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Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
Simplicidade voluntária
A simplicidade é o último grau de sofisticação
Leonardo da Vinci
Texto e Fotos_Alcide Gonçalves [Arquitecta Paisagista] e Jorge Moreira [Ambientalista]
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O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com 81
Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
No passado mês de Julho, inserido no
evento Cidade Mais, no Porto, realizou-se
um colóquio organizado em parceria com
a Sociedade de Ética Ambiental, intitulado
"Menos é Mais". Entre os oradores estive-
ram académicos, ambientalistas, religiosos,
filósofos, arquitetos paisagistas e gestores
de projetos sustentáveis. Os temas foram
tão diversos, mas curiosamente tão inter-
conetados - da alimentação ao urbanismo,
do ambiente à filosofia, da ética à prática, da
religião à espiritualidade. Todos refletiram a
simplicidade voluntária, um termo cunhado
em 1936 pelo filósofo social norte-americano
Richard Bartlett Gregg (1885–1974), conhe-
cido pela teoria da resistência não-violenta,
inspirada nos grandes pacifistas históricos.
No seu ensaio filosófico The Value of Volun-
tary Simplicity (Wallingford, PA: Pendle Hill,
1936), Gregg fala da necessidade e dos
benefícios de uma vida mais simples, diz:
a simplicidade voluntária envolve tanto a
condição interior como exterior. Isso signi-
fica identidade de propósitos, sinceridade
e honestidade interior, da mesma forma
deve-se evitar a desordem exterior e as
imensas posses que são irrelevantes para
o propósito principal da vida. Isso significa
uma ordenação e uma orientação da nossa
energia e dos nossos desejos, uma restrição
parcial em algumas direções, a fim de asse-
gurar uma maior abundância de vida nou-
tras direções. Trata-se de uma organização
deliberada da vida com um propósito. Mais
tarde, outros autores retomaram o tema da
simplicidade voluntária, com destaque para
Duane Elgin, na sua obra Voluntary Simplici-
ty: To ward a Way of Life that is Out wardly
Simple, In wardly Rich, com várias edições
e atualizações (1981, 1993 e 2010). Na sua
última versão do livro, Elgin transmite-nos
que a simplicidade voluntária não é um
manual sobre como viver na pobreza, mas
um contributo de como viver de forma mais
equilibrada e fresca, num mundo cada vez
mais quente e insustentável. Diz-nos que a
simplicidade não é um sacrifício, mas uma
forma voluntária, consciente e deliberada
que promove o relacionamento harmonioso
entre os seres humanos e estes com a na-
tureza; que fortalece a justiça e a equidade,
a inteligência e a beleza, a gestão saudável
dos recursos naturais, a satisfação mais
gratificante e duradoura, a unidade da vida e
a riqueza cultural e, por fim, um planeta mais
limpo, seguro e cuidado.
A simplicidade voluntária envolve assim um
crescimento interior que se traduz numa
condição exterior desapegada dos bens
materiais. Uma vida mais autêntica e imersa
nos mistérios mais profundos do universo,
não se coaduna com a acumulação de
objetos e poder sobre os outros, mas numa
riqueza interior, do espírito humano. A
alegria efémera que a aquisição de objetos
pode produzir na mente de um ser humano
não se compara com a felicidade duradou-
ra de uma mente serena liberta da escrava-
tura dos desejos materiais. Vivemos numa
sociedade com tiques esquizofrénicos, que
procura desesperadamente por objetos
novos, descartando outros com a mesma
utilidade. Uma sociedade que incentiva o
consumo, que alimenta uma indústria, com
benefícios para quem comanda as cor-
porações, mas com tremendos prejuízos
quer para a natureza, quer para os seres
humanos que ficam reféns do sistema.
A Natureza perdeu a sua sacralidade. A
adoração faz-se agora através das marcas
que ocupam lugares de destaque nas cate-
drais dos centros comerciais ou virtuais. A
vida deixou de ser autêntica. Veste-se não
para por causa do frio, mas para criar uma
imagem irreal de si próprio. A ilusão é o
grande profeta, num deus criado à imagem
de um homem pequeno no seu interior.
82 O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com
Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
Diz-nos Elgin na obra supracitada,
contrariamente aos mitos dos media, o
consumismo oferece vidas de sacrifício,
enquanto a simplicidade oferece vidas
de oportunidade. Simplicidade cria a
oportunidade para uma maior realização
no trabalho, para ligações mais significa-
tivas com os outros, para sentimentos de
parentesco com toda a vida e reverência
por um universo vivo. Esta é uma forma de
vida rica que oferece uma alternativa fasci-
nante ao stress, à ocupação e à alienação
da era moderna. No entanto, os meios
de comunicação em muitas sociedades
são movidos pelo consumismo e têm
sido relutantes em explorar a promessa
da simplicidade, porque ameaça o motor
do crescimento económico, que é a sua
força vital. É bem verdade, mas temos
de acrescentar que grande parte da co-
municação social foi adquirida por muitas
corporações poderosas, ficando refém
dos seus interesses particulares.
