Tradução história, teorias e métodos

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Slides com resumo do livro "Tradução: História, teorias e métodos" de Michael Oustinoff.

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Tradução história, teorias e métodos

  1. 1. “TRADUÇÃO: História, Teorias e Métodos”
  2. 2. Operações de tradução A distinção entre “Operação linguística e “Operação literária” estabelecida por Edmond Cary é um dado fundamental. Contudo, ela não seria suficiente porque não aborda os textos que Jean Deslile chama de “pragmáticos”. “Dizer que não se traduz Shakespeare como um relatório da ONU ou outros textos “Não-literários” é algo muito evidente, contudo, não são as operações que diferem e sim a função. Num caso, será a função informativa, no outro, a estética.”
  3. 3. 1. Tradução e reformulação A primeira modalidade de tradução é definida assim: “A tradução intralingual ou reformulação consiste na interpretação dos signos linguísticos por meio de outros signos da mesma língua” (JAKOBSON, Roman. Op. Cit. P. 79) “A tradução está no núcleo da linguagem.”
  4. 4. Nesse sentido, a mídia é uma imensa máquina de traduzir. Um jornalista talvez tenha que praticar todos os métodos de tradução: intralingual, quando ele relata as proposições de um outro; interlingual, quando ele traduz de outra língua; intersemiótica , quando ele traduz com palavras aquilo que vê. Naturalmente quando ele fala, retoma sua própria fala, procede à autorreformulação.
  5. 5. • Assim, é mais produtivo substituir o esquema que representa a passagem da língua de partida “LP” à língua de chegada “LC” pelo esquema do texto fonte “TF” ao texto alvo “TA”. • Porém, como não é necessário que a língua fonte e a língua alvo sejam diferentes. Podemos assim, ir além e substituir “texto” (T) por “enunciado” (E). TF TA EF EA
  6. 6. Partindo então, de um primeiro enunciado para chegar a um segundo, procedemos uma re-enunciação. Para dar um exemplo concreto, o enunciado é verdadeiro tanto para o enunciador quando para o sujeito gramatical do enunciado: Édipo queria desposar Jocasta. Em contrapartida , o enunciado que vem a seguir é verdadeiro exclusivamente do ponto de vista do enunciador. Édipo queria desposar sua mãe.
  7. 7. • A tradução não pode negligenciar a tradução intralingual, que se apresenta tanto do lado do enunciado fonte, quando do enunciado alvo. O enunciado fonte só pode ser compreendido quando formos capazes de reformula-lo em “língua-fonte” (L1) L1 L1 • Uma vez que o enunciado tenha sido entendido, nós o reformulamos na língua de tradução. L1 L2
  8. 8. • Porém, para ser capaz de traduzir com competência, o tradutor terá que ser capaz de reformular esse texto, em L2. • L2  L2
  9. 9. A reformulação na “língua –fonte” é preferentemente da ordem da compreensão; a reformulação na “língua-alvo”, preferentemente da ordem da expressão.
  10. 10. Transposições e modulações • Ergon: raiz indo-europeia “Werg”, que encontramos no inglês “Work”: Uma obra realizada. • Energeia: “Uma atividade em vias de se fazer”. • As concepções Humboldtianas têm implicações epistemológicas e filosóficas consideráveis. A mais fundamental é a seguinte: “Não há tradução neutra ou transparente” através da qual o texto original apareceria idealmente como um espelho, de forma idêntica.
  11. 11. • A primeira obra a mudar a inflexão de maneira magistral é Stylistique comparée du français et de l’anglais. Abreviadamente VD , por ocasião do nome dos seus autores J.-P Vinay, J. Dalbernet. • Cada época tem seu “horizonte do tradutor” (A. Berman) ou,. Seu “Horizonte de expectativa”. VD, então, não fugiu a essa regra.
  12. 12. Stylistique comparée du français et de l’anglais • Vinay e Darbelnet (1977) trabalham com conceitos saussurianos como "signo lingüístico", "significado" e "significante", "valor" e "significação"(cf. Saussure, 1972, apud. Barbosa, 1990, p23). Estes conceitos, além da noção de arbitrariedade do signo lingüístico dão-lhes uma sólida base teórica para justificar sua proposta de afastamento da tradução literal.
  13. 13. Consideram como estilística comparada aquela "que observa as características de uma língua tais quais se revelam por comparação com uma outra língua" e relacionam a tradução a "um caso particular, a uma aplicação prática da estilística comparada".
