EJA-orientacoesparaoprofessor_linguaportuguesa_ensinomedio__eja

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EJA-orientacoesparaoprofessor_linguaportuguesa_ensinomedio__eja

  1. 1. EJA LP EM 9ª prova.indd 1 ED Or UC ien A taç Ç õe ÃO sp ara DE op J rof OV e ss E or NS –E E nsi A no D Mé U L dio TO S LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA linguagens, códigos e suas tecnologias4/12/10 2:30:22 PM
  2. 2. Coordenação do Desenvolvimento dos Conteúdos Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Programáticos, dos Cadernos dos Professores, Arte: Gisa Picosque, Mirian Celeste Martins, dos Cadernos dos Alunos e da Educação de Geraldo de Oliveira Suzigan, Jéssica Mami Makino Jovens e Adultos: orientações para o professor e Sayonara Pereira. Ghisleine Trigo Silveira EJA - Ivani Martins Gualda e Roseli Cassar Ventrella AUTORES Educação Física: Adalberto dos Santos Souza, Ciências Humanas e suas Tecnologias Carla de Meira Leite, Renata Elsa Stark Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton e Sérgio Roberto Silveira Luís Martins e Renê José Trentin Silveira. EJA - Luiza Christov LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Alzira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Governador Raul Borges Guimarães, Regina Araujo e Sérgio Adas. Donnini Rodrigues, Priscila Mayumi José Serra EJA - Angela Corrêa da Silva Hayama e Sueli Salles Fidalgo. História: Paulo Miceli, Diego López Silva, EJA - Lívia de Araújo Donnini Rodrigues Vice-Governador Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet Pezarim Bugelli e Raquel dos Santos Funari. de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar, Alberto Goldman EJA - Eliane Yambanis José Luís Marques López Landeira e João Secretário da Educação Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza Henrique Nogueira Mateos. Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe, Melissa de EJA - Heloisa Amaral Dias de Oliveira Paulo Renato Souza Mattos Pimenta e Stella Christina Schrijnemaekers. Secretário-Adjunto EJA - Josefa Alexandrina da Silva Matemática e suas Tecnologias Guilherme Bueno de Camargo Matemática: Nílson José Machado, Carlos Eduardo Ciências da Natureza e suas Tecnologias de Souza Campos Granja, José Luiz Pastore Mello, Chefe de Gabinete Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo Roberto Perides Moisés, Rogério Ferreira da Fonseca, Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene Ruy César Pietropaolo e Walter Spinelli. Fernando Padula Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Querubim EJA - Ruy César Pietropaolo Coordenadora de Estudos e Normas Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Santana, Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo Venturoso Mendes Pedagógicas Caderno do Gestor da Silveira e Solange Soares de Camargo. Valéria de Souza Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e EJA - Ghisleine Trigo Silveira Zuleika de Felice Murrie Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Leite, João Coordenador de Ensino da Região Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto, Julio Cézar Foschini Metropolitana da Grande São Paulo Equipe de Produção Lisbôa, Lucilene Aparecida Esperante Limp, Maíra José Benedito de Oliveira Coordenação Executiva: Beatriz Scavazza Batistoni e Silva, Maria Augusta Querubim Rodrigues Assessores: Beatriz Blay, Carla Cristina Reinaldo Pereira, Paulo Rogério Miranda Correia, Renata Alves Coordenador de Ensino do Interior Ribeiro, Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Gimenes de Sena, José Carlos Augusto, Maria Rubens Antonio Mandetta Jordão, Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume. Eloisa Pires Tavares, Paulo Eduardo Mendes, Paulo EJA - Ghisleine Trigo Silveira Roberto da Cunha e Solange Wagner Locatelli Diretora da Escola de Formação Física: Luis Carlos de Menezes, Estevam Rouxinol, Equipe Editorial e Aperfeiçoamento dos Professores Guilherme Brockington, Ivã Gurgel, Luís Paulo de Coordenação Executiva: Angela Sprenger do Estado de São Paulo Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti, Maurício Assessores: Denise Blanes e Luis Márcio Barbosa Vera Lúcia Cabral Costa Pietrocola Pinto de Oliveira, Maxwell Roger da Projeto Editorial: Ghisleine Trigo Silveira Purificação Siqueira, Sonia Salem e Yassuko Hosoume. Edição e Produção Editorial: Buscato Informação Presidente da Fundação para o EJA - Alex de Lima Barros Corporativa, Verba Editorial, Andrew De Felice Desenvolvimento da Educação – FDE Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes, Murrie e Felipe F. Martins (projeto gráfico) Fábio Bonini Simões de Lima Denilse Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza, APOIO Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença de Sousa FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria Fernanda Penteado Lamas e Yvone Mussa Esperidião. CTP Impressão e Acabamento , EJA - Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos EXECUÇÃO autorais protegidos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos Coordenação Geral da Lei no 9.610/98. Maria Inês Fini * Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais. Concepção Guiomar Namo de Mello Lino de Macedo Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas Luis Carlos de Menezes Maria Inês Fini Ruy Berger (em memória) São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. GESTÃO S239e Educação de Jovens e Adultos: orientações para o professor; ensino médio – Língua Fundação Carlos Alberto Vanzolini Portuguesa, linguagens, códigos e suas tecnologias / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Ghisleine Trigo Silveira, Alice Vieira, Débora Mallet Pezarim de Presidente da Diretoria Executiva: Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar, Heloisa Amaral Dias de Oliveira, José Luís Marques López Antonio Rafael Namur Muscat Landeira, João Henrique Nogueira Mateos. – São Paulo: SEE, 2010. Diretor de Gestão de Tecnologias ISBN 978-85-7849-463-6 aplicadas à Educação: Guilherme Ary Plonski 1. Língua Portuguesa 2. Educação de Jovens e Adultos 3. Ensino Médio 4. Orientação Pedagógica para Professores I. Fini, Maria Inês. II. Silveira, Ghisleine Trigo. III. Vieira, Alice. IV. Coordenadoras Executivas de Projetos: Angelo, Débora Mallet Pezarim de. V. Aguiar, Eliane Aparecida de. VI. Oliveira, Heloisa Amaral Beatriz Scavazza e Angela Sprenger Dias de. VII. Landeira, José Luís Marques López. VIII. Mateos, João Henrique Nogueira. XI. Título. COORDENAÇÃO TÉCNICA CENP – Coordenadoria de Estudos CDU: 374.7: 806.90 e Normas PedagógicasEJA LP EM 9ª prova.indd 2 4/12/10 2:30:23 PM
