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Jb news informativo nr. 2122

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Jb news informativo nr. 2122

  1. 1. JB NEWS Filiado à ABIM sob nr. 007/JV Editoria: Ir Jeronimo Borges Academia Catarinense Maçônica de Letras Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 2.122 – Florianópolis (SC) – domingo, 24 de julho de 2016 Bloco 1-Almanaque Bloco 2-IrNewton Agrella – (Editorial de domingo) – “Zé das Medalhas” Bloco 3-IrJoão Ivo Girardi (Coluna do Irmão João Gira) – Schopenhauer, o Filósofo Pessimista Bloco 4-IrJosé Ronaldo Viega Alves – A Taça Sagrada na Cerimônia da Iniciação ... (Parte Um) Bloco 5-IrHercule Spoladore – Modelos de Maçonaria Bloco 6-IrJoão Anatalino Rodrigues – A Arquitetura Cósmica Bloco 7-Destaques JB – Breviário Maçônico para o dia 24 de julho e versos do Ir. e Poeta Sinval Santos da Silveira
  2. 2. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 2/33 1883 - O município de Campos dos Goytacazes (RJ) é a primeira cidade da América Latina a ter iluminação pública.  1414 - Data provável da realização do Conselho Régio de Dom João I de Portugal, em Torres Vedras, para deliberar a expedição para a conquista de Ceuta, que marcou o início da expansão portuguesa ou Descobrimentos portugueses.  1567 - Jaime VI da Escócia assume o trono escocês. Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. 1 – ALMANAQUE Hoje é o 206º dia do Calendário Gregoriano do ano de 2016– (Lua Cheia) Faltam 160 para terminar este ano bissexto Dia do nascimento de Simon Bolívar Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebeu a presente mensagem, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias. Obrigado. Colabore conosco para evitar problemas na emissão de nossas mala direta diária. EVENTOS HISTÓRICOS (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
  3. 3. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 3/33  1810 - Depois da chegada a Almeida do Exército da Terceira Invasão Francesa, chefiado por André Massena, teve lugar o primeiro confronto armado na Ponte do Côa - o Combate do Côa.  1823 - Escravidão é abolida no Chile.  1833 - Em Portugal, as tropas liberais, comandadas pelo duque da Terceira, entram em Lisboa, depois de terem derrotado as tropas miguelistas lideradas por Teles Jordão na batalha da Cova da Piedade.  1875 - Patrice Mac-Mahon, presidente da França decide a favor de Portugal e contra o Reino Unido sobre a posse da região sul deMoçambique.  1883 - O município de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, torna-se a primeira cidade da América Latina a ter iluminação pública.  1911 - Hiram Bingham descobre a cidade inca de Machu Picchu, no Peru.  1946 - Dean Martin e Jerry Lewis se apresentam pela primeira vez como dupla no Club 500, em Atlantic City.  1969 - A missão Apollo 11 retorna à Terra, pousando próxima ao Havaí.  1975 - Samora Machel, presidente de Moçambique decreta as nacionalizações da saúde, educação e justica.  1977 - Encerra a Guerra Líbia-Egito.  1990 - Tropas iraquianas começam um massivo ataque contra o Kuwait.  2005 - É criada a TeleSUR, rede multi-estatal latino-americana com sede na Venezuela.  2013 - Apos vencer o Olimpia nos penaltis, o Clube Atlético Mineiro conquista sua primeira Copa Libertadores da América. 1783 Nasce em Caracas o Irmão Simão Bolivar, o Libertador da Colômbia e Venezuela. 1844 Fundação da Grande Loja Alpina, da Suíça 1859 Ir Antônio Carlos Gomes, primeiro dos compositores brasileiros a granjear fama internacional, é iniciado na Loja Amizade, de São Paulo. 1910 Fundação do Supremo Conselho do Equador. 1926 Em 23.07.26 é fundada a Loja GBLS Fé e Confiança nr. 01, de Guajará-Mirim, Rondônia (GLERON) 1991 Em 23.07.91 é fundada a BLS Queops nr. 11 de Porto Velho, Rondônia (GLERON) Fatos maçônicos do dia Fonte: O Livro dos Dias (Ir João Guilherme) e acervo pessoal
  4. 4. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 4/33 Ir Newton Agrella - CIM 199172 M I Gr 33 membro ativo da Loja Luiz Gama Nr. 0464 e Loja Estrela do Brasil nr. 3214 REAA - GOSP - GOB newagrella@gmail.com "ZÉ DAS MEDALHAS" Há três décadas a Rede Globo exibiu uma novela de grande sucesso intitulada "Roque Santeiro" e por essas ironias da vida um dos personagens mais marcantes da referida novela foi interpretada pelo saudoso ator Armando Bogus, que repousa no Oriente Eterno e foi um irmão maçom. Ele deu vida a um personagem chamado "Zé das Medalhas". Tratava-se de um comerciante que adorava aparecer e vendia suas medalhas como forma de cultuar a legendária figura de Roque Santeiro - que era um escultor de imagens sacras que morrera ao defender os habitantes de Asa Branca, uma pequena e fictícia cidade do interior do Nordeste, de um perigoso bandido e seus capangas. Esse flash back está sendo feito como pano de fundo para uma analogia a uma situação que ainda hoje perdura dentre alguns maçons Brasil afora. Os inúmeros Irmãos "Zé das Medalhas" que invariavelmente transitam pelas Lojas, ornamentados tal qual árvores de Natal, carregados de um ar de superioridade julgando-se acima de tudo e de todos são figurinhas carimbadas na Sublime Ordem. É inegável que comendas, diplomas, medalhas, broches e pins fazem parte de um arsenal de ornamentos que representam uma exterioridade de reconhecimento da Ordem para com alguns Irmãos. Porém, todo o exagero é prejudicial e muitas vezes visto como ato de exibicionismo exacerbado, que se contrapõe com tudo aquilo que a essência maçônica apregoa. O despojamento por outro lado, é um sinônimo de virtude e de grandeza. 2 – Editorial de domingo – “Zé das Medalhas” Newton Agrella
  5. 5. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 5/33 O verdadeiro Maçom deixa como legado inconteste não suas inúmeras insígnias, mas sim seus exemplos de postura simples, fraterna, de palavras de alento e de incentivo aos seus pares e de suas ações proativas em favor da humanidade. Sua preocupação reside em compartilhar com os demais e principalmente de saber Ouvir e Respeitar as diferenças e opiniões - sem se preocupar com penduricalhos e enfeites. Não se quer aqui, desmerecer aqueles que por um motivo ou outro foram agraciados com algum mimo, muito pelo contrário, reconhecem-se os seus valores. O que se quer sim, é apenas e tão somente reproduzir a figura típica daqueles que ainda preferem andar curvados ostentando incontáveis medalhas no peito como se isso fosse prova de virtude e distinção. Todos sabemos que o valor das coisas está no despojamento e na forma natural de se deixar levar vida. A escalada maçônica enseja esses tantos Títulos e Ornamentos, que fazem parte da sua própria natureza histórica e ritualística, contudo isso não deve ser confundido com o propósito real de nossa caminhada que se revela na busca intermitente pela evolução e pelo aprimoramento humano e espiritual. Vide como exemplo a própria evolução do Compasso e do Esquadro quando ganham suas dimensões nos Graus e onde o Espírito finalmente se sobrepõe a Matéria - como mensagem clara da missão maçônica. O despojamento talvez seja a "medalha" mais importante a ser cultivada, pois é dele que fazemos o nosso crescimento interno, a reflexão de nossos valores mais íntimos tornando nossas ações mais tangíveis ao Conhecimento. Despojamento é Sabedoria. É saber carregar o mínimo de Peso que acumulamos ao longo da vida com inteligência e fidalguia. Há ocasiões em que Menos é Mais. Quem sabe aí caiba uma ponderação mais detida a cada um de nós. Fraternalmente Newton Agrella
  6. 6. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 6/33 O Ir. João Ivo Girardi joaogira@terra.com.br da Loja “Obreiros de Salomão” nr. 39 de Blumenau é autor do “Vade-Mécum Maçônico – Do Meio-Dia à Meia-Noite” Premiado com a Comenda do Mérito Cultural Maçônico “Aquiles Garcia” 2016 da GLSC. Escreve dominicalmente neste 3º. Bloco. ARTHUR SCHOPENHAUER, O FILÓSOFO PESSIMISTA “Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa a existência lhe parece.” (Schopenhauer). 1. Arthur Schopenhauer: (1778-1860) Nascido numa família rica e cosmopolita em Danzig (atualmente Gdansk, Polônia), esperava-se que Schopenhauer se tornasse um comerciante como seu pai. Ele viajou à França e à Inglaterra antes que sua família se estabelecesse em Hamburgo, em 1793. Em 1805, depois da morte do pai (possivelmente por suicídio), julgou que poderia parar de trabalhar e ir para a universidade, onde estudou filosofia e psicologia. Manteve um relacionamento difícil com a mãe, crítica contumaz de seus atos e decisões. Após completar os estudos, Schopenhauer lecionou na Universidade de Berlim. Alcançou fama como namorador e misógeno, evitou o casamento e, certa vez, foi condenado por agressão a uma mulher. Em 1813, mudou-se para Frankfurt, onde passou o resto da vida na companhia de uma sucessão de poodles chamados Atman (alma no hinduísmo e budismo) ou Butz (duende, em alemão) Intolerante, apaixonado pelo triunfo de sua própria fé, insensível a qualquer outra coisa, pronto a empregar a violência para converter ou para destruir aqueles que não a compartilham. Diz-se essencialmente e primitivamente da fé religiosa, mas também, por extensão, de toda a espécie de crença. 2. Pessimismo: Pessimismo é um estado de espírito contrário aootimismo, que se caracteriza por se ver as coisas sempre pelo lado negativo. Segundo o dicionário Aurélio, em sua versão eletrônica, pessimismo é a disposição de espírito que leva o indivíduo a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior. O âmbito filosófico, segundo a mesma fonte, refere-se a um caráter das doutrinas metafísicas ou morais que afirmam a supremacia do mal sobre o bem e costumam levar à adoção de uma atitude geral de escapismo, imobilismo ou conformismo, quer seja o mal considerado a privação dos meios de conservação da vida (alimentação, abrigo, etc.), quer seja considerado a privação dos meios de expansão e desenvolvimento espiritual. 3. A Lei de Murphy: A Lei de Murphy é um adágio popular da cultura ocidental que afirma: Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará ou Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências 3 – Coluna do Irmão João Gira – Schopenhauer, o Filósofo Pessimista - João Ivo Girardi
