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  1. 1. Filosofia (do grego philos - amor, amizade + sophia - sabedoria)modernamente é uma disciplina, ou uma área de estudos, queenvolve a investigação, análise, discussão, formação e reflexãode idéias (ou visões de mundo) em uma situação geral, abstrata INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICOou fundamental. Originou-se da inquietação gerada pela curiosidade JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)humana em compreender e questionar os valores e asinterpretações comumente aceitas sobre a sua própriarealidade. As interpretações comumente aceitas pelo homemconstituem inicialmente o embasamento de todo oconhecimento. Estas interpretações foram adquiridas, enriquecidas erepassadas de geração em geração. Ocorreram inicialmenteatravés da observação dos fenômenos naturais e sofreraminfluência das relações humanas estabelecidas até a formaçãoda sociedade, isto em conformidade com os padrões decomportamentos éticos ou morais tidos como aceitáveis em
  2. 2. nenhum espetáculo é mais atraente para o homem do que o próprio homem. HOMEM Em sentido amplo, homem é qualquer membro da espécie "... Que é o humana. Assim ele é entendido pela filosofia e abordado, em cada homem, para que faças um de seus aspectos particulares, pela biologia, antropologia, caso dele, para que te história, medicina e outras disciplinas que o têm por objeto. A tarefa ocupes dele, para que o de definir homem, consiste em procurar respostas para algumas inspeciones cada manhã perguntas essenciais: qual a natureza ou a essência do homem? e o examines a cada Como se distingue ele dos outros seres orgânicos, especialmente momento?" "O homem dos animais superiores? Essa distinção é essencial e absoluta, ou é a medida de todas as apenas uma variação de grau? Qual o lugar do homem no mundo? coisas." "Muitas são as Qual sua missão ou seu destino? Como se relaciona com Deus ou coisas grandiosas com absoluto? dotadas de vida, mas a mais grandiosa de todas Abordagem filosófica é o homem." A primeira dessas três frases é A noção ocidental de uma das perguntas que homem como indivíduo tem Jó dirige a Deus; a como ponto de partida o segunda, uma reflexão pensamento grego. Para do pensador grego Sócrates e Platão, cada ente sóProtágoras; e a terceira, uma fala da tragédia Antígona, de pode ser definido se todos osSófocles. A elas poderiam reunir-se milhares de outras sobre o seres do universo estiveremmesmo tema, de todas as épocas e civilizações, o que mostra que classificados segundo certasnada preocupa tanto o homem quanto a condição humana, e articulações lógicas e ontológicas. Definir um ente INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 2 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  3. 3. consiste então em tomar a categoria à qual ele pertence e situar Na concepção judaico-cristã, o homem também se achaessa categoria no lugar ontológico que lhe corresponde. Esse lugar suspenso entre dois mundos: o finito e infinito, o que opõe em umaontológico é determinado por dois elementos de caráter lógico: a mesma natureza a insignificância e a imensa grandeza. Afirmacategoria próxima e a diferença específica. Por eles se chega à Pascal que "... a natureza do homem pode ser considerada de duasdefinição de Aristóteles: o homem é um animal racional. Animal é a maneiras: uma, segundo seu fim, e então é grande e incomparável;categoria próxima, na qual se inclui o homem; racional é a outra, segundo a multidão, como se aprecia a natureza do cavalo ediferença específica, por meio da qual se distingue conceitualmente do cão, e então é abjeto e vil. Esses são os dois caminhos queos homens dos outros animais. Para a filosofia grega, o homem é levam a julgamentos tão diversos do homem, e a tantas discussõesum "ser racional", ou melhor dito, um animal que possui razão. Essa dos filósofos."definição implica dizer que o homem é uma coisa cuja naturezaconsiste em poder dizer o que são as outras coisas. Ou seja, a razão Abordagem biológicapermite ao homem definir-se e definir o conjunto do universo. Os gregos admitem que o homem tenha sido "formado", e Para as ciências naturais, a dificuldade de definir o quetambém que sua formação tenha obedecido a condições especiais seja "homem" consiste em escolher entre dois pontos de vista: o daem relação aos demais seres, mas rejeitam a hipótese da criação. A estrutura anatômica e o que se refere às faculdades reflexivas. Novisão do homem como ser criado é comum ao judaísmo e ao primeiro caso, o homem encontrar-se-ia imerso em suacristianismo e exerceu forte influência sobre todas as concepções animalidade; no segundo, estaria pairando sobre o mundo, isoladofilosóficas relacionadas com essas religiões e também com o da natureza. Uma definição mais abrangente e completa de homemislamismo. O homem seria, então, uma criatura, ou seja, um ser deveria levar em conta, portanto, tudo o que nele seja suscetível decuja realidade não é própria, mas que foi criado "à imagem e constatação positiva, isto é, além da conformação anatômica, ésemelhança de Deus", o que lhe confere superioridade em relação preciso considerar a faculdade de pensar. Dessa dupla abordagemaos outros seres. Para os gregos, o homem vive em dois mundos: o se depreende a originalidade do fenômeno humano.mundo sensível, que ele apreende pelos sentidos, e o mundo O mais exterior dos caracteres humanos é sua tênueinteligível, que apreende pela razão, e onde se confirma sua diferenciação morfológica, dada por especializações anatômicas (arealidade como ser racional. face menor que o crânio, a postura vertical etc.) e fisiológicas (o desamparo em que se encontra o ser humano nos primeiros meses INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 3 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  4. 4. de vida, a sexualidade aperiódica etc.). Mesmo assim, dentro dos funções de equilíbrio e suporte do corpo na posição ereta; membroscritérios adotados pela biologia para classificar os seres vivos, pode- inferiores hipertrofiados, adaptados para o andar bípede; membrosse dizer que, por sua estrutura orgânica, o homem não pode aspirar superiores mais curtos e aperfeiçoados, com mãos grandes esenão a um lugar modesto na taxionomia animal: ele pertence ao preênseis, dotadas de dedos curtos e polegar oponível; narizsubfilo dos vertebrados, à ordem dos primatas e a uma família saliente com pontas e asas bem desenvolvidas; ausência completaformada por um único gênero, Homo. Mas outra característica de pêlos táteis ou tentáculos; escassez acentuada de pêlozoológica do homem evidencia prontamente sua originalidade: a secundário no corpo, exceto na cabeça, regiões axilares e púbica ecapacidade de expansão e conquista. Apesar da homogeneidade do no rosto dos adultos masculinos; e presença de lábios cheios,grupo humano, o homem conquistou em relação ao conjunto do evertidos e membranosos.globo um sucesso vital sem precedentes, que se explica, pelomenos em parte, pela aparição, com o homem, de uma nova fase Abordagem antropológicana história da vida: o uso de instrumentos artificiais, mais umacaracterística do fenômeno humano. A classificação dos seres vivos proposta por Lineu e As tentativas de inserir o homem dentro da ordem dos George-Louis Leclerc Buffon, no século XVIII, permitiu pela primeiraprimatas não primam pela precisão, uma vez que as diferenças de vez integrar o homem numa série zoológica e estudá-lo pelodetalhes são complexas e controversas. O tamanho, e mais ainda, acomplexidade do cérebro humano em relação ao dos primatas não-humanos constitui o principal ponto de diferenciação anatômica. Apostura ereta é também um aspecto importante. Outrascaracterísticas anatômicas que distinguem o homem dos outrosprimatas, seja dos macacos antropóides, seja dos primatasinferiores, além do tamanho absoluto e relativo do cérebro, são: opé, que serve de suporte e não é preênsil; o primeiro dedo do pé,que não é oponível; os maxilares, de tamanho reduzido e poucosalientes; a ausência de caninos salientes e interpostos; curvalombar, bacia e pelve formadas ou modificadas para atender às INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 4 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  5. 