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Outro autor que contribuirá de maneira significativa com o nosso trabalho éVitor da Fonseca, quando diz:                  ...
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Análise das relações entre memória e aprendizagem na construção do saber

  1. 1. Análise das relações entre memória e aprendizagem na construção do saber Analysis of Relationship between Memory and Learning Construction of Knowledge 1 Joseneide Bezerra Cerqueira Estrela Josenete dos Santos Falcão Ribeiro 21 Pós-graduação em Educação - UNINTER, cerqueiraestrela@ig.com.br2 Pós-graduação em Educação - UNINTER, falcaoribeiro@hotmail.com ResumoEste artigo propõe compreender a relação existente entre aprendizagem e memória,enfatizando o papel que esta exerce no ato de aprender. Explicita como a memória éformada em todas as suas etapas desde a aquisição, passando pela consolidação e porfim a evocação e o quanto a integridade de funcionamento dessas etapas contribuipoderosamente para todas as demais atividades mentais presentes no processo deaprendizagem. Junto a isso, repassa algumas correntes pedagógicas com a intenção deanalisar alguns conceitos necessários e de verificar qual o papel da memória noprocesso de aquisição da aprendizagem e como os educadores fazem uso dessacapacidade humana. Inclui refletir sobre a aplicação dos conhecimentosneurocientíficos na educação e sobre a necessidade de maiores pesquisas queabranjam tanto a memória quanto a aprendizagem, principalmente a relação entreessas duas áreas no sentido de melhorar a prática pedagógica, bem como uma melhoraprendizagem. Tem como objetivo final, retomar a importância da memória no ato deaprender à luz dos conhecimentos neurocientíficos aplicados à educação. Apesar demuitas descobertas acerca dos mecanismos bioquímicos e físicos presentes namemória, ainda não temos fundamentação suficiente para compreender todos osprocessos que ocorrem na formação das memórias e o quanto esses processos estãodiretamente ligados à aprendizagem.Palavras-chave: Memória. Aprendizagem. Neuropsicologia. Construção doconhecimento. Consolidação da Memória. Evocação.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 140
  2. 2. AbstractThis article proposes to comprehend the relationship that exists between the learningand the memory, emphasizing the role that the first one performs in the act of learning.It makes evident how the memory is made up in all its steps from the acquisition,passing through consolidation, and at last the evocation and how the integrity and thefunctioning of this steps mightily contribute to all other mental activities in the learningprocess. Moreover, review some pedagogical chains with the intention to examinesome necessary concepts and to check what the role of memory in the process ofacquisition of learning and how teachers make use of that human capacity relegated tomerely repetitive tasks. Includes reflect on the application of neuroscientific knowledgein education and the need for further research covering both memory as learning,especially the relationship between these two areas in order to improve teachingpractice and improved learning. Its final objective, retake the importance of memory inlearning in light of neuroscientific knowledge applied to education. Although manydiscoveries about the biochemical mechanisms and physical gifts in memory, we stilllack sufficient reasoning to understand all the processes that occur in the formation ofmemories and how these processes are directly linked to learning.Keywords: Memory. Learning. Neuropsychology. Knowledge building. Memoryconsolidation. Evocation.Introdução Este artigo tem como objetivo analisar qual o papel da memória no processo daaprendizagem e a sua contribuição como grande construtora do ser humano, dacapacidade do homem ter consciência de que sabe que sabe, tornando-se único nomundo e a relação da memória com a aprendizagem. Memória refere-se à capacidade que os animais têm de armazenar informaçõesque são adquiridas a todo instante, provenientes do meio interno e externo e, quepodem ser lembradas e utilizadas posteriormente. De posse desse conhecimentotrataremos nesse artigo sobre os mecanismos de funcionamento da memória, adescrição de alguns modelos teóricos referentes a relação entre memória eaprendizagem como também, a conexão entre os processos mnemônicos e o ato deaprender. Segundo Lent (2005), a memória difere da aprendizagem, já que esta serelaciona apenas ao processo de aquisição das informações e aquela engloba tambémCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 141
