etária dos 18 até os 20 anos, levando apresenta grande variabilidade, não nos permitindo esta-a uma observação diferente daquela feita por Forlin et al(5) belecer um valor de normalidade.e depois por Malheiros et al(12). Com relação ao estudo da variação do ângulo poplíteo Se buscarmos uma explicação para essa aparente con- com o pé em dorsiflexão, encontramos um comportamen-tradição, verificaremos que, no primeiro estudo, a idade to semelhante ao do ângulo poplíteo medido com o pé emvariava de seis até 15 anos e, no segundo, de sete até 13 abandono. Não houve diferença estatisticamente signifi-anos. Se observarmos os nossos resultados, no sexo mas- cante entre os lados, no sexo masculino ou feminino, emculino, o ângulo poplíteo apresenta diminuição de seus va- nenhuma das faixas etárias.lores no grupo de 10 até 13 anos em relação ao grupo de 14 O sexo feminino continuou apresentando maior compri-até 17 anos e, a partir de então, passa a aumentar. Assim, mento muscular em relação ao sexo masculino.se considerarmos as faixas etárias, pode ser que essa con- Porém, quando comparamos os valores do ângulo poplí-tradição de resultados não exista e que essa diminuição do teo medido com o pé em dorsiflexão, não observamos di-ângulo poplíteo possa ter alguma relação com a fase de ferença estatisticamente significante entre as diversas fai-maturação esquelética e, ainda, que esse encurtamento tem- xas etárias, ao contrário do que aconteceu com a medidaRev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 10 – Outubro, 2002 465
  6. 6. A.A. AFFONSO FO & R.D. NAVARROfeita com o pé em abandono. Apesar disso, as medidas tibiais na paralisia cerebral, pois, para a marcha é necessá-mostraram o mesmo padrão crescente no sexo feminino, rio um pé plantígrado, porém isso necessita mais estudos.com valores de 158º dos 10 até os 13 anos, 161º dos 14 atéos 17 anos e 162º dos 18 até os 20 anos. E, no sexo mascu- CONCLUSÕESlino, 153º no primeiro grupo, 151º no segundo e 156º no 1) Ocorre diminuição nos valores do ângulo poplíteo,terceiro, mostrando o mesmo padrão de diminuição entre na faixa etária de 14 até 17 anos, para o sexo masculino.14 e 17 anos, com posterior compensação. Porém, esses valores sofrem correção espontânea com a As medidas do ângulo poplíteo, com o pé em dorsifle- progressão da idade.xão, foram sempre menores do que aquelas feitas com o pé 2) Os valores do ângulo poplíteo aumentam progressi-em abandono, pois estão sujeitas à ação dos encurtamen- vamente com a idade durante a adolescência, para o sexotos dos gastrocnêmios. Sendo assim, não há sentido em feminino.compararmos ambas entre si. Entretanto, essas diferenças 3) Obtivemos, em nossa amostra, valores para o ângulochamam atenção para o fato de variações na técnica de poplíteo que variaram de um mínimo de 120º a um máxi-medição do ângulo poplíteo poderem alterar seu resultado. mo de 180º. A medida do ângulo poplíteo com o pé em dorsiflexão, 4) A grande variação das medidas do ângulo poplíteotalvez, seja uma boa maneira para avaliarmos, indiretamen- não nos permite estabelecer um valor de normalidade.te, o comprimento dos gastrocnêmios. E essa talvez seja a 5) Em nossa amostra encontramos comprimento maiormelhor maneira de avaliarmos o comprimento dos isquio- dos músculos isquiotibiais no sexo feminino.REFERÊNCIAS 1. Vernieri J.S.: Ângulo poplíteo. Rev Bras Ortop 27: 363-364, 1992. 12. Malheiros D.S., Cunha F.M., Lima C.L.F.A.: Análise da medida do ân- 2. Amiel-Tision C.: Neurological evaluation of the maturity of newborn gulo poplíteo em crianças de sete a 13 anos de idade. Rev Bras Ortop infants. Arch Dis Child 43: 89-93, 1968. 30: 693-698, 1995. 3. Bleck E.E.: “Orthopaedic assessment” in Orthopaedic management of 13. Jozwiak M., Pietrzak S., Tobjasz F.: The epidemiology and clinical mani- cerebral palsy. Philadelphia, W.B. Saunders, 29-33, 1979. festations of hamstring muscle and plantar foot flexor shortening. Dev 4. Reade E., Hom L., Hallum A., Lopopolo R.: Changes in popliteal angle Med Child Neurol 39: 481-483, 1997. measurement in infants up to one year of age. Dev Med Child Neurol 26: 774-780, 1984. 14. Doucette S., Goble M.: The effect of exercise on patellar tracking in lateral patellar compression syndrome. Am J Sports Med 20: 434-440, 5. Forlin E., Andujár A.L.F., Alessi S.: Padrões de normalidade do exame 1992. físico dos membros inferiores em crianças na idade escolar. Rev Bras Ortop 29: 601-607, 1994. 15. Reimers J.: Contracture of the hamstrings in spastic cerebral palsy. J 6. Kutsuna T., Watanabe H.: Contractures of the quadriceps and hamstrings Bone Joint Surg [Br] 56: 102-109, 1974. muscles in healthy male adult. J Jpn Orthop Assoc 55: 237-242, 1981. 16. Kuo L., Chung W., Bates E., Stephen J.: The hamstring index. J Pediatr 7. Bohannon R.W.: Cinematographic analysis of the passive straight leg Orthop 17: 78-88, 1997. raising test for hamstring muscle length. Phys Ther 62: 1269-1274, 1982. 8. Gajdosik R.L., Rieck M.A., Sullivan D.K., Wightman S.E.: Comparison 17. Fulkerson J.P., Buuck D.A., Post W.R.: Patologia da articulação patelo- of four clinical tests for assessing hamstring muscle length. J Orthop femoral. 3rd ed. Rio de Janeiro, Revinter, 233, 2000. Sports Phys Ther 18: 614-618, 1993. 18. Gomes J.L.E., Marczyk L.R.: Síndrome patelar do flexo mínimo: apre- 9. Li Y., McClure P.W., Pratt N.: The effect of hamstring muscle stretching sentação de uma nova entidade clínica, do teste diagnóstico e do seu on standing posture and on lumbar and hip motions during forward bend- tratamento. Rev Bras Ortop 27: 205-209, 1992. ing. Phys Ther 76: 836-845, 1996. 19. Cusick B.: “Lower extremity musculoskeletal development” in Ortho-10. Cornbleet S.L., Woolsey N.B.: Assessment of hamstring muscle length pedic interventions for pediatric patients. Home study course 10.2.1: 7- in school-aged children using the sit-and-reach test and the inclinometer 16, 2000. measure of hip joint angle. Phys Ther 76: 850-855, 1996.11. Salen M., Hirschfeld H., Olsson A.: Forward leaning reaching task in 20. Feldman D., Shrier I., Rossignol M., Abenhaim L.: Adolescent growth sitting: a new measure for clinical evaluation of hamstring length in chil- is not associated with changes in flexibility. Clin J Sport Med 9: 24-29, dren. Physiother Res Int 4: 262-277, 1999. 1999.466 Rev Bras Ortop _ Vol. 37, Nº 10 – Outubro, 2002

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