IRACEMA - 1865 Iracema  / Séc. XIX (1881) óleo s/ tela, José Maria de Medeiros. Museu Nacional de Belas Artes, RJ.
<ul><li>José de Alencar  ( 1829  - 1877)   </li></ul>
<ul><li>Nascimento:  1 de maio  de 1829 em  Mecejana , Ceará </li></ul><ul><li>Falecimento: 12 de dezembro  de 1877 cidade...
Literatura  <ul><li>José de Alencar é o grande nome da prosa romântica brasileira, tendo escrito obras representativas par...
IRACEMA E O INDIANISMO <ul><li>Rousseau – Pré-romantismo europeu: </li></ul><ul><li>O homem é um animal naturalmente bom, ...
<ul><li>Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa”.  </li></ul><ul><li>Machado de Assis, então com 27 anos, que ...
<ul><li>Foco narrativo: 3ª. Pessoa – narrador onisciente. </li></ul><ul><li>Alegoria perfeita do processo de colonização d...
A LENDA E A HISTÓRIA   <ul><li>O livro, subtitulado  Lenda do Ceará , conta a triste história de amor entre a índia tabaja...
Estatua de Iracema da lagoa da Messejana
<ul><li>Iracema é filha de Araquém, pajé da tribo tabajara, e deve manter-se virgem porque “guarda o segredo da jurema e o...
<ul><li>O narrador seguidas vezes compara Iracema à natureza exuberante do Brasil. E a virgem leva sempre vantagem.  </li>...
A harmonia rompida   <ul><li>O narrador deixa clara a ruptura nesse harmoniosa relação de Iracema com o seu meio ao aprese...
A sedução   <ul><li>Enquanto esperam a volta de Caubi, o irmão de Iracema que reconduziria o guerreiro branco às terras pi...
<ul><li>Iracema –  José Maria de Medeiros - 1884 </li></ul>
Valor alegórico dessa passagem  <ul><li>Ao “possuir” Iracema, Martim está inconsciente, completamente seduzido e inebriado...
<ul><li>&quot;Iracema&quot;, quadro de 1909. Antonio Parreira </li></ul>
O conflito   <ul><li>Martim é ameaçado pelo enciumado chefe guerreiro Irapuã, que quer invadir a cabana de Araquém e matá-...
 
O exílio   <ul><li>Iracema acompanha Martim e Poti e passa a morar com eles no litoral.  </li></ul><ul><li>Iracema se ress...
<ul><li>Solitária e saudosa, Iracema tem dificuldade para amamentar o filho e quase não come. Desfalece de tristeza. Marti...
<ul><li>Índia brasileira </li></ul><ul><li>Autor(a)  FRANCISCO PEREIRA ANDRADE </li></ul><ul><li>Upload  2009-08-03 20:17 ...
<ul><li>Martim partiu das praias do Ceará levando o filho. Alencar comenta: “ O primeiro cearense, ainda no berço, emigrav...
OUTRAS PERSONAGENS <ul><li>Araquém : Pajé da tribo Tabajara, pai de Iracema, representa a sabedoria da velhice. </li></ul>...
Desdobramentos   <ul><li>No parnasianismo, o índio aparece raramente – um exemplo é o poema  A Morte de Tapir , de Olavo B...
Iracema e Macunaíma   <ul><li>&quot;Ci aromava tanto que Macunaíma tinha tonteiras de moleza&quot; (M.A.) -- &quot;Todas a...
<ul><li>FIM!!! </li></ul>
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Iracema - Alencar

11.784 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação, Turismo
  • Seja o primeiro a comentar

Iracema - Alencar

  1. 1. IRACEMA - 1865 Iracema / Séc. XIX (1881) óleo s/ tela, José Maria de Medeiros. Museu Nacional de Belas Artes, RJ.