  3. 3. a retenção e a recordação. No entanto, as duas estão intimamente ligadas entre si,exercendo a memória um papel determinante na seleção e consolidação dainformação adquirida. Para analisar essa relação selecionamos algumas questões que nortearão apesquisa e que serão respondidas ao longo do trabalho. Essas questões relacionam-seao melhor entendimento a respeito da necessidade de uma boa consolidação damemória para que haja uma aprendizagem significativa, observando quais os fatoresque interferem na recordação de um conteúdo aprendido, buscando saber se oconhecimento existente sobre memória é suficiente para utilizá-la de modo eficientepelos educadores. Utilizaremos como procedimento metodológico a pesquisadescritiva que terá como fonte de dados a pesquisa bibliográfica. Será realizadamediante revisão bibliográfica de diversos autores, pesquisadores e teóricos doscampos da neurociência, psicologia e educação. Partindo dessas pesquisas, observamos que através da memória osconhecimentos são armazenados e posteriormente transmitidos, possibilitando assima perpetuação dos seus valores sociais e culturais, configurando a existência de umamemória coletiva. Esta memória permitiu que o homem se percebesse como ser deprojeto, senhor da sua existência, tendo plenos conhecimentos do que sabe e do quepode fazer com o seu saber, possibilitando com isto a evolução da sua espécie. Não se pode compreender a aquisição do conhecimento sem considerar osmecanismos que os envolve, dentre eles estão as funções psicológicas superiores. Amemória está envolvida em todo ato de aprender e a evocação, o esquecimento ou aextinção são determinados, de certo modo, pela qualidade de aprendizagem. Cury (2005) aborda a memória como sendo suporte para a construção do mundointelectual e a considera como depósito de toda a nossa história intrapsíquica,englobando toda sorte de vivência, e experiência tendo como elemento imprescindívela emoção que acompanha as lembranças. É necessário ressaltar a importância que a retomada dos conteúdos, como suarepetição ou reverberação exercem sobre a consolidação das memórias, garantindoassim uma construção mais sólida do conteúdo, episódio ou procedimento a seremadquiridos.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 142
  4. 4. Ainda dentro deste raciocínio pode-se inferir que os conhecimentos prévios quepossibilitam a evolução do processo de aprendizagem, só são possíveis graças ao ativopapel da memória, que quando bem consolidada, permite as necessárias associações,comparações, classificações, categorizações e generalizações do novo conhecimentorelacionando-o com os anteriores. Izquierdo (2006), fala que, alguns conteúdos são temporariamente extintos,dependendo das circunstâncias, da falta de estimulo e da falta de utilização pelocérebro. No entanto por estar de forma latente retido na memória de longo prazopoderá a qualquer momento estando em condições favoráveis, ser rememorado. Há também falhas temporárias no processo de evocação ou recordação quepodem ser causadas por vários fatores como stress, cansaço, problemas emocionais eque são denominados como o famoso “branco”. Essas falhas ocorrem com relativafreqüência e comprometem o desempenho dos alunos A memória está presente também, quando o individuo se depara com umasituação que traz á tona lembranças dolorosas que ocorreram e que tem algumarelação com o presente momento. Esta relação pode interferir no processo deaprendizagem, podendo até bloqueá-lo. Diante do exposto, sabemos que a continuidade da humanidade depende, emsuma, de capacidade de transmissão e de mediação cultural entre gerações (FONSECA,2007). Nesse aspecto a memória tem papel fundamental processando as informaçõese consolidando a aprendizagem. Todos os saberes adquiridos são continuamente transformados em novossaberes. Nesse processo, os esquemas neuronais se modificam e ampliam acapacidade do homem de aprender novos conhecimentos e de modificar o que já foiconstruído. A aprendizagem tem sido centro de interesse de vários autores ao longo dosúltimos 70 anos, constituindo-se em um campo, muito vasto e rico em informações.Abordamos apenas, nesse trabalho, alguns conceitos mais significativos e adequadosaos fins que desejamos atingir. Segundo Dias (2004), o indivíduo é autor do seu conhecimento e concebe aaprendizagem como:Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 143
  5. 5. A capacidade e à possibilidade que o indivíduo tem de selecionar e perceber informações, conhecer, experiência, compreender, interpretar, associar, armazenar e utilizar essas informações oriundas do meio. Estas capacidades proporcionam a associação e integração dessas informações dos conhecimentos que o indivíduo possui, garantindo relacionamentos afetivos, e melhor qualidade de vida no meio em que vive. (DIAS, 2004, p. 393) Ampliando a nossa compreensão sobre esse tema Fonseca considera aaprendizagem como o comportamento mais importante dos animais superiores,quando diz que: [..] aprendizagem constitui uma mudança de comportamento resultante da experiência. Trata-se de uma mudança de comportamento ou de uma conduta que assume várias características. É uma resposta modificada, estável e durável, interiorizada e consolidada no próprio cérebro do indivíduo. (FONSECA, 1995, p. 127) É através dessas e de outras citações que estão no nosso trabalho, quebuscaremos fundamentar o nosso tema e a partir daí, construirmos a nossaaprendizagem sobre a memória e a consolidação do saber.Memória - Definição e importância A memória é uma das funções psicológicas superiores ou executivas, portanto éuma função “inteligente”. Ela proporciona que os seres humanos e os animaisaproveitem as experiências passadas e as utilizem na aquisição de novas habilidades ena resolução de problemas. É impossível conceber qualquer atividade humana, seja ela mental, motora ouafetiva sem o papel ativo da memória. Sem ela, seria necessário aprender todos osdias a realizar as mesmas tarefas, como por exemplo, andar, falar, ler, reconhecerpessoas e objetos etc. Na verdade é porque temos uma memória motora que não precisamos pensarem todos os passos e movimentos necessários para piscarmos os olhos ou levantarmosas mãos e isto possibilita que tenhamos condições de aprender sempre algo novo,usando inclusive, os conhecimentos já anteriormente adquiridos e que estão nachamada memória de longo prazo.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 144