O ciclo vicioso de procura constante pela
riqueza exterior está a destruir o planeta
e a nossa humanidade. Para alimentar a
procura constate de bens, muitos deles
desnecessários, são gastos recursos
naturais, exploradas pessoas e animais,
destruídos ecossistemas inteiros e poluídos
habitats. As alterações climáticas e a perda
da biodiversidade são impactes bem visíveis
à escala global, mas que vai aos centros
comerciais fixar a mente nos objetos a ser
adquiridos, pouco se interessa pelo trabalho
infantil, pelo sofrimento do animal em que se
arrancou a pele ainda vivo ou pela contami-
nação dos aquíferos de toda uma região. A
vida deixou de ter valor em relação ao bem
transacionável e o sofrimento de quem é ex-
plorado não importa. Não há ética, respeito,
cuidado. Não há humanidade. É necessário
recentrar a nossa vida e refletir nas escolhas
que fazemos, optando por consumir menos
e, paralelamente, procurar produtos alterna-
tivos isentos do sofrimento e exploração de
seres sencientes, bem como de qualquer
impacto negativo que possa ter quer na
esfera social, quer natural. Acima de tudo
devemos olhar para a natureza como um
santuário. Afinal de onde provém a vida?
Quem a sustém? Quem cria condições para
a sua evolução em forma e consciência?
Com a simplicidade voluntária o que se pre-
tende é uma riqueza interior e não exterior.
Uma riqueza partilhada por sábios antigos,
pelos percursores das religiões, por místicos
e santos. Por todos aqueles que quiseram
viver uma vida mais autêntica em sintonia
com o Cosmos. Uma sintonia que é uma fon-
te de inspiração para todos nós. Saibamos
inspirarmos neles e termos a capacidade
de discernir o que é para nós supérfluo e
conseguirmos o desapego necessário para
nos salvarmos (nós e o Planeta).
Encontramos nas várias filosofias ou nas
antigas tradições espirituais ou religiosas
O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com 83
Opinião
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
- e.g. o Taoísmo, Budismo, Kabbalah, ou-
tras -, preciosos segredos para podermos
viver uma vida simples (simple living), em
união com o Universo, em vez de vivermos
uma simples vida! Em todas temos a pos-
sibilidade de aprender a viver em plenitude,
em abundância, prosperidade, saúde e
felicidade.
Cultivar a paz interior, aquietar a mente de
desejos, desapegar da matéria e dos senti-
dos (emoções), agir pelo não-agir deixando
que as coisas tomem o seu curso, ser
flexível, compassivo, tolerante e amoroso.
São fundamentos tão-somente suficientes
para o indivíduo alcançar equilíbrio consigo
próprio, não almejar o que a sua Existência
não depende ou carece e viver harmonio-
samente com a Natureza.
Mestre Liu Pai Lin (1907-2000), nas suas
aulas de Tai Chi, no Brasil, lembrava aos
seus alunos e discípulos que: O mais im-
portante para o homem não é conquistar
fama, glória, posição social, acumular bens
porque esse é um aspeto animal. O mais
importante é ele realizar esse ser individual
que ele é, que está entre o céu e a terra.
De facto toda a ideia do Simple Living ou
simplicidade voluntária promove uma forte
relação deste elo Ser Humano-Natureza e
incentiva o “voltar à terra” como forma de
auto-suficiência e redução da dependência
do dinheiro e da economia.
No uso da terra, propõe um conjunto de
práticas ecológicas, a redução do uso
dos recursos naturais, defende a pequena
escala e propõe a preservação da natureza
selvagem.
Uma vida nos bosques
Vemos em Thoreau um exemplo de sim-
plicidade voluntária e desta comunhão
com a Natureza quando decide, em 1845,
retirar-se para a floresta a fim de viver em
profundidade e sugar toda a medula da
vida, segundo palavras suas. A busca por
compreensão da sociedade capitalista
americana da época e a descoberta do
essencial da vida são propósitos que o
acompanham nesta experiência mística
de dois anos. Abandonou a civilização e
enfornou-se nos bosques do lago Walden,
onde numa cabana construída por ele
mesmo, viveu em íntimo contacto com a
natureza, provendo à sua subsistência e
entregando-se à contemplação. [adpt.
