Histórias da índia antiga, e outros contos orientais etc.

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Histórias da índia antiga, e outros contos orientais etc.

  1. 1. Sobre a Virtude da GENEROSIDADEOBSERVE SE NÃO ESTÁ COMENDOO BISCOITO DO OUTROCerto dia uma jovem estava na sala de embarque do aeroporto, à esperade seu vôo. Enquanto esperava, comprou um livro e um pacote de biscoito.Sentou-se numa poltrona para descansar e ler em paz. Ao lado delasentou-se um homem.Quando ela pegou o primeiro biscoito, o homem também pegou um. Elaficou indignada, mas não disse nada. Pensou consigo mesma: "Masque cara de pau! Se eu estivesse mais disposta, seria capaz até de lhe daruma bela lição para que ele nunca mais esquecesse..."A cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um. Ela ficoumuito enfurecida, a tal ponto que não conseguia reagir. Restava apenas umbiscoito e ela pensou: "O que será que o abusado vai fazer agora?" Então ohomem dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela. Foi omáximo para ela, já chegara ao auge de sua raiva. Pegou o seu livro e suascoisas e dirigiu-se ao avião.Quando se sentou confortavelmente, para sua surpresa constatou que oseu pacote de biscoito estava intacto dentro de sua bolsa. Sentiu muitavergonha, pois quem estava errada era ela e já não havia mais tempo parapedir desculpas. O homem dividira os seus biscoitos sem qualquerproblema, ao passo que isso a deixara muito transtornada.SALETTE M. , RUGGERI W.:Para que minha vida se transforme.São Paulo, Verus Editora, 2001.A CASAEu quero ser uma casa grande na beira de uma estrada onde muitaspessoas passam.Eu quero na minha casa uma cozinha alegre e arejada com um cheirobom de pão convidando os que têm fome.Eu quero redes na varanda para receber os corpos cansados dos queandam sem rumo e se perdem no caminho, aqueles que ainda nãoconseguiram construir sua casa.Eu quero flores, risos de criança e muita música na minha casa.
  2. 2. Estou construindo esta casa... ela ainda não é tão grande como eudesejaria, nem tão branca... Mas vai ser...Dá muito trabalho cuidar de uma casa grande e toda branca. Ainda emconstrução e já em reforma.Sempre encontro teias de aranha em algum canto.Eu quis uma casa na beira da estrada; tenho de espanar tudo todos osdias... Às vezes eu me distraio e a sujeira se acumula e eu tenho alergiapor poeira.As pessoas que entram casa adentro nem sempre são cuidadosas...Algumas já me feriram, já me magoaram e já me castigaram - pessoasque eu queria acolher, que eu queria amar e que eu queria quegostassem de mim.Estragaram a minha casa e agora tem muitas coisas que eu tenho deconsertar.Não tem importância; minhas portas continuam abertas.Na casa, tem um porão. Um porão sombrio onde só entro de vez emquando. Tenho medo e sinto frio quando entro lá.No meu porão já achei muita coisa boa, que serviu prá muita gente... Atépeças antigas, preciosas, que hoje enfeitam minha sala de visita.Mas também achei muito traste, muita coisa ruim que só servia paraajuntar ratos e baratas...Foi pesado carregar estas coisas e jogar fora.Eu sei que lá ainda há muito lixo. É uma tarefa enorme e muito difícillimpar o meu porão, que é grande. E eu apenas comecei a faxina.Mas eu quero ser uma casa grande e branca... E vou ser, um dia.Serei apenas uma casa grande e branca: não quero ser mais do que isto.Também não deixo por menos: quero ser a casa branca mais bonita queeu puder construir e conservar.Minha casa está sempre aumentando. Se lhe falo de mim, é porque estoufazendo para você um quartinho especial com flores na janela, estouaumentando minha casa para você. Se você quiser ou precisar de um
  3. 3. pouco de música, de uma rede ou de um pedaço de pão, algum dia,venha na minha casa. Há um cantinho para você.(autor desconhecido)Sobre a Virtude da ALEGRIAA FELICIDADE NÃO ESTÁ ONDE SE PROCURANasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminhoe perguntou-lhes os motivos de tanta aflição."Não há nada na vida que interesse, irmão", disse o homem. "Tenhodinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só paraprocurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa. Até agora,eu nada encontrei."Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estradaabaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz detomar uma boa distância.A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando caminho por váriosatalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem quehavia roubado. Colocou a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se àespera do outro.Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa,mais infeliz do que nunca pela perda da mochila. Assim que viu suapropriedade bem ali, à mão, correu para pegá-la, dando gritos de alegria."Essa é uma maneira de se produzir felicidade", disse Nasrudin.(NASR AL-DIN, Khawajah. Histórias de Nasrudin.Rio de Janeiro: Dervish, 1994.)A LínguaUm senhor de muitas posses e pouca sabedoria, chamou seuservo mais velho, homem de poucas posses e muita sabedoria,e ordenou-lhe que fosse ao açougue e lhe trouxesse o melhorbocado de carne que encontrasse. O servo foi, e voltoutrazendo uma língua, com a qual foi preparado um fino jantar.Alguns dias depois, o senhor ordenou a seu servo que fossenovamente ao açougue e lhe trouxesse o bocado de carnemais ordinário que encontrasse, para alimentar os cães. Oservo foi, e voltou trazendo uma língua, o senhor, que era umhomem de muitas posses e pouca sabedoria, enfureceu-se:
  4. 4. - Mas, então, para qualquer recomendação que dou me trazessempre uma língua?O servo, que era um homem de poucas posses e muitasabedoria, respondeu:- A língua, meu senhor, é o melhor pedaço quando usada combondade e sabedoria, e de todos o pior, quando usada comarrogância e maledicência.A apatia azul da INDOLÊNCIA"O pecado da preguiça (accidia) é interpretado pelos teólogos como:o pecado de falhar ao fazer de nossa vidaaquilo que sabemos que poderíamos fazer dela. "(Howard Sasportas)6º centro de energia - "Eu percebo"UM BORDADO ESPECIALQuando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu me sentava nochão, brincando perto dela, e sempre lhe perguntava o que estavafazendo. Respondia que estava bordando. Todo dia eram a mesmapergunta e a mesma resposta. Observava seu trabalho de uma posiçãoabaixo de onde ela se encontrava sentada e repetia:"Mãe, o que a senhora está fazendo?"Dizia-lhe que, de onde eu olhava, o que ela fazia me parecia muitoestranho e confuso. Era um amontoado de nós e fios de cores diferentes,compridos, curtos, uns grossos e outros finos.Eu não entendia nada. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente meexplicava:"Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho euchamo você e o coloco sentado em meu colo. Deixarei que veja otrabalho da minha posição."Mas eu continuava a me perguntar lá de baixo:"Por que ela usava alguns fios de cores escuras e outros claros? Por queme pareciam tão desordenados e embaraçados? Por que estavam cheiosde pontas e nós? Por que não tinham ainda uma forma definida? Por quedemorava tanto para fazer aquilo?"
  5. 5. Um dia, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou:"Filho, venha aqui e sente em meu colo."Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia crer!Lá de baixo parecia tão confuso! E de cima vi uma paisagem maravilhosa!Então minha mãe me disse:"Filho, de baixo, parecia confuso e desordenado porque você não via quena parte de cima havia um belo desenho. Mas, agora, olhando o bordadoda minha posição, você sabe o que eu estava fazendo."Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito:"Pai, o que estás fazendo?"Ele parece responder: "Estou bordando a sua vida, filho."E eu continuo perguntando:"Mas está tudo tão confuso... Pai, tudo em desordem. Há muitos nós,fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido. Os fiossão tão escuros. Por que não são mais brilhantes?"O Pai parece me dizer:"Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em Mim...e Eu farei o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e entãovai ver o plano da sua vida da minha posição."Muitas vezes não entendemos o que está acontecendo em nossas vidas.As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo. Éque estamos vendo o avesso da vida!Do outro lado, Deus está bordando...(autor desconhecido - recebido via e-mail)A TRAVESSIA DO RIODois monges estavam atravessando um rio, quando encontraram umamulher muito jovem e bonita. Ela também desejava atravessá-lo, porémtinha muito medo.Um deles, então, resolveu colocá-la nas costas e a carregou até a outramargem.O outro monge ficou indignado com seu amigo. Afinal, ele haviaquebrado uma regra, a de que um monge nunca deveria tocar numamulher. E além de tocá-la, ele a carregou!!! Era demais!
  6. 6. Mas ele não disse nada e engoliu a sua raiva pelo comportamento doamigo.Quilômetros se passaram, e continuaram caminhando até que chegarama seu destino, um mosteiro.O monge enraivecido se voltou para o primeiro e, já não suportando maisguardar só para si mesmo a sua indignação, finalmente disse:- Olhe, terei que falar ao mestre sobre seu comportamento proibido.- Do que você está falando? - perguntou o primeiro.- Você esqueceu? Não acredito! Você carregou aquela linda jovem sobreos ombros!O primeiro monge riu e calmamente replicou:- Sim, eu a carreguei. Mas a deixei lá no rio, quilômetros atrás. E vocêainda a está carregando.(Fábula da tradição Zen)Sobre a Virtude da FÉ / CONFIANÇASALETTE M. , RUGGERI W.:Para que minha vida se transforme.São Paulo, Verus Editora, 2001.CONFIE E ENTREGUEUma vez aconteceu um incêndio de grandes proporções num prédio.Os bombeiros chegaram e evacuaram o edifício.Quando pensaram que tudo estava sob controle, ouviram um gritodesesperado.Era uma criança na sacada do décimo andar.Não havia mais jeito de entrar no prédio para salvar o menino; a únicasolução seria pedir que a criança pulasse.Os bombeiros estenderam a rede e pediram que ele se jogasse.Mas o menino não tinha coragem.Foi quando, no meio da multidão, apareceu seu pai.Desesperado ao ver o filho lá em cima, abriu os braços e disse:"Pule, meu filho, o papai vai pegá-lo aqui embaixo."No mesmo instante o menino se atirou e foi salvo.
