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CCOONNTTRRAA CCRRIIAANNÇÇAASS EE AADDOOLLEESSCCEENNTTEESS
Ilmara de Jesus Oliveira1, Cleide Ane Barbosa da Cruz1
O abuso sexual é um tema bastante discutido na atualidade, visto que cada vez mais surgem
casos de crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de violência sexual. Assim, essa
pesquisa tem como objetivo analisar o impacto social causado na vida de crianças e adolescentes
que sofreram abuso sexual. Em relação à metodologia aplicada, trata-se de estudo exploratório,
com a utilização de pesquisa bibliográfica. Percebeu-se ao final da pesquisa que o abuso sexual
traz consequências graves a vida social de uma criança ou adolescente, porém com o auxílio
CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social, alguns serviços são fornecidos
para auxiliar na proteção dessas crianças abusadas sexualmente.
Palavras-Chave: Abuso Sexual. Adolescente. Criança.
Sexual abuse is a widely discussed issue nowadays, as more and more cases of children and
adolescents who have suffered some form of sexual violence arise. Thus, this research aims to
analyze the social impact on the lives of children and adolescents who have experienced sexual
abuse. Regarding methodology, it is about exploratory study with the use of literature search. It
was noticed at the end of the research that sexual abuse has serious consequences for social life of
a child or adolescent, but with the aid CREAS - Specialized Reference Center for Social
Assistance, some services are provided to assist in the protection of these sexually abused
children.
Keywords: Sexual Abuse. Adolescents. Child.
1 Graduadas em Administração pela Faculdade José Augusto Vieira. Bairro Cidade Nova – Lagarto – SE – CEP: 49400-000.
Email: ilmara_oliveira@hotmail.com; cleideane.barbosa@bol.com.br.
II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088
Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015
1. INTRODUÇÃO
Atualmente o abuso sexual está sendo
um tema de grande destaque, devido ao
mesmo enfatizar a violência sexual contra
crianças e adolescentes. Sendo que essa
violência está sendo combatida através de
políticas públicas direcionadas a proteção das
crianças e adolescentes no meio social.
No entanto, o que se nota hoje é que as
crianças e adolescentes expostos a esse tipo de
violência apresentam comportamentos
diferenciados e sofrem um impacto social em
suas vidas, o que evidencia ainda a
importância do CREAS - Centro de Referência
Especializado de Assistência Social na
sociedade, visto que é através desses centros
espalhados pelo Brasil que serviços de
proteção são fornecidos a sociedade
diariamente.
Além disso, é importante ressaltar que
a criança sofre consequências com relação ao
abuso sexual, pois a mesma fica exposta a
danos psicológicos muitas vezes irreparáveis,
o que impulsiona também a sociedade a sofrer
com essas consequências.
Diante deste contexto, surge a
problematização deste artigo: Quais impactos
sociais são causados na vida de crianças e
adolescentes que sofreram abuso sexual?
A fim de contribuir para resolução
deste problema, este trabalho tem por objetivo
geral: Analisar o impacto social causado na
vida de crianças e adolescentes que sofreram
abuso sexual. Sendo que para atingir o
objetivo geral são definidos os seguintes
objetivos específicos: Levantar informações
sobre o comportamento de crianças abusadas
sexualmente; Destacar as principais
consequências do abuso sexual na sociedade;
Descrever os principais serviços de proteção
fornecidos pelo CREAS - Centro de Referência
Especializado de Assistência Social.
A pesquisa é viável porque pode
mostrar à sociedade, os impactos sociais
causados na vida de crianças e adolescentes
que sofreram abuso sexual, além de enfatizar
o papel CREAS na proteção social de vítimas
abusadas sexualmente.
Em relação à metodologia utilizada
para pesquisa, quanto aos fins foi a pesquisa
exploratória e quanto aos meios foi a pesquisa
bibliográfica.
Contudo, a pesquisa possibilitou que fosse
mostrada a importância do CREAS para o
controle dos impactos sociais causados na
vida de crianças e adolescentes vítimas de
violência sexual.
2. ABUSO SEXUAL
O abuso sexual é um tema que está
sendo constantemente debatido, principal-
mente no que se refere aos impactos sociais
causados na vida de crianças e adolescentes.
Com isso, Azevedo (2009, p. 61) explica que
“O abuso sexual consiste numa situação de
dominação e que o conceito de abuso sexual
contém ainda a noção de poderio”.
Ainda, Rezende (2011, p. 5) ressalta
que:
O abuso sexual compreende todo ato ou
jogo sexual, de relação heterossexual ou
homossexual, no qual o agressor esteja em
estágio de desenvolvimento psicossexual
mais adiantado do que a vítima, tendo
como finalidade estimulá-la sexualmente
e/ou para obter estimulação sexual,
através de práticas impostas às crianças e
adolescentes pela violência física ameaças
ou indução de sua vontade.
Além disso, Habigzang (2005, p. 341)
acrescenta que “Esta forma de violência pode
ser definida como qualquer contato ou
interação entre uma criança ou adolescente e
alguém em estágio psicossexual mais
avançado do desenvolvimento, na qual a
criança ou adolescente estiver sendo usado
para estimulação sexual do perpetrador”.