  6. 6. A sua importância na vida dos seres vivos e, principalmente, na vida humana éinquestionável. Um homem sem memória é um homem sem identidade, pois tudo quesomos nada mais é do que o acúmulo de nossas experiências que são ampliadas eressignificadas ao longo do tempo e nos constituem enquanto sujeito. Izquierdo (2006), fala que somos aquilo que recordarmos, literalmente, etambém somos o que resolvemos esquecer, já que esse esquecimento se constitui emum processo ativo, uma prática da memória, que atende a alguma demanda psico-afetiva. Lúria (1998), fala que a memória comporta a nossa história intrapsíquica que éformada por milhões de experiências de prazer, dor, tristeza, medo, tranqüilidade,inquietação, angústia, raiva, desde a vida intra-uterina, e que vão se acumulando aolongo dos anos. De acordo com a definição apresentada, observamos que a memória estápresente na nossa construção enquanto seres humanos, inserida em todas asatividades, quer sejam mentais, motoras e afetivas, evidenciando assim, a suarelevância na consolidação dos conhecimentos necessários a sobrevivência da nossaespécie.Aspectos evolutivos Quando falamos em memória estamos nos referindo a um mecanismocomplexo baseado em um tripé composto pelos seguintes elementos: aquisição,armazenamento e evocação. Durante muito tempo debateu-se a idéia da memória ser considerada comouma função unitária. Hoje se concebe a idéia de que existem várias formas ou tipos dememória, e cada uma relaciona-se a mecanismos específicos. O estudo científico da memória ganhou impulso no séc. XX. No início a ênfaseera dada aos aspectos observáveis do comportamento (Behaviorismo), onde aaprendizagem era determinada pela associação entre E/R (estímulo-resposta). Com o tempo, percebeu-se que esta memória “automática” não respondia atodas as demandas e novos problemas que surgiam, sendo necessário acrescentar aCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 145
  7. 7. memória “cognitiva” que possibilitava respostas mais adaptadas e inteligentes,compatíveis na solução destes novos problemas. Segundo Luria (2006), os trabalhos mais recentes sobre a memória estãorelacionados aos progressos na área das neurociências e às teorias sobre o cérebro esua estrutura fisiológica e bioquímica, bem como aos avanços dos exames deneuroimagem. Alguns teóricos preferem reservar o termo memória para referirem-se àcapacidade geral do cérebro para adquirir, guardar lembrar fatos e utilizar memóriaspara cada um tipo delas, ou seja, memória para uma função mais global e memóriasque com funções mais delimitadas. A lembrança ou recordação de uma informação ou experiência não é igual àrealidade. Ao converter a realidade em um complexo código de sinais elétricos e bioquímicos, os neurônios traduzem. Na evocação, ao reverter essa informação para o meio que nos rodeia, os neurônios reconvertem sinais bioquímicos ou estruturais em elétricos, de maneira que novamente nossos sentidos e nossa consciência possam interpretá-los como pertencentes a um mundo real. (IZQUIERDO, 2006, p.17)Os tipos e as formas de memória A memória ou memórias podem ser classificadas segundo a sua função, otempo e o seu conteúdo. Quanto à sua função podemos observar dois tipos dememória a de curto prazo e a de longa duração. A memória de curto prazo é breve e funciona como centro gerenciador nosentido de verificar se determinado tipo de informação vale a pena ser armazenado eser retido para possível transformação em memória de longo prazo ou se a mesma jáfaz parte dos arquivos. A memória de trabalho mantém durante alguns segundos e no máximominutos a informação que está sendo processada no momento. Após a utilização dessainformação, acabamos esquecendo-a. Esse tipo de memória é processadofundamentalmente pelo córtex pré-frontal, porém há conexões dessa região, viaCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 146
  8. 8. córtex entorrinol, com o hipocampo e com as demais áreas envolvidas nos processosde memória. O que ocorre é que para cumprir este papel de gerenciador, a memória detrabalho precisa fazer uma “varredura” em outras áreas do cérebro para certificar-sede se a informação é nova ou se merece ser aprendida (formar uma nova memória).Caso seja útil para o individuo esta nova informação, passa-se à etapa dearmazenamento, configurando a formação de um outro tipo de memória – a memóriade longa duração. De acordo com o seu conteúdo classificamos a memória em memóriasdeclarativas e memórias procedurais. As declarativas por sua vez são divididas emepisódicas ou semânticas. As memórias episódicas são também chamadas deautobiográficas. As episódicas referem-se a fatos dos quais participamos e assemânticas nos remetem a conhecimentos gerais. Já as memórias procedurais estão relacionadas como memórias de habilidadese capacidades, como por exemplo – andar de patins. De acordo com uma classificaçãomais moderna podemos dividir as memórias declarativas e procedurais em explicitas eimplícitas, respectivamente. É importante evidenciar que as memórias declarativas requerem para o seubom funcionamento uma boa memória de trabalho. Existe um tipo de memória quemuitos autores consideram-na como diferente dos demais tipos de memóriaexistentes o priming (memória adquirida e evocada por meio de dicas). Quanto ao tempo a memória pode ser de curta duração, de longa duração oumemória remota. As memórias explícitas podem durar minutos, horas, dias, meses ouanos. Já as memórias implícitas geralmente duram toda a vida. No início do armazenamento e da consolidação as memórias declarativas delonga duração são mais instáveis e são mais vulneráveis à influência de vários fatores.