5. método das ciências naturais. A espécie Homo sapiens faz parte do como de uma determinação psicológica interna. A herança cultural égênero Homo, o que deixa aberta a possibilidade de existência de a transmissão das características culturais pelo ensino eoutras espécies. O próprio gênero Homo pertence à família dos aprendizagem. A cultura se transmite sob forma de padrõeshominídeos, à ordem dos primatas, à classe dos mamíferos, ao explícitos e implícitos de comportamento e em suas materializações.subfilo dos vertebrados e ao filo dos cordados. Dentro da espécie, O homem é, portanto, um animal portador de cultura, seja pelopode-se distinguir os grupos (negro, branco, pigmeu etc) e dentro domínio da linguagem, seja pelos padrões de organização familiar,de cada grupo as raças (nórdica, alpina, australiana etc), depois as pelo uso de ferramentas, enfim, pelo controle de um vasto domíniosub-raças, os tipos etc. de conhecimento empírico e pela presença de elementos de ordem A classificação do homem a partir do modelo zoológico simbólica, como tabus, mitos, rituais religiosos etc.introduziu o conceito diferencial de raça e, ao mesmo tempo, tornoupossível definir a espécie por outros aspectos que não a Abordagem psico-sociológicaracionalidade. Homo sapiens não é necessariamente sinônimo deanimal racional. Os critérios anatômicos e fisiológicos é que foram Permanece vaga e ambígua a correlação entre asconsiderados com maior rigor para a diferenciação da espécie. A dimensões física e cultural do homem. Tal ambigüidade levanta aantropologia preocupou-se também com os problemas da origem e dúvida quanto ao problema de ser o homem causa ou resultado,da filiação da espécie. O Homo sapiens não é senão o elo atual de criatura ou criador de seu patrimônio cultural. A questão douma ou várias longas cadeias de ancestrais hominídeos e pré- determinismo ou da liberdade da condição humana extrapola ohominídeos e talvez símios. Mas a reação à taxionomia positivista âmbito da antropologia e convoca a uma perspectiva inovadora noacabou por impor um modelo que, sem desprezar os traços campo das ciências humanas, trazida pela psicologia: o conceitoanatomo-fisiológicos, restituiu à antropologia geral as dimensões psicanalítico de inconsciente. Essa noção, que foi a principalmentais do homem -- psicológicas, culturais etc. descoberta de Sigmund Freud, veio mostrar que o psiquismo não é Outra contribuição ao aprofundamento da perspectiva redutível ao consciente e que certos conteúdos psíquicos só seantropológica foi o estudo da herança cultural. Em muitos aspectos, tornam acessíveis à consciência depois de vencidas certasé ela que permite ao homem moldar uma vida adaptada à resistências.variedade de ambientes naturais e possibilita, dentro das limitações Para a sociologia, o homem, como ser social, é resultadoambientais, tipos de vida que tanto podem resultar de uma escolha de processos sociais e de cultura que antecedem ao aparecimento INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 5 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  6. 6. do indivíduo. O homem nasce com uma base orgânica, que opermite desenvolver-se em pessoa. Seus órgãos e sentidosestabelecem o contato entre o que é verdadeiramente hereditário,natural e individual, e a vida social e a cultura. O comportamentohumano dá-se num quadro de circulação permanente deinformação. Cada homem recebe ininterruptamente estímulosdiversos e diversamente organizados, aos quais responde porcomportamentos. Se isso é verdadeiro para qualquer ser vivo, nohomem se distingue pelas propriedades de sistematização, detransferência e de significação. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 6 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  7. 7. de interesses antagônicos e conflitos no corpo social que devem ser POLÍTICA controlados para preservar a ordem social ou buscar o bem comum. O choque de interesses entre indivíduos e grupos na Ciência políticasociedade provoca a luta pelo poder e seu exercício em diferentesconfigurações institucionais. Ao longo de séculos, grandes Disciplina recente, a ciência política surgiu da necessidadepensadores tentaram estabelecer os elementos universais de uma de formar gestores públicos e oferecer uma estrutura de reflexãoordem justa nos negócios humanos, o que deu origem a teorias sobre as questões públicas. Seu objetivo é estudar o poder político,políticas numerosas e, freqüentemente, contraditórias. suas formas concretas de manifestação e tendências evolutivas. Cabe assim à ciência política explicar os motivos das relações que Política, em sentido estrito, é a arte de governar a polis, ou existem entre os poderes políticos e a sociedade, as diversas formascidade-estado, e deriva do adjetivo politikós, que significa tudo o de organização do estado e sua dominação por classes ou grupos, aque se relaciona à cidade, isto é, tudo o que é urbano, público, civil formação da vontade política do povo e as diferentes teoriase social. Em acepção ampla, política é o estudo do fenômeno do relativas à prática política.poder, entendido como a capacidade que um indivíduo ou grupo A ciência política utiliza métodos de ciências empíricas,organizado tem de exercer controle imperativo sobre a população como a física e a biologia, e metodologias e especificidades dede um território, mesmo quando é necessário o uso da força. outros ramos do conhecimento, como filosofia, história, direito, O conceito de política é estreitamente vinculado ao de sociologia e economia, e sua finalidade é descrever aquilo que é epoder em três esferas básicas: (1) a luta pelo poder; (2) o conjunto não o que deveria ser. Nesse sentido, distingue-se da filosofiade instituições por meio das quais esse poder se exerce; (3) e a política, área normativa voltada para conceitos como direito ereflexão teórica sobre a origem, estrutura e razão de ser do poder. justiça; da antropologia política, que estuda o fenômeno políticoO poder político se caracteriza pela exclusividade do direito do uso como uma constante em todas as sociedades humanas ao longo deda força em relação ao conjunto da sociedade, que lhe confere a sua história; e da sociologia política, que estuda os fenômenoslegitimidade desse uso. O exercício do poder se justifica como a sociais a partir de uma visão política.solução para regular e equilibrar a ordem e a justiça na sociedade;e o uso da força, inerente a todo poder político, indica a presença INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 7 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  8. 