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Uma triatleta, uma
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POLÍTICA BRASILEIRAPOLÍTICA BRASILEIRA
Fernanda Keller não é política, é atleta;
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A Falta de patrocínio tem deixado as equipes femininas do espo...
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MEIO AMBIENTE
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ARTE E CULTURA ARTE E CULTURA
Escrever vai muito além do que unir um
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ARTE E CULTURA MENTE EM MOVIMENTO
situações em que o muro passa dentro
de um quintal. Em outras, divide c...
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ESPORTE ESPORTE
Na academia ou nas quadras, a prática
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ESPORTE PALAVRA DE HOMEM
jogando, continuam superestilosas. Nós
gostamos de tratar o cabelo, a pele, as
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34 35Women’s Way
PERFIL PERFIL
Ela chega para a entrevista demonstrando
bastante firmeza. Não foi preciso muito
para saber...
36 37Women’s Way
PAPO DE BOLEIRA
O futebol é uma paixão nacional. No Bra-
sil, 70% dos cadernos de esporte abor-
dam o tem...
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EU TESTEI!
Sou fã de esportes com muito movimento.
Por isso, quando vi o anúncio do desodo-
rante antitra...
40 41Women’s Way
SHOPPING CIDADE
A cidade de São Paulo possui 1.769 esta-
belecimentos de saúde que envolvem os
mais varia...
42 43Women’s Way
CIDADE VAI PRA ONDE?
medidas consideradas ideais, bem como
a manutenção da saúde em médio e longo
prazos....
44 45Women’s Way
NA ESTEIRA DA SAÚDE
O método pilates é uma técnica criada
em 1934, com o nome inicial de Crontro-
logia, ...
46 47Women’s Way
NO PRATO
Beirute Light
Este lanche requer um pouco mais de tempo para
cortar os alimentos, mas pode ser f...
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  1. 1. 1 Isso é coisa de mulher! 2015 já está aí! Esporte e sucesso Na natureza Uma triatleta, uma dentista e uma jornalista mostram como o esporte pode transformar vidas As seleções femininas estão preparadas para dar show Gosto pelo turismo de aventura cresce entre as mulheres Atletas do rúgbi e do roller derby mostram que ser feminina tem tudo a ver com a prática esportiva
  2. 2. 2 3Women’s Way
  3. 3. 4 5Women’s Way EDITORIAL/EXPEDIENTE PREPARE-SE! EXPEDIENTE Editora-chefe: Sirlene Farias Diretor de arte: Mauro de Oliveira Designers: Juliana Miyahira, Silene Bastos e Sirlene Farias Diretora comercial: Silene Bastos Repórteres: Juliana Miyahira, Mauro de Oliveira, Silene Bastos e Sirlene Farias Colaboradores: Alex Sandro Crema, Maria Eduarda Alves, Mauro de Oliveira e Nathália Almeida Revisão: Sirlene Farias Capa: Mauro de Oliveira Impressão: AroPrint Gráfica Tiragem: 25 mil exemplares Circulação: Nacional QUEM FAZ A WOMEN’S WAY A editora-chefe Sirlene Farias já jogou handebol, futebol e praticou atletismo. Atualmente, sua modalidade favorita é a corrida, mas vez por outra arrisca deslizar sobre patins. E con- fessa: “Sou um desastre!” Diretora comercial, repórter, fotógrafa e designer. Dá pra ver que a jornalista Silene Bastos é multitarefa. E ainda ri das trapalhadas de sua editora quando as duas saem para patinar. Juliana Miyahira é repórter, designer e fã de adrenalina e es- portes radicais. Atualmente pratica stand up paddle e já de- monstra pleno domínio sobre a prancha. Repórter, fotógrafo e diretor de arte, Mauro de Oliveira analisa as mulheres muito além do alcance de suas lentes. Gosta de pedalar, mas ainda não encontrou um modo de manter o equi- líbrio e segurar a câmera ao mesmo tempo. EQUIPE A decisão de sair do sedentarismo passa por processo semelhante ao do processo de criar uma nova revista. É preciso acreditar no potencial futuro, nos benefícios trazidos e assumir uma postiura ativa. Essa é uma das razões por que estamos aqui. A outra, é você, leitora. Há muito tempo observamos uma imensa lacuna dentre os veícu- los impressos. Não havia no mercado uma revista que tratasse o esporte com a merecida seriedade que lhe cabe e que, ao mesmo tempo fosse voltada para mulheres. Não somos o tipo de mulher que faz do esporte um benefício para o corpo. Somos um grupo que acreditamos que o esporte vai além dos benefícios para o corpo: é um estilo de vida, que nos interessa enquanto praticantes de atividades físicas, enquanto torcedoras e enquanto apaixonadas pela prática esportiva como um todo. É a revista que trata do esporte do seu jeito. Prepare-se. Esta é só a primeira edição da Women’s Way, e ainda há muito o que explorar. Esperamos que você tenha com a leitura o mesmo prazer que tivemos com a produção. Um abraço, Sirlene Farias Editora-chefe Foto:JulianaMiyahira Foto:JulianaMiyahira Foto:arquivopessoal Foto:SileneBastos
  4. 4. 6 7Women’s Way SUMÁRIO Cidade 41Orientação nutricional ao alcance das paulis- tanas Atletas amadoras da megalópole confessam não consultar especialista 43Vai pra onde? Para aquela mulher que tem muito mais o que fazer 45 Na esteira da saúde Pilates: benefícios em qualquer idade 46 No prato Pausa para um lanche saudável Política Brasileira 8Esporte, mulher e política: um belo exercício de ações Como o poder público, atletas e ex-atletas podem mudar a sociedade Economia 12Verba desclassificatória Falta de patrocínio impede equipes femininas de participar de competições Internacional 16A Copa do Mundo é em 2015 Após anos de proibição, 24 seleções femininas competem pelo título de melhor equipe do globo Meio Ambiente 20Aventura na natureza: combinação ao gosto feminino A paixão pelo turismo de aventura tem crescido entre as mulheres Arte e cultura 24Maratona na Palestina A jornalista Adriana Mabília conta como o preparo físico a auxiliou no desenvolvimento de seu novo livro 27Mente em movimento O que há de melhor em esporte e cultura Esporte 30Que nem macho, não! Atletas mostram que envolvimento com o esporte tem tudo a ver com feminilidade 33 Palavra de homem O prazer feminino na prática esportiva 34Perfil/Capa De jaleco e tênis de corrida 36Papo de boleira Futebol: esporte para todos 38Território feminino (Con)vivendo com o feminino 39Eu testei! Rexona MotionSense 40Shopping Sabor e saúde NESTA EDIÇÃO...
  5. 5. 8 9Women’s Way POLÍTICA BRASILEIRAPOLÍTICA BRASILEIRA Fernanda Keller não é política, é atleta; a deputada Luci Choinacki não é atleta, é política. Ambas atuam em áreas distintas e têm como foco incluir os excluídos do esporte em patamares que os possibilite competir por pódios sociais. Suas inicia- tivas provam que não somente o governo deve agir em prol da sociedade, mas que pessoas detentoras de conhecimento e influência esportiva têm o esporte como uma arma eficaz contra o preconceito e a ausência de ações sociais. A triatleta Fernanda Keller faz política sem ser política ao atuar no esporte há mais de 20 anos correndo, pedalando e nadando. Ela é a única atleta feminina a participar por 22 anos consecutivos do Campeonato Mundial de Ironman (prova que inclui 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida). Às vésperas de completar 50 anos, ainda em ativi- dade, consegue fôlego para trabalhar em um instituto que leva seu nome e que tem como objetivo principal ajudar crianças menos favorecidas por meio do esporte. Segundo o site do instituto, ela oferece “gratuitamente, projetos sociais em Ni- era nociva à sua saúde, especialmente à maternidade. “Além da participação feminina no esporte, as mulheres têm muitas dificuldades, principalmente em relação aos patrocínios, que são fracos e difíceis”, afirmou Luci. Ela destacou, ainda, o “empreendedorismo” da presi- denta Dilma Rousseff e o “engajamento” de várias desportistas nos preparativos da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016. As atletas Ana Moser (vôlei), Carmem de Oliveira (atletismo), Hortência (bas- quete), Luisa Parente (ginástica artís- tica) e mais 39 atletas fazem parte do ATLETAS, organização sem fins lucrativos tanto Keller quanto Choinacki acreditam que o esporte faz bem à saúde física e mental e são ótimas ferramentas a serem usadas em prol do social. a necessidade de programas e medidas para a superação dessas questões. Exemplos como os da jogadora Marta e até mesmo de toda a seleção brasilei- ra feminina de futebol, além de atletas em busca de apoio e patrocínio e com dificuldades para competir, são algumas das justificativas do projeto de lei. A de- putada ressalta que de 1965 a 1986, a legislação brasileira proibiu as mulhe- res de praticarem lutas, futebol, pólo aquático, rúgbi e beisebol, pois, naquela época, segundo ela, cultivava-se a ideia de que a prática de futebol por mulheres que, segundo o site, reúne, em iniciati- va inédita no mundo, atletas e ex-atletas de diferentes gerações e modalidades esportivas para chamar a atenção, sen- sibilizar, conscientizar e mobilizar a so- ciedade no apoio a causas importantes para o Brasil. Exemplo dos efeitos positivos do esporte na vida das pessoas é o caso da Amanda Costa de Sena. “Fiz balé, caratê, futsal, handebol, e hoje, depois que me mudei para São Paulo, não faço nada disso, mas ando de skate, esporte pelo qual me PARCERIAS QUE DÃO RESULTADO Fernanda Keller conta com orgulho de seu pro- jeto “correndo por um ideal”, em parceria com a Nestlé. “Ele é voltado para nutrição e estamos indo para o terceiro ano, agora, rumo a Washing- ton, representando o Bra- sil na Conferência Mun- dial de Saúde Infantil e de Valores Compartilhados.” O Instituto buscou inse- rir essas duas estudan- tes, já formadas, em um contexto social melhor, mostrando a importância da educação. Elas com- petem e participam de eventos representando a universidade. “Ainda não temos um projeto de alta performance, mas é um sonho futuro conseguir incentivos para treinar e preparar atletas.” Revela a atleta. www.institutofernan- dakeller.com.br foto Esporte, mulher e política: um belo exercício de ações Conquistar algo em favor do social merece destaque. O poder, a influência e a capacidade de dar algo ao outro são necessários na sociedade do esporte por Mauro de Oliveira terói, sua cidade natal, em conjunto com uma equipe de profissionais especiali- zados, voltados para o atendimento de crianças e adolescentes de baixa renda, com idades entre 7 e 18 anos, todos es- tudantes da rede pública de ensino”. Uma ação importante em prol de atletas do gênero feminino, porém com pouco destaque, ocorrida na política, foi o pro- jeto de lei da deputada Luci, que insti- tuiu 2013 como ano nacional do esporte feminino. O objetivo do projeto é divul- gar as conquistas femininas na área, denunciar os obstáculos e preconceitos de gênero e incluir na agenda política Amanda Sena acompanha a movimentação de skatistas no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Foto: Mauro de Oliveira
  6. 6. 10 11Women’s Way POLÍTICA BRASILEIRA apaixonei”, conta. “Uso essa atividade para sair da rotina da internet e para me distrair um pouco”, diz ela, que confes- sou ter visto pessoas relacionando essa prática também ao uso de drogas. Re- cém-saída da adolescência, já viu pesso- as usarem entorpecentes, mas aprendeu que o esporte faz bem e acha que todas as crianças deveriam ter o mesmo incen- tivo que teve. O cientista político Antonio Roberto Vig- ne diz que vê com bons olhos iniciativas de pessoas que buscam fazer a sua parte dentro da sociedade, ajudando a corrigir erros do sistema social, mas faz um aler- ta: “Não dá para dizer que são, de fato, consciência social todas as ações que se veem por aí, lembrando que investir no social isenta de imposto de renda e auxilia na imagem junto à mídia, au- mentando lucros na venda de produtos agregados que promovem a imagem do atleta junto aos meios de comunicação”, esclarece. “Mas, claro, pode ter fundo social verídico em alguns casos, não em todos“. o fato de o projeto de lei que instituiu 2013 como ano nacional do esporte fe- minino não ter inspirado grandes maté- rias e debates sobre o assunto não signi- fica que esse tema sofra preconceito ou desinteresse. Segundo Vigne, pode signi- ficar simplesmente que o governo fede- ral não comprou a ideia totalmente, não investindo o suficiente em publicidade nesse sentido. Para o cientista político, a razão pode ser, talvez, por haver outras prioridades em mídia, como a Copa das Confederações, os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo – além de temas políti- cos já em voga. Ações sociais são bem-vindas. Vigne diz que iniciativas pessoais de alguns atle- tas, como Fernanda Keller, são o exem- plo do que um ser humano pode fazer de diferença por simplesmente tentar algo. “Pode parecer insuficiente, quixotesco em alguns casos, utópico em outros, mas sem pessoas como esta, não haveria os bons exemplos e, por certo, o esporte é A triatleta e ativista do esporte, Fernanda Keller. Foto: arquivo pessoal uma ferramenta que mostra pessoas as- sim ao mundo, tanto quanto a boa polí- tica, correta e ética, independentemente de qual for a ideologia professada, em um processo democrático pleno”. Todos lucram com boas ações.