  3. 3. Caras professoras e caros professores, Com satisfação, apresentamos os Cadernos que se constituem em novo material de orientação para uso dos professores em todas as disciplinas do Ensino Fundamental e Médio para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Estado de São Paulo. Trata-se de um projeto que utiliza o material desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para a proposta curricular do Ensino Básico regular. As mesmas equipes da Secretaria que desenvolveram o Programa São Paulo faz escola, lideradas pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp), foram as responsáveis pela elaboração da nova proposta que lhes apresentamos. Trata-se de trabalho resultante de vasta pesquisa, que respeitou as características específicas da população a ser atendida, buscando também garantir-lhe o acesso aos mesmos bens e valores culturais contidos no Currículo oficial do Estado de São Paulo para o Ensino Fundamental (Ciclo II) e Ensino Médio. Inúmeros são os desafios relacionados à oferta de educação para essa população. Até o início da década passada, não dispúnhamos de uma referência de qualidade para a educação desse segmento. Por esse motivo, ainda como ministro da Educação, criamos o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), oferecido aos diferentes sistemas de ensino como apoio à estruturação da oferta de cursos e dos exames de certificação para os alunos da EJA. Essas referên- cias de avaliação foram acompanhadas de materiais de apoio a professores e alunos disponibilizados para utilização pelas secretarias de educação. Recentemente, contudo, fomos todos surpreendidos pela mudança das referências do Encceja, que foi unificado ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – este, por sua vez, também modificado em relação ao passado com vista ao atendimento das demandas do Ensino Superior. Por esse motivo, agora, de volta à Secretaria da Educação, nos vimos obrigados a novamente enfrentar o desafio de reorganizar a oferta dos cursos da EJA, estruturando os suportes necessários para que professores e alunos realizem a tão necessária reposição das aprendizagens da educação básica. A Educação de Jovens e Adultos representa uma dívida histórica ainda a ser resgatada pela educação em todas as esferas de governo de nosso país. Com estes materiais de orientação, esperamos contribuir para a realização efetiva da escolarização necessária para que jovens e adultos possam prosseguir em seus projetos de realização pessoal e profissional. Paulo Renato Souza Secretário da Educação do Estado de São Paulo 3EJA LP EM 9ª prova.indd 3 4/12/10 2:30:23 PM
  4. 4. Caros(as) professores(as), A seleção de materiais de apoio para os alunos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) nas diversas modalidades de cursos regularmente oferecidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo representa uma etapa desafiante do trabalho de reestruturação curricular da educação básica desta Secretaria. Nos últimos anos, todos nos empenhamos em diagnosticar as necessidades dos jovens e adultos de São Paulo para melhor adequar o trabalho que vem sendo desenvolvido, pesquisando e analisando alternativas de materiais e práticas para corresponder às expectativas e direitos dessa população. Buscamos, primeiramente, nos alinhar às políticas nacionais cabíveis, adotando as referências e o material e aderindo aos exames do Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos). Acompanhamos, com pesar, sua radical transformação e fomos obrigados a repensar a utilização do material original, embora não tenhamos abandonado seus pressupostos. Com as novas determinações do Conselho Estadual de Educação (CEE), aprovadas pela Deliberação no 82/2009, relativas à idade mínima dos que podem frequentar esses cursos, e com a crescente diminuição da distorção idade/série no ensino regular, os alunos que atualmente procuram cursos de EJA, em todas as suas modalidades, são cada vez mais jovens e, portanto, mais próximos da idade dos alunos do ensino regular, apesar de ainda apresentarem necessidades educacionais específicas. Para definir uma proposta que atendesse a essa população, as equipes da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp) e uma comissão de especialistas avaliaram os materiais peda- gógicos disponíveis para esse segmento e, também, o Currículo oficial do Estado de São Paulo e as possibilidades de sua utilização como referência para a Educação de Jovens e Adultos. Nessa última tarefa, foram analisados os materiais de apoio ao trabalho dos professores e às aprendi- zagens dos alunos para a implementação da proposta curricular do Estado e considerou-se adequada a sua utilização nos quatro termos da EJA – Ensino Fundamental e nos três termos da EJA – Ensino Médio, com as devidas e necessárias orientações. O projeto ora proposto contempla os direitos previstos para a educação escolar da população de jovens e adultos que busca oportunidades de aprendizagem no sistema público de ensino do Estado de São Paulo, de acordo com os pressupostos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Com nosso total apoio, espera-se que os professores das turmas de EJA, fundamentados neste novo projeto, possam desenvolver habilidades pessoais e de trabalho em equipe que beneficiem os jovens e adultos de nosso Estado e, ao mesmo tempo, que contribuam para o processo de autoaperfei- çoamento profissional contínuo de nosso corpo docente. Bom trabalho! Maria Inês Fini Coordenadora Geral Projeto São Paulo faz escola 4EJA LP EM 8ª prova.indd 4 4/6/10 3:39:36 PM
  5. 5. Sumário Apresentação .................................................................................................................................. 6 Critérios de organização das Orientações para o Professor de EJA . ............................................... 10 Critérios de seleção dos conteúdos e das atividades de Língua Portuguesa . .................................... 11 1o termo Volume 1 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 12 Volume 2 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 19 Volume 3 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 25 Volume 4 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 30 Quadro-resumo das Situações de Aprendizagem e atividades sugeridas . ....................................... 34 2o termo Volume 1 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 36 Volume 2 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 47 Volume 3 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 52 Volume 4 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 57 Quadro-resumo das Situações de Aprendizagem e atividades sugeridas . ....................................... 61 3o termo Volume 1 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 63 Volume 2 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 68 Volume 3 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 78 Volume 4 �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 83 Para saber mais............................................................................................................................... 85 . Quadro-resumo das Situações de Aprendizagem e atividades sugeridas . ........................................ 86 5EJA LP EM 9ª prova.indd 5 4/12/10 2:30:23 PM
  6. 6. Apresentação A Educação de Jovens e Adultos (EJA) ainda é um desafio para os sistemas educacionais públi- cos brasileiros. A oferta de EJA representa o resgate de uma dívida histórico-social para com os que não tiveram acesso à escolarização básica na idade própria ou para com os que, por algum motivo, não concluíram o ensino regular. A maior parte dos que procuram a EJA é constituída por aqueles que, em razão da desigualdade, não tiveram acesso aos bens educacionais. Reparar essa dívida constitui uma das metas do sistema estadual, que reconhece o direito de todos à educação escolar de qualidade. Nesse sentido, destaca-se o princípio constitucional da educação para todos, inclusiva, significando um caminho para o desen- volvimento de todas as pessoas, em todas as idades, sem discriminar negativamente os indivíduos nem prejudicar o processo de apropriação de conhecimentos. A defasagem educacional decorrente do não acesso à educação formal ou do abandono precoce da escola por problemas socioeconômicos diversos atinge parcela expressiva da população brasileira. Isso se reflete na qualidade de vida e na prática social desses indivíduos, o que resulta em um grande número de jovens e adultos em busca de alternativas de estudo. A oferta da Educação de Jovens e Adultos, por meio de projetos modernos e adequados, poderá promover não só o acesso dessas pessoas aos bancos escolares, mas criar oportunidades diversifica- das de estudo para que possam suprir sua defasagem escolar. É preciso considerar ainda que essa modalidade de educação não deve ter