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Tabela 3   Razoes de Chance para os termos interativos Educação e Raça e Educação e Sexo               Tipologia Macro    ...
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Referencias BibliográficasBLANK, Rebecca, Marilyn Dabady e Constance Citro (Ed.). Measuring Racial  Discrimination: panel ...
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Efeitos do capital humano por raça e gênero nas chances de acesso às posições da estrutura de classes brasileira.

  1. 1. Efeitos do capital humano por raça e gênero nas chances de acesso às posições da estrutura de classes brasileira. Juliana Anacleto dos Santos1 Bolsista FapemigIntrodução - O acesso às ocupações e a influencia do capital humano A teoria do capital humano afirma que com a modernização e a expansão do sistemaeducacional, o acesso às ocupações tende a se tornar mais meritocratico e menos adscritivo.Mas, o que realmente conta como mérito? Existem concepções diversas para a resposta desta questão. Americanos tendem a ver ameritocracia através do que as pessoas fazem, mais do que o que as pessoas têm. Nessaconcepção as pessoas preferem ver o sucesso sócio econômico como sendo merecimento dequem trabalhou duro, comportando virtuosamente e dispondo de talento, mais do que umexcepcional QI. Esta idéia tem ênfase nas habilidades técnicas e cognitivas, que podemrefletir características genéticas ou herdadas. Já para Young em “The rise of themeritocracy” mérito é QI mais esforço. Meritocracia não se apresenta como simples possede habilidades inatas e sim o que complementa essa capacidade com esforço. A estrutura das desigualdades sociais impede a habilidade de menos membrosprivilegiados na sociedade para demonstrar ou intensificar suas habilidades e talentosdiretos no sistema educacional. Teóricos como Bourdieu sustentam que mais membrosprivilegiados da sociedade, em pouco espaço de tempo têm perdido a habilidade paratransferir suas vantagens através de gerações em algum caminho direto, podem agora fazê-lo pelo acesso a escolaridade para seus filhos e filhas. Escolaridade para Bourdieu é assim,uma “estratégia de reprodução” que trabalha contra o princípio meritocrático. Ainda,entende o processo de exclusão de credenciais educacionais como caracterizado por umaestratégia de reprodução social utilizadas pelas elites educacionais. Mudanças nas relaçõesde propriedade têm através do tempo impedido as classes privilegiadas a transferirem1 É mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora e doutoranda em Sociologia doprograma de pos graduação em Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais.
  2. 2. diretamente suas vantagens a suas crianças. Como resultado eles tem utilizado o sistemaeducacional para transmitir seus status intergeracionamente. O presente artigo visa, preliminarmente, apresentar como se comporta o efeito docapital humano no acesso as ocupações da estrutura de classe brasileira, levando emconsideração fatores adscritivos, como raça e gênero. A teoria do capital humano diz queum aumento no capital humano aumenta o status ocupacional, ou seja, existe statusocupacional é uma função de capital humano não obedecendo a critérios adscritivos. Já ateoria da reprodução social diz que a seleção e alocação de indivíduos no mercado detrabalho baseada nas credenciais educacionais são utilizadas para a manutenção deprivilégios dos grupos sociais dominantes.Barreiras de raça no acesso as ocupações As interpretações científicas abandonaram há tempos a idéia de raça como enraizadaem fundamentos biológicos, reconhecendo que atitudes e arranjos sociais, não biológicos,vêm mantendo o domínio branco. Quero, portanto aqui, afirmar o quão improfícuo é odebate sobre a inexistência de raças humanas, muitas vezes ressuscitado