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2Trabalhar com a diversidade cultural nas escolas pode significar, além da divulgação emanutenção das tradições, o desenvo...
3afinados com as realidades socioculturais das diferentes comunidades. (OSINSKI,2002, p.115).Osisnki (2002) aponta para o ...
4meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar arealidade percebida e desenvolver a cr...
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7 Debater e listar quais brincadeiras ainda são conhecidas e praticadas atualmente; Produzir e criar possibilidades de f...
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9vem se apresentando como um movimento em busca de novas metodologias de ensino eaprendizagem de arte nas Escolas, valoriz...
10FAZENDA, Ivani C. A. A questão da interdisciplinaridade no ensino. Disponível em<http://www.ensinofernandomota.hpg.ig.co...
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A ARTE-EDUCA«ÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM ATRAV…S DA CULTURA POPULAR

  1. 1. 1A ARTE-EDUCAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM ATRAVÉSDA CULTURA POPULAREduardo Henrique de Matos LimaIntroduçãoAtravés de vivências no contexto escolar, em diversas realidades, foi possívelconstatar uma certa negligência com relação a nossa cultura populari. Com abordagenslimitadas e muitas vezes equivocadas, podemos considerá-la desvalorizada. Sua presençaencontra-se restrita em festas, brincadeiras e atividades descontextualizadas e sem maioresestudos ou detalhamentos que deveriam ser considerados para permitir a ampliação deconhecimentos sobre a origem, a necessidade, a função, fatores que possibilitam a valorizaçãoe mesmo o resgate de uma identidade muitas vezes perdida ou distorcida.Oportunizar estudos e vivências sobre a Cultura em sua diversidade aos estudantes nasvárias realidades educativas, poderia significar o desenvolvimento de potencialidadesindividuais que possam ser determinantes e significativas à sociedade.Segundo Morin (2003, p. 57), “[...] a desintegração de uma cultura sob o efeitodestruidor da dominação técnico-civilizacional é uma perda para toda a humanidade, cujadiversidade cultural constitui um dos mais preciosos tesouros”. Ele chama a atenção para ofato dos jogos, das festas, dos ritos fazerem parte da natureza humana e serem necessários emseu desenvolvimento assim como o conhecimento racional-empírico-técnico.Para além de abordagens técnicas e descontextualizadas sobre a cultura, a arte, comoelemento cultural, oferece oportunidades de experimentações e vivências, assim como adivulgação e a manutenção desse “precioso tesouro” (MORIN, 2003, p. 57).A arte, através da música e das artes plásticas, por exemplo, assim como o tipo deeconomia, modos de sobrevivências, etc., são componentes que constituem a cultura de umpovo e são todos importantes na educação e no desenvolvimento humano. Ela pode ofereceroportunidades de reflexão, questionamento, conhecimento e entendimento quanto à riqueza dagrande diversidade cultural da espécie humana. O desenvolvimento e a contextualizaçãohistórica dos componentes culturais através da arte pode ajudar a compreender as inquietaçõeshumanas, contribuindo para o fortalecimento do sentimento de pertencimento ao grupo e dopotencial criativo.Justificativa
  2. 2. 2Trabalhar com a diversidade cultural nas escolas pode significar, além da divulgação emanutenção das tradições, o desenvolvimento cognitivo, a imaginação, a reflexão crítica ecriativa, um combate à massificação que tem vulgarizado e desvalorizado a arte e oconhecimento, prejudicando drasticamente a educação em todos os níveis.Paulo Freire (1996) destaca a importância do reconhecimento da identidade culturaltanto no ato de ensinar quanto no ato de aprender, como fator que contribui na práticaeducativo-crítica para o sujeito “assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante,comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz deamar” (FREIRE, 1996, p. 46).Ainda que possamos compreender que a cultura e a influência cultural são fatores queindependem da abordagem formal na escola e que está implícita ou explícita no ambientesocial, pois “o homem é um ser predominantemente cultural” (LARAIA, 2001, p. 38), sendotratada de forma sistemática e coerente, pode significar um estímulo a ações transformadoras.De acordo com o Professor Laraia (2001, p. 41):O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é herdeiro de umlongo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquiridospelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativadesse patrimônio cultural permite as inovações e as invenções.