  7. 7. 12 13Women’s Way ECONOMIA ECONOMIA Verba desclassificatória A Falta de patrocínio tem deixado as equipes femininas do esporte brasileiro fora de competições por Sirlene Farias A história do esporte inevitavelmente nos remete à Grécia antiga. Há registros de que as primeiras competições, que deram origem aos Jogos Olímpicos, surgiram por volta de 2.500 a.C. Naquele período, o esporte era um meio de se reverenciar Zeus, mas a participação era restrita a um grupo seleto de homens – as mulheres eram proibidas de se envolver em qual- quer modalidade. Ao longo dos séculos, o esporte foi se tornando mais democrático e adapta- do aos diferentes gêneros. Deixou de ser um modo de se reverenciar um deus para tornar-se uma máquina de fazer di- nheiro aos patrocinadores e, por meio do marketing esportivo, um importante im- pulsionador da economia mundial. “Dos grandes eventos até a própria indústria esportiva que consome o esporte, como o futebol, por exemplo, que tem faturamen- to alto com os grandes clubes, a economia sofre impacto quando falamos do esporte como um todo, e o marketing esportivo está dentro disso”, explica o diretor de marketing e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo (IBME), Rafael Zanette. O especialista está correto. Segundo es- tudo da consultoria AT Kearney, o esporte movimenta mais de 64 bilhões de dólares ao ano no mundo todo, em uma via de mão dupla em que atletas e empresas são mutuamente beneficiadas – os atletas têm aporte financeiro para manter-se nas competições e a empresa agrega valor à sua imagem. De acordo com dados da Fundação Getú- lio Vargas, no Brasil, o esporte movimenta cerca de 3,3% do PIB, algo em torno de R$ 30 milhões por ano. Existe, portanto, um grande potencial a ser explorado pe- equipe da baixada santista, em um mo- mento em que a própria torcida afirmava que atuavam melhor que sua contrapar- te. Mas em janeiro de 2012, as Sereias da Vila – nome dado à equipe feminina do Santos Futebol Clube – anunciaram o encerramento das atividades por conta de falta de patrocínio. As jogadoras não se conformaram e apelaram, no Twitter, a colegas do time masculino, mas não con- seguiram reverter a situação. À época, o presidente do Santos, Luís Ál- varo de Oliveira Ribeiro, o Laor, disse, em modalidades também sofrem em virtude da falta de patrocínio. Em 2012, a equipe do voleibol do Mackenzie abandonou a Superliga Feminina de Vôlei, temporada 2012/2013, devido à falta de patrocínio, que impossibilitava às jogadoras viajar e se hospedar nas cidades onde aconteciam os jogos. Em São Bernardo do Campo, ao questionar rapidamente a jogadora do ASA/São Bernardo, Natalia Mammana, de 17 anos, sobre problemas com patrocínio, a resposta foi curta e incisiva: “Na minha categoria, estamos sem nenhum patrocí- nio”. “‘Talvez o resultado do esporte masculino no Brasil seja melhor, logo a exposição maior’. – Rafael Zanette, do IBME. Ao menos para o futebol, essa afirmação não se aplica” las empresas brasileiras, principalmente considerando que a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 serão realizados em território nacio- nal. Entretanto, diferentes modalidades têm visibilidade distinta, o que reduz o inte- resse das empresas em patrocinar o es- porte. Mais: se a modalidade for feminina – mesmo no futebol, que movimenta 28 bilhões de dólares ao ano –, a dificuldade é ainda maior. A seleção brasileira de futebol feminino teve, em 2011, nove representantes da entrevista coletiva, que a falta de patro- cínio e a baixa exposição da modalidade foram responsáveis por esse resultado tão sombrio. “As condições objetivas da modalidade não têm sido devidamente apreciadas com uma visão um pouco mais ampla e um pouco mais de longo prazo”. Essa ponderação reflete a opinião da se- reia Erika Cristiano dos Santos. “Eu espero que alguém veja tudo isso e possa, de al- guma forma, arranjar patrocínios e divul- gar mais o futebol feminino”, comentou enquanto enxugava as lágrimas, reflexo de sua decepção. Atletas do gênero feminino de outras Natalia, que pratica esportes desde os 8 anos, procura conciliar escola com trei- nos, mas demonstra desânimo ao avaliar a falta de interessa das empresas em patrocinar equipes femininas. “É compli- cado uma equipe entrar em campeonatos sem dinheiro. Trazer meninas de fora da cidade custa caro. Existem as viagens para jogar, pagamento de árbitros, transferên- cia de jogadoras”, explica, antes de fazer uma surpreendente declaração: “Muitas vezes já vendemos rifas para pagar árbi- tros e uniformes”. Responsáveis por mediar o contato entre patrocinador e patrocinado, especialistasA jogadora de basquete do São Bernardo, Natalia Mammana, conta que sua categoria enfrenta o problema da falta de patrocínio. Foto: Sirlene Farias
  8. 8. 14 15Women’s Way ECONOMIA do marketing esportivo negam que não haja interesse das empresas em patroci- nar o esporte feminino. Rafael Zanette, do IBME, diz não saber até que ponto isso é verdade, mas afirma que, caso isso efetivamente aconteça, trata-se de uma questão cultural do Brasil. “A cultura do país quer apenas retorno de curto prazo e não sabe usufruir do patrocínio como lhe é devido”, explica. Falta visibilidade Em dado momento, porém, Zanette dá a chave da questão. “Talvez o resultado do esporte masculino no Brasil seja melhor, logo a exposição maior”. Ao menos para o futebol,aafirmaçãodovice-presidentedo IBME não se aplica. Há pelo menos quatro anos a seleção brasileira de futebol mas- culino tem mostrado resultados inferiores aos do futebol feminino. A chave está no termo visibilidade. O marketing esportivo visa o desenvol- vimento de marcas por meio do esporte, bem como o gerenciamento de atletas de alto nível. Logo, mais do que investir no esporte como um todo, as empresas que- rem é maior visibilidade, e, para isso, é preciso que o atleta e/ou equipe em que investiu esteja em evidência. Por razões históricas, não é uma vantagem do espor- te feminino, que tem razões históricas. Em 1900, nos Jogos Olímpicos de Paris, havia apenas 16 mulheres, competindo em uma única modalidade. Em 1908, eram 36 mulheres em um meio que abar- cava mais de 2 mil homens. Membros de alguns países, revoltados com a iniciativa feminina, chegaram a esboçar um boicote quando, em 1912, a natação foi aberta para as mulheres. Quanto ao futebol feminino, o Decreto- -Lei 3.199, de 1941, que ficou vigente até 1975, proibia às mulheres a prática do futebol no Brasil. Em 1964, o Conselho Nacional de Desportos (CND) proibiu mais uma vez o futebol feminino de ser prati- cado, decisão que foi anulada 17 anos de- pois, mas ainda impedia as mulheres de se profissionalizar. O futebol feminino só se tornou um esporte olímpico em 1996. Uma alternativa às equipes e atletas do gênero feminino, segundo Rafael Zanette, seria cobrar um posicionamento mais fir- me das confederações para que busquem estratégias para equilibrar a visibilidade do esporte feminino ao masculino. A Lei de Incentivo ao Esporte também é uma alternativa viável, uma vez que prevê às empresas que patrocinem a prática es- portiva dedução de 1% do imposto devido. Tudo isso, porém, depende de um envol- vimento conjunto de atletas, diretoria de equipes e confederações. Do contrário, outras equipes terão o mesmo destino das Sereias da Vila, que viram investimento de mais de R$ 25 milhões no futebol mas- culino, e quanto a elas, a cifra destinada fora inferior ao R$ 1,5 milhão necessário para manter a equipe em plena atividade. As cifras do esporte Quanto movimentam os esportes mais populares do mun- do. Futebol – US$ 28 bilhões Futebol Americano – US$ 8,1 bilhões Beisebol – US$ 7,7 bilhões Fórmula 1 – US$ 4,2 bilhões Basquete – US$ 3,8 bilhões Hóquei - US$ 2,8 bilhões Tênis – US$ 2,7 bilhões Golfe – US$ 1,9 bilhão Outros – US$ 5 bilhões Fonte: AT Kearney
  9. 9. 16 17Women’s Way INTERNACIONAL INTERNACIONAL Quando se fala em Copa do Mundo, logo se pensa em futebol. Masculino, cla- ro. Mas desta vez, o mundial é delas. A próxima edição da Copa do Mundo Fe- minina da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) acontecerá de 6 de junho a 5 de julho de 2015, em seis cidades-sede: Edmonton, Moncton, Mon- treal, Ottawa, Vancouver e Winnipeg, to- das no Canadá. Esta será a primeira vez que a maior competição esportiva única para as mulheres acontecerá com a participação de 24 equipes ou três da América do Sul, além do país- -sede, que está automaticamente classi- ficado. Criado em 1991, o campeonato ainda está em sua sétima edição, mas já dá grandes passos para fortalecer o inte- resse crescente pelas boleiras que vêm nos próximos anos. “É certo que o even- to terá um efeito positivo em todos os níveis do futebol no país inteiro, tanto masculino quanto feminino, mas é mais certo ainda que ajudará a inaugurar uma nova era no futebol feminino”, afirma o presidente do Comitê Organizador Local do Canadá 2015, Peter Montopoli. O Canadá, país anfitrião da competição, manha, com 2163, e os Estados Unidos, que ocupam a primeira posição há cinco anos consecutivos, com 2215 pontos. Em comparativo com o Ranking Mundial Masculino, as mulheres saem em dispa- rado. O Brasil está na 19ª colocação, com 902 pontos, e os estadunidenses ocu- pam o 29º lugar, com apenas 779 pon- tos. A Espanha lidera com 1538 pontos. Ainda assim, há muito trabalho a ser fei- to. Atualmente, as meninas treinam na Granja Comary, no Rio de Janeiro, e já se preparam para o Sul-Americano de 2014 de Futebol Feminino Sub-20. O técnico afirma que sua meta é a renovação da Seleção. “O projeto da minha comissão 29 milhões de integrantes do dito sexo frágil jogam futebol em todo o mundo, e na intenção de aumentar ainda mais esse número e de dar uma oportunida- de para essas mulheres entrarem em uma competição mundial, um grupo de