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Jb news informativo nr. 2336

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Jb news informativo nr. 2336

  1. 1. JB NEWS Filiado à ABIM sob nr. 007/JV Editoria: Ir Jeronimo Borges Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente Academia Catarinense Maçônica de Letras Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte O JB News saúda os Irmãos leitores de Pomerode - SC (Publique aqui a imagem de sua cidade: jbnews@floripa.com.br) Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 2.336 – Florianópolis (SC) – terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 Bloco 1-Almanaque Bloco 2-IrVidigal de Andrade Vieira – Algumas Reflexões sobre a sabedoria do Viver e Morrer Bloco 3-IrSalvador Allende – Acerca da Tolerância na Maçonaria Bloco 4-IrAnderson Lupo Nunes – A Importância da Maçonaria na criação de um Estado Laico Bloco 5-IrPedro Juchen – Os Preconceitos e Dogmas Maçônicos Bloco 6-IrE. Figueiredo – Roda-do-Peru Bloco 7-Destaques JB – Breviário Maçônico p/o dia 21 de fevereiro e hoje com versos do Irmão e Poeta Raimundo Augusto Corado
  2. 2. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 2/27 Hercule Spoladore – A Bíblia de– A Bíblia de Jefferson Hercule Spoladore – A Bíblia de Jefferson 21 de fevereiro  1431 — Começa o julgamento de Joana d'Arc.  1468 — O Infante D. Fernando, Duque de Viseu e Donatário das Ilhas dos Açores, concede ao fidalgo flamengo Joss van Hurtere a Capitania da Ilha do Faial.  1560 — Mem de Sá chega à Baía de Guanabara para atacar o forte Coligny Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. 1 – ALMANAQUE Hoje é o 52º dia do Calendário Gregoriano. Faltam 313 dias para terminar o ano de 2017 - Lua Quarto Minguante - Dia glorioso para o Exército Brasileiro:Tomada de Monte Castelo na Itália (1945) É o 128º ano da Proclamçaõ da República; 195º da Independência do Brasil e 517º ano do Descobrimento do Brasil Colabore conosco. Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebe o JB News, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias por mala direta. Obrigado. EVENTOS HISTÓRICOS (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
  3. 3. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 3/27  1764 — O Tribunal de King's Beach declara John Wilkes culpado por ter editado Essay on a Woman e reeditado o número 45 do North Briton.  1848 — Publicação do Manifesto Comunista.  1885 — Conclusão da construção do Monumento a Washington.  1895 — Alfred Dreyfus, oficial francês acusado injustamente de traição, é deportado para a Ilha do Diabo  1916 — Primeira Guerra Mundial: em França começa a Batalha de Verdun.  1925 — A revista The New Yorker é lançada ao público.  1945 — Tomada do Monte Castelo, com a participação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial.  1948  César Lattes, físico brasileiro, do Estado do Paraná, isola o méson, nova partícula do átomo.  A National Association for Stock Car Auto Racing é fundada.  1953 — Francis Crick e James Watson descobrem a estrutura da molécula de DNA (ou ADN).  1960 — O líder Cubano Fidel Castro nacionaliza todas as empresas em Cuba.  1972  O presidente americano Richard Nixon visita a República Popular da China para normalizar as relações entre os dois países.  A nave espacial soviética Luna 20 (não-tripulada) chega à Lua.  1973 — Sobre o deserto de Sinai, os aviões de combate Israelitas abatem um avião da Libyan Airlines, matando 108 pessoas.  1976 — Portugal reconhece oficialmente a República Popular de Angola.  1988 — O tele-evangelista norte-americano Jimmy Swaggart renuncia, após envolvimento em escândalo sexual.  1991 — Fundação do Clube Atlético Sorocaba, São Paulo, Brasil  2007 — Romano Prodi, então primeiro-ministro da Itália, anuncia que renuncia ao cargo. No entanto, é demovido da ideia pelo presidente do país, Giorgio Napolitano. 1863 Nasce, na cidade de Desterro, Francisco Antônio das Oliveiras Margarida. Republicano e abolicionista defendeu estas causas pela imprensa. Foi deputado estadual em várias legislaturas. 1879 Nasce, em Itajaí, Vitor Konder. Advogado, foi homem público e de letras. Pertenceu à Academia Catarinense de Letras. Morreu no Rio de Janeirto a 6 de agosto de 1941. 1905 Morre, em Joinville, Pedro José de Souza Lobo. Desterrense, foi agrimensor, trabalhando na construção da Estrada de Ferro D. Francisca. 1887 A Loja “Vigilância e Fé”, de São Borja apela a todas as Lojas do Brasil para evitar um terceiro reinado sob a princesa Isabel e o conde D’Eu. 1903 Fundada a Loja “Fraternidade Lagunense” Nr. 10 (GLSC) em Laguna 1945 Data festiva do Exército – Conquista de Monte Castelo.* 1959 Fundado o Supremo Conselho de Costa Rica. 1983 Fundada a Loja “Lédio Martins” Nr. 35 (GOSC) em São José. Fatos históricos de santa Catarina Fatos maçônicos do dia Fonte: O Livro dos Dias 20ª edição (Ir João Guilherme) e acervo pessoal
  4. 4. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 4/27 O Ir Vidigal de Andrade Vieira é Psicólogo em Carangola – MG e Membro Correspondente da Loja Brazileira de Estudos e Pesquisas De Juiz de Fora – MG vvidigal@ig.com.br Algumas reflexões sobre a sabedoria do viver e do morrer Textos adaptado da Internet; Vidigal de Andrade Vieira* “Desde sempre, o Ser Humano busca respostas e entendimentos sobre algumas impertinentes e inquietantes questões existenciais. Cada pessoa, e cada cultura, desde os seus primórdios, desenvolveram simbolismos, magias, mitos e rituais para conviver com a transição da vida para a morte. O presente texto irá abordar algumas breves, porém significativas, reflexões que podem ser úteis na redução de nossas angústias diante de algo desconhecido, mas inexorável a todo ser vivo. O primeiro texto é de Vera Pinheiro, e se intitula ‘Se eu morrer amanhã’, e tem a seguinte narrativa: ‘Se eu morrer amanhã, não me dêem elogios que não mereço, nem flores que nunca recebi, tampouco lembranças que não tenham. Não me tragam lágrimas que não sintam, mensagens que nunca me enviaram, cartas de amor que não me deram. Não me entreguem afagos que jamais vivi, palavras de amor que não me disseram, preces e amizade que não me dedicaram, beijos que minha boca não conheceu, prazeres de que não compartilhei, guardem nos corações em que não entrei. Não inventem histórias comigo, se me excluíram. Rechaço abraços que me sonegaram, rejeito gestos ternos que me recusaram. Dêem sorrisos ao meu rosto pálido, cantigas alegres ao meu redor, comam, bebam e dancem, celebrem a minha morte! Enquanto me divirto com o patético cerimonial de quem não compartilhou da minha história, mas alega saudade do que não viveu. A quem não experimentou a alegria de participar da minha vida, não permito que chore no meu funeral. Vou rir em silêncio, enquanto minha alma vaga e retorna ao colo da Mãe que me gerou, agradecendo a indiferença e a incompreensão. O que fui nesta vida não se esgota com a minha partida. Eu sou e sempre serei. Permaneço na memória dos meus afetos. E na imensidão do desafio de viver, ainda que morra. Se é que vou morrer um dia, pois, essencial e insubstituível, sou imorredoura, eterna, imortal para quem ousou me conhecer. E, apesar disso, conseguiu me amar.’ O segundo texto chama-se ‘A História de Rosa’ (In: mundo das Mensagens.com), sendo um fascinante exemplo de amor à Vida, um verdadeiro ode à arte do bem viver a Vida, assim descrito: ‘No primeiro dia de aula nosso professor se apresentou aos alunos, e nos desafiou a que nos apresentássemos a alguém que não conhecêssemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar ao redor quando uma mão suave tocou meu ombro. Olhei para trás e vi uma pequena senhora, velhinha e 2 – Algumas Reflexões sobre a sabedoria do Viver e Morrer Vidigal de Andrade Vieira