  2. 2. <ul><li>José de Alencar ( 1829 - 1877) </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Nascimento: 1 de maio de 1829 em Mecejana , Ceará </li></ul><ul><li>Falecimento: 12 de dezembro de 1877 cidade do Rio de Janeiro , estado do Rio de Janeiro </li></ul><ul><li>Nacionalidade: Brasileiro </li></ul><ul><li>Ocupação: Crítico, romancista, dramaturgo </li></ul><ul><li>Escola/tradição: Romantismo </li></ul>
  4. 4. Literatura <ul><li>José de Alencar é o grande nome da prosa romântica brasileira, tendo escrito obras representativas para todos os tipos de ficção românticos: passadista e colonial (O Guarani, 1857), indianista (Iracema, 1865), sertaneja (O Sertanejo, 1875). </li></ul><ul><li>Pode-se dividir, didaticamente, a obra de Alencar em: </li></ul><ul><li>indianista (O Guarani, 1857; Iracema, 1865; Ubirajara, 1874); </li></ul><ul><li>urbana ( Lucíola , 1862; Diva , 1864; Senhora , 1875), </li></ul><ul><li>regionalista ( O Gaúcho , 1870; O Sertanejo , 1875) e históricos ( Guerra dos Mascates (primeiro volume), 1873). </li></ul><ul><li>Seus grandes mestres são o francês Chateubriand e o escocês Walter Scott. Mas também o influenciaram muito os escritores Balzac e Alexandre Dumas. </li></ul>
  5. 5. IRACEMA E O INDIANISMO <ul><li>Rousseau – Pré-romantismo europeu: </li></ul><ul><li>O homem é um animal naturalmente bom, mas corrompido pela sociedade. </li></ul><ul><li>Alencar partilha desse conceito, transformando-o em convicção arraigada em sua imaginação poética. </li></ul><ul><li>Subsiste a idéia central no Romantismo, de que a arte deve reaproximar o homem da natureza. </li></ul><ul><li>Reintegração do homem ao estado natural. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa”. </li></ul><ul><li>Machado de Assis, então com 27 anos, que escreveu sobre Iracema no Diário do Rio de Janeiro, em 1866:      “Tal é o livro do Sr. José de Alencar, fruto do estudo e da meditação, escrito com sentimento e consciência… Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro…Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima.” </li></ul>IRACEMA: OBRA-PRIMA DO ROMANCE POÉTICO DO BRASIL
  7. 7. <ul><li>Foco narrativo: 3ª. Pessoa – narrador onisciente. </li></ul><ul><li>Alegoria perfeita do processo de colonização do Brasil e de toda a América pelos invasores portugueses e europeus em geral. </li></ul><ul><li>O nome Iracema é uma anagrama da palavra América. </li></ul><ul><li>Martim remete ao deus greco-romano Marte, o deus da guerra e da destruição. </li></ul><ul><li>Trabalho de construção de uma linguagem: “ a singeleza primitiva da língua bárbara ”, com “ termos e frases que pareçam naturais na boca do selvagem ”. </li></ul>FOCO NARRATIVO E SENTIDO ALEGÓRICO DA OBRA
  8. 8. A LENDA E A HISTÓRIA <ul><li>O livro, subtitulado Lenda do Ceará , conta a triste história de amor entre a índia tabajara Iracema, a virgem dos lábios de mel e Martim, primeiro colonizador português do Ceará. </li></ul><ul><li>O assunto do livro é também a história da fundação do Ceará e o ódio de duas nações inimigas (tabajaras e pitiguaras). </li></ul><ul><li>Os pitiguaras habitavam o litoral cearense e eram amigos dos portugueses. Os tabajaras viviam no interior e eram aliados dos franceses. </li></ul><ul><li>José de Alencar recorreu a circunstâncias históricas, como a rixa entre os índios tabajaras e pitiguaras e utilizou personagens  reais, como Martim Soares Moreno e o índio Poti, que depois viria a adotar o nome cristão de Antônio Felipe Camarão. Mas cercou-os de uma fértil imaginação e de um lirismo próprios da poesia romântica. </li></ul>
  9. 9. Estatua de Iracema da lagoa da Messejana
  10. 10. <ul><li>Iracema é filha de Araquém, pajé da tribo tabajara, e deve manter-se virgem porque “guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o Pajé a bebida de Tupã”. Um dia, Iracema encontra, na floresta, Martim, que se perdera de Poti, amigo e guerreiro pitiguara com quem havia saído para caçar e agora andava errante pelo território dos inimigos tabajaras. Iracema leva Martim para a cabana de Araquém, que abriga o estrangeiro: para os indígenas, o hóspede é sagrado. O momento em que Martim encontra Iracema revela a idealização romântica em seu grau mais elevado: Além, muito além daquela serra... </li></ul>A heroína idealizada
