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UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
TEXTO DE APOIO DA DISCIPLINA DINÂMICA DE GRUPO
Professor: Dr. JOSÉ K. NKOSI
Luanda, Julho de 2013
1
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
1. DINÂMICA DE GRUPO: UM PEQUENO HISTÓRICO
1.1. Origens da dinâmica de grupo
1.2. Conceitos e objetivos da dinâmica de grupo
2. CONCEITOS DE GRUPOS
2.1. Tipos de grupos
2.2. Grupo e equipa
2.3. Funcionamento do grupo
2.4. Tensão e conflito
2.5. Feedback
2.6. Facilitador do grupo
2.7. Dinâmica de grupo e terapia de grupo
3. TÉCNICAS UTILIZADAS NAS DINÂMICAS DE GRUPOS
3.1. Brainstorming e outras técnicas
3.2. Músicas, filmes, estórias e fábulas
4. VIVÊNCIAS
4.1. Dos testes individuais às vivências grupais
4.2. Importância das vivências
4.3. Partes importantes de uma vivência ou dinâmica de grupo
5. ALGUNS CONCEITOS INTERESSANTES
5.1. A inteligência emocional
5.2. Liderança
5.3. Interacionismo simbólico
2
1. DINÂMICA DE GRUPO: UM PEQUENO HISTÓRICO
A Dinâmica de Grupo tem uma origem interdisciplinar. Diversos ramos das ciências
humanas e sociais contribuíram na formação dessa disciplina. Entre as disciplinas que
contribuíram na formação da Dinâmica de Grupo estão as seguintes áreas: o serviço social, a
psicoterapia, a educação e a administração.
a. Serviço Social. Esses profissionais foram os responsáveis para orientar as equipes
em escolas, clubes, grupos de recreação etc. O serviço social foi uma das primeiras profissões
a reconhecer a importância da orientação em grupo (serviço social de grupo), de forma que
seus participantes pudessem obter as modificações pretendidas. Esse ramo foi responsável
pela orientação de equipes em clubes, grupos de recreação, indústrias, escolas, acampamento
etc.
b. Psicoterapia de grupo. Depois do trabalho pioneiro de Freud, com a psicanálise, a
terapia, a partir dos estudos de Moreno, passou a utilizar o grupo como elemento fundamental
de modificação do comportamento dos indivíduos.
c. Educação. Tendo como um dos seus maiores objetivos o preparo e a orientação da
criança para a vida em sociedade, com o uso das técnicas de dinâmica de grupo na, a escola
deixou de ser simplesmente o local onde se pratica apenas a transmissão de conhecimentos,
para assumir um papel de transformadora de atitudes.
d. Administração. As empresas reconheceram precocemente a importância do uso das
técnicas de dinâmica de grupo para o gerenciamento e a orientação de suas equipes de
trabalho, e continuam a utilizar largamente tais procedimentos. O relacionamento entre
empregados e administradores, o problema de liderança, de cooperação, de produtividade
passaram a centralizar-se no grupo e nas relações humanas.
1.1. ORIGENS DA DINÂMICA DE GRUPO
A preocupação com os problemas coletivos data de longos tempos. Muitos filósofos
debruçaram ao longo da história sobre as questões grupais. Encontramos nas obras clássicas
como “A República” de Platão e “A Política” de Aristóteles análises profundas sobre os
fenômenos coletivos. Muitos outros filósofos que fizeram tais estudos poderiam ser citados
aqui como Hobbes, Locke, Montesquieu, Rousseau, Maquiavel etc. Dos filósofos, sociólogos
e psiquiatras do século passado, levando em consideração a importância que deram ao tema,
merecem destaque os seguintes: LeBon, Durkheim, Cooley, Gabriel Tarde, Freud, Wundt,
McDougall, Kurt Lewin e Jacó Levi Moreno.
Gustave LeBon e Émile Durkheim, por exemplo, sustentaram que a conduta humana
está dominada pelo “espírito do grupo”. Já Sigmund Freud, com suas descobertas clínicas,
demonstrou até que ponto o ser humano e marcado por seu meio, sobretudo por seu meio
familiar, e como os primeiros anos da vida de um indivíduo, por menos traumatizados que
sejam, impõem determinismos ao seu desenvolvimento emotivo e social.
Apesar da existência desses estudos sobre grupos e fenômenos sociais ou coletivos, foi
somente no século XX que a expressão “dinâmica de grupo” passou a ser conhecida como
conteúdo e processo de abordagens diferentes dos trabalhos realizados anteriormente. Nesse
período, grupos de psicólogos e sociólogos começaram a dar tratamento mais científico ao
estudo de grupo. E os dados que eram obtidos a partir da observação de grupos começaram a
ser tratados com análise estatística mais acurada. O desenvolvimento da metodologia
3
científica levou a dinâmica de grupo a valer-se de métodos científicos na elaboração de teorias
e sistemas sobre o assunto. Sendo assim, a dinâmica de grupo pôde realizar pesquisas
científicas, observações empíricas, grupos de laboratório e mensuração de fenômenos sociais
importantes, bem como manejar variáveis e descobrir leis da vida do grupo.