  5. 5. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 5/27 enrugada, sorrindo radiante para mim. Um sorriso lindo que iluminava todo o seu ser. Ela disse: Ei, bonitão. Meu nome é Rosa. Eu tenho oitenta e sete anos de idade. Posso te dar um abraço? Eu ri, e respondi entusiasticamente: É claro que pode!, E então ela me deu um gigantesco apertão. Não resisti e perguntei-lhe: Por que você está na faculdade em tão tenra e inocente idade?, E ela respondeu brincalhona: Estou aqui para encontrar um marido rico, casar, ter um casal de filhos, e então me aposentar e viajar. Está brincando, eu disse. Eu estava curioso em saber o que a havia motivado a entrar neste desafio com a sua idade, e ela disse: Eu sempre sonhei em ter um estudo universitário, e agora estou tendo um! Após a aula nós caminhamos para o prédio da união dos estudantes, e dividimos um milk shake de chocolate. Nos tornamos amigos instantaneamente. Todos os dias nos próximos três meses nós teríamos aula juntos e falaríamos sem parar. Eu ficava sempre extasiado ouvindo aquela ‘máquina do tempo’ compartilhar sua experiência e sabedoria comigo. No decurso de um ano, Rosa tornou-se um ícone no campus universitário, e fazia amigos facilmente, onde quer que fosse. Ela adorava vestir-se bem, e revelava-se na atenção que lhe davam os outros estudantes. Ela estava curtindo a vida! No fim do semestre nós convidamos Rosa para falar no nosso banquete de futebol. Jamais esquecerei o que ela nos ensinou. Ela foi apresentada e se aproximou do púlpito. Quando ela começou a ler a sua fala, já preparada, deixou cair três, das cinco folhas no chão. Frustrada e um pouco embaraçada, ela pegou o microfone e disse simplesmente: Me desculpem, eu estou tão nervosa! Eu não conseguirei colocar meus papéis em ordem de novo, então deixem-me apenas falar para vocês sobre aquilo que eu sei. Enquanto nós ríamos, ela limpou sua garganta e começou: Nós não paramos de jogar porque ficamos velhos; nós nos tornamos velhos porque paramos de jogar. Existem somente quatro segredos para continuarmos jovens, felizes e conseguir o sucesso. Primeiro, você precisa rir e encontrar humor em cada dia. Segundo, você precisa ter um sonho. Quando você perde seus sonhos, você morre. Nós temos tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem desconfiam! Terceiro, há uma enorme diferença entre envelhecer e crescer. Se você tem dezenove anos de idade e ficar deitado na cama por um ano inteiro, sem fazer nada de produtivo, você ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e ficar na cama por um ano e não fizer coisa alguma, eu ficarei com oitenta e oito anos. Qualquer um, mais cedo ou mais tarde, ficará mais velho. Isso não exige talento nem habilidade, é uma conseqüência natural da vida. A idéia é crescer através das oportunidades. E, por último, não tenha remorsos. Os velhos geralmente não se arrependem por aquilo que fizeram, mas sim por aquelas coisas que deixaram de fazer. As únicas pessoas que tem medo da morte são aquelas que têm remorsos. Ela concluiu seu discurso cantando corajosamente ‘A Rosa’. Ela desafiou a cada um de nós a estudar poesia e vivê-la em nossa vida diária. No fim do ano Rosa terminou o último ano da faculdade que começara há tantos anos. Uma semana depois da formatura, Rosa morreu tranqüilamente durante o seu sono. Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao seu funeral, em tributo à maravilhosa mulher que ensinou, através de seu exemplo, que nunca é tarde demais para ser tudo aquilo que você pode provavelmente ser, se realmente desejar. Portanto, lembre-se sempre: Envelhecer é inevitável, mas crescer é opcional! Nesta mesma linha de pensamento, podemos apresentar algumas instigantes reflexões: ‘Dias difíceis também chegam ao fim’. (...); ‘Eu reconheço que todos os dias tenho algo para aprender, algo para esquecer, e muitas outras coisas para agradecer’. (...); ‘Ás vezes fazemos escolhas erradas para chegar ao lugar certo.’ (Filme O Protetor); ‘Ideais são pacíficos. A História é violenta. E, guerras nunca terminam bem.’ (Filme Fury); ‘Tudo o que separa o homem do animal são todas as histórias que ele conta.’ (Ernest Hemingway); ‘Quando se pede chuva, tem que suportar a lama também.’ (Filme Fury)”  * Psicólogo e Filósofo; Professor Titular da FAFILE / UEMG; Mestre em Psicologia Social pela UFES / ES; Doutor em Ciência e Saúde Pública pela ENSP/
  6. 6. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 6/27   Ir Salvador Allende MM da Loja Salvador Allende (GOL) Lisboia - Portugal Acerca da Tolerância na Maçonaria Recordando Saint-Exupéry (Citadelle, 1948): «Se diferes de mim, meu Irmão, longe de me prejudicares, enriqueces-me».(f.c.) I - Introdução A Tolerância é um dos princípios mais nobres que nos impõe a Maçonaria proclamando a Constituição da A:. O:. - Titulo I, Artigo 1º) que «A Maçonaria....obedece aos princípios da Fraternidade e da Tolerância, constituindo uma aliança de homens livres e de bons costumes, de todas as raças, nacionalidades e Crenças” (6). A palavra Tolerância deriva do latim “tolerare”, que significa tolerar, suportar, mas também suster, manter. Segundo Mainguy (3) esta palavra só tomou o sentido positivo que actualmente lhe damos a partir do século XVI, aparecendo como noção filosófica evolutiva e começando verdadeiramente a definir-se nos decénios que precedem a eclosão da Maç:. sob a forma especulativa moderna. Ao consultar o Dicionário a primeira definição de TOLERÂNCIA é a seguinte: <1. (Substantivo…).Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos>, (f.c.). M. Pinto dos Santos salienta ( “Dicionário da Antiga e Moderna Maçonaria”) (8) que «Tolerância – Virtude através da qual o Maç:. aceita nos outros IIr:. a diferença ao nível do pensamento, da sua expressão e dos actos. A prática desta virtude é condição do progresso maçónico, uma 3 – Acerca da Tolerância na Maçonaria Salvador Allende
  7. 7. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 7/27 vez que a aceitação da diferença e do contrário é fonte da dialéctica que se coloca ao Aprendiz desde a sua iniciação» (f.c.). Para Guy Chassagnard (“Petit Dicitionnaire de la Franc-Maçonnerie”) (1), a Tolerância é «Princípio primeiro da Maçonaria, para quem todas as ideias são respeitáveis desde que emanem de espíritos sinceros; porque eles exprimem a verdade sob diferentes aspectos. Nenhum homem livre e de bons costumes pode permanecer no erro absoluto nem vangloriar- se de deter a verdade perfeita.» (f.c.) A. Oliveira Marques ( “Dicionário da Maçonaria Portuguesa – vol.II) (7) refere que «...é através dela que podem ser iniciados e permanecer dentro das Loj:. IIr:. de todas as tendências políticas e religiosas, convertendo aquelas no «centro de união» proclamado por Anderson. Nas várias Constituições Maçónicas Portuguesas, a Tolerância surge como princípio e divisa fundamentais da Ordem» (f.c.). Por último, Daniel Ligou (“Dicitionnaire de la Franc-Maçonnerie”) (9) salienta: “…O espírito de tolerância consiste precisamente em admitir outra opinião mesmo se essa opinião é contrária à nossa ou à opinião dominante ou oficial, que se tende a considerar geralmente como uma verdade” … e mais à frente: “ É preciso contudo não confundir uma instituição que tolera com a que afirma a liberdade absoluta de consciência, já que neste caso todas as opiniões podem ser expressas e ensinadas, não se estabelecendo entre elas qualquer hierarquia de valor ou relativamente a elas qualquer julgamento” (f.c). Todas estas definições evidenciam que a noção de Tolerância corresponde à aceitação de diferenças (mais ou menos acentuadas), sejam elas de ordem filosófica, sócio-cultural, política, física ou religiosa. A própria existência da Maç:. está indelevelmente ligada à Tolerância, já que surgiu como ponto de união face à intolerância reinante entre facções religiosas e políticas na Inglaterra (e também Escócia) durante finais do século XVI , até inicio do século XVIII. A Maçonaria, sendo uma instituição essencialmente ética, onde a reflexão filosófica sobre a sociedade, códigos morais e regras que orientam a conduta humana, tem por objectivo o estabelecimento dum sistema de valores e de princípios normativos da conduta humana, impõe a cada Maç:. Um comportamento ético, como homem livre e de bons costumes, em que a Tolerância assume papel preponderante Nas Lojas Maç:. por vezes surgem conflitos e/ou problemas originados pela saudável diferença de opiniões que, a não serem resolvidos em tempo, podem extravasar indevidamente para o âmbito do relacionamento pessoal. O resultado traduz-se, a maior parte das vezes, em prejuízos sérios quer no trabalho das Oficinas, quer no que deveria constituir o saudável relacionamento entre IIrr’s:., para além de colocar em causa, na prática, um dos princípio basilares da Maç:., precisamente a Tolerância. Tendo a Maçonaria como objectivo primordial a construção e aperfeiçoamento interior do ser humano, através da aplicação prática dos princípios nucleares da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, representa como que um núcleo de união fraterna, exigindo a sustentação do pilar da Harmonia , o respeito pelas opiniões e crenças individuais entre todos os seus membros. O Maçom deve ser escolhido essencialmente pelas suas qualidades e afinidades com os princípios fundamentais da N:.A:.O:. e não basicamente por motivos de amizade, familiares, políticos, profissionais ou outros, sendo-lhe detectadas, quer pelo proponente, quer pelos sindicantes, virtudes e comportamentos compatíveis com os valores maçónicos, sendo obviamente a Tolerância um deles. Contudo não podemos ser tolerantes face aos princípios de
