(Os dois textos seguintes referem-se à cena de 27 e 28 de fevereiro eforam escritos antes da cena ir ao ar, supondo que Vi...
Pela manhã, Max procura Amélia, e encontra o quarto dela aberto, mas ela nãoestá lá.Ele desce as escadas, gritando:- Lurdi...
- Agora eu te mato, e depois essa desgraçada, china vagabunda! - ele gritacom toda a força, aproximando a faca do pescoço ...
- Que estás esperando, Geraldo? Cadê a chave dessa algema?Geraldo balança a cabeça antes de responder:- Não posso, Max. É ...
- O Max não é do tipo que suja as mãos, ele manda fazer... Hoje ele sedescontrolou, mas quando esfriar a cabeça... - ela c...
Vitor volta depressa para o carro, onde Amélia, que viu tudo pelo retrovisor,está assustada:- Você é louco! - ela exclama,...
- Tá mais calma? Quer me contar agora?Ela balança a cabeça:- Não... eu ainda não consigo acreditar no que eu fiz... mas nã...
- Se você não quer, não digo nada pra ninguém.Amélia está quase chorando de novo:- Como posso dizer para minha filha que a...
- Mãe... - Manu corre até Amélia e abraça forte. Depois afasta o rosto e a olhanos olhos - O que aconteceu pra você sair d...
- Dona Amélia, estou a seu dispor, pra tudo que precisar - ele afirma comcarinho.Amélia sorri e devolve, emocionada:- Eu t...
Ela engole em seco e começa a falar:- Lembra a noite do show de Victor & Leo?- Aquele que você me liberou para ir sozinho ...
- Se eu fizer isso, ele vai atrás de nós... vai mandar te matar. Você nãoentende, Vitor? Ele vai matar você... ele disse i...
- E você acha que eu ia deixar? - retruca Fred.Ainda abraçado a Amélia, Vitor responde:- Cara... o que você e a Manu estão...
- Ela fugiu com o amante... eu mato aqueles dois! - esbraveja, sem perceberque Fred está bem atrás dele.- Se acontecer alg...
- Se o Max fugir, a polícia vai atrás dele. Não vamos mais pensar nisso, vamosviver nossa vida! - ele quase se altera, mas...
Vitor guarda a mala dela, enquanto Amélia entra no carro. Ele senta no bancodo motorista e olha para a amada, ainda com a ...
- Que amou, não. Que ama e vai te amar sempre.Ela acaricia o rosto dele, emocionada, e lhe dá vários beijos nos lábios,enq...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

E se... parte II

787 visualizações

Publicada em

  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

E se... parte II

  1. 1. (Os dois textos seguintes referem-se à cena de 27 e 28 de fevereiro eforam escritos antes da cena ir ao ar, supondo que Vitor iria até lá parafalar com Amélia, não com Max.)E Se... Max pegasse Amélia e Vitor na cama?Vitor entra na sala da fazenda e avisa Amélia:- Vim te buscar. Você não fica mais nessa casa.- Por favor, Vitor, não faz assim...- Você prefere ficar aqui como escrava do Max?- Claro que não! Mas ele botou um capanga para seguir todos os meuspassos... ele vai atrás de nós!- Amélia... se você não vier comigo agora, eu vou duvidar do seu amor.Ela fica paralisada, olhando pra ele, sem reação. Vitor espera por algunsinstantes, mas Amélia não se mexe, só os olhos dela vão ficando marejados.Ele também enche os olhos de lágrimas e sai, enquanto ela continua parada nomesmo lugar. Só depois que não o vê mais é que Amélia irrompe num chorotão profundo que chega a soluçar. Chorando, sobe as escadas e se tranca noquarto.Vitor chega na estalagem desolado, se joga na cama e deixa as lágrimasrolarem como uma cachoeira por seu rosto. Chora até adormecer.Amélia, na fazenda, chora abraçada ao travesseiro.- Eu não posso te perder, Vitor... - ela murmura para si mesmo.Depois de chorar mais um pouco, ela percebe que já é noite. Decide levantarda cama e pega uma mala, onde coloca roupas e outros pertences. Depois vaiaté o quarto de Manuela, que está na estância, e pega a chave do carro dafilha, e também um chapéu dela. Volta para o próprio quarto, tranca a porta, efica olhando para a mala, a chave e o chapéu. Respira fundo e senta-se paraesperar até que Max esteja dormindo.Já é quase madrugada quando ela sai do quarto, cuidando para não fazerbarulho. Sai da casa, se esgueirando para não ser vista por Veloso. Chega omais perto possível do carro do capanga e observa que ele dorme debruçadono volante. Então vai até o carro de Manuela, dá a partida, e sai depressa.Veloso desperta com o barulho do motor, mas vê que o carro de Amélia aindaestá ali diante dele, que é o carro de Manuela que some na estrada, e dormenovamente.Com o coração aos pulos, Amélia abre devagarinho a porta do quarto de Vitor.Se aproxima da cama, onde ele ainda dorme, e o contempla por algunsinstantes. Larga a mala e chega ainda mais perto, acariciando de leve o rostodele. Vitor abre os olhos, e ao vê-la, puxa a amada para seus braços e a beijaapaixonadamente. Só quando descolam os lábios é que ele sussura:- Você está aqui mesmo?- Estou. Eu te amo...Vitor não a deixa dizer mais nada, beija Amélia com desespero. E vai tirando aroupa dela, como se precisasse sentí-la com toda a intensidade. Finalmente,colam seus corpos como se fossem se fundir em um só.
