A TROVA
Organização: José Feldman
Maringá/2014
Luiz Otávio..................................................................................................................
8ª regra – Encontros Vocálicos Ascendentes (***).............................................................................
Palestra sobre Trovas .......................................................................................................
Fundo metafísico:............................................................................................................
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Luiz Otávio
Decálogo de Metrificação para Trovadores
(É o resumo de um ensaio e de um relatório, ambos sobre metrificaçã...
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6) – Pode haver a junção de três vogais numa sílaba métrica.
§- Não deve haver mais de uma vogal forte.
§- No caso em qu...
3
9) – Nos encontros vocálicos descendentes (formados por vogais ou semivogais tônicas) seguidas de
vogais ou semi-vogais ...
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AFÉRESE
Supress~o de sílabas ou fonema inicial (‚/inda‛).
APÓCOPE
Supress~o de sílaba ou fonema final (‚mui/‚).
CRASE
Fu...
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ECTLIPSE
Supressão de um fonema nasal final para possibilitar a crase ou ditongação (sinérese) com a vogal
inicial da pa...
6
JUNÇÃO
‚designaç~o de Luiz Ot|vio‛ – No sentido generalizado para traduzir a união de sílabas métricas,
Abrange pois, os...
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SÍNCOPE
Supressão de fonema ou sílaba no meio da palavra (‚p/ra‛).
SINÉRESE
Transformaç~o de um hiato em ditongo, na mes...
8
TROVAS DEMONSTRATIVAS Da aplicação das dez regras da Metrificação
Estas trovas foram feitas para demonstrar os diferente...
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4ª regra – Vogal Fraca + Fraca (ou forte)
Podes crer és muito injusto
e estás longe da verdade;
pois na Trova, a todo cu...
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8ª regra – Encontros Vocálicos Ascendentes (***)
Na Trova, soneto ou poema,
em toda a parte do mundo,
se a Forma é o se...
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‚Tendo Paciência e Estudo Você Versejar| Tecnicamente Direito Encontrando Estética e Lirismo.‛
Nesta frase temos:
T = t...
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Luiz Otávio
Aspectos da Trova Humorística
Autor: Luiz Otávio (Editado pela U.B.T. – União Brasileira de Trovadores) des...
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De resto, até mesmo em trovas líricas, pode aparecer o erotismo explorado de maneira sutil e
inteligente, emprestando f...
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3- EMPREGO DE NOMES PRÓPRIOS
Os nomes próprios vêm sendo usados, sem discriminação, em vários gêneros literários. Na pr...
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a- O nome próprio, em alguns casos, dá mais autenticidade ao assunto;
b- Há nomes próprios que, por si sós, pelo grotes...
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5- PORNOGRAFIA
Muito embora o teatro moderno venha usando, ostensiva e abusivamente, a pornografia, quer parecer-
nos q...
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7- USO DO “PRA”
Sabemos que a União Brasileira de Trovadores pretende criar Comissão para, entre outros assuntos,
exami...
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Como Fazer Trovas e Ser Trovador
Cada verso da trova é feito de palavras escolhidas para métrica e formação de sons poé...
19
A trova é feita de palavras que devem ser as melhores ao tema proposto. A maioria dos poetas
premiados em concursos esc...
20
Tratado de Versificação, na II parte trata da Métrica. Castilho, também, preocupado com a arte
deixou-nos orientações s...
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O que precisamos saber para fazer uma trova? Saber o que é uma trova! Estudar a vida da trova!
Sentir que no telúrico n...
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Orientação para Participação em Concurso de Trovas
1 – Não envie a mesma trova para mais de um concurso.
2 – Nos envelo...
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10 – A Comissão de seleção das trovas do concurso elimina apenas as trovas com erros, fora do
tema, sem sentido, etc., ...
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Sávio Soares de Sousa
Trova: Tempo & Espaço
É fato sabido e consabido que os tempos mudam e, com os tempos, mudamos nós...
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maliciosa); didática (instrutiva, pedagógica, doutrinária, biográfica); descritiva (aquarela em
miniatura, retrato sint...
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TROVAS HUMORÍSTICAS
Papai manda, se é solteira…
Marido, quando casada…
Manda a vizinhança inteira
se é viúva ou desquit...
27
Como poema autônomo, forçoso é que o sentido da trova fique completo dentro dessas quatro linhas –
requisito indispensá...
28
Os trovadores de Aquém e de Além-Mar contam-se, em nossos tempos pela casa dos milhares. E a trova
é cultivada, com êxi...
29
em Toulouse, na França, no ano de 1323, por poetas desejosos de manter as tradições e o lirismo da
poesia palaciana. O ...
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não sou senhor nem de mim.‛
Ao fim de tudo, a animadora verdade é que o número de excelentes trovadores tem crescido
co...
31
Thalma Tavares
O Trovador e a Trova
O objetivo neste pequeno ensaio, que dedico aos novos irmãos Trovadores, não é tant...
32
humana. Faz da Trova uma profissão de fé, um eloqüente atestado de suas crenças, de suas
convicções, assim como faz SAR...
33
diminuta parcela de um todo difícil de registrar. Nos limitaremos, pois, a dar apenas uma ligeira
mostra do gênio dessa...
34
‚O amor e a morte, a rigor,
são faces da mesma sorte:
no fim da palavra amor
começa a palavra morte!‛
Eis aqui uma Trov...
35
compõe-se, afinal, a vida:
– mil despedidas pequenas
e uma Grande despedida!‛
O Trovador DIAS MONTEIRO, extasiado ante ...
36
‚Papai do Céu t| RANZINZA!
– diz meu netinho assustado:
Pintou todinho de CINZA
o lindo céu azulado!‛
E vejam o que fez...
37
por um descuido de Deus.‛
CONCHITA MOUTINHO DE ALMEIDA, saudosa Trovadora da UBT-São Paulo, referindo-se à sua
alma de ...
38
E a escuridão sai da frente
como quem foge, assustada.‛
O Trovador fluminense VILMAR LASSENCE, foi vencedor de um concu...
39
encontrado sua morada e jamais perderá o seu encanto. E, com esta certeza, eu posso lhes confiar
um segredo:
Se o desti...
40
Agenir Leonardo Victor
A Trova na Atualidade
A trova medieval, que, em forma de cantigas, partiu do sul da França e esp...
41
antiga Pérsia (uma quadra de versos decassílabos), com o limerick (uma estrofe de 5 versos,
popular nos países de língu...
42
prática, centralizados única ou prioritariamente na trova, tiveram início realmente em Nova
Friburgo.
Na introdução do ...
43
MG – Baependi, Belo Horizonte, Bueno Brandão, Divinópolis, Guaxupé, Juiz de Fora, Monte Carmelo,
Manhumirim, Montes Cla...
44
Missa em trovas
Em 1970, em Maringá, como ato de abertura do II Festival Brasileiro de Trovadores, foi celebrada
pela p...
45
Num outro gesto ele faz
aparecer sobre a terra
toda espécie de animais:
os da planície e os da serra.
E o paraíso está ...
46
e a missão de conceber
um grande povo de irmãos.
Organização
O trovismo é o primeiro grande movimento literário a organ...
47
etc. Nas reuniões festivas, é habitual oferecer-se um coquetel simples, cada um dos participantes
levando alguns doces,...
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PR), Quatro Versos (Nova Friburgo-RJ), Trovalegre (Pouso Alegre-MG), Trovanatal (Natal-RN), Trovia
(Maringá-PR).
Até a ...
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Todos esses meios de divulgação, somados aos livros que cada trovador periodicamente publica,
contribuem para que a red...
50
príncipe dos trovadores brasileiros. E também têm seu patrono, São Francisco de Assis, que foi um
dos mais importantes ...
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mais feliz e menos louco!
Si la gente, cuando hablase,
meditara antes un poco,
tal vez el mundo quedase
más feliz y men...
52
Olhando a melancolia
que tu levavas no olhar,
lembrei-me da lua fria
sobre uma campa a brilhar.
Such melancholy stare
s...
53
lembrar também que vogais vizinhas são em geral pronunciadas separadamente nos casos de hiato, e
se juntam quando não o...
54
Certamente, não são apenas os pormenores técnicos que fazem a beleza da trova. Muitas delas há em
que normas tidas como...
55
Maria Nascimento Santos Carvalho
Palestra sobre Trovas
Meus amigos :
Gostaríamos, neste momento, de poder dizer Trovas ...
A Trova (org. José Feldman)
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  1. 1. A TROVA Organização: José Feldman Maringá/2014
  2. 2. Luiz Otávio........................................................................................................................................................................................... 1 Decálogo de Metrificação para Trovadores ...................................................................................................................................... 1 GLOSSÁRIO................................................................................................................................................................................. 3 AFÉRESE ................................................................................................................................................................................. 4 APÓCOPE ................................................................................................................................................................................ 4 CRASE...................................................................................................................................................................................... 4 DIÉRESE .................................................................................................................................................................................. 4 DITONGO ................................................................................................................................................................................. 4 DITONGO CRESCENTE........................................................................................................................................................... 4 DITONGO DECRESCENTE...................................................................................................................................................... 4 ECTLIPSE................................................................................................................................................................................. 5 ELISÃO..................................................................................................................................................................................... 5 ENCONTROS CONSONANTAIS .............................................................................................................................................. 5 HIATO ....................................................................................................................................................................................... 5 ENCONTROS VOCÁLICOS ASCENDENTES .......................................................................................................................... 5 JUNÇÃO ................................................................................................................................................................................... 6 POSTJUNÇÃO.......................................................................................................................................................................... 6 PREJUNÇÃO............................................................................................................................................................................ 6 SEMIVOGAIS............................................................................................................................................................................ 6 SÍLABA OU MÉTRICA ou SÍLABA POÉTICA............................................................................................................................ 6 SINALEFA................................................................................................................................................................................. 6 SÍNCOPE.................................................................................................................................................................................. 7 SINÉRESE................................................................................................................................................................................ 7 SUARABACTI ........................................................................................................................................................................... 7 TÔNICA..................................................................................................................................................................................... 7 VOGAIS .................................................................................................................................................................................... 7 VOGAL FORTE ou FRACA....................................................................................................................................................... 7 TROVAS DEMONSTRATIVAS Da aplicação das dez regras da Metrificação............................................................................... 8 1ª regra – Última Tônica............................................................................................................................................................ 8 2ª regra – Pontuação................................................................................................................................................................. 8 3ª regra – Encontros Consonantais........................................................................................................................................... 8 4ª regra – Vogal Fraca + Fraca (ou forte) .................................................................................................................................. 9 5ª regra – Vogal Forte + Fraca .................................................................................................................................................. 9 6ª regra – Junção de Três Vogais ............................................................................................................................................. 9 7ª regra – Ditongos.................................................................................................................................................................... 9
  3. 3. 8ª regra – Encontros Vocálicos Ascendentes (***)................................................................................................................... 10 9ª regra – Encontros Vocálicos Descendentes........................................................................................................................ 10 10ª regra – Licenças – Aféreses – Síncopes – Apócopes – Ectlipses...................................................................................... 10 Luiz Otávio......................................................................................................................................................................................... 12 Aspectos da Trova Humorística...................................................................................................................................................... 12 1- A MALÍCIA:............................................................................................................................................................................. 12 2- A CRÍTICA, A SÁTIRA, A IRREVERÊNCIA ............................................................................................................................ 13 3- EMPREGO DE NOMES PRÓPRIOS...................................................................................................................................... 14 4- USO DE GÍRIA ....................................................................................................................................................................... 15 5- PORNOGRAFIA ..................................................................................................................................................................... 16 6- ANEDOTAS............................................................................................................................................................................ 16 7- USO DO “PRA”....................................................................................................................................................................... 17 Como Fazer Trovas e Ser Trovador................................................................................................................................................... 18 Orientação para Participação em Concurso de Trovas ...................................................................................................................... 22 Sávio Soares de Sousa...................................................................................................................................................................... 24 Trova: Tempo & Espaço................................................................................................................................................................. 24 TROVAS LÍRICAS ...................................................................................................................................................................... 25 TROVAS FILOSÓFICAS............................................................................................................................................................. 25 TROVAS HUMORÍSTICAS......................................................................................................................................................... 26 TROVAS DESCRITIVAS ............................................................................................................................................................ 26 E que é um Trovador? ................................................................................................................................................................ 