Já Baierl (2004 apud OLIOSI;
MENDONÇA; BOLDRINE, 2010, p. 25) expõe
que:
II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088
Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015
O abuso sexual infantil é um problema
que envolve questões legais de proteção à
criança e punição do agressor, e também
terapêuticas de atenção à saúde física e
mental da criança, tendo em vista as
consequências psicológicas decorrentes da
situação de abuso. Tais consequências
estão diretamente relacionadas a fatores
como: idade da criança e duração do
abuso; condições em que ocorre,
envolvendo violência ou ameaças; grau de
relacionamento com o abusador; e
ausência de figuras parentais protetoras.
Diante disso, pode-se evidenciar que a
violência sexual envolve também as questões
legais, pois é necessário que as crianças e
adolescentes sejam protegidos e o agressor
seja punido, porém, muitas vezes esses casos
de violência são ocultados pela própria
família ou sociedade.
Portanto, é importante ressaltar que
mesmos nos casos que crianças são abusadas
por um agressor externo à sua família,
persistem as resistências e a questão da
dificuldade para chegar à denúncia dos fatos
em órgãos de direito, que são encarregados de
proteger a vítima de abuso. Além do que,
persiste um silêncio em relação ao abuso
sexual de crianças e adolescentes, pois a
publicação desse fato pode comprometer a
imagem do adulto que essa criança ou
adolescente se tornará. (SOUSA, 2002 apud
BARBOSA, 2007, p. 20)
2.1 Prevenção do Abuso Sexual
A prevenção do abuso sexual contra
crianças e adolescentes deve iniciar através de
um trabalho educativo, focando a educação
para saúde sexual; sendo que esse trabalho
pode ser realizado tanto em casa e na escola
quanto em uma entidade social. É importante
ressaltar que a sexualidade da criança e do
adolescente precisa ser desenvolvida em um
ambiente propício para que os mesmos
possam ter uma vida sexual saudável e feliz,
evitando que esse cuidado em relação à
violência sexual se transforme em medo de
sexo. (ABRAPIA, 1997).
Diante disso, uma forma de prevenção
contra o abuso sexual é a família, visto que é
necessário que os pais se informem sobre a
questão do despertar da sexualidade dos
filhos, mas para isso precisam conversar com
os mesmos sobre isto, participar das
atividades da escola colaborando com
assuntos relacionados a esta temática, entre
outras situações. (VIEIRA, 2006)
Além disso, o autor contextualiza que
os pais precisam se atentar aos ambientes
virtuais, controlar o uso do computador dos
filhos, os sites que os mesmos utilizam, bem
como o horário de utilização e os sites que
podem ser visitados. Ainda, é interessante os
pais investirem em programas de computador
que filtrem sites considerados causadores de
riscos ou indevidos.
Assim, a prevenção contra a violência
sexual deve partir primeiro de casa, da
educação dos pais, para depois surgir na
escola e em entidades sociais. O importante na
verdade é alertar as crianças sobre o perigo do
uso indevido da internet, como por exemplo,
a exposição de seus dados pessoais, ou até
mesmo a questão de marcar encontros com
pessoas desconhecidas.
2.2 Consequências do Abuso Sexual
Crianças e adolescentes que foram
abusadas sexualmente tendem a apresentar
uma diferente visão do mundo, ou melhor,
por terem sofrido esse tipo de violência,
podem se tornar adultos com problemas de
relacionamento com outras pessoas. Segundo
Silva (2002 apud Oliosi; Mendonça; Boldrine,
2010, p. 30):
(...) a criança e o adolescente violentados
sexualmente poderão sofrer consequências
físicas: lesões físicas gerais, lesões genitais,
gravidez geralmente problemática,
DST/AIDS, disfunções sexuais e
psicológicas tais como, sentimento de
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Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015
culpa, autodesvalorização, depressão,
medo da intimidade quando adultos,
tendência a prostituição e ao
homossexualismo, negação de
relacionamentos afetivos, distúrbios
sexuais, suicídio, e problemas de
personalidade e identidade.
Ainda, Machado (2005 apud
REZENDE, 2011, p. 6) complementa que
“Algumas vítimas não apresentam sintomas
ou esses se manifestam de forma menos
intensa, enquanto outras desenvolvem graves
problemas emocionais, sociais ou
psiquiátricos”.
Enfim, de acordo com o
posicionamento dos autores supracitados
percebe-se que são várias as consequências
que afetam crianças e adolescentes que foram
expostos a violência sexual, porém, algumas
delas apresentam-se de forma menos intensa
do que outras. Mas algumas consequências
podem ser diferenciadas de acordo com a
forma como ocorreu o abuso, sendo com
contato físico ou não.