  7. 7. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 7/33 indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la. Ela é comumente citada (ou abreviada) por: Se algo pode dar errado, dará ou ainda: Se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a causar o maior estrago possível. É oriunda do resultado de um teste de tolerância à gravidade por seres humanos, feito pelo engenheiro aeroespacial norte-americano Edward Murphy. Ele deveria apresentar os resultados do teste; contudo, os sensores que deveriam registrá-lo falharam exatamente na hora. Frustrado, Murphy disse Se este cara tem algum modo de cometer um erro, ele o fará - em referência ao assistente que havia instalado os sensores. Daí, foi desenvolvida a assertiva: Se existe mais de uma maneira de uma tarefa ser executada e alguma dessas maneiras resultar num desastre, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la. Mais tarde, o teste obteve sucesso. Durante uma conferência de imprensa, John Stapp, que havia servido como cobaia para o teste, atribuiu ao fato de que ninguém saiu ferido dos testes por levarem em conta a Lei de Murphy e explicou as variáveis que integravam a assertiva, ante ao risco de erro e consequente catástrofe. 4. Pessimismo - Arthur Schopenhauer. Busca inglória e sem sentido pelo poder. Em sua visão do mundo, os otimistas esperam, que a longo prazo, os valores mais elevados prevaleçam; os realistas e os cínicos esperam poucos sucessos; os pessimistas esperam que tudo de valioso decepcione e pereça. Todos lançam mãos de padrões éticos objetivos para louvar ou condenar a realidade. Variedades de pessimismo existem desde a Antiguidade grega, mas foi com a obra do alemão Arthur Schopenhauer que nasceu o pessimismo moderno. Em 1819, Schopenhauer publicou sua teoria de que a vontade, ou impulso de poder, é a realidade última. Inspirado pelo budismo e por antigos Upanixades hindus, ele percebeu a presença da vontade por trás de tudo o que é biologicamente vivo. Dado que nossas realizações são meritórias, nosso dever ético é amar e ajudar-nos uns aos outros; mas sabemos que nada dura muito tempo e que a morte nos destruirá a todos. O cosmo sem Deus não é senão um esforço incessante e insáciavel que pode ser eterno, mas não significa nada. Indo do além do estoicismo e do budismo, Schopenhauer aconselha as pessoas a não ter filhos, abraçar a renúncia, a extinguir a vontade de viver e acelerar a morte. Ele influenciou o dramaturgo Richard Wagner, os filósofos Friedrich Nietzsche e Ludwig Wittegenstein e o escritor Jorge Luis Borges. Ateus contemporâneos concordam que o universo é sem sentido e que nada de bom é eterno, mas valorizam a vida por si mesma e seguem racionalistas científicos como Augusto Comte e Herbert Spencer em sua expectativa de progresso biológico e tecnológico ilimitado. São poucos os que negam que esta vida vale a pena. (...) Melhor seria que nada existisse... Há mais dor do que prazer neste mundo. (Schopenhauer). (Fonte: 1001 Ideias que mudaram nossa forma de pensar, 2014, Robert Arp). 5. A Vida é Bela em Schopenhauer: A filosofia pessimista, atribuída ao filósofo alemão, talvez não passe de um preconceito ou de um mal-entendido, quando analisada com outros olhos e comparada à vida e à mensagem de outros homens excelsos da humanidade, como Platão, Epicuro, Nietzsche, Buda e Jesus. O pessimismo pressupõe uma desesperança no futuro, uma previsão ruim daquilo que sobrevirá, ou, como encontrado nos melhores dicionários de nossa língua, uma tendência para encarar as coisas pelo lado negativo. Mas o que dizer destas palavras: A história nos mostra a vida dos povos, e nada encontra a não ser guerras e rebeliões para nos relatar; os anos de paz nos parecem apenas curtas pausas, entreatos, uma vez aqui e ali, e de igual maneira a vida do indivíduo é uma luta contínua, porém não somente metafórica, com a necessidade ou o tédio, mas também realmente com outros. Por toda parte ele encontra opositor, vive em constante luta e morre de armas em punho? O que temos aí: extremo pessimismo ou puro realismo? Quem dentre nós poderá ser tão otimista ao ponto
  8. 8. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 8/33 de negar a realidade que perpassa a história da humanidade e que pode ser encontrada, sem grandes dificuldades, em qualquer cena urbana ou privada, veiculada pelos meios da comunicação ou testemunhada na porta de nossas casas? O nome Schopenhauer tornou-se quase sinônimo de pessimismo ao longo da história da filosofia. A tendência didática de rotular ou categorizar pensadores e correntes de pensamento estigmatizou um filósofo que teve como único e máximo pecado ser honesto para com sua filosofia, que concebe a vida, assim com todos os eventos da existência, como expressões diferentes da Vontade - uma força que apenas quer existir, se evidenciar num mundo que não passa de sua representação. Os quase dois séculos que nos separam de Arthur Schopenhauer, entretanto, talvez ainda não se constituam um obstáculo para uma defesa justa de suas ideias e para o vislumbramento de aspectos extremamente positivos de sua filosofia. A época em que Schopenhauer viveu, na Europa do final do século XVIII e início do século XIX, tem algumas características peculiares, que podem muito bem dizer do Zeitgeist de então. Will Durant, em seu A História da Filosofia, tenta encontrar razões para uma espécie de pessimismo comum àquele período. Diz ele: Por que será que a primeira metade do século XIX levantou, como vozes da época, um grupo de poetas pessimistas - Byron na Inglaterra, De Musset na França, Heine na Alemanha, Leopardi na Itália [...] e, acima de tudo, um filósofo profundamente pessimista, Arthur Schopenhauer?, e acrescenta como resposta: [...] Era bem difícil acreditar que um planeta tão lamentável quanto aquele que os homens viam em 1818 estivesse seguro nas mãos de um Deus inteligente e benevolente. Mefistófeles havia triunfado e todos os Faustos estavam desesperados. Durant também é loquaz ao dizer que o pessimismo é o dia seguinte do otimismo. Todo homem, ilustre ou não, é fruto de seu tempo, e também vê o mundo à sua volta como a representação de si mesmo, assim como sentenciado por um antigo filósofo grego: O homem é a medida de todas as coisas. Schopenhauer vê as coisas do seu tempo, mas, acima de tudo, abrange com seu olhar filosófico, quiçá com sua intuição (como talvez ele próprio preferisse dizer), o passado (constituído de suas incursões pelas escrituras hindus e budistas), o presente (imposto a ele frente a frente) e o futuro (projetado por sua invejável capacidade intelectual). Assim, sua filosofia traz, evidentemente, a sabedoria oriental, que inspira aqueles que buscam respostas para seu sofrimento nos ensinamentos religiosos; a compreensão do aqui-agora existencial, que une todos os povos e todos os indivíduos como uma única nação de aflitos; e a visão profética, que, relendo os eventos da vida, vaticina para todos, sem exceção, uma espécie de eterno retorno - um retorno ao nada existencial, como último consolo à existência sofrida. [...] No entanto, essa vida reclusa é rotulada por alguns autores como uma vida infeliz, o que fornece um ótimo ingrediente para fomentar a denominação que darão a ele de filósofo do pessimismo. Sua obra-prima, O Mundo como Vontade e Representação (1819), só conquistou leitores após sua morte, e Parerga e Paralipomena (1851) trouxe- lhe o tão desejado reconhecimento, mas ele não viveu o suficiente para usufruir dele, pois morreu nove anos depois, no dia 21 de setembro de 1860, solitário como viveu. A Vida como ela é: Enxergar as coisas tais como elas são pode ser uma tarefa amarga, mas também pode trazer recompensas surpreendentes para aqueles que antes suspeitam de tudo que é doce demais. É, provavelmente, por essa razão que o filósofo de Danzig impôs a si uma vida de retiro e solidão, tentando ao máximo evitar dissabores provenientes das frágeis e vulneráveis relações humanas, percebendo que esses bípedes (como ele chamava os humanos) ainda não estão preparados para amor e amizade verdadeiros. Pensemos: quantas pessoas mundo afora já não se desiludiram no amor e na amizade, e como gostariam de jamais terem se apaixonado ou se dedicado fervorosamente a alguém? O pensamento schopenhaueriano é, sem dúvida, um antídoto para péssimos exemplos de relacionamento humano, ou até mesmo uma espécie de cura para males intrínsecos à própria condição humana. Em seu A Cura de Schopenhauer, Irvin D. Yalom (o mesmo autor de Quando
  9. 9. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 9/33 Nietzsche Chorou) apresenta-nos uma trama ficcional, na qual o filósofo, melhor dizendo, sua vida e obra, serve de tratamento para um personagem que sofre de compulsão sexual. O enredo do livro trata de um grupo de pessoas que participa de sessões conjuntas de terapia. Cada uma delas, é claro, está ali por um problema particular que precisa resolver, no entanto, todas elas se veem, de repente, bombardeadas por citações de Schopenhauer, recitadas pelo novo integrante, que acabam por dominar as discussões do grupo e, ao mesmo tempo, proporcionar, de forma inusitada, novas perspectivas em suas vidas. Esse livro é, sem dúvida, um exemplo maravilhoso de que, se deixarmos de lado o estereótipo tão massificado de uma filosofia pessimista em Schopenhauer, encontraremos nela sabores e aromas terapêuticos, insuspeitados e benfazejos a qualquer de nós - bípedes. A frase Nenhuma relação é perfeita porque as pessoas são imperfeitas, que abre o sétimo capítulo de Mais Platão, Menos Prozac (atualmente, uma espécie de manual do chamado aconselhamento filosófico), de Lou Marinoff, tem tudo a ver com o pensamento de Schopenhauer, colocando-o no páreo com os pensadores utilizados nos consultórios dessa prática filosófica e outras abordagens terapêuticas que exploram as mais inovadoras técnicas psicofilosóficas. Devido à sua extraordinária filosofia, a essência do pensamento desse filósofo orbita tranquilamente entre as máximas de Platão e Epicuro, de Buda e Kant, de Jesus e Nietzsche, sem comprometer o teor e a substância delas, nem o valor e a autenticidade de seus autores. Se o tédio, a angústia, a depressão