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Jb news informativo nr. 2115

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Jb news informativo nr. 2115

  1. 1. JB NEWS Filiado à ABIM sob nr. 007/JV Editoria: Ir Jeronimo Borges Academia Catarinense Maçônica de Letras Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 2.115 – Florianópolis (SC) – domingo, 17 de julho de 2016 Bloco 1-Almanaque Bloco 2-IrNewton Agrella – (Editorial de domingo) A Globalização e a Universalidade Maçônica Bloco 3-IrJoão Ivo Girardi – Coluna do Irmão João Gira – Fanatismo e Superstição Bloco 4-IrJosé Ronaldo Viega Alves- A Tolerância como regra para os Maçons – A Tolerância... Bloco 5-IrHercule Spoladore – Iniciação: Aspectos Controversos Bloco 6-IrJoão Anatalino Rodrigues – A Mente Universal Bloco 7-Destaques JB – Breviário Maçônico para o dia 17 de julho e versos do Ir. e Poeta Sinval Santos da Silveira
  2. 2. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 2/33 RESENHA Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. 1 – ALMANAQUE Hoje é o 199º dia do Calendário Gregoriano do ano de 2016– (Lua Quarto Crescente) Faltam 167 para terminar este ano bissexto Dia do Protetor da Floresta; dia da Constituição da Coréia do Sul Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebeu a presente mensagem, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias. Obrigado. Colabore conosco para evitar problemas na emissão de nossas mala direta diária. LIVROS
  3. 3. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 3/33 Livro: “Diálogos entre o Esquadro e o Compasso” Autor: Walter Celso de Lima Editora: Londrina: A Trolha, 2015 232 páginas ISBN 978-85-7252-341-7 Trata-se de 12 ensaios, escritos em 2014, sobre instrução, cultura e história da Maçonaria. Os temas são bastante diversos, estanques e demarcados: há ensaios sobre rituais – a razão de sua existência e suas origens; sobre autoridade e liderança; sobre mérito, merecimento e virtude; sobre caridade – caridade não religiosa, caridade cristã, judaica, islâmica e caridade maçônica. Contém ensaios sobre símbolos: águia bicéfala – no mundo leigo e na Maçonaria; o bom pastor – símbolo religioso e não religioso maçônico; rosa-cruz; Kadosh – sentido religioso (a santidade) e sentido maçônico não religioso (virtuosidade). Há um ensaio sobre O Corão e cultura islâmica; outro sobre a mais antiga Loja de Pesquisas maçônicas no mundo, Loja na qual o Autor é afiliado. O título: “Diálogos entre o Esquadro e o Compasso” tem um importante significado simbólico. Todos os ensaios são ilustrados e têm a apresentação de referências bibliográficas onde o leitor pode se aprofundar no tema. Esse é o quinto livro publicado pelo Autor sobre filosofia, história e cultura maçônica. O preço de capa para venda é de R$ 54,oo e para associados de A Trolha tem um desconto. Compras: www.atrolha.com.br Carlos VII – Rei de França  1048 — Dâmaso II é eleito papa.  1099 — Primeira Cruzada: terceiro dia do massacre da população muçulmana de Jerusalém, conquistada dois antes peloscruzados.  1203 — Tropas da venezianas da Quarta Cruzada entram em Constantinopla. O imperador bizantino Aleixo III abandona a cidade e refugia-se em Adrianópolis. EVENTOS HISTÓRICOS (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
  4. 4. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 4/33  1381 — Terceira guerra fernandina: a armada portuguesa sofre uma pesada e decisiva derrota frente à armada castelhana naBatalha de Saltes, travada perto de Huelva.  1402 — Yongle sobe ao trono do Império Chinês,tornando-se o terceiro imperador Ming.  1429 — Carlos VII é coroado rei de França na catedral de Reims após a campanha vitoriosa de Joana d'Arc na Guerra dos Cem Anos.  1665 — Guerra da Restauração: batalha de Montes Claros, exército português impõe uma pesada derrota às forças espanholas.  1762 — Catarina II torna-se czarina da Rússia depois do assassinato de Pedro III.  1768 — Fundação da Cidade de Cuité, no estado da Paraíba.  1789 — Revolução Francesa: Luís XVI visita Paris e aceita a bandeira revolucionária tricolor.  1793 — Revolução Francesa: Charlotte Corday é guilhotinada por ter assassinado Marat.  1823 — Antonio José de Sucre entrega a presidência do Peru a José Bernardo de Tagle.  1918:  O czar Nicolau II da Rússia, a sua esposa, filhos (incluindo a grã-duquesa Anastásia) e quatro criados são assinados em Ecaterimburgo por membros do Partido Bolchevique, durante a Revolução Russa que rebentara em outubro do ano anterior.  O transatlântico RMS Carpathia, famoso por ter resgatado os sobreviventes do naufrágio do Titanic, foi afundado ao largo da costa oriental da Irlanda por um torpedolançado do submarino alemão U-55.  1936 — Guerra Civil Espanhola: primeiro dia do golpe de estado nacionalista contra o recém-eleito governo republicano de esquerda da Frente Popular marca o início da guerra.  1945 — Segunda Guerra Mundial: os dirigentes dos Aliados vitoriosos Stalin (União Soviética), Truman (Estados Unidos), Churchill (Reino Unido) reúnem-se no primeiro dia da Conferência de Potsdam.  1948 — Promulgação da constituição da Coreia do Sul.  1955 — Inauguração da Disneylândia, em Anaheim, Califórnia.  1958 — Detonação da bomba atómica de 255 kt Pisonia pelos Estados Unidos no atol Enewetak, nas Ilhas Marshall, Pacífico Central.  1968 — Golpe de estado no Iraque: o presidente Abdul Rahman Arif é derrubado por Ahmed Hassan al-Bakr, do Partido Baath.  1973 — O Afeganistão se torna uma república.  1975 — Missão espacial Apollo-Soyuz: um módulo espacial Apollo norte-americano e um módulo Soyuz soviético acoplam em órbita da Terra.  1976 — A Indonésia declara Timor-Leste, invadido em dezembro do ano anterior, a sua 27ª província.  1994 — O Brasil conquista o tetracampeonato na Copa do Mundo FIFA de 1994.  1996 - Acidente com o voo TWA 800 que saía de Nova Iorque.  1997 — Manifestação popular na Praça D. Pedro II, em Maceió, pelo impeachment do então governador do estado brasileiro de Alagoas, Divaldo Suruagy. O protesto culminou em sua renúncia.  1999 — Estreia da série de televisão americana de desenho animado SpongeBob SquarePants  2000 — Queda do voo Alliance Air 7412 na Índia.  2007 — Queda do Airbus A320 da companhia aérea TAM no Aeroporto de Congonhas (São Paulo), que fazia o voo 3054, com 187 pessoas a bordo. Este foi considerado o pior acidente aéreo da história brasileira, da América Latina, e o 11º do mundo.  2014 - Queda de um Boeing 777 da Malaysia Airlines (Voo MH17) com 295 pessoas a bordo, na fronteira da Ucrânia com a Rússia.
