Arqueologia do brasil

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Arqueologia do brasil

  1. 1. ARQUEOLOGIA PRÉ- HISTÓRIA DO BRASIL
  2. 2. Coleções Pré-História do Brasil S/data 11,5 x 6 cm; 0,5 x 5,5 cm; 9,5 x 4 cm Pontas de projétil com pedúnculo e aletas em sílex e quartzo hialino, fabricadas e utilizadas por grupos caçadores-coletores da pré-história brasileira.
  3. 3. S/data 14,5 x 17 cm; 9 x 17 cm; 17,5 x 9,5 cm; 20 x 16,5 cm; 11,5 x 12,5 cm Os machados semilunares foram produzidos por grupos horticultores na pré-história brasileira, em diferentes matérias-primas, para fins cerimoniais
  4. 4. • SAMBAQUIS • Ao longo da estreita e recortada faixa costeira do litoral centromeridional brasileiro, nos ambientes estuarinos, ricos em peixes, moluscos e crustáceos, viveram populações pescadoras e coletoras entre 8 mil anos atrás e o início da era cristã. Seus vestígios podem ser vistos em grandes montes feitos de areia, terra e conchas - os chamados sambaquis - onde são encontrados restos alimentares, ferramentas, armas, adornos e os sepultamentos dos que ali viveram. Esses montes, com alturas variáveis, têm alta visibilidade e se destacam na paisagem litorânea. Embora existam desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, é no estado de Santa Catarina que os sambaquis são mais numerosos. Ali, há sambaquis que alcançam até 35 metros de altura, o que demonstra que deviam ocorrer condições extremamente favoráveis ao modo de vida dos seus construtores. Embora sua cultura material de uso cotidiano seja bastante simples, no litoral meridional esses grupos produziram objetos cerimoniais em pedra e osso muito elaborados, com refinamento estético e sofisticação artística: os chamados zoólitos.
  5. 5. ZOÓLITO EM FORMA DE PEIXE, s/data Artefato Sambaqui, Santa Catarina; 42,5 x 25 cm A peça apresenta uma pequena depressão situada quase sempre na região ventral dos animais representados, que se supõe ter sido destinada ao processamento de substâncias capazes de produzir estímulos sensoriais, utilizadas em cerimônias e ritos.
  6. 6. ZOÓLITO EM FORMA DE PEIXE, s/data Artefato Sambaqui Rio Grande do Sul; 26 x 19 cm A peça apresenta uma pequena depressão situada quase sempre na região ventral dos animais representados, que se supõe ter sido destinada ao processamento de substâncias capazes de produzir estímulos sensoriais, utilizadas em cerimônias e ritos.
  7. 7. ZOÓLITO EM FORMA DE AVE, s/data Artefato Sambaqui Santa Catarina; 16 x 14 cm
  8. 8. • CULTURA MARAJOARA • A cultura Marajoara foi a que alcançou o maior nível de complexidade social na pré-história brasileira. Essa complexidade se expressa também na sua produção cerâmica, tecnicamente elaborada, caracterizada por uma grande diversidade de formas e decorada com esmero. As peças exibidas aqui estão relacionadas a práticas cerimoniais. Algumas foram encontradas em contextos funerários, outras provavelmente foram utilizadas em rituais de passagem. A iconografia Marajoara – fortemente centrada na figura humana e na representação de animais da floresta tropical revestidos de significados simbólicos – compõe um intrincado sistema de comunicação visual que se vale de simetrias, elementos pareados, repetições rítmicas e oposições binárias para reafirmar, transmitir e perpetuar uma determinada visão de mundo.
  9. 9. ESTATUETA FEMININA OCA EM FORMA DE FALO, 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara Ilha de Marajó 23,5 cm • Esta peça da Coleção Amazônica do Setor de Arqueologia sintetiza em uma mesma representação da figura humana os princípios feminino e masculino, um aspecto que pela sua recorrência parece ter tido particular relevância na cosmologia Marajoara. Apresenta o tronco e os membros inferiores recobertos de pintura corporal em motivos geométricos, na cor vermelha sobre fundo branco, com duas pequenas alças laterais e uma reentrância no pescoço para amarração e suspensão.
  10. 10. VASO ANTROPOMORFO 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara Ilha de Marajó 21 cm • Nesta peça de uso cerimonial aparece em relevo o tema das duas serpentes – recorrente na iconografia Marajoara talvez relacionado a algum mito – conformando uma face humana. As duas cabeças representam os olhos. Seus corpos compõem as típicas sobrancelhas em V. Um botão na junção das duas caudas configura o nariz. O bojo, banhado de branco, é decorado com formas geométricas incisas.