  7. 7. Diante de uma bandeiraDois monges, diante de uma bandeira balançando ao vento,começaram a discutir."A bandeira se move", disse o primeiro."Não, é o vento que se move", retrucou o segundo.E assim seguiram a discussão, sem chegar a um acordo.Até que Hui-Neng, o sexto patriarca do ZEN, se aproximou einterrompeu a discussão:"Não é a bandeira que se move. Também não é o vento quese move. É a mente de ambos que se move."(Publicado na Revista Planeta de 07-05-2004 /estória do livro Pocket Zen, de Bruno Pacheco, Ed. Nova Era)Diante de uma bandeiraDois monges, diante de uma bandeira balançando ao vento,começaram a discutir."A bandeira se move", disse o primeiro."Não, é o vento que se move", retrucou o segundo.E assim seguiram a discussão, sem chegar a um acordo.Até que Hui-Neng, o sexto patriarca do ZEN, se aproximou einterrompeu a discussão:
  8. 8. "Não é a bandeira que se move. Também não é o vento quese move. É a mente de ambos que se move."(Publicado na Revista Planeta de 07-05-2004 /estória do livro Pocket Zen, de Bruno Pacheco, Ed. Nova Era)FÁBULA DA CONVIVÊNCIADurante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestreesteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais nãoresistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptaremao clima hostil.Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativade se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais.Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos,bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se enfrentando pormais tempo aquele inverno tenebroso.Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir oscompanheiros mais próximos, justamente aqueles que lhe forneciam maiscalor, calor vital, questão de vida ou morte.E afastaram-se feridos, magoados, sofridos...Dispersaram-se por não suportarem mais tempo os espinhos dos seussemelhantes.Doía muito...Mas essa não foi a melhor solução: afastados, logo começaram a morrercongelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco apouco, com jeito, de tal forma que, unidos, cada qual conservava umacerta distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver semferir, para conviver sem magoar, sem causar danos recíprocos.Assim aconchegaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram.Os homens têm tentado aprender a conviver entre si, como os porcos-espinhos. Mas no final do segundo milênio é tempo dos homensaprenderem com os pandas e/ou com os pássaros que se abraçamprazerosamente por inteiro, sem se ferirem, apesar de suas garras ebicos. Esse é o aprendizado do AMOR.(autor desconhecido)MEDITANDO COM GATOS
  9. 9. Ao pé de urna colina, às margens de um rio, vivia um eremita. A florestaà volta fornecia-lhe os frutos e os vegetais que ele necessitava. A águado rio era pura. As pessoas das aldeias vizinhas ficavam felizes emreparar sua cabana de tempos em tempos. De fato, eles ficariam felizesde fazer qualquer coisa para o eremita. Porém, suas necessidades erampoucas.Muitos acorriam para encontrá-lo. Ouviam seus conselhos e iam embora.Mas um se apegou a ele, apesar de nunca ter sido encorajado peloeremita. Contudo, deve ser admitido que o jovem servia bem a seumestre. Ele se arrogava ser o principal discípulo do ermitão e este não seimportava. As pessoas começaram a chamá-lo de Chelababa.Uma tarde, enquanto meditava profundamente, o eremita recebeu umchamado de seu Guru, que vivia nos Himalaias."Estou indo para as colinas altas", o ermitão anunciou a Chelababa demadrugada. Na verdade, seu pé direito já estava fora da cabana.Chelababa foi tomado de surpresa, mas conseguiu controlar-se e dizer:"Por favor, leve-me consigo"O eremita sorriu amavelmente, mas foi categórico ao expressar suaimpossibilidade em levá-lo."Quando você voltará?", perguntou Chelababa à beira das lágrimas."Por que deveria eu ficar preso a qualquer compromisso sem valor? Souum asceta. Vou para onde quiser, Não tenho apego a nenhum lugar,você deve saber disso.""O que acontecerá a este eremitério encantador?", perguntou Chelababamuito interessado.O eremita riu e disse: "O eremitério era para mim; eu não era para oeremitério. Não foram muitos castelos e fortes reduzidos à poeira atravésdos séculos? O que importa se uma mera cabana desaparecer?"Chelababa não pareceu apreciar a resposta. Chorou e disse:Mestre, pelo menos permita-me viver aqui em sua memória. Talvez umdia você retorne."O eremita sentiu pena do jovem que, apesar de tudo, o tinha servido tãobem."Que seja", disse. "Pode dizer a todos que pedi para você conservar meueremitério."
  10. 10. Não sabemos para onde foi o eremita depois de ter encontrado seu Guru.Pode ser que tenha perambulado pelos Himalaias. Trinta anos sepassaram. Mas, um dia, talvez tenha se lembrado de seu velhoeremitério, às margens do rio, e do discípulo que deixara lá. Decidiuvisitar o lugar.Andou durante vários meses e aproximou-se da colina. Muito haviamudado naquela região e ele, também, mudara muito. Ninguém oreconheceu. No caminho para seu eremitério, encontrou uma feira.Curioso, entrou e o que viu o surpreendeu tremendamente. Uma seçãoda feira era dedicada apenas à venda de gatinhos!"Este aqui está destinado a crescer e tornar-se um maravilhoso macho,muito apropriado para meditação", exclamou um vendedor segurando umgatinho listrado."O meu está destinado a se tornar o mais belo gato malhado do mundo -o tipo exato para a pura meditação", gritou um outro."Venham aqui, estes gatinhos são descendentes diretos do gato deestimação do Guru, aquele com o qual o grande eremita meditava!",declarou um terceiro.O eremita ficou perplexo. Levou um homem para o lado e observou:"Senhor, nunca ouvi falar sobre uma feira de gatos!""Como podia ter ouvido? Os discípulos de Chelababa vivem, a maiorparte, nesta área. Naturalmente, como o gato é muito importante aqui,nós temos esta feira quinzenal!", disse o homem.Isso, porém, não satisfez a curiosidade do eremita. Continuou andandoem direção a seu velho eremitério. No caminho, ouviu um senhor idoso,chamando a atenção do filho:"Como pode você pensar em meditar sem um gato amarrado ao pilar?" Oque pensará de você Chelababa se vier a saber de sua condutaextravagante?"Perplexo cada vez mais, o eremita chegou à margem do rio. Sua velhacabana ainda estava lá, mas era conservada como um santuário sagrado.Seu discípulo, Chelababa, vivia numa bela casa, que lhe fora oferatadapor seus admiradores. Alguns discípulos estavam a seu serviço.Todos olharam com surpresa para o inesperado visitante, porém ninguémousou pará-lo. O eremita prosseguiu em seu caminho até o quarto deChelababa. Anoitecia. Chelababa meditava. Diante dele estava deitadoum gato, amarrado a um pilar.
  11. 11. Enquanto o eremita olhava com compaixão, veio-lhe a visão de tudo quehavia acontecido. Décadas atrás, ele possuía um gato de estimação. Ogato travesso tinha o hábito de brincar com ele e puxar sua barbasempre que o encontrava sentado tranqüilamente. Quando o eremitasentava-se para meditar, amarrava-o a um pilar, para não ser perturbadopor ele. Chelababa havia observado esta prática e concluíra que, amarrarum gato ao pilar, era o primeiro requisito a ser seguido para umameditação saudável.Assim que Chelababa abriu os olhos viu seu mestre. Estava para gritar dealegria, mas o eremita impediu-o a tempo e disse:"Não tenho a intenção de atrair a atenção dos outros sobre mim. Devodeixar este lugar imediatamente.""Mestre! por favor, leve-me consigo", em lágrimas, Chelababa implorou.O eremita sentiu que suas súplicas eram genuínas. Embora simplório,Chelababa, era uma boa alma, um sincero devoto."Tudo bem. Encontre-me no outro lado da colina, sozinho, dentro de umasemana. Enquanto isso, anuncie a seus discípulos que a era da meditaçãocom gatos amarrados ao pilar já passou. De agora em diante, eles podemmeditar sem esta formalidade", disse o eremita e foi embora para acolina.(Histórias da Índia Antiga recontadas por Manoj Das - volume1)Sobre a Virtude da COMPAIXÃONOSSA NATUREZA É O BEMMonge e discípulos seguiam por uma estrada.Ao passarem por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelaságuas.O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinhona mão.Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homemdeixou-o cair novamente no rio.Mesmo assim, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correrpela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou.Quando o monge se juntou aos discípulos na estrada, foi por eles recebidocom perplexidade e pena.
  12. 12. - Mestre, deve estar doendo muito!Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso?Ele que se afogasse!Seria um a menos!Veja como ele respondeu à sua ajuda!Picou a mão que o havia salvo!Não merecia sua compaixão!O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:- Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha.SALETTE M. , RUGGERI W.:Para que minha vida se transforme.São Paulo, Verus Editora, 2001.O ORGULHO tem a presunção de ser o maior dos pecados;e a VAIDADE um pecado de ouro em tom lilás"A celebridade é uma contradição.Parecendo que dá valor e força às criaturas,apenas as desvaloriza e as enfraquece.Todo homem que merece ser célebresabe que não vale a pena sê-lo."(Fernando Pessoa)7º centro de energia - "Eu existo e sou"VELHICE, POR QUE NÃO!Para Vovó a beleza foi um tormento, porque o tempo não se detinha edesde moça seu maior pavor era perder aquele bem supremo. Olhava-senos espelhos procurando uma primeira ruga, uma primeira dobra. Umaprimeira manchinha.Quando chegou aos 60 anos quase morreu de dor, andava pela casagritando:- Eu odeio fazer 60 anos! Eu não agüento fazer 60 anos!Não adiantava as pessoas dizerem que parecia nem ter 40, tãoconservada. Argumentavam com ela:
  13. 13. - Tente imaginar que você está conquistando a maturidade em vez deperder a maturidade. Não é muito mais natural pensar assim?Mas Vovó não aceitava, para ela o natural não era natural:- Eu odeio pensar que estou ficando velha. Não aceito, não aceito,pronto.As primeiras cirurgias leves tinham-lhe feito bem: removeram um traçoamargo, um sinal de cansaço prematuro. Depois seu médico lhe disse:- Vamos deixar a natureza agir um pouco e o corpo descansar. Nãoabuse.Ela então foi procurar outros médicos, que faziam suas vontades.Desafiando o indesafiável e excedendo eus limites, foi entrando no irreal.Mas as ilusões não continham mais o tempo, e o costurado voltava adescoser. Minha Avó foi-se isolando. Apartou-se das amizades, deixou asfestas, não gostava mais de ninguém. Começou a delirar reclamando quetodo mundo a apontava nas ruas, nas lojas, nos restaurantes: Lá vaiaquela velha.Cada vez mais difícil de lidar e conviver, exigia o que ninguém podia lhedar: o tempo congelado. Aos poucos foi sendo devorada por dentrotambém.O rosto de minha Avó, de tanto ser remendado, foi-se tornando outro.Mudou o olho, mudou o nariz, mudou o queixo, mudou até a orelha. Nofim nada mais nela era dela.(Lya Luft - O ponto cego - 1999)A vermelha e primitiva IRA"Qualquer um pode zangar-se - isso é fácil.Mas zangar-se com a pessoa certa,na medida certa,na hora certa,pelo motivo certo e de maneira certa - não é fácil."(Aristóteles)1º centro de energia - "Eu sobrevivo"