2.3 Formas de Abuso Sexual
O abuso sexual se apresenta de
diferentes formas, seja com contato físico ou
sem contato físico. Diante disso, Sánchez
(1995) diferencia esses tipos de abuso como
sendo o primeiro tipo, o abuso sexual sem
contato físico, que pode ser o abuso sexual
verbal, envolvendo conversas abertas sobre
atividades sexuais que podem despertar o
interesse da criança ou adolescentes;
telefonemas obscenos em que a maioria das
ligações são feitas por adultos, especialmente
do sexo masculino, podendo gerar ansiedade
na criança, adolescente e família;
exibicionismo que é chocar a vítima, é em
parte motivado por esta reação; voyeurismo,
ou seja, a experiência pode perturbar e
assustar a criança ou o adolescente, sendo que
a internet atualmente influencia o voyeur.
Também outros tipos de abuso sem
contato físico envolvem mostrar para crianças
fotos ou vídeos pornográficos, como por
exemplo, fotografar crianças nuas ou em
posições sedutoras com objetivos sexuais.
Sánchez (1995) explica que o segundo
tipo de abuso é abuso sexual com contato
físico, que está relacionado a casos
envolvendo estupro, o qual do ponto de vista
legal, é ato que ocorre quando da penetração
vaginal com o uso de violência e ameaças,
sendo que em crianças e adolescentes de até
14 anos, a violência é presumida; outra forma
é o atentado violento ao pudor em que o
adulto força a criança ou adolescente a
praticar atos libidinosos, sem penetração
vaginal, utilizando-se da violência ou de
grave ameaça.
Há também o incesto que envolve
qualquer relação de caráter sexual entre um
adulto e uma criança ou adolescente e entre
adolescente com uma criança, quando existe
laço familiar; o assédio sexual que é a
proposta de contato sexual; quando é
utilizada, na maioria das vezes, o agente
exerce uma posição de poder sobre a vítima,
que é chantageada e ameaçada pelo agressor.
O autor ainda destaca como abuso
sexual com contato físico, o abuso sexual
intrafamiliar em que há a relação incestuosa,
representando a maioria dos casos de abuso
sexual, e o abuso sexual extra familiar em que
o abusador é alguém em quem a criança
confia como médicos, educadores, padres e
pastores, responsáveis por atividades de lazer,
entre outros.
Diante das formas de abuso sexual
apresentadas acima, é importante ressaltar
que independente de que forma o abuso seja
realizado, o mesmo traz consequências à vida
social das crianças e adolescentes e fazem com
que as mesmas apresentem comportamentos
diferentes.
II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088
Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015
2.4 Comportamento de Crianças Abusadas
Sexualmente
A violência sexual traz mudanças de
comportamentos em crianças e adolescentes
que sofreram com a mesma. Friedrich et al.
(1998 apud ROSSETT, 2012, p. 29)
acrescentam que:
[...] o comportamento sexual de crianças
abusadas pode ser dividido em categorias,
todas elas correspondentes a
comportamentos encontrados em adultos.
Dentre esses encontram-se
comportamentos de pouca ou grande
exposição, como imposição de limites nos
contatos interpessoais (evitação),
exibicionismo, representação de papéis
sexuais, auto estimulação, ansiedade
sexual, interesse sexual, intromissão
sexual, orientação sexual, conhecimento
sexual exagerado e comportamento
voyeurístico. Algumas crianças mantêm-se
fisicamente distantes no relacionamento
interpessoal. No entanto, crianças
pequenas, podem ficar demasiadamente
próximas de pessoas que não são da
família, e até esfregar seu corpo nestas.
Nesse caso, elas podem casualmente tocar
os seios da mãe ou os órgãos genitais de
seus pais, e até mesmo de estranhos.
Enfim, os comportamentos que são
visualizados em crianças e adolescentes
abusados podem aparecer de diferentes
formas, podendo ser um comportamento
sexual ou até mesmo uma mudança de
conduta. Mas é interessante ressaltar que
crianças pequenas que sofreram abuso
tendem a se aproximar de estranhos e não se
afastar dos mesmos, como é o caso de
adolescentes.
3. CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIA-
LIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
(CREAS)
De acordo com MDS - Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o
Centro de Referência Especializado de
Assistência Social (CREAS) está integrado ao
Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Além disso, trata-se de uma unidade pública
estatal, que presta serviços especializados a
indivíduos e suas famílias que tiveram seus
direitos violados.
Para Oliosi, Mendonça e Boldrine
(2010, p. 35):
O CREAS é implantado em municípios em
gestão plena deverá ampliar o
atendimento voltado às situações de
abuso, exploração e violência sexual de
crianças e adolescentes para ações mais
gerais de enfrentamento das situações de
violação de direitos relativos ao nível de
proteção social especial de média
complexidade, de acordo com a incidência
das situações de violações de direitos,
devendo disponibilizar todos os serviços
que serão co-financiados pelo Governo
Federal.