  8. 8. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 8/27 selecção, já que como bem salienta o N:. Ilustre Ir:. António Arnauth “ Não pode ser Maçom quem quer”. É através do convívio, estudo e aprendizagem em Loja (mas também fora dela) que a maçonaria inculca em todos os seus membros a premência do combate à intolerância, à tirania, ao fanatismo e à ignorância. Todavia, no exercício da tolerância, a Maçonaria ensina-nos também que esta exige a definição de limites. II – A Tolerância na prática diária Sendo a Tolerância a habilidade de conviver, com respeito e liberdade, com valores, conceitos e situações distintos dos que individualmente defendemos, é incompatível com posições extremistas ou fundamentalistas de qualquer índole, que coloquem em causa os pilares fundamentais que nos regem. Por outro lado é essencial distinguir tolerância de complacência ou de conivência, que por vezes erradamente se confundem, com consequências quase sempre desagradáveis. Conivência consiste na inibição em expressar o nosso parecer, por vezes com o pretexto de não ferir susceptibilidades, quando não concordamos com determinados valores, situações ou conceitos. Não reprovando ou refutando, estamos tacitamente a autorizar, permitindo a aceitação de práticas incorrectas e gerando implicitamente cumplicidades. O mesmo se pode aplicar à Complacência, que traduz a disposição ou tendência para ceder à vontade de outros, no intuito de agradar. Por andar perto da lisonja, atitude tão típica do comportamento dos “cortesãos” (ou dos «yes-man» de todas as matizes…) é também prejudicial, obscurece a Luz e não tem, na realidade, nada a ver com Tolerância. É na compreensão correcta destas diferenças, que ressalta a importância do Trabalho em Loj:. o que adicionalmente reforça e consolida o trabalho que os Maç:. desenvolvem no mundo profano. A incompreensão e/ou aplicação prática incorrecta destes conceitos, seja por que motivos forem, conduz-nos por exemplo directamente a alguns casos de «actualidade nacional» que, nos últimos anos, têm sucessivamente surgido a público, envolvendo até alguns «Irmãos». Julgo não restarem dúvidas a muitos de nós, que alguns elementos se têm servido da Maç:. para realizar objectivos de cunho estritamente pessoal (carreirismo, tráfico de influências, situações de favorecimento pessoal ou de negócios, etc....). Aqui chegados e a provarem-se dados ou factos incriminatórios, a tolerância deverá ser obviamente nula. Então o que realmente significa na prática, sermos tolerantes com crenças e actos, relativamente às quais discordamos? A resposta não é linear, já que podem existir gradientes variáveis de tolerância. Por exemplo, ao não procedermos à liquidação física daqueles que abraçam crenças contrárias aquelas que consideramos justas, estaremos a exercer tolerância. Recorde-se que a Igreja Católica Romana e a Inquisição foram intolerantes com aqueles que consideravam heréticos, do mesmo modo que os cruzados o foram com os muçulmanos e vice-versa, como igualmente o são os fundamentalistas muçulmanos actuais para quem não pensa e age como eles. Ao longo da história registam-se inúmeros relatos de crueldade do homem para com o homem, numerosas guerras e inqualificáveis massacres, em resultado directo da intolerância, nomeadamente religiosa e étnica. Mesmo na actual sociedade global e em rede, em que a tecnologia potencia o acesso praticamente instantâneo à informação e ao conhecimento (que nunca estiveram ao alcance de tantos), infelizmente as disputas religiosas, fanáticas e sectárias continuam actuais, sem que a maioria de nós consiga vislumbrar uma solução no horizonte (recordem-se os episódios de guerra “on-line” transmitidos diariamente pelos canais de TV e o terror diário do «DAESH» e grupos congéneres para com aqueles que não partilham da sua visão fanática e fundamentalista - os «infiéis». Enquanto a tolerância religiosa é uma atitude de benevolência face às pessoas, a tolerância maçónica diz respeito às ideias, por muito contraditórias que possam ser entre si. Citando Bertrand Russel (4): - “Nunca discutas com néscios, pois baixam-te ao seu nível e ganham-te
  9. 9. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 9/27 com sua experiência.” E mais à frente - “Um dos problemas deste mundo é que os néscios e os fanáticos estão sempre cheios de certezas (e acrescento eu “nunca ou raramente se enganam”), enquanto que a gente inteligente vive embrenhada nas dúvidas.” (f.c.) Como bem refere o Ir:. Alci Bruno (5): “A tolerância é uma das virtudes mais discutidas na Maçonaria. A palavra é bonita e usada com muita frequência. Entretanto, a sua prática é demasiadamente difícil. Não porque evitamos praticá-la, mas porque é terrivelmente complicada a demarcação dos seus limites, para sabermos onde termina, e onde começa a complacência ou mesmo a conivência”. e mais à frente: “Muitas vezes até a mudança de comportamento dum Irmão, obriga-nos a usar de maior ou menor tolerância. Daí ressalta a existência de uma gradação da tolerância e a dificuldade de estabelecê-la ou situá-la, em determinados problemas (f.c.). O Maç:. deve pautar a sua conduta por princípios maçónicos e nunca em função da conduta de terceiros. Perante a ignorância ou a estupidez alheia, não deverá responder à letra, já que graças à sua formação e princípios, está em condições de controlar o que eventualmente lhe possa passar pelo espírito. Quaisquer que sejam os limites da Tolerância - e salientem-se entre outros o fanatismo, a tirania, a ignorância, etc... , não consentem ao Maçon margem para ele próprio actuar como fanático ou intolerante, ignorante ou tirano . Recordando Oswald Wirth (2) ”O Maç:. busca a Virtude sem necessidade de humilhar ninguém”. Por exemplo, numa República estavelmente estabelecida, uma manifestação contra a democracia, contra a tolerância ou contra a liberdade não é suficiente para a pôr em perigo: não há, portanto, motivos para a proibir ou falharmos com a tolerância. Mas se as instituições se encontram fragilizadas, se grupos pretendem tomar o poder ou se uma guerra civil ameaça, a mesma manifestação pode tornar-se eventualmente um perigo: pode então vir a ser necessário proibi-la ou impedi-la, mesmo à força, e seria eventualmente imprudente recusar fazê-lo. Como exemplo de tolerância prática podemos considerar o apelo de Strasbourg, assinado a 22 de Janeiro de 1961 por onze obediências MMaç:., reagrupadas no C.L.I.P.S.A.S. apelando expressamente a todos os Maçons «... para que se juntem a esta Cadeia de União fundada sobre uma total liberdade de consciência e uma perfeita tolerância mútua» (f.c.), representando estas as condições necessárias e suficientes para um correcto trabalho maçónico. No contexto actual da sociedade e do mundo a prática diária da tolerância exige muito de nós: a regressão económico-financeira que se verifica no mundo ocidental e no nosso país em particular, gera pressão, desespero, alarme e convulsão social com a consequente pressão psicológica exercida sobre o indivíduo, tornando-o mais do que nunca revoltado, exigente, agressivo, e por vezes imprudente e até inconsequente. É nesse contexto que tolerar, na dimensão maçónica, assume importância fundamental no relacionamento entre todos nós. Embora para o profano não seja obrigatória a prática da tolerância, para o Maçom tolerar é um Dever. A tolerância Maçónica não se pode limitar apenas ao relacionamento com o próximo. Há que ser também paciente no desenvolvimento das etapas respeitantes ao crescimento e progresso individual, em todos os vectores em que se manifestem. Para tal o Maç:. deverá estudar e trabalhar persistente e disciplinadamente, por forma a não confundir um caminho apoiado na progressão sustentada, com carreirismos ou outro tipo de percursos e atitudes desviantes, correlacionados com a vaidade, ambição e inveja, ou até com a prevalência dos metais dentro do Templo. No seio da N:.A:.O:., é necessário querer progredir, estudar, tolerar, buscar a verdade, consubstanciando a transformação do recipiendário em Aprendiz e o seu renascimento para o mundo, após a Iniciação. Por outro lado o MM:. também é convocado na prática a combater a tolerância absoluta, porque sabe que uma tolerância universal é condenável, quanto mais não seja no aspecto