  5. 5. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 5/33   1748 Provisão do Conselho Untramarino, desta data, manda edificar uma igreja matriz na vila do Desterro, na ilha de Santa Catarina 1890 Fundada, na cidade de Desterro, a organização partidária denominada “União Nacional” sob a liderança de Eliseu Guilherme da Silva, e Germano Wendhausen e que depois daria origem ao Partido Federalista Catarinense com a denonominação inicial de Partido União Federalista. 1958 Instalado, nesta data, o município de Abelardo Luz, desmembrado de Chapecó 1961 Leis nrs. 730 e 731, desta data, criam, respectivamente, os municípios de Anita Garibaldi e Campo Belo do Sul, ambos desmembrados de Lages. 1976 Morre, em Lages, Aristiliano Laureano Ramos, Vereador e Prefeito em Lages. Também foi deputado estadual em 1917 a 1922. De 1933 a 1935 foi Interventor Federal no Estado de Santa Catarina. 1751 Maçons Irlandeses fundam em Londres a Grande Loja dos Antigos, ou The Grand Lodge Of England According to the Old Institutions, rival da primeira, criada em 1717, a quem pejorativamente apelidaram “os Modernos”. 1823 D. Pedro I demite José Bonifácio 1823 São absolvidos, por falta de provas, os Maçons que tinham sido indiciados por José Bonifácio – entre outros José Guilherme Pereira, Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa. 1856 O Grande Oriente do Brasil e o Supremo Conselho do Brasil dão carta patente ao Grande Oriente e Supremo Conselho do Uruguai. 1904 A Loja Maçônica “Luzeiro da Verdade” veio abater suas colunas no ano de 1878, tendo sido restaurada a 17 de julho de 1904 e regularizada e instalada a 17 de outubro do mesmo ano, no prédio nº 63 da rua Rosa e Silva, no bairro do Espinheiro. Em 12 de maio de 1932, a Loja Maçônica “Luzeiro da Verdade” teve sua Carta Constitutiva cassada pelo Decreto nº 995, pois estava se preparando para ser fundadora da Grande Loja de Pernambuco. Desligada do Grande Oriente do Brasil recebeu o “abrigo providencial temporário” da Grande Loja da Paraíba. 1997 Fundação da Loja Compasso das Águas, de São Carlos. (GOB/SC) Fatos maçônicos do dia Fonte: O Livro dos Dias (Ir João Guilherme) e acervo pessoal históricos de santa catarina
  6. 6. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 6/33 Ir Newton Agrella - CIM 199172 M I Gr 33 membro ativo da Loja Luiz Gama Nr. 0464 e Loja Estrela do Brasil nr. 3214 REAA - GOSP - GOB newagrella@gmail.com "A GLOBALIZAÇÃO E A UNIVERSALIDADE MAÇÔNICA" Partamos do princípio de que o Mundo constitui-se de uma imensa usina produtora de Idéias e de Conceitos que o Homem produz, desenvolve, remenda e conserta à medida que os obstáculos vão se sobrepondo. Expressões que ganham força ao transcurso da História e das nuances culturais moldam-se ao sabor do vento e tornam-se uma espécie de guardiãs da moda. Assim, até um passado muito recente o substantivo abstrato "Globalização" que era aplicável a toda e qualquer situação midiática ganhou um requinte de universalidade ensejando inclusive paralelos aos princípios que norteiam a Ordem Maçônica. Engajada nos meios de comunicação, na velocidade da era da Informática, a Maçonaria a despeito de seus valores inquestionáveis e de suas Tradições - é por si só uma instituição globalizada cujas origens perdem-se no Tempo e no Espaço interligando seus membros através de um fundamento comum dos chamados "Landmarks" - consideradas como as Mais Antigas Leis que regem a Maçonaria Universal. Paradoxalmente ao que se pretende por velocidade no envio e no recebimento de informações no Mundo Globalizado, em que regras, regulamentos e leis podem ser modificados, adaptados ou anulados, os "Landmarks" por sua vez, não podem sofrer qualquer modificação ou alteração. Enquanto a Maçonaria existir, os Landmarks serão rigorosamente os mesmos... Eternos e imutáveis. Constituem-se no total de 25 - sendo que o Vigésimo Quinto e último, prevalecendo sobre todos os demais, encerra em sua essência a "Inalterabilidade" dos anteriores, nada podendo ser-lhes acrescido ou retirado. Da mesma forma como de nossos Antecessores os recebemos, do mesmo modo devemos transmiti-los aos nossos Sucessores. 2 – Editorial de domingo – A Globalização e a Universalidade Maçônica - Newton Agrella
  7. 7. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 7/33 Eis aí, um princípio que rechaça e impede toda e qualquer possibilidade de variantes dentro do que se conceitua como "globalização" - visto que, apesar das mudanças cíclicas que o Mundo sofre, das transformações sociais, físicas e circunstanciais que conduzem a Humanidade de acordo com as necessidades contemporâneas, bem como a busca da interação entre os povos - no que se refere particularmente à Maçonaria - os Landmarks devem continuar imutáveis. Interessante que em alguns casos a questão da Globalização parece conflitar com a estrutura de nossa Ordem, pois de acordo com algumas correntes maçônicas, as Inovações são nocivas, posto que a Maçonaria, sendo um todo universal, deve manter-se íntegra em sua forma e conteúdo. Os pruridos de falsos conhecimentos superiores e sob a desculpa de que tudo deve "evoluir", em muitos casos não passam senão de autopromoção e vaidade, daqueles que não querem reconhecer e humildemente aceitar o que os nossos antepassados Maçons construíram e a cada pouco sugerem inovações e invencionices infringindo até mesmo questões de ordem ritualística. A capacidade de gerar informações, armazenar notícias e em fração de segundos, compartilhá-las e digeri-las por todo o planeta é algo positivo e que converge o ser humano a uma espécie de base interativa de comunicação. Este é o lado positivo da globalização. Nesse processo comparativo, a Maçonaria empresta sua Arte e seus Segredos ao exercício da globalização fraternal, buscando através de Construtores Sociais, "cavar masmorras ao vício e construir templos a virtude" - concentrando energia espiritual que levada para fora dos templos, de forma universal, se ocupa de transformar a sociedade na edificação de um mundo mais justo e perfeito. Exemplo disso se verifica quando da troca de experiências ao fazermos e recebermos visitas de Irmãos de outros Orientes do planeta ensejando a troca de impressões sobre o perfil das atividades, estudos e metas e no próprio intercâmbio cultural, propiciando discussões aprofundadas sobre as reais necessidades humanas, a filantropia, a benemerência, bem como da participação efetiva de Maçons nos assuntos de interesses políticos, tanto no âmbito nacional como internacional. Vive-se e respira-se a universalidade da globalização em todos os segmentos da Sociedade e na Maçonaria não é diferente. Fraternalmente Newton Agrella
  8. 8. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 8/33 O Ir. João Ivo Girardi joaogira@terra.com.br da Loja “Obreiros de Salomão” nr. 39 de Blumenau é autor do “Vade-Mécum Maçônico – Do Meio-Dia à Meia-Noite” Premiado com a Comenda do Mérito Cultural Maçônico “Aquiles Garcia” 2016 da GLSC. Escreve dominicalmente neste 3º. Bloco. FANATISMO E SUPERSTIÇÃO “Fanatismo e superstição são os maiores inimigos da religião e da felicidade dos povos.” (RA) 1. Fanático: Intolerante, apaixonado pelo triunfo de sua própria fé, insensível a qualquer outra coisa, pronto a empregar a violência para converter ou para destruir aqueles que não a compartilham. Diz- se essencialmente e primitivamente da fé religiosa, mas também, por extensão, de toda a espécie de crença. 2. Supersticioso. Crê em presságios tirados de fatos puramente fortuitos. Filosófica e teologicamente, culto religioso degenerado ou pervertido baseado numa religião feita de medo e contrária à razão: 3. Reflexões sobre o Fanatismo e Superstição: Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo vem do latim fanaticus, quer dizer o que pertence a um templo, fanum. O indivíduo fanático ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais que visa servir a um ser poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio, combater as forças do Mal ou salvar a humanidade do caos. Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela fantasia da escolha divina. Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jim Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da caça as bruxas, a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas. O movimento da Jihad islâmica contra os infiéis do ocidente e a guerra aos terroristas do ocidente cristão demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente científica e tecnológica. Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com 3 – Coluna do Irmão João Gira – Fanatismo e Superstição João Ivo Girardi
  9. 9. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 9/33 consequências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização. Como dissemos, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc.) também ter cometidos os seus desatinos e crimes. Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os infiéis ou divergentes à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela. Os sintomas do fanatismo: Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das trevas ou do que ele entende ser o mal. O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcação política de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da ira de Deus ou a inevitável marcha da história ou, ainda, a suposta superioridade de uns sobre os demais. Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente o discurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem. Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação teórica do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certeza e isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente, já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que consiste na correspondência aos fatos, na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. O problema da religião não é a paixão fé, mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certeza divulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de ideias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que vale tudo para difundir a verdade única que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade - não a certeza. Psicopatologia do fanatismo: Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade. A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo
  10. 10. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 10/33 combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é ser concluída. O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de ter sido escolhido por Deus para uma missão ‘x’, já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que aquilo que o psicótico paranoico vivencia na própria pele, o parafrênico experiência na pele do outro, ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranoia. Hitler, antes considerado um paranoico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico, pois seus atos indicam sua ideia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos impuros; mais ainda, o gozo psíquico do para frênico não se limita ser olhado ou ser perseguido, tal como acontece com paranoicos, mas sim se desenvolve uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos, donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranoicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados os impuros, os infiéis, enfim, todos os que não concordam com ele. Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada solução final contra os judeus, porém, antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo. Na parafrenia vigora a compulsão de observar e atuar o ser do Outro como alimentador de seu delírio interno. O para frênico faz acting out em nome de... e jamais assume seu ato criminoso, pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o mal. Para sua lógica, as vítimas são os únicos responsáveis. É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto como modo de explicação da tragédia em que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelense, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível idéia da solução final contra os palestinos. Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão, diz um antigo provérbio chinês. Os fanáticos pela solução final dos judeus, no Julgamento de Nuremberg, não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo. Goering, considerado o segundo homem depois de Hitler, tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer; cumprira ordens e nenhuma vez ele se considerou um criminoso. Eis a razão cínica: a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro, não de seus carrascos nazistas. Os israelenses da era Sharon também não se responsabilizam pelos atos criminosos de Israel contra os palestinos generalizados como terroristas. Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso, então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade, porque ela é obra do Senhor, o Senhor quer que eu faça, foi a mão de Allah, etc. São mais do que frases, são efeitos de uma poderosa fantasia da eleição divina [sic!] onde o sujeito é nidificado para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica. O mundo fanático foi dividido entre os eleitos e os que continuam nas trevas e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios, pois são forças do mal. Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução: O início de qualquer fanatismo consiste, em primeiro, reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos, quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade. Nietzsche dizia que as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras, porque quem mente sabe que está mentindo, mas quem está convicto não se dá conta do seu engano. O convicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria. Até no campo científico, há cientistas correndo o perigo de tornar-se convictos de suas teses. Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos a abdicarem de seu
