FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AERONÁUTICAS
AEROCINETOSE NA AVIAÇÃO CIVIL E SUAS IMPLIC...
JONAS LIMA DE OLIVEIRA
AEROCINETOSE NA AVIAÇÃO CIVIL E SUAS IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO
DO PILOTO COMERCIAL
Trabalho de Conclu...
Folha de Aprovação
TRABALHO APRESENTADO PARA CONCLUSÃO DE CURSO SUPERIOR NA
REFERIDA INSTITUIÇÃO.
O AUTOR DISPONIBILIZA O ...
Dedicatória
Não utilizado.
Agradecimentos
Em branco
RESUMO
Este estudo versa sobre a aerocinetose e os impactos causados pela doença
em passageiros e principalmente durante f...
ABSTRACT
This study regards about the airsickness and the impacts caused by this disease
in passengers and principally dur...
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................11
2 OS ...
7.6.2 Tratamentos medicamentosos .....................................................................44
7.6.3 Remédios na...
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
APOS Associação dos Portadores de Olho Seco
APTCA Associação Portuguesa de Tripulantes de C...
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Sistema vestibular............................................................................
11
1 INTRODUÇÃO
Em mais de cem anos após o homem haver dominado com sucesso as técnicas
do voo e de sua controlabilidade, ...
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Mesmo pilotos já formados podem apresentar problemas de ordem psicológica
favorecendo o aparecimento da aerocinetose e ...
13
eficazes para que o aviador consiga minimizar os impactos sofridos pelos sintomas
da aerocinetose e realizar o seu sonh...
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2 OS MEIOS DE TRANSPORTE E O CORPO HUMANO
O ser humano com capacidades intelectuais ímpares, vem procurando formas
de f...
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Entretanto, na aviação experimentamos uma variação dessa patologia: a
aerocinetose ou airsickness. Diferenciando-se da ...
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3 O AMBIENTE NA CABINE E OS RISCOS OCUPACIONAIS
A exposição do corpo humano a ambientes fora dos padrões percebidos no
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Como consequência da diminuição barométrica da cabine para valores
correspondentes a uma altitude superior a 10.000 pés...
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seco. Segundo a Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS) a umidade dentro
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consumo por parte de tripulantes, durante a formação este assunto é pouco explorado,
podendo favorecer problemas de saú...
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A Comissão Internacional de Proteção Radiológica (International Commission
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intrajornada se faz suficiente para a perfeita recuperação e desaparecimento dos
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3.5 Vibrações e microvibraçõ...
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nervoso. As velocidades em que aviões comerciais evoluem na atmosfera são muito
altas, normalmente 850km/h, porém, na a...
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menciona que é característico o avermelhamento da visão, conhecido como redout e
que ocorre inchaço dos globos oculares...
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4 FISIOLOGIA DE VOO
Expostos às situações e estímulos infaustos abordados neste trabalho, o corpo
humano apresenta resp...
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interstício entre restaurações ou tratamentos imperfeitos de canal e os nervos
alveolares presentes na região afetada, ...
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5 FATORES PSICOLÓGICOS
Sob a ótica da psicologia, a aerocinetose, é também, em muitos casos
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ritmo circadiano, que é a maneira com a qual o organismo mantém as funções
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Os Pilotos também experimentam mudanças bruscas no nível de
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Esses treinamentos, demonstram-se cada vez mais necessários para a boa
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psicológicos para atuar no meio aéreo, mas que no momento passam por situações
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6 ORIENTAÇÃO ESPACIAL DO CORPO HUMANO
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movimentar na parede interna do sáculo e do utrículo e na base dos canais
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7 A AEROCINETOSE
Nos capítulos anteriores, mencionaram-se inúmeros fatores intrínsecos e
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podendo este, ocorrer em condições reais ou em simuladores, e também de fatores
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Ainda assim, aqueles dados podem sofrer alterações significativas justamente
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7.3 Sintomatologia
Segundo pesquisa realizada por Gomes (2012), os sintomas da aerocinetose
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O equilíbrio e a percepção do indivíduo no espaço são controlados
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maiores que dois anos; gravidez; portadores de labirintite e ansiedade. Além dos
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No entanto, aos tripulantes, esta sugestão não se aplica, devido à necessidade
constante de leitura de cartas, monitora...
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De acordo com o Portal da Aviação (2010), o jejum pleno também favorece o
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Trata-se de um conjunto de exercícios físicos repetitivos associados a
mudanças de hábitos, cuja base terapêutica está ...
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Além das drogas mencionadas, existem diversos outros que podem ser
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que é cientificamente comprovada a atividade da planta contra náuseas e doenças
relacionadas com o movimento.
O autor a...
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na aplicação de agulhas em diversas partes do corpo, chamadas de pontos de
acupuntura.
Embora haja divergências acerca ...
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Sobre o tratamento com acupuntura, observa-se mais resultados como segue
a citação:
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No meio científico, contudo, a utilização da pulseira mostra-se contraditória
para o tratamento de cinetoses. Em pesqui...
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho abordou em uma visão simples, a evolução sofrida pelos meios
de transporte nos últim...
51
Acredita-se que este trabalho cumpriu seu objetivo, informando ao aluno-piloto
que sentindo-se impactado por este probl...
52
REFERÊNCIAS
ANTUNHA, E. L. G.; SAMPAIO, P. Propriocepção: um conceito de vanguarda.
[S.l.]: [s.n.], v. 02, 2008. p. 278...
53
GODOY, C. M. D. A. Artigos, Monografias, Trabalhos e Teses. Fonoaudiologia.com,
1999. Disponivel em: <http://www.fonoau...
54
MILLER, K. E.; MUTH, E. R. Efficacy of acupressure and acustimulation bands for the
prevention of motion sickness. Avia...
55
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guidelines on developing consumer
information on proper use of traditional, complementar...
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Aerocinetose na aviação civil e suas implicações na formação do piloto comercial

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Este estudo versa sobre a aerocinetose e os impactos causados pela doença em passageiros e principalmente durante formação do piloto comercial. As questões problematizadoras consistiram em saber quais são os reais impactos da aerocinetose no cotidiano do aeronavegante, se há consequências de ordem psicológica que colaboram no aparecimento da doença, e como realizar o seu diagnóstico e tratamento. Escolheu-se como objetivo, compreender os reais impactos da aerocinetose no cotidiano no aeronauta; identificar os elementos constitutivos do ambiente que envolve a cabine e seus riscos operacionais; descrever os fatores psicológicos inerentes à atividade aérea, principalmente a fadiga de voo, o estresse e o medo de voar, assim como listar os métodos mais utilizados no tratamento da patologia. A metodologia apoiou-se em revisão bibliográfica tendo como principais referências os autores: Palharini (2012), Sousa, (2011), Lackner, (2004) e Pinheiro (2013). Como resultado, obteve-se o conhecimento sobre essa doença, como é feito o diagnóstico, as medidas de prevenção do aparecimento dos sintomas, bem como algumas das principais formas de conseguir-se um tratamento eficaz visando a mitigação dos sintomas; ajudando o piloto a superar este obstáculo aumentando suas chances de sucesso em sua futura carreira.

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  1. 1. FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AERONÁUTICAS AEROCINETOSE NA AVIAÇÃO CIVIL E SUAS IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DO PILOTO COMERCIAL Salvador – BA Nov/2013
  2. 2. JONAS LIMA DE OLIVEIRA AEROCINETOSE NA AVIAÇÃO CIVIL E SUAS IMPLICAÇÕES NA FORMAÇÃO DO PILOTO COMERCIAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Ciências Aeronáuticas da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Aeronáuticas. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Janete Peregrino Braga Salvador – BA Nov/2013
  3. 3. Folha de Aprovação TRABALHO APRESENTADO PARA CONCLUSÃO DE CURSO SUPERIOR NA REFERIDA INSTITUIÇÃO. O AUTOR DISPONIBILIZA O CONHECIMENTO E CONTEÚDO APRESENTADOS LIVREMENTE PARA PUBLICAÇÃO EM OUTRAS OBRAS COM OS DEVIDOS CRÉDITOS. TODAS AS INSTRUÇÕES DE TRATAMENTO SÃO MERAMENTE ACONSELHADORAS E INFORMATIVAS, PESQUISADAS E DISPONIBILIZADAS NA LITERATURA MÉDICA OU MENCIONADA POR PROFISSIONAIS DA ÁREA. O AUTOR NÃO SE RESPONSABILIZA PELO USO IRRESPONSÁVEL DAS INSTRUÇÕES, BEM COMO SUA UTILIZAÇÃO SEM O ACONSELHAMENTO DE PROFISSIONAL CAPACITADO. A SEGURANÇA DE VOO COMEÇA NO SOLO. CONTATO: JONAS LIMA Celular: 71 9305-1005 E-Mail: falecomjonas@msn.com
  4. 4. Dedicatória Não utilizado.
  5. 5. Agradecimentos Em branco
  6. 6. RESUMO Este estudo versa sobre a aerocinetose e os impactos causados pela doença em passageiros e principalmente durante formação do piloto comercial. As questões problematizadoras consistiram em saber quais são os reais impactos da aerocinetose no cotidiano do aeronavegante, se há consequências de ordem psicológica que colaboram no aparecimento da doença, e como realizar o seu diagnóstico e tratamento. Escolheu-se como objetivo, compreender os reais impactos da aerocinetose no cotidiano no aeronauta; identificar os elementos constitutivos do ambiente que envolve a cabine e seus riscos operacionais; descrever os fatores psicológicos inerentes à atividade aérea, principalmente a fadiga de voo, o estresse e o medo de voar, assim como listar os métodos mais utilizados no tratamento da patologia. A metodologia apoiou-se em revisão bibliográfica tendo como principais referências os autores: Palharini (2012), Sousa, (2011), Lackner, (2004) e Pinheiro (2013). Como resultado, obteve-se o conhecimento sobre essa doença, como é feito o diagnóstico, as medidas de prevenção do aparecimento dos sintomas, bem como algumas das principais formas de conseguir-se um tratamento eficaz visando a mitigação dos sintomas; ajudando o piloto a superar este obstáculo aumentando suas chances de sucesso em sua futura carreira. Palavras-chave: aerocinetose, instrução de voo, sistema vestibular.
