Os Yogasutras de PatañjaliTraduzidos do sânscrito e comentadospor Carlos Eduardo G. BarbosaPrimeira EdiçãoSão Paulo, Abril...
2 paataÕala ya{gasaU«aaiNaCopyright © 1998 - Carlos Eduardo Gonzales BarbosaEditado pelo AutorPrimeira Edição(última revis...
3Os Yogasutras de PatañjaliOs Yogasutras de PatañjaliTexto clássico fundamental do Sistema Filosófico do YogaVersão Integr...
4 paataÕala ya{gasaU«aaiNa
5Os Yogasutras de PatañjaliPrefácioIntroduçãoA Tradução dos Sutras do YogaO Plano da ObraQuem foi Patañjali?Os Sutras e a ...
6 paataÕala ya{gasaU«aaiNa
7Os Yogasutras de PatañjaliAlguma coisa pode ser consideradacomo uma preciosidade em função das circunstânciasou do moment...
8 paataÕala ya{gasaU«aaiNaO que torna o presente livro uma preciosi-dade, além do seu conteúdo, é a tradução e a objeti-vi...
9Os Yogasutras de PatañjaliEsta situação pode ser elucidada com a histó-ria do Rei Midas, que transformava em ouro tudo oq...
10 paataÕala ya{gasaU«aaiNa
11Os Yogasutras de PatañjaliA Índia é um país exótico e misterioso aosolhos dos milhares de viajantes ocidentais quetêm pe...
12 paataÕala ya{gasaU«aaiNatraduziu para o inglês um grande númerode manuscritos da língua sânscrita (que elepróprio ajudo...
13Os Yogasutras de Patañjalifuturas por tradutores mais habilitados. Esteé o nosso sincero desejo.O Yoga é talvez o mais d...
14 paataÕala ya{gasaU«aaiNaigualaram ou mesmo superaram aortodoxia, como é o caso do Jainismo e doBudismo.O principal méri...
15Os Yogasutras de Patañjalireservando-se os necessários esclarecimentospara o ensinamento direto, dado de viva vozpelo in...
16 paataÕala ya{gasaU«aaiNaformal e semanticamente coerente. Este é omelhor critério a ser adotado na leituracrítica do te...
17Os Yogasutras de PatañjaliQuem se propõe a realizar a tarefa datradução dos aforismos do sábio Patañjali en-frenta um ob...
18 paataÕala ya{gasaU«aaiNaconstituem um texto bastante polêmico.Sem fazer pouco caso da autoridadede tantos autores de co...
19Os Yogasutras de Patañjalios termos e conceitos da frase seguinte. A lei-tura, portanto, deve ser tão encadeada e natu-r...
20 paataÕala ya{gasaU«aaiNamesmo procedimento – e, portanto, extrairmelhor proveito da leitura – reunimos al-guns dos come...
21Os Yogasutras de PatañjaliOs Sutras do Yoga têm por objetivo darao estudante uma noção precisa do que é oYoga e de que m...
22 paataÕala ya{gasaU«aaiNato e noventa e seis aforismos repartidos emquatro capítulos. Estão dispostosseqüencialmente de ...
23Os Yogasutras de Patañjaliabertura que não está apresentando um textoaberto a sugestões. Quem deseja estudar oYoga deve ...
24 paataÕala ya{gasaU«aaiNaUtilizando as palavras originais, afrase diz apenas: “o Yoga é o nirodha dasvqttis de citta”. P...
25Os Yogasutras de Patañjalides mentais do ser humano, e que lhe dá asvqttis, suas ferramentas para a existência cons-cien...
26 paataÕala ya{gasaU«aaiNamistas identificavam como indispensável àexecução de sua obra, e é também o conjun-to das força...
27Os Yogasutras de Patañjalivo justamente a reintegração das vqttis, ou seja,o seu recolhimento [nirodha] novamente emcitt...
28 paataÕala ya{gasaU«aaiNaconstruídas mentalmente as condições adequa-das para o assentamento da mente no Samadhi,que ent...
29Os Yogasutras de Patañjaliespiritual, junto ao qual repousa a semente detoda a sabedoria (cf. sutra I, 25).A segunda fra...
30 paataÕala ya{gasaU«aaiNasobre variados objetos produz os diversos re-sultados psíquicos enumerados nesse terceirocapítu...
31Os Yogasutras de Patañjaliral de Vishnu ou de Krishna. Por indicar umestado mental que não reconhece a existênciade qual...
32 paataÕala ya{gasaU«aaiNaque não tenham relação com Purusha. Tudoo que se relaciona com as qualidades (gunas)da matéria ...
33Os Yogasutras de PatañjaliMuito pouco se sabe sobre a vida e a obra dePatañjali. Existem três obras que vão assinadaspor...
34 paataÕala ya{gasaU«aaiNameditava sobre seu imenso poder, mas num certo momento sentiu-seincapaz de sustentar o peso de ...
35Os Yogasutras de PatañjaliQual é o astro que melhor representao espírito, o Sol ou a Lua?Muito provavelmente um ocidenta...
36 paataÕala ya{gasaU«aaiNaO Cristianismo, bem comooutros tantos cultos efilosofias centrados no mitosolar, surgiram a par...
37Os Yogasutras de Patañjalielevado de nossa vida interior.O patrono do Yoga é o deus Çiva, queostenta a Lua crescente com...
38 paataÕala ya{gasaU«aaiNaUtchat, o espírito, olho deHórus, é o equivalenteegípcio aproximado de citta.Na celebração dos ...
39Os Yogasutras de PatañjaliA sabedoria tem sido repre-sentada em muitos mitosantigos na forma de umanimal de hábitos notu...
40 paataÕala ya{gasaU«aaiNaUm tênue, masindestrutível cordão deprata (Lua) traria paradentro de nosso organismoum fluxo de...
41Os Yogasutras de PatañjaliOs Yogasutras de PatañjaliTexto clássico fundamental do Sistema Filosófico do YogaVersão Integ...
42 paataÕala ya{gasaU«aaiNa|| samaaiDapaad ||SamádhipádaATa ya{gaanauxaasanama/ || 1 ||Atha yogánuçásanam || 1 ||ya{gaiéaÞ...
43Os Yogasutras de Patañjali1. Eis os postulados mais elevados do Yoga.2. O yoga é o recolhimento [niroðha] dos meios deex...
44 paataÕala ya{gasaU«aaiNaABaavapaRtyayaalambanaa va&iÞaina*d#a || 10 ||Abháva pratyayálambaná vqttir nidrá || 10 ||AnauB...
45Os Yogasutras de Patañjali10. O sono [nidrá] é um meio de expressão sustentadopela experiência de não existir.11.Amemóri...
46 paataÕala ya{gasaU«aaiNaêaõavaIya*sma&itasamaaiDapaRñaapaUva*kª wtareSaama/ || 20 ||Çraddhávíryasmqtisamádhiprajzápúrva...
47Os Yogasutras de Patañjali20. O [samprajzáta] de outros tem sua origem numa per-cepção intuitiva [prajñá] durante o esta...
48 paataÕala ya{gasaU«aaiNatata: paRtyakc{tanaaiDagama{HpyantarayaaBaavaéa || 29 ||Tataf pratyakcetanádhigamo;pyantaráyábh...
49Os Yogasutras de Patañjali29. Disso vem a introversão da inteligência e a dissolu-ção dos obstáculos. [Veja II,10 - as p...
50 paataÕala ya{gasaU«aaiNavaItaragaivaSaya vaa icaÞama/ || 37 ||Vítarágavißaya, vá citta, || 37 ||svapnainad#añaanaalamba...
51Os Yogasutras de Patañjali37. Ou é [demonstrado pela presença de] citta, em rela-ção ao apego aos desejos [porque citta ...
52 paataÕala ya{gasaU«aaiNasaU§maivaSayatva caailaüpaya*vasaanama/ || 45 ||Súkßmavißayatva, cálixgaparyavasánam || 45 ||ta...
53Os Yogasutras de Patañjali[nirvicára]. [Para poder dispor das impressões sutistrazidas à sua mente e fruir da plenitude ...
54 paataÕala ya{gasaU«aaiNa|| saaDanapaad ||Sádhanapádatapa:svaaDyaay{XvarpaRiNaDaanaaina ik®^yaaya{ga: || 1 ||Tapaf svádh...
55Os Yogasutras de Patañjali1. Kriya Yoga é o sacrifício [tapas], a busca do saberinterior [svádhyáya] e a entrega ao Içva...
56 paataÕala ya{gasaU«aaiNasvarsavaahI ivaduSa{Hipa taTaaÚZ{HiBainav{xa: || 9 ||Svarasaváhí viduõo;pi tathárúòho;bhiniveça...
57Os Yogasutras de Patañjali9. Apego à vida é um sentimento que surge por suaprópria força até mesmo no sábio.10. [Essas p...
58 paataÕala ya{gasaU«aaiNapaRkªaxaik®ªyaaisTaitaxaIla BaUt{ind#yaatmakª Ba{gaapavagaa*Ta*d&xyama/ || 18 ||Prakáçakriyásth...
59Os Yogasutras de Patañjali18. A coisa percebível, [que tem] a finalidade de fazercompleta a fruição (veja sutra 13), [e ...
60 paataÕala ya{gasaU«aaiNatasya hetaurivaÓaa || 24 ||Tasya hetur avidyá || 24 ||tadBaavaatsaya{gaaBaava{ hana taö&x{: kE^...
61Os Yogasutras de Patañjali24. Sua causa [da união do percebedor com o percebível]é a falta da sabedoria [avidya].25. Da ...
62 paataÕala ya{gasaU«aaiNaivatak*ªbaaDan{ paRitapa§aBaavanama/ || 33 ||Vitarkabádhane pratipakõabhávanam || 33 ||ivatakªa...
63Os Yogasutras de Patañjali33. É o desenvolvimento de idéias contrárias aos mauspensamentos, com a finalidade de evitá-lo...
64 paataÕala ya{gasaU«aaiNasanta{SaadnauºamasauKalaaBa: || 42 ||Santoõádanuttamasukhalábhaf || 42 ||kªayaeind#yaisaiõrxaui...
65Os Yogasutras de Patañjali42. Do contentamento vem a obtenção da mais elevadafelicidade [bem-estar].43. Tapas traz a des...
Os Yogasutras de Patañjali Traduzidos do sânscrito e comentados por Carlos Eduardo G. Barbosa
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  1. 1. Os Yogasutras de PatañjaliTraduzidos do sânscrito e comentadospor Carlos Eduardo G. BarbosaPrimeira EdiçãoSão Paulo, Abril de 1999paataÕala ya{gasaU«aaiNa
  2. 2. 2 paataÕala ya{gasaU«aaiNaCopyright © 1998 - Carlos Eduardo Gonzales BarbosaEditado pelo AutorPrimeira Edição(última revisão - maio 2006)Mais informações podem ser obtidaspelo e-mail:carlos.eduardo@mais.compaataÕala ya{gasaU«aaiNaPátazjala YogasútráñiPátazjala YogasútráñiPátazjala YogasútráñiPátazjala YogasútráñiPátazjala Yogasútráñi(Os Yogasutras de Patañjali)Título do original:ISBN 85-900925-1-8
  3. 3. 3Os Yogasutras de PatañjaliOs Yogasutras de PatañjaliTexto clássico fundamental do Sistema Filosófico do YogaVersão IntegralEm Sânscrito e em PortuguêsTraduzidos do sânscrito e comentadospor Carlos Eduardo G. BarbosaInstrutor no Curso de Formaçãode Professores de Yogado Instituto Narayana.paataÕala ya{gasaU«aaiNaPrimeira EdiçãoSão Paulo, Abril de 1999
  4. 4. 4 paataÕala ya{gasaU«aaiNa
  5. 5. 5Os Yogasutras de PatañjaliPrefácioIntroduçãoA Tradução dos Sutras do YogaO Plano da ObraQuem foi Patañjali?Os Sutras e a Inteligência CorporalO Texto:Capítulo I - SamadhiCapítulo II - SadhanaCapítulo III - VibhutiCapítulo IV - KaivalyamApêndices:Apêndice A - A Língua e a Literatura SânscritasApêndice B - Samkhya e YogaApêndice C - Asmita - a questão da “Egoidade”BibliografiaAgradecimentos71117213335435569839399101103105Sumário
  6. 6. 6 paataÕala ya{gasaU«aaiNa
  7. 7. 7Os Yogasutras de PatañjaliAlguma coisa pode ser consideradacomo uma preciosidade em função das circunstânciasou do momento no qual ela está inserida.Para um ourives, uma pedra preciosa, bemformada, sem impurezas e de lapidação perfeita é deuma preciosidade inigualável para seus fins e propó-sitos.Entretanto, para um enfermo num leito dehospital, um litro de sangue tem um valor e impor-tância inestimáveis.E o que dizer da água para um caminhantesedento no deserto?Por outro lado, qual seria o valor de um litrode sangue para um ourives, de um copo de água paraum enfermo e de uma jóia para um sedento caminhanteno deserto?Os Sutras de Patanjali são mais do que umapreciosidade. Eles são um legado à humanidade quese perpetua no tempo, pois contêm uma sabedoriaúnica e imprescindível à verdadeira transformação erealização do ser humano, com relação a sua naturezasuperior. Sem este saber a existência humana se re-duz à sobrevivência e realização mundana.Prefácio
  8. 8. 8 paataÕala ya{gasaU«aaiNaO que torna o presente livro uma preciosi-dade, além do seu conteúdo, é a tradução e a objeti-vidade dos comentários do amigo Carlos EduardoGonzales Barbosa. Conhecedor de fato do Sânscrito,a língua original na qual foram escritos os Sutrasde Patanjali, e professor de Cultura da Índia parainstrutores de Yoga há vários anos, ele apresenta asabedoria dos Sutras tal como ela foi escrita, semincorrer no erro de tantas outras versões que fize-ram traduções em cima de traduções. Também nãose alonga desnecessariamente em comentários que,via de regra, afastam o leitor da seqüência de idéiasconcatenadas que os Sutras apresentam e do ver-dadeiro espírito da obra original.Esta clareza na tradução e objetividade decomentários favorece um rápido envolvimento como conteúdo do texto, além de simplificar o entendi-mento dos ensinamentos contidos na obra. Com issoo leitor sente-se familiarizado com a cultura doYoga e, portanto, encorajado à sua prática, contra-riando deste modo certas idéias correntes de que osensinamentos do Yoga são de difícil compreensão ede impossível realização.Assim, ao chegar em nossas mãos esta ver-são diferenciada, é pertinente nos questionarmossobre certos cuidados no nosso relacionamento como seu conteúdo.Muitas vezes, ao entrarmos em contatocom uma cultura diferente da nossa, caímos no errode reduzirmos a outra cultura aos nossos própriospadrões de interpretação. Isso pode ter conseqüên-cias desastrosas, tratando-se dos Sutras dePatanjali, não só por causa das sutilezas do assun-to mas, também, porque eles foram escritos por umIluminado, por um ser que apresentou as verdadesa partir de um nível não ordinário de entendimen-to.