e a tristeza podem ser vencidas com máximas filosóficas, aliadas a uma abordagem mais ampla e mais fidedigna (nem tanto racional) do mundo, o pensamento de Schopenhauer certamente pode desencadear a desilusão positiva, a desconstrução daquela ilusão criada pelo próprio indivíduo, em face de um mundo caótico, de uma vida infeliz e de uma realidade estressante. A filosofia de Schopenhauer explica que a natureza interessa-se menos pelo indivíduo e mais pela sua espécie. Portanto, tenta preservar essa personalidade que chamamos de eu será sempre perda de tempo e acréscimo de sofrimento, pois esse eu não pertence a si mesmo, mas é parte de algo bem maior, um nós, que é sua espécie. Se não há consolo em saber que essa personalidade desaparece no oceano existencial - para só então retornar infinitas vezes, como milhões de outras personalidades inconscientes de quantas pessoas já foram, quantas vidas viveram, o quanto amaram, foram amadas ou sofreram - não é culpa do filósofo que assim seja, ele é apenas o decifrador de um código da natureza, que a despeito de nosso apego e romantismo pela vida, do alto de sua sabedoria não racional, não enxerga aqui na Terra homens, mulheres, crianças, pais, filhos, amantes ou rivais, como fomos condicionados a ver aqui embaixo. Ele enxerga apenas a família, a espécie humana, que, num ato de pura vontade e necessidade, mantém a roda existencial girando indefinidamente. Destemor da morte: Dentre as contribuições positivas da filosofia schopenhaueriana para o bem- viver da humanidade, podemos citar a exortação ao destemor da morte, ou mais precisamente do valor dela em face de uma vida sofrida e miserável, e, acima de tudo, a compreensão de que ela nada mais é do que o fim de todo sofrimento, o retorno ao descanso, à quietude. Valorizar a morte pode parecer à primeira vista desvalorizar a vida, mas pode também dar novo significado à existência de quem se sente realmente um lutador neste mundo. Diz o próprio filósofo: que a vida sem tragédia seria indigna de um homem. É Will Durant que nos vai lembrar que a filosofia de Schopenhauer semelha muito os ensinamentos do Cristo (e, é claro, os de Buda). Diz o historiador: O cristianismo é uma profunda filosofia do pessimismo. O poder através do qual o cristianismo conseguiu vencer primeiro o judaísmo e depois o paganismo da Grécia e de Roma está unicamente no seu pessimismo, na confissão de que nosso estado é excessivamente deplorável e pecaminoso, enquanto o judaísmo e o paganismo eram otimistas. Nós, com facilidade, podemos encontrar passagens bíblicas que levam a considerações desse tipo, mas que, vistas por um outro prisma, apresentam a morte como uma
  10. 10. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 10/33 valorização da vida. Vale lembrar que, proferidas por Jesus, essas considerações em favor da morte tomam ares de inspiradora fé no significado da própria vida. Aquele que tentar salvar sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrála- á, disse o Nazareno. E Buda assim se pronunciou: Olhai ao vosso redor e contemplai a vida. Tudo é passageiro e nada duradouro. Só nascimento e morte, crescimento e decadência, combinação e dissolução. Será que ainda restam dúvidas quanto à veracidade e à utilidade de tal filosofia? Será que é preciso um novo rótulo para o frasco de um remédio que, por ser amargo, não merece prescrição para males ainda mais amargos da existência? Creio que não. Schopenhauer diz com despojamento de filósofo o que os avatares ensinam ao modo dos deuses. Quando, por um instante, conseguimos estar livres do jugo da vontade, da objetividade do querer que nos impulsiona, vivemos o estado sem sofrimento, considerado por Epicuro como o mais elevado dos bens e o estado dos deuses, diz o filósofo. A vida magnânima do Cristo culminou com seu martírio, e a de Buda, com uma morte tão comum quanto a de qualquer dos mortais. Para seres excelsos, assim como para o homem comum (produto industrial da natureza, segundo Schopenhauer), a existência conduz inexoravelmente à morte, com maior ou menor grau de sofrimento em seu transcurso. O que condiz muito bem com sua máxima: Uma vida feliz é impossível; o máximo que o homem pode conseguir é uma vida heróica. O filósofo defende que nós, seres humanos, nada mais somos do que a objetivação de uma vontade de existir. O que levará Durant a acrescentar em sua obra, com certa jovialidade e otimismo, páginas à frente: A vontade, claro, é uma vontade de viver, e de viver ao máximo. Como a vida é cara a todas as coisas vivas! E com que paciência silenciosa ela irá esperar o momento propício, o que corrobora as palavras do próprio filósofo, ao dizer: Mesmo no reino orgânico vemos uma semente seca preservar a força inativa da vida durante três mil anos e, quando finalmente ocorrem as circunstâncias favoráveis, desenvolver-se numa planta. Se ainda me for permitida outra comparação, não seria demais lembrarmos as seguintes palavras do mestre de Belém: Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. (Lc. 12:27). A filosofia de Schopenhauer também realça aquela nobreza que cobre de louros o espírito e o caráter do ser humano, quando este consegue perceber que seu valor como protagonista da existência não está diretamente relacionado com suas posses, e que, por vezes, a riqueza é um entrave ao autoconhecimento, e a pretensa felicidade almejada jamais pode ser outorgada por outrem. Diz o filósofo: Os homens estão mil vezes preocupados em ficarem ricos do que em adquirirem cultura, embora seja inteiramente certo que aquilo que um homem é contribui mais para sua felicidade do que aquilo que ele tem. E ainda: A felicidade que recebemos de nós mesmos é maior do que a que conseguimos em nosso meio, o que vai concordar diretamente com Aristóteles, ao dizer que ser feliz significa ser autossuficiente. Quantos homens não recebem honras apenas porque são ricos e poderosos, enquanto outros, verdadeiramente valorosos, são esquecidos, apenas porque são simples e sem posses? Schopenhauer, ao tratar da renúncia das riquezas, cita Siddhartha Gautama e São Francisco de Assis. Sobre este último, ele relata um evento em que, estando o nobre e jovem Francisco num baile em que se apresentavam as belas filhas dos notáveis da época, foi perguntado: Então, senhor Francisco, não ireis brevemente eleger uma entre estas belas?, ao que teria respondido: Elegi para mim uma muito mais bela! La povertá. O filósofo vê o apego à individualidade como egoísmo, uma insensatez para com a qual a natureza não se permite compactuar. Ser um e, ao mesmo tempo, ser todos, ou pelo menos muitas possibilidades de ser muitos outros, é mais próprio e adequado ao fluir existencial, à vontade da Natureza, ou, se preferirmos, à vontade de Deus. Alguns podem até achar falta de modéstia em Schopenhauer, mas, observando criteriosamente seus escritos, pode-se encontrar os créditos que ele declara a seus colaboradores, como quando diz: Reconheço que o melhor de meu desenvolvimento próprio deve-se, ao lado da impressão do mundo intuitivo, tanto à da obra de Kant, como à dos sagrados hindus e à
  11. 11. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 11/33 de Platão. Como homem culto que foi, fez um estudo aprofundado das religiões orientais, assim como do cristianismo e do judaísmo, e sua ética pode ser comparada tanto com a budista quanto com a cristã, conforme ele mesmo declara: A todas as éticas da filosofia europeia, a minha se dispõe na relação do Novo Testamento ao Antigo, conforme o conceito bíblico desta relação. [...] Minha ética [...] possui fundamento metafísico, utilidade e objetivo: em primeiro lugar mostra teoricamente o fundamento metafísico da justiça e do amor humanos, e em seguida também aponta o objetivo a que estes, quando realizados com perfeição, devem conduzir. [...] Poder-se-ia denominar minha doutrina a filosofia propriamente cristã; por mais paradoxal que possa parecer àqueles que não atingem o cerne das coisas, mas permanecem em sua superfície. [...] O filósofo do pessimismo, como ficou conhecido Arthur Schopenhauer, tem muitas coisas positivas a ensinar tanto aos miseráveis quanto aos prósperos, tanto aos bípedes sem instrução quanto aos bípedes bem-instruídos, tanto aos pessimistas quanto aos otimistas. A beleza de sua filosofia não é óbvia e vulgar como alguns gostariam que fosse, ela é como o véu de Maya dos hindus, que impõe ao comum dos homens uma ilusão multicolorida, enquanto esconde por trás de si o esplendor da eternidade. O próprio filósofo pode nos dizer algo sobre isso, para que tudo o que aqui foi dito não fique como não dito: A vida é curta, mas a verdade vai longe e tem vida longa; falemos a verdade. (Fonte: Texto extraído e condensado do site: filosofia.uol. Autor: Jaya Hari Das - Graduado em filosofia pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA, professor da rede estadual de ensino do Maranhão e colaborador da revista Conhecimento Prático Filosofia). 6. Citações pessimistas: A informação mais necessária é sempre a menos disponível. - Uma maneira de se parar um cavalo de corrida é apostar nele. - Quando te ligam: se você tem caneta não tem papel; se tem papel não tem caneta; se tem ambos ninguém liga. - Guia prático para a ciência moderna: Se se mexe, pertence à biologia. Se fede, pertence à química. Se não funciona, pertence à física. Se ninguém entende, é matemática. Se não faz sentido, é economia ou psicologia. - Por mais tomadas que se tenha em casa, os móveis estão sempre na frente. - Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada. 7. Máximas: O pessimista fica feliz quando acerta e quando erra. (M. Fernandes). - O pessimista sofre quando tudo dá certo. (Carpinejar). - Pessimista é um sujeito que olha para os dois lados da rua antes de atravessar uma rua de mão única. (Laurence J. Peter). - Um otimista fica acordado até meia-noite para ver a entrada do ano novo. Um pessimista fica acordado para ter a certeza de que o ano velho se foi. (Bill Vaughn). - O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade. (Churchill). - O pessimista só vê o sol como fazedor de sombras. (A). Finalizando: É fácil ser maçom dentro do Templo, o difícil é sê-lo fora. Tirem suas conclusões.