A expressão “dinâmica de grupo” apareceu pela primeira vez em 1944, num artigo
publicado por Kurt Lewin, em um estudo que ele fez sobre as relações entre a teoria e a prática
em Psicologia Social.
Quanto às atividades que caracterizam a dinâmica de grupo como a conhecemos, Carl
Rogers foi o primeiro a realizar atividades com grupos, através do processo terapêutico
denominado “terapia centrada no cliente”, nos Grupos de Encontro. Esses Grupos de
Encontro foram, segundo Carl Rogers, a invenção social mais potente do século XX, pois
possibilitam, entre as pessoas, um clima de liberdade de expressão, acentuam valores, criam
intimidades.
Os grupos de encontro de Carl Rogers eram o meio onde se realizavam atividades em
grupo, mas Kurt Lewin foi quem começou a usar a expressão “Dinâmica de Grupo”. Lewin
usou a expressão “dinâmica” no sentido habitual da física, como o oposto à palavra “estática”.
Kurt Lewin marcou fortemente o desenvolvimento dos estudos dos fenômenos
relacionados aos grupos. Através de muitos estudos, pesquisas e obras que desenvolveram
suas idéias, a psicologia e os estudos de processos dinâmicos de atuação das pessoas e dos
grupos tiveram grande desenvolvimento como ciência. Ele fundou um Centro de Pesquisas
em Dinâmica de Grupo onde testou várias de suas hipóteses. Ele fixou também novos
objetivos de pesquisa em psicologia social, cogitando novos caminhos mais funcionais,
eficientes e criativos para o estudo das relações interpessoais e intergrupais.
Para Lewin, só o estudo de pequenos grupos é que poderia dar subsídios que nos
levassem a compreender o que se passa nos grupos maiores. Ele fixou novos objetivos de
pesquisa em Psicologia Social e passou a trabalhar com a dinâmica de grupo, apegando-se às
dimensões concretas e existenciais. Ele cogitou em uma orientação mais funcional, mais
eficiente e criativa das relações interpessoais de grupo. Ele afirmava ainda que os grupos
devem ser trabalhados no próprio campo psicológico, em vez de serem artificializados nos
laboratórios. Atualmente, a expressão “dinâmica de grupo” lançada por Lewin tornou-se
muito significativa em psicologia dos pequenos grupos.
Uma outra pessoa que muito contribuiu para o desenvolvimento da Dinâmica de Grupo
foi Jacob Levy Moreno. Por volta de 1912, este jovem estudante de medicina, apaixonado por
teatro e música, começou a observar as crianças brincando nos jardins de Viena. Nessa altura,
Moreno acabava de opor-se a Freud e começou a combater a Psicanálise porque ele era contra
o distanciamento do terapeuta e a ausência da relação face a face com o paciente. Reunindo as
crianças, Moreno formava grupos para representações improvisadas. Desta forma, ele
observou e trabalhou as inter-relações de vários grupos.
Foi entre 1922 e 1925 que ele teve a inspiração para o uso de técnicas lúdicas (play
techniques) para a terapia de representações espontâneas, psicoterapia de grupo e
aprendizagem de papeis. Segundo Vitiello (1997, p.19), o psicodrama historicamente
“representa o ponto culminante na passagem do tratamento do indivíduo em grupos, e do
tratamento por métodos verbais, para o tratamento por métodos de ação”.
Moreno volta-se, então, para os problemas das relações profundas , verdadeiras,
significativas entre os seres humanos. Ele enfatiza a relação afetiva, viva, de compreensão e
comunicação completas, nos dois sentidos, baseada na empatia entre o EU e o OUTRO. Por
isso, ele vai dizer que para se estabelecer a dinâmica de um grupo, é importante determinar as
4
características das pessoas que o compõem, o peso ou a importância de cada membro, bem
como a rede de inter-relações ou o nível de afetividade (Militão, 2000, p.22).
Analisando os pensamentos desses autores, pode ser percebida a importância que têm
os pequenos grupos para o desenvolvimento dos macro-grupos. É por esta razão que alguns
grandes grupos de deliberação – como os congressos norte-americano e brasileiro – criam
pequenos grupos que chamam de comissões (parlamentares). São nesses pequenos grupos
que, geralmente, se discutem os problemas da ação legislativa. Frequentemente, as reuniões
de grupo completo se dão para votação formal e para rituais referentes a questões que,
fundamentalmente, já foram decididas antes da reunião.