  14. 14. • É visando produzir um texto idêntico ao que "sairia espontaneamente de um cérebro monolíngue, em resposta a uma situação comparável sob todos os pontos de vista", o que implicaria em um afastamento da tradução apenas literal – que nem sempre teria como resultado a forma mais natural – que Vinay e Darbelnet (1977, apud Barbosa, 1990, p.23) enumeram os procedimentos técnicos da tradução.
  15. 15. • Ao observarem os mecanismos utilizados por distintos sujeitos para solucionar suas dificuldades durante o processo tradutório de textos do inglês ao francês, concluíram que, em geral, estes, que aparecem sob múltiplas formas em um primeiro momento da análise, levariam basicamente o tradutor a dois caminhos: o da tradução direta ou literal e o da tradução dita oblíqua.
  16. 16. Tradução direta • Quando existe um paralelismo estrutural e sociocultural entre o segmento na língua de partida e aquele na língua de chegada, teremos uma proximidade com a língua original, mais fácil sua realização. • Assim, – empréstimo, decalque e a tradução literal – estão no âmbito da tradução direta.
  17. 17. Tradução oblíqua • “A tradução oblíqua remete a idiomaticidade: A tradução deve dar a impressão de que o original foi escrito diretamente na língua em que está sendo traduzida.”
  18. 18. Em uma tradução literal, a passagem da LP para a LC é feita sem muita elaboração ou mudança de forma. Os mecanismos de tradução oblíqua, por sua vez, envolvem mudanças formais das estruturas linguísticas e atêm-se mais ao conteúdo e estilo do texto original.
  19. 19. • "Fortunato lorgnant la montre du coin de l'oeil ressemblait à un chat à qui l'on presente un poulet tout entier • Comme il sent qu' on se moque de lui il, n' ose y porter la griffe, et de temps en temps il détorune les yeux pour ne pas s'exposer à la tentation; mais il se lèche les babines à tout moment, et il a l'air de dire à son maître "Que votre plaisanterie est cruelle!" • (Merimée)
  20. 20. "Fortunato, kept darting sidelong glances at the watch like a cat who, presented with a whole chicken and suspecting that she is being made fun of, dares not reach out for it, and at times looks away to resist temptation, all the while licking her shops and wanting to tell her master how mean he is"
  21. 21. Passando de uma língua para outra, temos as mesmas unidades de tradução, mas naturalmente com uma divisão diferente. Uma vez que delimitamos essas unidades, observamos então, as correspondências: “keep darting sidelong glances at” (Olhando de soslaio para) « lorgnant [...] du coin de l'oeil » (Olhando... Com o canto do olho)
  22. 22. Para ficar mais simples, observemos: Signo = significante + significado De um lado a forma, do outro, o sentido. Dessa maneira, a tradução conserva o significante e o significado.
  23. 23. No plano fonético, o significante se transformou parcialmente. Ciel <–> Sky [sjɛl] <–> [skai] Porém, Ciel e Sky tem a mesma forma gramatical. Ambos são substantivos. Assim: S  S
  24. 24. Transposições • Vinay e Dalbernet chamam de “transposições” às traduções que consistem em substituir uma categoria gramatical por outra.
  25. 25. “She would sit and read, the book under the wave of light. She would glance now and then down the hall of the villa that had been a war hospital, where she had lived with the other nurses before they had all transferred out gradually, the war moving north, the war almost over.” (Michael Ondaatje. The English patient)
  26. 26. “Ell s’asseyait pour lire, présentant le livre à la lumière vacilante. Elle jetait parfois un coup d’oeil dans le couloir de la villa, um hôpital de guerre, oú ele avair vécu avec les autrs infirmières avant qu’elles ne sotient mutées, au fur et à mesure que la guerre se deplaçait vers le nord puis touchait à sa fin.” (Trad. Marie-Odile Fortier-Masek)
  27. 27. “the book under the wave of light” (S) (o livro sob a onda de luz) “présentant le livre à la lumière vacilante” (Adj) (o livro com a luz bruxuleante)
  28. 28. “*the war+ almost over” (Adv + Adv) (A guerra quase acabando) “touchait à sa fin” (V + S) ([A guerra] chegando ao fim)
  29. 29. Categoria X  Categoria Y
  30. 30. • Dessa maneira, o francês tem tendência a utilizar palavras com semantismo pleno como os substantivos e o inglês apenas palavras gramaticais.
