Forte itapura

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Forte itapura

  1. 1. D.7. Sede da Colônia Militar de Itapura Localidade: periferia oeste da área urbana do município de Itapura, na margem direita do rio Tietê, a 10 km da foz deste rio no rio Paraná. Localizava-se cerca de 800 a jusante do Salto do Itapura (Pinto, 1903:296; Scorrar, 1906: 3 + fotos;Cavalheiro, 1929:[173, 187, 193, 197 e 211-2]; Andrade, 1941:51; Florence, 1977:51-3; Lefèvre, 1944; Marques (1980); Taunay, 1981; Nóbrega, 1981:68, 106; Monbeig,1984:41; Juzarte, 1999:56-8), depois destruído e inundado. Nomes alternativos: “Palácio do Itapura” (mais utilizado); Palácio Imperial (Livro, 1951:743); “Palácio do Imperador” (adotado pelo CONDEPHAAT), “Palácio de D. Pedro II” e “Forte do Imperador”, incorretos. Bem: edifício de alvenaria de tijolos primitiva (com paredes de espessura uniforme, constituindo colunas os panos entre as envazaduras) com arcos de escarga de tijolos sobre as vergas. Com dois pavimentos assobradados; consta de dois corpos transversais de planta retangular e frontões com óculos (com telhados de duas águas), unidos por corpo quadrado (com telhado de quatro águas). Beiral largo em balanço com lambrequim de tábuas corridas. Portas externas e janelas com vergas em arco abatido e bandeiras. Planta-baixa totalmente simétrica em H (com área concidente em ambos os pavimentos), com exceção de: 1. escada de madeira de acesso ao sobrado superior (localizada junto à fachada fronteira voltada para o rio, no corpo lateral direito); 2. pequena sacada com guarda-corpo metálico, na fachada lateral do corpo esquerdo, que dá para o salto; 3. porta correspondente a essa sacada no andar térreo. Localiza-se em meia-encosta, atualmente à margem de quarteirão urbano reservado. Construção: após 1858; 1887 (fide Carmo, 2000). Levantamento planialtimétrico: 1. CONDEPHAAT: planta de situação (1:500), plantas-baixas (1:50), alçados (1:50) e detalhamentos (1:20) de Natal Zavaloni, ago. 1977 e jan. 1978, na biblioteca do CONDEPHAAT; 2. DPHAN (4.o Distrito): detalhamentos (1:10) de portas e janelas, sem data ou autoria, na biblioteca do CONDEPHAAT; 3. plantas-baixas de Roselí Luzia do Val, 21 jul. 1980 [1:125], na biblioteca do CONDEPHAAT; Tombamento: estadual, CONDEPHAAT, como “Palácio do Imperador – colônia militar” (Processo 12318/1969): 1. proposição de tombamento a 22 ago. 1969 de Vinicio Stein Campos, folha 2/100 no Processo; 2. resolução de Tombamento a 4 dez. 1969, do Secretário Estadual de Cultura, Esportes e Turismo, folha 19 no Processo (que consta de 100 folhas numeradas de documentos, presentes no prontuário a 24 mar. 1997); 3. publicação no Diário Oficial do Estado a 5 dez. 1969; 4. inscrição 2, Livro do Tombo Histórico número 1, folha 301 v. e 302; 26 out. 1973. Abandono e ruína: o edifício sofreu ciclos de uso/ abandono e ruína/ restaurações/ reformas; os principais períodos de abandono, que influíram em sua conservação, foram de 1896 até cerca de 1910 (ano em que foi utilizado como instalação da Estrada de Ferro Itapura-Corumbá; Azevedo,s. d.:70-1, 74; Scorrar, 1906), de época desconhecida até 1968, quando foi pela primeira vez “restaurado”, de 1975 a 1978 e entre 1990 e 2000.