  7. 7. ABSTRACT This study regards about the airsickness and the impacts caused by this disease in passengers and principally during the commercial pilot formation. The problematizing questions consists in knowing what is the real impacts of air sickness daily on the airmen’s life, if there are consequences by psychological motivations that collaborate on appearance of disease, and how to accomplish your diagnosis and treatment. Has sorted by objective, to comprehend the reals impacts of airsickness on pilot’s life; identifying the ambient constitutive elements that wraps the cabin and your operational risks; describing the physiologic factors inherent in the aeronautical activity, principally the fatigue of flight, stress and fear of flight, such as listing the methods most utilized in treatment of this pathology. Methodology supported on bibliographic revision and having as highlighted references the authors, Palharini (2012), Sousa, (2011), Lackner, (2004) and Pinheiro (2013). As result, was obtained the knowledge about this disease, how diagnosis is made, prevent ways of the symptoms appearing, such as some of principals forms to accomplish an effective treatment aiming symptoms mitigation; helping the pilot overcome this obstacle enhancing the success chances in your furter career. Keywords: air sickness, flight instruction, vestibular system.
  8. 8. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................11 2 OS MEIOS DE TRANSPORTE E O CORPO HUMANO..............................14 3 O AMBIENTE NA CABINE E OS RISCOS OCUPACIONAIS .....................16 3.1 Pressão do ar..............................................................................................16 3.2 Temperatura e umidade .............................................................................17 3.3 Radiação......................................................................................................19 3.4 Ruído a bordo .............................................................................................20 3.5 Vibrações e microvibrações ......................................................................21 3.6 Acelerações ................................................................................................21 4 FISIOLOGIA DE VOO..................................................................................24 5 FATORES PSICOLÓGICOS........................................................................26 5.1 Fadiga de voo..............................................................................................26 5.2 Estresse.......................................................................................................27 5.2.1 O CRM..........................................................................................................28 5.3 Aerofobia ou medo de voar .......................................................................29 5.3.1 A autoafirmação e o preconceito ..................................................................30 6 ORIENTAÇÃO ESPACIAL DO CORPO HUMANO.....................................32 6.1 Sistema vestibular......................................................................................32 6.2 Sistema proprioceptivo..............................................................................34 7 A AEROCINETOSE .....................................................................................36 7.1 Visão geral ..................................................................................................36 7.2 Classificação...............................................................................................38 7.2.1 Outras classificações....................................................................................38 7.3 Sintomatologia............................................................................................39 7.3.1 Fatores pessoais que favorecem o surgimento dos sintomas ......................40 7.4 Diagnóstico .................................................................................................41 7.5 Prevenção ...................................................................................................41 7.5.1 Estímulos visuais..........................................................................................41 7.5.2 Exercícios físicos..........................................................................................42 7.5.3 Alimentação adequada.................................................................................42 7.6 Tratamentos ................................................................................................43 7.6.1 Reabilitação labiríntica ou Reabilitação vestibular........................................43
  9. 9. 7.6.2 Tratamentos medicamentosos .....................................................................44 7.6.3 Remédios naturais (fitoterapia).....................................................................45 7.6.4 Tratamentos homeopáticos ..........................................................................46 7.6.5 Acupuntura e acupressão.............................................................................46 7.6.5.1 Pulseira de acupressão ................................................................................48 7.6.6 Outros métodos ............................................................................................49 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................50 REFERÊNCIAS.........................................................................................................52
  10. 10. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS APOS Associação dos Portadores de Olho Seco APTCA Associação Portuguesa de Tripulantes de Cabine dB Decibel CENIPA Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos GPS Global Positioning System GPWS Ground Position Warning System HF High Frequency hPa Hectopascal NDB Non-Directional Beacon NMM Nível Médio do Mar NTSB National Transportation Safety Board OACI Organização da Aviação Civil Internacional OMS Organização Mundial da Saúde QI Quociente Intelectual VHF Very High Frequency VOR VHF Omnidirectional Range
  11. 11. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Sistema vestibular......................................................................................32 Figura 2: Pulseira de acupressão..............................................................................48
  12. 12. 11 1 INTRODUÇÃO Em mais de cem anos após o homem haver dominado com sucesso as técnicas do voo e de sua controlabilidade, podemos constatar avanços das mais diversas formas neste meio de transporte. Modernos aviões, instrumentos avançados de navegação e avanços na engenharia aeronáutica, oferecem segurança, conforto e acessibilidade aos passageiros. Todavia, uma peça chave neste mercado não sofreu modificações: o corpo humano. Nosso corpo não está totalmente adaptado para as variações bruscas de acelerações, mudanças de pressão, temperatura e qualidade do ar aos quais os tripulantes e passageiros que utilizam o transporte aéreo são submetidos. A aerocinetose possui uma representatividade considerável nas condições adversas que podem surgir no corpo humano durante o voo. Altitudes elevadas nas quais os aviões comerciais operam, potencializam os efeitos causados por esse fenômeno e traz mais desconforto aos indivíduos sensíveis ao movimento. Além da influência da altitude e das leves acelerações que são habituais na aviação comercial, no período de instrução inicial e intermediária, ou seja, durante os cursos de pilotos privado e comercial, o aluno piloto, que muitas vezes não está habituado a essas alterações de ambiente, é submetido a acelerações, variações de pressão na cabine e vibrações de maneira mais intensa, o que contribui para o aparecimento de sintomas relacionados à aerocinetose. Em estudo de Ribeiro (2006), citado por Gomes (2012), foi demonstrado que a doença ocorre de 2% a 5% em indivíduos que utilizam-se de quaisquer meios de transporte, e principalmente em instrução de voo onde percebe-se uma prevalência de 5% a 10%. Embora em pesquisa realizada pelo segundo indica até 20% de acometimento em alunos. Alunos-pilotos estão mais expostos aos fatores contribuintes para o aparecimento de sua sintomatologia por não dominarem técnicas de voo estáveis e terem pouca experiência no ambiente aéreo. Além disso, há o desgaste psicofísico normalmente apresentado nas aulas práticas iniciais que aumenta os impactos da sensibilidade ao movimento.
  13. 13. 12 Mesmo pilotos já formados podem apresentar problemas de ordem psicológica favorecendo o aparecimento da aerocinetose e causando certo desconforto ou insegurança ao executarem a pilotagem. Logicamente, não ocorre com a maioria dos indivíduos, porém, a existência deste problema não pode ser desprezada. Este trabalho justifica-se com base na necessidade da maior exposição do problema, uma vez que há poucos trabalhos relacionados a este tema na literatura, principalmente direcionado à formação inicial de pilotos civis; e no compartilhamento de experiências, auxiliando outros alunos pilotos a conhecerem o problema da aerocinetose de uma forma mais aprofundada e simples. Sabendo-se do exposto acima, surgem os questionamentos: Quais são os fatores presentes no meio aéreo que favorecem o aparecimento da aerocinetose? Quais são os reais impactos da aerocinetose no cotidiano do aeronavegante? Há consequências de ordem psicológica que colaborem para o aparecimento da doença? Como realizar o seu diagnóstico e tratamento? Diante desses questionamentos, os objetivos do presente trabalho são: compreender os reais impactos da aerocinetose no cotidiano no aeronauta; identificar os elementos constitutivos do ambiente que envolve a cabine e seus riscos operacionais; descrever os fatores psicológicos inerentes à atividade aérea, principalmente a fadiga de voo, o estresse e o medo de voar e listar os métodos mais utilizados no tratamento da patologia. O interesse pelo tema surgiu através da experiência pessoal do autor com a aerocinetose, que o influenciou na busca de soluções e mais conhecimentos sobre este quadro clínico. O diagnóstico é simples e os métodos de tratamento são bastante eficazes, podendo ser concatenados a fim de obterem-se melhores resultados. Outro motivo encorajador é a relevante incidência deste mal nos pilotos em formação, tanto civis como militares, prejudicando o desempenho do aluno em suas missões e em alguns casos, até causando sua evasão. A metodologia utilizada foi a abordagem qualitativa, apoiada em revisão bibliográfica, cujos autores principais foram: Palharini (2012), Sousa, (2011) e Lackner (2004), Mattiola (2010) e Temporal (2005). Serão demonstrados dados científicos, trazendo-os para a realidade da aviação de instrução, e sugestões simples, porém
  14. 14. 13 eficazes para que o aviador consiga minimizar os impactos sofridos pelos sintomas da aerocinetose e realizar o seu sonho de voar. O trabalho está organizado em sete tópicos: o primeiro trata introdução ao tema; o segundo, da relação entre os meios de transporte e o corpo humano; o segundo, do ambiente na cabine e dos riscos ocupacionais; o terceiro, da fisiologia de voo; o quarto, dos fatores psicológicos; o quinto, da orientação espacial do corpo humano; o sexto, da aerocinetose, suas implicações, diagnósticos e formas para tratá- la; finalmente as considerações finais.
  15. 15. 14 2 OS MEIOS DE TRANSPORTE E O CORPO HUMANO O ser humano com capacidades intelectuais ímpares, vem procurando formas de facilitar a sua rotina desde os primórdios de sua evolução. Um dos avanços mais representativos, foi sem dúvida, a invenção da roda e o consequente aperfeiçoamento dos meios de transporte. Com exceção das espécies que praticam relações biológicas como o comensalismo, que é o caso das rêmoras e tubarões, inquilinismo ou mais especificamente a forésia1, o ser humano é o único animal que criou métodos de locomoção não próprios, mesmo considerando esta comparação injusta, uma vez que estes animais obviamente não possuem sistemas de orientação complexos como o do homem, não sofrem acelerações e estímulos na mesma intensidade, ou simplesmente já possuem mecanismos fisiológicos adaptados para este tipo de locomoção. Com a capacidade de nos locomovermos utilizando os meios de transporte, agilizamos as tarefas diárias, percorremos longas distâncias em pouco tempo, poupamos energia do nosso corpo nos percursos de curta distância, transportamos mais carga de uma só vez. Enfim, na contemporaneidade seria impossível imaginarmos nossa vida sem meios transporte eficientes e seguros. Todos esses benefícios proporcionados à humanidade através de meios de locomoção cada vez mais modernos, desencadeiam também algumas consequências para indivíduos que são sensíveis ao movimento, dentre elas a cinetose, também chamada de enjoo de movimento ou mal do movimento. Para Mattiola (2010), a cinetose é causada por diversos estímulos aos quais o corpo humano é submetido quando somos transportados por outro meio que não nossas próprias pernas, como navios, automóveis, trens, brinquedos de parque de diversões e até mesmo elevadores de altos edifícios. _____________ 1 Forésia: associação entre indivíduos de espécies diferentes (relação ecológica inter-específica), na qual um transporta outro, sem se prejudicarem. A forésia também pode ser definida como um caso específico do comensalismo (FAN e PETITT, 1998, tradução nossa).
  16. 16. 15 Entretanto, na aviação experimentamos uma variação dessa patologia: a aerocinetose ou airsickness. Diferenciando-se da outra apenas pelo fato de ocorrer no meio aéreo, porém, apresentando as mesmas causas, sintomas e tratamentos.