  2. 2. Pela manhã, Max procura Amélia, e encontra o quarto dela aberto, mas ela nãoestá lá.Ele desce as escadas, gritando:- Lurdinha!- Que foi, seu Max? - ela vem correndo.- Onde está tua patroa?- Não sei não, seu Max, não vi a dona Amélia hoje. Ela deve ter saído cedinho.Max vai atrás de Veloso, e o capanga relata o que aconteceu de madrugada.- Minha filha não estava em casa, imbecil! - esbraveja Max.Furioso, ele pega o carro e vai para a cidade.Na estalagem, Amélia e Vitor ainda dormem abraçados como ficaram depoisde fazer amor. Ele acorda e sorri ao vê-la em seus braços. Não resiste, e lhebeija delicadamente os lábios. Amélia abre os olhos e sorri para ele, dizendo:- Bom dia...- Então eu não estava sonhando... você veio mesmo.Ela não diz nada, apenas aproxima seus lábios dos dele, até se juntarem emmais um beijo. Beijam-se demoradamente, sem pressa, como se o tempotivesse parado.Max entra na estalagem bufando e Terê se põe na frente dele:- O que você quer aqui?- Sai da minha frente, sua charlatã! - grita ele, empurrando a vidente, quasefazendo-a cair no chão, e subindo as escadas depressa.Max chega em frente ao quarto de Vitor com a respiração ofegante. Parece quevai abrir a porta abruptamente, mas ao pôr a mão na maçaneta, movimenta-adevagar, e vai abrindo a porta tentando fazer o mínimo de barulho possível. Dáalguns passos quase com a ponta dos pés e vê Amélia e Vitor na cama, em umbeijo tão intenso que prenunciava a união dos corpos. Estavam tão entreguesàs carícias que nem tinham notado que havia mais uma pessoa no quarto.- Eu te avisei, Maria Amélia! - grita Max, um grito que ecoou por toda aestalagem.- Max!? - grita Amélia, descolando-se seus lábios dos Vitor e puxando o lençolaté o pescoço, mas sem coragem de olhar se o marido estava ali mesmo.Vitor levanta-se rapidamente, sentindo o sangue ferver, enquanto Max dizquase rosnando:- Eu te avisei que não nasci pra corno, Amélia!- Sai daqui, Max! Fora! - grita Vitor, empurrando o rival em direção à porta.Mas Max, tão furioso que parecia um touro bravo, tenta resistir. Vitor quase nãoconsegue contê-lo mas busca todas as suas forças e continua empurrando-o.- Eu te mato, moleque! - rosna Max, tentando pôr as mãos no pescoço de Vitor,com a clara intenção de esganá-lo, mas Vitor consegue impedi-lo, segurandoos braços dele.- Pelo amor de Deus, parem com isso - suplica Amélia com voz de choro, aindasobre a cama e enrolada no lençol.- Fica calma, meu amor, esse canalha não encosta mais em você - afirma Vitortentando confortá-la enquanto continua medindo forças com Max, já quase naporta.Com os olhos vermelhos de ódio, Max consegue soltar um dos braços e tirauma faca da cintura.
  3. 3. - Agora eu te mato, e depois essa desgraçada, china vagabunda! - ele gritacom toda a força, aproximando a faca do pescoço de Vitor, que fica quase coma respiração suspensa.- Meu Deus, naaaão!!! - grita Amélia, desesperada, correndo até eles semlargar o lençol.Mas antes que Max consiga encostar a faca em Vitor, alguém segura sua mão.- Chega, seu Max! - é Fred, que estava tomando o café da manhã quandoouviu os gritos.Vitor respira fundo, aliviado, sem soltar Max. Neca, Pimpinela, Terê, Cotinha eCaroço chegam também e ficam paralisados diante da cena: Max segurandoainda a faca com força, enquanto Fred tenta tirá-la dele e Vitor ajudando asegurar o fazendeiro. Amélia olha a tudo paralisada, pálida.Sargento Mourão pede licença e se aproxima.- Segura bem o braço dele, Fred, que eu tiro a faca - ela pede. Em seguida,puxa o dedo mínimo de Max para trás, fazendo com que ele não consiga maissegurar a faca. E avisa - Você está preso, Max, em flagrante, por tentativa deassassinato.Com a ajuda de Fred, a sargento algema Max e o leva.Vitor respira ofegante por alguns segundos, imóvel, se recuperando de tantatensão. Amélia corre até ele e passa as mãos por seu rosto, seu corpo:- Meu amor, você está bem, não está ferido? - ele pergunta aflita.Ele a abraça com força:- Estou. O que importa é que ele não conseguiu fazer nada com você.- Ah, eu tive tanto medo por você... - ela murmura, com lágrimas brotando nosolhos.- Gente, acabou, vamos todos cuidar das nossas vidas - diz Terê, dispersandoo grupo no corredor. Mas ela fica e se aproxima dos dois:- Vou trazer um chá de cidreira pra vocês.- Obrigado, Terê... e desculpa essa confusão toda na sua estalagem - devolveVitor, com voz cansada, enquanto Amélia ainda chora no peito dele.- Vocês não tem culpa de nada - ela assegura, e sai, fechando a porta.- Vem, meu amor - diz Vitor, conduzindo Amélia até a cama.Eles se deitam, abraçados. Vitor ainda sente o corpo latejar por toda a tensãorecém passada, e deixa cair algumas lágrimas. Eles se deixam ficar ali, emsilêncio, apenas sentindo a presença um do outro, num abraço quasedesesperado.Sargento Mourão e Fred chegam na delegacia com Max, e o delegado arregalaos olhos:- Que você pensa que está fazendo, sargento? Você prendeu o Max Martinez!- Isso mesmo, manda essa sujeita me soltar já! - esbraveja Max.- O elemento foi preso em flagrante, tentando esfaquear outro homem - avisaMourão.- E há várias testemunhas, inclusive eu - acrescenta Fred, olhando para o paicom um misto de desprezo e raiva.- Mas o que é isto? Meu próprio filho me apunhalando? - exclama Max, em tomde vítima.- É a única maneira de lhe deter, seu Max... de dar um pouco de paz à minhamãe, à Mané, a mim... - devolve Fred.Max se volta para o delegado, em tom autoritário:
