Sagarana (1946)

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Sagarana (1946)

  1. 1. SAGARANA (1946) JOÃO GUIMARÃES ROSA (1908 - 1967)
  2. 2. Guimarães Rosa situa-se na 3ª fase do Modernismo brasileiro, chamada Neomodernismo ou geração de 45. Ao lado de Clarice Lispector (Perto do coração selvagem, 1944), ele rompeu com os esquemas narrativos dos anos 30 e instaurou um novo processo ficcional, baseado na estilização inventiva de dados regionais e na constante pesquisa do instrumento que lhe serve de base, a linguagem. Por essas razões, Guimarães Rosa pode ser considerado um instrumentalista. Da mesma geração, o seu correspondente formal e temático na poesia é João Cabral de Melo Neto (Pedra do Sono, 1942).
  3. 3. Sagarana – João Guimarães Rosa (1946) SAGA + RANA= cidade mineira; à moda de, à maneira de lenda: espaço mítico ou real?
  4. 4. Edições diversas
  5. 5. Edições diversas (cont.)
  6. 6. Ilustrações de Poty para Sagarana
  7. 7. As nove novelas (ou contos ou “causos”) são: 1- O Burrinho Pedrês 2- A Volta do Marido Pródigo 3- Sarapalha 4- Duelo 5- Minha Gente 6- São Marcos 7- Corpo Fechado 8- Conversa de Bois 9- A Hora e a Vez de Augusto Matraga
  8. 8. Galeria: datilomanuscritos
  9. 9. Galeria: ilustrações / fotografias
  10. 10. Galeria: ilustrações / fotografias
  11. 11. Quanto aos narradores Contos narrados em terceira pessoa(narradorobservador e onisciente):O Burrinho Pedrês,A Volta do Marido Pródigo,Sarapalha, Duelo,Conversa de Bois, A Hora e a Vez de Augusto Matraga Contos narrados em primeira pessoa(narradorpersonagem):Minh a Gente, São Marcos,Corpo Fechado
  12. 12. Marca do processo narrativo dos contos de Sagarana Uso do discurso indireto livre: consiste na mistura da fala do narrador com o pensamento do personagem.O narrador tem completa adesão pelo personagem. Exemplo: “Vestindo água, só saído o cimo do pescoço, o burrinho tinha de se enquadrar para o alto, a salvar também de fora o focinho. Uma peitada. Outro tacar de patas. Chu-aá!Chu-aá...ruge o rio, como chuva deitada no chão. Nenhuma pressa! Outra remada, vagarosa. No fim de tudo, tem o pátio, com os cochos, muito milho, na Fazenda;e depois o pasto:sombra,capim e sossego...Nenhuma pressa(...)”
  13. 13. Tema constante: A travessia, a viagem, a busca, a descoberta, o desejo de mudança interior, encontros e desencontros revestidos de uma certa “aura mágica”, sendo que o sertão é o centro irradiador de todas as narrativas.Temos reflexões de natureza filosófica, o que nos leva a comprovar o caráter universalista dos textos.
  14. 14. Personagens São, de modo geral, seres em travessia: bichos, crianças, homens rudes e simples, vaqueiros, peões, valentões. São “ seres em disponibilidade”, propensos ao sonho, ao devaneio e à aventura e ao aprendizado da vida.
  15. 15. Espaço Sertão mineiro: o sertão das “Gerais”(Minas Gerais), arraiais, povoados, vilas distantes, esquecidas de tudo e de todos
  16. 16. Tempo Tempos não medidos pelo relógio, mistura de passado/presente, tornando-se narrativas encantadas( fábulas)
  17. 17. Linguagem A linguagem de Guimarães Rosa tem um grande intuito: retratar a oralidade do sertanejo mineiro. Para cumprir seu propósito, ele reinventa a linguagem, criando neologismos, trabalhando recursos poéticos(aliteração, onomatopéias, etc), utiliza provérbios, enfim, cria um novo mundo de linguagem.
