A ENFERMAGEM E O ENFERMEIRO NA VISÃO DE CLIENTES INTERNADOS EM UM                              HOSPITAL PRIVADO           ...
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Obteve-se autorização dos órgãos competentes do hospital e os clientes foram informados acerca dosobjetivos do estudo, da ...
Vale ressaltar que os “enfermeiros” aqui citados pelos clientes, correspondem aos profissionais/ocupacionais de enfermagem...
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Estudo minucioso sobre a visão do cliente sobre a enfermagem em hospital particular.

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A enfermagem na visão do cliente internado

  1. 1. A ENFERMAGEM E O ENFERMEIRO NA VISÃO DE CLIENTES INTERNADOS EM UM HOSPITAL PRIVADO Alessandra Mazzo Caldonha(1), Isabel Amélia Costa Mendes(2), Maria AuxiliadoraTrevizan(2), Maria Suely Nogueira(3), Miyeko Hayashida(4) Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem Fundamental do Programa de Pós-graduação do Departamento de Enfermagem Geral e1(1)Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP (DEGE/EERP-USP). Centro Colaborador da OMS para odesenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem. (2)Enfermeira. Professor Titular do DEGE/EERP-USP. Av. Bandeirantes, 3900 14040-902 Ribeirão Preto-SP e-mail iamendes@eerp.usp.br (3)Enfermeira. Professor Associado do DEGE/EERP-USP msnog@eerp.usp.br (4)Enfermeira. Doutor em Enfermagem Fundamental. Especialista em laboratório da EERP-USPmiyeko@eerp.usp.brRealizado em um hospital privado do interior paulista, este estudo teve como objetivo identificar e analisar avisão que o cliente tem da enfermagem e do enfermeiro com o propósito de oferecer indicação de possíveiscontribuições à definição do papel destes profissionais. Os dados foram coletados através de entrevistanorteada por questões abertas acerca da identificação e função dos elementos do serviço de enfermagem.Foram entrevistados 102 clientes internados há mais de 3 dias com idade entre 18 e 88 anos. Verificou-se queos clientes relacionam a enfermagem com a ação de cuidar mas não conseguem identificar o enfermeiroenquanto profissional responsável pelo gerenciamento da assistência ou como prestador do cuidado. Por outrolado, destacou-se que a postura tênue em termos de papel profissional que o enfermeiro tem adotado aoabordar o cliente, revelado pela sua comunicação genérica e informal, dificulta a configuração de uma imagemdefinida e requerida pela profissão.Palavras-chave: identidade, enfermeiro, enfermagem, visão, cliente NURSING AND THE NURSE IN THE VIEW OF IN PATIENTS AT A PRIVATE HOSPITALThis study was held at a private hospital in the interior of São Paulo State and aimed at identifying andanalyzing how the client views nursing and the nurse with a view indicating possible contributions to thedefinition of these professionals’ roles. Data were collected through an interview guided by open questionsabout the identification and functions of the nursing service elements. One hundred and two clients wereinterviewed who had been in hospital for more than three days and whose age ranged from 18 to 88 years old.It was verified that clients relate nursing to the action of caring, but are not able to identify the nurse as aprofessional responsible for care management or as a care provider. On the other hand, it stood out that thetenuous attitude adopted by the nurse in approaching the client in terms of professional role, which is revealedby generic and informal communication, hinders the configuration of a definite image required by theprofession.Key words: identity, nurse, nursing, view, client.1. INTRODUÇÃO A enfermagem vem enfrentando dificuldades no seu processo de trabalho, agravado pela falta dedelimitação do papel do enfermeiro, seja dentro da própria profissão ou na ação conjunta com outrosprofissionais. O enfermeiro atuante nas instituições hospitalares tem, ao longo do tempo, assumido