  11. 11. URNA FUNERÁRIA 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó; 53 cm • Com pintura em vermelho sobre fundo branco, apresenta o corpo profusamente decorado pela técnica da excisão, com variações em torno da figura humana estilizada e de motivos geométricos. Urnas funerárias elaboradas como esta, em geral contendo objetos de prestígio em seu interior, provavelmente destinaram-se a indivíduos de status social diferenciado na sociedade Marajoara.
  12. 12. PEÇA ANTROPOMORFA EM FORMA DE FALO 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara Ilha de Marajó 13 cm • O corpo e a cabeça, que apresenta as típicas sobrancelhas em T, foram decorados com motivos geométricos feitos com a técnica da excisão.
  13. 13. 400 a 1400 A.D. Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó; Altura média das três peças entre 11 e 12 cm • Pintadas em vermelho e preto sobre fundo branco, estes tapa-sexos femininos eram modelados individualmente, acompanhando a anatomia pubiana de suas portadoras. Padrões geométricos, muitos deles correspondendo a representações estilizadas da figura humana, preenchem seus quatro campos decorativos, que em alguns exemplares são reduzidos a apenas três. Enquanto a faixa superior varia pouco, a seguinte e também a inferior apresentam maior variabilidade. O campo central, maior, não se repete nunca. Apresentam em cada uma das extremidades orifícios para amarração, muitos deles desgastados pelo uso.
  14. 14. PEQUENO RECIPIENTE ANTROPOMORFO 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó; 10,5 x 6,5 cm • Decorada com formas geométricas feitas com a técnica da excisão, esta peça, de uso cerimonial, provavelmente servia para a ingestão ou inalação de substâncias capazes de produzir fortes estímulos sensoriais, utilizadas em ritos comunais
  15. 15. PARTE SUPERIOR DE ESTATUETA OCA EM FORMA DE FALO, PROVAVELMENTE FEMININA 400 a 1400 A.D. • • Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó; 16 cm Esta peça cerimonial parece ter sido quebrada de propósito – o que era prática frequente na sociedade Marajoara – talvez para inviabilizar sua reutilização. Com os olhos em forma de escorpião, um atributo recorrente nas figuras antropomorfas e associado a xamãs, testa alta e depilada, com o formato da cabeça sugerindo deformação craniana, a estatueta foi decorada com pintura facial e corporal em motivos geométricos vermelhos sobre fundo branco. A iconografia Marajoara, como atestam as características desta peça, indica que as mulheres ocuparam posições de status social elevado, que em outras culturas são em geral reservadas aos homens.
  16. 16. VASO GLOBULAR 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó • Pintado em preto e branco com motivos geométricos espiralados e ondulantes, este vaso apresenta um padrão decorativo associado ao movimento das águas, que se repete em outros suportes, como urnas funerárias e pratos.
  17. 17. URNA 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó; 81 cm • Peça excepcional por suas dimensões, esta urna cerimonial apresenta a superfície totalmente recoberta por decoração plástica feita com a técnica da excisão, em motivos geométricos e representações de seres híbridos que misturam características antropomorfas e zoomorfas. (Ver detalhe abaixo)
  18. 18. VASILHAME 400 a 1400 A.D. • Cerâmica Marajoara; Ilha de Marajó; Ø 38,5 cm • Tigela cerimonial decorada internamente com pintura policroma, em vermelho e preto sobre fundo branco, com motivos geométricos e representações estilizadas da figura humana. A borda, sem pintura, recebeu decoração em relevo, com representações de serpentes e rostos humanos dispostos alternadamente. No verso a peça apresenta uma exuberante decoração plástica com motivos geométricos feitos com a técnica da excisão.
