UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA -UDESC 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO /FAED 
CURSO DE PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS ...
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CURSO DE PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS ...
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA 
CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO 
CURSO DE PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS 
DA LEITURA D...
AGRADECIMENTOS 
Um Muito Obrigado primeiramente a Deus, que dá a força necessária através 
da fé para continuar a lutar e ...
Agradeço especialmente aos meus amados filhos: Vanessa, Carlos Henrique, 
André Fellipe e Alexandra, pela compreensão da m...
MENSAGEM 
Precisamos criar a escola 
que é aventura, 
que marcha, 
que não tem medo do risco, 
por isso que recusa o imobi...
RESUMO 
O trabalho titulado Da leitura do mundo à leitura da palavra: possibilidades didático-pedagógicas 
foi elaborado a...
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO..........................................................................................................
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
Figura 1- Vista da Escola Rua Alves de Brito, 334 
Figura 2- Vista interna da Escola 
Figura 3- Quad...
LISTA DE ANEXOS 
Anexo 1- Projeto Formação de leitores: uma experiência na 2ª série do Ensino 
Fundamental da Escola de Ed...
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INTRODUÇÃO 
Nosso estágio foi realizado na Escola de Educação Básica Silveira de Souza, no 
período de quinze de março...
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mais adequado para atividades de leitura e escrita com muito mais propriedade e 
sentido. 
Durante a docência utilizam...
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1. CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO 
A Escola de Educação Básica Silveira de Souza situada à rua Alves de Brito, 334...
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Figura 2- Vista interna da Escola 
Figura 3- Quadra poliesportiva.
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2. PRÁTICA VIVENCIADA 
Nas primeiras semanas de março de 2005 retornamos ao nosso campo de 
estágio, a Escola Silveira...
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olhares e, encontramos uma turma numerosa, composta por crianças de diferentes faixas 
etárias. Natália coloca para as...
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descoberta contando a quantidade de algarismos do número. Então, o número tem duas 
classes e cinco ordens. Explicação...
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princípio o prazer parece o ponto básico para o sucesso de qualquer esforço honesto 
de incentivo à leitura. 
No plane...
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votação: cada um escreveria num papel o nome da criança que gostaria que fosse o líder 
da sala e entregaria para a pr...
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Através da sugestão do Padre Vilson, presente no evento, os alunos de nossa 
Escola Silveira de Souza representaram os...
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Patrick paz Yuri amor, carinho, paixão, 
saudade 
Andressa - amorosa Bruno - alegria 
Em seguida, as crianças preenche...
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Gostaríamos de registrar o interessante envolvimento das crianças ao ouvirem a 
leitura dos demais colegas do texto ti...
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janelas... ao término da cópia, as crianças são convidadas a guardarem o caderno de 
português e a realizarem leitura ...
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números romanos. Na ausência de Natália, as crianças envolveram-se numa 
constante falação num tom muito elevado de vo...
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deixar de ser criança é necessário namorar. Após sua colocação, a professora 
acrescenta: Será? Ouvem-se então muitas ...
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O conteúdo dos cartões: Artigos do Estatuto de Po+Ética para Crianças. 
Neste movimento de organização de grupos, de s...
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Mediante muitas das nossas colocações sobre Relações Humanas , tema da 
nossa aula, convidamos as crianças para ouvirm...
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Com o término das correções, a turma organizou-se nos grupos que 
discutiram as mensagens dos cartões. A atividade seg...
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Primeiramente reconheceram-nas apenas como crianças, e depois verificaram os 
detalhes e perceberam que eram crianças ...
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Interpretações dos alunos: É pra fazer uma conta. Pra saber quantas 
figurinhas Pedro tem. É um problema. Tem que reso...
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Notamos dificuldades na compreensão da brincadeira. As crianças não 
conseguiam entender que, deveriam escrever na ver...
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mostravam ansiosos para a realização desta saída, tínhamos um total de 20 alunos 
presentes. 
Antes de sairmos para a ...
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Figura 6- Visita a Feira de Rua do Livro 
Figura 7- Conversa com escritora durante a Feira de Rua do Livro 
A turma vi...
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chamou atenção (apontando aspectos positivos e negativos da visita feita a Feira de Rua 
de Livro. 
Sentados em círcul...
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Figura 9- Produção de texto e ilustração do livro 
Com o nosso auxílio, frente suas solicitações, as crianças confecci...
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Figura 10- Realização de atividades em grupo. 
Consideramos a pesquisa uma excelente possibilidade didático-metodológi...
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Questionamos a turma sobre para que pensavam que existiam os mapas: Pra se 
localizar. Pra viajar. Pra não se perder. ...
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Durante a cópia ouvimos constantes reclamações sobre a quantidade de 
conteúdo que deveria ser copiado. Algumas crianç...
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Figura 13- Leitura de imagens / obras de arte 
Conversamos sobre o que são cartões-postais, quais as suas principais 
...
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Figura 14- Produção de cartões-postais do bairro onde moram 
Figura 15- Exposição dos trabalhos (cartões-postais) na F...
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Continuamos com o conteúdo das regiões do Brasil tendo como recurso para 
ampliá-lo um vídeo que abordava variados asp...
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Para finalizar esta aula os alunos de cada equipe selecionaram figuras e colaram 
na sua região do Brasil, representan...
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Figura 18- Apresentação da pesquisa pelos alunos 
Resgatamos os aspectos mais marcantes das regiões do Brasil: desmata...
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Foram sublinhadas as partes mais interessantes do texto, segundo critérios das 
crianças, para seguirmos a discussão. ...
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Após todos entregarem o texto construído, realizamos a cópia de dois problemas 
matemáticos como deveres: 1- Grande pa...
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Oferecemos como uma das formas de agradecimento para as crianças e para a 
professora, um lanche preparado com carinho...
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3. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO ESTÁGIO 
Nesta parte do relatório apresentamos nossas reflexões através das produções 
indiv...
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Iniciando a caminhada 
A realização do estágio curricular na Escola de Educação Básica Silveira de 
Souza, na turma da...
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Centro, Agronômica, Morro do Céu, Morro do 25 e Morro de Nova Trento, situados na 
região próxima ao centro da cidade....
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Através de Gumperz2 relembramos que a função social da escrita está ligada à 
necessidade de ler e escrever. Mas não s...
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sons sílabas sem sentido a habilidades cognitivas e metacognitivas; inclui 
dentre outras: a habilidade de captar sign...
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currículo escolar, através da exploração de gibis, mapas, gráficos, diferentes gêneros 
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propostas. Este foi o nosso combinado: ir até a caixa somente quando terminassem a 
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estava fluindo muito bem, já que haviam pesquisado, lido e discutido o tema, realizado 
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3.2 Ler é, ler exige... refletindo sobre o uso de variados recursos textuais na 
formação de leitores. 
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Conhecer para planejar: é hora de refletir sobre a própria atuação 
A situação educacional que estamos vivendo hoje é ...
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O trabalho titulado Da leitura do mundo à leitura da palavra: possibilidades didáticopedagógicas
foi elaborado a partir das nossas observações e da nossa docência na
turma da quarta série do Ensino Fundamental da Escola de Educação Básica Silveira de
Souza. Nosso objetivo principal foi desenvolver atividades de leituras nas quais as
crianças pudessem perceber-se e sentir-se sujeitos de sua própria aprendizagem,
favorecendo suas interações no ato de ler; interpretando, questionando, argumentando e
formulando suas opiniões a cerca das leituras que realizam. As leituras propostas
ultrapassaram o impresso no papel, tendo como recurso as diferentes formas de
linguagem, partindo das leituras que as crianças fazem diariamente para ampliação de
seus conhecimentos e interpretações do mundo. Para atingir os objetivos propostos no
estágio, utilizamos como referência os teóricos Vygotsky (1991), Freire (1990) e Soares
(2001).

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  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA -UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO /FAED CURSO DE PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS TRABALHO FINAL DE ESTÁGIO DA LEITURA DO MUNDO À LEITURA DA PALAVRA: POSSIBILIDADES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS GISLENE PRIM SANDRA REGINA PIRES FERREIRA FLORIANÓPOLIS, JULHO DE 2005
  2. 2. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA -UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO /FAED CURSO DE PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS DA LEITURA DO MUNDO À LEITURA DA PALAVRA: POSSIBILIDADES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS Relatório Final de estágio apresentado à Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC Centro de Ciências da Educação, Curso de Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais- 8a. fase, 2005 à Disciplina de Prática de Ensino Orientadora Profª Drª Alba Regina Battisti de Souza. FLORIANÓPOLIS, JULHO DE 2005
  3. 3. UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA SÉRIES INICIAIS DA LEITURA DO MUNDO À LEITURA DA PALAVRA: POSSIBILIDADES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS Coordenadora geral de estágio Professora Elisa Cristina Delfine Corrêa Orientadora de Estágio Professora Alba Regina Battisti de Souza Supervisora de Estágio Professora Maria Natália José FLORIANÓPOLIS, JUNHO/2005
  4. 4. AGRADECIMENTOS Um Muito Obrigado primeiramente a Deus, que dá a força necessária através da fé para continuar a lutar e concretizar os sonhos. Aos pais e demais familiares que acompanham meus passos, acreditando no sucesso da realização desta caminhada. Passando juntos momentos de alegria e dificuldades, experiências que trazem importantes ensinamentos. Demais amigos que ficaram muitas vezes sem o nosso telefonema ou visita devido à falta de tempo, cansaço, mas nunca por esquecimento, estavam todos no coração me impulsionando na caminhada. Aos professores e amigos que compõe a turma de Pedagogia que convivi neste quatro anos, pessoas que jamais serão esquecidas devido à participação num momento tão especial de minha vida, o curso de graduação. O dia-a-dia em sala de aula, cada texto discutido, leituras e escritas, o papo de corredor, as panelinhas, as caras feias e os sorrisos fizeram parte da formação não só profissional, mas também humana. Um obrigado especial para a companheira de estágio e grande amiga Sandra Regina pela paciência, profissionalismo e valiosos aprendizados na importante realização de nosso estágio, sempre com os ouvidos e o coração aberto. Bem como nossa orientadora Alba pelo acompanhamento de nosso trabalho, de forma tranqüila e objetiva, demonstrando seu compromisso pela educação. À Escola de Educação Básica Silveira de Souza e seus profissionais pelas portas abertas ao estágio, em especial à professora Natália, com a sua disponibilidade para a realização de nosso projeto, sinceridade e companheirismo para conosco. E principalmente às crianças desta escola, desde o período de observação à docência, nossa acolhida foi essencial. Foram elas que fizeram parte de nossos pensamentos nos últimos meses, a cada planejamento, registro, seus olhares, ações e reações. Muito obrigada por participar com vocês deste momento tão especial de nossas vidas. Gislene Prim.
  5. 5. Agradeço especialmente aos meus amados filhos: Vanessa, Carlos Henrique, André Fellipe e Alexandra, pela compreensão da minha ausência em muitos momentos de sua infância. Sem eles, esta caminhada não teria sentido. Agradeço ao meu esposo e companheiro Joel pela força e incentivo. Agradeço carinhosamente aos meus pais Gerssé e Vandir por minha vida, pela educação recebida e aos meus irmãos Elizângela e Fabiano pelos pensamentos positivos quando a voz se calava. Agradeço também a colega de universidade Gislene Prim e ao colega Mário José da Conceição Junior pela partilha dos momentos mais alegres e difíceis de nossa formação. Agradeço a Deus por minha família, por meus colegas , pela saúde e pela força interior que me alimenta. Sandra Regina Pires Ferreira. Você não sabe o quanto eu caminhei , pra chegar até aqui. Percorri milhas e milhas antes de dormir, eu não cochilei... A vida ensina e o tempo traz o tom, pra nascer uma canção e com a fé do dia-a-dia encontrar solução. A Estrada Cidade Negra
  6. 6. MENSAGEM Precisamos criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A escola em que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida. Paulo Freire
  7. 7. RESUMO O trabalho titulado Da leitura do mundo à leitura da palavra: possibilidades didático-pedagógicas foi elaborado a partir das nossas observações e da nossa docência na turma da quarta série do Ensino Fundamental da Escola de Educação Básica Silveira de Souza. Nosso objetivo principal foi desenvolver atividades de leituras nas quais as crianças pudessem perceber-se e sentir-se sujeitos de sua própria aprendizagem, favorecendo suas interações no ato de ler; interpretando, questionando, argumentando e formulando suas opiniões a cerca das leituras que realizam. As leituras propostas ultrapassaram o impresso no papel, tendo como recurso as diferentes formas de linguagem, partindo das leituras que as crianças fazem diariamente para ampliação de seus conhecimentos e interpretações do mundo. Para atingir os objetivos propostos no estágio, utilizamos como referência os teóricos Vygotsky (1991), Freire (1990) e Soares (2001). Palavras - chave: leitura, interpretação, aprendizagem.
