Universidade Federal do Pampa<br />Centro de Ciências Sociais de São Borja<br />Curso de Jornalismo<br />Fato, acontecimen...
Informação: <br />- ainformação é entendida como um objeto de saber. Assim, informar é fazer-saber. Dessa forma, a informa...
<ul><li>A informação jornalística, portanto, é tudo aquilo que deve chegar ao conhecimento público e que pode ser recebido...
 A informação tem diferentes fontes e o acontecimento é uma delas.</li></ul>“A informação é o conjunto de formas, condiçõe...
Fato:<br />- Do latim factu. Designa coisa ou ação feita ou aquilo que realmente existe, real.<br /><ul><li>Acontecimento:
O fato mediado pela linguagem transforma-se em acontecimento;
 Acredita-se não haver possibilidade de acesso ao fato bruto;
 Entende-se o fato como uma instância virtual de um evento ocorrido no mundo ao qual não se tem acesso a não ser a partir ...
O jornalista não está conectado com fatos, mas com falas;
 “Um conjunto de marcas fizeram da página do jornal diário não apenas um texto, mas uma ‘área espacial’”.
 A produção do sentido começa com a diagramação;
 Fotografia = representação simbólica da vida social, sujas cenas mais importantes são figuras da comunicação;
 A identidade do jornal está diretamente relacionada a: o seu nome, seus títulos, meios de reprodução do discurso de outro...
 Duas funções enunciadoras do jornal: fazer saber e fazer crer;</li></li></ul><li>Alguns apontamentos relevantes:<br /><ul...
 Dispositivo = (muito além do suporte + conteúdo); matrizes nas quais se inscrevem os textos; de existência dupla: existe ...
 Texto + dispositivo = relação dinâmica;
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JI a1 fato, acontecimento, notícia

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JI a1 fato, acontecimento, notícia

  1. 1. Universidade Federal do Pampa<br />Centro de Ciências Sociais de São Borja<br />Curso de Jornalismo<br />Fato, acontecimento, notícia: apontamentos teórico-práticos<br />Profª. Me. Joseline Pippi<br />2011<br />
  2. 2. Informação: <br />- ainformação é entendida como um objeto de saber. Assim, informar é fazer-saber. Dessa forma, a informação é amatéria dos atos comunicativos. <br />“A informação é o que é possível e o que é legítimo mostrar, mas também o que devemos saber, o que está marcado para ser percebido (...). toda informação, como um asterisco em um guia, supõe a flecha de uma dêixis pela qual se autodesigna. Faz um anel com si própria. De maneira que, segundo os lingüistas, qualquer asserção é destacada por um “e isto é verdade”, qualquer informação se legenda com um “e isto deve ter sido visto ou sabido”. <br />(MOUILLAUD: 2002, p. 38)<br />
  3. 3. <ul><li>A informação jornalística, portanto, é tudo aquilo que deve chegar ao conhecimento público e que pode ser recebido como verdade, ou seja, são fatos sociais de relevância para a sociedade, e como tais, devem ser divulgados pelo jornalismo.
  4. 4. A informação tem diferentes fontes e o acontecimento é uma delas.</li></ul>“A informação é o conjunto de formas, condições e atuações para fazer públicos – contínua ou periodicamente – os elementos do saber, de fatos, de acontecimentos, de especulações, de ações e projetos, tudo isso mediante uma técnica especial feita com este fim e utilizando os meios de transmissão ou comunicação social. Esta técnica especial pode ser a técnica jornalística, que necessariamente utiliza instrumentos próprios para que a informação – conseguida e formada por esta técnica – se faça pública.” <br />(MEDINA:1988, p.22)<br />
  5. 5. Fato:<br />- Do latim factu. Designa coisa ou ação feita ou aquilo que realmente existe, real.<br /><ul><li>Acontecimento:
  6. 6. O fato mediado pela linguagem transforma-se em acontecimento;
  7. 7. Acredita-se não haver possibilidade de acesso ao fato bruto;
  8. 8. Entende-se o fato como uma instância virtual de um evento ocorrido no mundo ao qual não se tem acesso a não ser a partir de sua construção discursiva: o acontecimento.</li></li></ul><li>Alguns apontamentos relevantes:<br /><ul><li>Acontecimento é um fato-padrão (MOUILLAUD: 2002, 25);
  9. 9. O jornalista não está conectado com fatos, mas com falas;
  10. 10. “Um conjunto de marcas fizeram da página do jornal diário não apenas um texto, mas uma ‘área espacial’”.