Pode-se resumir que o pequeno grupo se tornou objeto de estudo intensivo pelas
seguintes razoes:
a. É mais fácil estudar os pequenos grupos.
b. É mais fácil conseguir o controle experimental de pequenos grupos.
c. A reunião de pequeno número de pessoas é acontecimento bem comum, e tais
grupos constituem, talvez, o centro da maior parte da vida social.
1.2. CONCEITOS E OBJETIVOS DA DINÂMICA DE GRUPO
Dinâmica de Grupo foi definida como toda atividade que se desenvolve com um grupo
e que tenha como objetivo integrar, a desinibir, “quebrar gelo”, divertir, refletir, aprender,
apresentar, promover o conhecimento, incitar à aprendizagem, competir e aquecer, pode ser
denominada Dinâmica de Grupo (Militão, 2000, p.22). Para esses mesmos autores, Dinâmica
é também um conjunto de forças sociais, intelectuais e morais que produzem atividades e
mudança numa esfera específica (idem, p. 23).
Dinâmica de Grupo é, para Kurt Lewin, a resultante de conjuntos de interações no
interior de um espaço psico-social.
Já Nelson Vitiello (1997, p.25) conceituou a Dinâmica de Grupo como sendo um
trabalho prático de sensibilização que possibilita maior envolvimento dos participantes em seu
processo de aprendizado. A dinâmica de grupo, diz o mesmo autor, tem se revelado excelente
instrumento de educação participativa.
Não se pretende, neste curso, aprendermos algumas técnicas a serem usadas com o
propósito de produzir efeitos mais ou menos imediatos. O que se objetiva aqui é desenvolver
a consciência pessoal e grupal para alcançar um relacionamento mais realista e positivo, dando
um significado a tudo que for apresentado, trabalhado e discutido durante as aulas. Essa
conscientização é que poderá permitir ao grupo – através dos textos teóricos, algumas
reflexões e exercícios práticos – a conscientizar sua dinâmica interna, e a desenvolver
melhores padrões de comunicação e cooperação em diversos lugares (universidade, local de
trabalho e outras instituições).
É inegável que vivemos em uma sociedade que valorizou muito a competição. Isso faz
com que desde muitas pessoas encontram dificuldades de colaborar, de ajudar e – em não
poucas situações – de aceitar ajuda. Torna-se cada vez mais imperativo despertar nas pessoas
o sentido da solidariedade, de confiança mútua e do descobrimento do outro. E isso deve ser
aprendido ou reaprendido. A vida humana não melhorará enquanto as pessoas continuarem
apostando no individualismo, pensando que elas podem existir como “ilhas” e continuarem
vivendo em uma forma de estado da natureza, fazendo a guerra de todos contra todos. Pelo
5
contrário, os homens precisam reconhecer que são interdependentes e a colaboração, a ajuda
mútua só podem ajudá-los no sentido de permitir que a convivência grupal seja cada vez mais
ajustada. Quando se desperta a solidariedade, afasta-se a frieza, a agressividade e a
indiferença e o convívio torna-se mais frutífero.
Entendendo que a riqueza de um grupo não equivale à soma das riquezas individuais
dos membros que compõem o grupo, já que a interação desses membros gera uma nova
personalidade coletiva, com características, habilidades e potencialidades surpreendentes. Por
isso, mesmo quando alguns dos exercícios propostos levam a refletir sobre as características
individuais – estimulando a interiorização pessoal, levando o indivíduo ao reconhecimento das
suas limitações, suas deficiências, seus hábitos e inclinações negativas – o que é visado
sempre, em última instância, é uma melhoria no grupo. Igualmente, a verdadeira dinâmica de
grupo não tem com fim aquele micro-grupo, senão começaria a acontecer uma cultura de
narcisismo grupal. “A microdinânica de grupo – segundo Andreola – deve inserir-se num
projeto de macrodinâmica global. Pessoas e grupos conscientes precisam ser elementos de
transformação” (Andreola, 2007, p.12).
O homem é, por natureza, um ser social. Sendo assim, não é de admirar que a
coexistência seja a estrutura das relações humanas. Mesmo participando por muito tempo em
um ou em diversos grupos, as pessoas raramente param para observar o que acontece dentro
do próprio grupo de que fazem parte. Dificilmente as pessoas analisam o seu comportamento
grupal no qual, não poucas às vezes, juntamente com sua maneira de participar e interagir, não
atende às exigências e observações dos membros participantes, criando situações
constrangedoras e de conflitos.
Existem vários tipos de grupos de acordo com as atividades que os reúnem e os
objetivos que eles tenham. Porém, uma das maiores dificuldades que se enfrentam pelos
grupos em geral é a possibilidade de se criar um espaço interpessoal saudável que possa
favorecer, desde o princípio, as condições necessárias para iniciar, continuar e levar a bom
termo as atividades previstas.