É preciso colocar ao alcance dos estudantes materiais que lhes permitam exercer acriatividade e a produção do conhecimento de maneira revolucionaria. Temos na culturacomponentes de grande potencial nesse sentido.As músicas folclóricas, as brincadeiras e os jogos tradicionais, dizem muito sobre acultura de um povo, permitem a manutenção da cultura popular e ao mesmo tempo podemcontribuir significativamente para o processo de desenvolvimento humano.A Arte, com seu conteúdo específico e como disciplina necessária e obrigatória naeducação escolar, mostra-se, como destaca Matos (2005), como pólo dinamizador docurrículo e seu maior mérito é possibilitar uma relação de ensino e aprendizagemsignificativa. Sendo a Arte parte integrante da cultura, sua utilização apresenta-se de formarelevante e com amplas possibilidades de integração, divulgação e desenvolvimento dacultura popular no contexto escolar em relação com os diversos conteúdos e disciplinas.A compreensão de que a manifestação artística é multifacetada, não possuindo valoreshierárquicos condicionados ao seu caráter mais erudito e popular, tem sido de grandeimportância para que se vislumbre, para a arte-educação, novos caminhos mais
  3. 3. 3afinados com as realidades socioculturais das diferentes comunidades. (OSINSKI,2002, p.115).Osisnki (2002) aponta para o grande potencial da Arte na educação em umaperspectiva de abordagem cultural no contexto escolar em todos os níveis.Referencial teóricoEncontramos na atualidade políticas e proposições pedagógicas que visam àconstrução de novos paradigmas para a formação de um ser humano integrado, que possaexercer sua cidadania de forma consciente e digna. Acreditamos que a reflexão sobre otrabalho na educação deve envolver o relacionamento de fatos e áreas do conhecimento.Devemos estar atentos às novas formulações quanto ao trabalho educativo, referenciando-seem propostas que encontram coerência com as necessidades e apontamentos atuais.Tendo em vista a aludida coerência e com o objetivo de contribuir no processo deanálise e reflexão sobre as práticas e possibilidades da Arte e da Cultura Popular na Educação,foi adotado como referencial teórico para a realização desse trabalho: os ParâmetrosCurriculares Nacionais - Arte; a natureza epistemológica da proposta triangular da ProfessoraAna Mae Barbosa dentro de uma perspectiva interdisciplinar; e o ensino pré-figurativo domúsico, compositor e professor Koellreutter.A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9.394/96 estabelece que oensino de arte deve constituir-se como um componente curricular obrigatório em todos osníveis da educação básica. E no ano de 1997 foi publicado pela Secretaria de EnsinoFundamental (SEF), do Ministério da Educação (MEC), os Parâmetros Curriculares Nacionais(PCN) que destacam a importância da Arte na formação dos educandos. Entende-se que oPCN de Arte, ainda que, de acordo com Penna (2005): descompassado entre a realidade dasescolas e a renovação pretendida pelas instâncias regulamentadoras e pelos trabalhosacadêmicos; e a LDB 9.394/96, ainda que confusa em determinados aspectos segundoBellochio (2003), norteiam as políticas públicas para a educação relacionada ao ensino e autilização da Arte na educação em todos os níveis, como destaca Araújo e Silva (2004), comdiversas finalidades, incluindo a compreensão, a manutenção e a divulgação da nossa cultura.A professora Ana Mae Barbosa (2003, p. 18) ressalta queA Arte na Educação como expressão pessoal e como cultura é um importanteinstrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento individual. Por meio daArte é possível desenvolver a percepção e a imaginação, apreender a realidade do