8. Luta pelo poder A história humana é basicamente uma história da política,isto é, das lutas travadas por indivíduos, grupos ou nações paraconquistar, manter ou ampliar o poder político. Essas lutas podemser violentas, na forma de assassínio de dirigentes, guerras,revoluções e golpes de estado, ou pacíficas, por meio de eleições eplebiscitos. A luta violenta é uma das formas mais primitivas deconquista e manutenção do poder, embora ainda seja adotada emalgumas nações modernas. São numerosos os exemplos, ao longoda história das nações, de assassínios de dirigentes por uma pessoaou um grupo de pessoas para a tomada do poder; e de insurreições Os meios pacíficos de luta pelo poder indicam estadoe revoluções populares, uma forma de luta política violenta que visa avançado de civilização e a racionalidade das concepções políticas.não só conquistar o poder mas transformar de modo radical as As formas básicas de luta pacífica, própria dos sistemascondições sociais ou a organização do estado. Nesses casos, a democráticos, são as eleições e plebiscitos. Nas democracias,violência se manifesta também na defesa daqueles que detêm o reconhece-se que a soberania popular é o princípio de legitimaçãopoder e querem manter a situação social tradicional. As revoluções do poder e portanto a direção do estado cabe à facção ou partidofrancesa e russa mudaram a história do mundo moderno. que obtiver a maioria dos votos livremente expressos pelo povo. A mudança de um regime político pode se dar ainda pelo Trata-se de um procedimento racional, que pressupõe a igualdadegolpe de estado, forma de ação política violenta comum na história dos cidadãos perante a lei e que tende a harmonizar os conflitos dedas nações da América Latina. As guerras são o modo mais extremo interesse, embora eles continuem a existir e muitas vezes see violento da luta política, já que o objetivo é destruir o adversário, manifestem de forma violenta.e podem ser externas, entre duas ou mais nações, ou internas oucivis, entre facções de uma nação. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 8 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  9. 9. No final da Idade Média, mudanças políticas, econômicas e sociais determinaram o surgimento de novas concepções sobre o estado. O progresso da burguesia e da economia favoreceu a centralização do poder nas monarquias absolutas. O estado tornou- se racional e suas estruturas se institucionalizaram, de acordo com as novas necessidades sociais. A vitória da burguesia sobre a sociedade feudal, na revolução francesa, desmistificou o poder por direito divino e consagrou o princípio da soberania popular. O povo, única fonte de poder, podia transferir seu exercício a representantes por ele eleitos. Instituições políticas Órgãos permanentes por meio dos quais se exerce o poderpolítico, as instituições políticas evoluíram de acordo com o grau deracionalidade alcançado pelos homens. Nas antigas civilizaçõesorientais, em Roma e na Europa medieval, os sistemas políticostinham como característica comum a personalização do poder,justificada por instâncias mágicas, religiosas ou carismáticas. Faraóegípcio, imperador romano ou rei cristão, o detentor do poder seconfundia com o próprio poder. Sua justificativa era a força,traduzida pelo poder militar, poder de curar ou poder sobre asforças da natureza. Constantemente desafiado por aqueles que sejulgavam possuidores das mesmas credenciais, o poderpersonalizado gerou a instabilidade política e o uso da violênciacomo forma de solução de conflitos. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 9 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  10. 10. Os sistemas liberais, cuja representatividade erainicialmente restrita, aperfeiçoaram os mecanismos democráticos e, Além de lutar pelo poder e de criar instituições paraao incorporarem o sufrágio universal, reconheceram de forma plena exercê-lo, o homem também examina sua origem, natureza ea igualdade de todos os cidadãos perante a lei. A institucionalização significado. Dessas reflexões resultaram diferentes doutrinas edo poder exigiu a adoção de constituições que, como expressão da teorias políticas.vontade popular, devem reger a ação do estado. Nos sistemasdemocráticos, a legitimidade do poder deriva de sua origem na Antiguidadevontade popular e de seu exercício de acordo com a lei. A doutrina da clássica divisão do poder político, elaborada São escassas as referências a doutrinas políticas dospor Montesquieu, é comum a quase todos os sistemas políticos dos grandes impérios orientais. Admitiam como única forma de governoestados modernos. O poder legislativo, formado por parlamentares a monarquia absoluta e sua concepção de liberdade era diferente daeleitos pelo povo, elabora as leis e controla os atos do poder visão grega, que a civilização ocidental incorporou -- mesmoexecutivo; o executivo, também eleito pelo povo, executa a lei e quando submetidos ao despotismo de um chefe absoluto, seusadministra o estado; o judiciário interpreta e aplica as leis e atua povos consideravam-se livres se o soberano fosse de sua raça ecomo juiz nos conflitos entre os outros poderes. A divisão de religião.poderes ajuda a evitar o abuso de poder por meio do controle As cidades da Grécia não se uniram sob um poder imperialrecíproco dos vários órgãos do estado. centralizador e conservaram sua autonomia. Suas leis emanavam Nas modernas sociedades democráticas, além dos poderes da vontade dos cidadãos e seu principal órgão de governo era ainstitucionalizados existem organizações que participam do poder ou assembléia de todos os cidadãos, responsáveis pela defesa das leisnele influem: partidos políticos, sindicatos de classe, grupos de fundamentais e da ordem pública. A necessidade da educaçãointeresse, associações profissionais, imprensa, freqüentemente política dos cidadãos tornou-se, assim, tema de pensadores políticoschamada de quarto poder, e outras. Nos regimes totalitários, a como Platão e Aristóteles.existência de um partido único no poder diminui as chances de Em suas obras, das quais a mais importante é A república,participação da sociedade nos assuntos políticos nacionais. Platão define a democracia como o estado no qual reina a liberdade e descreve uma sociedade utópica dirigida pelos filósofos, únicos História das idéias políticas conhecedores da autêntica realidade, que ocupariam o lugar dos INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 10 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  11. 