  18. 18. Exemplos de inovações lingüísticas Inovações fonológicas(som) Ex:“Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando...” (Temos aliteração e onomatopéia) Inovações morfológicas (construção de palavras) Ex: amormeuzinho,no mopadrofilhospritos santaméin, desfeliz, etc
  19. 19. Temos ainda: Inovações sintáticas, que dizem respeito ao arranjo das palavras nas frases e períodos Inovações semânticas, que se referem ao significado das palavras
  20. 20. Presença de arcaísmos(palavras que caíram em desuso) Exemplos: em riba(em cima), de banda (de lado), a lembrar, arresolver, alumiar
  21. 21. 1- O Burrinho Pedrês Personagens: Sete de Ouros(o burrinho), Major Saulo(dono do burrinho), João Manico, Francolim e Badu(peões) Síntese: os peões e o Sete de Ouros têm a missão de levar mais de 400 bois para um arraial vizinho.Na volta, na cheia do rio, Sete de Ouros salva Badu e Francolim Interpretação:a sabedoria do burrinho faz com que ele consiga atravessar o rio e fazer o bem, salvando 2 peões
  22. 22. 2-A Volta do Marido Pródigo Personagens:Lalino Salãthiel(mulato esperto que quer conhecer novos lugares e novas pessoas), Seu Ramiro(patrão de Lalino) empresta-lhe dinheiro para conhecer o Rio de Janeiro),Maria Rita(esposa de Lalino), Oscar(simpatiza com Lalino, é uma espécie de amigo)
  23. 23. (continuação de A Volta do Marido Pródigo) Síntese: Lalino é um mulatinho esperto que tem sede de aventura. Empresta dinheiro do patrão, seu Ramiro, para ir se aventurar no Rio, abandonando a esposa Maria Rita.Entra numa grande farra no Rio, cansa-se e resolve voltar.Encontra a esposa vivendo com seu Ramiro e decide que irá reconquistá-la, cumprindo a promessa.
  24. 24. (continuação de A Volta do Marido Pródigo) Interpretação: Lalino é um personagem que dialoga com Leonardinho e Macunaíma. Todos são anti-heróis. Através de suas estratégias e com ajuda do destino reconquista Maria Rita. É um exemplo de heroísmo às avessas. (Intertextualidade com Memórias de um Sargento de Milícias e Macunaíma)
  25. 25. 3.Sarapalha Personagens: primo Ribeiro e primo Argemiro, ambos estão doentes. Sofrem de maleita, Luísa (moça da estória)
  26. 26. (continuação de Sarapalha) Síntese: Primo Ribeiro e primo Argemiro sofrem com as febres da doença. Nos seus delírios, começam a recordar uma estória triste: Luísa, esposa de Ribeiro, abandonao, fugindo com um boiadeiro.Argemiro se emociona e confessa a Ribeiro que também era apaixonado por Luísa , mas sempre a respeitou. Ribeiro não se conforma com a confissão e expulsa Argemiro da fazenda.Ribeiro morre e Argemiro vai embora, ardendo em febre, acompanhado de um cachorro e com as lembranças de Luisinha
  27. 27. Sarapalha Interpretação: o ritmo da narrativa é extremamente lento, temos a nítida sensação de isolamento. No confronto passado/presente, Ribeiro acha que Argemiro é o demo e o manda embora.Argemiro, que fora sincero, acha que seria compreendido por Ribeiro e acaba sendo punido por falar a verdade.
  28. 28. 4. Duelo Personagens: Turíbio Todo(vaqueiro de profissão, é considerado um “homem mau”), Cassiano Gomes (exoficial da Força Pública e amante da esposa de Turíbio), esposa de Turíbio
  29. 29. (continuação de Duelo) Síntese: Turíbio Todo é conhecido como um homem violento e vingativo. Descobre que a esposa, dona Silivana, o estava traindo com Cassiano Gomes, mas finge não saber de nada e elabora um plano de vingança. Numa emboscada, Turíbio mata o irmão de Cassiano que nada tinha a ver com a vingança. Agora, quem quer se vingar é Cassiano.