como finalidade somente prover os alunos com os conteúdos dos quais foram privados na idade própria de escolarização, mas também favorecer o desenvolvi- mento das competências necessárias para que possam participar dos bens e conhecimentos, exercer a cidadania e inserir-se nas diferentes dimensões da vida social e produtiva. O projeto ora proposto pretende contemplar os direitos previstos à educação escolar da população de jovens e adultos que busca oportunidades de aprendizagem na rede do sistema público de ensino do Estado de São Paulo, de acordo com os pressupostos da Constituição, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Tendo em vista a implantação da Deliberação CEE no 82/2009, que estabelece as diretrizes para os cursos de Educação de Jovens e Adultos em nível do Ensino Fundamental e do Médio, instalados ou autorizados pelo poder público no Sistema de Ensino do Estado de São Paulo, e a Resolução SE no 48, de 24 de julho de 2009, que dispõe sobre a implementação da EJA nas unidades escolares estaduais, a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (Cenp) preparou-se, no início de 2009, para adquirir os materiais para professores e alunos referidos no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), criados e editados pelo Inep/MEC, em 2002. Tal decisão foi tomada com base na avaliação positiva, que considerou adequados os materiais pedagógicos de orientação para o trabalho dos professores e os livros de apoio às aprendizagens dos alunos. Considerou-se também a necessidade de adequar as políticas de certificação dos níveis de ensino no âmbito do Estado de São Paulo a um exame nacional cujas matrizes de referência da ava- liação correspondiam às diretrizes da Educação de Jovens e Adultos, uma vez que, além da oferta sis- tematizada de cursos, a Secretaria deve disponibilizar exames aos que se preparam individualmente, sem apoio da escola. Dessa maneira, as referências passariam a ser únicas para a Educação de Jovens e Adultos no Estado de São Paulo. 6EJA LP EM 9ª prova.indd 6 4/12/10 2:30:23 PM
  7. 7. Outro argumento a favor da adoção do material do Encceja foi a consequente adesão da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) aos exames nacionais anuais a partir de 2008, o que reduziu os gastos públicos estaduais com exames na mesma modalidade e para a mesma população. No entanto, com a decisão do Ministério da Educação de unificar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Encceja, em meados de 2009, as referências do exame único (novo Enem) não mais atenderiam apenas à Educação de Jovens e Adultos, pois passariam a objetivar as demandas de concursos de seleção ao ensino superior, perdendo sua estrutura específica de qualificar para certificar os conhecimentos dos jovens e adultos. Por esse motivo, mais uma vez a Cenp precisou renovar sua proposta para a EJA e o fez após criteriosa análise dos materiais já elaborados pela SEE-SP para o novo currículo do ensino regular, implantado a partir de 2008, optando pela utilização reorganizada desse material para a reestrutu­ ração da oferta dos cursos de EJA. É oportuno afirmar que a reorganização proposta pela SEE-SP para os currículos de EJA e os materiais de apoio à sua implementação têm por pressupostos resgatar a autoestima dos jovens e adultos e de seus professores, principalmente por meio do desenvolvimento de procedimentos de ensi­ no‑aprendizagem apropriados a essa população, com total apoio técnico aos professores para que suas práticas estejam em consonância com o processo vivido pelos alunos. Foi também decisivo constatar, por meio de pesquisas, que a população que busca a modalidade EJA tem entre 18 e 30 anos, frequentou a escola regular na idade própria e dela foi excluída por suces- sivas desistências ou por ter abandonado os estudos para trabalhar. Agora, essa população precisa voltar à escola porque o mercado de trabalho assim o exige. Destaque-se que é muito provável que, com as elevadas taxas escolares de repetência e evasão nas últimas décadas do século XX, muitos alunos que não tiveram sucesso no sistema regular optem por essa modalidade de ensino. Pesquisa recente realizada pela SEE-SP mostra que a faixa etária dos que procuram esses cursos está diminuindo cada vez mais e se aproxima da idade dos alunos do ensino regular. Para a formulação da proposta de EJA, agora apresentada, buscaram-se respostas para questões como: quais conhecimentos esses jovens e adultos devem aprender? Como recuperar as aprendiza- gens escolares e valorizar as aprendizagens vividas? Que sujeitos históricos queremos formar? Como desmitificar o sentimento negativo pessoal da culpa por não aprender? Quais pré-requisitos são neces- sários para a promoção entre o Ensino Fundamental e o Médio? Quais critérios devem ser adotados para que possamos transformar essa realidade de seleção e exclusão? As respostas a essas questões levaram a SEE-SP a repensar os objetivos específicos da EJA no Ensino Fundamental e no Médio. EJA no Ensino Fundamental Primeiro, é preciso esclarecer que a natureza dos conteúdos mínimos referentes às noções e aos conceitos essenciais sobre fenômenos, processos, sistemas e operações escolhidos para esse segmento contribui para a constituição de saberes, conhecimentos, valores e práticas sociais indispensáveis ao exercício de uma vida de cidadania plena. 7EJA LP EM 9ª prova.indd 7 4/12/10 5:29:50 PM
  8. 8. Depois, é necessário preconizar que, em relação aos conteúdos mínimos a ser ensinados em cada sequência didática escolhida, seja considerada a intersecção de temas com aspectos relevantes da cidadania, tomando-se como referência a identidade da escola e de seus alunos, professores e outros profissionais que nela trabalham. O Currículo agora proposto concorre para a promoção de sequências didáticas que deem oportu- nidade para jovens e adultos aproveitarem o que aprenderam na vida prática, trabalhando com aspectos básicos da vida cidadã, como a tomada de decisões, a identificação e a resolução de problemas, a descrição de propostas e a comparação entre ideias expressas por escrito, considerando valores e direitos humanos. Não se deve supor, contudo, que uma proposta curricular que enfatize o desenvolvimento de competências e habilidades (articulações entre operações lógicas com conteúdos relevantes) negligen- cie as exigências básicas de domínio de conteúdos mínimos e da capacidade de ler e escrever. É necessário, no entanto, assegurar o tempo e as estratégias apropriadas para que esses alunos possam exercitar a compreensão dos objetos de conhecimento devidamente contextualizados com a vida imediata, sem perder de vista a pluralidade brasileira e a diversidade daqueles que buscam a esco- larização por meio da EJA. EJA no Ensino Médio Se o caráter instrumental dos saberes sociais públicos foi desenvolvido na EJA/Ensino Fundamental, cabe à EJA/Ensino Médio aprofundá-lo. Caso contrário, cabe desenvolvê-lo. Essa con- sideração se deve ao fato de que a certificação no Ensino Médio não está, por lei, atrelada à certifi- cação no Ensino Fundamental, desde que sejam observadas as idades mínimas. Há, portanto, uma continuidade entre as duas etapas da educação básica. A definição do que é próprio do Ensino Fundamental e do Médio não é colocada como forma de ruptura, mas sim de aprofundamento (compreensão) e contexto (produção e tecnologia). A direção curricular ora proposta para a EJA/Ensino Médio destaca o desenvolvimento de com- petências e habilidades distribuídas em áreas de conhecimento: Linguagens e Códigos, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática, sendo o tema tecnologia comum a todas as áreas. Nessa proposta, o caráter interdisciplinar está relacionado ao contexto da vida social e da ação solidária, visando à cidadania e ao trabalho. Vale a pena relembrar a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) que, no artigo 36, destaca que o Currículo do Ensino Médio deve observar as seguintes diretrizes, entre outras: a educação tecnológica básica; a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; e a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conheci- mento e exercício da cidadania. Dois aspectos merecem menção especial e norteiam a organização curricular do Ensino Médio: o eixo da tecnologia e os processos cognitivos de compreensão do conhecimento. Ao final do Ensino Médio, espera-se que o cidadão tenha desenvolvido competências cognitivas e sociais inseridas em um determinado sistema de valores e juízos, ou seja, aquelas referentes à ética e ao mundo do trabalho. 8EJA LP EM 9ª prova.indd 8 4/12/10 2:30:23 PM