  12. 12. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 12/33 O Ir.·. José Ronaldo Viega Alves* escreve aos domingos. A TAÇA SAGRADA NA CERIMÔNIA DA INICIAÇÃO: INTRODUÇÃO AO SEU SIMBOLISMO. O MITO DO SANTO GRAAL. A PROVA DA TAÇA TEM SUA ORIGEM NO RITO ADONHIRAMITA? (PARTE UM) *Irmão José Ronaldo Viega Alves ronaldoviega@hotmail.com Loja Saldanha Marinho, “A Fraterna” Oriente de S. do Livramento – RS “TAÇA SAGRADA. A expressão refere-se a uma prática originária do Rito Adonhiramita e que acabaria sendo enxertada em outros Ritos. A cerimônia da Taça Sagrada ocorre durante a Iniciação, quando se dá de beber, ao candidato, inicialmente, um líquido doce _ geralmente, genciana _ fazendo-o beber, novamente. O simbolismo aí contido é muito amplo: representa a boa e a má sorte, os altos e baixos que constituem a existência humana; mostra, também, como é amargo o perjúrio, como é amarga a vida de quem trai os seus compromissos morais e éticos.” (Castellani, pág. 164, 1995) INTRODUÇÃO A Taça Sagrada ou Taça da Amargura é aquela da qual nós Maçons bebemos em nossa Iniciação, e que possui um grande significado simbólico. O juramento ou a promessa solene que naquela cerimônia pronunciamos, concomitantemente, é o nosso comprometimento definitivo com a Maçonaria, o que significa dizer que dali em diante, não será mais possível voltar atrás, sob a pena de se tornar perjuro. Mas, essa Taça, não teria outros nomes? Quais são esses nomes? Ela deve ser considerada sagrada realmente? Por que em algumas cerimônias o líquido amargo deve ser sorvido primeiro? Há uma relação com o Santo Graal, ou não? É possível saber quando foi que a cerimônia foi adotada na Maçonaria? Por que tantas referências à Mitologia, e será que partem daí as suas verdadeiras origens? A cerimônia envolvendo a Taça Sagrada, o juramento, suas origens, seus significados, aspectos simbólicos, assim como, algumas questões que tem gerado controvérsias, principalmente no tocante a sua inserção no R.E.A.A., entre outros assuntos, é o que o presente trabalho pretende abordar. A CERIMÔNIA DA TAÇA SAGRADA DURANTE A INICIAÇÃO A partir do momento que o Profano (estamos falando sobre o R.E.A.A.), ainda com os olhos vendados, é convidado pelo Ven.’.M.’. para que preste um juramento, o Ir.’. Experto estará posicionado ao lado para administrar-lhe a taça com a água açucarada e posteriormente com o líquido amargo. A cerimônia transcorre de forma que o Profano vai repetindo o juramento: “Juro guardar/ o silêncio mais profundo/ sobre todas as provas/ a que for exposta a minha coragem./ Se eu for perjuro e trair meus deveres,/ se apenas a curiosidade/ aqui me conduz,/ consinto que a doçura/ desta bebida” 4 – A TAÇA SAGRADA NA CERIMÔNIA DA INICIAÇÃO: INTRODUÇÃO AO SEU SIMBOLISMO. O MITO DO SANTO GRAAL. A PROVA DA TAÇA TEM SUA ORIGEM NO RITO ADONHIRAMITA? (PARTE UM) - José Ronaldo Viega Alves
  13. 13. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 13/33 (Neste momento o Ven.’ Mestre faz sinal ao Ir.’. Exp.’. para que ele faça com que o Profano beba um pouco da bebida doce.) O juramento prossegue: “se converta em amargor/ e seu efeito salutar,/ em sutil veneno.” (O Ir.’. Experto à esta altura despeja o líquido amargo na taça e faz com que o Profano beba o mesmo.) COMENTÁRIOS: Antes, do Prof.’. ser conduzido ao Altar, por ordem do Ven.’. Mestre, este já havia feito um pequeno comentário, ou melhor, feito uma advertência: que, se ele (o Profano) fosse sincero, beberia a bebida contida na taça sagrada sem receio nenhum, mas, que se ele fosse falso e dissimulado durante a sua promessa, o melhor era não jurar. Depois, o Ven. Mestre ainda pergunta ao Prof.’. se ele está disposto ou consente em fazer o juramento, o que, ante uma resposta afirmativa do Prof.’., se converte em nova ordem ao Irmão Sacrificador para que apresente o Prof.’. à taça sagrada, a qual nas palavras do Ven.’. Mestre é fatal aos perjuros. Como deu para percebermos, durante todo o tempo, ou, desde os primeiros momentos da cerimônia são dadas as seguintes ênfases: “Se eu for perjuro e trair meus deveres”, “se a falsidade e a dissimulação acompanham a vossa promessa”, e “a taça sagrada, tão fatal aos perjuros.” O QUE É “SER PERJURO”? Do “Vade-Mécum Maçônico” extraímos os seguintes significados: “PERJURO: 1. Juramento falso. 2. Quebra de um juramento. Deus (Lev.19,12) proíbe o juramento falso em seu nome, sob pena de castigos. 3. Aquele que comete perjúrio , que falte à fé jurada; por isso são indignos de participar das atividades maçônicas. A Maçonaria, de modo prosaico ameaça com os mais cruéis castigos aquele que desonrar o seu juramento. Triste é constatarmos quando um maçom atual não é aquele iniciado em que a Ordem depositou sua confiança e esperança. 4. A quebra de sigilo é enquadrada como perjúrio porque o obreiro jura na Iniciação e reitera sempre a manutenção do segredo sobre tudo que lhe é revelado(...)” A TAÇA SAGRADA E A TAÇA DA AMARGURA SÃO A MESMA COISA? Vejamos em primeiro lugar o livro “Maçonaria de A a Z – Definições e Interpretações de Termos Maçônicos” que assim dispõe: “TAÇA DA AMARGURA: Faz parte de uma das provas pela qual passa o Neófito na cerimônia de iniciação. Dentro dela existe um líquido amargo que é ingerido pelo mesmo, para lembrá-lo de que a vida não é só alegria, e que também ele não poderá ser perjuro ao compromisso que assumiu ao ingressar na Ordem; é mais uma prova simbólica. TAÇA SAGRADA: Onde se oferece ao profano, na sua Iniciação, as bebidas de sabores doce e amargo, quando ele está com os olhos vendados.” Em segundo lugar, vejamos o “Dicionário Filosófico de Maçonaria”: “TAÇA, Tanto na Maçonaria Simbólica como na Filosófica, são empregadas taças nas cerimônias iniciáticas; 1.°, 18.° e 33.° Graus. A primeira denominada da ‘boa e má bebida’; as demais, contendo vinho. TAÇA SAGRADA, É a Taça de ‘boa e má bebida’ do Simbolismo; no Grau 18.° é usada par que todos sorvam o vinho na Ceia Mística da Quinta-Feira Santa, substitutiva do ‘Santo Graal’ dos Cavaleiros da Távola Redonda.“ COMENTÁRIOS: Pois é, no primeiro caso, constam dois verbetes e da maneira como foram inseridos, o leitor pode ser induzido a pensar que são duas coisas distintas. No segundo caso, há dois verbetes também, e embora fique claro que é a mesma taça (a da boa e da má bebida) surge um outro simbolismo para a taça que é a de substitutivo do Santo Graal, em pelo menos um dos Graus Filosóficos. O QUE É O SANTO GRAAL? O Graal é um cálice grande. De acordo com o Irmão Joaquim Roberto Pinto Cortez, a palavra chegou até a língua portuguesa através do francês e passando pelo latim medieval. Seu significado pode incluir até mesmo o de um vaso, mas, de qualquer maneira é em princípio, um recipiente para conter líquidos. (Cortez, págs. 81 e 82, 2007) Há uma lenda que remonta ao período medieval, que tem origens tanto cristãs como pagãs, e da qual existem várias versões. Basicamente, o Graal é o cálice que Jesus Cristo usou durante a última ceia. Reza a lenda que o cálice esse acabou sendo preservado por José de Arimatéia,
  14. 14. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 14/33 que o mesmo colheu algumas gotas do sangue de Cristo vertidas durante a sua crucificação e depois o levou para as ilhas britânicas. Acontece que, dada a impureza daqueles que eram os seus guardiões, o cálice acabou desaparecendo. Os mais famosos ‘buscadores’ do Santo Graal, depois do seu desaparecimento foram Percival e Galahad, que eram Cavaleiros da Távola Redonda, sob o comando do Rei Arthur. (Champlin, pág. 88, 2008) Essa busca inaugura também um ciclo de romances sobre o Graal, sendo que ainda hoje, como podemos comprovar facilmente nas prateleiras das livrarias há sempre alguns prometendo o desvendamento dos segredos relativos ao mesmo, ou ainda, meros romances que sejam fundados na lenda. Ainda, dos comentários que o Irmão Joaquim Roberto Pinto Cortez teceu a respeito do Santo Graal e do seu mito e influências na Maçonaria, transcrevo a seguinte passagem onde poderemos acompanhar parte das suas importantes observações com relação à cerimônia: “Em Maçonaria, sabemos que a cerimônia da Taça Sagrada pertence ao Rito Adonhiramita (*) e que foi enxertada no Rito Escocês Antigo e Aceito. Hoje, ela possui um significado altamente simbólico dentro deste Rito e vamos encontrar a Cerimônia em uma das passagens mais importantes do processo de Iniciação. Como eu já escrevi e não me canso de repetir, nossos Rituais são bastante claros: ‘Senhor, ainda exigimos de vós, um juramento de honra que deve ser prestado sobre a Taça Sagrada’. O grifo em ‘honra’ é meu e, vejam bem, o sentimento de Honra está sendo invocado nesta hora. Podem existir outros sentimentos que tenham o mesmo caráter de nobreza da Honra, mas não se ode negar que quando o invocamos, devemos nos revestir de características sóbrias e solenes. Esta é uma realidade, da qual, não podemos fugir.” (*) Mais adiante, veremos maiores detalhes sobre essa outra questão. MAÇONARIA: A TAÇA SAGRADA QUE NÃO É TÃO SAGRADA Em sua coluna ”Questões Sobre Maçonaria – Perguntas e Respostas”, no JB NEWS nº 393, de 28.09.11, o Irmão Pedro Juk, responde a dúvida de um Irmão que dizia que se a Maçonaria não é religião porque é que se referem ao templo maçônico como sendo templo sagrado, e se ele é sagrado mesmo. O sábio Irmão Pedro Juk respondeu-lhe dizendo que “sob o ponto de vista da veracidade, em Maçonaria a questão ‘sagração’ nada tem a ver com o significado daquilo que é sagrado (religioso e muitas vezes dogmático).“ No desenvolvimento da resposta que foi dada ao seu leitor, o Irmão Pedro Juk se refere ao atrelamento da Maçonaria à Igreja e a sua influência quando do passado em comum no período medieval. Daí as expressões em uso na Maçonaria: O Templo Sagrado, Juramento sobre a Taça Sagrada, Palavra Sagrada, Sagração do Candidato, etc. Para o presente trabalho interessa-nos, sobretudo, a opinião do Irmão Pedro Juk sobre a Taça Sagrada, então, transcrevo o seguinte trecho: “Já o juramento perante a Taça Sagrada (para os ritos que a possui) fica a seguinte pergunta: O que há de sagrado em uma taça contendo líquido amargo e doce que muitas vezes é até composto por bebida alcoólica, ou mesmo repleta de açúcar? Além do próprio juramento que no nosso modesto entender exprime compromisso e este se presta uma só vez. No caso da Maçonaria, durante o compromisso prestado pelo candidato no Altar dos Juramentos. Ora a tal Taça Sagrada nada mais é que a Taça das Vicissitudes que nada tem de santificado, porém exprime uma belíssima lição de comedimento nos prazeres da vida.” A TAÇA SAGRADA É ORIGINÁRIA DO RITO ADONHIRAMITA? No mesmo texto do Irmão Pedro Juk e na continuidade do que ele escreveu acima, ele fala sobre a sua origem, como veremos a seguir: “À bem da verdade essa prova é original do Rito Adonhiramita, inexistente no puro escocesismo que adota o exemplo apenas na Câmara de Reflexão chamando atenção do candidato através de duas taças com bebida amarga e doce, sem a necessidade de que o candidato venha a sorver do conteúdo deste ou daquele cálice.” Além do mais, há um artigo também do Irmão Pedro Juk, que consta na “Coletânea 7” da Editora “A Trolha” Ltda., intitulado “Taça Sagrada – Um Questão Controvertida” , de onde retiro as seguintes passagens: ”Embora o arrazoado esteja especificamente dirigido aos praticantes do escocesismo, urge, pelo caráter controverso do fato, ser citado o Rito Adonhiramita, principalmente pela prática litúrgica do ato