  8. 8. SUMÁRIO INTRODUÇÃO............................................................................................................ 11 1. CARACTERIZAÇÃO DA ENTIDADE - CAMPO DE ESTÁGIO .................. 13 2. PRÁTICA VIVENCIADA.......................................................................................15 3. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO ESTÁGIO........................................................... 46 3.1 Ler, ai que chato?! A leitura com fonte de aprendizagem............................... .46 3.2 Ler é, ler exige... Refletindo sobre uso de variados recursos textuais na formação de leitores......................................................................................................55 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................64 REFERÊNCIAS............................................................................................................ 66 ANEXOS....................................................................................................................... 67
  9. 9. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1- Vista da Escola Rua Alves de Brito, 334 Figura 2- Vista interna da Escola Figura 3- Quadra poliesportiva Figura 4- Turma durante a cópia de conteúdos do quadro Figura 5- Contação de história Figura 6- Visita a Feira de Rua do Livro de Florianópolis Figura 7- Conversa com a escritora durante a Feira de Rua do Livro Figura 8- Produção de livros em sala de aula Figura 9- Produção de texto e ilustração do livro Figura 10- Realização de atividades em grupo Figura 11- Apresentação de teatro de fantoches Figura 12- Leitura de imagens/ obras de arte Figura 13- Leitura de imagens/ obras de arte Figura 14- Produção de cartões-postais do bairro onde moram Figura 15- Exposição dos trabalhos (cartões-postais) na Feira promovida pelo Fórum do Maciço do Morro da Cruz Figura 16- Apresentação de pesquisa pelos alunos Figura 17- Apresentação de pesquisa pelos alunos Figura 18- Apresentação de pesquisa pelos alunos Figura 19- Turma no pátio central da Escola
  10. 10. LISTA DE ANEXOS Anexo 1- Projeto Formação de leitores: uma experiência na 2ª série do Ensino Fundamental da Escola de Educação Básica Silveira de Souza. Anexo 2- Projeto de docência compartilhado Anexo 3- Projeto de ensino-aprendizagem 29/03/05- Identidade Anexo 4- Projeto de ensino-aprendizagem 13/04/05 Relações Humanas Anexo 5- Projeto de ensino-aprendizagem 19 e 20/04/05 O Índio e Descobrimento do Brasil Anexo 6- Projeto de ensino-aprendizagem 26/04/05 Resgate das discussões sobre os Índios e o Descobrimento do Brasil e resolução de problemas matemáticos Anexo 7- Projeto de ensino-aprendizagem 03 e 04/05/05 Produção textual e sinais de pontuação Anexo 8- Projeto de ensino-aprendizagem- 11/05/05 Resgatando produção textual, pontuação e as quatro operações Anexo 9- Projeto de ensino-aprendizagem 13/05/05 Visita a Feira de Rua do Livro de Florianópolis Anexo 10- Projeto de ensino-aprendizagem- 18/05/05- Resgatando a visita à Feira de Rua do Livro e produção de livros Anexo 11 e 12- Projeto: Brasil: Leituras do ontem e do hoje e Projeto de ensino-aprendizagem- 24, 31/05 e 01/06/05- Brasil: leituras do ontem e do hoje Anexo 13- Texto produzido a partir das pesquisas dos alunos Anexo 14 Projeto de ensino-aprendizagem- 07 e 08/06/05 Descobrindo o Brasil: leituras do ontem e do hoje, dando ênfase ao homem nas leituras propostas Anexo 15- Projeto de ensino-aprendizagem- 14/06/05- Jogo de perguntas e respostas
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO Nosso estágio foi realizado na Escola de Educação Básica Silveira de Souza, no período de quinze de março a quinze de junho do corrente ano. O tema escolhido foi Formação de Leitores , e o nosso projeto de docência titulado: Da leitura de mundo à leitura da palavra: possibilidades didático pedagógicas . Escolhemos este tema porque acreditamos na possibilidade de desenvolvermos atividades de leitura que ampliem e despertem nas crianças o gostar de ler. Para o período de docência traçamos como objetivo despertar nas crianças suas percepções, seus reconhecimentos como sujeitos de sua própria aprendizagem. Objetivávamos que a participação das crianças nas atividades de leitura com os mais variados recursos textuais acontecesse de forma significativa e prazerosa, levando-as a interpretação e a construção. A entrada de variados recursos textuais na sala de aula visou proporcionar o contato com diferentes gêneros textuais, organizados segundo os conteúdos curriculares e os objetivos propostos. Assim, introduzimos no espaço da sala de aula diferentes formas de linguagem: revistas, jornais, gibis, letras de músicas, poemas, livros de literatura infantil, textos retirados de livros didáticos, teatro, filmes, obras de arte, cartões postais, fotos, gravuras...para as crianças perceberem que, o que aprendemos possui relação direta com nossas vidas. Os autores que fundamentaram nossas práticas foram Vygotsky (1991), Freire (1990; 1993) e Soares (2001). Estes teóricos falam sobre a importância da interação, das experiências das crianças, vêem-nas como sujeitos de suas aprendizagens e apontam a importância e a influência do contexto social no processo de ensino-aprendizagem; indo ao encontro dos princípios que norteavam nossas intervenções. Os princípios de pesquisa-ação nortearam metodologicamente todo o estágio, coletamos dados das crianças e da professora quanto aos seus hábitos de leitura através de um questionário, observação participante e através do Projeto Político Pedagógico da instituição. Conhecemos a dinâmica da sala de aula e os hábitos de leitura daqueles que a compõem. A partir da análise dos dados levantamos a problemática voltada para a necessidade de considerar em nosso projeto variados recursos textuais como caminho
  12. 12. 12 mais adequado para atividades de leitura e escrita com muito mais propriedade e sentido. Durante a docência utilizamos algumas estratégias: vários ritmos de leitura (silenciosa, em voz alta, individual, coletiva) de acordo com a intencionalidade do texto, apreciação de obras artísticas, exploração gibis, escuta de músicas, apresentação teatral e contação de histórias, dentre outros. O primeiro capítulo apresentar o campo de estágio, as vivências de observação e docência na quarta série do Ensino Fundamental da Escola de Educação Básica Silveira de Souza; tendo como supervisora a Professora Maria Natália José e orientadora, a Professora Doutora Alba Regina Batistti de Souza. O período de estágio foi de suma importância em nossa formação. Vivenciar os movimentos de uma escola leva-nos a refletir sobre a complexidade de uma instituição de educação, favorecendo ponderações e o entendimento dos muitos fatores que influenciam na dinâmica de uma escola. Para nós, foi um momento de crescimento mútuo. No segundo capítulo expomos a análise de vivência de estágio, com a elaboração dos artigos fundamentados na prática reflexiva, como forma de deixar registrado os aspectos mais relevantes de nossa vivência de estágio. Nas considerações finais, analisamos nossas práticas, a viabilidade de atividades de leitura com variados recursos textuais para a formação de leitores. Nos anexos apresentaremos nossos planos de ensino-aprendizagem e os registros das atividades realizadas pelas crianças. Figura 1- Vista da Escola Rua Alves de Brito, 334
  13. 13. 13 1. CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO A Escola de Educação Básica Silveira de Souza situada à rua Alves de Brito, 334 Centro-Florianópolis, SC, foi fundada no dia 28 de setembro de 1913, pelo então governador do Estado Coronel Vidal José de Oliveira Ramos. À época, a escola denominava-se Grupo Escolar Silveira de Souza em homenagem a João Silveira de Souza, nascido na antiga Desterro. Advogado, promotor público, professor e escritor, foi patrono da cadeira nº 18 da Academia Catarinense de Letras. Foi transformada em Escola Básica em 1971, conforme decreto da Secretaria do Estado da Educação nº 7.571/84. Sendo assim, é mantida pela Secretaria de Estado da Educação e Inovação do Estado de Santa Catarina e está integrada ao Sistema Estadual de Ensino, ocorrendo um salto grandioso para a época, atualmente fazendo parte do Fórum Permanente do Maciço Central do Morro da Cruz desde 2000. Atende crianças das comunidades do Maciço (Morro da Cruz, Morro do 25, Morro do Céu, Nova Trento e imediações). O prédio, de construção antiga, de arquitetura açoriana, é tombado pelo Patrimônio Histórico. As salas têm grandes portas e janelas, um enorme pátio que poderia ser mais bem utilizado, com o oferecimento, por exemplo, de atividades ao ar livre, além da Educação Física. Devido a sua construção ser antiga e contornada por novos prédios, a escola parece um mundo à parte do que existe lá fora. A escola conta atualmente com 07 salas de aula; uma sala de vídeo; biblioteca; sala de informática (em fase de instalação dos computadores que foram doados); sala de Orientação Educacional; sala de Supervisão Escolar; sala de Direção; Secretaria; sala dos professores; banheiros masculino e feminino para professores; banheiros para os alunos; cozinha; refeitório; quadra coberta para a prática desportiva; sala de dentista, funcionando com uma dentista cedida pela Prefeitura Municipal de Florianópolis e um depósito. No período matutino a escola atende uma primeira série, duas segundas, uma terceira e uma quarta. E no período vespertino, uma terceira e uma quarta série totalizando 156 alunos. Também no período vespertino existem turmas de quinta a oitava séries, num total de 95 alunos.
  14. 14. 14 Figura 2- Vista interna da Escola Figura 3- Quadra poliesportiva.
