ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SEUS PARADIGMAS Taylorismo e Fordismo Professor: Luiz Henrique Borges EMESCAM
CONDIÇÕES DE TRABALHO <ul><li>Ambiente físico  (temperatura, pressão, barulho, vibração, irradiação, altitude, etc.); </li...
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (Dejours) <ul><li>A divisão do trabalho,  </li></ul><ul><li>O conteúdo da tarefa (na medida em que...
<ul><li>“ A organização do trabalho  determina a atividade das pessoas   ...”  e cuida de  “pelo menos seis aspectos inter...
Organização do Trabalho ? (Mário Vidal, 1997) <ul><ul><ul><li>As formas de estabelecimento de rotinas e procedimentos de p...
ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO Produto Matéria-prima ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Local Ferramentas Maquinaria Trabalho  humano Matéri...
É através do  Trabalho  que os seres humanos  participam do processo de produção das  riquezas materiais da sociedade . É ...
TRABALHO  VIVO   x  TRABALHO  MORTO <ul><li>Trabalho vivo em ato : o trabalho em si do sujeito-produtor, ou seja, o trabal...
FORMAS DE  TRABALHO MORTO  E  VIVO  DOS ATOS PRODUTIVOS   Matéria-prima Ferramentas Organização Saberes tecnológicos Traba...
<ul><li>As  relações de trabalho  e as formas de  organização do trabalho  aprofundam o  controle  sobre o trabalho, impon...
Taylor e a “Organização Científica do Trabalho” <ul><ul><li>Contraposição à administração tradicional que funcionava com o...
1º princípio taylorista <ul><ul><li>A interferência do conhecimento operário e sua disciplina sob o  controle da  gerência...
1º princípio taylorista <ul><li>Técnica utilizada : </li></ul><ul><li>“ análise científica” do trabalho, através do estudo...
1º princípio taylorista <ul><li>Consequências :  separação entre os que trabalham e os que planejam .  </li></ul><ul><li>1...
2º princípio taylorista <ul><li>Seleção e treinamento: diante do trabalho simplificado e já planejado, o trabalhador adequ...
2º princípio taylorista <ul><li>A par da escolha do trabalhador certo para o trabalho certo estava a necessidade de  trein...
3º princípio taylorista <ul><li>O elemento central da programação do trabalho passava a ser a “tarefa” ou a “ ordem de pro...
O taylorismo-fordismo constituiu a principal estratégia para aprofundar o  controle sobre os trabalhadores , fragmentando ...
Ford (1913) <ul><li>Ford Motor Company aplica os princípios da  linha de montagem , a partir da idéia do sistema de carret...
FORDISMO - Princípios <ul><li>Sempre que possível, o trabalhador não dará um passo supérfluo; </li></ul><ul><li>2.  Não pe...
FORDISMO <ul><li>Resultado prático:  </li></ul><ul><li>Economia das faculdades mentais e a redução ao mínimo dos movimento...
SUCESSO DA ORGANIZAÇÃO FORDISTA PARA A PRODUÇÃO <ul><li>Resultados da produção: o  tempo de montagem do chassi reduziu-se ...
E O FORDISMO PARA O TRABALHO? <ul><li>Fixo no seu  posto de trabalho , o homem passou a ser quase um  componente da máquin...
O TRABALHADOR PARA O IDEAL FORDISTA <ul><li>O  trabalhador qualificado , antes necessário no processo de montagem,  era el...
<ul><li>“ Para certa classe de homens , o trabalho repetido, ou a reprodução contínua de uma operação idêntica, por proces...
VANTAGEM ECONÔMICA  DO TRABALHADOR DESQUALIFICADO SOBRE O SEU ANTECESSOR <ul><li>“ Uns 43% de todos os serviços não requer...
<ul><li>Com a simplificação e parcelamento extremos do trabalho percebeu-se que eram  reduzidas as necessidades de todo po...
Fordismo e a Valorização do Capital <ul><li>Coloca sob sua dependência um contingente humano antes marginalizado. O result...
CONCLUINDO... <ul><li>A introdução da linha de montagem teve como resultado, portanto, a  desqualificação operária  e a  i...