  11. 11. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 11/33 raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias. Indivíduos assim submetidos a tão grandes ideias, fazem qualquer coisa para salvá-las de um possível furo de morte; elas funcionam como muleta existencial. Isso acontece principalmente no meio religioso, mas também pode ocorrer nos meios político, filosófico e científico. O segundo sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a verdade única extraída de sua inspiração ou crença absoluta. Pretende assim a uniformização via linguagem, através de aparência física, rituais e slogans do tipo: O único Deus é Allah, só Cristo salva, Jesus Cristo é o Senhor, somos o Bem contra o Mal, Em nome do Senhor Jesus eu ordeno... São expressões de caráter estereotipado, sustentado por uma estrutura de alienação do saber, onde o discurso passa a falar sozinho, é uma resposta que está no gatilho, pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer pensar. Observem o caráter tirânico, narcisista e excludente dessas afirmativas. Todos possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar. O mesmo acontece nos autoelogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras como proclamam os fanáticos da extrema direita, nas ações violentas de uma torcida sobre a outra, todos, sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este a causa. Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que, finalmente, contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos, custe o que custar. O terceiro indicativo de fanatismo, já dissemos, é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema (podendo esta ser justa ou delirante) acima da vida dela e dos outros. Quarto, quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico (no igual modo de vestir, de cortar ou não cortar o cabelo, no jeito de falar, nas regras de comer, na ritualística, etc.), enfim, quando uniformizam seu discurso, gestos, postura, atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas. Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar: pai, mãe, os filhos, os amigos, o lugar onde viveu, o trabalho, enfim, os membros são persuadidos a matarem os vestígios simbólicos da vida anterior para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé. Quinto, quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano. O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum. O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes, em nome de uma causa transcendente. O psicólogo francês, J-M. Abgrael, resume o método de doutrinação fanática em 3 etapas: 1) sedução das pessoas para a causa; 2) destruição da antiga personalidade, eliminação dos elos familiares, sociais e profissionais e 3) construção de uma nova personalidade renascida ou renovada, de acordo com o modelo e as regras da seita. Geralmente essa passagem da vida normal para a vida renovada, há um ritual, algum tipo de batismo, onde se inicia a adoção de um novo nome, novos hábitos, apresentação de novas famílias. Sentir-se incluso num grupo de irmãos ou de luta pela causa é como estar apaixonado; surge uma sensação maravilhosa, tudo passa a fazer sentido na vida, a pessoa se sente acolhida e imensamente alegre. O indivíduo passa a se ver se modo especial, diferente dos demais para realizar a missão elevada; se vê inundado por um sentimento grandioso que Freud chama de sentimento oceânico. Imagine um indivíduo desesperado, desgarrado de seu grupo social, sem uma forte identidade psicossocial cuja vida perdeu o sentido, ao ser acolhido em um grupo fanático, recebe mensagens confortadoras, do tipo: nós amamos você, você é muito importante para o projeto de Deus, você faz parte de nossa vida, Deus te ama, etc. Diz P. Demo (2001) o sentimento de ser amado, move o entusiasmo mais do de qualquer coisa. Faz parte da estratégia para atrair pessoas para novas seitas e igrejas, investir em programas produzidos para solitários que sofrem insônia e depressão nas madrugadas. Os desesperados sentem-se acolhidos com tais palavras mágicas e facilmente se sentem inclusos e maravilhados pela ilusão de nova vida e sentimento extremo de felicidade, numa igreja em que o fanatismo é o seu ponto cego. Todo fanático é intolerante: O fanatismo é a intolerância extrema para com os diferentes. Um evangélico fanático é incapaz de diálogo e respeito para com um católico ou um budista. Um fanático de direita não quer diálogo com os de esquerda. Organizações como a Ku Klux Klan são
  12. 12. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 12/33 intolerantes igualmente com negros adultos, mulheres e crianças. Por isso se diz que há em cada fanático um fascista camuflado, pronto para emergir em atos de exclusão e eliminação. O semiólogo e filósofo italiano, Umberto Eco, reconhece que o protofascismo está presente nos movimentos fanáticos. No campo político, não importa auto denominar-se de esquerda ou de direita pode existir um protofascismo. No fundo os atos terroristas são produzidos e sustentados por fanatismos de inspiração místico-fascista incapazes de diálogo ou argumento racional que esclarece sua causa objetiva. O fascismo, tanto o de Estado dos fundamentalistas religiosos, como o que está pulverizado nos atos do cotidiano das relações humanas, é fanático porque desrespeita, desconsidera, é intolerante quanto ao modo de ser, pensar e agir do outro , é tradicionalista- fundamentalista. Enquanto o fascista quer o poder pelo poder, há o fanático autêntico que anseia dominar o mundo com sua crença, e o fanático terrorista que deseja apenas destruir a estrutura de sustentação do inimigo. Mas, ambos, o fascismo e o fanatismo não são compatíveis com a democracia. Ambos pregam intolerância multirreligiosa, a intolerância multicultural e multirracial e usam o espaço de liberdade democrática para espalhar o seu ódio e sua crença. O sentimento que no fundo sustenta o fanatismo e o fascismo não é a fé, nem o amor (Eros), mas o ódio (Thanatos) e a intolerância. O desejo do fanático autêntico é dominar o mundo com seu sistema de crença cheio de certeza. No plano psíquico, o lugar do recalque torna-se depósito de ódio e desejo de eliminar todos os que atrapalham o seu ideal de sociedade. Certa dose de paciência doutrinada o faz esperar- agindo para que a idade de ouro puro possa um dia acontecer. São tão fanáticos os terroristas- suicidas muçulmanos como os fundamentalistas cristãos norte-americanos que atacam clínicas de abortos, perseguem homossexuais, proíbem o ensino da teoria evolucionista de Darwin, obrigando aos professores ensinarem a doutrina criacionista tal como está na Bíblia, ou ainda, os protestantes da Irlanda do Norte que atacam crianças católicas ou os bascos que querem ser um país independente a qualquer preço, por meio do terror. Alguns personagens messiânicos de nosso tempo, como Hitler, Idi Amin, Reagan, G. W. Bush, Sharon, os grupos dos martírios suicidas do Oriente Médio, entre outros, tem algo em comum: cada um se sente o escolhido para cumprir uma especial missão. Hitler discursou que as lágrimas da guerra preparariam as colheitas do mundo futuro. G. Bush, na sua ânsia de guerra contra o ditador Saddam Hussein, não estaria delirando na mesma linha? Não é sem sentido que os EUA tem sido o solo fértil de seitas cristãs fanáticas. Uma delas, A Casa dos Filhos de Jeová, torce para o mundo se acabar logo, porque seus membros acreditam que depois surgirá uma nova civilização do Bem. Fanáticos e suicidas carecem de humor: O fanatismo parece ser uma doença contagiosa, pois tem o poder de atrair adeptos geralmente em crise profunda de vida pessoal. Fanáticos e suicidas tem em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida. A certeza cega tira-lhes o humor e os colocam no caminho do sacrifício místico. O escritor e pacifista israelense, Amós Oz, numa carta ao escritor japonês Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de 1994, escreve ter encontrado a cura para o fanatismo: o bom humor. Diz que: nunca vi um fanático bem-humorado, nem alguém bem- humorado se tornar fanático. Oz imagina uma forma mágica de prevenir o fanatismo: um novo tipo de messias que chegará rindo e contando piadas. Tanto o fanatismo como a guerra estão entre as situações que se encontram na contramão da sabedoria. (Raymundo de Lima). 4. Maçonaria x Fanatismo: O indivíduo que se exagera na sua condição de dedicação à causa, de forma cega e intransigente, é considerado um fanático. A Maçonaria combate o fanatismo por considerá-lo nocivo e entrave ao raciocínio. Mesmo que pareça inacreditável, há maçons fanáticos; esses que diariamente freqüentam Lojas e se infiltram em tudo, e que crêem serem candidatos a todos os cargos, como insubstituíveis. Cuide o maçom de não cair nessa fraqueza, pois, no grupo maçônico, todos são iguais e nenhum deve destacar-se pelo fato de ser excessivamente assíduo. O fanático não passa de um ser vicioso, e a sua presença desequilibrada corrói todo o sistema. O equilíbrio é o melhor caminho da normalidade; ser diligente, ativo, cumpridor de seus deveres é um
  13. 13. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 13/33 comportamento recomendável e normal. Qualquer excesso resulta em fanatismo. (...) A Maçonaria sempre foi o oposto amargamente a intolerância religiosa de todo tipo. Como uma instituição, tem na abelha o arauto de religiosidade e liberdade civil, liberdade de consciência, e separação de Igreja e Estado. Rituais: REAA-GLSC: O fanatismo é um dos flagelos causadores de todos os males da humanidade que entravam o seu progresso... (...) A exaltação religiosa perverte a razão e conduz os insensatos, em nome de Deus e para honrá-lo, a praticarem ações condenáveis. É uma moléstia mental, desgraçadamente contagiosa, que, implantada, toma foros de princípio, em cujo nome, nos execráveis autos de fé, fizeram perecer milhares de indivíduos úteis à sociedade. A superstição é um falso culto, repleto de mentiras, contrário à razão e às sãs idéias que se deve fazer de Deus; é a religião dos ignorantes, das almas timoratas. Fanatismo e superstição são os maiores inimigos da religião e da felicidade dos povos. (RA). 5. Maçonaria x Superstição: Complementos GLSC: (...) Nascida do medo e da esperança, a superstição faz surgir uma religião onde Deus é um ser colérico ao qual se deve prestar culto para que seja sempre benéfico. A superstição cria uma casta de homens que se dizem intérpretes da vontade de Deus, capazes de oficiar cultos, profetizar eventos e invocar milagres. A superstição engendra, portanto, o poder religioso que domina a massa popular ignorante. O poder religioso, por sua vez, forma um aparato militar e político para a sua sustentação, de forma tal que a superstição está na raiz de todo Estado autoritário e despótico, onde os chefes se mantêm fortes alimentando o terror das massas, com o medo dos castigos e com suas esperanças de recompensa. Toda filosofia que tentar explicar a Natureza apoiada na ideia de um Deus transcendente, voluntarioso e onipotente, não será filosofia, mas apenas uma forma refinada de superstição. (Spinoza). (CI1o IMM). Rituais: REAA-GLSC: (...) A superstição é um falso culto, repleto de mentiras, contrário à razão e às sãs ideias que se deve fazer de Deus; é a religião dos ignorantes, das almas timoratas. Fanatismo e superstição são os maiores inimigos da religião e da felicidade dos povos. (RA). (...) A Alavanca exprime a força do raciocínio e a segurança da lógica; é a imagem da filosofia, cujos princípios invariáveis não permitem fantasia nem superstição. (RC). (...) Se vosso dever é combater os erros e as superstições que os impostores infligem à Humanidade ainda na infância, evitai tornar-vos sectários odiosos dos homens. (RM). Finalizando: Denis Diderot (1713-1784) foi um dos primeiros autores que fazem da literatura um ofício, mas sem esquecer jamais que era um filósofo. Preocupava-se sempre com a natureza do homem, a sua condição, os seus problemas morais e o sentido do destino. Admirador entusiasta da vida em todas as suas manifestações. É deste inesquecível francês a frase: Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo. Que ironia! Nice, 14 de Julho de 2016.