  4. 4. 4meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar arealidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade quefoi analisada.Percebe-se que a Arte pode favorece abordagens diversas da cultura no processoeducativo e uma relação criadora com outras disciplinas, uma vez que a própria arte possuiuma dimensão interdisciplinar. Através dessas possibilidades, a música, como manifestaçãoArtística e citada no PCN de Arte, apresenta-se como elemento a ser trabalhado e utilizadonesse processo.A proposta triangular foi sistematizada na década de 80 pela professora e pesquisadoraAna Mae Barbosa. Essa proposta tem em sua natureza epistemológica o fazer artístico, aleitura da obra de arte e a contextualização. Essa proposta permite a abordagem da arte naeducação de forma sistemática e significativa, possibilitando a ampliação da capacidadecognitiva, estética e social. Segundo Lívia Marques Carvalho (2005), os três eixos norteadorescitados no PCN-Arte - produção, fruição e reflexão - derivados da proposta triangular, foramconcebidos originalmente para o ensino de artes plásticas, nos PCN são colocados para a áreade Arte como um todo. Lívia destaca que a influência marcante da Proposta Triangular naorientação pedagógica dos PCN-Arte, é um dado positivo, uma vez que esta abordagem émuito discutida e difundida na área de artes plásticas/visuais, através de encontros,seminários, relatos e vários tipos de publicações, sendo adotada em diversas escolas.A interdisciplinaridade será concebida, de acordo com Fazenda (2005), como umamudança de atitude no compreender e entender o conhecimento, uma troca em que todossaem ganhando: alunos, professores e a própria instituição. A professora Ivani Fazenda vaialém da simples definição de interdisciplinaridade em suas colocações, nos fala sobre umamudança de atitude, que Ana Amália Barbosa, citando Fazenda (1994), defini como sendo:[...] uma atitude frente a alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de esperafrente aos atos não consumados, atitude de reciprocidade que impele à troca, queimpele ao diálogo, ao diálogo com pares anônimos ou consigo mesmo, atitude dehumildade frente à limitação do próprio saber, atitude de perplexidade frente àpossibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio, frente ao novo, desafioem redimensionar o velho, atitude de envolvimento e comprometimento com osprojetos e com as pessoas neles envolvidas, atitude pois, de compromisso emconstruir sempre da melhor forma possível, atitude de responsabilidade, massobretudo de alegria, de revelação, de encontro, enfim, de vida. (FAZENDA, 1994apud BARBOSA, 2003, p. 106).Em relação a proposta do professor Koellreutter, em consonância com o exposto atéaqui, o ensino pré-figurativo procura visualizar a Educação Musical com possibilidades de
  5. 5. 5contextualização, sensibilização, respeito, troca de experiências, novas vivências econhecimentos, dinâmicas que podem proporcionar um posicionamento do sujeito frente à suarealidade sociocultural e na capacidade de compreensão e transformação da mesma. Segundoo próprio Koellreutter (1997), a Educação Musical dentro da proposta do ensino pré-figurativo(...) orienta e guia o aluno, não o obrigando, porém, a sujeitar-se à tradição, valendo-sedo diálogo e de estudos concernentes àquilo que há de existir ou pode existir, ou sereceia que exista. Um sistema educacional em que não se ‘educa’, no sentidotradicional, mas, sim, em que se conscientiza e ‘orienta’ os alunos através do diálogoe do debate. (KOELLREUTTER, 1997)Trata-se de uma “(...) atitude pedagógica e educadora em seu sentido mais amplo,aponta caminhos futuros porque respeita o presente, o contexto, as possibilidades que seapresentam, visando preservar e enriquecer o espírito criador” (BRITO, 2001).Segundo Joly (2003), a utilização da música na educação não deve ficar restrita aensinamentos técnicos e formais, mas ser usada como elemento de potencial significativo noprocesso pedagógico. Deve-se procurar visualizá-la com possibilidades de contextualização,sensibilização, respeito, troca de experiências, novas vivências e conhecimentos, dinâmicasque podem proporcionar um posicionamento do sujeito frente à sua realidade sociocultural ena capacidade de compreensão e transformação da mesma, como destaca também o professorKoellreuter (1997).Objetivo geralRealizar o resgate e novas articulações e envolvimento com a cultura popular atravésda música, das artes visuais e das artes cênicas, numa perspectiva interdisciplinar.Objetivo específicoAnalisar a presença, a abordagem e a utilização de cantigas, brincadeiras e jogostradicionais da nossa cultura no contexto escolar.