  9. 9. 9Os Yogasutras de PatañjaliEsta situação pode ser elucidada com a histó-ria do Rei Midas, que transformava em ouro tudo oque tocava, inclusive a comida necessária a sua sobre-vivência. Ele estava tão obcecado com seu propósitode transformar tudo em ouro, isto é, transformar tudoaos seus próprios valores e interesses, que perdia devista o valor intrínseco de cada coisa.A cultura ocidental e a oriental são comple-mentares, desde que se tenha uma clara visão de ambas.Conseqüentemente, ao querer interpretar os Sutrasde Patanjali sem estar atento aos nuances da culturaoriental, pode-se cair no erro do Rei Midas, ou seja, ode perder o valor intrínseco de cada aforismo.Este cuidado é indispensável ao interagirmoscom este conhecimento. Desta forma, a leitura destelivro proporcionará as bases para uma transformaçãode vida e não meramente um conhecimento intelec-tual do assunto.Para aqueles que querem ir além do rotineirocotidiano, a leitura e estudo dos Sutras de Patanjalilevam ao entendimento claro e objetivo sobre a natu-reza metafísica do ser humano, sobre o sentido da ex-periência terrena e sobre os caminhos para a liberta-ção, enquanto indivíduos encarnados.Nossa sugestão é: leia e comprove.Dezembro de 1998Fernando José GramacciniMembro da Sociedade Teosófica
  10. 10. 10 paataÕala ya{gasaU«aaiNa
  11. 11. 11Os Yogasutras de PatañjaliA Índia é um país exótico e misterioso aosolhos dos milhares de viajantes ocidentais quetêm percorrido suas terras e sua Cultura. Comsua mística e sua sabedoria profunda, quedesafiam os milênios, desenvolveu artes eciências que a muito custo conseguimosigualar e raramente ultrapassar, e guardasegredos que segundo a tradição só serãorevelados em séculos vindouros para as naçõesque ostentarem os méritos exigidos para talrecompensa.Para os “Pandits”, os eruditos da Índia,seu país tem um destino traçado por mãosinvisíveis. A Índia teria sido feita depositáriadas lições que um dia devolverão ao resto dahumanidade a pureza espiritual perdida numpassado remoto que teria levado consigo omanancial de saber que nutria o coração dosprimeiros homens. O destino da Índia seriaentão o de educar o mundo, ou melhor,reeducá-lo.A veracidade dessas assertivas não nos épossível comprovar. O fato é que desde o finaldo século dezoito, quando Sir William JonesIntroduçãoA ilustração acima, quepontua os textos destaedição, representa ÇivaNataraja, o deus dosmímicos e dos dançarinos,patrono das artes profanas edas artes ocultas na Índia.É também o inspiradorprimitivo do sistema doYoga.
  12. 12. 12 paataÕala ya{gasaU«aaiNatraduziu para o inglês um grande númerode manuscritos da língua sânscrita (que elepróprio ajudou a decifrar), um poderosomovimento se formou arrastando asproduções do intelecto indiano para todasas partes do mundo. Um fascínio irresistívellevou o pensamento e a espiritualidadeindianas para a Alemanha, a Itália, a França,a Inglaterra, e daí para quase todos osdemais países do ocidente.Dessa corrente migratória que já temdois séculos faz parte a popularização daprática e do estudo do Yoga. No entanto,esta disciplina indiana chegou ao ocidentede uma maneira um tanto inadequada,descrita pelo ponto de vista de algunsmestres modernos que se atêmexcessivamente às práticas corporaisdeixando omissos os elementos filosóficosdo Sistema. A solução para cobrir essalacuna histórica é promover a difusão dosYoga Sutras de Patañjali, que devolvem ocaráter filosófico ao estudo do Yoga.Nosso entusiasmo com o conteúdo dosensinamentos do Yoga nos estimulou adesenvolver um trabalho que nos permitisseoferecer aos interessados uma traduçãosimples e direta. Baseada em nossaexperiência particular com a matéria, temse mostrado bastante eficiente nos cursosque temos ministrado para futurosprofessores de Yoga nas últimas décadas.Queremos deixar claro que não é umatradução que siga a interpretação de algumaescola ou mestre em particular e quetambém está longe de se considerardefinitiva, devendo ser objeto de retificações
  13. 13. 13Os Yogasutras de Patañjalifuturas por tradutores mais habilitados. Esteé o nosso sincero desejo.O Yoga é talvez o mais difundido sistemafilosófico (darçana) indiano. Cada SistemaFilosófico da Índia está baseado numa obrafundamental que lhe dá os princípios gerais edelineia sua estrutura lógica.Os sutras ou aforismos do Yoga, deautoria atribuída a um sábio de nome Patañjali,foram a obra fundamental do sistema filosóficodo Yoga. Resumem aquilo que seconvencionou chamar de Ashtangayoga, e queSwami Vivekananda rebatizou como RajaYoga.Patañjali teria sido o compilador destaobra que, segundo a tradição, é o resumo e oresultado de alguns séculos de debates entrefilósofos e praticantes do Yoga. Não se sabe adata precisa de sua redação original, mas oestilo Clássico da versão atual indica que estaúltima deve ter sido preparada durante adinastia Gupta, entre os Séculos III e V d.C. Oconteúdo, por outro lado, sugere que suacomposição possa ter ocorrido antes disso, porvolta do século IV a.C., quando o Budismoestava em seus primórdios.Seus ensinamentos básicos concordamcom a ortodoxia Brahmanica, que está apoiadanos Vedas e subseqüentes textosinterpretativos. Por esta razão o Yoga éconsiderado como um dos seis SistemasFilosóficos que compõem a ortodoxia filosóficada Índia. Cabe dizer, porém, a título deinformação, que dentre os demais Sistemas,chamados heterodoxos, encontramos produçõescuja profundidade filosófica e alcance históricoA palavra indiana Darçana(pronuncia-se “dárchana”)tem origem no verbo dqçdqçdqçdqçdqç,que significa “ver”.Expressa uma maneira deobservar as coisas, umponto de vista. Com ela sedesignavam os sistemasfilosóficos.Os seis sistemas considera-dos ortodoxos dentro datradição hinduísta eram:Samkhya, Yoga, Nyaya,Vaiçeshika, PurvaMimamsa e UttaraMimamsa, este último bemmais recente que os demais,e conhecido como“Vedanta”.
  14. 14. 14 paataÕala ya{gasaU«aaiNaigualaram ou mesmo superaram aortodoxia, como é o caso do Jainismo e doBudismo.O principal mérito dos sutras do Yogafoi o de estabelecer um código regulador daprática, baseado em preceitos éticos e numadelimitação dos conceitos teóricosenvolvidos.A prática indiscriminada do Yogainduz muitos praticantes a erros de método,que podem causar danos ao organismofísico e psíquico. Mas o erro mais freqüenteé de natureza conceitual, fazendo uma boaparte dos praticantes considerar que aperfeição do corpo é imprescindível para aprática adequada do Yoga.Os sutras tornam evidente o fato de queo Yoga é uma disciplina que trabalha com amente, e que o corpo é apenas umaferramenta adicional para o corretodesempenho prático.Fica claro que um deficiente físico estátão apto à prática do Yoga quanto umsaudável atleta, desde que em ambos existauma sincera disposição à disciplina dopensamento e do comportamento.A prática do Yoga também não exige aclausura ou o isolamento do praticantesenão nos momentos de meditação, quandoé conveniente a ausência de perturbações nolocal do exercício. No mais ele pode, e atédeve, ser realizado dentro do ambientesocial habitual do Yoguim. Ao seguir ospreceitos do yoga descobrimos maneirasmais adequadas para a vida comunitária.A simplicidade na forma foi o critérioadotado para a redação sânscrita deste texto.As frases trazem apenas o essencial,A prática do sistema do Yogacomeça por 5 preceitos deordem ética: praticar a não-violência (ahimsa), livrar-se dacobiça (aparigraha), não roubar(asteya), e viver uma vidadevotada à espiritualidade(brahmacarya), baseada numforte compromisso com averdade (satya).
  15. 15. 15Os Yogasutras de Patañjalireservando-se os necessários esclarecimentospara o ensinamento direto, dado de viva vozpelo instrutor. Alguns mestres maisdestacados foram imortalizados emcomentários escritos que acompanham o textoem certos manuscritos.O comentarista mais famoso éVyasadeva, a quem se atribui um bompunhado de outras obras, entre as quais océlebre épico Mahabharata, de onde saiu omais popular texto literário da Índia, aBhagavad Gita.A palavra sânscrita “sutra” vem da raiz“siv” que significa “costurar”. Os textoschamados sutras apresentam, de fato, acaracterística da linearidade em que cada fraseé uma decorrência lógica da frase anterior eleva o fio do raciocínio a um encadeamentonecessário com a frase que se segue.Os sutras eram escritos para oaprendizado de temas complexos, e deviamser memorizados integralmente peloestudante. A finalidade de sua estrutura linearera facilitar o esforço de memorização. Alémdisso, nenhum sutra deveria ser muito extenso,pela mesma razão.São menos de duzentos os aforismos quedescrevem e explicam todo o Sistema. Seunúmero exato varia de conformidade com omanuscrito consultado, que pode ter algumasfrases a mais ou a menos. É praticamenteimpossível identificar interpolações ouadulterações, já que não conhecemos a versãooriginal e autêntica deste texto.Devido a estas características, é evidenteque a tradução de um sutra precisanecessariamente oferecer como resultado umtexto no qual a leitura linear, frase a frase, sejaVyasa é apresentado pelatradição como um grandesábio, contemporâneo deKrishna e membro damesma grande família dosReis Lunares. Se diz queditou a saga de sua famíliapara que jamais fosseesquecida, e essa história é oMahabharata, o maior épicodo mundo, com cerca decem mil versos duplos.Muitos panditas hindusaceitam o ano de 3.102 a.c.como data da morte deKrishna.Oficialmente se acredita queos Sutras tenham sidocriados em algum momentoentre a entrada de Alexan-dre, o Grande, na Índia(324 a.c.) e meados doImpério Gupta (séc. IV d.c).O Vyasa do Mahabharatanão poderia ter comentadoum texto que só surgiu trêsmil anos após a sua época.Alguns brahmanes, noentanto, estimam idadespara as obras literárias daÍndia que são muitosuperiores às apresentadaspelos historiadores doOcidente.
  16. 16. 16 paataÕala ya{gasaU«aaiNaformal e semanticamente coerente. Este é omelhor critério a ser adotado na leituracrítica do texto que ora apresentamos.O original sânscrito que adotamos paraesta nossa tradução tem 196 aforismos.Curiosamente em nenhuma das publicaçõesque pudemos consultar são citadas as fontesdesses originais. No entanto o textoapresentado por todas elas é idêntico, excetoem alguns poucos detalhes.Há três aforismos que aparecem noterceiro capítulo - os sutras 20 e 22 nãoaparecem em todas as edições, e o sutra 41aparece com uma pequena variação emdeterminadas versões. Neste trabalhooptamos por não omitir qualquer dos sutras,e apresentar a variação do 41 em uma notacomplementar.Em Vivekananda e William Q. Judge,o quarto Capítulo tem apenas 33 sutras, emlugar dos 34 dos demais.
  17. 17. 17Os Yogasutras de PatañjaliQuem se propõe a realizar a tarefa datradução dos aforismos do sábio Patañjali en-frenta um obstáculo inesperado: o grande nú-mero de traduções já existentes, assinadas pornomes de pensadores expressivos e respeita-dos entre os praticantes e estudiosos do Yoga.Ainda que o tradutor tenha uma saudável in-dependência em relação a outras opiniões, eledificilmente escapa da tentação de examinar oque outros autores e tradutores fizeram paraelucidar determinados termos do originalsânscrito. E o peso da autoridade que determi-nados nomes representam interfere de formavigorosa na maneira como o empreendedorestabelece os seus próprios critérios de tradu-ção.É muito comum o questionamento so-bre as traduções, por parte dos leitores, basea-do sobre outras traduções, e não sobre os ter-mos originais da obra. Comentários do tipo“Eu li numa tradução de fulano que esse tópi-co deve ser entendido dessa maneira ou da-quela...” são muito freqüentes quando se tratade literatura polêmica. E os Sutras do YogaA Tradução dos Sutras do Yoga
  18. 18. 18 paataÕala ya{gasaU«aaiNaconstituem um texto bastante polêmico.Sem fazer pouco caso da autoridadede tantos autores de comentários aos Sutras,bem como dos seus tradutores, percebemosclaramente ao examinar as dezenas de tra-duções disponíveis na atualidade que se dis-seminaram amplamente alguns erros de mé-todo. Embora poucos, esses erros prejudi-cam o resultado do trabalho não obstante aqualidade e capacitação do tradutor. Aliás éjustamente a elevada qualificação de algunsdos tradutores, e o respeito que eles conquis-taram entre os estudiosos da filosofia e ospraticantes do Yoga, que ajuda a manter vi-vas essas falhas na linha do tempo.A distorção mais comum é resulta-do de uma opinião corrente entre os adep-tos do Yoga, segundo a qual não é possívelcompreender o texto dos Sutras sem a ajudade comentários elucidativos. A presença deum mestre seria indispensável, mas na faltadeste há os comentários escritos que procu-ram dirimir as dúvidas com extensas expla-nações a respeito dos principais tópicos tra-tados em cada frase.Embora não esteja longe da verdadeessa opinião, o problema que ela gerou foi ode deixar os tradutores muito preocupadoscom a elucidação de cada frase individual-mente, o que tornou muito complicada a lei-tura seqüencial do texto. Os sutras eram tex-tos construídos para facilitar a memorizaçãode um assunto determinado, normalmenteum sistema filosófico. A memorização erafeita com facilidade em razão do modo peloqual as frases eram construídas, de maneiraque cada uma fosse a seqüência lógica e na-tural da frase anterior, e a preparação paraO Sistema filosófico do Yoga étão simples que chega a irritar.Nada é mais injusto do quedizer que a filosofia do Yoga émuito complicada.Na verdade, a complicação sóapareceu com as traduções,algumas bastante distorcidas.