  17. 17. 16 3 O AMBIENTE NA CABINE E OS RISCOS OCUPACIONAIS A exposição do corpo humano a ambientes fora dos padrões percebidos no nível médio do mar, traz a ele consequências negativas. Vários sintomas de ordem fisiológica apresentados, principalmente por causa da diminuição de pressão atmosférica e da consequente escassez de oxigênio na cabine, contribuem para que nosso corpo não suporte certas condições limitantes por muito tempo, caso não fossem desenvolvidos mecanismos de adaptação das aeronaves à altitude. Os tópicos seguintes demonstrarão os principais fatores contribuintes para o aparecimento de sintomas da aerocinetose e de outros males relacionados à altitude e ao meio aeronáutico. 3.1 Pressão do ar Segundo Palharini (2012), a principal adaptação realizada nos aviões comerciais para possibilitar o suporte à vida em altitudes elevadas é a pressurização. Porém esta, por si só, não é capaz de mitigar os problemas causados pela altitude. Operando em altitudes elevadas, geralmente acima de 30.000 pés, as aeronaves comerciais enfrentam pressões baixíssimas se comparadas às observadas ao Nível Médio do Mar (NMM), que na aviação adotamos o valor padrão da Organização Mundial da Aviação Civil (OACI) de 1013,2 hectopascais (hPa). Caso não dispuséssemos do sistema de pressurização nessas aeronaves, obedecendo-se a regra do gradiente de pressão, onde a cada 1000 pés acima do NMM são diminuídos 27hPa da pressão atmosférica real a qual o avião é submetido, logo, tripulação e passageiros seriam expostos a -98,1hPa, claramente um valor muito aquém do suportado pelo corpo humano. Utilizando sistemas de pressurização, os aviões comerciais mantêm-se a uma pressão autônoma em seu interior, em torno de 717hPa, correspondente a 8.000 pés acima do NMM, denominada de altitude de cabine, que é controlada de forma automática ou manual, e relaciona-se de maneira proporcional às mudanças da altitude real realizadas durante o voo.
  18. 18. 17 Como consequência da diminuição barométrica da cabine para valores correspondentes a uma altitude superior a 10.000 pés, tem-se uma considerável queda na concentração de oxigênio e dos valores de admissão do gás pelo organismo, apresentando um quadro de hipóxia da altitude, dificultando ou até mesmo impossibilitando a respiração. Na aviação de pequeno porte, onde geralmente são utilizadas aeronaves não equipadas com sistema de pressurização, somos submetidos a variações súbitas de pressão atmosférica, e corremos ainda, risco de entrada em estado de hipóxia caso não seja mantida uma supervisão constante da altitude voada quando nos aproximamos dos 10.000 pés limitantes, haja vista que em sua maioria, mesmo pequenas aeronaves alcançam ou superam esta altitude. A exposição a estas variações de pressão podem causar problemas no sistema auditivo com o passar dos anos, além de danos no sistema respiratório do tripulante, porém, estes quesitos são acompanhados durante os exames periódicos a que são submetidos. 3.2 Temperatura e umidade As aeronaves que operam em altos níveis de voo possuem os citados sistemas de pressurização a fim de equiparar a pressão da cabine a valores encontrados em altitudes menores. Porém, de forma semelhante à que acontece com a pressão atmosférica, o ambiente da cabine sofre com a diminuição da temperatura e da umidade do ar. Como o ar externo em tais níveis é muito frio, utiliza-se sistemas de ar condicionado, que funcionam basicamente injetando-se o ar exterior que posteriormente é aquecido com energia dos motores, assim obtemos temperaturas confortáveis, em torno de 22°C. Resolvido o problema da temperatura, nos aviões de médio e grande portes que voam em altitudes acima dos 10.000 pés suportados pelo organismo, ainda temos o problema da falta de umidade, considerando que qualquer sistema de ar condicionado, seja aeronáutico ou não, por comprimir o ar durante o processo, acabam por quase que eliminar a umidade, resultando na entrega de ar praticamente
  19. 19. 18 seco. Segundo a Associação dos Portadores de Olho Seco (APOS) a umidade dentro dos aviões comerciais é de apenas 9 a 30%. Nesse sentido, pode-se dizer que “[...] o organismo humano necessita de umidade no ar entre 25 a 50%, para que seja possível executar as funções metabólicas normais” (PALHARINI 2012, p. 22). Temos então valores acima dos oferecidos na aeronave, o que pode causar problemas de saúde para tripulantes e passageiros frequentes. Dentre as complicações mais comuns por conta da baixa umidade da cabine estão: ressecamento da pele, dos lábios, olhos e das fossas nazais. Além da maior facilidade de transmissão de agentes patológicos (vírus e bactérias), o que pode transformar-se num grave problema em voos internacionais e de longa duração. Segundo Palharini (2012), para que os impactos dos problemas causados pela falta de umidade na cabine sejam diminuídos, recomendam-se a utilização de colírios, a utilização de cremes hidratantes nas partes do corpo não protegidas pela vestimenta e a remoção de lentes de contato durante o voo. Caso ocorram eventuais sangramentos ou desconforto nas narinas, o tratamento recomendado é respirar durante o período através de um lenço umedecido . Ainda, conforme raciocínio do autor mencionado é possível considerar que: A principal alteração sobre o organismo, decorrente da baixa umidade do ar, ocorre em função da eliminação de urina concentrada, com aglutinação de cristais, que aumenta a probabilidade de formação de pedra nos rins, e essa enfermidade tem afastado muitos tripulantes do voo (PALHARINI, 2012, p. 22). Ele chama atenção sobre alguns cuidados a respeito da saúde do tripulante, e de passageiros frequentes, recomenda ainda, a ingestão de no mínimo 3 litros de líquido a cada 24 horas, dando preferência a bebidas frias, não alcoólicas e descafeinadas . Tendo como base estas sugestões, surge a ideia de que a distribuição de bebibas como café, habitualmente em voos domésticos e vinhos e cervejas em voos internacionais, seria inadequada à boa saúde do passageiro frequente, não havendo, por parte da companhia, nenhuma informação a respeito do assunto. Em relação ao
  20. 20. 19 consumo por parte de tripulantes, durante a formação este assunto é pouco explorado, podendo favorecer problemas de saúde futuramente. 3.3 Radiação Sobre a superfície terrestre, mesmo em doses relativamente pequenas, convivemos a todo momento com radiação vinda do sol e do espaço. A atmosfera terrestre exerce papel importante na filtragem dos raios cósmicos, impedindo que seus valores excedam os níveis suportáveis pelos seres vivos. Aeronaves comerciais atingem normalmente altitudes de até 12.000 metros, o que causa uma diminuição na camada atmosférica atuante sobre o equipamento e consequentemente sobre os indivíduos em seu interior. O que não ocorre na aviação de instrução, considerando que na maioria dos voos não são atingidas altitudes superiores a 3.000 metros devido a utilização de aeronaves não pressurizadas. De acordo com o título traduzido da obra de Barish (1996), “a radiação é um passageiro invisível e oferece riscos para pessoas que voam”. Portanto, a radiação está presente e seus efeitos não podem ser, de forma alguma menosprezados, sendo assim, o tripulante deve atentar para a sua existência e possíveis doenças que ela futuramente possa causar, como algumas neoplasias ou câncer. Temos ainda outra consideração importante: [...] os pilotos, em particular os que passam longos períodos na cabina de comando nas modernas aeronaves, podem ficar expostos a certos tipos de radiações presentes no local de trabalho, geradas pelas ondas eletromagnéticas de radiofrequência, do sistema de comunicação (PALHARINI, 2012, p. 23). Grande parte dos equipamentos e instrumentos presentes na cabine utilizam- se de ondas de rádio em seu funcionamento: radares meteorológicos, receptores de GPS, rádios VHF e HF, transponders, antenas data-link, Wi-Fi, VOR, NDB, GPWS, computadores de bordo, entre outros.
