O resgate

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O resgate

  1. 1. O Resgate IManuela viaja com Solano em busca do pai dele. Amélia fica sozinha com Maxna fazenda, e se sente cada vez mais sufocada.É final de tarde. Amélia está saindo de casa quando Max aparece:- Aonde vais a essa hora?- Ver meu filho. Ou será que não posso?- Amélia... não penses que me engana.- Não sei do que você está falando.- Não estás usando teu próprio filho como desculpa para encontrar com outrohomem?Amélia acaba explodindo:- É ruim, não é, Max, pensar que eu posso amar outro? Agora você pode teralguma ideia de como me senti vendo você chorar pelos cantos dessa casa porcausa da Antoninha? Que moral você tem para me cobrar alguma coisa?- Mas que atrevimento é esse? Tu és minha mulher e me deve respeito!- Se quer respeito tem que fazer por merecer.Max segura o braço de Amélia e pergunta:- Onde andas arrumando estas ideias?- Não lhe interessa. Me solta - pede Amélia, assustada mas tentando se manterfirme.- Tu não vais sair - avisa ele, em tom ameaçador.- Você enlouqueceu?Max não responde, sai arrastando Amélia escada acima e a tranca no quarto.Durante todo o trajeto, Amélia pede que ele a solte. Antes de sair, Max pega ocelular dela.- Vais ficar aqui, para pensar no que andas fazendo.Amélia corre para a porta tentando fugir, mas Max a empurra com força,fazendo ela cair no chão. Ele sai e tranca a porta. Amélia chora, ainda no chão.Max desce e orienta Lurdinha:- Minha mulher não pode sair do quarto em hipótese nenhuma, ouviste? Eumesmo vou levar alguma comida para ela. E se tu a ajudares a fugir, ou levaralguma coisa até ela, estás no olho da rua. Entendeste direitinho, não é?- Sim, seu Max - responde Lurdinha com os olhos arregalados.Em seu quarto na estalagem, Vitor espera por Amélia. Ela havia avisado queiria encontrá-lo. Ele fica preocupado com a demora dela.- Será que aconteceu alguma coisa? Espero que o Max não tenha feito nadacontra a Amélia, senão eu mato aquele desgraçado - pensa Vitor em voz alta,com ódio no olhar.Ele liga para o celular de Amélia, mas só ouve a mensagem de que o telefoneestá desligado ou fora da área de cobertura.- Que estranho...Vitor dorme com o celular na mão, esperando uma ligação de Amélia.
  2. 2. IINo dia seguinte, logo que acorda, Vitor tenta telefonar de novo para Amélia,mas o celular dela continua desligado. Ele desce as escadas depressa:- Terê! Preciso da sua ajuda!- Que foi, meu filho? Você parece preocupado...Ele chega perto dela e fala baixinho:- A Amélia disse que viria aqui ontem, mas não apareceu. E o telefone delaestá desligado. Tenta ligar pra fazenda, pra ver se consegue falar com ela?Tenho medo que o Max... - Vitor não tem coragem de terminar a frase.- Claro, filho, vem aqui... - responde Terê, indo até o telefone.Ela liga para a fazenda e Lurdinha atende. Terê pede para falar com Amélia- A dona Amélia? É... - antes que empregada terminasse de responder, Maxpega o telefone:- O que tu queres com a minha mulher?- É assunto particular de amigas, seu Max - Terê responde sem se abalar.- A Amélia não tem amigas da tua laia. Achas que ela vai ter amizade com umacigana trambiqueira?- Suas ofensas não me atingem. Preciso falar com a Amélia.- Ela acordou indisposta, está descansando no quarto. E não vai serincomodada por ti. Passar bem - Max desliga o telefone na cara de Terê.Vitor está cada vez mais aflito:- E então Terê?- O Max atendeu e não me deixou falar com a Amélia - ela conta toda aconversa com o fazendeiro.- Meu Deus, Terê, o que eu faço? Tá na cara que ele está fazendo a Amélia deprisioneira...- Vitor, a gente não tem certeza de nada... não vá fazer nada de cabeçaquente, por favor, não piore as coisas...- Eu sei, tenho que pensar muito bem numa saída. Não posso colocar a Améliaem risco - ele responde, respirando fundo, tentando se acalmar.Somente no final do dia seguinte ele resolve abordar Fred no corredor daestalagem:- Fred, você tem notícias da Amélia?- Faz alguns dias que não falo com minha mãe... por quê?- Ah... - Vitor escolhe as palavras - ela não veio mais aqui na cidade... e tenteitelefonar, mas o celular dela está desligado desde ontem. Estou achando muitoestranho esse sumiço.- É verdade... eu ando trabalhando tanto que nem me dei conta - concordaFred, já tirando o celular do bolso - Vou ligar pra fazenda.Enquanto o telefone chama, Fred abre a porta do quarto e convida Vitor paraentrar.Max atende o telefone:- Oi, meu filho, lembrou do teu velho pai?- Me poupe do seu cinismo, seu Max. Quero falar com minha mãe.- Mas não vai dar, filho... Tua mãe acordou com dor de cabeça, foi se deitaragorinha para ver se melhora.- É? O que o senhor fez para deixá-la com dor de cabeça? - devolve Fred emtom irônico.