“A exposição a um ambiente novo dentro da primeira hora após a aquisição, porexemplo, pode deturpar seriamente ou até cancelar a formação definitiva de umamemória de longa duração”. (IZQUIERDO et al, 1999 apud IZQUIERDO, 2006 p. 25) Alguns autores discutem o fato da memória de curta duração ser apenas umadas etapas da memória de longa duração ou se ela envolve mecanismos distintos defuncionamento. A posição mais aceitável é que apesar da memória de curta duraçãoCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 147
  9. 9. utilizar as mesmas estruturas nervosas, que a memória de longa duração, elas sediferenciam pelos processos que as envolvem. As memórias de longa duração queduram meses ou anos podem ser chamadas de memórias remotas. Cury (2002) classifica a memória em duas grandes áreas: uma área central queele denomina de MUC - memória de uso contínuo e uma grande área periférica einconsciente denominada de ME - memória existencial. A MUC representa a memóriade acesso mais livre, enquanto a ME representa a memória que contém os nossossegredos. Estas duas áreas são interligadas multifocalmente e o trânsito entre o mundoconsciente e inconsciente é enorme e contínuo, onde estamos sempre resgatandoinformações da ME para a MUC e deslocando informações do MUC para a ME.Os mecanismos de formação das memórias O processo de consolidação das memórias compreende a atuação metabólicade várias estruturas cerebrais, e dura entre 3 a 8 horas. Durante este período asmemórias sofrem influências de outras memórias, de outros fatores internos eexternos. Dois acontecimentos científicos impulsionaram o estudo detalhado dosmecanismos de aquisição, consolidação, evocação e extinção das memórias e são eles:o processo fisiológico chamado de potenciação de longa duração e, posteriormente,depressão de longa duração e as modernas técnicas de imagens, com destaque para aressonância magnética nuclear. Essas técnicas mensuram a ativação metabólica dedeterminadas regiões de cérebro quando o individuo está formando ou recordandomemórias. Segundo Lent (2005), todas as funções nervosas podem ser moduladas. Querdizer, todas estas funções podem ser fortalecidas ou enfraquecidas dependendo daatuação de fatores internos e / ou externos. Dentro do processo de formação damemória observa-se o papel fundamental da modulação, principalmente, nasprimeiras horas que seguem à aquisição. Esta modulação pode ser produzida pelo nívelde alerta, grau de ansiedade e estado de ânimo.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 148
  10. 10. Várias estruturas cerebrais estão envolvidas no processo de formação dasmemórias e cada etapa dos múltiplos sistemas de memória é ativada pela atuação dealgumas estruturas cerebrais especificas. Assim sendo, a codificação ou aquisiçãorefere-se à elaboração da informação a ser armazenada e as estruturas da regiãolímbica são as mais envolvidas. A etapa da consolidação ou armazenamento é responsável pela retenção dainformação a ser armazenada e envolve principalmente as vias neuronais da regiãotemporal média, denominada hipocampo, que age em comunicação com, o córtex,possibilitando a reverberação da informação a ser armazenada e isto é imprescindívelpara o processo de consolidação, pois o ato de reverberar traz uma contribuiçãosignificativa para a retenção do material na memória. Segundo Cury (2002) as informações são arquivadas no córtex cerebral sob aforma de códigos. Neste processo elas perdem o conteúdo da energia psíquica daalegria, tristeza, solidão, hesitação, medo, ansiedade e se armazenam em forma desistema de códigos “ frios ”. Estes códigos constituem a RPS (representação psicossemântica) que sãoexperiências e informações psíquicas arquivadas como sofisticados sistemas decódigos físico-químicos na memória. Já Izquierdo (2002) fala sobre o sistema decodificação através dos engramas de memória. A evocação é a etapa de acesso ao material armazenado e a região cerebralresponsável pela mesma é a fronto-temporal. Nesta etapa, ao resgatarmos o códigodas experiências do passado, elas deixam de ser códigos e tornam-se novamenteenergia psíquica. Porém, o conteúdo emocional desta retomada será diferente dooriginal, ainda que tenha relação com o mesmo. De acordo com a teoria da inteligência multifocal de Cury (1998), assim comoocorre o fenômeno RAM (registro automático da memória), do mesmo modo, a leiturada memória diante de um estímulo também não é opcional, mas inevitável. O fenômeno da auto-checagem inicia as primeiras leituras da memória e porisso é também denominado de fenômeno do gatilho da memória. Este fenômenodesencadeia em frações de segundos o gatilho das primeiras reações da inteligência.Ele checa o estimulo na memória e produz os primeiros pensamentos, mas cumpri aoeu refletir sobre eles e criticá-los depois de produzidos.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 149