  9. 9. O destaque a especificidades do público participante da EJA é inevitável. A idade, a participação no mundo do trabalho, as responsabilidades sociais e civis são outras, diferentes daquelas dos alunos da escola regular que se preparam para a vida. O público da EJA/Ensino Médio está na vida atuando como trabalhador(a), pai(mãe), provedor(a). Mas, se o ponto de partida é diferente, o ponto de chegada não o é. Ao final do Ensino Médio, espe- ra-se que esse público possa dar continuidade aos estudos com qualificação, disputar uma posição no mercado de trabalho e participar plenamente da cidadania, compartilhando os princípios éticos, políticos e estéticos da unidade e da diversidade nacionais, colocando-se como ator no contexto de preservação e transformação social. EJA: proposta pedagógica de reorganização A nova organização proposta para a EJA pela Secretaria garante aos alunos acesso à mesma pro- posta curricular prevista para o ensino regular, com ênfases especiais em sequências didáticas deter- minadas, cujos temas e respectivas competências e habilidades a ser desenvolvidas permitem atender mais diretamente aos interesses dos jovens e adultos que abandonaram a escola precocemente. É importante destacar que, mesmo considerando reduzida a estrutura de tempo na oferta de cur- sos, conforme previsto em legislação da EJA, ela é, de fato, de longa duração, quando se considera o contexto de vida da população a que se pretende atender. Outra constatação relevante é que as orientações dadas em cada disciplina e termo para o de­ senvolvimento das aulas estão vinculadas ao cotidiano dos alunos. A proposta está pautada no de­ envolvimento de competências e habilidades descritas nas áreas de conhecimento e em seus res- s pectivos componentes curriculares. Vale ressaltar, mais uma vez, que a estrutura da proposta está de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos para o Ensino Fundamental e Médio. A matriz curricular das disciplinas será a base para os processos de capacitação dos professores, estruturação das escolas, organização das grades horárias e definição das metodologias de ensino e dos processos de avaliação e certificação. Os cursos de EJA (presencial, de frequência flexível e atendimento individualizado) da rede esta- dual de ensino devem enfatizar em sua organização os seguintes princípios do currículo, indicados no Currículo Oficial do Estado de São Paulo: • Currículo é cultura. • Currículo referido a competências. • Currículo que tem como prioridade a competência leitora e escritora. • Currículo que articula as competências para aprender. • Currículo contextualizado no mundo do trabalho. Esses princípios se expressam no desenvolvimento pleno das seguintes competências cognitivas em todas as áreas e em todos os níveis: 9EJA LP EM 9ª prova.indd 9 4/12/10 2:30:23 PM
  10. 10. I. dominar a norma-padrão da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artís- tica e científica; II. construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenôme- nos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas; III. elecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes s formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema; IV. relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente; V. recorrer aos conhecimentos desenvolvidos para elaboração de propostas de intervenção solidá- ria na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. Essas competências se expressam no interior de cada área curricular, em que as disciplinas indi- cam suas competências específicas. A organização da EJA ora proposta, atrelada ao Currículo Oficial do Estado de São Paulo para o ensino regular, apresenta ampla fundamentação teórica, indicada nos volumes introdutórios dos documentos das áreas e de suas disciplinas e nos Cadernos do Professor. O Currículo Oficial do Estado de São Paulo organizará o ensino e a aprendizagem dos alunos nessa modalidade em todos os termos que estruturam a oferta de cursos presenciais e nos Centros Estaduais de Educação de Jovens e Adultos (Ceejas) da Secretaria. As aulas de EJA se diferenciarão pelo uso de materiais disponibilizados aos professores e alu- nos. Esses materiais objetivam ampliar as oportunidades de aprendizagem dos alunos e assegu- rar ao docente o acesso a recursos tecnológicos inovadores, seu aprimoramento e sua atualização profissional. Este material de orientação para professores, denominado “Educação de Jovens e Adultos – Orien- tações para o Professor – Língua Portuguesa”, será distribuído a todos os que trabalham com EJA/ Ensino Médio na rede estadual de ensino do Estado de São Paulo e permitirá também que os alunos se beneficiem de registros individuais organizados nos Cadernos dos Alunos, aos quais terão acesso. Critérios de organização das Orientações para o Professor de EJA Ao preparar suas aulas para a EJA, tenha em mãos, além deste material, os Cadernos do Professor e os Cadernos do Aluno. Nestas Orientações, você encontrará, primeiramente, a síntese do enfoque temático de cada termo. Para cada um deles, são sugeridas Situações de Aprendizagem dos Cadernos do Aluno (volu- mes 1, 2, 3 e 4), que podem apoiar o desenvolvimento de suas aulas. As atividades sugeridas são acompanhadas de orientações que ora remetem aos procedimentos explicitados no Caderno do Pro- fessor, ora propõem procedimentos alternativos para sua implementação, levando em conta as especi- ficidades da EJA. 10EJA LP EM 9ª prova.indd 10 4/12/10 2:30:23 PM
  11. 11. Ao término das orientações sobre o termo, você encontrará, na seção “Para saber mais”, uma sín- tese de referências, com indicações de livros, filmes, sites etc., e um quadro-resumo que poderá aju- dá-lo a mapear, rapidamente, quais são as Situações de Aprendizagem e respectivas seções sugeridas. Como estas Orientações tomaram, prioritariamente, o Caderno do Aluno como referência visual e estrutural, sempre que possível, foram mantidos os nomes das Situações de Aprendizagem e de suas seções, com ícones que o ajudarão a localizar as atividades sugeridas. Em alguns casos, optou-se por alterar o desenvolvimento de uma atividade: por exemplo, uma “Lição de casa”, no Caderno do Aluno, pode ser indicada como atividade para a sala de aula; ou uma “Pesquisa individual”, que buscaria informações imprescindíveis para o desenvolvimento da Situação de Aprendizagem, pode, devido ao pouco tempo disponível, ser roteirizada em forma de aula exposi- tiva. Nesses casos, o título dessas seções foi mantido, com a sinalização: “modificada”. Como já mencionado, faz-se referência ao Caderno do Professor, seja para a indicação de apro- fundamentos teórico-metodológicos, seja para a indicação de respostas aos exercícios propostos. Esses casos são sinalizados por um ícone especial: “ver caderno do professor”. Critérios de seleção dos conteúdos e das atividades de Língua Portuguesa O presente Caderno contém sugestões