  3. 3. - Agora tudo que acontece é culpa minha? Quanta injustiça com um velhodoente.- Chega, seu Max. Tchau - Fred desliga o telefone.Vitor pergunta:- Ele disse que a Amélia está com dor de cabeça?- Isso mesmo. Alegou que ela não podia atender porque tinha acabado de sedeitar.- Aí tem coisa, Fred. Ontem a Terê tentou falar com a Amélia e o Max deu umadesculpa muito parecida, falou que ela estava descansando porque tinhaacordado indisposta.- Essa não é minha mãe - comenta Fred.- Não mesmo. Ela é cheia de vida, de energia - concorda Vitor, tentandosegurar um sorriso de quem está lembrando-se de bons momentos.Fred estranha um pouco o comentário de Vitor, mas não dá importância,porque está preocupado com algo muito mais grave:- Seu Max está aprontando alguma coisa...- Você acha que ele pode estar mantendo a Amélia presa na fazenda? -pergunta Vitor, cada vez mais tenso.- Pode ser. Vindo do meu pai, tudo é possível.Vitor não consegue mais disfarçar o desespero:- Preciso tirar a Amélia de lá... não posso deixá-la nas mãos do Max... - ele dizcom tom de dor, e já indo em direção à porta.- Calma. Eu vou até lá pra tentar descobrir o que está acontecendo - avisaFred, intrigado com o desespero do outro.- Vou junto - afirma Vitor.- Tá bem. Mas tenta manter a calma. Não sabia que você se preocupava tantocom a minha mãe.- Mais do que você imagina - Vitor deixa escapar - Vamos logo.Enquanto eles saem do quarto, Fred olha para Vitor com jeito de que pareceestar pensando: "ele está apaixonado pela minha mãe?". IIIQuando eles chegam na fazenda, Fred explica:- Eu vou entrar e você fica escondido, de olho. É melhor que o seu Max não lheveja.- Certo. Mas se precisar, eu entro e encontro a Amélia - responde Vitor.- Você conhece bem a casa, né? Sabe onde é o quarto dela?- Sei... - Vitor diz meio encabulado.- Então, se a situação apertar, eu cuido do seu Max e você procura minha mãe.Vitor balança a cabeça afirmativamente, sem conseguir disfarçar a ansiedade.Fred entra na sala e encontra o pai, que abre os braços, indo em sua direção:- Meu filho, veio me visitar?- Pare com esse teatro ridículo - diz Fred, se esquivando do abraço - Vim falarcom minha mãe, ela está lá cima?- Já te disse que a Amélia está descansando...- E eu não acredito mais em nada que venha de você.- Que dor para o coração de um pai ser tratado assim pelo próprio filho...
  4. 4. Irritado, Fred deixa o pai falando sozinho e caminha em direção à escada. Maxo segura e fala em tom de ordem:- Tu não vais subir.- Me larga!- Estou velho mas ainda sei lidar com cavalo xucro - avisa Max, tentandoimobilizar o filho.- Ah, é? Vamos ver - Fred consegue inverter a situação, imobilizando o pai.- Vais ter coragem de machucar teu pai?- Sem drama, seu Max. Acabou o jogo - Fred avisa com firmeza, enquanto levao pai até o escritório. Lá dentro, continua a segurá-lo por mais um tempo.Assim que a porta do escritório se fecha, Vitor entra na sala e sobe as escadas.Ele vai até o quarto de Amélia e verifica que a porta está trancada. Entãochama:- Amélia!- Vitor! Que você está fazendo aqui?- O que está acontecendo? O Max prendeu você?- Ele não me deixa mais sair daqui.- Vou arrombar a porta, cuidado...Vitor dá um chute na porta, fazendo com que ela se abra. E corre para abraçarAmélia. Depois de confortá-la por alguns segundos, ele chama, pegando-a pelamão:- Vem! Vou levar você para um lugar seguro.- É muito arriscado, o Max vai se vingar, não quero nem pensar no que elepode fazer com você... - diz Amélia, assustada.- Não, Amélia, não vou deixar você aqui, à mercê desse louco... - Vitor pegaAmélia no colo e sai levando ela, que fica emocionada com o gesto dele.No escritório, Max ouve o barulho do chute na porta do quarto de Amélia.- Que barulho foi esse? Melhor irmos ver.- Não ouvi nada - diz Fred, segurando o pai com força enquanto sorri,deduzindo do que se tratava o ruído. Só depois de dar tempo suficiente paraVitor e Amélia chegarem até o carro, é que Fred solta Max. Enquanto o paitenta recuperar as forças, Fred sai e tranca a porta do escritório com a chaveque pegou no lado de dentro da fechadura. Antes de deixar a casa, ele entregaa chave para Lurdinha.- Daqui a uma hora você pode abrir.Fred entra no carro e Vitor dá a partida, avisando:- Já fiquei na direção pra gente sair mais rápido.- Fez bem.- Pra onde nós vamos? - pergunta Amélia, nervosa.- Toca pra Girassol, Vitor - avisa Fred. IVFred leva Amélia para a casa de Janaína, que está terminando de fechar oarmazém quando eles chegam.- Minha mãe pode ficar aqui pelo menos essa noite?- Claro... mas o que aconteceu?