  11. 11. A leitura da memória é a maior ferramenta no processo de construção dopensamento que serve de base para o processo de aprendizagem, ou seja, a varreduraque o fenômeno da autochecagem faz, ao se deparar com algum estimulo, buscandoverificar se o mesmo é totalmente novo ou quais elementos contidos na memória delonga duração podem servir de auxílio para a compreensão, assimilação e acomodaçãodo mesmo, usando uma linguagem piagetiana, é fundamental para a construção dopensamento e do conhecimento.Extinção, Amnésias ou perda de memóriaI) Extinção Como observou James, “a única forma de avaliar as memórias é medindo a suaevocação” (JAMES, 1890 apud IZQUIERDO, 2006 p. 57). Às vezes percebemos que háuma inibição transitória da evocação, como por exemplo: olhamos para uma pessoa,sabemos de fato quem ela é, porém não conseguimos lembrar o seu nome. Com o tempo esta inibição transitória é superada e a pessoa recorda o fato comriquezas de detalhe. Há uma relação bem estreita entre a evocação e a extinção, ecomo observou Izquierdo, (2006, p. 59), “a evocação planta as sementes da própriaextinção”. Vale ressaltar aqui que há uma diferença entre perda parcial ou total dememória e o fenômeno de extinção. Na relação específica entre evocação e extinção, oautor citado referencia-se em Pavlov para explicar o processo de extinção de umaresposta condicionada, quando da eliminação do estímulo incondicionado. Quando numa situação de treino da esquiva inibitória, o rato é colocado namesma caixa, na mesma plataforma, com a mesma intensidade de luz, etc. e não se dáo choque, ele vai perceber este fenômeno ao realizar a resposta condicionada. Apósalgumas explorações e tentativas em que a resposta condicionada não ocorre,observa-se que o animal chegará um momento em que não permanecerá mais naplataforma, tornando aquela resposta extinta.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 150
  12. 12. Entretanto se, em alguma outra situação, ele for submetido a contingênciassemelhantes, (o choque elétrico) ele recuperará instantaneamente a memória daesquiva inibitória e recuperará a resposta condicionada de permanecer na plataforma. Segundo este raciocínio, extinção não é sinônimo de esquecimento. Memóriasextintas podem ser rememoradas de diversas maneiras. No conjunto das informaçõese acontecimentos cognitivos o número de memórias esquecidas, ou seja, fatos queforam rapidamente retidos pela memória de trabalho e longo foram perdidos, ésignificativamente maior do que informações extintas. Há muitas memórias que parecem ter sido esquecidas, mas que foram naverdade extintas, estando armazenadas de forma latente, podendo ser evocadas, aqualquer momento, na presença de estímulos adequados, e isto ocorre com maiorfreqüência do que se imagina.APRENDIZAGEM Para que houvesse o desenvolvimento da raça humana, o indivíduo precisouinterferir no mundo a sua volta, buscando adaptá-lo às suas necessidades. Nesseprocesso, o homem precisou investigar, observar, mudar, aprender. E emconseqüência desse aprender, ele se desenvolveu, ampliou as suas possibilidades deviver e de interagir no mundo. Esse processo não foi fácil, demorou muito para ser conquistado e ao longo dasua história foi lançando mão de todas as suas possibilidades, desenvolvendo o seucérebro para que pudesse dá respostas cada vez mais elaboradas diante dos desafiosda vida. Diferente do animal o homem é um ser de projeto, sua aprendizagem paraFonseca (1995, p. 129), “é o reflexo da assimilação e conservação do conhecimento,controle e transformação do meio, que foi acumulado pela experiência da humanidadeatravés dos séculos”. No animal, o comportamento adquirido não demonstra qualquer planejamentoprévio ou seleção de ações é repetitivo e além disso, qualquer que seja o animal, eleCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 151
  13. 13. não pode transmitir seus conhecimentos, nem novos comportamentos a geraçõesfuturas. Para compreender esse homem, esse ser tão complexo, vários autores voltaramseu olhar para investigá-lo e com isso, buscar conhecer como o homem aprende? Oque está envolvido nesse processo? Para responder a esses questionamentos, váriasteorias foram criadas com o objetivo de desvendar a complexidade da aprendizagemhumana. Fazendo um recorte nesse processo histórico, citamos Piaget sua teoria éclassificada como construtivista. [...] Para ele. “O homem, dotado de estruturas biológica, herda uma forma de funcionamento intelectual ou seja, uma maneira de interagir com o ambiente que o leva à construção de um conjunto de significados. A interação deste sujeito com o ambiente permitirá a organização desses significados em estruturas cognitivas. Durante a vida, serão vários os modos de organização dos significados, marcando, assim diferentes estágios de desenvolvimento. A cada estágio corresponderá um tipo de estrutura cognitiva que permitirá formas diferentes de interação com o meio. São as diferentes estruturas cognitivas que permitem prever o que se pode conhecer naquele momento da evolução”. (BOCK, et al, 2001, p. 127) As crianças, nesse processo, constroem o conhecimento explorando o meio emque vivem. Essa exploração pode ser física (manipulando objetos) ou metais (comopensar sobre algo). Se esta exploração provocar uma desequilibração no individuo,este continua e busca