A LEITURA, A ESCRITA E PENSAMENTO EM SCHOPENHAUER Daniela Machado da Silveira - UCS1

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1 Licenciada em Ciências Biológicas, Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Leitura e Produção Textual e Mestranda no Programa Pós-Graduação em Filosofia Curso Mestrado, na UCS (PPGFIL-UCS).

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A LEITURA, A ESCRITA E PENSAMENTO EM SCHOPENHAUER Daniela Machado da Silveira - UCS1

  1. 1. 1 A LEITURA, A ESCRITA E PENSAMENTO EM SCHOPENHAUER Daniela Machado da Silveira - UCS1Resumo: Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, demonstrou incômodo em relação à escrita, a leitura e opensamento em sua época, no século XIX, o que ainda é relevante em nossos dias. Ele destaca problemas naescrita de diversos autores renomados, em seu tempo, como a falta de clareza e a prolixidade, na busca deaparentar uma profundidade inexistente em tais textos. Essas perspectivas podem ser encontradas emabundância, em nossos dias. Atualmente, há uma melhora significativa em relação aos tempos do escritor,melhora no que tange a alfabetização e acesso aos livros. E também o fato de que hoje se escreve muito mais queem qualquer época, que se têm notícias, é um aspecto importante para o desenvolvimento da sociedade. Sem acomunicação o ser humano perde a si mesmo; a compreensão de si e do mundo, assim o que resta é somente oinstinto. As críticas de Schopenhauer nos alertam para a falta da reflexão e da busca verdadeira doconhecimento.Palavras chave: Schopenhauer; Texto; Leitura; Escrita;INTRODUÇÃO O momento presente impõe-se com uma valorização excessiva do superficial e daprolixidade. Se por um lado observam-se pessoas iludindo-se com diversos tipos de drogas emodismos, por outro se percebe os que se consideram superiores e melhores que os primeirosem vários aspectos, mas, o que muda, no geral, é o vocabulário, o preço do que é consumido ea falsa erudição. Em ambas as perspectivas a visão intrínseca da vida demonstra uma naturezarasa e ilusória. Sendo que a ilusão só pode conduzir o ser a um caminho que é a desilusão. O tema, deste artigo, leitura, escrita e pensamento trata-se de um assunto controverso,mesmo, na atualidade; sendo que há um discurso de inclusão, mas também é visível a carênciado desenvolvimento na valorização do pensamento original das pessoas em sua totalidade. Arthur Schopenhauer, em seu tempo, fazia críticas que ainda são pertinentes e dignasde reflexão sobre a leitura, o pensamento e a escrita. Autores dos séculos XX e XXI abordam1 Licenciada em Ciências Biológicas, Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Leitura e Produção Textual eMestranda no Programa Pós-Graduação em Filosofia Curso Mestrado, na UCS (PPGFIL-UCS).
  2. 2. 2tais temas demonstrando a persistência dos problemas que Schopenhauer denunciava em suaépoca no século XIX. O movimento em prol do extermínio do analfabetismo de todas as ordens: absolutos efuncionais, vem aumentando e fortificando-se, no entanto verifica-se que não há maturidadeno que tange a aquisição e desenvolvimento de conhecimento e sim uma repetição constante.Schopenhauer aborda o assunto sobre a leitura e escrita referindo-se que as pessoas estãosendo estimuladas à busca da informação que é o primeiro passo para instrução, mas a partirdeste ponto existe uma estagnação que impede o passo seguinte.2-LEITURA E PENSAMENTO NA CONTEMPORANEIDADE A leitura é uma forma de comunicação que envolve a vida humana em todos seusaspectos. O conceito de leitura foi construído a partir a historicidade - o que significa dizerque está diretamente ligado a época e a cultura que se encontra – o desenvolvimento dahumanidade e seu pensamento. Trata-se de um fenômeno dinâmico, sempre emtransformação, sendo que é um ato essencialmente humano. No passado, mais especificamente antes da Idade Contemporânea, ler era para poucos,pois não era interessante para quem estava no poder que a maioria das pessoas pudessemdispor da tecnologia da leitura, pensamento e escrita. Somente os nobres e pessoas quepertenciam ao clero tinham acesso ao estudo, pois no pensamento da época cabia a essas duasclasses conduzir e dominar o povo. E esses não precisavam de instrução, pois o trabalhoconcentrava-se no ato braçal e também já havia a consciência de que é muito mais fácilmanipular um povo acostumado a não pensar em suas condições de vida do que um povo quetenha oportunidade de pensamento. Com o avanço da tecnologia de produção, especialmente com a Revolução Industrial,fez-se necessário que as pessoas aprendessem um pouco mais. Enfim, existiam máquinas paraoperar e fazer manutenção, e esse fato exigia mais conhecimento do trabalhador. A leituracomeçou a fazer-se necessária, porém ainda permanecia com muitas restrições, somente foiconcedida a instrução para o povo sobre o que era necessário para o trabalho a ser executado.