  5. 5. - O Max passou dos limites - diz Vitor com raiva.- Ele me trancou no quarto desde ontem, sem poder me comunicar comninguém - conta Amélia.- Meu Deus, esse homem está louco... Mas agora está tudo bem. A senhoradorme comigo no meu quarto, a Nancy pode ficar na sala - comenta Janaína.- Não queria incomodar... - responde Amélia, um tanto encabulada.- Amanhã busco as suas coisas, mãe. Aproveito um momento que meu paisair, entro lá sem ele ver - avisa Fred.Amélia o abraça, dizendo:- Meu filho... obrigada por tudo.- Que nada, mãe. Estou aqui pra cuidar de você.Amélia sorri e depois se dirige à Vitor:- Você também... preciso agradecer...Janaína chama Fred:- Vem comigo até a cozinha que eu preciso falar com você.Quando entram na cozinha, ela comenta:- Acho que eles precisam conversar a sós...- O Vitor estava muito preocupado com a minha mãe - conta Fred.- E você não desconfia por quê?- Desconfio, sim. É a dona Amélia a mulher por quem ele está apaixonado.Você já tinha percebido?- Já... faz algum tempo. Mas o que você acha disso?- Ah, minha mãe ainda é uma mulher linda, e merece ser feliz...- É, feliz como eu sou com você - Janaína completa, abraçando Fred, que sorrie a beija.Na sala, Amélia e Vitor ficam em silêncio por instantes, apenas olhando nosolhos um do outro. Ele olha em volta e vê que estão sozinhos. Então, abraçaAmélia com força.- Amélia, eu tive tanto medo que o Max tivesse feito algo ainda pior com você...Ele não te agrediu?Ela se aconchega nos braços dele e responde:- Ele só me arrastou até o quarto me puxando pelo braço... e quando tenteifugir, me empurrou, fazendo com que eu caísse no chão...Vitor chega a bufar de raiva:- Se o Max não fosse um velho eu arrebentava a cara dele.- Esquece o Max... quero esquecer, pelo menos por essa noite.- Tá bem - ele concorda, acariciando os cabelos dela - Agora você está aquicomigo, não vou deixar nada de mal te acontecer.- Vou ficar bem aqui com a Janaína...- Mas amanhã venho de te ver - avisa Vitor.- Toma cuidado, por favor - implora Amélia.- Não vou ficar mais nem um dia longe de você - ele afirma.Amélia olha nos olhos dele de novo, e acaricia seu rosto. Eles vãoaproximando os lábios e se beijam com carinho.De repente, Amélia se afasta:- O Fred... ele vai ver...- Ah, é, dona Amélia? Eu vi... - Fred diz, na porta da sala. Ele e Janaínaentram, rindo.- Filho... - é só que Amélia consegue dizer, constrangida.
  6. 6. Fred dá um beijo na testa dela e afirma:- Fica tranquila - depois ele se dirige a Vitor - Vamos, Vitor, já chega por hoje...te dou uma carona até a estalagem.Vitor fica sem graça e se despede de Amélia:- Até amanhã - sem saber o que fazer, ele se dirige à porta.Fred beija Janaína e também sai.Janaína pega as mãos de Amélia e olha para a sogra com um olhar cúmplice eum sorriso. Amélia sorri de volta.- Vamos, vou mostrar sua cama - chama Janaína, levando Amélia para oquarto. VVitor não diz uma palavra durante o trajeto até a estalagem. Quando chegamno alto da escada, Fred comenta:- Agora entendi tudo... tanta preocupação com a minha mãe...- Fred, eu amo a Amélia, amo com todas as minhas forças - Vitor confessa.- Eu acredito. Ainda mais depois de tudo que aconteceu hoje. E também seique a dona Amélia merece ser amada de verdade.Vitor dá um sorriso tímido e comenta, com o olhar perdido:- Acho que você me entende, né? Sabe tão bem quanto eu que o amor é maisforte que o passado, que toda a história que já exista na vida da mulher que agente ama...- É verdade - Fred responde rindo - E também sei como é ruim ter o filho daamada contra o nosso amor... não se preocupa que não vou fazer esse papel.- Que bom - Vitor devolve, aliviado.- Tem mais uma coisa: o que minha mãe precisa agora é que a gente se unapara protegê-la do seu Max Martinez. Pode ter certeza que ele não vai deixarbarato.Na fazenda, Max bate na porta gritando que o tirem de lá, mas Lurdinhaobedece a instrução de Fred. Só depois de uma hora ela destranca a porta doescritório e sai correndo para a cozinha. Ao ouvir o barulho da chave girando,Max levanta da cadeira e sai de lá depressa. Ele sobe as escadas o maisrápido que consegue, e encontra o quarto de Amélia vazio, com a portaarrombada.- Diabos! Como ela escapou? Quem ajudou o Frederico?Max desce as escadas e chama Lurdinha, que vem muito nervosa.- Onde tu estavas, incompetente? Não me ouviu chamar antes? - ele grita.- Cheguei da rua ainda agorinha, seu Max, fui no armazém - ela responde coma voz trêmula.- Então não viste quem mais entrou aqui além do Frederico?- Não, não vi nem o Fred.- Mas tu não prestas pra nada mesmo - reclama Max, num tom muito grosseiro- Sai da minha frente antes que te botes no olho da rua.Lurdinha sai depressa. Max esbraveja:- Eu pego os três... ah, eu pego!No dia seguinte, Vitor chega bem cedo no armazém. Janaína ainda estáabrindo as portas.