Resumindo, o Centro de Referência
Especializado da Assistência Social (CREAS)
atende além de crianças e adolescentes,
mulheres, pessoas com deficiência e idosos
que sofreram algum tipo de violência ou
tiveram seus direitos violados. Ainda, o MDS
- Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome destaca alguns serviços que
o Centro de Referência Especializado da
Assistência Social (CREAS) fornece:
• Serviço de Proteção e Atendimento
Integral à Família (PAIF): tem como
objetivo acompanhar famílias com um
ou mais membros em situação de
ameaça ou violação de direitos,
visando ao fortalecimento da função
protetiva destas, também promove o
acesso a direitos e contribui para
qualidade de vida;
• Serviço de Proteção Social a
Adolescentes em Cumprimento de
Medida Socioeducativa de Liberdade
Assistida e de Prestação de Serviços à
Comunidade: tem como objetivo
prover a atenção sócio assistencial e
acompanhamento a adolescentes e
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jovens em cumprimento de medidas
socioeducativas em meio aberto,
determinadas judicialmente.
• Serviço Especializado em Abordagem
Social: objetiva assegurar o trabalho
social que identifique, nos territórios,
a incidência de trabalho infantil,
exploração sexual de crianças e
adolescentes, situação de rua, dentre
outras.
• Serviço de Proteção Social Especial
para Pessoas com Deficiência, Idosas e
suas famílias: objetiva a promoção de
atendimento especializado a famílias
com pessoas com deficiência e idosos
com algum grau de dependência, que
tiveram suas limitações agravadas por
violações de direito. Além de buscar a
prevenção de agravos sociais,
garantindo direitos, e prevenindo a
exclusão e isolamento destes usuários.
Enfim, os CREAS são importantes
meios de proteção às crianças e adolescentes
que sofreram algum tipo de abuso ou
violência sexual.
4. CONCLUSÃO
Através da pesquisa notou-se que o
abuso sexual que crianças e adolescentes
sofrem traz diferentes consequências na vida
social das mesmas, porém, através dos
CREAS, essas crianças podem receber o
acompanhamento necessário para poderem
reestabelecer sua vida perante a sociedade.
Ainda, a pesquisa possibilitou que
fossem visualizados alguns impactos sociais
causados em crianças violentadas
sexualmente, sendo um deles a mudança de
comportamento, a falta de confiança em
relação a adultos. Sendo que essas mudanças
de comportamentos afetam e muito o
convívio social de uma criança, visto que a
mesma perde sua autoestima, passa a se
afastar das pessoas e a se tornar agressiva.
No entanto, é importante frisar que o
CREAS busca através dos seus vários
profissionais, entre eles assistentes sociais, a
reintegrar na comunidade crianças e
adolescentes que passaram por algum tipo de
violência, seja ela sexual ou não,
disponibilizando às mesmas um
acompanhamento psicossocial.
Portanto, diante do que foi visualizado com a
pesquisa nota-se que através do CREAS,
crianças e adolescentes recebem
acompanhamento para conseguirem superar
os impactos causados em sua vida após a
violência que sofreram
5. REFERÊNCIAS
ABRAPIA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
MULTIPROFISSIONAL DE PROTEÇÃO A
INFÂNCIA E À ADOLESCÊNCIA. Maus-
tratos contra crianças e adolescentes. Proteção
e prevenção: Guia de Orientação para
educadores. Petrópolis: Autores & Agentes &
Associados, ABRAPIA, 1997.
AZEVEDO, Maria Amélia; GUERRA, Viviane
N. de A. Infância e violência doméstica:
fronteiras do conhecimento. 5. ed. São Paulo:
Cortez, 2009.
BARBOSA, Daniella Kehrig. Modelos de
intervenções à criança e ao adolescente
vítimas de violência. Biguaçu: Universidade
do Vale do Itajaí, 2007. Disponível em: <
http://siaibib01.univali.br/pdf/Daniella%20
Kehrig%20Barbosa.pdf>. Acesso em: 13 nov.
2012.
HABIGZANG, Luísa F. et al. Abuso Sexual
Infantil e Dinâmica Familiar: Aspectos
Observados em Processos Jurídicos.
Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 21, n.
3, p. 341-348, Set/Dez. 2005. Disponível:
<http://www.scielo.br/pdf/ptp/v21n3/a11v
21n3.pdf>. Acesso em: 12 nov. 2012.
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MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO
SOCIAL E COMBATE A FOME. CREAS –
Institucional. Disponível em: <
http://www.mds.gov.br/falemds/perguntas
-frequentes/assistencia-social/pse-protecao-
social-especial/creas-centro-de-referencia-
especializado-de-assistencia-social/creas-
institucional>. Acesso em 13 nov. 2012.
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO
SOCIAL E COMBATE A FOME. Centro de
Referência Especializado de Assistência Social
– CREAS. Guia de Orientação Nº 1. Brasília:
SNAS - Secretaria Nacional de Assistência
Social, 2009. Disponível em:
<http://observatorio03.files.wordpress.com/
2009/12/guia_creas11.pdf>. Acesso em 13
nov. 2012.
OLIOSI, Laryssa Calegari; MENDONÇA,
Mayara Santos; BOLDRINE, Rafaela Corona.
Abuso Sexual Contra Crianças e Adolescentes
no Município de Nova Venécia-ES: estudo no
CREAS - Centro de Referência Especializado
de Assistência Social. Nova Venécia:
Faculdade Capixaba de Nova Venécia, 2010.