pelo senso comum,visando apresentar o argumento de que senão existe raça, não há como haver racismo.Argumento inglório, diga-se de passagem. Raça deve ser apresentada como uma criaçãosocial, uma ficção que divide e categoriza indivíduos por aspectos fenótipos, tais como acor da pele, que supostamente significam diferenças subjacentes. Para Carlos Hasenbalg, raça deve ser compreendida como um fator classificatório eseletivo, que norteia a permanência da desigualdade social e econômica, devendo serincorporada como fator decisivo das chances de vida às variáveis que condicionam aestrutura das relações sociais, influenciando a hierarquização social (Hasenbalg, 1999). Emseus estudos com Nelson do Valle, os autores demonstram o quão necessário se faz àutilização da variável raça contrapondo os que pensam que a mesma não desempenha umpapel significativo no processo de mobilidade social. Silva e Hasenbalg, afirmam que os não brancos sofrem desvantagem na conversãode sua escolaridade formal em posições na estrutura ocupacional, o que pode ser explicadoaos processos discriminatórios de raça no mercado de trabalho. No Brasil, para os autores,
  3. 3. o ponto central do processo de desvantagens sofrido por pretos e pardos está na aquisiçãoeducacional. Porém, outras formas de discriminação racial impactam a mobilidade socialdos não brancos brasileiros. Silva e Hasenbalg elencam quatro relevantes formasdiscriminatórias que refletem a dificuldade da ascensão social da população de cor. Adiscriminação em capital humano, quando os não brancos são impedidos de conseguirqualificação necessária para assumir as ocupações mais elevadas; a de emprego, quando osnão brancos sofrem mais do que o proporcional com o desemprego; a discriminaçãoocupacional, quando os não brancos são impedidos de assumir ocupações com maioresrendimentos independentes da qualificação que possui; e a de salário, observada quando osnão brancos têm rendimento menor nas mesmas funções e com o mesmo número de horastrabalhadas que os brancos, ou seja, salário desigual por trabalho igual. Algumasconsiderações sobre o assunto merecem destaque: Sobre a discriminação de capital humano, é importante destacar que as vantagensdos brancos em alcançar altos índices educacionais dependem diretamente das vantagensiniciais de variáveis como histórico familiar e habilidades cognitivas. Com efeito, os baixosíndices educacionais dos não brancos podem não ser efeitos diretos de discriminação, massim de desvantagens iniciais condicionadas historicamente à população de cor. Quando oassunto é ocupacional alguns fatores podem variar de uma ocupação para outra. Ashipóteses de ameaça econômica2, e do apinhamento3, demonstram que níveis maiores departicipação não branca em determinada ocupação acarretará em mais altos níveis dediscriminação racial. Em certas ocupações, pretos e pardos sofrem dupla discriminação, ouseja, têm sua entrada dificultada, e quando obtém sucesso parcial vêem suas carreirasbloqueadas por práticas discriminatórias. Porém, quando é aumentado o número de nãobrancos nas referidas ocupações, o impacto deste bloqueio parece diminuir. No que se refere à discriminação salarial, Silva e Hasenbalg sugerem que seusurgimento se dá a partir das diferenças de oportunidades de carreiras e chances demobilidade social. Os não brancos têm maiores dificuldades na conversão de investimentoseducacionais em posições ocupacionais de melhores rendimentos, bem como na conversãogeracional, e no mercado de trabalho tendo menos facilidade na construção de suas2 Quando os trabalhadores brancos, em minoria, pressionam os patrões brancos elevando a discriminação eneutralizando o efeito decrescente dos salários.3 Quando os trabalhadores não brancos são maioria em uma determinada ocupação gerando baixos salários.
