A arte do aconselhamento psicológico

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A arte do aconselhamento psicológico

  1. 1. A Arte Do Aconselhamento Psicológico - Rollo May (resenha) Imprimir Trabalho! Cadastre-se - Buscar 155 000+ Trabalhos e Monografias Categoria: Psicologia Enviado por: GilbertoPM 19 abril 2013 Palavras: 4317 | Páginas: 18 Tema/Tese/Idéia central do autor: A abordagem de Rollo May, tem como tema o aconselhamento psicológico. Neste trabalho ele defende alguns princípios fundamentais quanto ao desenvolvimento da personalidade. Além de apresentar os princípios elementares do trabalho de aconselhamento, Rollo May discorre sobre os elementos que acompanham sua prática e dá algumas considerações finais quanto a personalidade do aconselhador. 3.Breve resumo: Este trabalho de Rollo May, é dividido em três partes. Sendo assim, procurarei fazer um resumo demonstrando os principais pontos enfocados em cada parte. Primeira Parte: 1.A origem dos problemas de personalidade. Neste primeiro capítulo, Rollo May nos mostra algumas questões concernentes à origem dos problemas da personalidade. Sua abordagem parte dos fatores que causam os colapsos nervosos. Rollo May usa o exemplo de George B., analisando seu perfil psicológico, e os sintomas que caracterizavam sua neurose. Neste exemplo, vemos como se aborda o aconselhando, como também a maneira de se identificar os conflitos de sua personalidade, o que pode dar subterfúgios importantes para o processo de "cura" de sua personalidade. Rollo May diz que os problemas da personalidade surgem pela falta de ajustamento das tensões dentro da personalidade. Em outras palavras quanto maior a falta de ajustamento mais neurótica se torna a pessoa. É um erro dizer que uma personalidade sadia não tem tensões, pelo contrário, as tensões bem direcionadas trazem crescimento, e o que se deseja é um ajustamento das tensões e não uma fuga delas. No campo destas tensões, Rollo May nos mostra como é estruturada a personalidade. Ele dá algumas definições de termos importantes como a neurose, psicose, e esquizofrenia. Se a pessoa é capaz de identificar suas tendências neuróticas específicas, poderá mais facilmente prevenirse contra um distúrbio de personalidade definitivo, quando de uma crise emocional. Rollo May diz que a busca pelo reajustamento de tensões da personalidade é sinônimo de criatividade. Quanto mais delicado for o equilíbrio interno das tensões, maior será a criatividade. 2.Uma descrição da personalidade.
  2. 2. Rollo May define personalidade como aquela estrutura básica do ser humano que faz dele uma pessoa. A descrição mais vívida e persuasivamente determinística da personalidade é apresentada pela psicanálise freudiana. Segundo Rollo Mau, Freud nos mostrou o lado feio da natureza. Ele observou que os ajustamentos dentro da mente do indivíduo podem entrar numa desordem caótica devido a "repressões". Rollo May mostra que o perigo do freudianismo está em sua interpretação determínistica da personalidade como um todo. A ênfase a este determinismo, pode destruir a responsabilidade humana. Portanto, o determinismo pessoal que excusa a responsabilidade, torna-se um obstáculo à restauração da saúde mental. Neste aspecto, Rollo May, mostra o problema da maioria dos neuróticos, que procuram se esvair de sua responsabilidade transmitindoa à outros. A saúde mental significa uma restauração do senso de responsabilidade pessoal, e logo, uma restauração da liberdade. Portanto é função do aconselhador levar o aconselhando a aceitar a responsabilidade pela direção e pelos resultados de sua vida, como também aperfeiçoar e usar seu potencial de liberdade. Um dos princípios básicos da personalidade demonstrado por Rollo May, é a "individualidade". Muitas pessoas que apresentam problemas com sua personalidade, deve-se ao fato de não se aceitarem, ou seja, não conseguem individualizar-se. Rollo May, procura mostrar, que a maioria dos erros cometidos na vida são cometidos por pessoas que tentam representar aquilo que não são. A função do aconselhador é ajudar o aconselhando a encontrar o que Aristóteles chama de "enteléquia", o elemento singular existente dentro da semente do carvalho, que a destina a crescer e tornar-se um carvalho. Ou