Por isso, através da Dinâmica de Grupo, procura-se proporcionar exercícios práticos
que visam a solucionar os problemas incidentes na relação indivíduo-grupo: sua influência
recíproca e sua interação. Os exercícios de Dinâmica de Grupo – sejam eles jogos, dinâmicas
ou vivências quando usados oportuna e eficazmente – constituem uma ferramenta importante
para auxiliar o psicólogo, o administrador, o professor etc., enfim, o facilitador, para alcançar
seus objetivo. Ou seja, o objetivo é facilitar a modificação comportamental, isto é, a
modificação de atitude, do comportamento dos membros de um grupo e o relacionamento
interpessoal. Para que isso aconteça é preciso desinstalar a pessoa do seu individualismo, do
seu egoísmo, e relaciona-la com os outros, de modo que cada um seja habilitado a aprimorar
seu desempenho e sua atuação, adquirir mais consciência de suas potencialidades e das
características e particularidades do grupo.
A Dinâmica de Grupo busca também permitir que a convivência grupal seja cada vez
mais ajustada. Os exercícios que são realizados na Dinâmica de Grupo têm a finalidade de
eliminar barreiras que impedem a verdadeira comunicação pessoal; despertar nas pessoas o
sentido da solidariedade que, muitas vezes, tem sido posta em segundo plano em prol do
individualismo que invade a nossa sociedade. A Dinâmica de Grupo ajuda também na busca
de uma colaboração efetiva, afastando a frieza, a indiferença, a agressividade ou o desejo de
dominação. Ela permite apresentar a pessoa como ela é realmente, com suas limitações e suas
habilidades.
6
Cada dinâmica tem uma estrutura própria, uma disposição particular do grupo, um
processo específico, contando sempre com a participação dos orientadores ou facilitadores dos
grupos. A dinâmica de grupo ideal deveria ser ao mesmo tempo lúdica e reflexiva. Lúdica
porque o componente prazeroso é importante no aprendizado; e reflexiva, pois se não levar os
participantes a repensarem suas posturas e preconceitos em relação às questões abordadas e
em relação a si mesmo, em seus processos de vida, não estarão cumprindo adequadamente
suas finalidades.
O ser humano está sempre em constante transformação e a sociedade em geral – isto é,
a família, os amigos, os colegas e todos que com ele convivem – exerce um papel fundamental
nesse processo de mudança. Ou seja, o nosso comportamento e o nosso ser presente é uma
resultante do meio em que fomos criados e do que vivemos atualmente, das crenças e valores
assim como todas as demais interações sociais. A sociedade tem sempre alguma contribuição
a dar na formação de um indivíduo porque este continua em formação enquanto vive.
Ninguém já está pronto. Todos estão ainda em construção, pois enquanto vivem interagem e
dessas interações surgem mudanças e reconstruções.
Assim sendo, as dinâmicas de grupos quando bem aplicadas podem servir de meio para
ajudar as pessoas a fazerem uma re-significação de suas vidas, de seus valores, de seus
relacionamentos a fim de permitir às pessoas que compõem o grupo a fazer uma retrospecção,
a mergulharem dentro de si mesmas. As dinâmicas de grupo permitem o enriquecimento
interpessoal, desenvolvendo um melhor inter-relacionamento entre os componentes do grupo,
promovendo assim interações positivas.
O estudo de Dinâmica de Grupo, para Cartwright & Zander, é um campo de pesquisa
dedicado a obter conhecimento a respeito da natureza dos grupos, das leis de seu
desenvolvimento e das suas inter-relações com os indivíduos, outros grupos e instituições mais
amplas. Como ciência empírica dos processos científicos, a Dinâmica de Grupo depende de
observação, de quantificação, de mensuração e de experimentação. Para esses autores, os três
progressos metodológicos contribuíram especialmente para o aparecimento da dinâmica de
grupo são: os experimentos de comportamento individual no grupo, a observação controlada
da interação social e a sociometria.