  11. 11. A produção do sentido começa com a diagramação;
  12. 12. Fotografia = representação simbólica da vida social, sujas cenas mais importantes são figuras da comunicação;
  13. 13. A identidade do jornal está diretamente relacionada a: o seu nome, seus títulos, meios de reprodução do discurso de outros enunciadores;
  14. 14. Duas funções enunciadoras do jornal: fazer saber e fazer crer;</li></li></ul><li>Alguns apontamentos relevantes:<br /><ul><li> O discurso do jornal não está solto no espaço, está envolvido no dispositivo;
  15. 15. Dispositivo = (muito além do suporte + conteúdo); matrizes nas quais se inscrevem os textos; de existência dupla: existe antes do texto, precedendo-o e comandando sua duração e extensão, ou sucede o texto;
  16. 16. Texto + dispositivo = relação dinâmica;
  17. 17. Os dispositivos são encaixados uns nos outros: o jornal pertence à uma rede de informações que se originou no séc. XVIII (com as características que conhecemos);
  18. 18. “(...) o dispositivo e o lugar são indissociáveis do sentido no qual só se atualizam um pelo outro” (MOUILLAUD: 2002, 35).
  19. 19. Determinados acontecimentos podem “deformar” o jornal;</li></li></ul><li><ul><li> Promotores/autores/mediadores da informação;
  20. 20. “A informação é uma das figuras da visibilidade” (MOUILLAUD: 2002, 37);
  21. 21. “(...) promover uma imagem ou uma informação é destacar do real uma superfície, um simulacro (...) que vêm à frente com relação a um fundo sem imagem” (Idem.);
  22. 22. Pôr em visibilidade contém modalidades do poder e do dever;
  23. 23. Toda e qualquer informação engendra o desconhecido: “pro-duzir uma superfície visível induz um invisível como seu avesso” (Id., p.39);
  24. 24. Não pode haver um todo-informativo;
  25. 25. Toda visão contém algo mais que si mesma: o que não pode/deve ser sabido;
  26. 26. “A verdade não está escondida em algum lugar do real” (Id., p.41);</li></li></ul><li><ul><li> “Produzir uma informação supõe a transformação de dados que estão no estado difuso, em unidades homogêneas. Um processo que não é a propriedade da mídia. Esta apenas representa o fim de um trabalho social, uma formação que começa a montante dos aparelhos propriamente da mídia. A manifestação é apenas um dos múltiplos operadores pelos quais uma sociedade se torna visível” </li></ul>(MOUILLAUD: 2002, 42)<br />
  27. 27. Contar o que ocorreu obriga a seleção de dados e conectá-los entre si para que façam sentido;<br /><ul><li> Isto chama-se enquadramento:
  28. 28. 1º: delimitar um campo e um fora de quadro;
  29. 29. 2º: focalizar a visão no interior de seus limites, mostra-se a cena;
  30. 30. O que está fora do campo está fora do quadro;
  31. 31. Os jornalistas trabalham com baterias de informações preparadas;
  32. 32. A disputa da visibilidade supõe o trabalho da condensação que permite apreender formas;
  33. 33. “(...)se pode sustentar que a imagem é um acontecimento de luz. A representação é a modificação deste fluxo” (MOUILLAUD: 2002, 45);
  34. 34. As coisas não possuem sua representação;
  35. 35. A representação é uma resposta a um questionamento e só existe a partir dele;</li></li></ul><li><ul><li> “Se a representação (a imagem ou a informação) é aquilo que um objeto devolve de um fluxo, segue-se que é objeto enquanto, e somente quando, constitui-se obstáculo. Porque se a resposta responde à questão, dela constitui uma anulação” (MOUILLAUD: 2002, 46);
  36. 36. “O reflexo reflete o refletidor em que se reflete”;
  37. 37. “O que faz as vezes de tela na informação é a questão que é colocada. A representação muda com a questão” (Idem., 47);
  38. 38. “Apenas a luz pode fazer a parte da sombra” (Idem).</li></li></ul><li>Notícia:<br />“Relato de fatos ou acontecimentos atuais, de interesse e importância para a comunidade, e capaz de ser compreendido pelo público”. <br />(BARBOSA & RABAÇA: 2001) <br /><ul><li> Noticiar é tornar público, é publicizar;
  39. 39. Uma das funções do noticiar é trazer o acontecimento para perto do destinatário da informação;
  40. 40. A notícia deve ser axiomática, ou seja, ter valor de verdade;