27 Thalma Tavares................................................................................................................................................................................. 31 O Trovador e a Trova ..................................................................................................................................................................... 31 Agenir Leonardo Victor ...................................................................................................................................................................... 40 A Trova na Atualidade .................................................................................................................................................................... 40 Era da síntese............................................................................................................................................................................. 40 Confraternização......................................................................................................................................................................... 41 Expansão.................................................................................................................................................................................... 42 Maringá....................................................................................................................................................................................... 43 Missa em trovas.......................................................................................................................................................................... 44 Organização ............................................................................................................................................................................... 46 Presença na mídia...................................................................................................................................................................... 47 Concursos................................................................................................................................................................................... 49 Exportação.................................................................................................................................................................................. 50 Técnica....................................................................................................................................................................................... 52 Maria Nascimento Santos Carvalho................................................................................................................................................... 55
  4. 4. Palestra sobre Trovas .................................................................................................................................................................... 55 A TROVA.................................................................................................................................................................................... 55 Trovadorismo..................................................................................................................................................................................... 68 origens ........................................................................................................................................................................................... 68 Mas por que em galaico-português?........................................................................................................................................... 68 CRÔNICAS, HAGIOGRAFIAS E LIVROS DE LINHAGENS ....................................................................................................... 69 NOVELAS DE CAVALARIA ........................................................................................................................................................ 69 POESIA TROVADORESCA........................................................................................................................................................ 70 1. Cantigas de amor ................................................................................................................................................................ 71 2. Cantigas de amigo............................................................................................................................................................... 72 3. Cantigas de escárnio e de maldizer..................................................................................................................................... 73 Mais Sobre Trovadorismo .................................................................................................................................................................. 76 Tipos de Cantiga......................................................................................................................................................................... 76 Temas......................................................................................................................................................................................... 77 Cantiga de Amor ..................................................................................................................................................................... 77 Cantiga de Amigo.................................................................................................................................................................... 78 Cantigas de escárnio e de maldizer......................................................................................................................................... 78 Autores (Trovadores).................................................................................................................................................................. 79 Paio Soares Taveirós .............................................................................................................................................................. 79 D. Dinis.................................................................................................................................................................................... 79 D. Afonso X............................................................................................................................................................................. 79 D. Duarte................................................................................................................................................................................. 80 Fernão Lopes.......................................................................................................................................................................... 80 Frei João Álvares .................................................................................................................................................................... 80 Gomes Eanes de Zurara ......................................................................................................................................................... 80 NILTON MANOEL DE ANDRADE TEIXEIRA..................................................................................................................................... 81 DIDÁTICA DA TROVA ................................................................................................................................................................... 81 RESUMO.................................................................................................................................................................................... 81 INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................................ 82 A TROVA ATRAVÉS DOS SÉCULOS........................................................................................................................................ 83 Trova é poesia! ........................................................................................................................................................................... 88 Filosófica:................................................................................................................................................................................ 89 Formativa: ............................................................................................................................................................................... 89 Promocionais:.......................................................................................................................................................................... 90 Humorística:............................................................................................................................................................................ 90 Lírica: ...................................................................................................................................................................................... 90
  5. 5. Fundo metafísico:.................................................................................................................................................................... 91 Homenagem:........................................................................................................................................................................... 91 A ESTRUTURA POÉTICA DA TROVA ....................................................................................................................................... 98 2.1 SOBRE A DEFINIÇÃO DE TROVA..................................................................................................................................... 101 O que são Jogos Florais? ......................................................................................................................................................... 103 2.2 ORIENTAÇÕES E CUIDADOS QUE AJUDAM.................................................................................................................. 107 PRÁTICA DA TROVA EM SALA DE AULA............................................................................................................................... 110 3.1 AINDA SE FAZEM TROVAS COMO ANTIGAMENTE ........................................................................................................ 113 3.2 COMO FAZER TROVAS E SER TROVADOR.................................................................................................................... 114 CONCLUSÃO........................................................................................................................................................................... 124 A. A. DE ASSIS................................................................................................................................................................................ 126 BELA ALMA A DO POETA........................................................................................................................................................... 126 A. A. DE ASSIS................................................................................................................................................................................ 127 LIVROS DE TROVAS................................................................................................................................................................... 127 HERMOCLYDES S. FRANCO ......................................................................................................................................................... 128 ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO EM TROVAS............................................................................................................................ 128 HINO DOS TROVADORES.................................................................................................................................................................130
  6. 6. 1 Luiz Otávio Decálogo de Metrificação para Trovadores (É o resumo de um ensaio e de um relatório, ambos sobre metrificação, de autoria de LUIZ OTÁVIO com a colaboração de 53 trovadores de diversas seções da UBT (União Brasileira dos Trovadores) e também de Portugal) DECÁLOGO DE METRIFICAÇÃO 1) – As sílabas são contadas até a última tônica do verso. 2) – As pontuações não impedem as junções de sílabas. 3) – Não se deve fazer o aumento de uma sílaba métrica nos encontros consonantais disjuntos, (ou seja: n~o usar ‚suarabacti‛). Exemplo: ‚ig-no-ro‛ e n~o ‚i-gue-no-ro‛ 4) – Uma vogal fraca faz junção com a vogal fraca ou forte inicial da palavra seguinte. § único – Aceitam-se exceções a esta regra no sentido de evitar a formação de sons duros e desagradáveis. Exemplo: Ventura única – venturúnica. 5) – Uma vogal forte, pode ou não, fazer junção com vogal fraca da palavra seguinte, no entanto jamais deve fazê-la com vogal forte. § único – Nos casos em que se prefira a junç~o ‚forte + fraca‛, deve-se ter sempre o cuidado de evitar sons desagrad|veis: ‚mais que tu/ardo‛ ou formar novas palavras: vi/a moça
  7. 7. 2 6) – Pode haver a junção de três vogais numa sílaba métrica. §- Não deve haver mais de uma vogal forte. §- No caso em que a vogal forte não esteja colocada entre as vogais fracas e sim em 1* e 3* lugar, para que seja correta a junção, as duas vogais fracas devem juntar-se por crase ou por elisão, e não por sinalefa (ditongação). Assim, estará certo: ‚é a ambiç~o que nos prende‛, e n~o se pode unir as três vogais de ‚e a / intima palavra‛. §- Deve ser usada com cuidado a junção de mais três vogais, embora haja casos corretos de quatro e até de cinco vogais. 7) – Os ditongos aceitam as pré-junções com vogais fracas: ‚E eu‛. As post-junções s~o aceitas somente nos ditongos crescentes (encontros inst|veis): ‚a dist}ncia infinita‛, e s~o repelidas nos ditongos decrescentes: ‚Eu sou/a que no mundo … § Único – Há casos de uso facultativo de pré-junção de vogais fortes aos ditongos, quando essas vogais são as mesmas dos iniciais dos ditongos e não forem as tônicas das palavras. Aceita-se: ‚ser| auspiciosa‛, e é inaceit|vel: ‚ter|/auto‛. 8) – Nos encontros vocálicos ascendentes (formados por vogais ou semivogais tônicas), a sinérese é de uso facultativo. Exemplo: ‚ci/ú/me‛ ou ‚ciú/me‛; ‚po/e/ta‛ ou ‚poe/ta‛. § Único – Há neste grupo, excepcionalmente, encontros vocálicos que não aceitam a sinérese. Geralmente, s~o formados pela vogal ‚a‛ seguida das vogais ‚a‛, ‚e‛ ou ‚o‛. Exemplo: Sa/ara, a/éreo, a/orta, ou, em alguns casos, da mesma vogal ‚a‛ seguida das semi-vogais ‚i‛ ou ‚u‛ tônicas, como em: ‚para/íso, ‚ba/ú‛.
  8. 8. 3 9) – Nos encontros vocálicos descendentes (formados por vogais ou semivogais tônicas) seguidas de vogais ou semi-vogais |tonas) n~o se aceita a sinérese (‚tua‛, ‚lua‛, ‚frio‛, ‚rio‛ etc., e sim, ‚tu/a‛, ‚su/a‛,‛fri/o‛, ‚ri/o‛, etc.) § Único – Em algumas regiões do Brasil é usada a sinérese nestes encontros vocálicos, com base na fonética local. No entanto, não será aceita na Metrificação, em benefício da uniformidade, uma vez que na maioria dos Estados é feita a separação dessas vogais. 10) – 0 uso da aférese (‚inda‛, etc), síncope (‚pra‛, etc), apócope (‚mui‛, etc) e de ectilípse (com a, com o, com as, com os) é facultativo. § 1º – A junç~o de ‚com‛ mais palavras iniciadas com vogais |tonas é correta mas pouco usada. Acompanhando a maioria dos poetas, sempre que possível, deve ser evitada. Exemplo: ‚com amor‛. § 2º – A junç~o de ‚com‛ mais palavras iniciadas com vogais tônicas não será aceita. Exemplo: ‚com esta‛. § 3º – A junç~o de fonemas anasalados ‚am‛, ‚em‛, ‚im‛, etc., com vogais |tonas ou tônicas n~o será aceita. Exemplo: ‚formaram‛ / idéias‛, ‚cantaram / hinos‛ etc. § 4º – É preciso cuidado com o uso de aféreses, síncopes e apócopes que, por estarem em desuso ou por formarem, geralmente, sons desagradáveis, irão ferir a sensibilidade dos leitores e dos ouvintes. GLOSSÁRIO Por ordem alfabética, para melhor compreensão do Decálogo de Metrificação.
  9. 9. 4 AFÉRESE Supress~o de sílabas ou fonema inicial (‚/inda‛). APÓCOPE Supress~o de sílaba ou fonema final (‚mui/‚). CRASE Fus~o de duas vogais numa só (‚a alma‛) (‚e este‛). DIÉRESE Transformaç~o de um ditongo num hiato (‚sa/u-da-de‛). DITONGO Fusão de uma vogal + semivogal, ou vice-versa; na mesma sílaba. (‚sai‛) (‚falei‛) (‚Niterói‛) DITONGO CRESCENTE Semivogal + vogal (‚p|tria‛) (‚gênio‛) (‚diabo‛). DITONGO DECRESCENTE Vogal + semivogal (‚p~o‛) (‚meu‛) (‚dourado‛)
  10. 10. 5 ECTLIPSE Supressão de um fonema nasal final para possibilitar a crase ou ditongação (sinérese) com a vogal inicial da palavra seguinte. (‚com o‛) (‚com amor‛) ELISÃO supress~o da vogal |tona no final de uma palavra. (‚Ela estava‛ = ‚Elestava‛). ENCONTROS CONSONANTAIS Duas consoantes unidas: A. inseparáveis – (‚bl – bloco‛) (‚fl – ‚flor‛) ou ‚grupos consonantais‛. B. separáveis (‚gn – ignóbil‛) (‚bs – observar‛) ou ‚encontros consonantais disjuntos‛. HIATO uma sílaba terminada, por vogal-base seguida de outra iniciada também por vogal-base. (‚re/eleger‛) (‚ca/olho‛) (‚a/éreo) (Rocha Lima); Encontro de duas vogais pronunciadas em dois impulsos distintos, formando sílabas diferentes. (‚Sa/ara‛) (‚podi/a‛) (‚sa/úde‛) (Cegalla). ENCONTROS VOCÁLICOS ASCENDENTES ‚designaç~o de Luiz Ot|vio‛ – Encontro de duas vogais ou semivogais, pronunciadas separadamente, sendo a primeira fraca e a segunda forte. (‚di/a‛) (‚tu/a‛) (‚ri/o‛) (‚fri/o‛).
  11. 11. 6 JUNÇÃO ‚designaç~o de Luiz Ot|vio‛ – No sentido generalizado para traduzir a união de sílabas métricas, Abrange pois, os diferentes processos de diminuição de sílabas poéticas. comumente e erradamente empregada pela maioria dos poetas como elisão. Ver no Glossário, os vários processos ou métodos para diminuir as sílabas métricas ou processos de fazer a junção de sílabas: crase, elisão, sinalefa, sinérese, aférese, síncope, apócope e ectilipse. POSTJUNÇÃO ‚designaç~o de Luiz Ot|vio‛ – Junção posterior a uma sílaba ou palavra. PREJUNÇÃO ‚designaç~o de Luiz Ot|vio‛ – Junção anterior a uma sílaba ou palavra. SEMIVOGAIS S~o os fonemas ‚i‛ e ‚u‛, quando ao lado de uma vogal formam uma sílaba com ela. Assim em ‚pai‛ e em ‚mau‛, o ‚i‛ e o ‚u‛ funcionam com valor de consoante; em ‚lu/ta‛ e em vi/da‛, funcionam com função de vogal. SÍLABA OU MÉTRICA ou SÍLABA POÉTICA São sílabas usadas nos versos, têm contagem diferente das sílabas gramaticais. SINALEFA Fus~o ou junç~o de vogais ou semivogais, entre duas palavras, formando ditongo (‚Este amor = Esteamor‛).