futebolistas já profissionais criaram a campanha Live Your Goals – em portu- guês, “Viva seus Objetivos” – que está na ativa desde a última edição da Copa, em 2011, realizada na Alemanha. A iniciativa tem por objetivo transformar o sonho de meninas e mulheres que al- mejam chegar ao futebol profissional, e ao mesmo tempo divulgar as compe- tições femininas de futebol que existem espalhadas em todo o mundo. também será sede da Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA, que acontece- rá um ano antes do evento principal. Seleção brasileira Apesar de o país nunca ter sido campeão, claro que, no Brasil do futebol, entre as mulheres, a fama não poderia ser dife- rente. A comando do treinador Márcio de Oliveira, hoje a equipe brasileira ocupa a quarta posição no Ranking Mundial Feminino, com 2038 pontos, perdendo apenas para o Japão, com 2096, a Ale- é buscar e trazer novos talentos para a seleção brasileira. É claro que não pos- so abrir mão de jogadoras experientes e, por isso, Andreia Suntaque, Formiga, Rosana e Fabiana estão no grupo”. Empurrão nelas No entanto, o patrocínio para o futebol feminino é mais restrito, de modo que dezenas de meninas não conseguem chegar ao time de base, quem dirá à se- leção de seu país. Segundo a Fifa, hoje aproximadamente A Copa do Mundo é em 2015 Elas saem das arquibancadas e vão para os gramados. A bola da vez é feminina na sétima edição do Campeonato Mundial de Futebol por Juliana Miyahira e Silene Bastos Futebol com muito charme. Faltam apenas dois anos para a Copa do Mundo Feminina de Futebol. Foto: Silene Bastos E quem pensa no torneio como um even- to ofuscado pela Copa masculina de 2014, não poderia estar mais engana- do. Esta será a primeira vez que a maior competição esportiva única para as mu- lheres acontecerá com a participação de 24 equipes do mundo todo, o que mostra o crescimento do interesse pelo esporte tanto por parte das jogadoras, quanto dos torcedores. “O futebol continua a crescer tanto em número de praticantes quanto de espectadores no nosso país, e as mulheres representam quase a meta- de”, declara o presidente da Federação Canadense de Futebol, Dominique Ma- estracci. Para o presidente da Fifa, Joseph Blat- ter, o aumento de visibilidade da com- petição feminina também é motivo para entusiasmo. “O futebol feminino conti- nua amadurecendo, e fico contente por ver que torcedores de cidades de todo o país, de leste a oeste, terão a oportuni- dade de participar”. A dois anos do campeonato, a fase pre- liminar teve início em abril deste ano e vai até novembro de 2014, de onde sai- rão oito seleções europeias, cinco asiáti- cas, três africanas, um time da Oceania, três ou quatro das Américas Central e do Norte, incluindo o Caribe, e mais duas
  10. 10. 18 19Women’s Way INTERNACIONAL ANO 2011 2007 2003 1999 1995 1991 CAMPEÃO Japão Alemanha Alemanha EUA Noruega EUA VICE EUA Brasil Suécia China PR Alemanha Noruega FINAL 2x2 (3x1)* 2x0 2x1 0x0 (5x4)* 2x0 2x1 SEDE Alemanha China EUA EUA Suécia China PR *penais Campeonato Mundial de Futebol Feminino Conheça as equipes vencedoras nas seis últimas edições da competição. Seleção feminina da Granja Viana já se prepara para as seletivas. Foto: divulgação
  11. 11. 20 21Women’s Way MEIO AMBIENTE MEIO AMBIENTE Sensação de bem-estar e melhorar a qualidade de vida é uma combinação que muitos procuram para fugir da rotina de estresse cotidiano e do se- dentarismo. Para aqueles que gostam de estar em contato com a natureza, e ao mesmo tempo se aventurar pelas preocupam com o lixo que produzem, e deixam pelo caminho restos de co- mida e embalagens, o que acaba com- prometendo a saúde da floresta e dos bichos que nela habitam.” Iniciativa feminina consciente Algumas mulheres que já tomaram gosto pelos esportes que envolvem a natureza conseguem definir o senti- mento prazeroso em unir duas coisas de uma só vez. A agente de reservas Ana Paula dos Santos Oliveira já re- aliza esse tipo de atividade há sete anos. Ela começou quando ainda era estudante de Turismo e Hotelaria. “Durante o curso, algumas viagens de ecoturismo me despertaram o desejo de praticar esportes radicais e, desde então, procuro destinos com esse ob- jetivo”, lembra. Ana Paula relata, ain- da, que “a melhor parte da prática de um esporte radical é quando se tem a integração com a natureza”. Para ela, Aventura na natureza: combinação ao gosto feminino Esportes radicais relacionados ao meio ambiente despertam o interesse de mulheres antenadas com as preocupações ambientais e que procuram alternativas para superar desafios por Silene Bastos foto Onde Praticar No site www.ambiente. sp.gov.br, está disponível uma lista de trilhas es- palhadas por São Paulo e separadas por grau de dificuldade. A Estação Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais oferece aos seus visitantes opções trilhas e caminhadas. Elas fazem parte de projetos de educação ambiental desenvolvidos pela insti- tuição. Variam em exten- são e grau de dificuldade e podem atingir de 600 a 4 mil metros de percurso. Contato: (31) 3409-2295 / 3409/2296 ou eeco@ reitoria@ufmg.br. No Rio de Janeiro, a empresa especializada em turismo de aventura Rio Natural Ecotourism ofe- rece serviços de turismo ecológico e cultural, com trilhas que podem variar de 1 hora até 3 dias de duração. Bico do Papagaio, Pico da Tijuca e Trilha do Morro da Urca são algu- mas das opções. Contato: (21) 9643-7424 / 9992- 1666 ou contato@rionatu- ral.com.br. Interagir com o meio ambiente é sinônimo de respeito à fauna e à flora durante a prática do turismo de aventura. Foto: Juliana Miyahira belezas que ela consegue oferecer, o turismo de aventura é uma boa opção. T rilhas em mata fechada, montanhis- mo, tirolesa, arvorismo e rafiting, são esportes que conseguem garantir esse ajuste e cada dia vêm ganhando o gos- to do público feminino. Mas apesar de o contato com a natureza ser o ponto positivo desses esportes, o rastro dei- xado pelas pessoas que os praticam pode ser um problema. Segundo um estudo do Instituto Nacio- nal Francês de Estatística e Economia, divulgado em 2009, as mulheres são mais “verdes” do que os homens, ou seja, elas são ambientalmente mais conscientes e, sendo assim, poluem e agridem menos o meio ambiente. Em palestras e seminários sobre conscien- tização ambiental, a bióloga e am- bientalista Melissa Anjos relata que é possível compreender essa diferença. “É comum percebermos que o maior interesse por esse assunto seja do pú- blico feminino, geralmente os homens acham a discussão cansativa, já as mulheres estão mais pré-dispostas a ouvir sobre o tema”. Melissa alerta que as atividades es- portivas realizadas em meio à natu- reza merecem uma atenção especial, tendo em vista que possíveis agres- sões podem ser prejudiciais ao meio ambiente. “Muitas vezes grupos que realizam trilhas longas e acabam precisando acampar na mata não se As trilhas apresentam lixeiras para o descarte do lixo produzido durante as caminhadas. Foto: Juliana Miyahira
  12. 12. 22 23Women’s Way MEIO AMBIENTE quando se está “no meio do mato, no alto de uma montanha ou na corre- deira de um rio sentimos a natureza de forma bruta e pura no seu melhor, temos visões privilegiadas. Todo o es- forço tem sua recompensa, e quando a natureza faz parte disso, sempre vale a pena”, explica. O interesse pela conservação do meio ambiente fez com que Ana Paula saís- se de sua cidade, em São Paulo, para conferir pessoalmente as iniciativas Algumas mulheres que tomaram gosto por esportes que envolvem a natureza definir o sentimento pra- zeroso de unir duas coisas de uma só vez. neste sentido. “Em um grupo de ami- gos, montamos um desafio de sair de São Bernardo do Campo, no começo da serra do mar, para chegar à praia de Itanhaém. O objetivo era de conhecer mais sobre a Mata Atlântica e também verificar o estado de preservação nes- sa região”. A fisioterapeuta Raphaela Valory tam- bém é favorável à união do esporte com a natureza desde 2009, quando reali- zou sua primeira trilha para a Chapa- da dos Guimarães, no Mato Grosso. “A relação do esporte com a natureza é essencial. Todo o visual, a descoberta de cada ponto faz o momento ainda Cuidados na hora de se aventurar As iniciantes devem se informar sobre os cuidados para encarar a aventura. Veja algumas dicas de como se prote- ger e de como se divertir sem agredir o meio ambiente. - Pessoas alérgicas ou com doenças crônicas devem por­tar seus medicamentos e viajar em companhia de quem saiba utilizá-los. jaquetas pesadas e roupas escuras, pois atraem insetos. - Em relação às crianças, evite levá-las a trilhas em que, eventualmente, não conseguirão caminhar durante todo o percurso. - Bonés, protetor solar, repelentes, mochilas e roupas le- ves são grandes aliados para uma trilha na floresta. - Leve sempre sacolinhas onde poderão ser descartados os lixos acumulados durante o percurso. Papéis, embalagens, latinhas e garrafas plásticas poluem a mata e podem ferir animais nativos. melhor, sinceramente acho que todo esporte, em contato com a natureza, nos faz refletir sobre o cuidado com o meio ambiente”, afirma. A relação do ser humano com a natu- reza é benéfica à saúde. Os estudos de psicologia experimental já com- provam que este contato promove o aumento da energia e da sensação de bem-estar. Uma pesquisa publicada no Jornal de Psicologia Ambiental da Universidade de Rochester, em 2010, mostra que, além do bem-estar físico e mental, é possível adquirir resistên- cia a doenças físicas que possam vir a acontecer futuramente. Quem consegue se aventurar pela natureza para realizar suas práticas esportivas, sem perder de vista a con- servação ambiental, obtém resultados positivos, não somente em seu corpo, mas também em seu papel de cidadão conscientizado, bem como contribui para um mundo mais “verde”.