  14. 14. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 14/33 O Ir.·. José Ronaldo Viega Alves* escreve aos domingos. A TOLERÂNCIA COMO REGRA PARA OS MAÇONS. A TOLERÂNCIA: TEORIA OU PRÁTICA? REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DA TOLERÂNCIA NO MUNDO MODERNO: DIVERSIDADE, MULTICULTURALISMO... *Irmão José Ronaldo Viega Alves ronaldoviega@hotmail.com Loja Saldanha Marinho, “A Fraterna” Oriente de S. do Livramento – RS “Quem quer que conheça um pouco de história, sabe que sempre existiram preconceitos nefastos e que, mesmo quando alguns deles chegam a ser superados, outros tantos surgem quase que imediatamente. Apenas posso dizer que os preconceitos nascem na cabeça dos homens. Por isso, é preciso combatê-los na cabeça dos homens isto é, com o desenvolvimento das consciências e, portanto, com a educação, mediante a luta incessante contra toda forma de sectarismo.” (Norberto Bobbio, “Elogio da Serenidade e Outros Escritos Morais”) INTRODUÇÃO Considerando que algumas palavras sofrem uma evolução natural, e considerando ainda que o mundo que nos cerca muda vertiginosamente: será que essa palavra TOLERÂNCIA, palavra com a qual o Maçom se depara desde muito cedo, pois, a mesma é considerada uma virtude a ser exercitada, palavra que acaba quase sempre sendo objeto de uma peça de arquitetura sua, cedo ou tarde, durante a sua senda maçônica, palavra que pode ser considerada regra para o Maçom, associada sempre à sua condição, não acabou se tornando neste nosso mundo moderno, a exemplo de outras tantas, um tanto banalizada? E, entre decantá-la como virtude e tomar aquela atitude necessária, urgente e fundamental em nossos dias atuais, onde os fenômenos de intolerância estão presentes “full time”, vamos esbarrar na velha discussão entre teoria e prática. Para desafiar, enfrentar ou mudar algumas situações, é bem diferente o somente pronunciar “tolerância” da boca para fora. Será que o seu exercício maçônico gira unicamente em função da aceitação de não discutir assuntos de natureza religiosa e política com os Irmãos, em nome da solidariedade e da fraternidade, e pronto, consideramo-nos formados em tolerância? Estamos no terceiro milênio, e parece que o preconceito e a discriminação não arrefeceram jamais, até pelo contrário, há novas formas de discriminação surgindo a todo instante. A verdade é que, mesmo num mundo globalizado, por vivermos apegados a um punhado de tradições culturais, aceitamos passivamente a ideia de que os outros, são os “estranhos” ou “diferentes”. A Maçonaria preza pela tolerância. Mas, todos os Maçons podem ser considerados tolerantes? O Maçom aceita o multiculturalismo, a diversidade, quando se trata de ser tolerante? É preciso refletir para responder a algumas perguntas, e não podemos esquecer que é fácil nos 4 – A TOLERÂNCIA COMO REGRA PARA OS MAÇONS. A TOLERÂNCIA: TEORIA OU PRÁTICA? REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DA TOLERÂNCIA NO MUNDO MODERNO: DIVERSIDADE, MULTICULTURALISMO... José Ronaldo Viega Alves
  15. 15. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 15/33 sentirmos à vontade com ideias e opiniões que já trazemos de berço, principalmente, se elas nunca são desafiadas. Tenhamos como objetivo no presente trabalho achar algumas respostas para as perguntas surgidas em seu começo. Com isso, praticamente o seu objetivo estará cumprido. TOLERÂNCIA: UMA DEFINIÇÃO A Tolerância, basicamente, e de acordo com o dicionário é definida como a capacidade de tolerar, além de uma disposição para reconhecer e conviver com as diferenças de cada um. Existe ainda a tolerância religiosa: aquela que permite a cada um a liberdade de praticar as suas crenças. TOLERÂNCIA E INTOLERÂNCIA: ASPECTOS GERAIS Com base em leituras e interpretações dos escritos de R.N. Champlin, tecerei alguns comentários acerca da tolerância e algumas inserções sobre a intolerância crescente do mundo moderno. A Tolerância para ser exercida deve seguir alguns preceitos básicos: se alguém quer ser tolerado, deve usar também da tolerância, se alguém quer exigir a liberdade religiosa, deverá concedê- la da mesma forma aos outros, ou ainda, a tolerância deve ser o primeiro passo que o homem deve dar para que haja a tão almejada paz entre ele e os seus semelhantes. E não dá para escrever sobre esse assunto sem que venha à mente, o panorama mundial, pois, somos cidadãos do mundo, ao qual não podemos ficar indiferentes: escolho como exemplos de intolerância, em meio a tantos outros conflitos acontecendo neste exato momento, os eternos “palestinos X israelenses” e o da Síria, e ainda o crescendo do terrorismo no mundo todo, onde particularmente o Exército Islâmico se encarrega de promover as maiores atrocidades possíveis. É difícil imaginar que alguém que promova a matança de inocentes, justifique a mesma falando em nome de uma religião, é mais difícil imaginar que jovens que teriam uma vida inteira pela frente se alistem nos quadros dessa organização criminosa, tudo em nome de uma intolerância, e que é levada às últimas consequências. Os alvos escolhidos por terroristas geralmente são lugares bastante frequentados, a exemplo de templos religiosos, shopping-centers e similares, escolhidos para as chacinas que conseguem perpetuar, e que vão servir de túmulos para centenas de inocentes. Da mesma forma, os bombardeios de que são alvos as populações, e que acontecem a título de uma resposta dura de um Estado que se diz atacado por terroristas, são de uma letalidade impressionante, onde o resultado final de mortos sempre contabiliza pessoas comuns, velhos e crianças, essas sim, as grandes vítimas, além dos seus lares destruídos. Mas, para falar sobre a intolerância que grassa no mundo de hoje, e onde os conflitos nascem e se perpetuam por questões religiosas, por incrível que pareça, é como falar do óbvio, do mal e do ódio que está se banalizando, a exemplo do que expressou a filósofa Hannah Arendt por ocasião do holocausto judeu e os seus carrascos. Ficamos com esses breves comentários, para não dizer que ignorarmos o que está acontecendo no mundo de hoje, onde há “n” formas de intolerância, e os motivos de ordem religiosa é somente uma delas. E lá no passado, não esqueçamos que a intolerância com raízes na religião já havia produzido as Cruzadas e a Inquisição, ambas denominadas santas. Além do mais, a escravidão sempre foi consentida, em um mundo onde já havia várias religiões pregando os ensinamentos de Cristo. Isso tinha que ser mais discutido, mas é outra história. Enfim, vimos sucintamente uma parte da história do homem, da história do mundo em um capítulo chamado intolerância. Vejamos um excerto do livro “Intuição & Maçonaria” do Irmão Fernando César Gregório, que serve para ilustrar melhor o parágrafo acima, pois, fala da intolerância aquela que tem como ponto de partida, as religiões: “Nosso conhecimento é limitado e todos nós estamos sujeitos ao erro, nisso reside a essência da tolerância recíproca. Em todas as ciências nós estamos sujeitos ao erro. Que teólogo, tomista ou escotista ousaria então sustentar seriamente que está absolutamente seguro de sua posição. E, no entanto, as religiões estão armadas umas contra as outras e, no interior das religiões, as seitas geralmente são terríveis no combaterem-se reciprocamente.” Sem sombra de dúvidas o pior ódio é o teológico, pois, aqueles imbuídos dele tem plena certeza de que estão prestando um serviço a Deus. A tolerância é uma virtude, mas, ela ainda é somente o começo para aqueles que querem colocar em prática o amor aos seus semelhantes. Ser tolerante significa ser compreensivo, ser dono de boa vontade, permitirmos que os outros promovam as suas ideias, enfim, aceitar as diferenças e aprender a conviver com elas.