  15. 15. 15 2. PRÁTICA VIVENCIADA Nas primeiras semanas de março de 2005 retornamos ao nosso campo de estágio, a Escola Silveira de Souza nos acolhe em mais essa etapa de nossa formação. Estamos ansiosas, sabemos que podemos continuar contando com a colaboração de Natália, a professora do semestre passado, porém, não estaremos com a mesma turma na qual realizamos nossas observações e conquistas. É um recomeçar... Precisamos conhecer, conviver, criar um clima de confiança para que as relações e as atividades propostas consigam alcançar os objetivos traçados, pois acreditamos que no processo de ensino e aprendizagem, é preciso o envolvimento, a aceitação e a parceria de todos. Figura 4- Turma durante a cópia de conteúdo do quadro Bem, mesmo antes de sermos apresentadas à nova turma, ainda na porta de entrada da sala de aula, Natália nos informa que a turma da quarta série, onde trabalha e onde desenvolveremos nossas intervenções, apresenta ritmos de aprendizagem diferenciados. Nos olhamos... Entramos na sala de aula, lançamos nossos primeiros
  16. 16. 16 olhares e, encontramos uma turma numerosa, composta por crianças de diferentes faixas etárias. Natália coloca para as crianças, que somos as estagiárias que irão trabalhar com a turma durante os próximos meses. Então, nos apresentamos e agradecemos a acolhida. Já inseridas no espaço da sala de aula da quarta série, começamos a vivenciar os momentos e a observar os movimentos desta. Dispostos em filas, as crianças recebem a orientação para colocarem sobre a mesa o livro didático de Língua Portuguesa e realizarem em silêncio a leitura do texto titulado, Dom Quixote. Abertura de mochilas, olhadas para o amigo do lado...Algumas crianças não trouxeram o livro e sentaram-se com um amigo para realizarem a leitura. As crianças receberam orientação de tempo para concluírem a leitura, embora muitas tivessem usado este espaço para conversar com o colega, olhar para além das janelas, abaixar a cabeça sobre a mesa... No momento seguinte, uma das crianças é indicada para realizar a leitura em voz alta e as demais deveriam acompanhar fazendo uso do livro didático. Poucas crianças acompanharam a leitura, a encarregada de fazê-la oralmente, soletrava as palavras e comprometia a compreensão do texto como um todo. Leitura realizada, as crianças são informadas que devem adquirir hábitos de leitura, que serão cobradas diariamente e que, ao realizar as leituras oralmente, devem fazê-las com mais clareza. Uma listagem de nomes é falada pela professora ao realizar a chamada que, serve principalmente, segundo a própria professora, para acompanhar o comparecimento nas atividades. Caderno de matemática, a atividade seguinte seria a realização de exercícios retirados do livro didático da mesma disciplina. Caminhando entre as carteiras, descobrimos que o conteúdo trabalhado refere-se ao sistema decimal, suas classes e ordens. Uma fala corta o silêncio da sala enquanto os cadernos são colocados sobre as mesas: - Hoje tem prova do líder! Os exercícios começam a ser feitos e algumas perguntas surgem. Uma delas: - Se ficar sozinho forma uma classe? A resposta dada pela professora: - É, se ficar sozinho forma uma classe. Não tínhamos os exercícios em mãos, o que dificultava a compreensão do que as crianças questionavam. Em um dado momento, Natália vai ao quadro e realiza uma rápida revisão do conteúdo. Escreve: 27.395. E questiona: - Quantas classes? Quantas ordens? Natália coloca que agrupando de três em três de trás para frente forma uma classe e que a quantidade de ordem é
  17. 17. 17 descoberta contando a quantidade de algarismos do número. Então, o número tem duas classes e cinco ordens. Explicação dada, as crianças continuam os exercícios e a seguir, realizam sua correção. Ficamos observando os movimentos das crianças durante a correção, muitos exercícios foram apagados e posteriormente copiados do quadro, muitas crianças não acompanharam a correção, preferindo folhear, mesmo que discretamente seu gibi. Destacamos nesse processo de correção a seguinte colaboração: a criança deveria escrever os números em algarismos indo-arábicos do extenso para algarismo. Por extenso- treze bilhões, vinte e cinco milhões, quatrocentos e setenta e nove mil e seiscentos. A criança faz: 1300250004790600. É questionada:- O que está errado? Faz: 1.300.250.004.790.600. Olha com aparente incerteza para a professora que lhe responde com olhar de que algo ainda precisa ser construído. Então fala:- É o zero? Continua: 1325. Pára, e sob intervenção da professora continua: 1325479600. O que está errado? A criança conta as classes e faz: 1.325.479.600. Olha e diz: - É o zero. Retorna a fazer: 13.025.479.600. Recebe um sinal de afirmação e retorna para sua carteira. Impossível evitar nossos olhares, não conseguimos acompanhar com clareza o raciocínio da criança, parece-nos que a mesma fazia correspondência da quantidade de zeros usados em cada classe. Assim, usava dois zeros para bilhões - 1300; três zeros para milhões- 25000; um zero para milhão- 4790 e as centenas escrevia adequadamente- 600. Nossas inquietações referem-se em tentar compreender o que precisaria ainda ser desenvolvido para que as crianças se apropriassem do conteúdo, demonstrando suas dúvidas, mas, também tentativas de resolvê-las com mais confiança e propriedade. Durante a correção das atividades propostas, sentimos que as dúvidas apresentadas pelas crianças eram uma constante e, muitas delas, embora tendo resolvido o exercício seguindo orientações de apaga e reescreve, permaneceram com as mesmas. Constatamos este fato em exercícios posteriores. Após este momento, as crianças receberam como tarefa para casa, a construção de um texto sobre a água, que deveria ser entregue no próximo dia. Esta orientação seria a última intervenção junto às crianças, visto que, nesta manhã, teríamos planejamento das professoras. Ainda sobre o ambiente da sala de aula, acreditamos que este deveria ser mais alfabetizador, mais colorido, mais atrativo, mais informador... Encontramos nesta manhã dispostos nas paredes, dois mapas: de Santa Catarina e do Brasil. Geraldi (2002) comenta que recuperar na escola e trazer para dentro dela o que dela se exclui por
  18. 18. 18 princípio o prazer parece o ponto básico para o sucesso de qualquer esforço honesto de incentivo à leitura. No planejamento das professoras, foram discutidos os seguintes assuntos: Projeto do Morro do Maciço (que é composto por 12 escolas que planejam atividades e projetos integrados), Dia das Águas e Semana da Páscoa. Destacamos a fala da diretora que, propõe que todas as atividades desenvolvidas com as crianças visem à qualidade em detrimento da quantidade. Pretendendo reverter à questão da produção das crianças, que se reduz à realização de cópia, para o pensar e o agir. Revertendo também a participação dos pais na escola, que vem geralmente para ouvir reclamações, devendo participar de exposições dos trabalhos dos filhos. Neste ano as crianças possuem uma agenda com espaço para registro de ocorrências e comunicação entre família e escola. Na manhã seguinte... antes mesmo de desejarmos bom dia... ouvimos: - Vai ter filme? Informamos que naquela manhã não havíamos programado nenhum momento explorando este recurso, mas que, poderíamos pensar em fazê-lo num outro momento. Natália faz chamada, e logo solicita que as crianças retirem o livro de português e realizem uma leitura silenciosa do texto: Me dá um selinho? O momento seguinte revela diferentes movimentos, uns nem abriram o livro, outros simplesmente deixaram-no sobre a mesa, outros folheavam seus gibis... Do que tratava o texto? Preferimos descobrir. O texto tratava das diferentes coleções feitas pelas crianças e, a personagem colecionava selos, titulado - Me dá um selinho? Neste dia estava sendo realizada uma reforma ao lado da sala de aula e, o barulho realmente incomodava, dificultando a comunicação e a concentração de quem se encontrava em sala de aula. No momento seguinte, as crianças realizaram uma leitura individual e em voz alta. Nem todos acompanharam a leitura feita por um colega. Ao término, as crianças são orientadas para prestar atenção na pontuação ao realizarem leituras. Após a Educação Física, a turma envolveu-se na eleição do líder da sala, no qual as crianças optaram pela escolha através do voto. Três crianças não tinham interesse: Vanessa, Lucas José e Edemir. A professora informa que, para ser líder da sala o/a candidato/a, deve dar bons exemplos, ficar quieto, respeitar a professora, ter disciplina, estudar... Enquanto Natália falava todos os requisitos para ser o líder da sala, as crianças trocavam olhares, risos e conversas ao pé do ouvido. Então, resolveram realizar a
  19. 19. 19 votação: cada um escreveria num papel o nome da criança que gostaria que fosse o líder da sala e entregaria para a professora realizar a contagem. Natália registra no quadro o nome das crianças e o número de votos recebidos. Os líderes eleitos foram: Bruno e Cléo. Durante a colocação dos nomes no quadro, Natália chama atenção para a escrita inadequada de muitos nomes, o que provocou nas crianças constantes gargalhadas. A sala de aula é tomada por um constante movimento em direção a mesa da professora, as crianças foram entregar o texto solicitado na aula anterior - sobre a água. Nem todos entregaram e foram convidados a fazê-lo para o dia seguinte, notamos que algumas crianças escreveram no caderno, dizendo que a professora não havia informado que seria entregue. No momento seguinte, no caderno de português, as crianças realizaram exercícios de classificação de palavras de acordo com o número de sílabas: oxítona, paroxítona, proparoxítona. Antes, porém, registraram os critérios para classificar as palavras de acordo com o número de sílabas. Assim, a alfabetização para Freire é parte do processo pelo qual alguém se torna autocrítico a respeito da natureza historicamente construída de sua própria experiência. Ser capaz de nomear a própria experiência é parte do que significa ler o mundo e começar a compreender a natureza política dos limites bem como das possibilidades que caracterizam a sociedade mais ampla. (FREIRE, 1990, p. 07) Dia das Águas... Nesta manhã, nos encontramos na Escola Silveira de Souza e seguimos juntos até a Catedral, onde as demais escolas que compõe o Morro do Maciço envolveram-se em uma passeata com os seguintes propósitos: encaminhamento ao prefeito municipal de um documento abaixo-assinado solicitando tratamento de água encanada e rede de esgoto nestas comunidades e colocando à população a atual situação de quem reside nestas. Durante a passeata, as crianças apresentavam faixas com dizeres sobre o direito de terem acesso a este recurso tão necessário diariamente. Entre as faixas encontrava-se uma com a seguinte frase: Sonho do Maciço: Reescrever o mundo com lápis e não com armas. A propostas deste trabalho, era desenvolver durante a semana a temática - Água e a passeata seria o fechamento deste, sendo que não acompanhamos o processo como um todo. Acreditamos que este tipo de mobilização incentiva o exercício da participação social e a cidadania, porém, deve ser bem discutido com as crianças.
  20. 20. 20 Através da sugestão do Padre Vilson, presente no evento, os alunos de nossa Escola Silveira de Souza representaram os estudantes e entregaram o documento ao prefeito da cidade. Ainda no período de observação tivemos a oportunidade de realizar uma dinâmica com a turma (Anexo 3) para promover um melhor reconhecimento e entrosamento do/com o grupo de alunos. Não tínhamos a manhã como um todo, somente o período das oito às dez horas. Conhecendo as particularidades do grupo poderíamos posteriormente planejar atividades que atendam aos seus interesses, já que o grupo é bastante heterogêneo. Segundo (REGO, 2001) para Vygotsky, o desenvolvimento do sujeito humano se dá a partir das constantes interações com o meio social em que vive, já que as formas psicológicas mais sofisticadas emergem da vida social. Inicialmente sentados em círculo cada um dizia o nome e uma característica/qualidade. Não foi fácil fazer com que as crianças colocassem suas qualidades, a grande maioria alegava ser envergonhada ou diziam não saber o que achavam melhor em si. Depois de muitos incentivos, todos se manifestaram. Abrimos, então, discussão para as diferentes características dentro do espaço da sala de aula e para a necessidade de nos respeitarmos para convivermos de forma mais tranqüila. O resultado, apresentamos a seguir. Lucas legal Wagner feliz Priscila curiosa Cléo carinhosa Edemir educado Lhaion estudioso Ricardo inventor João Pedro pesquisador Amanda - amigável Ana Paula amizade Kelly legal Raquel gosta do cabelo Emerson- ... Alexsandro aleluia Jardel - ... Felipe- joga futebol Lucas - ... Tatiana alegre Bruna - ... Ana Carolina carinhosa Angélica amiga Vanessa envergonhada Allan amizade Lucas brincalhão
  21. 21. 21 Patrick paz Yuri amor, carinho, paixão, saudade Andressa - amorosa Bruno - alegria Em seguida, as crianças preencheram um questionário, do qual retiramos os seguintes dados: Responderam: 12 meninas e 16 meninos, a maioria mora nos bairros: Centro, Agronômica, Morro do Céu, 25 e Nova Trento, que compõe o Maciço do Morro da Cruz, sendo que a maioria já estudava na Escola Silveira de Souza. Com relação à idade: 03 tem 09 anos, 13 tem 10 anos, 05 tem 11 anos, 03 tem 12 anos, 02 tem 13 anos, 01 tem 14 anos e 01 tem 15 anos. Seis (06) não gostam de ler e 22 gostam, sendo as partes que mais gostam: ação, mulher na piscina, gibi, todas, livros, partes onde se beijam, Peter Pan, Dom Quixote, notícias, Capricho, Tititi, Veja, Witch, jornais, Mônica, Cebolinha, Cascão, revista de carro, futebol, homem-aranha. Nove (09) não escrevem nem recebem cartas ou bilhetes, 02 escrevem carta para pai/mãe, 03 recebem cartas, 04 mandam e recebem cartas, 06 escrevem e recebem bilhetes (geralmente da escola), e 03 escrevem cartas. Na televisão: 04 gostam de assistir novela, 15 desenho, 01 tudo, 04 filme, 01 futebol, 02 jogar vídeo game, 01 estudar, 02 jogar futebol, 01 jogar vôlei e 02 brincar. Na música e cantores: 02 gostam de Fank, 05 Hip Hop, 02 Ivete Sangalo, 02 Pop, 02 Pagode, 01 Rock, 01 Marcelo D2, 01 Felipe Dilon, 04 Sandy e Junior, 03 Pity, 05 Racionas, 02 Boka Loka, 01 Armandinho, 02 Rouge, 01 CPM 22, Alexandre Pires, Dogão, MV Bill e Skank. Após responderem este questionário realizamos a leitura de um texto Um por todos, todos por um e promovemos uma discussão para que colocassem suas percepções sobre a mensagem nele contida. Distribuímos para algumas crianças trechos enumerados de um texto e estas deveriam realizar a leitura, seguindo a ordem dos números. Após a leitura das crianças, realizamos uma outra leitura do mesmo texto, agora em voz alta e solicitamos as mesmas que colocassem seus entendimentos sobre o texto. Novamente, precisamos fazer uso de muitos incentivos para que a turma se manifestasse. Contudo, as falas foram surgindo e as colocações apontavam que: Cada um tem a sua função F. Cada pessoa te seu jeito. L. O texto diz um por todos e todos por um, mas eu vejo que não é bem assim, cada um faz por si. A .