diversasatribuições, muitas delas não relacionadas à assistência prestada, seja de cunho puramente administrativo-burocrático visando, sobretudo, ao atendimento das necessidades da instituição, ou ainda que poderiam serdelegadas ao pessoal auxiliar ou a profissionais de outros serviços. A enfermagem assume a responsabilidade diuturna pelo cliente no âmbito hospitalar. A garantia dapresença do enfermeiro ininterruptamente neste ambiente, para fins de cuidado, é um dos fatores que conferema ele a assunção da função de coordenar a assistência prestada ao cliente pelo pessoal de enfermagem e portodos os outros profissionais. Assim, a constituição multidisciplinar da equipe de saúde que opera no contextohospitalar, com sua diversidade de domínio de conhecimento, de especialidades, de funções e de
  2. 2. especificidades de ações com limites de tempo diversos, direciona a coordenação àquela categoria profissionalque está sempre presente. A bidimensionalidade no compromisso do enfermeiro, ou seja, o compromisso com a profissão ecom a organização, tem gerado conflitos e disfunções, cujas soluções beneficiam quase que somente aorganização (TREVIZAN et al., 1998). Paradoxalmente, os enfermeiros são preparados pelos órgãos formadores para a assistência diretaao paciente, tornando-se cada vez mais evidente a dicotomia teoria-prática, "com uma profunda dissonânciaentre o que é dito que o enfermeiro deve fazer, e o que ele executa de fato" (LUNARDI et al., 1994).Portanto, os enfermeiros ligados à assistência direta ao cliente enfrentam dificuldades ao assumirem suaprática, pois na maioria das vezes deparam-se com o confronto de valores entre a formação oferecida pelaacademia e a expectativa do mercado de trabalho. Esta situação, classicamente denominada por Kramer(1970) como choque da realidade, propicia a perda da identidade profissional, construída e internalizadadurante seu processo de formação acadêmica. Este choque de valores confunde o enfermeiro, influenciando-oa assumir atividades de outros profissionais. Cada vez mais os enfermeiros têm se afastado do cuidado e da prática clínica e têm assumidofunções que não são suas (LUNARDI et al., 1994); muitas vezes assumem os lugares de profissionais que nãoestão presentes nas equipes de saúde (LOPES, 1983). Acresça-se a isso que a atuação do enfermeiro estáalicerçada no modelo médico, caracterizado pela grande especialização e intervenção fragmentada. A estequadro agrega-se a também fragmentada composição da equipe de enfermagem, dividida em categorias, com opessoal auxiliar representando a maior parte de seu contingente de trabalho. Nesse cenário, o enfermeiro passa a assumir muitas vezes as funções do pessoal auxiliar e/ou aexercer aquilo que o médico e as instituições esperam dele (FERREIRA-SANTOS, 1973; TREVIZAN, 1978;VARGAS, 1994). Por todos estes fatores, urge que o enfermeiro tenha seu papel bem definido e internalizado paraque possa transmitir aos clientes uma clara imagem de identidade profissional. Desta forma, tendo emperspectiva o propósito de contribuir para uma melhor compreensão do papel do enfermeiro, pretende-se comeste estudo identificar e analisar a visão que o cliente tem da enfermagem e do enfermeiro, com o intento deoferecer indicações de possíveis contribuições à definição do papel do profissional em questão.2. METODOLOGIA Este estudo foi desenvolvido em um hospital privado de grande porte de uma cidade do interiorpaulista, com 164 leitos distribuídos em alas de internação supervisionadas por 16 enfermeiras, as quais estãosubordinadas a uma coordenadora de enfermagem. Fizeram parte do estudo todos os clientes internados no referido hospital no período de 28/09/1998 a12/10/1998 e que satisfizeram os seguintes critérios de inclusão: estar internado entre 3 e 5 dias; estarconsciente/orientado; ter idade acima de 18 anos; estar instalado nas alas de internação; exercer qualquerocupação, exceto enfermagem.