Thoreau, H.D., in Walden ou a vida nos
bosques, pp.8]
Walden está repleto de descrições riquís-
simas da experiência de Thoreau demons-
trativas de como a harmonia do homem
passa pela natureza. A ideia da natureza
como refúgio para desenvolver um modo
de vida simples é algo de recorrente no Ser
Humano e é neste contacto estreito que dá
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Simplicidade voluntária e harmonia com a natureza

  • 1. 80 O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS Simplicidade voluntária A simplicidade é o último grau de sofisticação Leonardo da Vinci Texto e Fotos_Alcide Gonçalves [Arquitecta Paisagista] e Jorge Moreira [Ambientalista] A simplicidade é o último degrau da sabedoria Khail Gibran
  • 2. O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com 81 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS No passado mês de Julho, inserido no evento Cidade Mais, no Porto, realizou-se um colóquio organizado em parceria com a Sociedade de Ética Ambiental, intitulado "Menos é Mais". Entre os oradores estive- ram académicos, ambientalistas, religiosos, filósofos, arquitetos paisagistas e gestores de projetos sustentáveis. Os temas foram tão diversos, mas curiosamente tão inter- conetados - da alimentação ao urbanismo, do ambiente à filosofia, da ética à prática, da religião à espiritualidade. Todos refletiram a simplicidade voluntária, um termo cunhado em 1936 pelo filósofo social norte-americano Richard Bartlett Gregg (1885–1974), conhe- cido pela teoria da resistência não-violenta, inspirada nos grandes pacifistas históricos. No seu ensaio filosófico The Value of Volun- tary Simplicity (Wallingford, PA: Pendle Hill, 1936), Gregg fala da necessidade e dos benefícios de uma vida mais simples, diz: a simplicidade voluntária envolve tanto a condição interior como exterior. Isso signi- fica identidade de propósitos, sinceridade e honestidade interior, da mesma forma deve-se evitar a desordem exterior e as imensas posses que são irrelevantes para o propósito principal da vida. Isso significa uma ordenação e uma orientação da nossa energia e dos nossos desejos, uma restrição parcial em algumas direções, a fim de asse- gurar uma maior abundância de vida nou- tras direções. Trata-se de uma organização deliberada da vida com um propósito. Mais tarde, outros autores retomaram o tema da simplicidade voluntária, com destaque para Duane Elgin, na sua obra Voluntary Simplici- ty: To ward a Way of Life that is Out wardly Simple, In wardly Rich, com várias edições e atualizações (1981, 1993 e 2010). Na sua última versão do livro, Elgin transmite-nos que a simplicidade voluntária não é um manual sobre como viver na pobreza, mas um contributo de como viver de forma mais equilibrada e fresca, num mundo cada vez mais quente e insustentável. Diz-nos que a simplicidade não é um sacrifício, mas uma forma voluntária, consciente e deliberada que promove o relacionamento harmonioso entre os seres humanos e estes com a na- tureza; que fortalece a justiça e a equidade, a inteligência e a beleza, a gestão saudável dos recursos naturais, a satisfação mais gratificante e duradoura, a unidade da vida e a riqueza cultural e, por fim, um planeta mais limpo, seguro e cuidado. A simplicidade voluntária envolve assim um crescimento interior que se traduz numa condição exterior desapegada dos bens materiais. Uma vida mais autêntica e imersa nos mistérios mais profundos do universo, não se coaduna com a acumulação de objetos e poder sobre os outros, mas numa riqueza interior, do espírito humano. A alegria efémera que a aquisição de objetos pode produzir na mente de um ser humano não se compara com a felicidade duradou- ra de uma mente serena liberta da escrava- tura dos desejos materiais. Vivemos numa sociedade com tiques esquizofrénicos, que procura desesperadamente por objetos novos, descartando outros com a mesma utilidade. Uma sociedade que incentiva o consumo, que alimenta uma indústria, com benefícios para quem comanda as cor- porações, mas com tremendos prejuízos quer para a natureza, quer para os seres humanos que ficam reféns do sistema. A Natureza perdeu a sua sacralidade. A adoração faz-se agora através das marcas que ocupam lugares de destaque nas cate- drais dos centros comerciais ou virtuais. A vida deixou de ser autêntica. Veste-se não para por causa do frio, mas para criar uma imagem irreal de si próprio. A ilusão é o grande profeta, num deus criado à imagem de um homem pequeno no seu interior.
