O que ocorre no momento da morte

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O que ocorre no momento da morte

  1. 1. O que ocorre no momento da Morte?(Swami Saradananda - traduzido do livro "The Essence of Bhagavad Gita" ) O que acontece no momento da morte? O Atman, sendo perfeito, não é afetado poralegria ou tristeza. Mas, o corpo está sujeito a mudanças de acordo com as leis domundo material. Nesse contexto, a seguinte questão pode surgir: O que acontece quandoalguém morre? O corpo denso, através do qual age a mente, torna-se desgastado. OAtman descarta esse corpo já emaciado e adquire um novo, da mesma forma que sedescarta uma roupa usada por uma nova. Todas as impressões latentes (sāmskaras) dospensamentos, esforços e ações realizadas através do corpo, antes de morrer,permanecem com a mente após a morte. Esta, em conjunto com Buddhi, os dez órgãosdos sentidos e as impressões sutis das imagens, sabores, etc. compõe o corpo sutil doAtman. Sua composição é a matéria sutil – não morre com a morte do corpo denso. Elepermanece associado com a Atman mesmo após a morte. Em outras palavras, mesmoapós descartar o corpo, o sentimento do Atman de que “eu sou o corpo físico” não édestruído. Motivado pelos sāmskaras do corpo denso anterior, ele então deseja adquirirou construir um outro corpo, e fica atraído aos pais que seriam capazes de provê-lo como corpo adequado para o desenvolvimento de seus sāmskaras. Suas próprias açõespassadas o impulsionam para os seus futuros pais terrenos. O corpo sutil não tem comprimento, largura nem peso – começa a residir no útero damãe desde o período da concepção. O corpo sutil, embora imperceptível aos olhosfísicos, é composto de matéria, mais sutil que o éter e o ar. Utilizando o novo corpodenso, ele retoma o seu trabalho do mesmo ponto onde tinha deixado na morte do corpoanterior, e continua a ganhar conhecimento.A doutrina do renascimento e karma É fácil deduzir, a partir do que foi dito anteriormente, por que todos nós não nascemosneste mundo com intelectos e capacidades iguais; por que o corpo e a mente de todas aspessoas são dissimilares; por que existem diferenças naturais em nossas vidas espirituale mental. Somente a teoria do renascimento pode explicar essa disparidade. Os eruditoseuropeus tentam entender essas diferenças universais, dizendo que a criança derivatodas as suas qualidades, boas ou más, de seus pais. Isso porque, inúmeras doenças,peculiaridades mentais e qualidades parecem ter sido herdadas, em grande escala, deseus pais. Quanto a isso não há dúvida. Quando a criança não tem nenhumasimilaridade com seus pais, eles tentam deduzir que o motivo são as diferenças naeducação. Dessa forma, os pais e professores carregam toda a responsabilidade. Esseseruditos não oferecem outra solução para explicar as diferenças individuais entre oshomens. Nossas escrituras dizem que essas diferenças ocorrem devido aos Karmas, as açõespassadas. Sempre que alguém realiza alguma ação, esta é feita com algum propósito; nabusca desse propósito, a pessoa estimula suas forças interiores e exteriores de maneiraparticular. Uma vez que essas forças estejam despertas e ativas, trazem algumasmudanças como resultado que, por sua vez, são experimentadas ou consideradas como
  2. 2. boas ou más, alegres ou dolorosas. Se as experiências são boas ou felizes, a mente tentamantê-las por todo o tempo. Pelo contrário, se essas são más ou infelizes, ou, que irãotrazer sofrimento no futuro, a mente tenta livrar-se delas por todos os meios possíveis. Éassim que o Karma produz alegria e tristeza, e também uma nova série de novosKarmas, assim como da semente surge uma árvore, produzindo flores, frutos e maissementes. Algumas vezes é visto que uma vida não é suficiente para se trabalhar, naforma de alegria ou sofrimento, os efeitos dos inumeráveis Karmas. Estes sãofinalizados, então, no próximo nascimento. A Vedanta divide todas as ações humanas em cinco grupos: nitya, ou Karmaobrigatório; āgami, ou Karma que ainda vai dar frutos; sāncita, ou Karma realizado emnascimentos anteriores; prārabdha, ou Karma que deve ser trabalhado durante esta vida;e pratishiddha, Karma proibido. Os Nitya Karmas, como abluções diárias, Sandhya-vandanam, etc., devem ser realizados diariamente. Nenhum resultado especial se éobtido pela sua realização, mas, a sua negligência causa demérito. As escrituras proíbema execução de pratishiddha karmas como, por exemplo, roubar e matar. Sancita Karmassão as ações já realizadas pelo indivíduo em nascimentos anteriores, mas que aindadevem lhe render os seus resultados. Alguns desses Karmas estão sendo exauridos navida presente, na forma de um corpo e mente