  12. 12. 7 SÍNCOPE Supressão de fonema ou sílaba no meio da palavra (‚p/ra‛). SINÉRESE Transformaç~o de um hiato em ditongo, na mesma palavra. (‚ci/ú/me em ciú/me‛). SUARABACTI Aumento de uma sílaba métrica, pela pronúncia das vogais de apoio, nos encontros consonantais disjuntos‛ (‚i/gui/no/rar‛) – Luiz Otávio. TÔNICA Sílaba forte, acentuada. VOGAIS Fonemas sonoros, que se produzem pelo livre escapamento do ar pela boca e se distinguem entre si por seu timbre característico‛ – Rocha Lima. VOGAL FORTE ou FRACA A vogal átona ou acentuada (tônica) da palavra ou do verso.
  13. 13. 8 TROVAS DEMONSTRATIVAS Da aplicação das dez regras da Metrificação Estas trovas foram feitas para demonstrar os diferentes casos de aplicações das dez regras da METRIFICAÇÃO. Têm, pois, finalidade puramente didática. Devemos observar em cada uma, pela numeração, a aplicação da Regra de número correspondente. 1ª regra – Última Tônica Poderá a força elétrica de um sábio computador ensinar contagem métrica mas n~o faz um trovador… 2ª regra – Pontuação Pensa em calma! Evita errar, Injusto é se nos reprovas, Pois não queremos mudar o modo de fazer trovas 3ª regra – Encontros Consonantais Você pode acreditar ter a pura convicção que a ninguém vou obrigar a ter a minha opini~o…
  14. 14. 9 4ª regra – Vogal Fraca + Fraca (ou forte) Podes crer és muito injusto e estás longe da verdade; pois na Trova, a todo cust,o defendo a espontaneidade… 5ª regra – Vogal Forte + Fraca É uma história bem correta em tudo o ensino é preciso, no entanto, só / o poeta quer ser gênio de improviso… 6ª regra – Junção de Três Vogais Esta é uma Trova indiscreta, convenções, mal amparadas, induzem muito poeta a convicções enraizadas. 7ª regra – Ditongos Para medir nossos versos, se o ouvido fosse o juiz, em nossos ‚metros‛ diversos ninguém poria o nariz…
  15. 15. 10 8ª regra – Encontros Vocálicos Ascendentes (***) Na Trova, soneto ou poema, em toda a parte do mundo, se a Forma é o seu di/adema Su/a alma é sempre o fundo! 9ª regra – Encontros Vocálicos Descendentes As dúvidas são pequenas, não sejas tão pessimista, dá-me a tu/a ajuda, apenas, e será bela a conquista. 10ª regra – Licenças – Aféreses – Síncopes – Apócopes – Ectlipses. É mui/to feio crificar(apócope) a/inda que seja um direito (aférese) p/ra ser justo, aulas vem dar (síncope) Com/ o teu plano sem defeito… (ectlípse) (***) Na trova de exemplo, da REGRA 8, ENCONTROS VOCÁLICOS ASCENDENTES, Luiz Otávio dá as duas formas de contagem de sílabas: – poe/ma e di/a/dema, entretanto isto é feito apenas como um exemplo pois: NÃO SE PODE USAR AS DUAS CONTAGENS NA MESMA TROVA. UMA FRASE DE LUIZ OTÁVIO PARA DECORAR AS DEZ REGRAS
  16. 16. 11 ‚Tendo Paciência e Estudo Você Versejar| Tecnicamente Direito Encontrando Estética e Lirismo.‛ Nesta frase temos: T = tônica; P = pontuação; E = encontros consonantais; V = vogal fraca; V = vogal forte; T = três vogais; D = ditongos; E = encontros vocálicos ascendentes; E = encontros vocálicos descendentes; L = licenças poéticas). OBSERVAÇÃO – Este DECÁLOGO foi aprovado pelo Conselho Nacional da UBT e é, portanto, o melhor guia, tanto para aqueles que concorrem como para aqueles que julgam. A UBT (União Brasileira de Trovadores) sente-se orgulhosa em proporcionar a oportunidade a um grande número de trovadores de conhecer o DECÁLOGO DE METRIFICAÇÃO onde, além de LUIS OTÁVIO, colaboraram grande nomes da Trova, entre outros podemos citar: Carlos Guimarães; Carolina Ramos; Lilinha Fernandes; Helvécio Barros; Vera Vargas; Milton Nunes Loureiro; Sávio Soares de Souza; Manita; Joubert A. Silva; Vasques Filho; David de Araújo; Rodolpho Abbud; Jacy Pacheco; Ivo dos Santos Castro; Micaldas Corrêa e Dimas Lopes de Almeida (Portugal). Fontes: Revista dos XXV Jogos Florais de Bandeirantes/PR – 2008.
  17. 17. 12 Luiz Otávio Aspectos da Trova Humorística Autor: Luiz Otávio (Editado pela U.B.T. – União Brasileira de Trovadores) designada para estudar alguns aspectos da Trova Humorística 1- A MALÍCIA: Embora o conceito de malícia seja variável de pessoa para pessoa, há certo tipo de malícia que chova, de imediato, a quem a ouve. Assim, o leitor de alguma sensibilidade e cultura saberá distinguir a malícia fina, daquela que traz humorismo grosseiro. A malícia, em nossa opinião, mesmo tendendo para o plano sexual, quando bem dosada, sutil, é perfeitamente aceitável em Trova. Vejamos, por exemplo, esta trova de A. Bobela Mota, trovador português, em que há malícia com fundo sexual e que, entretanto, é plenamente aceitável: ‚Graças a certo percalço, Encontraste, enfim, marido… Como vês, um passo em falso Nem sempre é um passo perdido…‛ Ou esta outra de Antônio Carlos Teixeira Pinto: ‚Minha sogra é mesmo o fim, eu digo e sinto vergonha: dúvida tanto de mim, que acredita na cegonha…‛
  18. 18. 13 De resto, até mesmo em trovas líricas, pode aparecer o erotismo explorado de maneira sutil e inteligente, emprestando força poética à mensagem, sem chocar a sensibilidade do ouvinte ou leitor. 2- A CRÍTICA, A SÁTIRA, A IRREVERÊNCIA É inconveniente a trova que, de modo intencional, ofende, genericamente, um grupo, uma instituiç~o, uma classe… Todavia, consideramos que é perfeitamente v|lida, aquela que toma, individualmente, um elemento pertencente a uma determinada profissão ou grupo, para desse indivíduo, assim isolado, fazer motivo de humor. Como exemplo. Citaremos a conhecida trova de Antônio Salles, que satiriza, ao mesmo tempo, um militar e um médico, sem que, com esta sátira, ofenda a classe médica ou militar: ‚ Eis um médico fardado -que perfeito matador!- quem escapar do soldado, n~o escapa do doutor…‛ Excepcionalmente, pode-se aceitar a trova, mesmo quando faz crítica a uma classe, porém sem premeditação de ofensa, isto é, com intenção, apenas, de fazer graça. Tomemos, para exemplo, a Trova de Elton Carvalho que, por coincidência, é militar: ‚ A mulher do militar deve pagar mais imposto, só pelo fato de usar sempre um marido… com…posto…‛ Ora, ainda que seja uma graça extensiva a toda uma classe – a mulher do militar – não há absolutamente , ofensa ou crítica, mas tão somente, o humorismo ingênuo de um trocadilho.
  19. 19. 14 3- EMPREGO DE NOMES PRÓPRIOS Os nomes próprios vêm sendo usados, sem discriminação, em vários gêneros literários. Na prosa, Machado de nomes adequados, para dar maior ênfase àquilo que escreviam. O sofrimento ou o riso, não raro se estampavam no nome que era dado ao personagem, principalmente o riso, pois Assis, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e outros, escolhiam os temas humorísticos facilitam enormemente a escolha do nome, vamos dizer, engraçado. Na poesia desde os clássicos, quantas vezes os nomes inventados ou verdadeiros passaram a ficar indissoluvelmente ligados aos autores, Quem não se recorda de Marília de Dirceu, de Laura de Petrarca, de Beatriz de Dante? Na música popular, vemos uma infinidade de nomes que se tornaram celebres, através de valsas, polcas, canções, no passado,e, em outros gêneros musicais, no presente. Branca, Gilca, Maria, Neusa, Nanci, Amélia, Dora, Aurora, Marina, e, Bem recentemente, Carolina, Luciana, Ana Maria, Isabela, etc… etc… S~o alguns dos nomes focalizados pela música popular. Nos anúncios de r|dio e da televisão, anúncios muitas vezes estudados por equipes compostas de elementos formados em faculdades de comunicação, quantas vezes, o nome próprio aparece para facilitar a memorização daquilo que se pretende anunciar. Ent~o aí os Apolônios, Jeremias, os Sugismundos… Na própria trova lírica ou filosófica, quantas premiadas em concursos, ou consagradas pelo gosto popular, trazem nomes próprios! Exemplo: ‚ Maria, só por maldade, deixou-me a casa vazia: Dentro da casa a saudade, E na saudade, -Maria!‛ Esta trova, de Anis Murad, é uma das muitas que poderíamos citar e que foi classificada em 1º lugar, nos II Jogos Florais de Nova Friburgo. E quantas mais, não só em Nova Friburgo. Como em outras cidades, têm aparecido, principalmente, com o nome de Maria, quase um símbolo dos trovadores… Há, além dos argumentos acima, outros que poderemos lembrar, em favor do aproveitamento de nomes próprios na trova humorística, tais como:
  20. 20. 15 a- O nome próprio, em alguns casos, dá mais autenticidade ao assunto; b- Há nomes próprios que, por si sós, pelo grotesco que apresentam, trazem mais humor à trova; c- Em alguns casos, a trova gira, essencialmente, em torno do nome próprio usado; d- Se encontramos, muitas vezes, trovas de rimas forçadas – humorísticas ou não – por que não usar o nome próprio que, além de facilitar a rima, pode trazer mais graça e fluência à trova? Portanto, em nosso entender, é perfeitamente válido o uso de nomes próprios nas trovas, principalmente, humorísticas. 4- USO DE GÍRIA No capítulo da gíria, cabem as mesmas considerações que fizemos com relação aos nomes impróprios. Tanto na poesia humorística, como na prosa e, principalmente, no teatro, a gíria está presente. Não esqueçamos, também, que a gíria de hoje, amanhã poderá estar incorporada ao vernáculo. Assim tem acontecido em várias épocas, no processo evolutivo das línguas. Chega-nos, agora, através do rádio, a notícia que o DNER do Ceará, numa experiência inusitada, est|, em alguns lugares, substituindo as cl|ssicas advertências de ‚cuidado‛, ‚devagar‛, por outras, bem modernas, onde a gíria é o principal ingridientes: ‛manera aí, bicho!‛, ou ‚v| em marcha de paquera‛, etc… Portanto, achamos perfeitamente natural o uso da gíria em trova humorística, por sua característica eminentemente popular.
  21. 21. 16 5- PORNOGRAFIA Muito embora o teatro moderno venha usando, ostensiva e abusivamente, a pornografia, quer parecer- nos que quase tudo isto é feito com fins comerciais ou sensacionalistas. Devemos, ainda, considerar que ao Teatro, comparecem aqueles que, com conhecimento de causa, estão dispostos a ver de perto tudo aquilo. Devemos frisar ainda que, muitas vezes, a censura faz imposições, limita a entrada a pessoas de determinadas idades. Isto acontece, também, em livros do mesmo estilo, em que se exige sejam os mesmos colocados em envelopes lacrados, com etiquetas proibitivas de venda a menores, Tal porém, não acontece com a trova pornográfica que, se declamada em público ou colocada em livro, poderá surpreender, desagradavelmente, o ouvinte ou o leitor. Embora nos itens anteriores, tenhamos demonstrado nossa compreensão quanto ao uso da malícia, irreverência, do emprego de nomes próprios, da gíria, achamos que a trova nada lucraria com o uso de palavras obscenas, ainda que veladas. 6- ANEDOTAS Embora seja aceitável a publicação em livros, jornais, revistas, etc, as trovas humorísticas calcadas em anedotas, julgamos que, em concursos e jogos florais, há outros aspectos importantes a considerar, além da graça, como seja a criatividade, a originalidade, enfim. Nessa ordem de idéias, é desaconselhável a classificação de trovas com aproveitamento de anedotas. Acontece porém, que as comissões julgadoras poderão não conhecer as anedotas aproveitadas pelas trovas, o que torna interessante, portanto, o apelo que, ultimamente, os organizadores de concursos vêm fazendo, durante a classificação preliminar, no sentido de que, concorrentes ou leitores cooperem com as comissões, indicando as trovas que apresentem idéias já conhecidas (como anedotas), desde que, devidamente comprovadas, a fim de serem eliminadas do concurso.