  15. 15. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 15/33 em questão que, na forma praticada em nosso país pelos integrantes do escocesismo, está intimamente ligada ao Rito citado. É bem verdade que há abrangência da prova da Taça Sagrada em outros Ritos, independente dos que até aqui foram citados, todavia, essa prova está também associada a outras particularidades que se distinguem na forma e conteúdo da prática, a exemplo do Rito Francês, ou Moderno, onde na França a prova é determinada como a ‘Taça e a Bebida Amarga’ – este Rito emprega apenas a bebida amarga.” COMENTÁRIOS: Com relação à ultima linha do parágrafo acima e sobre o simbolismo acerca do doce e do amargo numa analogia com a vida, lembrei que pode ser feita uma associação com alguns dos costumes do Judaísmo, onde, por ocasião das bênçãos nas duas noites de Rosh Hashaná, pega-se uma maçã adoçada com açucar ou mel, momento em que é recitado “Que seja tua vontade, Senhor nosso D’eus, D’eus de nossos pais, conceder-nos um ano bom e doce (como o mel), ou quando por ocasião da preparação da mesa no Seder de Pessach onde em uma bandeja são colocados alimentos, sendo que cada um possui uma simbologia própria. Para simbolizar a amargura é colocada a ‘Maror”, que é uma erva amarga, geralmente escarola ou alface romana, que simboliza o sofrimento impostos aos judeus, enquanto permaneceram escravos no Egito. Ainda: A Taça da Amargura é um símbolo bastante antigo, e que está presente, até mesmo na Bíblia: “Porque na mão do Senhor há um cálice/ cujo vinho espuma cheio de mistura;/ dele dá a beber;/ sorvem-no, até às escórias,/todos os ímpios da terra.”(Sl. 75,8). Para os hebreus, a taça era o símbolo da cólera justiceira provinda de Deus. (a Taça da Amargura) Usei das ilustrações acima, somente com o intuito de deixar evidente que a simbologia essa que se relaciona com a amargura e a doçura numa relação à nossa vida, já vem de longe, pois, civilizações bem antigas já se utilizavam dela. A TAÇA SAGRADA NO ESCOCESISMO TRADICIONAL Prossigamos ainda com mais esclarecimentos do Irmão Pedro Juk, agora sobre como seria o correto em relação à Taça Sagrada no âmbito do escocesismo: “No tradicional escocesismo, as Taças da Boa e Má Sorte, ou das Vicissitudes _ esse é o nome mais condizente aos se tratar do Rito Escocês Antigo e Aceito _ estarão dispostas para observação do Candidato na Câmara de Reflexão, tal qual um alerta de alto significado moral, sendo que, mais tarde, durante o cerimonial de Iniciação, quando o candidato for inquirido sobre as suas impressões de quando esteve encerrado ‘naquele lugar sombrio’, o Venerável dará as explicações necessárias sobre o significado simbólico do conteúdo das taças, sem que com isso haja qualquer necessidade do Candidato sorver desta ou daquele bebida. Basta a explicação e, neste caso, o simbolismo está muito longe de ser confundido com um trote ou coisas do gênero. Dito isso, pergunta-se: então qual a razão desse prova teatral estar tão disseminada em certos Rituais escoceses no Brasil?“ A TAÇA SAGRADA NO RITUAL DO R.E.A.A. (1834) Mais adiante, após comentar sobre a entrada do R.E.A.A no Brasil, a partir de 1832, instalado que foi pelo Visconde de Jequitinhonha, e depois ressaltar que até essa data a maçonaria regular brasileira era composta por dois ritos apensas , o Rito Francês ou Moderno e o Adonhiramita, o sábio Irmão Pedro Juk, desvenda o começo da adoção dessa prática no R.E.A.A., no Brasil. Vejamos: “Dadas essas breves e superficiais considerações, pode-se notar que a prática litúrgica inicial da Maçonaria em nosso país era feita através dos Ritos denominados então como Ritos Azuis (Moderno e Adonhiramita), enquanto era desconhecido o Rito Vermelho (Escocês). Entretanto, com o advento da instalação do sistema escocês com seus 33 Graus no Brasil, a partir de 1832, o fato despertou substancial interesse dos Maçons brasileiros que, atraídos talvez pelo novo sistema de 33 altos Graus, consolidaram o escocesismo em um curto espaço de tempo, a tal ponto que, em um futuro não muito distante, o Soberano Grande Comendador do Grau 33 seria também o Grão-Mestre da Maçonaria simbólica brasileira. Em face desses acontecimentos, era impresso, já em 1834, no Rio de janeiro, través da Tipografia Impressora de Seignot – Plancher & Cia., à rua do Ouvidor, 95, para o Grande Oriente Brasileiro, o ‘Guia dos Maçons Escossezes ou Reguladores dos Três Gráos Symbolicos do Rito Antigo e Aceito’ (a grafia é da época). Todavia, esse Regulador, ou Ritual (o primeirodito escocês impresso no Brasil) absorveu, talvez ao gosto dos que já achavam na época esta ou aquela passagem mais bonita, dentre outras, a prova tearal da Taça Sagrada, bem conhecida através dos Rituais Adonhiramitas.
  16. 16. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 16/33 É bem provável que esteja aí o germe dessa controvérsia nos Rituais Escoceses de algumas Obediências brasileiras que perduram arraigados até os dias atuais assumindo uma espécie de norma consuetudinária que tem causado verdadeiros alaridos de protestos ao se mencionar qualquer probabilidade em se extirpar tal prática do Rito Escocês. (...) À guisa de esclarecimento e sem querer entrar no campo da prolixidade, é assaz importante se compreender que o tema abordado se prende aos conceitos ritualísticos dos Rituais escoceses; portanto, nenhuma crítica é feita à doutrina de qualquer outro Rito. Da mesma forma, fica aqui robustecida a observância de que qualquer pesquisa séria deverá ser feita em Rituais tradicionais de origem francesa ou alguns outros bons Rituais, brasileiros ou não, desde que isentos de enxertos e deturpações. De nada vale para qualquer conclusão, se tomado por base, estejam certos Rituais ditos antigos, porém repletos de invencionices e deturpações. Nem sempre a antiguidade dá um caráter de autenticidade. É preciso método para tal. A questão controversa aborda a pureza de um Rito e não a beleza deste ou daquele procedimento ritualístico.” (Grifo meu!) COMENTÁRIOS: Evidentemente há autores que defendam posições diferentes, cada um com seus argumentos, sendo que, não irei contrapor essas outras opiniões para não criar polêmicas ou “jogar lenha na fogueira’ como se diz, pois, não é esse o objetivo do presente trabalho, no entanto, sempre procuro deixar claro que, quando opiniões divergentes existam, é interessante que os leitores fiquem cientes, para não se depararem futuramente em suas leituras com aquilo que não foi cogitado aqui em nenhum momento. Essa e outras questões do mesmo tipo, ou seja, com respeito à determinadas cerimônias, símbolos, passagens, que teriam sido enxertadas no R.E.A.A., em sua maioria, de tão arraigadas que estão, dificilmente conseguiriam ser removidas. No entanto, e tomo como princípio, a verdade comprovada deverá ganhar maior ênfase, sempre. *** Prosseguiremos com este trabalho no próximo domingo, dado que as considerações feitas pelo Irmão Pedro Juk são muito esclarecedoras, e restam informações ainda. Devo considerar, sobretudo, que há aqueles Irmaõs que tem interesse em se aprofundar melhor no tema. Também veremos as várias referências com base na Mitologia, das quais a Maçonaria teria se servido ou não, já que o Cálice simbólico está ligado a muitas das lendas mitológicas, citadas e analisadas em um trabalho excelente de autoria do Irmão João Alves da Silva. Ainda com relação ao simbolismo, veremos mais dos aspectos referentes à amargura e à doçura e que estão consubstanciados na cerimônia da Taça Sagrada. Consultas Bibliográficas: Internet: JB NEWS nº 393, de 28/09/2011: Coluna “Questões sobre Maçonaria – Perguntas e Respostas”, a cargo do Irmão Pedro Juk Revistas: MORASHÁ, Abril de 2007: Suplemento Especial “Seder de Pessach”. MORASHÁ, Setembro de 2007: Suplemento das Grandes Festas” Livros: A TROLHA - COLETÂNEA 7: “Taça Sagrada – Uma Questão Controvertida” – Peça de Arquitetura de autoria do Irmão Pedro Juk – Editora Maçônica “a Trolha“ Ltda. – 1ª Edição – 2005 BÍBLIA SAGRADA Almeida Revista e Atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil - 2011 CASTELLANI, José. “Dicionário de Termos Maçônicos” – Editora Maçônica “A Trolha“ Ltda. 1995 – 2ª Edição. CHAMPLIN, R.N. “Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia” – Volume 6 – Editora Hagnos – 9ª Edição – 2008 CORTEZ, Joaquim Roberto Pinto. “MAÇONARIA Mistérios, Lendas e Fatos” – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. - 1ª Edição - 2007 GIRARDI, João Ivo. “Do Meio-Dia à Meia-Noite Vade-Mécum Maçônico” – Nova Letra Gráfica e Editora Ltda. 2ª Edição – 2008. NAMI, Antônio. “Maçonaria de A a Z – Definições e Interpretações de Termos Maçônicos” – Madras Editora Ltda. 2013 - Ritual e Instruções de Aprendiz-Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito – GORGS – Porto Alegre, RS – 2010- 2013
  17. 17. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 17/33 O Ir Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”- Londrina – PR – escreve aos domingos hercule_spolad@sercomtel.com.br Modelos de Maçonaria... Temos ouvido e analisado alguns conceitos de estudiosos da Maçonaria através dos anos. Alguns deles merecem ser citados. Ouvimos de certa feita, que o modelo maçônico que nos legaram nossos Irmãos do passado já não se adapta ao homem atual. Está anacrônico. Um irmão místico mencionou que a Maçonaria atual tornou-se materialista, pois dentro de seus templos ainda existem símbolos poderosos e mágicos, mas que os maçons atuais não os respeitam como tais, pois não têm a noção de seus significados. Por esta razão, a Maçonaria fragmentou-se, perdeu a sua força e confundiu-se. Outro irmão referia que o maior objetivo político que acalentou e deu forças a inúmeras gerações de maçons do século passado que era a República morreu com o nascimento desta, ou seja, desde então os maçons não tiveram em termos de Brasil um objetivo prioritário para lutar por ele. Não criaram outra motivação cívica, a Maçonaria fragmentou-se em diversas Potências , cada qual com sua orientação político social, sempre se autodenominando representante de todas as opiniões da população maçônica e de quando em vez, soltando na imprensa brasileira bisonhos pronunciamentos políticos. Entretanto, autores atuais afirmam que a Maçonaria visa apenas o homem em si, como líder, como embrião, como uma célula dentro da sociedade. À Maçonaria caberia tão somente preparar este homem, mostrando-lhe os caminhos de seu autoconhecimento, e ensinando-o a ser um construtor social para que atue na sociedade como um núcleo em torno do qual estariam os demais segmentos dessa sociedade. É provável que cada afirmação citada tenha a sua verdade. Parece-nos que a última, sem menosprezar as demais, seria a mais atual e mais apropriada ao nosso tempo. Mas como andam as coisas na Ordem? É claro que as nossas divagações não se aplicam a todos os maçons, mas elas atingirão uma grande parte dos maçons brasileiros, bem como a muitas Lojas. 5 – Iniciação – Modelos de Maçonaria Hercule Spoladore
  18. 18. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 18/33 Se nos atentarmos para a realidade, pelo que poderemos observar no dia a dia, e, acreditamos que ocorra em todo o país, tais são as semelhanças entre as estruturas das cidades entre si, existem verdadeiros flagelos da Ordem, os quais abordaremos apenas alguns, aleatoriamente. Falta de instrução e conscientização do que vem a ser Maçonaria. As sessões duram de duas a três horas e o período de estudos ou de instrução duram apenas quinze minutos, isto quando algum irmão tem um trabalho a apresentar. Quanto à conscientização, com frequência não são respondidas as perguntas básicas que um Aprendiz faz a um Mestre, porque geralmente este não sabe respondê-las. Sempre existem as evasivas tradicionais, tais como: “Isso eu não posso responder. Você chegará lá. Estude”. Então como poderá um Irmão estar consciente do que é a Maçonaria? Existem falhas severas desde o primeiro aprendizado ao se entrar na Ordem. A maioria dos maçons cresce na Ordem do ponto de vista de graus, sem saber ao certo o que estão fazendo ou aprendendo. A pressa de muitos Irmãos em sessão para que esta acabe logo, para poderem nos chamados “fundões” das Lojas, sorverem todo o tipo de pólvora que existe, e ao mesmo tempo se alimenta exageradamente e neste estado de empanturramento alimentar e de eflúvios etílicos tomarem decisões importantes. Veneráveis fracos que não têm personalidade, dominados docilmente por verdadeiras eminências pardas dentro de sua própria diretoria. Carreirismo político maçônico, com falsa liderança. Esvaziamento das Lojas por desmotivação. Comportamento antimaçônico de Irmãos que são verdadeiros profanos de avental, os quais querem, muitas das vezes, que seus defeitos se tornem regras morais para os demais. Candidatos não gabaritados para tal, serem indicados para serem Maçons. Os poderes dentro de uma Potência estão desencontrados e comumente extrapolam seus direitos, não respeitando, às vezes, o próprio Grão-Mestre, que é a maior autoridade. Várias Potências não se reconhecem entre si, mas se utilizam do mesmo Rito, cada qual à sua maneira (vide Rito Escocês Antigo e Aceito, no Brasil). A respeitável denominação “Grande Arquiteto do Universo” virou simplesmente “Gadú”. Esta é uma nova palavra, que foi criada e muito pronunciada, por sinal. Especialmente nas cidades de porte médio e grande, um Templo de propriedade de uma Loja é usado por ela apenas um dia da semana, quando naquele mesmo Templo poderiam funcionar pelo menos mais quatro Lojas. Falta de patriotismo com desconhecimento total da história do Brasil e participação de maçons nos eventos. Se quiséssemos, enumeraríamos mais de cinquenta itens facilmente.