saudável ou doente, e por inúmerosesforços: esses são os prārabdha Karmas. Por fim, os āgāmi Karmas são as açõesrealizadas nesta vida, que serão a causa dos nascimentos futuros. Em um tratado de sua autoria, Sri Shankaracharya cita um bonito exemplo paraexplicar esses três tipos de Karma: āgami, sancita e prārabdha. Suponha que alguémesteja disparando flechas com a ajuda de um arco. Uma flecha já foi atirada, a outra jáfoi montada no arco com a intenção de ser atirada, enquanto muitas outras estãodescansando em sua aljava. A flecha que já foi lançada atingirá, aconteça o queacontecer, o objeto almejado: isto pode ser comparado ao prārabdha Karma, que foge aocontrole do indivíduo. Os efeitos desses Karmas certamente serão experimentados peloseu corpo e mente. Não há escapatória, não importa o quanto queira se esquivar deles.Por esse motivo, o corpo de uma alma liberada tem que experimentar os efeitos doprārabdha Karma, mesmo após a realização do Ser. A flecha que está montada no arco,mas que ainda não foi atirada, pode ser comparada ao āgāmi Karma, pois os efeitosdesses Karmas podem ser evitados, assim que se desejar; da mesma forma que a flechapode ser lançada ou não. As flechas que ainda estão na aljava podem ser comparadas aosancita Karma. As escrituras dizem que nós temos que colher os resultados de qualquer Karmarealizado. Um Karma produz outros Karmas, e, desta forma, a escravidão dos Karmascontinua a crescer diariamente, vida após vida. Quando irá terminar? Somente quandoatingirmos o conhecimento do Ser, quando realizarmos que somos indivisíveis,indestrutíveis, imortais, que não envelhecemos, que somos infinitos; o bem-aventuradoAtman. Nunca sofremos, e nem iremos sofrer no futuro. Foi somente o corpo quetrabalhou e sofreu durante todo esse tempo. A proximidade da flor de hibíscus fez comque o vidro parecesse vermelho; mas não é a cor original do vidro. Da mesma forma,somente pela presença do Atman, eternamente puro, é que as atividades estãocontinuando. Assim, o despertar do Conhecimento é o único meio pelo qual todos osKarmas tornam-se impotentes e são eliminados. O fogo do Conhecimento reduz acinzas todos os Karmas.
  3. 3. Sarvam karmākhilam pārtha jñāne parisamāpyate (Bhagavad Gita IV 37) Jñānāgnih sarvakarmāni bhasmasāt kurute tathā (Bhagavad Gita IV 33)O Conhecimento do Ser – A Meta da Vida A obtenção do Conhecimento é a meta da vida humana. Quer você experimentealegria ou tristeza, nenhum desses dois estados é a meta de sua vida. Uma pessoa podeser um Sannyasin ou chefe-de-família, um estudante ou comerciante, em meio àsatividades de negócios – seja quem for, é possível a ele trabalhar de tal maneira que suaprópria ocupação o conduzirá adiante no caminho do Conhecimento. Não é possívelseparar a religião da vida cotidiana, embora se acredite no contrário. Para tornar isso mas claro, os ensinamentos do Gita começam no campo de batalha,em meio a terríveis correntes de violência e ódio. Nenhum momento deve serdesperdiçado, não devemos estar despreparados. Todos os instintos brutais da mentehumana estão em campo aberto, prontos para lutar. Se os mais sublimes ensinamentos epráticas da religião são possíveis nesse ambiente, em qual lugar no mundo não seriameles possíveis? Quem quer uma religião que não é para todos? As escrituras nãodesejam que uma seção da sociedade viva em alegria e paz, enquanto outras sofrem emtrabalho escravo e inúmeros sofrimentos. A verdadeira religião pode ser praticada emqualquer parte, por todos – monges ou chefes de família. A religião conduz a todos parauma única meta, e instrui: “Ó meu filho, você é infinito por natureza, não importa oquanto se considere uma criatura insignificante, dotada de um corpo que experimentaalegrias e tristezas, e que está destinado a morrer, etc. Não importa o que pense, você éo que realmente é, e assim será para sempre!” A voz da religião diz: Ya enam vetti hantāram yaschainam manyate hatam Ubhou tou na vijānīto nāyam hanti na hanyate “Aquele que imagina que o Atman mata, ou aquele que imagina que o Atman é morto –ambos não o conhecem. O Atman não nasce e nem morre.” (Gita II.19) Na jāyate mriyate vā kadāchit“(O Atman) nunca nasce, e também nunca morre.” (Gita II.20) Vedāvināshinam nityam ya enam ajam avyayam Katham sa partha kam ghātayati hanti kam “Aquele que conhece o Atman eterno, a quem poderá ele matar? Por quem, de fato, poderá ele ser morto?” (Gita II.21)