  21. 21. 20 A Comissão Internacional de Proteção Radiológica (International Commission of Radiological Protection), estipula valores aos quais indivíduos em geral e os profissionais das áreas que atuam diretamente com materiais radioativos podem ser expostos. Tendo como base estes limites, os órgãos reguladores de aviação de vários países instituem regras para imporem o controle de doses de radiação para tripulações. Em consulta à legislação trabalhista relacionada a aviação no Brasil, não foram encontradas menções aos níveis de radiação permitidos ou aceitáveis para exposição dos aeronautas. Entretanto, um estudo conduzido por Langner et al. (2004), em companhias de oito países da Europa, com dados de exatos 19.184 tripulantes de linha aérea, correlacionou a incidência de câncer de diversos tipos com esta atividade por 20 anos, não encontrando influência significativa da radiação ou maior incidência de morte por neoplasias malignas nestes profissionais. 3.4 Ruído a bordo De acordo com Palharini (2012), em aeronaves, são notados ruídos decorrentes do atrito causado pelo vento relativo nas superfícies de comando, asas e principalmente pelos motores em funcionamento. Podendo causar desconforto e complicações neuropsicológicas aos tripulantes ou passageiros. O autor demonstra ainda, que a exposição prolongada a ruídos acima de 85 decibéis pode levar a surdez permanente e caso este valor exceda picos de 140 dB pode causar o rompimento da membrana timpânica em seres humanos. Na cabine das aeronaves não são atingidos tais valores, portanto o tripulante não precisa ter preocupação em proteger-se com protetores auriculares. Outrossim, é necessário o correto ajuste de volume dos fones de ouvido utilizado pelos pilotos, para que o som das comunicações, ultrapassando o limite tolerável, não cause danos à audição. Apesar de não causar danos significativos à audição, Palharini (2012) ainda informa que os ruídos a bordo podem desencadear fadiga aguda ao aeronavegante, se não mantidos dentro dos patamares ideais. Neste caso apenas o descanso
  22. 22. 21 intrajornada se faz suficiente para a perfeita recuperação e desaparecimento dos sintomas. 3.5 Vibrações e microvibrações As vibrações no meio aéreo são normalmente percebidas com mais intensidade em aeronaves sustentadas por potência (helicópteros, autogiros, etc.) pela ação contínua do rotor principal no eixo vertical da aeronave. Em aeronaves antigas este era um problema mais sério, hoje, com a evolução da engenharia, dispomos de equipamentos que vibram menos e garantem mais conforto às tripulações e passageiros. Para Sivieri (1995), as vibrações constantes percebidas a bordo de aeronaves podem causar artroses, lesões ósseas, formigamento das extremidades, problemas circulatórios, alteração na sensibilidade e alterações neurológicas. Palharini (2012), traz outros sintomas mais relacionados com o objeto abordado neste trabalho, já podendo relacionar-se com o aparecimento da aerocinetose como: tontura, mal estar, náuseas e vômitos. Existem pessoas que são mais sensíveis à vibração. Estas sofrem até mesmo com as microvibrações que normalmente são menos perceptíveis na maioria da população, potencializando os sintomas mencionados. Para eliminar ou atenuar os problemas causados por vibrações, tanto em aviões como helicópteros, Palharini (2012) recomenda aos tripulantes que posicionem uma pequena almofada em seu assento e evitem tocar o assoalho da aeronave, posicionando uma superfície macia sob os pés enquanto em repouso, e em momentos de crise dos sintomas ocasionados por vibrações, repousar os pés sobre uma superfície macia pode atenuar os impactos causados por eles. 3.6 Acelerações As acelerações são vistas como as principais agentes causadoras da aerocinetose, devido aos estímulos exagerados do labirinto enviados ao sistema
  23. 23. 22 nervoso. As velocidades em que aviões comerciais evoluem na atmosfera são muito altas, normalmente 850km/h, porém, na aviação de pequeno porte as acelerações também são atuantes e influenciam na resposta do organismo humano aos seus estímulos. Na aviação comercial ocorre com menos intensidade que na aviação de instrução e militar, visto que nestas últimas o equipamento é posto em seu limite para fins de treinamento e combate, executando manobras que majoram os efeitos das acelerações em sua estrutura e no corpo da tripulação. Durante todas as fases do voo são experimentados diversos tipos de acelerações, Palharini (2012) faz esta listagem: a) na decolagem e nos pousos ocorrem a aceleração linear; b) nas curvas com inclinação, sob velocidade constante temos a aceleração radial; c) quando a aeronave executa mudanças simultâneas na altitude e velocidade, ocorre a aceleração angular. As acelerações, de acordo com o autor, caracterizam-se pela variação da força da gravidade (G) exercida sobre um objeto ou indivíduo. Complicações ocorrem em função do tempo e intensidade da exposição à força acelerativa, com impacto maior sobre o sistema cardiocirculatório dificultando a circulação do sangue para determinadas áreas do corpo, a depender do sentido da força. Executando-se manobras bruscas, efeitos negativos começam a ocorrer. Acelerações positivas desencadeiam-se por manobras onde o sangue é pressionado em direção aos pés do indivíduo, diminuindo o disponível na região cardíaca, consequentemente privando o cérebro da quantidade correta de oxigênio. As negativas ocorrem quando manobras comprimem o sangue em direção ao cérebro, causando assim um inchaço excessivo e perigoso. A partir da imposição de +4G (4 vezes a aceleração da gravidade), Palharini (2012) diz que pode ocorrer um escurecimento total da visão, conhecido como blackout, aumentando-se para +6G por mais de quatro segundos, pode-se haver perda de consciência, e a +8G por mais de cinco segundos o indivíduo pode entrar em coma; a partir disso há grande possibilidade de morte. A exposição a acelerações negativas traz sintomas semelhantes, diferenciando-se pela intolerância a grandes valores por causar a expansão exagerada do cérebro contra a caixa craniana. Nestes casos Palharini (2012)
  24. 24. 23 menciona que é característico o avermelhamento da visão, conhecido como redout e que ocorre inchaço dos globos oculares, desencadeando uma possível ruptura em vasos sanguíneos, causando derrame ocular e cegueira temporária. Ainda de acordo com afirmações do autor, o corpo humano tolera mais acelerações positivas que negativas, daí a importância de não ultrapassarem-se os limites do organismo e da aeronave que, por conseguinte, sofrerá as mesmas acelerações, podendo acarretar em danos à sua estrutura, principalmente na raiz das asas, onde são sofridos os maiores esforços estruturais em razão da relação sustentação vs. peso.
  25. 25. 24 4 FISIOLOGIA DE VOO Expostos às situações e estímulos infaustos abordados neste trabalho, o corpo humano apresenta respostas muitas vezes negativas, e portanto, nocivas à segurança de voo. Dentre elas, Palharini (2012) cita o disbarismo, causador de aeroembolismo e aerodilatações, que são desencadeados basicamente pela variação barométrica na cabine e fogem ao controle do indivíduo. O principal efeito percebido por passageiros e tripulantes acerca da variação de pressão na cabine, segundo Palharini (2012), é o resultado da expansão gasosa interna nas diversas partes de seus corpos, e a diferenciação barométrica a menor da cabine em relação à pressão interna do organismo. Tem-se como exemplo comum, o desconforto auditivo sofrido durante as variações de altitude da aeronave causado por tais variações barométricas e pela impossibilidade do corpo em equalizar as pressões externa e interna na mesma velocidade em que a variação ocorre. Os efeitos são mais percebidos por pessoas que estejam com algum sintoma de resfriado ou problemas como sinusite ou outras doenças que podem interferir no funcionamento das Trompas de Eustáquio2 , responsáveis por tornar possível a equiparação de pressões dos seios da face. Além desse problema, Palharini (2012) cita a aerodilatação, responsável pela variação do volume dos gases presentes em sua forma natural como no trato digestivo, ou diluído como no sangue, pode causar desconforto a passageiros e tripulantes que tenham predisposição ou possuam fatores contribuintes para a evolução dos sintomas. O autor ainda destaca que, particularmente, indivíduos que submeteram-se a tratamentos odontológicos recentemente, podem sofrer com dores de dente (aerodontalgia) relacionadas à expansão de alguma quantidade de ar presente no _____________ 2 Tuba Auditiva ou Trompa de Eustáquio é um canal virtual que comunica a nasofaringe ao orelha média. Sua função, além de proteção e limpeza, é equilibrar a pressão da orelha média com a pressão atmosférica (GODOY, 1999).
  26. 26. 25 interstício entre restaurações ou tratamentos imperfeitos de canal e os nervos alveolares presentes na região afetada, causando intensas dores. Palharini (2012) recomenda que tripulantes com possibilidades de apresentarem sintomas negativos relacionados à variação de volume e pressão gasosa, se afastem momentaneamente dos voos até o desaparecimento do fator desencadeador da hipersensibilidade. Ainda de acordo com o autor mencionado, outras ações também são recomendadas como a diminuição da altitude, compressão pneumática local, ou em casos mais sérios, a terapia hiperbárica.
  27. 27. 26 5 FATORES PSICOLÓGICOS Sob a ótica da psicologia, a aerocinetose, é também, em muitos casos desencadeada ou agravada por fatores inerentes a esta área. Fatores estes, resultantes de experiências no ambiente aéreo, perdurantes de traumas ou sendo intrínsecos ao indivíduo. Podendo-se assim, citar como exemplos destes fatores: a fadiga, o estresse, a rejeição ao voo ou medo de voar, relacionados diretamente à atividade aérea e às pressões psicológicas as quais os aeronavegantes são submetidos. 5.1 Fadiga de voo Um tripulante acometido dos cansaços físico, mental ou de ambos, é um componente de risco ao voo seguro por não estar em plenas condições de realizar julgamentos eficazes e responder em tempo hábil a possíveis situações de emergência. Palharini (2012), aborda que fadiga de voo é muitas vezes causada, por excesso de trabalho do piloto na operação dos comandos da aeronave que exigem esforços, tanto físicos quanto mentais. A carga horária de trabalho, quando ultrapassada, contribui para que o piloto diminua sua capacidade de julgamento, sendo possível o aparecimento de sintomas relacionados à fadiga, que são: “aumento ou diminuição na quantidade de oxigênio consumido pelo organismo, acompanhado de mudanças na pressão arterial e no ritmo cardíaco e irritabilidade” (PALHARINI, 2012, p. 61). Ainda segundo o autor citado, as próprias variações climáticas do local de partida, de dentro da cabine e do local de destindo, contribuem para que ocorra um quadro de cansaço no tripulante, principalmente observando-se os níveis de umidade relativa do ar, que sabidamente, a bordo são muito baixos e o organismo não dispõe de tempo hábil para compensar a deficiência repentina de umidade. Palharini (2012), lembra ainda dos voos de longa duração aos quais são impostas variações de fuso horário, alterando o relógio biológico por mudanças no
  28. 28. 27 ritmo circadiano, que é a maneira com a qual o organismo mantém as funções biológicas organizadas nos vários períodos do dia. De acordo com dados do NTSB (National Transportation Safety Board) (2011), 20% dos incidentes e acidentes aéreos são decorrentes da fadiga do tripulante. Adentrando nesta seara, tem-se o problema das jornadas de trabalho excessivas, que há muito tempo vêm sendo analisadas para que haja uma definição adequada do limite de tempo a que o tripulante pode ser exposto ao ambiente da cabine de comando, com o intuito principal de diminuir o acometimento destes pela fadiga. 5.2 Estresse Juntamente com a fadiga, ou tratando-se como fatores interdependentes, o estresse contribui para a diminuição do rendimento do voo e consequentemente da segurança. O site CareerCast.com, citado por Sousa (2011), anualmente publica uma lista das profissões mais estressantes dos EUA. No ano de 2011, a profissão de piloto comercial figurou no topo da lista. Sousa (2011), cita esse ranking que considera onze aspectos influentes no nível de estresse do piloto, dentre os quais se destacam os seguintes: “competição, demandas físicas, prazos, perigos inerentes e até potencial de crescimento”. O autor menciona ainda, a atenção constantemente empregada aos instrumentos de bordo e a confiança “cega” nos órgãos de controle de tráfego áereo, fazendo com que o piloto permaneça durante todo o voo, com um elevado nível de estresse. No Brasil a situação não é muito diferente. Temos problemas semelhantes aos estadunidenses. Somados à carência de infraestrutura até mesmo em grandes aeroportos, tem-se muitas vezes, trânsito intenso para os tripulantes chegarem até suas bases e apresentarem-se, ou seja, o estresse é percebido antes mesmo do voo propriamente dito. A respeito dos níveis de estresse, temos ainda uma importante consideração:
  29. 29. 28 Os Pilotos também experimentam mudanças bruscas no nível de stress, saindo de períodos relaxantes enquanto não estão voando, seguindo por períodos de alto stress durante os voos, e estas mudanças são muito prejudiciais para a saúde. A profissão também é afetada pela economia, com demissões, alto preço do petróleo, corte de custos nas empresas, salários baixos, etc. (SOUSA, 2011). Pode-se compreender que o estresse no tripulante, além de desencadeado por estímulos percebidos no voo, é causado também por fatores alheios a este. Como seres humanos, sofremos também a influência de fatores emocionais e motivacionais intimamente ligados ao salário e às condições trabalhistas (estabilidade e perspectiva de crescimento profissional), que por vezes não atingem as expectativas do piloto, principalmente no início da carreira, além de influências de acontecimentos em sua vida pessoal. O estresse no tripulante, é citado por Palharini (2012) como fator colaborador para o aparecimento de sintomas da aerocinetose, haja vista que o organismo trabalhando sob condições estressantes, funciona como uma máquina sobrecarregada, não conseguindo de maneira correta, interpretar estímulos ou sinais (principalmente os da orientação espacial e equilíbrio corpóreo), levando assim ao desenvolvimento de anomalias em seu funcionamento. 5.2.1 O CRM Este trabalho aborda o assunto sob uma ótica superficial em detrimento da extensão e da larga abrangência do tema. O CRM (Corporate Resource Management) atua hoje como catalisador na melhoria de processos de toda a companhia, não somente dentro da cabine de comando, objetivando a segurança das operações tanto em voo quanto no solo. Segundo Marinho (2012), os cursos de CRM, contribuem para que o piloto consiga mitigar, com simples ações, os impactos causados pela fadiga e o estresse durante o voo, visando sempre a segurança e o bem-estar a bordo.
