HISTÓRIA E GEOGRAFIA: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO                                                                               ...
Os Annales tiveram como principais características a busca de uma história total, asubstituição da tradicional narrativa d...
incapacidade dessa disciplina em delimitar o seu objeto.4 Febvre responde a Simianddemonstrando a distância que separa os ...
um produto da ação humana ao longo da história.8 Embora seu compromisso com ageografia fosse menor do que o de Febvre, Mar...
determinando séculos inteiros. As mentalidades e a geografia seriam exemplares desteterceiro nível, marcado pelas permanên...
preocuparem mais com o espaço e com o que ele sustenta, gera, facilita e contraria, ou seja,atentar para as permanências.1...
como por exemplo, tendência de preços e taxas de mortalidade. A maior parte dessaspesquisas foram orientadas por Braudel e...
integrados em busca da valorização do periférico e em detrimento do que é central. Paraele, a realidade social e as condiç...
proposição de uma história estática, que imobiliza as flutuações das temporalidades. AFrança rural de Ladurie, de 1300 a 1...
4. DETERMINISMO GEOGRÁFICO OU POSSIBILISMO?        Nos anos 50 e 60, muitos historiadores foram atraídos por modelos gerai...
Para Ratzel, o tema mais fundamental da geografia seria o da questão da influênciaque as condições naturais impõem à histó...
puramente mecânica e marcada pela fatalidade, mas, pelo contrário, ser ela desde o iníciohumanizada e profundamente modifi...
essa questão tendo como base teórica o conceito de experiência, formulado por E. P.Thompson, por exemplo, pode levar à pro...
conseqüências. Contudo, esses novos estudos devem procurar a interação com as novasabordagens, procurando “humanizar” as r...
LE GOFF, Jacques e NORA, Pierre (orgs.). História nova: novos problemas, novasabordagens, novos objetos. 3 vols. Rio de Ja...
HISTÓRIA E GEOGRAFIA: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO Fernando Perlatto*
HISTÓRIA E GEOGRAFIA: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO Fernando Perlatto*
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

HISTÓRIA E GEOGRAFIA: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO Fernando Perlatto*

1.623 visualizações

Publicada em

Resumo: O artigo procura evidenciar a relação existente entre História e Geografia no interior do
movimento dos Annales e como que a Geografia vem ocupando um papel secundário nos estudos
contemporâneos. Discute também a questão do determinismo (Ratzel) e possibilismo (Vidal de la Blache) e
suas influências nas análises históricas. Por fim, evidencia-se a importância dos historiadores repensarem a
Geografia, procurando articulá-la com as novas abordagens historiográficas.
Palavras-chave: História; Geografia; Interdisciplinaridade.

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.623
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
332
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
29
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

HISTÓRIA E GEOGRAFIA: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO Fernando Perlatto*

  1. 1. HISTÓRIA E GEOGRAFIA: UM DIÁLOGO NECESSÁRIO Fernando Perlatto*Resumo: O artigo procura evidenciar a relação existente entre História e Geografia no interior domovimento dos Annales e como que a Geografia vem ocupando um papel secundário nos estudoscontemporâneos. Discute também a questão do determinismo (Ratzel) e possibilismo (Vidal de la Blache) esuas influências nas análises históricas. Por fim, evidencia-se a importância dos historiadores repensarem aGeografia, procurando articulá-la com as novas abordagens historiográficas.Palavras-chave: História; Geografia; Interdisciplinaridade.Abstract: This article endeavors to describe the relation between History and Geography in the Annales`smovement and as Geography has been occupying less space in the contemporany studies. It also discusses thequestion of the environmental determinism (Ratzel) and possibilism (Vidal de la Blache) and their influencein the historical analyses. Finally, this text intends to point the importance out of historians rethinking theGeography, connecting it with the new historical aproach.Keywords: History; Geography; Interdisciplinarty.INTRODUÇÃO Em artigo famoso escrito em 1958, o grande historiador Fernand Braudel jáanunciava uma crise geral das ciências humanas. Para ele, os principais problemas adviriamdo fato de todas elas encontrarem-se esmagadas por seu próprio progresso, estandoperdidas a respeito do lugar que deveriam ocupar. Além disso, Braudel destacava que asolução para esta crise estaria sobretudo na aproximação entre elas e, portanto, em umamaior interdisciplinaridade.1 O movimento dos Annales, surgido em 1929 a partir dapublicação da revista Annales d´histoire économique et sociale e que teve Braudel comoum dos seus principais representantes foi exemplar no sentido de buscar a ampliação dodiálogo entre a história e as outras ciências humanas.* Aluno do sexto período do curso de História da Universidade Federal de Juiz de Fora e bolsista PROBIC-FAPEMIG.1 BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. 2ª edição. Lisboa: Presença, 1976.
