ENTREVISTA (EDIÇÃO SEMANAL)
“Vim encontrar surpresas que se vêm avolumando”
Na primeira entrevista enquanto presidente da ...
Afinal o que é que está em causa com a Parq C?
A empresa alega que nunca foram disponibilizados à superfície, ou seja em m...
A entrada em vigor no dia 1 de janeiro da nova Lei das Finanças Locais obrigou-nos a
entrar em saneamento financeiro porqu...
Para alguns políticos tem sido uma coisa menor mas a cultura num concelho com as
características da Covilhã, é um fator de...
Ao Data Center da PT.
Quais são as relações da Câmara com a PT? Disse que pretendia rever o contrato.
Temos uma visão otim...
terrenos e não se pode consignar a obra. É algo que nos transcende e vai para além da
vontade do presidente da Câmara.
Não...
terrenos e não se pode consignar a obra. É algo que nos transcende e vai para além da
vontade do presidente da Câmara.
Não...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Entrevista

292 visualizações

Publicada em

Publicada em: Notícias e política
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
292
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Entrevista

  1. 1. ENTREVISTA (EDIÇÃO SEMANAL) “Vim encontrar surpresas que se vêm avolumando” Na primeira entrevista enquanto presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Vítor Pereira fala, sem rodeios, das dificuldades encontradas e dos problemas que tem pela frente JORNAL DO FUNDÃO- Fez recentemente cem dias de mandato. Qual a expectativa enquanto candidato e qual a realidade que encontrou na Câmara? VÍTOR PEREIRA – Confesso que há algum desfasamento. Sabia das dificuldades que iria encontrar. Estive oito anos como vereador mas quem está na oposição nunca tem uma verdadeira radiografia de um município com a dimensão do da Covilhã. Esperava, como efetivamente vim encontrar, dificuldades e surpresas que se vêm avolumando. Cada dia é uma surpresa. O balanço dos primeiros cem dias de mandato é positivo. Encontrei situações desagradáveis, designadamente de natureza financeira que nos afligem mas essas dificuldades também nos levam a superar-nos, a sermos positivos, a não desanimar. As situações de adversidade dão-me força e ânimo. O embate inicial é sempre o mais difícil mas as coisas estão a entrar num rumo de velocidade de cruzeiro, sendo certo que continuam a existir, como disse, algumas surpresas. Estamos a falar de quê? Sobretudo de dívidas. Em termos oficiais a dívida ronda os 65 milhões de euros mas a verdade é que não estão computadas as dívidas das empresas municipais, sobretudo aquelas onde existem valores significativos e reporto-me à Águas da Covilhã (ADC), à SRU, que está numa fase de extinção mas há uma dívida de 2,5 milhões e ao Parkurbis, com uma dívida significativa. Tem falado em contenciosos judiciais que podem aumentar a dívida... Existem e são valores importantes. A título de exemplo, 1,7 milhões pendentes da expropriação do Parque de S. Miguel; 700 mil euros da Leclerc que ainda não estão em Tribunal e vamos ver como resolvemos o problema… De que se trata? A Leclerc reivindica esse dinheiro que a Câmara recebeu para proceder contratualmente aos arranjos e acessos assumidos e pelos vistos não cumpriu. Mas há mais: A Parq C veio reivindicar um pagamento que pode rondar 13 milhões de euros. Há ainda a dívida de mais de um milhão à Associação de Municípios da Cova da Beira.