  30. 30. 29 Esses treinamentos, demonstram-se cada vez mais necessários para a boa formação do piloto comercial, uma vez que exige-se dele o autoconhecimento e dos demais tripulantes de cabine, eliminando tensões ou discussões desnecessárias, favorecendo o bom relacionamento interpessoal e facilitando a troca de informações. Seu objetivo principal, a segurança de voo, segundo o autor, se divide em quatro pilares distintos, são eles: comunicação, trabalho em equipe, consciência situacional e o processo decisório no cockpit. 5.3 Aerofobia ou medo de voar Esta subseção aplica-se principalmente a certos grupos de alunos da aviação que durante sua formação inicial enfrentam este problema: o medo de voar (aerofobia) ou rejeição ao voo. Segundo a APTCA (Associação Portuguesa de Tripulantes de Cabine) (2011), 40% da população mundial tem receio de voar de avião. Denominado por essa associação de “aerofobia”, o fenômeno é observado com mais frequência em passageiros, embora aconteça também, notadamente em menores proporções, nos tripulantes, podendo estar associado a outros problemas de ordem psicológica, como: síndrome do pânico, claustrofobia e medo de altura. Segundo Bassani (2005), estando sob condições psíquicas relativamente abaladas por problemas financeiros, familiares, pressão psicológica durante a instrução de voo, por instabilidades do mercado ou até mesmo incertezas vocacionais quanto à profissão e à carreira, o aluno, ou piloto já formado podem apresentar um quadro de complicação psicológica dificultando o aprendizado ou a execução de suas tarefas profissionais, algumas vezes, causando um desconforto ou mal-estar ao experimentar a pilotagem. Certamente, como mecanismo de defesa, nosso cérebro tende afastar-nos do problema (voar). Tripulantes recém formados, quando questionados sobre este assunto, em estudo realizado pela APTCA (2011), relataram que em algum momento de sua formação ocorreram situações em que não conseguia-se nem mesmo adentrar à aeronave, havendo literalmente o medo de que esta fosse cair, o que é sabido ser possível, porém, acidentes acontecem com certa raridade devido aos padrões
  31. 31. 30 impostos de segurança de voo, que ao serem seguidos, proporcionam uma segurança elevada para o equipamento e seus ocupantes. A literatura sobre o tema em língua portuguesa é escassa, uma vez que de acordo com o CENIPA (2013), no Brasil ainda não existem cursos especializados na área de psicologia de aviação. No entanto, o CRM, pode auxiliar no combate a este problema ou até mesmo, caso o aspirante a piloto julgue necessário, a consulta com um profissional de psicologia ou psicanálise pode ajudá-lo a eliminar o problema da aerofobia e dar seguimento a sua formação e prosseguir normalmente na carreira. 5.3.1 A autoafirmação e o preconceito Outro empecilho ao diagnóstico e quantificação de problemas tipicamente psicológicos durante a formação do piloto civil, é a necessidade da autoafirmação e muitas vezes a vergonha em relatar o problema. O meio aeronáutico, principalmente entre profissionais mais antigos, traz um certo preconceito em seu seio, onde preconiza-se que o piloto precisa ter “nascido para voar”, sendo assim, ao enfrentar qualquer problema que possa ser plenamente tratado ou explicado, o aluno pode questionar-se quanto a sua carreira; se realmente será um bom profissional no futuro. Claramente, o avião sendo uma máquina, são necessárias pessoas com o devido treinamento para operá-la. Portanto, foram estipulados perfis profissiográficos inerentes às atividades desenvolvidas por parte dos pilotos, assim como em outras áreas da aviação, como é o caso dos controladores de tráfego aéreo, mecânicos e comissários de voo. A respeito do assunto, podemos considerar a afirmação: “no que se refere ao indivíduo, o perfil profissiográfico indica as características pessoais necessárias ao bom desempenho do cargo em questão, assim como as restritivas ou impeditivas” (FAIAD, ALBUQUERQUE et al., 2012, p. 388). Sendo assim, não é plausível que haja uma equiparação entre problemas pontuais relatados por alguns indivíduos, que possuem os requisitos físicos e
  32. 32. 31 psicológicos para atuar no meio aéreo, mas que no momento passam por situações motivacionais adversas dificultando o aprendizado, e outros que não atendam cronicamente os atributos de personalidade ou QI (quociente intelectual) necessários para atuarem no comando de uma aeronave.
  33. 33. 32 6 ORIENTAÇÃO ESPACIAL DO CORPO HUMANO O corpo humano possui diversos sistemas que controlam todas as suas atividades diárias. Este trabalho oferece destaque ao sistema vestibular. Localizado no ouvido interno, esse sistema é sensível aos estímulos do movimento e proporciona ao cérebro informações sobre a posição espacial do indivíduo, juntamente com outros sistemas, os quais abordaremos em seguida, como é o caso do sistema proprioceptivo, que atua juntamente com o vestibular. De acordo com dados de estudos médicos contemporâneos, sabe-se que são exatamente estímulos incongruentes entre esses dois sistemas os principais responsáveis pelo aparecimento da aerocinetose. 6.1 Sistema vestibular Figura 1: Sistema vestibular Fonte: http://leandrafono.blogspot.com.br/2012/05/vertigem-e-reabilitacao-vestibular.html O aparelho vestibular ou sistema vestibular, como demonstrado acima (Figura 1), é responsável primeiramente pelo equilíbrio em seres humanos, assim como no restante dos mamíferos. Com informações de Vilela (2006), descreve-se resumidamente a seguir, o funcionamento do sistema vestibular (Figura 1): presente bilateralmente nos ouvidos internos, o labirinto, principal órgão do sistema, é preenchido totalmente por um líquido derivado do sistema linfático, que por sua vez, ativa receptores ciliados ao se
  34. 34. 33 movimentar na parede interna do sáculo e do utrículo e na base dos canais semicirculares, causando assim uma corrente elétrica que envia estímulos do movimento ao sistema nervoso central. Sendo assim, distúrbios relacionados ao equilíbrio e movimento, geralmente estão ligados ao sistema vestibular, uma vez que, o líquido que preenche os canais semicirculares, por ação da inércia, permanece naturalmente em movimento após cessado o movimento da cabeça do indivíduo, causando estímulos incompatíveis com os gerados pela visão, que informa ao cérebro que não há movimento aparente. Acerca da função prática dos estímulos labirínticos e visuais e do funcionamento detalhado do sistema vestibular, outro autor disserta: Órgãos do equilíbrio localizados na orelha interna avisam o cérebro sobre movimentos e sobre a posição da sua cabeça. Existem 3 “anéis” (canais semicirculares) em cada orelha, e estes canais sentem quando você movimenta sua cabeça e lhe ajudam a enxergar claramente durante estes movimentos. Existem também duas estruturas em cada orelha chamadas de órgãos otolíticos (o utrículo e o sáculo). Eles avisam o cérebro quando a cabeça está se movimento numa linha reta (como quando você está dirigindo um carro ou subindo e descendo um elevador) e sentem o posicionamento da sua cabeça mesmo quando você está parado (se está reta ou inclinada) (HOFFMAN, 2010). De acordo com o trecho acima, a autora ainda afirma que caso perceba-se distúrbios de equilíbrio, um dos sistemas envolvidos (visual, vestibular e proprioceptivo) podem não estar funcionando corretamente e enviando informações inconsistentes, causando tonturas, confirmando a informação do autor antes citado. A aerocinetose, é uma doença derivada de tais informações erroneamente interpretadas pelo cérebro sobre o movimento e posição espacial do indivíduo. Segundo tradução do estudo de Lackner (2004), a manifestação de quaisquer das “cinetoses”, tanto a terrestre, quando a observada no meio aéreo) ou motion sickness, consiste em uma resposta do organismo a esses estímulos, ainda não totalmente descrita pela medicina, havendo várias teorias, sendo a mencionada a
  35. 35. 34 mais aceita. Porém ainda não foi explicado o porquê dos estímulos serem coletados ou interpretados de maneira errada desencadeando os sintomas, principalmente no trato digestivo. Ainda segundo o trecho traduzido pelo autor deste trabalho, onde Lackner (2004) menciona a remoção cirúrgica de áreas de projeção vestibular do cerebelo, tornando macacos insuscetíveis à doença de movimento. Não há informações a respeito dessa intervenção em seres humanos. Entretanto, pode-se, com o resultado da experiência com animais, entender que o distúrbio está ligado a esta área do cérebro. Outrossim, não foram citadas no estudo, as consequências da secção da área no comportamento dos animais ou possíveis sequelas trazidas pela intervenção. 6.2 Sistema proprioceptivo Responsável por grande parte das informações necessárias ao corpo humano para definir sua orientação espacial e equilíbrio, juntamente com o sistema vestibular, o proprioceptivo desempenha um papel importante no desenvolvimento do quadro da aerocinetose. Segundo Antunha e Sampaio (2008), esse sistema atua como um “sexto sentido”, pela interação do indivíduo com o meio externo, informando ao cérebro quanto ao estado do corpo humano. De modo geral, o sistema proprioceptivo funciona como um catalisador da nossa consciência situacional do dia a dia, é por ele que o nosso corpo consegue perceber se os braços estão estendidos ou recolhidos sem a necessidade de estarmos olhando para eles. Este é só um exemplo, dentre as diversas funções que o sistema desempenha no cotidiano. Sobre o sistema proprioceptivo, aos autores pesquisados afirmam o seguinte: O Sistema Proprioceptivo é de natureza neurológica que recebe informações provenientes de múltiplos sensores do nosso corpo como a pele da sola dos pés, músculos e articulações, mucosas, língua, sistema visual e sistema auditivo do equilíbrio (labirinto). Este sistema
  36. 36. 35 integra e compatibiliza todas essas informações e expede as ordens necessárias para as fibras musculares de todo o corpo para que estas realizem uma determinada ação (ANTUNHA e SAMPAIO, 2008, p. 280). O referido sistema tem grande importância na interação do indivíduo com o meio externo e também na maioria das funções do organismo. Ainda segundo os autores, quando o sistema proprioceptivo entra em algum tipo de disfunção, os sintomas são múltiplos e aparecem de diferentes maneiras a depender do indivíduo. A lista de sintomas apresentados quando ocorrem distúrbios no sistema proprioceptivo incluem: dores, desequilíbrio (associado ao sistema vestibular), perturbações vasculares e erros de localização espacial. Este último ocorre quando, por exemplo: a pessoa possui dificuldades em localizar sua própria boca ao alimentar- se; morde língua e bochechas; perde noção de distância que seus membros podem atingir ao executar movimentos, causando quedas ou erros ao colocar líquidos em recipientes.