  2. 2. Os Annales tiveram como principais características a busca de uma história total, asubstituição da tradicional narrativa dos acontecimentos políticos por uma história-problema preocupada em interrogar o passado a partir do presente, a ampliação das fontes,a percepção da pluralidade dos níveis de temporalidade e a interdisciplinaridade. Essemovimento pode ser divido em três fases. A primeira delas (1920-45), liderada por MarcBloch e Lucien Febvre caracterizou-se pela maior preocupação com a história econômica esocial, procurando se distanciar ao máximo da história política. A segunda fase (1946-68),marcada pela figura de Braudel distinguiu-se pela ampliação de conceitos (estrutura econjuntura) e novos métodos, como a história serial. Já a terceira, liderada por historiadorescomo Jacques Le Goff e Peter Burke, é marcada pela fragmentação e uma maioraproximação com a história cultural.2 Não pretendo neste artigo fazer uma análise do movimento dos Annales, masprocurarei observar como ele influiu de maneira determinante para que a históriaprocurasse a ampliação do diálogo com outras ciências humanas, sobretudo com ageografia. Espero demonstrar como que esta ciência – de grande importância para aprimeira e a segunda geração dos Annales – perde espaço no decorrer dos anos, ocupandoum lugar discreto na terceira geração. Além disso, pretendo evidenciar a discussão entre o“determinismo” de Ratzel e o possibilismo de Vidal de La Blache, bem como a visão deLucien Febvre e Fernand Braudel frente a essas questões. Por fim, analisarei a pertinênciada retomada do diálogo com a geografia, procurando articulá-lo com as novas abordagenshistoriográficas.1. A PRIMEIRA GERAÇÃO: SIMBIOSE ENTRE HISTÓRIA E GEOGRAFIA Procurando responder às críticas que o sociólogo François Simiand realizou àgeografia, Lucien Febvre, em sua magistral obra A Terra e a Evolução Humana, estabeleceas bases de uma colaboração orgânica entre geógrafos e historiadores.3 Ironizando osgeógrafos, Simiand ataca as grandes monografias regionais da escola vidaliana e denuncia a2 BURKE, Peter. A Escola dos Annales (1929-1989). São Paulo: UNESP, 1990 e CARDOSO, CiroFlamarion. “Uma nova história?”. Em: Ensaios racionalistas. Rio de Janeiro: Campus, 1988, pp. 93-117.3 FEBVRE, Lucien. A terra e a evolução humana: introdução geográfica à história. Lisboa: Cosmos, 1991.
  3. 3. incapacidade dessa disciplina em delimitar o seu objeto.4 Febvre responde a Simianddemonstrando a distância que separa os objetos e os métodos da sociologia e da geografia eaponta a pertinência de se realizar o recorte regional dos objetos de estudo, valorizando aherança da geografia de Vidal de la Blache, tão criticada pelo sociólogo.5 Lucien Febvre chega a proclamar que foi a geografia vidaliana que gerou a históriados Annales. Embora possamos perceber o tom exagerado de tal afirmativa é válidoobservar que três preocupações centrais dos Annales serão, de certa forma, retiradas dageografia. Em primeiro lugar, a busca de uma história-problema, preocupada com asquestões do presente, vão de encontro às inquietações de geógrafos – como Vidal de laBlache – interessados em esclarecer problemas da contemporaneidade.6 Em segundo lugar,podemos perceber o sucesso das pesquisas monográficas regionais, na medida em que oestudo demográfico, econômico e das relações – eixos básicos dos estudos dos membrosdos Annales – ajustarem-se melhor a um espaço restrito. Por fim, um elemento que estarámais claro na segunda geração dos Annales, mas que aproximará a geografia da históriaserá a preocupação de ambas ciências com as permanências e com a longa duração. Além das influências intelectuais – como a exercida, sobretudo por Vidal de laBlache e Ratzel, embora este em menor peso –, alguns geógrafos terão atuação decisivapara a construção e consolidação do projeto dos Annales. Albert Damangeon, por exemplo,atuará junto à editora Armand Colin para que esta acolha a idéia da revista Annales,dirigindo, paralelamente a Revista Annales de Géographie. Ele, que escreverá em 1931 umtrabalho sobre o Reno com Lucien Febvre, entrará para o comitê de direção da revista dosAnnales. Jules Sion, André Allix e Henri Bauling, geógrafos de grande importância,também terão participação importante na revista, colaborando com artigos e aguçando apreocupação cartográfica dos historiadores.7 Além da obra A Terra e a Evolução Humana, Lucien Febvre escreveu um beloestudo relacionando história e geografia chamado O Reno: História, mitos e realidades.Nesta obra, o autor procura demonstrar que o Reno não era apenas um dado natural, mas4 SIMIAND, François. Géographie humanine et sociologie. “L’Année Sociologique”, t. XI, p. 729, 1906-1909. Citado em: DOSSE, François. História e Ciências Sociais. Bauru, SP: EDUSC, 2004, pp. 116-119.5 FEBVRE, Lucien. Op. cit, pp. 284-393.6 Vidal de la Blache inicia sua carreira como historiador, porém decide pela mudança para a geografia, poisacreditava que esta ciência seria mais competente em responder às inquietações e problemas contemporâneos.7 DOSSE, François. Op. Cit., pp. 125-126.