REZENDE, Sabrina. Terapia Cognitivo-
Comportamental e políticas públicas
direcionadas a crianças e adolescentes vítimas
de abuso sexual: Limites e possibilidades.
Porto Alegre: UFRGS –Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em:
<http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/hand
le/10183/39082/000824752.pdf?sequence=1>.
Acesso em: 12 nov. 2012.
ROSSETT, Milena de Oliveira. Inventário de
comportamentos sexuais da criança:
adaptação brasileira e análise de evidências de
validade. São Paulo: Universidade de São
Paulo, 2012. Disponível em:
<http://www.psiquiatriainfantil.com.br/tese
s/MilenaOliveiraRosseti.pdf>. Acesso em: 14
nov. 2012.
SÁNCHEZ, F.L. Prevención de los abusos
sexuales de menores y educación sexual.
Salamanca: Amarú Ediciones, 1995.
VIEIRA, Natalie Monteiro. Abusos sexuais a
menores. Coimbra: Universidade de Coimbra,
2006. Disponível em:<
www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2005001.pdf
>. Acesso em 23 abr. 2013.

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Artigo2

  • 1. AABBUUSSOO SSEEXXUUAALL:: UUMMAA RREEFFLLEEXXÃÃOO SSOOBBRREE AA VVIIOOLLÊÊNNCCIIAA CCOONNTTRRAA CCRRIIAANNÇÇAASS EE AADDOOLLEESSCCEENNTTEESS Ilmara de Jesus Oliveira1, Cleide Ane Barbosa da Cruz1 O abuso sexual é um tema bastante discutido na atualidade, visto que cada vez mais surgem casos de crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de violência sexual. Assim, essa pesquisa tem como objetivo analisar o impacto social causado na vida de crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual. Em relação à metodologia aplicada, trata-se de estudo exploratório, com a utilização de pesquisa bibliográfica. Percebeu-se ao final da pesquisa que o abuso sexual traz consequências graves a vida social de uma criança ou adolescente, porém com o auxílio CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social, alguns serviços são fornecidos para auxiliar na proteção dessas crianças abusadas sexualmente. Palavras-Chave: Abuso Sexual. Adolescente. Criança. Sexual abuse is a widely discussed issue nowadays, as more and more cases of children and adolescents who have suffered some form of sexual violence arise. Thus, this research aims to analyze the social impact on the lives of children and adolescents who have experienced sexual abuse. Regarding methodology, it is about exploratory study with the use of literature search. It was noticed at the end of the research that sexual abuse has serious consequences for social life of a child or adolescent, but with the aid CREAS - Specialized Reference Center for Social Assistance, some services are provided to assist in the protection of these sexually abused children. Keywords: Sexual Abuse. Adolescents. Child. 1 Graduadas em Administração pela Faculdade José Augusto Vieira. Bairro Cidade Nova – Lagarto – SE – CEP: 49400-000. Email: ilmara_oliveira@hotmail.com; cleideane.barbosa@bol.com.br.
  • 2. II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088 Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015 1. INTRODUÇÃO Atualmente o abuso sexual está sendo um tema de grande destaque, devido ao mesmo enfatizar a violência sexual contra crianças e adolescentes. Sendo que essa violência está sendo combatida através de políticas públicas direcionadas a proteção das crianças e adolescentes no meio social. No entanto, o que se nota hoje é que as crianças e adolescentes expostos a esse tipo de violência apresentam comportamentos diferenciados e sofrem um impacto social em suas vidas, o que evidencia ainda a importância do CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social na sociedade, visto que é através desses centros espalhados pelo Brasil que serviços de proteção são fornecidos a sociedade diariamente. Além disso, é importante ressaltar que a criança sofre consequências com relação ao abuso sexual, pois a mesma fica exposta a danos psicológicos muitas vezes irreparáveis, o que impulsiona também a sociedade a sofrer com essas consequências. Diante deste contexto, surge a problematização deste artigo: Quais impactos sociais são causados na vida de crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual? A fim de contribuir para resolução deste problema, este trabalho tem por objetivo geral: Analisar o impacto social causado na vida de crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual. Sendo que para atingir o objetivo geral são definidos os seguintes objetivos específicos: Levantar informações sobre o comportamento de crianças abusadas sexualmente; Destacar as principais consequências do abuso sexual na sociedade; Descrever os principais serviços de proteção fornecidos pelo CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social. A pesquisa é viável porque pode mostrar à sociedade, os impactos sociais causados na vida de crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual, além de enfatizar o papel CREAS na proteção social de vítimas abusadas sexualmente. Em relação à metodologia utilizada para pesquisa, quanto aos fins foi a pesquisa exploratória e quanto aos meios foi a pesquisa bibliográfica. Contudo, a pesquisa possibilitou que fosse mostrada a importância do CREAS para o controle dos impactos sociais causados na vida de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. 