  19. 19. 19Os Yogasutras de Patañjalios termos e conceitos da frase seguinte. A lei-tura, portanto, deve ser tão encadeada e natu-ral quanto a própria seqüência das frases. Denada adianta, portanto, traduzir uma frase deuma maneira tão independente das demais quese torne difícil entender o vínculo linear queas une.A maior parte das outras falhas de tra-dução resultaram da tentativa de entender con-ceitos filosóficos indianos utilizando as inter-pretações ocidentais como referência. Apenascomo exemplo, a tradução de “viparyaya”, quesignifica apenas “inventividade”, por “conhe-cimento errôneo”, “falso”, “perverso”, “incor-reto”, e tantos outros adjetivos que foram uti-lizados em quase todas as traduções é, semqualquer dúvida, um erro grosseiro de avalia-ção do verdadeiro significado do termo. Não éconcebível que uma manifestação do aspectomais elevado da mente humana possa ser en-carada como um princípio defectivo por defi-nição. Nem a frase original em sânscrito dizisso, por certo, embora utilize uma terminolo-gia que pode dar alguma margem à interpre-tação equivocada.Para escapar das armadilhas habituaisdas traduções de textos dessa natureza, deve-mos partir do geral para o particular, e não oinverso. Neste trabalho optamos por buscar acompreensão dos temas gerais abordados notexto em cada um de seus quatro capítulos, tra-çando um plano geral da obra e descendo gra-dualmente aos detalhes até que cheguemos àelucidação de cada termo duvidoso, frase a fra-se. A idéia subjacente ao conjunto sempre pre-valece sobre eventuais ambigüidades dos de-talhes.Para permitir ao leitor acompanhar esse
  20. 20. 20 paataÕala ya{gasaU«aaiNamesmo procedimento – e, portanto, extrairmelhor proveito da leitura – reunimos al-guns dos comentários que consideramos im-portantes para elucidar o texto nos capítu-los que apresentamos a seguir. Desse modo,ao iniciar a leitura do texto, o estudante játerá alguma noção do que encontrará emcada capítulo. Comentários muito brevesacompanham ainda o corpo traduzido dosSutras, juntamente com notas e observaçõesem pontos críticos da leitura.Ao final, o texto é reproduzido lite-ralmente, grafado em sânscrito (no alfabetooriginal - devanagari - e no alfabeto detransliteração adotado internacionalmentepara o sânscrito) e também traduzido parao português. Essa reprodução do originalserve aos estudantes da língua, bem comoaos críticos, estudantes de Yoga e curiosos,que queiram ter uma visão panorâmica dacorrespondência dos termos. O que você, lei-tor, poderá seguramente extrair da leitura,seja qual for a motivação que o trouxe atéeste texto, é que o entendimento dos Sutrasé bastante fácil, e exige apenas um mínimode dedicação. As dificuldades só aparecemquando decidimos converter essas doutrinasem uma realização prática. Este foi o gran-de desafio apresentado pelo sábio Patañjali.
  21. 21. 21Os Yogasutras de PatañjaliOs Sutras do Yoga têm por objetivo darao estudante uma noção precisa do que é oYoga e de que maneira se deve praticá-lo. Nãose trata de um manual prático, no sentido deque não são ensinadas as posturas ou os exer-cícios respiratórios que caracterizam o HathaYoga, nem se dá informações sobre o local daspráticas, as datas e horários propícios, a dura-ção, a extensão das atividades, nem tantos ou-tros detalhes que muitos estudantes gostari-am talvez de conhecer. Para esse tipo de infor-mações há outras obras clássicas de Yoga quepodem ser consultadas, como o GherandaSamhita e o Hatha Yoga Pradipika.Este corpo resumido de doutrina filo-sófica trata apenas de esclarecer os conceitosenvolvidos na prática do Yoga, sem detalharas formas assumidas por essa mesma prática.Seria um exagero, porém, considerá-lo um tex-to puramente teórico, pois toda a sua orienta-ção é voltada para a viabilização mais seguradessa mesma prática.Os Sutras do Yoga se estendem por cen-O Plano da Obra
  22. 22. 22 paataÕala ya{gasaU«aaiNato e noventa e seis aforismos repartidos emquatro capítulos. Estão dispostosseqüencialmente de modo a traçar um roteirode fácil memorização abrangendo todos ospontos essenciais do sistema. O primeiro capí-tulo é o que traz a maior variedade de assun-tos, uma vez que trata de apresentar resumi-damente todos os requisitos à prática do Yoga.Esses mesmos requisitos serão observados nosegundo capítulo sob uma ótica mais prática,que apresenta os oito passos da realização doYoga (Yama, Niyama, Asanas, Pranayama,Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi). Oterceiro capítulo tem por tema a meditação doYoga (samyama) e os resultados que ela pro-duz. O último capítulo trata do objetivo finaldo Yoga, o Kaivalyam.No início do texto, a preocupação doautor é com o estabelecimento do escopo doseu trabalho. As duas primeiras frases do tex-to dão conta da natureza dos Sutras e da natu-reza do Yoga.O primeiro sutra diz “Aqui estão ospostulados mais elevados do Yoga”. Os termosutilizados são enfáticos. As palavras são: atha,que é o termo de abertura de boa parte dos tra-tados indianos, que pode ser traduzida comouma apresentação do tipo “Aqui estão” ou “Eisaqui”; e Yoganuçasana que é um composto no-minal. Nesse composto aparece a palavraanuçasana, formada pelo prefixo anu que sig-nifica elevado, proeminente, máximo, e pelapalavra çasana que é um ensinamento impos-to, ou seja, um postulado. A raiz é ças que sig-nifica açoitar, castigar.Patañjali deixa bem claro nesta frase de“Aforismo, s.m. Sentença brevee conceituosa; máxima;provérbio. (Do gr. aphorismos)”In “Dicionário Brasileiro da LínguaPortuguesa”
  23. 23. 23Os Yogasutras de Patañjaliabertura que não está apresentando um textoaberto a sugestões. Quem deseja estudar oYoga deve aceitar o conteúdo dos Sutras talcomo é apresentada, sem alterações. O sutra éum tipo de texto que, habitualmente, surgia aofinal de longos períodos de debates, duranteos quais as idéias tratadas amadureciam nocalor de acirradas disputas verbais. Quando oconsenso se formava e o sistema filosófico re-sultante parecia consistente, algum dentre osmelhores praticantes do sistema era convida-do para elaborar os aforismos que o perpetua-riam. Daí o zêlo em relação ao seuquestionamento. Um debate de séculos entreindivíduos que orientavam suas vidas pelospreceitos que apregoavam, como sempre fa-zem os sábios iniciados, não poderia ser rea-berto, sem mais nem menos, por um iniciantequalquer...Depois de deixar bem claro que osSutras devem ser preservados da forma queestão, o autor entra no assunto definindo combrevidade o que é o Yoga.|| ya{gaiéaÞava&iÞainar{Da: || 2 ||Yogaçcittavqttinirodhaf || 2 ||É aqui que começam as disputas entretradutores. São apenas quatro palavrassânscritas, que precisam ser adequadamentecompreendidas para que tenhamos uma defi-nição precisa do que é o que se identifica pelonome Yoga. Embora a leitura dos sutras seja ocaminho natural para encontrar seu significa-do, vamos passar agora de forma abreviada osentido geral de que elas estão investidas nes-ta obra.
  24. 24. 24 paataÕala ya{gasaU«aaiNaUtilizando as palavras originais, afrase diz apenas: “o Yoga é o nirodha dasvqttis de citta”. Precisamos, portanto buscaro significado de cada uma das três palavrasutilizadas para descrever o Yoga. Começa-mos com nirodha, que se origina da raiz ver-bal rundh impedir, reter, segurar, modifica-da pelo prefixo “ni” que indica um movi-mento para dentro. nirodha é o recolhimen-to, o ato de trazer para dentro algo que seespalhou do lado de fora.Aquilo que se espalhou “do lado defora” e que precisa ser recolhido é designa-do pela palavra vqtti. O significado literaldesta palavra é o de um movimento circularde expansão ou avanço, como uma espiral -um desdobramento a partir de um pontooriginal (é também a palavra utilizada parao “rolar” das lágrimas). Uma palavra que te-mos em português derivada da mesma ori-gem é “vórtice”, com um significado bastan-te semelhante. O sentido do termo vqtti estávinculado à idéia de uma manifestação ex-terior. As vqrttis seriam, portanto, expansõesradiais de uma entidade central, espiritual,que partem em direção ao mundo manifes-tado.A entidade central, cujas expressõesmanifestadas, ou vqttis, estariam sendo re-colhidas com a prática do Yoga, é designa-da pela palavra citta. Derivada do verbo cint- pensar - essa palavra remete a um aspectomuito peculiar da estrutura anímica do serhumano. Ela nomeia o centro espiritual damente humana. É a fonte da qual derivamtodos os fenômenos da consciência. Citta éum eixo em torno do qual giram as ativida-A figura do Çri Yantra podeser utilizada como umdiagrama para visualizar omovimento de expansão dasvrttis de citta em direção aosquatro aspectos limitadores domundo material: a matéria, aforma, a mutabilidade e otempo.“As ondas de pensamento quese levantam em citta sãochamadas vrttis (literalmente:redemoinhos)”Swami Vivekananda
  25. 25. 25Os Yogasutras de Patañjalides mentais do ser humano, e que lhe dá asvqttis, suas ferramentas para a existência cons-ciente e para a percepção de sua própria indi-vidualidade.Apesar de estar na origem da nossavida consciente, citta não está limitado à esfe-ra dos fenômenos da consciência. Sua verda-deira natureza está mais próxima do que a psi-cologia identifica como o lado inconsciente denossa mente. Citta nos dá todas as característi-cas que diferenciam nossa existência daquelade um simples animal, entre as quais merecedestaque no hinduísmo a nossa capacidade desentir ánanda - uma espécie de felicidade espi-ritual. Esse sentimento é uma exclusividadehumana, que percebemos como uma satisfa-ção indescritível que experimentamos ao fruiruma obra de arte, ou ao realizar um trabalhoque nos agrada e nos absorve inteiramente aatenção.Citta, além de ser a origem e sustentá-culo de nossa vida mental consciente, é tam-bém descrito como um observador silenciosodas ocorrências do mundo. Não um mero ob-servador, mas também um canal pelo qualgrandes forças espirituais se encontram comas formas materiais inertes, iniciando uma lutaentre naturezas opostas. Uma luta da qual re-sulta a vida, tal como a conhecemos. Essas for-ças são justamente as vqttis.Citta jamais se apre-senta diretamente no mundo, senão por meiodas vqttis, e como uma presença “essencial” portrás de nossa própria presença pessoal.Citta tem a capacidade de projetar con-cretamente no mundo essa sua presença, deforma espontânea e natural. O poder dessaprojeção é aquela força da alma que os alqui-Jonas no ventre da baleia[ilustração de umpsaltério medievalreproduzida em “DiePsalterillustration immittelelter”, de JohanJakob Tikkanen - 1903]Um equivalente ocidentalde citta como presençaoculta dentro das vrttis.A baleia é idêntica ao“makaram” da mitologiaindiana.O movimento de expansãoespiralada das vqttis decitta poderia ser ilustrado,por exemplo, pelo triskelioncelta ou pela própriasvastika, que é o símbolosagrado do hinduismo.
  26. 26. 26 paataÕala ya{gasaU«aaiNamistas identificavam como indispensável àexecução de sua obra, e é também o conjun-to das forças criadoras da matéria, represen-tadas pela figura simbólica da cornucópia(um vórtice em forma de chifre, que tem apropriedade de materializar os desejos dequem o possui). Também em formato de chi-fre retorcido numa espiral é o animal aquá-tico misterioso que os indianos chamam de“makaram”, o mesmo que dá nome ao déci-mo signo do zodíaco hindu (equivalenteidêntico do nosso capricórneo) e que está as-sociado ao elemento “akasham” - a subs-tância que é o veículo das forças criadorasdo universo mítico indiano. Todos símbo-los representativos dos movimentos decircunvolução das vqttis em seu frenesi demanifestação.Citta projeta no mundo seus desdo-bramentos, as vqttis, e com elas dá origem ànossa existência individual e consciente. Asvqttis, porém, animadas pela força projetivaque as originou, continuam a se dividir e es-palhar pelo mundo com uma necessidadecrescente de se associar aos objetos diferen-ciados que encontram. Cada objeto que sejacapaz de apresentar alguma característicaque sugira a presença de citta atrai essas pro-jeções com uma força irresistível e as vqttisbuscam se apropriar desses objetos como sea sua própria existência dependesse disso.Daí se originam os desejos, que por uma de-formação de orientação, afastam as vqttis desua origem, em lugar de facilitar sua reinte-gração com citta.A prática do Yoga (um esforço deatrelamento ou integração) tem por objeti-A alquimia não era umaciência estranha aos indianos,conforme demonstram essasilustrações representativas deaparatos alquímicos.