  4. 4. carreiras, com efeito, recebendo menores salários. Ainda, apresentam que o preconceito e adiscriminação racial surgem na competição por benefícios simbólicos e materiais, comvantagens para o grupo branco em relação ao não branco, sugerindo que os não brancosestão sujeitos a um processo de “acumulação de desvantagens”. No interessante trabalho organizado pelas pesquisadoras americanas Rebecca Blank,Marily Dabady e Constantine Citro (2004), Measuring Racial Discrimination: panel onmethods for assessing discrimination, as autoras analisam como operam e qual o impactodos efeitos da discriminação racial ao longo do tempo. Estudos mostram pequenos efeitosde discriminação em cada estágio de uma, denominada pelas pesquisadoras, área (nacontratação, avaliação, promoção e no salário ajustado ao mercado de trabalho), levando aconcluir que a discriminação é relativamente sem importância por causa dos efeitos emqualquer ponto do tempo que são pequenos, mas os pequenos efeitos podem se acumularem diferenças substanciais, dando origem a chamada discriminação cumulativa 4. Os efeitos da discriminação cumulativa podem ser transmitidos através dasestruturas organizacionais e sociais da sociedade. Com efeito, ações individuais não sãoindependentes do contexto social e econômico. Certos comportamentos de membros degrupos raciais em desvantagem podem surgir em resposta a comportamentos sociais einstitucionais de uma sociedade preconceituosa e racista. Não brancos jovens,especialmente negros, estão desproporcionalmente sujeitos a fatores de risco associados aocrime, a pobre assistência médica e a segregação. Uma sociedade que perpetua fortesdiferenças raciais pode comunicar aos jovens não brancos que eles nem pensar triunfarãodentro de uma sociedade dominante, conduzindo-os a escolherem alternativas de vida.4 Por discriminação cumulativa entendemos uma dinâmica conceitual que captura sistematicamente processosque ocorrem no tempo e através da área (lugar). Discriminação tem efeitos cumulativos quando um incidentediscriminatório afeta não somente o resultado imediato, mas também os futuros resultados em seu própriotempo de vida ou nas próximas gerações. A discriminação cumulativa pode ser mais do que um processoaditivo no qual os efeitos do incidente discriminatório formam largas disparidades de resultados. Aprobabilidade de um futuro evento discriminatório acontecer pode ter sua causa relacionada a eventosdiscriminatórios passados, então a corrente discriminação pode aumentar a probabilidade de uma futuradiscriminação. Por exemplo, a expectativa de professores a cerca da performance de estudantes negros podeinfluenciar negativamente a performance destes estudantes.
  5. 5. Barreiras de gênero no acesso as ocupações A identidade de gênero está imersa nas complexas teias das relações sociais,políticas, econômicas e psicológicas entre homens e mulheres; relações estas que fazemparte da estrutura social institucionalizada da sociedade. A construção de gênero é dadaatravés de processos de socialização e educação dos sujeitos para se tornarem homens oumulheres e ainda, no estabelecimento dos padrões sociais entre eles. Desta forma gêneroorganiza as interações sociais, influenciando cada aspecto de nossas vidas, estereotipando ehierarquizando os indivíduos, sendo utilizado para explicar e justificar desigualdades. Essaconstrução social de gênero, portanto constrói padrões de segregação afetando a alocaçãoocupacional contribuindo para a manutenção das desvantagens femininas no mercado detrabalho. É possível perceber um cenário de continuidades e mudanças no debate de gênerono mercado de trabalho. Por um lado há uma grande concentração de mulheres emempregos de menor remuneração no setor de serviços, particularmente no segmentoinformal e mais desprotegido do mercado de trabalho. Por outro, aumentou a participaçãodas mulheres em ocupações não manuais de melhor remuneração, em cargos de comando,profissões de prestígio e mesmo como proprietárias de negócios no comércio e serviços.Porém, as diferenças de ganhos entre mulheres e homens se mantêm, e não devem seratribuídas a diferenças em termos de números de horas trabalhadas e escolaridade, devendoser creditadas aos processos de discriminação. Com efeito, as desigualdades de alocação ede renda atribuídas ao gênero têm sido interpretadas tanto no campo da economia quanto nasociologia. Parto da teoria neoclássica para discutir as explicações das desigualdadesenfrentadas pelas mulheres no mundo das ocupações. Baseada no ideário do capitalhumano, a teoria neoclássica defende que parte importante da desigualdade de renda nomercado de trabalho é decorrente das diferenças nas características produtivas e do campodas preferências de mulheres e homens. Considera que cada pessoa recebe comorecompensa o chamado valor da contribuição marginal do insumo (trabalho, capital ourenda) que ela agrega à função de produção, e seu respectivo capital humano incrementasua produtividade ou capacidade de contribuição para o produto. Assim, discriminação