  14. 14. OS DOIS CACHORROS DE CADA UMUm velho índio descreveu certa vez seus conflitos internos:Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro épassivo e muito bom.Os dois estão sempre brigando.Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, osábio índio parou, refletiu e respondeu:Aquele que eu alimento.(autor desconhecido - agradecemos a amiga Martha - nossacolaboradora nas pesquisas dos textos na Internet)O MANDARIM E O ALFAIATEUm dia um homem recebeu a notícia de que acabara de ser nomeadomandarim. Ficou tão eufórico que quase não se conteve."Serei um grande homem agora" - disse a um amigo. - "Preciso deroupas novas imediatamente, roupas que façam jus à minha novaposição na vida.""Conheço o alfaiate perfeito para você" - replicou o amigo. - "É um velhosábio que sabe dar a cada cliente o corte perfeito. Vou lhe dar oendereço".E o novo mandarim foi ao alfaiate, que cuidadosamente tirou suasmedidas. Depois de guardar a fita métrica, o homem disse:"Há mais uma informação que preciso ter. Há quanto tempo o senhor émandarim?""Ora, o que isso tem a ver com a medida do meu manto?" - perguntou ocliente surpreso."Não posso fazê-lo sem obter essa informação, senhor. É que ummandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo quemantém a cabeça altiva, ergue o nariz e estufa o peito. Assim sendo,tenho que fazer a parte da frente maior que a parte de trás. Anos maistarde, quando está ocupado com seu trabalho e os transtornos advindos
  15. 15. da experiência o tornam sensato, e ele olha adiante para ver o que vemem sua direção e o que precisa ser feito a seguir, aí então eu costuro omanto de modo que a parte da frente e a de trás tenham o mesmocomprimento. E, mais tarde, depois que seu corpo está curvado pelaidade e pelos anos de trabalho cansativo, sem mencionar a humildadeadquirida através de uma vida de esforços, então faço o manto de formaque as costas fiquem mais longas que a frente.Portanto, tenho que saber há quanto tempo o senhor está no cargo paraque a roupa lhe assente apropriadamente".O novo mandarim saiu da loja pensando menos no manto e mais nomotivo que levara seu amigo a mandá-lo procurar exatamente aquelealfaiate.(O Mandarim e o Alfaiate - Lenda do Vietnã)O MILAGRE DA FONTEEra uma vez um menino que ia crescendo como filho único de umafamília de guarda florestal pobre, no meio da solidão da mata. Afora seuspais, ele conhecia pouca gente. Tinha uma estrutura fraca e sua pele eraquase transparente. Era fascinante fitar os seus olhos, pois estes eramfonte dos mais profundos milagres do espírito. Embora poucas pessoasentrassem no âmbito de vida do menino, não lhe faltavam amigos.Quando a luz dourada do Sol refulgia nas montanhas ao redor, o olharpensativo do menino aspirava em sua alma o outro do espírito; adisposição do seu coração, assim, tornara-se qual a aurora. Mas quandonuvens escuras impediam os raios da aurora e um clima sombrioencobria todos os cumes, o olhar do menino ficava triste e seu coraçãomelancólico. Assim, ele estava entregue à vida espiritual de seu mundorestrito, o qual não lhe era mais estranho que os membros do seu corpo.As árvores e flores da floresta também eram suas amigas; das copas,sépalas e cumes, falavam-lhe seres espirituais, e ele entendia o quesussurravam. Os milagres de mundos ocultos se lhe abriam, quando suaalma conversava com o que parece inanimado à maioria das pessoas.Frequentemente, os pais, preocupados, davam pela falta do filho querido.Nessas ocasiões, ele se achava num outro lugar, onde nascia da rochauma fonte, salpicando as pedras com milhares de gotinhas. Quando obrilho argênteo da luz lunar se refletia em fantasmagorias de cores, natorrente de gotas, o menino podia permanecer por horas ao lado danascente. Ante a sua visão clarividente apareciam formas fantásticas nojogo dágua e no cintilar da luz lunar. As formas condensavam-se emimagens de três mulheres, que lhe falavam daquelas coisas a que ansiavasua alma. Uma vez, quando, numa amena noite de verão, o meninoestava sentado na fonte, uma das mulheres apanhou milhares de
  16. 16. pedacinhos do jogo colorido de gotas dágua e as deu à segunda mulher.Esta moldou, das gotinhas, um cálice de brilho argênteo, e o entregou àterceira mulher. Esta o encheu de luz argêntea e o deu ao menino. Elehavia presenciado tudo com sua vidência de menino. Na noite seguinte aessa experiência, ele sonhou que um dragão feroz lhe roubava o cálice.Depois dessa noite, o menino vivenciou o milagre da fonte mais trêsvezes; e, então, as mulheres não lhe apareceram mais, mesmo quandoele estava sentado em meditação, ao lado da nascente, banhado pela luzargêntea da Lua.Desde a terceira vez, haviam-se passado trezentas e sessenta semanas;o menino, há muito, tornara-se homem, tendo-se mudado da casapaterna e da floresta para uma cidade estranha. Uma tarde, ele, cansadodo trabalho, estava pensando no que a vida ainda lhe tinha a oferecer.De repente, sentiu-se como o menino, transposto à sua nascente darocha; novamente avistou as mulheres dá água e, desta vez, escutou-asfalar. A primeira lhe disse: "Lembra-te de mim, toda vez que te sentiressolitário na vida. Eu atraio a visão anímica do homem a distânciasetéricas e amplidões estelares. E a quem quiser sentir-me, estendo apoção da esperança vital do meu copo milagroso." E a segunda tambémfalou: "Não te esqueças de mim em momentos que abalarem tuacoragem. Eu dirijo os instintos do coração do homem a profundezas daalma e alturas do espírito. E a quem busca suas forças comigo, eu forjo aenergia da fé na vida, com meu martelo milagroso." E foi assim que aterceira falou: "Levanta teu olhar espiritual para mim, quando os enigmasda vida te assediarem. Eu teço os fios dos pensamentos em labirintos davida e em profundezas dalma. E a quem tem confiança em mim, eu teçoos raios do amor pela vida, no meu tear milagroso."Na noite que se segui àquela experiência, o homem sonhou que umdragão feroz andava furtivamente a sua volta, mas não podia aproximar-se dele: estavam-no protegendo do dragão, os entes que outrora elehavia vislumbrado na fonte da rocha e que o haviam acompanhado,desde sua terra natal, até esse lugar estranho.(Extraído do Drama de Mistérios II de Rudolf Steiner)O PRÍNCIPE E A GAIVOTAUma gaivota, errando seu trajeto de vôo, foi parar na cidadedo príncipe de Lu. O príncipe de Lu que nunca tinha visto umpássaro como aquele, tomou-o por uma criatura divina. Enviouum cortejo para recebê-lo e instalou-o num templo da cidadecomo um hóspede importante.
  17. 17. Para diverti-lo, o príncipe mandou os músicos tocarem flauta etambores todos os dias, ordenou que festas grandiosas fossemrealizadas em sua homenagem.Mas tudo isso deixava o pássaro mais e mais assustado, e acada dia ele sentia mais medo. Tremia da manhã à noite nãoquerendo comer nem beber. Assim, no final de três dias, elemorreu.O príncipe de Lu quis oferecer à gaivota a vida que ele próprioapreciava e não a vida que convinha a ela.(Fábula Chinesa - Adaptação retirada deFábulas em Cartão do Convivendo com Arte)O Urso e os ViajantesDois viajantes encontraram um urso na estrada.O primeiro subiu numa árvore e se escondeu sem ao menosperguntar ao companheiro se queira ajuda para subir também.O outro, apavorado, jogou-se no chão e fingiu estar morto.O urso chegou e aproximou-se do homem no chão, cheiroubem próximo à sua orelha e foi embora (dizem que os ursosnão mexem com quem está morto).O homem que estava na árvore desceu e perguntou aocompanheiro o que o urso lhe cochichara ao ouvido.Ele me disse para não viajar mais com pessoas queabandonam os companheiros na hora do perigo.(Autor Desconhecido)Sobre a Virtude da CORAGEM
  18. 18. ORAÇÃO DA CORAGEMTemos que erradicar da alma todo medo e terror do que o futuro possatrazer ao homem.Temos que adquirir serenidade em todos os sentimentos e pensamentos arespeito do futuro.Temos que olhar para a frente com absoluta equanimidade para com tudoque possa vir e temos que pensar somente que tudo o que vier nos serádado por uma direção mundial plena de sabedoria.Isto é parte do que temos que aprender nesta era: viver com pura confiançasem qualquer segurança na existência.Ter confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.Em verdade, nada terá valor se a CORAGEM nos faltar.Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas asmanhãs e todas as noitesRudolf SteinerOS PECADOS CAPITAISCerto dia um casal ao chegar do trabalho encontrou algumas pessoasdentro de sua casa. Achando que eram ladrões ficaram assustados, masum homem forte e saudável, com corpo de halterofilista disse:- Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda partedo mundo.- Mas quem são vocês? - pergunta a mulher.- Eu sou a Preguiça - responde o homem másculo - Estamos aqui paraque vocês escolham um de nós para sair definitivamente da vida devocês.- Como pode ser a preguiça se tem um corpo de atleta que vivemalhando e praticando esportes? - indagou a mulher.- A preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dopreguiçosos, com ela ninguém pode chegar a ser um vencedor.Uma mulher curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia umabruxa diz:
  19. 19. - Eu, meus filhos, sou a Luxúria.- Não é possível! - diz o homem - Você não pode atrair ninguém comessa feiúra.- Não há feiúra para a luxúria queridos. Sou velha porque existo há muitotempo entre os homens, sou capaz de destruir famílias inteiras, pervertercrianças e trazer doenças para todos até a morte. Sou astuta e posso medisfarçar na mais bela mulher.E um mau cheiroso homem, vestindo uns maltrapilhos de roupas, quemais parecia um mendigo diz:- Eu sou a Cobiça, por mim muitos já mataram, por mim muitosabandonaram famílias e pátria, sou tão antigo quanto a Luxúria, mas eunão dependo dela para existir.- Eu sou a Gula - diz uma lindíssima mulher com um corpo escultural ecintura finíssima, seus contornos eram perfeitos e tudo no corpo delatinha harmonia de forma e movimentos.Assustam-se os donos da casa, e a mulher diz:- Sempre imaginei que a gula seria gorda.- Isso é o que vocês pensam! - responde ela. - Sou bela e atraenteporque e assim não fosse seria muito fácil livrarem-se de mim. Minhanatureza é delicada, normalmente sou discreta, quem tem a mim não seapercebe, mostro-me sempre disposta a ajudar na busca da luxúria.Sentado em uma cadeira num canto da casa, um senhor, também velho,mas com o semblante bastante sereno, com voz doce e movimentossuaves, diz:- Eu sou a Ira. Alguns me conhecem como cólera. Tenho muitos milêniostambém. Não sou homem, nem mulher assim como meus companheirosque estão aqui.- Ira? Parece mais o vovô que todos gostariam de ter! - diz a dona dacasa.- E a grande maioria me tem! - responde o vovô. - Matam com crueldade,provocam brigas horríveis e destroem cidades quando me aproximo. Soucapaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar emqualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Mostro-me calmo esereno para mostrar-lhes que a Ira pode estar no aparentemente manso.Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem me manifestar,provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças.