  27. 27. 27Os Yogasutras de Patañjalivo justamente a reintegração das vqttis, ou seja,o seu recolhimento [nirodha] novamente emcitta. Este é o significado literal da segunda fra-se dos Sutras de Patañjali.O primeiro capítulo dos Sutras, em cujoinício aparecem as duas frases já citadas, cha-ma-se “Capítulo do Samadhi”. O samadhi éuma condição superior da consciência, que ficaa meio caminho entre a vigília e a inconsciên-cia, na qual o praticante de Yoga precisa secolocar para poder realizar a meditação.Esse primeiro capítulo descreve o queé o Yoga, detalhando logo no seu início o quesão as vqttis, projeções de citta no mundo ma-nifestado, e esclarecendo que o recolhimentodessas vqttis é possível através de uma práticaque depende de duas condições indispensá-veis: disciplina e desapego. Depois disso, tra-ta da descoberta do saber que se revela comoum conhecimento intenso e verdadeiro[sa,prajzáta], que pode surgir de diversasmaneiras, mas que é um indicativo do cami-nho para a natureza espiritual [puruõa]. Essanatureza espiritual se apresenta para o indiví-duo como “Içvara”, o Senhor, um referencialseguro da direção que se deve seguir.Orientado pela entrega a essereferencial de “Içvara” e pelo surgimento dosaber manifesto em nossa vocação, e dedicadoa manter o desapego e a disciplina como nor-mas básicas de seu comportamento, o prati-cante de Yoga se torna capaz de assentar suamente num patamar superior de estabilidade,que é o Samadhi. Para alcançar o Samadhi oautor diz que podemos fazer uma aproxima-ção gradual, por um caminho em que sãoQuando temos umafacilidade natural paraexecutar determinadastarefas, ou seja, quandomanifestamos uma vocação,estamos dando curso a esseconhecimento espontâneo eintenso, o samprajñata.
  28. 28. 28 paataÕala ya{gasaU«aaiNaconstruídas mentalmente as condições adequa-das para o assentamento da mente no Samadhi,que então é chamado “com semente”. Mas hátambém o Samadhi sem semente, que se ob-tém de forma imediata quando o praticanteaprende a identificar aquelas condições ideaise a reproduzi-las sem a necessidade de um es-forço mental consciente.Concluído o primeiro capítulo com adescrição do Samadhi, que é o estágio final pre-paratório para a meditação, Patañjali descreveo elaborado caminho que leva, de uma manei-ra gradual e segura, até essa condição doSamadhi. É um caminho ético, demonstrativoda vivência dos princípios enumerados peloYoga, razão pela qual o capítulo segundo é cha-mado de “Sadhana” (implementação ou de-monstração). Tudo o que é descrito nesse ca-pítulo é uma versão prática do que foi exami-nado conceitualmente no primeiro capítulo. Oobjetivo é indicar para o praticante o que deveele fazer para avançar em direção ao Samadhi.O conjunto das práticas envolvidas nes-se caminho para o Samadhi é chamado deKriya Yoga (a realização do Yoga). A primeirafrase desse capítulo (sutra II, 1) descreve oKriya Yoga como a combinação de sacrifício(tapas), busca do saber interior (svadhyaya) eentrega ao Senhor interno (içvarapranidhana).Longe do sentido negativo que tinge a palavra“sacrifício” entre os ocidentais, “tapas” é o con-junto de práticas que reorientam a atenção dopraticante de Yoga para uma vida pautada pelodesapego e pela disciplina. A busca do saberinterior se revela pelo surgimento do conheci-mento intuitivo (samprajñata). E a entrega aoSenhor interno é a busca pela inspiração do EuO Samadhi “com semente”é alcançado pela viaintelectual, e vai sendoconstruído de formagradual e vegetativa, comouma armadilha na qual, aofinal, é aprisionado opróprio intelecto, ficando amente livre para entregar-sea uma meditação espiritual.
  29. 29. 29Os Yogasutras de Patañjaliespiritual, junto ao qual repousa a semente detoda a sabedoria (cf. sutra I, 25).A segunda frase (sutra II, 2) afirma quea finalidade do Kriya Yoga é a de produzir oSamadhi e atenuar as perturbações (kleças) quedificultam nosso acesso à natureza de citta. Ea terceira frase (sutra II, 3) enumera essas per-turbações: falta de sabedoria, egoidade(asmita), desejo, aversão e apego à vida.Daí para frente o Capítulo do Sadhanatrata dos vínculos que unem o observador aoobjeto observado, e da necessidade de se subs-tituir uma relação impura com os objetos poruma relação imaculada, na qual o praticanteprocura identificar o princípio de individuali-dade espiritual (atman) nos objetos sobre osquais ele realiza a meditação. Essa substitui-ção é feita através da prática dos oito compo-nentes do Yoga: yama (normas de convivên-cia), niyama (normas de aperfeiçoamento pes-soal), asana (posturas de assentamento),pranayama (controle e direcionamento da vi-talidade), pratyahara (recolhimento da aten-ção), dharana (concentração da atenção em umobjeto determinado), dhyanam (permanênciano estado de concentração) e Samadhi (absor-ção e elevação da consciência dentro do pró-prio processo de cognição). Desses componen-tes do Yoga, o segundo capítulo explica resu-midamente apenas os cinco primeiros.O terceiro capítulo trata da prática dameditação (samyama) e dos resultados(vibhuti) espontâneos dessa prática. Por essarazão é chamado de Capítulo dos Resultados.A meditação é apresentada como acombinação dos três componentes mais inter-nos do Yoga: dharana, dhyanam e Samadhi. Apersistência na prática da meditação realizadaOs instrutores indianos(Acaryas), costumamdescrever svadhyaya comosendo o estudo sistemáticodos Vedas, os textos quetrazem a revelação originalde Viõnu, no Hinduísmo.“Tapas” é uma palavraoriginada do verbo “tap”,que significa “queimar”.Tem ao mesmo tempo osentido da purificação pelofogo, e o do sofrimentocausado pela queimadura. Émesmo doloroso, em certamedida, lutar com asresistências naturais quealimentamos contramudanças muito grandes.
  30. 30. 30 paataÕala ya{gasaU«aaiNasobre variados objetos produz os diversos re-sultados psíquicos enumerados nesse terceirocapítulo.Cada um desses resultados é chamadode siddhi (ou seja, aquilo que está completo), erepresenta uma força ou habilidade psíquicaque fica disponível para o yoguim. São toma-dos por indicadores de progresso pelos mes-tres da prática do Yoga, que de maneira algu-ma se empolgam com esse tipo de resultado.O apego aos siddhis é tão pernicioso para odesenvolvimento espiritual, senão mais, quan-to o apego aos prazeres inferiores. Todas essasforças psíquicas são acionadas enquanto a aten-ção do praticante gravita da natureza materialpara a natureza sutil, pois ela passa por essazona etérea intermediária entre o universo vi-sível e o invisível. Esse espaço entre as duasnaturezas conflitantes e opostas é o campo emque se manifestam as forças psíquicas. É tam-bém o campo explorado pelos praticantes damagia terrestre e mundana.Para o autêntico yoguim essa passagempor esse campo psíquico tem valor apenascomo uma transição de sua essência espiritualmanifestada (sattva) desde o eixo da consciên-cia para o eixo espiritual inconsciente - e ori-entado para Purusha (o espírito puro). Na úl-tima frase desse terceiro capítulo (sutra III, 56)se diz que da coincidência da pureza de sattvae de Purusha surge o Kaivalyam - este sim, ameta final do Yoga.O Kaivalyam é a destruição de todo oapego à diferenciação, e a vivência daintegração total do indivíduo com tudo o queexiste, como se fossem uma mesma e únicaexistência absoluta. Os bhaktins (devotosvishnuitas) dizem que essa é a condição natu-Uma parte sutil de nossoorganismo, da qual fazemparte os chakras (discos desubstância sutil ligados aosistema endócrino), está empermanente contato com asforças psíquicas representa-das pelos siddhis. Adiferença é que, neste caso,a relação com elas écontrolada por agentesreguladores naturais denosso corpo.
  31. 31. 31Os Yogasutras de Patañjaliral de Vishnu ou de Krishna. Por indicar umestado mental que não reconhece a existênciade qualquer objeto diferenciado do próprioobservador, e como o próprio texto informaque apesar de tudo os objetos continuam exis-tindo diferenciados para os demais, alguns tra-dutores optaram por chamar esse estado de“isolamento”. Talvez o nome “Integração” fos-se mais adequado, pois define esse resultadocom mais profundidade. Integração é, de fato,a palavra-chave para quem deseja compreen-der o verdadeiro sentido da prática do Yoga.O quarto capítulo dos Sutras do Yoga éexatamente o Capítulo do Kaivalyam. É tam-bém o mais curto dos quatro, com apenas trin-ta e quatro aforismos. É o mais abstrato tam-bém. Sua leitura exige uma compreensão ade-quada do que foi tratado nos três capítulos queo antecedem. Ele explica que é possível a exis-tência da mente espiritual, citta, sem a neces-sidade de limites definidos entre o observadore os objetos observados. A diferença é apenasque, nessa situação, citta está desprovido dosentimento de egoidade (asmita) no seu senti-do inferior, que o distingue do resto do mun-do. O praticante já não identifica a separaçãoentre ele mesmo e os objetos do mundo mate-rial.Patañjali também explica que as trans-formações (parinama) que ocorrem na nature-za manifestada afetam os desejos, os pensa-mentos, a percepção, e a própria noção de tem-po, mas não afetam citta, quando está em suacondição natural. Estabilizado em sua próprianatureza (na condição chamada dedharmamegha Samadhi - ou Samadhi da nu-vem do dharma), citta identifica-se comPurusha e desinteressa-se por todas as forças
  32. 32. 32 paataÕala ya{gasaU«aaiNaque não tenham relação com Purusha. Tudoo que se relaciona com as qualidades (gunas)da matéria e suas transformações (parinama)deixa de produzir qualquer impressão so-bre citta. O tempo e as mudanças já não afe-tam o yoguim que se conectou com o eternoe alcançou o Kaivalyam. Não há mais açõesnem sofrimento. Não há mais vinculação aociclo interminável dos renascimentos. Isola-do de toda a turbulência ilusória do mundomanifestado, o iluminado yoguim se tornaa mais pura fonte de sabedoria, enquanto re-pousa serenamente no seio do absoluto.O yoguim pode alcançar oKaivalyam e permanecervivo em seu corpo pormuitos anos ainda. Não háqualquer incompatibilidadeentre a vida corporal e aespiritualidade, desde que ocorpo esteja sendo receptivoà interferência das forçasespirituais.
  33. 33. 33Os Yogasutras de PatañjaliMuito pouco se sabe sobre a vida e a obra dePatañjali. Existem três obras que vão assinadaspor esse nome, mas que provavelmente foramcriadas por autores distintos – ainda quehomônimos. Uma dessas obras é um tratadode medicina, outra é um comentário sobre agramática sânscrita de Panini, e o terceiro sãoos Sutras do Yoga. A poesia popular, noentanto, estabeleceu para ele uma biografiamítica que reproduzimos abaixo. Há variaçõesdiversas dessa lenda, mas o núcleo da históriapermanece sempre igual.Uma yoguini chamada Gonika, que vivia nonoroeste da Índia antiga (território hojepertencente ao Afeganistão), era uma grandemestra do Yoga. Seu maior desejo era podertransmitir sua sabedoria para um filho, masnão havia se casado e estava muito idosa parasonhar em ter um marido. Todos os dias elaelevava preces aos deuses pedindo por umfilho para que se cumprisse seu papel na vida.Enquanto isso, nos céus, o deus serpente queencarna o infinito, chamado Ananta, o mesmaque serve de apoio para o deus Narayana,Quem foi Patañjali?
  34. 34. 34 paataÕala ya{gasaU«aaiNameditava sobre seu imenso poder, mas num certo momento sentiu-seincapaz de sustentar o peso de Narayana, enquanto este assistia àdança mística de Shiva Nataraja. Narayana explicou a Ananta que setornara mais poderoso e mais difícil de se carregar em razão de estarpraticando Yoga naquele momento. Ananta ficou impressionado, mastambém ficou triste por jamais ter encontrado um mestre que lheministrasse os segredos do Yoga. A partir de então Ananta ansiavapor nascer como ser humano para desfrutar da felicidade de seriniciado no Yoga.Compadecido do sofrimento de Ananta e de Gonika, o grande deusBrahma extraiu uma centelha de Ananta, com o formato de umaserpente de fogo, que caiu do céu diretamente dentro das mãos deGonika, convertendo-se instantaneamente em um belo rapaz que seprostrou aos pés da velha senhora, pedindo por sua iniciação.Gonika deu a ele o nome Patañjali, porque o verbo “pat” significacair, como ele havia caido do céu. E “anjali” é o nome da mudra emque as mãos juntas em concha acompanham as preces, representandoa súplica humilde, como ela mesma as tinha para receber o miraculosofilho.A iconografia representa Patañjali com a metade inferior do corpo emformato de serpente enrolada com três voltas, e dotado de quatrobraços, dos quais dois estão com as mãos juntas na mudra “anjali” eas outras duas mãos seguram uma concha (mão esquerda) e um disco(o chakram - na mão direita). Acima de sua cabeça, e saindo de suacoluna vertebral, uma serpente de sete cabeças se posiciona como umdossel protetor.Variações dessa história apresentam o famoso gramático Panini (cujaobra definiu o que se conhece como Sânscrito Clássico) como sendo oseu pai terrestre, talvez para conciliar o yogui com o gramático demesmo nome (Patañjali) que alguns autores acreditam ser a mesmapessoa.Patañjali é muito reverenciado no sul da Índia, onde se acredita quepassou a maior parte de sua vida.