  22. 22. 22 Gostaríamos de registrar o interessante envolvimento das crianças ao ouvirem a leitura dos demais colegas do texto titulado: Um por todos, todos por um. Este momento foi riquíssimo para nós, podemos ampliar nossas relações, estando mais próximas das crianças, ouvindo-as e realizando nossas intervenções. A leitura de mundo precede mesmo a leitura da palavra. Os alfabetizandos precisam compreender o mundo, o que implica falar a respeito do mundo. (FREIRE, 1990, p.32) Combinamos que as crianças passariam a fazer uso de um crachá, contendo seu nome e a característica apresentada por cada uma. O uso do crachá facilitar-nos-ia a identificação das crianças, visto que, ainda não havíamos memorizado os seus nomes. Acompanhamos ainda, neste dia a correção de uma prova de matemática, que foi entregue pela professora, colocando que o assunto já havia sido revisado durante a semana, e mesmo assim os resultados poderiam ser mais satisfatórios. Após o recreio a professora fez a correção no quadro, sendo que a maioria dos alunos não acompanhava as orientações. Na segunda parte da correção ela pediu que algumas crianças fossem ao quadro para resolver as questões. Porém, acreditamos que a correção poderia ter melhores resultados se houvesse espaço para questionamentos, dúvidas, discussão de diferentes possibilidades de resolução pelas crianças. (...) o ensino tem que ser organizado de forma que a leitura e a escrita se tornem necessários às crianças. (...) então o exercício da escrita passará a ser puramente mecânico e logo passará a entediar as crianças; suas atividades não se expressarão em sua escrita e suas personalidades não desabrocharão. A leitura e a escrita devem ser algo que a criança necessite. (VYGOTSKY, 1991, p.133) Esta aula, finalizando o mês de março iniciou com a leitura individual de uma criança do texto: As coisas que a gente fala. Ao término da leitura, as crianças são informadas que devem se atentar para a pontuação e o tom de voz ao fazer a leitura. Durante a realização da leitura, muitas crianças não acompanhavam e acabavam por interferir no desenvolvimento da mesma. Leitura e recomendações colocadas, as atividades seguintes seriam registradas no caderno de português. Natália coloca no quadro, o conteúdo: encontro vocálico. Este conteúdo apresentava a explicação do que seria encontro vocálico, trazendo exemplos. As crianças usaram um longo período de tempo para realizar a cópia, visto que, envolvem-se em conversas, em desenhar, em folhear gibis, em olhar pelas
  23. 23. 23 janelas... ao término da cópia, as crianças são convidadas a guardarem o caderno de português e a realizarem leitura do conteúdo em casa para ser trabalhado no dia seguinte. Neste momento tomamos conhecimento que, o tempo, a organização dos conteúdos por disciplinas, a divisão das atividades com tempo previsto, são fatores que influenciam no encaminhamento das propostas de trabalho. O caderno de matemática seria o recurso para o registro das posteriores atividades. Valor absoluto e valor relativo, era o conteúdo das próximas atividades. No quadro, Natália registra uma lista de números, onde as crianças deveriam apresentar o valor relativo e o valor absoluto de cada número. Os exercícios foram sendo resolvidos pelas crianças e, no momento da correção estas recebiam orientações para apagar e refazer os resultados inadequados. Percebemos que poderíamos contribuir com as crianças se, ao conhecermos seus erros , fossemos junto com elas, constatar o que ainda é necessário compreender para realizar o exercício de forma adequada. Desta forma, acreditamos que os conteúdos devem ser construídos com a participação das crianças. Iniciamos um novo mês na nossa caminhada. Numas das manhãs da primeira semana do mês de abril, após realizar a chamada, Natália pede para que as crianças tirem de suas mochilas o caderno de matemática e comecem a registrar o que está sendo colocado no quadro. O conteúdo do dia: numerais romanos (revisão). No quadro, são colocados exercícios para seguir modelos, fazendo o registro dos algarismos romanos em indo-arábico e vice-versa. Natália ausenta-se da sala de aula e pede-nos para terminar de colocar os exercícios no quadro. Durante a cópia, as crianças reclamavam da quantidade de exercícios. Para realizarmos a correção, buscamos fazer com que as crianças comparassem suas estratégias para resolvê-los e buscassem a maneira mais adequada para fazê-los. Na comparação entre as duas ou mais formas de realizar os exercícios, as crianças iam refutando e apontando a forma adequada de fazê-los, apresentando argumentos. Abríamos espaço para que as crianças colocassem suas dúvidas e neste momento, a grande maioria da turma estava voltada para o quadro acompanhando a atividade proposta. Ainda, constatamos que as crianças ainda precisavam se apropriar de regras básicas para a compreensão dos algarismos romanos e, a maior delas refere-se ao fato que, uma mesma letra ou símbolo não repete mais do que três vezes na escrita dos
  24. 24. 24 números romanos. Na ausência de Natália, as crianças envolveram-se numa constante falação num tom muito elevado de voz, dificultando nossas colocações ao corrigirmos os exercícios. A correção de todos os exercícios seguiu o critério de correção no coletivo, com base na comparação e tomada de decisão da maneira mais adequada para fazê-lo. Sabemos que nem todas as crianças realizaram a correção, porém, a participação destas na correção dos exercícios apontou-nos um bom caminho para trabalharmos de forma mais significativa com estes. No retorno das atividades da aula de Educação Física, com o caderno de português em mãos, todos teriam que realizar a cópia do texto, Namoro Desmanchado . Após a cópia do texto, seguia uma lista de perguntas sobre o mesmo. Algumas delas: Que argumentos os colegas do menino usam para justificar que não são mais crianças? Você concorda com isso? Por quê? A correção do exercício ficou para a próxima aula. Durante a cópia do texto pelas crianças a professora circulou pela sala verificando se deixavam linha em branco, faziam parágrafo. Solicitava que as crianças realizassem as devidas pontuações sempre que acreditava ser necessário. Notamos que algumas crianças não copiavam as frases da poesia como estavam escritas no quadro, colocando-as uma ao lado da outra na mesma linha. Parece-nos que não haviam percebido que se tratava da cópia de uma poesia, que por vez tem uma organização do texto diferenciada, em forma de estrofes. Acabavam cometendo falhas, por desconhecimento dessas diferenças entre os tipos de texto. Sentimos que os textos poderiam ser discutidos oralmente, pois muitas perguntas feitas na interpretação escrita poderiam ser realizadas numa discussão da turma. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançado por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. (FREIRE, 1986, p.11-12) Na manhã seguinte, cadernos de Língua Portuguesa sobre as carteiras... Natália passava olhando quem havia feito os deveres - responder as questões sobre o texto: Namoro Desmanchado. Antes da correção, as crianças realizaram uma leitura oral do texto. Após realizaram a correção. A aluna com a maior idade da sala apresenta que, realmente, para
  25. 25. 25 deixar de ser criança é necessário namorar. Após sua colocação, a professora acrescenta: Será? Ouvem-se então muitas outras colocações: Tem que ter responsabilidade. Eu quero é brincar. Eu brinco e namoro... O texto contava a história de uma criança que relatava os aspectos negativos e positivos de namorar na infância. No momento seguinte, a proposta era revisar o conteúdo trabalhado: hiato, ditongo e tritongo. Do quadro deveria ser copiado e registrado os conceitos do conteúdo proposto e a seguir, era apresentado uma atividade: retirar do texto, palavras com hiato, ditongo e tritongo. As crianças se envolviam numa falatória e movimentos constantes, podemos perceber que nem todas fizeram a tarefa e as que realizaram, não realizaram a correção, ficando esta, para o dia seguinte. Retornamos a perceber a questão do ritmo de desenvolvimento das atividades. Quando o tempo não permite a correção dos exercícios propostos, perdemos a oportunidade de ampliar os conteúdos com as crianças. Acreditamos ser de fundamental importância a correção dos exercícios logo após sua realização como forma de garantir a apropriação de forma mais qualitativa dos conteúdos pelas crianças. Chegamos a metade do mês de abril. Fomos convidadas para participar do curso de formação com os profissionais da escola. O curso envolvia todas as escolas dos Morros do Maciço e, as falas revelavam os trabalhos desenvolvidos com estas unidades. Registramos: Sonho do Maciço: Reescrever o mundo com lápis e não com armas. Os alunos devem ser cuidados na escola como sendo vida da escola. Então, chegamos num ponto muito importante da nossa caminhada. Estagiar, vivenciar, compartilhar... Anseios, dúvidas, desafios... Uma confusão de sentimentos e uma única certeza: a possibilidade de não só cumprirmos mais um estágio da faculdade, mas sim, vivenciarmos dias de crescimento mútuo. Nosso primeiro dia de intervenção (Anexo 4). Planejamos para esta manhã, momentos de reflexão e de socialização de opiniões. Propomos uma dinâmica de trabalho em grupos, e estes seriam organizados segundo o conteúdo e a cor de um cartão que as crianças retirariam de um envelope que, iria circular entre estas no momento em que já se encontravam organizadas em um grande círculo.
  26. 26. 26 O conteúdo dos cartões: Artigos do Estatuto de Po+Ética para Crianças. Neste movimento de organização de grupos, de sentar-se no chão... percebemos uma certa resistência por parte das crianças, que viam neste movimento, nesse organizar... um romper com o dispor em sala de aula. Propomos que as crianças lessem em seu grupo, a mensagem do cartão, que trocassem seu entendimento e dúvidas sobre estes para depois socializarmos no grande grupo. Circulamos nos pequenos grupos, conversamos com as crianças e estas colocavam claramente o que entendiam sobre a mensagem de seu cartão, embora fizessem mediante constantes convites e com limitações. Pensamos neste momento no respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem, mas os movimentos revelavam uma turma que resistia a trabalhar em grupo, a ver nas opiniões dos colegas, formas de ampliar o que já conhecem. No grande grupo, novamente as solicitações. As crianças colocaram suas contribuições timidamente nas discussões e na chamada para a participação. As crianças tem que preservar a natureza. Convivência social são as pessoas, os amigos, o lugar onde você mora, quando nos relacionamos com outras pessoas de forma igual. A pessoa gosta muito do país, o brasileiro, tem orgulho de ser brasileiro. A escola é a segunda casa. O nosso entendimento foi que tem que haver respeito, entre nós, somos todos iguais, se ficarmos sem amigos, com quem iremos conviver? Toda criança deve ser livre, e para isso deve cumprir seus deveres. As crianças devem sempre ter amizade e alegria. O cara é pobre e não tem nada pra doar. Fazíamos questionamentos, solicitávamos reflexões para além das informações contidas no conteúdo do cartão. As contribuições na maioria das vezes vinham das mesmas crianças. Talvez estejamos sendo precipitadas, mas, tornava-se evidente que a proposta de nossas intervenções confirmava-se naqueles momentos, que a turma precisava construir hábitos de leitura para além da decodificação do impresso no papel. Paulo Freire ( ...,p.52 ) enfatiza a tarefa que temos ao desenvolvermos atividades com as crianças. Quando entro em sala de aula devo estar sendo aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e inquiridor, inquieto a face da tarefa que tenho- a de ensinar e não de transmitir conhecimento.
  27. 27. 27 Mediante muitas das nossas colocações sobre Relações Humanas , tema da nossa aula, convidamos as crianças para ouvirmos, cantarmos e conversarmos sobre a letra de uma música . Pega Ladrão , é o título da música selecionada e que é cantada por Gabriel o Pensador. Trata-se de um Rap, gênero de música apresentado como preferido das crianças no questionário aplicado. Então, lemos a letra da música (cada criança tinha a letra da música em mãos), ouvimos a mesma e depois, ouvimos e cantamos a música. Vimos muitos corpos balançando de um lado para o outro, batidas de pés no chão, mãos marcando o ritmo da música... O refrão era cantado com a participação da maioria: Pega ladrão, pega ladrão... (...) os professores devem propiciar aos alunos a oportunidade de examinar diversas linguagens ou discursos ideológicos, como se encontram desenvolvidos numa variedade de textos e de materiais curriculares. (...) uma pedagogia desse tipo deve criar as condições de sala de aula necessárias para a identificação e a problematização das maneiras contraditórias e múltiplas de ver o mundo que os alunos usem para a construção de sua própria visão do mundo. (FREIRE, 1990. p.2 1- 22) Abrimos espaço para colocação dos entendimentos da música, através da interpretação oral deste texto. As falas vinham com mais facilidade neste momento: apontavam roubos de dinheiro público, a fome, as crianças na rua, sobre políticos que não fazem nada...Mas não apontavam muitas medidas para mudanças, mesmo quando solicitadas a fazê-lo. Propomos, então, atividades pontuais com a letra da música: procurar no dicionário o significado das palavras desconhecidas, separação em sílaba das palavras destacada nesta, agrupamento das palavras de acordo com o encontro vocálico (hiato, ditongo e tritongo) e ainda, ao realizarmos a correção das atividades, revisamos as regras para classificar as palavras segundo o encontro vocálico. Destacamos neste processo, o momento da correção das atividades, trocas estabelecidas entre diferentes classificações das palavras, onde as crianças iam apresentando outra possibilidade de classificá-las diferente da apresentada pelo colega no quadro. Não nos remetemos a apagar a resposta incorreta e apontar a correta. Instigávamos as crianças a colocarem suas opiniões e argumentos para aceitarem uma resposta e não a outra. Percebíamos a participação do grupo, a chegada da maneira adequada estava sendo feita no coletivo, isso nos agrada e muito, pois as crianças percebem-se como sujeitos de sua própria aprendizagem, passam a acreditar em si e percebem no erro a construção e não a refutação do que estamos construindo.