  10. 10. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 10/27 moral, já que esqueceria os muitos milhões de vítimas da violência e dos abusos intoleráveis, por parte dos tiranos. Nestas situações a tolerância “tout court” perpetuaria o martírio das vítimas. Podem-se tolerar as posições de um adversário, os caprichos de uma criança ou o infantilismo de um débil, mas em circunstancia alguma o despotismo alienador ou sanguinário de pessoas ou instituições. Tolerar Hitler e o nazismo ou Estaline e o estalinismo, por exemplo, é tornarmo-nos cúmplices deles, no mínimo por omissão ou abandono, e esta tolerância já é sinónimo de colaboração. Antes a fúria e a violência, do que a passividade diante do horror e da aceitação vergonhosa do mesmo. Karl Popper denominou-o o "paradoxo da tolerância" e afirmou (citado por Jean Mourgues) (4): "Se formos por uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendermos a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes seriam aniquilados, e com eles acabaria também a própria tolerância»(f.c.). A salvaguarda do maçom por contraponto aos tiranos, é o conhecimento de que estes, mesmo possuindo nas suas mãos o poder absoluto, não têm condições de impô-lo a ninguém, porque não podem forçar um indivíduo a pensar diferentemente do que pensa, nem a julgar verdadeiro o que se afigura falso. Esta é no essencial a razão da Maçonaria ser persistentemente hostilizada e/ou proibida, desde o início da sua expansão, quer pela violenta Inquisição do Papado católico, quer pelos diversos totalitarismos. É através do pensamento que o maçom deve ser livre, pois não há sociedade aberta e próspera sem liberdade, igualdade de oportunidades, solidariedade, inteligência e livre pensamento. Tolerância não é passividade, assim como Democracia não é fraqueza. Moralmente condenável além de politicamente condenada, uma tolerância universal não seria nem viável nem virtuosa. A prática das Loj:. maçónicas em que permanentemente é exercitada a capacidade de escutar, pensar e debater, revela que a evidência é uma qualidade relativa. Mesmo que algo pareça exacto, verdadeiro ou correcto, pode no decurso de um debate mostrar que não é absoluto, daí nunca admitir-se que uma verdade é absoluta e final. A discussão fruto da divergência, longe de afastar um irmão do outro, aproxima-os quando se pratica dentro dos limites impostos pela tolerância, já que todos nós, seres humanos, somos indistintamente levados a fraquezas e a erros. Com este objectivo, o maçom consequente perdoa as eventuais tolices que o outro comete e aguarda que o Ir:. equivocado, acorde da sua inconsciência. III – Em conclusão A Tolerância sendo uma virtude é também um valor. Valores, como é sabido, dificilmente podem ser definidos; contudo, podem ser descritos e analisados de acordo com comportamento dos membros duma sociedade. A ideia de tolerância somente pode ser analisada com certa precisão, se estiver integrada socialmente, pois está indissoluvelmente ligada ao agir e à interacção das pessoas na sociedade. Por mais convencido que possa estar de ter razão, cada um de nós deve admitir que não pode prová-lo, permanecendo assim no mesmo plano que os seus adversários, tão convencidos como ele e igualmente incapazes de convencê-lo. A tolerância, como virtude, fundamenta-se na nossa fraqueza teórica, ou seja, na incapacidade de atingir o absoluto. Porque não somos tão fortes como pretendemos, estamos sujeitos ao erro e portanto somos mais ou menos consequentes, pelo que devemos tolerar-nos mutuamente. Humildade, conhecimento e perseverança andam juntos e levam à tolerância. A Tolerância sendo o justo equilíbrio entre dois extremos: a intolerância e o laxismo, permite que os diferentes efeitos resultantes sejam deste modo dominados, o que possibilita aos homens e mulheres da Maçonaria viver em harmonia. Onde esta última não existir, certamente não haverá tolerância com limites. O trabalho em Loj:. deve permitir, entre outros, abolir os patamares sociais, sendo para tal primordial que as Oficinas reúnam homens ou mulheres de todas as origens, nacionalidades,
  11. 11. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 11/27 idades, credos, profissões e raças, possibilitando a construção duma compreensão mútua, suportada na prática continuada da Tolerância. Só assim a Loj:. representará um microcosmo no seio do macrocosmo ( É um dado comprovado pela experiência, o facto duma Loj:. começar a apresentar desequilíbrios a partir do momento que passa a recrutar a partir dum único meio, estrato social ou profissão, sejam eles quais forem). O simbolismo de nos despojamos dos metais à entrada em Templo, também significa que não devemos tolerar a transposição para dentro dele quer de quaisquer assuntos de índole profana quer de questiúnculas ou despeitos que nos separam. É também através da Tolerância que a compreensão, o respeito e a fraternidade devem prevalecer no nosso convívio, apesar das naturais diferenças de opinião. Finalizo citando Oswald Wirth (1): “Encontramos uma parte de verdade em cada uma das opiniões. Ninguém está no erro absoluto mas, por outro lado, ninguém se pode vangloriar de possuir a verdade absoluta. Sejamos pois indulgentes e não queiramos que cada um veja as coisas tal como nós-próprios…. “ e mais à frente “…. A Luz plena conduz assim à Tolerância que caracteriza a Inteligência dos Iniciados” (f.c.). Ir.’. Salvador Allende, M:.M:. R.’.L.’. Salvador Allende G.’.O.’.L.’. Bibliografia: (1) - «Le Petit Dictionnaire de la Franc-Maçonnerie» - Guy Chassagnard – Editions Alphée; (2) - «La Franc-Maçonnerie Rendue Intelligible à ses Adepts – Le Maitre» - Oswald Wirth; (3) - «La Symbolique Maçonnique du Troisième Millénaire» - Iréne Mainguy / Éditions Dervy. (4) - «La Pensée Maçonnique – Une Sagesse pour L’Occident» - Jean Mourges/ Éditions P.U.F. (5) - “Aconteceu na Maçonaria” - Alci Bruno / Editora A GAZETA MAÇÔNICA; (6) – Constituição da N:.A:.O:. (7) – «Dicionário de Maçonaria Portuguesa – Vol. II» - A. H. de Oliveira Marques (8) - «Dicionário da Antiga e Moderna Maçonaria» - Manuel Pinto dos Santos (9) – “Dictionnaire de la Franc-Maçonnerie” – Daniel Ligou – P.U.F. (Dicos / Poche)
  12. 12. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 12/27 Site: O Ponto Dentro do Círculo A Importância da Maçonaria na Criação de um Estado Laico Irmão Anderson Lupo Nunes MM da Loja de Pesquisas Rio de Janeiro nr. 54 – GOIRJ-COMAB Publicado em 3 de fevereiro de 2017por Luiz Marcelo Viegas https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2017/02/03/a-importancia-da- maconaria-na-criacao-de-um-estado-laico/ Introdução O Maçom deve sempre depositar sua confiança em Deus, logo, não existe Maçom de verdade que seja ateu. Na constituição do reverendo James Anderson, que determina as regras universais da Maçonaria, chamadas de landmarks, consta um artigo específico sobre Deus e Religião. Um Maçom é obrigado, por dever de ofí- cio, a obedecer a Lei Moral; e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso. Muito embora em tempos antigos os Maçons fossem obrigados em cada País a adotar a religião daquele País ou nação, qualquer que ela fosse, hoje se pensa mais acertado somente obrigá-los a adotar aquela religião com a qual todos os homens concordam, guardando suas opiniões particulares para si próprios, isto é, serem homens bons e leais, ou homens de honra e honestidade, qualquer que seja a denominação ou convicção que os possam distinguir; por isso a Maçonaria se torna um centro da união e um meio de conciliar uma verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam em perpétua distância (ANDERSON, 2003). A Constituição de Anderson foi publicada pela primeira vez no ano de 1723 em Londres, uma época de muita perseguição religiosa. Apesar disso, determina que o Maçom não deva aceitar de maneira imposta a religião do País, qualquer que seja, devendo guardar sua opinião para si mesmo. De maneira tímida, convenhamos, está o germe de uma grande ideia sonhada e conquistada pelos Maçons, a criação de um Estado laico. 4 – A Importância da Maçonaria na criação de um Estado Laico Anderson Lupo Nunes (Site: O Ponto Dentro do Círculo)