  16. 16. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 16/33 O fato de existirem ideias alheias às nossas é motivo de aprendizado, e mostraria o respeito que se deve à liberdade de expressão, seja falada ou impressa. Quando partimos do ponto de vista de que ninguém é o dono da verdade, estamos usando da humildade e da tolerância, pois, estamos admitindo que o outro possa estar com a razão. A tolerância é o caminho para a liberdade em sua forma mais ampla. A TOLERÂNCIA E OS FILÓSOFOS O tema envolvendo a tolerância tem mantido ocupados os filósofos. Recolhi o pensamento de alguns deles, deixando de fora aqueles que se atém quase que exclusivamente às questões religiosas. Vejamos, então: _ “Spinoza foi um judeu perseguido tanto por judeus como por cristãos. Assim, por força de sua própria experiência, sentiu a necessidade de tolerância. Ele argumentava que a imposição de crenças leva ao conflito civil, não havendo valor tão grande quanto a liberdade. E essa liberdade deve abranger o campo religioso e o campo político. O Estado, dizia Spinoza, deve garantir essa liberdade como um de seus deveres básicos.” _ “John Locke acreditava na necessidade de pluralidade religiosa, e também dizia que a tolerância deve ser ampla e irrestrita. Mas rejeitava a tolerância quanto ao ateísmo, argumentando que o próprio Estado está alicerçado sobre certas crenças religiosas.” _ “Voltaire tinha uma visão mais ampla, e requeria tolerância para todos, sem importar as convicções religiosas de quem quer que fosse. Ele costumava dizer: ‘Desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizer’. Ele dizia que a Inglaterra era a nação onde toda forma de tolerância e de direitos humanos tinha feito o maior progresso.” _ “Rousseau desejou legislar a tolerância, forçando as pessoas a conduzirem-se em paz. Seu ideal era que as pessoas se tornassem tolerantes, dotados de um credo deísta, que incluísse como um de seus pontos básicos, a absoluta rejeição da intolerância.” _ “J.S.Mill defendia a ideia de tolerãncia generalizada, limitada somente pelo princípio em que os direitos de um indivíduo não infringissem os direitos de outrem. Nesse ponto, deve aparecer a negociação, no espírito de partilha.” _ ”E.A. Westmark acreditava que o princípio da relatividade governa a vida e as ideias humanas, e que a tolerância será sempre necessária em situações raltivas, onde não possa ser determinado o absoluto. O relativismo, pois, favorece a tolerância. TOLERÂNCIA: ALGUMAS DEFINIÇÕES ENCONTRADAS EM DICIONÁRIOS MAÇÔNICOS “A Tolerância não tem gradações, é total, não se pode tolerar com limites, é incondicional. (...) O maçom que não sabe Tolerar, que não compreendeu o que é a Tolerância, mereceria retornar ‘ao ventre materno’, ou seja, repetir a Iniciação. (Da Camino, pág.388, 2006)” “Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos. Um dos grandes princípios proclamados pela Maçonaria Universal é o de que ‘os homens são livres e iguais em direitos e a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, pois só assim é que serão respeitadas as convicções e a dignidade de cada um’.(Girardi, pág. 607, 2008) TOLERÂNCIA COMO UMA DAS PRINCIPAIS REGRAS MAÇÔNICAS Em seu livro “Curso de Maçonaria Simbólica (1º Tomo) Aprendiz”, o Irmão Theobaldo Varoli Filho , com o subtítulo acima, já analisava a Tolerância sob o ponto de vista de uma regra maçônica a ser cumprida. Vejamos alguns excertos do seu pensamento sobre o assunto: “Toda manifestação de espírito é respeitável. Por via de regra, entende-se como manifestação de espírito a ideia-mestra que consegue aceitação na pluralidade ou multidão de consciências. Ninguém é dono da verdade, mas um fundo de verdade subsiste em qualquer afirmação ou negação. De circunstâncias, de condições materiais e locais, de estruturas, surgem ideias, símbolos, crenças, moral e superestruturas. (...) Não se entendam por tolerância maçônica os afrouxos licenciosos ou passividade exagerada na prática do perdão. Por tolerância deve entender-se, antes de tudo, que o comportamento do maçom deve ser de respeito a todas as manifestações de consciência e que, em Loja, obreiro da paz deve conservar-se equidistante de qualquer credo, tal como o círculo entre as paralelas e a circunferência com relação ao centro, tal como o Sol que não transpõe os trópicos. (...) É lindeiro da Maçonaria espiritualista, dita universal e regular, que não pode ser iniciado maçom ou
  17. 17. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 17/33 pertencer à maçonaria quem seja ateu. O lindeiro deriva da lição atribuída a ANDERSON e consta do Livro das Constituições da Maçonaria Inglesa, assim: ‘O Maçom é obrigado a obedecer à Lei Moral e se ele bem compreender a Arte, nunca será um estúpido ateu ou um irreligioso libertino. Ainda que nos antigos tempos os maçons tivessem por dever praticar a religião observada nos países em que habitavam, julgou-se mais conveniente não se lhes impor outras religiões senão aquela que todos os homens aceitam, e dar-lhes plena liberdade no que tange as suas opiniões particulares. Religião esta que consiste em serem homens bons, honrados e leais, seja qual for a diferença de títulos ou de convicções. É desse modo que a Maçonaria se converterá num centro de união e num meio de estabelecer conciliadora amizade entre os que, de outro modo, permaneceriam sempre separados.’ E prossegue o Irmão Theobaldo Varoli Filho: “Ainda, no mesmo item I, ‘Concernente a Deus e à Religião’ (v. ‘Constitutions under the United Grand Lodge of England’, 1960, pág.3), se ensina e dispõe que ‘maçom, mais do que todos os homens, deve saber que os homens julgam pelas aparências, mas Deus perscruta a alma, o coração’ e que, ‘seja qual for a crença de um homem, estando provado que ele acredita no glorioso arquiteto do céu e do mundo, não será excluído da associação’. Os textos confirmam, pois, que a tolerância é a regra maçônica, tanto mais que a melhor forma de servir ao Grande Construtor dos Mundos é ser bom, verdadeiro, leal e honesto.” Do “Grande Dicionário Enciclopédico...” de autoria do Irmão Nicola Aslan, do verbete TOLERÂNCIA extraio o seguinte trecho: “Ao contrário, a grande característica da Maçonaria foi a mais absoluta tolerância em matéria de religião e de política, assuntos cuja discussão proscreveu em suas lojas, diferenciando-se, neste particular, de qualquer agrupamento religioso, político ou de qualquer outra índole. E foi esta tolerância religiosa, precursora do ecumenismo, um dos motivos da bula ‘In Eminente’. Não impondo nem aceitando nenhuma doutrina como definitiva, exclusiva, ou como sua própria, e não pretendendo governar as consciências, a Maçonaria estimula constantemente os seus adeptos a tudo examinar. Não pondo quaisquer limites ao seu campo de investigação, deixa livres os seus adeptos em matéria de opiniões religiosas e políticas. Não tendo, por outro lado, pretensões a qualquer espécie de poder temporal, a Maçonaria é, no entanto, intransigente defensora da Liberdade e da Democracia, por ela consideradas como os maiores bens conquistados pelo homem.” DE QUAL TOLERÂNCIA ESTAMOS FALANDO? Não dá para pensar sobre Tolerância no seu sentido mais moderno, sem descolá-la dessa outra palavra que é diversidade, ou seja, de que se deve aceitar as diferenças. Não dá para dizer que se é tolerante no mundo moderno, se não se é multiculturalista, ou seja, que se saiba valorizar e honrar cada pessoa como algo distinto e importante, já que o Multiculturalismo não impõe uma cultura sobre a outra. Vejamos este comentário de Rodrigo Ramos em seu artigo intitulado “Diversidade: será que existe tolerância das diferenças nas empresas”? “Nas empresas, nas instituições religiosas, nas escolas, nas universidades, está na moda ouvir alguém pronunciá-la de boca cheia. Porém, será que o ser falante já parou para refletir o que significa com profundidade o que é aceitar a diversidade? Será que acreditamos que apenas repetindo a frase seremos capazes de incorporar, no seu alto grau de valor, o que é aceitar a diferença do outro?” COMENTÁRIOS Por isso, digo que há uma defasagem em relação a novos conceitos, a novos costumes, a novas tendências e que deveriam ser discutidas no âmbito maçônico, tudo relacionado com a tolerância e com um mundo em permanente transformação. Não dá para engessar a ideia de que tolerância é somente aceitar a religião do outro e a posição política do outro, há outras coisas mais. Crescem as formas de intolerância, do preconceito e discriminação, e por conta destes as pessoas são rotuladas, e os estereótipos sã criados. Racistas, sexistas, xenofóbicos e homofóbicos circulam por aí livremente pregando o seu ódio. Que política de tolerância poderá trazer bons frutos, se esses males não forem combatidos na cabeça dos homens? Aliás, muitas dessas formas de pensar, deveriam ser combatidas exatamente no recesso dos lares com educação e não com incentivos.
  18. 18. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 18/33 DA TOLERÂNCIA QUE O MAÇOM DEVERÁ EXERCER Entre os significados, excertos e comentários que constam nos dicionários maçônicos, reproduzo o que me pareceu mais condizente, mais apropriado e mais verdadeiro em relação ao que se espera do maçom em termos de tolerância: “Uma das qualidades (virtudes) exigidas ao maçom, como um princípio de cordialidade nas relações humanas, (Grifo meu!) posto que devem ser respeitadas as convicções e a dignidade de cada um. Nesse sentido, em primeiro lugar, o intolerante é aquele que imagina ser ele o proprietário de um único crédito moral pra todas as formas de moralidade, e por isso o aplica a ferro e fogo sem levar em consideração as condições em que o juízo moral deva ser suspenso. Em segundo lugar, é o rigorista, aquele que pratica sua moral automaticamente sem dar conta da unilateralidade do seu ponto de vista. A tolerância dos maçons deriva da dignidade humana, da tolerância com o respeito às ideias, por mais contrárias que sejam uma das outras. O simbolismo do compasso dá ao maçom os limites dentro dos quais ele deve se manter.” COMENTÁRIOS: O exercício da tolerância e a consciência dos seus limites é o grande desafio. Em trabalhos anteriores, já frisei sobre de que ser Maçom e ser tolerante não significa a ideia reducionista de que isso somente deve acontecer com aqueles que são nossos Irmãos. Por incrível que pareça, tem quem entenda assim, o que, aliás, seria bastante fácil, e assim mesmo não é isso que assistimos muitas vezes. De qualquer forma, grifei no texto logo acima, aquele “principio de cordialidade nas relações humanas”, o que torna extensivo ao mundo profano, à humanidade, melhor dito. Nem todo Maçom é tolerante fora do ambiente maçônico. Toda regra tem exceção, claro, mas, o detalhe, o grande detalhe é que não teria sentido nenhum se aquilo que aprendemos, enaltecemos e exercitamos no ambiente maçônico, não é para ser aplicado no mundo profano. Nesses momentos cabe aquela pergunta que sempre incomoda, pois, parece que na resposta sempre fica faltando alguma coisa: O que viemos fazer aqui?. Mas, seja no ambiente “macro”, ou o mundo, seja no ambiente da nossa sociedade, do nosso pequeno mundo, da nossa aldeia, da nossa Loja, a tolerância deve ser exercitada, deve ser preferida, deve ser o primeiro passo para o entendimento, pois, a intolerância em suas mais diversas formas está presente em todos os lugares. A resolução passa certamente por aquilo que já foi dito lá no começo: “é preciso combatê-la na cabeça dos homens.” LAFUENTE E A MÁXIMA: “TOLERÂNCIA É MAÇONARIA E MAÇONARIA É TOLERÂNCIA”. O estudioso Lafuente bem elencou algumas regras a serem cumpridas pelos Irmãos, e que explicam o dito acima, sendo que, faço questão de reproduzi-las, especialmente solicitando a leitura atenta e a posterior reflexão sobre a de número III: “I – A mais profunda tolerância para com a religião, a convicção política. II – A mais profunda tolerância para com os seus pontos de vista, que não deve se traduzir apenas em ouvi-lo atentamente, mas aceitar a difusão de suas ideias, mesmo que venham a ser contrárias às suas. III – A mais profunda compreensão pelas múltiplas formas de existência das instituições maçônicas, dos Ritos e com as Leis e Regulamento próprios. IV – A tolerância para com as faltas dos Irmãos não deverá implicar em que deixem de praticar os seus deveres maçônicos. Enfim, a tolerância deverá ser vivenciadas de maneira que tanto o obreiro que está sendo tolerante quanto o Irmão com que se está sendo tolerante, possam exercitar o aperfeiçoamento do homem, da humanidade; um não deve sobrepujar o outro.” TOLERÂNCIA: ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA Novamente recorremos ao sábio Irmão Fernando César Gregório que diz em seu livro citado anteriormente: “Pregamos a concórdia, a harmonia e a tolerância, privadamente admitimos a indulgência, a benevolência e a justiça, mas coletivamente nossa prática é oposta e facilmente nos insurgimos contra essas virtudes. Por quê? Porque nosso interesse está na posse da ‘verdade própria’ e tudo sacrificamos a esse monstro.”