  28. 28. 28 Com o término das correções, a turma organizou-se nos grupos que discutiram as mensagens dos cartões. A atividade seguinte solicitava a construção de um cartaz, onde deveriam apresentar (com desenhos, palavras, versos...), o que ficou sobre o que conversamos a respeito das mensagens dos cartões e da letra da música. Cada grupo recebeu um único pedaço de papel pardo e nele, deveriam registrar o que o grupo acordasse. Ficamos refletindo sobre o que víamos, as crianças, exceto dois grupos, dividiram o papel pardo de acordo com o número de participantes e cada um realizou seu registro. Diferentes ritmos, diferentes interesses, negações, lideranças... Observamos variadas formas de estar naquele espaço e realizando ou não a atividade proposta. Mexemos com a rotina da turma, pensávamos. Dava-nos um certo desconforto toda aquela falatória num tom elevado de voz, mas, tínhamos o reconhecimento de que, para as crianças, algo de diferente também acontecia e, para nós e para elas, o tempo nos traria melhor entendimento e envolvimento no que estava sendo proposto. Planejamos a apresentação dos cartazes, mas não deu tempo. Uma nova manhã. Tínhamos como tema do nosso Projeto de Ensino Aprendizagem, O Índio e o Descobrimento do Brasil (Anexo 5). Iniciamos nossas atividades apresentando na transparência a imagem de um índio: cara pintada, cocar... E perguntamos as crianças: O que vocês vêem nesta imagem? As respostas: Um índio. Perguntamos: O que leva vocês a dizerem que esta imagem é a de um índio? As respostas: Tem pena, a cara tá pintada... Os alunos expressaram suas percepções aos ver a imagem: É um índio, que mora na aldeia. Está indo pra guerra. Falaram também de alguns de seus costumes, características: Eles moram em casas de palha. Não dormem em camas. Eles dormem em redes. ... Voltamos a perguntar: Mais alguma colocação? Olhares na imagem e cabeças fazendo sinal de negativa. No momento seguinte, com a turma toda voltada para a projeção na parede, apresentamos a imagem de duas crianças, descalças, trajando unicamente uma bermuda e, no fundo de suas imagens, o cenário demonstrava casebres e sinais de muita pobreza. Questionamos: E agora, o que vocês podem nos falar sobre esta imagem? As respostas: São crianças. Acrescentamos: Mais alguma colocação? Olhares para a imagem e o silêncio era marcante. Colocamos: o que vocês diriam se afirmássemos para vocês que estas crianças são índios? Tornou-se evidente os olhares de espanto. Uma fala surge: Estão na favela!
  29. 29. 29 Primeiramente reconheceram-nas apenas como crianças, e depois verificaram os detalhes e perceberam que eram crianças índias na cidade. Disseram que o índio vem morar nas favelas, vender seu artesanato para conseguir dinheiro. E que aquelas crianças poderiam inclusive ser filhas do índio da outra imagem. Segundo Naspolini (1996, p. 35), Ler não significa somente compreender o que está escrito com letras. Significa também compreender algo sem palavras, que se observa e interpreta... Muitos alunos participaram expressando suas opiniões sobre a questão dos índios na atualidade. Após a leitura do texto Todo dia é dia de índio podemos discutir mais amplamente o tema. Pois um dos nossos objetivos seria estabelecer relações comparativas entre a situação dos índios no período do descobrimento e nos dias atuais, compreendendo inclusive que os problemas econômicos, sociais e políticos atuais são reflexos de uma colonização exploratória. Realizaram as atividades propostas, também uma revisão do assunto sílaba tônica através dos exercícios relacionados ao tema. Notamos dificuldades na expressão escrita, quando solicitados para escrever frases, por exemplo. No momento da correção muitos falavam uma frase, sem no entanto, tê-la escrito no caderno. Destacamos que a atividade de descobrir a mensagem através dos códigos causou grande interesse e concentração. No dia seguinte, abordamos o tema do Descobrimento do Brasil, iniciando com a apresentação no retroprojetor de uma história em quadrinhos do personagem papa-capim, intitulada: Redescobrindo o Brasil, sendo descrita a visão dos índios sobre o descobrimento. Fizemos relação com a aula do dia anterior, e através da leitura e interpretação do texto discutimos quais os interesses dos portugueses em novas terras, a relação com os índios que aqui viviam. Localizamos também Portugal e Brasil no mapa, com a intensa participação da turma. Realizaram os exercícios propostos, apresentando maiores dificuldades na resolução de problemas matemáticos que envolviam as quatro operações básicas (adição, subtração, multiplicação e divisão). Estes foram resgatados na aula seguinte, (Anexo 6). Iniciamos as atividades deste dia, escrevendo um problema matemático no quadro e solicitamos a leitura e interpretação deste: Pedro coleciona figurinhas. Ele tem 20 figurinhas e ganhou de seu pai 3 pacotinhos com 5 figurinhas cada um. Quantas figurinhas Pedro tem agora?
  30. 30. 30 Interpretações dos alunos: É pra fazer uma conta. Pra saber quantas figurinhas Pedro tem. É um problema. Tem que resolver. É pra fazer uma conta de mais. É pra fazer de vezes. Faria um desenho com as figurinhas. Com a participação ativa da turma resolvemos este problema no quadro, para em seguida corrigir os outros da aula anterior. Não queríamos passar adiante sem as crianças terem claros alguns pontos importantes para a resolução de problemas. Chegamos ao mês de maio e planejamos para esta manhã, (Anexo 7) um resgate das discussões anteriores, em que relembraram: Os índios vivem nas cidades Fazem cestos para vender. Os índios chegaram no Brasil antes dos portugueses. O Brasil foi descoberto em 1500. Em seguida realizamos a leitura de um texto escrito por um aluno da turma na transparência e realizamos sua interpretação oralmente. Identificamos o título, quais as principais idéias que o texto traz. Apresentamos em outra transparência o mesmo texto rescrito, em que 19 foi substituído por Dezenove no título, aqui. atualmente substituído por aqui. Atualmente (letra maiúscula após o ponto). E também a utilização mais freqüente de parágrafos no texto. Após apresentar as modificações discutimos que principalmente a pontuação adequada e a letra legível auxiliam no entendimento do texto para que todos os leitores possam compreendê-lo. Realizamos a leitura do conto Ponto de Vista. Ao término da leitura uma aluna questiona: - E o que quer dizer isso? E os próprios colegas respondem: Está falando dos pontos: interrogação, vírgula. Colocar os pontos corretamente no texto. O texto usa travessão porque eles estão falando. A cada encontro sentíamos que a turma estava mais participativa, envolvendo-se nas atividades, discutindo os temas propostos, construindo conosco cada aula, o seu processo de aprendizagem. Salientamos que os alunos têm necessidade de colocar-se durante as aulas, sendo importante este espaço de participação, não limitando a participação das crianças na cópia, deixando-as numa situação de passividade. Neste dia também foi realizada uma cópia do quadro de tudo que construímos sobre os sinais de pontuação e suas funções, bem com as atividades relacionadas ao conteúdo. No dia seguinte propomos a realização de um jogo titulado Stop Matemático com a intenção de resgatar as quatro operações matemáticas de uma forma mais prazerosa.
  31. 31. 31 Notamos dificuldades na compreensão da brincadeira. As crianças não conseguiam entender que, deveriam escrever na vertical o número solicitado por uma de nós e com ele realizar as operações com os números já escritos na horizontal. A organização dos resultados na folha também trouxe grandes confusões, sendo necessário várias explicações do jogo. Ao envolverem-se na resolução das contas propostas as crianças às realizavam solicitando ajuda dos colegas, demonstrando incertezas no resultado obtido e, ainda, as faziam num ritmo bem vagaroso. Aprender a lidar em sala de aula com a desigualdade de conhecimentos pode ser muito mais rico do que tentar criar um grupo pretensamente homogêneo de crianças. O mundo é desigual, o conhecimento está repartido desigualmente, por que na sala de aula haveria de ser diferente? O que nos cabe é promover a interação entre alunos e permitir que cada um ajude o outro no que sabe. (Cardoso e Ednir, 1998, p. 77) Verificamos, com o desenvolver deste jogo, que as crianças não estão acostumadas a trabalhar com a matemática de uma forma mais lúdica, através de jogos, brincadeiras, problemas criativos, desafiadores, e que ainda não construíram a noção de que aprender também pode ser prazeroso. No dia 11/05/05 (Anexo 8) corrigimos o texto dos sinais de pontuação em papel pardo com grande participação das crianças. Realizamos também oralmente a correção das questões de interpretação do texto, em que as crianças colocaram: É esperto porque pede troco. O comerciante tem que ter troco. Às vezes não tem. Tem que ter o dinheiro certo. Na formulação de frases com os pontos solicitados: Eu comprei um lanche! Você tem dinheiro? A galinha morreu! Você tem uma bala? Você gosta de bala? As crianças apresentavam suas formas de pontuá-las e, mediante trocas, chegavam na maneira mais adequada para fazê-las. Apresentamos neste dia o resultado do Stop Matemático tendo como recurso para apresentá-lo um gráfico, causando-lhes grande euforia na verificação dos resultados. Propomos uma correção em que alguns alunos foram até o quadro realizar o jogo. Na segunda quinzena do mês de maio organizamos uma saída á Feira de Rua do Livro de Florianópolis. Em sala de aula realizamos os combinados para esta visita, organizando desde o trajeto percorrido até a própria Feira (Anexo 9). Todos se
  32. 32. 32 mostravam ansiosos para a realização desta saída, tínhamos um total de 20 alunos presentes. Antes de sairmos para a feira, realizamos a contação da história, Menina Bonita do Laço de Fita- da autora Ana Maria Machado Editora Melhoramentos. Sentados no chão e organizados em círculo, as crianças ouviram a história demonstrando prestar atenção e apreciação da leitura. Figura 5- Contação de história. Devido esta atividade ser seguida da aula de Educação Física, no retorno para a sala de aula nos organizamos para saída, realizando o lanche no Largo da Alfândega. Já na Feira de Rua do Livro, as crianças tiveram a oportunidade de conversar com uma autora de livros, que apresentou seus livros para estas, dizendo que a boa leitura é o alimento para nossa memória. A autora ainda declamou uma poesia, sendo aplaudida pelas crianças que admiravam-na.