  3. 3. 3 Atualmente, a leitura é um assunto significativamente amplo e complexo, sendo queabrange diversos aspectos da percepção. Trata-se de um trabalho árduo em que exige oconhecimento de mundo, e o ato da leitura está sempre em movimento e desenvolvimento.Para que a possibilidade de leitura e escrita passa ser efetivada na vida das pessoas énecessário um trabalho constante e consciente: o estudo. Até pouco tempo atrás se costumavaouvir que quem só estudava não fazia nada, essa concepção vem dos atavismos herdados pelanossa cultura, onde os nobres não trabalhavam e nem os clérigos. Paulo Freire (2011, p.9), afirma que “Estudar é, realmente, um trabalho difícil. Exigede quem o faz uma postura crítica, sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não seganha a não ser praticando-a”. A presença do ensino clássico, onde o educando é visto como um receptáculo deinformações prontas é, ainda, significativo. As mudanças têm sido lentas em relação aodesenvolvimento do conhecimento pedagógico, pois as novas práticas exigem mudanças deparadigmas internos das pessoas envolvidas principalmente pais e professores. E é nesseaspecto onde se encontra maior resistência às mudanças. Conforme Paulo Freire (2011, p.10), O que se lhes pede afinal, não é a compreensão do conteúdo, mas sua memorização. Em lugar de ser o texto e sua compreensão, o desafio passa a ser a memorização do mesmo. Se o estudante consegue fazê-lo, terá respondido o desafio. Arthur Schopenhauer filósofo alemão que viveu no século XIX, abordou com muitapropriedade a questão que envolve a leitura. O autor observava que a essência da reflexãohumana era o que menos importava para a maioria das pessoas. O fato preocupavaprofundamente o filósofo. Criticou duramente os leitores compulsivos que lêem sem parar enão para pensar sobre suas próprias idéias. De acordo com Schopenhauer (2010, p.19), "[...] os alunos não aprendem para ganharconhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes”. Tal comportamento denunciado pelo filósofo, em sua época, é perceptível em nossosdias. A existência de um conhecimento plagiado com algumas bases construídas dásustentação para quem se interessa em aparentar um conhecimento que não foi desenvolvidoem si, mas que existe como uma roupa que não faz parte da pessoa, mas causa impacto nosimprudentes. A ilusão que o conhecimento da maioria da população é grande está
  4. 4. 4fundamentada na tecnologia midiática, que causa a falsa impressão de que todos osparadigmas da sociedade mudaram, mas é comum encontrar discriminação social em relaçãoao modo de falar das pessoas, e por fim todo tipo de discriminação. Conforme Bagno (2009, p. 48), O impacto da linguagem literária sobre uma sociedade como a brasileira, por exemplo, é ínfimo. Tradicionalmente, somo um povo que lê pouco: nossas práticas sociais, mesmo entre as classes abastadas, sempre foram muito mais guiadas pela oralidade do que pela cultura livresca. Por outro lado, a literatura que, de fato, exerce poderosa influência sobre a maioria dos brasileiros é a poesia oralizada. Somos muito mais influenciados pelas “modas” linguística da televisão e do rádio e, em menor escala da imprensa escrita do que pelo trabalho estilístico dos autores de ficção. Na contemporaneidade tudo se transformou em objeto de consumo, todos apreendemmuito cedo que a aparência fala mais alto. E o pensamento? Não restou tempo para ele,sempre, é visto com bons olhos as repetições de escritores que ousaram pensar, mas aomesmo tempo pensar é considerado perda de tempo. Existe uma contradição entre o que sefala e o que se faz. É preciso aprender tudo muito rápido, não é necessária profundidade, poisraramente alguém sabe ler e pensar. As fórmulas do tipo: como passar no vestibularfacilmente, como ter um corpo perfeito, o que falar na entrevista de emprego, como criarmeninos e meninas, como