  19. 19. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 19/33 UM RECADO FUNDAMENTAL O Irmão Nicola analisou um outro aspecto sobre a tolerância, e a sua leitura agora é de fundamental importância: “Existe, todavia, uma interpretação bastante errada a respeito da sublime Tolerância. Entendem alguns que tudo deve ser perdoado, tudo, mesmo delitos, vícios e crimes, não compreendendo que não se trata mais de tolerância, mas de complacência covarde. Como se pode admitir um representante da Lei tolerante com os transgressores da Lei? Como se pode admitir um Deus tolerante com a injustiça, a imoralidade, a perversidade? Confundir a Indulgência relativamente a pequenos defeitos, a condescendência para com algumas imperfeições, a benevolência para com certas faltas, com a compactuação ou cumplicidade com os crimes praticados, é levar a Tolerância longe demais. A Tolerância é benevolente, mas não covarde.” CONCLUSÃO O mundo vai continuar intolerante, pois, há sempre um inimigo eleito, um bode expiatório, um alvo, “alguém diferente”... As justificativas são muitas: raça, religião, sexo, condição social, partido político, escolaridade, status social, aparência física, enfim... A Maçonaria defende a ideia de que é pluralista, ecumênica, justa, tolerante, mas, até onde vai a tolerância de alguns daqueles que se dizem Maçons? Cabe ao Maçom refletir sempre sobre o que acontece no mundo e em seu redor, e daí tirar lições para o seu aprendizado e para o ensino do que deve ser a sociedade ideal que todos nós queremos, e sem precisar resvalar para o utópico. Como já foi dito, pregar a tolerância e exercitar a mesma somente com Irmãos, não teria muito sentido, mas, para muitos Maçons é o máximo que se pode fazer, infelizmente. O mundo mudou muito, minorias tentam ganhar o seu espaço, mas, a intolerância é sempre a maior barreira. Parafraseando Trevor Curnow: durante a sua vida você pode mudar a sua aparência, mas é comum se esquecer de mudar o modo de pensar. Muitas das suposições que trazemos conosco foram modeladas lá na infância, estão arraigadas. A Maçonaria precisa de Maçons, que a partir do momento da sua Iniciação renasçam de verdade, reflitam de contínuo, aparem as suas arestas e que sejam tolerantes, muito tolerantes, não somente com teorias, mas, na prática do seu dia-a-dia. E como disse Sócrates: “A vida sem ser examinada, não vale a pena ser vivida.” Consultas Bibliográficas: Revistas: FILOSOFIA, nº 25: “Tolerância com as Diferenças” – Artigo de autoria de Ana Costa FILOSOFIA, nº 47: “Tolerância” – Artigo de autoria de Ana Costa Livros: ASLAN, Nicola. “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia” - Volume 4 – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 2012 CHAMPLIN, R.N. “Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia” – Volume 6 – Editora Hagnos – 9ª Edição – 2008 CURNOW, Trevor. “Filosofia para o Dia a Dia” – L& PM Editores – 1ª Edição - 2016 DA CAMINO, Rizzardo. “Dicionário Maçônico” – Madras Editora Ltda. 2006 Dicionário Enciclopédico VEJA LAROUSSE – Volume 22 – Editora Abril S/A – 1ª Edição – 2006 GREGÓRIO, Fernando César. “Intuição & Maçonaria” – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 2004 VAROLI FILHO, Theobaldo. “Curso de Maçonaria Simbólica (1º Tomo) Aprendiz” – Editora A Gazeta Macônica S. A. - 1977
  20. 20. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 20/33 O Ir Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”- Londrina – PR – escreve aos domingos hercule_spolad@sercomtel.com.br INICIAÇÃO Aspectos Controversos Iniciação termo que consta nos dicionários como sendo o ato ou efeito de iniciar-se, ou o começo de qualquer coisa. Seria o recebimento das primeiras noções, de coisas misteriosas ou desconhecidas para os esotéricos, ou iniciar-se em uma profissão, um esporte ou em qualquer atividade humana. Evidentemente esta é uma noção geral não se referindo tão somente à Iniciação Maçônica, a qual é apenas uma das muitas formas de iniciação, pois existe um número grande de entidades iniciáticas tais como as esotéricas, seitas das mais variadas tendências, religiões, escolas filosóficas, movimentos políticos cuja admissão as vezes é feita por uma iniciação. Até mesmo nas seitas satânicas existem iniciações. Também não se quer abordar os Grandes Iniciados, homens iluminados que já nasceram assim. Dotados de mentes abertas, cósmica em perfeita harmonia com a natureza e cujas combinações de seus gens que já trouxeram do ventre materno toda a genialidade como um Leonardo da Vinci, Bhuda, Pitágoras, Einstein, Cristo e tantos outros que poderiam aqui ser citados. A abordagem deste trabalho será tão somente sobre Iniciação Maçônica e como cada maçom a recebe. Quando se fala de Iniciação Maçônica, acredita-se que se esteja enfocando as Iniciações verdadeiras aquelas que logo de inicio se consegue pelo menos em parte envolver o iniciando nas profundezas dos mistérios da mente e do Universo, sendo este apenas o começo. Para completar esta Iniciação o adepto continuará seu trabalho, e sua luta será apenas sua e de mais ninguém e ele só a conseguirá através de muito estudo, meditação muito esforço, desprendimento dos males do consumismo e assim progredindo por toda a sua vida aproximar-se da Iniciação total. Nunca chegará a Iniciação completa. Sempre terá algo a acrescentar para chegar a total espiritualidade. 5 – Iniciação – Aspectos controversos Hercule Spoladore
  21. 21. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 21/33 Atualmente, apesar do trauma mental violento e agressivo causado pela tecnologia, como consequência do avanço da ciência como um todo, da Realidade virtual da Mecatrônica da Robótica, da Nanociência, da Neurociência Neuro-Psicologia está se conhecendo um pouco mais sobre a mente humana e sua relação com o cérebro, o Homem Moderno desmistificou as religiões tradicionais, e também já não aceita incontável número de seitas e outras religiões que estão surgindo sempre com o pretexto de enquadrar as demais como sendo a melhor, se autodenominado abertas e ecumênicas, sem preconceitos, sem descriminações e chamando para si o verdadeiro caminho da busca divina. Batendo nesta tecla muitas destas religiões são fundadas com o único intuito de seus chefes somente arrecadar dinheiro. Pura balela. O Homem Moderno não aceita mais este estado de coisas. Mas os que não têm esta qualidade, ainda infelizmente, são milhões, estes são docilmente manipulados por uma falsa fé, que eles aceitam como verdadeira, sendo que estes pobres infelizes são envolvidos pelos mais variados dogmas e baboseiras que lhe são impostos, em nome de Deus. O Homem Moderno é um buscador de verdades, esperto pesquisador das verdades transcendentais sabe inquirir deduzir e avaliar o que está correto. Este terá que forçosamente seguir outro caminho para ter suas respostas. Ele quando se enquadra neste grupo tem procurado várias correntes e entre elas a Maçonaria para viver novas experiências e encontrar respostas. Segundo Jung a “psicanálise foi o primeiro grito contra o império dogmático e sufocante das religiões”. Ao submeter-se ao divã o Homem estaria dando primeiro passo em direção a suprema ventura de conhecer-se a si próprio. Sabe-se hoje que este autoconhecimento é conseguido sem participação da psicanalise, Desde que o Homem se recolha simbolicamente à sua “caverna da Montanha” como fez Zaratustra, ou por meditação, ou por ascese, ou se reciclando metodicamente, auxiliado pela sua autocrítica, após muito esforço, muito estudo, muito desprendimento chegará à sua iluminação interior. Se um maçom chegar mais ou menos perto deste autoconhecimento estará realizado. A verdadeira Maçonaria espera só isso dele. Nada mais. Não esquecer que ela é uma escola de vida. Todavia isto apenas acontecerá no dia em que o maçom compreender e sentir este aspecto de sua vida cósmica. Entretanto esta sensibilização é própria e particular de cada indivíduo, já que os seres humanos seres vicissitudinários, estando sujeitos às mudanças em suas vidas. Existem milhões de fantasmas dentro de cada um.