  33. 33. 33 Figura 6- Visita a Feira de Rua do Livro Figura 7- Conversa com escritora durante a Feira de Rua do Livro A turma visitou toda a Feira, folhearam diversificados livros, perguntaram preços, achavam caros, alguns compraram exemplares de literatura infantil nos preços de R$ 0,50, 1,00 e 2,00. Propomos que realizassem como tarefa para casa um registro através de um texto e ilustração o que acharam desta visita, deixando registrado o que mais lhes
  34. 34. 34 chamou atenção (apontando aspectos positivos e negativos da visita feita a Feira de Rua de Livro. Sentados em círculo, iniciamos uma conversação sobre a Feira do Livro, em que as crianças falaram o que mais gostaram: Maquete da Eletrosul , Vários escritores de muitos lugares. Escritora falando de poesia. Compra do livro de R$ 0,35, que custava 0,50 e a moça fez um desconto. Várias barracas: comida, chaveiro,... Alguns livros adquiridos: O barba azul; O príncipe do nariz grande. Tinha vários livros pelo preço de R$ 0,50. Bastante gente ... Achei o livro mais caro, R$ 100,00. Deve ter história interessante, por isso é caro. Desenho dá vida à história. Esta conversa iniciaria o planejado para esta manhã (Anexo 10). Devido a uma forte chuva neste dia estavam presentes apenas: Felipe, Jardel, Allan, Wagner, Ricardo, Patrick, Ariel, João Pedro e Lhaion. Após as colocações, as crianças receberam todas as orientações para a confecção de um livro (sendo apresentado todas as partes que compõe um livro) e folhas, lápis, canetas, grampos para a produção de seus livros. Foram colocados alguns exemplares numa mesa, para que pudessem manusear e visualizar a organização do mesmo. Figura 8- Produção de livros em sala de aula
  35. 35. 35 Figura 9- Produção de texto e ilustração do livro Com o nosso auxílio, frente suas solicitações, as crianças confeccionaram seus livros, embora inicialmente, não acreditavam que podiam fazê-lo. Algumas se envolveram na confecção do livro de forma que, pediram material para confeccionar outro em sua casa. Alguns livros foram levados para serem terminados em casa. Já no final do mês de maio, iniciamos o Projeto intitulado Descobrindo o Brasil: Leituras do ontem e do hoje, (Anexo 11 e 12) que tem como objetivo geral ampliar os conhecimentos sobre os principais aspectos políticos, econômicos e sociais de nosso país de forma crítica e contextualizada. Iniciamos dividindo a turma em seis equipes, as quais já havíamos solicitado uma pesquisa anteriormente: 1- Brasil-Localização e Limites, 2- Região Norte, 3- Região Nordeste, 4- Região Centro-Oeste, 5- Região Sudeste e 6 Região Sul, onde teriam que colher dados específicos, tais como: Estados que fazem parte da região, tipo de clima, relevo e principais atividades econômicas, e no caso do primeiro grupo seria em qual América está localizado e quais os países que fazem fronteiras.
  36. 36. 36 Figura 10- Realização de atividades em grupo. Consideramos a pesquisa uma excelente possibilidade didático-metodológica, inclusive para uma turma de quarta série. Porém constatamos que a maioria dos alunos não realizou a pesquisa, alguns fizeram-na individualmente, não sabemos ao certo o que levou o não fazer a pesquisa. Este fato fez-nos pensar em outras formas de realizar pesquisas com as crianças dentro do próprio espaço da escola.Tivemos dificuldade na organização dos grupos em sala de aula, muitos não queriam permanecer no grupo da pesquisa, queriam trocar de grupo, indo para onde se encontravam amigos com os quais mais se relacionavam. Estava sendo uma manhã agitada devido à proposta de trabalho em grupos, bem como, o fato de que, a maioria não sabia o que fazer já que não haviam organizado a pesquisa. Estipulamos um tempo para as equipes conversarem, oferecemos um material pesquisado por nós de cada uma das regiões para as equipes anotarem num papel os pontos solicitados na pesquisa, que seria apresentado posteriormente para o grande grupo. Fixamos no quadro um Mapa-múndi, em que a equipe número 1 realizou a localização do Brasil no mundo, identificando que pertencia a América do Sul.
  37. 37. 37 Questionamos a turma sobre para que pensavam que existiam os mapas: Pra se localizar. Pra viajar. Pra não se perder. Colocamos no quadro também um grande mapa do Brasil desenhado em papel pardo, em que as equipes vieram até à frente da sala, leram os dados colhidos através da pesquisa e fixaram-os no mapa. As crianças envolveram-se nesta atividade com certo desconforto, a maioria apresentava uma certa vergonha de ler para os demais colegas. Em seguida, discutimos sobre a grande diversidade existente em nosso país nos aspectos: sociais, econômicos, políticos e culturais. Esta discussão foi aprimorada e ilustrada através da apresentação de um teatro de fantoches com as cinco Regiões do Brasil como personagens. A apresentação do teatro causou grande concentração das crianças, demonstrando ser uma forma prazerosa de aprendizagem através da encenação de personagens simples, ao trazerem conteúdo em suas falas. Figura 11- Apresentação do teatro de fantoches Dando continuidade a este trabalho (com as regiões do Brasil) resgatamos o município de Florianópolis como pertencente ao Estado de Santa Catarina e a região sul do Brasil. Realizamos uma discussão geral das regiões e a cópia do quadro dos registros da pesquisa dos alunos. (Anexo 13).
  38. 38. 38 Durante a cópia ouvimos constantes reclamações sobre a quantidade de conteúdo que deveria ser copiado. Algumas crianças se negaram a dar continuidade quando o texto era apagado. Conversamos sobre a necessidade de copiar, já que nem todos os textos usados estão no livro didático ou podem ser xerocados. Nesse processo de cópia, os diferentes ritmos ao fazê-la ocasiona um certo desconforto por parte daqueles que a realizam com mais rapidez, exigindo um constante negociar. Apresentamos como recurso para amenizar esta espera, uma caixa com gibis disposta no fundo da sala para ser explorada durante a espera da cópia por todos. Em seguida, buscando enriquecer as leituras sobre as regiões do Brasil, disponibilizamos pinturas artísticas (a maioria paisagens) e cartões-postais no fundo da sala, onde pequenos grupos foram observar, fazendo a leitura das imagens. Ao final o grande grupo pode discutir o que representava cada figura e que região esta poderia representar. Exemplos: 1- predominância de verde, a mata é a região da Amazônia, no Norte; 2- as casas amontoadas são a favela no Sul e no Sudeste; 3- uma fazenda, um sítio- lembram o Sul, o Rio Grande do Sul, e também a região Centro-Oeste que possui muitas fazendas. 4- Os barcos no mar- lembram o litoral Sul, onde tem mais praias e pesca. 5- Os cavalos e o gado lembram o rio Grande do Sul. Figura 12- Leitura de imagens / obras de arte
  39. 39. 39 Figura 13- Leitura de imagens / obras de arte Conversamos sobre o que são cartões-postais, quais as suas principais características e utilidades. Também a identificação que consta no verso, situações de envio pelo correio. Juntamente com a professora de Artes propusemos que confeccionassem um cartão-postal da comunidade onde moram, respeitando o espaço reduzido do cartão, identificando no verso o nome da rua, da comunidade e do autor da obra. Este trabalho seria exposto na sexta-feira na Assembléia Legislativa juntamente com os de outras turmas da escola e as demais escolas pertencentes ao Maciço do Morro da Cruz. Nós e as crianças gostamos muito das produções e estas estavam orgulhosas diante da exposição.
  40. 40. 40 Figura 14- Produção de cartões-postais do bairro onde moram Figura 15- Exposição dos trabalhos (cartões-postais) na Feira promovida pelo Fórum do Maciço do Morro da Cruz.
  41. 41. 41 Continuamos com o conteúdo das regiões do Brasil tendo como recurso para ampliá-lo um vídeo que abordava variados aspectos de cada região (cultura, economia, clima,...). Este pode elucidar as pesquisas e discussões realizadas em sala de aula. A organização da turma na sala de vídeo tomou um prolongado período de tempo. As crianças demoraram para perceber que precisávamos de organização para a apreciação do filme. No retorno para sala de aula ficaram decepcionadas e agitadas ao saber que o professor de Educação Física não viria dar aula naquela manhã. Na semana seguinte, demos continuidade a este conteúdo propondo atividades xerocadas, uma cruzadinha e um caça-palavras, que realizariam em duplas tendo como fonte de pesquisa o texto copiado no caderno sobre a localização e as regiões do Brasil (Anexo 14). A correção destes foi realizada no quadro com a participação dos alunos, ao final solicitamos que nos entregassem este material, e notamos que muitos não realizaram a devida correção do quadro, sendo assim, conversamos sobre a necessidade das atividades para o processo de ensino-aprendizagem, como também a sua correção e perguntas em caso de dúvidas. Em seguida, as crianças reuniram-se em 5 equipes, onde cada uma recebeu um texto sobre os principais problemas enfrentados numa região do Brasil. Realizaram a leitura e a discussão nas equipes. Destacamos nesse processo a importância da leitura como fonte de aprendizagem, o texto fundamenta a discussão dos temas, traz novas informações que se aliam aos conhecimentos prévios do aluno, que faz suas interpretações e tem espaço para discuti-las com os colegas em sala de aula. Desse modo, a leitura estende-se da habilidade de traduzir em sons sílabas sem sentido a habilidades cognitivas e metacognitivas; inclui dentre outras: a habilidade de captar significados; a capacidade de interpretar seqüências de idéias ou eventos, analogias, comparações, linguagem figurada, relações complexas, anáforas; e ainda, a habilidade de fazer previsões iniciais sobre o sentido do texto, de construir significado combinando conhecimentos prévios e informação textual, de monitorar a compreensão e modificar previsões iniciais quando necessário, de refletir sobre o significado do que foi lido, tirando conclusões e fazendo julgamentos sobre o conteúdo. (SOARE, 2001. p.69) A utilização de textos diversificados, reelaborados pelo professor através da transposição didática melhora a relação dos alunos com a leitura dos textos, para que sejam estimulados a buscar outras fontes de leitura, e vejam nestas uma necessidade do processo de ensino-aprendizagem.
  42. 42. 42 Para finalizar esta aula os alunos de cada equipe selecionaram figuras e colaram na sua região do Brasil, representando os principais problemas desta, visto que as imagens também são uma forma de leitura, interpretação, reflexão e aprendizado. Iniciamos o mês de junho com a finalização da apresentação dos problemas da região Norte, e a colagem das respectivas figuras selecionadas pelo grupo. Figura 16- Apresentação da pesquisa pelos alunos Figura 17- Apresentação da pesquisa pelos alunos
  43. 43. 43 Figura 18- Apresentação da pesquisa pelos alunos Resgatamos os aspectos mais marcantes das regiões do Brasil: desmatamento, tráfico de animais, poluição, violência, desemprego. Colamos no mapa uma tarjeta com um questionamento para reflexão do grupo: E o homem, o que tem haver com todos estes problemas? As crianças foram colocando-se: O homem joga muito lixo nas ruas e outros lugares e vai poluindo .R Tem muito desmatamento, muitas árvores são cortadas .J.P Tem guerras também. Um país quer ser melhor que o outro .J.P e A Guerra entre Iraque e EUA, por causa do petróleo .L Procuramos resgatar Florianópolis nesta discussão dos principais problemas, e as crianças buscaram nos dias atuais, o foco para suas colocações: Tá acontecendo tiroteio, greve de ônibus, manifestação dos estudantes por causa do preço da passagem. Após as colocações e muitas trocas de opiniões, realizamos a leitura do texto Mundo, mundo, frágil mundo; com o objetivo de informar e fundamentar nossa discussão. Esta leitura foi inicialmente realizada pela estagiária em voz alta, e em seguida silenciosa e em voz alta pelos alunos.
  44. 44. 44 Foram sublinhadas as partes mais interessantes do texto, segundo critérios das crianças, para seguirmos a discussão. Foram destacadas principalmente a questão do respeito pro si próprio, pelos outros e pela natureza. É o homem que faz tudo isso e uma maneira de acabar é não jogar lixo nas ruas, poluir os mares, fala de uma das crianças. (...) o desenvolvimento, pelo leitor, de uma compreensão crítica do texto e do contexto sócio-histórico a que ele se refere torna-se fator importante par nossa idéia de alfabetização. Nesse caso, o ato de aprender a ler e escrever é um ato criativo que implica uma compreensão crítica da realidade. (...) a leitura de um texto exige agora uma leitura dentro do contexto social a que ele se refere. (FREIRE, 1990, p.105) Colamos no quadro os cartazes que foram construídos no primeiro dia de nossa docência, quando trabalhamos com o Estatuto de Po+Ética, os quais revelavam consonância com as atuais discussões, onde relembramos que temos direitos e deveres, e o que ocasiona a ação do homem sobre a natureza. Buscando contextualizar a discussão do tema trabalhado com a realidade das crianças, estas falaram sobre as principais coisas ruins que existem no bairro onde moram: violência, poluição, barulho, mortes, tiroteio, esgoto, bar, drogas, brigas, é o homem que faz tudo isso. E as coisas boas são as crianças, os pais e o Hip-Hop. Após as discussões, propomos a elaboração de um texto onde registrariam o que foi mais significativo nas discussões desta aula, em que falamos de problemas das regiões do Brasil e também possibilidades de soluções. Notamos que os alunos realizaram esta atividade com maior naturalidade do que as do início de estágio; a leitura e a escrita aos poucos estavam sendo encaradas como algo necessário e que poderia inclusive ser prazeroso. A todo momento chamavam-nos na carteira para perguntar se estava ficando bom. A produção do texto estava fluindo muito bem, acreditamos que estes fato foi favorável porque as crianças já haviam pesquisado, lido e discutido o tema e realizado atividades relacionadas a este. As crianças haviam aprofundado suas discussões e entendimento do conteúdo trabalhado e, falar/registrar seus entendimentos a cerca destes tornou-se muito mais acessível. Procuramos sempre respeitar o ritmo da turma, os alunos que terminavam seus textos primeiramente foram orientados a realizar uma ilustração relacionada ao que escreveram, enquanto os demais colegas finalizavam seus textos.
