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62  z  junho DE 2013
Setor investe em inovação para oferecer
produtos com mais qualidade, segurança
e conveniência para o consumidor
ENGENHARIA DE MATERIAIS y
Embalagens
sofisticadas
U
ma nova embalagem plástica para o
acondicionamento de frutas e hortali-
ças composta de uma bandeja reciclá-
vel e uma base articulada e retornável
recebeu no início deste ano o IF Design Award
2013, um dos principais prêmios internacionais
de qualidade e excelência em desenho indus-
trial. A concepção e o projeto foram do Insti-
tuto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio de
Janeiro, que recebeu a premiação promovida
pelo IF Internacional Fórum Design, organi-
zação com sede em Hannover, na Alemanha.
A embalagem é uma solução para combater o
desperdício que no Brasil gira em torno de 40%
das frutas e hortaliças, segundo a Organização
das Nações Unidas para Alimentação e Agri-
cultura (FAO). São alimentos que não chegam
à mesa do consumidor principalmente porque
embalagens inadequadas causam danos e não
preservam a integridade desses produtos. As
geometrias das bandejas do INT são variadas,
resultado do escaneamento em 3D com câme-
Yuri Vasconcelos
fotosléoramos infográficosanapaulacampos
Fonte  Abre / Datamark / IBGE / Brasil Pack Trends 2020 / ITAL
radiografia do setor
Indústria nacional de embalagem gera 223 mil
empregos e fatura R$ 47 bilhões
R$ 46,1 bilhões
de Receita líquida
em 2012
*Projeção
224,8 mil
Empregos gerados
em 2012
1.100
Empresas
aproximadamente
Lata com fechamento
Plus, da Brasilata:
sucesso de venda com
travamento mecânico
e maior proteção do
produto
pESQUISA FAPESP 208  z  63
3,7%
de Participação
no mercado global
em 2011
6,2%*
de Crescimento do setor
entre 2011-2016
4,1%
de Participação no faturamento
da indústria de transformação
em 2010
2,7%
de Participação no faturamento
da indústria nacional
em 2010
US$ 498 milhões
em Exportações
em 2012
US$ 853 milhões
em importações
em 2012
64  z  junho DE 2013
prega quase 225 mil trabalhadores, a maioria nos
segmentos de plástico, papel e papelão, é explica-
do por vários fatores, principalmente a melhora
do cenário econômico e o aumento da renda da
população, que tem impulsionado o mercado de
bens de consumo. “A inovação é um fator funda-
mental para o crescimento do segmento”, afirma
Maurício Groke, presidente da Associação Bra-
sileira de Embalagem (Abre). Segundo ele, para
evoluir, as empresas de embalagem que atuam
no país têm usado o design estrategicamente,
olhando para o consumidor. “Precisamos de-
senvolver soluções criativas, aperfeiçoando o
design das embalagens e inovando nos processos
produtivos”, diz.
Evolução produtiva
Uma evidência de que o Brasil está inserido na ca-
deia global de embalagens é a presença de mais da
metade das 45 maiores empresas de embalagem
ras especiais que determina a melhor condição
de armazenamento para os diferentes tipos e
calibres de frutas contempladas pelo projeto:
caquis, mangas, morangos e mamões.
A base, que se dobra e arma com um simples
movimento, facilita a logística, além de reduzir
o tempo de montagem em relação às caixas con-
vencionais. Os tamanhos disponíveis se ajustam
aos pallets usados no país e na Europa, adaptan-
do a solução tanto para uso no mercado inter-
no quanto para exportação. Segundo o designer
Luiz Carlos Motta, que coordenou o trabalho, a
intenção do INT, órgão vinculado ao Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é fa-
zer a transferência da tecnologia para indústrias
interessadas em produzir as embalagens. “Esta-
mos trabalhando em parceria com indústrias de
transformação e elas têm a preferência no licen-
ciamento”, diz ele. O projeto contou com o apoio
do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacio-
nal de Desenvolvimen-
to Econômico e Social
(BNDES) e foi feito em
parceria com a unidade
Embrapa Agroindús-
tria de Alimentos, de
Guaratiba (RJ), e do
Instituto de Macro-
moléculas da Univer-
sidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ).
A inovação do INT
é apenas uma das so-
luções tecnológicas
na área de embalagens
criadas no país nos últimos anos por empresas
e institutos de pesquisa. A lista é extensa e in-
clui embalagens fabricadas com biopolímeros
recicláveis, sistemas de fácil abertura, métodos
alternativos de fechamento, filmes plásticos de
alta barreira a gases e latas com formatos dife-
renciados. Em essência, todas visam conferir
mais segurança, comodidade e praticidade ao
consumidor, além de proteger melhor o produto
e minimizar impactos ambientais. O Brasil é hoje
o sétimo maior mercado global de embalagens,
com receita líquida de R$ 46,1 bilhões em 2012,
uma evolução de 30% nos últimos cinco anos.