2. ABUSO SEXUAL O abuso sexual é um tema que está sendo constantemente debatido, principal- mente no que se refere aos impactos sociais causados na vida de crianças e adolescentes. Com isso, Azevedo (2009, p. 61) explica que “O abuso sexual consiste numa situação de dominação e que o conceito de abuso sexual contém ainda a noção de poderio”. Ainda, Rezende (2011, p. 5) ressalta que: O abuso sexual compreende todo ato ou jogo sexual, de relação heterossexual ou homossexual, no qual o agressor esteja em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado do que a vítima, tendo como finalidade estimulá-la sexualmente e/ou para obter estimulação sexual, através de práticas impostas às crianças e adolescentes pela violência física ameaças ou indução de sua vontade. Além disso, Habigzang (2005, p. 341) acrescenta que “Esta forma de violência pode ser definida como qualquer contato ou interação entre uma criança ou adolescente e alguém em estágio psicossexual mais avançado do desenvolvimento, na qual a criança ou adolescente estiver sendo usado para estimulação sexual do perpetrador”. Já Baierl (2004 apud OLIOSI; MENDONÇA; BOLDRINE, 2010, p. 25) expõe que:
  • 3. II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088 Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015 O abuso sexual infantil é um problema que envolve questões legais de proteção à criança e punição do agressor, e também terapêuticas de atenção à saúde física e mental da criança, tendo em vista as consequências psicológicas decorrentes da situação de abuso. Tais consequências estão diretamente relacionadas a fatores como: idade da criança e duração do abuso; condições em que ocorre, envolvendo violência ou ameaças; grau de relacionamento com o abusador; e ausência de figuras parentais protetoras. Diante disso, pode-se evidenciar que a violência sexual envolve também as questões legais, pois é necessário que as crianças e adolescentes sejam protegidos e o agressor seja punido, porém, muitas vezes esses casos de violência são ocultados pela própria família ou sociedade. Portanto, é importante ressaltar que mesmos nos casos que crianças são abusadas por um agressor externo à sua família, persistem as resistências e a questão da dificuldade para chegar à denúncia dos fatos em órgãos de direito, que são encarregados de proteger a vítima de abuso. Além do que, persiste um silêncio em relação ao abuso sexual de crianças e adolescentes, pois a publicação desse fato pode comprometer a imagem do adulto que essa criança ou adolescente se tornará. (SOUSA, 2002 apud BARBOSA, 2007, p. 20) 2.1 Prevenção do Abuso Sexual A prevenção do abuso sexual contra crianças e adolescentes deve iniciar através de um trabalho educativo, focando a educação para saúde sexual; sendo que esse trabalho pode ser realizado tanto em casa e na escola quanto em uma entidade social. É importante ressaltar que a sexualidade da criança e do adolescente precisa ser desenvolvida em um ambiente propício para que os mesmos possam ter uma vida sexual saudável e feliz, evitando que esse cuidado em relação à violência sexual se transforme em medo de sexo. (ABRAPIA, 1997). Diante disso, uma forma de prevenção contra o abuso sexual é a família, visto que é necessário que os pais se informem sobre a questão do despertar da sexualidade dos filhos, mas para isso precisam conversar com os mesmos sobre isto, participar das atividades da escola colaborando com assuntos relacionados a esta temática, entre outras situações. (VIEIRA, 2006) Além disso, o autor contextualiza que os pais precisam se atentar aos ambientes virtuais, controlar o uso do computador dos filhos, os sites que os mesmos utilizam, bem como o horário de utilização e os sites que podem ser visitados. Ainda, é interessante os pais investirem em programas de computador que filtrem sites considerados causadores de riscos ou indevidos. Assim, a prevenção contra a violência sexual deve partir primeiro de casa, da educação dos pais, para depois surgir na escola e em entidades sociais. O importante na verdade é alertar as crianças sobre o perigo do uso indevido da internet, como por exemplo, a exposição de seus dados pessoais, ou até mesmo a questão de marcar encontros com pessoas desconhecidas. 2.2 Consequências do Abuso Sexual Crianças e adolescentes que foram abusadas sexualmente tendem a apresentar uma diferente visão do mundo, ou melhor, por terem sofrido esse tipo de violência, podem se tornar adultos com problemas de relacionamento com outras pessoas. Segundo Silva (2002 apud Oliosi; Mendonça; Boldrine, 2010, p. 30): (...) a criança e o adolescente violentados sexualmente poderão sofrer consequências físicas: lesões físicas gerais, lesões genitais, gravidez geralmente problemática, DST/AIDS, disfunções sexuais e psicológicas tais como, sentimento de
  • 4. II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088 Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015 culpa, autodesvalorização, depressão, medo da intimidade quando adultos, tendência a prostituição e ao homossexualismo, negação de relacionamentos afetivos, distúrbios sexuais, suicídio, e problemas de personalidade e identidade. Ainda, Machado (2005 apud REZENDE, 2011, p. 6) complementa que “Algumas vítimas não apresentam sintomas ou esses se manifestam de forma menos intensa, enquanto outras desenvolvem graves problemas emocionais, sociais ou psiquiátricos”. Enfim, de acordo com o posicionamento dos autores supracitados percebe-se que são várias as consequências que afetam crianças e adolescentes que foram expostos a violência sexual, porém, algumas delas apresentam-se de forma menos intensa do que outras. Mas algumas consequências