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  1. 1. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E SEUS PARADIGMAS Taylorismo e Fordismo Professor: Luiz Henrique Borges EMESCAM
  2. 2. CONDIÇÕES DE TRABALHO <ul><li>Ambiente físico (temperatura, pressão, barulho, vibração, irradiação, altitude, etc.); </li></ul><ul><li>Ambiente químico (produtos manipulados, vapores e gases tóxicos, poeiras, fumaças, etc.); </li></ul><ul><li>Ambiente biológico (vírus, bactérias, parasitas, fungos) </li></ul><ul><li>As condições de higiene , de segurança . </li></ul><ul><li>As características antropométricas do posto de trabalho </li></ul>
  3. 3. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (Dejours) <ul><li>A divisão do trabalho, </li></ul><ul><li>O conteúdo da tarefa (na medida em que ele dela deriva), </li></ul><ul><li>O sistema hierárquico, </li></ul><ul><li>As modalidades de comando, </li></ul><ul><li>As relações de poder, </li></ul><ul><li>As questões de responsabilidades, etc. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>“ A organização do trabalho determina a atividade das pessoas ...” e cuida de “pelo menos seis aspectos interdependentes, quais sejam: </li></ul><ul><ul><ul><li>A repartição de tarefas no tempo (estrutura temporal, horarios, cadências de produção) e no espaço (arranjo físico); </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Os sistemas de comunicação, cooperação e interligação entre atividades, ações e operações; </li></ul></ul></ul>Organização do Trabalho ? (Mário Vidal, 1997)
  5. 5. Organização do Trabalho ? (Mário Vidal, 1997) <ul><ul><ul><li>As formas de estabelecimento de rotinas e procedimentos de produção; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A formulação e negociação de exigências e padrões de desempenho produtivo, aí incluídos os sistemas de supervisão e controle; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Os mecanismos de recrutamento e seleção de pessoas para o trabalho; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Os métodos de formação, capacitação e treinamento para o trabalho. </li></ul></ul></ul>
  6. 6. ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO Produto Matéria-prima ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Local Ferramentas Maquinaria Trabalho humano Matéria Prima TECNOLOGIA
  7. 7. É através do Trabalho que os seres humanos participam do processo de produção das riquezas materiais da sociedade . É através dele que também participam da produção da cultura e da produção da saúde/doença Trabalhador <ul><li>Riquezas </li></ul><ul><li>Materiais </li></ul><ul><li>Cultura (jeito </li></ul><ul><li>de pensar </li></ul><ul><li>e de ser) </li></ul><ul><li>Saúde/doença </li></ul>Processo de Produção Relações de Produção (emprego) + Processo de Trabalho (tecnologia e organização do trabalho)
  8. 8. TRABALHO VIVO x TRABALHO MORTO <ul><li>Trabalho vivo em ato : o trabalho em si do sujeito-produtor, ou seja, o trabalho criador em ação para consecução de um determinado produto. </li></ul><ul><li>Trabalho morto : todos aqueles produtos-meios que estão envolvidos no processo de trabalho - como ferramenta, matéria-prima ou mesmo um saber estruturado - e que são resultados de um trabalho humano anterior. </li></ul>
  9. 9. FORMAS DE TRABALHO MORTO E VIVO DOS ATOS PRODUTIVOS Matéria-prima Ferramentas Organização Saberes tecnológicos Trabalho em si Produto T.M. T.M./ T.V. T.V. / T.M. T.V. T.M. T.M. T.M. = trabalho morto T.V. = trabalho vivo
  10. 10. <ul><li>As relações de trabalho e as formas de organização do trabalho aprofundam o controle sobre o trabalho, impondo a utilização social do trabalho-morto , cuja propriedade é restrita, excluindo da participação social a maioria dos trabalhadores. Há que se pensar nas repercussões dessa situação para a vida e a saúde dos trabalhadores. </li></ul>