  • 3. 82 O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS Diz-nos Elgin na obra supracitada, contrariamente aos mitos dos media, o consumismo oferece vidas de sacrifício, enquanto a simplicidade oferece vidas de oportunidade. Simplicidade cria a oportunidade para uma maior realização no trabalho, para ligações mais significa- tivas com os outros, para sentimentos de parentesco com toda a vida e reverência por um universo vivo. Esta é uma forma de vida rica que oferece uma alternativa fasci- nante ao stress, à ocupação e à alienação da era moderna. No entanto, os meios de comunicação em muitas sociedades são movidos pelo consumismo e têm sido relutantes em explorar a promessa da simplicidade, porque ameaça o motor do crescimento económico, que é a sua força vital. É bem verdade, mas temos de acrescentar que grande parte da co- municação social foi adquirida por muitas corporações poderosas, ficando refém dos seus interesses particulares. O ciclo vicioso de procura constante pela riqueza exterior está a destruir o planeta e a nossa humanidade. Para alimentar a procura constate de bens, muitos deles desnecessários, são gastos recursos naturais, exploradas pessoas e animais, destruídos ecossistemas inteiros e poluídos habitats. As alterações climáticas e a perda da biodiversidade são impactes bem visíveis à escala global, mas que vai aos centros comerciais fixar a mente nos objetos a ser adquiridos, pouco se interessa pelo trabalho infantil, pelo sofrimento do animal em que se arrancou a pele ainda vivo ou pela contami- nação dos aquíferos de toda uma região. A vida deixou de ter valor em relação ao bem transacionável e o sofrimento de quem é ex- plorado não importa. Não há ética, respeito, cuidado. Não há humanidade. É necessário recentrar a nossa vida e refletir nas escolhas que fazemos, optando por consumir menos e, paralelamente, procurar produtos alterna- tivos isentos do sofrimento e exploração de seres sencientes, bem como de qualquer impacto negativo que possa ter quer na esfera social, quer natural. Acima de tudo devemos olhar para a natureza como um santuário. Afinal de onde provém a vida? Quem a sustém? Quem cria condições para a sua evolução em forma e consciência? Com a simplicidade voluntária o que se pre- tende é uma riqueza interior e não exterior. Uma riqueza partilhada por sábios antigos, pelos percursores das religiões, por místicos e santos. Por todos aqueles que quiseram viver uma vida mais autêntica em sintonia com o Cosmos. Uma sintonia que é uma fon- te de inspiração para todos nós. Saibamos inspirarmos neles e termos a capacidade de discernir o que é para nós supérfluo e conseguirmos o desapego necessário para nos salvarmos (nós e o Planeta). Encontramos nas várias filosofias ou nas antigas tradições espirituais ou religiosas
  • 4. O Instalador Setembro 2016 www.oinstalador.com 83 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS - e.g. o Taoísmo, Budismo, Kabbalah, ou- tras -, preciosos segredos para podermos viver uma vida simples (simple living), em união com o Universo, em vez de vivermos uma simples vida! Em todas temos a pos- sibilidade de aprender a viver em plenitude, em abundância, prosperidade, saúde e felicidade. Cultivar a paz interior, aquietar a mente de desejos, desapegar da matéria e dos senti- dos (emoções), agir pelo não-agir deixando que as coisas tomem o seu curso, ser flexível, compassivo, tolerante e amoroso. São fundamentos tão-somente suficientes para o indivíduo alcançar equilíbrio consigo próprio, não almejar o que a sua Existência não depende ou carece e viver harmonio- samente com a Natureza. Mestre Liu Pai Lin (1907-2000), nas suas aulas de Tai Chi, no Brasil, lembrava aos seus alunos e discípulos que: O mais im- portante para o homem não é conquistar fama, glória, posição social, acumular bens porque esse é um aspeto animal. O mais importante é ele realizar esse ser individual que ele é, que está entre o céu e a terra. De facto toda a ideia do Simple Living ou simplicidade voluntária promove uma forte relação deste elo Ser Humano-Natureza e incentiva o “voltar à terra” como forma de auto-suficiência e redução da dependência do dinheiro e da economia. No uso da terra, propõe um conjunto de práticas ecológicas, a redução do uso dos recursos naturais, defende a pequena escala e propõe a preservação da natureza selvagem. Uma vida nos bosques Vemos em Thoreau um exemplo de sim- plicidade voluntária e desta comunhão com a Natureza quando decide, em 1845, retirar-se para a floresta a fim de viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, segundo palavras suas. A busca por compreensão da sociedade capitalista americana da época e a descoberta do essencial da vida são propósitos que o acompanham nesta experiência mística de dois anos. Abandonou a civilização e enfornou-se nos bosques do lago Walden, onde numa cabana construída por ele mesmo, viveu em íntimo contacto com a natureza, provendo à sua subsistência e entregando-se à contemplação. [adpt. Thoreau, H.D., in Walden ou a vida nos bosques, pp.8] Walden está repleto de descrições riquís- simas da experiência de Thoreau demons- trativas de como a harmonia do homem passa pela natureza. A ideia da natureza como refúgio para desenvolver um modo de vida simples é algo de recorrente no Ser Humano e é neste contacto estreito que dá a sua realização.