  2. 2. Afinal o que é que está em causa com a Parq C? A empresa alega que nunca foram disponibilizados à superfície, ou seja em muitas zonas do centro da cidade, os lugares de estacionamento contratualmente acordados. Mas os munícipes queixam-se que a há parquímetros em praticamente toda a zona do centro da cidade… A empresa alega factos pertinentes mas naturalmente vão ter de os provar em Tribunal Arbitral (TA) que está a dirimir este contencioso. Falam da rua junto às Finanças e aqui no Pelourinho e artérias adjacentes onde há permissão de estacionamentos de curta duração. Há possibilidades de entendimento com a Parq C? Na véspera das eleições houve quem quisesse sanar este conflito com o pagamento dos valores pedidos pela empresa, que para mim estão fora de questão. Vou, na próxima semana, efetuar uma tentativa de conciliação e envidar esforços para encontrar uma solução consensual, mas que não pode prejudicar o município. A propósito da dívida: tem sido confrontado com críticas de alguma oposição sobre despesas com pessoal para o seu staff. Em recente sessão do executivo, um vereador do Movimento Acreditar Covilhã apontou gastos da ordem dos 50 mil euros por mês... Não é verdade. Isso é absurdo. Dou-lhe os números exatos: em 2012, a Câmara gastou cinco milhões, 829 mil euros; em 2013, gastou cinco milhões, 860 mil. Há uma diferença de 31 mil euros mas importa esclarecer que estão aqui imputados 250 mil euros do subsídio de férias que não foram pagos em 2012. Ou seja, se o subsídio de férias não fosse pago em 2013, teríamos um abaixamento dos custos com o pessoal da ordem dos 219 mil euros. Portanto, essas acusações são demagogia. Aliás, basta ver o seguinte: temos menos três eleitos que a Câmara anterior, menos três secretárias e não temos assessores. Mas é exatamente essa questão dos assessores que tem gerado muitos comentários. Eu pergunto onde é que eles estão. Temos o staff normal de uma Câmara. Realizamos o trabalho dos nossos antecessores com menos recursos humanos. Como está a auditoria às contas da autarquia? Estamos a aguardar o desfecho da auditoria que há-de fazer luz de toda esta e outras realidades, algumas que de certeza desconhecemos na íntegra. Quando terá essa auditoria nas mãos? Dentro de dois a três meses. Reporta-se a anos transatos, é um trabalho de rigor e que espero nos elucide. É fundamental sabermos qual é o nosso ponto de chegada para depois no final do mandato podermos fazer um balanço sobre essa realidade. Ao mesmo tempo, permite-nos reajustar as nossas estratégias do ponto de vista financeiro. Afirmou há dias que a Câmara entrou em saneamento financeiro...
  3. 3. A entrada em vigor no dia 1 de janeiro da nova Lei das Finanças Locais obrigou-nos a entrar em saneamento financeiro porque a nossa dívida é mais do que o dobro permitido. Como consequência imediata é a impossibilidade de recorrermos a empréstimos para fazer face às nossas necessidades. A par dessa dificuldades temos outra condicionante, não gravosa, que é a Lei dos Compromissos, que não permite a realização de despesa cuja receita não esteja assegurada no horizonte de 90 dias. Isso faz com que o dinheiro existente fique comprometido. Está dizer que se encontra limitado na sua ação? Há condicionantes que nos levam a ser muito racionais. Vamos ser muito rigorosos, todo o dinheiro tem de ser bem gasto. Dou-lhes um exemplo: No dia 30 de janeiro a Câmara tinha em caixa 190 mil euros. Hoje [n.r: sexta-feira, 31] vamos pagar a primeira tranche de 100 mil, à empresa que fez os arranjos exteriores ao H2otel e com quem consegui um acordo para pagar metade dos 600 mil que a autarquia devia. Entregando esses 100 mil mais 87.500 euros de factoring, significa que segunda-feira (dia 3) a tesouraria terá 2.500 euros em caixa Como pode funcionar a Câmara com esse dinheiro em caixa? Em abono da verdade devo dizer que temos mais dinheiro mas está comprometido com despesas regulares e outras já previstas. Ou seja, temos uma ‘folga’ de 2.500 euros. Esta é a realidade nua e crua. Perante estes constrangimentos que apresenta, como pensa levar a cabo alguns dos seus planos? Este será um mandato de consolidação. A prioridade do nosso trabalho vai ser a de sanear financeiramente a Câmara para que no próximo mandato não esteja na linha vermelha e possa recorrer ao crédito quando for necessário, para projetos fundamentais. Também vamos fazer obra mas não será de encher o olho. Serão obras prementes que vão ao encontro das necessidades mais básicas dos nossos concidadãos. O Plano e Orçamento já refletem esta preocupação de redução da dívida e saneamento financeiro mas também da realização da tal obra que e prioritária. Por exemplo? Estamos a falar da conclusão da EM 512 entre Ourondo e as Minas. É uma estrada perigosíssima, é uma questão de segurança. É prioritário acudir a situações de emergência na área da ação social. A tónica está sempre nas pessoas. A requalificação do Teatro Municipal (TM) também é premente? É porque todos os concelhos à volta da Covilhã, sem exceção, têm um digno equipamento cultural. Nós não temos. Acresce que o Teatro ainda não foi pago, custou 2,1 milhões de euros que vão ser pagos até 2023. As obras de recuperação custam mais do dobro. Enfim, vamos candidatá-las aos próximos fundos comunitários. A cultura é o parente pobre?