11. reis, tiranos e oligarcas. Para Platão, a virtude fundamental da polis Os romanos, herdeiros da cultura grega, criaram aé a justiça, pela qual se alcança a harmonia entre os indivíduos e o república, o império e o corpo de direito civil, mas não elaboraramestado. No sistema de Platão, o governo seria entregue aos sábios, uma teoria geral do estado ou de direito. Entre os intérpretes daa defesa aos guerreiros e a produção a uma terceira classe, privada política romana destacam-se o grego Políbio e Cícero, que poucode direitos políticos. acrescentaram à filosofia política dos gregos. Aristóteles, discípulo de Platão e mestre de Alexandre oGrande, deixou a obra política mais influente na antiguidade clássica Idade Médiae na Idade Média. Em Política, o primeiro tratado conhecido sobre anatureza, funções e divisão do estado e as várias formas de O cristianismo introduziu, nos últimos séculos do Impériogoverno, defendeu como Platão equilíbrio e moderação na prática Romano, a idéia da igualdade entre todos os homens, filhos dodo poder. Empírico, considerou impraticáveis muitos dos conceitos mesmo Deus, uma noção que contestava implicitamente ade Platão e viu a arte política como parte da biologia e da ética. escravidão, fundamento social econômico do mundo antigo. Ao Para Aristóteles, a polis é o ambiente adequado ao tornar-se religião oficial, o cristianismo aliou-se ao poder temporal edesenvolvimento das aptidões humanas. Como o homem é, por admitiu a organização social existente, inclusive a escravidão. Santonatureza, um animal político, a associação é natural e não Agostinho, a quem se atribui a fundação da filosofia da história,convencional. Na busca do bem, o homem forma a comunidade, que afirma que os cristãos, embora voltados para a vida eterna, nãose organiza pela distribuição das tarefas especializadas. Como deixam de viver a vida efêmera do mundo real. Moram em cidadesPlatão, Aristóteles admitiu a escravidão e sustentou que os homens temporais mas, como cristãos, são também habitantes da "cidadesão senhores ou escravos por natureza. Concebeu três formas de de Deus" e, portanto, um só povo.governo: a monarquia, governo de um só, a aristocracia, governo Santo Agostinho não formulou uma doutrina política, mas ade uma elite, e a democracia, governo do povo. A corrupção dessas teocracia está implícita em seu pensamento. A solução dosformas daria lugar, respectivamente, à tirania, à oligarquia e à problemas sociais e políticos é de ordem moral e religiosa e tododemagogia. Considerou que o melhor regime seria uma forma bom cristão será, por isso mesmo, bom cidadão. O regime políticomista, no qual as virtudes das três formas se complementariam e se não importa ao cristão, desde que não o obrigue a contrariar a leiequilibrariam. de Deus. Considera, pois, um dever a obediência aos governantes, desde que se concilie com o serviço divino. Testemunha da INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 11 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  12. 12. dissolução do Império Romano, contemporâneo da conversão de surgiram os primeiros contornos da doutrina da razão de estado,Constantino ao cristianismo, santo Agostinho justifica a escravidão segundo a qual a segurança do estado tem tal importância que,como um castigo do pecado. Introduzida por Deus, "seria insurgir- para garanti-la, o governante pode violar qualquer norma jurídica,se contra Sua vontade querer suprimi-la". moral, política e econômica. Maquiavel foi o primeiro pensador a No século XIII, santo Tomás de Aquino, o grande pensador fazer distinção entre a moral pública e a moral particular.político do cristianismo medieval, definiu em linhas gerais a Thomas Hobbes, autor de Leviatã, considera a monarquiateocracia. Retomou os conceitos de Aristóteles e os adaptou às absoluta o melhor regime político e afirma que o estado surge dacondições da sociedade cristã. Afirmou que a ação política é ética e necessidade de controlar a violência dos homens entre si. Comoa lei um mecanismo regulador que promove a felicidade. Como Maquiavel, não confia no homem, que considera depravado e anti-Aristóteles, considerou ideal um regime político misto com as social por natureza. É o poder que gera a lei e não o contrário; a leivirtudes das três formas de governo, monarquia, aristocracia e só prevalece se os cidadãos concordarem em transferir seu poderdemocracia. Na Summa teologica, justifica a escravidão, que individual a um governante, o Leviatã, mediante um contrato queconsidera natural. Em relação ao senhor, o escravo "é instrumento, pode ser revogado a qualquer momento.pois entre o senhor e o escravo há um direito especial de Baruch de Spinoza prega a tolerância e a liberdadedominação". intelectual. Temeroso dos dogmas metafísicos e religiosos, justifica o poder político unicamente por sua utilidade e considera justa a Renascimento rebelião se o poder se torna tirânico. Em seu Tratado teológico- político, afirma que os governantes devem cuidar para que os Os teóricos políticos do período caracterizaram-se pela membros da sociedade desenvolvam ao máximo as suasreflexão crítica sobre o poder e o estado. Em O príncipe, Maquiavel capacidades intelectuais e humanas.secularizou a filosofia política e separou o exercício do poder da Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau destacam-se comomoral cristã. Diplomata e administrador experiente, cético e teóricos da democracia moderna. Montesquieu exerceu influênciarealista, defende a constituição de um estado forte e aconselha o duradoura com O espírito das leis, no qual estabeleceu a doutrinagovernante a preocupar-se apenas em conservar a própria vida e o da divisão dos poderes, base dos regimes constitucionais modernos.estado, pois na política o que vale é o resultado. O príncipe deve Rousseau sustenta, no Contrato social, que a soberania pertence aobuscar o sucesso sem se preocupar com os meios. Com Maquiavel povo, que livremente transfere seu exercício ao governante. Suas INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 12 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  13. 13. idéias democráticas inspiraram os líderes da revolução francesa e Em oposição ao liberalismo político, surgiram as teoriascontribuíram para a queda da monarquia absoluta, a extinção dos socialistas em suas duas vertentes, a utópica e a científica. Robertprivilégios da nobreza e do clero e a tomada do poder pela Owen, Pierre-Joseph Proudhon e Henri de Saint-Simon foram algunsburguesia. dos teóricos do socialismo utópico. Owen e Proudhon denunciaram a organização institucional, econômica e educacional de seus países e Pensamento contemporâneo defendem a criação de sociedades cooperativas de produção, ao passo que Saint-Simon preconizou a industrialização e a dissolução No século XIX, uma das correntes do pensamento político do estado.foi o utilitarismo, segundo o qual se deve avaliar a ação do governo Karl Marx e Friedrich Engels desenvolvem a teoria dopela felicidade que proporciona aos cidadãos. Jeremy Bentham, socialismo científico, que deixou marcas profundas e duradouras naprimeiro divulgador das idéias utilitaristas e seguidor das doutrinas evolução das idéias políticas. Seu socialismo não é um ideal a que aeconômicas de Adam Smith e David Ricardo, teóricos do laissez- sociedade deva adaptar-se, mas "o movimento real que suprime ofaire (liberalismo econômico), considera que o governo deve limitar- atual estado de coisas", e "cujas condições decorrem dese a garantir a liberdade individual e o livre jogo das forças de pressupostos já existentes". O socialismo sucederia ao capitalismomercado, que geram prosperidade. assim como o capitalismo sucedeu ao feudalismo e será a solução das contradições do capitalismo. Assim, sua realização não seria utópica, mas resultaria de uma exigência objetiva do processo histórico em determinada fase de seu desenvolvimento. O estado, expressão política da classe economicamente dominante, desapareceria numa sociedade sem classes. Depois da primeira guerra mundial, surgiram novas doutrinas baseadas nas correntes políticas do século XIX. O liberalismo político, associado nem sempre legitimamente ao liberalismo econômico, pareceu entrar em dissolução, confirmada pela depressão econômica de 1929, e predominaram as visões totalitárias do poder. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 13 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  14. 14. A partir do marxismo, Lenin elaborou uma teoria do estadocomunista e comandou na Rússia a primeira revolução operária O absolutismo foi a base das concepções políticas quecontra o sistema capitalista. Sobre a base marxista-leninista, Stalin vigoraram no Brasil colonial, regido pelas leis e o sistema político deorganizou o estado totalitário para estruturar a ditadura do Portugal. Ao longo do século XVIII, ocorreram movimentosproletariado e alcançar o comunismo. Entre os pensadores autonomistas com fundo republicano e liberal, inspirados nosmarxistas que discordaram de Stalin e acreditaram na diversidade modelos das repúblicas veneziana e americana. As idéias quede vias para atingir o mesmo fim destacam-se Trotski, Tito e Mao inspiraram a revolução francesa disseminaram-se pela colônia nasZedong (Mao Tsé-tung). obras de Voltaire, Rousseau e Montesquieu mas o liberalismo só se A outra vertente do totalitarismo foi o fascismo, baseado manifestou de modo mais concreto nos episódios da inconfidênciana crítica aos abusos do capitalismo e do comunismo. Formadas por mineira, que evidenciaram as contradições entre a crescenteelementos heterogêneos e muitas vezes incoerentes, as ideologias burguesia e as classes agrárias dominantes.fascistas deram fundamento intelectual aos regimes que tendiam asobrepor o poder absoluto do estado aos indivíduos, como ofascismo na Itália de Benito Mussolini e o nacional-socialismo naAlemanha de Adolf Hitler. Após a segunda guerra mundial, a democracia liberal, jádissociada do liberalismo econômico, ressurgiu em diversos paíseseuropeus e americanos. Em suas instituições, as democraciasacrescentaram os direitos sociais, como o direito ao trabalho e aobem-estar, aos direitos individuais. No final da década de 1980, adissolução da União Soviética levou ao desaparecimento dosregimes comunistas no leste europeu e ao predomínio dademocracia liberal. Poder político no Brasil INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 14 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  15. 15. O processo separatista ganhou consistência com a chegada do partido majoritário nas eleições. Preservou, porém, o poderde D. João VI em 1808 e culminou com a independência. A primeira moderador, o que na prática manteve o governo sob seu controle.constituição brasileira, outorgada pelo imperador D. Pedro I, Os primeiros anos do governo do segundo reinado forambaseou-se no despotismo esclarecido e inovou na doutrina da marcados por revoltas regionais e, ao mesmo tempo, peladivisão de poderes, ao incluir o poder moderador do monarca ao consolidação das instituições nacionais e pelo aprofundamento dolado dos clássicos poderes executivo, legislativo e judiciário. sentimento de nacionalidade em todo o território brasileiro. Os As elites brasileiras, compostas de grandes senhores liberais, que se alternaram com os conservadores no governo aoagrários e comerciantes, instalaram-se no poder e competiram com longo do segundo reinado, pertenciam também às classeso imperador pelo controle da nação. O cunho liberal da constituição dominantes e esqueciam seu radicalismo assim que assumiam ofoi amenizado pela adoção de mecanismos como o voto censitário, poder. As elites agrárias e comerciais mantinham-se como a únicaque excluiu a maioria da população do processo eleitoral, e a força política e dominavam o cenário nacional. Entretanto, osvitaliciedade dos senadores e dos membros do Conselho de Estado, grandes temas da república e da abolição da escravatura ganhavamque assegurou a permanência das elites no poder. O confronto espaço e apoio crescentes, principalmente na burguesia urbana, quepermanente entre essas elites e o imperador e a oposição dos se ressentia das dificuldades de implantação plena do capitalismoliberais radicais, que se ressentiam da centralização excessiva do numa economia atrasada, que buscava se modernizar. Republicanospoder e defendiam o federalismo, culminaram na abdicação do e abolicionistas inauguraram um estilo novo na política brasileira esoberano em favor de D. Pedro II, então menor de idade. convocaram as populações das cidades à defesa de suas idéias. O período da regência foi marcado pela pressão Apesar dessa mobilização, a república foi instaurada pela elite, sempermanente das aristocracias locais, que exigiam maior autonomia participação popular.de ação política, e por conflitos entre liberais e conservadores, que A abolição da escravatura em 1888 marcou o fim dose traduziram em rebeliões regionais e levantes populares, em império brasileiro e o início da república, instalada no ano seguinte,alguns casos de inspiração separatista e republicana. Pouco depois mas permaneceu o autoritarismo do poder central, profundamentede assumir o trono, D. Pedro II estabeleceu o regime entranhado na cultura política nacional. A constituição liberal deparlamentarista e abriu mão de seus poderes executivos, 1891 estabeleceu um presidencialismo forte e centralizado, que nãotransferidos para um primeiro-ministro escolhido entre os membros resolveu as contradições políticas herdadas do império nem excluiu do poder as elites, acrescidas então de novas forças econômicas, INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 15 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  16. 16. como os produtores de café, que determinavam os caminhos da Com a revolução de 1930, a burguesia industrial tevenação. Na fase que se seguiu, conhecida como República Velha, maior participação no poder, mas as contradições do regime nãopredominaram as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, os foram solucionadas. Conflitos entre as oligarquias e os tenentistas eestados economicamente mais avançados. a ausência de mudanças estruturais necessárias levaram à Durante a primeira guerra mundial, o país conheceu implantação da ditadura do Estado Novo, que se prolongou aténotável expansão industrial, mas o poder político continuou 1945.dominado pelos interesses das oligarquias rurais e da burguesia A constituição de 1946 deu início a um período de crescimento econômico e aprofundamento dos mecanismos democráticos. Houve mudanças no sistema eleitoral e participação efetiva do povo no processo político. Os partidos políticos se fortaleceram e representaram efetivamente os diversos segmentos políticos e ideológicos da nação. O modelo econômico e social, porém, não se alterou, especialmente na estrutura agrária dominada pelas elites obsoletas. O choque entre avanços políticos e econômicos e a manutenção de um modelo social ultrapassado levaram setores progressistas e conservadores à radicalização.mercantil. As contradições entre uma economia que se modernizavae um modelo político retrógrado geraram inquietações políticas quese expressaram em movimentos como o tenentismo. O processoeleitoral, marcado pela fraude e a exclusão de vasta parcela dapopulação, mostrou-se incapaz de solucionar as distorções dosistema, agravadas por dificuldades financeiras e do comércioexterior que a crise mundial de 1929 aprofundou, com a quedadrástica das exportações de produtos primários. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 16 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  17. 17. CIDADANIA divisão social do trabalho. São direitos atribuídos a uma entidade coletiva, e ao indivíduo apenas em decorrência de sua participação Foi de um discurso do em um desses "corpos" sociais. dramaturgo Pierre-Augustin O termo cidadão tornou-se sinônimo de homem livre, Caron de Beaumarchais, em portador de direitos e obrigações a título individual, assegurados em outubro de 1774, que surgiu lei. É na cidade que se formam as forças sociais mais diretamente o sentido moderno da interessadas na individualização e na codificação desses direitos: apalavra cidadão -- que ganharia maior ressonância nos primeiros burguesia e a moderna economia capitalista.meses da revolução francesa, com a Declaração dos Direitos do Ao ultrapassar os estreitos limites do mundo medieval --Homem e do Cidadão. pela interligação de feiras e comunas, pelo estabelecimento de rotas Em sentido etimológico, cidadania refere-se à condição dos regulares de comércio, entre regiões da Europa e entre osque residem na cidade. Ao mesmo tempo, diz da condição de um continentes --, a dinâmica da economia capitalista favorece aindivíduo como membro de um estado, como portador de direitos e imposição de uma jurisdição uniforme em determinados territórios,obrigações. A associação entre os dois significados deve-se a uma cuja extensão e perfil derivam tanto da interdependência internatransformação fundamental no mundo moderno: a formação dos enquanto "mercado", como dos fatores culturais, lingüísticos,estados centralizados, impondo jurisdição uniforme sobre um políticos e militares que favorecem a unificação.território não limitado aos burgos medievais. Em seus primórdios, a constituição do estado moderno e Na Europa, até o início dos tempos modernos, o da economia comercial capitalista é uma grande força libertária. Emreconhecimento de direitos civis e sua consagração em documentos primeiro lugar, pela dilatação de horizontes, pela emancipação dosescritos (constituições) eram limitados aos burgos ou cidades. A indivíduos ante o localismo, ante as convenções medievais queindividualização desses direitos a rigor não existe até o surgimento impediam ou dificultavam a escolha de uma ocupação diferente dada teoria dos direitos naturais do indivíduo e do contrato social, transmitida como herança familiar; libertária, também, ante asbases filosóficas do antigo liberalismo. Nesse sentido, os privilégios tradições e crenças que se diluíam com a maior mobilidadee imunidades dos burgos medievais não diferem, quanto à forma, geográfica e social; mas libertária, sobretudo, pela imposição dedos direitos e obrigações das corporações e outros agrupamentos, uma jurisdição uniforme, que superava o arbítrio dos senhoresdecorrentes de sua posição ou função na hierarquia social e na INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 17 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  18. 18. feudais e reconhecia a todos os mesmos direitos e obrigações, consagração formal de certos direitos, o processo político de suaindependentemente de seu trabalho ou condição socioeconômica. obtenção e a criação das condições socioeconômicas que lhe dão Além do sentido sociológico, a cidadania tem um sentido efetividade.político, que expressa a igualdade perante a lei, conquistada pelasgrandes revoluções (inglesa, francesa e americana), eposteriormente reconhecida no mundo inteiro. Nessa perspectiva, a passagem do âmbito limitado - dosburgos - ao significado amplo da cidadania nacional é a própriahistória da formação e unificação dos estados modernos, capazes deexercer efetivo controle sobre seus respectivos territórios e degarantir os mesmos direitos a todos os seus habitantes. Éfundamentalmente uma garantia negativa: contra as limitaçõesconvencionais ao comportamento individual e contra o poderarbitrário, público ou privado. Rumo à universalização. A cidadania é originalmente umdireito burguês. Contudo, quando reivindicada como soma dedireitos fundamentais do indivíduo, estes se tornam neutros quantoa seus beneficiários presentes e potenciais. Vista como processo histórico gradual, a extensão dacidadania é (1) a transformação da estrutura social pré-moderna noquadro da economia capitalista e do estado nacional moderno e (2)o reconhecimento e a universalização de toda uma série de novosdireitos que, em parte, são indispensáveis ao funcionamento daeconomia capitalista moderna e, em parte, são resultado concretodo conflito político dentro de cada país. Portanto, trata-se de umconceito ao mesmo tempo jurídico, sociológico e político: descreve a INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 18 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  19. 19. limitada, visto que seus limites coincidem com os da liberdade dos Cidadania e democracia outros homens. A primeira concretização da teoria jurídica dos direitos A cidadania tem dois aspectos: (1) o institucional, porque humanos foi o Bill of Rights, de 1689 -- a declaração de direitosenvolve o reconhecimento explícito e a garantia de certos direitos inglesa. Só depois da independência dos Estados Unidos, porém, asfundamentais, embora sua institucionalização nunca seja constante declarações de direitos, inseridas nas constituições escritas,e irredutível; (2) e o processual, porque as garantias civis e adquirem o perfil de relação de direitos oponíveis ao estado, e dospolíticas, bem como o conteúdo substantivo, social e econômico, quais os indivíduos são titulares diretos. Dada sua importância, onão podem ser vistos como entidades fixas e definitivas, mas direito constitucional clássico dividia as leis fundamentais em duasapenas como um processo em constante reafirmação, com limiares partes: uma estabelecia os poderes e seu funcionamento; outra, osabaixo dos quais não há democracia. Democrático, no sentido direitos e garantias individuais.liberal, é o país que, além das garantias jurídicas e políticas No Brasil, é clássica a definição dada por Rui Barbosa àsfundamentais, institucionaliza amplamente a participação política. garantias, desdobramento dos direitos individuais: "Os direitos são aspectos, manifestações da personalidade humana em sua Direitos e garantias individuais existência subjetiva, ou nas suas situações de relações com a sociedade, ou os indivíduos que a compõem. As garantias A necessidade de certas prerrogativas que limitem o poder constitucionais stricto sensu são as solenidades tutelares de que apolítico em suas relações com a pessoa humana são, muito lei circunda alguns desses direitos contra os abusos do poder." É oprovavelmente, criação do cristianismo, que definiu o primeiro caso do direito à liberdade pessoal, cuja garantia é o recurso doterreno interditado ao estado: o espiritual. habeas corpus. No campo do direito positivo, foi a revolução francesa queincorporou o sistema dos direitos humanos ao direito constitucional Direitos sociaismoderno. A teoria do direito constitucional dividiu, de início, osdireitos humanos em naturais e civis, considerando que a liberdade Na antiguidade, considerava-se que o trabalho manual nãonatural, mais ampla, evolui para o conceito de liberdade civil, mais era compatível com a inteligência crítica e especulativa, ideal do estado. Daí o reconhecimento da escravidão, que restringia INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 19 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  20. 