  20. 20. - Eu sou a Inveja. Faço parte da história do homem desde a sua criação,- diz uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes,usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se auma princesa rica e poderosa.- Como inveja? Se é rica e bonita e parece ter tudo o que deseja. - diz amulher da casa.- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e osque não são nada disso, mas eu estou entre todos, a inveja surge peloque não se tem e o que não se tem é a felicidade Felicidade depende deamor, e isso é o que mais carece na humanidade... Onde eu estou estátambém a Tristeza.Enquanto os invasores se explicavam, um garoto que aparentava cercade cinco a seis anos brincava pela casa. Sorridente e de aparênciainocente, característica das crianças, sua face de delicados traçosmostravam a plenitude da jovialidade, olhos vívidos...- E você garoto, o que faz junto a esses que parecem ser apersonificação do mal?O garoto responde com um sorriso largo e olhar profundo:- Eu sou o Orgulho.- Orgulho? Mas você é apenas uma criança! Tão inocente como todas asoutras. O semblante do garoto tomou um ar de seriedade que assustou ocasal, e ele então diz: O orgulho é como uma criança mesmo, mostra-seinocente e inofensivo, mas não se enganem, sou tão destrutível quantotodos aqui, quer brincar comigo?A Preguiça interrompe a conversa e diz:- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas.Queremos uma resposta.O homem da casa responde:- Por favor, dêem dez minutos para que possamos pensar. O casal sedirige para o quarto e lá fazem várias considerações. Dez minutos depoisretornam.- E então? - pergunta a Gula?- Queremos que o Orgulho saia de nossas vidas.
  21. 21. O garoto olha com um olhar fulminante para o casal, pois queriacontinuar ali. Porém, respeitando a decisão dirige-se para a saída.Os outros, em silêncio, iam acompanhando o garoto quando o homem dacasa pergunta:- Ei! Vocês vão embora também?O menino, agora com ar de severo e com a voz forte de um oradorexperiente diz:- Escolheram que o Orgulho saísse de suas vidas e fizeram a melhorescolha.Pois onde não há Orgulho não há Preguiça, pois os preguiçosos sãoaqueles que se orgulham de nada fazer para viver, não percebendo quena verdade vegetam.Onde não há Orgulho, não há Luxúria, pois os luxuriosos têmorgulho de seus corpos e julgam-se merecedores.Onde não há Orgulho, não há Cobiça, pois os cobiçosos têm orgulhodas migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando afelicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos dodinheiro.Onde não há Orgulho, não há Gula pois os gulosos se orgulham desua condição e jamais admitem o que são, arrumam desculpas parajustificar a gula, não percebendo que na verdade são marionetes dosdesejos.Onde não há Orgulho, não há Ira, pois os irosos facilidade comaqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, nãopercebendo que na verdade sua ira é resultado de suas própriasimperfeições.Onde não há Orgulho, não há Inveja, pois os invejosos sentem oorgulho ferido ao verem o sucesso alheio seja ele qual for, precisamconstantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo quena verdade são ferramentas da insegurança.Saíram todos sem olhar pra trás, e ao baterem a porta, um fulminanteraio de luz invadiu o recinto, o casal desintegrou-se...Dizem que viraram Anjos!(Autor Desconhecido - Mensagem recebida via Internet)"PER-DOAR" (Artur da Távola)Aprendi, outro dia que perdoar é a junção de "per" com "doar".Doar é mais do que dar.
  22. 22. Doar é a entrega total do outro.O prefixo "per" que tem várias acepções, indica movimento no sentido"de" ou "em direção a" ou "através" ou "para". Etimologicamente falando,portanto, perdoar, quer dizer doar ao outro a possibilidade de que elepossa amar, possa doar-se.Não apenas quem perdoa é que se "doa através do outro".Perdoar implica abrir possibilidades de amor para quem foi perdoado,através da doação oferecida por quem foi agravado.Perdoar é a única forma de facilitar ao outro a própria salvação.Doar é mais do que dar, é a entrega total ...Perdoar é doar o amor, é permitir que a pessoa objeto do perdão possa(também) devolver um amor que, até então, só negara.obre a Virtude da TRANSCENDÊNCIASALETTE M. , RUGGERI W.:Para que minha vida se transforme.São Paulo, Verus Editora, 2001.Fazia muito tempo que uma tribo de índios vivia numa vasta região rica devegetação e se instalara junto a uma alta montanha. Um dia o chefe da triboadoeceu e, ao perceber que lhe restava pouco tempo de vida, chamou seustrês filhos e disse-lhes:- Já não vou durar muito e um de vocês será meu sucessor. Percorram aregião , subam as montanhas, atravessem os rios... Será o meu sucessoraquele entre vocês que me presentear de modo mais original.Partiram os três filhos. Cada um esperava encontrar algo especial quepudesse surpreender o pai.Tempos depois regressou o primeiro. Em suas mãos trazia uma flor, rara epreciosa, nunca vista naquela região. O segundo entregou ao pai uma lindapedra, parecia especial, com sua superfície lisa e redonda, como que polidaatravés do tempo. Depois veio o terceiro. Suas mãos estavam vazias, masseus olhos brilhavam quando relatou que subira ao ponto mais alto dasmontanhas e descobrira, do outro lado dela, uma região maravilhosa, comvales e campinas verdes e lagos cristalinos. E, cheio de entusiasmoexclamou:- Se nós nos mudarmos para lá com a nossa tribo, nossa vida com certezaserá muito melhor!
  23. 23. - Você será o meu sucessor, o chefe da tribo - disse seu pai, revelando navoz fraca um sentimento de esperança -, porque me trouxe como presentea visão de um futuro melhor.Sábio MendigoUm velho sábio, miserável na aparência, mendigava pelas ruasde uma cidade. Ninguém lhe prestava atenção.Um passante disse-lhe com grande desprezo:- Mas, o quê fazes aqui? Não vês que ninguém aqui teconhece?O homem pobre olhou calmamente o passante e respondeu-lhe:- Que importância isso tem? Eu me conheço e isso me basta. Ocontrário é que seria um horror: se todos me conhecessem eeu me ignorasse!(Autor Desconhecido)Texto de William ShakespeareDepois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entredar a mão e acorrentar uma alma.E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nemsempre significa segurança.E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não sãopromessas.E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terrenodo amanhã é incerto demais para os pianos, e o futuro tem o costume decair em meio ao vão.Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto pormuito tempo.E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoassimplesmente não se importam...E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vezem quando e você precisa perdoá-la por isso.
  24. 24. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundospara destrui-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quaisse arrependerá pelo resto da vida.Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longasdistâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quemvocê tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiramescolher.Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos queamigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazerqualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida sãotomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar aspessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez queas vejamos.Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós,mas somos nós responsáveis por nós mesmos.Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com omelhor que pode ser.Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,e o tempo é curto.Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas sevocê não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que serflexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importaquão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências.Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chutequando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência quese teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantosaniversários você celebrou.Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos sãobobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se elaacreditasse nisso.Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,mas isso não te dá o direito de ser cruel.Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer queame, não significa alguém o ama com tudo o que pode, pois existempessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrarou viver isso.Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumasvezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será emalgum momento condenado.
  25. 25. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, omundo não pára para que você o conserte.Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto,plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhetraga flores.E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, eque pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.Um banquete para mestre IkkyuAlguns homens ricos, que costumavam fazer donativos ao mosteiro,convidaram o mestre Ikkyu para um banquete.Segundo a tradição do mosteiro, os monges se revezavam para pediresmolas a fim de arrecadar dinheiro para seu sustento. Ikkyu foi comroupas de mendigo, já que era o seu dia de pedir esmolas.O anfitrião, não reconhecendo o mestre, colocou-o para fora da casa:"Você não pode ficar aqui, estamos esperando o famoso mestre Ikkyu!"O mestre voltou ao mosteiro, trocou suas roupas pelo belo manto decerimônias e se apresentou novamente. Foi recebido com todo respeito elevado à sala do banquete.Ikkyu colocou o manto no encosto da cadeira e disse antes de se retirar:"Suponho que tenham convidado o manto."(Publicado na Revista Planeta de 07-05-2004 /estória do livro Pocket Zen, de Bruno Pacheco, Ed. Nova Era)Sobre a Virtude da PERSEVERANÇATUDO É UMA QUESTÃO DE ESCOLHADuas rãs brincavam distraídamente e saltitavam dentro de um curral. derepente, num desses saltos, caíram ambas num latão cheio de leite. Asbordas do latão eram lisas e altas, não havia a menor possibilidade desaírem dali. Mergulhadas no líquido, não havia como impulsionar o corpo esaltar para fora.Ao perceber que sua amiga estava quase se afogando, a primeira rã disse:- Não esmoreça! Continue batendo os braços! Mantenha-se flutuando!- Não adianta! - respondeu a outra. - Estou exausta! E de que adianta
  26. 26. manter-me flutuando se não existe nenhuma maneira de sair daqui?- Não desista! Mantenha a calma e lute! Enquanto há vida, há esperança!Continue batendo os braços com toda a força!- Não vale a pena! Estou me cansando e não consigo ver como podemosnos salvar.Dito isso, parou de se debater, afundou e morreu afogada.- Não posso desistir - disse a primeira. - Deve haver uma saída. Voucontinuar me debatendo. Tenho que me manter viva.Debateu-se a noite inteira. E debateu-se tanto dentro do leite que esteacabou virando manteiga. Agora, sim, apoiada sobre uma base sólida,bastou descansar um pouquinho, tomar impulso, pular fora do latão erecomeçar sua vida sã e salva.SALETTE M. , RUGGERI W.:Para que minha vida se transforme.São Paulo, Verus Editora, 2001.A AÇÃO DE UM SÁBIOCerta vez, um reino da China estava em guerra civil e em guerra comoutro reino também.O rei mandou vir um sábio e pediu que ele fizesse algo para restabelecera paz a harmonia no reino.O sábio nada respondeu e voltou para sua casa na montanha.Diante desta inação o rei ficou muito decepcionado e inquieto.Mas pouco a pouco a guerra civil foi se acabando e os invasores seretiraram.A harmonia e a paz voltaram ao reino.O rei foi à casa do sábio e disse-lhe:- Se você nada fez, como pode ser que a paz tenha voltado de forma tãoinexplicável?O sábio respondeu:- Eu trabalhei pela paz em mim mesmo e esperei que ela se estendesse atodo país.(Fábula Chinesa extraída do "Fábulas em cartão postal",uma publicação "Convivendo com arte")A sensualidade e exuberância da livre e azulada LUXÚRIA
  27. 27. "O pecado é excesso do Bom."(Santo Agostinho )A CIGARRA E AS FORMIGASNum belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalhopara secar suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãostinham ficado completamente molhados. De repente aparece umacigarra:- Por favor, formiguinhas, me dêem um pouco de trigo!Estou com uma fome danada, acho que vou morrer.As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra os princípiosdelas, e perguntaram:- Mas por quê? O que você fez durante o verão? Por acaso não selembrou de guardar comida para o inverno?- Para falar a verdade, não tive tempo - respondeu a cigarra. Passei overão cantando!- Bom... Se você passou o verão cantando, que tal passar o invernodançando? - disseram as formigas, e voltaram para o trabalho dandorisada.("FÁBULAS DE ESOPO" - Companhia das Letrinhas)Por definição de dicionário, a Luxúria é a libertinagem, a lascívia, a exuberância, asensualidade, o viço das plantas. Entendemos a Luxúria como uma exuberância dossentidos, da sexualidade, uma embriaguez do corpo e da alma das sensações. Pecar porLuxúria seria ser possuído pelo desejo desmedido de obter a magnificência dos sentidose da sensualidade.Percebemos que a Luxúria, em nossa época, é freqüentemente confundida com a Gula.A Gula é o prazer primário, do 2º centro de força, que é a compulsão, avidez peloprazer que a troca com o outro traz. (Seja da comida, do sexo, do afeto, do álcool oudas drogas). O pecado da Gula é a busca desmedida que o prazer nos leva, sem levarem conta aqualidade. Os gulosos desejam mais e mais até se empanturrarem. Aquantidade é que conta, não a qualidade. Não toleram a falta e não há individualizaçãopara escolhas elaboradas. Favorece a escolha da mesma, tipo sociedade de massa. Umaboa imagem da Gula são as orgias romanas ou os inúmeros modelos de diversãooferecidos pela sociedade americana. São eles os legítimos representantes dos “rodíziosávidos de prazeres primários”. Assim, quase todos os exemplos de luxúria que sãocitados não passam de grosseiros pecados da Gula.