  2. 2. Quando conheci o prédio em 1967 pouco restava de seu madeiramento interno (sobrados, forros, portas, janelas, escadaria), e muitos trechos das paredes auto-portantes estavam destruídos por vandalismo (por pessoas que buscavam “tesouros” nelas encerrados, segundo lendas locais. O piso de terra sob o sobrado inferior e o solo no entorno imediato foram escavados (Higa, 1969). Em 1969 toda a fachada lateral direita já havia desmoronado (Higa, 1969). Em minha segunda visita em 1975 a edificação havia sido submetida há algum tempo a reforma conservadora que recuperou apenas as paredes, estando o telhado em condições ruins. A 14 abr. 1977 o então Diretor Técnico do CONDEPHAAT, Prof. Carlos Lemos, comentou: “[...] temos a obrigação de manter as ruínas de pé ou, então, de ir às vias de fato e proceder à restauração. A unica coisa indesculpavel é o abandono por que passa aquele monumento na fronteira do Mato Grosso. A sua restauração irá demandar enorme quantia totalmente imprevisível que, com certeza, iria consumir não uma mas duas ou três dotações orçamentárias deste CONDEPHAAT [...] não podemos permanecer em constante atitude de alheamento a esse monumento [...]” (Folha de Informação 23/31, página 93 apensa ao Processo). Mais obras foram realizadas a partir de 1978, provavelmente com assessoria da técnicos do CONDEPHAAT, completando a recuperação. Poucas intervenções descaracterizadoras foram realizadas, provavelmente em 1968, sendo ainda observáveis: construção de escadarias externas em granito e de sanitários no andar superior. Algumas intervenções descaracterizadoras foram realizadas, provavelmente em 1968, sendo ainda observáveis: construção de escadarias externas em granito e de sanitários no andar superior. Em minha terceira visita a 11 jan. 1999 a edificação estava completamente abandonada, cercada por alto capinzal, com grandes danos no telhado e deterioração avançada no madeiramento dos forros, dos sobrados e das envazaduras, além de vandalismo por busca de “tesouros” na parede fronteira do salão térreo. Cada ciclo de arruinamento retira da edificação parte de seus elementos originais, corroendo sua autenticidade; esta não será devolvida por obras de restauração ulteriores. Restauração: obras parciais entre 1970 e 1971 (folhas 41 a 52 do Processo) e c. 1978 (Kühl, 1993).
  3. 3. Foto 5. Palácio do Itapura (fachada posterior). Foto de Gladis Martins do Lago, início da década de 1960. Iconografia: 1. fotos e plantas (1:5000) de 1905 em Scorrar (1906); 2. Mapa do sudeste brasileiro com indicação correta de Itapura em Calvert, 1915:plate 127. 3. fotos em Cavalheiro (1929:[189, 191, 192, 195 e 196]); 4. Fotos em Higa, 1969. 5. fotos (1969?) no Processo no CONDEPHAAT; 6. levantamentos fotográficos de Celso Lago Paiva, 1975 e 11 jan. 1999; 7. Foto em Torrecilla (1977:1.a capa; 8. desenho de Vera Lucia Mariotti em Reis Filho (1982:105), baseado em fotografia. 9. fotos em Kühl (1993). Nota histórica 1. A Colônia Militar de Itapura foi fundada por decreto imperial de 26 jul. 1858, para, como sede de destacamento e estacionamento naval, garantir a segurança da navegação da via fluvial de São Paulo a Mato Grosso e fornecer apoio logístico às monções (Florence, 1977; Taunay, 1981). Foi instalada e dirigida inicialmente pelo Primeiro-tenente da Armada Antonio Marianno de Azevedo. O local foi escolhido pois, devido à necessidade de varação (Nóbrega, 1981:106-8; Juzarte, 1999:56-9), quaisquer flotilhas (quer brasileiras, quer paraguaias) deveriam ali se deter por certo tempo para vencer o salto. Aliás já era o sítio do Salto pouso corrente para as monções ao menos desde o século XVIII (o 