seja, o aconselhador deve auxiliar seu aconselhando a achar seu self verdadeiro e então ajudá lo a ter a coragem de ser esse self. Outro princípio básico da personalidade é a integração social. Rollo May, diz que se um indivíduo é bem sucedido socialmente, deve já ter resolvido seus problemas de personalidade. Um ajustamento social significativo é básico para a personalidade, pois é necessário que a pessoa aja dentro de um mundo constituído de outras pessoas. Adler observou que ninguém pode gozar boa saúde, separando-se de seu grupo social, pois a própria estrutura de sua personalidade depende da comunidade. Rollo May mostra também a questão do chamado complexo de inferioridade, como ele se caracteriza e se desenvolve na personalidade. Quando o indivíduo se reveste de coragem, livra-se da compulsão de seu sentimento de inferioridade e, consequentemente, não necessita mais lutar contra os outros. O indivíduo saudável torna-se socialmente "integrado", o que, literalmente, significa obter "totalidade". Na prática o aconselhador observará que, quanto mais integrado socialmente se tornar o aconselhando, mais ele descobrirá, no conjunto, sua individualidade própria e singular. Finalmente Rollo May trata da tensão religiosa e mostra que o homem não é uma criatura totalmente horizontal, nem totalmente vertical. Ele vive tanto horizontal como verticalmente. A religião do homem provém dessa suprema tensão. Nesse ponto de intersecção entre o vertical e o horizontal surge no homem o senso dos imperativos morais e absolutos. Rollo May mostra aqui a questão do sentimento de culpa e como este sentimento desenvolve-se na personalidade humana. Portanto a função do aconselhador é auxiliar o aconselhando a livrar-se do sentimento de culpa doentio, ao mesmo tempo que o ajuda a aceitar e afirmar corajosamente a tensão religiosa inerente à sua vontade. 3.Empatia chave para o processo de aconselhamento. Empatia significa um estado de identificação mais profundo das personalidades, em que uma pessoa se sente tão dentro da outra que chega a perder temporiamente a sua própria identidade. Assim, ao abordamos a empatia, estaremos levando em consideração não apenas o
  3. 3. processo-chave no aconselhamento, mas, ao mesmo tempo, a chave para praticamente todo trabalho de pregadores, professores e outros, cuja vocação depende da influência que têm sobre as pessoas. A empatia demonstrase como um grande instrumento nas mãos do aconselhador. A empatia, manifestase no amor. É impossível conhecer outra pessoa sem que a amemos, no sentido mais amplo da palavra. O amor opera uma mudança nas personalidades do amante e do amado. O amor pode desenvolver a tendência a torná los mais semelhantes, como pode também levar a pessoa amada a seguir o ideal existente na mente daquele que ama. Por consequinte, o amor possui uma força psicológica fabulosa. É a força mais poderosa disponível no campo da influenciação e tranformação da personalidade. O segredo do sucesso nas relações pessoais é o uso da empatia de forma construtiva, positiva, amistosa e revigorante. Rollo May, fala também sobre transferência mental e sobre o segredo da "influência" na vida das pessoas. A influência é um dos resultados da empatia, e demonstrase como uma atitude importante na tarefa do aconselhamento. Rollo May mostra aqui alguns exemplos como a personalidade das pessoas pode ser influenciado pelo "meio" e como ministros, professores e líderes, podem influenciar as pessoas que os cercam. Rollo May diz que numa determinada situação, é a pessoa com maior coragem social que exerce a influência e a de menor coragem social que a aceita. Segunda Parte: No caminho da prática 4.Leitura do caráter. Neste capítulo, Rollo May mostra que o aconselhador é particularmente sensível a todas as pequenas expressões do caráter, como o tom da voz, a postura, a expressão facial, e até mesmo o modo de trajar e os movimentos aparentemente acidentais do corpo. A personalidade interna está continuamente expressandose através da voz, dos gestos, ou trajes e o único problema é a habilidade do aconselhador em perceber essas expressões e entender algo de seu significado. Rollo May diz que o modo como o aconselhando aborda o aconselhador, é o primeiro modo de ver seu caráter. Ou