  4. 4. - Que estás esperando, Geraldo? Cadê a chave dessa algema?Geraldo balança a cabeça antes de responder:- Não posso, Max. É a lei. Você foi preso em flagrante. Só posso lhe soltarquando seu advogado trouxer um habeas-corpus, se ele conseguir.- Então mande chamar já meu advogado! E pode ir arrumando as malas,delegado, que quando eu sair daqui tu vais ser transferido para o quinto dosinfernos! - grita Max.Sargento Mourão coloca Max na cela, enquanto Geraldo pede a Fred:- Você tem o telefone do advogado do Max?- Não. E não vou fazer nada para ajudar esse homem - afirma Fred, saindo dadelegacia.Exaustos de tanta tensão, Amélia e Vitor acabando adormecendo, aindaabraçados. São acordados por batidas na porta.- É o Fred. Posso entrar?- Espera um pouco - pede Amélia, se levantando e indo procurar a roupa queficara jogada no chão. Ela veste a calça e a blusa rapidamente, enquanto Vitorcoloca uma bermuda.- Pode entrar - avisam.Fred abraça a mãe com carinho e pergunta:- Como você está?- Agora estou bem, mas... que horror - ela não consegue continuar.- Calma, já passou... o seu Max agora está atrás das grades, espero que porum bom tempo - consola o filho, acariciando os cabelos dela. Depois se dirige aVitor - E você? Está bem?- Cara... lhe devo a minha vida - diz Vitor, com olhar de quem está lembrandodo instante em que teve a faca quase em seu pescoço.- Que é isso... eu fiz o que tinha que fazer.- Mas se você não tivesse chegado... não quero nem pensar...- Você conseguiria escapar, tenho certeza.- Não sei. Mas uma coisa te garanto, Fred. Só me matando primeiro o Maxconseguiria colocar as mãos na Amélia - afirma Vitor.- Não fala assim, meu amor... - implora Amélia, abraçando o amado com força -Se ele matasse você eu morreria junto...- Parem, não vamos mais falar disso. O que importa é que está tudo bem agora- pede Fred com firmeza - Preciso trabalhar agora, mas qualquer coisa mechamem. Sei que não preciso nem pedir, mas... cuida dela, Vitor.Vitor não responde, apenas aperta Amélia em seus braços como se quisessefazer o próprio corpo de escudo.Fred abre a porta para sair bem na hora que a sargento Mourão ia bater.- Algum problema? - ele pergunta, apreensivo.- Por enquanto não, só trouxe algumas notícias.Ela entra e comunica:- O delegado já chamou o advogado do Max. Como ele é réu primário, é bemprovável que consiga responder o processo em liberdade. Mas não seapavorem. Eu já entrei em contato com meus superiores regionais, expliqueique vocês estão correndo risco de vida e me ofereci para escoltá-los. Mesmoque o Max seja solto, ele não vai poder chegar perto de vocês, senão voltapara a cela na mesma hora.Vitor solta um suspiro de alívio, mas Amélia continua preocupada:
  5. 5. - O Max não é do tipo que suja as mãos, ele manda fazer... Hoje ele sedescontrolou, mas quando esfriar a cabeça... - ela comenta.- De qualquer forma, vocês estarão sob proteção policial. Fiquem tranquilos -acrescenta Mourão, e sai junto com Fred.Vitor os acompanha até a porta, que ele tranca. Depois senta na cama esuspira de novo:- Finalmente... acho que agora vamos poder viver nossa vida.- Tomara que a gente possa ter paz - devolve Amélia.- Nós merecemos, né? Um amor tão forte como o nosso tem que poder servivido plenamente.- Tem sim... - ela murmura, olhando pra ele com amor.Vitor a beija com suavidade, depois levanta e a puxa pela mão.- Vem.- Pra onde?Ele não responde, apenas a conduz até o banheiro. Tira a blusa de Amélia ecomeçar a tirar-lhe a calça também. Sem entender ainda, ela termina de tirar aroupa enquanto ele abre o chuveiro e tira a bermuda.- Vamos nos lavar de todo o sofrimento que passamos hoje - Vitor explicaconduzindo Amélia para baixo do chuveiro. Enquanto a água cai sobre eles, oslábios se encontram em um beijo de um amor ainda mais fortalecido.E Se... Vitor levasse Amélia à força?Vitor entra na sala e avisa Amélia:- Vim te buscar. Você não fica mais nessa casa.- Por favor, Vitor, não faz assim... - ela diz com um fio de voz.- Amélia, não te deixar aqui, sob o domínio desse carrasco... desse monstro...Você vem comigo - diz Vitor com firmeza, e pega Amélia no colo.Enquanto ele a carrega para fora da casa, Amélia protesta:- Não, Vitor! Me coloca no chão!- Pára, Amélia - ele diz baixinho - Se alguém escuta, vai achar que to tesequestrando!- E não está?- Não. Estou salvando sua vida - Vitor responde olhando nos olhos dela.Amélia não consegue dizer mais nada, apenas olha para ele com jeito quequem se entregou. Vitor a carrega até o carro, só então a coloca no chão.- Vamos, entra logo.Ela obedece, ele entra também e dá a partida.- O capanga do Max está vindo atrás de nós - avisa Amélia.- Já vou resolver isso, fica calma.Quando estão no meio da estrada, onde ninguém os vê, Vitor freiabruscamente e desce do carro. Veloso também freia. Vitor se aproxima docarro do capanga e pede:- Desce, preciso trocar uma idéia com você.Veloso obedece. Ele e Vitor ficam frente a frente.- Só tenho uma coisa para lhe dizer... - anuncia Vitor, e dá um soco, com toda aforça que consegue, na cara do capanga, fazendo-o cair no chão. Na queda,Veloso bate a cabeça e desmaia.