  37. 37. 36 7 A AEROCINETOSE Nos capítulos anteriores, mencionaram-se inúmeros fatores intrínsecos e extrínsecos que contribuem para o aparecimento dos sintomas da aerocinetose, bem como os órgãos que são responsáveis por causar os estímulos desencadeadores da doença e os impactos causados pelo mau funcionamento destes. Diante dos subsídios adquiridos até o momento, será abordada a seguir, a aerocinetose, com seus sintomas e tratamentos. Objetivando, de uma forma simples, descrevê-la fornecendo ao leitor conhecimentos a fim de que sejam realizadas ações simples com a intenção de evitar-se ou de diminuírem-se os sintomas porventura apresentados. 7.1 Visão geral Há diversas explicações sobre o que vem a ser efetivamente a aerocinetose, no entanto, destaca-se a seguinte citação: Aerocinetose: resposta fisiológica a um estímulo sensorial relacionado ao voo, real ou aparente, conflitante com os padrões armazenados no cérebro, caracterizada por enjoo, vômito, palidez, sudorese, cefaleia, apatia e prostração. (Mal do Ar) - Doença cinética ou cinetose, é resultante de uma crise neurovegetativa complexa, oriunda do movimento da aeronave, desencadeada pela hipersensibilidade vestibular, agravada por instabilidade neurovegetativa e uma predisposição psíquica (TEMPORAL, 2005, p. 253, grifo nosso). De acordo com o autor, aerocinetose (airsickness) ou também chamada de “Mal do Ar” é a “resposta fisiológica a um estímulo sensorial relacionado ao voo, real ou aparente [...]”. Sendo assim, depreende-se do trecho textual, que os estímulos aos quais somos submetidos são relacionados a vários fatores externos ocasionados pelo voo,
  38. 38. 37 podendo este, ocorrer em condições reais ou em simuladores, e também de fatores internos ou “predisposição psíquica”. De acordo com Uiliano, Lambert et al. (1986), há relatos de tripulantes que apresentam os sintomas da doença em exercícios realizados até mesmo em simuladores de voo, onde o tripulante permanece parado em relação ao solo, mas sua visão ou outros sistemas sensoriais o informa que está em movimento, ou vice-versa, causando uma incompatibilidade nas informações de orientação espacial recebidas pelo cérebro. Os sintomas característicos da doença se manifestam durante o voo ou após o pouso e podem ser notados sinais como: tontura, náuseas, sudorese, boca seca, eructações, flatulência, cefaleia, prostração e a consequente perdas da consciência situacional da cabine e orientação espacial, podendo culminar na ocorrência de vômitos, comprometendo assim a segurança em caso de voo solo. De acordo com Syburra, Huber e Suter (2009), a aerocinetose apresenta influência negativa na atividade de voos iniciais de instrução tanto militares quanto civis, onde os tripulantes são submetidos à condições limítrofes de acelerações, forças e variação abrupta de pressão atmosférica as quais o organismo não está habituado e tende a responder de maneira adversa resultando no aparecimento dos sintomas da doença. Concatenando-se essas condições aos já citados fatores psicológicos influentes sobre aluno, que por sua vez, nos voos de instrução inicial ainda está inseguro e domina pouco os parâmetros e comandos da máquina a qual opera, observam-se a potencialização dos sintomas apresentados e um quadro mais grave que foge ao padrão apresentado, por exemplo, em passageiros da aviação comercial. Dados divergem quanto à incidência da aerocinetose tanto em passageiros quanto em tripulantes. Não obstante, todos os indivíduos que utilizam-se de quaisquer meios de transporte possam apresentá-la, o estudo de Ribeiro (2006), citado por Gomes (2012), demonstra que de 2% a 5% dos passageiros apresentam esse mal, e aponta uma maior incidência dos sintomas em alunos de aviação, em torno de 5% a 10%, tanto no meio civil quanto militar, porém, encontraram-se índices de manifestação de um ou mais dos sintomas em maiores proporções em pesquisa do mesmo autor que será abordada a seguir em subseção apropriada.
  39. 39. 38 Ainda assim, aqueles dados podem sofrer alterações significativas justamente pela questão da necessidade já mencionada de autoafirmação do piloto e do receio em revelar que possui os sintomas, uma vez que nem sempre percebe-se claramente o desenvolvimento destes sem que haja o relato do tripulante. Então, afirma-se que a doença possui uma incidência não documentada muito maior no âmbito da instrução de aviação inicial. 7.2 Classificação Registrada na Classificação Internacional de Doenças versão 10 (CID 10), sob número T75.3, a Cinetose ou enjoo de movimento (motion sickness), está posicionada na categorização “T66 - T78 Outros efeitos de causas externas e os não especificados”, possuindo documentada, a seguinte descrição: “Doença Causada Pelo Movimento”. Sua classificação nesta categoria, implica a contribuição majoritariamente de causas externas como uma das principais causadoras de seu quadro, ficando em segundo plano as causas intrínsecas ao indivíduo, como por exemplo, as de ordem psicológica. A ausência de um código específico para a aerocinetose, corrobora a ideia que sua manifestação, como sendo uma variante da cinetose, torna mais rápido e fácil diagnóstico e procura por tratamento, haja vista que esta é mais mencionada na literatura médica. 7.2.1 Outras classificações A cinetose também está registrada sob número 158280 no projeto OMIM (Mendelian Inheritance in Man), que cataloga as doenças humanas que sejam derivadas de uma componente genética, sugerindo que há fatores genéticos que podem favorecer o aparecimento de seus sintomas, não excluindo-se, logicamente os demais fatores contribuintes.
  40. 40. 39 7.3 Sintomatologia Segundo pesquisa realizada por Gomes (2012), os sintomas da aerocinetose aparecem em sua maioria, em um intervalo entre 30 e 45 minutos de voo, podendo variar a depender das condições meteorológicas e das manobras executadas. Gomes (2012) ainda cita os sintomas mais comuns percebidos por quem sofre deste mal: Os sintomas progridem da letargia à apatia, de mal gástrico a náuseas, palidez, sudorese fria, chegando a vômitos e, finalmente, prostração total. Náuseas e vômitos são os sintomas mais comuns, porém existem sintomas acessórios que podem estar presentes associadamente, que são cefaleia, aumento da salivação e da manobra da deglutição, eructação e flatulência (GOMES, 2012, p. 18). Um tripulante com aerocinetose é uma ameaça à segurança de voo, considerando que pode-se chegar a um quadro de prostração 3 , dentre outros sintomas limitantes, como citados acima pelo autor, que incapacitam-no a operar corretamente os da aeronave comandos. Ainda segundo o autor supracitado, os sintomas mais comuns da aerocinetose são náuseas e vômitos. Além disso, pode-se considerar que “o desconforto epigástrico não é um fato gerado simplesmente pela movimentação da aeronave, ele também pode ser explicado pela diferença de pressão a qual o corpo humano é submetido ao sair de uma determinada altitude para outra” (RIBEIRO, 2006 apud GOMES, 2012). Dados acima, e anteriormente mencionados, comprovam que os sintomas da aerocinetose são normalmente desencadeados por fatores intrínsecos, como os fatores psicológicos, e extrínsecos ao tripulante, como a própria movimentação e variação de altitude da aeronave. Corroborando esta informação, menciona-se o seguinte: _____________ 3 Prostração: s. f. Ação ou efeito de prostrar; grande debilidade proveniente de doença ou cansaço; enfraquecimento; esgotamento. (DICIO, 2013)
  41. 41. 40 O equilíbrio e a percepção do indivíduo no espaço são controlados pela interação dos sistemas visual (olhos), vestibular (labirinto) e proprioceptivo (receptores sensoriais das articulações e músculos). Quando ocorre alguma alteração nestes três sistemas podem ocorrer os sintomas de desequilíbrio e enjoo (MATTIOLA, 2010). O autor menciona os estímulos que o nosso corpo se utiliza para sua orientação e equilíbrio, necessitando apenas de uma discrepância dentre alguns deles para que aconteçam os sintomas da doença. Apesar de serem percebidos em sua maioria de imediato, os sintomas podem manifestar-se algumas horas depois da exposição ao fator desencadeador (voo real ou exercício em simulador), o que pode, algumas vezes dificultar o diagnóstico. De acordo com a pesquisa de Gomes (2012) com profissionais da aviação militar, a incidência dos sintomas foi observada majoritariamente na fase de instrução pré-solo, com posterior remissão. E ainda segundo a pesquisa do autor, a incidência sintomática demonstrada por gráficos, foi de aproximadamente 20% no público pesquisado, aumentando a prevalência citada por Ribeiro (2006). Já Pinheiro (2013), afirma que em passageiros, a incidência de sintomas pode chegar a 25%, uma incidência menor do que a da cinetose em navios, de 40%, que devido à amplitude e frequência do movimento deste geralmente serem maiores, favorecem a incidência dos sintomas. Como pôde-se perceber ao longo desta pesquisa, o meio aeronáutico é altamente propício para que haja alterações no sistema vestibular. Com acelerações em três sentidos (linear, radial e angular), vibrações e visibilidade limitada, o ambiente na cabine oferece condições para que os estímulos externos sejam interpretados de maneira equivocada pelo cérebro favorecendo a desorientação espacial, tonturas outros distúrbios do equilíbrio. 7.3.1 Fatores pessoais que favorecem o surgimento dos sintomas Os sintomas da cinetose e aerocinetose possuem um grupo de pessoas com certas características, conforme menciona Pinheiro (2013): sexo feminino; crianças
  42. 42. 41 maiores que dois anos; gravidez; portadores de labirintite e ansiedade. Além dos fatores psicológicos mencionados anteriormente. 7.4 Diagnóstico O diagnóstico da aerocinetose é feito por um médico otorrinolaringologista com base no relato dos sintomas apresentados pelo indivíduo. Muitas vezes o tratamento pode ser retardado devido ao aeronavegante não procurar ajuda médica a respeito do problema, ou mesmo, devido à diversidade dos sintomas, o tripulante tende a procurar várias especialidades médicas, obtendo tratamentos e medicações não correspondentes até ser atendido de maneira correta e devidamente tratado. Apesar do diagnóstico ser clínico (apenas com a observação dos sintomas), o médico poderá solicitar exames específicos para a confirmação do quadro patológico, como: audiometria, impedanciometria, meatoscopia, vídeonistagmografia e exames otoneurológicos, a fim de descartar a possibilidade da causa do problema se dar por complicações neurológicas mais graves, apesar de raras. 7.5 Prevenção No meio aeronáutico, é possível a observância de algumas ações objetivando a minimização dos sintomas da aerocinetose até uma possível dessensibilização total do organismo. Levando em consideração o fato de que não foram encontradas fontes que relatam casos de impossibilidade de cura. 7.5.1 Estímulos visuais Para os passageiros de qualquer meio de transporte, é recomendado por Pinheiro (2013), que evite-se a leitura durante a viagem e que o indivíduo olhe para um ponto fixo e evite acompanhar pontos da paisagem.