conquistar a pessoa amada, o que ler para um aprendizado rápido,são bem vistas pela maioria das pessoas. Quando o assunto leitura é abordado todos concordam que é preciso maior esforço,principalmente das famílias, mas na prática percebe-se que ainda uma grande parcela depessoas opta por comprar qualquer objeto inútil á um livro. O livro é visto como um objetodistante da vida cotidiana. E ainda é forte a ideia de que ler é para quem tem tempo sobrando,para pessoas estranhas, ricas e com vastas bibliotecas. Conforme Freud (2002, p.9), É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – Isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida. No entanto, ao formular qualquer juízo geral desse tipo, corremos o risco de esquecer como o mundo humano e sua vida mental são variados. Existem certos homens que contam com a admiração de seus contemporâneos, embora a grandeza deles repouse em atributos e realizações completamente estranhos aos
  5. 5. 5 objetivos e aos ideais da multidão. Facilmente, poder-se-ia ficar inclinado a supor que, no final das contas, apenas uma minoria aprecia esses grandes homens, ao passo que a maioria pouco se importa com eles. Contudo, devido não só às discrepâncias existentes entre os pensamentos das pessoas e suas ações, como também à diversidade de seus impulsos plenos de desejo, as coisas provavelmente não são tão simples assim O ser humano também é controverso e demonstra a busca pela superficialidade da vidacomo a supervalorização da riqueza e do poder, mas observa-se com freqüência que atosaltruístas chamam a atenção de grande parte das pessoas. Assim, percebe-se que pessoas queatingiram objetivos como a riqueza e o poder são admirados, mas também recebem muitaadmiração as pessoas que abrem mão, muitas vezes, da própria vida em benefício do próximo,como por exemplo: a Madre Tereza de Calcutá, estudiosos de vivem isolados em lugaresperigosos e sem recursos, enfim todos que abrem mão de uma vida mais confortável paraajudar o desenvolvimento de um mundo melhor. É comum as pessoas falarem que gostariamde ser diferentes, mas quem gostaria realmente de fazer o que diz que gostaria? Quem ficaestudando e não vai às festas? Quem paga o preço para combater a própria mediocridade? Aparentemente, há uma acomodação do povo em relação à leitura e reflexão, sendoque há uma idéia, de certo modo velada, de que quanto menos soubermos menor aresponsabilidade. É um modo de não se responsabilizar pela vida e pela sociedade. Tambémnão há uma valorização material para o sabe, em nossa sociedade. É fácil encontrar pessoascom grande desenvolvimento intelectual passando por muitas dificuldades financeiras. Conforme Smith (2003, p.36), [...] a leitura não pode ser separada do pensamento. A leitura é uma atividade carregada de pensamentos. Não existe diferença entre ler e qualquer outro tipo de pensamento, exceto que, com a leitura, o pensamento focaliza-se em um texto escrito. A leitura pode ser definida como um pensamento que é estimulado e dirigido pela linguagem escrita. Ler sem pensar é não aprender, é repetir sem saber; trata-se de um ato mecanicista.Mesmo lendo palavras não significa que estamos lendo pensamentos e sem o pensamento nãoexiste leitura eficaz. Já Schopenhauer (2009, p.127), afirma que: Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: apenas repetimos seu processo mental, do mesmo modo que um estudante, ao aprender a escrever, refaz com a pena os traços