2. CONCEITOS DE GRUPOS
Bibliografia
ALBIGENOR & Rose Militão; Jogos, dinâmicas & Vivências grupais, 9ª Edição,
Qualitymark Editora, Rio de Janeiro, 2008
ANDREOLA Balduíno A.; Dinâmica de grupo – Jogo da vida e Didática do futuro,
Editora Vozes, 1982
CONTRERAS Juan Manuel; Como trabalhar em grupo – Introdução á dinâmica de
grupos, 6ª edição, Editora Paulus, São Paulo, 1999
HUFFMAN Karen, Mark Vernoy e Judith Vernoy; Psicologia – Estudo e Ensino,
Editora Altas S. A, São Paulo, 2003
7
JALOWITZKI Marise; Vivências para dinâmica de grupos – A metamorfose do ser em
360 graus, 2ª Edição, Editora Madras, São Paulo, 2007
MAYER Canísio; Dinâmicas de grupo e textos criativos, 2ª Edição, Editora Vozes,
2007
MOSCOVICI Fale; Desenvolvimento interpessoal – Treinamento em grupo, 17ª
Edição, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 2008

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Apostila sociologia
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Dinâmica Grupo Histórico Conceitos

  • 1. UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA TEXTO DE APOIO DA DISCIPLINA DINÂMICA DE GRUPO Professor: Dr. JOSÉ K. NKOSI Luanda, Julho de 2013
  • 2. 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO 1. DINÂMICA DE GRUPO: UM PEQUENO HISTÓRICO 1.1. Origens da dinâmica de grupo 1.2. Conceitos e objetivos da dinâmica de grupo 2. CONCEITOS DE GRUPOS 2.1. Tipos de grupos 2.2. Grupo e equipa 2.3. Funcionamento do grupo 2.4. Tensão e conflito 2.5. Feedback 2.6. Facilitador do grupo 2.7. Dinâmica de grupo e terapia de grupo 3. TÉCNICAS UTILIZADAS NAS DINÂMICAS DE GRUPOS 3.1. Brainstorming e outras técnicas 3.2. Músicas, filmes, estórias e fábulas 4. VIVÊNCIAS 4.1. Dos testes individuais às vivências grupais 4.2. Importância das vivências 4.3. Partes importantes de uma vivência ou dinâmica de grupo 5. ALGUNS CONCEITOS INTERESSANTES 5.1. A inteligência emocional 5.2. Liderança 5.3. Interacionismo simbólico
  • 3. 2 1. DINÂMICA DE GRUPO: UM PEQUENO HISTÓRICO A Dinâmica de Grupo tem uma origem interdisciplinar. Diversos ramos das ciências humanas e sociais contribuíram na formação dessa disciplina. Entre as disciplinas que contribuíram na formação da Dinâmica de Grupo estão as seguintes áreas: o serviço social, a psicoterapia, a educação e a administração. a. Serviço Social. Esses profissionais foram os responsáveis para orientar as equipes em escolas, clubes, grupos de recreação etc. O serviço social foi uma das primeiras profissões a reconhecer a importância da orientação em grupo (serviço social de grupo), de forma que seus participantes pudessem obter as modificações pretendidas. Esse ramo foi responsável pela orientação de equipes em clubes, grupos de recreação, indústrias, escolas, acampamento etc. b. Psicoterapia de grupo. Depois do trabalho pioneiro de Freud, com a psicanálise, a terapia, a partir dos estudos de Moreno, passou a utilizar o grupo como elemento fundamental de modificação do comportamento dos indivíduos. c. Educação. Tendo como um dos seus maiores objetivos o preparo e a orientação da criança para a vida em sociedade, com o uso das técnicas de dinâmica de grupo na, a escola deixou de ser simplesmente o local onde se pratica apenas a transmissão de conhecimentos, para assumir um papel de transformadora de atitudes. d. Administração. As empresas reconheceram precocemente a importância do uso das técnicas de dinâmica de grupo para o gerenciamento e a orientação de suas equipes de trabalho, e continuam a utilizar largamente tais procedimentos. O relacionamento entre empregados e administradores, o problema de liderança, de cooperação, de produtividade passaram a centralizar-se no grupo e nas relações humanas. 1.1. ORIGENS DA DINÂMICA DE GRUPO A preocupação com os problemas coletivos data de longos tempos. Muitos filósofos debruçaram ao longo da história sobre as questões grupais. Encontramos nas obras clássicas como “A República” de Platão e “A Política” de Aristóteles análises profundas sobre os fenômenos coletivos. Muitos outros filósofos que fizeram tais estudos poderiam ser citados aqui como Hobbes, Locke, Montesquieu, Rousseau, Maquiavel etc. Dos filósofos, sociólogos e psiquiatras do século passado, levando em consideração a importância que deram ao tema, merecem destaque os seguintes: LeBon, Durkheim, Cooley, Gabriel Tarde, Freud, Wundt, McDougall, Kurt Lewin e Jacó Levi Moreno. Gustave LeBon e Émile Durkheim, por exemplo, sustentaram que a conduta humana está dominada pelo “espírito do grupo”. Já Sigmund Freud, com suas descobertas clínicas, demonstrou até que ponto o ser humano e marcado por seu meio, sobretudo por seu meio familiar, e como os primeiros anos da vida de um indivíduo, por menos traumatizados que sejam, impõem determinismos ao seu desenvolvimento emotivo e social. Apesar da existência desses estudos sobre grupos e fenômenos sociais ou coletivos, foi somente no século XX que a expressão “dinâmica de grupo” passou a ser conhecida como conteúdo e processo de abordagens diferentes dos trabalhos realizados anteriormente. Nesse período, grupos de psicólogos e sociólogos começaram a dar tratamento mais científico ao estudo de grupo. E os dados que eram obtidos a partir da observação de grupos começaram a ser tratados com análise estatística mais acurada. O desenvolvimento da metodologia