  4. 4. um produto da ação humana ao longo da história.8 Embora seu compromisso com ageografia fosse menor do que o de Febvre, Marc Bloch, outro grande representante daprimeira geração dos Annales, em sua obra Caractères originaux de l’histoire ruralefrançaise de 1931, procura integrar a história da paisagem rural francesa, valendo-se dosmapas cartográficos das propriedades. Para François Dosse, “a simbiose entre história egeografia encontra aí sua realização magistral”.92. A SEGUNDA GERAÇÃO: A GEOGRAFIA DESACELERANDO A HISTÓRIA Representante maior da segunda geração dos Annales, o historiador FernandBraudel escolhe a Geografia como parceira primordial para seus estudos, sobretudo na suamonumental obra Mediterrâneo. Segundo ele, a obra mais fecunda de todas para a históriafoi a do geógrafo Vidal de la Blache, por este despertar a atenção dos historiadores parauma série de assuntos até então negligenciados.10 O espaço, para Braudel, explica diversosaspectos das civilizações e a geografia torna-se instrumento fundamental para acompreensão de uma sociedade. A geo-história de Braudel – mais espacial do que temporal– diminui a importância do homem, colocando o Mediterrâneo o principal sujeito e ator desua história.11 Em sua obra História e Ciências Sociais, Fernand Braudel estabelece a clássicatripartição dos níveis de temporalidade. O primeiro nível seria o de uma história dosacontecimentos, episódica, marcada pelo tempo breve ou curto. A história política, por suascaracterísticas peculiares, seria exemplar desse tipo de história. O segundo nível seria oconjuntural – exemplificado pela história econômica – estudado nos ciclos e intercicloseconômicos. Por fim, apareceria uma história estrutural, caracterizada pela longa duração,8 FEBVRE, Lucien. O Reno: história, mitos e realidades. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.9 Sobre Caractères originaux de l’histoire rurale française ver: BURKE, Peter. Op. cit, pp. 35-36 e DOSSE,François. Op. Cit., p. 125.10 BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a história. São Paulo: Perspectiva, 1978, p. 31.11 Quando teve a idéia de escrever como tese uma história diplomática, Braudel procurou Lucien Febvre paraorientá-lo, visto que este havia escrito uma tese sobre Felipe II. Febvre sugere, então, para que Braudelsubstitua o tema Felipe II e o Mediterrâneo por o Mediterrâneo e Felipe II, dando maior ênfase ao aspectogeográfico. A partir dessa virada, Braudel escreve sua grande obra Mediterrâneo..
  5. 5. determinando séculos inteiros. As mentalidades e a geografia seriam exemplares desteterceiro nível, marcado pelas permanências.12 Fernand Braudel estabelece semelhante separação na obra Mediterrâneo, divididaem três partes. A geo-história – da relação do homem com seu meio – é o objeto daprimeira parte, que possui cerca de trezentas páginas, nas quais são descritos aspectosgeográficos, tais como montanhas, planícies, clima, rotas terrestres e marítimas. Nasegunda parte do livro – “Destinos coletivos e movimentos de conjunto” – estabelece-se arelação entre conjuntura e estrutura, sendo demonstrada uma história econômica e social. Jáa terceira parte é dedicada à história dos acontecimentos, ou seja, aos aspectos políticos emilitares. Algumas batalhas são descritas por Braudel e os principais personagens doperíodo desfilam nessas páginas do Mediterrâneo, como o Duque de Alba e Felipe II.13 Na obra Mediterrâneo, Fernand Braudel procura demonstrar que as característicasgeográficas são parte da história e que a história não pode ser compreendida sem elas. Aoestabelecer a divisão do tempo histórico em tempo geográfico, tempo social e econômico etempo individual, ele inova ao combinar o estudo da longa duração com uma complexainteração entre o meio, a economia, a sociedade, a cultura, a política e os acontecimentos.Na busca por uma história total, Braudel procurará integrar todos estes elementos,chamando a atenção dos historiadores para a possibilidade de mudança de todas asestruturas, mesmo que elas ocorram de maneira lenta e gradual.14 A geografia permite a Braudel valorizar a longa duração, desacelerando a história epermitindo o estudo sistemático dos fenômenos longos e das repetições. O autor apontapara o fato de que climas, vegetações, populações animais, culturas, constituem umequilíbrio quase permanente e lentamente construído, do qual o homem é praticamenteprisioneiro durante séculos. Para Braudel, a função do meio geográfico “é manter unidos,reagrupar, os elementos esparsos do organismo geral segundo uma perspectiva vitalistaanimada por múltiplas metáforas organicistas”. Em sua obra, ele faz questão de ressaltarque os geógrafos deveriam prestar mais atenção no tempo e os historiadores se12 BRAUDEL, Fernand. “A longa duração”. Em: História e Ciências Sociais. 2ª edição. Lisboa: Presença,1976, pp. 7-70.13 BRAUDEL, Fernand. Mediterrâneo e o mundo mediterrânico na época de Felipe II. Lisboa: MartinsFontes, 1983.14 BURKE, Peter. Op. Cit, pp. 49-55.