  13. 13. 24 25Women’s Way ARTE E CULTURA ARTE E CULTURA Escrever vai muito além do que unir um amontoado de palavras e frases em tor- no de expressões de dizer – ele disse, ela comentou, entre outras tão conhecidas. A arte da escrita exige de quem se pro- põe a desenvolvê-la um pacto de com- prometimento, principalmente quando se revela fatos que muito provavelmente trarão à luz informações das quais o lei- tor não tinha pleno domínio. A jornalista Adriana Mabília assinou esse pacto e após três anos de pesquisa e preparação, lançou, no final de abril, o livro Viagem à Palestina – Prisão a Céu Aberto, em que conta, sem estereótipos, os conflitos da região. Nascida em São Paulo, Mabília traba- lhou em emissoras como TV Cultura e TV Gazeta. Atualmente, é editora de internacional no Jornal Hoje, da Rede Globo, onde está há 4 anos. A jornalista especializou-se em jornalismo interna- cional e assuntos do Oriente Médio pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde começou a desen- volver o projeto que deu origem ao livro. Para ela, no entanto, estar no Brasil não seria suficiente para tratar do assunto com propriedade, o que a levou, entre 2009 e 2011, à maratona de viagens à Palestina, a fim de observar de perto a região de conflito. “Durante o trabalho de pesquisa, tive muito contato com os palestinos, e percebi que isso dava um livro”, conta a jornalista. “Pouco a pouco as palavras foram tomando forma, mas tudo com muito sacrifício e planeja- mento”, explica, tratando do equilíbrio necessário para transformar ideias e en- trevistas em algo palpável. A jornalista encontra esse equilíbrio por meio de um diferente pacto, desta vez, consigo mesma, por meio da prática es- portiva, que costuma aliar à atuação jor- nalística. Embora durante as viagens não pudesse cuidar da saúde como gostaria, Mabília afirma ter atentado à alimenta- ção e que não abriu mão do alongamen- to. “É o momento que você se dedica a si mesma, e os resultados refletem no corpo e também no emocional”, aponta. Para ela, o fato de manter uma rotina de alongamentos antes e durante as viagens auxiliou para que os resultados fossem tão positivos quanto os que se observa por meio de seu livro. “Se você está relaxado, trabalha melhor”, opina a jornalista. “Em alguns momentos, os soldados empurravam a cerca para assustar os palestinos. A criançada e eu corríamos.” – Adriana Mabília, jornalista Eles são um povo confinado”, revela. O efetivo choque cultural foi trazido pe- los chamados check points. Trata-se de pontos de controle sobre quem entra e quem sai da Palestina rumo a Israel. De acordo com o governo israelense, trata- -se de uma forma de inibir a ação de terroristas. “Ao ser construído, o muro tomou muitas áreas da Palestina. Toda a área verde ficou do outro lado, ou seja, em Israel”, contrapõe Mabília, para quem na realidade, o muro fere direitos palestinos. Ela aponta outras ocorrências tão cho- cantes quanto. Em muitos casos, o muro invade casas, dividindo-as em duas. “Há foto Viagem à Palestina foi, para ela, um de seus melhores trabalhos. O livro aborda uma série de temas relacionados aos conflitos e à cultura da região. A jorna- lista, entretanto, destaca sua surpresa ao encarar o Muro da Cisjordânia, um tipo de barreira construída por Israel que passa por territórios palestinos. Sua extensão é de cerca de 800 quilômetros e, em alguns pontos, chega a ter 8 me- tros de altura. “Quando vi o muro, levei um baita susto. Na hora me lembrei de uma icônica cena de 1989, quando os alemães destruíam o muro de Berlim. A comparação é inevitável”, relata Mabí- lia, que completa: “É assustador”. Ela precisou de muito pique para ca- minhar pelos vilarejos, revelando sua preparação para os longos percursos. As caminhadas também reservaram surpre- sas à jornalista, entre elas, o fato de que os palestinos gostam da imprensa, de contar o seu lado da história. “Os pales- tinos gostam de falar. Eles querem con- tar sobre o que acontece nos territórios ocupados. Independentemente de raça, religião e etnia, aquilo não é humano. Adriana Mabília autografa livro cuja produção exigiu via- gens à Palestina e bom preparo físico. Foto: arquivo pessoal O sucesso da jornalista tem como forte aliada a prática de atividades físicas. Foto: Sirlene Farias Maratona na palestina Para a jornalista adriana mabília, o bom preparo físico foi essencial para vencer obstáculos e finalizar seu livro por Sirlene Farias
  14. 14. 26 27Women’s Way ARTE E CULTURA MENTE EM MOVIMENTO situações em que o muro passa dentro de um quintal. Em outras, divide cômo- dos ao meio. As famílias palestinas tive- ram de pedir autorização, que nem todas tiveram, para frequentar o outro lado da casa. Parece piada, mas é verdade”, ironiza. Pessoas morreram em virtude da ação israelense. “Entrevistei uma moça cujo tio enfartou. Não suportou a situa- ção”, lamenta. Passar pelos check points não é tarefa das mais simples – exigia calma e equi- líbrio, os quais ela atribui também ao alongamento. Segundo ela, os oficiais que cuidam dos postos lhe fizeram uma série de perguntas, respondidas sempre acompanhadas do passaporte. “Eu dizia que era cristã e que estava em peregri- nação”, esclarece, mas ressalta que teve muita sorte, a qual não era compartilha- da com os palestinos, que chegavam a levar horas para atravessar. “A famílias de Hebron [cidade da Cisjordânia, sob ocupação de Israel], por exemplo, ge- ralmente enviam crianças para receber comida enviada por organizações não governamentais porque elas têm mais facilidade de passar pelos check points”. As ruas de Hebron também são assom- bradas pelo medo. De acordo com a jor- nalista, colonos extremistas israelenses combatem com violência a presença palestina na região, e, em disputa por casas, cometem atentados, jogando água quente em palestinos e ateando fogo em suas casas. “Quando cheguei a Hebron, uma casa havia sido incendiada na noite anterior. É uma situação triste”, comenta. Apopulaçãopalestina,noentanto,nãose aquietou mediante o muro. Juntamente com israelenses pacifistas, realizam, às sextas-feiras, manifestações contrárias à existência do Muro da Cisjordânia. “Uma delas aconteceu em Al MasRAH, um vila- rejo de Belém, e uma palestina me levou Curiosidade: As mulheres na Palestina “As mulheres muçulmanas são recatadas, não gostam de se expor. Em encontros em que só havia mulheres, elas falavam com mais abertura. Na rua, independente- mente de serem jovens ou senhoras, elas não falavam. Mas uma coisa interessante é que nenhum homem mexe com uma mulher na Pa- lestina, porque qualquer outro homem tomará partido para defendê-la. A princípio, eu estava preocupada, mas chegou uma hora em que eu relaxei. Dez horas da noite, após alguma entrevista, era possível me encontrar caminhando pelas ruas.” Adriana Mabília, jornalista pra eu conhecer a manifestação”. Se- gundo Adriana Mabília, a manifestação é pacifica e os palestinos não se armam, mas em dados momentos, os soldados empurram uma cerca de segurança para assustar os manifestantes. Por outro lado, há casos em que os pró- prios manifestantes fazem provocações contra os soldados israelenses. “Já vi manifestantes com megafones na cara dos soldados, que estão sempre forte- mente armados. Quando eles vão pra cima, a coisa fica tensa”, relata, ressal- tando sua atitude em situações do gê- nero: “A criançada e eu corríamos”, diz, mencionando sua preparação para mo- mentos de conflito e lembrando que os homens da linha de frente sempre aca- bavam machucados, mas que ela, cujos corpo e mente estavam condicionados, saía ilesa. Esporte sempre foi assunto para macho. Nos jornais impressos, os donos de artigos e colunas de opinião esportiva são homens. Na televisão, o primeiro nome que nos vem à cabeça é Galvão Bueno. Hoje em dia, Tiago Leifert é a nova aposta da Rede Globo para comandar as tardes, noites e domingos de futebol, Neymar, Pato, Ganso, Tite. Mas e as mulheres? Pensando nessas musas que cada vez mais se envolvem em diferentes modalidades esportivas, a equipe da Women’s Way traz uma seleção de filmes, documentários e álbuns para fazer a cabeça delas! True Spirit Livro e documentário contam a incrível história de Jessica Watson: uma garota de 16 anos que, sozinha, deu a volta ao mundo a bordo de um barco. Foto: True Spirit – divulgação Garota Fantástica – Whip It (2009) Dirigido por Drew Barrymore, o longa narra a história de Bliss Cavender, uma adolescente que se inscreve no roller derby para contrariar a mãe. Foto: Garota Fantástica – divulgação Sol & Sal Claudinha Gonçalves viaja pelo mundo em busca de ondas nos melhores picos para surfe. Todas as quartas, às 19h30 Canal Off Foto: Sol & Sal – divulgação Criolo Não é mulher, mas trilhas como “Não Existe Amor em SP” encabeçam as playlists das skatistas. Foto: Criolo – Caroline Bittencourt Foto:CarolineBitttencourt O que há de melhor em cultura e esporte livros, filmes, documentários e música para inspirar e acompanhar sua atividade favorita por Juliana Miyahira Imagem:divulgaçãoImagem:divulgação Foto:divulgação
  15. 15. 28 29Women’s Way