seja, o modo de apertar a mão, a distância tomada pelo aconselhando, o modo de se vestir, as expressões faciais, o tom de voz, o nervosismo. Rollo May mostra também que o "esquecimento" de nomes não acontece por mero acaso. Neste comportamento está incluso a característica da personalidade da pessoa. Adler diz que o indivíduo se lembra daquelas experiências que têm significado especial para seu estilo de vida. Portanto se uma pessoa esquece nomes constantemente, podemos inferir acertadamente que lhe falta o devido interesse social. A família também, é um fator determinamente na leitura do caráter de uma pessoa. Rollo May faz algumas leituras do comportamento dos filhos de acordo com a ordem do seu nascimento, ou seja, o filho mais velho, o do meio e o caçula, com também o filho único e gêmeos. Ao comentar cada caso, Rollo May demonstra como a personalidade de cada um é desenvolvida em meio ao relacionamento familiar. Seu objetivo não é determinar regras infalíveis, mas mostrar algumas discernimentos básicos na busca da leitura do caráter no exercício do aconselhamento. 5.Como montar um programa de aconselhamento. Para Rollo May, o aconselhamento pessoal é qualquer compreensão profunda entre duas pessoas que resulte numa mudança de personalidade. Sendo assim, como aconselhadores, devemos procurar usar todas as oportunidades possíveis para a prática do aconselhamento. Temos que fugir daquela postura
  4. 4. de nos tornarmos apenas aquele que "dá conselhos", ou de ser meramente um sujeito agradável, é preciso profundidade e percepção na aplicação dos princípios fundamentais do aconselhamento. Rollo May, começa propondo que as entidades educacionais devem procurar realizar um serviço bastante valioso para seus alunos, inserindo em seus quadros um aconselhador, cujo objetivo seja não só auxiliá los a enfrentar dificuldades específicas, como também assistí los de forma a ajustar suas personalidades de forma mais criativa. Quanto ao "ministro" , Rollo May, diz que o ministro de sensibilidade pode transformar a visita pastoral numa excelente oportunidade para praticar o aconselhamento específico. O "sermões" podem caracterizarse como um excelente recurso de "cura" para as pessoas. Para isto, ele de agir sob o princípio de empatia, levando os crentes a saírem da Igreja iluminados, estimulados e revigorados por sua nova compreensão da realidade. Rollo May fala também quanto à questão do contato com o aconselhando, como recebê lo, o lugar, a hora, etc. É importante que o aconselhador evite o uso de chavões, termos difíceis, linguagem muita formalista. O aconselhador precisa ser "humano". O tom de sua voz e todo o seu comportamento deve ser o de um ser humano. Portanto, o aconselhador deve procurar usar uma linguagem que deixe a pessoa a vontade, e que permita seu envolvimento, ou seja, é preciso desenvolver a "empatia" com o aconselhando. Empatia significa a influência mútua da personalidade, e por, conseguinte, no processo da empatia o aconselhador assimilará as expressões fortes dos aconselhandos. 6.Confissão e Interpretação. O autor, mostra aqui um exemplo prático de confissão e interpretação, e dá posteriormente algumas orientações importantes para o aconselhador, visando o acompanhamento do problema como sua interpretação. Em primeiro lugar temos que respeitar o princípio de que o aconselhador é quem fala, durante o período da confissão. O aconselhador deve ter cuidado com o que diz. Toda palavra emitida deve ter uma finalidade. Em segundo lugar, temos que reconhecer o valor catártico na confissão em si. Ou seja, a empatia, aparece aqui estrategicamente. A função da empatia é tal, que a pessoa a quem se faz a confissão está muito ligada ao valor catártico da confissão. Em terceiro lugar, o aconselhador hábil deverá dirigir a confissão do aconselhando para o problema central. O costume de deixar o aconselhando começar a falar por onde quiser é bom, mas o aconselhador deve então abrir o caminho para que ele fale sobre o problema real. Rollo May termina este capítulo falando sobre o uso de testes e anotações, dizendo que a melhor entrevista é aquela cuja duração gira em torno de uma hora. 7.A transformação da personalidade. O autor, nos mostra aqui alguns princípios básicos na