  22. 22. 17 7- USO DO “PRA” Sabemos que a União Brasileira de Trovadores pretende criar Comissão para, entre outros assuntos, examinar o discutido emprego, em trovas, da palavra ‚pra‛. Entrementes, julgamos essa ‚síncope‛ perfeitamente aceitável, principalmente nas trovas humorísticas, por ser expressão essencialmente popular. Comissão de estudos: Luiz Otávio, Carlos Guimarães, Elton Carvalho, Joubert de Araújo Silva, Maria Nascimento Santos, P. de Petrus, Colbert Rangel Coelho. O relatório foi aprovado pelo Conselho Nacional da UBT- União Brasileira de Trovadores
  23. 23. 18 Como Fazer Trovas e Ser Trovador Cada verso da trova é feito de palavras escolhidas para métrica e formação de sons poéticos. Nos dicionários atuais, as palavras são apresentadas em sílabas. Cabe ao poeta, os conhecimentos b|sicos de versificaç~o. ‚Trova é um poema completo de quatro versos de sete sons, rimando o primeiro com o terceiro e o segundo com o quarto‛ Daí por diante. Depende apenas de o autor ser poeta ou n~o‛. (ASA,2008, p. 123). Nos concursos literários, o concorrente, deve consultar o dicionário em busca da significação do tema proposto pelos organizadores. O sonho do trovador está na confecção de uma trova perfeita. Quem quer ser premiado, escreve, reescreve, até que encontra a mensagem competidora. O trovador sempre quer na ponta da esferográfica um achado ou seja idéia vantajosa, providencial e feliz. Nos IV Jogos Florais de Ribeirão Preto (SP), 1978, com o tema verde, em âmbito municipal, Geraldo de Maia Campos foi um dos premiados com a trova a seguir: Não pode dar resultado Sendo tu verde e eu maduro. Eu tenho apenas passado, E tu, meu bem, tens futuro! (Jogos Florais em quatro tempos, UBT,PMRP;1978, p. 38) Os concursos literários buscam o aprimoramento do gosto estético através do exercício da arte- poética, aqui ensejada pela trova, como estímulo à criatividade. Além, despertar o interesse pela literatura em geral e pela poesia em especial. Finalmente, incentivar os sentimentos humanitários para a vida social. Na Declaração de Princípios da União Brasileira de Trovadores – UBT, acróstico São Francisco, escrito por Luiz Ot|vio, tem para a primeira letra: ‚Simplicidade: Sendo a trova a express~o mais simples da poesia e, pois, um reflexo da alma do trovador, devemos agir sempre com simplicidade na arte, nas palavras e nas ações‛.
  24. 24. 19 A trova é feita de palavras que devem ser as melhores ao tema proposto. A maioria dos poetas premiados em concursos escreve, reescreve diversas vezes o texto para depois enviá-lo ao crivo dos julgadores literários. Cremos ser de grande valia, analisar as trovas premiadas no ano anterior. No âmbito nacional temos a têmpera do produto final da banca e nas premiadas em âmbito local a predileção literária dos trovadores da municipalidade. Observe que são nas palavras do texto literário, uma de mãos dadas com as outras, que encontramos infinitas possibilidades de expressão e de interpretação.(SANTOS,2006, p.12 ) Tendo por base o Decálogo de Metrificação de autoria de Luiz Otávio – fundador da União Brasileira de Trovadores, entidade de âmbito nacional – editado com a participação de poetas de todas as regiões do Brasil. Luiz Otávio deixou-nos um estudo moderno de como fazer uma boa trova literária. Na página 3 do Dec|logo informa: ‚buscando um denominador comum ou uniformizaç~o de normas ‚que propiciaram mais liberdade e segurança para quem concorre ou promova concursos liter|rios no país‛. Olavo Bilac no
  25. 25. 20 Tratado de Versificação, na II parte trata da Métrica. Castilho, também, preocupado com a arte deixou-nos orientações sobre literatura poética. Quando falamos na forma poética, buscamos provocar, no leitor, o envolvimento necessário para que no momento de inspiração consiga compor a sua trova que além da métrica (forma) tem ainda a mensagem (fundo) ou seja toda trova tem corpo e alma e as rimas desempenham um rico papel no contexto. No decorrer do tempo, diversas outras leituras chegam-nos à mão e buscando melhorar nossa qualidade de desempenho. Silveira Bueno editou em 1.958, em 5ª edição, um Manual de Califasia, Califonia, Carritmia e Arte de Dizer, indicando-o ‚para uso das escolas normais, ginásios oficiais –canto orfeônico e declamaç~o‛. A p.190, nos orienta sobre sílabas; Na leitura de versos é indispensável observar rigorosamente as sílabas dispostas pelo poeta. O guia único e absoluto é o ouvido; na prosa as sílabas são contadas pela maneira de pronunciar; na poesia, pelo modo de ouvir. O autor de trovas, participando dos concursos , integra-se, rapidamente, ao movimento literário da trova por todo o Brasil e co-irmãos de Portugal. Temos trovadores por todo o mundo e, via internet. Os concursos em língua espanhola tem sido o destaque do momento. Os concursos literários são os responsáveis pela integração nacional em torno da Trova . Os trovadores, numa imensa confraria, tem um trabalho cultural, social e turístico através da poesia. Conhecedor do imenso legado que deixaria, Luiz Ot|vio, reforçava sempre esta mensagem:‚ Amor, idealismo, trabalho, disciplina e uni~o eu peço a todos‛. Nas cantigas de roda, A Barata diz que tem (folclore) ou em músicas populares como a Banda de Chico Buarque sentimos a vida dos sete sons poéticos usados na Trova moderna. Estava à toa na vida, o meu amor me chamou, pra ver a banda passar, falando coisas de amor (Goldstein, 1991,p.8), Conversando, conversando… é que percebemos pelos versos falados em sete sons, o poeta que h| em cada um de nós.
  26. 26. 21 O que precisamos saber para fazer uma trova? Saber o que é uma trova! Estudar a vida da trova! Sentir que no telúrico nacional. A poesia está presente em tudo. Os bons letristas cantam em versos setissilábicos coisas que tocam fundo a alma e animam nossos sentidos. Ouça Disparada na voz de Jair Rodrigues. A letra de Geraldo Vandré, e música de Theo de Barros, explodiu nas paradas de sucesso há quarenta e dois anos depois do festival de MPB. Ouvindo a letra faça a escansão verso por verso e sinta nos heptassílabos, a força poética da forma (rítmo, melodia e expressão - gramatical e poética) e no Fundo (a mensagem, a originalidade e o achado, a comunicabilidade, a simplicidade, a harmonia interna) e podemos vibrar com a importância de cada verso da letra (forma) e a interpretação ( fundo) da produção musical que revela em sua letra importante exemplo da produção poética que tanto bem faz a cultura brasileira. Numa sala de aula, podemos usar o retro-projetor, ou animar em PowerPoint através de um projetor de imagens: ‚Pre/pa/re o/ seu/ co/ra/c~o/ pras/ coi/sas/ que eu / vou /com/tar/ eu /vê/nho/ lá /do /ser/tão/, e /pos/so/ não/ lhe a/gradar/. Diversas outras canções servem que servem de enriquecimento para estudo literário de métrica e sonoridade das palavras; A Banda com Nara Leão, Pois é pra quê, Sidney Miller; algumas cantigas de roda e declamações de Cordel, filmes. Fonte: Movimento de Poetas e Trovadores
  27. 27. 22 Orientação para Participação em Concurso de Trovas 1 – Não envie a mesma trova para mais de um concurso. 2 – Nos envelopes (de mais ou menos 7 x 11 cm), não datilografe/digite nada além da trova, a não ser o tema (quando o concurso exigir – e a maioria o faz). 3 – Não datilografe/digite a trova toda em maiúsculas. 4 – Não utilize envelopinhos transparentes, nem de outra cor que não seja a branca. 5 – Os concursos apoiados por Seções ou Delegacias da UBT devem seguir a tradiç~o do ‚sistema de envelopes‛, que consiste em datilografar-se a trova na face externa de envelopinhos, com a identificação, endereço e assinatura do concorrente colocados em seu interior. No envelope que conterá o/s envelopinho/s colocar como remetente: ‚LUIZ OTÁVIO‛ e o endereço do concurso como na face da frente, ou o nome do concurso com o respectivo endereço. Nunca colocar qualquer identificação pessoal do lado externo do envelope. 6 – Ao receber comunicado de classificação e convite para as festividades de um concurso, não deixe de responder, ainda que sem possibilidade de comparecimento, para que os coordenadores tomem as providências necessárias. 7 – Os concursos geralmente possuem âmbito municipal, âmbito estadual, âmbito nacional e/ou âmbito internacional. O trovador só poderá participar de um deles, aquele determinado pelo seu domicílio. Caso haja trovas líricas/ filosóficas e humoristicas, é facultativo ao trovador participar de um deles ou ambos. 8 – Alguns concursos não permitem o uso de derivados ou palavras cognatas. Outros, exigem que a palavra Tema conste da trova. 9 – Observar o número máximo de trovas que pode ser enviado ao concurso.