  4. 4. Ele não age; seu corpo e mente continuam a agir, automaticamente, até a sua morte.As boas ações, benevolência e outros atos nobres, tornam-se naturais para ele. Nós vimos que o conhecimento do Ser leva o ser humano a transcender alegria etristeza. Então, quando uma pessoa está desamparada, tomada de sofrimentos e ilusões,não há para ele outro caminho senão a obtenção do conhecimento do Ser. Sem isso, atémesmo Arjuna não pôde se livrar de seu sofrimento e ilusão. Ninguém pode se livrar dosofrimento, ilusão e fraqueza, nascidas da ignorância, sem a visão da forma universal deDeus (vishvarūpa), sem realizar que é um instrumento nas mãos do Poder Divino.Somente quando Arjuna percebeu que ninguém poderia realizar nada neste mundo porvontade própria, ele deu-se conta de seu erro. Neste momento, o seu sofrimento e ilusãodesapareceram. No segundo capítulo do Gita, Krishna pregou não apenas o conhecimento do Ser, mastambém persuadiu Arjuna com alguns argumentos simples. Disse a ele: “Você perderá asua reputação. Irão chamar-lhe covarde e receberá insultos. É preferível morrer a ter deencarar tudo isso.” Muitos críticos, não entendendo a importância desses argumentos deKrishna, condenam os mesmos com o seguinte pensamento, “Que bobagem o Senhordisse aqui! Será que temos que realizar até ações deploráveis, com medo da opiniãopública?” Não, esse não é o significado. Se alguém tenta entender de maneira correta,chegará à conclusão que, mesmo esses argumentos do Senhor têm um significadoprofundo. Nós vemos, frequentemente, que uma pessoa adorada pela multidão tem algumavirtude especial inerente. Se não tem virtude, a adoração das massas não dura muito. Asboas ações sempre induzem a apreciação das pessoas comuns, embora estas nãoentendam claramente o motivo nobre dessas ações. Mesmo um homem ignorante eiletrado pode julgar as boas e más qualidades de uma pessoa; isso ocorre porque oSenhor reside em todos os seres e, devido à Sua presença, cada ser humano tem acapacidade natural de discriminar entre o bem e o mal. Se você é injuriado pelos outros,duas razões podem ser atribuídas: ou você é muito avançado para ser entendido por elas,ou realmente merece a injúria. Então, seu primeiro dever é conhecer a si mesmo.Somente depois de ter-se examinado minuciosamente, poderá ignorar a opinião daspessoas. O Senhor mostrou a Arjuna, desde o início, que seus sentimentos eram nascidos dailusão e lhe causavam medo – esse é o motivo pelo qual estava tentando fugir do campode batalha. Se as pessoas lhe condenassem, não seria sem uma justa causa. Após estarciente disso, o dever de Arjuna seria abandonar a ilusão.O Senhor diz: Atha chainam nityajātam nityam vā manyase mritam Tathāpi tvam mahābāho nainam shochitumarhasi “Mesmo que você aceite que o Atman sofre nascimentos e mortes regulares, não deveria se preocupar com isso” (Gita II.26).
  5. 5. Todos nós sabemos que iremos morrer. Desde o momento que a criança nasce, suajornada para a morte já começa. Por isso, o Senhor indaga, qual a utilidade de sepreocupar com o inevitável? O corpo certamente perecerá, somente para nascer de novo.Porque então sofrer com isso? Somente os tolos sofrem com esse assunto. Avyaktādīni bhutāni vyaktamadhyāni bhārata Avyaktani dhanāny eva tatra kā paridevanā “Ninguém sabe de onde o homem veio, ninguém sabe para onde vai. Todas essas relações humanas no mundo são temporárias. Por que sofrer sem necessidade?” (Gita II.28)E, se você realizar que o homem é o Atman imortal, então, terá certeza que a morte nãoexiste. Por que se preocupar? Ascharyavat pashyati kaschit enam ascharyavat dadati tathaiva chānyah Ascharyavat cha enam anyah srnoti Srutvā api enam veda na chaiva kaschit “Alguns olham para o Atman com assombro, outros falam de sua natureza com assombro, alguns ouvem sobre o Atman assombrados, e, alguns desafortunados, não o entendem mesmo após ter ouvido a seu respeito.” (Gita II.29) Hato vā prāpsyasi svargam jitvā vā bhokshyase mahīm Tasmād uttishta kounteya yudāya kritanishchayah “Se você for derrotado na batalha, os céus estão te esperando, pois, como umKshatriya, foi morto fazendo o seu dever. Se for vitorioso, você obtém o reino. Portanto, levante-se e lute” (Gita II.37).De que maneira irá lutar? Sukhadukhe same kritvā lābhālābhou jayājayou “Lute com equanimidade, olhando com imparcialidade alegria e tristeza, vitória e derrota, ganho ou perda” (Gita II.38). Então, nenhum pecado poderá lhe tocar. Não se preocupe com mais nada. Vejasomente que está lutando como um dever e para a proteção da verdade. Se pudermostrabalhar no mundo desta forma, se pudermos manter sempre em mente essespensamentos. Tendo vindo a este mundo, se pudermos trabalhar como servos de Deus,indiferentes aos ganhos e perdas pessoais, não seremos sujeitos à escravidão.Gradualmente, marcharemos em direção à liberação (Mukti). Esse é o tema central daJñana Yoga.

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