  30. 30. (continuação de Duelo) (continuação da síntese) Turíbio e Cassiano duelam durante meses e acabam desistindo. Cassiano resolve visitar o lugar onde nascera e pressentia sua própria morte para logo. Não consegue chegar e recebe, na viagem, a ajuda de Timpim Vinte-e-Um, para quem conta toda a estória. Cassiano morre. Turíbio acha que tudo estava resolvido quando, para seu espanto, Timpim vem honrar a vingança de Cassiano e mata Turíbio.
  31. 31. (continuação de Duelo) Interpretação: A mensagem é a inversão de papéis, ou seja,Cassiano, de perseguido, passa a perseguidor e Timpim, que era um simples capiau(caboclo), tranforma-se em agente do bem, punindo Turíbio, que, ao que parece, só tinha razão no início da estória.
  32. 32. 5. Minha Gente Personagens: narrador-personagem (cujo nome não sabemos), Tio Emílio( tio da narrador-personagem), Maria Irma (filha de tio Emílio), Santana (empregado do tio Emílio)
  33. 33. (continuação de Minha Gente) Síntese: O narrador-personagem vai visitar o tio Emílio e se entrega a uma série de recordações. Apaixona-se por Maria Irma que fica dizendo que ora está apaixonada e ora não está mais. O narrador-personagem conhece Armanda, filha de um fazendeiro vizinho, apaixona-se por ela e com ela se casa, descobrindo, assim, seu verdadeiro amor.
  34. 34. (continuação de Minha Gente) Interpretação: toda a estória e a trama são desenvolvidas como uma partida de xadrez(jogo predileto do narradorpersonagem e do capiau Santana).Depois de vários “xequemates”, o narrador-personagem encontra a felicidade e o verdadeiro amor.
  35. 35. 6. São Marcos Personagens: José (ou Izé, narrador de várias estórias, que não acredita em feitiços e acaba sendo vítima de um feitiço de João Mangolô),Sá Nhá Rita Preta e Aurísio Manquitola (amigos de José) e João Mangolô (negro feiticeiro)
  36. 36. (continuação de São Marcos) Síntese: José é um homem de muitas histórias e sempre disse que não acreditava em feitiços.Seus amigos lhe diziam para que não brincasse com o feiticeiro João Mangolô e não invocasse a Oração de São Marcos. Nos seus passeios de domingo, José provoca o feiticeiro e acaba ficando cego.Desesperado, José acaba usando a reza brava de São Marcos.
  37. 37. (continuação de São Marcos) José acaba indo parar na casa de Mangolô, a quem queria matar com fúria. O feiticeiro, no entanto, pede-lhe que não faça mal a ele,desfaz o feitiço e od dois “fazem as pazes”
  38. 38. São Marcos Interpretação: trata-se de um conto metalingüístico, uma vez que José responde às quadrinhas escritas com canivete no bambual. José e Mangolô, nos seus versos, discutem os princípios da criação poética. José fazia pouco caso dos feiticeiros e das crendices e precisou de ambos para voltar a enxergar.
  39. 39. 7. Corpo Fechado Personagens: o narrador-personagem é um médico que está morando no arraial da Laginha, Manuel Fulô(protagonista), Targino (um valentão do arraial) e Maria-dasDores(jovem por quem Fulô se apaixona).
  40. 40. (Continuação de Corpo Fechado) Síntese: Manuel Fulô contou muitas histórias para o narrador-personagem que vai recontando para nós, leitores, tais histórias. Manuel Fulô se apaixona por DasDores e fica noivo dela, mas é afrontado por Targino, valentão do lugar, que diz que vai dormir com ela e depois a devolveria. Fulô conta com a ajuda do curandeiro Antonico das Pedras ou Antonico das Águas que faz Fulô ter corpo fechado, enfrentando Targino.
  41. 41. (continuação de Corpo Fechado) Interpretação: a cumplicidade com a feitiçaria, adquirindo “corpo fechado” leva Manuel Fulô a ficar corajoso e enfrentar Targino. É como se Fulô conseguisse vencer o Demo.