  22. 22. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 22/33 Referem-se três aspectos fundamentais na vida do Homem: sua vida pessoal, seu relacionamento com o mundo e sua vida cultural. É justamente neste último aspecto que o Homem Moderno nas suas buscas, entra em conflito entre a sua espiritualidade e as regras que a sociedade de consumo e as religiões tentam impor a eles. É preciso ter muito cuidado, ir com muito vagar, para não perder-se neste emaranhado de pensamentos e teorias, pois eles representam um verdadeiro labirinto. Aliás, o labirinto, é um símbolo usado pelos antigos os quais erguiam os seus templos em forma de labirinto. Como se sabe os labirintos apresentam duas situações um centro e um caminho tortuoso, repleto de obstáculos que deverá ser percorrido com paciência e sabedoria para se chegar próximo a este centro, pois a Iniciação ocorrerá por toda a vida. A iniciação é eterna busca incessante deste centro. Este centro seria o “estado do ser” o nosso outro EU, aspecto duplo de nossa personalidade. Esta seria então a finalidade da Iniciação Maçônica quando o adepto tenderá simbólica e espiritualmente chegar perto deste centro. Todavia, muitos maçons apesar de todo este arsenal e toda a espiritualidade que a Ordem oferece para que possa leva-los às mais perenes verdades, no entanto, estão trocando este potencial, ou substituindo por outros valores de menor importância. Muitos maçons se vangloriam que foram iniciados em tal dia, em tal loja-mãe, contam detalhes, querem explicar a seu modo as sensações que sentiram, mas se referem tão somente ao transcorrer material do ritual e não ao simbolismo espiritual e a experiência pela qual passaram ou deveriam passar. Correm atrás de graus, achando que este fato os torna sábios, não usam a ética para com seus irmãos, e mesmo assim acham que atingiram sua iluminação interior. Falsa sensação, puro engodo. A verdadeira Iniciação em realidade não ocorre no dia do recebimento teatral de um novo membro na Ordem. Este seria apenas o começo apenas algumas pinceladas simbólicas do que está por vir. A Maçonaria continua sendo secreta e inatingível para a maioria dos maçons. Muitos Irmãos acham que a Ordem é filantropia ou é voltada para a beneficência então se desgastam tentando resolver geralmente de maneira ingênua e inoperantes os problemas sociais que assolam a comunidade. Outros pensam que a Ordem deve ter sua participação na politica, como se suas lojas fossem grêmios políticos. Os mais exaltados lançam mãos de manifestos sem efeito politico algum, ou então da militância politica.
  23. 23. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 23/33 Estão se esquecendo de que a Maçonaria é uma Escola de Vida, ela apenas prepara o adepto ensinando-o a ser um maçom verdadeiro, um homem com menos defeitos, mas tão somente mostrando-lhe o caminho. Se o maçom tiver pendores para a politica ou para a filantropia, ou qualquer outra atividade social então a Ordem guiará com seus princípios para que este Irmão atue como um verdadeiro embrião social, ou uma semente fértil, em torno da qual se aglutinará uma multidão como um todo e ele atuará como um líder. A Maçonaria apenas prepara o irmão. Não será ela agindo diretamente. Será o Maçom que fará este papel. Infelizmente certo número de maçons acaba sendo uma conjura contra a própria Ordem. Um grande número de pequenas autoridades autodidatas, querendo moldar a Ordem à sua semelhança, fazendo com que seu modo de pensar e agir como se sejam os próprios princípios da Ordem, cujo poder advém pelo fato de não serem contestados, sendo que na maioria das vezes o maçom comum, os próprios mestres aceitam sem discuti-los, e isto faz com que se desvie a atenção do verdadeiro sentido iniciático da Maçonaria. Este fato é uma consequência direta da falta de cultura porque a maioria dos maçons não lê, não estuda, não procura ser melhor, não faz reciclagem de sua vida maçônica e nem tenta saber por que entrou para a Ordem. Não basta usar o avental e autoproclamar-se maçom. Não adianta usar o distintivo do compasso/esquadro na lapela, não adianta ostentar o grau 33 e não saber como um mestre deve se comportar realmente. Não se está ensinando o que é Maçonaria para ninguém, porem a realidade é a que foi exposta. Nada foi inventado. Está tudo escrito. Basta tão somente os maçons enquadrados nesta descrição, terem um pouco mais de paciência e lerem e tomarem conhecimento do legado que nos deixaram os melhores mestres do passado. Quem conseguir entrar num templo e sentir o poder espiritual dos símbolos que enxerga pela frente e ver neles a expressão divina e humana do seu significado mais transcendental, dentro do seu dinamismo atual; quem puder sentir a beleza interior de um Ritual, quando bem executado, quem puder contemplar as luzes místicas e sentir a Divindade presente, quem puder olhar o Pavimento Mosaico e entender a lei dos opostos quem conseguir adentrar a uma sessão de mente totalmente aberta, quem puder após muitos anos de estudos e perceber que modificou e que agora sente o GADU, mais universal e melhor, mais abrangente mais humano, sem rancores que não manda seu povo eleito decepar a espada seus inimigos, neste dia talvez o Irmão esteja a caminho de sua Iniciação Real, a qual é dinâmica, não é estanque, porque sempre haverá ter um a degrau a mais a ser galgado em escala cósmica.
  24. 24. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 24/33 O Irmão João Anatalino Rodrigues escreve aos domingos jjnatal@gmail.com - www.joaoanatalino.recantodasletras.com.br ESTUDOS MAÇÔNICOS- A MENTE UNIVERSAL Em suas pesquisas sobre a origem do universo a ciência só conseguiu, até agora, chegar ao conceito do “átomo primordial”, ou seja, um “ponto no espaço” tão densamente carregado de energia, que não podendo conter em si tamanha pressão, um dia explodiu. Por falta de um nome melhor para designar essa “densidade energética dos prin-cípios”, que vazou para além de si mesma, deram-lhe um nome ainda mais estranho. Chamaram-na de Singularidade, ou seja, “algo” que explodiu, dando início ao tempo e preenchendo o espaço cósmico com a matéria derivada do imenso potencial energético que esse “algo” continha. E daí a visão científica do nascimento do universo através do fenômeno que eles chamam de Big-Bang, ou a grande explosão. Essa explosão inicial liberou a energia que estava presa dentro dessa Singularidade. Espalhando-se pelo nada cósmico ela tomou o formato de uma enorme bolha de gás e partículas atômicas que, desde então, se encontra em constante expansão. Nessa visão o universo pode ser imaginado como se fosse uma bexiga cheia de pontinhos luminosos, que está sendo preenchida eternamente; a cada soprada ela se torna maior e os pontinhos se afastam cada vez mais uns dos outros. (1) . Assim, segundo a moderna ciência, vivemos em um universo em eterna expansão. Essa expansão, todavia, não é aleatória nem descontrolada, porque dentro dele existe uma força que atua em um sentido contrário ao que orienta a sua expansão pelo nada cósmico. É uma força de retração, que está presente em maior ou menor grau em todos os corpos materiais e faz com que suas massas se agrupem e formem compostos e sistemas. O filósofo Teilhard de Chardin nos dá uma idéia bastante interessante dessa propriedade da matéria universal: “A ordenação das partes do universo tem sido para os homens um motivo de deslumbramento”,escreve ele. “Ora, esse arranjo se revela cada dia mais espantoso, á medida que nossa Ciência se torna capaz de um estudo mais preciso e mais penetrante dos fatos. Quanto mais longe e profundamente penetramos na Matéria, por meio sempre mais poderosos, tanto mais nos confunde a interligação de suas partes. Cada elemento do Cosmos é positivamente tecido de todos os outros; abaixo de si próprio, 6 – Estudos Maçônicos – A Mente Universal João Anatalino Rodrigues
  25. 25. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 25/33 pelo misterioso fenômeno da “composição”, que o faz subsistir pela extremidade de um conjunto organizado; e, acima, pela influência recebida das unidades de ordem superior que o englobam e o dominam para seus próprios fins.” (...) A perder de vista, em volta de nós, o Universo se sustenta por seu conjunto. E não há uma única maneira realmente possível de considerá-lo, É tomá-lo como um bloco, todo inteiro."(2) Portanto, por fora, o universo se forma por dispersão; por dentro ele se organiza pela união. Por fora atua a relatividade; por dentro atua a gravidade. Duas leis que parecem antagônicas, mas que, no entanto, se completam na formação do todo. Assim, na imensidade do plano cósmico os corpos menores são atraídos pelos corpos maiores e ficam presos em suas órbitas, girando em volta deles, formando os sistemas planetários. Estes, por sua vez, se agrupam formando galáxias, e estas as nebulosas, fazendo do universo uma espécie de organismo, com suas células, órgãos e sistemas. A força da atração, que se traduz pela lei da gravidade, impede que o universo se torne um imenso caos de forças desordenadas, como se fosse uma manada de bois estourada, correndo em todas as direções. Nasce dessa forma a organização estelar, da mesma forma que a matéria bruta e a matéria orgânica também assim se estruturam para formar elementos químicos, compostos, produtos, biomas, ecossistemas, organismos. É a ordem posta no caos. Ordo ab Chaos.