  6. 6. 6Possibilitar o diálogo e a aproximação de gerações de parentes e alunos através de umainvestigação sobre as músicas folclóricas, as brincadeiras e jogos tradicionais presentes emdiferentes épocas, contextualizando e comparando.Utilizar as artes musicais, visuais e cênicas através da proposta triangular, em umtrabalho interdisciplinar com os conteúdos da educação física, literatura e português, noresgate e manutenção da cultura popular brasileira.DesenvolvimentoO projeto foi aplicado em uma escola particular de educação infantil, localizada naperiferia de Belo Horizonte, em uma turma com 14 crianças entre 5 e 6 anos de idade, entre osmeses de setembro e dezembro de 2005, duas vezes por semana, com duração de uma hora etrinta minutos cada encontro.As atividades foram desenvolvidas, tendo a arte como eixo central e com base nospressupostos apresentados acima, em parceira com a professora regente, criando epossibilitando oportunidades de intervir na prática educativa contribuindo no processo dedesenvolvimento dos professores e dos estudantes.As etapas e atividades propostas para execução do projeto foram: Apresentação e sensibilização da aplicação da proposta na escola; Seleção e estudo dos temas do folclore infantil dentro do repertório de músicas deVilla-Lobos; Apresentação e desenvolvimento de atividades que pudessem oferecer oportunidadepara os estudantes conhecerem o projeto e possibilitar debates para mudanças eimplementações; Ouvir e cantar as cantigas selecionadas; Confecção de instrumentos musicais utilizando materiais diversos e /ou sucatas; Relacionar e debater sobre as músicas folclóricas com as brincadeiras de roda; Entrevista com os familiares dos estudantes em busca de comparações de épocasdiferentes em relação às músicas, as brincadeiras e os jogos tradicionais,possibilitando a contextualização e o resgate dos mesmos; Identificar jogos e brincadeiras nas obras dos artistas Pieter Bruegel (renascentista) eCandido Portinari (moderno);
  7. 7. 7 Debater e listar quais brincadeiras ainda são conhecidas e praticadas atualmente; Produzir e criar possibilidades de fazer uma releitura das obras relacionadas através dedesenhos, pinturas e encenações; Apresentação das brincadeiras atuais; Tocar, cantar, dançar e representar as cantigas e as brincadeiras de roda.Avaliação de resultadosForam realizadas alterações no desenvolvimento e aplicação das atividades, o quepermitiram uma maior dinâmica e flexibilidade no desenvolvimento do projeto.A proposta central não sofreu nenhuma modificação, mas a forma como algumas atividadesestavam propostas sim - a escolha das músicas e brincadeiras, a forma de abordagem, o graude dificuldade das atividades propostas, etc..Foi considerada e respeitada a parceria com a professora regente, que garantiu parte docaráter interdisciplinar do projeto. Houve muita abertura e disposição para o desenvolvimentodo projeto. A professora procurou elaborar atividade considerando os trabalhos realizadoscom a turma, aproveitando alguns elementos que fossem abordados principalmente nas aulasde português.Desde o início as crianças foram muito receptivas e se mostraram entusiasmadas coma possibilidade da realização do projeto. Conversando com elas, foi possível perceber queisso, em parte, ocorreu pelo fato de ter sido um trabalho envolvendo atividades ligadas a arte eem conjunto com a professora, respeitando o planejamento e o que já estava sendo realizado.Nas primeiras aulas foram desenvolvidas dinâmicas que possibilitaram a criação delaços de confiança, permitindo, em um curto espaço de tempo, que os alunoscompreendessem a proposta e pudessem participar com envolvimento e interesse, inclusivesugerindo como as atividades poderiam ser realizadas em determinados momentos. Procurou-se incentivar a participação efetiva das crianças.O tema central foi abordado em todos os encontros, repetindo algumas atividades e àsvezes variando, mas mantendo uma linha de trabalho que fez com que as crianças sesentissem seguros, confiantes, atentos em cada etapa, participando de forma dinâmica.Foi possível abordar e desenvolver atividades sobre as cantigas e brincadeiras de roda,tendo como eixo central o trabalho de resgate da cultura popular realizado por Villa-Lobos;