  6. 6. Vitor volta depressa para o carro, onde Amélia, que viu tudo pelo retrovisor,está assustada:- Você é louco! - ela exclama, sem conseguir conter um sorriso, encantada coma coragem do amado.- Por você eu sou capaz de tudo - ele devolve, enquanto dá a partidanovamente.Eles seguem até a estalagem, onde correm até o quarto dele. Vitor fecha aporta, e então abraça Amélia com força.- Me diz que você nunca mais vai ficar longe de mim... - ele pede.- Nunca mais vou ficar longe de você - ela responde, o abraçando com força.Vitor levanta o rosto de Amélia e junta seus lábios aos dela, primeiro comsuavidade, depois cada vez mais intensamente, até se deixarem levar porcompleto pelo amor que os une.E Se... Amélia fosse procurar Vitor quando saiu desesperada?(Cena de 18 de fevereiro – Amélia atira em Max)Depois de disparar a arma contra Max, Amélia sai de casa desesperada. Entrano carro e sai depressa, as lágrimas caindo por seu rosto. Mesmo não tendoacertado o tiro, estava apavorada com o que acabara de fazer. Nuncaimaginara que chegaria a esse ponto.Quando se dá conta, já está na cidade, próximo à estalagem. Soluçando, largao carro e corre até a porta da estalagem. Olha para dentro, a respiraçãoofegante. Tudo vazio. Entra correndo e sobe as escadas o mais rápido quepode. Com o coração aos pulos, entra no quarto de Vitor, que estava deitadona cama, pensativo. Ao vê-la, ele levanta e corre até ela, assustado.- Amélia, o que aconteceu? Você aqui, essa hora, nesse estado? - Vitorpergunta, preocupado.- Vitor... - é só o que ela consegue murmurar antes de se atirar nos braçosdele, em prantos.- Calma, Amélia... aqui você está em segurança - ele acaricia os cabelos dela ea leva até a cama, onde sentam - Me conta... foi o Max? O que ele fez?Ela solta um profundo e triste suspiro. Olha para Vitor, sem que as lágrimasparem de correr. Baixa a cabeça e fala:- O Max me deixou tão acuada que eu peguei a arma dele... - Amélia pára, semcoragem de continuar.Vitor fica ainda mais assustado com o que deduz:- Você... atirou nele? Foi isso?- Foi... - ela confirma com um fio de voz, e esconde o rosto no peito dele,chorando intensamente.- Meu Deus... - murmura ele, chocado - O que aquele desgraçado fez pra vocêchegar nesse ponto? Você jamais pegaria numa arma se não estivesse muitodesesperada.- Não me pergunta isso... - Amélia diz entre soluços.- Amélia... eu estou preocupado com você.- Só me abraça, por favor...Ele a estreita em seus braços, e a deixa chorar em seu peito até que seacalme. Quando ela levanta a cabeça, Vitor pergunta com cuidado:
  7. 7. - Tá mais calma? Quer me contar agora?Ela balança a cabeça:- Não... eu ainda não consigo acreditar no que eu fiz... mas não acertei ele...não... mas podia ter acertado... como eu pude? - ela desabafa, como se fizesseforça para falar.- Você está muito abalada mesmo... Pra sair assim, descalça e de camisola... -ele comenta, angustiado.- Ai, que vergonha... - Amélia cruza os braços diante do corpo.- Vergonha de mim, meu amor? - Vitor retruca com doçura.- É mesmo... ai, não consigo nem pensar direito...- Então não pensa... só fica aqui - ele a aconchega em seus braços - Eu cuidode você.Vitor acaricia os cabelos de Amélia até que ela, exausta, adormece. Ele esperaum pouco e a acomoda na cama. Depois pega o celular e vai para o outro ladodo quarto, para não acordá-la.Liga para Manuela:- Vitor? Aconteceu alguma coisa? - Manu atende preocupada, pelo avançadoda hora.- Você está na fazenda?- Acabei de chegar, nem desci do carro.- A Amélia está aqui. Alguma coisa muito grave aconteceu aí na fazenda,porque ela chegou de camisola, descalça e aos prantos.- Meu Deus, não quero nem imaginar o que meu pai deve ter feito - respondeManu, chocada.- Nem eu. Porque se eu imaginar, vou até aí e arrebento a cara do Max - elenão consegue disfarçar a raiva.- Calma, Vitor, não vai piorar as coisas.- Desculpa, é que eu não suporto ver a Amélia sofrendo assim.- Eu sei... Como minha mãe está agora?- Dormiu, depois de chorar muito.- Melhor que ela durma aí mesmo, vai estar bem cuidada. Vou tentar descobriralguma coisa por aqui, e amanhã bem cedo levo umas roupas para a minhamãe, tá?- Fica tranquila, não vou sair do lado dela.Vitor desliga o telefone e volta para a cama. Deita com cuidado ao lado deAmélia, e fica olhando para ela, com o coração apertado, pensando em quantosua amada deve ter sofrido para chegar a uma situação tão extrema quanto adaquela noite.Amélia acorda quando os primeiros raios de sol entram pela janela, e seassusta:- Meu Deus, eu dormi aqui!Vitor abre os olhos e a contempla com preocupação:- Como você está, meu amor?Ela põe as mãos na cabeça, aflita:- O que eu vou fazer agora?- Calma. A Manuela vem lhe trazer umas roupas, quando ela chegar a gentepensa juntos.- Vitor, pelo amor de Deus, não conta pra ninguém o que eu fiz... muito menospra Manu - Amélia implora, ainda mais angustiada.
  8. 8. - Se você não quer, não digo nada pra ninguém.Amélia está quase chorando de novo:- Como posso dizer para minha filha que atirei no pai dela?- É, seria um choque para a Manu... mas acho que o Fred deveria saber a queponto está a relação entre você e o Max. Ele não tem mais nenhuma ilusão arespeito do pai.- Não sei se eu tenho coragem...- Meu amor, você precisa deixar que a gente te ajude... - insiste Vitor comdoçura.Ela não diz mais nada, apenas se refugia nos braços dele, escondendo o rostoem seu peito.- Você não está sozinha... - ele lembra, enquanto acaricia os cabelos dela.Na fazenda, Manu pega uma bolsa com roupas da mãe e desce as escadascom cuidado, para não fazer barulho. Passa na cozinha, onde Lurdinha já estápreparando o café.- Ué, Manu, caiu da cama? - espanta-se a empregada.- Fala baixo, não quero que meu pai me veja sair.- Tá, desculpa - sussurra Lurdinha - O café já está passado, quer?Manu serve uma xícara e toma quase de um gole só.- Tô indo - ela avisa, mas pára antes de sair - Lurdinha, você viu ou ouviuminha mãe e meu pai brigando ontem à noite?- Ver eu não vi nada, nem ouvi nenhuma briga.- Não aconteceu nada estranho? - Manu insiste.Lurdinha pensa um pouco e decide contar:- Olha, eu tava terminando meu serviço aqui na cozinha, quando ouvi umbarulho que parecia um tiro.- Tiro? - espanta-se Manu.- É. Daí eu corri na sala e o vosso pai tava descendo as escadas todoesbaforido, perguntou se eu tinha visto a dona Amélia. E eu perguntei quebarulho tinha sido aquele, o patrão jurou que tinha sido uma porta que bateu.Mas aquilo não foi barulho de porta, não...- Ai, meu Deus, o que meu pai fez... - diz Manu com um olhar assustado - Pelomenos eu sei que minha mãe está bem. Valeu, Lurdinha... e não conta isso pramais ninguém, por favor.Manu sai depressa para pegar o carro.Terê se espanta ao ver Manu entrando na estalagem:- Manuela? O que faz aqui tão cedo?- Vim falar com o Vitor, posso subir? Ele já está sabendo.- Claro, mas... aconteceu alguma coisa com a Amélia? - a vidente questiona,preocupada.- Pelo jeito aconteceu algo bem sério... mas nem eu sei direito.- Se vocês precisarem de alguma coisa, contem comigo.- Obrigada, Terê - agradece Manuela com um leve sorriso, sem perder o arpreocupado.Manu bate de leve na porta. Vitor corre para abrir:- Entra, Manu.