No ranking mundial, o país está atrás apenas de
Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Fran-
ça e Canadá. Projeções feitas por consultores
especializados indicam que dentro de três anos
o país irá ultrapassar o Canadá e a França para
assumir o quinto posto. Até lá, é esperado um
crescimento médio anual de 6,2%, ritmo supe-
rior ao da maioria das nações que encabeçam a
lista (ver gráfico na página ao lado).
O forte crescimento do setor de embalagens,
formado por cerca de 1.100 empresas e que em-
1 Ploc Off: solução
para fechamento
de embalagens usadas
repetidas vezes,
como leite em
pó e café solúvel
2 Pack Less: pallet mais
leve e reciclável
Algumas tendências para o futuro
ainda são raras no país, como sistemas
de fácil abertura e sensores capazes
de identificar a origem do produto
1
pESQUISA FAPESP 208  z  65
do mundo no país. “Esse dado confirma o bom
nível tecnológico das embalagens que atuam no
país”, diz a engenheira de alimentos Claire Saran-
tópoulos, pesquisadora do Centro de Tecnologia
de Embalagem (Cetea) do Instituto de Tecnologia
de Alimentos (Ital), de Campinas, órgão vinculado
à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do
Estado de São Paulo. Apesar disso, a variedade
de embalagens encontrada no Brasil, segundo a
pesquisadora, ainda é restrita ao perfil do nos-
so mercado, em que os grandes volumes são de
baixo valor agregado. “Temos produtos de alta
tecnologia como as latas de alumínio usadas em
bebidas, filmes plásticos de alta barreira utiliza-
dos na conservação de alimentos e garrafas PET
com reciclagem pós-consumo. Contudo, algumas
tendências para o futuro ainda são raras no país
como sistemas mais sofisticados de fácil abertura,
embalagens ativas e inteligentes – que controlam
os gases e a umidade ao redor de frutas ou incor-
poram absorvedores de oxigênio para preservar
alimentos e bebidas por mais tempo – e outras
tecnologias de rastreabilidade, como as etiquetas
de identificação por radiofrequência (RFID).”
Claire acredita que o setor tem cada vez mais
importância para as indústrias de bens de con-
sumo. “O sistema de embalagem é vital para a
eficiência da cadeia produtiva, conferindo qua-
lidade e segurança às mercadorias”, diz ela. “A
competitividade das empresas está em grande
medida associada à otimização e inovação de
suas embalagens.” Foi do Cetea a coordenação
de um projeto do programa Consórcios Setoriais
para Inovação Tecnológica (Consitec) financia-
do pela FAPESP. O Consórcio Associativo para
Promoção da Pesquisa Tecnológica no Setor de
Embalagem, coordenado pelo diretor do Ital,
Luis Fernando Ceribelli Madi, foi realizado en-
tre 2003 e 2010, e teve o objetivo de fomentar
o desenvolvimento tecnológico de embalagens
de produtos alimentares, por meio da pesquisa
em empresas produtoras e usuárias de emba-
lagem. “O projeto possibilitou a interação com
mais de 100 empresas fabricantes e usuárias de
embalagens por meio de parcerias em projetos
de desenvolvimento tecnológico, assessorias
tecnológicas, serviços analíticos e treinamen-
tos”, diz Claire.