  43. 43. 42 No entanto, aos tripulantes, esta sugestão não se aplica, devido à necessidade constante de leitura de cartas, monitoração de instrumentos de voo e a conferência de pontos de referência visuais no solo (em caso de voo visual). Portanto, sugere-se a esses que evitem movimentos bruscos com a cabeça para que os olhos consigam focar pontos individuais por mais tempo. 7.5.2 Exercícios físicos Segundo Os exercícios são recomendados para que o organismo se dessensibilize devido aos movimentos realizados, por exemplo, durante corridas. E assim, o cérebro consiga administrar os estímulos de maneira que não mais haja a observância da doença ou ocorra uma diminuição da intensidade dos sintomas a ela relacionados. 7.5.3 Alimentação adequada Sabe-se que uma alimentação adequada é um dos pilares para uma vida saudável. Durante os voos, Pinheiro (2013) recomenda evitar comer, consumir bebida alcoólica e fumar. Alguns alimentos colaboram para o agravamento do quadro da aerocinetose pela reação que causam quando ingeridos: Se comer alimentos que estimulam a formação de gases, como feijão, lentilha, abóbora, cebola, repolho, couve, pepino ou salsicha, a digestão será mais difícil e você vai se sentir "inchado". É por isso que os refrigerantes também são contraindicados, assim como as frituras, as carnes vermelhas e os molhos (GOMES, 2012, p. 21). O autor cita alguns alimentos que devem ser evitados antes do voo, assim como quaisquer alimentos considerados pesados, gordurosos ou calóricos demais, devido à demora na digestão.
  44. 44. 43 De acordo com o Portal da Aviação (2010), o jejum pleno também favorece o aparecimento dos sintomas relacionados a aerocinetose. Portanto sugere-se que o tripulante não labore sem uma alimentação prévia, porém, sem excessos. Pilotos, são aconselhados a manterem uma dieta saudável todos os dias, não só em dias de trabalho devido aos exames periódicos frequentes obrigatórios para diminuir-se a possibilidade de complicações de saúde em voo. Portanto, é inerente à carreira que o profissional siga uma alimentação regrada evitando problemas futuros com afastamento e perda de qualidade de vida, não só na prevenção do quadro de enjoo de movimento. 7.6 Tratamentos A aerocinetose é tratada de diversas maneiras a depender da intensidade dos sintomas e da resposta do indivíduo acometido por eles. Nesta subseção, listar-se-ão algumas das principais e mais eficazes formas de tratamentos da doença. Porém, não eliminando a necessidade de consulta prévia com profissionais da área médica para o correto diagnóstico e administração de medicamentos, ou prescrição de tratamentos alternativos. O objetivo neste trabalho, é apenas a instrução informativa para o aluno-piloto. 7.6.1 Reabilitação labiríntica ou Reabilitação vestibular O tratamento envolvendo a reabilitação labiríntica, consiste em manobras com a cabeça, instruídas por um profissional de fonoaudiologia ou médico otorrinolaringologista, a fim de dessensibilizar o organismo do paciente ao movimento causado em meios de transporte. De acordo com Mack (2011), a reabilitação vestibular é o melhor tratamento indicado para as cinetoses, melhorando a qualidade de vida do indivíduo e o desempenho em suas atividades cotidianas. Ainda sobre o tratamento com reabilitação vestibular, têm-se a importante consideração:
  45. 45. 44 Trata-se de um conjunto de exercícios físicos repetitivos associados a mudanças de hábitos, cuja base terapêutica está ligada à plasticidade vestibular. Os exercícios devem ser indicados por fonoaudiólogos especialistas na área (MANTELLO, 2013). Nesta citação, a autora confirma que há, comprovadamente, uma “plasticidade vestibular”, onde se faz possível a adaptação do órgão aos estímulos antes desencadeadores da aerocinetose. Corroborando a afirmação da autora acima, o Portal da Aviação (2010), menciona que o tratamento com reabilitação vestibular é o principal na profilaxia da aerocinetose, porém, existem outros tratamentos não medicamentosos menos difundidos como a eletroestimulação do nervo mediano. 7.6.2 Tratamentos medicamentosos Os tratamentos envolvendo medicamentos são uma alternativa na profilaxia da aerocinetose. No entanto, as drogas disponíveis no mercado, segundo Meluzzi (2011), causam uma diminuição da atividade encefálica, acarretando sonolência e lentidão no raciocínio. Apoiando Meluzzi (2011), pode-se citar Gomes (2012), Lackner (2004), Pinheiro (2013), dentre outros autores pesquisados, informam que tais medicamentos causam sonolência e são totalmente contraindicados na profilaxia da doença em tripulantes, podendo acarretar em sérias consequências. Mesmo sendo contraindicados, Gomes (2012) cita tais classes de medicamentos com a ressalva mencionada, são eles: anti-histamínicos, antidopaminérgicos, antimuscarínicos. O principal remédio, dentre os das categorias citadas acima, que é utilizado pela maioria da população, recebe o nome comercial de Dramin® B6. Esta droga possui como agentes principais a vitamina B6 e o dimenidrinato, podendo-se utilizar doses variáveis, conforme prescrição médica, também sendo ressalvada a contraindicação para condutores de veículos e operadores de máquinas cortantes.
  46. 46. 45 Além das drogas mencionadas, existem diversos outros que podem ser receitados por médicos, a lista demonstrada nesta subseção não esgota as possibilidade, mas utiliza-se da menção dos tipos de remédios mais utilizados no tratamento. A respeito dos demais medicamentos indicados, cita-se: [...] uma boa pedida é usar algum tipo de medicamento que iniba os sintomas da cinetose antes mesmo de eles acontecerem. As medicações mais utilizadas são a metoclorpropramida, flunarizina, dimenidrinato e os inibidores centrais do vômito, como a ondansetrona. É importante ressaltar, porém, que todo medicamento deve ser indicado por um médico de confiança (MELUZZI, 2011, grifo nosso). Outro autor ainda alerta para o seguinte: “depois de instalado o quadro os sintomas são mais intensos e não respondem muito bem ao tratamento com medicação. É sempre melhor prevenir do que tratar” (GOMES, 2012, p. 21). Portanto, a sugestão é que os sintomas sejam evitados, com as recomendações alimentares, exercícios físicos, boas condições psicológicas durante o voo e a não ingestão de álcool, uso de cigarros ou outras drogas. 7.6.3 Remédios naturais (fitoterapia) Apesar da reabilitação vestibular ou labiríntica apresentar-se como a forma mais eficiente de profilaxia para a aerocinetose, sua aplicação efetiva pode demandar um tempo muito grande se comparado a outros métodos. Alguns indivíduos, ao serem tratados dos sintomas, podem não responder satisfatoriamente à medicação tradicional. Por isso a medicina natural oferece algumas alternativas a fim de acelerar-se o resultado dos demais tratamentos, por si só assegurar ao paciente bons resultados ou mesmo a solução efetiva do problema. Botsari (2011), clínico geral e estudioso de plantas medicinais, menciona o chá de gengibre como um ótimo remédio para os sintomas das cinetoses. O autor destaca
  47. 47. 46 que é cientificamente comprovada a atividade da planta contra náuseas e doenças relacionadas com o movimento. O autor ainda sugere que o chá da erva deve ser consumido três vezes ao dia em que for exposto ao fator causador, de dois a quatro gramas da planta em forma de raiz fresca para cada 150 ml de água. Mack (2011), informa ainda que algumas plantas, como o já citado, gengibre, a camomila e a hortelã, também são indicadas para controlar os sintomas relacionados ao enjoo de movimento. Os vegetais citados não possuem contraindicação em decorrência de não apresentarem efeitos colaterais, como a sonolência e lentidão no raciocínio antes citadas. Portanto, depreende-se que sua utilização não trará malefícios; somente vantagens caso o indivíduo reaja ao tratamento. É adequado que o aluno-piloto acometido por algum sintoma da doença, faça a utilização de algum método indicado nesta subseção antes de procurar ajuda médica caso julgue pertinente, e os sintomas apresentados não apresentem maiores consequências e complicações que somente o desconforto durante a pilotagem. Uma vez que, não se trata de automedicação, o próprio indivíduo terá a possibilidade de verificar a diminuição dos sintomas no decorrer do seu treinamento prático de voo. 7.6.4 Tratamentos homeopáticos Durante coleta de dados para este trabalho, não foram encontradas fontes relacionando a homeopatia com o sucesso em tratamentos de cinetoses. No entanto, caso haja preferência por este método, pode-se realizar consulta com profissional da área para avaliar possibilidades de tratamento, haja vista que raras foram as fontes encontradas indicando esse tratamento para doenças do tipo. 7.6.5 Acupuntura e acupressão A acupuntura é um ramo da medicina tradicional chinesa, a Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica-a como um tratamento complementar, consistindo
  48. 48. 47 na aplicação de agulhas em diversas partes do corpo, chamadas de pontos de acupuntura. Embora haja divergências acerca da eficácia deste método para a profilaxia de doenças relacionadas ao movimento, como a aerocinetose, Botsari (2011) também cita que a acupuntura também possui evidência científica de atuar neste tipo de patologia, e recomenda que uma aplicação de agulhas pode ser feita antes da exposição ao ambiente causador dos sintomas. A acupressão, é um tratamento que consiste em pressão nos mesmos pontos onde são aplicadas agulhas, sugerido quando não há possibilidade de aplicação das delas ou não haja sua disponibilidade no momento necessário à aplicação. Uma pesquisa utilizando a acupressão, conduzida pelos autores, Ding, Zhao et al. (2006), com um grupo de 200 pessoas, onde, em 102 delas aplicaram-se grânulos magnéticos em pontos localizados na orelha e no Neiguan Point (P6), localizado pouco após do pulso em direção ao cotovelo; as 98 restantes serviram como grupo de controle, recebendo tratamento convencional com theohydramine (dimenidrato). Cita-se abaixo o resultado da pesquisa: Houve uma diferença significativa entre os dois grupos na taxa efetiva total (P<0,05), e os sintomas clínicos desapareceram mais rapidamente no grupo de tratamento comparando com grupo de controle (P<0,05). O efeito terapêutico nos pacientes com sintomas de leve a moderados do grupo de tratamento foi melhor do que a do grupo de controle, e não houve nenhuma diferença significativa no efeito terapêutico para os pacientes com doença grave entre os dois grupos. No grupo de tratamento, o efeito terapêutico do paciente leve era o melhor, no paciente que apresentava quadro moderado ou grave, observou-se uma piora no estado do paciente, com uma diferença expressiva (P<0,005) (DING, ZHAO, et al., 2006, p. 325, tradução nossa). Com o texto acima, confere-se uma expressiva perspectiva de sucesso nos tratamentos ministrados em pacientes com sintomas leves e moderados, perdendo sua eficácia em pacientes com a doença em estágios mais avançados.