de Situações de Aprendizagem e atividades voltadas para o desenvolvimento de habilidades e competências em Língua Portuguesa, de acordo com a Proposta Curricular, a serem apreendidas progressivamente, ao longo dos três termos. Os conteúdos estão organizados em três grandes grupos: a) Leitura, escrita, oralidade, escuta de gêneros textuais (literários, de diferentes épocas, e não literários). Gêneros contemplados: letra de canção, conto, poema, fábula, crônica, cordel, notí- cia, charge, quadrinhos, artigo de opinião, entrevista, reportagem, dissertação escolar, verbete de dicionário, bilhete em ambiente profissional, projeto. b) Funcionamento da língua portuguesa: língua, palavra, interações discursivas; comunicação; literatura e sociedade; variações linguísticas. c) Aspectos formais do uso da língua: pronome, substantivo, adjetivo, verbo, concordância. Lexicografia: uso do dicionário e constituição de sentido no texto. Foram considerados opcionais os estudos da cronologia da história da literatura presentes nos Cadernos do Professor para o Ensino Médio regular. Caso deseje trabalhar com os quadros cronoló- gicos, basta consultar os Cadernos do Professor. Da mesma forma, foram omitidos alguns projetos que contemplam conteúdos já trabalhados em outros momentos e atividades que precisariam ser rea- lizadas fora do espaço escolar. A aplicação dessas e de outras atividades, porém, dependerá de seu interesse e de sua disponibilidade de tempo. Bom trabalho! 11EJA LP EM 9ª prova.indd 11 4/12/10 2:30:23 PM
  12. 12. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - 1o termo Para o 1o termo, foram privilegiadas Situações de Aprendizagem que retomam conteú- dos que devem ser apreendidos progressivamente em Língua Portuguesa, divididos em três grupos. • Gêneros textuais: letra de canção, verbete de dicionário, notícia, poema, crô- nica, fábula, quadrinhos, entrevista, conto. • Funcionamento da língua: língua e variações linguísticas, interações discursi- vas em diferentes gêneros midiáticos, especificidades comuns aos gêneros narrati- vos, o outro na produção e recepção dos gêneros textuais, relação imagem e texto. • Aspectos formais do uso da língua: sujeito da oração e concordância, modo indicativo, adjetivo e constituição de sentido, conjugação verbal, pronome e discurso. orientações para o professor Volume 1 Situação de Aprendizagem 1 Comunicação: palavras no mural Esta Situação de Aprendizagem tem por objetivo fazer que os alunos reconheçam a Língua Por- tuguesa como um espaço em que o indivíduo se constitui pela comunicação, integrando-se na escola e construindo sua identidade. Esse conhecimento é fundamental para desenvolver a habilidade de compreender, analisar e interpretar o sistema simbólico da linguagem verbal, manifesto nos gêneros textuais que materializam as comunicações nas inúmeras situações interativas em que nos colocamos cotidianamente. Para começo de conversa O objetivo das atividades que se seguem é conhecer o que seus alunos já sabem sobre o tema comunicação. O que eles já desenvolveram em anos anteriores? Que necessidades são mais urgentes?   Discussão oral Não deixe de perguntar: • Qual a importância das palavras em sua vida? Como nos comunicamos? Apenas por palavras? 12EJA LP EM 9ª prova.indd 12 4/12/10 2:30:24 PM
  13. 13. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - • Que perigos e benefícios as palavras podem trazer para o dia a dia das pessoas? Qual a impor- tância da palavra na comunicação humana? Audição de canção Considera-se aqui a palavra como base da comunicação e, para refletir sobre ela a partir de um gênero textual presente no universo dos alunos, as letras de canções. Sugerimos Palavras ao vento, de Marisa Monte/Moraes Moreira, cuja letra e referência encontram-se no Caderno do Professor. Pro- videncie a audição da música e, em seguida, peça aos alunos que verifiquem no verbete de dicionário qual das acepções melhor se encaixa na letra de música. Por que a escolheram? Caso tenham dificul- dades, indique a acepção quatro como a correta. Em seguida, oriente-os a resumir a letra em duas ou três sentenças e verifique se conseguiram elaborar uma síntese adequada.   Discussão oral Solicite que discutam em grupo e reflitam, como estratégia de pré-leitura, sobre o título do poema de Drummond que lerão, A palavra mágica.   Leitura e análise de texto Em seguida, leia o poema para a classe, dando a entoação adequada. Seu exemplo de leitor mais experiente é fundamental para o desenvolvimento de habilidades de leitura dos alunos. Proponha que realizem as atividades 1 e 2. Caso não consigam responder à primeira, explique que o adjetivo raro reforça a ideia de que se trata de uma palavra que não é fácil de encontrar. Se não localizarem o verso que reforça o sentido do adjetivo raro, você pode indicar pelo menos dois: “Vou procurá-la a vida inteira” e “procuro sempre”.   Aprendendo a aprender Em seguida, solicite que um aluno se disponha a ler a seção. Promova uma breve discussão sobre o texto.   Discussão oral Aproveitando o momento de discussão, peça que reflitam sobre possíveis semelhanças entre a letra da canção e o poema: ambos são em verso, ambos têm como tema a palavra. Chame a atenção para uma diferença: os versos da canção rimam, os do poema, não. A notícia informativa circula por aí afora... Em seguida peça que leiam o texto da conversa entre Lia e Ana Luísa e resolvam as três atividades seguintes. 13EJA LP EM 9ª prova.indd 13 4/12/10 2:30:24 PM
  14. 14. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - Durante a correção, avalie a aprendizagem. Veja se os alunos conseguem identificar, nas duas primeiras questões, o sentido de transmissão de novidade que ambas as situações de comunicação exigem, mas explique a formalidade da situação em que a notícia CET recomenda que motorista evite a avenida Paulista hoje foi produzida: uma redação de jornal, comprometida com a elaboração de textos noticiosos informativos que respeitem a exatidão dos fatos que desejam transmitir. Ao corrigir a última questão, “Identifique, com um X, (...)”, ressalte a importância da clareza e objetividade que as notícias jornalísticas devem ter. Observe que o gênero notícia jornalística não admite a presença da opinião de quem escreve esse tipo de texto, que as notícias necessariamente são escritas na norma padrão. Observe, também, que há predominância dos verbos no Modo Indi- cativo, uma vez que o uso desse tempo verbal contribui para a constituição do “efeito de verdade” pretendido.   Discussão oral Acompanhe os alunos para verificar se compreenderam que a notícia informa sobre as condições de trânsito de uma grande cidade. O leitor que se desloca nessa grande cidade tem interesse em saber objetivamente como está o trânsito nesse dia. Reforce que todas as notícias têm esse caráter informa- tivo e objetivo, e que os leitores as procuram nos jornais impressos, virtuais ou falados para orientar-se sobre seu cotidiano e sobre grandes questões nacionais ou mundiais. Para complementar esta atividade, você pode, se julgar que há tempo disponível, distribuir alguns jornais para que localizem as notícias e as distingam de algum outro gênero jornalístico, a seu critério. Situação de Aprendizagem 2 Lusofonia – Sim, nós falamos português! Para esta Situação de Aprendizagem, privilegiou-se apenas uma atividade, a discussão sobre varie- dades linguísticas no Brasil.   Você aprendeu? Depois de realizarem a atividade 1, discuta com seus alunos como o português é visto na cultura brasileira. Existe preconceito? Por quê? Comente também as reações locais aos diferentes dialetos e falares do Brasil: por que alguns são considerados superiores a outros? É isso apropriado? O que pode ser feito? Durante a discussão, ressalte a importância de respeitar as variedades linguísticas. Os diferentes acentos e tons que as palavras assumem estão ligados às culturas regionais brasileiras e à história dos povos que as formaram. Todas são formas de expressão legítimas. Aproveite para questionar os alunos sobre usos coloquiais e formais da língua. Em que ocasiões podem ser usadas as formas coloquiais? E quando não podem ser usadas? É correto escrever e-mails 14EJA LP EM 9ª prova.indd 14 4/12/10 2:30:25 PM