  16. 16. 30 31Women’s Way ESPORTE ESPORTE Na academia ou nas quadras, a prática esportiva sempre foi uma atividade ge- nuinamente masculina. Nas arquiban- cadas de jogos mais populares, como futebol e vôlei, já é comum ver uma quantidade maior de mulheres, que chamam a atenção mais pela beleza que pela torcida. Afinal, mulher não entende nada de esportes, certo? Errado! Ainda que para a televisão e revistas fe- mininas, atividade física para mulher se resuma a pilates, ioga e algum exercício localizado para eliminar as gordurinhas extras, poucas, porém fortes, guerreiras já vêm quebrando as regras e mostran- do que lugar de mulher é em campo, e em esportes com tanto contato físico nos quais nem todo macho teria coragem de se arriscar. Isso porque elas gostam de adrenalina. Seja sobre rodas ou com uma bola na mão, na hora do tête-à-tête, o que faz a cabeça dessas meninas é o sentimento de superação. “Quando comecei a jogar rúgbi, não fiquei pensando se era peri- goso e se eu corria risco de me machucar. Eu só queria aprender a jogar. Não fiquei presa a essas questões e tão pouco me importei por ser um esporte pouco co- nhecido, pelo contrário, achei o máximo começar a praticar um esporte que as pessoas ainda não entendiam como ele era”, conta Paula Ishibashi, jogadora do São Paulo Athletic Club e da seleção bra- sileira de rúgbi. Para as desavisadas de plantão, esta é uma modalidade esportiva de alto con- tato físico, muito popular no Reino Uni- do, e principalmente na Nova Zelândia, onde se corre com a bola nas mãos até o gol do adversário, desviando de joga- dores que tentam impedir a pontuação a todo custo, valendo até derrubar uns aos outros. Achou perigoso demais? Pois pasmem! A seleção brasileira feminina de sete jogadoras é considerada a me- lhor equipe da América Latina, com seis títulos sulamericanos, e já se prepara para disputar o campeonato nacional Super Sevens, que começa em julho des- te ano, e será uma preparatória para as Olimpíadas de 2016, além da Copa do Mundo, que será disputada em junho, em Moscou. Outra modalidade que vem conquistan- do a mulherada é o roller derby – roller, do como um esporte olímpico, já foi até inspiração para o filme dirigido por Drew Barrymore, Whip It, traduzido em portu- guês como Garota Fantástica, lançado em 2009 e estrelado por Ellen Page. As regras, porém, são rígidas para que ninguém se machuque (muito) e a uti- lização de equipamentos de proteção é requisito básico. Ainda assim, é preciso tomar certos cuidados, como ensina a jogadora Celice Lopes, da liga Ladies of Helltown: “Quando você aprender a cair, vai criar um instinto de cair nessas [melhores] posições. Se você sempre cair em cima da proteção, não vai sofrer fe- rimentos, mas aleatoriamente pode cair de um jeito errado e sofrer uma fratura”. “é responsabilidade dela [jogadora] saber do seu limite” – Celice Lopes em português, significa patins, e derby, uma partida clássica. Logo, o objetivo do esporte é disputar entre dois times de cinco jogadoras cada a maior pontu- ação, conquistada justamente à base de esbarrões nas adversárias. Criado na década de 1930 como uma ati- vidade masculina, o interesse feminino pela modalidade tem crescido tanto que, em alguns países como o Brasil, onde as 20 ligas somam 400 participantes, todas as jogadoras são mulheres. E o sucesso é tanto que, mesmo não sendo reconheci- Ou seja, no patins ou no rúgbi, as chan- ces de sair com um olho roxo ou um braço quebrado são grandes, mas nem por isso as meninas são masculinizadas. “Outro dia ouvi dizer ‘nossa, mas você tem as unhas feitas, achei que estariam destru- ídas’. Só porque jogamos rúgbi não sig- nifica que somos largadas, sujas, fedidas e descabeladas! Só dentro do campo!”, defende aos risos a jogadora da seleção brasileira, Paula Ishibashi, que comple- ta: “E ainda tem aquelas que mesmo Que nem macho, não! Bem preparadas, as mulheres têm se arriscado cada vez mais em esportes de alto contato físico. Ainda assim, elas garantem que a feminilidade não fica para trás por Juliana Miyahira Força, técnica e feminilidade não faltam na seleção brasileira de rúgbi. Foto: divulgação Onde praticar Para ingressar nos clubes, é necessário entrar em contato e participar de uma seleção. Abaixo, uma lista de times com inscri- ções abertas: - Rio Rugby Clube Rio de Janeiro – RJ paivaluizc@yahoo.com.br - SPAC (São Paulo Athle- tic Club) São Paulo – SP Avenida Robert Kennedy, 1448 Santo Amaro dudelima@gmail.com - Cuiabá Rugby Clube Cuiabá – MT Rua 24 de Outubro, 6 Centro (65) 3624-0510 Para quem se interessou pelo roller derby, é só ficar de olho nos locais de treinos das ligas mais próximas. Veja alguns dos times espalhados pelo Brasil: - Ladies of Hell Town São Paulo – SP contato@ladiesofhellto- wn.com.br - Sugar Loathe Derby Girls Rio de Janeiro – RJ oi@sldg.com.br - Royal Victory Derby Girls Manaus – AM rollerderby@live.com - Horrorcats Roller Derby Caxias do Sul – RS horrorcatsrollerderby@ gmail.com
  17. 17. 32 33Women’s Way ESPORTE PALAVRA DE HOMEM jogando, continuam superestilosas. Nós gostamos de tratar o cabelo, a pele, as unhas, enfim, como mulheres comuns”. Além do capricho e da autoestima das meninas, ambas as modalidades são inclusivas, e abertas a todos os tipos físicos. Segundo Ishibashi, não há pré- -requisito para começar a jogar, basta disposição e comprometimento. Celice, por sua vez, considera a diversidade um fator interessante. “É bastante vantajoso ter meninas de bastantes biotipos numa liga para executar tarefas diferentes dentro da quadra, mas é responsabilida- de dela [jogadora] saber do seu limite”. Falta grave Apesar do crescente interesse feminino, os incentivos – principalmente priva- dos – são poucos, porém necessários. No caso do rugby, que já é um esporte olímpico reconhecido e baseado por uma federação internacional, as meni- nas ainda sentem as diferenças entre os gêneros. “Hoje não temos que gastar nada do nosso bolso quando estamos atuando pela seleção, mas nenhuma jo- gadora é patrocinada individualmente, só no masculino. Nenhuma menina hoje é patrocinada por alguma marca/empre- sa. O incentivo do governo, por sua vez, é o programa Bolsa Atleta, que contempla os atletas que obtêm medalha/taça de 1ª a 3ª colocação em torneios nacionais e internacionais”, explica Paula Ishibashi. Durante anos, várias culturas negaram às mulheres o prazer e também o direito à prática esportiva. Com a evolução das espécies, as mudanças vieram, e não há como negar que a mulher goza de uma liberdade maior para praticar esporte e também sentir prazer ao mesmo tempo. Não entendeu? Vamos lá. A mulher faz dieta, exercícios, tratamento de beleza, academia, cirurgia plástica a fim de exi- bir um físico trabalhado, usar roupas que valorizem certas partes do corpo, ter boa saúde e estar bem consigo mesma. O re- sultado de todo esse trabalho é benéfico e a deixa feliz. Agora, imagine se durante esse processo existir prazer no físico, situ- ações que provoquem sensação de bem- -estar. Para alguns, pode parecer apenas sacrifícios. Mas a ciência vem mostrar o que muitas mulheres já sabiam e viviam durante a prática esportiva. Um estudo do Centro de Promoção da Saúde Sexual da Universidade de Indiana, Debby Herbenick, após enviar um questio- nário on-line para mais de 300 mulheres que fazem academia, descobriu que elas sentem prazer sexual com a prática espor- tiva. O estudo revelou que pessoas do sexo feminino que exercitam a região abmo- ninal já sentiram algum tipo de orgasmo durante a prática. Porém, há relatos de que outras regiões também exercitadas produziram dado tipo de prazer. Segundo apesquisa,oprazersexualocorresemque ela nem mesmo esteja pensando em sexo. E até mesmo uma virgem alegou, duran- te o estudo, ter tido um tipo de orgasmo durante um exercício que envolvia a re- gião do abdome. Herbenick continua com a pesquisa para descobrir por que esses orgasmos ocorrem, já que não há dúvidas de que eles realmente acontecem. A esse fenômeno é dado o nome de coregasmos, por causa da ligação dos músculos abdo- minais. Herbenick crê que novas desco- bertas nesse sentido tendem a melhorar a vida sexual da mulher. “Muitas dessas mulheres disseram que isso começou a acontecer desde crianças”. Curioso. Por mais informações relaciona- das ao tema, e pensando nas mulheres do nosso país, fui perguntar às colegas se isso realmente era possível, uma vez que esse estudo ocorreu pela primeira vez em 1953, com norte-americanas. Queria saber se uma mulher teria cora- gem de afirmar ser isso também possível acontecer com as brasileiras. Não que eu duvidasse ou achasse que esse fenômeno fosse um privilégio de grupos femininos que possuem uma cultura, vida, ou se ali- mentem de maneira distinta à nossa. Eu queria ouvir de alguém próximo, saber o que a brasileira tinha a revelar a respei- to. Colegas relataram que já sentiram um tipo de “fisgada”, acompanhada de uma “sensação gostosa” e que o orgasmo é algo real durante essas atividades. Algu- mas também deixaram claro que, sem o prazer sexual, exercitar-se, por si só, já é algo extremamente prazeroso. E os homens, como ficam nisso? O que poderia ser motivo de preocupação para eles acaba sendo uma boa notícia, uma vez que se sentir bem com elas mesmas praticando exercícios é, sem dúvida, um ingrediente que aumentará as chances de serem autoconfiantes nas relações amo- rosas, já que possuem o desejo natural de querer compartilhar tudo de que gostam e o que sentem com pessoas com quem se relacionam. Os homens acabam se bene- ficiando em vários sentidos. Por isso, incentivar a mulher com quem ele se relaciona acaba sendo uma atitude sábia, pois, com a prática de esporte, o humor fica em alta, as relações se enri- quecem e, com ou sem orgasmo durante a atividade, todos ganham. O prazer acaba sendo não só delas, do homem também. Mauro de Oliveira é jornalista, escritor e arrisca pedalar nas horas vagas Já no roller derby, os patrocínios sim- plesmente não existem, e quem real- mente tem interesse em participar de competições ainda precisa arcar com to- das as despesas, como afirma Celice Lo- pes. “Depende muito da jogadora em si ter condição de, por exemplo, se tiver um jogo nos Estados Unidos, bancar todos os custos da viagem, inclusive uniformes para ir para lá”. E a falta de estímulos não é apenas financeira. Na mídia, os esportes pra- ticados por mulheres quase nunca são destaque, à exceção de um ou outro jogo de vôlei que passa na TV. Garra e compe- tência para serem tão bem reconhecidas quanto os homens elas já mostraram que têm. No eleito “Ano da Mulher no Espor- te”, agora só é preciso unir forças e lutar para um futuro melhor para essas belas, porém nada frágeis, representantes. A jogadora de roller derby Celice Lopes acredita que é possível ser atleta e ser feminina ao mesmo tempo. Foto: Mauro de Oliveira O prazer feminino na prática esportiva por Mauro de Oliveira
