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Estágio transdisciplinar em artes

  1. 1. A LINGUAGEM TEATRAL NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS: UMA EXPERIENCIA CRIATIVA E TRANSDISCIPLINAR NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR. Vandeilton Trindade Santana Pedagogo - UNEB Pós-Graduando no Curso de Especialização em Gestão Educacional Latu Senso – UESB Wander.sam@gmail.com INTRODUÇÃO Este artigo é fruto de uma experiência da disciplina Estágio em Espaços Não Formais do curso de pedagogia. Foi uma experiência que abordou o teatro como uma forma de linguagem, e ao mesmo tempo refletir na formação do docente no que tange essa linguagem. Procuramos fazer breves reflexões acerca da transdisciplinaridade, como forma de vislumbrar no currículo uma maneira inovadora do pensar e fazer pedagógico na perspectiva de despertar no educador uma forma de educar, além dos conteúdos programáticos, utilizando uma linguagem diversa e multirreferencial no sistema educacional. Importante ressaltar, que o teatro, é uma forma de comunicação, representada pelo sistema de signo, ou seja, é uma representação do pensamento, estabilizada como um produto significante. Nela contém variáveis que a expressão, o pensamento, a fala busca transmitir. A linguagem ela é carregada de emoção. Falar da linguagem do teatro de forma peculiar, nos permite dizer que, o teatro é uma das formas artísticas que promove ao sujeito reconhecer a si mesmo, antes de ser uma imitação da realidade. O teatro permite aos indivíduos ultrapassar os bloqueios gerados pelas nossas crenças e refletir a respeito da realidade, bem como, o seu papel no contexto em que está inserido. Desse modo, a representação arranjada, proposta pela atividade teatral proporciona aos espect- atores um diálogo aberto, sem preocupação com uma estrutura de linguagem científica. Desse modo, trazer o teatro para o chão da escola é procurar superar a fragmentação do saber, de forma que a transdisciplinaridade possa trazer para o ensino uma versão inovadora e multirreferencial do pensar e fazer pedagógico. Romper com a visão do
  2. 2. currículo tradicional tem sido uma questão desafiadora. Desafios que os docentes, gestores tem enfrentando, por se tratar de temas referentes a transformação, poder e identidade. Assim, visando uma atuação crítico-reflexiva, tanto dos educadores quanto dos alunos, propomos trabalhar o teatro dentro da comunidade Novo Horizonte, no município de Valença/BA. Ter a linguagem teatral nos espaços educativos, converge para um modelo de educação que muitas vezes, não estamos acostumados a lidar com esse recurso, pois é um recurso típico da arte. A arte nem sempre foi discutida e vivida nos espaços educativos como ferramenta constituinte do seio educacional. Nela está contida o teatro, na qual o mesmo, não é trabalhado de forma concisa nos espaços educativos. É através da arte, do teatro que as emoções são transmitidas, por isso que numa sociedade de oprimidos e opressores, a arte é censurada como recurso desbravador, por estas razoes e tantas outras, que vive-se num dilema onde a arte é deixada de lado, primeiro por que a ciência, não reconhece a arte como ciência. Isto posto, nota-se que a arte é usada como porta voz, no sentido de suscitar reflexões acerca de como compreendermos a cultura do outro, a identidade, bem como os problemas sociais que afligem os sujeitos. Como dito antes, a arte, além de transmitir as emoções que corroem nosso ser, ela esbanja características suscetíveis a realidade do sujeito. A LINGUAGEM TEATRAL NA COMUNIDADE NOVO HORIZONTE: DIVERSAO OU EDUCAÇÃO? Partindo dos eixos temáticos que o Projeto de Ação intitulado Teatro, reflexão e educação para a vida, do componente curricular Pesquisa e Estágio em Espaços Não Formais, desenvolvido na comunidade Novo Horizonte, no município de Valença, Bahia, procuramos trabalhar a arte, em especial o teatro como recurso educativo com as crianças. Uma comunidade carente, localizada numa das zonas periféricas da cidade, onde a população vive a margem da sociedade, é pertinente um olhar cuidadoso. Ali, diante dos inúmeros problemas sociais que nós deparamos trabalhar a arte foi muito significante. Pois podemos observar que a linguagem expressada nas peças teatrais, estão carregadas de expressões, sentimentos, emoções.