  19. 19. CULTURA SANTARÉM • Na região do baixo rio Tapajós floresceu a chamada cultura Santarém, que se notabilizou pela produção de uma cerâmica de estilo muito peculiar, baseado no emprego das técnicas de modelagem, incisão, ponteado e aplicação. Descrita desde o século XIX por naturalistas e viajantes que percorreram a área, suas formas revelam composições elaboradas, contendo uma profusão de apêndices de animais da floresta tropical, que constituem verdadeiras esculturas concebidas de maneira naturalista. Estatuetas antropomorfas também se destacam pelo naturalismo das representações de homens e mulheres, portando atributos que permitem identificar emblemas de prestígio e posições sociais. Na verdade, pouco se sabe sobre essa cultura, uma vez que escavações arqueológicas sistemáticas só começaram a ser desenvolvidas nos últimos anos. As peças existentes em museus provêm em grande parte de coletas e escavações realizadas sem controle no seu maior sítio arqueológico, onde hoje está assentada a cidade de Santarém, o que impede a compreensão de seus contextos. Ainda assim, elas constituem importante fonte de conhecimento sobre a complexa sociedade que as produziu, porquanto são testemunho de suas práticas sociais, formas de construção do corpo e concepções
  20. 20. CABEÇA DE ESTATUETA ANTROPOMORFA FEMININA Cerca de 1.000 a 1.400 A.D. Cerâmica Santarém; Pará 17 cm. Com olhos fechados em forma de grãos de café, típicos da cultura Santarém, esta cabeça, que foi destacada do seu corpo, apresenta vários atributos: além de adornos auriculares, seu cabelo foi cuidadosamente penteado e ela porta um elaborado toucado constituído por um cobre-nuca e uma grinalda ornada com três cabeças de morcego de cada lado. Apresenta orifícios circulares nas narinas e nos ouvidos.
  21. 21. VASO ANTROPOMORFO REPRESENTANDO UM HOMEM SENTADO • Cerca de 1.000 a 1.400 A.D. • Cerâmica Santarém; Pará; 34 cm • A postura corporal, os lóbulos perfurados e outros ornamentos sugerem que este indivíduo que apresenta os membros atrofiados, especialmente os inferiores, tenha tido uma posição social diferenciada. Peça restaurada, com falo fraturado e ausente.
  22. 22. MUIRAQUITÃ, ESCULTURA EM FORMA DE RÃ • • S/data; Pedra verde Óbidos, Pará Os muiraquitãs – comuns em forma de rãs e, mais raramente, de aves, peixes e outros animais – eram fabricados quase sempre em pedras verdes, como jadeítas, nefritas e amazonitas. Utilizados como pendentes, aparecem também adornando toucados femininos em estatuetas cerâmicas de Santarém. Envoltos em lendas, os muiraquitãs são desde longa data considerados poderosos amuletos contra toda sorte de malefícios. Ao que tudo indica, Santarém foi o seu centro de produção, embora haja uma dispersão considerável de peças desse tipo, talvez em consequência de extensas redes de trocas e de difusão ideológica. Essas redes alcançaram a região caribenha onde são encontrados artefatos produzidos em Santarém.
  23. 23. ESTATUETA ANTROPOMORFA FEMININA • • Cerca de 1.000 a 1.400 A.D. Cerâmica Santarém; Pará 42,5 cm. Peça excepcional por suas dimensões, em se tratando de uma representação feminina, que em geral tem menor porte. Os membros inferiores foram hiperdimensionados, enquanto os superiores apresentam- se atrofiados. Com olhos fechados em forma de grãos de café, e boca com expressão de amuo, frequente em outras representações antropomorfas dessa cultura, a figura porta vários atributos: tapa- sexo em forma de tanga, lóbulos perfurados, grinalda nos cabelos penteados, adorno nos braços e vestígios de pintura corporal em vermelho e preto, que permitem supor um status social diferenciado. Há orifícios circulares em diferentes pontos do corpo: narinas, ouvidos, axilas, vagina e sola dos pés. Peça restaurada, com partes ausentes
  24. 24. VASO ANTROPOMORFO • Cerca de 1.000 a 1.400 A. D. • Cerâmica Santarém; Pará; 11 cm • Vaso cerimonial que representa uma figura feminina sentada, com pernas inflectidas, totalmente recoberta por pintura corporal com motivos geométricos em preto e vermelho sobre fundo branco
  25. 25. Vaso • Cerca de 1.000 a 1.400 A.D. Cerâmica Santarém, Pará Ø 30 x 16 cm • Vaso cerimonial decorado com incisões geométricas e relevos, com figuras antropomorfas e zoomorfas dispostas alternadamente.
  26. 26. CULTURA KONDURI (Contemporânea da cultura Santarém) • Na região dos rios Trombetas e Nhamundá aparecem numerosos sítios de uma cultura que, embora mantivesse intenso contato com Santarém, desenvolveu características próprias, evidentes em sua cerâmica exuberante, com decoração incisa e ponteada e em seus raros artefatos com pintura policroma.