  42. 42. 8. Conversa de Bois Personagens: Manuel Timborna(narrador-observador que conta sobre os bois), seu interlocutor ( alguém que escuta Timborna), mais um narrador ( uma irara chamada Risoleta, que é uma ave), Agenor Soronho (condutor do carro de bois) e Tiãozinho (ajudante de Agenor)
  43. 43. (continuação de Conversa de Bois) Síntese: um carro de bois com 4 parelhas é conduzido por Agenor e seu guia, o moleque Tiãozinho. O carro leva um defunto que é o pai de Tiãozinho. Os bois conversam e contam estórias tristes. Tiãozinho é também um menino muito triste e maltratado por Agenor. Os bois se cansam de Agenor e chacoalham o carro até ele cair e “desencarnar”. Tiãozinho continua a condução do carro de bois, carregando, agora, dois defuntos.
  44. 44. (Continuação de Conversa de Bois) Interpretação: de novo, o fraco vence o forte, o bem vence o mal, num caso em que a irara conta a história a Manuel Timborna, que a reconta ao escritor, que a repassa a nós. O carro de bois, assim, como Tiãozinho, também cumpre uma travessia.
  45. 45. Conversa de Bois- estrutura dos narradores Conto Conversa de Bois Irara (conta para Manuel Timborna) Manuel Timborna (conta para o escritor) Escritor(narrador observador que conta para um interlocutor-leitor
  46. 46. 9.A Hora e a Vez de Augusto Matraga Personagens: Nhô Augusto( homem perverso), Dona Dionóra( sua esposa), Mimita( filha de dona Dionóra), Joãozinho Bem-Bem (líder de um bando de capangas)
  47. 47. (Continuação de A Hora e a Vez de Augusto Matraga) Síntese: Nhô Augusto Matraga é abandonado pela esposa e pela filha porque ninguém suporta viver com ele. Além disso, seus empregados o abandonam também provocados pelo Major Consilva. Augusto vai tirar satisfações e é atacado pelos antigos capangas que chegam a marcá-lo com o ferro do gado.
  48. 48. (Continuação A Hora e a Vez...) Matraga é encontrado por um casal negro que cuida dele e o adota. Matraga resolve se redimir e virar uma boa pessoa. O chefe de um bando de jagunços, Joãozinho Bem-Bem, tenta convencer Matraga a se reunir ao seu grupo, mas ele se lembra das sábias palavras de um padre que lhe disse que ele precisava ser bom: “Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua”
  49. 49. (Continuação de A Hora e a Vez...) Depois de algum tempo, Augusto Matraga reencontra Joãozinho BemBem e seu bando lutando. Joãozinho morre e a hora e a vez de Augusto Matraga também chegam.
  50. 50. (Continuação A Hora e a Vez...) Interpretação: equívoco, destino, acaso ou fatalidade – as travessias se encerram com a de Nhô Augusto que, de homem mal foi à redenção, e só encontra refúgio do bem e do mal na morte.
  51. 51. Temas abordados - Tropeirismo - Epidemia, febre da Malária - Traição - Vingança Índice
  52. 52. O livro: O livro é constituído por nove contos, são eles: O BURRINHO PEDRÊS A VOLTA DO MARIDO PRÓDIGO SARAPALHA DUELO MINHA GENTE SÃO MARCOS CORPO FECHADO CONVERSA DE BOIS A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA Índice
  53. 53. Personagens: Burrinho Pedrês: Sete de Ouros Major Saulo João Manico Francolim Raymundão Zé Grande Silvino Corpo Fechado: Narrador Manuel Fulô Beija-Flor Das Dor Targino Antônio das Pedras-Águas Duelo: Turíbio Todo Dona Silivana Cassiano Gomes Vinte-e-Um Conversa de bois: Tiãozinho Agenor Soronho Januário
  54. 54. A volta do marido pródigo: Seu Waldemar Seu Marra Lalino Laio Maria Rita Major Anacleto Oscar Minha gente: Doutor Santana José Malvino Tio Emílio Maria Irma Bento Porfírio Sarapalha: Primo Argemiro Primo Ribeiro Prima Luísa Ceição Jiló São Marcos: Sá Nhá Rita José João Mangolô A hora e a vez de Augusto Matraga: Nhô Augusto, Matraga e Augusto Esteves Joãzinho Bem-Bem Índice
  55. 55. CARACTERÍSTICAS DA OBRA
  56. 56. Regionalismo universalizante: substitui o pitoresco e o realismo pela fusão entre o real e o mágico. Uso do sertão como tema, mas sem limitá-lo geograficamente (O sertão é o mundo). Temas universais, embora com colorido local: bem X mal; Deus X diabo; ódio X amor. Destaque na linguagem elaborada mediante coleta de dados, exploração sonora, sintática e semântica. Recursos estilísticos: onomatopeias, aliterações, metáforas, metonímias, ritmos, rimas. Criação de linguagem dentro da linguagem.