  3. 3. Obteve-se autorização dos órgãos competentes do hospital e os clientes foram informados acerca dosobjetivos do estudo, da garantia de anonimato e do caráter voluntário de sua participação. Incluiu-se,portanto, aqueles que manifestaram de forma livre e espontânea o interesse em participar. De posse da lista diária de clientes internados, fornecida pelo setor de processamento de dados dohospital, onde constavam o nome, data de internação, leito e tipo de convênio, selecionou-se os pacientes deacordo com os critérios de inclusão estabelecidos. A abordagem aos pacientes ocorreu de forma individual, em seus respectivos quartos, quandoobservou-se as condições físicas e psicológicas, para verificar a viabilidade de sua participação. Quandofavoráveis, apresentou-se a proposta do estudo, oferecendo esclarecimentos quanto ao objetivo e obtendo-se oconsentimento de participação e uso das informações. Na seqüência, as entrevistas foram realizadas norteadaspor um instrumento de coleta de dados, contendo os itens referentes à caracterização dos clientes e perguntasabertas, questionando sobre quais os profissionais que estavam cuidando deles e o que eles fazem; quais osprofissionais do serviço de enfermagem e o que cada um deles faz; qual o profissional responsável peloserviço de enfermagem e porque atribui à ele esta responsabilidade e, finalmente, quem é o enfermeiro e o queele faz. O conteúdo das respostas abertas foi analisado e agrupado em categorias criadas de acordo com asimilaridade temática, quantificado e apresentado em freqüência e porcentagem.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO3.1 Caracterização dos sujeitos da amostra No período estabelecido para a coleta de dados, estiveram internados 343 clientes nas unidades deinternação do hospital em estudo. Destes, 102 (29,7%) satisfizeram aos critérios de inclusão, sendo 60(58,8%) homens e 42 (41,2%) mulheres. A idade variou entre 18 e 88 anos, com mais da metade (51,0%) dosclientes em faixa menor que 57 anos e maior concentração na faixa etária de 58 a 67 anos (24,5%). Quando se trata da ocupação atual, a maioria compõe as categorias de aposentado (24,5%), do lar(22,5%) e comerciante (21,6%). O restante, aproximadamente um terço (31,4%), compreende as demaiscategorias (bancário, motorista, eletricista, professor, zelador, estudante, lavrador, fiscal de campo, pedreiro,pintor, massagista e arquiteto). Do total de clientes entrevistados, 58 (56,9%) tiveram internação anterior e 44 (43,1%) nuncaestiveram internados. Estavam internados para tratamento clínico (51%) ou cirúrgico (49%) em váriasespecialidades.3.2 Opinião dos clientes sobre os profissionais que prestam cuidado Ao serem questionados sobre os profissionais que estavam cuidando deles, todos os entrevistadosreferiram-se ao enfermeiro como o profissional que lhes presta cuidados. O médico foi apontado por 100(98%) deles e apenas 10 (9,8%) citaram o assistente social. O técnico/auxiliar de enfermagem (4,9%) efisioterapeuta (4,9%) foram citados igualmente por cinco clientes. Na categoria outros, indicada por oitoclientes (7,8%), foram incluídos os funcionários do laboratório e do serviço de nutrição, além da indicaçãogenérica de equipe do hospital e de enfermagem.