  6. 6. 6 que seu professor fizera a lápis. Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar. É por isso que sentimos um alívio ao passarmos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura. No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta?Em conseqüência disso, quem lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar nada, perde gradativamente a capacidade de pensar por si mesmo. Para Smith não é possível ler sem pensar e refletir, mas para Schopenhauer essapossibilidade faz parte do mecanismo da leitura, pois quando alguém está lendo é comoquando está escutando as argumentações de outra pessoa, somente depois de escutar todaargumentação é que se pode refletir com maior profundidade. Atualmente, observa-se uma carência significativa sobre o ler, e muito maior quandoconsiderarmos a reflexão sobre o pensamento que cada leitor faz sobre o que lê nos livros, namídia e no mundo em geral. A presença de um consumo de informações é constante no dia-a-dia do mundocontemporâneo, também fica evidente a infelicidade das pessoas repetindo frases feitas e oque vêem e ouvem na mídia. A busca do que dizer ou fazer para ser aceito num mundo quemais lembra os ingênuos filmes de zumbis, onde esses morto-vivos ficam circulando pelomundo sem personalidade. Para Schopenhauer (2009, p.39), [...] uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada. Pois é apenas por meio da combinação ampla do que se sabe, por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria de seu próprio saber e o domina. Só é possível pensar com profundidade sobre o que se sabe por isso se deve aprender algo; mas também só se sabe aquilo sobre o que se pensou com profundidade. A leitura pode ser uma ferramenta fundamental para propiciar a reflexão sobrediversos temas e assuntos, deve gerar um diálogo entre o pensamento do leitor e do escritor,onde o conhecimento pode ser desenvolvido sob bases sólidas. A aceitação do que se lê, sem um pensamento crítico é letal para o desenvolvimentodo conhecimento é somente repetição do que outras pessoas pensaram, representa um atraso
  7. 7. 7para o planeta, sendo que é uma perda de tempo repetir o que foi dito, sem a devida reflexãopor parte do leitor. Segundo Alliende e Condemarín (2008, p.11), Nos países menos desenvolvidos, especificamente em vários países latino-americanos a nova situação da leitura frente aos meios de comunicação de massa se traduz numa crise tanto dentro da escola quanto fora dela. Dentro da escola, o ensino da leitura se torna mais difícil; aumenta o número de crianças que ao fim de dois ou mais anos de ensino ainda não sabem ler. Fora da escola, o hábito de leitura de livros, especialmente literários, e científico decresce de forma notável. A população mundial aumentou significativamente em relação à Idade Moderna,também aumentou a quantidade de material para leitura, mas proporcionalmente aocrescimento demográfico há uma defasagem muito grande ainda, em relação à leitura. Os educadores conscientes de tal realidade vivem buscando novas formas deconscientização para a importância da leitura, na vida humana. Buscam resgatar a curiosidadenatural do ser humano, o prazer de buscar respostas. Para Alliende e Condemarín (2008, p.14), Pelo fato de constituir meios de difusão massivos, os meios audiovisuais proporcionam uma informação “grosseira”, ao alcance de todos. Essa seleção para todo público impede aprofundar os detalhes, as nuances, as diferenças sutis. Assim, a verdadeira profundidade em relação aos personagens e aos fatos só pode ser dada pela leitura. O pensamento mecanicista fomenta a ideia de fórmulas para tudo, trata-se dopensamento: repetir tudo que dá certo. Como por exemplo: ler o que está na moda, repetirfrases sem sentido, tudo acaba no consumismo. O momento presente, é o que mais se faz leitura e escrita, trata-se de uma época muitosignificativa para a sociedade, sendo que, tais fatores mantêm todo desenvolvimentotecnológico nas mais variadas áreas, como a medicina, a construção civil, o cultivo dealimentos e muitas outras. Mas a precariedade das produções literárias é visível, esse fato vema demonstrar como anda a leitura crítica das pessoas. De qualquer forma, entre o ler e não leré melhor começar, mesmo que seja por coisas da moda.