  28. 28. 23 10 – A Comissão de seleção das trovas do concurso elimina apenas as trovas com erros, fora do tema, sem sentido, etc., não importando a qualidade. Fontes: - Izo Goldman  UBT Porto Alegre
  29. 29. 24 Sávio Soares de Sousa Trova: Tempo & Espaço É fato sabido e consabido que os tempos mudam e, com os tempos, mudamos nós. Isto ensinava um ditado medieval citado na Description of England, de Harrison (1517) e no Euphues de John Lyly (1579). Tempora mutantur… Mudam os hábitos, mudam os gostos, as manias mudam, mudam as filosofias, alternam-se os regimes políticos e econômicos. Também a linguagem humana evolui. Há palavras que se arcaízam, envelhecem, morrem. Outras ressuscitam, animadas por significados novos, ao sopro de novas realidades. Com o surgimento do Trovismo ou Trovadorismo Brasileiro, h| cerca de quarenta anos, as palavras ‚Trova‛ e ‚Trovador‛, por exemplo, experimentaram vida nova e acepção específica. Digam o que disserem, a tese é perfeitamente explicável. Antigamente, considerava-se trova qualquer composição lírica ligeira e de caráter mais ou menos popular, não importando qual fosse a estrutura das estrofes, ou o número de seus versos, ou a disposição das rimas. É o que se lê nos dicionários tradicionais. Depois, o termo passou a designar, de modo menos genérico, algumas cantigas ou canções de estrutura regular, também do gosto do povo, dada a sua simplicidade. E, enfim, começou a caracterizar a quadra ou a quadrinha popular, quase sempre destinada a ser cantada, com ou sem estribilho. Em sua conceituação atual, que corre entre nós, a trova é um poema de forma fixa, regular, com quatro versos (ou linhas) de sete sílabas (redondilha maior), de rimas cruzadas, isto é: o primeiro verso rimando com o terceiro, e o segundo rimando com o quarto. Quanto ao assunto ou tema (questão de fundo ou conteúdo), assim se podem classificar as trovas: lírica (sentimental, amorosa, romântica, intimista); filosófica (conceituosa, reflexiva, sintetizando um pensamento moral ou religioso ou estético); humorística (jocosa, brincalhona,
  30. 30. 25 maliciosa); didática (instrutiva, pedagógica, doutrinária, biográfica); descritiva (aquarela em miniatura, retrato sintético, instantâneo fotográfico), etc. Conviria exemplificar. TROVAS LÍRICAS À distância, se ela passa é maior o meu tormento: para a saudade, a vidraça é sempre um vidro de aumento. Cícero Rocha Nossa casa é pequenina, mas tem a graça de Deus: de dia o sol a ilumina, e de noite – os olhos teus. Augusto Rubião TROVAS FILOSÓFICAS O filho do Carpinteiro foi um artista profundo: com três cravos e um madeiro, fez a reforma do mundo. Raul Pederneiras A gente paga o que deve, sem recurso ou petição: sentença que Deus escreve não tem mais apelação! Paulo Nunes Batista
  31. 31. 26 TROVAS HUMORÍSTICAS Papai manda, se é solteira… Marido, quando casada… Manda a vizinhança inteira se é viúva ou desquitada… Eny do Couto Quando a mulher quer, eu acho que nem Deus a desanima: – é água de morro abaixo ou fogo de morro acima!… Belmiro Braga TROVAS DESCRITIVAS A flor do sol, no horizonte, fecha as pétalas vermelhas… Pelo pescoço do monte se deita um colar de ovelhas! Félix Aires Pelas planuras desertas, nas frondes verdes, as comas mostram corolas abertas num desperdício de aromas. Eliézer Benevides
  32. 32. 27 Como poema autônomo, forçoso é que o sentido da trova fique completo dentro dessas quatro linhas – requisito indispensável. E que é um Trovador? Trovador era o nome dado, geralmente, na Idade Média, ao poeta lírico, em verdade um compositor musical, que fazia versos e os cantava, ao som da viola, do alaúde, da flauta e do pandeiro. Compunha e instrumentava as próprias canções – escrevia a letra e a música. E, quando não se sentia em condições de, ele mesmo, cantá-las, incumbia de fazê-lo um cantor profissional, que era o jogral ou menestrel. Na prática, nem sempre era fácil distinguir o trovador do jogral, e isto criava situações até ridículas. Houve o caso do trovador Guiraut Riquier, que ficou agastado quando o confundiram com um jogral. E protestou, alegando que a confusão era humilhante para os trovadores, que tinham formação intelectual e artística, enquanto os jograis ou menestréis, de nível social inferior, não gozavam de boa reputaç~o, inclusive por serem freqüentadores de tavernas e prostíbulos… Historicamente, Guilherme de Poitiers, na França, é o mais antigo trovador conhecido. A Literatura Portuguesa começa, a bem dizer, no século XII, com uma cantiga de amor-e-escárnio dedicada pelo trovador Paio Soares de Taveiros, a uma dama chamada A Ribeirinha, que outra não era senão Maria Pais Ribeiro, favorita do rei Dom Sancho I, de Portugal. Aliás, Portugal, celeiro de notáveis trovadores, ostenta, em sua galeria de reis ilustres, a fidalga e luminosa efígie de Dom Dinis (1261/1325), protetor dos poetas, fundador da Universidade de Lisboa e – título que nos fraterniza com Sua Majestade – exímio trovador, cujas cantigas estão registradas nos Cancioneiros da Vaticana e da Biblioteca Nacional, obras-primas do gênero. Hoje, a meu ver, o termo trovador deve restringir-se àqueles poetas que fazem trova, isto é, quadras setissilábicas-cas rimadas, porque o uso – neste século da especialização – assim o consagrou, pelo menos nos países de fala portuguesa.
  33. 33. 28 Os trovadores de Aquém e de Além-Mar contam-se, em nossos tempos pela casa dos milhares. E a trova é cultivada, com êxito, por pessoas das mais diversas classes sociais e ofícios, conforme se apura dos resultados dos Jogos Florais promovidos, em todo o País, pela União Brasileira de Trovadores, a nossa UBT. Poetas há muitos. Mas nem todo poeta é trovador. E não se pode entender trovador que não seja poeta – isto é: talento criador, servido por especial sensibilidade e senhor da técnica da feitura do verso. O Trovismo ou Trovadorismo Brasileiro tem suas raízes na tradição popular ibérica, na própria alma ingênua do povo. Mas, como movimento literário, de características bem delineadas, principiou na década de 50, quando o poeta Luiz Otávio (pseudônimo do Dr. Gilson de Castro) começou a reunir, aos sábados, na intimidade de sua residência, no bairro carioca de Vila Isabel, um pequeno grupo de cultores da trova, para tertúlias liter|rias, informais, entremeadas de ‚salgadinhos, biscoitos e refrigerantes‛, segundo conta Aparício Fernandes, que nelas passou a tomar parte em 1958. Na opinião de Aparício, o Movimento Trovadoresco tem como ponto de partida a publicação, em 1956, por iniciativa de Luiz Ot|vio, da colet}nea ‚Meus irm~os, os Trovadores‛ (‚A Trova no Brasil‛, 1972). Em 1959, fundou-se na Bahia um Grêmio Brasileiro de Trovadores (GBT), que reunia, sob essa designação, além dos cultores da quadra setissilábica, vários cantadores, violeiros e autores de literatura de cordel. Quando o Grêmio realizou um Congresso de Trovadores, na cidade de São Paulo, Luiz Otávio foi convidado a representar a entidade na região sul do País, melhor dizendo no Rio de Janeiro. E aceitou o convite. Mas, no Rio de Janeiro, o Grêmio cresceu, ganhando invejável projeção, e esse fato gerou uma dissidência com os seus dirigentes no Nordeste. Então, Luiz Otávio, com o apoio unânime dos trovadores filiados às seções da região sul centro-oeste, propôs a criação da União Brasileira de Trovadores, que se instalou no Rio em 8 de janeiro de 1967. Vitoriosa desde então, a UBT é uma associação de âmbito nacional, que se destina especificamente ao estudo e à divulgação da trova, como instrumento de propagação da cultura, tendo sido Luiz Otávio, por um questão de justiça, seu primeiro presidente nacional. Com organização própria, um presidente nacional, delegacias e seções estaduais e municipais, as quais gozam de relativa autonomia, a UBT promove, anualmente, os Jogos Florais, que habitualmente se inserem nos festejos comemorativos do aniversário dos Municípios onde têm sede suas atividades. E que são os Jogos Florais? Com antecedentes que parecem remontar às festas populares realizadas na Antiga Roma em homenagem à deusa Flora, os Jogos Florais eram um certame periódico, instituído
  34. 34. 29 em Toulouse, na França, no ano de 1323, por poetas desejosos de manter as tradições e o lirismo da poesia palaciana. O prêmio principal era uma violeta de ouro, havendo também menções honrosas configuradas numa rosa e num malmequer, ambos de prata. Daí por diante, realizaram-se na França, em diversas épocas, novos certames do gênero, contando-se entre seus vencedores figuras do porte de Voltaire, Chateau-briand, Victor Hugo e Lamartine… Em Portugal, a Emissora Nacional promoveu também os seus Jogos Florais, inclusive com a finalidade de eleger, a cada ano, o Príncipe dos Poetas Portugueses. Ademais, em terras portuguesas, são famosos os Jogos Florais de Coimbra, do Porto, de Figueira da Foz, de Almada, assim como os das antigas províncias africanas, sobretudo Angola. Há notícias de Jogos Florais realizados no Brasil, nos anos de 1914, 1915 e 1916, pelo Liceu Feminino, da cidade paulista de Santos. Atualmente, em nosso País, os Jogos Florais são concursos anuais de trovas, instituídos pelas seções municipais de União Brasileira de Trovadores, abertos a participantes de todos os estados e cidades do território brasileiro, bem como dos demais países de língua portuguesa, segundo um regulamento padrão, comum a todas as seções, com ligeiras variantes de caráter local. As trovas, obrigatoriamente inéditas, sob pena de desclassificação, versando tema preestabelecido, assinadas com pseudônimo, para assegurar a imparcialidade do julgamento, são apreciadas por uma comissão formada por trovadores de diferentes seções da UBT; estes as classificam, mediante a de uma nota (atribuição de valor subjetivo), e as devolvem à seção de origem, onde, só então, se tornam conhecidos os nomes verdadeiros dos concorrentes. Quase sempre, os prêmios são entregues em solenidade pública, em festivo ambiente de confraternização, sendo que, nos Jogos Florais de Niterói, esses prêmios são representados por troféus alusivos ao tema do concurso. É justo recordar que os Jogos Florais do Movimento Trovadoresco tiveram seu berço na cidade serrana de Nova Friburgo, em 1958, sendo vencedores do primeiro concurso os trovadores Rodrigues Crespo, Anis Murad, Colbert Rangel Coelho, Jesy Barbosa, Raul Serrano, Octávio Babo Filho, Walter Waeny, Leila Ribeiro Ferreira e Paulo Fénder. O tema era amor e a trova vitoriosa, da autoria de Rodrigues Crespo, era esta: ‚N~o me chames de senhor; eu não sou tão velho assim. E, ao teu lado, meu amor,
  35. 35. 30 não sou senhor nem de mim.‛ Ao fim de tudo, a animadora verdade é que o número de excelentes trovadores tem crescido consideravelmente, com a revelação de inumeráveis trovas antológicas. E os Jogos Florais constituem uma gratíssima oportunidade de aproximação fraterna entre poetas de todos os rincões deste continental Brasil, que, em tempos remotos, chegou a ser descrito como um imenso arquipélago cultural. A trova, deste modo, cumpre maravilhosamente sua missão, que já estava nos sonhos iniciais de Luiz Otávio – unir o Brasil. E viva a Trova! Fonte: Seleções em Folha. Ano 4. N.1 – janeiro 2000. São Paulo/SP
  36. 36. 31 Thalma Tavares O Trovador e a Trova O objetivo neste pequeno ensaio, que dedico aos novos irmãos Trovadores, não é tanto dizer trovas, quanto falar da Trova e daquele que a faz. Se fôssemos buscar nos tratados a definição da palavra TROVADOR, certamente eles nos levariam de volta à Idade Média onde a figura daquele cavalheiro medieval pouco tem a haver com este cidadão de hoje, tão comum quanto qualquer de nós, mas que possui o dom poético de fazer Trovas. Daquele medieval cavalheiro, o Trovador de hoje herdou mais o nome do que o status e a condição. Ao nome acrescentou o seu talento pessoal, a sua capacidade criadora. Mas o seu relacionamento com a Trova, diferentemente daquele, não se resume apenas ao ato de compô-las e dizê-las publicamente. Os Trovadores de agora pensam, sentem e amam ao compasso da Trova. E quem nos confirma isto é LUIZ OTÁVIO quando nos diz: ‚Tirem-me tudo o que tenho, neguem-me todo o valor!… Numa glória só me empenho: – a de humilde Trovador!‛ Mas CAROLINA RAMOS também confirma nossa opinião com esta linda Trova: ‚Trovador, quando padece ao enfrentar duras provas, guarda a angústia numa prece e reza… fazendo Trovas.‛ No limite dos quatro versos de uma Trova, os Trovadores empreendem viagens maravilhosas ao nosso desconhecido mundo interior e a todos os imagináveis mundos da fantasia
  37. 37. 32 humana. Faz da Trova uma profissão de fé, um eloqüente atestado de suas crenças, de suas convicções, assim como faz SARA MARIANY KANTER nesta Trova: ‚Por ser poeta acredito em dias menos sombrios; Meu sonho, quase infinito, cabe em meus bolsos vazios.‛ Enquanto lá fora os poderosos se digladiam semeando a descrença, a violência, o ódio e o ceticismo no coração das criaturas, os Trovadores seguem destilando amor, acreditando no semelhante, sonhando e colocando o coração bem acima das torpezas humanas. E neste contexto insere-se perfeitamente esta Trova de nosso irmão da UBT-Belém do Pará, ANTÔNIO JURACY SIQUEIRA: ‚Canta Trovador! Teu canto alvissareiro e fecundo é uma canção de acalanto ninando as m|goas do mundo!‛ De fato, ‚ninar as m|goas do mundo‛ é atributo sublime e só poderia ser dado aos poetas. E assim dizendo, o autor os elege consoladores das queixas universais. Mas, para reforçar a idéia de Antônio Juracy, temos esta outra Trova de LUIZ OTÁVIO: ‚Bendigo a Deus ter me dado a sorte de Trovador. Pois o mal quando é cantado, diminui o seu rigor…‛ Para o bom Trovador, em termos de criatividade, a Trova é sempre uma expectativa do inusitado e ele, Trovador, o intérprete das esperanças da humanidade, o paladino do amor, da paz, da justiça e da fraternidade. É também, quando necessário, o crítico, o cronista do cotidiano, o humorista alegre e refinado, o observador arguto. E trovas existem aos milhares que nos mostram toda essa gama de virtudes. São incontáveis e passaríamos aqui um tempo enorme dizendo apenas