  35. 35. 35Os Yogasutras de PatañjaliQual é o astro que melhor representao espírito, o Sol ou a Lua?Muito provavelmente um ocidentalpraticante de yoga responderá que o Sol é oastro que simboliza o espírito e a vida superi-or. É o brilho da consciência e da sabedoria,destruidor das sombras da ignorância e do mal.Uma infinidade de razões levantaria esse hi-potético yoguim do ocidente para sustentar suaopinião sobre a figura emblemática do espíri-to retratada pela sua maneira de entender asimbologia indiana.A resposta está errada, ao menos doponto de vista da filosofia do Yoga. Nossa di-ficuldade para perceber a sutileza dessas figu-ras míticas decorre do fato de nos fixarmos ex-cessivamente na opinião de que a consciênciaé o destino e a razão final do espírito. Imagi-namos uma transformação de estados de cons-ciência e concebemos uma evolução para esfe-ras cada vez mais elevadas de consciência,como se esse fosse o caminho natural emdireção ao despertar espiritual. O Sol, comoOs Sutras e a Inteligência Corporal
  36. 36. 36 paataÕala ya{gasaU«aaiNaO Cristianismo, bem comooutros tantos cultos efilosofias centrados no mitosolar, surgiram a partir daperseguição às Escolas deMistérios, e se firmaramgraças ao total desapareci-mento delas para o mundoprofano. Isso ocorreuprincipalmente durante umperíodo de cerca de seisséculos em torno do anozero da Era Cristã.Antes desse fenômenohistórico, os mitos lunaresacompanhavam os rituais eos princípios filosóficos davida espiritual de váriascivilizações, restando aosmitos solares apenasinspirar as ciênciasmundanas e o que dissesserespeito ao mundo limitadodas formas.símbolo milenar dos fenômenos da consciên-cia, assumiria, portanto o lugar mais elevadonum panteão mítico baseado na superiorida-de da consciência.A consciência, porém, é um estado in-ferior e temporário de nossa alma. É apenasum conjunto de processos naturais que nos per-mitem elaborar uma representação mental domundo e dos objetos ao nosso redor. A consci-ência é a condição indispensável para que pos-samos estabelecer alguma relação de trocascom o mundo em que vivemos, pois todo ocontato que podemos estabelecer com ele sópode ser realizado através dos mesmos pro-cessos naturais que originam o fenômeno daconsciência. Apesar de sua importância para oengrandecimento de nossa vida espiritual, aconsciência é, normalmente, um sério obstá-culo ao despertar da própria espiritualidade.Somos guiados por forças inconscien-tes em todos os instantes de nossa vida. E re-pare como são raros os momentos em que po-demos desfrutar da plenitude da consciência.E mesmo nesses curtos períodos de consciên-cia estamos sujeitos a todo tipo de trapaças dapercepção, como miragens, ruídos de comuni-cação e falhas de interpretação dos sinais e es-tímulos que nos atingem.É claro que o astro que melhor repre-senta a presença do espírito em nossa vida,dentro da perspectiva do Yoga, é a Lua. Amesma Lua que representa a natureza do cor-po material. A filosofia do Yoga é parte de umacultura tipicamente lunar. Em decorrência dis-so, o Yoga apresenta o espírito dotado de umanatureza imutável e inconsciente, condiçõesque muito relutamos em associar ao lado mais
  37. 37. 37Os Yogasutras de Patañjalielevado de nossa vida interior.O patrono do Yoga é o deus Çiva, queostenta a Lua crescente como adorno sobre asua testa. E o abandono da consciência comoreferencial para nossas deliberações é uma ne-cessidade para o despertar da verdadeira sa-bedoria do yoguim.A visão que o yoguim desenvolve acer-ca da estrutura do ser humano é bastante dife-rente do que tem sido apresentado pela pró-pria literatura recente do Yoga. A maneira con-fusa e obscura como enxergamos o funciona-mento das práticas de Yoga deixa ampla mar-gem para dúvidas que raramente são respon-didas pelos instrutores dessa disciplina. Dúvi-das tão fundamentais como as seguintes: “aprática de Yoga é espiritual, mental ou corpo-ral?”; “Devo permanecer totalmente conscien-te durante uma meditação?”; “Como possosaber se estou progredindo nas minhas práti-cas?”; ou ainda “A prática do Yoga me coloca-rá num estágio evolutivo superior, em relaçãoao resto da humanidade?”Para que essas dúvidas não ocupemdesnecessariamente a atenção do estudante,apresentamos aqui um modelo compreensivoda estrutura humana que serve para entendermelhor a lógica do pensamento do sistema fi-losófico do Yoga. Trata-se de uma representa-ção do funcionamento da inteligência huma-na.A inteligência, desde a mais remotaantigüidade é concebida de duas formas dis-tintas: como a faculdade do entendimento dasidéias (a “dianóia” dos gregos); e como des-treza ou habilidade corporal ou verbal (a“sophia”). As duas funcionam de maneiras tão
  38. 38. 38 paataÕala ya{gasaU«aaiNaUtchat, o espírito, olho deHórus, é o equivalenteegípcio aproximado de citta.Na celebração dos mistériosegípcios, Osíris, o Sol, re-presentado pelo neófito, ésacrificado simbolicamentepara que possa surgir averdadeira sabedoria pelasmãos de Ísis, sua amada.Todo o processo se faz naescuridão, para inibir a açãoda consciência.Os egípcios também coloca-vam o Sol em segundo pla-no, em suas concepçõesesotéricas sobre a ordemcósmica.distintas que chegam a ser incompatíveis, poisa manifestação de uma delas depende daobliteração da outra. O intelecto e a sabedoriatêm atuações mutuamente excludentes, sendoque a última é totalmente comprometida coma ação imediata, enquanto que o intelecto dis-pensa qualquer compromisso com a realidadeprática.O intelecto nos dá os instrumentos paraoperar sobre o modelo representativo do mun-do. Constrói os passos de sua atividade comos instrumentos da razão e da lógica, e precisade referências externas entre as quais possa es-tabelecer relacionamentos. A Ciência é umexemplo natural dessa modalidade de inteli-gência.A sabedoria, por outro lado, nos dá oimpulso para uma ação direta sobre o ambien-te, incluindo aí a própria representação que te-mos desse mesmo ambiente e prescinde dequaisquer referências externas. Brota de nossoíntimo como um impulso irracional e espontâ-neo, uma pulsão para agir de uma determina-da maneira, sem qualquer razão aparente. Cau-sa satisfação quando se expressa, e um profun-do mal-estar quando é reprimida. As artes sãoexemplos típicos dessa modalidade de inteli-gência.Para o yoguim há dentro de nós doiseixos paralelos de atividade mental. Um eixoLunar, de sabedoria, que une nosso corpodiretamente ao centro espiritual que nos dásustentação como indivíduo. E um eixo Solarque une nosso centro emocional à nossa razão,e que dá sustentação à nossa consciência. Es-ses dois eixos sustentam as duas modalidadesde inteligência que orientam a atenção de nos-
  39. 39. 39Os Yogasutras de PatañjaliA sabedoria tem sido repre-sentada em muitos mitosantigos na forma de umanimal de hábitos noturnos,como a tradicional coruja, ocão, o lobo ou o leão.Cabe destacar a representa-ção da sabedoria dos misté-rios pela imagem dounicórnio, que com seuchifre único e retorcido(símbolo das forças criado-ras do akasham) e sua corbranca relacionada à luz dalua, faz a perfeita reprodu-ção das características doconhecimento intuitivo.O mito do unicórnio temsua origem na Índia, naforma de um antílope comum único chifre.sa mente, ora para a busca do entendimento,ora para a busca da realização. O perfeito equi-líbrio entre as forças que são acionadas por es-ses dois eixos da atividade mental despertaaquilo que chamaríamos de inteligência cor-poral – ou seja, a corporificação da inteligên-cia cósmica ou divina.O eixo solar se desenvolve intensamen-te durante a nossa infância e adolescência,quando adquirimos consciência e uma identi-dade coletiva para mostrar ao mundo. Suaslentas transformações estimuladas pelo inter-câmbio que estabelecemos com outras pesso-as, deveriam induzir o desenvolvimento doeixo lunar, que promove a integração de nossavida material à nossa natureza espiritual. Isso,no entanto, não está ocorrendo a contento noestágio atual da evolução humana. Nós para-mos na fase da adolescência e resistimos aosimpulsos interiores para a concretização denosso caráter espiritual. Ficamos girando emcírculos intermináveis de argumentos basea-dos em nossa percepção consciente do mun-do.Os dois eixos que deveriam operar demaneira cooperativa, competem entre si embusca da nossa atenção, o que acaba por impe-dir a conclusão do processo que nos levariaàquilo que chamamos de iluminação espiritu-al. Um canal filamentoso (que o indiano cha-ma de antahkarana – agente interno) deveriase consolidar entre o centro espiritual (citta) eo corpo, trazendo para nossa vida um intensofluxo de sabedoria e santificando o nosso cor-po, como um verdadeiro batismo. Dessa ma-neira nossa verdadeira identidade espiritualencontraria um perfeito veículo material para
  40. 40. 40 paataÕala ya{gasaU«aaiNaUm tênue, masindestrutível cordão deprata (Lua) traria paradentro de nosso organismoum fluxo de interferênciasdas esferas superiores, onderesidem os devas e os asurasda mitologia hindu.Esse cordão, seja simbólicoou real, tornaria presente avida espiritual dentro donosso corpo.sua manifestação – condição que talvez possaser recuperada pela humanidade futura.Mas se as forças transformadoras daevolução das formas (parinama) ainda não noscolocam nessa condição iluminada, o que nosresta é tentar complementar por esforço indi-vidual o nosso próprio ciclo de amadurecimen-to. Através de práticas especiais, podemos al-cançar estágios ideais da humanidade e nostransformar em indutores de processos seme-lhantes em tantos outros indivíduos que com-partilham de nossas mesmas aspirações espi-rituais. O Yoga é uma prática que permite rea-lizar agora os avanços que imaginamos paraos homens de um futuro ainda distante.A prática correta do Yoga produz emnossa mente o surgimento da inteligência cor-poral, e transforma a nossa vida material numametáfora da própria criação e dos desígnios douniverso. Com isso se extingue a possibilida-de do erro, da dor, e da impermanência nasatividades de nossa mente. A iluminação denossa consciência pela realização do Yoga nostraz para perto de nossa fonte espiritual e nosfaz sentir a perfeita integração com Deus, coma Humanidade e com todas as forças da Natu-reza.
  41. 41. 41Os Yogasutras de PatañjaliOs Yogasutras de PatañjaliTexto clássico fundamental do Sistema Filosófico do YogaVersão IntegralEm Sânscrito e em PortuguêspaataÕala ya{gasaU«aaiNa
  42. 42. 42 paataÕala ya{gasaU«aaiNa|| samaaiDapaad ||SamádhipádaATa ya{gaanauxaasanama/ || 1 ||Atha yogánuçásanam || 1 ||ya{gaiéaÞava&iÞainar{Da: || 2 ||Yogaç cittavqttinirodhaf || 2 ||tada d#Squ: svaÚp{HvasTaanama/ || 3 ||Tadá draßþuf svarúpe;vasthánam || 3 ||va&iÞa saaÚpyaimatar³a || 4 ||Vqtti sárúpyamitaratra || 4 ||va&Þaya: paÑatayya: iklaSqaiklaSqa: || 5 ||Vqttayaf pazcatayyaf klißþáklißþáf || 5 ||paRmaaNaivapaya*yaivakªlpainad#asma&taya: || 6 ||Pramáñaviparyayavikalpanidrásmqtayaf || 6 ||paRtya§aanaumaanaagamaa: paRmaaNaaina || 7 ||Pratyakßánumánágamáf pramáñáni || 7 ||ivapaya*ya{ imaTyaañaanamatad# UpapaRitaSqma/ || 8 ||Viparyayo mithyájzánam atadrúpa pratißþam || 8 ||xabdñaanaanaupaataI vastauxaUnya{ ivakªlpa: || 9 ||Çabdajzánánupátí vastuçúnyo vikalpaf || 9 ||