  13. 13. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 13/27 Como não é religiosa, a Maçonaria aceita em seus quadros profanos oriundos de diversas religiões. Segundo Ismail (2012), quando se faz uma oração no altar da Franco-Maçonaria, estão presentes irmãos de diversas religiões, logo estão todos orando para o mesmo Deus. Está evidente que a Maçonaria considera que todas as religiões se originam de um Deus único. As diversas denominações religiosas não implicam deuses diferentes, apenas formas diferentes de conceber o mesmo Deus. Se eu sou espírita e o meu irmão é evangélico somos todos filhos do mesmo Pai, logo, somos irmãos. Talvez tenha sido o seu caráter ecumênico que despertou por parte da cúria romana a intenção de coibir o crescimento da Maçonaria. Foi publicada em 1738 a encíclica In Eminenti Apostolatus Specula, pelo papa Clemente XII que proíbe a existência da Maçonaria. Segundo Durão (2011), foi o cardeal Néri Corsini, sobrinho do papa, que elaborou a encíclica, pois o Clemente XII já estava com 86 anos e cego. Contam historiadores que Corsini levava os documentos para a chancela de sua santidade e colocava a mão do pontífice no local da assinatura. Em 1751, o sucessor de Clemente XII, o papa Bento XIV emitiu a bula Providas Romanorum Portificum enumerando seis razões para a condenação da Maçonaria. Dentre elas a que mais nos chama a atenção é “(…) nas tais sociedades e assembleias secretas, estão filiados indistintamente homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um grande perigo para a pureza da religião católica;” (DURÃO, 2011). É fato que a Maçonaria na sua fase operativa gozava de apoio e patrocínio da Igreja. Foram os ma- çons operativos os construtores das catedrais e Igrejas na Idade Média. Nossos antepassados estavam a serviço dos clérigos e eram portadores de salvo conduto para viajarem entre os feudos. A Maçonaria sempre conviveu harmoniosamente com os dirigentes religiosos (judeus, católicos, maometanos, protestantes) da fase operativa até o início da fase especulativa. A situação de conflito da Igreja com a Maçonaria persistiu com os papas Pio VII (em 1800), Leão XII (em 1823), Pio VIII (em 1829), etc. Várias bulas e encí- clicas reafirmaram a condenação da Maçonaria ao longo dos séculos XIX e XX. Em 1983 a Congregação para a Doutrina da Fé, sob direção do então Cardeal Ratzinger manteve o parecer negativo a respeito da Maçonaria, sendo chancelado pelo papa João Paulo II. (DURÃO, 2011) Com o papa Paulo VI a postura do Vaticano relaxou consideravelmente e o católico tinha permissão para se tornar Maçom, desde que não se envolvesse em atividades anticlericais. Um arcebispo brasileiro, Cardeal Avelar Brandão Vilela chegou a celebrar uma missa especial em homenagem ao 40º aniversário da Loja Maçônica Liberdade, de Salvador, no Natal de 1975. Naquela oportunidade, o Cardeal foi agraciado com distinta honraria maçônica. (Cerinotti, 2004) Atuação Maçônica: Liberdade e Religião Quase todos os iluministas franceses eram maçons, incluindo Voltaire (1694-1778), Diderot (1713-1784) e Condorcet (1743-1794). Eles mantinham estreito contato com Benjamin Franklin (1706- 1790), também maçom. Outros dos chamados pais fundadores dos Estados Unidos da América, George Washington (1732-1799) e Thomas Jefferson (1743- 1823) igualmente eram maçons. A ideia e implementação do Estado laico veio de maçons. Foi Washington que presidiu à convenção que elaborou a Constituição Americana, a qual veio substituir os Artigos da Confederação e estabelecer a posição de Presidente, tornando-se o primeiro a ser eleito para o cargo (CERINOTTI, 2004). Artigo I (1ªemenda) O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de imprensa, ou
  14. 14. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 14/27 o direito do povo de se reunir pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus agravos. No Brasil, a sua independência também foi arquitetada por maçons. Segundo Ismail (2012), foi na seção de 20 de agosto de 1822, do então Grande Oriente Brazílico, presidida por Gonçalves Ledo, que a Independência do Brasil foi aprovada, sobre a qual D. Pedro (também maçom) deveria escolher: tornar-se imperador ou voltar para Portugal. Há controvérsias de diversos autores quanto a data precisa da reunião. Ismail (2012) conclui pelas evidências históricas que a data de 20 de agosto está incorreta. De acordo com Souza (2007) a Questão Religiosa teve o seu início em 1872, com um incidente envolvendo a Maçonaria. O motivo foi a suspensão do padre Almeida Martins pelo bispo do Rio de Janeiro devido à sua participação em uma solenidade maçônica. Na época, o convívio entre católicos e maçons era uma coisa bastante comum no Brasil, e mesmo o Imperador Dom Pedro II (também maçom) tinha no rol de seus principais amigos e conselheiros políticos maçons que também eram católicos. - O bispo de Olinda, dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, e o bispo do Pará dom Antônio de Macedo Costa, decidiram interditar aos maçons os sacramentos, inclusive extensivo aos filhos e esposas. Dom Pedro II baseado do regime de padroado determinou aos prelados que a interdição fosse suspensa, mas eles mantiveram suas posições e acabaram sendo presos e condenados a trabalhos forçados. O governo neste episódio usou dos direitos do padroado para manter o controle do aparelho eclesiástico. Para o governo, os bispos envolvidos infringiram o direito do padroado, no ato de interditar confrarias que tinham maçons como membros, bem como recusar os sacramentos aos maçons católicos. A partir do incidente, D. Pedro II favoreceu a instalação de igrejas protestantes no Brasil. Na opinião de Leôncio Basbaum (1957), a própria visão política e intelectual do governo imperial favorecera os ideais republicanos, bem como a implantação de um Estado laico. Daí, a questão política avança mais no Império, quando o Partido liberal e Republicano se unem em torno daih criação da República, a qual veio consolidar embora que formal e juridicamente a separação da Igreja do Estado (SOUZA, 2007). Na opinião de Vieira (1980) deve-se observar que no Brasil como em outras partes, a Maçonaria foi um dos grandes veículos da divulgação do liberalismo. Por esta razão, ela foi a causa ostensiva da luta entre os bispos e a coroa (1872-1875) e do fortalecimento de uma ideologia de criação de um Estado laico. A primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, fundada em janeiro de 1865, foi a primeira designação protestante a ser oficialmente instalada no Brasil. Há registros bem mais antigos da presença dos calvinistas no Brasil, mas de maneira não oficial. Os maçons sempre apoiaram o Estado laico, mas ao mesmo tempo mantinham uma relação amistosa com o Império e a Igreja, pelo menos até a crise da Questão Religiosa (SOUZA, 2007). Em 13 de janeiro de 1874, por ocasião da prisão do bispo de Olinda, por razão da Questão Religiosa, iniciou-se um movimento político popular, no qual se uniram protestantes, maçons, advogados e intelectuais, dirigidos por Tavares Bastos e Quintino Bocayúva para separar o Estado da Igreja (SOUZA, 2007). O Espiritismo também possui relações históricas com a Maçonaria. Não há uma comprovação de que Allan Kardec (1804-1869) tenha sido maçom. Segundo Monteiro & Lefraise (2007), existe uma hipótese, não comprovada, de que Kardec tenha sido martinista. Léon Denis (1846- 1927) era, de fato, maçom. Foi iniciado em 26 de outubro de 1868 na Loja Demófilos de Tours.