  6. 6. ocorre no contexto do mercado de trabalho quando homens recebem mais do que mulherespela mesma produtividade. Contudo, a discriminação desafia a teoria neoclássica, pois épossível entender como sendo irracional um tratamento desigual de trabalhadoresigualmente produtivos. Daí surgem duas teorias que pretendem “ajustar” racionalização ediscriminação, a chamada teoria da discriminação estatística e a teoria do amontoamento. A primeira considera que o empregador usaria os atributos de sexo, como umaespécie de informação substantiva, na ausência de informação adequada para avaliar opotencial de produtividade do trabalhador a um custo razoavelmente baixo, o que gera umadiscriminação estatística contra indivíduos pertencentes a grupos que teriam, em média,características menos desejáveis. Já a segunda teoria, considera que a concentração decertos grupos, como as mulheres, em determinados tipos de empregos, quaisquer que sejamas razões que tenham levado a isso, gera como conseqüência uma oferta excedente emrelação à demanda por estes serviços, o que deprime a taxa de salário dessas ocupações. Grusky e Charles em Occupacional Ghetos se propuseram a esclarecer algunsenigmas da segregação ocupacional de sexo. Com esse objetivo, os autores analisam que osesteriótipos sobre as características naturais masculinas e femininas são disseminadas eperpetuadas através da cultura e da mídia, através das interações sociais. O avanço e amanutenção da segregação horizontal e sua reprodução é feita em grande parte por contadas ocupações não manuais que incorporam características que são consideradasmasculinas e das ocupações manuais incorporam características que são consideradasfemininas. Acreditam que a profundidade das raízes e extensa parte cultural acreditadasobre a diferença de gênero são ideologicamente compatíveis com as normas liberais eigualitárias. O essencialismo durável suporta os típicos comportamentos e identidades degênero e deste modo preserva a segregação de sexo horizontal nos modernos mercados detrabalho. Com o levantar da igualdade formal, as mulheres entram cada vez mais na altaeducação e no mercado de trabalho assalariado, mas elas o fazem nos caminhos que estãoem consistência com as preferências, sanções e prejuízos esssencialistas impostos pelasociedade. Portanto, relevante é o principio cultural que nos faz acreditar que os homenssão mais merecedores de status do que as mulheres, e que lhes cai bem posições deautoridade e dominação. Por Ridgeway, ideologias da diferença tendem a se converteremem ideologias de hierarquia.
  7. 7. Metodologia A metodologia utilizada neste artigo é a hipotética-dedutiva.Hipótese Baseada na teoria do capital humano, status ocupacional é uma função de capitalhumano e não de variáveis adscritivas.Metodologia A metodologia utilizada neste artigo é a hipotético-dedutivo.Modelo Modelo de regressão multinomialDados Microdados da PNAD/IBGE do ano de 2005. Tabulações feitas pela autora.Variáveis Variável dependente – Tipologia Macro com 5 categorias: Ativos de capital, ativosde qualificação, ativos organizacionais, conta própria capitalizados e destituídos. Acategoria destituídos é a categoria de referencia. Variáveis independentes – Raça, sexo, escolaridade, idade, idade², termo interativoescolaridade e raça, termo interativo escolaridade e sexo.
  8. 8. Tabela 1 Posição relativa das categorias de classe, distribuição percentual de brancos e não brancos e Índice de Representação.Tipologia Macro Total Branco Não Branco I.R. Brancos I.R. Não BrancosAtivos de capital 4.0% 79% 21% 2.00 0.35Ativos de qualificação 8.1% 47.4% 52.6% 1.20 0.87Ativos Organizacionais 3.6% 41.2% 58.8% 1.04 0.97Conta própria não precário 11.5% 35.2% 64.8% 0.89 1.07Destituídos 72.8% 37% 63% 0.93 1.04Total 100% 39.5% 60.5% - -Fonte: Tabulações Especiais da autora baseadas nos micro dados da PNAD de 2005Brancos e amarelos foram classificados como Brancos, e Pretos, Pardos e Indígenas foram classificados como NãoBrancos.Índice de Representação mostra quanto os brancos e não brancos estão representados em uma categoria em comparação àsua representação global na população com uma posição de classe assinalada. Tabela 2 Posição relativa das categorias de classe, distribuição percentual de homens e mulheres e Índice de Representação.Tipologia Macro Total Homens Mulheres I.R. Homens I.R. MulheresAtivos de capital 4.0% 84.2% 15.8% 1.39 0.40Ativos de qualificação 8.1% 36.9% 63.1% 0.61 1.60Ativos Organizacionais 3.6% 64.7% 35.3% 1.07 0.89Conta própria não precário 11.5% 90.7% 9.3% 1.50 0.23Destituídos 72.8% 56.9% 43.1% 0.94 1.09Total 100% 60.5% 39.5% - -Fonte: Tabulações Especiais da autora baseadas nos micro dados da PNAD de 2005Brancos e amarelos foram classificados como Brancos, e Pretos, Pardos e Indígenas foram classificados como NãoBrancos.Índice de Representação mostra quanto os homens e mulheres estão representados em uma categoria em comparação à suarepresentação global na população com uma posição de classe assinalada.