transformação da personalidade. Em primeiro lugar, a personalidade não se transforma pelo conselho. O conselho, no sentido corriqueiro, é sempre superficial. A sugestão, por sua vez, tem um papel imprescindível em todo desenvolvimento pessoal. O segundo fator na transformação da personalidade é a função criativa da compreensão. No estágio da interpretação, o aconselhador, automaticamente, emprega este método de transformação do carater, pois esforçase para dar ao aconselhamento uma compreensão dos fatores que causaram seus problemas. O terceiro meio de transformar o caráter é a influência que resulta do relacionamento empático. Ou seja, o aconselhador transmite ao aconselhando a "vontade de coragem". Essa vontade de coragem pode dar a impressão de que o aconselhando sai com um "empurrão psicológico". Nesta situação de
  5. 5. "troca", o aconselhador retorna ao aconselhando uma postura de otimismo e coragem, que assume seu estado de espírito. O quarto fator na transformação do caráter é a utilização do sofrimento. Rollo May diz que um er humano não transformará o padrão de sua personalidade em meio a tudo o que se diz e se faz, a não ser que seja obrigado a fazê lo pelo seu próprio sofrimento. Aqui Rollo May nos mostra como o sofrimento e a dor, podem trabalhar positivamente em nossas existências, dandonos personalidades mais firmes, a partir do momento que encaremos seu papel terapêutico. Terceira Parte: Considerações finais: 8.A personalidade do aconselhador. Rollo May, mostra aqui os elementos necessários que distinguem um bom conselheiro de um conselheiro em "parafuso". As diversas escolas de psicologia insistem em que o candidato à profissão em sua área deve ser, primeiro, completamente analisado, para que possa compreender e eliminar o maior número possível de seus próprios complexos. Ou seja, diante disto, o aconselhador deve procurar ter uma autocompreensão da sua personalidade. Rollo May, mostra também as características principais de um conselheiro religioso. Ele mostra seus principais conflitos, como também alguns conceitos deturpados, (tendências neuróticas) que podem refletir negativamente na performance do conselheiro, diante do seu trabalho poimênico. 9.Moralidade e Aconselhamento. Rollo May, ao meu ver, faz aqui uma excelente abordagem sobre o posicionamento que devemos ter como conselheiros no que concerne a questão da moralidade. Ao assumirmos uma postura moralista no aconselhamento, nós roubamos do indivíduo o direito inalienável de moldar a sua própria moralidade no cadinho de suas tensões e sofrimentos pessoais. Não podemos trazer uma exortação à pessoa, antes de não fazermos, que ela mesma compreenda seus conflitos, ou seja, uma atitude moralista, um excessivo zelo sem entendimento, poderá levar o paciente a um terrivel sentimento de culpa. Por isto é necessário enfatizar o princípio de que o problema do aconselhando não deve ser abordado como uma questão de moralidade, mas sim de saúde mental. 10.Religião e saúde mental. Rollo May mostra aqui os perigos neurotizantes de uma religiosidade vazia e esteriotipa. Rollo May mostra três pontos quanto a esta religiosidade neurotizante. 1) a religião tem uma perigosa tendência neurotizante, quando ela segrega a pessoa de seus semelhantes, ao invés de fortalecer sua ligação; 2) a religião tende a ser neurótica, sempre que ela evocar mais a convardia do que a coragem da pessoa; 3) a religião tornase neurótica, sempre que paralisa e empobrece a vida, destruindo, assim, a possibilidade de se viver abundantemente. Quadros como este, levam muitos psicanalistas a dizerem que a religião por si mesma intensifica a enfermidade mental. Freud diz que a religião é um meio pelo qual o homem se oculta num estado pueril de dependência e proteção. De certa forma Freud está certo, pois denuncia uma religião desprovida da graça curadora de Deus. A religião verdadeira, ou seja, uma afirmação fundamental do sentido da vida, é algo sem o qual nenhum ser humano pode ter uma personalidade saudável. 4.Pontos de Valor, importância e significado no texto. Ao meu ver, este trabalho de Rollo May, apresentou muitos pontos de valor e importância, que me edificarãm muito e trouxeram um maior equilíbrio e profundidade no trabalho de aconselhamento.