  18. 18. 34 35Women’s Way PERFIL PERFIL Ela chega para a entrevista demonstrando bastante firmeza. Não foi preciso muito para saber que o rubor de suas bochechas nada tinha a ver com qualquer traço de ti- midez: era a mostra de que, embora fosse pouco mais de nove horas da manhã de sábado, as atividades esportivas da den- tista Michelle Liberti, de 28 anos, haviam começado horas antes. “Estava pedalando comalgunsamigos”,contouela,enquanto se preparava para o bate-papo e a sessão de fotos com a equipe da Women’s Way. Formada em odontologia pela Universi- De jaleco e tênis de corrida A dentista Michelle Liberti readaptou sua rotina para conciliá-la à prática esportiva. O resultado você confere no perfil a seguir por Sirlene Farias dade de Campinas, Michelle vem de uma família adepta à prática de atividades físi- cas, mas suas escolhas eram nada usuais comparadas às de suas predecessoras. “Todas as mulheres da minha família fa- ziam balé, mas eu não tinha interesse”, relata, sorridente. “Comecei a prática es- portiva pela ginástica olímpica, passando pela natação e outros esportes até inter- romper tudo, ao ingressar na faculdade”. O comprometimento exigido pelo curso não permitiu que Michelle pudesse con- ciliar as atividades desenvolvidas com seu gosto pelo esporte. Ela se formou em 2007 e passou a atuar como dentista, atenden- do diferentes perfis de pacientes, inclusive com necessidades especiais. Em sua vida profissional, ela relata haver situações em que é preciso ter jogo de cin- tura. Michelle conta já ter diagnosticado oito cáries nos dentes de uma criança de apenas seis anos, motivo pelo qual preci- sou ser dura com o pai, que a acompanha- va. “Conversei com ele [o pai da criança] num tom de bronca, para ver se melhorava a higienização da boca da criança” Segun- do, ela, na consulta seguinte, descobriu que ele a chamara de chata em virtude da cobrança. “O esporte deixa você mais forte” – Michelle Liberti Esse mesmo jogo de cintura foi adotado quando decidiu voltar à prática esportiva. Foi a sugestão de um chefe maratonis- ta que, em 2008, deu-lhe o impulso ne- cessário para as primeiras passadas. No entanto, seus resultados iniciais foram preocupantes. “Corri por 15 minutos e fiquei ofegante. Eu estava com 23 anos, jovem para já estar sem fôlego”. Para ela, a superação era uma questão de orgulho. Hoje, ela conta com participação em dife- rentes modalidades, inclusive na Corrida de São Silvestre. Mas é uma rotina disciplinada para conci- liar a vida pessoal, a profissão e a prática esportiva: corre três vezes por semana e, há seis meses, pedala todos os sábados, uma medida auxiliar à corrida. “Comprei uma bicicleta em dezembro para alternar com a corrida, porque esta modalidade gera muito impacto que podem resultar em lesões”, explica a dentista, para quem o ciclismo ajuda a melhorar a corrida. A corrida trouxe à vida de Michelle diver- sos fatores positivos, como novos círculos de amizade e a possibilidade de evoluir como pessoa, tornando-a mais resistente. “Não é qualquer problema que te abala”, afirma a dentista. Ela conta que quem corre 21 km está o tempo todo conectado com o próprio corpo, mas que, em alguns momentos, a vontade de desistir é intensa. “Mas você não desiste, porque quer cruzar a linha de chegada. Então, quando tem um problema, faz o mesmo: não desiste, por- que se tornou mais forte. O esporte deixa você mais forte”. Ficha de inscrição Nome: Michelle Santana Liberti Idade: 28 anos Profissão: dentista Modalidades que pratica: ciclismo e corrida Esporte em uma palavra: democrático Para Michelle, a corrida é um modo de conectar-se consigo mesma, esvaziando a mente e livrando-se do es- tresse. Foto: Mauro de OliveiraA dentista Michelle Liberti prepara-se para correr no parque Villa-Lobos, em São Paulo. Foto: Mauro de Oliveira
  19. 19. 36 37Women’s Way PAPO DE BOLEIRA O futebol é uma paixão nacional. No Bra- sil, 70% dos cadernos de esporte abor- dam o tema futebol, mas pouco se fala na participação feminina neste contexto. Há diversas formas de interação do gêne- ro feminino com o futebol, mas a maior delas é na torcida. A torcida feminina é apaixonada, tanto quanto a masculina, porém esse apoio pode se manifestar por conta de tipos variados de influên- cia externa. No estádio, observamos que a maioria das torcedoras comparece acompanhada de figuras masculinas, pais, maridos, namorados, irmãos etc. Elas, de alguma forma, são suscetíveis a estímulos masculinos quando o assunto é futebol. Quando crianças, pelos pais, quando adolescentes, pelos namorados, e quando casadas, pelos maridos. Muito embora seja comum que esse gosto pelo futebol apareça por meio da paixão de “outros”, há muitas mulheres que, uma vez extasiadas pelo esporte, passam a acompanhá-lo até mesmo so- zinhas, frequentar estádios e tudo mais. Ainda há preconceito sobre a visão fe- minina do e no futebol. Apesar de os tempos atuais mostrarem grande avanço no que diz respeito ao acolhimento da mulher no meio futebolístico, notamos o preconceito gratuito, daquele mais gros- seiro e de raiz machista: “uma mulher nunca vai entender o que é um impe- dimento”, “lugar de mulher é em casa, não em um estádio”. Não devemos ge- neralizar! Ainda que existam as “Maria- -chuteiras”, que vão a campo somente para apreciar o corpinho dos jogadores ou coisa afins, não significa que todas nós somos dessa maneira! A inserção da mulher no futebol é gran- de, há comentaristas, bandeirinhas, ár- bitras, jogadoras e torcedoras fanáticas. O Brasil tem a melhor jogadora de fute- bol do mundo por cinco anos consecuti- vos. Isso mostra, mais uma vez, a vontade das mulheres de estarem presentes nes- te esporte, e o amor pelas quatro linhas. Em alguns países, como o Irã, sabemos que as mulheres são privadas de muitas coisas, seus direitos são extremamente limitados e, por justificativa religiosa, não podem sequer entrar em um estádio. Difícil de acreditar, mas é uma verdade. Outro fator que faz com que as mulhe- res permaneçam longe dos gramados é o medo da violência que ainda permeia tal ambiente. Eu, sinceramente, nas idas aos estádios, nunca presenciei uma bri- ga ou alguma falta de respeito, mas tor- ço para um time que não desperta tanta rivalidade. Então, não sei explicar uma partida: Palmeiras versus Corinthians, por exemplo, envolvida em tamanha ten- são. Penso que o que atrapalha bastante seja a tal da torcida organizada. Hoje, os times fazem promoções para levar as mulheres ao estádio, como des- contos nos ingressos ou até a isenção do pagamento, se estiver trajada com a ca- misa do time. Estas promoções dão um charme todo feminino, aumentam o gri- to da torcida e incentivam os jogadores. Sou completamente apaixonada por fu- tebol, pelo estádio e pela Lusa, e grito aos quatro ventos que a arquibancada é lugar para mulheres, sim, pois essa paixão nacional é passível de qualquer gênero. Senão diríamos: “paixão mascu- lina”, e não “paixão NACIONAL”! Futebol: esporte para todos por Nathalia Oliveira Nathalia Almeida é estudante de ciências contábeis e torcedora da portuguesa de desportos