  • 4. 3 científica levou a dinâmica de grupo a valer-se de métodos científicos na elaboração de teorias e sistemas sobre o assunto. Sendo assim, a dinâmica de grupo pôde realizar pesquisas científicas, observações empíricas, grupos de laboratório e mensuração de fenômenos sociais importantes, bem como manejar variáveis e descobrir leis da vida do grupo. A expressão “dinâmica de grupo” apareceu pela primeira vez em 1944, num artigo publicado por Kurt Lewin, em um estudo que ele fez sobre as relações entre a teoria e a prática em Psicologia Social. Quanto às atividades que caracterizam a dinâmica de grupo como a conhecemos, Carl Rogers foi o primeiro a realizar atividades com grupos, através do processo terapêutico denominado “terapia centrada no cliente”, nos Grupos de Encontro. Esses Grupos de Encontro foram, segundo Carl Rogers, a invenção social mais potente do século XX, pois possibilitam, entre as pessoas, um clima de liberdade de expressão, acentuam valores, criam intimidades. Os grupos de encontro de Carl Rogers eram o meio onde se realizavam atividades em grupo, mas Kurt Lewin foi quem começou a usar a expressão “Dinâmica de Grupo”. Lewin usou a expressão “dinâmica” no sentido habitual da física, como o oposto à palavra “estática”. Kurt Lewin marcou fortemente o desenvolvimento dos estudos dos fenômenos relacionados aos grupos. Através de muitos estudos, pesquisas e obras que desenvolveram suas idéias, a psicologia e os estudos de processos dinâmicos de atuação das pessoas e dos grupos tiveram grande desenvolvimento como ciência. Ele fundou um Centro de Pesquisas em Dinâmica de Grupo onde testou várias de suas hipóteses. Ele fixou também novos objetivos de pesquisa em psicologia social, cogitando novos caminhos mais funcionais, eficientes e criativos para o estudo das relações interpessoais e intergrupais. Para Lewin, só o estudo de pequenos grupos é que poderia dar subsídios que nos levassem a compreender o que se passa nos grupos maiores. Ele fixou novos objetivos de pesquisa em Psicologia Social e passou a trabalhar com a dinâmica de grupo, apegando-se às dimensões concretas e existenciais. Ele cogitou em uma orientação mais funcional, mais eficiente e criativa das relações interpessoais de grupo. Ele afirmava ainda que os grupos devem ser trabalhados no próprio campo psicológico, em vez de serem artificializados nos laboratórios. Atualmente, a expressão “dinâmica de grupo” lançada por Lewin tornou-se muito significativa em psicologia dos pequenos grupos. Uma outra pessoa que muito contribuiu para o desenvolvimento da Dinâmica de Grupo foi Jacob Levy Moreno. Por volta de 1912, este jovem estudante de medicina, apaixonado por teatro e música, começou a observar as crianças brincando nos jardins de Viena. Nessa altura, Moreno acabava de opor-se a Freud e começou a combater a Psicanálise porque ele era contra o distanciamento do terapeuta e a ausência da relação face a face com o paciente. Reunindo as crianças, Moreno formava grupos para representações improvisadas. Desta forma, ele observou e trabalhou as inter-relações de vários grupos. Foi entre 1922 e 1925 que ele teve a inspiração para o uso de técnicas lúdicas (play techniques) para a terapia de representações espontâneas, psicoterapia de grupo e aprendizagem de papeis. Segundo Vitiello (1997, p.19), o psicodrama historicamente “representa o ponto culminante na passagem do tratamento do indivíduo em grupos, e do tratamento por métodos verbais, para o tratamento por métodos de ação”. Moreno volta-se, então, para os problemas das relações profundas , verdadeiras, significativas entre os seres humanos. Ele enfatiza a relação afetiva, viva, de compreensão e comunicação completas, nos dois sentidos, baseada na empatia entre o EU e o OUTRO. Por isso, ele vai dizer que para se estabelecer a dinâmica de um grupo, é importante determinar as
  • 5. 4 características das pessoas que o compõem, o peso ou a importância de cada membro, bem como a rede de inter-relações ou o nível de afetividade (Militão, 2000, p.22). Analisando os pensamentos desses autores, pode ser percebida a importância que têm os pequenos grupos para o desenvolvimento dos macro-grupos. É por esta razão que alguns grandes grupos de deliberação – como os congressos norte-americano e brasileiro – criam pequenos grupos que chamam de comissões (parlamentares). São nesses pequenos grupos que, geralmente, se discutem os problemas da ação legislativa. Frequentemente, as reuniões de grupo completo se dão para votação formal e para rituais referentes a questões que, fundamentalmente, já foram decididas antes da reunião. Pode-se resumir que o pequeno grupo se tornou objeto de estudo intensivo pelas seguintes razoes: a. É mais fácil estudar os pequenos grupos. b. É mais fácil conseguir o controle experimental de pequenos grupos. c. A reunião de pequeno número de pessoas é acontecimento bem comum, e tais grupos constituem, talvez, o centro da maior parte da vida social. 