  8. 8. 83- A ESCRITA E PENSAMENTO NA CONTEMPORANEIDADE A leitura, a escrita e o pensamento estão interligados, um necessita do outro, pois paraque haja aproveitamento da leitura é necessária a escrita e o pensamento. Somente na escritatem-se a oportunidade de confronto com o próprio pensamento e assim organizá-los econsequentemente melhorar a leitura. Schopenhauer (2010, p.129) afirma, Nenhuma qualidade literária – como, por exemplo, a capacidade de persuasão, a riqueza de imagens, o dom da comparação, a ousadia, ou a amargura, ou a concisão, ou a leveza da expressão, ou mesmo a argúcia, os contrastes surpreendentes, o laconismo, a ingenuidade, entre outras – pode ser adquirida pelo simples fato de lermos escritores que possuem tal qualidade. Contudo, se já as possuímos in potentia, podemos evocá-las, trazê-las à nossa consciência, podemos ver o uso que é possível fazer delas, podemos ser fortalecidos na inclinação, na disposição para usá-las, podemos julgar o efeito de sua aplicação em exemplos e, assim, aprender a maneira correta de usá-las; e só então possuiremos tais qualidades in actu. Essa é a única maneira de a leitura ensinar a escrever, na medida em que ela nos mostra o uso que podemos fazer de nossos próprios dons naturais; O pensamento ou reflexão sobre a leitura do mundo e dos livros, os quais trazem asexperiências e pensamentos de outras pessoas e por sua vez tem a possibilidade de confrontocom a alteridade, é que podem lastrear e fomentar a escrita. São atos essencialmente humanose não podem dissociar-se da vida em sociedade. Após a primeira etapa de leitura que é a leitura do mundo, torna-se presente alembrança da argumentação contida no Trilema de Münchhausen2 que descreve uma soluçãofundamentalmente circular. Onde "[...] um círculo lógico na dedução, que resulta naretomada, no processo de fundamentação, de enunciados que já surgiram anteriormente, como2 O trilema de Münchhausen apresenta três possíveis alternativas de fundamentação para conhecimento: 1 umregresso infinito, que parece resultar da necessidade de sempre, e cada vez mais, voltar atrás na busca defundamentos, mas que na prática não é passível de realização e não proporciona nenhuma base segura; 2 umcírculo lógica na dedução, que resulta da retomada, no processo de fundamentação, de enunciados que jásurgiram anteriormente como carentes de fundamentação, e o qual, por ser logicamente falho, conduz domesmo modo a nenhuma base segura, e finalmente; 3 uma interrupção do procedimento em um determinadoponto, o qual, ainda que pareça realizável em princípio, nos envolveria numa suspensão arbitrária do princípioda fundamentação suficiente. (HANS ALBERT, 1969, p. 26, 27).
  9. 9. 9carentes de fundamentação, e o qual, por ser logicamente falho, conduz do mesmo a nenhumabase segura, [...]” (HANS ALBERT, p. 26). É preciso ler para escrever, pensar e reescrever para ler. Tal fato demonstra quesempre voltamos ao ponto de partida, mas sob novo olhar. E voltamos a percorrer o caminhoanterior com significados mais aprofundados. Esse pensamento traz à tona uma reflexão sobrea dinâmica de como todos esses componentes interligam-se e desenvolvem-se. Inspirada emelementos relevantes para a leitura e escrita e sua possível dinâmica desenvolvi uma figuraque representa o pensamento que está sendo descrito. Reescrever Figura 1: Desenvolvida pela autora Conforme Guedes (2002, p. 22), Ler só faz sentido se for para escrever e para reescrever, isto é, para assumir um ponto de vista a partir do qual organizar e reorganizar a compreensão do tema em questão e para construir e reconstruir o ponto de vista assumido. A leitura é uma ferramenta significativa para o desenvolvimento das relaçõesinterpessoais, possibilitando o desenvolvimento social, mas no momento, verifica-se que háum investimento na mediocridade onde a demanda do mercado da escrita exige respostas aqualquer pergunta tosca e superficial. Como por exemplo: como casar antes dos 30 anos;como convencer as pessoas que precisam do que não precisam, e assim por diante.