  28. 28. O sofisticado pecado da Luxúria é uma orgia do sentir com grande refinamentosensual.Necessita de tempo, qualidade, magia dos sentidos, liberdade de criação eabundância que é a condição de quem não tem medo da falta. Condição que oestressado homem atual está longe de possuir. Como ser um libertino, ou seja, comousar desmedidamente sua liberdade, se não sente condições de dispor de sua pessoa deforma livre e espontânea?Parece que a sociedade atual só tem referência do que seja Luxúria no sentido visual oumental, pois nesses campos está em um apogeu dado pelas inebriantes imagens defotografias, da televisão, das propagandas e do cinema. Mas, como levar essa Luxúria anível do corpo, do sentir em geral, é algo muito distante para o homem comum. Tãodistante quanto os festins árabes ou ciganos que tentamos trazer até nós como a dançado ventre, etc. Tão encantados e longínquos como os sofisticados rituais gregos. Asociedade grega parece que conheceu a liberdade de usufruir das delícias dasensualidade, do corpo, da mente e da essência da vida. É possível que nos seusbanquetes, as “Symposias”, houvesse sensualidade e estímulos suficientes para que oshomens gregos e suas Hetairanes sucumbissem ao pecado da Luxúria.Hoje, compra-se um pacote para praias baianas, para o Caribe ou Ilhas Gregas na ilusãoque se obterá um pouco de Luxúria e com isso trará um novo viço ao corpo. Mas,luxúria não combina com falta de tempo, com avidez por resultados ou roteiros pré-estabelecidos. Poucos na verdade sabem se abrir aos orgasmos que a natureza, acomida, um cheiro, um banho, uma idéia ou o corpo do parceiro pode ofertar. Como nosensina a cozinha francesa, um clássico exemplo da luxúria do paladar, é preciso seentregar às nuanças do inesperado, às sutilezas sensoriais da qualidade e as altasvoltagens do prazer que só freqüências delicadas podem propiciar.A maioria dos turistas voltam dos santuários paradisíacos com a sensação de tercomprado “gato por lebre”, sem ter reconhecido ou usufruído da embriagante luxúria danatureza. Alguns chegam a deixar atrás de si um amontoado de lixo, produzido pelavoraz Gula, matando com seu desperdício e pouco cuidado, aquilo que tanto queriamobter:“um convite ao banquete da vida”.Enfim, cá estamos sobrecarregados com a produção e tarefas como a formiga da fábulade Esopo, que se torna irada diante da inacessível e incompreensível luxúria da cigarra.Cigarra que usufrui até morrer do prazer de cantar. Que assim como os personagens dofilme “Império dos Sentidos” transgridem os limites possíveis para usufruírem até amorte, narcotizados pelo pecado da Luxúria.Pobre homem atual, que como a Formiga de Esopo, apenas vê e imagina a Luxúria. Nãocorre o risco, no entanto, de cometer o pecado porque sua vida está aquém da condiçãode ser possuído pela Luxúria. Aquém de usufruir da sensualidade e abundância de estarvivo no planeta Terra.Acely Gonçalves HovelacqueAbril/1999Sobre a Virtude da FIDELIDADEA ECOLOGIA DA FIDELIDADEFidelidade é ser coerente com uma opção. É valorizar e cultivar o encontroe não a busca. Para o fiel, fora das alianças e dos pactos, só há fragilidadee incerteza. Daí a fidelidade ser a adesão consciente à uma escolha que
  29. 29. justifica sacrifícios, porque há ganhos.Não somos fieis no desejo dos nossos valores. Fidelidade justifica a ordemmoral, pois sua atitude está assentada em valores que merecem sermantidos. Por isto é preciso saber fazer alianças. Uma má aliança nãomerece obediência. Portanto, ela supõe o dom da sabedoria, já que nossasescolhas são a medida de nossas decisões. Do ponto de vista do desejo, afidelidade é ridícula. Isso porque o desejo não conhece o encontro. Massomente a busca. Desejo é para ser desejado.A relação amorosa entre o casal é a mais difícil e desafiadora de todas asalianças. Primeiro porque exige ser fiel para sempre, e segundo, porque oindivíduo terá que renunciar a todas as outras escolhas em função deapenas uma. Esse é o desafio intolerável do amor. Para amar, teremos deassumir a liberdade de escolher alguém. E não temos nenhuma garantia deque nossa escolha seja bem sucedida.Para barrar a infidelidade, o amor tem de enfrentar o desejo, essa forçapoderosa que não aceita nenhuma limitação e recusa toda renúncia. Odesejo é sempre uma carência. Sempre uma busca. Mas nunca umencontro. Encontrar para o desejo é morrer. A infidelidade talvez estejaligada a essa revolta contra o aprisionamento do desejo, como se houvessedestro de nós uma forte suspeita contra as limitações criadas pela decisãode ser fiel.A fidelidade só se exerce como virtude na convicção desse encontro. Ela sóse permite pela confiança.Fidelidade é o amor fiel, o amor conservado. Trair é esquecer e ignorar. É amorte da memória pelo abandono e pela omissão. Trair é se render asseduções do efêmero. É acreditar que as decisões e os valores são todosrelativos no tempo. É desmerecer um compartilhamento consentido, tantonas suas dificuldades como em suas alegrias. A despeito de tudo isso,ainda podemos levar nossas alianças até o fim, mesmo se quase tudo éfugaz e efêmero, mesmo se o amor é chama, como diria o poeta!Ao amar, barramos o desejo. Encerramos as buscas. Festejamos osencontros e comemoramos a felicidade tranqüilizadora dos pactos. Como odesejo não termina no amor, mas é controlado por ele, a fidelidade temnessa aliança o seu maior desafio. Ela se revela nessa luta quaseimpossível contra a tendência irreversível do esquecimento, contra estepoder destruidor do tempo que mata, corrói e sepulta.No mundo atual onde sedução e desejo são as molas máximas do estímuloao consumo, como manter-se fiel a um pacto afetivo dessa natureza? Issosó pode ser mantido pela força de um projeto comum, alimentado pelapaixão, pelo amor, pela confiança e pela gratidão ao parceiro.A fidelidade não é obrigação. Mas um grande merecimento.
  30. 30. ALFEU TRANCOSOJBECOLÓGICOem31/março/2002A LOJA DE DEUSEntrei e vi um anjo no balcão.Maravilhado lhe disse: - Anjo do SENHOR, o que vendes?Respondeu-me o anjo: - Todos os dons de DEUS.- Custa muito? - eu perguntei. "Não, é tudo de graça."Contemplei a loja e vi jarros e vidros de fé, pacotes de esperança,caixinhas de salvação e sabedoria.Tomei coragem e pedi:- Por favor, quero muito amor, todo perdão, um vidro de fé, bastantefelicidade e salvação para mim, meus amigos e toda minha família.Então o anjo do SENHOR preparou-me um pequeno embrulho que cabiana palma da minha mão.Maravilhado eu disse: - É possível tudo estar aqui?O anjo respondeu-me sorrindo:- Meu querido irmão, na loja de DEUS não vendemos frutos, apenassementes!(autor desconhecido)Sobre a Virtude da GRATIDÃOA MULHER E SEU PASSADO Rubem BragaEla conta a história de uma freira que a atormentava no internato, em seutempo de menina; de um homem que a fez viver longamente entre odesespero e o tédio, a revolta e a humilhação. E fica meio magoada porquea tudo eu sorrio, porque eu não pareço participar do sentimento com queela fala contra essa gente que passou. Afinal ela também sorri: "Você émeu amigo ou amigo da onça?"
  31. 31. Sou seu amigo. Mas rico ri à toa, e eu me sinto vertiginosamente ricoporque essas histórias, alegres ou tristes, ela me conta de mãos dadas,junto de mim. Digo-lhe isso; mas não lhe confesso que aprovo e abençôotodas as coisas e pessoas que povoaram seu passado, e tenho vontade dedizer:"Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que temaltrataram; bendito o artista que te adorou e te possuiu, e o pintor que tepintou nua, e o bêbedo de rua que te assustou, e o mendigo que disse umapalavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que tetraiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando aindaeras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava anoite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantandoem tua janela; e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca;e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo eteu remorso a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que ofizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranqüilo, e o tédio; e a mulheranônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por timesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolverem suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e avelhinha de preto que ao te ver passar disse: "moça linda..."; bendita achuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que te fezsaltar teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua quete surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as grandes árvoresazuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e tetrouxe até mim. Bendita sejas tu."Abril, 1964BRAGA R.: 200 Crônicas Escolhidas. Rio de Janeiro, Editora Record,1978. p.312Sobre a Virtude da RESPONSABILIDADEA RATOEIRAUm rato olhando pelo buraco na parede vê o fazendeiro e sua esposaabrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia ter ali.Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira.Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos: "Tem uma ratoeira na casa,uma ratoeira na casa."- A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:"Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que é um grande problema para osenhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda."O rato foi até o cordeiro e disse a ele: "Tem uma ratoeira na casa, umaratoeira."