  6. 6. preocuparem mais com o espaço e com o que ele sustenta, gera, facilita e contraria, ou seja,atentar para as permanências.15 A abordagem de Fernand Braudel alterou a forma pela qual as regiões eramdefinidas, ao introduzir o conceito de história integrada pelo mar. Sua obra influencioumuitos acadêmicos, sobretudo franceses, que aplicaram seus métodos e abordagens,transformando os mares e oceanos em objetos relevantes de estudo. Pierre e HugetteChaunu realizaram um amplo estudo sobre o Atlântico – tendo por base os arquivos deSevilha – publicado em 1955-60.16 Outros trabalhos de grande importância, que tiveram oAtlântico português como objeto, foram o de Frédéric Mauro, publicado em 196017 e o deVitorino Magalhães Godinho, publicado entre 1962 e 1968.18 “Embora nenhum dessestrabalhos tivesse a profundidade ou a ambição do Mediterrâneo de Braudel, eles devem aele, (...), os métodos e o enfoque”.19 A segunda geração dos Annales será marcada pela ampla expansão da produção demonografias regionais. As teses de Geografia sobre as grandes regiões – com as de R.Blanchard e A. Damangeon – serviram como modelos de uma história regional, analisadaem todos os seus aspectos. A “questão regional” já aparecia em estudos geográficosclássicos, como os de Humboldt e Ritter, porém este tema só ganhará maior projeção com a“escola francesa” liderada por Vidal de La Blache, que será considerado o grande teóricoda geografia regional.20 Antes, a história regional era uma divisão da história nacionalpolítica, mas a partir de então ela ganha novos enfoques e abordagens, aumentandoquantitativamente e qualitativamente essa produção.21 Os estudos regionais, até as décadas de 60 e 70, procuravam combinar as análisesgeográficas, baseadas nas estruturas braudelianas, a abordagem quantitativa de ErnestLabrousse e a demografia histórica. Esses estudos são muito semelhantes entre si, quasesempre divididos em duas partes – estrutura e conjuntura – baseando-se em fontes quepermitem dados bem homogêneos, que possam ser colocados em séries de longa duração,15 DOSSE, François. Op. cit, pp. 130-131.16 CHAUNU, Pierre e CHAUNU, Hugette. Séville et l’Atlantique, 1504-1650. Paris, 1955-60, 9 vols.17 MAURO, Frédéric. Portugal, Brasil e o Atlântico, 1570-1670. Lisboa: Estampa, 1989 e 1997, 2 vols.18 GODINHO, Vitorino Magalhães. Os descobrimentos e a economia mundial. Lisboa, 1963 e 1965, 2 vols.19 THORTON, John. A África e os africanos na formação do mundo atlântico, 1400-1800. Rio de Janeiro:Elsevier, 2004, p.42.20 MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. 14ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 64.21 ARIÈS, Phillippe. “A história das mentalidades”. Em: LE GOFF, Jacques. A História Nova. São Paulo:Martins Fontes, 1998.
  7. 7. como por exemplo, tendência de preços e taxas de mortalidade. A maior parte dessaspesquisas foram orientadas por Braudel e Labrousse e tiveram como foco a épocamoderna.22 A década de 60 será, por excelência, aquela que François Dosse chamou de “idadede ouro” dos estudos regionais, na medida em que a estrutura de produção dessasmonografias dava a impressão de um domínio exaustivo das fontes disponíveis. Em 1953,George Duby defende sua tese sobre o Mâconnais durante os séculos XI e XII. Pierre Vilarapresenta seu trabalho sobre a Catalunha na Espanha moderna em 1962. Em 1966 é a vezde Le Roy Ladurie publicar seu estudo sobre os camponeses de Languedoc. Equipes serãoformadas nas universidades do interior na busca da ampliação da capacidade deinterpretação dos dados quantitativos disponíveis.23 A idéia de história síntese e totalobjetivada pelos fundadores dos Annales apresenta-se viável, na possibilidade dacombinação dos elementos demográficos, econômicos e sociais, oferecida pela históriaregional.3. TERCEIRA GERAÇÃO: O AFASTAMENTO DA GEOGRAFIA E AAPROXIMAÇÃO DA ANTROPOLOGIA A terceira geração dos Annales será marcada pela fragmentação e pela ampliação deobjetos e abordagens historiográficas. As análises econômicas e sociais foram perdendoespaço para as mentalidades, através de um diálogo cada vez maior com a antropologia,sobretudo a cultural ou “simbólica”. Essa aproximação ocorreu devido à reação contraaquele tipo de história praticada por Braudel e seus seguidores, bem como pelo afastamentode qualquer tentativa de explicação holística e total da sociedade. A geografia não seráabandonada por completo nos primeiros anos pós-Braudel, atuando como suporte paradiversos estudos das mentalidades. Porém, com o passar dos anos, essa disciplina vaiperdendo cada vez mais espaço, praticamente desaparecendo de estudos mais recentes. Ciro Cardoso chama a atenção para o fato de que a terceira geração dos Annalestenha abandonado as totalidades sociais significativas e a análise dos processos sociais22 BURKE, Peter. Op. Cit., pp. 71-74.23 DOSSE, François. Op. Cit., pp. 136 e 137.