  38. 38. 33 diminuta parcela de um todo difícil de registrar. Nos limitaremos, pois, a dar apenas uma ligeira mostra do gênio dessa estirpe iluminada chamada TROVADORES. Iniciaremos a mostra com uma observação triste de ABGAIL RIZZINI, nesta sua Trova do tema Esperança: ‚Olhar triste é o da criança que olha a vitrina, e em segredo, chora a morte da esperança ante o preço de um brinquedo!‛ Uma Trova de infância na saudade de NEY DAMASCENO: ‚Num velocípede antigo que tem quase a minha idade, passeia a infância comigo pelas ruas da saudade‛ Um alerta de CÉLIO GRUNEVALD nesta Trova do tema Justiça: ‚Quando a Justiça nos choca e a verdade é inconsistente, há sempre um sino que toca na consciência da gente…‛ Uma exaltação à Liberdade nesta vibrante Trova de WALDIR NEVES: ‚A glória dos homens brilha com fulgor de eternidade, toda vez que uma Bastilha tomba aos pés da Liberdade!‛ Uma dissertação sobre o amor e a morte nesta Trova de CLEÓMENES CAMPOS:
  39. 39. 34 ‚O amor e a morte, a rigor, são faces da mesma sorte: no fim da palavra amor começa a palavra morte!‛ Eis aqui uma Trova onde a ambigüidade de sentidos, inteligentemente arquitetada por CLÓVIS MAIA, enriquece o gênero humorístico: ‚Quando a Dinha est| acamada eu agradeço à vizinha que passa a noite acordada e faz tudo pela Dinha…‛ Uma Trova em que o saudoso JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAUJO evoca, lírica e tristemente, a lembrança materna e se confessa publicamente: ‚Minha m~e chorou mais pranto que a mãe de Nosso Senhor. A Virgem chorou um Santo; Minha mãe – um pecador!‛ Uma constatação do mais puro lirismo nesta Trova de despedida de JOUBERT DE ARAUJO SILVA: ‚De todas as despedidas, esta é a mais triste, suponho: – duas almas comovidas chorando a morte de um sonho!‛ Outra Trova de despedida na inteligente e fatalista conclusão do saudoso CARLOS GUIMARÃES: ‚De despedidas, apenas,
  40. 40. 35 compõe-se, afinal, a vida: – mil despedidas pequenas e uma Grande despedida!‛ O Trovador DIAS MONTEIRO, extasiado ante a beleza noturna do firmamento, nos faz uma ousada afirmação poética nesta Trova repleta de lirismo: ‚Duvidar ninguém se atreve, de que as estrelas que eu fito são Trovas que Deus escreve no livro azul do Infinito!…‛ E, por fim, do tema Tempestade, uma Trova em que CIPRIANO FERREIRA GOMES nos mostra o seu poder de criatividade na beleza desta comparaç~o inusitada a qual se d| o nome de ‚ACHADO‛: ‚Tempestade!… E o mar erguido é um cavalo em movimento que tendo o dorso ferido, desfere coices no vento!…‛ Habituado a trovar sobre qualquer tema, o bom Trovador desconhece assuntos que a Trova não consiga abordar de modo sutil e convincente, para não dizer inteligente e original. É o caso de palavras e temas considerados esdrúxulos e antipoéticos. CAROLINA RAMOS nos dá o exemplo, utilizando numa Trova a palavra CEBOLA que muitos consideram poeticamente inaceitável. Provando o contrário, ela fez de improviso, durante uma reunião da UBT-São Paulo, a seguinte Trova lírica: ‚Na feirinha da amizade, de produtos desiguais, a CEBOLA da saudade j| me fez chorar demais.‛ E eis aqui, também, como o Trovador IZO GOLDMAN, vencendo um desafio, encontrou saída para rimar numa Trova a palavra CINZA com a sua única rima natural:
  41. 41. 36 ‚Papai do Céu t| RANZINZA! – diz meu netinho assustado: Pintou todinho de CINZA o lindo céu azulado!‛ E vejam o que fez o príncipe LUIZ OTÁVIO com as palavras RADAR e BISTURI nestas duas Trovas: ‚O coraç~o de m~e tem um RADAR de tal pujança, que vê melhor, vê além do que a própria vista alcança.‛ ‚O trem, cansado e sedento, subindo a nublada serra, é um BISTURI barulhento rasgando o seio da terra…‛ Mais do que um simples exercício intelectual ou um passatempo, como querem alguns, a Trova é um sentimento, é um estado de amor e muitas vezes uma bênção, porque acaba sempre por preencher lacunas existenciais na vida daqueles que a cultivam no seu cotidiano. E vale a pena a gente citar outras Trovas inteligentes que eu chamaria de produto do senso de oportunidade e que fazem parte também das chamadas Trovas Circunstanciais: Vejamos, por exemplo, como o Trovador ARLINDO TADEU HAGEN soube aproveitar com oportunismo e bom senso, a perfeita identidade de seus ideais com os ideais de um amigo, construindo uma Trova singela, significativa e convincente: ‚Existe tanta união, entre os meus sonhos e os teus, que só não és meu irmão
  42. 42. 37 por um descuido de Deus.‛ CONCHITA MOUTINHO DE ALMEIDA, saudosa Trovadora da UBT-São Paulo, referindo-se à sua alma de sonhadora e por extensão à alma de seus irmãos Trovadores, soube explorar com inteligência a dualidade quixotesca da natureza humana, enfocando as antíteses: sonho e realidade, corpo e espírito; nesta Trova que nos enviou numa carta: ‚De sonhar jamais se cansa – este é o seu supremo dote – meu corpo de Sancho Pança tem alma de D. Quixote!‛ E de novo citamos WALDIR NEVES, para uma outra mostra de senso de oportunidade. Ele obteve menção honrosa no Concurso Paralelo aos XXXV Florais de Nova Friburgo, em homenagem à saudosíssima NYDIA IAGGI MARTINS, com esta Trova: ‚De esposa e m~e, nos misteres, de alma e corpo ela se deu e foi ‚todas as mulheres‛ na mulher que prometeu.‛ WALDIR soube aproveitar com oportunidade o ‚achado‛ primoroso desta conhecidíssima Trova de NYDIA: ‚No dia em que tu quiseres ser meu senhor e meu rei, serei todas as mulheres na mulher que te darei!‛ Vejam como DURVAL MENDONÇA, soube fugir do lugar comum nesta trova do tema ‚Farol‛: ‚Noite escura!… De repente, dois faróis surgem na estrada…
  43. 43. 38 E a escuridão sai da frente como quem foge, assustada.‛ O Trovador fluminense VILMAR LASSENCE, foi vencedor de um concurso com uma das mais belas trovas do tema ‚Luz‛. Ei-la: ‚Da mais funda escurid~o, pergunta um cego: – O que é Luz? E alguém, por definição, lhe põe nas m~os uma cruz.‛ A origem da Trova perde-se na Idade Média. Serviu aos troveiros e trovadores provençais para comporem e cantarem, na língua d’oc e língua d’oil, as suas cantigas d’amigo, cantigas d’escarneo ou de maldizer. A Trova nem sempre teve a mesma forma. Ao longo do tempo, desde a França até a Península Ibérica, ela sofreu várias modificações até transformar-se na deliciosa ‚Quadrinha Popular Portuguesa‛ que, por sua vez, deu origem { Trova como hoje a conhecemos e como é praticada nos concursos da UBT e, atualmente, através da Internet. Tudo graças ao idealismo do fundador da UBT, LUIZ OTÁVIO, o Príncipe dos Trovadores Brasileiros. Para que a Trova continuasse como arte aprimorada, como veículo dos mais elevados sentimentos do homem, foi necessário o apoio e o patrocínio de entidades associativas, beneficentes e governamentais que, ao lado da UBT, têm contribuído para a sua divulgação em todo o país e no exterior, através de concursos e jogos florais que hoje somam mais de quarenta eventos anuais, considerando-se os realizados através da Internet. Não obstante esse apoio, a UBT e a Trova são ainda órfãs do interesse das entidades culturais do país e sobrevivem como fontes de cultura, graças à boa vontade, ao amor que alguns Trovadores, abnegados idealistas, têm pelo movimento trovadoresco. Assim, meus irmãos, o TROVADOR E A TROVA, apesar de todos os percalços que têm encontrado no curso dos acontecimentos, neste país que ainda não firmou idealmente suas raízes culturais e não aprendeu a valorizar a cultura, a Trova vem cumprindo o seu papel; vem alimentando os nossos sonhos, alavancando as nossas esperanças, reavivando a nossa fé e a nossa crença num mundo melhor. E enquanto houver no coração das pessoas sensíveis um espaço para a poesia, aí a Trova terá
  44. 44. 39 encontrado sua morada e jamais perderá o seu encanto. E, com esta certeza, eu posso lhes confiar um segredo: Se o destino desaprova minha ilusão desmedida, eu ponho ilusões na Trova e sigo iludindo a vida… Fonte: Thalma Tavares, palestra aos novos trovadores, 1994.
  45. 45. 40 Agenir Leonardo Victor A Trova na Atualidade A trova medieval, que, em forma de cantigas, partiu do sul da França e espalhou-se pela Europa, entrando na Espanha e em Portugal na voz dos jograis e menestréis; A trova regionalista, sem forma fixa, até hoje cultivada intensamente no Brasil pelos cordelistas, cantadores e violeiros, especialmente no Nordeste e na região Sul; A trova no formato fixo de quadra de setessílabos, que, por sua vez, tanto aparece anonimamente, integrando o folclore luso-brasileiro, quanto na condição de arte literária, produzida por poetas conhecidos. Vimos também que a trova na condição de arte literária vem sendo produzida em língua portuguesa desde Luís de Camões e que chegou ao século XX por obra de prestigiados poetas lusitanos e brasileiros, entre os quais Augusto Gil, Fernando Pessoa, Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Olegário Mariano e tantos outros. O grande surto, entretanto, ocorreu a partir dos anos 1950, quando o trovismo assumiu características de autêntica escola literária, espalhando-se por todo o país. É o que veremos a seguir. Era da síntese Em 1956, Luiz Otávio lançou no Rio de Janeiro Meus irmãos, os trovadores, obra que marcou o início do trovismo como movimento literário de âmbito nacional, com repercussão imediata em Portugal. Os tempos modernos indicavam aos poetas, como caminho, o micropoema, já que o novo ritmo de vida não deixava sobrar tempo aos apreciadores da poesia para a leitura de longas seqüências de estrofes. Nos jornais e revistas da época, notava-se tal tendência também quanto ao texto em prosa, com a proliferação das colunas de notas curtas. Iniciava-se a era da síntese. Difundiu-se no Brasil o haicai (micropoema de 17 sons, de origem japonesa), que tem um grande número de cultores em todo o país. Houve quem fizesse experiências com o rubai, originário da
  46. 46. 41 antiga Pérsia (uma quadra de versos decassílabos), com o limerick (uma estrofe de 5 versos, popular nos países de língua inglesa) e com outras modalidades de poemas curtos. Ficou, porém, evidente que, para chegar ao coração do povo, o micropoema por excelência seria mesmo a trova. E foi assim que o trovismo rapidamente se alastrou, transformando-se numa espécie de confraria literária. Confraternização A publicação de Meus irmãos, os trovadores (um best-seller de extraordinário sucesso) fez multiplicarem-se, em todo o país, associações de trovadores, que passaram a promover animados concursos e festas de confraternização. Em 1958, Rodolfo Coelho Cavalcante fundou em Salvador (Bahia) o Grêmio Brasileiro de Trovadores (GBT), que em 1966 passaria a chamar-se União Brasileira de Trovadores (UBT), hoje a principal entidade nacional dedicada à trova. Em 1959, foi realizado em Campos dos Goytacazes-RJ, por iniciativa da Academia Pedralva, o I Salão Campista de Trovas. Em 1959 ainda, a TV Rio promoveu um concurso de trovas com o nome de Jogos Florais, tendo como organizador J. G. de Araújo Jorge, na época o poeta que mais vendia livros no Brasil. Simultaneamente, a então famosa revista carioca Vida Doméstica promovia também seus Jogos Florais, de âmbito nacional, organizados por Luiz Otávio. Em 1960, Luiz Otávio e J. G. de Araújo coordenaram os I Jogos Florais de Nova Friburgo, cidade serrana do estado do Rio de Janeiro. Foi o primeiro grande concurso de trovas encerrado com uma programaç~o festiva, consagrando Nova Friburgo como ‚berço dos modernos Jogos Florais no Brasil‛. O sucesso do concurso e da festa deveu-se em boa parte ao apoio do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, através da coluna ‚Porta de Livraria‛, do respeitado crítico liter|rio Antônio Olinto. Em verdade, a cidade de Santos-SP já realizara concursos com o nome de Jogos Florais em 1914, 1915 e 1916, porém abrangendo várias modalidades literárias. Os Jogos Florais no formato atualmente em
  47. 47. 42 prática, centralizados única ou prioritariamente na trova, tiveram início realmente em Nova Friburgo. Na introdução do seu livro Trevos de quatro versos (1964), J. G. de Araújo Jorge fez interessante registro contando como nasceram os Jogos Florais de Nova Friburgo: A ‚trovite‛ est| grassando. E tenho que ‚penitenciar-me‛ de ser um dos respons|veis por essa verdadeira, mas benéfica, epidemia literária (…) Em 1959, aqui no Rio, a Casa da Bahia, por sugestão de seu secretário, o trovador baianíssimo Jaime de Faria Góis, instituiu um concurso de trovas cujo tema era ‚a boa terra‛ (…) E – um pouco para minha surpresa, pois tinha conhecimento de que havia mais de duas mil trovas concorrendo – posso dizer, como trovador, parafraseando o general romano: ‚Cheguei, vi… e venci!‛ Outro dos vencedores do concurso foi meu velho amigo, o trovador Luiz Otávio. Em viagem (do Rio para Salvador, de navio), Luiz Otávio sugeriu transplantar para o Brasil a realização dos Jogos Florais, { maneira dos velhos Jogos Florais da Idade Média (…) Entusiasmamo-nos com a idéia e, na volta, a pusemos em pr|tica, lançando os I Jogos Florais na cidade fluminense de Nova Friburgo (…) Hoje os Jogos Florais alastram-se praticamente por todo o Brasil. Expansão De 1960 em diante, os concursos de trovas, os festivais de trovadores e os Jogos Florais passaram a figurar no calendário de eventos de dezenas de cidades brasileiras. Entre as cidades hoje consideradas ‚canteiros‛ da trova, destacam-se (por ordem alfabética): CE – Caucaia, Fortaleza. DF – Brasília. ES – Vitória, Vila Velha. GO – Goiânia. MA – São Luís.