podem ser diferenciadas de acordo com a forma como ocorreu o abuso, sendo com contato físico ou não. 2.3 Formas de Abuso Sexual O abuso sexual se apresenta de diferentes formas, seja com contato físico ou sem contato físico. Diante disso, Sánchez (1995) diferencia esses tipos de abuso como sendo o primeiro tipo, o abuso sexual sem contato físico, que pode ser o abuso sexual verbal, envolvendo conversas abertas sobre atividades sexuais que podem despertar o interesse da criança ou adolescentes; telefonemas obscenos em que a maioria das ligações são feitas por adultos, especialmente do sexo masculino, podendo gerar ansiedade na criança, adolescente e família; exibicionismo que é chocar a vítima, é em parte motivado por esta reação; voyeurismo, ou seja, a experiência pode perturbar e assustar a criança ou o adolescente, sendo que a internet atualmente influencia o voyeur. Também outros tipos de abuso sem contato físico envolvem mostrar para crianças fotos ou vídeos pornográficos, como por exemplo, fotografar crianças nuas ou em posições sedutoras com objetivos sexuais. Sánchez (1995) explica que o segundo tipo de abuso é abuso sexual com contato físico, que está relacionado a casos envolvendo estupro, o qual do ponto de vista legal, é ato que ocorre quando da penetração vaginal com o uso de violência e ameaças, sendo que em crianças e adolescentes de até 14 anos, a violência é presumida; outra forma é o atentado violento ao pudor em que o adulto força a criança ou adolescente a praticar atos libidinosos, sem penetração vaginal, utilizando-se da violência ou de grave ameaça. Há também o incesto que envolve qualquer relação de caráter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente e entre adolescente com uma criança, quando existe laço familiar; o assédio sexual que é a proposta de contato sexual; quando é utilizada, na maioria das vezes, o agente exerce uma posição de poder sobre a vítima, que é chantageada e ameaçada pelo agressor. O autor ainda destaca como abuso sexual com contato físico, o abuso sexual intrafamiliar em que há a relação incestuosa, representando a maioria dos casos de abuso sexual, e o abuso sexual extra familiar em que o abusador é alguém em quem a criança confia como médicos, educadores, padres e pastores, responsáveis por atividades de lazer, entre outros. Diante das formas de abuso sexual apresentadas acima, é importante ressaltar que independente de que forma o abuso seja realizado, o mesmo traz consequências à vida social das crianças e adolescentes e fazem com que as mesmas apresentem comportamentos diferentes.
  • 5. II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088 Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015 2.4 Comportamento de Crianças Abusadas Sexualmente A violência sexual traz mudanças de comportamentos em crianças e adolescentes que sofreram com a mesma. Friedrich et al. (1998 apud ROSSETT, 2012, p. 29) acrescentam que: [...] o comportamento sexual de crianças abusadas pode ser dividido em categorias, todas elas correspondentes a comportamentos encontrados em adultos. Dentre esses encontram-se comportamentos de pouca ou grande exposição, como imposição de limites nos contatos interpessoais (evitação), exibicionismo, representação de papéis sexuais, auto estimulação, ansiedade sexual, interesse sexual, intromissão sexual, orientação sexual, conhecimento sexual exagerado e comportamento voyeurístico. Algumas crianças mantêm-se fisicamente distantes no relacionamento interpessoal. No entanto, crianças pequenas, podem ficar demasiadamente próximas de pessoas que não são da família, e até esfregar seu corpo nestas. Nesse caso, elas podem casualmente tocar os seios da mãe ou os órgãos genitais de seus pais, e até mesmo de estranhos. Enfim, os comportamentos que são visualizados em crianças e adolescentes abusados podem aparecer de diferentes formas, podendo ser um comportamento sexual ou até mesmo uma mudança de conduta. Mas é interessante ressaltar que crianças pequenas que sofreram abuso tendem a se aproximar de estranhos e não se afastar dos mesmos, como é o caso de adolescentes. 3. CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIA- LIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CREAS) De acordo com MDS - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) está integrado ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Além disso, trata-se de uma unidade pública estatal, que presta serviços especializados a indivíduos e suas famílias que tiveram seus direitos violados. Para Oliosi, Mendonça e Boldrine (2010, p. 35): O CREAS é implantado em municípios em gestão plena deverá ampliar o atendimento voltado às situações de abuso, exploração e violência sexual de crianças e adolescentes para ações mais gerais de enfrentamento das situações de violação de direitos relativos ao nível de proteção social especial de média complexidade, de acordo com a incidência das situações de violações de direitos, devendo disponibilizar todos os serviços que serão co-financiados pelo Governo Federal. Resumindo, o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) atende além de crianças e adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência e idosos que sofreram algum tipo de violência ou tiveram seus direitos violados. Ainda, o MDS - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome destaca alguns serviços que o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) fornece: • Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF): tem como objetivo acompanhar famílias com um ou mais membros em situação de ameaça ou violação de direitos, visando ao fortalecimento da função protetiva destas, também promove o acesso a direitos e contribui para qualidade de vida; • Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade: tem como objetivo prover a atenção sócio assistencial e acompanhamento a adolescentes e