  9. 9. Tabela 3 Razoes de Chance para os termos interativos Educação e Raça e Educação e Sexo Tipologia Macro β Exp (β) Razão de Chance Sig Ativos de capital Educ*Raça -0.068 0.934 -6.6% 0.000 Educ*Sexo -0.356 0.701 -29.9% 0.000 Ativos de qualificação Educ*Raça 0.287 1.332 33.2% 0.000 Educ*Sexo -0.133 0.875 -12.5% 0.000 Ativos Organizacionais Educ*Raça 0.109 1.115 11.5% 0.000 Educ*Sexo -0.304 0.738 -26.2% 0.000 Conta própria não precário Educ.*Raça -0.109 0.896 -10.4% 0.000 Educ*Sexo -0.321 0.726 -27.4% 0.000Fonte: Tabulações Especiais da autora baseadas nos micro dados da PNAD de 2005Brancos e amarelos foram classificados como Brancos. Pretos, Pardos e Indígenas foram classificados como Não Brancos.Variável raça classificada como binária – Brancos 1, Não Brancos 0Variável sexo classificada como binária – Masculino 1, Feminino 0Variável Educação – Quantitativa ordinal, anos de estudoTodos os coeficientes foram significativos num intervalo de confiança de 95%Portadores de ativos relevantes de capitais A categoria portadores de ativos de capitais inclui empregador com 11 ou maisempregados, pequeno empregador e fazendeiros. O acesso a esta categoria se da em grandemedida pela transferência dos ativos de capitais de pais para filhos, seja por herança, sejapor incorporação do individuo na atividade familiar. Muito pouco se deve ao aumento docapital humano. Nesse sentido, é possível compreender porque, mesmo sendo o efeito daescolaridade, sobre a chance de estarem posicionados na categoria portadores de ativos decapitais em relação a estarem na categoria destituídos de quaisquer ativos de ativos, 6.6%
  10. 10. menor para os brancos em comparação aos negros, os brancos terem um índice derepresentação de 2 e os não brancos de 0.35. Isto demonstra que o acesso às ocupações comativos de capital para os brancos não se da através do aumento de capital humano. Ou seja,mesmo com menos chance de conversão de escolaridade em acesso a ocupação do que asmulheres, os homens estão sobre representados na categoria, demonstrando que esse déficitde conversão não os impede de serem a maioria dos ocupantes das posições com ativos decapital. O mesmo raciocínio pode ser usado para a interpretação do efeito da escolaridadepara homens em relação às mulheres nesta categoria de classe. O efeito da escolaridade,sobre a chance de estarem posicionados na categoria portadores de ativos de capitais emrelação a estarem na categoria destituídos de quaisquer ativos de ativos, é 29.9% menorpara os homens em comparação as mulheres. O Índice de Representação dos homens nasocupações com ativos de capital é 1.39 e o das mulheres é 0.40, demonstrando que oacesso às ocupações com ativos de capital para os homens não se da através do aumento decapital humano. Ou seja, mesmo com menos chance de conversão de escolaridade emacesso a ocupação do que as mulheres, os homens estão sobre representados na categoria,demonstrando que esse déficit de conversão não os impede de serem a maioria dosocupantes das posições com ativos de capital.Portadores de ativos de qualificação A categoria portadores de ativos de qualificação inclui especialista autônomo,empregado qualificado e empregado especialista. Os especialistas são profissionais comnível superior e os empregados qualificados são profissionais de ensino técnico, de nívelmédio. Para ter acesso a esta categoria é necessária a posse de ativos de qualificação, títulosde ensino ou diplomas de ensino médio e/ou superior. Mas é necessário compreender queter o titulo não é necessariamente a porta de entrada para o acesso a ocupação, ou seja, sefaz necessário a conversão da escolaridade em efetivo emprego. Os dados de nosso modelo nos mostram que o efeito da escolaridade, sobre a chancede estarem posicionados na categoria portadores de ativos de qualificação em relação aestarem na categoria destituídos de quaisquer ativos de ativos, é 32.2% maior para os