  4. 4. Para alguns políticos tem sido uma coisa menor mas a cultura num concelho com as características da Covilhã, é um fator de atratividade também para as empresas que se instalem na região e para os grandes quadros. É um paradoxo que tendo a Covilhã uma universidade, com um público específico, não possa oferecer um equipamento condizente. Temos um movimento associativo sem paralelo, grandes agentes culturais que não têm condições para promover as suas atividades. Denunciou que chove no interior do Teatro... O terraço tem fissuras por onde a água entra. Os camarins estão imprestáveis. Chove no palco. As paredes estão num estado lastimável. É um cenário deveras dantesco. Há que fazer a impermeabilização da cobertura para permitir a realização de espetáculos no Teatro. E há dinheiro para essas obras de conservação? Não quero vender ilusões e neste momento não temos dinheiro para isso, mas esse problema está no topo das nossas prioridades. Pretende manter a atual capacidade do Teatro Municipal o que implica alteração ao projeto apresentado pela anterior Câmara? A nossa ideia é preservar a traça arquitetónica e a capacidade da sala. O palco é que carece de uma radical transformação. Precisamos de uma sala com a dimensão da do TM para grandes espetáculos e congressos médicos. Essa é uma vertente que queremos explorar. Quando conseguirmos reabilitar o Teatro, seremos a única cidade do interior com um espaço com capacidade para mil lugares e isso é uma vantagem. No piso inferior pretendemos construir duas salas de dimensão mais pequena. Tem vindo a criar suspense sobre a chegada à cidade de um novo investidor. Como estão as negociações? Apenas posso adiantar que estamos a fazer uma forte ofensiva junto de uma multinacional, da área dos serviços. Poderá criar cerca de cem postos de trabalho. É sempre difícil estabelecer um ‘timing’ que nem nós nem os investidores dominámos. Estamos a criar as facilidades equilibradas, onde a Câmara não saia prejudicada como acontece noutras situações em que foram celebrados contratos leoninos, com desvantagens em termos contratuais para o município. Estamos fortemente empenhados nessa empresa e noutras mas em primeira linha temos de acarinhar os que cá estão porque esse é o melhor carão de visita que podemos apresentar lá fora. Tratar bem que cá está significa ajudar a alargar o negócio, concedendo facilidades fiscais. Recordo que não obstante este contexto de dificuldades financeiras, cumprimos já uma promessa, a de reduzir o IMI e a Derrama. Constitui também um sinal para o exterior dizendo aos empresários, venham para a Covilhã porque vão encontrar um clima de facilitação que passa também por a Câmara intermediar junto das instâncias europeias, do Governo Central e outras entidades. A que contratos leoninos se refere?
  5. 5. Ao Data Center da PT. Quais são as relações da Câmara com a PT? Disse que pretendia rever o contrato. Temos uma visão otimista da relação com a PT. Aliás, ainda hoje [n.r: 31 de janeiro] falei com o administrador David Lopes a quem solicitei um dossier do Data Center que pretendo apresentar e difundir em Israel, numa cidade nos arredores de Telavive com características das da Covilhã. Isto significa que as relações com a PT são as melhores, não há contencioso. Há pontos de vista relativamente ao contrato. Eles próprios reconheceram no meu gabinete que o contrato é leonino. Não é fácil explicar aos covilhanenses que pagam das águas mais caras do País que a PT a tenha gratuita; que pagam uma fatura elevada da luz elétrica e a PT vá ter o seu parque eólico com a sua própria energia; para cúmulo, ainda ficamos amputados de uma importante estrutura como era o aeródromo. Está a dizer que vai pedir compensações à PT? O que está contratualizado, está contratualizado mas temos que persuadir e mostrar à administração da PT o desequilíbrio do contrato existente e de forma diplomática e firme, dizer que pode e deve ajudar a Covilhã. Somos os primeiros a reconhecer que o Data Center é um projeto transnacional, que acarinhamos e queremos aprofundar, mas também temos de pedir-lhes que compreendam as nossas dificuldades, que não vivemos no mundo das maravilhas, que queremos algum retorno, para além dos postos de trabalho que neste momento são apenas 30. Está a dizer-nos que as expectativas do Data Center não são as melhores? Neste momento as expectativas estão muito aquém, mas tenho uma informação positiva que querem