  57. 57. Linguagem: precisão dos termos, regionalismos, arcaísmos, neologismos, o nomatopeias e aliterações. Traços regionalistas: cantos, ditos populares, superstições e crendices. Descrições detalhadas da natureza: plantas, répteis, pássaros. Linguagem: uso do discurso indiretolivre e fluxo da consciência.
  58. 58. O autor está preocupado em fazer uma obra de arte, em estilo pessoal, próprio. Respeita a linguagem, mas não quer ser limitado por ela. Tem aversão ao lugar-comum, por isso a inovação constante. Usa o espaço regional de Minas, mas em concepção uni versal. A obra é artesanal, pensada, criada e elaborada. O conto atinge a transcendência, tem valor de parábola.
  59. 59. 1. Assinale a(s) afirmação(ões) correta(s) sobre o livro Sagarana e se seu autor. 01) O autor, embora apresente características regionalistas em sua obra, coloca em segundo plano o lado pitoresco do sertão, substituindo-o por valores mais universais, como o misticismo e as relações humanas. 02) A linguagem de Guimarães Rosa adquire conotações sui generis, resultado de pesquisa e criatividade. 04) No conto Sarapalha, dois primos vivem sós numa tapera, acometidos de maleita à espera da morte, tendo junto deles um cachorro miserável e uma negra surda que para eles cozinha.
  60. 60. 08) O autor descreve em detalhes a natureza do seu Estado na tal, Minas Gerais, fazendo verdadeiras listas de nomes de plantas e animais da região. 16) Sagarana é uma obra de saudade da terra natal, por isso mesmo de intenso lirismo, não havendo espaço para o humor ou a tragédia. 32) O Burrinho Pedrês é uma história dentro da qual se desenvolvem várias histórias paralelas, sempre sobre a relação entre o homem do sertão e os animais. 01+02+04+08+32
  61. 61. 2. A leitura do livro Sagarana, de Guimarães Rosa, permite afirmar que: 01) o autor é um modelo de linguagem de sintaxe correta, bem ao gosto dos clássicos, razão do seu prestígio nacional e universal. 02) o regionalismo sempre presente nos contos do autor, segundo a crítica consagrada, não transcende o interior mineiro, o que restringe o valor literário de sua obra. 04) para o autor, os limites entre a prosa e a poesia devem ser se mpre respeitados, razão por que não usa recursos poéticos em seus trabalhos em prosa.
  62. 62. 08) contos como Conversa de Bois mostram a preocupação em abordar temas ligados à psicologia e mesmo à parapsicologia, que transcendem o universo regional mineiro. 16) em Corpo Fechado, há insinuações autobiográficas, pois u m dos protagonistas e suposto narrador é um doutor, profissão exercida no interior mineiro pelo autor. 32) em razão da simplicidade dos fatos narrados e da limitação expressiva dos protagonistas, o padrão de linguagem dos conto s é simples e de fácil compreensão. 08+16
  63. 63. 3. Assinale apenas a(s) afirmação(ões) verdadeira(s) sobre o livro Sagarana e seu autor. 01) No conto O Burrinho Pedrês, o autor destaca a inteligência do animal que, ao contrário do que se pensa, é mais esperto do que os cavalos ou bois. 02) Na introdução do livro, em carta pessoal a seu editor, o aut or demonstra acreditar apenas na inspiração, negando a neces sidade de trabalhar, posteriormente, um texto escrito. 04) A fusão prosa / poesia é tão intensa em Guimarães Rosa que, em vários contos, surgem letras de canções ou trechos de poemas do cancioneiro popular.