  8. 8. 8Ampliar o conhecimento em relação às cantigas e os jogos tradicionais da nossacultura através de entrevistas e conversas com os pais e parentes dos estudantes;Utilizar o quadro de Peter Bruegel, “jogos infantis”, no resgate e em novasarticulações dos jogos e brincadeiras infantis tradicionais presentes em nossa cultura;Traçar um paralelo entre Villa-Lobos e Bruegel, através do material que utilizamosnos encontros (a impressão do quadro de Bruegel, assim como uma fita de vídeo com umdocumentário sobre o mesmo quadro e um CD com algumas cantigas gravadas por Villa-Lobos). Destacar a importância de ambos na manutenção e divulgação da cultura tradicionaldos paises onde viveram, contextualizando os períodos;Conhecer um pouco sobre as cantigas e brincadeiras de roda das crianças, assim comoos jogos infantis que praticam atualmente;Desenvolver atividades utilizando a música, as artes cênicas e as artes plásticas,contextualizando com elementos e práticas de interesses presentes no cotidiano das crianças;Possibilitar à professora regente da turma a apropriação das atividades desenvolvidaspara realizar trabalhos e desenvolver novas atividades na abordagem de outros conteúdos;Considerações finaisDurante a aplicação do projeto, procuramos conhecer um pouco da dinâmica daescola, da concepção da professora e da coordenadora da turma em relação à Arte naeducação, em relação à presença da Arte na formação das crianças do 3o período da educaçãoinfantil e o tratamento dado à cultura popular no contexto escolar. Foi possível constatar que:a escola reconhece a importância da arte na educação, que gostaria de contratar umespecialista na área, mas alegam não ter condições financeiras para isso. A escola não ofereceuma infra-estrutura favorável ao desenvolvimento de atividades artísticas. Realizam taisatividades tendo como referencial alguns livros que tratam do assunto e sob a orientação deuma professora formada em licenciatura em educação artística que atua como professoraregente do maternal. Essa professora se mostra comprometida com a arte, procurando incluí-la nos processos educativos e destacando sua especificidade. No entanto os trabalhosrealizados encontram-se vinculados à concepção de educação artística - “[...] com atitudehabitual que converte a disciplina em uma pulverização de tópicos, técnicas, ´produtos´artísticos e empobrece o verdadeiro sentido do ensino de Arte.” (FUSARI; FERRAZ, 1993,p.) - e não nos conceitos que norteiam a arte-educação, que segundo Fusari e Ferraz (1993),
  9. 9. 9vem se apresentando como um movimento em busca de novas metodologias de ensino eaprendizagem de arte nas Escolas, valorizando o professor da área, que discute e propõe umredimensionamento do seu trabalho, conscientizando-o da importância da sua açãoprofissional e política na sociedade.Foi possível constatar que a Arte pode contribuir significativamente no processo deensino-aprendizagem, no processo de resgate e de criação de novas articulações envolvendo acultura popular, principalmente através de abordagens interdisciplinares e contextualizada,respeitando a etapa e a realidade dos estudantes.Acredito que o compromisso sério com a nossa formação através de estudospermanentes, da busca constante das necessidades adequadas de infra-estrutura e dodesenvolvimento e aplicação de políticas públicas, nosso trabalho como Arte-educador podeser de grande relevância no contexto escolar e conseqüentemente na sociedade.Referências BibliográficasBARBOSA, Ana Mae. As mutações do conceito e da prática. In BAROBOSA, Ana Mae(org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2ª Ed. São Paulo: Cortez, 2003. Cap. 1, p.13-25.BARBOSA, Ana Amália. Interdisciplinaridade. In BAROBOSA, Ana Mae (org.).Inquietações e mudanças no ensino da arte. 2ª Ed. São Paulo: Cortez, 2003. Cap. 7, p. 105-110.BELLOCHIO, Cláudia Ribeiro. Educação musical e professores dos anos iniciais deescolarização: formação inicial e práticas educativas. In: HENTSCHKE, Liane; DEL BEN,Luciana (org.). Ensino de música: propostas para pensar e agir em sala de aula. São Paulo:Moderna, 2003. Cap. 8, p. 127-140.BRASIL. Lei de diretrizes e bases da Educação Nacional no9394, 20 de dezembro de 1996.BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Arte. 2ªed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.BRITO, Teca Alencar de. Koellreutter educador: O humano como objetivo da educaçãomusical. São Paulo: Peirópolis, 2001.CARVALHO, Lívia Marques. Expandindo fronteiras: a proposta pedagógica para as artesvisuais. Disponível em <http://www.cchla.ufpb.br/pesquisarte/Livro/4.html>. Acesso em13/12/2005.CHAUI, Marilena. A Cultura de massa e a Indústria cultural. In: CHAUI, Marilena. Convite àfilosofia. 13ª ed. São Paulo: Editora Ática, 2004. Cap. 4, p. 288 – 305.