1.2. CONCEITOS E OBJETIVOS DA DINÂMICA DE GRUPO Dinâmica de Grupo foi definida como toda atividade que se desenvolve com um grupo e que tenha como objetivo integrar, a desinibir, “quebrar gelo”, divertir, refletir, aprender, apresentar, promover o conhecimento, incitar à aprendizagem, competir e aquecer, pode ser denominada Dinâmica de Grupo (Militão, 2000, p.22). Para esses mesmos autores, Dinâmica é também um conjunto de forças sociais, intelectuais e morais que produzem atividades e mudança numa esfera específica (idem, p. 23). Dinâmica de Grupo é, para Kurt Lewin, a resultante de conjuntos de interações no interior de um espaço psico-social. Já Nelson Vitiello (1997, p.25) conceituou a Dinâmica de Grupo como sendo um trabalho prático de sensibilização que possibilita maior envolvimento dos participantes em seu processo de aprendizado. A dinâmica de grupo, diz o mesmo autor, tem se revelado excelente instrumento de educação participativa. Não se pretende, neste curso, aprendermos algumas técnicas a serem usadas com o propósito de produzir efeitos mais ou menos imediatos. O que se objetiva aqui é desenvolver a consciência pessoal e grupal para alcançar um relacionamento mais realista e positivo, dando um significado a tudo que for apresentado, trabalhado e discutido durante as aulas. Essa conscientização é que poderá permitir ao grupo – através dos textos teóricos, algumas reflexões e exercícios práticos – a conscientizar sua dinâmica interna, e a desenvolver melhores padrões de comunicação e cooperação em diversos lugares (universidade, local de trabalho e outras instituições). É inegável que vivemos em uma sociedade que valorizou muito a competição. Isso faz com que desde muitas pessoas encontram dificuldades de colaborar, de ajudar e – em não poucas situações – de aceitar ajuda. Torna-se cada vez mais imperativo despertar nas pessoas o sentido da solidariedade, de confiança mútua e do descobrimento do outro. E isso deve ser aprendido ou reaprendido. A vida humana não melhorará enquanto as pessoas continuarem apostando no individualismo, pensando que elas podem existir como “ilhas” e continuarem vivendo em uma forma de estado da natureza, fazendo a guerra de todos contra todos. Pelo
  • 6. 5 contrário, os homens precisam reconhecer que são interdependentes e a colaboração, a ajuda mútua só podem ajudá-los no sentido de permitir que a convivência grupal seja cada vez mais ajustada. Quando se desperta a solidariedade, afasta-se a frieza, a agressividade e a indiferença e o convívio torna-se mais frutífero. Entendendo que a riqueza de um grupo não equivale à soma das riquezas individuais dos membros que compõem o grupo, já que a interação desses membros gera uma nova personalidade coletiva, com características, habilidades e potencialidades surpreendentes. Por isso, mesmo quando alguns dos exercícios propostos levam a refletir sobre as características individuais – estimulando a interiorização pessoal, levando o indivíduo ao reconhecimento das suas limitações, suas deficiências, seus hábitos e inclinações negativas – o que é visado sempre, em última instância, é uma melhoria no grupo. Igualmente, a verdadeira dinâmica de grupo não tem com fim aquele micro-grupo, senão começaria a acontecer uma cultura de narcisismo grupal. “A microdinânica de grupo – segundo Andreola – deve inserir-se num projeto de macrodinâmica global. Pessoas e grupos conscientes precisam ser elementos de transformação” (Andreola, 2007, p.12). O homem é, por natureza, um ser social. Sendo assim, não é de admirar que a coexistência seja a estrutura das relações humanas. Mesmo participando por muito tempo em um ou em diversos grupos, as pessoas raramente param para observar o que acontece dentro do próprio grupo de que fazem parte. Dificilmente as pessoas analisam o seu comportamento grupal no qual, não poucas às vezes, juntamente com sua maneira de participar e interagir, não atende às exigências e observações dos membros participantes, criando situações constrangedoras e de conflitos. Existem vários tipos de grupos de acordo com as atividades que os reúnem e os objetivos que eles tenham. Porém, uma das maiores dificuldades que se enfrentam pelos grupos em geral é a possibilidade de se criar um espaço interpessoal saudável que possa favorecer, desde o princípio, as condições necessárias para iniciar, continuar e levar a bom termo as atividades previstas. Por isso, através da Dinâmica de Grupo, procura-se proporcionar exercícios práticos que visam a solucionar os problemas incidentes na relação indivíduo-grupo: sua influência recíproca e sua interação. Os exercícios de Dinâmica de Grupo – sejam eles jogos, dinâmicas ou vivências quando usados oportuna e eficazmente – constituem uma ferramenta importante para auxiliar o psicólogo, o administrador, o professor etc., enfim, o facilitador, para alcançar seus objetivo. Ou seja, o objetivo é facilitar a modificação comportamental, isto é, a modificação de atitude, do comportamento dos membros de um grupo e o relacionamento interpessoal. Para que isso aconteça é preciso desinstalar a pessoa do seu individualismo, do seu egoísmo, e relaciona-la com os outros, de modo que cada um seja habilitado a aprimorar seu desempenho e sua atuação, adquirir mais consciência de suas potencialidades e das características e particularidades do grupo. A Dinâmica de Grupo busca também permitir que a convivência grupal seja cada vez mais ajustada. Os exercícios que são realizados na Dinâmica de Grupo têm a finalidade de eliminar barreiras que impedem a verdadeira comunicação pessoal; despertar nas pessoas o sentido da solidariedade que, muitas vezes, tem sido posta em segundo plano em prol do individualismo que invade a nossa sociedade. A Dinâmica de Grupo ajuda também na busca de uma colaboração efetiva, afastando a frieza, a indiferença, a agressividade ou o desejo de dominação. Ela permite apresentar a pessoa como ela é realmente, com suas limitações e suas habilidades.