  4. 4. Vale ressaltar que os “enfermeiros” aqui citados pelos clientes, correspondem aos profissionais/ocupacionais de enfermagem que lhe prestavam cuidado. Eles não diferenciaram os enfermeiros dos demaismembros da equipe de enfermagem. A imagem que o cliente tem a respeito do enfermeiro pode ser definidacomo o “modelo, que significa nossas crenças e conhecimento de um fenômeno ou situação” como defineNormann (1993), ou seja, o cliente percebe o enfermeiro como a própria enfermagem Na descrição das atividades dos “enfermeiros”, desempenhar técnicas foi citada por 59 (57,8%)pacientes e tratar/cuidar por 45 (44,1%). Essas respostas reforçam a idéia de que a enfermagem é reconhecidaprincipalmente pelo seu envolvimento com procedimentos e pelo domínio da técnica do cuidado. Com base na indicação de atividades relativas ao tratar/cuidar parece claro à quase metade dosclientes que o cuidado é a base do trabalho da enfermagem. Entretanto, como salienta Ferraz (1989), pareceque a enfermagem esquece que essa é a sua essência e busca seu aprimoramento em técnicas e outras práticas. Acreditamos que ao aproveitar a oportunidade de coordenar aquilo que o cliente espera - o cuidado,e deixar de desempenhar as atividades de outros profissionais, poderiam se constituir em um recursoimportante para o reconhecimento das ações e, consequentemente, da visibilidade do enfermeiro. Assumir acoordenação pelo cuidado evidenciaria o papel do enfermeiro, uma vez que o cliente deseja e necessita docuidado. Ainda, outras duas categorias de respostas relacionar com o paciente foi mencionada por sete(6,9%) pacientes e definida nos seguintes termos: “conversam”, “brincam”, “dão carinho”; e cinco (4,9%)atribuíram à enfermagem a função de acompanhar/ajudar o médico descrita como “acompanha o médico” e“auxilia o doutor”. Quando perguntamos aos clientes quais as pessoas da equipe de enfermagem que cuidavam deles,64 (62,7%) identificaram com os termos “enfermeiros” e/ou “enfermeiras”. Importa destacar novamente quenão foram identificados como profissional enfermeiro, pois muitos clientes responderam a essa questãodenominando “enfermeiros e enfermeiras”, mas referindo-se aos profissionais da equipe de enfermagem quecuidam deles. Assim, não diferenciam os enfermeiros e referem-se a eles como sendo toda equipe deenfermagem. Encontramos nove respostas (8,8%) identificando o “chefe” como profissional que lhes prestacuidado; porém, não informaram quem é o profissional designado chefe; seis (5,9%) referem-se ao auxiliar eum (1,0%) ao técnico; dois (2,0%) não sabem quem são os profissionais de enfermagem que cuidam deles equinze (14,7%) referem outros profissionais: médico, práticos, pessoal do posto e várias pessoas (indefinidas).Alguns clientes não deram respostas definidas e identificaram como “todos atendem igual”, “tudo usa branco,é tudo igual”, “são todos iguais”. Em seguida perguntamos quais as atividades do enfermeiro e 71 (69,6%) pacientes identificaramcomo prestar cuidados/procedimentos. Voltamos a salientar o trabalho de Ferraz (1989) que coloca o cuidadocomo trabalho da enfermagem e instiga a enfermeira a questionar e pensar seu cuidado e sua prática. Identificaram ainda como função do enfermeiro, ouvir informações sobre o atendimento, citada porsete (6,9%) deles. Mais uma vez, a indefinição da função do enfermeiro volta a emergir já que o hospital
  5. 5. mantém um serviço de atendimento ao cliente para este fim. O enfermeiro afasta-se do cuidado para realizaresta função. E finalmente, o ato de apresentar-se foi identificado como uma das ações do enfermeiro por trêsclientes (2,9%) e o mesmo número deles (2,9%) não conseguiu apontar as atividades do enfermeiro. Ao serem indagados quanto às atividades dos técnicos e auxiliares, 74 (72,5%) deles não souberamidentificar esses profissionais e indicaram “são todos enfermeiros”; estas respostas vem reforçar a questão deque eles não conseguem identificar, nem diferenciar quais são os profissionais da enfermagem. Houve 34 respostas onde nenhum dos sujeitos conseguiu diferenciar o técnico do