  32. 32. - "Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não serorar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces."O rato dirigiu-se então à vaca. Ela disse: "O que Sr. Rato? Uma ratoeira?Por acaso estou em perigo? Acho que não!"Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar aratoeira do fazendeiro.Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando suavítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. Noescuro, ela não viu que a ratoeira pegou a cauda de uma cobra venenosa.A cobra picou a mulher. O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.Ela voltou com febre.Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor queuma canja. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingredienteprincipal - a galinha.Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o cordeiro.A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para ofuneral. O fazendeiro então teve que matar a vaca para alimentar todoaquele povo.recebido via e-mail - autor desconhecidoAs emoções do velho mongeEm um mosteiro havia um velho monge que deixava os jovenstotalmente intimidados. Não que ele fosse severo, mas porque nada,absolutamente nada, parecia perturbá-lo ou afeta-lo. Os jovens viam nelealgo inquietante e resolveram testar a paciência do velho monge.Numa escura manhã de inverno, quando era tarefa do velho monge levara oferenda de chá à sala do monge superior, o grupo de jovens seescondeu em uma das curvas do longo e sinuoso corredor do mosteiro.Quando o velho se aproximou, eles saíram do esconderijo dando gritosassustadores. Mas nada adiantou.Sem sequer alterar o passo, o velho monge seguiu andando com calma,levando cuidadosamente a bandeja de chá. O velho foi até sala, colocoua bandeja de chá, cobriu-a para protege-la da poeira e, então, só então,apoiando-se contra a parede, deu um grito, numa exclamação de susto.O mestre Ikkyu ao relatar essa história comentou:"Compreendemos que não há nada de errado em termos emoções. Só
  33. 33. não devemos deixar que elas nos perturbem ou que nos impeçam defazer o que estamos fazendo".(Publicado na Revista Planeta de 07-05-2004 /estória do livro Pocket Zen, de Bruno Pacheco,Editora Nova Era)DESEJOÉ hora de parar de buscar fora de você aquilo que poderia fazê-lo feliz.Olhe para dentro de si mesmo. Existe uma história sufi muito famosa.Um imperador estava saindo de seu palácio para um passeio matinal ,quando encontrou um mendigo. Ele perguntou ao mendigo: "O que vocêdeseja?".O mendigo riu, e respondeu: "Você está perguntando como se fossecapaz de satisfazer meu desejo!".O rei ficou ofendido, e disse:"Certamente sou capaz de satisfazê-lo. O que é? Simplesmente me diga".E o mendigo respondeu: " Pense duas vezes antes de prometer qualquercoisa".Ele não era um mendigo comum. Tinha sido o Mestre do imperador emsua vida passada. E naquela vida tinha prometido: " Voltarei e tentareidespertá-lo em sua próxima vida. Você perdeu a oportunidade nesta vida,mas voltarei". Só que o rei tinha esquecido completamente - quem selembra de vidas passadas? Então, ele insistiu."Realizarei qualquer coisa que você pedir. Sou um imperado muitopoderoso. O que é possível você desejar que eu não posso lhe dar?"O mendigo respondeu: "É um desejo muito simples. Está vendo estacumbuca de pedinte? Você pode enchê-la com alguma coisa?"O imperador afirmou:"Certamente!". Ele chamou um de seusempregados, e ordenou: "Encha a cumbuca desse homem com dinheiro".O empregado foi, pegou algum dinheiro e despejou na cumbuca...e odinheiro desapareceu. E despejou mais e mais, e no momento em quedespejava o dinheiro, o mesmo desaparecia e a cumbuca permaneciasempre vazia.Todas as pessoas do palácio se reuniram. Aos poucos o rumor seespalhou pela cidade e uma multidão enorme se juntou. O prestígio doimperador estava em jogo. Ele disse aos vízires: "Se o reino inteiro for
  34. 34. perdido, estou pronto a perdê-lo, mas não posso ser derrotado por estemendigo".Diamantes, pérolas e esmeraldas... seus tesouros estavam se esvaziando.Aquela cumbuca de pedinte parecia não ter fundo. Tudo que eracolocado nela - tudo! - desaparecia imediatamente, saía da existência.Finalmente a noite chegou e as pessoas estavam paradas ao redor emabsoluto silêncio.O rei se ajoelhou aos pés do mendigo e admitiu sua derrota. Ele falou:"Diga-me apenas uma coisa. Você venceu, mas antes de ir embora,apenas satisfaça minha curiosidade. De que é feito essa cumbuca?".O mendigo riu, respondeu: "É feita da mente humana. Não existesegredo... é feito simplesmente de desejo humano".(Estória Sufi - Adaptação de Napoleão Xavier -Grupo "E foram felizes para sempre..." - 1998 )Diálogo entre dois monges:"Aonde vais?""Vou a um passeio pelas redondezas.""Qual o propósito de um passeio?""Não sei.""Bem, não sabendo fica mais perto."(Publicado na Revista Planeta de 07-05-2004 /estória do livro Pocket Zen, de Bruno Pacheco,Editora Nova Era)Existência de Deus
  35. 35. Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e comtanto carinho cada noite, que certa vez, o rico chefe de grande caravanachamou-o a sua presença e lhe perguntou:- Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nemao menos sabes ler?O crente fiel respondeu:- Grande senhor, conheço a existência de nosso Pai Celeste pelos sinaisdele.O servo humilde explicou-se:- Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente como reconhecequem a escreveu?- Pela letra.- Quando o senhor recebe uma jóia como é que se informa quanto aoautor dela?- Pela marca do ourives.O empregado sorriu e acrescentou:- Quando ouve passos de animais ao redor da tenda como sabe depois sefoi um carneiro, um cavalo ou um boi?- Pelos rastros - respondeu o chefe, surpreendido.Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e mostrando-lhe océu, onde a Lua brilhava cercada por multidões de estrelas, exclamourespeitoso:- Senhor, aqueles sinais lá em cima não podem ser dos homens!Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro ajoelhou-se na areia e começoua orar também.(Livro Pai Nossopsicografado por Francisco Candido Xavier)MARIPOSASMariposas se reúnem para discutir esse estranho fenômeno que sechama "fogo".
  36. 36. Elas não conseguem compreender qual é exatamente a natureza dessemisterioso fenômeno.Finalmente, depois de vários debates, uma das mariposas decide ir fazersua pesquisa particularmente.Ela parte, percebe de longe a luz de uma vela, volta até o grupo edescreve aquilo que viu.A mais velha, dentre tudo o que houve, acha a descrição insatisfatória.Uma outra mariposa decide então ver isso mais de perto.Ela chega a ficar muito próxima da vela, tão próxima que acaba roçandouma ponta na chama.Ela vem e descreve sua experiência às outras mariposas.A velha diz que essa descrição ainda não é suficiente.Assim, uma terceira mariposa, tomada de amor pela vela, lança-se emergulha no coração da chama.Naquele momento, ela se torna uma coisa só com o fogo.E, dessa união, brota o conhecimento que não se pode transmitir.Nota: "O real conhecimento das coisas não é obtido ficando-se na suasuperfície, mas unindo-se totalmente a elas".(Texto extraído do livro "Um ator errante", de Yoshi Oida -Editora Beca)MILAGRE EM UM MINUTOO rei, velho e bom, estava morrendo. Ele tinha sido um homem gentil eum justo administrador. Não admira que todo o reino estivessemergulhado em tristeza profunda quando as notícias da séria doença dorei se espalhou.O rei havia parado de tomar remédios. Agora tinha apenas um desejo:encontrar um eremita que morava na floresta e que havia sido seu"gurubhai", quer dizer, ambos haviam sido ensinados pelo mesmo guruem suas infâncias.Mandaram chamar o eremita. O amável sábio não perdeu tempo em seapresentar ao lado da cama do rei.
  37. 37. "Meu amigo, quem nasce está destinado a morrer. Não sinto tristeza pelaaproximação de minha morte", disse o rei."Sei bastante bem, meu querido rei, que você é sábio e devotado aoSenhor, e viveu uma vida honrada. Dedicou seu tempo, recursos epensamentos ao bem-estar de seus súditos. Deus sabe melhor quandoretirar sua alma desta forma física", disse o eremita."Você está certo, meu amigo. Fiz o máximo para suportar o melhorpossível o fardo que Deus colocou em minha cabeça. Dei aos meussúditos um senso de segurança e alguma felicidade. E esta é a razão pelaqual estou preocupado", disse o rei.O eremita concordou. Ele compreendeu a situação. O rei não tinha filhos.Quem governaria o país depois dele - e do modo ideal que reinara?O rei tinha três sobrinhos e queria que um deles o sucedesse ao trono.Porém não sabia qual seria a escolha certa. Procurou o auxílio do eremitapara tomar a decisão. Não havia ninguém dentro do quarto do rei quandodiscutiram o assunto.O eremita sentou-se para meditar durante algum tempo. Estavacomeçando a escurecer.De repente, pediu ao rei para chamar os três sobrinhos. O rei atendeu-o."Algum de vocês pode encher este quarto com alguma coisa em apenasdois minutos?", perguntou o eremita."Posso enchê-lo sozinho. Mas qualquer que seja o material, levará pelomenos uma hora para encher o quarto com ele", disse um.O segundo disse: "Penso que posso trazer bastante galhos para enchê-loem meia hora, mas vocês dois têm que sair primeiro do quarto".O período completo de dois minutos ainda não tinha passado quando oterceiro sobrinho, que havia saído do quarto assim que o eremita falara,retornou. Porém voltou com uma lâmpada.Instantaneamente o quarto ficou cheio de luz!O eremita sorriu para o rapaz; o rei sorriu olhando para o eremita.A escolha tinha sido feita. No tempo devido, o rapaz subiu ao trono.(Histórias da Índia Antiga recontadas por Manoj Das - volume2)
  38. 38. A ávida GULA laranja"Voracidade, gula, é uma ânsia impetuosae insaciável que excede aquilo de que o sujeito necessitae que o objeto é capaz e está disposto a dar..."(Melaine Klein)NÃO É TÃO FÁCIL QUANTO PARECEUma viúva compareceu perante o tribunal de Nasrudin:- Sou muito pobre. Meu filho mais novo come muito açúcar: na verdade,é um viciado em açúcar. Ou seja, não há dinheiro que chegue para arcarcom as despesas de casa. Será que este tribunal poderia proibi-lo decomer açúcar, já que não consigo, por conta própria, fazer valer essaordem?- Senhora - disse Nasrudin - este problema não é tão fácil quanto parece.Volte em uma semana e a sentença será proferida depois que eu tenhaexaminado o caso por completo.Uma semana depois, lá estava o nome da senhora na lista dos quepediam uma audiência.- Desculpe - disse Nasrudin ao atendê-la - este caso complicado ficaadiado por mais uma semana.A mesma coisa aconteceu nas duas semanas seguintes. Finalmente,Nasrudin anunciou:- O Tribunal dará agora sua sentença. Chamem o rapaz.O jovem foi conduzido ante à presença de Nasrudin.- Garoto - vociferou o magistrado - você está proibido de comer mais quequinze gramas de açúcar por dia.A senhora agradeceu a Nasrudin e pediu permissão para uma últimapergunta.- Prossiga - disse Nasrudin.- Excelência, estou intrigada com os motivos que o levaram a não proibiro garoto de comer açúcar logo nas primeira audiências.