  7. 7. - Caiu da cama, Vitor? - ela pergunta.- E você acha que eu consegui dormir?- Imagino... a dona Amélia tá tomando café, sobe lá. Vai depressa antes quechegue alguém e te veja.- Obrigado - ele responde com um sorriso, e sobe as escadas ligeiro.Amélia está distraída quando ele entra, dizendo:- Bom dia...- Vitor! - Amélia exclama abrindo um sorriso iluminado.Ele se aproxima, a beija com carinho e pergunta:- Como você passou a noite?- Bem. Acho que eu apaguei, de tão cansada que estava depois de tantatensão.- Já eu passei a noite inteira pensando. Amélia, você precisa denunciar o Max,ele pode ser proibido judicialmente de chegar perto de você.- Será que vai adiantar alguma coisa? O Max manda até no delegado dessacidade. E ele ainda vai alegar que eu abandonei nossa casa.- Mas temos que tentar. O Fred está do nosso lado, e tenho certeza que aManu também vai nos ajudar. Vou trazer o Siqueira pra conversar com você.Ele pode encaminhar seu pedido de divórcio também.- O divórcio... acho que isso é o mais importante agora. O Max jamais vaiaceitar, então não tenho outra saída a não ser procurar um advogado.- Vamos resolver isso. Amanhã, na primeira hora da manhã, estarei aqui com oSiqueira. VIEnquanto isso, Max chama alguns homens de confiança e explica:- Quero que vocês se dividam e fiquem de olho nos meus filhos, depois merelatem cada passo deles. Também estejam atentos àquele loirinhoafrescalhado que quase foi meu genro, o Vitor.Logo que Max dispensa os homens, Manu entra em casa, chegando deviagem:- Oi, pai... - ela o abraça - minha mãe está lá em cima?- Tua mãe não está.- Onde ela foi?- Não sei, perguntes ao teu irmão.- Que aconteceu, seu Max? - Manu fica preocupada.- Aconteceu é que tua mãe me desonrou, fugiu de casa... e com ajuda doFrederico, filho ingrato...- Como assim? Me conta direito essa história - pede Manu, desconfiada.- Não sei de mais nada - resmunga Max, saindo da sala e deixando a filhasozinha.Manu procura Fred na operadora de turismo. As jóias avisam que ele foi à casade Janaína. Manu vai até lá e quando entra no armazém, Janaína vai depressaencontrá-la e diz baixinho:- Pode subir, Manuela, sua mãe está lá em cima.- Obrigada.Ela entra e vê a mãe e Fred conversando.
  8. 8. - Mãe! - ela diz e corre para abraçar Amélia - O pai disse que você fugiu decasa, que história é essa?Amélia e Fred contam tudo.- Não acredito que meu pai teve coragem... - comenta Manu, perplexa.- Pois teve, filha. E eu não volto mais pra casa.- Claro que não, né, mãe?- E o que nós vamos fazer agora, Manu? - pergunta Fred - Onde nossa mãepode ficar em segurança? O velho já deve estar botando os capangas atrásdela.Manu pensa um pouco e olha para Amélia:- Mãe, talvez fosse melhor a senhora sair da cidade.- A Manuela está certa - diz Vitor, entrando na sala. Ele segura as mãos deAmélia e continua - Vamos embora daqui, nós dois. A gente pode até sair dopaís se for necessário.- Vitor, legalmente eu ainda estou casada com o Max. Quero primeiro resolverisso, senão não estarei livre - Amélia pondera.- Tá certo, vou pedir pro Siqueira tentar marcar a audiência o mais rápidopossível. Mas enquanto isso nós podemos ir pra Juruanã, é mais seguro.Vamos para o meu apartamento, lá o Max não vai poder fazer nada. Sedepender de mim, ele não encosta mais nem um dedo em você - sugere Vitor,com firmeza.Amélia sorri, emocionada, como se não houvesse mais ninguém ali além delesdois:- Vitor... como posso te dizer não? Vamos sim.Vitor também sorri, e a abraça com força.Manu olha para Fred, intrigada, e pergunta:- O que está acontecendo aqui?- Depois eu te conto... - ele responde, depois se dirigindo ao casal - Desculpainterromper... só quero dizer que eu concordo, mas sugiro que vocês só saiamdaqui à noite, para que ninguém veja.- Claro, quando a cidade toda estiver dormindo... - acrescenta Vitor.Fred volta a atenção para Manu:- Me ajuda a pegar algumas coisas da mãe lá na fazenda, sem que o seu Maxveja?- Pode ser agora mesmo. Vamos?No caminho, Fred conta para a irmã sobre a relação de Amélia e Vitor:- Então foi pelo Vitor que ela se apaixonou!- E ele, você viu, é capaz de enfrentar o mundo pela dona Amélia...- Ela merece.- Com certeza. Mas, maninha, me fala a verdade... você não ficou comnenhuma pontinha de ciúme? Afinal, o Vitor já foi seu noivo... - comenta Fred,rindo.- Claro que não, Fred! Eu amo o Solano... e a dona Amélia e o Vitor formam umcasal bem bonito, não acha?- É, tenho que admitir... - ele ri.