  45. 45. 45 Após todos entregarem o texto construído, realizamos a cópia de dois problemas matemáticos como deveres: 1- Grande parte de nossas florestas brasileiras foi desmatada. Cerca de 272 árvores foram cortadas em apenas 1 semana e distribuídas em 12 caminhões. Quantas árvores foram colocadas em cada caminhão? Por que acontece o desmatamento em nossas florestas? 2-O lixo deixado nas ruas e rios é um problema ambiental em muitos bairros do Brasil. A escola em que Daniel estuda resolveu fazer uma campanha para arrecadação e separação do lixo reciclável. Em uma semana conseguiram encher 12 latões com vidro, 26 com plástico e 35 com papel. Ao todo quantos latões encheram com o material reciclável? Escreva uma mensagem sobre a natureza para todas as crianças do Brasil. Nosso último de estágio,(Anexo 15). Planejamos até o momento de recreio a exploração de um jogo de perguntas e respostas: as crianças percorreriam uma trilha onde deveriam primeiramente responder adequadamente as perguntas. As perguntas tratavam de assuntos/conteúdos trabalhados em nosso estágio, bem como, assuntos gerais (sociais, políticos e econômicos) de nosso estado e país. Para responderem as perguntas, a cada jogador teria como ajuda: dois pulos, ajuda dos universitários, ajuda dos convidados e cartas. O vivenciar o jogo trouxe-nos algumas surpresas: as crianças em sua grande maioria queriam participar respondendo as questões. Todas ajudavam na busca da resposta adequada e o erro era encarado sem nenhuma manifestação de desconforto. A turma participou com muita intensidade desta atividade: falavam, conversavam, queriam ser sorteadas, batiam palmas para os acertos... Exploramos este jogo por um período pequeno de tempo, e as reclamações surgiram: todos queriam percorre a trilha. Explicamos que devido as programações daquela manhã (com reunião pedagógica), precisávamos administrar o tempo para realizarmos tudo o que planejamos. Convidamos então as crianças para visitarem a exposição de seus trabalhos realizados durante o estágio que organizamos no corredor da escola. As crianças folhearam suas produções e foi possível verificar suas satisfações ao ver seus trabalhos organizados para que todos pudessem conhecer. O nosso período de estágio chegara ao fim. No rosto daquelas crianças, víamos a certeza do muito que temos para construir enquanto educadores. Tínhamos uma certeza, vivemos momentos de muitas trocas e de crescimento mútuo.
  46. 46. 46 Oferecemos como uma das formas de agradecimento para as crianças e para a professora, um lanche preparado com carinho, um registro de nossas vivências (uma foto da turma), já que, era impossível transformar em objeto para presentear, o agradecimento por suas acolhidas. Ao término, fica uma certeza: trabalhar com os mais variados recursos textuais é o caminho mais adequado para a formação de leitores. Cardoso e Edenir (1998, p.45) contribuem com esta visão ao colocarem que, a melhor maneira de transformar meninos e meninas em leitores e escritores é colocá-los em contato com materiais impressos dos mais diferentes tipos: livros, jornais, revistas, anúncios, cartazes. Figura 19- Turma no pátio central da Escola.
  47. 47. 47 3. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO ESTÁGIO Nesta parte do relatório apresentamos nossas reflexões através das produções individuais com os artigos, registrando as vivências de estágio pautadas teoricamente. O primeiro artigo escrito por Gislene Prim aborda a questão da leitura como fonte de aprendizagem, quando esta é inserida no espaço da sala de aula de forma significativa e prazerosa, incentivando as interações, interpretações de forma contextualizada. O segundo artigo escrito por Sandra Regina Pires Ferreira descreve o trabalho com variados recursos textuais na formação de leitores, analisando que explorá-los é um excelente caminho para contemplar os diferentes gostos dos leitores, bem como ampliar/enriquecer as leituras realizadas em sala de aula. 3.1 Ler, ai que chato?! A leitura como fonte de aprendizagem. Gislene Prim1 Resumo O presente artigo surge da vivência de estágio curricular na Escola de Educação Básica Silveira de Souza, numa turma de quarta série do Ensino Fundamental. Durante a primeira etapa do estágio, a observação participante, constatamos a necessidade de desenvolver um projeto que visasse à formação de leitores. A concepção de leitura que norteou todo o projeto foi não somente a codificação e decodificação de símbolos impressos no papel, mas leituras do mundo, obtidas através do uso de diferentes materiais, tais como figuras, músicas, teatro, filmes, gêneros literários diferenciados. Reconhecemos a sala de aula como um espaço privilegiado para leitura como fonte de aprendizagem, onde oportunizamos as leituras de mundo, discussões e atividades contextualizadas de forma interdisciplinar. Consideramos que a escrita e a leitura caminham juntas no processo de alfabetização, que não se restringe à primeira série, mas muito antes da criança entrar na escola, sendo aperfeiçoadas com o tempo. Nosso principal objetivo é que a escrita e a leitura sejam encaradas pelas crianças como algo necessário em suas vivências e prazeroso, sendo sujeitos de seu processo de ensino-aprendizagem, lendo o mundo de forma crítica, interagindo no ato de ler e formulando suas opiniões. Pudemos perceber ao longo e ao final do projeto que avanços foram alcançados como a evolução nas produções escritas e a participação ativa nas atividades propostas em sala de aula. Sendo que outras ações precisam ser desenvolvidas como o estímulo as pesquisas e mecanismos de auto-correção dos textos produzidos. Palavras chave: processo de ensino-aprendizagem, leitura significativa e incentivo à leitura. 1 Acadêmica da 8ª fase do Curso de Pedagogia da Udesc/Faed Habilitação em Magistério das Séries Iniciais 2005/01. * Orientadora Profª Drª Alba Regina Battisti de Souza
  48. 48. 48 Iniciando a caminhada A realização do estágio curricular na Escola de Educação Básica Silveira de Souza, na turma da quarta série do Ensino Fundamental trouxe-nos inúmeras reflexões desde o período de observação participante, registro e a docência, num constante (re) pensar do processo educativo, principalmente nos aspectos do ensino-aprendizagem em leitura e escrita. Constatamos a necessidade de desenvolver um projeto que visasse à formação de leitores. Acreditamos, pois, que esta é a base fundamental para a compreensão, a participação e o envolvimento no processo de construção do conhecimento de forma mais significativa e prazerosa. A formação de leitores visa que estes se percebam, sintam-se como sujeitos do processo ensino-aprendizagem, e que dessa forma interajam no ato de ler, interpretem, questionem, reflitam, argumentem e formulem suas opiniões acerca das leituras que fazem, não só da palavra impressa no papel, mas também das leituras de mundo, favorecidas não apenas por livros, mas por imagens e diferentes linguagens de suas vivências. A turma composta por 32 alunos, com idades entre 09 e 15 anos mostrou-se um desafio, devido a sua heterogeneidade, diferentes ritmos e uma inicial resistência a metodologias didáticas diferenciadas (sentar no chão, carteiras em círculo, em pequenos grupos, debates). Práticas que foram sendo inseridas cotidianamente, aos poucos, oportunizando que falassem suas opiniões, discutissem aos temas propostos, verificassem possibilidades de resolução das atividades, com a produção do conhecimento de forma dinâmica e reflexiva. Percebemos que a participação da turma nas atividades propostas foi crescendo, através das atividades reflexivas e participativas, que ocorriam simultaneamente com as perguntas realizadas pelos alunos. Inicialmente através da aplicação de um questionário à turma, com a intenção de promover um melhor reconhecimento e entrosamento do/com o grupo de alunos, verificamos algumas de suas características para posteriormente planejar atividades que atendessem os seus interesses, numa visão ampla do grupo heterogêneo. Diagnosticamos que a grande maioria: tem entre 10 e 11 anos, gostam de revistas e gibis (porém o acesso é pequeno), não costumam receber nem escrever cartas ou bilhetes, assistem desenhos animados e novelas na tv, e como tipo de música preferem Hip-Hop. Os bairros onde moram pertencem ao Maciço do Morro da Cruz:
  49. 49. 49 Centro, Agronômica, Morro do Céu, Morro do 25 e Morro de Nova Trento, situados na região próxima ao centro da cidade. Por meio do questionário e das falas das crianças, ficamos conhecendo um pouco mais suas realidades em bairros economicamente e socialmente desfavorecidos. O que representou um desafio à nossa docência, visto que teríamos que buscar aliar os conteúdos do projeto à realidade vivenciada pelos alunos, resgatando em muitos momentos a auto-estima e a participação efetiva nas discussões, contribuindo no processo de formação de cidadãos críticos e participativos. Considerando a produção do conhecimento como um ato relacional, enfatizamos a perspectiva histórico-cultural e a interação entre os sujeitos no processo de ensino-aprendizagem, buscando a contextualização dos conteúdos de forma interdisciplinar. Rego (2001) menciona que para Vygotsky, o desenvolvimento do sujeito humano se dá a partir das constantes interações com o meio social em que vive, já que as formas psicológicas mais sofisticadas emergem da vida social. Nossa caminhada No processo de estágio, enfatizamos como possibilidade didático-pedagógica a pesquisa, atividades em grupo e individuais, resolução de problemas matemáticos contextualizados, leitura, discussão e produção de textos. Para que a leitura e a escrita fossem encaradas pelas crianças como algo necessário em suas vivências e prazerosa. Pois ouvimos frases como: É pra ler professora, que chato! É pra ler tudo isso? Tem que ler? Não tô afim de ler! Frases que ouvimos no início do estágio nos primeiros contatos com os textos que propomos, quando percebemos que a leitura era uma atividade de avaliação que não causava prazer nas crianças. Onde também eram cobradas questões de interpretação de texto restritas na forma escrita que eram obtidas através do livro didático, sendo que estas questões poderiam ser trabalhadas através da interpretação oral, expressão de idéias e opiniões pelos alunos, fazendo contextualizações. Salientamos que a leitura e a escrita são indissociáveis, não há como enfocar uma e desconsiderar a outra, ambas são de grande importância na formação do leitor.
  50. 50. 50 Através de Gumperz2 relembramos que a função social da escrita está ligada à necessidade de ler e escrever. Mas não somente isso, já que está presente no conceito de alfabetização um desenvolvimento de habilidades que não estão restritas ao instrumental de codificação e decodificação de códigos, mas também na interpretação destes, para que o sujeito possa comunicar-se, argumentar suas idéias, formar opinião numa sociedade que se apresenta tão desigual. A alfabetização em seu sentido social é ampla, como nos apresentou Gumperz (1991) transforma, por exemplo, a consciência das pessoas através da aquisição e construção de conhecimento, impulsionado as transformações sociais necessárias, criando oportunidades sociais, econômicas e culturais, antes não tidas por este ser humano agora alfabetizado. Este muda sua forma de ver o mundo, sua consciência crítica é aguçada. O conhecimento é emancipatório, fazendo relações entre os fatos, interpretando, lutando por melhorias e continuamente resignificando o conhecimento. Juntamente com Paulo Freire (1990) refletimos que a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Já que as experiências, brincadeiras, interações, contribuem no desenvolvimento da fala e da escrita. Ler a palavra e aprender como escrever a palavra, de modo que alguém possa lê-la depois, são precedidos de aprender como escrever o mundo, isto é, ter a experiência de mudar e de estar em contato com o mundo . (...) A leitura do mundo precede mesmo a leitura da palavra. Os alfabetizandos precisam compreender o mundo, o que implica falar a respeito do mundo. (FREIRE, 1990, p.31-32) Notamos que as crianças precisam ter espaço na sala de aula para trocar idéias, informações do seu cotidiano, opiniões que se aliam ao conteúdo curricular, em que procuramos prezar a qualidade e não a quantidade no desenrolar das aulas, para que tenham tempo de fazer as leituras necessárias, não somente a leitura das letras, mas também das imagens, da música e do mundo. Leitura é também interpretação, é conhecer, analisar e formar opinião a partir da leitura e dos conhecimentos prévios. (...) a leitura é um processo de relacionar símbolos escritos a unidades de som e é também o processo de construir uma interpretação de textos escritos. (...) Desse modo, a leitura estende-se da habilidade de traduzir em 2 Jenny Cook-Gumperz (ano 1991), A construção social da alfabetização. Artes Médicas.