auxiliar, para osquais 20 (19,6%) deles atribuem as atividades de cuidar/fazer técnicas, dois (2%) disseram que auxilia aenfermeira e os 12 (5,9%) restantes não souberam informar. Em reposta à questão que trata dos profissionais responsáveis pelo Serviço de Enfermagem (Tabela1), 35 (34,3%) indicaram “enfermeira chefe” como a responsável, 14 (13,7%) a “enfermeira padrão”, 13(12,7%) a “enfermeira”. A esse respeito parece que não há uma uniformização do conceito do termoenfermeira, uma vez que várias denominações foram atribuídas como “enfermeira-padrão”, “enfermeira-chefe” e “enfermeira” totalizando 60,8%.Tabela 1- Distribuição dos pacientes de um hospital privado segundo as qualificações utilizadas para designar os responsáveis pelo Serviço de Enfermagem. Ribeirão Preto, 1998.Responsáveis pelo serviço de enfermagem Nº %“Enfermeira” chefe 35 34,3“Enfermeira padrão 14 13,7“Enfermeira” 13 12,7Chefe 12 11,8Médico 6 5,9Auxiliar de enfermagem 2 2,0Não sabe 20 19,6Total 102 100,0 O restante ficou distribuído entre aqueles que identificaram como “chefe” (11,8%) o responsável,sem mencionar a sua qualificação profissional, o médico (5,9%) e o auxiliar de enfermagem (2,0%) como oprofissional responsável pelo serviço. Uma parcela considerável de clientes (19,6%) não soube informar qualo profissional responsável pelo serviço de enfermagem. Quanto ao motivo (Tabela 2) pelo qual os clientes atribuíram aos profissionais a responsabilidadepelo serviço de enfermagem, 45 (44,1%) deles mencionaram a apresentação no momento da visita e 11(10,8%) atribuíram responsabilidade aos chefes porque estes exercem atividade de coordenação. Outros 7(6,9%) clientes indicaram o responsável argumentando que sempre existe um chefe, por isso neste serviçotambém deve haver. Estes resultados indicam que o enfermeiro não está sendo reconhecido pelas suasatividades e sim pela maneira com que se apresenta ao outro.Tabela 2- Distribuição dos pacientes de um hospital privado segundo os motivos que os levaram a identificar o responsável pelo Serviço de Enfermagem. Ribeirão Preto, 1998.Motivo de atribuição das responsabilidades nº %Apresenta-se 45 44,1Ordena/coordena/comanda 11 10,8
  6. 6. Sempre existe um chefe 7 6,9Aparência física 5 4,9Verifica se o cliente precisa de alguma coisa 4 3,9É mais experiente 4 3,9Médico é o que manda/Fala com o médico 2 2,0Não sabe 24 23,5Total 102 100,0 Há algum tempo, autores como Trevizan (1988) defendem a função de coordenador da assistência,mas os resultados obtidos em nosso estudo comprovam que o enfermeiro ainda não está assumindo este papel.O estudo realizado por Fernandes (2000), também mostrou que ainda na atualidade as atividades doenfermeiro estão muito mais voltadas para a administração da unidade de internação do que da assistência deenfermagem. É imprescindível, como afirma Ferraz (1995), enfocar as ações do enfermeiro orientadas para ocuidado do doente com a intenção de recolocar a atividade administrativa num patamar mais qualitativo.Embora considere a função administrativa do enfermeiro de muita importância e utilidade na condução dasações de enfermagem, Favero (1996) aponta também que da forma como tem sido exercida não tempossibilitado uma assistência orientada para a pessoa do cliente, tem preterido os valores da profissão e osanseios dos trabalhadores. A conduta profissional do enfermeiro privilegia as atividades administrativas quevisam aos objetivos da organização e se voltam muito mais às atividades administrativas burocráticas(DEIENNO, 1993; CURY, 1999). Sob a ótica do próprio profissional, Melo (1996) identificou que, quando analisadas em seuconjunto, as ações dos enfermeiros, estão voltadas principalmente para a complementariedade do ato médico,denotando a ausência de um elemento que coordene o trabalho, o que pode contribuir para a não integralidadeda assistência de enfermagem.CONCLUSÃO Pelo presente estudo foi possível observar que embora o cliente saiba que a função da enfermagem éprestar cuidados, ele não consegue identificar o enfermeiro e nem mesmo os integrantes da equipe. Asatividades do enfermeiro