  8. 8. integrados em busca da valorização do periférico e em detrimento do que é central. Paraele, a realidade social e as condições reais de existência foram deixadas de lado,valorizando-se o discurso verbal e não verbal e divorciando a evolução ideológica emrelação à econômica e social.24 O descaso pela história síntese e total, tão desejada pelosfundadores dos Annales, levou ao relativo abandono da geografia que, até então, era umaaliada de peso na busca por uma explicação holística da sociedade. Embora a história das mentalidades já estivesse presente na primeira geração dosAnnales, 25 será a partir dos anos 70 que ela procurará afirmar-se como campo ou disciplinaespecífica do conhecimento histórico.26 O texto mais famoso dos primeiros tempos dasmentalidades na era pós-braudeliana foi o artigo de Le Goff, chamado “As mentalidades –uma história ambígua”, publicada na famosa trilogia Faire de l’histoire, em 1974, noapogeu da nova história, através do qual o autor aponta os campos privilegiados de análiseda história das mentalidades e seus objetos de estudo.27 É interessante observar que nessa coleção, a geografia praticamente desaparece,estando presente somente no texto sobre o clima de Le Roy Ladurie no terceiro volume,que trata sobre novos objetos.28 Este historiador, sucessor de Fernand Braudel no Collègede France em 1973, é um dos principais representantes da terceira geração dos Annales. Emsua tese de doutoramento sobre os camponeses de Languedoc, Ladurie retomará o uso dageografia como operadora da longa duração, colocando o ciclo agrário multissecular comopersonagem central de sua obra.29 Em seu estudo sobre o clima desde o ano 1000, Ladurieabre a possibilidade de escrever uma história sem homens, ou seja, uma história geográficadedicada às condições naturais.30 Em suas obras de caráter mais geográfico e em sua aula inaugural no Collège deFrance, intitulada Histoire imobile (História Imóvel), Ladurie vale-se da geo-história para a24 CARDOSO, Ciro. Op. Cit., pp. 95-102.25 A obra de Marc Bloch Os Reis Taumaturgos é exemplar nesse sentido. BLOCH, Marc. Os reistaumaturgos. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.26 VAINFAS, Ronaldo. “História das mentalidades e história cultural”. In: CARDOSO, Ciro e VAINFAS,Ronaldo (orgs.). Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997, p.127.27 LE GOFF, Jacques e NORA, Pierre (orgs.). História nova: novos problemas, novas abordagens, novosobjetos. 3 vols. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.28 LADURIE, Emmanuel Le Roy. “O clima: a história da chuva e do bom tempo”. In: LE GOFF, Jacques eNORA, Pierre. Op. Cit.29 LADURIE, Emmanuel Le Roy. Camponeses de Languedoc. Lisboa: Estampa, 1997.30 LADURIE, Emmanuel Le Roy. Histoire du climat depuis l’an 1000. Paris: Flammarion, 1967.