avançar com o segundo bloco e que vão contratar quadros formados na UBI para trabalhar na PT. Quanto ao que me foi transmitido pessoalmente, eles estão otimistas. Sinceramente acredito que no futuro vamos ter mais postos de trabalho a serem criados neste empreendimento. Também prometeu baixar os custos da fatura da água… É uma firme determinação poder reduzir essa fatura o mais depressa possível. Os custos são incomportáveis para a maior parte das empresas e das famílias do concelho. Para quando? Só depois de assumirmos a administração das Águas da Covilhã. A assembleia-geral que visa a nomeação dos corpos sociais está aprazada para o próximo dia 14. Só depois da nossa entrada na empresa podemos, em diálogo com a associada minoritária, discutir a problemática das tarifas da fatura da água. A nova barragem continua a ser tema atual. Vai ou não haver obra? Todos estamos empenhados na sua realização mas em boa verdade estamos numa encruzilhada. Foram intentados três procedimentos judiciais que estão pendentes sem que haja uma decisão dos tribunais que permita tomar posse administrativa dos
  6. 6. terrenos e não se pode consignar a obra. É algo que nos transcende e vai para além da vontade do presidente da Câmara. Não está dececionado com todo este processo? Entre razões particulares que têm entravado o processo e as que são de interesse da Covilhã de ter água em abundância, com qualidade e a preços acessíveis, evidentemente que não hesito em fazer prevalecer o interesse público. Cada um defende a sua dama e a minha é a barragem. Tem garantia de que vai ter maioria até final do mandato? Chegou a haver algum acordo com a CDU? E com o vereador Nelson Silva eleito pelo Movimento Acreditar Covilhã? Não há nem nunca houve nenhum compromisso assumido com qualquer força política. Estou em crer que as forças neste executivo estão sensibilizadas e com espírito construtivo. Creio que vão continuar a colaborar e ajudar a construir um projeto global, de todos os covilhanenses. Não somos radicais, nem temos uma visão reducionista da vida política. Somos universalistas, estamos de espírito aberto. No geral, os vereadores da oposição têm dado o seu contributo positivo. Não os vejo entrincheirados. O executivo tem funcionado de forma aberta, tolerante. Acabaram os conflitos. Já teve uma ‘baixa’ no executivo… Fiquei triste com a saída do executivo da Paula Simões, pessoa com capacidade e qualidades, que desenvolveu trabalho positivo. Saiu por razões da sua vida pessoal e profissional que devemos preservar e entender. São coisas da vida. Felizmente tínhamos uma boa alternativa, Jorge Torrão, homem empenhado, covilhanense de gema que conhece bem a realidade da cidade e que está a dar continuidade ao trabalho. Nuno Francisco e Romão Vieira
  7. 7. terrenos e não se pode consignar a obra. É algo que nos transcende e vai para além da vontade do presidente da Câmara. Não está dececionado com todo este processo? Entre razões particulares que têm entravado o processo e as que são de interesse da Covilhã de ter água em abundância, com qualidade e a preços acessíveis, evidentemente que não hesito em fazer prevalecer o interesse público. Cada um defende a sua dama e a minha é a barragem. Tem garantia de que vai ter maioria até final do mandato? Chegou a haver algum acordo com a CDU? E com o vereador Nelson Silva eleito pelo Movimento Acreditar Covilhã? Não há nem nunca houve nenhum compromisso assumido com qualquer força política. Estou em crer que as forças neste executivo estão sensibilizadas e com espírito construtivo. Creio que vão continuar a colaborar e ajudar a construir um projeto global, de todos os covilhanenses. Não somos radicais, nem temos uma visão reducionista da vida política. Somos universalistas, estamos de espírito aberto. No geral, os vereadores da oposição têm dado o seu contributo positivo. Não os vejo entrincheirados. O executivo tem funcionado de forma aberta, tolerante. Acabaram os conflitos. Já teve uma ‘baixa’ no executivo… Fiquei triste com a saída do executivo da Paula Simões, pessoa com capacidade e qualidades, que desenvolveu trabalho positivo. Saiu por razões da sua vida pessoal e profissional que devemos preservar e entender. São coisas da vida. Felizmente tínhamos uma boa alternativa, Jorge Torrão, homem empenhado, covilhanense de gema que conhece bem a realidade da cidade e que está a dar continuidade ao trabalho. Nuno Francisco e Romão Vieira

×