Bem fechado
Um exemplo das inovações mais aprimoradas
citadas por Claire pode ser visto no portfólio de
produtos da Brasilata, uma das líderes nacionais
em produção de latas de aço. A empresa lançou
em 2004 uma lata para produtos alimentícios em
pó, como leite, café e chocolate, com um novo sis-
tema de fechamento. A solução, batizada de Ploc
Off, ganhou vários prêmios no país e no exterior,
entre eles o Prêmio Brasileiro de Embalagens na
fotos léoramos
n 2011
n  2016 (Projeção)
n  Crescimento médio
anual estimado 2011-2016
*Crescimento conjunto
EUA e Canadá
ESTADOS UNIDOS
CHINA
JAPÃO
ALEMANHA
FRANÇA
CANADÁ
BRASIL
REINO UNIDO
RÚSSIA
ÍNDIA
PRINCIPAIS MERCADOS GLOBAIS
Brasil ocupa 5º lugar no ranking mundial e deve subir duas posições
até 2016 (em US$ bilhões)
141,4
79,7
76,3
36,5
27
27
25
22,3
20,5
16,9
163,3
116,6
87
42,3
30,4
30,8
33,8
25,4
26
24,5
2,9%*
7,9%
2,7%
3%
2,1%*
2,9%
6,2%
2,6%
4,9%
7,7%
Fonte  Datamark / Brasil
Pack Trends 2020 / ITAL
MAIORES MERCADOS CONSUMIDORES
Indústrias de bebidas e alimentos são as principais usuárias de
embalagens no país em 2011 (em toneladas e US$ milhões)
Indústria			 Volume	 Consumo
Bebidas			3.270	11.486
Alimentícia		 3.125	13.665
Higiene e cosméticos		 421	 1.847
Limpeza			668	1.670
Farmacêutica		 202	223
Fonte  Datamark / Brasil Pack Trends 2020 / ITAL
2
66  z  junho DE 2013
categoria Alimentos, e foi considerada uma das
10 melhores inovações brasileiras em pesquisa
publicada pela revista de negócios Exame. De
acordo com a Brasilata, a Ploc Off oferece veda-
ção 30 vezes superior, após a primeira abertura
da lata. Essa característica torna a lata indicada
para produtos de consumo progressivo, que são
usados repetidas vezes, como achocolatados e
cafés solúveis. O fechamento, constituído de um
lacre e uma tampa plástica, também apresenta
custo mais competitivo do que o sistema con-
vencional da lata com selo de alumínio e sobre-
tampa plástica. “O fechamento Ploc Off oferece
aos fabricantes uma opção mais competitiva por
dispensar o uso da recravadeira no envase do
produto alimentício”, afirma João Vicente Tu-
ma, diretor da Divisão Alimentos da Brasilata.
A recravadeira é a má-
quina responsável pe-
lo fechamento de reci-
pientes metálicos por
meio da operação de
dobramento das bor-
das superiores das la-
tas. Embora com tantas
vantagens, a Ploc Off
ainda está presente em
poucos produtos.
Outra inovação da
empresa, que tem se-
de em São Paulo e fá-
bricas em Pernambuco,
Goiás e Rio Grande do
Sul, é a lata com fecha-
mento Plus, destinada
ao mercado de tintas.
Em abril deste ano, a
Brasilata comemorou a marca de 1 bilhão de
unidades vendidas do produto. Sua novidade
é o sistema de travamento mecânico, que está
patenteado no Brasil e nos principais mercados
internacionais, como Estados Unidos, União
Europeia, Japão e China. Até o final do século
XX, o mercado de embalagens para tintas usava
latas com o tradicional fechamento por atrito.
Em meados de 1995, a Brasilata surpreendeu o
mercado ao apresentar esse novo sistema de fe-
chamento, destinado à lata redonda e com vários
benefícios. Além de suportar melhor as pressões
internas, choques, pancadas e até mesmo a queda
da lata, o fechamento Plus usa menos matéria-
-prima na sua fabricação e oferece maior velo-
cidade nas linhas de enchimento das indústrias
de tinta. Para o usuário, facilita o uso progressivo
da tinta, pois garante o fechamento hermético
e a melhor conservação do produto. Segundo
a empresa, desde o lançamento da lata com o
Plus, foram economizadas 14 mil toneladas de
aço, que significam a redução de 21 mil tonela-
das de minério de ferro e de 6,4 mil
toneladas de carvão. Além disso, por
ser 100% reciclável, após o consumo
a lata de aço retorna à sua condição
inicial sem se degradar.
Embalagens sustentáveis
O menor impacto sobre o ambiente
e a produção responsável são aspec-
tos cada vez mais considerados pe-
las empresas na hora de desenvolver
novas embalagens. “A sustentabili-
dade em toda cadeia produtiva é um
caminho sem volta”, afirma Claire,
do Cetea. Segundo ela, os fabrican-
tes de embalagens estão investindo
em produtos e processos que econo-
mizem energia, diminuam o uso de
recursos naturais (água e materiais), reduzam as
emissões na cadeia produtiva e estendam a vida
útil do produto. A redução do peso das embala-
gens é uma das principais formas de atuar na
EVOLUÇÃO DO SEGMENTO
Receita líquida das empresas de embalagem cres-
ceu 30% nos últimos cinco anos (em R$ bilhões)
Fonte  IBGE / FGV /ABRE
R$ 35,5
R$ 36,7
R$ 42,0
R$ 44,7
R$ 46,1
2008
2009
2010
2011
2012
PRODUÇÃO FÍSICA
Participação de cada segmento na
indústria de embalagem (2012)
Fonte  Abre / IBGE
Plástico
29,7%
Papel, papelão e cartão
33,1%
Metal
26,6%
Vidro
8,7%
Madeira
1,8%
Menor impacto
ambiental e
redução de peso
são pontos
essenciais no
desenvolvimento
de embalagens
Prêmio internacional
de desenho industrial
para embalagem de
frutas e hortaliças
desenvolvida no INT,
do Rio de Janeiro
1
fotos 1int 2léoramos 3eduardocesar 4coca-cola 5cmdmc/unesp
pESQUISA FAPESP 208  z  67
Projeto
Consórcio associativo para promoção da pesquisa tecnológica no
setor de embalagem (nº2001/10784-1); Modalidade Programa
Consórcios Setoriais para Inovação Tecnológica (Consitec); Coord.