  9. 9. proposição de uma história estática, que imobiliza as flutuações das temporalidades. AFrança rural de Ladurie, de 1300 a 1720, evidencia a busca do autor por uma históriaimóvel, que se apresenta em ciclos de longuíssima duração. Porém, a ênfase naspermanências geográficas acaba por levar o autor a desconsiderar as descontinuidadessociais reais, construindo uma história, na qual a mudança está ausente ou a evoluçãoocorre de maneira tão lenta, sem a especificação de cortes qualificativos precisos. Na ânsiade se buscar uma aproximação entre história e geografia, Ladurie acaba por confundi-las. Com exceção de alguns trabalhos, a geografia vai perdendo espaço nas produçõesdos acadêmicos franceses com o passar dos anos. Como a França – ao lado da Inglaterra –atua como uma espécie de espelho para as produções historiográficas de todo o mundo, portodas as partes a reflexão sobre elementos tais como o espaço e o clima vão gradativamentecedendo lugar para a análise de temas relacionados à história das mentalidades. A chamada“nova história cultural” – que surge no final dos anos 70 em decorrência das críticas sobreas mentalidades – aumenta a marginalização da geografia, com sua aproximação cada vezmaior de outras ciências, com destaque para a antropologia. A obra de Bernard Lepetit, um dos expoentes da micro-história, será uma das rarasexceções nesse sentido, na medida em que retoma a reflexão do espaço, sobretudo ourbano, como horizonte do historiador em meio ao abandono da geografia. Ele traça oscontornos de uma abordagem conjunta de historiadores e geógrafos em torno da questãodas escalas de observação e análise.31 Lepetit aponta para a necessidade de se pensar narelação intrínseca e na articulação obrigatória entre espaço e tempo, ao invés de justaporum ao outro. As modificações de estruturas espaciais, para o autor, implicam,necessariamente um cruzamento espaço-tempo.32 Para François Dosse, a escrita histórica,tal qual formulada por Lepetit, torna-se “um meio essencial para fazer surgir um novoregime de historicidade voltado decididamente para modelos pragmáticos ehermenêuticos”.3331 LEPETIT, Bernard. “Sobre a escala na história”. In: REVEL, Jacques. Jogos de escala: a experiência damicro-análise. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1998, pp. 77-102.32 BOURDELAIS, P. e LEPETIT, B. “Histoire et temps”. Em: Espaces, Jeux e Enjeux. Paris. Fayard-Foundation Diderot, 1986. Extraído de: SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A. de e SILVEIRA, MariaLaura (orgs.). Território: Globalização e Fragmentação. São Paulo: Editora Huctec, 1994, pp. 21-22.33 DOSSE, François. Op. Cit., p.148.
  10. 10. 4. DETERMINISMO GEOGRÁFICO OU POSSIBILISMO? Nos anos 50 e 60, muitos historiadores foram atraídos por modelos gerais edeterministas de explicação histórica, como o marxismo, o estruturalismo, omalthusianismo e outras análises que apontavam elementos, tais como o meio e a raça,como determinantes no processo de formação histórica de uma sociedade. Nos anos 70esses modelos passaram a ser criticados e em reação surgiram várias outras vertentesexplicativas da história. O determinismo – seja ele de que tipo for – deixou de ser centralpara a explicação histórica e passou a se observar qual o grau de liberdade do homem frenteàs imposições do meio, aos sistemas normativos e opressivos. Giovani Levi aponta para o fato de que toda a ação social deva ser vista comoresultado de “uma constante negociação, manipulação, escolhas e decisões dos indivíduos”.Para o autor, o grande problema é a definição das margens de liberdade de uma pessoafrente às diversas instâncias que o cercam.34 Embora a questão do determinismo tenha sidorelegada a segundo plano pelos estudiosos, ela pautou durante anos as discussõeshistoriográficas e, até hoje, paira como uma sombra sobre as análises. As barreiras ouvantagens que o meio pode oferecer ao desenvolvimento ou ao atraso de uma sociedadeforam objetos de debate e, embora tenham saído de foco, ainda são pertinentes para oestudo historiográfico. As abordagens geográficas de Ratzel e Vidal de La Blache influíram de maneiradeterminante para os historiadores refletirem sobre a influência do meio na formação dassociedades, embora muitas vezes eles tenham sido interpretados de maneira simplista eequivocada. Friedrich Ratzel – que publicou suas obras no final do século XIX – foi um dosprimeiros formuladores de um estudo geográfico dedicado às discussões de problemashumanos, sendo fundamental no processo de sistematização da Geografia moderna. Oprincipal livro de Ratzel, Antropogeografia – fundamentos da aplicação da Geografia àHistória funda a Geografia Humana e tem como base um projeto teórico interdisciplinar,preocupado em entender a difusão dos povos na superfície terrestre e a influência que ascondições naturais exercem sobre a humanidade.34 LEVI, Giovani. “Sobre a micro-história”. In: BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas. SãoPaulo: Unesp, 1992, p. 135.