  15. 15. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - em “internetês”? E usar essa linguagem em sites de relacionamento? Para enriquecer a discussão, peça exemplos, mas oriente-os a não serem preconceituosos. Explique que há ocasiões mais formais em que é preciso usar a norma-padrão. É o caso da escrita de textos informativos, como a notícia, ou expositivos, como os que comumente encontramos em materiais didáticos. Também é o caso da elaboração de respostas para questões escolares e redação de textos escolares de caráter expositivo ou informativo. Situação de Aprendizagem 3 Você está na mídia? Esta Situação de Aprendizagem tem por objetivo fazer que os alunos relacionem o estudo da língua portuguesa ao seu uso no cotidiano social, em particular no que diz respeito ao fenômeno da mídia. Sondagem É possível que alguns alunos não conheçam a letra da música Televisão (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto), mas ela é ótima para iniciar a sondagem sobre o que é mídia e seus efeitos em nossa sociedade atual. Como ela não está reproduzida no Caderno do Aluno, você precisará pro- videnciar sua audição para a classe.   Leitura e análise de texto Assuma um controle médio no processo de interpretação dessa letra de música. Inicialmente, diga-lhes que acompanharão uma letra de música que faz críticas à televisão. Desse modo, você iden- tifica o tema do texto. Depois da audição da canção, diga que ela se refere a um programa cômico de televisão, em que a personagem Pacífico, um matuto ingênuo vivido pelo comediante Ronald Golias, já falecido, tinha esse bordão, “Ô Cride, fala pra mãe”. Muitas pessoas repetiam esse bordão a toda hora. Repetir bordões criados pela mídia é fato comum em nossos dias. Apesar de mais antiga, a letra da canção continua uma crítica válida, pois relaciona a “burrice” a quem repete os bordões da mídia sem pensar. Questione os alunos sobre bordões atuais que são repetidos de forma automatizada e pergunte sobre os efeitos dessa atitude. A seguir, discuta com a classe sobre qual é a estrutura comum às letras de música e quais podem ser seus objetivos em relação ao público. Desse modo, você estabelece a estrutura e o objetivo do texto, transferindo a responsabilidade de identificar a função crítica de algumas canções, a român- tica ou melancólica de outras e a massificadora de muitas para os próprios alunos. Na discussão, interrompa para auxiliá-los a identificar as diversas funções das letras de música e estabelecer um pensamento crítico sobre as que têm propósitos de massificação. Discuta, ainda, se as músicas que acompanham as letras contribuem ou não para reforçar seu sentido e sua função. Peça que deem exemplos. 15EJA LP EM 9ª prova.indd 15 4/12/10 2:30:25 PM
  16. 16. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - Em seguida, solicite que realizem a atividade 2. Ao comentar a resposta de a, lembre que a relação entre televisão e mídia é que a TV é uma parte da mídia. Para a resposta de b, comente que o uso de palavras mais formais certamente quebraria o tom informal da canção, que se refere a um programa cômico e à ligeireza desse gênero televisivo. ADA   Lição de casa  IFIC MOD Recapitulação gramatical: sujeito e concordância Para retomar a relação entre sujeito da oração e concordância, relembre os conceitos de sujeito e oração. Também procure relembrar, por meio de breve discussão, questões de concordância entre sujeito e pessoas do verbo. Ao revisar as respostas da atividade 1, confira se responderam conforme a sugestão a seguir: a) Um grupo de alunos fez o trabalho. b) Os maiores responsáveis somos nós. c) O professor e os alunos visitaram o museu. d) Daqui a pouco aparecerão no horizonte o sol e os barquinhos. e) Um ou outro fazia a lição de casa. f) Cada folha, cada livro e cada prova virou pó. Antes de realizarem a atividade 2, relembre-os, em discussão, dos tempos do Modo Indicativo, especialmente do Pretérito Perfeito e do Pretérito Imperfeito, dizendo que se referem ao passado, salientando as diferenças entre os dois. Diga que o Imperfeito, quando nos recordamos do passado, é usado para indicar ações do cotidiano que se repetem, ou seja, ações costumeiras no passado ou fatos reais cuja ação foi iniciada no passado, mas não foi concluída: Eu vivia na casa dela; Minha mãe sem- pre falava; Eu gostava daquele programa de TV. Em oposição, explique que o Perfeito é usado, quando nos recordamos do passado, para indicar ações concluídas Quando caí, quebrei a perna. No programa de ontem, o radialista comentou o jogo. Depois, confira se os alunos utilizaram corretamente o Pretérito Perfeito: a) Uma quantidade de moedas caiu ao chão. b) A maioria dos alunos estudou para a prova. c) Pedro e suas filhas foram ao circo. d) Ainda não chegaram o diretor e a professora de Arte. e) Votaram não só Paulo, como também sua esposa. 16EJA LP EM 9ª prova.indd 16 4/12/10 2:30:26 PM
  17. 17. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - Situação de Aprendizagem 4 A história da língua portuguesa A língua portuguesa é tratada nesta Situação de Aprendizagem como patrimônio cultural da comunidade lusófona. Suas diferentes manifestações históricas legitimam as identidades sociais e possibilitam a recuperação do imaginário coletivo produzido pelo uso comum da língua.   Discussão oral Para iniciar, proponha que façam a “Discussão oral”. Durante a discussão, ressalte a ligação linguística histórica entre Brasil e Portugal. Não deixe de lembrar os demais países que falam a lín- gua portuguesa, além de Portugal e do Brasil, e indicá-los no mapa ou globo que trouxer: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.   Leitura e análise de texto Mar português Em seguida, peça a algum dos alunos que se disponha a ler o poema enquanto os demais acom- panham. Depois, solicite que expliquem o que entenderam do poema, e façam relação com a discus- são oral inicial. Quais versos indicam essa relação? Para continuar, peça que façam as seguintes atividades: • Com a orientação do professor, faça a leitura oral do poema; • Relacione o poema com o texto expositivo (...): • Observe: “Ó mar salgado, quanto do teu sal Ó mar, quanto do teu sal (...)”. Para a segunda atividade proposta, peça-lhes que lembrem o texto expositivo de História, já estu- dado por eles em ocasiões anteriores, que descreve as navegações portuguesas que resultaram na che- gada ao Brasil. Confira as respostas para ver se atendem às sugeridas: • O poema se refere à expansão marítima portuguesa nos séculos XV e XVI. • A correta é a alternativa a. Ela se refere às respostas I e II, que aproximam as ideias de mar e sal. a) O comentário é correto, pois o poema se refere à vontade divina expressa nos dois últimos versos: somente os que enfrentaram os perigos do mar podem chegar ao céu. 17EJA LP EM 9ª prova.indd 17 4/12/10 2:30:26 PM