  15. 15. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 15/27 Em menos de um ano Denis passou de A:.M:. a C:.M:. e um mês depois chegou a M:.M:., o que era muito raro na época. - O primeiro Centro Espírita do Brasil, o Grupo Familiar de Espiritismo fundado em 17 de setembro de 1865 em Salvador, sob a presidência de Luiz Olympio Telles de Menezes contava com maçons em suas fieiras. O registro oficial só veio ocorrer em 1874. Apesar de não serem encontrados registros que comprovem que Telles de Menezes era maçom, o estatuto do grupo baiano possui uma similaridade com o funcionamento de uma Loja Maçônica impressionante. Os membros efetivos possuíam três graus. Havia um pagamento estipulado na ocasião da passagem de grau. Veja o artigo 26 do seu estatuto: Artigo 26º – Uma bolsa denominada Bolsa de Beneficência será apresentada em todas as seções quer magnas, quer particulares a cada membro de qualquer grau ou classe e a cada um dos visitantes para aí deporem uma diminuta quantia cujo produto, imediatamente verificado e declarado pelo Vigilante, ficará a cargo do Tesoureiro e será aplicado a atos de beneficência. Vianna de Carvalho (1874-1926) foi um maçom e espírita brasileiro nascido no Ceará. Em Fortaleza, o apoio maçônico foi imprescindível para a organização e fundação do Centro Espírita Cearense em 1910. Quase todos os membros indicados por Vianna para compor a diretoria eram maçons. Júlio César Leal (1837-1897), um dos pioneiros espíritas do Brasil, foi convertido ao Espiritismo em uma Loja Maçônica, o qual era membro. Tornou-se presidente da Federação Espírita Brasileira. (MONTEIRO; LEFRAISE, 2007) Conclusão A Maçonaria promove o direito universal do ser humano professar a religião que bem entender. Em uma Loja Maçônica não existem discussões religiosas porque a liberdade de cada irmão ter a sua escolha religiosa é respeitada. Nas oficinas há irmãos candomblecistas, budistas, evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas, muçulmanos, judeus e de demais credos que convivem em paz e harmonia, pois todos têm a certeza de que são filhos do mesmo Deus, independente de rótulos. Que um dia a Humanidade compreenda esse fato e que ninguém seja morto ou ofendido pela fé que professa, nem pela cor de sua pele, nem pela sua orientação sexual. Todos somos filhos de Deus e, como tal, herdeiros de sua Luz. Autor: Anderson Lupo Nunes - Fonte: Revista Fraternitas in Praxis Anderson possui graduação em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e mestrado em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006). Tem experiência na área de Engenharia Nuclear, com ênfase em Núcleo do Reator, atuando principalmente nos seguintes temas: equações da cinética pontual, método de confinamento da rigidez e métodos numéricos. Atua também na área de Ensino de Física e de Eletrônica. É Mestre Maçom da ARLS de Pesquisas Rio de Janeiro No. 54—GOIRJ/COMAB. Referências Bibliográficas ANDERSON, James. tradução: Décio Cezaretti. Constituição de Anderson, As Obrigações de um Pedreiro-livre. Publicado pela A:.R:.L:.S:. Guatimozin, São Paulo, 2003. BASBAUM, Leôncio. História Sincera da República. Livraria São José, Rio de Janeiro, 1957. CERINOTTI, Angela. Maçonaria: A Descoberta de um Mundo Misterioso. Editora Globo, São Paulo, 2004. DURÃO, João Ferreira. Cavaleiros de Jesus: breve história do cristianismo. Ed. Madras, São Paulo, 2011. ISMAIL, Kennyo. Desmistificando a Maçonaria. Universo dos Livros, São Paulo, 2012. MONTEIRO, Eduardo Carvalho; LEFRAISE, Armand. Maçonaria e Espiritismo, encontros e desencontros. Ed. Madras, São Paulo, 2007. SOUZA, Mauro Ferreira de. A Igreja e o Estado: uma análise da separação da Igreja Católica do Estado Brasileiro na Constituição de 1891. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007. VIEIRA, David Gueiros. O Protestantismo, a Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil. Editora Universidade de Brasília, Brasília, 1980.