  11. 11. brancos em comparação com os não brancos. O Índice de Representação dos brancos nasocupações com ativos de qualificação é 1.20 e de não brancos é 0.87, demonstrando esseexcedente na razão de chance de conversão da escolaridade dos brancos em relação às nãobrancos se confirma no acesso às ocupações com ativos de qualificação, demonstrando queessa chance a mais influencia a sobre representação dos brancos na categoria portadores deativos de qualificação. Sobre os dados de nosso modelo com foco em gênero, avistamos que, o efeito daescolaridade, sobre a chance de estarem posicionados na categoria portadores de ativos dequalificação em relação a estarem na categoria destituídos de quaisquer ativos de ativos, é12.5% menor para os homens em comparação com as mulheres. O Índice de Representaçãodos homens nas ocupações com ativos de qualificação é 0.61 e de mulheres é 1.60,demonstrando que o acesso às ocupações com ativos de qualificação se da em grandemedida através do aumento de capital humano. Ou seja, com menos chance de conversãode escolaridade em acesso ocupações com ativos qualificação do que as mulheres, oshomens estão sub representados na categoria, demonstrando que esse déficit de conversãoos impede de serem a maioria dos ocupantes das posições com ativos de qualificação.Portadores de ativos organizacionais A categoria portadores de ativos organizacionais inclui gerentes e supervisores. Éimportante esclarecer algumas diferenças entre essas duas ocupações. Os gerentes sãoprofissionais que tem autonomia na tomada de decisão e os supervisores são profissionaisque executam a tomada de decisão. Ou seja, mesmo tendo em comum os chamados ativosorganizacionais, referentes à questão de autoridade na organização do trabalho, os gerentesdecidem e os supervisores supervisionam a execução da decisão. Por questão analítica, opresente trabalho opta por agregar as duas ocupações numa mesma categoria. No modelo de regressão ora apresentado é possível destacar que o efeito daescolaridade, sobre a chance de estarem posicionados na categoria portadores de ativosorganizacionais em relação a estarem na categoria destituídos de quaisquer ativos de ativos,é 11.5% maior para os brancos em comparação com os não brancos. O Índice deRepresentação dos brancos nas ocupações com ativos de organizacionais é 1.04 e de não
  12. 12. brancos é 0.975. O maior efeito da escolaridade para os brancos em relação aos não brancosse confirma no acesso às ocupações com ativos organizacionais, demonstrando que essachance a mais influencia a sobre representação dos brancos na categoria portadores deativos organizacionais. Já em relação aos homens e mulheres, o efeito da escolaridade, sobre a chance deestarem posicionados na categoria portadores de ativos de organizacionais em relação aestarem na categoria destituídos de quaisquer ativos de ativos, é 26.2% menor para oshomens em comparação com as mulheres. O Índice de Representação dos homens nasocupações com ativos organizacionais é 1.07 e de mulheres é 0.89, demonstrando que oacesso às ocupações com ativos organizacionais para os homens não se da somente atravésdo aumento de capital humano. Ou seja, mesmo com tendo a escolaridade um efeito menorpara os homens eles estão sobre representados nesta categoria. É relevante atentar para ofato de que a maioria dos homens não se sente confortável ao serem chefiados pormulheres, o que acaba afetando o acesso as ocupações por parte das mulheres,transformando-se no que apresentamos como sendo discriminação ocupacional.Conta própria capitalizados A categoria conta própria reúne as posições de conta própria não agrícola eagrícola 6. Esta e uma categoria relativamente grande na estrutura de classes, contando com11.5% dos indivíduos ocupados. Há entre eles uma disponibilidade de capital suficientepara estabelecer um negocio e ser capaz de trabalhar para si próprio (Figueiredo Santos,2002). 5 Este aparente equilíbrio racial na participação na categoria organizacional merece uma atençãoespecial. Os dados da PNAD 2005 apresentam que 50% dos gerentes são brancos e 50% são pardos, nãoconstando nenhum preto. Já entre os supervisores, 14.3% são brancos, 14.3% são amarelos e 71.4% sãopardos, não aparecendo também nenhum preto. Quando, por opção teórica e analítica, a categoria raça éconstruída como binária (0 e 1), os pardos são classificados como não brancos e com isso há um aparenteequilíbrio racial na participação desta categoria. 6 Mesmo possuindo ativos de capital, não seria correto reuni-los na categoria portadores de ativos decapital, pois há uma grande diferença de monta de seus ativos. Seria como reunir um pequeno produtor ruralcom um grande fazendeiro de soja, ou um taxista com um empregador do transporte coletivo.