  18. 18. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 1 - b) As dores a que se refere o poema são as de mães que choraram, de filhos que rezaram em vão, de moças que ficaram sem casar com aqueles que partiram para o alto-mar e não regressaram. c) A pergunta “Valeu a pena?” refere-se, por um lado, às navegações portuguesas e à expansão do império português na América, África e Ásia. Por outro lado, pode referir-se à necessidade pes- soal de enfrentar desafios para crescer. d) “Mar” é uma expressão carregada de diferentes sentidos simbólicos. Pode também simbolizar qualquer desafio humano, sobretudo aqueles trazidos pelo perigo da dor e da morte, sejam eles os que indicam o período final da existência humana, sejam eles os que indicam a “morte” de situações que se extinguem, como, por exemplo, um caso de amor. Mas, no poema, especifica- mente, o mar representa a verdadeira herança de Portugal: vencê-lo significa que a obstinação de seu povo é o caminho para vencer as dificuldades da vida. E ninguém chega mais perto de Deus do que aqueles que passam por grandes desafios sem esmorecer.   Discussão oral Discuta os sentidos igualmente simbólicos que a palavra alma pode assumir, especialmente nos campos filosóficos, espirituais e poéticos. Compare a expressão “alma pequena”, indicadora de pouca generosidade, com “grande alma”, que indica pessoa generosa, corajosa e sincera. ADA Produção escrita  MOD IFIC Para finalizar esta Situação, peça aos alunos que escrevam um pequeno texto que sintetize o que aprenderam sobre a língua portuguesa ao longo dessas primeiras Situações de Aprendizagem. Peça que utilizem, para escrevê-lo, as orientações da seção “Você aprendeu?”, que está ao final da Situação de Aprendizagem 1, adaptando-as para o tema agora proposto, a importância da língua portuguesa na vida de cada um. Você também deverá proceder de acordo com as instruções dessa atividade, acompanhando o trabalho das duplas. Ao final, recolha os textos para fazer suas observações. Devolva-os aos alunos e peça que guardem para futuras comparações com outros textos que produzirem. 18EJA LP EM 9ª prova.indd 18 4/12/10 2:30:26 PM
  19. 19. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 2 - orientações para o professor Volume 2 Situação de Aprendizagem 1 Exposição de fotojornalismo “O sabor da língua portuguesa” Nesta Situação de Aprendizagem será privilegiado o estudo do gênero notícia jornalística, reto- mando e ampliando o proposto anteriormente sobre interações discursivas em diferentes gêneros midiáticos.   Leitura e análise de texto Flashes da História Inicialmente, questione os alunos sobre o conhecimento que já possuem sobre o gênero notícia. Lembre que estudaram o gênero recentemente e que neste momento aprofundarão o assunto: • refletindo sobre a situação de comunicação que dá origem ao gênero; • analisando as partes que compõem a estrutura habitual das notícias. Retome brevemente a discussão sobre os portadores habituais das notícias, isto é, os espaços em que costumam circular: jornais impressos, televisivos, de rádio e virtuais. Em seguida, questione-os sobre a situação de comunicação em que o gênero é produzido. De um lado, está um público leitor ansioso por novidades que permitam o acompanhamento do cotidiano do lugar onde vive e dos espaços mais amplos e distantes, como o país e o mundo; de outro, estão empresas jornalísticas locais e mundiais que produzem as notícias visando a esse público. Lembre-os de que há agências internacionais que produzem notícias que são traduzidas em diferentes idiomas e circulam, de forma quase idêntica, nos diferentes jornais. Ressalte a brevidade da existência das notícias: elas só interessam enquanto o fato que trazem é novidade. Por isso, logo são substituídas por outras, já que as antigas deixam de cumprir sua função: atrair o público com a publicação de novidades. Retome a escrita da notícia: precisa ser clara, objetiva, coerente com os fatos que veicula. Diga que há repórteres que buscam as notícias e as escrevem, dando a elas uma primeira forma, mas que nos jornais há editores que as revisam e adaptam a linguagem ao estilo do jornal escrito ou falado em que serão publicadas. Passe para as questões que antecedem a notícia, explorando as palavras que compõem o título para favorecer a antecipação de conteúdos que ele suscita. Conhecem a palavra flash, que vem do inglês? O que ela quer dizer? Espere que respondam e, se não conseguirem, dê os possíveis significados e peça 19EJA LP EM 9ª prova.indd 19 4/12/10 2:30:26 PM
  20. 20. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 2 - que escolham o mais provável: relâmpago; brilho; instante, momento; inspiração; notícia prévia e resu- mida; esguicho; flash (fotografia). Em seguida, peça que diferentes alunos leiam o texto, cada um assumindo um parágrafo. Ao final do primeiro parágrafo, verifique com a turma se há confirmação das hipóteses levantadas, associando a palavra flash à palavra fotografia e à expressão exposição fotográfica. Explore o conteúdo dos dois primeiros parágrafos que constituem o lide desta notícia, trazendo o fato noticiado, onde e quando acontecerá. Ao longo da leitura, indague se os parágrafos retomam o lide e o explicam e se a lingua- gem é clara e objetiva.   Aprendendo a aprender Ao final, peça que, em duplas, leiam a seção e respondam à questão 3. Não deverão encontrar dificuldades, já que o texto foi explorado durante a leitura. No entanto, seu acompanhamento do trabalho das duplas é fundamental. Verifique se atingiram o esperado: a) O termo flash tanto faz referência à fotografia – muitas vezes tirada com o recurso do flash – como, em sentido figurado, a episódios da história do esporte registrados em flagrante. b) Pelé e Michael Jordan, considerados por muitos como os melhores atletas de todos os tempos em suas modalidades: um, brasileiro, outro, estado-unidense. c) Introduz a proposta da exposição anunciada. d) Uma mostra ocorre na Galeria Olido a partir do dia dez. Não se menciona o mês, o que nos faz pensar que ela deve acontecer no momento em que o texto circulou em sociedade, tempo verificável pela referência ao final do texto. e) Fornece uma descrição do evento. O uso do Presente do Indicativo Depois de revista a atividade 3, peça que, ainda em duplas, retornem ao texto da notícia e subli- nhem os verbos que nela aparecem. Peça que identifiquem o tempo e o modo mais frequentes. Na sequência, oriente-os para a realização da atividade sobre verbos desta primeira Situação de Aprendi- zagem. Demonstre que a atividade não sugere uma memorização do tempo presente, mas que explica como seu uso na notícia pode aproximar o leitor do fato noticiado e que, além disso, indica usos pos- síveis do tempo verbal em outras circunstâncias. Faça a verificação dos acertos: 1. Alternativa d. 2. Alternativa a. 3. Sequência b, a, c. Para finalizar, verifique, levantando questões, se compreenderam as características do gênero notícia, incluindo o uso dos verbos no Modo Indicativo. 20EJA LP EM 9ª prova.indd 20 4/12/10 2:30:27 PM