  11. 11. <ul><li>O narrador seguidas vezes compara Iracema à natureza exuberante do Brasil. E a virgem leva sempre vantagem. </li></ul><ul><li>Seus cabelos são mais negros e mais longos, seu sorriso mais doce, seu hálito mais perfumado, seus pés mais rápidos. </li></ul><ul><li>Iracema é apresentada por um narrador que, embora se apresente na terceira pessoa, é claramente emotivo e apaixonado. </li></ul><ul><li>Retrata-a, portanto, como a síntese perfeita das maravilhas da natureza cearense, brasileira e americana. </li></ul><ul><li>Iracema é muito mais do que uma mulher. Não anda, flutua. Toda a natureza rende-lhe homenagem: da acácia silvestre aos pássaros, como o sabiá e a ará. </li></ul><ul><li>A heroína é o próprio espírito harmonioso da floresta virgem. </li></ul>
  12. 12. A harmonia rompida <ul><li>O narrador deixa clara a ruptura nesse harmoniosa relação de Iracema com o seu meio ao apresentar o surgimento de Martim: &quot; Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta&quot; . </li></ul><ul><li>A vista de Iracema perturba-se, impossibilitada de decodificar essa estranha aparição de uma etnia que lhe é desconhecida. </li></ul><ul><li>José de Alencar retrata, assim, o processo de estranhamento e fascínio mútuo que dominou o encontro dos dois povos. </li></ul><ul><li>Começavam a se conhecer, sem sequer suspeitar as trágicas conseqüências do encontro para os indígenas. </li></ul>
  13. 13. A sedução <ul><li>Enquanto esperam a volta de Caubi, o irmão de Iracema que reconduziria o guerreiro branco às terras pitiguaras, Iracema se apaixona por Martim, mas não pode se entregar a ele, porque, como afirma o Pajé, “ se a virgem abandonou ao guerreiro branco a flor de seu corpo, ela morrerá… </li></ul><ul><li>” Uma noite, Martim pede à Iracema o vinho de Tupã, já que não está conseguindo resistir aos encantos da virgem. O vinho, que provoca alucinações, permitiria que ele, em sua imaginação, possuísse a jovem índia como se fosse realidade. Iracema lhe dá a bebida e, enquanto ele imagina estar sonhando, Iracema “ torna-se sua esposa ”. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Iracema – José Maria de Medeiros - 1884 </li></ul>
  15. 15. Valor alegórico dessa passagem <ul><li>Ao “possuir” Iracema, Martim está inconsciente, completamente seduzido e inebriado. </li></ul><ul><li>Esse gesto há de provocar a destruição da virgem, assim como a invasão do Brasil pelos portugueses há de provocar a destruição da floresta virgem americana. </li></ul><ul><li>No entanto, assim como Martim não tinha qualquer intenção de provocar a morte de sua amada – o faz por paixão – os destruidores da natureza brasileira o fizeram de forma inconsciente e inconseqüente. </li></ul><ul><li>A consciência ecológica de Alencar vai muito além da ingênua defesa das nossas matas: percebe com clareza o seu processo de destruição. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>&quot;Iracema&quot;, quadro de 1909. Antonio Parreira </li></ul>
  17. 17. O conflito <ul><li>Martim é ameaçado pelo enciumado chefe guerreiro Irapuã, que quer invadir a cabana de Araquém e matá-lo. Apesar da advertência de Araquém de que Tupã puniria quem machucasse seu hóspede, os guerreiros de Irapuã cercam a cabana, que é protegida por Caubi. </li></ul><ul><li>Iracema encontra Poti, que está próximo à aldeia dos tabajaras e deseja salvar o amigo. Planejam, então, a fuga de Martim. Durante a preparação dos guerreiros tabajaras para a guerra com os pitiguaras, Iracema lhes serve o vinho da jurema e, enquanto os guerreiros deliram, ela leva Martim e Poti para longe da aldeia. Quando já estão em terras pitiguaras, Iracema revela a Martim que ela agora é sua esposa e deve acompanhá-lo. </li></ul><ul><li>Entretanto, os tabajaras descobrem que Iracema traíra “ o segredo da jurema ” e perseguem os fugitivos. Os pitiguaras, avisados da invasão dos tabajaras, juntam-se aos fugitivos e é travado um sangrento combate. </li></ul><ul><li>Iracema luta ao lado de Martim contra a sua tribo.Os pitiguaras ganham a luta e Iracema se entristece pela morte dos seus irmãos tabajaras. </li></ul>