  9. 9. - Mãe... - Manu corre até Amélia e abraça forte. Depois afasta o rosto e a olhanos olhos - O que aconteceu pra você sair de casa desse jeito? Me conta...Amélia olha para Vitor, sem saber o que dizer. Ele ajuda:- Ela não quer contar nem pra mim o que o Max fez para deixá-la tãodesesperada.- Mãe, a Lurdinha me disse que ouviu tiro ontem à noite. Foi meu pai quetentou te atingir? Pode me dizer, eu aguento - garante Manu.- Por favor... não me pede pra falar sobre isso... - suplica Amélia.- Tá bem. Você sabe que pode se abrir comigo quando quiser - ela segura asmãos da mãe e continua - Você não pode continuar naquela casa.- O Max vai se vingar... ele já invadiu esse quarto uma vez, vai vir atrás demim... - diz Amélia, com medo.- Pára, Amélia. O Max não vai mais chegar perto de você, eu não vou deixar -avisa Vitor com firmeza.- Mãe, eu também não consigo mais viver sob o mesmo teto que o meu pai.Vou alugar um quarto pra nós duas aqui na estalagem. Assim você ficapertinho do Vitor sem dar motivo pra fofocas maldosas - sugere Manu, com umsorriso travesso.- Não tenho forças pra recusar - responde a mãe.- Tá, então vou falar com a Terê agora.- Enquanto isso vou tomar um banho e me recompor - avisa Amélia.- Isso mesmo - Manu dá um beijo na mãe e sai.Quando ela se vira depois de fechar a porta, dá de cara com Fred no corredor.- Manu? Por que você veio falar com o Vitor tão cedo?Ela se aproxima e fala baixinho:- A mãe tá aí com ele. Saiu de casa no meio da noite, chorando, apavorada, eveio parar aqui.- O que o seu Max aprontou dessa vez?- Não sei, ela não quer falar. Seguinte, Fred, to indo agora pedir pra Terêarrumar um quarto pra mim e pra dona Amélia aqui.- Já estava mais do que na hora dela deixar aquela casa.- Pois é. E ela vai precisar muito de nós agora.Fred confirma com a cabeça, e Manu se despede. Ele bate na porta do quartode Vitor, que se surpreende ao vê-lo:- Fred?- Encontrei a Manu no corredor, ela me contou o que aconteceu.- Entra. A Amélia tá no banho, espera aí - Vitor oferece uma cadeira.- Cara... como meu pai pode maltratar tanto a mulher que ele dizia amar?- Desculpa, Fred, mas o Max não sabe o que é amor, carinho, respeito... ele sósabe manipular e dominar as pessoas.- Pior é que é verdade. Quando penso em tudo que o seu Max já fez, eu tenhonojo de ser filho dele.- Imagino.Amélia sai do banheiro:- Fred! - ela exclama, surpresa.Ele corre até ela e a abraça:- Como você está, mãe?- Agora estou bem, recuperando as forças...
  10. 10. - Dona Amélia, estou a seu dispor, pra tudo que precisar - ele afirma comcarinho.Amélia sorri e devolve, emocionada:- Eu tenho dois filhos maravilhosos...Manu entra bem nesse momento.- Falando nisso, olha sua filha aí - acrescenta Fred.- Falei com a Terê, está tudo certo. Pode deixar que eu e o Fred buscamossuas coisas, né Fred?- Claro, maninha - ele responde batendo uma continência.- E eu fico aqui, cuidando da nossa Amélia - completa Vitor, abraçando-a.Amélia sorri, um pouco encabulada.- Gente, vai dar tudo certo, porque nós estamos unidos, e assim somos maisfortes - conclui Manu.- Ah, filha... - murmura Amélia emocionada, abrindo os braços.Manu abraça a mãe. Vitor abraça as duas. Fred se junta a eles, num só abraço.E Se... Amélia conseguisse encontrar com Vitor?(Cena de 1° de março - escrito antes da cena, antes de saber que Améliairia encontrar com ele disposta a fugir)Amélia chega ao local marcado e se aproxima de Vitor com olhar de súplica:- Me perdoa, meu amor... eu não podia colocar sua vida em risco.- Amélia... eu não posso ficar sem você - ele responde olhando para os olhos edepois para os lábios dela. Então a toma nos braços e a beija de um jeitoapaixonado e desesperado.- Não quero te perder... se preciso agir de um jeito que você não compreende,é pra não te perder...Vitor a olha sem entender. Amélia o abraça com força, como se precisassesentir o coração dele batendo.Eles estão sentados sob uma árvore. Amélia está aconchegada nos braços deVitor, que enquanto a acarinha, diz:- Até quando vai ser assim, Amélia, nos encontrando às escondidas? Eu queriaentender porque você não consegue resolver essa situação.- Eu queria poder resolver tudo e não sair mais do seu lado... mas é muito maiscomplicado do que você pode imaginar.Ele levanta a cabeça dela e a olha nos olhos, percebendo o terror em seuolhar.- Por que você tem tanto medo? O que o Max fez pra te deixar assim? - Vitorcomeça a falar com doçura, mas se altera ao ponto de falar quase bufando deraiva - Se eu souber que ele te machucou, eu... eu...- Tá vendo? Como eu posso te contar o que acontece dentro daquela casa?Sem eu dizer nada você já está a ponto de perder a cabeça... - Améliaresponde com voz embargada, os olhos ficando marejados.Vitor fecha os olhos e respira fundo, procurando se acalmar. Depois olha nosolhos dela novamente:- Tá bom, desculpa... Eu prometo, eu juro que não vou tomar nenhuma atitudeprecipitada. Confia em mim... Conta tudo, o que o Max te fez?Amélia olha para ele, insegura, e continua em silêncio.- Por favor, me conta... Me deixa te ajudar - ele insiste.