  11. 11. Para Ratzel, o tema mais fundamental da geografia seria o da questão da influênciaque as condições naturais impõem à história. Embora tenha sido identificado com odeterminismo geográfico, expressão cunhada por Lucien Febvre, Ratzel foi um crítico dodeterminismo simplista e sua visão acerca do condicionamento dos elementos naturaissobre o homem e a sociedade é bem mais rica e mediatizada.35 Os discípulos de Ratzel,como Ellem Sample e Elsworth Huntignton, radicalizaram suas colocações, constituindo oque se denomina “escola determinista de Geografia” ou doutrina do “determinismogeográfico”. Na obra de Ratzel, contudo, não existe um determinismo estreito, masinfluências do meio que se colocam de forma mediatizada. Embora a obra de Ratzel tenha chamado a atenção para muitos aspectos, será aescola de geografia francesa, sob a liderança de Paul Vidal de La Blache, que exercerámaior influência sobre os historiadores. Ele formou uma plêiade de discípulos diretos,articulando, em redor de si e da revista por ele criada, os Annales de Géographie, quasetodas as cátedras e institutos de geografia da França, catalisando uma vasta rede depesquisas, orientadas por suas formulações. Em sua obra, La Blache dialoga diretamentecom Ratzel, criticando suas formulações de caráter naturalista, que acabava por minimizaro elemento humano.36 Buscou valorizar, portanto, o componente criativo (a liberdade)contido na ação humana, que não seria apenas uma resposta passiva às imposições do meio.O homem seria um ser ativo, que sofre influência do meio, mas que atua sobre ele.37 Em sua obra A Terra e a Evolução Humana, Lucien Febvre apresenta as idéias deVidal de La Blache, confrontando-as com as de Ratzel. Além disso, desenvolve e defendeas noções lablachianas contra as críticas levantadas por E. Durkheim contra a geografiahumana. Nessa obra Febvre cunhará os termos determinismo – identificando-o com Ratzel– e possibilismo, relacionando-o com La Blache. Febvre opta pela noção vidaliana depossibilismo, apontando para o fato da natureza não exercer sobre os homens uma ação35 MORAES, Antônio Carlos Robert. Ratzel. São Paulo: Ática, 1990. Em: FERNANDES, Florestan. ColeçãoGrandes Cientistas Sociais, pp. 9-10.36 BLACHE, Vidal de la. Príncipes de géographie humaine. A. Colin, 1922, entre outros, além de sua obraGeografia Universal.37 MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 18ª ed. São Paulo: Hucitec, 2002,pp.61-83.
  12. 12. puramente mecânica e marcada pela fatalidade, mas, pelo contrário, ser ela desde o iníciohumanizada e profundamente modificada pelo homem.38 Ao falar sobre os modelos deterministas de explicação histórica, Peter Burke acabapor associar Fernand Braudel ao determinismo geográfico.39 Porém, assim como Ratzel, ogrande historiador francês foi muito mal interpretado nesse sentido. Embora apontasse parao fato dos homens tornarem-se prisioneiros – durante uma longuíssima duração – de climas,vegetações, populações animais, culturas, das quais não podem se afastar sem arriscarquestionar tudo, Braudel vale-se do possibilismo vidaliano para reintroduzir a mudança noaparentemente imutável.40 Atribuindo um status privilegiado à geografia, Braudel destacaque as restrições naturais condicionam inicialmente diversas civilizações, embora valharessaltar que sob o efeito da necessidade os homens consigam superar barreiras até entãoimutáveis.41CONCLUSÃO A geografia não deve ser ignorada nos estudo das relações sociais dos homens. Ascondições climáticas, a vegetação, as montanhas, entre outros elementos naturais, devemser levados em conta na análise historiográfica. Embora eles não atuem de forma adeterminar a história de uma sociedade, eles estão presentes no cotidiano das pessoas,fazendo-as refletirem e tomar decisões baseadas em experiências prévias. O meiogeográfico pode atuar ora como uma barreira, ora como uma referência para a vida daspessoas, permitindo-lhes a formulação de soluções no nível micro que têm profundasalterações do ponto de vista macro-social. Analisar as margens de liberdade dos indivíduos frente ao meio, à luz das novasabordagens torna-se, portanto, um exercício fundamental para o historiador. Pensar sobre38 FEBVRE, Lucien. Op. Cit.39 BURKE, Peter. “Abertura: a nova história, seu passado e seu futuro”. In; BURKE, Peter. Op. Cit., p. 31.40 Na obra citada História e Ciências Sociais, Braudel escreve: “Existe também (...) mais lenta ainda que ahistória das civilizações, quase imóvel, uma história dos homens nas suas relações íntimas com a terra que ossuporta e alimenta; é um diálogo que não deixa de se repetir, que se repete para durar, susceptível de mudarcomo de fato muda – na superfície, mas que se mantém tenaz, como se se encontrasse fora do alcance dasmazelas do tempo”.41 DOSSE, François. Op. Cit. pp. 130-133.