  48. 48. 43 MG – Baependi, Belo Horizonte, Bueno Brandão, Divinópolis, Guaxupé, Juiz de Fora, Monte Carmelo, Manhumirim, Montes Claros, Passa Quatro, Pedro Leopoldo, Pirapetinga, Pitangui, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Rio Novo, São Lourenço, Sete Lagoas. MS – Campo Grande, Cuiabá, Corumbá. PA – Ananindeua, Belém. PR – Almirante Tamandaré, Bandeirantes, Castro, Cornélio Procópio, Curitiba, Ibiporã, Jacarezinho, Londrina, Maringá, Ponta Grossa. RJ – Angra dos Reis, Barra do Piraí, Barra Mansa, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Magé, Niterói, Nova Friburgo, Petrópolis, Rio de Janeiro (capital), Resende, São Gonçalo, São João do Meriti, Teresópolis, Três Rios. RN – Natal. RS – Caxias do Sul, Cruz Alta, Garibaldi, Itaara, Pelotas, Porto Alegre, Taquara, Uruguaiana. SC – Balneário Camboriú, Florianópolis, Joaçaba. SP – Amparo, Atibaia, Barretos, Bauru, Bragança Paulista, Caçapava, Campinas, Jambeiro, Jundiaí, Peruíbe, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, Santo André, São Bernardo do Campo, São José dos Campos, São Paulo (capital), Santos, Sorocaba, Tambaú, Taubaté. Maringá Maringá entrou na história da trova ao promover, em 1966, o I Festival Brasileiro de Trovadores, que reuniu os mais prestigiados trovadores brasileiros da época, entre os quais Amaryllis Schloenbach, Aparício Fernandes, Barreto Coutinho, Carlos Guimarães, Carolina Ramos, Coubert Rangel Coelho, Durval Mendonça, Elton Carvalho, Eno Theodoro Wanke, Iraci do Nascimento e Silva, J. G. de Araújo Jorge, José Maria Machado de Araújo, Joubert de Araújo Silva, Leonardo Henke, Luiz Otávio, Maria Nascimento Santos Carvalho, Maria Thereza Cavalheiro, Octávio Babo Filho, Orlando Woczikoski, Rodolpho Abbud, Vera Vargas, Zálkind Piatigorsky. Maringá sediou mais três grandes festivais de trovas (1970, 1972 e 1977). Sediou também dois Congressos Nacionais de Trovadores (1990 e 1992), coordenados pela autora deste trabalho. E já promoveu três Jogos Florais (2000, 2001 e 2002), além de um concurso nacional, em 2003, e outro atualmente em andamento, ambos liderados pela Academia de Letras de Maringá, em parceria com a seção local da União Brasileira de Trovadores.
  49. 49. 44 Missa em trovas Em 1970, em Maringá, como ato de abertura do II Festival Brasileiro de Trovadores, foi celebrada pela primeira vez no Brasil a Missa em trovas, com versos de autoria do poeta maringaense A. A. de Assis, tendo como celebrante o então pároco da Catedral-Basílica de Nossa Senhora da Glória, Monsenhor Sidney Luiz Zanetini. Os trovadores visitantes levaram cópias da Missa, e desde então ela passou a ser celebrada em numerosas festas de trovas, em todo o Brasil, de Porto Alegre a Belém do Pará, tendo recebido inclusive uma bênção especial do papa João Paulo II. Em anos mais recentes, a Missa em trovas tem sido presidida em Maringá pelo Monsenhor Júlio Antônio da Silva (Padre Julinho), atual pároco da Catedral. Para dar uma idéia, transcrevemos a seguir a oração de abertura da Missa em trovas: Deus, no princípio, descerra o palco da criação: cria o céu e cria a terra e enche de luz a amplidão. Cria as águas e as reparte em rios, lagos e mares, e com ternura e com arte cria os bosques e os pomares. Coloca milhões de estrelas na abóbada imensa e nua, e acende no meio delas o sol e em seguida a lua. Faz que as águas se povoem de peixes – grandes, pequenos, e manda que as aves voem com seus festivos acenos.
  50. 50. 45 Num outro gesto ele faz aparecer sobre a terra toda espécie de animais: os da planície e os da serra. E o paraíso está feito, e tudo está muito bem: um mundo lindo, perfeito em tudo o que ele contém. E é nessa alegre paisagem que Deus finalmente lança alguém que é a sua imagem, sua própria semelhança. ‚Façamos – diz o Senhor – o homem, e a companheira com quem partilhe o esplendor e a graça da terra inteira!‛ Cria-os Deus na excelência da justiça e da verdade, e dá-lhes a inteligência e a vontade e a liberdade. Dá-lhes a luz, o calor; dá-lhes o ar, o alimento; dá-lhes o aroma da flor, e a chuva e o luar e o vento. E lhes confere o poder de ter o mundo nas mãos,
  51. 51. 46 e a missão de conceber um grande povo de irmãos. Organização O trovismo é o primeiro grande movimento literário a organizar-se nacionalmente como uma espécie de confraria, a ponto de os trovadores se chamarem uns aos outros de irmãos. Além da UBT – União Brasileira de Trovadores, principal entidade trovista hoje existente no país, várias outras se dedicam à trova, entre as quais a Academia Brasileira de Trovas, a Academia Mineira de Trovas, a Academia de Trovas do Rio Grande do Norte e o Clube dos Trovadores Capixabas. Durante as décadas de 1970 e 1980, chegou a haver certa rivalidade entre alguns desses grupos. Atualmente, porém, reina perfeita harmonia. Todos se entendem muito bem, compartilhando a sua bela arte. A UBT funciona mais ou menos à moda dos clubes de serviços, tais como Lions e Rotary. Os núcleos da UBT são chamados seções, com sede nas cidades onde os trovadores sejam mais numerosos, ou delegacias, onde sejam poucos ainda os cultores da trova. Há uma diretoria nacional, sediada na cidade onde resida o seu presidente. O atual presidente nacional é o trovador Eduardo A. O. Toledo, residente em Pouso Alegre, Minas Gerais. Há uma diretoria estadual, igualmente sediada onde resida seu presidente. O atual presidente estadual para o Paraná é o trovador Maurício Norberto Friedrich, residente em Curitiba. E há em cada seção uma diretoria municipal. Em Maringá, o atual presidente é o trovador Alberto Paco. Se uma cidade tiver pequeno número de trovadores, será nomeado um delegado, até que haja número suficiente para instalar-se a seção. Normalmente, os trovadores contribuem com uma pequena taxa mensal ou anual para manter em funcionamento a seção, e cada seção envia à diretoria nacional uma pequena contribuição anual. As despesas são em geral modestas: selos de correio, confecção e distribuição de boletins, fotocópias
  52. 52. 47 etc. Nas reuniões festivas, é habitual oferecer-se um coquetel simples, cada um dos participantes levando alguns doces, salgados e refrigerantes. Para as festas maiores, tais como as de premiação aos vencedores de concursos, a seção promotora angaria ajuda na comunidade. Em muitas cidades, essas festas fazem parte do calendário oficial de eventos. Presença na mídia Não se sabe exatamente quantos trovadores existem hoje no Brasil. Calcula-se algo por volta de 5 mil. Com atuação permanente, regularmente inscritos nas respectivas seções, e íntimos uns dos outros, há cerca de 2 mil. Os de São Luís do Maranhão se relacionam fraternalmente com os de Porto Alegre, os de Natal com os de Curitiba, os de Nova Friburgo com os de Maringá, os de Belo Horizonte com os de Niterói, como se fossem todos da mesma família, e todos sabem tudo sobre todos. Isso se torna possível por três motivos principais: primeiro, porque é intensa a troca de correspondência entre eles; segundo, porque freqüentemente eles se encontram em suas festas nos mais diferentes lugares; terceiro, porque a trova, além de contar com mídia própria, sempre teve espaço em jornais e revistas, nas emissoras de rádio e televisão e em outros meios de divulgação. Há dezenas de jornaizinhos (informativos) de circulação mensal, que as seções da UBT editam e distribuem aos seus filiados e às demais seções, gratuitamente ou mediante o pagamento de um valor simbólico pela assinatura. Alguns desses jornaizinhos circulam no país inteiro e ainda em Portugal, de modo que, por exemplo, o anúncio de um concurso, publicado num deles e reproduzido pelos demais, chega rapidamaente a todos os trovadores brasileiros e portugueses. O mesmo ocorre com os resultados dos concursos. Dentre os periódicos que promovem ou apóiam a trova, ocorre-nos citar os seguintes: A Rosa (Santos-SP), Bali (Itaocara-RJ), Boletim Informativo da UBT-Rio (Rio de Janeiro-RJ), Calêndula (Porto Alegre-RS), Chuva de Versos (Maringá-PR), Fanal (São Paulo-SP), Horizonte em Trovas (Belo Horizonte-MG), Informativo da UBT Nacional (hoje editado em São Paulo), Informativo da UBT-SP (São Paulo-SP), Jornal Maringaense (Maringá-PR), Koisalinda (Ribeirão Preto-SP), Literatura & Arte (Vitória-ES), Menestrel (Juiz de Fora-MG), Movimento Poético Paranaense (Curitiba-PR), nosso espaço (Rio de Janeiro-RJ), O Estro (Brasília-DF), O Trovador (Natal-RN), Os Trovadores (Curitiba-
  53. 53. 48 PR), Quatro Versos (Nova Friburgo-RJ), Trovalegre (Pouso Alegre-MG), Trovanatal (Natal-RN), Trovia (Maringá-PR). Até a década de 1960, quase todos os jornais e revistas brasileiros mantinham colunas, páginas ou até cadernos inteiros dedicados à literatura em prosa e verso. Por ser um poema curto e de fácil compreensão, a trova sempre esteve presente nesses espaços, contando com um número muito grande de leitores. Também a mídia eletrônica divulgava amplamente a trova e outras modalidades de poesia. Poetas como J. G. de Araújo Jorge e Aparício Fernandes, que mantinham programas desse gênero no rádio e na televisão do Rio de Janeiro, graças a isso ficaram famosos em todo o país, chegando a ser recordistas no recebimento de cartas. Hoje ainda, Brasil afora, há um número considerável de colunas especializadas em trovas, com espaço em jornais e revistas, além de programas de rádio e televisão. Rodolpho Abbud comandava há muitos anos um desses programas na Rádio Sociedade de Nova Friburgo, com alto índice de audiência. Marisol em Teresópolis, Maria Thereza Cavalheiro em São Paulo, Alonso Rocha em Belém do Pará, Humberto Del Maestro em Vitória, Flávio Roberto Stefani em Porto Alegre, são outros exemplos de poetas que publicam colunas de trovas em importantes jornais, e todos eles com estimulante retorno por parte dos leitores. Em Portugal, a poeta Maria José Fraqueza dirige prestigiado programa de trovas na Rádio Gilão, de Tavira. Ultimamente, a Internet tem sido também amplamente utilizada como veículo para divulgação de trovas. Considerem-se ainda as muitas outras maneiras de levar a trova ao povo: em materiais de propaganda, em cartões de telefone, em peças de artesanato, em vários tipos de brindes, em cartazes colados nos ônibus urbanos, em painéis, muros, paredes etc. Na cidade mineira de Pouso Alegre, por exemplo, a Secretaria Municipal da Cultura mandou pintar trovas com mensagens educativas nas paredes de todos os prédios públicos.