  13. 13. Nesta categoria o efeito da escolaridade, sobre a chance de estarem posicionados nacategoria conta própria capitalizados em relação a estarem na categoria destituídos dequaisquer ativos de ativos, é 10.4% menor para os brancos em comparação com os nãobrancos. O Índice de Representação dos brancos nas ocupações de conta própriacapitalizados é 0.89 e de não brancos é 1.07. Mesmo sendo coerente o menor efeito daescolaridade sobre a chance de estarem ocupados na dada categoria e o índice derepresentação para os brancos, é necessário atentar para o fato de que pouco afeta oaumento do capital humano para a ocupação conta própria capitalizado, já que o individuotrabalha para si, e o principal ativo desta ocupação é o empreendimento e não o titulo dequalificação. Em relação aos homens, o efeito da escolaridade sobre a chance de estaremposicionados na categoria conta própria capitalizados, em relação a estarem na categoriadestituídos de quaisquer ativos de ativos, é 27.4% menor para eles do que para as mulheres,sendo o Índice de Representação dos homens nesta categoria de 1.50 e das mulheres de0.23. Ora, esta dado atesta e confirma a assertiva acima, ou seja, o aumento da escolaridadepouco influencia a chance do individuo estar na categoria conta própria capitalizado.Conclusões A partir das interpretações descritas acima podemos rejeitar a hipótese apresentadade que status ocupacional é uma função de capital humano e não de variáveis adscritivas.As variáveis raça e gênero afetam o efeito da escolaridade para o acesso a todas ascategorias de classe mencionadas em relação à categoria destituídos de quaisquer ativos.Mesmo sendo o status ocupacional uma função do capital humano, o efeito da escolaridadeé diferenciado por raça e gênero em todas as categorias elencadas. Ainda, foi possívelvisualizar que, nas categorias portadores de ativos de capital e conta própria capitalizados oacesso é pouco influenciado pelo aumento do capital humano, e na categoria de ativosorganizacionais a discriminação ocupacional de gênero é visível e possivelmentepersistente.
  14. 14. Referencias BibliográficasBLANK, Rebecca, Marilyn Dabady e Constance Citro (Ed.). Measuring Racial Discrimination: panel on methods for assessing discrimination. Washington, The National Academies Press, 2004.FIGUEIREDO SANTOS, José Alcides. (2002). Estrutura de posições de classes no Brasil: mapeamento, mudanças e efeitos na renda. Belo Horizonte e Rio de Janeiro: Editora UFMG e IUPERJ.FIGUEIREDO SANTOS, José Alcides. (2005). Uma classificação sócio econômica para o Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 20, n. 58, p. 27-45.FIGUEIREDO SANTOS, José Alcides. (2009). Posições de classes destituídas no Brasil –no preloYOUNG, Michael (1994). The rise of meritocracy. London: Transaction PublishersHASENBALG, C. & SILVA, N. V., (1999). Cor e Estratificação Social (C. Hasenbalg, N.V. Silva & M. Lima, org.), pp. 217-230, Rio de Janeiro: Contracapa.CHARLES, Maria; GRUSKY, David B (1994). Occupacional Ghetos. In socialstratification: class, race and gender in sociological perspective. Bouldes, Westview Press

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