  3. 3. Precisamos, sim, aprender a pensar a partir de outra lógica, aprender a sentir a partir do que acontece em outros níveis de realidade, aprende a dialogar com as emergências, a questionar nossas estruturas de pensamento, nossos sentimentos e emoções decorrentes[...]. [...] o conhecimento transdisciplinar, produto de uma tessitura complexa, dialógica, recursiva e auto-eco-organizadora, é tecido nos interstícios, nas tramas, na intersubjetividade, nos meandros da pluralidade de percepções e significados emergentes [...]. (MORAES, 2010, p.12). Nessa tessitura, é pertinente vincular a reflexão trazida por Moraes (2010) a linguagem do teatro do oprimido trazida por Boal (1998) nos instigou um olhar promissor no trabalhar a arte na comunidade. Ainda de acordo a Boal, o teatro do oprimido pretende transformar o espectador, que assume uma forma passiva diante do teatro aristotélico, com o recurso da quarta parede, em sujeito atuante, transformador da ação dramática que lhe é apresentada, de forma que ele mesmo, espectador, passe a protagonista e transformador da ação dramática. Nesta perspectiva, nasce a inquietação: Diante do que vivenciamos na comunidade citada acima e das atividades desenvolvidas com as crianças, a linguagem teatral foi trabalhada como método educativo. Neste sentido, questionamos até que ponto a linguagem teatral vivenciada por nós, enquanto pedagogos, bem como pelas crianças desta comunidade foi uma educação ou uma diversão?Pois, não é uma prática comum nas escolas. Partindo dessa, refletimos que é preciso romper com esse paradigma, e trabalhar numa perspectiva transdisciplinar. Assim, A transdisciplinaridade, mesmo quando pautada na noção de racionalidade aberta, mantém como um dos seus pressupostos básicos a crença de que o conhecimento é um todo integrado e de que é possível uma percepção totalizante da realidade. (FRÓES, FAGUNDES, 2001, p.42) Em linhas gerais, para nós enquanto pedagogos, pudemos perceber que de fato aconteceu uma ação educativa. Ali, onde foram desenvolvidas as atividades, de diagnostico da comunidade, estudo de caso das crianças, criação da peça, montagem do roteiro, ensaios, até o produto final que foi a apresentação, implicou em princípios pedagógicos, no que se refere a nossa atuação nos espaços não formais. O estágio enquanto peça fundamental da nossa formação nos permite comungar do que diz Selma Garrido Pimenta:
  4. 4. É necessário, pois, que as atividades desenvolvidas no decorrer do curso de formação considerem o estagio como um espaço privilegiado de questionamento e investigação. (PIMENTA 2004, p.112). Desse modo, o estágio nos proporcionou a ter um olhar mais crítico no que tange ao processo de investigação da própria comunidade, como também das crianças que nós trabalhamos. Fazendo paralelo com as leituras e discussões em sala de aula, pudemos perceber um melhor entendimento das nossas ações no campo de estágio em espaços não formais. Trabalhar a arte, em especial o teatro, num espaço não formal, é uma proposta desafiadora, pois exige de nós enquanto pedagogos, um autocontrole. É importante lembrar que a arte envolve emoção, logo, o nosso olhar emotivo, não pode coibir a real proposta do trabalho, que é de ser imparcial diante das historias contadas pelas crianças da comunidade, com o objetivo de despertar nas crianças sua capacidade de observação, percepção, imaginação e aptidões da realidade. Outro fator relevante, no que se refere a nossa atuação enquanto pedagogo, nos espaços da arte, trata-se da sensibilidade, como assevera Miguel Almir: Compreendo o educar como ação que se descortina nas mais diversas instancias de nosso estar-sendo-no-mundo-com-os-outros, desde as esferas mais institucionais e formais como a Família, a Escola, as Igrejas, as Associações, as ONGs, etc. (...) (...) esses processos formativos de iniciação são chamados de ação de educar – de educação. (ARAÚJO, 2008, p.189 e 190). Toda arte é expressão, seja ela teatro, musica, pintura, cinema, etc. É uma forma de expressão concreta. Partindo desse pressuposto, a atividade desenvolvida na comunidade do Novo Horizonte, foi especificamente o teatro. Trabalhar teatro, com essas crianças perpassou por uma série de dificuldades, desde o espaço físico, até a apresentação da peça. De acordo a escuta das historias das crianças, pôde-se notar múltiplas linguagens usadas naquela comunidade, bem como a dualidade dos sentidos que são empregadas. Se tratando de ação educativa, o teatro serviu como método de exercitar nas crianças uma linguagem local, advinda do seu cotidiano. Podemos afirmar que de fato, houve uma educação. Vale lembrar que as brincadeiras/dinâmicas, eram utilizadas como mecanismo de integração. Procuramos oferecer para elas oportunidades de liberdade e respeito, levando em consideração o nível de desenvolvimento de cada uma delas, como discorre Ricardo Japiassu: Entender a arte como pensament(o)ação é concebê-la como modalidade complexa de conhecimento, que articula a cognição, a afetividade e a