atribuir sentido ao que é investigado, promovendo assim, umaassimilação do que foi explorado. Dessa forma, se dá a construção de conhecimentopara Piaget. Outro autor que trouxe grandes contribuições para ampliar a concepção deaprendizagem foi Vygotsky. A aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. A relação do indivíduo com o mundo está sempre medicada pelo outro. Não há como aprender e apreender o mundo se não tivermos o outro, aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. Vygosky defende a idéia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa. O desenvolvimento não é pensado como algo natural nem mesmo como produto exclusivo da maturação do organismo, mas como um processo em que estão presentes a maturação do organismo,Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 152
  14. 14. o contato com a cultura produzida pela humanidade e as relações sociais que permitem a aprendizagem. (VYGOTSKY apud, BOCK, et al, 2001. p. 124) A criança começa seu aprendizado desde cedo, antes mesmo de entrar naescola, isto acontece, porque ela já interage com a cultura do seu povo, adquirindo edesenvolvendo a linguagem, valores etc., transmitidas pelos diversos mediadores comquem convivem no seu dia-a-dia. Não se pode conceber a aprendizagem sem a inter-relação do corpo queaprende como as funções neurológicas superiores já citadas (percepção, linguagem,atenção, memória, raciocínio lógico). Sem essa contribuição, o homem não conseguiriapreservar toda a sua produção cultural e passá-la adiante. Na medida em que a concepção do homem evoluía, pensadores de diversasáreas, deram sua contribuição para a compreensão desse intrincado ser,principalmente quando se deparavam com o cérebro humano, cheio de possibilidadeainda não totalmente investigadas. Até aqui, falamos de aprendizagem como se fosse um processo contínuo e semobstáculos, é importante ressaltar que muito dos esforços para entender aaprendizagem humana é justamente para compreender porque algumas crianças,mesmo sendo devidamente mediadas, não conseguem aprender. Esse é um dos focos da autora e psicopedagoga Alicia Fernandez, que combate avisão fragmentada do indivíduo e busca entender e contribuir para com aqueles quenão conseguem desenvolver plenamente esse processo de aquisição doconhecimento. Assim como em todo processo de aprendizagem estão implicados os quatro níveis (organismo, corpo, inteligência, desejo), e não se poderia falar de aprendizagem excluindo algum deles, também no problema de aprendizagem, necessariamente estarão em jogo os quatro níveis em diferentes graus de compromisso. (FERNANDEZ, 1991, p 57) Entendemos com isso, que o corpo também é um grande mediador da suaprópria aprendizagem desprezá-lo é ignorar um grande colaborador que facilita epermeia o saber; essa concepção parece está distante em algumas escolas, queprioriza apenas o cérebro. Como se o mesmo tivesse dissociado de um corpo queinterage não só de forma biológica, genética, mas também social.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 153
  15. 15. Outro autor que contribuirá de maneira significativa com o nosso trabalho éVitor da Fonseca, quando diz: Aprendizagem é, portanto, uma função do cérebro. Não há uma região específica do cérebro que seja exclusivamente responsável pela aprendizagem. O cérebro é no seu todo funcional e estrutural responsável pela aprendizagem. A aprendizagem é um resultado de complexas operações neurofisiológicas. Tais operações associam, combinam e organizam estímulos com respostas. [...] (FONSECA, 1995, p. 128)Aprendizagem e memória A aquisição da memória está diretamente relacionada ao complexo processo deaprendizagem que para ocorrer lança mão de toda uma estrutura biológica, mental eemocional. Envolve todas as funções psicológicas superiores, como: percepção,atenção, sensação, memória, raciocínio-lógico, noções temporal, espacial ejulgamento. Para que este conhecimento seja construído, tomando como base a teoriapiagetiana, é crucial que haja um “conflito cognitivo”, ou seja, algo novo precisa serincorporado aos conhecimentos pré-existentes. Este desequilíbrio cognitivo, irá seresolver mediante os mecanismos de assimilação e acomodação. O “conflito cognitivo” só é possível existir, através do ativo papel da memóriaque, ao fazer uma varredura em todos os seus arquivos, irá definir se o conteúdo étotalmente ou parcialmente novo e quais os elementos que podem ser associados aosjá existentes a fim de se construir um conceito, um pensamento ou um procedimento,restabelecendo assim o equilíbrio. Esse processo é constante entre equilíbrio edesequilíbrio cognitivo. Daí a importância dos conteúdos escolares serem seqüenciados, numa ordemcrescente de complexidade e formarem encadeamento natural, que haja por parte doprofessor um esforço maior para estabelecer algum nível de relação entre os mesmos,contextualizando-os sempre que possível. Outro aspecto importante dentro do processo de aprendizagem é a íntimarelação entre o reforço do conteúdo a ser aprendido e a qualidade da retenção ouconsolidação do mesmo. Aproveitando ao máximo o processo de construção daCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 154