  27. 27. VASO GLOBULAR • • Cerâmica policroma Konduri; Pará; 28 cm Na região dos rios Trombetas e Nhamundá aparecem numerosos sítios de uma cultura que, embora mantivesse intenso contato com Santarém, desenvolveu características próprias, evidentes em sua cerâmica exuberante, com decoração incisa e ponteada e em seus raros artefatos com pintura policroma. Este vaso é uma peça excepcional por sua intensa policromia, com motivos geométricos pintados nas cores vermelho e preto sobre fundo branco. Dois apêndices zoomorfos laterais, representando o urubu- rei, funcionam como elementos de preensão.
  28. 28. RIO TROMBETAS • O rio Trombetas forma uma importante fronteira cultural com a região de Santarém. De seu entorno provém raros artefatos esculpidos em pedra polida. Alguns representam seres da natureza, como peixes, outros trazem representações de seres híbridos, como homens sentados à guisa de xamãs, por vezes sobrepostos por grandes predadores. Os jaguares e outros animais eram seres míticos para essa cultura, cujos rituais envolviam processos de transformação. Alguns artefatos de uso cerimonial exibem concavidades, sugerindo que fossem utilizados para processar substâncias alucinógenas, o que confirmaria seu contexto xamânico. Todos eles apresentam dois grandes orifícios circulares de função desconhecida.
  29. 29. ALMOFARIZ COM REPRESENTAÇÕES DE FIGURAS HUMANAS S/data; Pedra polida; Ilha de São João, Rio Trombetas, Pará; 25,7 x 1,50 cm Este almofariz, que possui elementos estilísticos comuns a culturas mesoamericanas, apresenta pares de figuras dispostas simetricamente em oposição. A peça foi encontrada por trabalhadores a serviço do engenheiro João Henrique Diniz e entregue à Comissão Rondon, que a ofertou ao Museu Nacional em 21 de março de 1929.
  30. 30. ZOÓLITO EM FORMA DE PEIXE • S/data; Região do Rio Trombetas, Pará; 19 x 14 cm • Rara escultura zoomorfa, provavelmente em filito ou folhelho, produzida por populações de horticultores ceramistas da Amazônia. Os dois orifícios circulares e paralelos que aparecem no centro da peça são recorrentes nos ídolos de pedra encontrados na região do Rio Trombetas.
  31. 31. CULTURA MARACÁ • No interior de grutas e abrigos-sob-rocha da região do rio Maracá foram encontrados vários cemitérios que guardam numerosas urnas funerárias em locais bem visíveis. Causando impacto e inspirando respeito em quem adentra esses espaços destinados aos mortos, as urnas atestam o vigoroso culto aos ancestrais praticado por essa cultura. Elas reproduzem figuras humanas masculinas e femininas em posição hierática – sentadas sobre bancos com forma de animais quadrúpedes – demonstrando tratarem-se de sepultamentos de indivíduos de status elevado. A cabeça, em forma de cone truncado, corresponde à tampa da urna, fixada ao corpo cilíndrico por meio de orifícios de amarração. Uma de suas mais notáveis características é a posição extrovertida e antinatural dos cotovelos. Pinturas faciais e corporais em padrões geométricos nas cores branco, amarelo, vermelho e preto, bem como adornos na cabeça e nos membros, expressavam a identidade social do morto.
  32. 32. URNA FUNERÁRIA ANTROPOMORFA • Cerca de 1.000 A.D. até o contato com os colonizadores europeus • Cerâmica Maracá Sul do Amapá; 34 cm. • A peça aqui apresentada é uma das menores já encontradas. Embora as dimensões de tais urnas sejam variáveis, oscilando entre 20 e 85 cm de altura, esta fica muito aquém do porte médio
  33. 33. URNA FUNERÁRIA ZOOMORFA • • • Cerca de 1.000 A.D. até o contato com os colonizadores europeus Cerâmica Maracá Amapá 24,5 cm Nos cemitérios Maracá, além das urnas antropomorfas há também, embora em número menor, urnas funerárias com forma de animais quadrúpedes similares aos bancos zoomorfos nos quais sentam-se as figuras das urnas mais numerosas. Existem cemitérios exclusivos de urnas zoomorfas, e também cemitérios mistos com os dois tipos de urnas, o que sugere que elas podem ter sido destinadas a indivíduos especiais da sociedade Maracá.

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