  5. 5. pscicomotricidade do sujeito de modo holístico ou integral.(...) é uma modalidade de pensamento não-verbalizado e sua expressão constitui linguagem não-intelectual.( JAPIASSU, 2007, p.141 e 143). O apontamento feito por Japiassu no que refere à arte, nos faz refletir que a linguagem teatral é uma ferramenta que possibilita atrelar as relações, sejam elas, pessoais, sociais, aos conhecimentos prévios dos sujeitos. Exercitar a expressão corporal, a espontaneidade e a criatividade nas crianças, facilita o desenvolver das aprendizagens das técnicas através da linguagem não-verbal. Assim, a atividade lúdica uma vez executada de forma significativa favorece a lembrança dos conhecimentos adquiridos pelos indivíduos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. É importante ressaltar que a atividade lúdica, só será eficaz se for trabalhada com o intuito de divertir e consequentemente instruir. A aprendizagem dos indivíduos é o foco principal dos educadores e das instituições de ensino em geral, o lúdico tem o preceito de oferecer oportunidade de um aprendizado significativo e prazeroso, possibilitando aos indivíduos o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para o convívio social. Neste sentindo, Olga Reverbel assevera: A arte é uma das coisas que, como a terra, o ar, está ao redor de nós, em toda a parte, mas que raramente nos detemos a considerar. A arte não é simplesmente o que encontramos nos museus e galerias, ou em cidades como Florença e Roma. Como quer que a definimos, a arte está em tudo o que fazemos para agradar nossos sentidos.( REVERBEL:1989,p. 21). De acordo com o pensamento de Boal, o teatro do oprimido, traz reflexões acerca da superação da condição de opressor/oprimido, levando o desenvolvimento de como entender os processos de libertação humana, a partir do instante em que se conhece o que liberta ou escraviza, para então ultrapassar essa condição de dominados e passa a serem sujeitos da própria história, através da crítica, para chegar à emancipação. Emancipar-se requer do individuo, uma valorização do “eu”, do “outro”, e do meio na qual está inserido. Somos confrontados por uma gama de diferentes identidades (cada qual nos fazendo apelos, ou melhor, fazendo apelos a diferentes partes de nós), dentre as quais parece possível fazer uma escolha. (...) é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural. (HALL, 2006, p.74 e 75). O autor vem trazendo uma abordagem em que converge com a realidade atual. Vê-se, que o fato de emancipar-se não está somente no olhar singular, mas ponderar, respeitar as diferenças do outro. Assim o teatro, facilita a integração dos sujeitos
  6. 6. participante, na ótica de valorização do conhecimento do outro. Vale salientar que de uma forma indireta as emoções apresentadas na linguagem do teatro nos permite pontuar que as ações ali desenvolvidas foram fundamentais para a concretização da realização do projeto “Teatro, reflexão e educação para a vida”. Desenvolvido na comunidade Novo Horizonte. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Em linhas gerais, podemos tecer algumas considerações decorrentes das discussões aqui abordadas. É válido afirmar que a linguagem teatral nos espaços educativos, desenvolvida na comunidade Novo Horizonte, foi uma experiência que contribuiu para a valorização da arte, além de responder aos nossos questionamentos, quanto ao real sentido da linguagem teatral, tendo como base o teatro do oprimido, este que nos deu vazão para trabalharmos com os alunos os problemas da comunidade na condição de oprimido e opressores. Sob esse tripé, a transdisciplinaridade nos fez refletir que é possível trabalhar as multirreferencialidades dentro do contexto educacional. Observamos também, que a formação do educador é um ponto crucial nesse caminhar. A necessidade da atuação de professores críticos-reflexivos, é preciso nos processos ensino-aprendizagem. Romper com a transmissão de conhecimentos e dialogar com uma educação inovadora, capaz de elucidar um currículo reflexivo, transdisciplinar. Desse modo enxergamos possíveis alternativas para se construir um currículo que atenda as reais mudanças no campo social, epistemológicos, filosóficos da educação. Cabe afirmar que a linguagem teatral vai além da diversão, pois o processo de aprendizagem perpassa além dos muros escolares, o conhecimento se deu a partir das experiências desenvolvidas a partir da realidade local. Sendo assim, a linguagem teatral desperta nos indivíduos a reconstrução de si mesmo, reconhecendo seu papel dentro da comunidade, na busca de possíveis mudanças. REFERENCIAS
  7. 7. ARAUJO, Miguel Almir Lima de. Os sentidos da sensibilidade: sua fruição no fenômeno do educar. Salvador: EDUFBA, 2008. BURNHAM, Teresinha Fróes. FAGUNDES, Norma Carapiá. Transdisciplinaridade, Multirreferencialidade e Currículo. Salvador. Revista da FACED. nº 05. 2001. CANDIDA. Maria. Transdisciplinaridade e Educação. Distrito Federal. Rizoma Freiriano. n.06. 2010. HALL,Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade; tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro – 11 ed. – Rio de Janeiro:DP&A, 2006. JAPIASSU, Ricardo. A linguagem teatral na escola: Pesquisa, docência e prática pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2007. REVERBEL, Olga. Um caminho do teatro na escola. São Paulo. Scipione, 1989. VYGOTSKY, Lev Semenovich. Psicologia da arte; tradução Paulo Bezerra. – São Paulo: Martins Fontes, 1999. CARNEIRO,Flavio Martins. Leitura e Linguagens. In: YUNES, Eliana. Pensar a leitura: complexidade. Rio de Janeiro:Editora PUC- RIO; São Paulo:Loola,2002. VAL, Maria das Graças & ROCHA, Gladys . (Orgs.) Reflexões sobre práticas escolares de produção de texto: o sujeito autor. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

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