  19. 19. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 19/33 Citamos de passagem os Irmãos que não honram seus compromissos, valendo-se da mal interpretada tolerância maçônica. A maioria dos maçons não lê sobre a Ordem. Fácil será prever o futuro, caso não se tente mudar imediatamente ou reciclar, quer no campo administrativo, histórico, instrutivo, doutrinário ou moral. Precisamos ter a ousadia e a coragem de citar os males que a assolam e a prudência de sugerir alguma solução que possa melhorá-la. Entretanto, tudo vai bem na Ordem. Todos se chamam de Irmãos, fala-se muito em tolerância, todo mundo é livre e de bons costumes. Uma boa parte dos maçons brasileiros acredita realmente que tudo vai bem. São aqueles Irmãos puros, bem intencionados, almas limpas. Nas Lojas, os famosos e prolixos oradores continuam matraqueando desesperadamente, tecendo glórias e louvores ao Grande Arquiteto do Universo e a todos os maçons espalhados pela Terra. Quando um Irmão se diz justo e perfeito, porém não é nada disso, os outros justos e perfeitos fingem não saber do que se trata, pois a Ordem é fraternal e tolerante. Estamos exagerando? Poderão argumentar que o autor é um pessimista, que os maçons de sua cidade são maus, que Maçonaria não é bem isso, e que na sua Loja não é assim. Mas, estas afirmações têm muito de verdade. É só ter a coragem de enxergar as coisas como elas são, sem ter a mente embaçada pelo conformismo. Evidentemente o maior problema da Maçonaria é apenas uma questão de cultura e falta de instrução racional. Se tivéssemos três sessões mensais, onde além de se praticar uma boa ritualística, houvesse debates, conferências, cursos, mesas redondas, etc., a respeito da filosofia, ritualística e história da Ordem, bem como da Política como ciência, o preparo do Maçom seria outro. Quanto às sessões administrativas, deveria haver apenas uma por mês. Cada Potência deveria manter Encontros Semestrais de Aprendizes Companheiros e Mestres para toda a jurisdição, onde fossem apresentados trabalhos e estudos referentes a tudo o que diz respeito à Ordem. Os Altos Corpos de cada Potência, especialmente nas simbólicas, deveriam manter severa vigilância com relação às alterações que os responsáveis pela Liturgia e Ritualística de cada Rito, costumam com frequência introduzir nos Rituais vigentes, a maioria invenções, enxertos, “achismos” etc. Este controle tem que ser constitucional, ou seja, deverá constar na Constituição de cada Potência, e o “modificador” terá que enfrentar estes altos poderes da Obediência e estes aprovarem. Esta seria uma maneira de conter tanta alteração que pulula nos Rituais da Maçonaria brasileira, em especial no Rito Escocês Antigo e Aceito. Como a unificação total da Maçonaria brasileira é uma utopia, a união, entretanto, não é, e já está sendo realizada. As três principais Potências não se reconhecem, mas nas Lojas-Bases está havendo uma intervisitação sistemática, numa camaradagem própria de Maçons que seguem o
  20. 20. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 20/33 axioma “se fomos Iniciados, logo somos Irmãos” e as Lojas, mesmo de Potências diferentes, estão permitindo o direito de visitação, e este contato entre Irmãos está trazendo resultados. Os Grão-Mestres das principais Potências deveriam sentar-se em torno de uma mesa e decidirem que, tratando-se de um mesmo Rito, todas deveriam ter somente um Ritual, o qual seria organizado por uma Comissão de Irmãos destas Potências. Igualmente deveria haver apenas uma Palavra Semestral e troca de correspondências a respeito dos candidatos não desejáveis para serem Maçons. Nas cidades onde hajam Lojas das diversas Potências, deveria haver um Conselho de Veneráveis com rodízio na administração, o qual, paralelamente, tratasse de filantropia, problemas sociais, políticos (não partidários) de abrangência da comunidade. Estas sugestões são fáceis e viáveis. Em algumas cidades já estão sendo realidade, mas não foram sacramentadas pelas cúpulas das respectivas Potências. Não há perigo de desestabilização do poder de cada Potência. Administrativamente, continuarão sendo o que são. O que é necessário é que se deixe a vaidade de lado e se doe de coração aberto à causa maçônica. É simples. O Maçom brasileiro necessita com urgência encontrar uma nova vocação, uma meta maior, um programa de alto alcance que até possa parecer impossível, porém viável a longo prazo, que pudesse unir todos os Maçons em torno de uma idéia, um pensamento único. As Potências deveriam se reunir através de seus mais brilhantes Irmãos e, após estudarem todos os detalhes, apresentarem um diagnóstico da Maçonaria brasileira. Este diagnóstico terá que levar em conta o nosso passado, analisando com muito cuidado o presente e estabelecendo metas para o próximo século. Este que está findando já o perdeu. Só não perdemos ainda o nosso coração de Maçom e o amor à Ordem. Meditem os Irmãos! Autor: Irmão Hercule Spoladore – Londrina – PR,
  21. 21. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 21/33 O Irmão João Anatalino Rodrigues escreve aos domingos jjnatal@gmail.com - www.joaoanatalino.recantodasletras.com.br A ARQUITETURA CÓSMICA O santuário da tradição Já dissemos que a Cabala vê no desenho do universo uma forma projetada pela mente de Deus. Nesse sentido ele é como se fosse um plano de arquitetura pré-concebido e estruturado com extrema precisão. Esse plano é demonstrado admiravelmente na extraordinária simbologia dos Quatro Mundos e no desenho da Árvore da Vida. Nessas duas concepções simbólicas, onde a intuição dos mestres cabalistas superou seus próprios conhecimentos positivos á respeito do mundo, encontramos um projeto extremamente sugestivo da evolução do todo universal, com suas visões passadas, presentes e futuras, com todas as suas especificações e finalidades. Nessa visão estrutural do plano cósmico fica mais simples encontrar um lugar para o complexo das intuições humanas, que a nossa mente, por falta de uma linguagem apropriada, não consegue explicar. Os pressupostos da metafísica, que tanta perplexidade causa aos estudiosos quando são comprovadas em testes de laboratório, assumem contornos mais visíveis, mais inteligíveis e mais belos até, porque nesse caso eles vêm vestidos de uma simbologia que nos enche os olhos e uma poesia que nos alegra a alma. Não é, pois, sem razão, que a Maçonaria ─ aos nossos olhos uma experiência social e espiritual com um pé firmemente apoiado na tradição cabalística ─ chama Deus de Grande Arquiteto do Universo. E o porquê de o Templo onde se reúnem os maçons ter sido concebido como um simulacro do Cosmo, adotando uma estrutura semelhante ao desenho da Árvore da Vida. Isso ocorre porque nessa visão mística do processo de construção do edifício universal, a Divindade é comparada a um arquiteto que projeta o edifício e depois os seus mestres de obras, os arcanjos (arcontes), e os seus pedreiros, os homens, o constroem. É nesse mesmo sentido que a planta do Templo maçônico é desenhada como se fosse uma espécie de mandala mágica, e construído de forma a captar a energia criadora, para que o psiquismo dos Irmãos ali reunidos seja carregado com as melhores virtudes, e os vícios porventura existentes sejam dissolvidos. Essa é a ciência maçônica por excelência, que é sintetizada na chamada “egrégora”, palavra que designa a energia cósmica captada pela mente das pessoas reunidas no Templo, em estreita união, e convergentes para a consecução de um mesmo objetivo. 6 – A Arquitetura Cósmica João Anatalino Rodrigues
  22. 22. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 22/33 Esse também, diga-se de passagem, é o elo simbólico que justifica a tradição maçônica de considerar o templo onde os Irmãos se reúnem uma cópia do Templo de Jerusalém, na forma como ele foi projetado pelo arquiteto Hiram Abbif e construído pelos arquitetos do rei Salomão.1 Todo iniciado na tradição maçônica sabe que o Templo de Jerusalém foi erigido segundo instruções místicas, que visavam reproduzir nesse edifício o próprio desenho do Cosmo, e que, segundo acreditavam os israelitas, era a “morada de Deus ”. 2 Essa visão se justifica plenamente, pois na construção de um edifício, quanto mais sofisticado ele for, mais encontraremos noções de ciência aplicada. Nele se aplicam conhecimentos de física, química, geologia, sociologia, matemática,astronomia e muitas outras disciplinas, necessárias á perfeita construção e adequação do logradouro às necessidades que ele visa atender. É o que dizia Fulcanelli, por exemplo, quando se referia á catedral gótica, que no seu entender, era um verdadeiro santuário de tradição e aplicação das ciências físicas e sociais. 3 O segredo do Tabernáculo A Cabala chama de Sod aos enigmas que estão ligados ao desenho estrutural do universo, os quais foram reproduzidos na planta do primeiro Templo de Jerusalém. Por isso ele era originalmente chamado de Santuário da Solidão, pois ali reinava o Ùnico, o Santo dos Santos, que não tinha par entre todas as potestades do universo. Como se sabe, o Templo de Jerusalém foi desenhado a partir das instruções que Deus deu a Moisés para a construção do Tabernáculo. Todos os utensílios, os adereços, as vestes dos sacerdotes e as próprias medidas do Templo tinham uma função específica e um significado arcano de grande importância. O Tabernáculo tinha três divisões representando o céu (o altar onde ficava o Santo dos Santos), o mar (onde ficava o Lavatório, a grande bacia de bronze) e a terra (o Átrio, onde ficava o povo e altar do holocausto). Os quatro tipos de tecido usados na confecção do Tabernáculo simbolizavam os quatro elementos; a sobrepeliz do Sacerdote Supremo (Cohen gadol) com suas variações cromáticas era a imagem do universo nascente, que em sua origem apresentava uma profusão fantástica de cores.4 As campainhas significavam a harmonia do som, já que um dos elementos com os quais Deus faz o universo é o som; as doze pedras preciosas no peitoral do sacerdote e os doze pães da preposição simbolizavam, no plano cósmico, os doze signos do zodíaco e no sociológico as doze tribos de Israel, maquete da Humanidade Autêntica. As duas esmeraldas nas ombreiras do sacerdote eram o sol e a lua. Na mitra do sacerdote as quatro letras do Nome de Deus (IHVH), diziam que todo o universo era construído a partir das letras do Nome Sagrado. O candelabro de sete braços (menorah) significava os sete planetas conhecidos na época. A mesa arrumada na direção norte, com os pães da preposição e o sal, todos arranjados na forma de uma mandala mágica, homenageavam a chuva e o vento, forças necessárias á produção da terra. A 1 Esse pressuposto é colocado tendo em vista a tradição maçônica e não a história propriamente dita, pois historicamente, conforme relata a Bíblia e também o historiador Flavio Josefo, Hiram não era arquiteto, mais sim um metalúrgico que fundiu as colunas de bronze do Templo e os utensílios de culto neles usados. Segundo algumas tradições maçônicas o verdadeiro arquiteto do Templo de Jerusalém foi Adonhiram (Hiram, filho de Adon). Essa tradição é cultivada no Rito Adonhiramita, cuja organização é atribuída ao Barão Theódore Tschoudy (1727- 1769), nobre francês, reformador da Maçonaria francesa. Ver, a esse respeito, Jean Palou- Maçonaria Simbólica e Iniciática- Ed. Pensamento, 1986. 2 Alex Horne- O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica. São Paulo. Ed. Pensamento, 1998. 3 Fulcanelli. O Mistério das Catedrais. Lisboa, Ed. Esfinge, 1964. 4 Ver, nesse sentido, a imagem apresentada por Stephen Hawking sobre a coloração inicial do universo saído do Big-Bang. O Universo em Uma Casca de Nóz- citado. Sobre esse assunto ver ainda a concepção de Gershon Scholem sobre a experiência mística, onde ele diz que “quase todos os místicos do nosso conhecimento retratam essas estruturas como configurações de luzes e cores”. Não seria essa uma indicação de que o nosso inconsciente tem, de fato, uma ligação mística com o início de todas as coisas?