Luis Fernando Ceribelli Madi/Ital; Investimento R$ 452.075,63 e
US$ 112.074,53 (FAPESP).
EMBALAGENS ATIVAS
Elas atuam sobre o produto ou sobre
o espaço livre da embalagem com
o objetivo de aumentar a vida útil
e garantir a segurança microbiológica
de bebidas e alimentos. Aditivos
podem ser incorporados a plástico,
papel, metais ou a uma combinação
desses materiais. No caso de embalagens
poliméricas, o princípio ativo pode estar associado
às suas características intrínsecas.
Exemplos: filmes antimicrobianos, absorvedores de oxigênio
e de odores e embalagens autoaquecíveis.
EMBALAGENS INTELIGENTES
Monitoram e dão indicações de frescor, da
qualidade e da condição de refrigeração.
Conferem maior segurança e também
permitem indicar a localização e a
rastreabilidade do produto. O processo de
detecção e comunicação das informações
se dá por meio de indicadores, sensores
e transmissores instalados na embalagem.
Exemplos: são indicadores de temperatura, stress térmico,
deterioração microbiológica, amadurecimento de frutas
e localização.
BIOPOLÍMEROS
O uso de biopolímeros feitos com
matéria-prima oriunda de fontes
renováveis é uma forte tendência
associada ao conceito de sustentabilidade.
No processo de reciclagem desse material
é gasta menos energia do que
na produção de um novo.
Exemplos: polietileno da Braskem
produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar e PlantBottle
da Coca-Cola, garrafa plástica produzida com 30% de
matéria-prima de fonte renovável.
NANOTECNOLOGIA
O uso da nanotecnologia em embalagens
plásticas e celulósicas pode melhorar suas
propriedades – flexibilidade, resistência
térmica, barreira a gases etc. –, conferir
novas funcionalidades e torná-las mais
leves e sustentáveis.
Exemplos: embalagens feitas com
poliamida acrescida de nanocompósitos
para aumentar a barreira a gases, tintas metálicas usadas em
indicadores de variação de temperatura, incorporação de
metais em plásticos para atribuir propriedades antimicrobianas.
No estudo Brasil Pack Trends 2020, o Instituto de Tecnologia
de Alimentos (Ital) faz o monitoramento de tendências do setor para
os próximos anos. Aqui, algumas dessas novas tecnologias
Indicadores do futuro
diminuição do consumo de recursos naturais.
Outra é utilizar matérias-primas renováveis em
sua fabricação.
Essa é a aposta da Braskem, maior indústria
petroquímica do país, que, em 2010, lançou o
polietileno verde. Fabricado a partir do eteno
obtido do etanol da cana-de-açúcar, essa maté-
ria-prima já é utilizada na fabricação de potes
de iogurte, tampas de embalagem cartonadas
assépticas usadas para acondicionar leite, em-
balagens de produtos de higiene e beleza entre
outros produtos. O polietileno verde, de acordo
com a Braskem, tem balanço ambiental positivo,
porque engloba uma cadeia produtiva comple-
ta, com até 2,5 toneladas de dióxido de carbono
(CO2) retiradas da atmosfera para cada tonelada
produzida. O plástico verde da petroquímica é
exportado para outros países, sendo que a Europa
consome 50% da produção, de 200 mil toneladas
por ano. O mercado para o produto é gigantesco,
porque o polietileno convencional, fabricado a
partir de combustíveis fósseis, é o plástico mais
consumido no mundo.
O cuidado em desenvolver produtos sustentá-
veis pode ser percebido também na cadeia pro-
dutiva da embalagem. A Pack Less, com sede em
Cotia, na Grande São Paulo, por exemplo, inovou
ao lançar recentemente um “pallet verde” feito
de polipropileno para movimentação de merca-
doria. Criada há quatro anos, a empresa, presente
em vários países (Argentina, Colômbia, Estados
Unidos e Europa) por meio de licenciamentos e
joint ventures, investiu R$ 2 milhões no desenvol-
vimento do produto e em patentes internacionais.