  9. 9. VIINo final da tarde, os capagas relatam à Max que Manu, Fred e Vitor não foramem nenhum lugar estranho, e ficaram algum tempo no armazém.- No armazém? Sei... Será que aquela china está ajudando?A noite chega, e Vitor vai para a casa de Janaína esperar com Amélia pelamelhor hora para saírem da cidade. Fred chega em seguida, avisando que jáestá com o carro pronto para levá-los a Juruanã.Poucos minutos depois, Max entra no armazém e aborda Janaína:- Onde está a minha mulher? Sei que estás acoitando aquela traidora, vamos,digas logo.- Não tenho nada pra lhe dizer - responde Jana com firmeza.- Ah, não? Então eu mesmo vou subir e procurar - ele avisa, indo em direção àescada.Mas Fred já está descendo e diz:- Parado aí, seu Max. Aqui não é sua casa.- Então tu trouxeste mesmo tua mãe pra casa da tua china?- Se o senhor se referir mais uma vez à minha mulher desse jeito, não vou maisrespeitar a sua idade. Vá embora antes que eu perca o pouco de paciência queme resta.- Mas é assim que tratas teu pai?- O senhor vai sair por bem ou vou ter que botá-lo pra fora à força?- Eu vou, mas antes de me responda... quem te ajudou a soltar a Amélia? Foi oamante dela? Que decepção, meu próprio filho acobertando as safadezas damãe.- Chega! Você não tem moral pra falar assim da minha mãe. Sai daqui, seuMax - grita Fred, já empurrando o pai.Enquanto Fred empurra o pai até a porta do armazém, Max grita:- Pois avise a Amélia que ela ainda é minha mulher e vai voltar para casa! Nemque eu a tenha que arrastar pelos cabelos!Amélia e Vitor ouvem toda a discussão, e ela fica assustada, olha para ele commedo.- Calma, meu amor... não dê ouvidos à essas ameaças... Eu não vou deixar elechegar nem perto de você, eu prometo - Vitor tenta acalmá-la, enquanto aabraça.Fred ajuda Janaína a fechar o armazém, depois eles sobem. Amélia ainda estáabraçada a Vitor, e nervosa.- Fica tranquila, mãe, daqui a pouco a senhora vai estar longe daqui - lembraFred.Durante a madrugada, Fred leva Amélia e Vitor até Juruanã, os deixa em frenteo prédio.Depois que fecha a porta do apartamento, Vitor enlaça Amélia pela cintura,olha nos olhos dela e diz:- Enfim sós...Ela ri e finge não perceber as segundas intenções dele:- E então, onde eu vou dormir?- Tem certeza que você quer dormir? - ele retruca, com um sorriso travesso.- Não... - ela devolve, sorrindo.
  10. 10. Vitor beija Amélia com ardor. Sem parar de beijar, a pega no colo e leva para oquarto. Com cuidado, ele coloca Amélia sobre a cama. Depois deita também,de lado, com a mão sob a cabeça e o cotovelo apoiado no colchão, e ficaolhando para ela.- Você está aqui mesmo? - murmura Vitor.Ela não diz nada, apenas acaricia o rosto dele e chega mais perto,aconchegando-se junto ao peito de Vitor. Ele levanta a cabeça dela e a beijaintensamente. E naquele momento, os dois esquecem de tudo, e se entregamao desejo. Amam-se, depois dormem abraçados. VIIINo dia seguinte, Max entra em casa e vê Manuela descendo as escadascarregando várias malas.- Filha? O que é isto, pra onde tu vais?- Pra longe dessa casa - ela responde com firmeza.- Vais deixar teu pai sozinho? - ele pergunta em tom de vítima.- Pois é, seu Max... o senhor conseguiu afastar todas as pessoas que lhetinham algum tipo de amor. Quem tem atitudes baixas e até cruéis como assuas colhe desprezo e solidão.- Tu falas como se eu fosse um monstro!- Talvez seja isso mesmo que o senhor se tornou, por mais que me doareconhecer.Max fica calado por algum tempo, vendo Manu terminar de descer as malas elevá-las para o carro. Quando ela pega a última mala, Max segura o braço dafilha, pedindo:- Não vás, minha filha, fiques com teu velho pai...Manu apenas balança a cabeça para os lados e solta o braço, saindo da casa edeixando Max parado no meio da sala.Amélia acorda e não encontra Vitor ao seu lado. Com o olhar preocupado, elase levanta e procura Vitor no banheiro e na cozinha, mas não acha. Amélia ficamais tensa e pára no meio da sala, sem saber o que fazer. De repente, ouve obarulho de uma chave girando na porta e olha para lá, apreensiva. A porta seabre e Vitor entra, carregado de sacolas.- Bom dia, meu amor... - ele diz, e depois de trancar a porta, se aproxima ebeija os lábios de Amélia.Ela o abraça, ainda abalada.- Onde você foi?- Comprar comida. Não podemos viver só de amor... - ele ri, e larga as sacolasno chão.Amélia sorri, aliviada, e olha pra Vitor.- Você devia ter me avisado.- É que você estava dormindo tão linda que não quis lhe acordar. Mas deixeium bilhete no criado-mudo, não viu?- Não... fiquei tão nervosa que nem lembrei de procurar algum bilhete. O Maxdeve estar atrás de nós... tem certeza que ninguém seguiu você?- Calma... - ele a abraça e acaricia os cabelos dela - Você está segura, deiordem para o porteiro não deixar ninguém subir.- Temo muito mais por você do que por mim.