  • 6. II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088 Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015 jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, determinadas judicialmente. • Serviço Especializado em Abordagem Social: objetiva assegurar o trabalho social que identifique, nos territórios, a incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situação de rua, dentre outras. • Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas famílias: objetiva a promoção de atendimento especializado a famílias com pessoas com deficiência e idosos com algum grau de dependência, que tiveram suas limitações agravadas por violações de direito. Além de buscar a prevenção de agravos sociais, garantindo direitos, e prevenindo a exclusão e isolamento destes usuários. Enfim, os CREAS são importantes meios de proteção às crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de abuso ou violência sexual. 4. CONCLUSÃO Através da pesquisa notou-se que o abuso sexual que crianças e adolescentes sofrem traz diferentes consequências na vida social das mesmas, porém, através dos CREAS, essas crianças podem receber o acompanhamento necessário para poderem reestabelecer sua vida perante a sociedade. Ainda, a pesquisa possibilitou que fossem visualizados alguns impactos sociais causados em crianças violentadas sexualmente, sendo um deles a mudança de comportamento, a falta de confiança em relação a adultos. Sendo que essas mudanças de comportamentos afetam e muito o convívio social de uma criança, visto que a mesma perde sua autoestima, passa a se afastar das pessoas e a se tornar agressiva. No entanto, é importante frisar que o CREAS busca através dos seus vários profissionais, entre eles assistentes sociais, a reintegrar na comunidade crianças e adolescentes que passaram por algum tipo de violência, seja ela sexual ou não, disponibilizando às mesmas um acompanhamento psicossocial. Portanto, diante do que foi visualizado com a pesquisa nota-se que através do CREAS, crianças e adolescentes recebem acompanhamento para conseguirem superar os impactos causados em sua vida após a violência que sofreram 5. REFERÊNCIAS ABRAPIA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA MULTIPROFISSIONAL DE PROTEÇÃO A INFÂNCIA E À ADOLESCÊNCIA. Maus- tratos contra crianças e adolescentes. Proteção e prevenção: Guia de Orientação para educadores. Petrópolis: Autores & Agentes & Associados, ABRAPIA, 1997. AZEVEDO, Maria Amélia; GUERRA, Viviane N. de A. Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2009. BARBOSA, Daniella Kehrig. Modelos de intervenções à criança e ao adolescente vítimas de violência. Biguaçu: Universidade do Vale do Itajaí, 2007. Disponível em: < http://siaibib01.univali.br/pdf/Daniella%20 Kehrig%20Barbosa.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2012. HABIGZANG, Luísa F. et al. Abuso Sexual Infantil e Dinâmica Familiar: Aspectos Observados em Processos Jurídicos. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 21, n. 3, p. 341-348, Set/Dez. 2005. Disponível: <http://www.scielo.br/pdf/ptp/v21n3/a11v 21n3.pdf>. Acesso em: 12 nov. 2012.
  • 7. II.. JJ.. OOlliivveeiirraa && CC.. AA.. BB.. CCrruuzz IISSSSNN 11998833--66770088 Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.2, Janeiro 2015 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME. CREAS – Institucional. Disponível em: < http://www.mds.gov.br/falemds/perguntas -frequentes/assistencia-social/pse-protecao- social-especial/creas-centro-de-referencia- especializado-de-assistencia-social/creas- institucional>. Acesso em 13 nov. 2012. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE A FOME. Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. Guia de Orientação Nº 1. Brasília: SNAS - Secretaria Nacional de Assistência Social, 2009. Disponível em: <http://observatorio03.files.wordpress.com/ 2009/12/guia_creas11.pdf>. Acesso em 13 nov. 2012. OLIOSI, Laryssa Calegari; MENDONÇA, Mayara Santos; BOLDRINE, Rafaela Corona. Abuso Sexual Contra Crianças e Adolescentes no Município de Nova Venécia-ES: estudo no CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Nova Venécia: Faculdade Capixaba de Nova Venécia, 2010. REZENDE, Sabrina. Terapia Cognitivo- Comportamental e políticas públicas direcionadas a crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual: Limites e possibilidades. Porto Alegre: UFRGS –Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/hand le/10183/39082/000824752.pdf?sequence=1>. Acesso em: 12 nov. 2012. ROSSETT, Milena de Oliveira. Inventário de comportamentos sexuais da criança: adaptação brasileira e análise de evidências de validade. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.psiquiatriainfantil.com.br/tese s/MilenaOliveiraRosseti.pdf>. Acesso em: 14 nov. 2012. SÁNCHEZ, F.L. Prevención de los abusos sexuales de menores y educación sexual. Salamanca: Amarú Ediciones, 1995. VIEIRA, Natalie Monteiro. Abusos sexuais a menores. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2006. Disponível em:< www4.fe.uc.pt/fontes/trabalhos/2005001.pdf >. Acesso em 23 abr. 2013.