  6. 6. No que diz respeito aos principios fundamentais do aconselhamento, Rollo May abordou muito bem os principais fatores que afetam a personalidade e que geram conflitos emocionais. Ele mostrou muito bem como se caracteriza a formação da personalidade, como também surgem seus principais conflitos. Ao descrever a personalidade, Rollo May, mostra muito bem os aspectos positivos da abordagem psicológica de Freud, que observou que os ajustamentos dentro da mente do indivíduo podem entrar numa desordem caótica devido a "repressões". Ou seja, neurose significa uma capitulação da liberdade, a submissão do eu a fórmulas rígidas de educação. Como consequência a personalidade nesse ponto tornase realmente uma máquina. Mas a sáude mental significa uma restauração do senso de responsabilidade pessoal e, logo, uma restauração da liberdade. Rollo May mostra que as tensões existentes na personalidade podem acarretar sentimento de culpa e também o chamado complexo de inferioridade, diante disto, ele mostra sugestões interessantes de como se deve tratar estas tensões. A empatia caracterizase como a chave para o processo de aconselhamento, e nisto eu concordo plenamento com Rollo May. Esta atitude empática do conselheiro se fosse mais buscada e observada, melhoraria sensivelmente o quadro emocional de nossas Igrejas. Como líderes e conselheiros temos que "acordar" para o privilégio e responsabilidade que temos de influenciar vidas. E esta influência pode se manifestar nos mais variados aspectos da vida comunitária. Ao discorrer sobre o aspecto prático do aconselhamento, Rollo May mostrou importantes aspectos quanto a leitura do caráter das pessoas, suas roupas, movimentos, expressões faciais, voz, etc. Isto ao meu ver, dá nos muitas diretrizes na tentativa de interpretar um comportamento. A questão do esquecimento também foi ao meu ver pertinente e prá se pensar... Ao falar da família, Rollo May nos mostra como esta instituição é um importante fator determinante da personalidade. Rollo May mostra como sua função de psicológo vai tornandose profunda a partir da experiência no trato com outras pessoas. Se vê claramente como sua percepção e empatia vai tornandose algum comum e profundo no seu diaadia. Isto para mim é um grande incentivo ao crescimento e engajamento da tarefa de aconselhamento. No que se refere a um programa de aconselhamento, Rollo May nos dá um modelo coerente e maduro de como deve desenvolverse o aconselhamento na comunidade. O aconselhamento não deve ser encarado apenas como um "conselho", como é visto costumeiramente em seu sentido pejorativo. Seu ponto de vista é ao meu ver sério e desafiador, para todos aqueles que aspiram um trabalho de aconselhamento envolvente e salutar na Igreja. Ao falar de confissão e interpretação, gostei muito, do exemplo dado pelo autor, que nos mostra aspectos importantes no trato com o aconselhando, que visem sua confissão e recuperação diante do problema vivido. Rollo May mostra o importante trabalho de catarse emocional que deve ser desenvolvido com o paciente, como também a postura sábia do aconselhador, que não deve deixar se influenciar pelas reações do aconselhando, como palavras duras, experiências mórbidas, choros, etc. Gostei muito quando Rollo May tratou da transformação da personalidade. Aqui chegamos no ponto crucial e fundamental do aconselhamento. E aqui exatamente, que vemos a importância de uma postura correta e providencial do aconselhador. Vemos aqui como uma "influência empática" pode mudar satisfatoriamente o perfil de muitas personalidades dominadas pelo pessimismo e marasmo. Gostei muito da forma como Rollo May abordou aqui a questão do sofrimento e seu papel na formação e desenvolvimento da personalidade. Ou seja, o aconselhamento não deve aliviar seu aconselhando do sofrimento, mas sim reconduzir o sofrimento por canais construtivos.