  • 7. 6 Cada dinâmica tem uma estrutura própria, uma disposição particular do grupo, um processo específico, contando sempre com a participação dos orientadores ou facilitadores dos grupos. A dinâmica de grupo ideal deveria ser ao mesmo tempo lúdica e reflexiva. Lúdica porque o componente prazeroso é importante no aprendizado; e reflexiva, pois se não levar os participantes a repensarem suas posturas e preconceitos em relação às questões abordadas e em relação a si mesmo, em seus processos de vida, não estarão cumprindo adequadamente suas finalidades. O ser humano está sempre em constante transformação e a sociedade em geral – isto é, a família, os amigos, os colegas e todos que com ele convivem – exerce um papel fundamental nesse processo de mudança. Ou seja, o nosso comportamento e o nosso ser presente é uma resultante do meio em que fomos criados e do que vivemos atualmente, das crenças e valores assim como todas as demais interações sociais. A sociedade tem sempre alguma contribuição a dar na formação de um indivíduo porque este continua em formação enquanto vive. Ninguém já está pronto. Todos estão ainda em construção, pois enquanto vivem interagem e dessas interações surgem mudanças e reconstruções. Assim sendo, as dinâmicas de grupos quando bem aplicadas podem servir de meio para ajudar as pessoas a fazerem uma re-significação de suas vidas, de seus valores, de seus relacionamentos a fim de permitir às pessoas que compõem o grupo a fazer uma retrospecção, a mergulharem dentro de si mesmas. As dinâmicas de grupo permitem o enriquecimento interpessoal, desenvolvendo um melhor inter-relacionamento entre os componentes do grupo, promovendo assim interações positivas. O estudo de Dinâmica de Grupo, para Cartwright & Zander, é um campo de pesquisa dedicado a obter conhecimento a respeito da natureza dos grupos, das leis de seu desenvolvimento e das suas inter-relações com os indivíduos, outros grupos e instituições mais amplas. Como ciência empírica dos processos científicos, a Dinâmica de Grupo depende de observação, de quantificação, de mensuração e de experimentação. Para esses autores, os três progressos metodológicos contribuíram especialmente para o aparecimento da dinâmica de grupo são: os experimentos de comportamento individual no grupo, a observação controlada da interação social e a sociometria. 2. CONCEITOS DE GRUPOS Bibliografia ALBIGENOR & Rose Militão; Jogos, dinâmicas & Vivências grupais, 9ª Edição, Qualitymark Editora, Rio de Janeiro, 2008 ANDREOLA Balduíno A.; Dinâmica de grupo – Jogo da vida e Didática do futuro, Editora Vozes, 1982 CONTRERAS Juan Manuel; Como trabalhar em grupo – Introdução á dinâmica de grupos, 6ª edição, Editora Paulus, São Paulo, 1999 HUFFMAN Karen, Mark Vernoy e Judith Vernoy; Psicologia – Estudo e Ensino, Editora Altas S. A, São Paulo, 2003
  • 8. 7 JALOWITZKI Marise; Vivências para dinâmica de grupos – A metamorfose do ser em 360 graus, 2ª Edição, Editora Madras, São Paulo, 2007 MAYER Canísio; Dinâmicas de grupo e textos criativos, 2ª Edição, Editora Vozes, 2007 MOSCOVICI Fale; Desenvolvimento interpessoal – Treinamento em grupo, 17ª Edição, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 2008