  49. 49. 48 Sobre o tratamento com acupuntura, observa-se mais resultados como segue a citação: A pesquisa clínica tem demonstrado esta modalidade de tratamento para náusea, seja devido a náuseas em mulheres grávidas, a doença de movimento em viajantes, náuseas ou náusea induzida pela quimioterapia em pacientes com câncer (SAMUELS, 2003, p. 297, tradução nossa). Segundo o autor, os tratamentos com acupuntura, aqueles que são realizados por médico especializado e com o uso de agulhas, apresenta uma relevância significativa no tratamento da doença, inclusive em pacientes com outras vestibulopatias ou no tratamento de enjoo causado pela utilização e medicamentos contra cânceres. Devido ao baixo custo do método, é aconselhado ao tripulante que sentir-se prejudicado pelos sintomas da aerocinetose, que procure um especialista no ramo e realize a tentativa de tratamento. 7.6.5.1 Pulseira de acupressão Figura 2: Pulseira de acupressão Fonte: http://enjoo.net.br/wp-content/uploads/pulseira-anti-enjoo2.png As denominadas pulseiras de acupressão, são difundidas no mercado e utilizadas principalmente por gestantes durante os meses iniciais da gravidez, também sendo indicadas para utilização mitigadora dos enjoos de movimento.
  50. 50. 49 No meio científico, contudo, a utilização da pulseira mostra-se contraditória para o tratamento de cinetoses. Em pesquisa realizada por Miller e Muth (2004), não foi encontrada relação entre o uso de duas marcas de pulseiras de acupressão, com diminuição efetiva dos sintomas de cinetoses. Segundo os autores, “nem a pulseira nem um placebo impediram o desenvolvimento da doença de movimento, independentemente se estas foram utilizadas correta ou incorretamente” (MILLER e MUTH, 2004, p. 227, tradução nossa). A acupuntura se mostra uma alternativa para o tratamento da doença, e pode ser utilizada em conjunto com outras formas para a diminuição dos sintomas encontrados em doenças de movimento. 7.6.6 Outros métodos Além das formas já citadas de tratamento das cinetoses, e principalmente da aerocinetose, a área médica sugere, em casos extremos a adoção de outros tipos de tratamentos. As fontes pesquisadas listam tratamentos em cadeiras giratórias, eletroestimulação e cirurgias. De qualquer forma, essas limitam-se apenas em mencioná-los devido ao baixo número de pessoas que alcançam a progressão necessária dos sintomas para que seja indicada a execução daqueles procedimentos. Haja vista a baixa complexidade na aplicação dos tratamentos citados no decorrer deste trabalho assim como o baixo custo. Apesar da lista anterior ser a mais indicada para a adaptação do organismo, é também importante, citar que a regularidade dos voos é também um método muito eficaz de tentar-se minimizar ou eliminar os sintomas apresentados, sendo a forma mais utilizada por quem sofre das cinetoses. Os voos, servem assim, como um tratamento de reabilitação labiríntica “involuntário” onde os estímulos são enviados ao cérebro e este se adapta com o passar do tempo.
  51. 51. 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho abordou em uma visão simples, a evolução sofrida pelos meios de transporte nos últimos séculos, e sua relação com o organismo humano; a diferença entre o ambiente dentro da aeronave e o terrestre; os fatores causadores da aerocinetose e suas relações com a formação do piloto comercial; sua prevalência em passageiros; os sistemas do corpo humano que favorecem o aparecimento dos sintomas e, dentre outros assuntos, formas simples de conseguir-se diminuir ou eliminar os sintomas da doença. Demonstraram-se vários fatores que podem contribuir para que a doença se manifeste e consiga impactar significativamente a formação e carreira de tripulantes de aeronaves, e o bem-estar durante a viagem em passageiros. Um desses fatores, o psicológico, é tratado em especial por muitas vezes passar despercebido pela maioria dos portadores dos sintomas e ser responsável por grande parte da incidência da patologia. As referências consultadas, não mencionaram, no entanto, casos onde a cura não foi possível, sendo assim, pôde-se concluir que a possibilidade de alcançá-la, seguindo-se os tratamentos sugeridos é grande, bastando ao indivíduo, a paciência, persistência e determinação exigidos para tratar-se através um mais métodos que sejam adotados para o tratamento. A regularidade da exposição ao movimento pode ser a mais simples maneira de enfrentar a doença, uma vez que o cérebro passa a interpretar corretamente os estímulos a ele enviados pelos sistemas responsáveis pelo movimento. Portanto, o segredo é o aluno piloto não se desesperar e seguir seu treinamento naturalmente até que os sintomas desapareçam por si só. Caso isto não ocorra, pode-se procurar ajuda profissional ou adotar procedimentos sem a utilização de medicamentos, como os listados neste documento. A aerocinetose é empecilho durante a formação de muitos pilotos, especialmente durante as primeiras horas de voo do treinamento prático, na maioria não atrapalha muito, contudo, em alguns, pode levar à desistência da carreira e uma posterior frustração profissional e insatisfação durante sua vida.
  52. 52. 51 Acredita-se que este trabalho cumpriu seu objetivo, informando ao aluno-piloto que sentindo-se impactado por este problema, não desista de continuar sua formação. Sendo assim, agora, conhecendo-se melhor, entendendo o que se passa no interior da cabine durante o voo e compreendendo como é desencadeada a aerocinetose, este tenha as informações necessárias para seguir sua formação. Para isso, sugere-se a dedicação do aluno, a fim de que este empenhe-se o suficiente para ter seu nível de estresse diminuído durante o voo, em razão da segurança com que passará a operar a aeronave; uma alimentação adequada, sem excessos, drogas, bebidas alcoólicas ou uso de cigarro; voos em locais com temperaturas amenas; delicadeza na manipulação dos controles de voo, para evitar acelerações repentinas; um bom relacionamento com o instrutor de voo, para garantir a tranquilidade e o bom aproveitamento de todas as fases do voo por parte do aluno. As sugestões profiláticas mencionadas neste trabalho são de caráter meramente sugestivo e aconselhador, não eximindo-se, de forma nenhuma o aconselhamento profissional de um médico otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo especializados no tratamento de doenças de movimento.
  53. 53. 52 REFERÊNCIAS ANTUNHA, E. L. G.; SAMPAIO, P. Propriocepção: um conceito de vanguarda. [S.l.]: [s.n.], v. 02, 2008. p. 278-283 Disponivel em: <http://pepsic.bvsalud. org/pdf/bapp/v28n2/v28n2a15.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2013. APOS. Ar que se respira dentro dos aviões pode provocar doenças, entre elas a Síndrome do Olho Seco. Associação dos Portadores de Olho Seco. Disponivel em: <http://www.apos.org.br/?p=267>. Acesso em: 16 set. 2013. APTCA. Medo de Voar. APTCA - Associação Portuguesa de Tripulantes de Cabine, 2011. Disponivel em: <http://www.aptca.pt/seguranca_a_bordo/medo_ de_voar.html>. Acesso em: 2 nov. 2013. BARISH, J. R. The Invisible Passenger: Radiation Risks for People Who Fly. [S.l.]: Advanced Medical Pub., 1996. 119 p. BASSANI, L. O mundo do avião: e tudo que você precisa saber para perder o medo de voar. 2ª. ed. São Paulo: Editora Globo S.A., 2005. BOTSARI, A. Cinetose é a causa de enjoos durante longas viagens. Minha Vida - saúde, alimentação e bem-estar, 20 jun. 2011. Disponivel em: <http://www.minhavida.com.br/bem-estar/materias/13407-cinetose-e-a-causa-de- enjoos-durante-longas-viagens>. Acesso em: 9 nov. 2013. CENIPA. Segurança de voo - CENIPA realiza encontro brasileiro de psicologia aplicada à aviação. Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, 2013. Disponivel em: <http://www.adesg.net.br/noticias/seguranca-de-voo-cenipa- realiza-encontro-brasileiro-de-psicologia-aplicada-a-aviacao>. Acesso em: 20 out. 2013. DICIO. Dicionário Online de Português. Prostração, 2013. Disponivel em: <http://www.dicio.com.br/prostracao/>. Acesso em: 1 nov. 2013. DING, M. et al. Orientation taping magnetic granules at auricular points and Neiguan (PC 6) for prevention and treatment of 102 cases of motion sickness. Zhongguo Zhen Jiu, Shijiazhuang, v. 26, p. 325-327, maio 2006. FAIAD, C. et al. Análise Profissiográfica e Mapeamento de Competências nas Instituições de Segurança Pública. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, p. 388- 403, 10 jan. 2012. FAN, Y.; PETITT, F. L. Dispersal of the broad mite, Polyphagotarsonemus latus (Acari: Tarsonemidae) on Bemisia argentifolii (Homoptera: Aleyrodidae). 7. ed. [S.l.]: Kluwer Academic Publishers, v. 22, 1998.
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