Seus pallets, 100% recicláveis, são 10 vezes mais
leves do que os correlatos de madeira e ocupam
menos espaço dentro dos navios. Por serem mais
leves, reduzem o consumo de combustível dos
caminhões que transportam as mercadorias até
o porto, contribuindo, em última instância, pa-
ra a redução da emissão de poluentes. “Quando
comparado, nas mesmas condições, com o pallet
convencional, o Pack Less consome 70% menos
energia e emite 90% menos gases causadores
de efeito estufa”, contabiliza Rodinei Lapietra,
diretor da Pack Less, acrescentando que a em-
presa possui hoje capacidade para produzir 200
mil pallets por mês. O Pack Less foi criado pelo
engenheiro José Roberto Durço, um dos sócios
da empresa, e seu desenvolvimento tem apoio
da Braskem, animada em dar uma nova utilidade
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Sofisticação embalagens 208

  • 1. 62  z  junho DE 2013 Setor investe em inovação para oferecer produtos com mais qualidade, segurança e conveniência para o consumidor ENGENHARIA DE MATERIAIS y Embalagens sofisticadas U ma nova embalagem plástica para o acondicionamento de frutas e hortali- ças composta de uma bandeja reciclá- vel e uma base articulada e retornável recebeu no início deste ano o IF Design Award 2013, um dos principais prêmios internacionais de qualidade e excelência em desenho indus- trial. A concepção e o projeto foram do Insti- tuto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio de Janeiro, que recebeu a premiação promovida pelo IF Internacional Fórum Design, organi- zação com sede em Hannover, na Alemanha. A embalagem é uma solução para combater o desperdício que no Brasil gira em torno de 40% das frutas e hortaliças, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agri- cultura (FAO). São alimentos que não chegam à mesa do consumidor principalmente porque embalagens inadequadas causam danos e não preservam a integridade desses produtos. As geometrias das bandejas do INT são variadas, resultado do escaneamento em 3D com câme- Yuri Vasconcelos fotosléoramos infográficosanapaulacampos Fonte  Abre / Datamark / IBGE / Brasil Pack Trends 2020 / ITAL radiografia do setor Indústria nacional de embalagem gera 223 mil empregos e fatura R$ 47 bilhões R$ 46,1 bilhões de Receita líquida em 2012 *Projeção 224,8 mil Empregos gerados em 2012 1.100 Empresas aproximadamente Lata com fechamento Plus, da Brasilata: sucesso de venda com travamento mecânico e maior proteção do produto
  • 2. pESQUISA FAPESP 208  z  63 3,7% de Participação no mercado global em 2011 6,2%* de Crescimento do setor entre 2011-2016 4,1% de Participação no faturamento da indústria de transformação em 2010 2,7% de Participação no faturamento da indústria nacional em 2010 US$ 498 milhões em Exportações em 2012 US$ 853 milhões em importações em 2012
  • 3. 64  z  junho DE 2013 prega quase 225 mil trabalhadores, a maioria nos segmentos de plástico, papel e papelão, é explica- do por vários fatores, principalmente a melhora do cenário econômico e o aumento da renda da população, que tem impulsionado o mercado de bens de consumo. “A inovação é um fator funda- mental para o crescimento do segmento”, afirma Maurício Groke, presidente da Associação Bra- sileira de Embalagem (Abre). Segundo ele, para evoluir, as empresas de embalagem que atuam no país têm usado o design estrategicamente, olhando para o consumidor. “Precisamos de- senvolver soluções criativas, aperfeiçoando o design das embalagens e inovando nos processos produtivos”, diz. Evolução produtiva Uma evidência de que o Brasil está inserido na ca- deia global de embalagens é a presença de mais da metade das 45 maiores empresas de embalagem ras especiais que determina a melhor condição de armazenamento para os diferentes tipos e calibres de frutas contempladas pelo projeto: caquis, mangas, morangos e mamões. A base, que se dobra e arma com um simples movimento, facilita a logística, além de reduzir o tempo de montagem em relação às caixas con- vencionais. Os tamanhos disponíveis se ajustam aos pallets usados no país e na Europa, adaptan- do a solução tanto para uso no mercado inter- no quanto para exportação. Segundo o designer Luiz Carlos Motta, que coordenou o trabalho, a intenção do INT, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é fa- zer a transferência da tecnologia para indústrias interessadas em produzir as embalagens. “Esta- mos trabalhando em parceria com indústrias de transformação e elas têm a preferência no licen- ciamento”, diz ele. O projeto contou com o apoio do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacio- nal