  41. 41. Construção discursiva: caráter de ineditismo;</li></ul>“Noticia es una representación social de la realidad cotidiana producida institucionalmente que se manifesta en la construcción de un mundo posible.” <br />(ALSINA:2005, p. 185)<br />
  42. 42. <ul><li>Notícia é o que resulta de um processo de produção (percepção, seleção e transformação dos acontecimentos (matéria-prima) em notícia (produto).</li></ul>(TRAQUINA: 2005)<br /><ul><li> Percepção: noção de pauta;
  43. 43. Seleção: critérios de noticiabilidade;
  44. 44. Transformação: espetacularização. </li></ul>“A notícia é um produto e como tal obedece às leis de mercado: é vendida regularmente (de acordo com a periodicidade do veículo), é produzida conforme o aparato ideológico da empresa que representa e segue a oferta e a procura inerentes também ao mercado da informação.”<br />(MEDINA: 1988, p. 16)<br />
  45. 45. Mas... Por que as notícias são como são? (SCHUDSON: 1988):<br /><ul><li>Ação pessoal: notícia como produto das pessoas e das suas intenções
  46. 46. Não explica a influência que a redação (sua estrutura) exerce na produção das notícias;
  47. 47. Ação social: notícias como produto das organizações e de seus constrangimentos
  48. 48. Explica a existência de rotinas organizacionais, mas não de onde elas advêm;
  49. 49. Ação cultural: produto da cultura e das restrições por ela impostas
  50. 50. De base antropológico-literária: põe a notícia como “uma ficção de maneira simultaneamente intencional e não-intencional” (p.25);</li></ul>“A criação de notícias é sempre uma interação de repórter, diretor, editor, constrangimentos da organização da sala de redação, necessidade de manter os laços com as fontes, os desejos da audiência, as poderosas convenções culturais e literárias dentro das quais os jornalistas frequentemente operam sem pensar”. (p.26)<br />
  51. 51. - Toda notícia é informação, mas nem toda informação é notícia.<br /><ul><li>Todo o acontecimento possui os ingredientes necessários para se transformar em notícia? Não.
  52. 52. Deve haver seleção;
  53. 53. Para serem selecionados, os acontecimentos precisam de apresentar algumas características que os tornem passíveis de se transformarem em notícia.
  54. 54. A existência de critérios de seleção possui dois objetivos: </li></ul>a escolha adequada de acontecimentos a serem veiculados<br />a manutenção de determinadas práticas no processo produtivo de notícias<br />- Há um conjunto de traços hierarquizados que permitem prever o grau de possibilidade que um acontecimento tem de se transformar em notícia: critérios de noticiabilidade.<br />
  55. 55. CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE<br />“Os jornalistas têm os seus óculos particulares através dos quais vêem certas coisas e não outras, e vêem de uma certa maneira as coisas que vêem. Operam uma seleção e uma construção daquilo que é selecionado.”<br />(BOURDIEU: 1997, p. 12)<br />“Conjunto de critérios e operações que fornecem a aptidão de merecer um tratamento jornalístico, isto é, possuir valor como notícia. Assim, critérios de noticiabilidade são o conjunto de valores-notícia que determinam se um acontecimento, ou assunto, é suscetível de se tornar notícia, isto é, de ser julgado como merecedor de ser transformado em matéria noticiável e, por isso, possuindo valor-notícia”.<br />(TRAQUINA: 2005, p. 63)<br />
  56. 56. Referências utilizadas:<br /><ul><li>ALSINA, Miguel Rodrigo. La construcción de la noticia. Barcelona: Paidós, 2005.
  57. 57. BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
  58. 58. MEDINA, Cremilda de A. Notícia, um produto à venda: o jornalismo na sociedade urbana e industrial. 2. ed. São Paulo: Summus, 1988.
  59. 59. MOUILAUD, Maurice. In: PORTO, Sérgio. (Org). O jornal da forma ao sentido. 2. ed. Brasília: Editorada UnB, 2002 (p. 25-47).
  60. 60. SCHUDSON, Michael. Por que as notícias são como são? In: Comunicação e Linguagens. Lisboa, n.6, dez.1988, p.17-27.
  61. 61. TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo: porque as notícias são como são. 2.ed. Florianópolis: Insular, 2005.</li>

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