  11. 11. - Não vai acontecer nada. Nosso amor é muito mais forte do que o ódiodaquele... Não vamos mais pronunciar o nome dele aqui, está bem?- Vamos tentar esquecer que ele existe... - Amélia acrescenta tentando semostrar forte.- Isso mesmo. Você não está com fome? Trouxe várias coisas que você gosta.Vamos, vou guardar essas compras e preparar o nosso café. Não sei se vaificar tão bom quanto o da Lurdinha, mas vou me esforçar... - ele vai dizendoenquanto caminham para a cozinha.- Você guarda as compras e eu passo o café, pode ser?- Claro... - ele olha para ela um tanto surpreso.- Que foi? Pelo menos café eu sei fazer - ela retruca, rindo.Max recebe um telefonema de um dos capangas, que conta que Amélia, Vitor eFred saíram da cidade de madrugada.- E vocês não os seguiram? Seus jumentos! Estou pagando para ficarem nacola dos meus filhos e daquele rapaz, seja onde for. Mas eles não devem estarlonge. Eu mesmo vou dar um jeito nisso.Max telefona para o prédio onde tem seu apartamento em Juruanã:- Minha mulher passou por aí? Não? Mas talvez eu vá ainda hoje.Desliga o telefone e pensa alto:- Aquele guri também tem um apartamento em Juruanã. Deixa eu lembrar... éno mesmo prédio daquele meu amigo... Peraí, melhor ainda... Lurdinha!Depressa!- Que foi, seu Max?- Onde a Amélia guarda a agenda de telefones?- Ao lado do telefone, ora!- O que estás esperando que não foste buscar ainda essa agenda?Lurdinha sai depressa e volta com a agenda.- Agora desaparece da minha frente, rápido! - ordena Max.Assim que Lurdinha se afasta, ele abre a agenda:- Letra V. Vitor Vilar. Aqui está, o número do celular, do frigorífico... e doapartamento - ele ri.Max liga para o apartamento de Vitor. IXO telefone toca e Vitor atende:- Alô?Mas a pessoa do outro lado da linha não diz nada, e logo desliga.- Quem era? - pergunta Amélia.- Não sei, desligou sem dizer nada. Deve ser algum moleque passando trote.- Ou o Max... - ela acrescenta com a respiração quase suspensa.- Não vamos pensar no pior. Foi só um trote - ele pondera enquanto a abraça- Tomara...Max desliga o telefone e pensa alto:- Então o loirinho afrescalhado foi mesmo pra Juruanã... e a Amélia deve estarlá com ele. Será que gostariam de uma visitinha? - ele ri com gosto, depoischama Lurdinha novamente.- Arrumes já minha mala que vou precisar fazer uma viagem.
  12. 12. - O senhor vai ficar muitos dias fora?- Não te interessa.- É só pra saber quanta roupa ponho na mala... - ela explica.- Uma duas mudas já chega. Quero resolver esse problema o mais rápidopossível. Ande, sua lesma, vá logo!- Tô indo, não precisa ofender... - Lurdinha vai saindo.Mais tarde, ele pega a mala e sai. Ao passar pelo centro de Girassol avistaFred e pára o carro perto dele:- Meu filho, que bom te ver! Me contaram que tu tinhas viajado hoje cedo, jávoltaste tão rápido?Fred olha para o pai com desconfiança e responde em tom sarcástico:- Não saí de Girassol, seu capanga deve ter lhe passado a informação errada.Max ignora o comentário do filho e continua:- E tua mãe? Tens notícias dela?- Pra você, nenhuma - Fred diz secamente.- Não posso mesmo contar com meu filho... bueno, vou ter quer me virarsozinho - conclui Max, e arranca o carro.Fred entra no armazém e Janaína percebe que ele está preocupado:- Que foi? Você tá com uma cara...- Acabei de encontrar o seu Max. Ele continua atrás da minha mãe. E pelo jeitovai aprontar alguma.- Você acha que ele vai descobrir onde a Amélia e o Vitor estão?- Claro, é um esconderijo bastante óbvio, né? Mas mesmo assim é mais segurodo que aqui.- E você pode ter certeza que sua mãe está sendo bem cuidada. O Vitor parececapaz de dar a vida por ela.- Eu sei. É isso que me tranquiliza.Amélia e Vitor assistem a um filme, abraçados, recostados na cama. É umacomédia romântica, e Vitor comenta, apontando para a tv:- Nosso amor é muito maior que o deles. É tão grande que nem cabe numfilme...Amélia sorri e responde, olhando pra ele:- Acho que a cada dia eu te amo mais... se é que isso é possível...- Eu também - ele acrescenta, aproximando os lábios dos dela.E eles esquecem de tudo num longo beijo. Só param quando o telefone toca.Eles se olham, e Vitor se levanta para atender.- Alô?Logo ele coloca o telefone de volta no lugar e conta para Amélia:- De novo. Desligaram sem falar nada.- É o Max... - Amélia murmura, aflita.Ela fica pensativa por alguns instantes e resolve ir até a janela. Olha para a ruae grita:- Vitor!Ele vai correndo para perto dela.- Que foi?- Olha lá embaixo... o carro do Max!- Ele não vai entrar aqui, fica tranquila - Vitor diz, tentando disfarçar apreocupação.