  11. 11. Taylor e a “Organização Científica do Trabalho” <ul><ul><li>Contraposição à administração tradicional que funcionava com os mecanismos de “ iniciativa e incentivo”. A persuasão (incentivo) do operário só poderia ter efeito quando se tivesse o controle do trabalho. </li></ul></ul><ul><ul><li>3 princípios , visando controlar o ritmo e intensificar o trabalho. </li></ul></ul>
  12. 12. 1º princípio taylorista <ul><ul><li>A interferência do conhecimento operário e sua disciplina sob o controle da gerência : </li></ul></ul><ul><ul><li>“ À gerência é atribuída ... a função de reunir os conhecimentos tradicionais que no passado possuíram os trabalhadores e então classificá-los, tabulá-los, reduzí-los a normas e leis ou fórmulas, grandemente úteis ao operário para execução do seu trabalho diário.” </li></ul></ul>
  13. 13. 1º princípio taylorista <ul><li>Técnica utilizada : </li></ul><ul><li>“ análise científica” do trabalho, através do estudo do movimento elementar de cada operário, decifrando quais são úteis para eliminar os inúteis, e assim aumentar a intensificação do trabalho. Tal análise era acompanhada do registro dos tempos com o intuito de identificar o “tempo ótimo” para realizar a tarefa. </li></ul>
  14. 14. 1º princípio taylorista <ul><li>Consequências : separação entre os que trabalham e os que planejam . </li></ul><ul><li>1) padronização : elimina-se a iniciativa operária na escolha do melhor método. Esta função seria da gerência que imporia o método com o respectivo “tempo-padrão” para executá-lo; </li></ul><ul><li>2) projeta-se um trabalho “ simplificado ”, contrariamente ao trabalho concreto. </li></ul>
  15. 15. 2º princípio taylorista <ul><li>Seleção e treinamento: diante do trabalho simplificado e já planejado, o trabalhador adequado pode ser escolhido mais facilmente , pois o que se procura não é um homem que conheça o ofício ou que tenha várias habilidades para desenvolver qualquer trabalho: </li></ul><ul><ul><li>“ Para benefício das raparigas, bem como da companhia, tornava-se, contudo, necessário dispensar todas as moças que não apresentassem baixo coeficiente pessoal. E, infelizmente, isso implicava no afastamento de grande parte das moças mais inteligentes, esforçadas e leais, somente porque não possuíam percepção rápida seguida de rápida reação”. </li></ul></ul>
  16. 16. 2º princípio taylorista <ul><li>A par da escolha do trabalhador certo para o trabalho certo estava a necessidade de treinar o indivíduo, não em uma profissão, mas de modo que executasse uma tarefa conforme a gerência indicasse : </li></ul><ul><ul><li>“ Bem, se você é um operário classificado, deve fazer exatamente o que este homem lhe mandar, de manha à noite. Quando ele disser para levantar a barra e andar, você levanta e anda, e quando ele mandar sentar, você senta e descansa. Você procederá assim durante o dia todo. E, mais ainda, sem reclamações ” </li></ul></ul>
  17. 17. 3º princípio taylorista <ul><li>O elemento central da programação do trabalho passava a ser a “tarefa” ou a “ ordem de produção ”: </li></ul><ul><li>“ A idéia de tarefa é, quiçá, o mais importante elemento na administração científica. O trabalho de cada operário é completamente planejado pela direção, pelo menos com um dia de antecedência, e cada homem recebe, na maioria dos casos, instruções escritas completas que minudeciam a tarefa de que é encarregado e também os meios usados para realizá-la... Na tarefa é especificado o que deve ser feito e também como fazê-lo, além do tempo exato concebido para a execução ... A administração científica, em grande parte, consiste em preparar e fazer executar essas tarefas.” </li></ul>
  18. 18. O taylorismo-fordismo constituiu a principal estratégia para aprofundar o controle sobre os trabalhadores , fragmentando as tarefas, propondo pagamento por produção, fragmentando a organização social para o trabalho, preparando a produção para exclusão do trabalho humano (com tecnologias automatizadas e informatizadas) e conseqüente maior sujeição dos trabalhadores.