  11. 11. Ela engole em seco e começa a falar:- Lembra a noite do show de Victor & Leo?- Aquele que você me liberou para ir sozinho e eu respondi que não teria graçanenhuma ir sem você?Amélia dá um leve sorriso, mas logo fica tensa novamente:- Esse mesmo. A Manu e a Lurdinha foram ao show, fiquei sozinha em casacom o Max. Quando eu vi, ele estava dentro do meu quarto... Ele foi seaproximando, dizendo que... - ela não consegue continuar, e esconde o rostono peito de Vitor.- E? - ele pergunta, apreensivo.- Foi horrível... - é só o que ela consegue dizer, as lágrimas começando aescorrer por seu rosto.- Não... não acredito que ele foi capaz de... - Vitor deduz o que aconteceu - Eleforçou você, foi isso?Amélia apenas chora, balançando a cabeça.- Meu Deus, Amélia... - ele a abraça forte, chocado, e murmura - Desgraçado...Covarde...Assim que consegue se acalmar um pouco, ela enxuga as lágrimas e continua:- Depois disso eu jurei que ele não me tocaria de novo. Passei a trancar a portado quarto, a viver sobressaltada... Eu precisava buscar um meio de medefender, e peguei a arma do Max no escritório, levei para o meu quarto - elainterrompe, e vê que Vitor está perplexo.- Continua - ele pede.- Depois que posei para o catálogo, o Max invadiu meu quarto de novo. Euavisei que ele não se aproximasse, mas... ele foi chegando cada vez maisperto.- E você atirou nele? - Vitor não consegue acreditar.- Sim. Mas eu tremia tanto que não passou nem perto. Fiquei tão assustadacom o que tinha acabado de fazer que larguei a arma e saí correndo, semrumo. Quando me acalmei e consegui voltar, o Max fez ameaças veladas,praticamente insinuou uma chantagem.- Crápula... - ele deixa escapar, depois tenta se controlar - E a arma?- Não a encontrei mais. Só fui vê-la novamente depois do atentado que vocêsofreu. O Max deixou bem claro que guardou a arma com as minhas digitais, eessa mesma arma foi usada para atirar em você. E insinuou que posso seracusada de tentar te matar para ficar com todo o lucro da sociedade - concluiAmélia com uma expressão de náusea misturada com desespero.Vitor está quase em estado de choque:- Como pode alguém ser tão perverso? - exclama, repugnado.- Você entende agora o meu pavor? Entende o quanto o Max é perigoso?- Entendo, sim. E não posso deixar que você continue sob o mesmo teto, sob odomínio desse... desse... monstro.- Você tá louco, Vitor? Se eu sair de casa ele me entrega para a polícia!- As digitais não provam que você atirou. O Max tá fazendo um jogo sujo, masnão vai ganhar. Eu fui a vítima desse atentado, Amélia, e vou defender vocêaté o fim! E os seus filhos estão do nosso lado... eles sabem que você me amae jamais atiraria em mim.- É mesmo... - ela responde ainda insegura.- Você vem comigo - ele diz com firmeza.
  12. 12. - Se eu fizer isso, ele vai atrás de nós... vai mandar te matar. Você nãoentende, Vitor? Ele vai matar você... ele disse isso! Não posso deixar... nãoposso deixar que ele acabe com a sua vida... - Amélia tenta convencê-lo, coma voz embargada, a respiração ofegante. Olha para ele, angustiada, e selevanta.Vitor também fica de pé:- Quando ele souber que fugimos juntos, nós já estaremos longe daqui - elasegura Amélia com um braço, bem forte, e com a outra mão pega o celular nobolso e liga para Manu - Oi, Manu. Você e o Fred podem vir até o local ondecombinei de me encontrar com a Amélia? Certo, estamos esperando.- Porque você chamou meus filhos?- Você me disse uma vez que só a opinião deles é que importava.- Vitor... você não vai contar nada para eles, pelo amor de Deus...- Não. Eles não precisam saber nada do que você acabou de me contar parame ajudarem a te convencer a ir embora.- Ah, Vitor... eu queria ter essa sua segurança...- Você só precisa confiar em mim, meu amor - ele acaricia o rosto dela.- Não é por mim que eu temo, é por você, pela sua vida!- Não vai acontecer nada comigo, eu juro - ele a abraça forte.Eles ficam abraçados em silêncio, até que Manu e Fred chegam.- Que foi, cara? Por que você chamou a gente aqui? - pergunta Fred, ansioso.- Eu quero levar a Amélia embora aqui, para longe do Max. O que vocêsacham?- Tem todo o meu apoio. Vocês já deviam ter feito isso - afirma Fred.- Também concordo - apoia Manu, que depois se dirige ao irmão - Tenhocerteza que o seu Max tem ameaçado a nossa mãe, para deixar ela com tantomedo.- Isso não me surpreende nem um pouco - ele responde e fica pensando poralguns instantes - Já sei o que vamos fazer. Vitor, você vai na frente, pede proCaroço encher o tanque de uma lancha que temos lá na operadora e quequase não usamos mais. Diz também pra ele não sair do lado dela até euchegar, não deixar ninguém encostar na lancha. Depois me espera naoperadora.- Certo. E a Amélia?- Vai comigo, para não levantar suspeitas. Nos encontramos lá daqui a pouco.Manu, você vai na fazenda, pega algumas roupas da dona Amélia, e depois vaipara a operadora também. Toma cuidado pro velho não te ver.- O pai deve estar no campo a essa hora, vai ser fácil. Já já nos vemos -devolve Manu, e sai.- O que você está esperando, Vitor? - pergunta Fred, tentando disfarçar onervosismo.Vitor acaricia o rosto de Amélia e beija delicadamente os lábios dela:- Até daqui a pouco, meu amor...Ele sai, e Amélia abraça o filho:- Isso é uma loucura... seu pai vai matar o Vitor...- Não, mãe... ele não vai conseguir, eu tenho certeza. Confia na gente.Vitor anda de um lado para o outro, ansioso. Quando vê Amélia e Fredchegando, corre até ela e a abraça, sem se importar que alguém veja.- Que bom que você está aqui... Eu tive medo que você não viesse...