  39. 39. - Bem - respondeu Nasrudin - primeiramente teria eu mesmo queconseguir largar o hábito, não é? Como poderia saber que eu iriademorar tanto?(História de Nasrudin - Ed.Dervish)O LIVRO DO DESTINOSegundo o Alcorão, a vida de todos nós está escrita no grande "Livro doDestino". Nele, cada homem e cada mulher tem sua página, e tudo debom ou ruim que lhes possa acontecer, ali está escrito.Certa vez, um homem corajoso salvou das mãos de bandidossanguinários um feiticeiro. Este, em gratidão, deu-lhe como recompensaum talismã: uma pedra negra em formato de coração, encontrada notúmulo de um santo. A pedra tinha o poder de abrir as portas da gruta daFatalidade, que fica muito além do deserto de Dahna, e onde se encontrao Livro do Destino. O gênio guardião da gruta, vendo o talismã, permitiuao homem que o portava a entrada na gruta, mas advertiu-o de que sópoderia permanecer lá dentro por alguns minutos.A intenção do homem era encontrar a página de seu próprio destino ealterá-la. Bastava para isso escrever, com a pena que já tinha em mãos:"serás um homem feliz, considerado por todos, com boa saúde e muitodinheiro". Seria simples mudar a própria vida. Mas o homem, estandodiante do grande Livro do Destino, começou a lembrar dos seus inimigos.Movido pelo ódio, pelo rancor e pela vingança, procurou a página de cadaum deles e nela foi acrescentando: "será pobre, terá uma morte trágica,uma doença incurável, perderá tudo o que tem...". Assim, alterou odestino de seus desafetos e esqueceu-se de si mesmo. Só se deu contado que fazia quando, esgotado o seu tempo, um gênio surgiu à suafrente e, arrancando-lhe das mãos o talismã, atirou-o para fora da gruta.Ele foi cair bem longe daquele lugar. Sem o talismã, nunca mais poderiaabrir as portas da gruta. Tivera nas mãos o poder de mudar o própriodestino, mas nada fizera por sua vida.(Fábula do Folclore Árabe)O melhor dos lugaresUma caravana viajava há dias pelo deserto e já não havia uma gota deágua para aplacar-lhes a sede, quando, de repente, encontraram umpoço. Fizeram descer por ele uma vasilha, mas a corda arrebentou. Coma segunda e a terceira, aconteceu o mesmo. Decidiram, então, que umdos viajantes desceria amarrado a uma corda. Ele também não voltou.Desceu o segundo e este também não voltou.Foi quando o sábio, que viajava com eles, disse-lhes:
  40. 40. - Agora, desço eu. Assim foi feito. No fundo do poço, ele encontrou ummonstro horripilante que era o guardião daquele poço. Ele disse ao sábio:- Agora você também e prisioneiro e só terá sua vida poupada se der aresposta certa à minha pergunta.- Pois pergunte, respondeu o sábio. E o monstro disse:- De todos os lugares do mundo, qual é melhor?Diante dessa pergunta, o sábio pensou: estou cativo e impotente nasmãos desse monstro. Se digo que é minha própria terra, estareidesprezando sua morada. Pensando assim, o sábio respondeu:- O melhor lugar do mundo é aquele onde se tem um amigo íntimo, aindaque esse lugar seja o fundo da terra.- Bravo, Bravo! Exclamou o monstro. Você é um verdadeiro homem e suasabedoria salvou-o e a seus amigos.(Adaptação retirada deFábulas em Cartão do Convivendo com Arte)A incontentável INVEJA amarela"A inveja é uma abstração personificada.Vive em uma caverna envolta em uma densa névoa negraa devorar carne de cobra:seus olhos são tortos, seus dentes imundos de terra;uma bílis verde e venenosa goteja-lhe da língua.Jamais sorri, senão diante do infortúnio dos outros;jamais dorme, presa de várias preocupações;desagrada-a o sucesso dos homens e, ao vê-lo definha;remorde e é remoída, e é ela própria o seu castigo."(Ovídio)O OURO DO DEDONa China antiga, um eremita meio mágico vivia numa montanhaprofunda. Um belo dia, um velho amigo foi visitá-lo. Senrin, muito felizpor recebê-lo, ofereceu-lhe um jantar e um abrigo para a noite. Namanhã seguinte, antes da partida do amigo, quis ofertar-lhe umpresente. Tomou de uma pedra e, com o dedo, converteu-a num blocode ouro puro.
  41. 41. O amigo não ficou satisfeito. Senrin apontou o dedo para uma rochaenorme, que também se transformou em ouro.O amigo, porém, continuava sem sorrir.- Que queres, então? - indagou Senrin.Respondeu-lhe o amigo:- Corta esse dedo, eu o quero.O homem pensava que o dedo era a fonte do ouro.Apesar dos seus laivos de humor, essa história tem uma significaçãorealmente muito profunda.A maioria dos homens é assim.(A Tigela e o Bastão -120 contos Zen -Taisen Deshimaru)O SENTIDO DOS GANSOSNo outono, quando se vêem bandos de gansos voando rumo a um novodestino, formando um grande V no céu, indaga-se o que a ciência jádescobriu sobre o porque de voarem desta forma.Sabe-se que quando cada ave bate as asas move o par para cima,ajudando a sustentar a ave que vem logo atrás.Ao voar em forma de V, o bando se beneficia de, pelo menos, 71% amais de força de vôo.Pessoas que têm a mesma direção e sentido de comunidade podematingir seus objetivos de forma mais rápida e fácil, pois viajambeneficiando-se de um impulso mútuo.Sempre que um ganso sai do bando, sente subitamente aumentarem oesforço e a resistência necessários para continuar voando sozinha.Rapidamente ele entra outra vez em formação para aproveitar odeslocamento de ar daquele que voa logo à sua frente.Se tivéssemos o mesmo sentido dos gansos, seguiríamos em formaçãocom os que lideram o caminho para onde também desejamos ir.Quando o ganso líder se cansa ele muda de posição dentro da formaçãoem V e outro ganso assume a liderança. Vale a pena nos revezarmos emtarefas difíceis e mais exigentes. Isto é bom tanto para as pessoasquanto para os gansos que voam numa mesma direção.
  42. 42. Os gansos de trás gritam encorajando os da frente para que mantenhama velocidade. Como humanos, que mensagem passamos quandogritamos lá de trás?Finalmente, quando um ganso fica doente ou é ferido por um tiro e cai,dois gansos saem da formação e o acompanham para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que consiga voar novamente, ou até que morra. Sóentão levantam vôo a fim de alcançar seu bando.(autor desconhecido)ÚLTIMO PROJETOUm velho carpinteiro estava pronto para se aposentar. Ele informou aochefe seu desejo de sair da indústria de construção e passar mais tempocom sua família.Ele ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria seaposentar.A empresa não seria muito afetada pela saída do carpinteiro, mas o chefeestava triste em ver um bom funcionário partindo e ele pediu aocarpinteiro para trabalhar em mais um projeto como um favor.O carpinteiro concordou, mas era fácil ver que ele não estavaentusiasmado com a idéia. Ele prosseguiu fazendo um trabalho desegunda qualidade e usando materiais inadequados. Foi uma maneiranegativa dele terminar sua carreira.Quando o carpinteiro acabou, o chefe veio fazer a inspeção da casa. Edepois ele deu a chave da casa para o carpinteiro e disse:- "Essa é sua casa. Ela é o meu presente para você".O carpinteiro ficou muito surpreso. Que pena! Se ele soubesse que eleestava construindo sua própria casa, ele teria feito tudo diferente.O mesmo acontece conosco. Nós construímos nossa vida, um dia de cadavez e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na construção.Depois com surpresa nós descobrimos que nós precisamos viver na casaque nós construímos.Se nós pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente. Mas nãopodemos voltar atrás.Você é o carpinteiro. Todo dia você martela pregos, ajusta tábuas econstrói paredes. Alguém disse que "A vida é um projeto que você
  43. 43. mesmo constrói". Sua atitudes e escolhas de hoje estão construindo a"casa" que você vai morar amanhã. Construa com sabedoria!E lembre-se: Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro. Amecomo se você nunca tivesse se magoado antes. Dance como se ninguémestivesse olhando.(Autor Desconhecido - Mensagem recebida via Internet)ORAÇÃOMuitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.Perdoe-as assim mesmo.Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.Seja gentil, assim mesmo.Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigosverdadeiros.Vença assim mesmo.Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.Seja honesto assim mesmo.O que levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora paraa outra.Construa assim mesmo.Se você tem Paz, é Feliz, as pessoas podem sentir inveja.Seja Feliz assim mesmo.Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.Dê o melhor assim mesmo.Veja você que no final das contas,É entre você e Deus.Nunca foi entre você e as outras pessoas.(Madre Tereza de Calcutá)Seja feliz mais um dia, Hoje(para ler todos os dias)Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugardeles é lá.Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é
  44. 44. para todos.Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressade chegar sabe-se lá onde.Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não podemolhar só o seu.As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, emtodas as faces.O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca achave!Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio éoutro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega àparte alguma sem ela.Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas nãoenlouqueça por elas.Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.Olhe para o lado, alguém precisa de você.Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lotambém.Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgarnecessário.Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afoguenelas.Se achar que precisa voltar, volte!Se perceber que precisa seguir, siga!Se estiver tudo errado, comece novamente.Se estiver tudo certo, continue.Se sentir saudades, mate-a.Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o!"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".Fernando Pessoa (recebido via e-mail)Sobre a Virtude da TEMPERANÇAPOEMA DE VICTOR HUGO
  45. 45. Desejo primeiro que você ame,E que amando, também seja amado.E que se não for, seja breve em esquecer.E que esquecendo, não guarde mágoa.Desejo, pois, que não seja assim,Mas se for, saiba ser sem se desesperar.Desejo também que tenha amigos,Que mesmo maus e inconseqüentes,sejam corajosos e fiéis,E que pelo menos num deles você possaconfiar sem duvidar.E porque a vida é assim,Desejo ainda que você tenha inimigos;Nem muitos, nem poucos,Mas na medida exata para que, algumas vezes,Você se interpele a respeito de suas próprias certezas.E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo.Desejo depois, que você seja útil, mas não insubstituível,E que nos maus momentos,quando não restar mais nada,Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.Desejo ainda que você seja tolerante,Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,Mas com os que erram muito e irremediavelmente,E que fazendo bom uso dessa tolerância,Você sirva de exemplo aos outros.Desejo que você, sendo jovem,Não amadureça depressa demais,E que sendo maduro, não insista em rejuvenescerE que sendo velho, não se dedique ao desespero,Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dorE é preciso deixar que eles escorram por entre nós.Desejo por sinal que você seja triste,Não o ano todo, mas apenas um dia.Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.Desejo que você descubra, com o máximo de urgência,Acima e a respeito de tudo,Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,E que estão bem à sua volta.Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cucoE ouça o João-de-barro erguer triunfante
  46. 46. o seu canto matinalPorque, assim, você se sentirá bem por nada.Desejo também que você plante uma semente,Por menor que seja, a acompanhe o seu crescimento,Para que você saiba de quantas muitas vidasE feita uma árvore.Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,Porque é preciso ser prático.E que pelo menos uma vez por anoColoque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu",Só para que fique bem claro quem é dono de quem.Desejo também que nenhum de seus afetos morra,Por ele e por você, mas que se morrer,Você possa chorar sem se lamentare sofrer sem se culpar.Desejo por fim que você sendo homem,tenha uma boa mulher,E que sendo mulher, tenha um bom homemE que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,E quando estiverem exaustos e sorridentes,Ainda haja amor para recomeçar.E se tudo isso acontecer,Não tenho mais nada a lhe desejar.RECITANDO SUTRASUm camponês pediu a um sacerdote Tendai que recitassesutras por intenção de sua mulher que morrera. Acabada arecitação o camponês perguntou:-Achas que a minha mulher vai obter alguma indulgência comtudo isso?-Não só a tua mulher, mas todos os seres sensíveis sebeneficiam com a recitação dos sutras, - respondeu osacerdote.-Se dizes que todos os seres sensíveis beneficiam-se, - disse ocamponês, - a minha mulher pode estar muito fraca e outrosse aproveitarem dela, recolhendo os benefícios que deviamcaber-lhe. Por favor, recite sutras só em sua intenção.O sacerdote explicou que um budista pretende sempreoferecer bençãos e desejar indulgências a todos os seres vivos.