de Desenvolvimen- to Econômico e Social (BNDES) e foi feito em parceria com a unidade Embrapa Agroindús- tria de Alimentos, de Guaratiba (RJ), e do Instituto de Macro- moléculas da Univer- sidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A inovação do INT é apenas uma das so- luções tecnológicas na área de embalagens criadas no país nos últimos anos por empresas e institutos de pesquisa. A lista é extensa e in- clui embalagens fabricadas com biopolímeros recicláveis, sistemas de fácil abertura, métodos alternativos de fechamento, filmes plásticos de alta barreira a gases e latas com formatos dife- renciados. Em essência, todas visam conferir mais segurança, comodidade e praticidade ao consumidor, além de proteger melhor o produto e minimizar impactos ambientais. O Brasil é hoje o sétimo maior mercado global de embalagens, com receita líquida de R$ 46,1 bilhões em 2012, uma evolução de 30% nos últimos cinco anos. No ranking mundial, o país está atrás apenas de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Fran- ça e Canadá. Projeções feitas por consultores especializados indicam que dentro de três anos o país irá ultrapassar o Canadá e a França para assumir o quinto posto. Até lá, é esperado um crescimento médio anual de 6,2%, ritmo supe- rior ao da maioria das nações que encabeçam a lista (ver gráfico na página ao lado). O forte crescimento do setor de embalagens, formado por cerca de 1.100 empresas e que em- 1 Ploc Off: solução para fechamento de embalagens usadas repetidas vezes, como leite em pó e café solúvel 2 Pack Less: pallet mais leve e reciclável Algumas tendências para o futuro ainda são raras no país, como sistemas de fácil abertura e sensores capazes de identificar a origem do produto 1
  • 4. pESQUISA FAPESP 208  z  65 do mundo no país. “Esse dado confirma o bom nível tecnológico das embalagens que atuam no país”, diz a engenheira de alimentos Claire Saran- tópoulos, pesquisadora do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), de Campinas, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Apesar disso, a variedade de embalagens encontrada no Brasil, segundo a pesquisadora, ainda é restrita ao perfil do nos- so mercado, em que os grandes volumes são de baixo valor agregado. “Temos produtos de alta tecnologia como as latas de alumínio usadas em bebidas, filmes plásticos de alta barreira utiliza- dos na conservação de alimentos e garrafas PET com reciclagem pós-consumo. Contudo, algumas tendências para o futuro ainda são raras no país como sistemas mais sofisticados de fácil abertura, embalagens ativas e inteligentes – que controlam os gases e a umidade ao redor de frutas ou incor- poram absorvedores de oxigênio para preservar alimentos e bebidas por mais tempo – e outras tecnologias de rastreabilidade, como as etiquetas de identificação por radiofrequência (RFID).” Claire acredita que o setor tem cada vez mais importância para as indústrias de bens de con- sumo. “O sistema de embalagem é vital para a eficiência da cadeia produtiva, conferindo qua- lidade e segurança às mercadorias”, diz ela. “A competitividade das empresas está em grande medida associada à otimização e inovação de suas embalagens.” Foi do Cetea a coordenação de um projeto do programa Consórcios Setoriais para Inovação Tecnológica (Consitec) financia- do pela FAPESP. O Consórcio Associativo para Promoção da Pesquisa Tecnológica no Setor de Embalagem, coordenado pelo diretor do Ital, Luis Fernando Ceribelli Madi, foi realizado en- tre 2003 e 2010, e teve o objetivo de fomentar o desenvolvimento tecnológico de embalagens de produtos alimentares, por meio da pesquisa em empresas produtoras e usuárias de emba- lagem. “O projeto possibilitou a interação com mais de 100 empresas fabricantes e usuárias de embalagens por meio de parcerias em projetos de desenvolvimento tecnológico, assessorias tecnológicas, serviços analíticos e treinamen- tos”, diz Claire. Bem fechado Um exemplo das inovações mais aprimoradas citadas por Claire pode ser visto no portfólio de produtos da Brasilata, uma das líderes nacionais em produção de latas de aço. A empresa lançou em 2004 uma lata para produtos alimentícios em pó, como leite, café e chocolate, com um novo sis- tema de fechamento. A solução, batizada de Ploc Off, ganhou vários prêmios no país e no exterior, entre eles o Prêmio Brasileiro de Embalagens na fotos léoramos n 2011 n  2016 (Projeção) n  Crescimento médio anual estimado 2011-2016 *Crescimento conjunto EUA e Canadá ESTADOS UNIDOS CHINA JAPÃO ALEMANHA FRANÇA CANADÁ BRASIL REINO UNIDO RÚSSIA ÍNDIA PRINCIPAIS MERCADOS GLOBAIS Brasil ocupa 5º lugar no ranking mundial e deve subir duas posições até 2016 (em US$ bilhões) 141,4 79,7 76,3 36,5 27 27 25 22,3 20,5 16,9 163,3 116,6 87 42,3 30,4 30,8 33,8 25,4 26 24,5 2,9%* 7,9% 2,7% 3% 2,1%* 2,9% 6,2% 2,6% 4,9% 7,7% Fonte  Datamark / Brasil Pack Trends 2020 / ITAL MAIORES MERCADOS CONSUMIDORES Indústrias de bebidas e alimentos são as principais usuárias de embalagens no país em 2011 (em toneladas e US$ milhões) Indústria Volume Consumo Bebidas 3.270 11.486 Alimentícia 3.125 13.665 Higiene e cosméticos 421 1.847 Limpeza 668 1.670 Farmacêutica 202 223 Fonte  Datamark / Brasil Pack Trends 2020 / ITAL 2