  7. 7. Finalmente achei muito importante Rollo May terminar seu trabalho dedicando suas considerações a pessoa do aconselhador. Ele mostra princípios elementares do bom aconselhador como também a necessidade uma "percepção" de si mesmo. Achei muito importante ele tocar na questão do moralismo, principalmente no que diz respeito a sexualidade, e como o "religioso" encara esta questão. Ele apresenta sugestões interessantes de como o religioso pode superar suas tendências neuróticas. Em primeiro lugar, o aconselhador deve compreender como suas "neuroses" agem em sua personalidade; 2) o aconselhador deve desenvolver a coragem da imperfeição. Isso quer dizer ser capaz de falhar; 3) o aconselhador deve aprender a ser capaz de sentir tanto prazer no processo de viver, como em seus objetivos; 4) o aconselhador deve estar certo de que está interessado em pessoas, sem quaisquer outros interesses a não ser elas mesmas. Tudo isto quer dizer que o candidado a aconselhador deverá proceder a uma depuração de sua religião, arrancando impiedosamente os elementos falsos e expurgando os pelo método tradicional de penitência. Rollo May mostra muito bem que a sexualidade pode arruinar muitas vidas como também levar a criação de muitas famílias e produzir grandes "amores". Ou seja, não podemos tratar da questão de "instintos" de forma moralista e impiedosa, e necessário que o aconselhando experimente a graça de Deus agindo de forma total em sua vida, sem os subterfúgios do moralismo, ou legalismo. Da mesma forma, a idéia aqui não é cair num antinomismo, mas experimentar a ação da graça de Deus sobre nós, permitindo um viver "livre" destituído de jugos opressores e alienantes. Ao tratar de religião e saúde mental, Rollo May mostra que a psicoterapia necessita de Teologia. Ou seja, as questões fundamentais, com as quais termina a psicoterapia, só podem ser respondidas no campo da Teologia. Rollo May mostra que as frustações geradas pela nossa natureza pecaminosa só podem ser curadas através da "graça", o que ele chama também de "clarificação". Rollo May diz que quanto mais conscios somos da graça de Deus sobre nós, mais nos dispomos à temê Lo. Quanto mais o indivíduo recebe a graça de Deus, tanto mais reconhece sua culpa, e consequentemente mais necessita da graça de Deus. 5.Crítica deficiências ou objeções. Bem, ao meu ver a leitura do livro de Rollo May, "A arte do aconselhamento psicológico", foi altamente proveitosa para minha vida. A forma como ele abordou a questãao do aconselhamento psicológico foi ao meu ver muito esclarecedora. Seu enfoque me trouxe uma visão mais ampla do que representa este campo profundamente edificador que é o aconselhamento psicológico. Os exemplos dados, foram importantes para que eu pudesse entender os argumentos na prática. O uso das citações foi bem elaborado, enriquecendo mais ainda sua abordagem psicológica. Quanto à críticas, posso dizer que não encontrei muita coisa para criticar, visto que sou leigo no assunto. Mas a minha percepção quanto a tudo que foi apresentado é de que as idéias de Rollo May, nos trazem um grande desafio, a partir da nossa própria experiência como ministros e conselheiros. A única observação que tenho a fazer, é que quando ele tratou da empatia, como chave para o processo de aconselhamento, ele não deixou muito claro a questão da telepatia e clarividência. Eu não entendi muito bem qual a relação destes fenômenos à empatia, ou seja, ainda não estou muito bem informado se a telepatia e clarividência estão voltadas tão somente ao campo da ciência, ou se, estão relacionadas com práticas ocultistas. De certa forma achei estranho ele citar estes fenômenos. Por isso, devo procurarei entender melhor a natureza destes fenômenos.