  13. 13. essa questão tendo como base teórica o conceito de experiência, formulado por E. P.Thompson, por exemplo, pode levar à produção de interessantes trabalhos historiográficos.Para este autor, a experiência é uma categoria que “compreende a resposta mental eemocional, seja de um indivíduo ou de um grupo social, a muitos acontecimentos inter-relacionados ou a muitas repetições do mesmo tipo de acontecimento”.42 A partir daexperiência dos atores sociais frente às imposições do meio geográfico, eles são capazes derefletir e tomar decisões, que serão fundamentais no curso de suas histórias. O diálogo entre História e Geografia é muito profícuo e não pode ser abandonado,com o risco de se perderem possibilidades no âmbito da pesquisa. Embora a geografiatenha tido papel de destaque nas obras dos principais historiadores das duas primeirasgerações dos Annales, suas reflexões eram de outra instância e, portanto, procuravamresponder a outras indagações. Porém, a geografia deve ser retomada à luz das novasabordagens historiográficas. A aproximação com a antropologia não implica em umabandono da reflexão sobre o espaço, mas, pelo contrário, estimula a pensar aspectosculturais relacionando-os com ponderações acerca do meio. As pessoas vivem em umespaço, interagindo constantemente entre elas e entre o meio e essas relações devem serobjetos de estudo dos historiadores. A aproximação entre história e geografia deve ser feita com muito cuidado, assimcomo com outras disciplinas. Não deve, de forma alguma, tratar-se de uma união ou dajustaposição de uma sobre a outra. É condição sine qua non que ocorra um diálogo, queserá de grande importância para os cientistas sociais das duas áreas. Porém, deve-seressaltar que cada ciência possui sua individualidade e seus campos privilegiados deobservação, que devem ser preservados. Além disso, nesse diálogo os historiadores devemestar atentos, visto que a geografia, preocupada na relação dos homens com o espaço, acabapor privilegiar a longa duração e a permanência, enquanto que os historiadores devem estaratentos principalmente para as mudanças e transformações sociais. Novas pesquisas, buscando a interdisciplinaridade, devem procurar refletir sobre arelação homem-meio-cultura, a formação dos territórios, a difusão dos homens na Terra(migrações, colonizações, etc.), a distribuição dos povos, o isolamento e suas42 THOMPSON, Edward Palmer. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio de Janeiro: ZaharEditores, 1981, p. 15.
  14. 14. conseqüências. Contudo, esses novos estudos devem procurar a interação com as novasabordagens, procurando “humanizar” as relações entre meio e sociedade. Através deestudos regionais monográficos e da utilização da redução da escala de observação, tornar-se-á profícua a análise do grau de liberdade dos sujeitos históricos frente aoscondicionamentos que o meio impõe. Relacionar a macro e a micro-história, tendo comocampos de observação privilegiados o espaço e a cultura, eis o desafio imposto àqueles quedecidirem se aventurar nesses estudos.BIBLIOGRAFIABRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais. 2ª edição. Lisboa: Presença, 1976.BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a história. São Paulo: Perspectiva, 1978.BRAUDEL, Fernand. Mediterrâneo e o mundo mediterrânico na época de Felipe II.Lisboa: Martins Fontes, 1983.BURKE, Peter. A Escola dos Annales (1929-1989). São Paulo: UNESP, 1990.BURKE, Peter. A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Unesp, 1992.CARDOSO, Ciro Flamarion. Ensaios racionalistas. Rio de Janeiro: Campus, 1988.CARDOSO, Ciro e VAINFAS, Ronaldo (orgs.). Domínios da História: ensaios de teoria emetodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.CHAUNU, Pierre e CHAUNU, Hugette. Séville et l’Atlantique, 1504-1650. Paris, 1955-60,9 vols.FEBVRE, Lucien. A terra e a evolução humana: introdução geográfica à história. Lisboa:Cosmos, 1991.DOSSE, François. História e Ciências Sociais. Bauru, SP: EDUSC, 2004.FEBVRE, Lucien. O Reno: história, mitos e realidades. Rio de Janeiro: CivilizaçãoBrasileira, 2000.GODINHO, Vitorino Magalhães. Os descobrimentos e a economia mundial. Lisboa, 1963 e1965, 2 vols.LADURIE, Emmanuel Le Roy. Histoire du climat depuis l’an 1000. Paris: Flammarion,1967.LADURIE, Emmanuel Le Roy. Camponeses de Languedoc. Lisboa: Estampa, 1997.
  15. 15. LE GOFF, Jacques e NORA, Pierre (orgs.). História nova: novos problemas, novasabordagens, novos objetos. 3 vols. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988LE GOFF, Jacques. A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1998.MAURO, Frédéric. Portugal, Brasil e o Atlântico, 1570-1670. Lisboa: Estampa, 1989 e1997, 2 vols.MORAES, Antônio Carlos Robert. Ratzel. São Paulo: Ática, 1990. Em: FERNANDES,Florestan. Coleção Grandes Cientistas Sociais.MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. 18ª ed. São Paulo:Hucitec, 2002.MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. 14ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1994.REVEL, Jacques. Jogos de escala: a experiência da micro-análise. Rio de Janeiro: Editorada Fundação Getúlio Vargas, 1998.SANTOS, Milton; SOUZA, Maria Adélia A. de e SILVEIRA, Maria Laura (orgs.).Território: Globalização e Fragmentação. São Paulo: Editora Huctec, 1994.THOMPSON, Edward Palmer. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio deJaneiro: Zahar Editores, 1981THORTON, John. A África e os africanos na formação do mundo atlântico, 1400-1800.Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

×