  13. 13. - E você acha que eu ia deixar? - retruca Fred.Ainda abraçado a Amélia, Vitor responde:- Cara... o que você e a Manu estão fazendo por nós... não sei se vouconseguir retribuir algum dia.- Estou fazendo tudo isso pela felicidade da minha mãe. Então, trata de fazerela feliz, é só o que eu quero.Vitor beija os cabelos de Amélia antes de dizer, num misto de emoção eansiedade:- Vou fazer, sim. Vou fazer porque... eu amo essa mulher mais do que tudonesse mundo.Amélia e Fred ficam emocionados também, e os três ficam em silêncio, naexpectativa pela chegada de Manu.- Pronto, estou aqui - ela entra, carregando uma mala, que passa às mãos deVitor - Peguei só o essencial.- Filha... eu não queria ter que me afastar de você... - Amélia abraça Manu comum braço e estica o outro na direção de Fred, que se junta a elas - de vocês...- Mas a gente sabe que é pro seu bem, mãe. Vai tranquila, nós vamos ficarbem - garante a filha.- E eu só quero ver vocês de novo aqui em Girassol no dia do meu casamento,tá? - avisa Fred - Até lá, a gente vai dar um jeito de conter o seu Max.- Filho, toma cuidado... - Amélia se mostra apreensiva.- Fica calma, dona Amélia, eu sei o que estou fazendo - ele beija a mãe eorienta - Agora é melhor vocês irem logo.Fred e Manu levam Amélia e Vitor até a lancha. Depois que o casal se afastano rio, Manu pergunta:- E agora, Fred?- Agora você vai para a fazenda e não sai de lá. Quando o velho der falta danossa mãe e quiser saber onde ela está, você diz que a dona Amélia estácomigo. E deixa o resto por minha conta, por enquanto.Max chega em casa e pergunta à Lurdinha sobre Amélia:- Não sei da dona Amélia, não, seu Max. Deve estar lá no quarto dela,desenhando as jóias.Desconfiado, Max sobe e procura a esposa no quarto. Não a encontra, e bateno quarto de Manu:- Minha filha, sabes de tua mãe?- Foi visitar o Fred, vai jantar com ele. Seu perdigueiro não lhe deu o serviço? -ironiza ela.Max desce e anda de um lado para o outro, cismado. Logo depois, sai. Elechega na cidade e vê Fred no armazém.- Frederico, onde está a tua mãe? Vim buscá-la - Max diz simulando calma.- Ela ficou me esperando na estalagem, vamos até lá - convida Fred, tentandoconter a vontade de ser sarcástico.Ele leva o pai até seu quarto.- Mas onde está ela, que não estou vendo? - insiste Max.- Bem longe do alcance dos seus olhos. A dona Amélia não está mais nessacidade.Bufando, Max sai para o corredor e invade o quarto de Vitor, vendo que o rapaztambém não está lá.
  14. 14. - Ela fugiu com o amante... eu mato aqueles dois! - esbraveja, sem perceberque Fred está bem atrás dele.- Se acontecer alguma coisa com um dos dois, vou ser o primeiro a lhe acusar,seu Max - avisa o filho.- Mas o que é isso? Meu próprio filho, acobertando as safadezas da mãe? Meapunhalando pelas costas?- Pára de drama, seu Max... a vítima aqui não é você. Minha sofreu muito maisdo que devia nas suas mãos. No que depender de mim, você não chega maisperto dela.- Vamos ver. Eu vou encontrar a Amélia e a levar de volta para casa. Ela aindaé minha mulher. E vou dar um jeito naquele... - enquanto fala, Max fecha amão, como se estivesse esmagando algo. Percebendo que estava falandodemais, ele sai depressa.Fred dá um suspiro preocupado.Alguns dias depois, Manu acha um documento no escritório de Max. É umlaudo que prova que a explosão da mina foi provocada. Ela procura Fred:- Olha o que eu achei - ela estende o papel para o irmão.Fred lê, mas não entende a intenção de Manu:- Aqui diz que uma mina foi explodida intencionalmente. E daí?- Essa mina é aquela em o Cirso trabalhava. Nosso pai recebeu uma bolada doseguro na época.- Como? O pai provocou uma porção de mortes pra receber o dinheiro de umseguro? - Fred está chocado e repugnado.- Isso mesmo - confirma Manu.- Meu Deus, quem é esse homem a quem sempre chamei de pai? Ummonstro?Manu não consegue responder, apenas abraça o irmão, chorando. Quando elase acalma, Fred diz:- Você vai entregar esse papel para a polícia?- Eu preciso fazer isso. Por nós, pela nossa mãe, por todas as pessoas que jáforam vítimas do nosso pai.- Força, Manu. Estou com você, viu?- Obrigada. Agora vou procurar a sargento Mourão e entregar isso logo.Com a prova sobre a explosão da mina, Max é preso e levado para Juruanã,onde vai aguardar o julgamento. Manu liga para Vitor e dá a notícia. Ele ri aoouvir.- Que foi, Vitor? - Amélia pergunta, preocupada.- O Max foi preso... e nós estamos livres! - comemora Vitor, intercalando beijose risos, enquanto Manu continua ao telefone, chamando por eles.Amélia pega o celular da mão de Vitor:- Oi, filha... como você está?- Bem, morrendo de saudade.- Como foi isso, como seu pai foi preso?- Depois eu lhe conto tudo. Agora preciso desligar. Beijo.Amélia olha para Vitor, sem conseguir acreditar.- Vamos, Amélia, arrume suas coisas, podemos voltar pra casa! - Vitor aindaestá exultante.- Será que é seguro mesmo? E se o Max fugir? - ela responde, apreensiva.