e do pessoal auxiliar também não foram identificadas, caracterizando indefinição deações e responsabilidades sob a ótica do cliente. Em termos de papel profissional há que se destacar a posturatênue que o enfermeiro tem adotado ao abordar o cliente, revelada pela sua comunicação genérica e informalque pode ser observada tanto em nosso cotidiano, quanto nas justificativas que os clientes apontaram paraindicar o responsável pelo serviço de enfermagem; esta postura está dificultando a configuração de umaimagem definida e requerida pela profissão. Do exposto, podemos visualizar a inconsistência da imagem que passamos aos clientes, mostrandoque não estamos sendo capazes de oferecer-lhes meios que possibilitem o reconhecimento profissional, paraque saibam das nossas responsabilidades pela equipe de enfermagem e pelo cuidado prestado. Se assimprocedêssemos, os clientes poderiam requisitar ou exigir o trabalho do enfermeiro junto às instituições desaúde. Ainda falta muito espaço e investimento para definir, junto aos usuários do sistema de saúde e à
  7. 7. população em geral, a imagem da profissão e conhecer a sua complexa internalidade quanto às funções dediferentes categorias.Referências bibliográficasCURY, S.R.R. Focalizando a liderança do enfermeiro em unidades de internação e de atendimento ao trauma.Ribeirão Preto, 1999. 157 p. Tese (Doutorado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.DEIENNO, S.R.R. Atuação do enfermeiro em unidade de internação: enfoque sobre as atividades administrativasburocráticas e não burocráticas. Ribeirão Preto, 1993. 99 p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Enfermagem de RibeirãoPreto, Universidade de São Paulo.FÁVERO, N. O gerenciamento do enfermeiro na assistência ao paciente hospitalizado. Ribeirão Preto, 1996. 92 p.Tese (Livre-docência) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.FERNANDES, M.S. A função do enfermeiro nos anos 90: réplica de um estudo. Ribeirão Preto, 2000. 134 p.Dissertação (Mestrado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.FERRAZ, C.A. Compreensão do exercício profissional do enfermeiro: uma análise fenomenológica. Ribeirão Preto,1989. 83 p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.____________ A transfiguração da administração em enfermagem: da gerência científica à gerência sensível. RibeirãoPreto, 1995. 248 p. Tese (Doutorado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.FERREIRA-SANTOS, C.A. A enfermagem como profissão: estudo num hospital escola. São Paulo, Pioneira/Edusp,1973.KRAMER, M. Role conception of baccalauteate nurses and success in hospital nursing. Nurs. Res., v.19, n.5, p.428-39,1970.LOPES, C.M. A produção dos enfermeiros assistenciais em relação à pesquisa em enfermagem em um municípiopaulista. Ribeirão Preto, 1983. 133 p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidadede São Paulo.LUNARDI, V.L.; LUNARDI FILHO, W.D; BORBA, M.R. Como o enfermeiro utiliza o tempo de trabalho numa unidadede internação. Rev. Bras. Enfermagem, v.47, n.1, p.7-14, 1994.MELO, M.R.A.C. O sistema único de saúde e as ações do enfermeiro na instituição hospitalar. Ribeirão Preto, 1996.155 p. Tese (Doutorado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.NORMANN, R. Administração de serviços: estratégia e liderança na empresa de serviços. Trad. Ailton BomfimBrandão. Imagem. São Paulo, Atlas. Cap.9, p.126-35, 1993.TREVIZAN, M.A. Estudo das atividades dos enfermeiros-chefes de unidades de internação de um hospital escola.Ribeirão Preto, 1978. 92 p. Tese (Mestrado) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo._____________ Enfermagem hospitalar: administração & burocracia. Brasília, UnB, 1988.TREVIZAN, M.A.; MENDES, I.A.C.; FERRAZ, C.A.; ÉVORA, Y.D.M.; VENTURA, C.A.A. Struggling forestablisment of a new ethics to nurses managerial work. In: WORLD CONGRESS ON MEDICAL LAW, 12. Hungary,1998. Proceeding. Hungary, 1998. P. 656-66.VARGAS, G.O.P. Mercado comum do sul: saúde e enfermagem. Rev. Bras. Enfermagem, v.47, n.1, p.42-50, 1994.

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