  64. 64. 08) No conto Duelo, o autor narra a história de um valentão que, mesmo armado de revólver, morre esfaqueado por um caipira humilde, que tenta salvar a honra de sua noiva. 16) Acreditando no necessário distanciamento autor / obra, em nenhum momento Guimarães Rosa deixa transparecer situações autobiográficas n esses contos. 32) Através de suas histórias, o autor sempre parece estar passando uma mensagem, como se cada qual fosse uma fábula. 64) Apesar da frequente presença de animais nos contos, o autor sabe dif erenciar o racional do irracional; por isso não se encontram termos ou descrições que poderiam atribuir qualidades humanas aos bichos. 01+04+32
  65. 65. 4. Tomando como referência o conto A Hora e a Vez de Augus to Matraga, do livro Sagarana, assinale apenas a(s) afirmação(ões) verdadeira(s). 01) O protagonista é Joãozinho Bem-Bem, um jagunço malvado que atemoriza as populações pobres do interior de Minas Gerais. 02) O protagonista é Nhô Augusto Esteves, que era bom, mas, revoltado, transforma-se em bandido para vingar sua família, morta por jagunços. 04) Nhô Augusto é cruel e desrespeitador; após ser quase morto, muda de vida e decide dedicar-se ao bem.
  66. 66. 08) A conversão de Nhô Augusto faz com que assuma o nome de Joãozinho BemBem e passe a defender os pobres e oprimidos do interior de Mi nas. 16) A conversão de Augusto Matraga se deu na aparência, e não na essência, pois seu gênio não havia mudado: continuava um valentão, só que então ao lado do bem. 32) Ao morrer lutando em favor de humildes, Nhô Augusto não revela sua verdadeira identidade. 64) O final do conto apresenta uma situação paradoxal, pois os dois contendores, feridos de morte um 04+16+64 pelo outro, fazem as pazes antes de morrer.
  67. 67. 5. Em um dos contos de Sagarana, o autor narra as aventuras de um herói picaresco que abandona a mulher para viver grandes aventuras no Rio de Janeiro. Retorna desiludido e tenta reconquistar a mulher, negociada com um espanhol antes de partir. Conto e protagonista são: a) O Burrinho Pedrês — Major Saulo. b) Corpo Fechado — Manuel Fulô. c) Conversa de Bois — Soronho. d) A Volta do Marido Pródigo — Lalinho Salãthiel. e) Minha Gente — tio Emílio.
  68. 68. 6. Na obra Sagarana não encontramos: a) submissão do autor a uma sintaxe convencional. b) regionalismo universalizante. c) descrições da natureza. d) recursos poéticos aplicados à prosa. e) análise do comportamento humano.
  69. 69. 7. Sobre o livro Sagarana e seu autor, assinale a única afirmação procedente. a) Trata-se de um romance regionalista, em que a convivência homemanimal é intensamente explorada. b) O autor explora a linguagem convencional, preocupado em tornála acessível ao leitor de todas as camadas sociais. c) A obra fica restrita ao ambiente do interior mineiro, não tendo qualquer conotação universalizante. d) Guimarães Rosa, apesar de estabelecer suas histórias no sertão mineiro, dá à sua obra dimensão universalizante, a partir da temática, principalmente. e) O autor preocupa-se apenas com a linguagem, para ele um exercício de liberdade, mas não se preocupa com a fábula ou com a mensagem do conto.
  70. 70. 5. (U. E. Pará/2004) Observe o trecho extraído de “Burrinho Pedrês”, de Guimarães Rosa: — Você é meu camarada de confiança, Francolim. Tem mais responsabilidade de ajudar, também... — Isto, sim, dou meu pescoço! Em serviço do senhor, carrego pedras, seu Major. Só peço é ordem para o João Manico me dar de novo meu cavalinho, na entrada do arraial, para não ficar feio eu, como ajudante do senhor, o povo me ver amontado neste burro esmoralizado... sem querer com isso ofender, por ser criação de que o senhor gosta... Considerando o seu conteúdo e o conjunto da narrativa da qual foi retirada, é correto dizer que: a) no momento em que se trava esse diálogo, o episódio do afogamento de alguns vaqueiros no córrego já havia acontecido.