20. consideravelmente os ideais teóricos da democracia direta. A Os regimes de governo são justos na medida em que asrevolução social do cristianismo baseou-se principalmente na liberdades são defendidas, mesmo em épocas de crise. Os princípiosdignificação do trabalho manual. Por conseguinte, durante a Idade gerais de direito são sempre os mesmos: processo legal, ausênciaMédia, o trabalho era considerado um dever social e mesmo de crueldade, respeito à dignidade humana. As formas de execuçãoreligioso do indivíduo. desses princípios também não variam. Resumem-se em leis Com o declínio das corporações de ofício, que controlavam anteriores, em garantias eficazes de defesa e, como sempre, acimao trabalho medieval, e o surgimento das oficinas de trabalho, de de tudo, em justiça independente e imparcial.características diferentes, entre as quais a relação salarial entre Suspensão das garantias constitucionais. No Brasil, aoperário e patrão, estão dadas as condições propícias ao capitalismo instabilidade do poder político e as lutas oligárquicas durante amercantilista da época do Renascimento e da Reforma. primeira república fizeram do estado de sítio e da intervenção Mais tarde, a burguesia, que dominara a revolução federal os centros de convergência dos debates jurídicos e dasfrancesa, viu-se diante dos problemas sociais decorrentes da ações políticas. Também o Supremo Tribunal Federal defrontou-serevolução industrial. Assim, tornou-se indispensável a intervenção freqüentemente com o problema. No entanto os fatos mais de umado estado entre as partes desiguais em confronto no campo do vez atropelaram o direito ao longo da história do Brasil.trabalho, para regular o mercado livre em que o trabalhador eracruelmente explorado. Atualmente não se pode conceber a proteção jurídica dosdireitos individuais sem o reconhecimento e a proteção dos direitossociais do homem, que são oponíveis não ao estado, mas ao capital,e têm na ação do estado sua garantia. Hoje existe um grande movimento pelo reconhecimento,definição e garantia internacionais dos direitos humanos. Em 10 dedezembro de 1948, a assembléia geral da Organização das NaçõesUnidas (ONU) adotou em Paris a Declaração Universal dos DireitosHumanos, que só terá força obrigatória quando for uma convençãofirmada por todos os países membros da ONU. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 20 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  21. 21. as religiões têm como característica comum o reconhecimento do RELIGIÃO sagrado (definição do filósofo e teólogo alemão Rudolf Otto) e a dependência do homem de poderes supramundanos (definição do O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao teólogo alemão Friedrich Schleiermacher). A observância e amundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de experiência religiosas têm por objetivo prestar tributos ecrenças, cerimônias e cultos -- muitas vezes centrados na figura de estabelecer formas de submissão a esses poderes, nos quais estáum ente supremo -- que o ajudam a compreender o significado implícita a idéia da existência de ser ou seres superiores queúltimo de sua própria natureza. Mitos, superstições ou ritos mágicos criaram e controlam o cosmos e a vida humana.que as sociedades primitivas teceram em torno de uma existência Aquelas características, que de certa forma não distinguemsobrenatural, inatingível pela razão, equivaleram à crença num ser uma religião de outra, levaram ao debate sobre religião natural esuperior e ao desejo de comunhão com ele, nas primeiras formas de religião revelada, o que recebeu significação especial nas teologiasreligião. judaica e cristã. O americano Mircea Éliade, historiador das Religião (do latim religio, cognato de religare, "ligar", religiões, denominou "hierofania" a essa manifestação do sagrado,"apertar", "atar", com referência a laços que unam o homem à ou seja, algo sagrado que é mostrado ao homem. Seja adivindade) é como o conjunto de relações teóricas e práticas manifestação do sagrado uma pedra ou uma árvore, seja a doutrinaestabelecidas entre os homens e uma potência superior, à qual se da encarnação de Deus em Jesus Cristo, trata-se sempre de umarende culto, individual ou coletivo, por seu caráter divino e sagrado. hierofania, de um ato misterioso que revela algo completamenteAssim, religião constitui um corpo organizado de crenças que diferente da realidade do mundo natural, profano.ultrapassam a realidade da ordem natural e que tem por objeto o Por mais que a mentalidade ocidental moderna possasagrado ou sobrenatural, sobre o qual elabora sentimentos, repudiar certas expressões rudimentares ou exóticas das religiõespensamentos e ações. primitivas, na realidade a pedra e a árvore não são adoradas Essa definição abrange tanto as religiões dos povos ditos enquanto tais, como expressões de algo sagrado, queprimitivos quanto as formas mais complexas de organização dos paradoxalmente transforma o objeto numa outra realidade. Ovários sistemas religiosos, embora variem muito os conceitos sobre sagrado e o profano configuram duas modalidades de estar noo conteúdo e a natureza da experiência religiosa. Apesar dessa mundo e duas atitudes existenciais do homem ao longo de suavariedade e da universalidade do fenômeno no tempo e no espaço, história. Contudo, as reações do homem frente ao sagrado, em INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 21 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  22. 22. diferentes contextos históricos, não são uniformes e expressam um naturais ou a necessidade de obter seus benefícios impeliu-o afenômeno cultural e social complexo, apesar da base comum. render-lhes veneração e culto. Embora não seja fácil elaborar uma classificação O fetichismo e o totemismo podem ser consideradossistemática das religiões, pode-se agrupá-las em duas categorias variantes do animismo. O fetichismo refere-se à denominação queamplas: religiões primitivas e religiões superiores. Nessa divisão, o os portugueses deram à religião dos negros da África ocidental equalificativo superior refere-se ao desenvolvimento cultural e não ao que se ampliou até confundir-se com o animismo. Consiste nanível de religiosidade. veneração a objetos aos quais se atribuem poderes sobrenaturais ou que são possuídos por um espírito. Mais que uma religião, o Religiões primitivas totemismo seria um sistema de crenças e práticas culturais que estabelece relação especial entre um indivíduo ou grupo de A importância do culto aos antepassados levou filósofos e indivíduos e um animal -- às vezes também um vegetal, umhistoriadores -- como Evêmero, no século IV a.C. -- a considerá-lo a fenômeno natural ou algum objeto material -- ao qual se rendeorigem da religião. As sepulturas paleolíticas corroboram essa algum tipo de culto e respeito e em relação ao qual se estabelecemopinião, pois comprovam já haver, naquele período, a crença numa determinadas proibições (uso como alimento, contato etc.).vida depois da morte e no poder ou influência dos antepassadossobre a vida cotidiana do clã familiar. Os integrantes do clã Religiões