  19. 19. Ford (1913) <ul><li>Ford Motor Company aplica os princípios da linha de montagem , a partir da idéia do sistema de carretilhas aéreas usado nos matadouros de Chicago para esquartejar reses. </li></ul><ul><li>A esteira rolante passou a ter um funcionamento ininterrupto, combinando operações extremamente parceladas dos trabalhadores. </li></ul>
  20. 20. FORDISMO - Princípios <ul><li>Sempre que possível, o trabalhador não dará um passo supérfluo; </li></ul><ul><li>2. Não permitir, em caso algum, que ele se canse inutilmente , com movimentos à direita ou à esquerda, sem proveito algum . </li></ul>
  21. 21. FORDISMO <ul><li>Resultado prático: </li></ul><ul><li>Economia das faculdades mentais e a redução ao mínimo dos movimentos de cada operário, que, se possível, deve fazer sempre o mesmo movimento ao executar a mesma operação. </li></ul>
  22. 22. SUCESSO DA ORGANIZAÇÃO FORDISTA PARA A PRODUÇÃO <ul><li>Resultados da produção: o tempo de montagem do chassi reduziu-se de 12h8mm para 1h33m, sendo a atividade separada em 45 operações extremamente simplificadas. </li></ul><ul><li>Na linha de montagem, o trabalho também foi parcelado nas mesmas proporções. Antes, realizada por uma só pessoa, com a esteira rolante ficou dividida em 84 operários. </li></ul>
  23. 23. E O FORDISMO PARA O TRABALHO? <ul><li>Fixo no seu posto de trabalho , o homem passou a ser quase um componente da máquina . Os movimentos deveriam ser feitos mecanicamente, sem interferência de sua mente, guardando, assim, perfeita harmonia com o conjunto da linha de montagem . </li></ul>
  24. 24. O TRABALHADOR PARA O IDEAL FORDISTA <ul><li>O trabalhador qualificado , antes necessário no processo de montagem, era eliminado . </li></ul><ul><li>Em seu lugar surgia um novo homem , cuja única função era repetir indefiidamente movimentos padronizados, desprovidos de qualquer conhecimento profissional, que para Ford “nada tem de desagradável” </li></ul>
  25. 25. <ul><li>“ Para certa classe de homens , o trabalho repetido, ou a reprodução contínua de uma operação idêntica, por processos que não variam nunca, constitui um espetáculo horrível. A mim me causa horror . Por preço algum do mundo poderia fazer todos os dias as mesmas coisas. </li></ul><ul><li>Entretanto, atrevo-me a dizer que para a maioria a repetição nada tem de desagradável .Para certos temperamentos, a obrigação de pensar é uma verdadeira tortura, porque o ideal consiste em operações que de modo algum exijam instinto criador.” (Ford) </li></ul>
  26. 26. VANTAGEM ECONÔMICA DO TRABALHADOR DESQUALIFICADO SOBRE O SEU ANTECESSOR <ul><li>“ Uns 43% de todos os serviços não requerem mais do que um dia de aprendizagem ; 36% requerem de um até oito dias; 6%, de uma a duas semanas; 14%, de um mês a um ano; 1%, de um a seis anos. Este último trabalho é a fabricação dos instrumentos que, como a soldadura, requerem uma aprendizagem especial”. (Ford) </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Com a simplificação e parcelamento extremos do trabalho percebeu-se que eram reduzidas as necessidades de todo potencial humano para o trabalho . </li></ul><ul><li>“ Os trabalhos mais fáceis foram por sua vez classificados, para verificar quais deles exigiam o uso completo das faculdades; comprovou-se então que 670 trabalhos podiam sr confiados a homens sem ambas as pernas; 237 requeriam ouso de uma só perna; em dois casos podia-se prescindir dos dois braços; em 715 casos de um braço e em 10 casos a operação podia ser feita por um cego.” (Ford) </li></ul>
  28. 28. Fordismo e a Valorização do Capital <ul><li>Coloca sob sua dependência um contingente humano antes marginalizado. O resultado final é o alargamento da reserva de braços para a indústria, com reflexos sobre o preço da força de trabalho . </li></ul><ul><li>Concentra no menor espaço de tempo aquela parte do trabalho que realmente transforma e valoriza a mercadoria . </li></ul>
  29. 29. CONCLUINDO... <ul><li>A introdução da linha de montagem teve como resultado, portanto, a desqualificação operária e a intensificação do trabalho . Aliados ao aumento da produtividade conseguido por intermédio de inovações tecnológicas , permitiram o barateamento do automóvel e a transformação dele num bem de consumo de massa . </li></ul>

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