  20. 20. 38 39Women’s Way EU TESTEI! Sou fã de esportes com muito movimento. Por isso, quando vi o anúncio do desodo- rante antitranspirante Rexona Motion- Sense, fiquei supercuriosa para saber se realmente funcionava. A ideia é simples: quanto mais você se movimenta, mais proteção ele oferece – em tese – por até 48 horas. Não hesitei em correr ao super- mercado para comprar um e fazer um re- view. Será que funciona mesmo? Para começar, não foi tão simples encon- trá-lo em supermercados e perfumarias. Tive de recorrer a um estabelecimento de uma das chamadas “regiões nobres” da capital paulista para adquirir o produto, e isso me causou estranheza. O segundo problema foi com relação às fragrâncias. Entendo que seja uma ques- tão de gosto, mas ambas as disponíveis no supermercado – Cotton e Bamboo – eram bastante fortes. Optei pela Cotton por me parecer um pouco mais suave, embora ainda não satisfizesse meu gosto pessoal. Resolvi utilizá-lo em duas modalidades de corrida, na academia e fora dela, em dias diferentes. No primeiro dia, antes de ir para a academia, ao pressionar o spray fui surpreendida com as partículas libera- das que ficam no ar. Ao respirá-las, senti bastante coceira na garganta, que só pas- sou com uns bons goles d’água. Mesmo assim, fui em frente. A academia que frequento tem um siste- ma de ar-condicionado que libera ar pe- las esteiras. Confesso, portanto, que não senti qualquer diferença. Transpirei do mesmo modo, mas o desodorante mante- ve sua fragrância (como não gostei dela, não considero um benefício). Dois dias depois, fui correr no Parque Ecológico Vila Prudente, no qual há uma pista de terra batida muito utilizada por corredores. Desta vez, cuidei para não aspirar as tais partículas do desodorante, aproximando um pouco mais o frasco da axila. O resultado não foi bom: ele forma bolinhas que precisam ser retiradas antes de vestir a camiseta. Uma vez no parque, comecei pela ca- minhada. A manhã tinha temperatura amena, portanto, propícia para o tes- te. Durante a caminhada, percebi que o produto realmente reteve a transpiração, mas bastou apertar o passo e transformar a caminhada em corrida para tudo mudar. Correndo, não vi qualquer diferença entre meu desodorante do dia a dia e o Rexona MotionSense. Uma pena. Veredicto: para caminha- das, pode até funcionar. Para a prática esportiva, é apenas mais do mesmo. Nota: 6 Em meio à correria de São Paulo, os do- mingossãosagrados.Eparecemesmoum ritual. Depois daquele almoço tamanho família para curar a ressaca, as pessoas seguem em comboio para os parques e represas da cidade, como se fossem ga- rantir uma vida saudável com algumas horas de atividade física em compensa- ção a noites inteiras celebrando o deus grego Dionísio. E apesar de praticante assíduo de esportes radicais desde os 8 anos de idade, comigo não podia ser diferente, e eu também sempre tiro um domingo ou – quando dá – o final de se- mana inteiro para praticar e me divertir. Viciado em adrenalina que sou, outro dia, porém, me peguei sentado, apenas como admirador em um parque da capital. Vendo o sobe-e-desce da ladeira dividido entre caras largados e os shorts colori- dos das meninas, me lembrei de quando comecei a andar de skate, na década de 1980, quando, além de um esporte mar- ginalizado e discriminado, este era um mundo paralelo à existência feminina. Graças a Deus, Alá, Shiva e a todos os deuses da humanidade, o movimento foi tão forte que da época em que eu fre- quentava a Urbania – balada que unia bandas de rock a uma pista de skate nos anos 1990 – até hoje, as meninas deixa- ram de ser apenas as namoradas dos ska- tistas e agora já saem por aí dando slides que muito marmanjo nem sonha em dar. No surfe então, nem se fala. Tirando a impressionante Maya Gabeira, surfista brasileira de ondas gigantes cinco ve- zes campeã do Billabong XXL Big Waves Awards, o Oscar dos big riders, hoje já não é difícil ver cara intimidado na praia quando chega um grupo de mulher com prancha debaixo do braço. Não que es- sas meninas sejam feias, pelo contrário. Depois de ver as curvas perfeitas delas, é vergonhoso olhar pra baixo e ver que o levantamento de copo não está com nada. Isso sem contar os esportes que elas já dominam ou se misturam tão bem, que nem parece haver diferença entre os se- xos, como o roller skate ou a patinação, que tem como representante a Fabíola da Silva, oito vezes campeã dos X-Games e inspiração para a profissionalização das mulheres na modalidade. Eu poderia ficar aqui citando mil exem- plos, mas a minha maior felicidade foi ter apresentado o stand up paddel para a minha namorada, que não só gostou, como hoje me liga e diz “mor, vamos para a praia remar?”. E eu me pego pensando como é que em pleno ano de 2013, mes- mo depois de tantas provações femininas da habilidade delas, ainda pode existir preconceito em uma atividade tão demo- crática como o esporte. É, meninas, vocês estão tomando con- ta do pedaço. E nós, pobres mortais, só podemos abrir alas. Nos crowds do mar, das pistas, dos tatames e onde mais for, gentlemen que somos, não vamos brigar – pelo menos não os mais inteligentes. É provável, na verdade, que vocês nos dei- xem parados, babando, enquanto pegam todas as ondas e ladeiras que quiserem. Claro que as Marias-rolamento, parafina, chuteira e afins sempre vão existir, mas se isso servir como um incentivo para que cada vez mais mulheres conquistem seu espaço nos esportes, pelo menos nos radicais, eu garanto que ninguém do sexo masculino vai reclamar. E digo mais: não vejo a hora de começar a ver uns Joões- -parafina dando sopa por aí. Quem sabe? Alex Sandro Crema é administrador de empresas e praticante de skate, surfe, patinação, taekwondo, jiu-jítsu... TERRITÓRIO FEMININO (Con)vivendo com o feminino por Alex Sandro Crema Rexona MotionSense por Sirlene Farias Foto:SirleneFarias
  21. 21. 40 41Women’s Way SHOPPING CIDADE A cidade de São Paulo possui 1.769 esta- belecimentos de saúde que envolvem os mais variados tipos de atendimento. Entre essas especialidades estão profissionais da nutrição capacitados a atuar visando à segurança alimentar. São formados para atenderem as necessidades nutricionais de indivíduos ou grupos para a promo- ção, manutenção e recuperação da saúde. Para pessoas que praticam esporte, esses profissionais dão orientações indispensá- veis. Muitas mulheres têm dúvidas sobre o que exatamente esses profissionais da saúde fazem e onde atuam. A nutricionista Lisa Afonso informa que trabalha com metabolismo, esportes e com programa nutricional. Ela busca en- sinar aos pacientes não só aplicar uma dieta, mas entender o porquê da com- posição dos nutrientes na dieta, bem como a importância de cada um deles no organismo. “Faço uma avaliação clinica, antropométrica (cálculos que apresentam informações para a previsão e a estima- ção dos vários componentes corporais de sedentários ou atletas no crescimento, desenvolvimento e envelhecimento) bem como hábitos alimentares para assim poder indicar uma alimentação perso- nalizada e balanceada, de acordo com orientação nutricional ao alcance das paulistanas Nutricionistas de São Paulo auxiliam mulheres a obter bons resultados com orientação nutricional e atividade física por Mauro de Oliveira A analista de risco Kamila de Paula Rossi assume: “nunca procurei um especialista”. Foto: Mauro de Oliveira os objetivos de cada paciente.” Informa a profissional. A nutricionista esportiva Giovanna Cec- colini informa que os principais objetivos a serem alcançados são auxiliar com um programa de exercícios; aumentar força; diminuir massa gorda e aumentar massa magra. No atendimento nutricional es- portivo, ela avalia medidas antropomé- tricas, modalidade esportiva, rotina de treinos e competições, alimentação pré e pós-treino, necessidade de suplementa- ção e hidratação. Falta de orientação Muitas mulheres não procuram a orienta- ção de um nutricionista qualificado antes de dar início às atividades físicas, ação esta que dificulta a tarefa de conquistar Sabor e saúde uma seleção de barras de cereais para saciar a fome no intervalo entre os treinos por Sirlene Farias As barras de cereais são práticas de carregar, saudáveis e quebram um galhão no intervalo entre os treinos. Por serem fontes de fibra, contribuem para a melhora do sistema digestivo e fornecem toda a energia necessária para quem não quer perder o pique, dentro ou fora da academia. Existe uma infinidade de marcas e sabores, mas apresentaremos as mais populares – nossas favoritas – por conta da relação custo– benefício (preço e resultado). M as fique atenta: as barrinhas cobertas de chocolate são saborosas, porém mais calóricas e menos nutritivas. Caso esta seja a sua escolha, esteja ciente de que não é a opção mais recomendada. Trio As barras de cereais Trio são ricas em nutrientes essen- ciais para o bom funcionamento do organismo. Esta, sa- bor brigadeiro, tem a desvantagem de apresentar maior teor de gordura, ainda que tenha apenas 84 calorias. Por outro lado, é uma excelente opção ao chocolate. Preço médio: R$ 1,50 Foto:MaurodeOliveira Foto: Mauro de Oliveira Imagem: Nestlé/divulgação Quacker A tradicional empresa de alimentos Quaker também entrou no ramo das barrinhas de cereais e trouxe algu- mas inovações, como o sabor torta de limão. Ela tem 94 calorias e 0% de gorduras trans. Preço médio: R$ 1,80 Nestlé O nicho das barras de cereais também foi vantajoso para a Nestlé, que já chegou ao mercado com uma série de novos sabores. A barra de frutas vermelhas, além das míseras 62 calorias, tem o diferencial de, em sua com- posição, ter 15% de frutas. Saudável, não? Preço médio: R$ 1,50