  47. 47. -Belo ensinamento esse - concluiu o camponês - mas, porfavor, abra uma exceção. Tenho um vizinho que é rude e maupara mim. Exclua só a ele de todos esses seres sensíveis.101 HISTÓRIAS ZEN - Nyogen Senzaki - Paul Reps - Ed.PresençaSobre a Virtude da DISCIPLINATEMPO PARA TUDO Eclesiastes 3,1-8Tudo neste mundo tem seu tempo;Cada coisa tem sua ocasião.Há um tempo de nascer e tempo de morrer;Tempo de plantar e tempo de arrancar;Tempo de matar e tempo de curar;Tempo de derrubar e tempo de construir.Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;Tempo de chorar e tempo de dançar;Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;Tempo de abraçar e tempo de afastar.Há tempo de procurar e tempo de perder;Tempo de economizar e tempo de desperdiçar;Tempo de rasgar e tempo de remendar;Tempo de ficar calado e tempo de falar.Há tempo de amar e tempo de odiar;Tempo de guerra e tempo de paz.UM EXERCÍCIO DE PACIÊNCIAConta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, eracapaz de derrotar qualquer adversário.Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulosapareceu com a intenção de desafiar o mestre da paciência.O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo.Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção egritou todos os tipos de insultos.Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceuimpassível.
  48. 48. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deupor vencido e retirou-se.Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele puderasuportar tanta indignidade.O mestre perguntou: Se alguém chega até você com um presente, e vocênão o aceita, a quem pertence o presente?A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos.Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregavaconsigo.A sua paz interior depende exclusivamente de você.As pessoas não podem lhe tirar o que você tem de melhor.Só se você permitir...(Autor desconhecido - recebido via e-mail como Antiga Lenda Oriental)A sofreguidão verde da AVAREZA e da COBIÇA"Achei-me tendo em minhas mãos o freio do governo do reino,e garantida nova conquista e tão de amigos cheio."(Dante - O Círculo da Avareza)UMA ESTÓRIA DE CARÍCIASEra uma vez, há muito tempo, um casal feliz, Antônio e Maria, com doisfilhos chamados João e Lúcia. Para entender a felicidade deles, é precisoretroceder aquele tempo.Cada pessoa, quando nascia, ganhava um saquinho de carinhos. Sempreque uma pessoa punha a mão no saquinho podia tirar um CarinhoQuente. Os Carinhos Quentes faziam as pessoas sentirem-se quentes eaconchegantes, cheias de carinho. As pessoas que não recebiam CarinhosQuentes expunham-se ao perigo de pegar uma doença nas costas que asfazia murchar e morrer.Era fácil receber Carinhos Quentes. Sempre que alguém os queria,bastava pedi-los.
  49. 49. Colocando-se a mão na sacolinha surgia um Carinho do tamanho da mãode uma criança. Ao vir à luz o Carinho se expandia e se transformavanum grande Carinho Quente que podia ser colocado no ombro, nacabeça, no colo da pessoa. Então, misturava-se com a pele e a pessoa sesentia toda bem.As pessoas viviam pedindo Carinhos Quentes umas às outras e nuncahavia problemas para consegui-los, pois eram dados de graça. Por issotodos eram felizes e cheios de carinhos, na maior parte do tempo.Um dia uma bruxa má ficou brava porque as pessoas, sendo felizes, nãocompravam as poções e ungüentos que ela vendi. Por ser muito esperta,a bruxa inventou um plano muito malvado. Certa manhã ela chegouperto de Antônio enquanto Maria brincava com a filha e cochichou emseu ouvido: “olha Antônio, veja os carinhos que Maria está dando à Lúcia.Se ela continuar assim vai consumir todos os carinhos e não sobraránenhum para você.Antônio ficou admirado e perguntou: “Quer dizer então que não é sempreque existe um Carinho Quente na sacola?”E a bruxa respondeu: “Eles podem se acabar e você não os ganharámais”. Dizendo isso a bruxa foi embora, montada na vassoura,gargalhando muito.Antônio ficou preocupado e começou a reparar cada vez que Maria davaum Carinho Quente para outra pessoa, pois temia perdê-los. Entãocomeçou a se queixar a Maria, de quem gostava muito, e Antôniotambém parou de dar carinhos aos outros, reservando-os somente paraela.As crianças perceberam e passaram também a economizar carinhos, poisentenderam que era errado dá-los. Todos ficaram cada vez maismesquinhos.As pessoas do lugar começaram a sentir-se menos quentes eacarinhados, e algumas chegaram a morrer por falta de CarinhosQuentes. Cada vez mais gente ia à bruxa para adquirir ungüentos epoções. Mas a bruxa não queria realmente que as pessoas morressem,porque se isso ocorresse, deixariam de comprar poções e ungüentos, einventou um novo plano. Todos ganhavam um saquinho que era parecidocom o saquinho de Carinhos, porém era frio e continha Espinhos Frios.Os Espinhos Frios faziam as pessoas sentirem-se frias e espetadas, masevitava que murchassem.Daí para frente, sempre que alguém dizia “Eu quero um Carinho Quente”,aqueles que tinham medo de perder um suprimento respondiam: “Não
  50. 50. posso lhe dar um Carinho Quente, mas se você quiser, posso dar-lhe umEspinho Frio”.A situação ficou muito complicada porque, desde a vinda da bruxa, haviacada vez menos Carinhos Quentes para se achar e estes se tornaramvaliosíssimos. Isto fez com que as pessoas tentassem de tudo paraconsegui-los.Antes da bruxa chegar as pessoas costumavam se reunir em grupos detrês, quatro, cinco, sem se preocuparem com quem estava dando carinhopara quem. Depois que a bruxa apareceu, as pessoas começaram a sejuntar aos pares e a reservar todos seus Carinhos Quentesexclusivamente para o parceiro. Quando se esqueciam e davam umCarinho Quente para outra pessoa, logo se sentiam culpadas. As pessoasque não conseguiam encontrar parceiros generosos precisavam trabalharmuito para obter dinheiro para comprá-los.Outras pessoas se tornavam simpáticas e recebiam muitos CarinhosQuentes sem ter de retribuí-los. Então, passavam a vendê-los aos queprecisavam deles para sobreviver. Outras pessoas ainda pegavam osEspinhos Frios, que eram ilimitados e de graça, cobriam-nos comcobertura branquinha e estufada, fazendo-o passar por CarinhosQuentes. Eram na verdade carinhos falsos, de plástico, que causavamnovas dificuldades. Por exemplo, duas pessoas se juntavam e trocavamentre si, livremente, os seus Carinhos Plásticos. Sentiam-se bem emalguns momentos, mas logo depois sentiam-se mal. Como pensavam queestavam trocando Carinhos Quentes, ficavam confusas. A situação,portanto, ficou muito grave.Não faz muito tempo uma mulher especial chegou ao lugar. Ela nuncatinha ouvido falar na bruxa e não se preocupava que os CarinhosQuentes acabassem. Ela os dava de graça, mesmo quando não erampedidos. As pessoas do lugar desaprovavam sua atitude porque essamulher dava às crianças a idéia de que não deviam se preocupar comque os Carinhos Quentes terminassem, e a chamavam de PessoaEspecial.As crianças gostavam muito da Pessoa Especial porque se sentiam bemem sua presença e passaram a dar Carinhos Quentes, sempre quetinham vontade.Os adultos ficavam muito preocupados e decidiram impor uma lei paraproteger as crianças do desperdício de seus Carinhos Quentes. A lei diziaque era crime distribuir Carinhos Quentes sem licença. Muitas crianças,porém, apesar da lei, continuavam a trocar Carinhos Quentes sempre quetinham vontade ou que alguém os pedia. Como existiam muitas crianças,parecia que elas prosseguiriam seu caminho.
  51. 51. Ainda não sabemos dizer o que acontecerá. As forças da lei e da ordemdos adultos forçaram as crianças a parar com sua imprudência? Osadultos se juntarão à Pessoa Especial e às crianças e entenderão quesempre haverá Carinhos Quentes, tantos quantos forem necessários?Lembrar-se-ão dos dias em que os Carinhos Quentes, tantos quantosforem necessários? Lembrar-se-ão dos dias em que os Carinhos Quenteseram inesgotáveis porque eram distribuídos livremente?Em qual dos lados você está?O que você pensa disto?(SHINYASLOIKI, Roberto. A Carícia Essencial.São Paulo. Editora Gente, 1985)Dicas para MeditarDicas importantes:1. Qualquer pessoa pode praticar meditação. O melhor horário é no inicio da manhã eum relaxamento à noite. Mas meditação é uma ferramenta para Atenção Plena, que éestar presente a qualquer momento. À medida que se avança na pratica se consegueestar presente a cada momento.2. Para sua pratica escolha um lugar tranqüilo. Tenha um santuário na sua casa, no seuespaço de trabalho para recolhimento, mesmo que seja uma cadeira, mas é claro. AAtenção Plena pode ser feita sob quaisquer condições, mas a pratica formal épreferível uma iluminação a meia-luz ou com velas. Isto favorece o descanso do 3ºckacra que é o centro energético ligado aos olhos, ao controle etc.3. Incensos: são bem vindos, mas não são essenciais. Eles são uma das formas deoferecer e encaminhar sua pratica. E de despertar o seu Ser para está atividade eintenção.4. Algumas escolas sugerem a fixação em um mantra, som ou em um símbolo. Outrascomo Zen Budismo sugere apenas o silencio e a concentração na respiração. Tambémexiste a possibilidade de alguém conduzir ou ouvir uma gravação desta condução.feitapor Mestre. Para o iniciante ou quando a mente está muita agitada está condução podeser é de grande auxilio.Duração: Comece sempre devagar, é melhor iniciar com poucos minutos e iraumentando gradualmente. Na pratica formal a duração da meditação é de 20 a 40minutos. Um Zazen, por exemplo tem duração de 40 minutos. Mas como falamos,Atenção Plena deve vivenciada a toda hora, qualquer conquista de manter a AtençãoPlena é importante. Períodos curtos, muitas vezes parece ser o segredo do progressogradual.

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