  • 5. 66  z  junho DE 2013 categoria Alimentos, e foi considerada uma das 10 melhores inovações brasileiras em pesquisa publicada pela revista de negócios Exame. De acordo com a Brasilata, a Ploc Off oferece veda- ção 30 vezes superior, após a primeira abertura da lata. Essa característica torna a lata indicada para produtos de consumo progressivo, que são usados repetidas vezes, como achocolatados e cafés solúveis. O fechamento, constituído de um lacre e uma tampa plástica, também apresenta custo mais competitivo do que o sistema con- vencional da lata com selo de alumínio e sobre- tampa plástica. “O fechamento Ploc Off oferece aos fabricantes uma opção mais competitiva por dispensar o uso da recravadeira no envase do produto alimentício”, afirma João Vicente Tu- ma, diretor da Divisão Alimentos da Brasilata. A recravadeira é a má- quina responsável pe- lo fechamento de reci- pientes metálicos por meio da operação de dobramento das bor- das superiores das la- tas. Embora com tantas vantagens, a Ploc Off ainda está presente em poucos produtos. Outra inovação da empresa, que tem se- de em São Paulo e fá- bricas em Pernambuco, Goiás e Rio Grande do Sul, é a lata com fecha- mento Plus, destinada ao mercado de tintas. Em abril deste ano, a Brasilata comemorou a marca de 1 bilhão de unidades vendidas do produto. Sua novidade é o sistema de travamento mecânico, que está patenteado no Brasil e nos principais mercados internacionais, como Estados Unidos, União Europeia, Japão e China. Até o final do século XX, o mercado de embalagens para tintas usava latas com o tradicional fechamento por atrito. Em meados de 1995, a Brasilata surpreendeu o mercado ao apresentar esse novo sistema de fe- chamento, destinado à lata redonda e com vários benefícios. Além de suportar melhor as pressões internas, choques, pancadas e até mesmo a queda da lata, o fechamento Plus usa menos matéria- -prima na sua fabricação e oferece maior velo- cidade nas linhas de enchimento das indústrias de tinta. Para o usuário, facilita o uso progressivo da tinta, pois garante o fechamento hermético e a melhor conservação do produto. Segundo a empresa, desde o lançamento da lata com o Plus, foram economizadas 14 mil toneladas de aço, que significam a redução de 21 mil tonela- das de minério de ferro e de 6,4 mil toneladas de carvão. Além disso, por ser 100% reciclável, após o consumo a lata de aço retorna à sua condição inicial sem se degradar. Embalagens sustentáveis O menor impacto sobre o ambiente e a produção responsável são aspec- tos cada vez mais considerados pe- las empresas na hora de desenvolver novas embalagens. “A sustentabili- dade em toda cadeia produtiva é um caminho sem volta”, afirma Claire, do Cetea. Segundo ela, os fabrican- tes de embalagens estão investindo em produtos e processos que econo- mizem energia, diminuam o uso de recursos naturais (água e materiais), reduzam as emissões na cadeia produtiva e estendam a vida útil do produto. A redução do peso das embala- gens é uma das principais formas de atuar na EVOLUÇÃO DO SEGMENTO Receita líquida das empresas de embalagem cres- ceu 30% nos últimos cinco anos (em R$ bilhões) Fonte  IBGE / FGV /ABRE R$ 35,5 R$ 36,7 R$ 42,0 R$ 44,7 R$ 46,1 2008 2009 2010 2011 2012 PRODUÇÃO FÍSICA Participação de cada segmento na indústria de embalagem (2012) Fonte  Abre / IBGE Plástico 29,7% Papel, papelão e cartão 33,1% Metal 26,6% Vidro 8,7% Madeira 1,8% Menor impacto ambiental e redução de peso são pontos essenciais no desenvolvimento de embalagens Prêmio internacional de desenho industrial para embalagem de frutas e hortaliças desenvolvida no INT, do Rio de Janeiro 1 fotos 1int 2léoramos 3eduardocesar 4coca-cola 5cmdmc/unesp