  51. 51. 51 sons sílabas sem sentido a habilidades cognitivas e metacognitivas; inclui dentre outras: a habilidade de captar significados; a capacidade de interpretar seqüências de idéias ou eventos, analogias, comparações, linguagem figurada, relações complexas, anáforas; e ainda a habilidade de fazer previsões iniciais sobre o sentido do texto, de construir significado combinando conhecimentos prévios e informação textual, de monitorar a compreensão e modificar previsões iniciais quando necessário, de refletir sobre o significado do que foi lido, tirando conclusões e fazendo julgamentos sobre o conteúdo. (SOARES, 2001, p. 68-69) Não precisamos subestimar a criança pensando que ela não é capaz de refletir sobre as questões da sociedade, da realidade vivida. Podemos possibilitar no espaço da escola e da sala de aula que se discutam problemáticas sociais e econômicas, bem como alternativas de resolução. Elas precisam refletir que a escrita, a leitura e a alfabetização como um todo, impulsionam transformações sociais e criam oportunidades antes não tidas pelos sujeitos antes de alfabetizar-se. É através do desenvolvimento de habilidades e da internalização dos conhecimentos que fazemos as correlações com as necessidades do dia-a-dia e a aplicação destes conhecimentos. Onde os fatores psicológicos e sociológicos se complementam na aquisição da leitura e da escrita. Refletimos com Vygotsky (1991) que o ensino da leitura e da escrita devem ser organizados de forma que se tornem necessários pelas crianças, pois se for puramente mecânicos logo serão entediantes e as mesmas não expressarão suas idéias na forma escrita e oral de maneira significativa e prazerosa. Destacamos assim, a necessidade das/os professoras/es das séries iniciais conhecerem e respeitarem as fases do desenvolvimento da criança, a realidade onde está inserida, trabalhar a oralidade, a expressão escrita e falada. Sendo um/a professor/a pesquisador/a, agindo com ação-reflexão-ação. Buscando tornar o conhecimento significativo, por meio de metodologias diversificadas, construindo com as crianças o desejo de aprender e pesquisar constantemente. Nessa perspectiva, no processo de estágio tivemos como principais objetivos oportunizar as crianças a interpretarem a expressarem as diversas formas de linguagem nas diferentes áreas do conhecimento, procurando aliar os conteúdos de forma interdisciplinar. Articulando à leitura as diversas áreas e disciplinas que compõe o
  52. 52. 52 currículo escolar, através da exploração de gibis, mapas, gráficos, diferentes gêneros literários, para favorecer diversificadas formas de leitura. Desenvolver um projeto com multiplicidade de textos significa construir na criança estruturas cognitivas necessárias para a leitura e escrita de textos variados. Para isso, é preciso planejar uma forma de desenvolver o trabalho que leve o aluno a produzir e sistematizar conhecimentos. O objetivo do trabalho não é apenas levar o aluno a reconhecer as diversas modalidades de texto, mas levá-lo a escrever cada uma delas. O contato da criança com textos variados facilita a descoberta das regras que regem a linguagem escrita. (NASPOLINI, 1996, p.39) Com o objetivo principal de realizar momentos de leitura de forma prazerosa e significativa, e de contribuir no processo de formação de leitores, para que a leitura seja uma fonte de aprendizagem dentro e fora da sala de aula. Fazendo com que os materiais que circulam socialmente sejam manipulados e discutidos em sala de aula, para que as crianças confirmem que o que aprendem na escola tem relação com o que vivem também fora dela. A leitura na escola tem sido, fundamentalmente, um objeto de ensino. Para que possa constituir também objeto de aprendizagem, é necessário que faça sentido para o aluno, isto é, a atividade de leitura deve responder, do seu ponto de vista, a objetivos de realização imediata. Como de trata e uma prática social complexa, se a escola pretende converter a leitura em objeto de aprendizagem deve preservar sua natureza e sua complexidade, sem descaracterizá-la. Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles. Significa trabalhar com a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura, ou seja, os diferentes por quês resolver um problema prático, informar-se, divertir-se, estudar, escrever ou revisar o próprio texto com as diferentes formas de leitura em função de diferentes objetivos e gêneros: ler buscando as informações relevantes ou o significado implícito nas entrelinhas, ou dados para a solução de um problema. (PCN, 1997, p. 54-55) Na elaboração de nossos projetos de ensino-aprendizagem procuramos ter objetivos claros para cada aula, de forma interdisciplinar para que os conteúdos não fossem trabalhados de forma fragmentada. Realizando também a correção das atividades juntamente com as crianças e, se necessário, fazendo o resgate na aula seguinte. Em todos os momentos a leitura do mundo estava presente como forma de ensino-aprendizagem, através da leitura dos textos elaborados, discussões debates, letras de música, imagens, filmes. Disponibilizamos inclusive, no fundo da sala uma caixa com gibis, revistas e livros para que as crianças utilizassem ao final das atividades
  53. 53. 53 propostas. Este foi o nosso combinado: ir até a caixa somente quando terminassem a atividade. Este material provocou grande interesse nas crianças principalmente para com os gibis, em que muitas resistiam ao devolvê-lo à caixa, fazendo-o somente ao final da aula. A biblioteca da escola ficou fechada por muito tempo, e a sugestão de possuir um acervo bibliográfico na própria sala mostrou-se uma opção de grande relevância para que as crianças tivessem acesso aos diferentes materiais para leitura. A sala de aula é um espaço privilegiado para leitura como fonte de aprendizagem, onde oportunizamos as leituras de mundo, discussões e atividades contextualizadas de forma interdisciplinar em relação aos conteúdos. Término da caminhada Consideramos que a escrita e a leitura caminham juntas no processo de alfabetização, que não se restringe à primeira série, mas muito antes da criança entrar na escola e sendo aperfeiçoadas durante todo o processo escolar de ensino-aprendizagem. Fazendo com que os alunos sejam sujeitos do seu processo de ensino-aprendizagem, lendo o mundo de forma crítica, interagindo no ato de ler, formulando suas opiniões, a fim de fazerem suas inferências a partir do contexto e dos conhecimentos prévios que possuem. Uma prática constante de leitura na escola deve admitir várias leituras, pois outra concepção que deve ser superada é a do mito da interpretação única, fruto do pressuposto de que o significado está dado no texto. O significado, no entanto, constrói-se pelo esforço de interpretação do leitor, a partir não só do que está escrito, mas do conhecimento que traz para o texto. (PCN, 1997, p. 57) Numa das últimas aulas de docência do estágio propomos a elaboração de um texto do que foi mais significativo nas discussões desta aula, em que falamos de problemas das regiões do Brasil e também possibilidades de soluções. Notamos que os alunos trataram esta atividade com maior naturalidade do que já havíamos visto no início do processo de estágio, a leitura e a escrita aos poucos estavam sendo encaradas como algo necessário e que poderia inclusive ser prazeroso, a todo o momento chamavam-nos na carteira para perguntar se estava ficando bom. A produção do texto
  54. 54. 54 estava fluindo muito bem, já que haviam pesquisado, lido e discutido o tema, realizado atividades relacionadas. Procuramos sempre respeitar o ritmo da turma, os alunos que terminavam seus textos primeiramente foram orientados a realizar uma ilustração relacionada ao que escreveram, enquanto os demais colegas finalizavam seus textos. Refletimos finalmente, a partir de nossos objetivos iniciais e de toda a nossa caminhada, que a escrita e a leitura devem ser encaradas pelas crianças como algo necessário e prazeroso, e que este processo requer uma ativa participação do professor, tendo clara a sua intencionalidade desde o momento do planejamento das aulas, a escolha do material, a metodologia didática e a avaliação contínua de todo o processo educativo. Referências Bibliográficas: FREIRE, Paulo. MACEDO, Donaldo. Alfabetização Leitura do mundo Leitura da palavra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. NASPOLINI, Ana Tereza. Didática de Português Tijolo por Tijolo Leitura e Produção Escrita. São Paulo: FTD, Ano 1996 PCN Parâmetros Curriculares Nacionais Língua Portuguesa. Secretaria da Educação Fundamental: Brasília, 1997. REGO, Teresa Cristina. Vygotsky- Uma perspectiva histórico-cultural da educação. 12º Edição. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2001. SOARES, Magda. Letramento Um tema e três gêneros. 2º Edição. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
  55. 55. 55 3.2 Ler é, ler exige... refletindo sobre o uso de variados recursos textuais na formação de leitores. *Sandra Regina Pires Ferreira Resumo O artigo discorre sobre a prática de leitura desenvolvida como princípio adotado no estágio realizado nas séries iniciais de uma escola da rede pública estadual. As atividades desenvolvidas possuem como objetivo principal introduzir no espaço da sala de aula diferentes práticas de leitura e variados recursos textuais, para favorecer a participação, a interação e a expressão das crianças. Trata-se de um trabalho com os seguintes princípios pedagógicos: autonomia, criatividade, interação, curiosidade, dialogicidade e criticidade. Nos embasamos nos teóricos, Lev S. Vygotsky (1991), Paulo Freire (1990;1993) e Magda Soares (2001) e nas propostas do Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa (1997). As análises revelam que alguns princípios ficaram mais explícitos que outros, e, o escasso tempo, pode ser considerado uma das nossas maiores limitações. Contudo, a partir das intervenções realizadas pudemos constatar que é possível desenvolver com as crianças práticas de leitura e de escrita mais significativas e prazerosas, quando articuladas com as leituras que realizamos diariamente, ampliando as leituras de mundo. Palavras chave: leitura; reflexão; expressão. -------------------------------- *Acadêmica da 8ªfase de Pedagogia FAED/UDESC, semestre 2005.1 Orientadora Profª Dr.ª Alba Regina Batistti de Souza Co-orientadora do Artigo Profª Msc Luciene Fontão
  56. 56. 56 Conhecer para planejar: é hora de refletir sobre a própria atuação A situação educacional que estamos vivendo hoje é permeada de discussões e reflexões sobre o hábito de leitura das crianças. As escolas buscam fazer com que as crianças gostem de ler, para isso, em sua grande maioria, organizam empréstimos de livros, visitas às bibliotecas, fichas de leituras... Almeja-se a formação de um país de leitores. Foi considerando essas inquietações e o que observamos como práticas de leitura no nosso campo de estágio que optamos pelo projeto de Formação de Leitores ,visando a introdução em sala de aula de variados recursos textuais e diferentes práticas de leitura. Beatriz Cardoso e Madza Ednir (1988, p. 45) enfatizam essa idéia colocando que A melhor maneira de transformar meninos e meninas em leitores e escritores é colocá-los em contato com materiais impressos dos mais diferentes tipos: livros, jornais, revistas, anúncios, cartazes . Acreditando que, mesmo antes de chegar à escola, as crianças já vivenciaram inúmeras experiências de leitura, já tiveram contato com diversos recursos textuais, foi que procuramos planejar atividades de leitura para o desenvolvimento de suas potencialidades, favorecendo a interação, a autonomia, a criticidade, a dialogicidade e a criatividade; considerados por nós princípios educativos essenciais. Ao estabelecermos estes princípios educativos, embasamo-nos inicialmente nos teóricos Lev S. Vygotsky (1991), Paulo Freire (1990; 1993) e Magda Soares (2001) e nas propostas do Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa (1997). Embasamo-nos nestes teóricos educacionais porque estes consideram o contexto social, as experiências das crianças e vêem-nas como sujeitos de sua própria aprendizagem, indo ao encontro da concepção de sociedade, de homem e de escola que almejamos e que pretendemos colaborar a construir. Pretendemos uma sociedade que, respeitando a diversidade, garanta direitos iguais a todos que nela vivem; homens conscientes do contexto social e do papel que desempenham neste e uma escola que desperte entre outros aspectos, a curiosidade, a observação e a criticidade nas leituras que são realizadas em seu âmbito e no contexto social. Com isso, planejamos desenvolver em nosso estágio práticas de leituras com diversificados recursos textuais para a construção do significado do que está registrado

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