  43. 43. 43Os Yogasutras de Patañjali1. Eis os postulados mais elevados do Yoga.2. O yoga é o recolhimento [niroðha] dos meios deexpressão[vqttis] da mente [citta];3. Então “aquele que vê” [draßþq, o percebedor] se mani-festa em sua natureza mais autêntica;4. Nesta outra [condição, está] perfeitamente adequadoaos meios de expressão [vqttis].5. Os meios de expressão formam um conjunto de cin-co, tanto na condição perturbada quanto na não-perturbada. [veja-se o sutra 3 do capítulo 2, quetrata das perturbações (kleças)]6. [Os meios de expressão da mente (citta) são chama-dos:] evidência [pramáña], inventividade [viparyaya],imaginação [vikalpa], sono [nidrá] e memória [smqti].7. As evidências [pramáña] são a percepção direta (físi-ca), a inferência (mental) e o testemunho.8. Inventividade [viparyaya] é um conhecimento deriva-tivo que leva a formas que não são aquela [que ori-ginou o conhecimento].9. Imaginação [vikalpas] é o resultado do conhecimentoadquirido pela palavra, desprovido de existência real.[é interessante notar que a imaginação aqui temum poder de criação semelhante àquele que lhe atri-buíam os alquimistas ocidentais. É o poder do ver-bo criador, razão pela qual o autor utiliza o termoçabda (palavra), a poderosa força mobilizada peladeusa Sarasvati - conforme narrado no ánugítá.]Sutra I, 2Vrttis, que chamamos aquide “meios de expressão”,podem ser descritos como osdesdobramentos materiaisde citta. Quando estãovinculados ao mundo mani-festado, criam a consciênciae a ilusão de separatividade,trazendo para a nós a idéiade que observador e objetoobservado são entidadesdistintas. Quando são “re-colhidos” levam a consciên-cia à percepção de átmannos objetos observados, oque elimina qualquer possi-bilidade de separatividade,destruindo desta forma araiz de todo sofrimento.Sutra I, 8Embora a quase totalidadedas traduções prefiramentender viparyayas como“engano”, “conhecimentoerrôneo” ou algo no gênero,preferimos uma abordagemdiversa. Nenhuma expres-são de citta, consideradoeste como o aspecto maiselevado da mente humana,poderia representar necessa-riamente uma prática deerro ou engano, excetoquando manifestado sobcondições adversas.O Capítulo do Samadhi(I, 1-9)
  44. 44. 44 paataÕala ya{gasaU«aaiNaABaavapaRtyayaalambanaa va&iÞaina*d#a || 10 ||Abháva pratyayálambaná vqttir nidrá || 10 ||AnauBaUtaivaSayaasapaRma{Sa: sma&ita: || 11 ||Anubhútavißayása,pramoßaf smqtif || 11 ||AByaasav}ragyaaBya taiÍar{Da: || 12 ||Abhyásavairágyábhya, tannirodhaf || 12 ||ta³a isTata} ya~a{HByaasa: || 13 ||Tatra sthitau yatno;bhyásaf || 13 ||sa tau dIGa*kªalan}rntaya*satkªaras{ivata{ d&ZBaUima: || 14 ||Sa tu dírghakálanairantaryasatkárásevito dqðhabhúmif || 14 ||d&SqanauêaivakªivaSayaivata&SNasya vaxaIkªarsañaav}raagyama/ || 15 ||Dqßþánuçravikavißayavitqßñasya vaçíkárasa,jzá vairágyam || 15 ||tatpar pauúSaKyaat{gau*Nav}ta&SNyama/ || 16 ||Tatpara, purußakhyáterguñavaitqßñyam || 16 ||ivatak*ªivacaaranandaismataaÚpaanaugamaatsapaRñaata: || 17 ||Vitarkavicáránandásmitárúpánugamátsa,prajzátaf || 17 ||ivaramapaRtyayaaByaasapaUva*: saskªarx{Sa{Hnya: || 18 ||Virámapratyayábhyásapúrvaf sa,skáraçeßo;nyaf || 18 ||BavapaRtyaya{ ivadehpaRk&ªitalayaanaama/ || 19 ||Bhavapratyayo videhaprakqtilayánám || 19 ||
  45. 45. 45Os Yogasutras de Patañjali10. O sono [nidrá] é um meio de expressão sustentadopela experiência de não existir.11.Amemória [smqti] é a retenção (não-perda) do objetopercebido.12. Seu recolhimento [ou seja, o nirodha desses cincomeios de expressão] advém da disciplina e do de-sapego.13. A disciplina é o esforço em permanecer nele [nesserecolhimento].14. Ele [o recolhimento], então, praticado assiduamen-te com atenção e continuidade por um longo tem-po, torna-se uma condição consolidada.15. O desapego é o sinal da vontade perfeita daqueleque está indiferente aos objetos já vistos ou dosquais se ouviu falar.16. Em decorrência disso, [o desapego] é a indiferençaàs qualidades materiais [guñas] das coisas nas quaiso espírito [Puruõa] se revela.17. Um conhecimento intenso [samprajzáta] surge a partirde: suposição [vitarka], avaliação [vicára], sensaçãode realidade [ánanda] e da percepção da própria in-dividualidade [asmita] (como uma existência sepa-rada de todas as outras). [A partir daqui, até o sutra22, o autor traça a origem desse conhecimento in-tuitivo a partir de práticas intelectuais]18. Outro [samprajzáta] é resultante de hábitos mentais[samskáras] cultivados a partir da disciplina na ex-periência da “ausência”.19. É a certeza de continuar existindo daqueles que ja-zem incorpóreos na terra espiritual [prakqtí].Sutra I, 10A raiz sânscrita drai, deonde vem a palavra parasono, traz consigo um sen-tido que envolve o conceitode ausência, inconsciência,adequado à comparação coma não-existência. Tem asemelhança do sono damorte, ou da profundatransformação na aparênciaexterior de um yoguim emmeditação, que parece au-sente do seu próprio corpo.Patañjali não faz referênciaao sono como o estado deconsciência alterado em queainda temos algum tipo depercepções, sonhos, etc.Para este último ele teriautilizado o termo svapna,que o define precisamente(como faz em I,38 com“svapnanidrá”). O uso de“nidrá” para um meio deexpressão de citta, indicauma situação em que oindivíduo produz, volunta-riamente a condição de não-existência, seja durante ameditação, ao se abstrairtotalmente da personalidadepara mergulhar na unidadeabsoluta, seja no caso emque deixe de representar opapel de sua própria perso-nalidade para tornar-seuma outra, que pode serconceitual - como o juizencarnando as leis - ouimaginária - como o atorrepresentando uma perso-nagem de ficção.(I, 10-19)
  46. 46. 46 paataÕala ya{gasaU«aaiNaêaõavaIya*sma&itasamaaiDapaRñaapaUva*kª wtareSaama/ || 20 ||Çraddhávíryasmqtisamádhiprajzápúrvaka itareßám || 20 ||taIvaRsfav{gaanaamaasaÍa: || 21 ||Tívrasa,vegánámásannaf || 21 ||ma&dumaDyaaiDamaa³atvaaÞata{Hipa ivax{Sa: || 22 ||Mqdumadhyádhimátratvát tato;pi viçeßaf || 22 ||WXvarpaRiNaDaanaaòa || 23 ||Íçvara prañidhánád vá || 23 ||kl{xakªma*ivapaakªaxay}rparama&Sq: pauúSaivax{Sa WXvar: || 24 ||Kleçakarmavipákáçayair aparámqßþaf purußaviçeßa Íçvaraf || 24 ||ta³a inaritaxayF sava*ñabaIjama/ || 25 ||Tatra niratiçaya, sarvajzabíjam || 25 ||sa <Sa paUv{*Saamaipa gauú: kªal{naanavacCedata/ || 26 ||Sa eßa púrveßámapi guruf kálenánavacchedát || 26 ||tasya vaacakª: paRnava: || 27 ||Tasya vácakaf pranavaf || 27 ||taÌapastadTa*Baavanama/ || 28 ||Tajjapas tadarthabhávanam || 28 ||
  47. 47. 47Os Yogasutras de Patañjali20. O [samprajzáta] de outros tem sua origem numa per-cepção intuitiva [prajñá] durante o estado de samádhiretida pela memória [smqti], pela vontade [vírya -firme disposição] e pela fé. [São as reminiscênci-as. Essas percepções obtidas durante o Samadhise desvanecem tão logo a consciência retorna - talcomo ocorre com os sonhos. Podem ser retidas, noentanto, por um esforço de memória, vontade e fé]21. [O samprajzáta] está próximo [quando há] intensasinquietações.22. Do fato de sua medida ser delicada, média ou muitointensa, daí justamente vem a diferença.23. Ou [o samprajñata surge] da entrega ao Senhor inte-rior [Íçvara]. [A partir deste sutra, até o sutra 29,estamos tratando da via inconsciente para a ob-tenção do conhecimento intuitivo].24. O Íçvara é um aspecto do Purußa, e portanto não éafetado pelos repositórios dos resultados das ações.[Os efeitos de nossos atos são armazenados juntoao nosso organismo psíquico, e afetam seu funcio-namento. Içvara, porém, é de natureza espiritual[Puruõa] e não está sujeito às suas influências. -Veja-se, em relação a este sutra, o conteúdo de II,12]25. Repousa ligada a ele [ao Íçvara] a semente de todo oconhecimento [possível].26. É verdadeiramente o mestre dos antigos, pois nãoestá limitado pelo tempo.27. O prañava (a sílaba mística “OM”) é a sua expressão.28. Recitá-lo é fazer surgir o seu sentido [na mente dorecitador].Sutra I, 28Traduzimos artha por “sen-tido” neste sutra, embora apalavra tenha maisfreqüentemente o uso de“objetivo” ou “finalidade”.Optamos por esta formaporque o Íçvara não surgena mente do recitador comum objetivo, mas apenascomo um sentido, um “vir-a-ser” que aponta para oseu dharma (condição espi-ritual, vocação).Sutra I, 31(próxima página)É importante chamar aatenção para a inclusão dosmovimentos respiratórioscomo sinais externos dasdispersões de citta. De acor-do com o sistema do Yoga, arespiração pode ser divididaem quatro fases: inspiração,pausa com retenção do ar,expiração e pausa com ospulmões esvaziados. Estaúltima fase é considerada amais adequada para o esfor-ço de concentração. Noprocesso natural de relaxa-mento e introspecção, asduas pausas crescem emduração e se tornam maio-res que as fases com movi-mento.(I, 20-28)
  48. 48. 48 paataÕala ya{gasaU«aaiNatata: paRtyakc{tanaaiDagama{HpyantarayaaBaavaéa || 29 ||Tataf pratyakcetanádhigamo;pyantaráyábhávaçca || 29 ||vyaaiDastyaanasaxayapaRmaadalasyaaivaritaBaRintadxa*naalabDaBaUimakªtvaanavaisTatatvaaina icaÞaiva§{paast{Hntarayaa: || 30 ||Vyádhistyánasa,çayapramádálasyáviratibhranti darçanálabdhabhúmikatvánavasthitatváni cittavikßepáste;ntaráyáf || 30 ||du:Kad}ma*nasyaaüm{jayatvaXvaasapaRXvaasaa iva§{pasahBauva: || 31 ||Dufkhadaurmanasyáxgamejayatvaçvásapraçvásávikßepasahabhuvaf || 31 ||tatpaRitaS{DaaTa* m{kªtaÞvaaByaasa: || 32 ||Tatpratißedhárthamekatattvábhyásaf || 32 ||m}i³akªúNaamauidta{p{§aaNaF sauKadu:KapauNyaapauNyaivaSayaaNaaBaavanaataiéaÞapaRsaadnama/ || 33 ||Maitrikaruñámuditopekßáñá, sukhadufkhapuñyápuñya vißayáñá,bhávanátaçcittaprasádanam || 33 ||paRcCd*naivaDaarNaaByaa vaa paRaNasya || 34 ||Pracchardanavidhárañábhyá, vá práñasya || 34 ||ivaSayavataI vaa paRva&iÞaútpaÍaa manasa: isTaitainabainDanaI || 35 ||Vißayavatí vá pravqttirutpanná manasaf sthitinibandhiní || 35 ||ivaxa{kªa vaa jya{itaSmataI || 36 ||Viçoká vá jyotißmatí || 36 ||
  49. 49. 49Os Yogasutras de Patañjali29. Disso vem a introversão da inteligência e a dissolu-ção dos obstáculos. [Veja II,10 - as perturbações,quando a mente gravita em direção a citta (em ati-tude de recolhimento), desaparecem; da mesma for-ma, aqui, buscamos elevar nossa inteligência parauma esfera mais sutil de atuação buscando o Íçvaracomo referencial. Por isso os obstáculos se dissol-vem.]30. Os obstáculos [antaráyás, “limitadores”] são as [nove]dispersões da mente [citta]: doença, insensibilida-de, dúvida, negligência, imobilismo, desinteresse,divagação, não-realização e instabilidade.31. Dor, desespero, agitação dos membros, inspiração eexpiração aparecem junto com essas dispersões.32. Para evitá-las, exercita-se um único princípio [tattva].[esse tattva é átman, conforme o que aparece noaforismo 47, adiante]33. O assentamento [tranqüilização] de citta se demons-tra pela amizade para com o feliz, compaixão como sofredor, alegria com o virtuoso e indiferença como malvado. [A partir deste sutra, e até o sutra 41, oassunto é a tranquilização - prasad - de citta].34. Ou então [se demonstra] por meio da expulsão e docontrole do práña (sopro vital)35. Ou produzindo a estabilidade da mente que surgede uma transformação relacionada aos objetos per-ceptíveis [os objetos passam a ser percebidos seminterferência dos pensamentos limitados ao mun-do objetivo]36. Ou [é] o brilho [celestial] que liberta da dor. [Essebrilho, jyotis, é o brilho dos astros noturnos, rela-cionado ao espírito e à inconsciência]Sutra I, 34Práña é sinônimo deatividade. Expulsar o Práñaé o mesmo que buscar umestado de repousoControlar o Práña é a capa-cidade de controlar as forçasdo comportamento para queobedeça à vocação interior.Sutra I, 36Esse brilho, jyotis, é o influ-xo astral relacionado ànossa vocação. Pode se dizerque é a luz das estrelas denossa carta natal astrológi-ca indicando os caminhosque levam à realização denosso dharma. ConformeKrishna fala para Arjunano Bhagavadgita, quandoagimos em conformidadecom o dharma, não há sofri-mento. É a divindade supre-ma que age por nosso inter-médio. Como poderia haverdor, que é o sinal doerrôneo, num ato que estáperfeitamente correto, comotodo ato baseado em nossavocação espiritual?Sutra I, 31Inspiração e expiração,conforme aparecem nessesutra, não representamapenas a respiração ofegan-te, mas representam as duasfases de movimento darespiração, consideradasinferiores às duas fases derepouso que há entre elas.(veja o outro comentário,na página 45)(I, 29-36)
  50. 50. 50 paataÕala ya{gasaU«aaiNavaItaragaivaSaya vaa icaÞama/ || 37 ||Vítarágavißaya, vá citta, || 37 ||svapnainad#añaanaalambana vaa || 38 ||Svapnanidrájzánálambana, vá || 38 ||yaTaaiBamataDyaanaaòa || 39 ||Yathábhimatadhyánádvá || 39 ||parmaaNauparmamahÞvaanta{Hsya vaxaIkªar: || 40 ||Paramáñuparamamahattvánto;sya vaçíkáraf || 40 ||§aINava&Þ{riBajaatasy{va maN{gaR*hIta&gaRhNagaRaÁaeSautatsTatadVjanataasamaapaiÞa: || 41 ||Kßíñavqtterabhijátasyeva mañergrahítqgrahañagráhyeßutatsthatadazjanatásamápattif || 41||ta³a xabdaTa*ñaanaivakªlp}: saûINaa* saivatakªa* samaapaiÞa: || 42 ||Tatra çabdárthajzánavikalpaif saxkírña savitarká samápattif || 42 ||sma&itapairxauõ} svaÚpaxaUny{vaaTa*maa³ainaBaa*saa inaiva*takªa* || 43 ||Smqtipariçuddhau svarúpaçúnyevárthamátranirbhásá nirvitarká || 43 ||<tay}va saivacaara inaiva*caara ca saU§maivaSayaa vyaaKyaataa || 44 ||Etayaiva savicárá nirvicárá ca sukßmavißayá vyákhyátá || 44 ||