  16. 16. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 16/27 Ir Pedro Juchem MM Loja Venâncio Aires II, nº 2369 – G.'.O.'.B.'. / RS Ao completar, no dia 7 de agosto de 2006, 10 anos de maçonaria e, portanto, na busca de me tornar um livre pensador, eu gostaria de apresentar uma breve reflexão. Na minha iniciação, ao abrir os olhos para a luz, eu me vi diante de um mundo totalmente novo: o maçônico. Com base na curiosidade pela ciência e pela verdade, aquele momento me encheu a consciência de perguntas. E para respondê-las, eu comecei a ler, pesquisar e meditar sobre os meus próprios questionamentos. Vários autores maçônicos e não-maçônicos, pouco a pouco, me esclareceram sobre a real maçonaria. Então, a luz, embora ainda tênue, foi vista de forma um pouco mais clara por este aprendiz. No entanto, a minha maior surpresa foi encontrar tanta ortodoxia e tanta vaidade numa instituição dita libertária, adogmática e fraterna. Segundo o filósofo e místico indiano Krishnamurti: “Sentindo medo, inventamos deuses, inventamos teorias, intelectualmente, teologicamente e religiosamente. Temos idéias, fórmulas relativas do que devemos ser”. De acordo com o Ir.’. Breno Trautwein, em seu livro Dogmas e Preconceitos Maçônicos, escrito em 1997: “Os homens atuais são de uma cadeia infinita de seres, cujo progresso é resultante do trabalho e do pensamento de outros homens dedicados à verdade, não importando a intolerância dos ignorantes, dos fanáticos e dos poderosos”. Seria a maçonaria fruto de dogmas ou da experiência apoiando a razão? A Maçonaria é fruto do pensamento humano, do desejo do ser humano pela religião natural. Entretanto, ao examinarmos alguns de seus ensinamentos, surpresos notamos a sua decadência filosófica, caindo para um dogmatismo absurdo, além de inúmeros falsos preconceitos. Mas o que é preconceito? Preconceito é um juízo pré-formulado, ou seja, uma opinião que se expressa antes de uma reflexão mais profunda, sobre a sua veracidade. Isso é fruto da ignorância, alicerçada na suposta autoridade de um indivíduo ou de um pequeno grupo, impondo a todo um conjunto social, de forma arbitrária. É do preconceito que nasce o dogma, ponto básico considerado indiscutível de uma crença religiosa, filosófica ou mesmo científica. Dogmas são princípios aceitos como indiscutíveis ou ditos como inalteráveis. O dogmatista diz- se de pessoa com idéias autoritárias. Segundo Albert Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Na verdade, uma boa parte de minha indignação refere-se a Albert Makey, autor de uma versão de 25 landmarks, assim como seu fã clube no Brasil, cuja definição que tem como autor o Ir.’.Castellani. Albert Pike, elaborador da versão de apenas 5 landmarks, fruto de um amplo 5 – Os Preconceitos e Dogmas Maçônicos Pedro Juchen
  17. 17. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 17/27 estudo e de uma arrasadora e erudita crítica contra o emaranhado de falsos limites, apresentados pelos autores da época, incluído, aí, o seu discípulo Albert Mackey. Poderíamos então dizer que esses não são dogmas; que são leis; que são princípios básicos! Mas mesmo tendo sido impostos, sem uma aprovação pela maioria, sem a análise da validade e dos benefícios para a coletividade atingida; e, por esse motivo, caracteriza o Dogma. Neste particular refiro-me a alguns landmarks ultrapassados pelos usos e costumes do mundo de hoje e ditos como imutáveis. E aí eu pergunto: como uma lei, feita por homens, pode ser considerada imutável, se as leis naturais se auto-ajustam para manter o universo em equilíbrio? Não posso concordar que haja conhecedores absolutos de todo o saber maçônico. O primeiro landmark ou princípio, como queiram chamá-lo, que precisaria estar em todas as versões, a meu ver, é "Ser Livre e de Bons Costumes", o que resultaria no uso do bom senso, para a boa aplicação dos demais princípios necessários a nossa instituição. Mas também não importa se um landmark, dito imutável, foi aprovado pela maioria ou não: dogma é dogma e, por isso, é anti-filosófico, anti-progressista e, portanto, contrário a Maçonaria. O dogmatismo, na Idade Média, foi religioso e teológico, baseando-se na censura do pensamento, na condenação à morte dos hereges queimados em praça pública e para escarneamento dos fiéis. Se olharmos a história da Inquisição, concluímos que nela figurou o dogmatismo levado às suas últimas consequências, até a morte, por aqueles que julgavam ter o monopólio da verdade e realmente detinham, circunstancialmente, o monopólio do poder. Atualmente, o dogmatismo tem assumido um caráter ideológico e político, embora não inclua dogmas religiosos, cuja aceitação depende da fé, inclui teses de conteúdo econômico, social e político, discutíveis como quaisquer teses, levados à institucionalização pela intolerância e pela violência. Fruto das idéias predominantes em nosso mundo atual, a ordem maçônica não pode fugir do seu destino de liberdade de pensamento e de opinião. Segundo Descartes, em “Discurso do Método”, livro escrito em 1637, ele diz que: “O conhecimento e a ciência exigem trabalho, questionamentos sistemáticos e método. O dogmatismo é o pior companheiro da filosofia.” Mas os maçons criaram vários dogmas fundamentados, ora nas proposições de potências maçônicas imperialistas, ora em suas arbitrárias e profanas legislações, que é fruto da ignorância da verdadeira maçonaria. Segundo Validivar: “Nenhum homem é livre se a sua mente não é como uma porta de vai-e- vem, abrindo-se para fora a fim de liberar suas próprias ideias e para dentro a fim de captar as boas ideias dos outros”. Sendo a Maçonaria fruto do pensamento humano, isto é, de livres pensadores no campo das ideias, os maçons especulativos não podem dar a outrem o direito de pensar e decidir por eles; jamais podem deixar de buscar, incessantemente, a Verdade. Bibliografia: "Dogmas e Preconceitos Maçônicos", de Breno Trautwein, Editora A Trolha. "Discurso do Método", de René Descartes, Editora L&PM Pocket Republicação do artigo na edição JB News nr. 1.289
  18. 18. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 18/27 (*) E. Figueiredo - é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas / Membro do GEMVI – Grupo de Estudos Maçônicos Verdadeiros Irmãos E Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP) efig2005@gmail.com RODA-do-PERU  RODA-do-PERU E. Figueiredo (*) Glu, glu, glu ! Grugulejar do peru. Não há discordância para a assertiva de que, ser convidado para ingressar na Maçonaria , é uma honra. A vida do Maçom tem de ser impoluta. Esse é o preço, e a honra, de ser Maçom. Porém, nem todo mundo tem esse privilégio ! Quando se convida alguém a fazer parte da Sublime Ordem, quem o faz já o observou de diversas maneiras quanto à sua postura, comportamento, modo de se apresentar e agir, e boa formação 6 –Roda-doPeru E.Figueiredo
  19. 19. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 19/27 moral para que venha a ser um igual. Se ao ser convidado demonstrou interesse, pesarão seus valores em relação aos motivos que o levam a pretender entrar na Maçonaria. Não é qualquer amigo, conhecido ou parente que pode ser convidado para ser Maçom. Quando o indivíduo recebe o convite, e se mostra interessado, inicia-se o processo que culminará com a sua iniciação ou não: o convidado terá de apresentar documentação que comprove sua idoneidade, reputação ilibada, além de ser “livre e de bons costumes”, como reza um dos postulados Maçônicos (o desaparecimento da servidão não acarretou a eliminação dessa fórmula, mas ela assumiu um significado moral.). É exigido, da pessoa que está interessada em ser admitida na Maçonaria, possuir pelo menos instrução indispensável para compreender os ensinamentos Maçônicos. Haverá investigações e sindicâncias para completar o processo para a Iniciação a se efetivar. A regra na admissão é essencial da Maçonaria, que perdura desde os tempos imemoriais, e, a própria transcrição contém a sua justificação não podendo caracterizar desídia em hipótese nenhuma. Os Landmarks (um guia de normas, em número de 25, que faz parte do Direito Consuetudinário) são, também, um dos parâmetros e base para avaliar candidatos, principalmente o 19º. Independente desse processo regulamentar das potências e obediências Maçônicas, há Lojas que, antes do convite oficial, promove um encontro familiar na casa de um dos Obreiros da Loja, onde outros Irmãos com as cunhadas (esposas) receberão o possível candidato com sua esposa, caso seja casado, para ser interpelado num tipo de sabatina. A intenção é conhecer melhor o convidado e saber dele se se enquadra nos preceitos da Maçonaria, inclusive da própria Loja. Ao mesmo tempo, o