25.o pouso desde Araraytaguaba), segundo manuscrito anônimo de 1764 (Nóbrega, 1981:75). Escreveu Pinto (1903:296): “Em meiados do seculo passado, o Governo Imperial, depois de ter mandado explorar o Tieté por uma commissão dirigida pelo Primeiro Tenente da Armada Antonio Mariano de Azevedo, julgou de conveniencia crear um estabelecimento naval na fóz d’esse rio, e alli fundou a colonia militar do Itapura, para onde foi transportado um pequeno vapor de guerra, o Tamanduatehy, que por algum tempo navegou o alto Paraná [...] Depois da fundação das colonias do Itapura e Avanhandava foram os rios Tieté e Piracicaba frequentemente sulcados por grandes monções d’esses estabelecimentos.” Nela existia em 1876 quartel, 90 casas de morada, capela, armazéns e oficinas e população de cerca de 400 pessoas (Marques, 1980). Em 1873 a Colônia Militar de Itapura localizava-se no 2.o Distrito do Termo de Araraquara, da mesma comarca, tendo como Diretor interino o Capitão-tenente da Armada Francisco Goulart Rolim (Luné e Fonseca, 1985:49, 534). Em 1875 Godoy (1978:138-9) comentou sobre a Colônia: “Tem mais de 17,724 hectares de extensão de terras cobertas de mattas virgens, ricas em madeiras para construcção naval e civil. Ha grande variedade de caça em suas mattas e tambem seu rio é abundante em peixes. Sua população excede a 300 habitantes dedicados á lavoura. As terras produzem bem cereaes, fumo, café, algodão. A colonia é composta de 1 director, 1 ajudante, 1 escrivão, 1 capellão, 1 medico e 1 enfermeiro. Possue officinas de carpinteiros, pedreiros, etc. Foi criado na colonia um estabelecimento naval [...]”. Em 1885 haviam arsenal, arruamento com passeios calçados com pedras, cemitério, igreja com átrio murado, porto, duas escolas primárias (com 45 alunos), escola de música e 11 engenhocas de cana e a casa-sede (e residência do Diretor – a única edificação hoje remanescente). O núcleo colonial foi desativado em 1896.
  4. 4. Em 1910 a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB) chegou a Itapura (na margem esquerda), onde se iniciou a Estrada de Ferro Itapura-Corumbá, que teria utilizado o edifício da Colônia Militar (Azevedo, s. d.:70-1, 74). Em 1959 Itapura já era distrito, no município de Pereira Barreto (Quadro, 1959:81); tinha área de 289 quilômetros quadrados (Relação,1963:159-60). O município de Itapura foi instalado em 1965. Nota histórica 2. Na década de 1960 a sede urbana de Itapura desenvolvia-se na parte baixa da antiga Colônia; com o enchimento em 1968 da represa de Jupiá, no rio Paraná, toda a antiga área urbana foi inundada, tendo sido construída pela CESP nova cidade na parte alta, a leste do Palácio. Perdeu-se assim a maior parte do antigo sítio arqueológico da Colônia. A represa de Jupiá atende ao fornecimento de água à usina de Jupiá e, atualmente, à Hidrovia Tietê-Paraná. Nota 3. Publicação de 1951 já citava a edificação entre as “atrações turísticas” do município de Pereira Barreto: “[...] Salto do Itapura, Salto Urubupungá e Colônia Militar do Itapura (Ruínas do Palácio Imperial)” (Livro, 1951:743). Nota 4. O Palácio consta do brasão da cidade de Itapura (Kühl, 1993:7). Página digital (Salto do Itapura): http://www.transportes.gov.br/bit/rios/griotiet.htm Bibliografia: Scorrar (1906); Cavalheiro (1929:[189, 191, 192, 195, 196, 207-10]); Lefèvre (1944); Santos (1960); Higa (1969); Silva (1972); Torrecilla (1977); Godoy (1978:138-9); Marques (1980); Nóbrega (1981:92-3, 217-8); Reis Filho (1982:20-1 e 105); Monbeig (1984:26, 41); Luné e Fonseca, 1985:49, 534; Kühl (1993:7); Carmo (1997; 2000); Azevedo, s. d.:70-1, 74.

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