  23. 23. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 23/33 grande bacia de bronze que os sacerdotes usavam para lavar os pés e as mãos simbolizavam a limpeza de caráter que o homem devia mostrar frente á divindade. Assim, na simbologia do Templo de Jerusalém e de seus utensílios estava descrita toda a estrutura de constituição física do universo e, além disso, um vigoroso código de moral para guiar os seus construtores. Essa também seria a formulação simbólica que viria a inspirar, na Idade Média, os maçons operativos na mística da sua arte. Por isso é que eles mostravam, na execução do trabalho puramente operativo, o desvelo próprio de um artista que sente estar copiando a própria obra de Deus; e na alma que assim se consagra a esse trabalho havia um sentimento de ascese que transcendia o plano físico para levá-lo ao arrebatamento próprio daqueles que se dedicam á uma prática de natureza sagrada. Estava, assim, nascida a mística operativa que deu origem á Maçonaria.5 O templo e o homem Por outro lado, são muitas as tradições que sustentam ser o organismo humano, integrado á sua parte espiritual, um desenho do próprio universo, do qual reflete sua formulação mecânica e suas leis de formação e desenvolvimento. Essa analogia entre o homem e o universo se revela no postulado, tão caro aos hermetistas e já bem aceito por cientistas de renome, de que no microcosmo (o homem) se repetem as mesmas leis que formatam o macrocosmo (o universo).6 Se tudo isso é verdade provada ou mera especulação, só Deus poderia dizer. Nós só podemos deduzir e acreditar ou não. Mas há algumas coisas que não podem ser ignoradas. Uma delas é o que diz a teoria da evolução. Segundo essa teoria, todas as espécies vivas são "fabricadas" pela natureza com um "programa" específico que as submete a um processo evolutivo inexorável. Esse “programa” é necessário tendo em vista as constantes mudanças ambientais a que o universo está sujeito. A espécie que não consegue adaptar-se a essas mudanças acaba sendo substituída por outras mais competentes. Essa é uma lei existente na natureza, chamada pelos antropólogos, de lei dos revezamentos. 7 Ela existe para promover uma necessária evolução nas espécies por ela produzidas por meio do aperfeiçoamento das suas habilidades e capacidades. Não se aplica somente ás espécies vivas, mas á toda a realidade universal, inclusive aos elementos químicos e a matéria bruta em geral. Pois todos os elementos químicos também são obtidos por interação de seus componentes, da mesma forma que os organismos moleculares. Quer dizer, repetem-se na matéria bruta os mesmos processos que formatam a matéria orgânica e tanto uma quanto a outra estão sujeitas ás mesmas leis de nascimento, formação, desenvolvimento e desaparecimento, o qual se dá pelo fenômeno da transformação seletiva. Por isso, a teoria da evolução encontra mais paralelos na doutrina da Cabala do que nas outras tradições religiosas. Aqui ela é figurada através de um desenho mágico ─ filosófico, chamado Árvore Sefirótica, ou Árvore da Vida, esquema místico que representa as manifestações da divindade no mundo das realidades sensíveis. Nesse desenho, cada sefirá é uma fase de construção do universo e reflete um processo de evolução perene, constante e ordenado, que serve tanto para 5 Alusão á crença dos antigos maçons que construíam os templos religiosos na Idade Média, de que eles eram os “operários do Bom Deus”, pois estavam construindo na terra as moradas da divindade. Por isso o caráter sacro da sua arte. Na Imagem, reconstituição do Templo de Jerusalém: Fonte: Alex Horne: O Templo de Salomão na Tradição Maçônica. 6 Em linguagem hermética, “o que está em cima é igual ao que está em baixo.”. 7 Lei dos revezamentos, em antropologia, é a lei segundo a qual os organismos que não desenvolvem uma estrutura capaz de sobreviver em ambientes desfavoráveis e diferentes daqueles nos quais vivem, fatalmente serão substituídos por outros mais competentes. Com isso a natureza mantém o processo da vida sempre ativo e com claro sentido evolutivo. Ver, nesse sentido, Teilhard de Chardin - O Fenômeno Humano, citado.
  24. 24. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 24/33 explicar o processo de construção das realidades do mundo material, como das realidades do mundo espiritual. A Árvore da Vida mostra o mundo (e o homem) sendo construído como se ele fosse um lago que transborda e vaza para outro lago, até formar o grande mar universal, onde todas as formas de existência, físicas e espirituais, podem ser encontradas. Essa visão não deve ser considerada uma alucinação mística nem apenas uma especulação metafísica. Sabemos que quando dois elementos químicos se juntam eles formam um composto. Conservam suas características particulares, mas também formam um terceiro elemento com diferentes propriedades. O composto, que é o filho nascido dessa união, possui as propriedades dos elementos que o formaram e agrega aquelas que são desenvolvidas por ele próprio. Nessa fórmula está o segredo da teoria da evolução. Dois átomos de hidrogênio combinados com um de oxigênio formam uma molécula de água. A água é um composto, "filho de H²0," que tem H (hidrogênio) e O (oxigênio) na sua composição, mas também tem outras propriedades que seus "pais", individualmente, não possuem. Ela tem a propriedade de incubar a vida. A água é necessária à vida. É o leito onde ela nasce. É nesse sentido que Teilhard de Chardin vê o homem como sendo um “complexo-consciência”, ou seja, um composto feito por elementos orgânicos, obtidos por sínteses naturais (seleção natural) e elementos psíquicos, produzidos por sínteses mentais cada vez mais elaboradas, que resultam em um espírito individual, e estes, em um ser pluralístico, que no final comporão um ser espiritual coletivo que ele chama de Ponto Ômega.8 Assim também acontece com o restante do universo. Cada fase da evolução é uma combinação de elementos. Cada nova fase desenvolve suas próprias particularidades, que são as propriedades com as quais ela contribui para o desenvolvimento do universo como um todo. Por isso cada fase constitui um passo a mais no processo de evolução porque o composto que nasce da união dos elementos é sempre um resultado mais complexo dos que os elementos que o formam. Nada se perde do que já foi conquistado, apenas se transforma em algo novo, com diferentes propriedades, sempre em um estágio mais avançado de evolução. Por isso o novo é sempre maior que a soma das suas partes. Novas propriedades são adicionadas ao universo a partir de cada interação praticada por seus elementos. E assim ele se supera em cada momento da sua constituição. Criacionismo e evolucionismo Um plano de evolução do mundo físico e da vida em seus aspectos material e espiritual é o que nos proporciona a doutrina da Cabala. Ela oferece uma explicação de como o universo se forma, como se desenvolve e à que finalidade se presta. Da mesma forma, a vida que se cria e evolui dentro dele. É uma evolução que se desenha em um processo iniciado no mais ínfimo grão de matéria (um quanta de energia) tornando-se matéria que se complexifica, evolui tornando-se vida, em vida que se espiritualiza, em espírito que se diviniza, sempre num sentido ascendente, através de sínteses químicas e mentais cada vez mais complexas, seguindo o mesmo rumo: a flecha da evolução. Nossa missão, nesse esquema, torna-se clara e insofismável, pois sendo uma presença indispensável nesse processo, o homem torna-se o centro da perspectiva universal, já que é a partir da sua mente que o universo se organiza e adquire uma identidade. Assim, não podemos compartilhar dos receios daqueles que temem pelo futuro da humanidade. A humanidade jamais perecerá: ela apenas se transformará. Os adeptos da teoria da evolução dizem que o ser humano evoluiu de uma matriz animal até a configuração que temos agora. Já aqueles que acreditam no criacionismo dizem que nós nascemos perfeitos, mas nos tornamos 8 Teilhard de Chardin- O Fenômeno Humano, Ed. Cultrix, 1990.