  21. 21. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 2 - Situação de Aprendizagem 3 Quando as palavras resolvem fazer arte! Nesta Situação de Aprendizagem será privilegiado o estudo do gênero crônica, retomando e ampliando o que os alunos conhecem sobre gêneros literários narrativos. Você pode, se considerar per- tinente, aprofundar conhecimentos sobre o gênero em estudo recorrendo ao Caderno do Professor. DA   Lição de casa  IFICA MOD A literatura e a sociedade Comece o trabalho com uma discussão em classe sobre o conceito de literatura. Verifique se já leram crônicas, poemas, contos, romances ou narrativas especialmente escritas para o público juvenil. Pergunte se encontram diferenças entre esses gêneros e a notícia que acabaram de ler e analisar. Se não souberem, indique as diferenças principais entre dois grupos maiores de gêneros: os literários e os não literários. Explique que os primeiros são produtos da ficção, enquanto os segundos se atêm a fatos reais; que os primeiros são objetos de um fazer artístico, isto é, seus autores usam arte e subjetividade para construir suas obras, que não são obrigatoriamente claras; os segundos são objetivos e devem ser claros o suficiente para serem entendidos com rapidez. Complete essa explicação inicial propondo que reflitam sobre algum gênero literário que leram: a leitura provocou a imaginação? Despertou sentimentos? Trouxe prazer? Provocou desconforto? Lite- ratura e arte são sinônimos de beleza? Em seguida, passe à leitura do texto. Desta vez, peça a colaboração da classe para a leitura pará- grafo a parágrafo, mas, ao final de cada um deles, explique o que quer dizer e pergunte se seu con­ teúdo ficou claro para todos.   Leitura e análise de texto O padeiro Em duplas, peça que leiam a crônica O padeiro, de Rubem Braga. Depois da leitura, verifique se responderam afirmativamente se a crônica é uma obra literária. Confirme a resposta afirmativa, dizendo que o gênero se caracteriza por representar um olhar diferenciado do autor, em que se reve- lam reflexões críticas e poéticas sobre aspectos do comportamento humano. Na sequência, oriente-os para responder à pergunta sobre textos narrativos que segue a crônica. Explique que os elementos encontrados na crônica (personagens, tempo, espaço, conflito, resolução) são comuns a todos os gêne- ros narrativos literários e que, portanto, serão encontrados em contos, romances, cordéis. Depois, verifique as respostas à questão 2: 2. Personagens: narrador e padeiro; acontecimento: lembrança do diálogo entre o narrador e o padeiro, a partir da expressão em que a personagem diz que não é ninguém, e sim o padeiro; lugar: casa do narrador; tempo: tempo atual, em que o narrador rememora o passado; reflexão sobre o comportamento humano: o valor da humildade no exercício profissional. 21EJA LP EM 9ª prova.indd 21 4/12/10 2:30:27 PM
  22. 22. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 2 -   Aprendendo a aprender Destaque o caráter ficcional dos gêneros literários. Atividades Retome as atividades de 3 a 8, solicitando que as façam em pequenos grupos. Oriente-os para que, antes de respondê-las por escrito, discutam as respostas prováveis e compartilhem com a classe. A cada resposta trazida pelos grupos formule uma resposta correta, que será anotada por todos. Veri- fique as respostas: 3. Pessoal, mas deve conter ideias objetivas e adequadas sobre o conceito de literatura. 4. O narrador parece ser uma pessoa mais velha que relembra o passado enquanto toma um café. 5. Falas em que o autor usa o verbo no passado “era”, “estariam” ou expressões como “naquele tempo”. 6. Rubem Braga, como cronista exemplar, apresenta a vida do narrador a partir da rotina (esses são, em geral, os temas das crônicas) que é quebrada por um fato singular. A partir do fato, o cronista faz uma reflexão sobre a existência humana. 7. Alternativa e. 8. Levando em conta que a crônica é um texto literário, comente com seus alunos que ela se carac- teriza por representar um olhar diferenciado do autor, em que se revelam reflexões críticas e até poéticas sobre aspectos do comportamento humano em situações corriqueiras do dia a dia. As mais diversas realidades, subjetivas e sociais, são apresentadas ao leitor pelo filtro da sensibili- dade e da arte. DA   Lição de casa  IFICA MOD Em seguida, peça que resolvam, individualmente, a seção “Lição de casa” como atividade de classe. Apresente as respostas corretas ao final: 1. A crônica é sempre um relato literário do tempo atual. Como esses relatos são registros do modo de viver de uma época, podemos ligar o gênero à marcação do tempo. 2. Uma das características definidoras da crônica é seu caráter atual: fatos atuais são apresentados ao leitor com linguagem literária, representando um olhar diferenciado e artístico do autor sobre o comportamento humano da época em que vive. 3. Não é importante saber se os fatos narrados na crônica são reais, uma vez que ela é um gênero lite- rário, revelador de aspectos universais, ou seja, sempre presentes, da humanidade e da sociedade. 22EJA LP EM 9ª prova.indd 22 4/12/10 2:30:28 PM
  23. 23. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 2 - Professor: se considerar que há tempo, peça que leiam, também individualmente, a crônica Futebol, quantas alegrias me trouxe, de Urda Alice Klueger.   Você aprendeu? Para finalizar, solicite que leiam a seção “Você aprendeu?” desta Situação de Aprendizagem e que, em duplas, escrevam uma crônica. Na escrita em dupla é importante que os dois discutam, mas que apenas um redija o texto. Chame atenção para este fato, para a necessidade de planejamento anterior à escrita (respeitando as características da crônica) e de revisão posterior. As revisões serão feitas pelos colegas e por você, de acordo com as características do gênero já estudadas. Explique que este é um procedimento comum nas produções escritas que serão publicadas: elas passam por várias revisões e acertos antes de serem divulgadas. Depois de finalizados os textos, peça que comparem com a escrita produzida anteriormente para verificar progressos e atitudes de escrita que ainda precisam ser aperfeiçoadas. Situação de Aprendizagem 4 Um, dois, três... ação! Nesta Situação de Aprendizagem será privilegiado o estudo do gênero narrativo fábula, reto- mando e ampliando o que os alunos já aprenderam sobre gêneros literários narrativos na Situação de Aprendizagem anterior. A fábula Antes de ler, discuta oralmente as finalidades da leitura de gêneros narrativos. Compare essas finalidades com as de alguns gêneros não narrativos, como um fôlder, um comunicado da direção da escola, uma reportagem televisiva. Depois, foque a discussão no gênero fábula, questionando a classe: alguém já leu uma narrativa do gênero fábula? Qual foi? Que diferenças pode haver entre uma fábula e uma crônica?   Leitura e análise de texto A toupeira Após a discussão, como a fábula é um texto narrativo breve, peça que um dos alunos se disponha a lê-lo. Ao final, retome com a classe as características da fábula: explique que esse gênero tem mais de mil anos e que as fábulas são narrativas que se propõem a aconselhar, ensinar algo ou levar os leitores a criticar um fato. Isso é feito por meio da apresentação de uma cena que sirva de exemplo, o que se evidencia na moral que encerra os textos do gênero. Diga que dois dos principais fabulistas foram 23EJA LP EM 9ª prova.indd 23 4/12/10 2:30:28 PM
  24. 24. Língua Portuguesa – 1º termo  Volume 2 - Esopo, que viveu na Grécia Antiga, e La Fontaine, um francês que viveu no século XVII, que recriou as fábulas de Esopo e criou outras. Para completar essa explicação, discuta a moral da fábula que leram: o que ela quer dizer? Deixe que apresentem diferentes significados possíveis. Depois, peça que apliquem a moral a um aconteci- mento político ou social recente. Na sequência, devem realizar as atividades 1, 2, 3 e 4. Verifique a adequação das respostas. 1. É importante que o leitor saiba que as toupeiras são conhecidas por enxergarem mal. São animais que vivem em tocas subterrâneas. Também é preciso saber que o incenso exala um aroma forte. 2. O erro da filha toupeira consistiu em, além de não enxergar, não ter sentido o aroma do incenso. 3. A moral relaciona a jovem toupeira aos impostores que tentam enganar os outros. No caso, a filha impostora é desmascarada por não ter sentido o aroma do incenso. Muitos impostores agem da mesma forma: tentam enganar, mas esquecem um detalhe que os desmascara. 4. a) Fábula. b) Crônica. c) Crônica. d) Fábula. Produção escrita Para finalizar o estudo da fábula, peça que, individualmente, escrevam uma fábula curta sobre um acontecimento político ou social recente. Recolha as escritas e faça observações. Ao devolvê-las peça que reescrevam de acordo com o que você orientou. 24EJA LP EM 9ª prova.indd 24 4/12/10 2:30:28 PM

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