  8. 8. No demais posso dizer que fui muito edificado com a leitura, pois muita coisa que Rollo May disse serviu para a minha própria vida e para o reajustamento de alguns aspectos em minha personalidade. Da mesma forma, pude ver confirmada minha atitude diante de casos que fui chamado para intervir como conselheiro. Achei muito interessante a linha de discernimento que Rollo May nos impulsiona. De fato, quando buscamos um aprofundamento dos "mistérios" da personalidade, somos desafiados a termos um conhecimento maior de nós mesmos. Este conhecimento só é possível, a partir do momento que conhecemos melhor a Deus. Problematizaçãao Questões para discussão. Diante de tudo que foi mostrado na abordagem de Rollo May, tenho diante de mim, muitos desafios nesta área importantíssima que é o aconselhamento psicológico. Ao meu ver a abordagem de Rollo May é um tremendo desafio poimênico, a nós pastores. Este desafio começa a partir da nossa própria saúde psíquica. Digo isto, porque há muitos pastores hoje que tem sido elementos nocivos a comunidade cristã. Muitos destes pastores vem ao seminário, com profundos problemas emocionais não tratados, não curados e com as crises do seminário, muitos tendêm a piorar, indo para o ministério sem perspectivas de serem canais de "saúde" comunitária. Rollo May quando falou sobre a personalidade do aconselhador, deixou bem claro, o cuidado que o conselheiro deve ter consigo mesmo, para que, seu trabalho tenha resultados mais eficientes. Rollo May mostra que uma análise feita por parte de um psicoterapeuta, proporcionaria ao ministro uma compreensão valiolíssima de si mesma, o que o auxiliaria enormemente no aconselhamento de outros com eficiência. Como pastores, temos a responsabilidade de buscar em nossa "classe" uma busca mais intensa pela saúde psicológica. O Pr. Caio Fábio em um dos seus livros, diz que há igrejas, que são verdadeiras usinas de doentes mentais. Quando pensamos que a maior parte dos pacientes que estão internados em hospitais psiquiátricos são evangélicos (ou já foram), isto deve nos despertar à uma atitude estratégica no trato desta "anormalidade". Jesus veio para nos dar vida e vida em abundância. Não é possível que o nosso discurso esteja separado da realidade. Portanto, tenho como desafio para mim, viver este evangelho dentro da perspectiva central de sua mensagem, que é a transformação e edificação de vidas. Ao abordar a questão da moralidade e religiosidade, Rollo May demonstra os imensos males que uma comunidade pode sofrer pela imposição de uma moralidade destituída de amor, bom senso e "empatia". Ao meu ver a abordagem sobre "empatia" foi um dos pontos mais altos do livro. Pois, ao meu ver, o "pastor" como conselheiro deveria encarnar plenamente este atitude "empatica". Quando sofremos com a dor do outro, e transmitimos os resultados da graça de Cristo derramada em nós, vemos a manifestação do amor de Deus, e o revigorar de vidas tristes, assoladas e carentes de uma personalidade mais dinâmica. É necessário que busquemos para nossa comunidade este programa de aconselhamento apresentado por Rollo May. Para vivermos a verdadeira religiosidade, no sentido de "religarse à Deus" é encontrar a finalidade "supra" da vida, que esta num relacionamento profundo e integral com Jesus Cristo, o doador da vida. Neste relacionamento temos a graça de Deus, que nos capacita a sermos corajosos e sensíveis ao desafio poimênico de nossos dias.

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