  54. 54. 49 Todos esses meios de divulgação, somados aos livros que cada trovador periodicamente publica, contribuem para que a redondilha circule por toda parte, espalhando alegres mensagens, algumas fazendo sonhar, outras fazendo rir, todas fazendo pensar. Concursos Os concursos têm como principal finalidade estimular a produção de trovas e estreitar o relacionamento entre os trovadores. Na maioria dos casos, estabelecem-se dois temas, um de âmbito estadual ou regional e outro de âmbito nacional-internacional, abrangendo trovas líricas e filosóficas. Em alguns concursos, há também um tema para trovas humorísticas. Cada concorrente participa com um número limitado de trovas, variando de uma a cinco, dependendo do regulamento do torneio. Cada concurso costuma receber de mil a duas trovas. Ao final do prazo estabelecido para a remessa, uma ou mais comissões julgadoras iniciam o processo de avaliação. Dentre as trovas finalistas, são selecionadas as premiadas, na maioria dos casos 15, sendo 5 vencedoras, 5 menções honrosas e 5 menções especiais. A UBT, por princípio, não promove nem apóia concursos com prêmios em dinheiro. Os vitoriosos recebem diplomas e troféus ou medalhas, e são convidados a ir à festa de premiação com despesas de transporte por conta própria. Os promotores oferecem apenas hospedagem e refeições. Se um dos vitoriosos, por algum motivo, não pode comparecer à festa, recebe os prêmios por meio de um representante ou pelo correio. As festas variam conforme os recursos disponíveis. Em média, duram de dois a três dias, constando de passeios turísticos na cidade-sede, recitais, reuniões de estudo, cerimônias religiosas tais como a Missa em trovas, solenidade de premiação etc. É também costume eleger-se a Musa da festa, uma jovem que tenha aparência lírica e que goste de poesia. Mas tudo isso tendo sempre como objetivo principal a confraternização e o fortalecimento da amizade. Aliás, há até uma frase-lema, criada pelo trovador Izo Goldman, de S~o Paulo: ‚A trova, acima de tudo, faz amigos‛. Os trovadores têm seu dia: 18 de julho, data de nascimento de Luiz Otávio, que, pela qualidade das suas trovas e por sua incontestável liderança no movimento trovadoresco, mereceu o título de
  55. 55. 50 príncipe dos trovadores brasileiros. E também têm seu patrono, São Francisco de Assis, que foi um dos mais importantes trovadores do período medieval. Não há uma estatística atualizada quanto às atividades profissionais dos trovadores. Observa-se, porém, que, em maioria, são pessoas de escolaridade média ou superior. Fernandes (1972, p. 80) fornece um quadro que pode pelo menos servir de base. Na época, as 20 profissões com maior número de representantes entre os trovadores eram, pela ordem: professores, jornalistas, servidores públicos, advogados, médicos, bancários, militares, dentistas, radialistas, contabilistas, magistrados, engenheiros, farmacêuticos, empresários, musicistas, promotores de justiça, sacerdotes, diplomatas, publicitários e atores. Quanto ao sexo, há bastante equilíbrio, algo bem próximo do meio, embora ultimamente as mulheres comecem a constituir maioria: cerca de 60%. No que se refere à idade, há predominância de pessoas com mais de 50 anos. A trova é, por excelência, uma arte da terceira idade, embora existam muitos jovens entre os melhores trovadores. O grande número de idosos talvez se explique pelo fato de serem em geral aposentados, com mais tempo disponível para escrever e também para participar de concursos e encontros. Muitos chegam a falar em ‚trovaterapia‛, aludindo aos benefícios que tal prática lhes traz à mente e ao coração. Exportação A trova brasileira tem chamado a atenção de adeptos da poesia no mundo inteiro. Muitas delas têm sido vertidas e ‚exportadas‛ para outras línguas, sem perder a graça original. Fernandes (1972, 37) fala sobre isso, dando a seguir alguns exemplos: ‚N~o é apenas no idioma português que a trova é fascinante. Seja na musicalidade da língua italiana, seja na rispidez da alemã, no francês gutural ou no inglês objetivo, as qualidades fundamentais da trova permanecem‛. Trova de Aparício Fernandes, vertida por Héctor Strazzarino para o espanhol: Se a gente, quando falasse, meditasse antes um pouco, talvez o mundo ficasse
  56. 56. 51 mais feliz e menos louco! Si la gente, cuando hablase, meditara antes un poco, tal vez el mundo quedase más feliz y menos loco! De Augusta Campos, vertida para o italiano por Carmen Sala: Não deixes que te apoquente o que passado já está. Cuida bem do teu presente, do porvir Deus cuidará. Non lasciar che ti tormente del passato quel che sta. Ti cura bem del presente, al doman Dio pensera. De Luiz Otávio, vertida para o alemão por Ignez Teltscher: Maria dos meus amores, a minha noite, o meu dia! Maria das minhas dores, tu és um mundo, Maria! Maria meiner Liebe, Maria meiner Schmerzen! Meines Tages und meiner Nacht, Die Welt in meinem Herzen! Também de Luiz Otávio, vertida para o inglês por C. Victor Stahl:
  57. 57. 52 Olhando a melancolia que tu levavas no olhar, lembrei-me da lua fria sobre uma campa a brilhar. Such melancholy stare seen lurking in your eye, is like the moon’s chill flare on grave-stones standing by. Técnica No curto espaço deste trabalho não cabe um estudo pormenorizado sobre técnicas de versificação. Vale, entretanto, lembrar que a trova, como as demais modalidades de poesia, tem normas a serem obedecidas, e ignorar tais normas seria empobrecer a arte pretendida. O trovador necessita, sobretudo, estar atento às questões do ritmo, da métrica e da rima. O ritmo, na composição da trova, não chega a ser muito rigoroso. O verso setissílabo admite ampla variedade nesse aspecto, devendo-se observar apenas se o efeito sonoro resultante agrada ao ouvido. H| que haver certo ‚balanço‛, aquela melodia típica da cantiga. O setissílabo geralmente considerado ideal é o que bate forte nas ímpares, isto é, o que tem as tônicas na 1ª, 3ª, 5ª e 7ª sílabas, como este de Sérgio Bittencourt: Minha voz na voz do vento… Mas também soam bem versos como estes: Meu lim~o, meu limoeiro… / Peguei o Ita no Norte… / Valei-me, meu pai, valei-me… / Maria, minha Maria… / Amei, sonhei, fui feliz… O que o poeta deve mesmo evitar são os versos de sonoridade frouxa, como estes: Tenho um coração sofrido…/ Era descendente dela… / Quer desesperadamente… A métrica é um pouco mais complicada, exigindo maior experiência. Na composição de um verso, o cuidado inicial é lembrar que ‚sílaba‛ em poesia n~o significa exatamente a mesma coisa que em gramática. A sílaba poética corresponde a um som, ou seja, a uma nota musical. O setissílabo é um verso de sete sons (dó-ré-mi-fá-sol-lá-si), contados até a última sílaba tônica. É importante
  58. 58. 53 lembrar também que vogais vizinhas são em geral pronunciadas separadamente nos casos de hiato, e se juntam quando não ocorre hiato. Sirvam de exemplo estes conhecidos versos de Gonçalves Dias: Mi | nha | te | rra | tem | pal | mei | ras, on | de | can | ta o | sa | bi | á. As | a | ves | que a | qui | gor | jei | am não | gor | jei | am | como | lá. A rima, segundo as normas atuais, como já vimos, deve ser dupla, isto é, devem ser rimados o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto (abab). Em trova não há, porém, grande exigência quanto ao fato de a rima ser rica ou pobre, no sentido tradicional de que rica seria a rima entre palavras de diferentes categorias gramaticais: verbo com substantivo, adjetivo com advérbio etc. Isso não tem sido levado muito a sério atualmente. Mais importante, como sugere Nogueira (1996, p. 27), é o trovador estar atento para evitar certos cochilos que, estes sim, enfraquecem o verso. Por exemplo: rimas em que a vogal tônica seja a mesma nos quatro versos: liso / dia / viso / havia; mar / amava / bar / sonhava; veia / cedo / areia / segredo. rimas com palavras derivadas: ver / rever; agir / reagir; tempo / contratempo. rimas imperfeitas, assim chamadas por haver diferença no timbre das vogais tônicas: idéia / areia; sacode / pôde; melhor / favor. rimas regionais. Em São Paulo, viu rima com frio, que os paulistas pronunciam /friu/, num único som; no Rio de Janeiro não, porque os cariocas pronunciam /fri-io/, em dois sons, como se fosse hiato. Em algumas regiões céu rima com mel, pronunciado /méu/; em outras não, porque a pronúncia é /me’l/, quase /mele/.
  59. 59. 54 Certamente, não são apenas os pormenores técnicos que fazem a beleza da trova. Muitas delas há em que normas tidas como importantes são desprezadas e no entanto o resultado é ótimo. De toda forma, sempre que lidamos com arte é recomendável buscar o máximo de aprimoramento. A trova, embora pequenina, é uma obra de arte, um poema, portanto merece do seu autor especial cuidado. O principal é sempre o achado, a idéia nova, contudo cada ingrediente complementar concorre para dar a esse achado um encanto maior. O ritmo harmonioso, a boa rima, a escolha do vocabulário adequado, a correção gramatical, a qualidade da mensagem, tudo isso se soma na produção de uma trova primorosa, dessas a que se costuma chamar antológicas. Fonte: Agenir Leonardo Victor. A TROVA – O Canto do Povo. Enviado por e-mail. Atualizado.
  60. 60. 55 Maria Nascimento Santos Carvalho Palestra sobre Trovas Meus amigos : Gostaríamos, neste momento, de poder dizer Trovas de todos os nossos irmãos de sonhos, mas são tantos e tão queridos que passaríamos horas e horas fazendo desfilarem seus versos, razão porque, pedimos desculpas àqueles que, por limite de tempo, não estão incluídos em nosso modesto trabalho, o que muito nos entristece. Como estamos na Academia Brasileira da Trova, procuramos focalizar o tema TROVA e deixar alguns esclarecimentos sobre ela : gênero, forma, metrificação, ritmo etc. Para ilustrar o nosso trabalho, registramos a opinião abalizada do grande escritor JORGE AMADO a respeito da Trova. ‚ N~o pode haver criaç~o popular que fale mais diretamente ao coraç~o do povo do que a Trova. É através dela, que o povo toma contacto com a poesia e sente a sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador s~o imortais‛. A TROVA Na antiguidade, Trova era considerada uma canção, uma quadra popular que tinha origem nas composições dos Trovadores medievais. Na poesia trovadoresca, ou provençal que começou a partir do século XIII, a Trova podia ser : Uma ‚ Cantiga de Amigo ‚, quando a mulher contava ao amado suas mágoas de amor. (Eram de fundo folclórico e as mais antigas e mais belas).

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