  • 6. pESQUISA FAPESP 208  z  67 Projeto Consórcio associativo para promoção da pesquisa tecnológica no setor de embalagem (nº2001/10784-1); Modalidade Programa Consórcios Setoriais para Inovação Tecnológica (Consitec); Coord. Luis Fernando Ceribelli Madi/Ital; Investimento R$ 452.075,63 e US$ 112.074,53 (FAPESP). EMBALAGENS ATIVAS Elas atuam sobre o produto ou sobre o espaço livre da embalagem com o objetivo de aumentar a vida útil e garantir a segurança microbiológica de bebidas e alimentos. Aditivos podem ser incorporados a plástico, papel, metais ou a uma combinação desses materiais. No caso de embalagens poliméricas, o princípio ativo pode estar associado às suas características intrínsecas. Exemplos: filmes antimicrobianos, absorvedores de oxigênio e de odores e embalagens autoaquecíveis. EMBALAGENS INTELIGENTES Monitoram e dão indicações de frescor, da qualidade e da condição de refrigeração. Conferem maior segurança e também permitem indicar a localização e a rastreabilidade do produto. O processo de detecção e comunicação das informações se dá por meio de indicadores, sensores e transmissores instalados na embalagem. Exemplos: são indicadores de temperatura, stress térmico, deterioração microbiológica, amadurecimento de frutas e localização. BIOPOLÍMEROS O uso de biopolímeros feitos com matéria-prima oriunda de fontes renováveis é uma forte tendência associada ao conceito de sustentabilidade. No processo de reciclagem desse material é gasta menos energia do que na produção de um novo. Exemplos: polietileno da Braskem produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar e PlantBottle da Coca-Cola, garrafa plástica produzida com 30% de matéria-prima de fonte renovável. NANOTECNOLOGIA O uso da nanotecnologia em embalagens plásticas e celulósicas pode melhorar suas propriedades – flexibilidade, resistência térmica, barreira a gases etc. –, conferir novas funcionalidades e torná-las mais leves e sustentáveis. Exemplos: embalagens feitas com poliamida acrescida de nanocompósitos para aumentar a barreira a gases, tintas metálicas usadas em indicadores de variação de temperatura, incorporação de metais em plásticos para atribuir propriedades antimicrobianas. No estudo Brasil Pack Trends 2020, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) faz o monitoramento de tendências do setor para os próximos anos. Aqui, algumas dessas novas tecnologias Indicadores do futuro diminuição do consumo de recursos naturais. Outra é utilizar matérias-primas renováveis em sua fabricação. Essa é a aposta da Braskem, maior indústria petroquímica do país, que, em 2010, lançou o polietileno verde. Fabricado a partir do eteno obtido do etanol da cana-de-açúcar, essa maté- ria-prima já é utilizada na fabricação de potes de iogurte, tampas de embalagem cartonadas assépticas usadas para acondicionar leite, em- balagens de produtos de higiene e beleza entre outros produtos. O polietileno verde, de acordo com a Braskem, tem balanço ambiental positivo, porque engloba uma cadeia produtiva comple- ta, com até 2,5 toneladas de dióxido de carbono (CO2) retiradas da atmosfera para cada tonelada produzida. O plástico verde da petroquímica é exportado para outros países, sendo que a Europa consome 50% da produção, de 200 mil toneladas por ano. O mercado para o produto é gigantesco, porque o polietileno convencional, fabricado a partir de combustíveis fósseis, é o plástico mais consumido no mundo. O cuidado em desenvolver produtos sustentá- veis pode ser percebido também na cadeia pro- dutiva da embalagem. A Pack Less, com sede em Cotia, na Grande São Paulo, por exemplo, inovou ao lançar recentemente um “pallet verde” feito de polipropileno para movimentação de merca- doria. Criada há quatro anos, a empresa, presente em vários países (Argentina, Colômbia, Estados Unidos e Europa) por meio de licenciamentos e joint ventures, investiu R$ 2 milhões no desenvol- vimento do produto e em patentes internacionais. Seus pallets, 100% recicláveis, são 10 vezes mais leves do que os correlatos de madeira e ocupam menos espaço dentro dos navios. Por serem mais leves, reduzem o consumo de combustível dos caminhões que transportam as mercadorias até o porto, contribuindo, em última instância, pa- ra a redução da emissão de poluentes. “Quando comparado, nas mesmas condições, com o pallet convencional, o Pack Less consome 70% menos energia e emite 90% menos gases causadores de efeito estufa”, contabiliza Rodinei Lapietra, diretor da Pack Less, acrescentando que a em- presa possui hoje capacidade para produzir 200 mil pallets por mês. O Pack Less foi criado pelo engenheiro José Roberto Durço, um dos sócios da empresa, e seu desenvolvimento tem apoio da Braskem, animada em dar uma nova utilidade ao polipropileno que produz. n 2 3 4 5