superioresobrigavam-se a praticar ritos em homenagem a seus defuntos pelotemor a represálias ou pelo desejo de obter benefícios ou, ainda, À medida que o homem passou a organizar sua existênciapor considerá-los divinizados. numa base racional, a multiplicidade de poderes divinos e sobre- No século XIX, os estudos realizados pelo antropólogo humanos do primitivo animismo não conseguiu mais satisfazer abritânico Edward Burnett Tylor deram origem ao conceito de necessidade de estabelecer uma relação coerente com as múltiplasanimismo, aplicado desde então a todas as religiões primitivas. forças espirituais que povoavam o universo. Surgiram assim asTylor sustentou que o homem primitivo, a partir da experiência do religiões politeístas, panteístas, deístas e monoteístas, expressõessonho e do fenômeno da respiração, concebeu a existência de uma das condições sociais e culturais de cada época e das característicasalma ou princípio vital imaterial que habitava todos os seres dos povos em que surgiram.dotados de movimento e vida. O temor diante dos fenômenos INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 22 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  23. 23. As religiões politeístas afirmam a existência de vários devem ser similares, reguladas com a mesma precisão e, portanto,deuses, aos quais rendem culto. Existem duas teorias contraditórias naturais. O período do Iluminismo (séculos XVII-XVIII) proclamou osobre a origem do politeísmo: para alguns, é a forma primitiva da culto à deusa razão e a revolução francesa ajudou a organizá-lo.religião, que mais tarde teria evoluído até o monoteísmo; paraoutros, ao contrário, é uma degeneração do monoteísmo primitivo.O politeísmo reflete a experiência humana de um universo no qualse manifestam diversas formas de poder sobre-humano; noentanto, nas religiões politeístas ocorre com freqüência umahierarquia, com um deus supremo que reina e que, em geral, podeser a origem dos demais deuses. O problema do politeísmo seriadelimitar o que se entende como deus ou como algo sobre-humano.Politeístas foram a religião grega e a romana. O panteísmo é uma filosofia que, por levar a extremos as As religiões monoteístas professam a crença num Deusnoções de absoluto e de infinito, próprias do conceito de Deus, único, transcendente -- distinto e superior ao universo -- e pessoal.chega a considerá-lo como a única realidade existente e, portanto, a Um dos grandes problemas do monoteísmo é a explicação daidentificá-lo com o mundo. É clássica a formulação do filósofo existência do mal no mundo, o que levou diversas religiões aBaruch Spinoza, no século XVII: Deus sive natura (Deus ou adotarem um sistema dualista, o maniqueísmo, fundado nosnatureza). Alguns filósofos gregos e estóicos foram panteístas, princípios supremos do bem e do mal.doutrina que também é a base fundamental do budismo. As grandes religiões monoteístas são o judaísmo, o Também uma corrente filosófica, o deísmo reconhece a cristianismo -- que professa a existência de um só Deus, apesar deexistência de Deus enquanto constitui um ser supremo de atributos reconhecer, como mistério, três pessoas divinas -- e o islamismo.totalmente indeterminados. Essa doutrina funda-se na religião Elementos característicos dos sistemas religiosos. Osnatural, que nega a revelação. O que o homem conhece a respeito princípios elementares comuns à maioria das religiões conhecidasde Deus não decorre apenas das deduções da própria razão na história podem agrupar-se nos seguintes capítulos: crenças,humana. Se o universo físico é regulado por leis segundo a vontade ritos, normas de conduta e instituições.de Deus, as relações entre Deus e o mundo moral e espiritual INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 23 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  24. 24. Toda religião pressupõe algumas crenças básicas, como a constituem a teologia ou ensinamento de cada religião, que enfocasobrevivência depois da morte, mundo sobrenatural etc., ao menos temas sobre a divindade, suas relações com os homens e oscomo fundamento dos ritos que pratica. Essas crenças podem ser problemas humanos cruciais -- a morte, a moral, as relaçõesde tipo mitológico -- relatos simbólicos sobre a origem dos deuses, humanas etc. Entre as crenças destaca-se, em geral, uma visãodo mundo ou do próprio povo; ou dogmático -- conceitos esperançosa sobre a salvação definitiva das calamidades presentes,transmitidos por revelação da divindade, que dá origem à religião que pode ir desde a mera ausência de sofrimento até a incógnita dorevelada e que são recolhidos nas escrituras sagradas em termos nirvana ou a felicidade plena de um paraíso.simbólicos, mas também conceituais. A manifestação das próprias crenças e anseios mediante ações simbólicas é inerente à expressividade humana. Da mesma forma, as crenças e sentimentos religiosos têm se manifestado através dos ritos, ou ações sagradas, praticados nas diferentes religiões. Até no budismo, contra o ensinamento de Buda, desenvolveram-se desde o começo diversas classes de rituais. Toda religião que seja mais do que uma filosofia gera uma série de ritos ao ser vivida pelo povo. Existem ritos culturais em honra à divindade, ritos funerários, ritos de bênçãos ou de consagração e muitos outros. Observa-se em geral, nas diversas religiões, a existência de ministros ou sacerdotes encarregados de celebrar os principais rituais e, em especial, o culto à divindade. Os atos mais importantes desse culto são oferendas e sacrifícios praticados em conjunto, com invocações e orações. Com freqüência celebram-se os ritos em lugares e épocas considerados sagrados, especialmente dedicados à divindade, e observados com escrupulosa exatidão através dos Os tempos.conceitos fundamentais organizam-se, de modo geral, em um credoou profissão de fé; as deduções ou explicações de tais conceitos INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 24 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)
  25. 25. O terceiro elemento característico de toda religião é oestabelecimento, mais ou menos coercitivo, de normas de condutado indivíduo ou do grupo no que se refere a Deus, a seussemelhantes e a si mesmo. O primeiro comportamento exigido é aconversão ou mudança para um novo modo de vida. Com relação aDeus, destacam-se as atitudes de veneração, obediência, oração e,em algumas religiões, o amor. Na conduta no âmbito da esferahumana entra, em maior ou menor medida, um sistema de normaséticas. Quase todas as religiões cristalizam-se em algumasinstituições dogmáticas (doutrinárias) e cultuais (sacerdócio,hierarquia). Muitas delas chegam a institucionalizar a conduta, coma criação até mesmo de tribunais de justiça e sanções e a organizaradministrativamente as diversas comunidades de crentes e suaspropriedades. Essas instituições dão forma e coesão aos crentescomo um grupo social -- religião, povo, igreja, comunidade; a elassomam-se outras instituições voluntárias de tipo assistencial ou deplena dedicação religiosa, que correspondem a grupos informaisdentro do grupo institucionalizado. As instituições consideramimprescindível a forma externa, enquanto que a fé considera oespírito interno como essencial à religião. INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO 25 JOSÉ AUGUSTO FIORIN (ORG.)

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