convidado irá tirar suas dúvidas quanto à entidade que pretende entrar, e, para que sua esposa entenda, também, sobre as futuras atividades do seu marido. Assim, os Obreiros terão uma visão geral das condições e atributos do Postulante, e, a este, foi adiantado algumas informações sobre os princípios que regem a Sublime Ordem. Só então, o grupo decidirá sobre o convite que será feito oficialmente. Nesse momento, antes de receber o convite oficial, ele ainda é um Postulante. Após o convite oficial ele será um Candidato. Depois transformar-se-á em Recipiendário ou Aspirante e, ao ser iniciado, em Neófito. É nessa ordem ascendente que é consignado o possível novo Maçom. A reunião, na casa de um Irmão da Loja, é bem informal, intercalando-se perguntas e questionamentos sobre a vida do Postulante, tanto na formação cultural, como Profissional, pessoal, e espiritual. É inquirido sobre o seu passado. Há necessidade de se saber sobre seu relacionamento familiar, procedimento com os colegas de trabalho, situação econômica, disponibilidade financeira e tempo para acompanhar as atividades que advirão depois de Iniciado. Pesa muito o quesito “livre e de bons costumes”, pois, desde que se verifique ser portador de uma tendência ativa para a prática das virtudes e o gozo da liberdade de consciência, entende-se, com segurança, que se trata de um individuo com essas qualidades; prevê-se que sua atividade moral equivale à aptidão, para impor a si próprio uma regra de conduta apreciável, libertadora de erros e de vícios. Convencionou-se chamar esse colóquio de RODA-do-PERU, em virtude do Postulante, normalmente, ficar no centro de uma roda de Maçons dirigindo-lhe a palavra. Inúmeras são as Lojas que adotaram a RODA-do-PERU, que permite filtrar melhor as informações de um possível candidato, alem de vários elementos da Loja conhecerem,
  20. 20. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 20/27 pessoalmente o Candidato antes da possível Iniciação. Raramente, um Candidato tem bola negra de reprovação na sua votação quando passou pelo crivo da RODA-do-PERU. Essa prática tem ajudado as Lojas, que no afã de aumentar o seu quadro, para engrossar as Colunas, acabam adquirindo Obreiros que venham a decepcionar posteriormente, quando não a aplicam. Independente da sua nomenclatura, RODA-do-PERU, é um expediente que todas as Lojas poderiam adotar. A cerimônia de Iniciação é um rito de passagem: a transferência de um estado vulgar para uma fase mais elevada. É o começo de uma longa jornada. Após sua Iniciação estará, para todo o sempre, sob constante vigilância de sua própria consciência e dos seus pares. A disciplina na qual ele será submetido o favorece à uma reflexão e lhe permite extrair o máximo de ensinamentos durante as reuniões da Loja nas quais estará presente. Encontrará um ambiente propício de uma oficina Maçônica, onde receberá a inspiração da filosofia ali difundida, para que possa direcionar seus esforços de forma efetiva em prol da construção de um mundo melhor. Empenhado numa jornada que é ao mesmo tempo pessoal e coletiva, o Aprendiz progredirá ao longo do caminho iniciático ascendendo aos diferentes graus conferidos pela Sublime Ordem. Depois de galgar todos os degraus da Ordem e chegar à plenitude Maçônica, o Maçom entenderá, orgulhosamente, o porquê da honra de ter sido convidado.... PA.PP.EIPN Bibliografia: Bayard, Jean-Pierre – A Franco Maçonaria Charlier, René Joseph - Pequeno Ensaio de Simbólica Maçônica Da Camino, Rizzardo - Dicionário Filosófico de Maçonaria Figueiredo, E. - ...Entrando na Maçonaria (Artigo) Mellor, Alec – Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons Ritaul de Aprrendiz Maçom - GLESP (*)E. Figueiredo - é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas / Membro da Confraternidade Mesa 22, e é Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP) “Oh ! Quam bonum est et quam jucundum, habitare fratres in unum !”  Não há limite para a cultura Maçônica !
  21. 21. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 21/27 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GLSC - http://www.mrglsc.org.br GOSC https://www.gosc.org.br Data Nome Oriente 01/01/2003 Fraternidade Joinvillense Joinville 26/01/1983 Humânitas Joinville 31/01/1998 Loja Maçônica Especial União e Fraternidade do Mercosul Ir Hamilton Savi nr. 70 Florianópolis (trabalha no recesso maçônico) 11/02/1980 Toneza Cascaes Orleans 13/02/2011 Entalhadores de Maçaranduba Massaranduba 17/02/2000 Samuel Fonseca Florianópolis 21/02/1983 Lédio Martins São José 21/02/2006 Pedra Áurea do Vale Taió 22/02/1953 Justiça e Trabalho Blumenau Data Nome da Loja Oriente 11.01.1957 Pedro Cunha nr. 11 Araranguá 18.01.2006 Obreiros de Salomão nr. 39 Blumenau 15.02.2001 Pedreiros da Liberdade nr. 79 Florianópolis 21.02.1903 Fraternidade Lagunense nr. 10 Laguna 25.02.1997 Acácia Blumenauense nr. 67 Blumenau 25.02.2009 Caminho da Luz nr. 99 Brusque 7 – Destaques (Resenha Final) Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mêses de janeiro e fevereiro
  22. 22. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 22/27 GOB/SC – http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Nome Oriente 07.01.77 Prof. Mâncio da Costa - 1977 Florianópolis 14.01.06 Osmar Romão da Silva - 3765 Florianópolis 25.01.95 Gideões da Paz - 2831 Itapema 06.02.06 Ordem e Progresso - 3797 Navegantes 11.02.98 Energia e Luz -3130 Tubarão 29.02.04 Luz das Águas - 3563 Corupá Vem aí o IX Chuletão Templário. O evento filantrópico Maçônico Loja “Templários da Nova Era”
  23. 23. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 23/27 Acusamos o recebimento, e agradecemos, da edição nr. 157 do Jornal “Novo Tempo”, gentilmente enviado pelo Irmão Antonio do Carmo Ferreira, Presidente da ABIM. Para acessá-lo, basta clicar no link que se segue: Jornal NOVO TEMPO Ano XXVII - 157.docx Boletim nº 11 do Clube Filatélico Brusquense Edição de Março/abril de 2017 Abaixo, o link referente ao Boletim Filatélico nr. 11, enviado pelo Ir Jorge Paulo Krieger Filho, do Clube Filatélico Brusquense.  11 - EDIÇÃO MAR - ABR 2017.pdf
  24. 24. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 24/27 Ir Marcelo Angelo de Macedo, 33∴ MI da Loja Razão e Lealdade nº 21 Or de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI Tel: (65) 3052-6721 divulga diariamente no JB News o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO, cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 - Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014 - ISBN 978-85.370.0292-6) 21 de fevereiro A Beleza Sabedoria, força e beleza constituem a saudação feita na correspondência maçônica, usando-se s abreviatura: SFB É o nome da coluna do sul e vem representada no sentido arquitetônico pela ordem coríntia; uma das colunas da entrada do templo, e que tem inserida a letra "J", destina- se à coluna do sul, comandada pelo Segundo Vigilante. Essa coluna é considerada "feminina", tendo como representação a estátua de Minerva. O feminismo, aqui, diz respeito apenas ao dualismo, no sentido de oposição â força, que simboliza a coluna do norte. É evidente que envolve a beleza do caráter do maçom, a educação, a civilidade, a delicadeza com que os Irmãos devem tratar-se mutuamente. O trinômio sabedoria, força e beleza, expressa o resumo da Arte Real. Jamais devemos nos distanciar desse trinômio, uma vez que constitui o alicerce da construção espiritual. Toda construção envolve a beleza de seu projeto, de suas linhas e de sua conclusão As coisas belas são apreciadas por todos, em especial pelo maçom. Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 71.
  25. 25. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 25/27
  26. 26. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 26/27 Ir Raimundo Augusto Corado - CIM 183.481 MI e Deputado Federal pela Loja Templo de Salomão nº 2737 Membro das Lojas União e Trabalho Mimosense nr. 3.170 e Irmão Paulo Roberto Machado nr. 3.182 Barreiras – GOB/BA. – escreve às terças e quintas raimundoaugusto.corado@gmail.com ADJETIVANDO Autor: Raimundo A. Corado Barreiras, 24 de março de 2014. A vida nos ilude; Com o gozo do prazer; Até que um dia se mude; Depois de tanto prometer. A progressão do vicio domina; Chega à categoria de doença; Vão-se a identidade e a autoestima; Leva de nós até a crença. Ai surgem os apelidos; Que agridem nossos ouvidos; Mas a gente nem se importa. Pé inchado, pé de cana, garrafa andando; Picolé de cana, bebim, cambeleando; Serrote, gibão, xaropeiro e meota.
  27. 27. JB News – Informativo nr. 2.336– Florianópolis (SC), terça-feira, 21 de fevereiro de 2017 - Pág. 27/27

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