  25. 25. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 25/33 imperfeitos por força de uma série de quedas e ascensões em nosso processo evolutivo.9 São duas teorias diametralmente opostas. Uns dizendo que já fomos piores do que somos hoje e outros sustentando que já fomos melhores. Mas no fundo elas se completam, pois ambas sustentam que a vida está submetida á um processo de evolução que é inexorável. Se nascemos rastejantes como répteis e através de um processo de evolução nos alçamos até a altura do céu, ou se nascemos no céu e por um motivo qualquer descemos á terra e agora estamos nos esforçando para voltar ao céu, são apenas formas diferentes de ler o mesmo processo. Uma vai do pé para a cabeça, outra da cabeça para o pé. Acreditar em uma ou outra depende da sensibilidade de cada um. Só se Deus não existisse Para nós não importa saber quem tem razão. Na verdade, o que nos parece tão assustador com os rumos que a humanidade vem tomando é resultado apenas da nossa ignorância. Não temos como saber o que poderá acontecer a cada nova experiência interativa que os elementos do universo promovem. Isso porque o Criador colocou nesse processo uma lei chamada “principio da incerteza” (deduzido pelo físico alemão Werner Heisenberg). Segundo esse princípio é impossível prever o que acontecerá no futuro porque não temos como saber qual a posição e a velocidade que as partículas de energia que formam a massa física do universo assumirão no momento seguinte da sua aceleração. Só podemos estudar as tendências que ele tem de acontecer de certo modo, mas nunca uma certeza de que será exatamente assim. Isso porque a tendência de uma partícula se comportar desta ou daquela maneira só pode ser deduzida a partir dos seus comportamentos no momento em que são observadas. Mas a própria observação do movimento da partícula já concorre para modificar esse movimento. Portanto, ao aplicar aos elementos do universo o nosso pensamento nós já o estamos modificando. Assim, é impossível saber como ele será no futuro porque o mundo sempre poderá será diferente em função da própria observação que dele fazemos.10 Isso é válido para o mundo da física quântica e também para a nossa vida em geral. Essa é uma boa sabedoria que a moderna observação científica nos dá, e a Cabala também. O que se deduz disso tudo é que, se o universo futuro será bom ou ruim para nós, isso só depende do nosso comportamento no presente. Mas isso não nos será dado saber á nível de consciência individual. E depois, bem e mal são conceitos puramente humanos. Quando não formos mais o que somos hoje, talvez não precisemos mais desses conceitos para justificar os nossos sentimentos a respeito. Dessa forma, o que podemos dizer com certeza é que o mundo só não teria futuro se Deus não existisse. Mas Ele simplesmente (e felizmente) existe. 9 Evolucionistas são aqueles que acreditam que as espécies vivas, e por consequência, os seres humanos, são produto de uma seleção natural (teoria de Charles Darwin). Os criacionistas são aqueles que acreditam que a espécie humana já nasceu do jeito que ela é hoje: a fórmula bíblica literal. 10 O princípio da incerteza é um enunciado da mecânica quântica, feito em 1927 pelo físico Werner Heisenberg, que diz ser impossível medir com precisão a velocidade de deslocamento de partículas atômicas, porque a própria interação entre o movimento delas e o ato de medir sua velocidade interfere nessa medida.
  26. 26. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 26/33 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GLSC - http://www.mrglsc.org.br Data Nome Oriente 01.07.1977 Alferes Tiradentes, nr. 20 Florianópolis 07.07.1999 Solidariedade Içarense, nr. 73 Içara 07.07.2005 Templários da Nova Era, nr. 91 Florianópolis 10.07.2007 Obreiros da Maravilha, nr. 96 Maravilha 12.07.1980 XV de Novembro, nr. 25 Imbituba 21.07.1993 Liberdade Criciumense, nr. 55 Criciuma 28.07.2006 Anhatomirim, nr. 94 Florianópolis 27.07.2012 Aliança, Verdade e Justiça nr. 106 Florianópolis 31.07.1975 Obreiros de Hiram, nr. 18 Xanxerê 31.07.2007 Acácia Palhocense, nr. 97 Palhoça GOB/SC – http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Loja Oriente 02.07.01 Renovação - 3387 Florianópolis 03.07.78 Flor da Acácia - 2025 Itajaí 08.07.10 Lealdade - 3058 Florianópolis 13.07.01 Frat. Alcantarense - 3393 Biguaçú 14.07.2006 Acadêmica Razão e Virtude nr. 3786 Brusque - SC 17.07.02 Colunas da Serra - 3461 Joinville 17.07.02 Mestres da Fraternidade-3454 Florianópolis 17.07.97 Compasso das Águas -3070 São Carlos 23.07.1875 Luz e Caridade - 327 São Francisco do Sul 26.07.05 Frat. Acad. Ciência e Artes - 3685 Jaraguá do Sul 29.07.96 Estrela Matutina - 2965 Florianópolis 7 – Destaques (Resenha Final) Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mês de julho
  27. 27. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 27/33 GOSC https://www.gosc.org.br Sol “ O Sol é o sustentador de todos os seres vivos na Terra, dando a eles luz e calor. O Sol é o guru que silenciosamente ensina a seguinte lição: tudo que vocês disserem ou fizerem tem que iluminar e aquecer os outros. Por isso, antes de falar com alguém, precisamos examinar se nossas palavras são verdadeiras, agradáveis, benéficas e não ofensivas. Mas se não conseguirmos falar tais palavras, o melhor é ficar em silêncio. Essa atitude poderá salvar nossa energia e poupar sofrimento posterior.” José Aparecido dos Santos TIM: 044-9846-3552 E-mail: aparecido14@gmail.com Visite nosso site: www.ourolux.com.br "Tudo o que somos é o resultado dos nossos pensamentos". Data Nome da Loja Oriente 04/07/1999 Giuseppe Garibaldi Florianópolis 04/07/2002 Léo Martins São José 11/07/2009 Universitária Luz de Moriah Chapecó 11/07/2009 Passos dos Fortes Xaxim 12/07/2006 Colunas Da Concórdia Concórdia 18/07/2003 Ardósia do Vale Rio do Sul 21/07/1973 Silêncio de Elêusis Chapecó 22/07/1981 Acácia da Ilha Florianópolis 24/07/2013 Triângulo Força e União Cocal do Sul 25/07/1995 Gitahy Ribeiro Borges Florianópolis 26/07/1980 União da Fronteira São Miguel do Oeste 27/07/1981 Arquitetos do Oriente Xanxerê 27/07/2009 Luz da Acácia Capivari de Baixo
  28. 28. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 28/33 XXIII Encontro dE Estudos E Pesquisas Maçônicas da loja fraternidade brazileira em Florianópolis Estimado Irmão! Nosso XXIII ENCONTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS MAÇÔNICAS será realizado nos dias 14 e 15 de outubro do corrente ano, no Oriente de Florianópolis, SC. O Encontro será realizado pelo Departamento de Membros Correspondentes da Loja Maçônica Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas, Juiz de Fora – MG. Os trabalhos para o XXIII ENCONTRO enfocarão o tema: "A MAÇONARIA NAS REDES SOCIAIS". Os trabalhos a serem apresentados no Encontro, serão publicados. Portanto, eles deverão ser enviados por e-mail, ou em CD, com as seguintes especificações: digitação em Word, papel tamanho A4, fonte Arial, tamanho 10, com títulos no mesmo tamanho, em negrito, e os subtítulos também em fonte 10, porém em itálico. A apresentação dos trabalhos devem ser preferencialmente com uso de recursos de multimídia, e não devem ultrapassar o tempo de 15 (quinze) minutos. (Os trabalhos deverão ser enviados até o dia 30/09/2016). Na sexta-feira, dia 14, teremos a tradicional reunião do Clube do Ganso e da Grelha, às 20:00, onde será debatido o tema "COMO DEFINIR VOCAÇÃO MAÇÔNICA". Fraternalmente, Miguel Simão Neto
  29. 29. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 29/33 Ir Marcelo Angelo de Macedo, 33∴ MI da Loja Razão e Lealdade nº 21 Or de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI Tel: (65) 3052-6721 divulga diariamente no JB News o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO, cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 - Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014 - ISBN 978-85.370.0292-6) BREVIÁRIO MAÇÔNICO Para o dia 24 de julho O LIVRO Um livro é uma composição física de folhas de papel contendo um ou vários assuntos; surgiu como prancheta de barro, depois como reunião de pergaminhos em tolo, posteriormente em folhas de papiro. A sua evolução foi extraordinária; hoje o podemos ter refletivo eletronicamente, no vídeo de um computador. Em Maçonaria, temos várias espécies de livros; Livro Sagrado ou Livro da Lei; Livro de Arquitetura, onde são registrados os Balaústres ou Atas, formando ao acervo da Loja para a sua história e memória; Livro das Constituições, dos regulamentos, dos estatutos e dos Rituais; Livro Negro que registra o nome dos candidatos rejeitados; Livro de presença, que registra a presença dosa maçons às reuniões; Livro de Eloquência, que reúne as “peças de arquitetura”, ou seja, os trabalhos escritos apresentados em Loja; Livro do Tesouro, que registra os valores arrecadados. Paralelamente, toda Loja possua sua biblioteca, que reúne as Obras Maçônicas que são solicitadas pelos Irmãos, para produzirem seus trabalhos e para instruírem-se. O habito da leitura é salutar. O maçom dedicado à leitura obtém o conhecimento necessário para a sua formação intelectual, útil para que compreenda o intrincado Sistema Filosófico Maçônico. A leitura diária faz parte do alimento espiritual, visto que alimentar o cérebro é viver. Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 224.
  30. 30. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 30/33 1 – 7 Dicas legais para os seus perfumes durarem muito mais 2 – Desfrute das mais belas e famosas composições de Mozart! 3 – Estes sinais podem ser um aviso de problemas cardíacos! 4 – Emocione-se com o primeiro voo desses lindos patinhos! 5 – Cuidado: Estes alimentos danificam seu órgão mais importan.. 6 – ASSISTA: Os melhores chutadores estilo livre do mundo! 7 – Filme do Dia: Invencível https://www.youtube.com/watch?v=bsn6lBWmRQM
  31. 31. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 31/33 O Irmão e poeta Sinval Santos da Silveira * escreve aos domingos no “Fechando a Cortina” Daqui, fico olhando o mar... Quantos mistérios submersos, escondem estas águas. A cachoeira bravia, leva para os córregos da vida, os meus confusos pensamentos.
  32. 32. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 32/33 Para onde eu olhe, lá estás, abraçada aos florais, que tanto aspirei... e àquela música que me levou ao pranto. Sobre a gigantesca onda azul, novamente, assisto a dança das sereias. Somente eu, estou presente. Ninguém mais, além dos poetas, tem acesso ao teatro da imaginação. São deslumbrantes seres, a fonte nascedora da beleza ! Reverenciam a vida marinha e declamam, em forma de poesia, as curiosidades das profundezas do mar ! Contam histórias da sua Rainha, a Sereia MION, prisioneira em seu castelo, por ciúme do seu amor. Como é lindo este bailado ! Ao final, aplaudo, entusiasticamente, e converso com elas, conto histórias da terra, e ouço as do mar. São graciosas e felizes ! Pensei estar em alucinação, mas não ! Para o poeta, tudo é possível, até mesmo um baile de sereias, sob o som de uma música, intitulada " imaginação ". Veja mais poemas do autor, Clicando no seu BLOG: http://poesiasinval.blogspot.com * Sinval Santos da Silveira - MI da Loja Alferes Tiradentes nr. 20 – Florianópolis
  33. 33. JB News – Informativo nr. 2.122 – Florianópolis (SC) –domingo, 24 de julho de 2016 Pág. 33/33

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