  22. 22. 42 43Women’s Way CIDADE VAI PRA ONDE? medidas consideradas ideais, bem como a manutenção da saúde em médio e longo prazos. A analista de risco Kamila de Paula Rossi faz academia há três anos e diz que evita refrigerante e exageros, mas nunca pro- curou orientação de um especialista. A analista de atendimento Maria Apareci- da de Sousa Ribeiro já fez muay-thai duas vezes por semana e hoje pratica muscu- lação diariamente. Após a maternidade, começou a achar desinteressante, para ela, ser apenas uma “gordinha gosto- sa”. Ao desejar um corpo mais “enrijeci- do”, passou a fazer academia, mas sem orientação de um nutricionista para sua alimentação. Também analista de atendimento, Dayane Severiano de Lacerda não foi a um espe- cialista, embora tenha o mesmo desejo de muitas mulheres adeptas à prática esportiva: alcançar um físico “durinho” e bem definido. Ela resolveu buscar suas orientações em pesquisas na internet. “Lá descobri que é preciso comer uma quanti- dade alta de proteínas após o treino, pois dizem serem elas as responsáveis pelos músculos. Então, sigo a orientação de in- gerir bastante carboidrato”, conta Daya- ne. Embora tenha se assustado acredita- do que poderia ganhar peso, foi adiante, por “ter consultado vários sites”. Há pessoas, por outro lado, que não dis- pensam a orientação de especialistas. Este é o caso da técnica de enfermagem Viviane Silva de Sousa, que frequenta academia desde 2011, quatro vezes por semana. Sua alimentação é orientada por seu professor, formado em educação física, e por uma nutricionista em quem ela confia. “Acredito ter um corpo ideal já que tenho peito, bunda, perna, tudo o que uma mulher deseja ter dentro dos padrões”, opina Viviane. “Para isso, mi- nha alimentação é baseada em proteínas, fibras e um pouco de carboidrato”, diz ela, orgulhosa dos resultados alcançados. Viviane afirma, ainda, que o melhor de tudo é poder sentir e ver o que conseguiu e confessa ficar feliz com a boa saúde que apresenta. Os profissionais afirmam que a mulher que pratica esporte precisa estar atenta e buscar uma alimentação balanceada para desfrutar de bom equilíbrio físico e, as- sim, obter os resultados desejados. Cada pessoa possui um perfil físico específico, por isso, precisa de orientação de um especialista, que fornecerá informações particulares para cada indivíduo. Atletas, por sua vez, têm alimentação diferenciada, que propicia os nutrientes necessários para as diversas práticas es- portivas. Uma mulher que luta jiu-jítsu, muay-thai e boxe, por exemplo, têm um cardápio próprio, que deve ser indicado por um nutricionista. Quem pratica ativi- dades físicas deve ter alimentação ade- quada. Já ouviu falar em SUP? O stand up paddle vem conquistando adeptos, principalmente entre as mulheres, por misturar surfe com remada. Além disso, pode ser praticado em rios, lagoas ou no mar com e sem onda. Alguns praticantes mais experientes já inventaram até o SuPPilates (pilates + SuP) e o Yoga SuP (Yoga + SuP). Gostou? Então se liga nas dicas da equipe Women’s Way e comece a praticar já! Foto: II Festival de Remada – Herbert Passos Neto/divulgação Foto: Rio Itamambuca – Juliana Miyahira Represa Billings Avenida Montemor, 169 – Alvarenga São Bernardo do Campo – SP Divisa com a Serra do Mar, a represa localiza-se na Grande São Paulo e, aos finais de semana, recebepraticantes da mo- dalidade. Lá, rola até o Festival de Remada do Grande ABC. Para praticar, basta alugar o equipamento em um dos clubes que ficam à beira da Billings. A maioria dos clubes também tem instrutores para as primeiras aulas. Preço sob consulta. Rio Itamambuca Praia de Itamambuca Ubatuba – SP Em uma das praias mais procuradas por surfistas de todo o Brasil, no Rio Itamambuca é possível alugar equipamentos de SuP e caiaques nas barracas que ficam à beira-mar. O pre- ço varia entre R$ 50 e R$ 60. Lagoa de Araruama Araruama – RJ Localizada a 122 km da capital carioca, a lagoa completa os atrativos turísticos da cidade que leva o mesmo nome. Ali, é possível praticar outros esportes aquáticos além do SuP, como o widsurf e o kitesurf. Se você não tiver o equipamento necessário, é só alugar em um dos clubes disponíveis. Preço sob consulta. NÓS INDICAMOS A Women’s Way recomenda algumas clínicas para quem procura auxílio nutricional para acompanhar a prática esportiva. Giovanna Ceccolini Nutrição e gastronomia funcional Rua Itacolomi, 333 - cj 73 Higienópolis - São Paulo Estacionamento no local Tel.: (11) 2157-5205 Tel.: (11) 99111-2729 http://www.giovannacecco- lini.com.br/ Jafet Nutrição Especializada Rua Santa Justina, 222 Vila Olímpia, São Paulo (11) 3849-0592 (11) 3849-8512 http://www.jafetnutricao. com.br Andrezza Botelho Rua Borges Lagoa, 1065 - conj. 35 Vila Mariana - São Paulo SP Tel.: (11) 5082-1598 http://www.andrezzabote- lho.com.br/oquee.html Para aquela mulher que tem muito mais o que fazer por Juliana Miyahira Foto: Juliana Miyahira Foto: SuP na Araruama – Renata Cristiane / divulgação
  23. 23. 44 45Women’s Way NA ESTEIRA DA SAÚDE O método pilates é uma técnica criada em 1934, com o nome inicial de Crontro- logia, por Joseph Humbertus Pilates, na Alemanha, com o objetivo de melhorar a saúde através dos exercícios físico com base no desenvolvimento harmonioso do corpo, mente e espírito. Durante a 1ª Guerra Mundial, ele aplicou exercícios de solo com seus colegas de acampamento e, posteriormente, utilizou as macas e a molas para criar exercícios de resistência para os feridos de guerra recuperarem sua saúde e condicionamento ainda nas enfermarias. Um pouco antes de sua morte, Joseph Humbertus Pilates descreveu os princí- pios de desempenho correto e afirmou que seus exercícios físicos podem preve- nir doenças coronárias, aumentar a força muscular e reduzir o risco de doenças res- piratórias. A técnica original é baseada em alguns princípios, sendo os mais importantes a respiração correta tridimensinal, a con- tração da musculatura profunda, também chamada “Power house”, e os movimen- tos fluidos e controlados. Nos dias atuais, o Pilates é um método muito procurado, principalmente por mu- lheres que buscam uma melhor qualidade de vida e estética corporal. Sua prática pode ser feita com aparelhos específicos, com bola e no solo (Mat Pilates), tanto em estúdios quanto em domicílio. É comprovado cientificamente que o pila- tes melhora a resistência muscular global e a postura, garante maior flexibilidade, a capacidade funcional, a coordenação, o equilíbrio e até o desempenho sexual. Também melhora a autonomia funcional e o equilíbrio em mulheres idosas com exercícios duas vezes por semana por no mínimo oito semanas. Além disso, alguns estudos sugerem que o pilates auxilia mulheres sedentárias e obesas a reduzir peso, IMC, percentual de gordura, circunferência da cintura, tríceps, bíceps e aumentar a massa magra, após oito semanas de treinamento durante quatro vezes por semana. A prática pode ser feita em qualquer ida- de, desde crianças que compreendam os comandos até em idosos, durante e após a gestação, por mulheres sedentárias com ou sem sobrepeso ou que praticam modalidades esportivas diversas, pessoas portadoras de lombalgia crônica, inconti- nência urinária, depressão, fibromialgia e demais entidades patológicas, principal- mente ortopédicas e reumatologias. Pilates deve ser feito no mínimo duas ve- zes por semana, com sessões que variam de 50 a 60 minutos. A seguir, algumas di- cas para você que é praticamente e para você que se interessou pela técnica e gos- taria de começar a treinar: - Praticantes: iniciar os exercícios com pré-pilates para aquecer e mobilizar as articulações do corpo. Durante os exercí- cios, realizar a ativação correta do “Power house”, fazer as inspirações entre o final e o início de cada movimento e expirar durante os movimentos. - Iniciantes: solicitar avaliação minucio- sa, levar exames clínicos e conversar com seu médico, caso possua comorbidades. Deve-se fazer as aulas livre de preocupa- ções, prestando atenção nos movimentos corporais adequados, na respiração corre- ta e na postura. Pilates: benefícios em qualquer idade por Maria Eduarda Alves Maria Eduarda Alves é fisioterapeuta e instrutora de pilates. Pós-graduanda em reabilitação muscoesquelética.
  24. 24. 46 47Women’s Way NO PRATO Beirute Light Este lanche requer um pouco mais de tempo para cortar os alimentos, mas pode ser feito em uma quantidade maior e conservado na geladeira. As- sim, será fácil montá-lo para sua refeição. Para o vinagrete 1 tomate cortado em cubos pequenos; 1 cebola pe- quena cortada em cubos pequenos; 1 pepino japo- nês sem sementes, cortado em cubos; 20 folhas de hortelã cortadas finamente; 2 colheres de sopa de azeite; 1 colher de café de sal; 1 pimenta-do-reino preta, moída na hora; 1 copo de suco de limão. Para o sanduíche 4 pães sírios; 400g de peito de peru defumado; 200g de queijo muçarela; ½ maço de alface ame- ricana. Modo de preparo - Pré-aqueça o forno em temperatura média. - Em uma vasilha, misture bem todos os ingredien- tes do vinagrete e leve-a à geladeira, coberta com plástico-filme. - Abra os pães sírios e recheie-os com o peito de peru e a muçarela; aqueça os sanduíches no forno até o queijo derreter. - Retire-os do forno, coloque uma porção de vina- grete e as folhas de alface. Feche com a outra meta- de do pão e sirva a seguir. Antes da atividade física, é essencial estar bem ali- mentado. Muitas vezes, a falta de tempo durante a rotina faz com que as lanchonetes e fast-foods se tornem a opção mais viável entre um intervalo e outro das refeições principais do dia. O difícil é con- viver com a dor na consciência por ter exagerado no refrigerante, nas frituras e nos petiscos. A seleção dos ingredientes para o recheio do pão pode fazer grande diferença na hora de optar por um lanche. Dependendo de como é feito, ele pode se tornar uma refeição leve, gostosa, saudável e que não vai lhe causar arrependimentos posteriores. Boa alimentação é sinônimo de vida saudável e, com certeza, traz resultados mais positivos no desempe- nho das atividades físicas. Pensando nisso, esta edi- ção da Women’s Way traz a receita de um lanche rápido e apetitoso para garantir uma alimentação gostosa, saudável e nutritiva. Pausa para um lanche saudável por Silene Bastos
  25. 25. 48 Women’s Way

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