  31. 31. “Trains to London” (preposição) “Trains à destination de Londres” ( loucação verbal apoiada em um substantivo)
  32. 32. Modulações Também chamadas de “mudanças de ponto de vista”, as modulações afetam o sentido. Significado 1  Significado 2
  33. 33. Mudança de símbolos • He earnes an honest dollar (Ele ganha um dinheiro honesto) • Il gagne honnêtement sa vie (Ele ganha a vida honestamente)
  34. 34. VD apresenta uma série de outras correspondências possíveis.
  35. 35. • “O abstrato pelo concreto” ou “o geral pelo particular”: • To sleep in the open (Dormir ao relento) • dormir à la belle etóile (Dormir sob as estrelas) • “A causa pelo efeito, ou o meio pelo resultado, a substância pelo objeto” • You're quite a stranger (Você está bastante estranho) • On ne vous voit plus ( Não posso mais reconhecê-lo)
  36. 36. Tradução ou deformação?
  37. 37. Na fronteira canadense, a sinalização bilíngue os surpreende: depois de “SLOW” vem “LENTEMENT”; depois de “SLIPPERY WHEN WET” vem um “GLISSANT SI HUMIDE”. A conclusão é que: “Um francês monolíngue jamais comporia espontaneamente essa frase, exatamente porque ele não iria bloquear a estrada com um advérbio terminado em –ment” (VD, p. 22)
  38. 38. O tradutor de textos pragmáticos não deve dispor apenas de um conhecimento aprofundado da “língua-fonte”: ele deve, para além disso, de redator na “língua-alvo”. O efeito de “transparência” semelhante ao “efeito real” de que fala Roland Barthes em matéria literária exige um conhecimento completo.
  39. 39. A tradução pro-alvo é apenas uma modalidade entre todas as modalidades do traduzir. Ela não é adaptada à tradução de textos que, no original, vão de encontro a idiomaticidade ou da elegância. Nesse caso, uma tradução elegante leva a deformação sistemática do original.
  40. 40. “Não se trata de um termo a termo servil, mas de estrutura aliterativa do provérbio original que reaparece, sob outra forma. Esse me parece ser o trabalho com a letra: nem decalque, nem reprodução (problemática), mas atenção dispensada ao jogo dos significantes ”
  41. 41. Bilinguismo de escrita e autotradução “Não interessa traduzir palavras, nas frases e exprimir, sem perder nada deles, pensamento e emoção, como o autor os teria exprimido se tivesse escrito em francês, algo que só se consegue por meio de uma dissimulação perpétua, de incessantes desvios e frequentemente pelo afastamento da mera literalidade”
  42. 42. • “ A tradução, por definição, não pode ser o original, dado que o tradutor quase nunca é autor.” • “A tradução está condenada a permanecer sempre abaixo de seu modelo. A melhor das traduções não passa, afinal de contas, de um último recurso.”
  43. 43. “A autotradução é um fenômeno relativamente raro em literatura.” “A autotradução é, portanto, uma questão central” Toda e qualquer tradução, seja ela “alógrafa” ou “autoral” constitui, então, uma versão equivalente à obra da qual ela deriva.
  44. 44. “Não há nada de mais difícil [ ... ] e nada de mais raro do que uma excelente tradução, porque nada é mais difícil nem mais raro que alcançar o justo equilíbrio entre a licença do comentário e a servidão da letra. Um apego excessivo à letra destrói o espírito, quando o espírito é que vivifica; excessiva liberdade destrói os traços característicos do original, faz-se uma cópia infiel dele” (Apud Lieven d’Hulst, Cent ans de théorie française de la traduction. De batteux à Littré. Lille: PUL, 1990, p.45)
  45. 45. Referências: • CARDOSO, Cristina. Os discursos da tradução e a tradução do discurso: uma pesquisa introspectiva. ANTARES, vol.3, nº6. 2011. Universidade de Caxias do Sul. • JAKOBSON, Roman. Ed. 24. 2007. Linguística e Comunicação/ (Tradução: Izidoro Blikstein; José Paulo Paes) – São Paulo: Editora Cultrix • OUSTINOFF, Michaël. 1956. Tradução: história, teorias e métodos (tradução: Marcos Marcionilo) – São Paulo: Parábola Editorial, 2011. • SCHLEIERMACHER, D. Sobre os diferentes métodos de tradução. (trad. Antoine Berman). Tours de Babel, Toulouse: ed. Trans-Europ-Repress, 1985.
  46. 46. Letras 2011.1 • Amélia Jessiely Soares Bento • Grace Aparecida de Freitas Félix • Maria Valdinele Neves de Lima

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