  13. 13. - Vitor, o Max consegue tudo que quer... ele vai subornar o porteiro, ameaçar,fazer de tudo para entrar.- Não. Eu não vou deixar aquele desgraçado chegar perto de você. Ele não vaisubir, sou eu que vou descer. Fique aqui, não saia em hipótese nenhuma - elepede e vai andando em direção à porta.Amélia vai atrás, pedindo:- Não faz isso, ele é perigoso!Mas ela não consegue deter Vitor, que antes de fechar a porta olha pra Améliae diz:- Já volto.Ela fica olhando a porta se fechar e deixa uma lágrima rolar por seu rosto. XVitor chega na porta do prédio bem no momento em que Max ia entrar. Eles seolham fixamente, se enfrentando com o olhar, e Vitor dá alguns passos para afrente, obrigando Max a recuar até o meio da calçada.- Veio me visitar, Max? - Vitor pergunta em tom sarcástico.- Onde está minha mulher?- Sua? Não, agora a Amélia é minha mulher - afirma com segurança.- Moleque atrevido... que direitos acha que tens para falar assim? - Max tentase mostrar ofendido.- O direito de quem ama a Amélia como ela nunca foi amada... Mas você nemdeve saber o que é amor. Um sujeito tão torpe não pode conhecer umsentimento tão sublime.- Esse amontoado de palavras bonitas não me comove. Vocês dois me traíram.Já estavam de conluio desde o começo ou tu seduziste minha mulher para tevingares de mim?- Eu jamais usaria os sentimentos da Amélia em uma vingança! Não sou comovocê, que passa por cima de tudo e de todos - responde Vitor, levantando otom de voz.- Queres me convencer que tu gostas mesmo da Amélia? - Max ironiza, rindo.- Eu não preciso lhe convencer de nada, to pouco me importando se vocêacredita ou não. A única coisa que eu quero é que você nos deixe em paz!- Nunca! A Amélia é minha mulher e não vai deixar de ser enquanto eu estivervivo - avisa Max em tom ameaçador.- Você não vai mais encostar essa sua mão suja na MINHA Amélia - devolveVitor com firmeza.- Que sua Amélia nada, guri! Saias já da minha frente ou eu... - grita Maxparecendo descontrolado.Vitor põe as mãos na cintura, fica com a coluna o mais reta possível e olhafixamente para a Max:- Não. Você não vai entrar nesse prédio.- Ah, não? - Max tira um revólver da cintura e aponta para o rosto do rapaz.- Atira, vai! - Vitor provoca.- Não tens medo do estrago que isso pode fazer nessa tua carinha bonitinha? -Max pergunta, irônico.- Não, duvido que você tenha coragem de sujar as próprias mãos. É mais doseu feitio mandar matar sem deixar rastro, como você fez com meu avião, nãoé? - Vitor tenta se manter firme, mas sente o suor frio nas mãos e na testa.
  14. 14. - É, foi um servicinho bem feito, pena que não deu certo. Por isso terei queresolver eu mesmo esse problema.Max engatilha a arma e aponta novamente para Vitor, avisando:- Acabou tua brincadeira, guri.Mas quando Max vai puxar o gatilho, dois braços o seguram por trás.- O senhor está preso, Max Martinez. Tentativa de assassinato, em flagrante.O policial desarma Max e o algema, enquanto Vitor respira fundo, aliviado.- Isso é um acinte! Sou Max Martinez, não posso ir preso como um marginalqualquer! - grita Max, mas o policial não lhe dá ouvidos, vai conduzindo o presopara a viatura que acabou de se aproximar.Vitor fica observando sem sair do lugar onde estava desde o começo. Depoisde prender Max na viatura, o policial se aproxima do rapaz.- Está tudo bem?- Agora está. Valeu pela força.- De nada, é meu trabalho. Preciso que você vá na delegacia para registrar aocorrência.- Claro, vou só pegar meus documentos e já encontro você lá.- Certo. Cuidado aí, não vá se meter com outro marido ciumento - brinca opolicial.- Pode ter certeza que não - Vitor também ri.Quando entra no apartamento, Vitor corre para Amélia, a toma nos braços e abeija com intensidade, quase com desespero. Só depois de um beijo demoradoé que ele olha nos olhos dela e diz, com um sorriso vitorioso:- Estamos livres!- Eu vi a polícia chegando, o Max foi preso? - ela pergunta com jeito de quemainda não consegue acreditar.- Sim. Eu tinha conversado com um policial amigo meu, expliquei que nós doiscorríamos risco de vida. Ele ficou de sobreaviso. Depois daquele primeirotelefonema, nós combinamos tudo, ele passou a montar guardar aí na frente.Não falei nada para não lhe preocupar. Eu desci sabendo que tinha um policiallá embaixo, escondido. Daí foi só esperar o Max se descontrolar.- Como assim, se descontrolar?- Senta aqui - Vitor leva Amélia até o sofá e a faz sentar - É melhor que vocêsaiba de tudo logo, e por mim. O Max chegou a apontar uma arma na minhacara.- Meu deus! Por que você correu um risco desse? Não quero nem pensar noque poderia ter acontecido - ela diz quase chorando.- Já passou, Amélia, não precisa ficar assim... - ele diz com doçura.- Mas só de pensar que eu podia ter te perdido, eu sinto como se algo medilacerasse aqui dentro - ela explica botando a mão no peito.- Eu sei... - ele acaricia o rosto dela antes de continuar - Mas mesmo que oMax tivesse me acertado, ele não conseguiria me matar... O amor que tenhopor você me daria forças para continuar vivo.Amélia olha para ele, emocionada, e o beija enquanto diz:- Não posso te perder...Vitor afasta um poucos lábios e olha bem nos olhos dela:- Você não vai me perder nunca. Nunca, ouviu? - e a beija intensamente.Amélia se entrega completamente aos beijos dele. É Vitor quem interrompenovamente:
  15. 15. - Meu amor, eu não queria sair dos seus braços agora, mas tenho que ir... oSiqueira já deve até me esperando na delegacia, liguei pra ele no elevador.- Tá... não demora?- Vou tentar resolver tudo o mais rápido possível. Fica aqui, me espera... ligapra Manu e pro Fred enquanto isso, conta tudo. Agora podemos voltar paraGirassol, você pode combinar o que quiser com eles.- Como vou contar para meus filhos que o pai deles está preso? - diz Amélia,preocupada.- Amélia, eles não são mais crianças e sabem o pai que tem. Não vão nem sesurpreender.- É verdade... mas mesmo assim não é uma notícia que eu gostaria de dar aeles.- Imagino. Ninguém gostaria - ele a abraça e lhe beija a testa com carinho -Agora preciso ir. Mas eu volto o quanto antes pra você.Amélia olha para Vitor, sorrindo. Ele também sorri e lhe beija os lábios maisuma vez antes de sair. XIAmélia e Vitor chegam a Girassol no domingo e vão direto para a casa deJanaína, onde ela, Fred, Manu e Solano os esperam. Jana e Manu estãoterminando de arrumar a mesa quando ouvem a voz de Vitor:- Ô de casa!Manu desce as escadas correndo e abraça a mãe:- Como você está?- Feliz de poder estar aqui, com a minha filhinha - Amélia responde, abraçandoManu com força.Vitor abraça as duas e diz:- Também estou muito feliz por estar de volta - ele olha para Amélia e continua- Mais ainda de poder andar de mãos dadas com meu amor pelas ruas deGirassol.- Dona Amélia... que você fez pra deixar o Vitor com esse mel todo? - brincaManu.Amélia fica encabulada. Antes que ela consiga responder, Fred chama do altoda escada:- Vocês não vão subir, hein?Os três sobem, e Fred abraça a mãe. Depois, Amélia abraça Janaína, queexplica:- O almoço está praticamente pronto, só vamos esperar o Bruno, pode ser? Elefoi buscar a Terezinha.- Tá certo ele - comenta Vitor, abraçando Amélia por trás - Estamos todos aquifelizes e apaixonados, é justo que o Bruno esteja com o amor dele também.- Concordo - ajuda Fred.Manu muda de assunto:- Vitor, meu pai teve mesmo coragem de apontar uma arma pra você?- Teve, Manu.- Como ele pôde... - murmura ela, olhando para o chão.Solano a abraça e pergunta a Vitor:- Você acha que o Max fica preso muito tempo?