  71. 71. b) a solicitação de Francolim para destrocar a montaria não será acatada pelo Major Saulo. c) o diálogo evidencia o comportamento de independência dos vaqueiros em relação ao dono da fazenda. d) o comentário de Francolim sobre Sete de Ouros, que se assemelha ao dos outros vaqueiros, irá revelar-se injusto, ao final, quando o burrico, além de salvar Badu, irá salválo, também. e) o personagem João Manico, referido por Francolim, é o único vaqueiro a salvar-se na travessia do córrego, por ter isso e vindo montado em Sete de Ouros.
  72. 72. (FUVEST/2005) Texto para as questões 6 e 7 Sim, que, à parte o sentido prisco, valia o ileso gume do vocábulo pouco visto e menos ainda ouvido, raramente usado, melhor fora se jamais usado. Porque, diante de um gravatá, selva moldada em jarro jônico, dizerse apenas drimirim ou amormeuzinho é justo; e, ao descobrir, no meio da mata, um angelim quetira para cim a cinquenta metros de tronco e fronde, quem não terá ímpeto de criar um vocativo absurdo e bradálo — Ó colossalidade! — na direção da altura? (João Guimarães Rosa, “São Marcos”, in Sagarana) prisco = antigo, relativo a tempos remotos. gravatá = planta da família das bromeliáceas.
  73. 73. 6. Neste excerto, o narrador do conto “São Marcos” expõe alguns traços de estilo que correspondem a características mais gerais dos textos do próprio autor, Guimarães Rosa. Entre tais características só NÃO se encontra a) o gosto pela palavra rara. b) o emprego de neologismos. c) a conjugação de referências eruditas e populares. d) a liberdade na exploração das potencialidades da língua portuguesa. e) a busca da concisão e da previsibilidade da linguagem.
  74. 74. Dentre os contos de "Sagarana" existe um em que o narrador sustenta um duelo literário com outro poeta, chamado Quem Será, e no qual se fazem várias considerações sobre a natureza da poesia. Numa metáfora do condicionamento do homem, resistente à aceitação do novo e diferente, o autor leva a personagem a passar por um período de cegueira. A partir daí a personagem descobre a mutilação dos sentidos, que agora se abrem a outras vertentes da realidade. Em qual dos contos a seguir se discute essa questão? a) "A hora e a vez de Augusto Matraga" b) "Duelo" c) "Conversa de Bois" d) "São Marcos" e) "Corpo fechado"
  75. 75. Reflita sobre as seguintes afirmações: I. Tal como ocorre nos demais contos de SAGARANA, João Guimarães Rosa centraliza neste a prática popular da fé cristã, encarnada aqui num Augusto Matraga renascido, que viverá o resto de sua vida no trabalho humilde e penitente, para além do heroísmo e da violência. II. Neste conto, como em todos de SAGARANA, a linguagem do autor promove uma autêntica fusão entre o que é abstrato e o que é concreto, tal como aqui ocorre na fala do padre, em que os valores religiosos se enraízam no cotidiano sertanejo. III. A "hora e vez" de que fala o padre vai-se concretizar, neste conto, num ato de fé e de bravura do protagonista contra um inimigo poderoso, o que lembra o clímax de dois outros contos do livro: "São Marcos" e "Corpo fechado".
  76. 76. É correto afirmar que A. apenas II é verdadeira. B. apenas III é verdadeira. C. apenas I e III são verdadeiras. D. apenas II e III são verdadeiras. E. I, II e III são verdadeiras.