  10. 10. 10FAZENDA, Ivani C. A. A questão da interdisciplinaridade no ensino. Disponível em<http://www.ensinofernandomota.hpg.ig.com.br/textos/arquivo%20-QUESTAO%20DA%20INTERDISCIPLINARIDADE%20NO%20ENSINO.doc>. Acesso em 01/06/2005.FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo:Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura)FUSARI, Maria Felisminda de Rezende e, FERRAZ, Maria Heloísa Corrêa de Toledo. Artena Educação Escolar. São Paulo: Cortez, 1993. (Coleção Magistério 2ograu. Série formaçãogeral)JOLY, Ilza Zenker Leme. Educação e Educação Musical: conhecimentos para compreender acriança e suas relações com a música. In: HENTSCHKE, Liane; DEL BEN, Luciana (org.).Ensino de música: propostas para pensar e agir em sala de aula. São Paulo: Moderna, 2003.Cap. 7, p. 113-126.KOELLREUTTER, Hans Joachin. O ensino da Música num mundo modificado. In: Cadernode Estudo – Educação Musical. Belo Horizonte: Atravez / EMUFMG, 1997. N° 6 p.37-44.LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 14ª ed. Rio de Janeiro: JorgeZahar, 2001.MATOS, Adalgisa Helena Gomes de. A arte na formação da docência. Presença pedagógica.Belo Horizonte, v.11, n.64, p.31-39, jul./ago. 2005MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução Catarina EleonorF. da Silva e Jeanne Sawaya; Revisão técnica de Edgard de Assis Carvalho. 8ª Ed. São Paulo:Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2003.OSINSKI, Dulce Regina Baggio. Arte, história e ensino: uma trajetória. 2ª Ed. São Paulo:Cortez, 2002. (Coleções da nossa época: v. 79)RALHAL, Jurema Luzia de Freitas; ARAÚJO, Anna Rita Ferreira. Arte e Educação: Culturasdo Aprender e do Ensinar Desenvolvimento de Competências no Ensino de Arte: Soluções OuProvocações? Trabalho apresentado no XIV ConFAEB em 2003. Disponível em<http://www.jurema-sampaio.pro.br/ConFAEB2003/CONFAEB-ju-annarita.pdf>. Acessoem 01/12/2005.PENNA, Maura. PCN nas escolas: e agora? Disponível em <http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=12>. Acesso em 13/12/2005.SOUZA, Jusamara et al. O que faz a música na escola? Concepções e vivências deprofessores do ensino fundamental. Porto Alegre: Programa de Pós-Graduação em Música –Mestrado e Doutorado do Departamento de Música UFRGS, 2002.i“Quando pensadas como produções ou criações coletivas vindas do passado nacional, formando atradição nacional, a cultura e arte populares recebem o nome de folclore.” (CHAUI, 2004, p. 289,grifo da autora)A idéia de cultura popular como manifestação da tradição ou espírito de um povo, segundo CHAUI(2004), surgiu no século XIX durante o Romantismo, período onde a divisão econômico-social dasclasses afetaria diretamente o plano cultural, trazendo conseqüências aos dias de hoje.

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