  51. 51. 51Os Yogasutras de Patañjali37. Ou é [demonstrado pela presença de] citta, em rela-ção ao apego aos desejos [porque citta só se mani-festa quando não está presente o apego].38. Ou é oriundo [o assentamento da mente] do saberque vem dos sonhos em sono profundo [quandosilenciam as interferências externas na produçãodos sonhos, e estes passam a refletir a sabedoriaserena do samprajzata].39. Ou então provém da meditação [dhyána] no que éagradável [por corresponder à vocação].40. O controle sobre isto [do assentamento de citta] seestende desde o infinitesimal ao imensamente gran-de.41. Encontra-se o colorido da jóia [mañi], nascida emconseqüência do enfraquecimento (material) dasvqttis, com aquele [mesmo colorido] que está noobservador, nos órgãos sensoriais e nos objetos ob-servados. [a gema preciosa representa tradicio-nalmente a alma individual espiritualizada]42. Daí, a razão [savitarka] combina-se perfeitamentecom a imaginação [vikalpa] aplicada ao conheci-mento aprendido com palavras. [Ao romper com alógica racional, a imaginação liberta o pensamen-to dos limites do mundo material, abrindo cami-nho para o samádhi]43. A negação da razão [nirvitarka], [que servirá] para apurificação da memória [smqti], é semelhante a umreferir-se às coisas que na verdade não levasse emconta suas peculiaridades [externas, grosseiras].[Purificar a memória é torná-la apta para trazerpara a consciência as reminiscências da percep-ção sutil, que normalmente se desfazem ao contatocom nossos pensamentos].44. Da mesma maneira, são explicados, numa esferamais sutil, a abstração [savicára] e sua negaçãoSutra I, 43Note que a memória foidescrita em I,11 como aretenção do objeto percebi-do. A purificação da memó-ria é, por conseguinte, aeliminação dos aspectosinferiores desse objeto reti-do, e que são os detalhespercebidos pela mente maisgrosseira. O processo depurificação é referido emII,21 que explica que oobjetivo do percebedor éencontrar o átman nosobjetos percebidos, o quetambém se confirma em I,47Sutra I, 40Ao exercitar um únicotattva, que é a individuali-dade universal, atman, oyoguim se identifica plena-mente com cada objeto(viõaya), tornando-se inte-grado a todos eles. O domí-nio que ele passa a ter sobresuas forças interiores seconverte em controlesobreas forças que movemtodos os fenômenos materi-ais, das menores partículas(añu) aos corpos celestiais(I, 37-44)[Sa-/Nir-] Vitarka:Pensamento lógico, baseadonos objetos e nas palavras.[Sa-/Nir-] Vicara:Pensamento com que seelabora conceitos abstratosou julgamentos de valor emérito, sem a necessidadede referência a objetos mate-riais.[Os prefixos Sa- e Nir-significam “com” e “sem”]
  52. 52. 52 paataÕala ya{gasaU«aaiNasaU§maivaSayatva caailaüpaya*vasaanama/ || 45 ||Súkßmavißayatva, cálixgaparyavasánam || 45 ||taa <va sabaIja: samaaiDa: || 46 ||Tá eva sabíjaf samádhif || 46 ||inaiva*caarv}xaarÓaeHDyaatmapaRsaad: || 47 ||nirvicáravaiçáradye;dhyátmaprasádaf || 47 ||`taBara ta³a paRñaa || 48 ||Qta,bhará tatra prajzá || 48 ||êautaanaumaanapaRñaaByaamanyaivaSayaa ivax{SaaTa*tvaata/ || 49 ||Çrutánumánaprajzábhyám anyavißayá viçeßárthatvát || 49 ||taÌa: saskªar{HnyasaskªarpaRitabanDaI || 50 ||Tajjaf sa,skáro;nyasa,skárapratibandhí || 50 ||tasyaaipa inar{D{ sava*inar{DaaiÍabaI*ja: samaaiDa: || 51 ||Tasyápi nirodhe sarvanirodhán nirbíjaf samádhif || 51 ||wita êaIpaataÕal{ saaKyapaRvacan{ ya{gaxaas³{ paRTama: samaaiDapaad: samaapta: || 1 ||wita êaIpaataÕal{ saaKyapaRvacan{ ya{gaxaas³{ paRTama: samaaiDapaad: samaapta: || 1 ||wita êaIpaataÕal{ saaKyapaRvacan{ ya{gaxaas³{ paRTama: samaaiDapaad: samaapta: || 1 ||wita êaIpaataÕal{ saaKyapaRvacan{ ya{gaxaas³{ paRTama: samaaiDapaad: samaapta: || 1 ||wita êaIpaataÕal{ saaKyapaRvacan{ ya{gaxaas³{ paRTama: samaaiDapaad: samaapta: || 1 ||Iti çrípátazjale sá,khyapravacane yogaçástre prathamaf samádhipádaf samáptaf || 1 ||
  53. 53. 53Os Yogasutras de Patañjali[nirvicára]. [Para poder dispor das impressões sutistrazidas à sua mente e fruir da plenitude do estadode Samadhi, o yoguim precisa aprender a prescin-dir até mesmo dos modos de pensamento maisabstratos].45. E [certamente] o próprio conceito de esfera maissutil termina no que não tem mais sinais perceptí-veis [isto é, aquilo que não pode ser percebido ouobservado].46. Este é de fato o samádhi com semente.47. Na utilização habilidosa do nirvicára, o átman se as-senta [junto à consciência] em sua condição supe-rior [adhyátman].48. Lá, ele é aquele que possui o conhecimento verda-deiro [prajzá].[Veja I,25 – a semente de todo o co-nhecimento (sarvajña bijam) está ligada ao Íçvara]49. É uma outra natureza [de conhecimento], que não adaquele obtido por dedução ou revelação, mas queprovem de causas diferentes.50. O samskára que nasce daí interrompe outrossamskáras.51. O que surge do recolhimento total, dentro deste re-colhimento, é o samádhi sem semente. [É a condi-ção em que não há mais objeto e observador. Ondeo átman se assenta por si só, de modo que o samádhinão é construído, mas apenas existe].Sutra I, 46O samádhi é descrito aquicomo uma condição dinâmi-ca da mente em que gradu-almente o praticante desco-bre o átman em cada objetoao qual empresta sua aten-ção. Eles passam a ser par-tes de um corpo vivente,inteligente e dotado deconsciência, que é o Íçvara,um reflexo elevado de nossaprópria individualidade.Cada objeto, torna-se, juntoa Íçvara, uma semente deconhecimento (ver I,25) e oponto de partida de pensa-mentos encadeados emdireção ao abstrato e aoinfinito.(I, 45-51)Sutra I, 50Cabe esclarecer aqui que osamádhi é uma condição deelevação da consciência quese obtém através de umaprática continuada, persis-tente e somada ao desapego.Por isso podemos dizer queele próprio é, seguramenteum hábito mental cultivado,um samskára. Na verdade éo mais elevado de todos, quese sobrepõe e interrompetodos os demais.Assim se completa o primeiro capítulo, chamado “Samadhi” no tra-tado sobre Yoga de Çri Patañjali, na doutrina do Samkhya.
  54. 54. 54 paataÕala ya{gasaU«aaiNa|| saaDanapaad ||Sádhanapádatapa:svaaDyaay{XvarpaRiNaDaanaaina ik®^yaaya{ga: || 1 ||Tapaf svádhyáyeçvaraprañidhánáni kriyáyogaf || 1 ||samaaiDaBaavanaaTa*: kl{xatanaUkªrNaaTa*éa || 2 ||Samádhibhávanárthaf kleçatanúkarañárthaçca || 2 ||AivaÓaaismataaragaòeSaaiBainav{xaa: kl{xaa: || 3 ||Avidyásmitárágadveõábhiniveçáf kleçáf || 3 ||AivaÓaa §{«amauÞareSaa paRsauptatanauivaicCÍa{daraNaama/ || 4 ||Avidyá kõetramuttareõa, prasuptatanuvicchinnodáráñám || 4 ||Ainatyaaxauicadu:Kaanaatmasau inatyaxauicamauKaatmaKyaaitarivaÓaa || 5 ||Anityáçucidufkhánátmasunityaçucisukhátmakhyátir avidyá || 5 ||d&gdxa*naxaktya{rekªatmataevaaismataa || 6 ||Dqgdarçanaçaktyor ekátmatevásmitá || 6 ||sauKaanauxayaI raga: || 7 ||Sukhánuçayí rágaf || 7 ||du:KaanauxayaI òeSa: || 8 ||Dufkhánuçayí dveõaf || 8 ||
  55. 55. 55Os Yogasutras de Patañjali1. Kriya Yoga é o sacrifício [tapas], a busca do saberinterior [svádhyáya] e a entrega ao Içvara[Íçvaraprañidhána].2. Tem a finalidade de produzir o Samadhi e minimizaras perturbações.3. Falta de sabedoria, egoidade [asmita], desejo, aver-são e apego à vida são as perturbações [kleças].4. Falta de sabedoria é o campo onde crescem as de-mais perturbações, quer estejam adormecidas,enfraquecidas, isoladas ou totalmente ativas.5. Falta de sabedoria é a percepção da eternidade, pu-reza, bem estar e individualidade naquilo que éperecedor, impuro, desagradável e não-individual.6. Egoidade [asmita] é a identidade aparente das for-ças da percepção pura com as do instrumento dapercepção. [A percepção pura tem a natureza damente, enquanto que o instrumento da percepçãotem a natureza da matéria. O olhar é a pura per-cepção sustentada pela presença de citta, enquan-to que o olho é o instrumento que mobiliza forçasfísicas, químicas e psíquicas para produzir seus re-sultados. Ao confundir os dois criamos a egoidadeem nossa mente]7. Desejo [rága] é o que decorre da experiência do pra-zer [sukha].8. Aversão [dveõa] é o que decorre da experiência dador [dufkha].O Capítulo da Prática(II, 1-8)Sutra II, 6A identidade à qual estesutra faz referência estáexpressa pela palavraekátmata, ou seja, sob umúnico espírito [átma] queanima as forças do órgão depercepção e as da própriapercepção.Os mestres da Índia adver-tiam seus discípulos paraque não permitissem queforças estranhas se apropri-assem de seus órgãos deação ou de percepção.O caminho do Yoga é omesmo dos magos, e não odos médiuns.
  56. 56. 56 paataÕala ya{gasaU«aaiNasvarsavaahI ivaduSa{Hipa taTaaÚZ{HiBainav{xa: || 9 ||Svarasaváhí viduõo;pi tathárúòho;bhiniveçaf || 9 ||tae paRitapaRsavaheyaa: saU§maa: || 10 ||Te pratiprasavaheyáf súkßmáf || 10 ||Dyaanaheyaastaò&Þaya: || 11 ||Dhyánaheyástadvqttayaf || 11 ||klaexamaUla: k^maa*xaya{ d&Sqad&SqjanmavaedanaIya: || 12 ||Kleçamúlaf karmáçayo dqõóádqõóajanmavedáníyaf || 12 ||saita maUl{ taiòpaakª{ jatyaayauBa{*gaa: || 13 ||Sati múle tadvipáko jatyáyurbhogáf || 13 ||t{ àadpairtaapaPªlaa: pauNyaapauNyahetautvaata/ || 14 ||Te hládaparitápaphaláf puñyápuñyahetutvát || 14 ||pairNaamataapasaskªardu:K}ga*uNava&iÞaivar{DaaÏadu:Kam{va sava* ivav{ikªna: || 15 ||Pariñámatápasa,skára dufkhairguñavqttivirodháccadufkhameva sarva, vivekinaf || 15 ||heya du:Kamanaagatama/ || 16 ||Heya, dufkhamanágatam || 16 ||d#Sq&d&xyaya{: saya{ga{ heyahetau: || 17 ||Draõóqòqçyayof sa,yogoheyahetuf || 17 ||
  57. 57. 57Os Yogasutras de Patañjali9. Apego à vida é um sentimento que surge por suaprópria força até mesmo no sábio.10. [Essas perturbações,] quando se tornam sutis, sãodestruídas. [sua existência só faz sentido e só é pos-sível no mundo grosseiro e material]11. Dhyána (meditação) destrói as manifestações [vqttis][dessas aflições]. [Dhyana devolve ao praticante asabedoria (vidya), destruindo o único campo em queas aflições podem se desenvolver]12. O recipiente do karma (ações), que é a raiz das per-turbações, deve ser percebido como a origem do vi-sível e do invisível.13. Existindo essa raiz, é o seu desfrute [de prazer esofrimento decorrentes do karma] que faz existir onascimento, a duração da vida e a maturidade.[Quando atribuímos a nós mesmos os méritos edeméritos das ações, nossa consciência se orientapara o desfrute, seja do prazer ou da dor, criandoum ciclo interminável de dependência em relação àexistência material]14. Seus frutos são prazer e dor, conforme provenhamda virtude ou do vício.15. Tudo que vem do discernimento, bem como o quevem da luta entre os desdobramentos [vqttis] das qua-lidades da matéria [guñas] é verdadeiramente sofri-mento [dufkam] por força do sofrimento produzi-do pelas transformações naturais [pariñáma], pelosacrifício [tapas] e pelos hábitos [sa,skára].16. sofrimento que ainda não surgiu é o que pode serevitado.17. A identificação entre o que percebe e a coisapercebível é a razão dessa dor poder ser evitada.(II, 9-17)Sutra II, 15Viveka é o discernimento,que nos permite distinguiros objetos percebidos e osobservadores desses objetos.No entanto, toda separaçãoprovoca sofrimento. Preci-samos, portanto utilizarviveka para distinguir con-ceitos, e não objetos e paraque a luz do conhecimentoverdadeiro ilumine essediscernimento.
  58. 58. 58 paataÕala ya{gasaU«aaiNapaRkªaxaik®ªyaaisTaitaxaIla BaUt{ind#yaatmakª Ba{gaapavagaa*Ta*d&xyama/ || 18 ||Prakáçakriyásthitiçíla, bhútendriyátmaka, bhogápavargártha,dqçyam || 18 ||ivax{Saaivax{Sailaümaa«aailaüaina gauNapavaa*iNa || 19 ||Viçeõáviçeõalixgamátrálixgáni guñaparváñi || 19 ||d#Sqa d&ixamaa«a: xauõ{Hipa paRtyayaanaupaxya: || 20 ||Draõóá dqçimátraf çuddhe;pi pratyayánupaçyaf || 20 ||tadTa* <va d&xyasyaatmaa || 21 ||Tadartha eva dqçyasyátmá || 21 ||k&ªtaaTa* paRita naSqmapyanaSq tadnyasaaDaarNatvaata/ || 22 ||Kqtártha prati naõóamapyanaõóa, tadanyasádhárañatvát || 22 ||svasvaaimaxa»ya{: svaÚpa{palaibDahetau: saya{ga: || 23 ||Svasvámiçaktyof svarúpopalabdhihetuf sa,yogaf || 23 ||Os objetos materiais são dotados das características de perma-nência e impermanência, simultaneamente. O aspectoimpermanente produz sofrimento no observador. É uma relaçãomaculada.O aspecto permanente é um conjunto de arquétipos aos quais oobjeto está associado, e que expressam sua essência espiritual. Aose ligar a esse perfil espiritual do objeto, o observador encontra asua própria essência espiritual ali refletida.Esse forte elo entre observador e objeto é o samyoga.