  77. 77. "E não é sem assim que as palavras têm canto e plumagem. E que o capiauzinho analfabeto Matutino Solferino Roberto da Silva existe, e, quando chega na bitácula, impõe: - 'Me dá dez 'tões de biscoito de talxóts!' - porque deseja mercadoria fina e pensa que 'caixote' pelo jeitão plebeu deve ser termo deturpado. E que a gíria pede sempre roupa nova e escova. E que o meu parceiro Josué Cornetas conseguiu ampliar um tanto os limites mentais de um sujeito só bi-dimensional, por meio de ensinar-lhe estes nomes: intimismo, paralaxe, palimpsesto, sinclinal, palingenesia, prosopopese, amnemosínia, subliminal..." (João Guimarães Rosa, fragmento do conto "São Marcos", de SAGARANA.)
  78. 78. Considerando a visão de mundo e a linguagem de autores representativos da ficção brasileira do século XX, escolha as alternativas corretas: (A) A obra de Guimarães Rosa enfatiza a separação entre a cultura popular, que tende a conservar a língua, e a cultura erudita, entendida como principal fonte da renovação constante do vocabulário. (B) Os enredos secundários e a citação de versos populares, que aparecem com freqüência nos contos de SAGARANA, têm função ilustrativa, criando apenas uma espécie de pano de fundo para a estória narrada, e poderiam ser suprimidos sem qualquer prejuízo para a compreensão.
  79. 79. (C) A ênfase na experimentação lingüística e na metalinguagem leva Guimarães Rosa a dispensar pouca atenção ao enredo, especialmente nos contos de SAGARANA, que praticamente não narram história alguma. (D) A obra de Guimarães Rosa realiza em grande medida algumas reivindicações de autores significativos do Movimento Modernista, que propuseram o direito permanente à pesquisa estética e a estabilização de uma consciência criadora nacional.
  80. 80. O conto "Conversa de bois" integra a obra SAGARANA, de João Guimarães Rosa. De seu enredo como um todo, pode afirmar-se que a) os animais justiceiros, puxando um carro, fazem uma viagem que começa com o transporte de uma carga de rapadura e um defunto e termina com dois. b) a viagem é tranquila e nenhum incidente ocorre ao longo da jornada, nem com os bois nem com os carreiros. c) os bois conversam entre si e são compreendidos apenas por Tiãozinho, guia mirim dos animais e que se torna cúmplice do episódio final da narrativa. d) a presença do mítico-lendário se dá na figura da irara, "tão séria e moça e graciosa, que se fosse mulher só se chamaria Risoleta" e que acompanha a viagem, escondida, até à cidade. e) a linguagem narrativa é objetiva e direta e, no limite, desprovida de poesia e de sensações sonoras e coloridas.
  81. 81. O conto "São Marcos", que integra a obra "Sagarana", de João Guimarães Rosa, apresenta linguagem marcadamente sinestésica, isto é, que ativa os órgãos sensoriais como meios de conhecimento da realidade, em suas diferentes situações narrativas. No ponto culminante da narrativa, o narrador é afetado em sua capacidade sensorial, particularmente ligada
  82. 82. a) ao olfato, que lhe permite perceber o "cheiro de musgo. Cheiro de húmus. Cheiro de água podre", bem como o "odor maciço, doce ardido, do pau d'alho". b) à visão, que lhe permite contemplar as plantas, as aves, os insetos, as cores e os brilhos da natureza, como em "debaixo do angelim verde, de vagens verdes, um boi branco, de cauda branca". c) ao tato, que se ativa "com o vento soprando do sudoeste, mas que mudará daqui a um nadinha, sem explicar a razão", além de lhe permitir sentir o "horror estranho que eriçava-me a pele e os pêlos". d) ao paladar, ativado na mastigação "de uma folha cheirã da erva-cidreira, que sobe em tufos na beira da estrada", e usada, segundo a personagem, para "desinfetar". e) à audição, que lhe faculta "distinguir o guincho do paturi do coincho do ariri, e até dissociar as corridas das preás dos pulos das cotias, todas brincando nas folhas secas".
  83. 83. João Guimarães Rosa, em Sagarana, permite ao leitor observar que: a) explora o folclórico do sertão. b) em episódios muitas vezes palpitantes surpreende a realidade nos mais leves pormenores e trabalha a linguagem com esmero. c) limita-se ao quadro do regionalismo brasileiro. d) é muito sutil na apresentação do cotidiano banal do jagunço. e) é intimista hermético.

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