  18. 19. O exílio <ul><li>Iracema acompanha Martim e Poti e passa a morar com eles no litoral. </li></ul><ul><li>Iracema se ressente da frieza do marido e sofre. </li></ul><ul><li>Martim se ausenta com freqüência em caçadas e batalhas contra os inimigos dos pitiguaras. </li></ul><ul><li>Enquanto guerreia, nasce seu filho, que Iracema chama de Moacir, que significa “ nascido do meu sofrimento, da minha dor ”. </li></ul>
  19. 20. <ul><li>Solitária e saudosa, Iracema tem dificuldade para amamentar o filho e quase não come. Desfalece de tristeza. Martim fica longe de Iracema durante oito luas (oito meses) e, quando volta, encontra Iracema à beira da morte. Ela entrega o filho a Martim, deita-se na rede e morre, consumida pela dor. </li></ul><ul><li>Poti e Martim enterram-na ao pé do coqueiro, à beira do rio. Segundo Poti: “ quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre seus cabelos. ” </li></ul>
  20. 21. <ul><li>Índia brasileira </li></ul><ul><li>Autor(a) FRANCISCO PEREIRA ANDRADE </li></ul><ul><li>Upload 2009-08-03 20:17 </li></ul>
  21. 22. <ul><li>Martim partiu das praias do Ceará levando o filho. Alencar comenta: “ O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça? ”     O guerreiro branco volta alguns anos depois, acompanhado de outros brancos, inclusive um sacerdote “ para plantar a cruz na terra selvagem ”. Começa a colonização e a narrativa termina: “ Tudo passa sobre a terra. ” </li></ul>
  22. 23. OUTRAS PERSONAGENS <ul><li>Araquém : Pajé da tribo Tabajara, pai de Iracema, representa a sabedoria da velhice. </li></ul><ul><li>Caubi : Irmão de Iracema, o “senhor dos caminhos”. Não guardou rancor da irmã, indo visitá-la no exílio. </li></ul><ul><li>  Irapuã = mel redondo; Inimigo de Martim; Pretendente de Iracema; Chefe dos tabajaras; Ciumento e corajoso; Apaixonado por Iracema </li></ul><ul><li>Batuirité : Avô de Poti que profetiza a destruição dos índios pelos brancos e nomeia Martim - Gavião Branco. </li></ul><ul><li>Jacaúna : irmão de Poti. </li></ul>
  23. 24. Desdobramentos <ul><li>No parnasianismo, o índio aparece raramente – um exemplo é o poema A Morte de Tapir , de Olavo Bilac – e simplesmente desaparece na poesia simbolista. </li></ul><ul><li>O Modernismo volta ao tema e o utiliza às vezes como ponto de referência para diretrizes estéticas, como no caso da Poesia “Pau-Brasil” e da Antropofagia de Oswald de Andrade, com a questão “ tupi or not tupi ”. </li></ul><ul><li>Algumas obras aproveitaram o tema do índio e suas lendas, como Macunaíma , de Mário de Andrade, Cobra Norato de Raul Bopp ou Martim Cererê , de Cassiano Ricardo. </li></ul>
  24. 25. Iracema e Macunaíma <ul><li>&quot;Ci aromava tanto que Macunaíma tinha tonteiras de moleza&quot; (M.A.) -- &quot;Todas as noites a esposa perfumava seu corpo e a alva rede, para que o amor do guerreiro se deleitasse nela (J. A.). É a rede de cabelos que torna a Mãe do Mato inesquecível, e é uma rede que Iracema oferece ao guerreiro branco: -- &quot;Guerreiro que levas o sono de meus olhos, leva a minha rede também. Quando nela dormires, falem em tua alma os sonhos de Iracema&quot; (J.A.)     Ambas …não têm leite. O de Ci foi a cobra preta que sugou; em Iracema o leite não chegava ao seio, diluído nas lágrimas de saudade. &quot;A jovem mãe suspendeu o filho à teta; mas a boca infantil não emudeceu. O leite escasso não apojava o peito&quot; (J. A.). Em Macunaíma, o filho do herói &quot;chupou o peito da mãe no outro dia, chupou mais, deu um suspiro envenenado e morreu&quot;. </li></ul>
  25. 26. <ul><li>FIM!!! </li></ul>

×