  10. 10. 10 A escola torna-se algo que não desperta muito interesse, nos alunos devido aosconceitos grosseiros apresentados na mídia e na rua, pois apesar das deficiências no ensino,ainda a mesma dá subsídios para o aprofundamento dos mais variados assuntos. Certamente,com o apoio da escola o aluno tem mais chances de buscar seu desenvolvimento intelectual ehumano. Encontram-se discrepâncias nas escolas, mas é a partir das diferenças que o impulsopara novas escolhas e reflexões são fomentados. A escrita é um recurso essencial para o ser humano conhecer a si mesmo e ao mundoem que vive. É a partir da leitura e da escrita que é possível o desenvolvimentoepistemológico, o próprio estudo do conhecimento. Conhecimentos esses capazes depossibilitar a manutenção da vida em todas suas formas, no planeta, porque é a partir dessesaber que ocorre a evolução intelectual e técnica que resulta em vida sustentável e dequalidade para pessoas e o planeta. ‘É preciso produzir conhecimento e o pensamento, a leitura, a escrita econsequentemente a pesquisa é o que lastreia todo o desenvolvimento necessário à vida. Para Schopenhauer (2010, p.145), Na origem da linguagem humana se encontram certamente, em primeiro lugar, as interjeições, com as quais não se expressam conceitos, mas sentimentos movimentos da vontade, assim como nos sons dos animais. Logo depois apareceram diversas espécies de interjeições e, a partir dessa diversidade, ocorreu à passagem para os substantivos, verbos, pronomes pessoais e assim por diante. A palavra dos homens é o material mais duradouro. Se um poeta deu corpo à sua sensação passageira com as palavras mais apropriadas, aquela sensação vive através de séculos nessas palavras e é despertada novamente em cada leitor receptivo.4- CONSIDERAÇÕES FINAIS A leitura, a escrita e o pensamento fazem parte da linguagem humana que por sua vezfaz parte do desenvolvimento do âmago humano e da sociedade. Schopenhauer reflete sobreo pensamento acima da leitura e deixa claro que escrever não é copiar. Critica o (pseudo)conhecimento e as pessoas que se passam por eruditas. O processo em questão exige uma
  11. 11. 11consciência social de que não existe saída a não ser o progresso em todos os níveis possíveis.E a leitura, o pensamento e a escrita são ferramentas para esse desenvolvimento, pois é apartir de tal processo que pode ser construído o conhecimento, que em última instância éresponsável pela manutenção de todas as espécies de vida no planeta e do próprio planeta. Isso se dá pelo conforto que as medicações podem fornecer a todos os animaisinclusive a raça humana, quando doentes, oferecendo a cura ou uma morte menos dolorosaquando esta não puder ser evitada. E às diversas oportunidades de aproveitar tudo que há navida com sabedoria e conforto. Enfim, os exemplos que o conhecimento pode proporcionarsão incontáveis e a base é a leitura, primeiramente do mundo, após o pensamento e a escrita.Isso tudo conduz para escolhas melhores a cada dia e a liberdade, pois quanto mais se sabemais se tem opções.5- REFERÊNCIASALBERT, Hans. Tratado da Razão Crítica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976.ALLIENDE, F., CONDEMARÍN, M. A leitura: Teoria, avaliação e desenvolvimento.Porto Alegre: Artmed, 2008.BAGNO, Marcos. A Norma Oculta: língua & poder na sociedade brasileira. São Paulo:Parábola, 2009.FREIRE, Paulo. Ação Cultural: para a liberdade e outros escritos. São Paulo: Paz e Terra,2011.FREUD, Sigmund. O Mal estar da civilização. Rio de Janeiro: Imago, 2002.GUEDES, Coimbra Paulo. Da Redação ao Texto: um manual de redação. Porto Alegre:UFRGS, 2002.SCHOPENHAUER, Arthur. Schopenhauer: A arte de escrever. Porto Alegre: L&PM,2010.SMITH, Frank. Compreendendo a Leitura: uma análise psicolingüística da leitura e doaprender a ler. Porto Alegre: Artmed, 2003.

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