  15. 15. - Se o Max fugir, a polícia vai atrás dele. Não vamos mais pensar nisso, vamosviver nossa vida! - ele quase se altera, mas se controla e fala de um jeito meiomanhoso - Pára de pensar naquele verme, pensa um pouco mais em mim...Amélia sorri e devolve com doçura:- Eu penso em você todos os minutos, todos os segundos... te amo... e soutoda sua.Vitor abre um grande sorriso:- Assim é que eu gosto... - ele diz no ouvido dela, e a beija com paixão.Quando chegam na beira do rio para pegar a lancha novamente, Vitor enche opulmão de ar e grita o mais alto que consegue:- Eu te amo, Amélia!Ela ri e vai aproximando seus lábios dos dele lentamente. Mas Vitor a puxapara seus braços, a beija com ardor e depois a pega no colo, levando para alancha.Na cerimônia de casamento de Fred, Vitor fica ao lado de Amélia no altar. Elecochicha no ouvido dela:- A gente podia aproveitar o padre, a igreja enfeitada...Amélia ri, tapando a boca com as mãos e sussurra:- Eu não sou viúva, ainda...- Ainda, não. Tomara que esse enterro aconteça logo - Vitor retruca, sesegurando para não rir.- Vitor, a gente tá na igreja, não fala assim - censura Amélia.Ele põe um dedo na frente dos lábios cerrados, indicando que vai ficar emsilêncio, e pisca pra ela, que sorri.Ao fim da cerimônia, todos se dirigem para a festa da casa de shows. Assimque saem da igreja, Vitor segura Amélia:- Espera. Preciso te perguntar uma coisa.Eles esperam que todos os outros convidados se afastem. Só então Vitor diz:- Promete que um dia você vai casar comigo?- Prometo.Vitor toma Amélia nos braços e a beija ali mesmo, no meio da cidade. Quandodescolam os lábios um pouco, ela olha para ele com paixão e o beijanovamente, sem medo de nada.E Se... Amélia conseguisse fugir com Vitor?(Cena de 1° de março – escrito depois de ver a cena em que Maxintercepta o carro de Amélia)Amélia chega ao local combinado, e desce do carro depressa, ofegante detanta tensão:- Vamos embora daqui, rápido, meu amor, vamos! - ela diz enquanto pega amala dentro do carro.Vitor quase não consegue acreditar ao ver Amélia com a mala na mão, prontapara fugir com ele.- Você vai mesmo fugir comigo? - pergunta, ainda surpreso, com um sorrisoincrédulo.- Vamos logo, antes que o Max venha atrás de nós - implora Amélia.
  16. 16. Vitor guarda a mala dela, enquanto Amélia entra no carro. Ele senta no bancodo motorista e olha para a amada, ainda com a sensação de que estásonhando. E dá a partida no carro, rindo.- Acelera, Vitor, temos que sair daqui o mais rápido possível!- Calma, Amélia, confia em mim - Vitor pisa no acelerador e se concentra nadireção, guiando o mais rápido que pode.Quando entram em Juruanã, ele diminui a velocidade e avisa:- Pronto, já chegamos em Juruanã.- Não pára, não podemos ficar aqui. Vai ser o primeiro lugar onde o Max vainos procurar.- Max, Max, Max... - resmunga Vitor, bufando - Quando vamos estar livresdesse desgraçado?- Só no dia em que ele morrer - responde Amélia, nervosa.- Não, Amélia, não vou deixar que ele continue tentando destruir nossafelicidade. Agora vamos viver nossa vida - afirma Vitor com firmeza, acelerandoo carro novamente - Vamos pra Goiânia, quanto maior a cidade, mais difícil doMax nos achar.Depois de algum tempo em silêncio, ele pergunta:- Aquele infeliz te ameaçou ontem, não foi? Por isso você não veio comigo.- Se eu tivesse saído com você, Vitor... você não estaria mais vivo há uma horadessas... - ela revela, com dor na voz.- Ele disse que ia me matar? Com todas as letras?- Disse. Que se eu saísse de casa logo estaria chorando sobre sua cova.Vitor dá um soco na direção:- Canalha! - ele respira fundo para se acalmar - Imagino o prazer dele ao ver oseu pavor... mas você agora está aqui comigo, e ele não vai mais poder fazernada.Amélia passa as mãos nos joelhos, ansiosa:- Falta muito para chegar em Goiânia?- Nós já esperamos tanto, Amélia... agora falta tão pouco - ele diz, sorrindo.Amélia também sorri, embora continue nervosa.Eles chegam a Goiânia e vão para um dos maiores hotéis.- Tem certeza que é seguro? - pergunta Amélia.- Sim. Eles não dão nenhuma informação sobre os hóspedes, é praticamenteimpossível que o Max nos encontre.- Impossível? O Max não conhece essa palavra.- Mas agora vai conhecer.Vitor abre a porta do quarto e conduz Amélia pela mão para dentro. Fecha aporta e depois fica parado, olhando para ela com ar de encantamento.- Que foi? - Amélia sorri.Ele responde enquanto vai chegando mais perto:- Preciso me certificar que você está aqui mesmo.- Como?- Assim - ele a toma nos braços e a beija intensamente.Quando descolam os lábios, Vitor abraça Amélia com força:- Ah, Amélia... que bom que você criou coragem, que está aqui...- Eu não podia perder você... o único homem que me amou de verdade.Ele olha nos olhos dela:
  17. 17. - Que amou, não. Que ama e vai te amar sempre.Ela acaricia o rosto dele, emocionada, e lhe dá vários beijos nos lábios,enquanto diz:- Te amo... te amo... te amo...Enfim beijam-se demoradamente, como se o tempo tivesse parado.Depois mais um longo beijo, Vitor vai tomar um banho. Quando ele sai, éAmélia quem vai para o chuveiro. Ao sair do banheiro, de roupão, Amélia pede:- Vitor, você me empresta o celular? Preciso ligar pra Manu, avisar que estátudo bem.Enquanto ela fala, Vitor a olha com desejo, reparando nos cabelos molhados,imaginando o corpo sob o roupão.- Agora não, meu amor... vem cá - ele a puxa para seus braços e a beija comardor, enquanto desamarra o roupão e vai a conduzindo para a cama.Amélia não consegue dizer mais nada, apenas se entrega aos carinhos deVitor. Se permite ser amada com toda a intensidade que o medo nuncapermitiu. Vitor beija todo o corpo dela, sem pressa, querendo fazer de Amélia amulher mais feliz do mundo.

×