  59. 59. 59Os Yogasutras de Patañjali18. A coisa percebível, [que tem] a finalidade de fazercompleta a fruição (veja sutra 13), [e que tem] amesma natureza dos órgãos sensoriais[bhutendriyani], [tem] uma disposição [ou caráter]evidenciável, ativa e estável.19. Diferenciado e indiferenciado, dissolúvel eindissolúvel, são as condições dos gunas.20. O percebedor é a própria medida da percepção. Em-bora puro, apreende apenas suas próprias convic-ções. [O percebível é apenas uma reprodução im-perfeita do próprio percebedor]21. Seu objetivo [artha] é [encontrar] a natureza real[átman] do percebível. [Quando nos tornamos aque-le que vê, nosso objetivo é buscar a percepção doprincípio de individualidade (atman) daquilo quepode ser visto]22. Embora destruído para quem tenha alcançado seuobjetivo, não é destruído [em essência] pois é o mes-mo em todos os outros. [Quando alcançamos nos-so objetivo (atman), destruímos em nossa mente opercebível, pois mergulhamos na identidade funda-mental de tudo. Mesmo assim a essência dopercebível permanece disponível para a experiên-cia de outros]23. Uma união muito forte [samyoga] é causa da identi-ficação das características das forças dele mesmo ede seu senhor. [O percebedor é, num certo sentidoo senhor daquilo que é percebido. Suas percepçõesconstituem o seu reino, seu universo. Um não existesem o outro. Daí se dizer que há uma união muitoforte entre ambos. Quando o percebedor alcança oatman naquilo que é percebido, então ele se esta-belece em sua forma mais autêntica - veja-se o sutra3 do primeiro capítulo](II, 18-23)Sutra II, 18Não há percepção se não háalgo que se possa perceber.Não há desfrute se nãohouver algo que se possaperceber distintamente denós mesmos. Essa coisapercebível compartilha dosmesmos princípios naturaisutilizados pelos órgãossensoriais, senão jamaisseria percebida. Ela é, poressa razão, evidenciável, ouseja, capaz de se tornardestacada diante de nossaconsciência; é tambémativa, no sentido de produ-zir uma ação sensível sobrenossos órgãos sensoriais; etambém é estável, para quepossamos atribuir a ela umsignificado e um valorSutra II, 20Pode-se dizer que um ato depercepção pura acontece naesfera de citta, muito longeda natureza material. Aconsciência, no entanto,está presa aos objetos mate-riais, impermanentes.Quando nossa relação comos objetos é imaculada, elaacontece na esfera de citta,ainda que se apoie nasatividades inferiores dosórgãos sensoriais.
  60. 60. 60 paataÕala ya{gasaU«aaiNatasya hetaurivaÓaa || 24 ||Tasya hetur avidyá || 24 ||tadBaavaatsaya{gaaBaava{ hana taö&x{: kE^valyama/ || 25 ||Tad abhávátsa,yogábhávo hána, taddqçef kaivalyam || 25 ||ivav{kªKyaaitarivaplavaa hana{paaya: || 26 ||Vivekakhyátiraviplavá hánopáyaf || 26 ||tasya saptaDaa paRantaBaUima: paRñaa || 27 ||Tasya saptadhá prántabhúmif prajzá || 27 ||ya{gaaüanauSQanaadxauiõ§ay{ ñaanadIiptaraivav{kªKyaat{: || 28 ||Yogáxgánuõóhánádaçuddhikõaye jzánadíptirávivekakhyátef || 28 ||yamainayamaasanapaRNaayaamapaRtyaaharDaarNaaDyaanasamaaDaya{HSqavaüaina || 29 ||Yamaniyamásanaprañáyámapratyáháradhárañádhyánasamádhayo;õóávaxgáni || 29 ||ta«aaihsaasatyaast{yabaRÀacayaa*pairgaRha yamaa: || 30 ||Tatráhi,sásatyásteyabrahmacaryáparigrahá yamáf || 30 ||jaaitadexakªalasamayaanavaicCÍaa: saava*Ba}maa mahavaRtama/ || 31 ||Játideçakálasamayánavacchinnáf sárvabhaumá mahávratam || 31 ||xa}casanta{Satapa:svaaDyaay{XvarpaRiNaDaanaaina inayamaa: || 32 ||Çaucasantoõatapafsvádhyáyeçvaraprañidhánáni niyamáf || 32 ||
  61. 61. 61Os Yogasutras de Patañjali24. Sua causa [da união do percebedor com o percebível]é a falta da sabedoria [avidya].25. Da eliminação [abhava] da falta de sabedoria surgea eliminação dessa união [samyoga]. Esse é o isola-mento [kaivalyam], a libertação da percepção [dqçi].26. A maneira de eliminar a falta de sabedoria é a per-sistência no discernimento [viveka].27. conhecimento claro disso é alcançado em sete pas-sos.28. Com a destruição da impureza pela prática gradualdos componentes do Yoga, a luz do conhecimento[jzana] ilumina o discernimento [viveka].29. Normas de convivência [yama], normas de auto-aperfeiçoamento [niyama], posturas de assentamento[ásanas], práticas de controle das forças sutis[práñáyama], recolhimento [pratyáhára], concentra-ção [dharaña], meditação [dhyána] e superação de simesmo [Samádhi] são as oito partes [axgas] doYoga.30. Yama é a não-agressão [ahi,sa], a autenticidade[satya], o não roubar [asteya], a prática de uma vidaespiritualmente regrada [bráhmacarya] e o não cobi-çar [aparigraha].31. Essas normas não estão restritas a casta, lugar, tem-po e circunstâncias, e são chamadas de “o grandevoto”, que serve para o mundo todo.32. Niyama é limpeza [çauca], contentamento [santoõa],sacrifício [tapas], busca do saber interior [svádhyáya]e entrega ao Içvara [Íçvara pranidhana].(II, 24-32)Sutra II, 24A sabedoria (Vidya) não seexpressa por palavras ouidéias, mas apenas por atos.O sábio é aquele que agecorretamente, ainda que nãopossa explicar as razões desuas próprias ações.O conhecimento (jñana)não traz sabedoria, masapenas pode melhorar oupiorar nossa relação com osobjetos. Nossa ligação comos objetos que percebemos éo princípio de nossa exis-tência consciente. Mas aonos desligarmos do aspectoexterior dos objetos, damosoportunidade para osurgimento de vidya, epodemos realizar aintegração plena com essesmesmos objetos.Quando podemos perceberos objetos e, ao mesmo tem-po, ser integralmente essesmesmos objetos, sentimosque existe apenas uma úni-ca presença. O Universo seesvazia (no kaivalyam) eestamos livres.Sutra 28O discernimento é o cami-nho para eliminar a falta desabedoria (sutra 26), mas étambém causa de todo sofri-mento (sutra 15). Para quepossamos resguardar ape-nas suas característicasverdadeiramente construti-vas, devemos iluminá-locom a inteligência desperta-da pela prática gradual dosangas do Yoga
  62. 62. 62 paataÕala ya{gasaU«aaiNaivatak*ªbaaDan{ paRitapa§aBaavanama/ || 33 ||Vitarkabádhane pratipakõabhávanam || 33 ||ivatakªa* ihsaadya: k&ªtakªairtaanauma{idtaa la{Bak®ª{Dama{hpaUva*kªama&dumaDyaaiDamaa«aa du:KaañaanaanantaPªlaa witapa®itapa§aBaavanama/ || 34 ||Vitarká hi,sádayaf kqtakáritánumoditá lobhakrodhamohapúrvakámqdumadhyádhimátrá dufkhájzánántaphalá itipratipakõabhávanam || 34 ||Aihfsaapa®itaSQayaF tatsaiÍaDa} v}rtyaaga: || 35 ||Ahi,sápratiõóháyá, tatsannidhau vairatyágaf || 35 ||satyapa®itaSQayaF ik®ªyaaPªlaaêayatvama/ || 36 ||Satyapratiõóháyá, kriyáphalákõayatvam || 36 ||Ast{yapaRitaSQayaF sava*rtna{pasTaanama/ || 37 ||Asteyapratiõóháya, sarvaratnopasthánam || 37 ||baRÀacaya*paRitaSQayaF vaIya*laaBa: || 38 ||Brahmacaryapratiõóháyá, víryalábhaf || 38 ||ApairgaRhsT}y{* janmakªTantaa samba{Da: || 39 ||Aparigrahasthairye janmakathantá sambodhaf || 39 ||xa}caatsvaüjaugaupsaa parErsasaga*: || 40 ||Çaucátsvaxgajugupsá parairasa,sargaf || 40 ||saºvaxauiõsa}manasy}kªagaR/yaeind#yajayaatmadxa*naya{gyatvaaina ca || 41 ||Sattvaçuddhisaumanasyaikágryendriyajayátmadarça-nayogyatváni ca || 41 ||
  63. 63. 63Os Yogasutras de Patañjali33. É o desenvolvimento de idéias contrárias aos mauspensamentos, com a finalidade de evitá-los.34. As ações maldosas, tais como agressão, etc., são fei-tas, levadas a ser feitas, e permitidas de ser feitaspela avareza, cólera, e ignorância; elas têm grausleve, moderado ou intenso e levam aos infinitos fru-tos do sofrimento e das trevas. Por isso deve-se de-senvolver seus pensamentos contrários.35. Com o estabelecimento da não-agressão [ahi,sa], ainimizade desaparece das proximidades.36. Com o estabelecimento da autenticidade [satya], háo domínio sobre as ações e seus frutos.37. Com o estabelecimento do não-roubar [asteya], a pre-sença de todas as coisas excelentes.38. Com a prática de uma vida espiritual [brahmacarya],a obtenção de vigor. [Apalavra virya, aqui traduzidapor vigor, expressa a presença da vontade espiritu-al nas ações do indivíduo. Essa vontade é o ingre-diente indispensável à realização da sabedoria. Oherói é “vira”, aquele que tem vontade]39. Com o não cobiçar [aparigraha], a percepção corretado como e do porquê do nascimento.40. Da limpeza [Çauca] vem a indiferença ao própriocorpo e o desinteresse por se misturar aos demais.41. Surgem então a pureza imaculada [çuddhi] de sattva,os pensamentos elevados, a concentração em um sóponto, o controle sobre os sentidos e aptidão paraauto-observação.(II, 33-41)Sutra 38Da mesma origem da pala-vra virya temos, em portu-guês as palavras “viril” e“virtude”, que expressamqualidades positivas dosindivíduos dotados de gran-de vontade e capacidade derealização.
  64. 64. 64 paataÕala ya{gasaU«aaiNasanta{SaadnauºamasauKalaaBa: || 42 ||Santoõádanuttamasukhalábhaf || 42 ||kªayaeind#yaisaiõrxauiõ§ayaaºapasa: || 43 ||Káyendriyasiddhiraçuddhikõayáttapasaf || 43 ||svaaDyaayaaidSqdevataa sampaRya{ga: || 44 ||Svádhyáyádiõóevatá samprayogaf || 44 ||samaaiDaisaiõrIxvarpaRiNaDaanaata/ || 45 ||Samádhisiddhiríçvaraprañidhánát || 45 ||isTarsauKamaasanama/ || 46 ||Sthirasukham ásanam || 46 ||paRyatnax}iTalyaanantasamaapaiºaByaama/ || 47 ||Prayatnaçaithilyánantasamápattibhyám || 47 ||tata{ ònòanaiBaGaata: || 48 ||Tato dvandvánabhighátaf || 48 ||taismansaita XvaasapaRXvaasaya{ga*itaivacCed: paRaNaayaama: || 49 ||Tasminsati çvásapraçvásayorgativicchedaf práñáyámaf || 49 ||baaÁaaByaantarstamBava&iºade*xakªalasaKyaaiBa:paird&Sq{ dIDa*saU§ma: || 50 ||Báhyábhyántarastambhavqttirdeçakálasa,khyábhifparidqõóo dírdhasúkõmaf || 50 ||
  65. 65. 65Os Yogasutras de Patañjali42. Do contentamento vem a obtenção da mais elevadafelicidade [bem-estar].43. Tapas traz a destruição das impurezas, o que leva àperfeição dos sentidos do corpo [káya]. [A realiza-ção do tapas traz inteligência corporal para o indi-víduo, o que significa que ele age e se expressa commuito mais desenvoltura e espontaneidade que osdemais]44. A busca do saber interior [svádhyáya], orientada pelapresença divina, traz a integração mais elevada[samprayoga].45. Da entrega ao Íçvara, a perfeição no samadhi.46. Firme e confortável é a postura [ásana].47. Por vir juntamente com um irrestrito relaxamentodos esforços [prayatna].48. Daí não há atritos nas dualidades [dvandva].49. Em seguida vem o Pranayama, a separação dos mo-vimentos de inspiração e expiração.50. O pranayama tendo as operações externa, interna ede confinamento, e sendo regulado por espaço, tem-po e número, torna-se longo e curto.(II, 42-50)Sutra 43Os sentidos corporais,Indriyani, são de dois tipos:Budhindriyani, ou órgãossensoriais de percepção; eKarmendriyani, ou órgãosde ação. A mente [manas]depende dos órgãos de per-cepção para suas operações,mas citta projeta sua pre-sença sobre os órgãos deação, por onde se revela asabedoria: vák (voz - evidên-cia), páñi (mão - imagina-ção), páda (pé - sono), páyú(ânus - inventividade), epasthán (genitais -memória).

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