  16. 16. - Se depender de mim, ele vai apodrecer na cadeia - Vitor diz com raiva noolhar, mas logo fica meio desconcertado - Desculpa, Manu, Fred, é o pai devocês...- Relaxa, Vitor, o velho tá pagando pelo que fez. E a conta dele é alta - afirmaFred.O clima pesado é interrompido pela chegada de Bruno e Terezinha. Janaínachama todos para sentarem-se a mesa.Durante a sobremesa, Manu fica observando Amélia e Vitor, que trocamolhares. Repara também em Terezinha e Bruno, depois volta a olhar para amãe. Amélia percebe e comenta:- Que foi, Manu?- Tava reparando no brilho dos seus olhos... praticamente igual ao brilho doprimeiro amor nos olhos da Terezinha. Você parece uma adolescenteapaixonada - explica Manu, sorrindo.- Assim você me deixa sem graça... - devolve Amélia.- Eu concordo, viu? Mas a Amélia é muito mais linda que qualquer adolescente- avisa Vitor.Amélia sorri e acaricia o rosto dele, que continua, olhando para ela:- E eu sou o homem mais apaixonado do mundo.- Não mesmo, sou eu... sou perdidamente apaixonado pela minha morena -retruca Fred, olhando para Jana.- Duvido que alguém ame mais do que eu amo a Manuela - avisa Solano.- Pois eu ganho de vocês todos - anuncia Bruno - a Terezinha é a minhaJulieta.- Esse moleque tá esperto... - diz Fred, rindo.Vitor retoma a palavra:- Não importa quem ama mais. O importante é que nós todos aqui encontramoso amor. E descobrimos a verdadeira felicidade. Isso merece um brinde - eleergue o copo, e todos fazem o mesmo - Ao amor!Todos brindam, e Vitor acrescenta, enlaçando Amélia com o braço:- Mas quero reforçar que eu amo essa mulher com todas as minhas forças.Amélia olha para ele, declarando seu amor com o olhar. Eles vão aproximandoos lábios e trocam um beijo carinhoso, sob os aplausos de todos.Um pouco mais tarde, Amélia e Vitor caminham de mãos dadas no centro deGirassol. Quando se aproximam da igreja, ele diz:- Vem, vamos entrar.Entram e são recebidos pelo padre Emílio:- Meus filhos, que bom ver vocês! Ainda mais com essas carinhas tão felizes.Sem soltar a mão de Amélia, Vitor pede:- Padre, eu não sou muito religioso, mas acredito em Deus. Sei que perante aIgreja a Amélia vai continuar casada com o Max, mas queria que o senhor nosabençoasse. Tenho certeza que Deus quer que a gente seja feliz.- Claro... aqui entre nós, as normas religiosas são muito mais criações doshomens do que de Deus. Como posso não abençoar um amor tão verdadeirocomo o de vocês? - o padre traça uma cruz diante dos dois, dando a benção -Vocês têm a minha benção. E a de Deus também, com certeza.- Obrigada, padre - agradece Amélia.- Sejam felizes - conclui padre Emilio.
  17. 17. Sorrindo, Vitor e Amélia se olham e colam os lábios. Por um momento,esquecem que estão numa igreja e se entregam a um beijo apaixonado. Sãointerrompidos pelo padre:- Mas não abusem, vocês estão na casa de Deus.- Perdão, já estamos saindo - diz Vitor, puxando Amélia pela mão.Ele só pára bem no meio da rua, e olha nos olhos de Amélia:- Eu já disse que te amo hoje?- Umas três vezes - ela responde sorrindo.- Então vou dizer mais umas três: te amo, te amo, te amo... - ele diz enquanto atoma nos braços.- Também te amo, te amo, te amo... - ela devolve sem parar de sorrir, os olhosbrilhando.- Não fala mais nada - ele sussurra com os lábios quase juntos aos dela. E ali,no meio da cidade de Girassol, os lábios deles se encontram em mais um beijo. FIM

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