  16. 16. memória que envolve todas as suas etapas (aquisição, retenção e evocação) que duracerca de 3 a 8 horas. Portanto é importante que as cadeias neuronais sejam fortalecidas através daexposição de formas variadas a este conteúdo, utilizando todos os recursos possíveis(visuais, cinestésicos e auditivos) a fim de que através destes reforços a informaçãoseja devidamente adquirida e eficientemente arquivada na memória. Porém, só aexposição a estes recursos variados não garante uma real aquisição de conhecimento.É preciso que este seja devidamente mediatizado pelo professor. Bock (2001, p. 124) traz uma fala de Vygotsky que diz: “O desenvolvimento éum processo que se dá de fora para dentro. É no processo de ensino-aprendizagemque ocorre a apropriação da cultura e o conseqüente desenvolvimento do indivíduo”.Quando ocorre uma mediação com qualidade o aprendiz pode lançar mão dosconhecimentos prévios através da ativação da memória e estes conhecimentos irãoauxiliá-lo na compreensão e apropriação do novo conhecimento. Na ausência de uma mediação eficiente o aluno utilizará apenas a memória decurto prazo, em que as informações serão armazenadas superficialmente sem oadequado processo de seleção, associação e integração do novo ao já existenteconhecimento. Somado a isso, a falta de uma seqüência na apresentação dos conteúdosescolares e a falta de reutilização dos mesmos podem resultar numa extinção, extinçãoesta fundamentada no exemplo de Pavlov, em que, a resposta condicionada que nãofoi reforçada pelo estímulo incondicionado, teve como conseqüência a extinção. Noentanto, ao retornarem as condições originais, a resposta tendeu a reaparecer. Outro processo que pode ocorrer é o “famoso branco” que tem outrosmecanismos envolvidos. Seria como uma falha no processo de evocação que pode tervárias causas: problemas emocionais (stress, ansiedade), problemas físicos (fadiga,diminuição do aporte sanguíneo para o cérebro) ou pode estar ligado a uma retençãode baixa qualidade devido à baixa concentração no momento do registro, onde osdados foram retidos apenas na memória de trabalho, sendo logo perdidos. Ao estudarmos um pouco sobre neuropsicologia ampliamos a concepção dehomem, percebendo-o como um ser integrado que pensa, sente e age. Para atender aessa visão holográfica do homem, acreditamos que ele necessite de uma percepçãoCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 155
  17. 17. mais ampla de aprendizagem, que acredita e desenvolva as diversas possibilidades quese abrem com os estudos das neurociências. A aprendizagem constitui uma mudança de comportamento resultante da experiência. Trata-se de uma mudança de comportamento ou de conduta, que assume várias características. É uma resposta modificada, estável e durável, interiorizada e consolidada no próprio cérebro do indivíduo. (FONSECA, 1995, p. 127). A partir dessa e de outras concepções de aprendizagem, o professor precisaampliar seus conhecimentos e fazer uso de todo o potencial do cérebro humano,resgatando não só a importância da memória na construção de um saber maiscompetente, como também rever a sua postura enquanto educador que precisacompreender que o homem é um complexo sistema de possibilidades que precisa serinvestigado com o objetivo de desenvolver todas as suas habilidades. “Cada ser possui uma maneira pessoal para aproximar-se do conhecimento epara conformar seu saber” (FERNANDEZ, 1991, p. 107). É preciso que nós, educadores,estejamos atentos a tudo isso, a todas as possibilidades que cada ser traz dentro de simesmo e a escola não pode ficar alheia a estas considerações científicas: A escola precisa trabalhar cada vez mais no sucesso da aprendizagem, qualquer que seja o potencial da criança. Quando alguma criança aprende, ela jamais está isolada, ao contrário, ganha reconhecimento social, maturidade, respeito, amor e identidade positiva (FONSECA, 1995, p. 367). O aprender transforma o ser, mostra novas possibilidades e situa a pessoa emseu contexto histórico. São essas e outras contribuições que gostaríamos de ressaltar,para confirmar que o ser humano é muito mais do que se apresenta. Com os estudosda neuropsicologia, vários paradigmas foram quebrados e hoje se percebe o quantosomos capazes de aprender.Considerações Finais Compreendemos que a memória perpassa por todas as atividades mentaisenvolvidas no complexo ato de aprender. Quando o indivíduo percebe, seleciona,discrimina, intui, particulariza, generaliza, deduz ou infere, ele, inevitavelmente, usa aCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 156
  18. 18. memória como uma ferramenta indispensável na tarefa de organizar todas asinformações oriundas do meio exterior e interior. Apesar de muitas descobertas acerca dos mecanismos bioquímicos e físicospresentes na memória, ainda não temos fundamentação suficiente para compreendertodos os processos que ocorrem na formação das memórias e o quanto essesprocessos estão diretamente ligados à aprendizagem. Temos obtido algumas luzes que tem nos ajudado a clarear e ampliar nossavisão sobre quão estreita é a conexão entre memória e aprendizagem, porém estamosainda distantes de um conhecimento tal que nos proporcione devido entendimento decomo ocorre esta interligação. Apesar deste insuficiente conhecimento as informações existentes sobre arelação entre memória e aprendizagem podem colaborar muito para que o professortenha maiores subsídios na elaboração de um planejamento; na escolha de estratégiasque facilitem ao aluno uma melhor aquisição e retenção das informações; na seleção eorganização dos conteúdos a serem ensinado, no estabelecimento de um ambientemais tranqüilo, reduzindo a agitação e o stress; na retomada intencional e programadados conteúdos com vistas a uma melhor consolidação da memória. Medidasaparentemente simples, como estas, podem trazer contribuições significativas para oprocesso de aprendizagem. Entender o funcionamento cerebral e a sua relação com a construção dopensamento nos auxiliará na percepção de quais aspectos estão interatuando noprocesso de aprendizagem e qual ou quais, no momento, estão sendo determinantesnum quadro de dificuldades ou de baixo rendimento. Amplia também, a nossapercepção sobre aprendizagem, compreendendo melhor as várias dimensões comocognitiva, afetiva, psicomotora e as suas alterações, dificuldades ou transtornos quepodem estar associados a qualquer uma destas dimensões ou à interação das mesmas.Os conhecimentos neurocientíficos têm se constituído em um grande aporte teóricopara a área de ensino-aprendizagem. Mediante a revisão bibliográfica realizada no decorrer desse artigo,percebemos que para que haja uma aprendizagem significativa é necessário uma boaconsolidação da memória. Na verdade é essencial nesse processo que o indivíduoCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 157
  19. 19. compreenda o conteúdo estudado de forma tal que venha promover umaconsolidação com qualidade. Esta compreensão certamente levará a uma evocação mais rápida e dinâmica,onde o conteúdo armazenado terá uma aplicabilidade e um alcance bem maior,podendo ser utilizado em situações diversas. Percebemos também, ao fazer a revisão bibliográfica, que a utilização dosconhecimentos sobre a memória ao longo dos anos foi negligenciada pela educação. Ainterpretação equivocada de algumas teorias de ensino-aprendizagem colocou amemória numa posição reducionista, simplificando o seu papel dentro do processo deaprendizagem, tornando-a sinônimo apenas de “decorar”. A neurociência vem retomar através de diversos estudos a importância damemória na construção sólida do saber. Faz-se necessário e urgente que osconhecimentos neuropsicológicos de uma forma geral e de forma específica, osconhecimentos sobre a memória, adentrem as escolas, habilitando o professor apromover um ensino de maior qualidade. Do diálogo maduro entre a neurociência e aeducação surgirá maior possibilidade de uma prática pedagógica que busque acima detudo desafiar o aluno a utilizar melhor o seu potencial. Para que a interface entre neurociências e educação seja cada vez mais efetiva,faz-se necessário que as pesquisas sobre memória e aprendizagem tenham umenfoque sobre os mecanismos de funcionamento da memória relacionados à aquisiçãode informações e posterior produção de conhecimento e sejam ampliados porestudiosos e socializados na comunidade escolar. Entendemos que a memória e outrasfunções neuropsicológicas são como ferramentas que, se devidamente utilizadas,possibilitam um melhor desempenho cognitivo. Outro tópico que precisa ser aprofundado nas pesquisas sobre memória eaprendizagem é o grau de utilização e de apropriação de aportes teóricosneurocientíficos por parte dos educadores, já que estes conhecimentos ampliariamsobremaneira a compreensão sobre o complexo ato de aprender e permitiriam aimplementação de metodologias mais eficientes e que facilitassem a organizaçãomental do aprendiz. Associado a este tópico, acreditamos que pesquisas sobre areforma da grade curricular dos cursos de formação de professores, também seriamCaderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 158
  20. 20. essenciais, no sentido de acrescentar conhecimentos sobre o desenvolvimentocognitivo dentro de uma perspectiva neurocientífica.ReferênciasBOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. – Psicologias – Uma Introdução ao Estudo dePsicologia. 13ª edição ref e ampliada 1999. São Paulo: Editora Saraiva, 2001.CURY, Augusto Jorge – Inteligência Multifocal – análise da construção dos pensamentos e daformação de pensadores. Editora Cultrix, São Paulo, 1998.DIAS, Rosana Siqueira. Bases Neuropsicológicas da Aprendizagem. In: VALLE, Luiza E. LR. (Org)Temas multidisciplinares de Neuropsicologia e Aprendizagem. SBNP. Robe Editorial, 2004.FERNANDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada Abordagem psicopedagógica clinica da criançae sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991FONSECA, Vitor da. Cognição Neuropsicologia e Aprendizagem – Abordagem Neuropsicologicae Psicopedagogica, Editora Vozes – R.de Janeiro - 2007______Introdução às dificuldades de Aprendizagem. 2ª edição Revisada Aum. – Porto Alegre:Artes Médicas, 1995.IZQUIERDO, Ivan. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2006LENT, Roberto – Cem bilhões de neurônios – Conceitos Fundamentais de Neurociência.Editora Athneu. São Paulo, 2005.LURIA, A. R. - A mente e a memória. São Paulo: Martins Fontes, 2006MAHONEY, Abigail A. e ALMEIDA, Laurindo R. Organizadoras. Henri Wallon – Psicologia eEducação. São Paulo: Edições Loyola, 2000.VALLE, Luiza E. L. R. organizadora. Temas multidisciplinares de neuropsicologia eAprendizagem Sociedade Brasileira de Neuropsicologia. SBNP = Robe Editorial. 2004.WADSWORTH, Barry J. – Inteligência e afetividade da Criança na teoria de Piaget. 5ª Ediçãover. São Paulo: Editora Pioneira, 1997.Caderno Intersaberes, v. 1. n.1, jul./dez., 2012 Página 159

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