(3) Nesse particular, o discurso científico não deixa de conter um certo esoterismo e na mística contida no discurso esotérico também podemos encontrar fumos de ciência. Ela nos diz que a matéria bruta é feita de átomos, os átomos se juntam para formar compostos e os compostos constituem a maior parte da matéria universal. Igualmente a matéria orgânica se forma a partir de células que se juntam para formar moléculas e estas se reúnem em sistemas. Todos com seus domínios e funções, da mesma forma que cada vida, humana ou animal, tem o seu domínio, sua função e sua missão na estrutura do universo. No imenso do espaço cósmico e no ínfimo do núcleo atômico da matéria, fundem-se os domínios da física com os da metafísica para nos dar a compreensão de como o universo funciona e como ele está sendo construído. É uma verdadeira Cosmogênese que se processa, segundo um plano e uma finalidade que talvez nunca cheguemos a compreender, mas que é possível entrever nas leis que regem a formação dos corpos materiais e do próprio fenômeno da vida.(4) A natureza não faz nada que não seja absolutamente útil. A menor partícula existente na matéria universal cumpre papel extremamente importante nessa formidável rede de relações em que vai se tornando o universo físico que saiu do Big-Bang. Essa rede parece obedecer á um plano extremamente lógico, como se ela estivesse sob o comando de uma Mente Universal que tudo planeja e controla. Ás vezes temos a impressão de que todos os eventos universais acontecem aleato-riamente, como em um jogo de dados. (5) Mas isso é porque, do nosso limitado campo de visão, nós só temos a perspectiva do imediato. Se nos fosse dado o privilégio de ver todos os desenhos futuros que o tecido universal assumirá, ou no passado todos que já assumiu, então a nossa preocupação seria apenas a de procurar entender o nosso papel nesse processo. Pois, como bem expressa o autor do Fenômeno Humano, nós somos o ápice momentâneo de uma Antropogênese, que por sua vez, coroa uma Cosmogênese, ou seja, somos a espécie mais elaborada que o fenômeno da vida produziu, até agora, dentro de um projeto de vida cósmico, elaborado pela Mente Universal. (6) Conscientes desse processo, podemos evitar ações que possam causar “defeitos” na urdidura desse tecido, pois embora o universo tenha mecanismos de recomposição para todos os desequilíbrios que nele são gerados, qualquer ação que viola os princípios de organização e desenvolvimento postos na natureza sempre exige um custo maior em dispêndio de energia para
  26. 26. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 26/33 realizar uma recomposição. Essa é noção que a Cabala ( e a Maçonaria) nos dão sobre a finalidade dos conceitos do bem e do mal. O bem é a ação que concorre para a ordem cósmica; o mal, o seu contrário. A tese de que o universo é uma espécie de tecido único foi expressa na chamada Teoria do Caos, proposta por Edward Lorenz em princípios de 1960. A idéia que está na base dessa teoria é a de que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Quer dizer, essa mudança altera todo o curso dos acontecimentos, tornando-os imprevisíveis, trazendo o caos para o processo. Por isso o nome dado á teoria. Assim, se pudéssemos voltar ao passado e mudar qualquer decisão nossa, por mais insignificante que fosse, essa mudança alcançaria toda a nossa vida futura e consequentemente, do universo todo, pois ele teria que se recompor para acomodar o resultado dessa ação modificadora. É o famoso “efeito borboleta”, pressuposto mediante o qual o bater de asas de uma borbo-leta na floresta amazônica pode provocar, futuramente, um furacão no Texas ou em outro lugar qualquer do mundo. O universo sempre se equilibrará no futuro, seja qual for o tamanho do desequilíbrio causado por um evento desconexo, mas nesse esforço ele gasta uma energia suplementar que seria poupada se esse desequilíbrio não tivesse acontecido. Por outro lado, os livros sagrados de todas as religiões do mundo, sejam elas “reve-ladas” ou frutos da especulação que o homem faz em busca de uma realidade que está além da sua própria sabedoria, sustentam que o universo começou pela ação de uma Divindade, que de alguma forma, deu início ao mundo, tal como o vemos.(7) A Bíblia, por exemplo, que é a fonte mais conhecida de uma religião revelada, diz que Deus fez todas as coisas tirando a luz das trevas. E quando viu que a luz era boa, Ele fez o restante do universo com ela. Para os cientistas, como já vimos, o universo teve início com a explosão de um “átomo” carregado de energia, há cerca de uns quinze bilhões de ano atrás. Essa explosão, que pode ser vista ainda hoje, liberou “quantas” de energia, em forma de luz. Nesse sentido, luz e energia são sinônimos do mesmo fenômeno, constituindo aquilo que Teilhard de Chardin chama de “estofo do universo”. (8) Assim, ciência e religião, no fundo, dizem a mesma coisa: Deus é luz, o mundo foi feito de luz, todas as coisas existentes no universo são condensações de energia lumi-nosa. Inclusive nós mesmos. Por isso temos um espírito, que também é pura luz. E conforme nos ensina a Gnose, a nossa alma é uma centelha de luz (ou energia) presa em um invólucro material. E de uma forma ou de outra, usando diferentes figuras de lin-guagem, todas as doutrinas trabalham com esse mesmo princípio: a de que somos uma massa corpórea animada por alguma forma de energia. Essa é uma interessante concepção que nos dá muito que pensar. Mas ela só pode ser expressa através de símbolos, metáforas e analogias. A mente humana cria figuras de linguagem para descrever realidades que a nossa intuição sabe que existem, mas não consegue descrevê-las porque o sistema de comunicação que desenvolvemos não tem elementos suficientes para fazer uma exata configuração delas. Na verdade, o que seduz tanto os místicos quanto os cientistas é a idéia de que toda a matéria universal tem sua origem em uma forma de energia. No principio do universo ─ nisso tanto a religião quanto a ciência concordam ─, existia apenas a energia da grande explosão do Big-Bang. Nesse estágio embrionário do Cosmos, aquilo que chamamos de massa ainda não havia se formado. Nada tinha peso ou qualquer outra qualidade que pudesse ser identificada como matéria. Todos os corpos que existem, existiram e existirão eram somente uma coleção de partículas subatômicas dispersas, movendo-se à velocidade da luz. Um certo tipo dessas partículas (fótons, elétrons, neutrinos) formavam uma espécie de oceano invisível, um campo energético de infinita radioatividade. Foi na interação com esse “oceano” que certas partículas, como os quarks (que
  27. 27. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 27/33 formam basicamente toda a matéria universal, inclusive o nosso corpo), adquiriram massa e vieram a se tornar o que conhecemos como universo físico. Na força que os quarks fazem para atravessar esse oceano oleoso, dizem os cientistas, é que a massa física do mundo acaba sendo gerada. Isso significa que sem esse “oceano primordial” não haveria matéria. Mais ou menos como diz a Bíblia: “No princípio, ao criar Deus os céus e a terra, a terra era sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a face do abismo, e o espírito de Deus pairava sobre a face das águas.”(9) Cientista é um bicho teimoso. Não importa que a sua teimosia seja chamada de pragmatismo, racionalismo, positivismo ou qualquer outro nome que se queira dar a essa mania de buscar prova material para tudo. E para isso leva anos e anos pesquisando e gastando milhões de dólares em recursos para tentar provar aquilo que o espírito humano já sabe desde que o primeiro homem experimentou a sua primeira reflexão: que Deus existe e que é Ele, seja lá o que Ele for − uma entidade ou uma forma de energia − que dá existência a toda realidade cósmica. Galáxias, estrelas, planetas, asteroides, tudo são condensações de energia, presas por um vínculo de união e organizadas segundo um padrão de estabilidade. Como disse o físico Heisenberg, se a gravidade fosse retirada do universo, a luz também desapareceria e o mundo desabaria sobre si mesmo.(10) Por seu turno Hawking nos mostra que no universo existem duas forças que regem a sua formação: a força da expansão, que faz com que o universo se expanda na veloci-dade da luz e a força da contração, que faz com que as massas cósmicas se agrupem e formem os sistemas planetários. Essas duas forças se traduzem em duas leis: a relati-vidade e a gravidade. Assim, o que hoje se descobre nos laboratórios já estava presente na intuição dos taumaturgos e pensadores do passado. Bastaria uma consulta ao Zhoar, (a Bìbllia dos cabalistas) para ver que a descrição do Big-Bang já estava lá com todas suas cores: “No início, quando a vontade do Rei começou a ter efeito, Ele imprimiu signos na esfera celeste. Uma flama escura brotou do fundo do recesso mais escondido, do mistério do Infinito, qual uma névoa formando-se no informe, encerrado no anel daquela esfera, nem branca nem preta, nem vermelha nem verde, de cor nenhuma. Só quando a flama começou a assumir tamanho e dimensão foi que produziu cores radiantes. Pois do centro mais íntimo da flama brotou uma fonte, da qual emanaram cores que se alastraram sobre tudo que estava embaixo, oculto no mistério do ocultamento do Infinito. A nascente irrompeu, e no entanto, não irrompeu através do éter (da esfera). Não era possível reconhecê-la de modo algum, até que um ponto escondido, sublime, raiou sob o impacto do irrompimento final. Nada para além desse ponto é cognoscível, e é por isso que se chama reschit, o começo, a primeira daquelas palavras criadoras, por meio das quais o universo foi criado.” (11) É muito bom que os cientistas tenham descoberto (se é que de fato descobriram) o DNA do universo físico (que eles chamam de bóson de Higgs). Mas nada disso nos leva á compreensão do que realmente Deus é, e qual o caminho mais seguro e correto para se chegar a Ele. Isso porque o caminho para Deus nunca será desvelado no estudo do que é simplesmente material. Por isso é que a ciência jamais prescindirá da filosofia (e dentro desta a teologia) como ferramenta de investigação dessa parte oculta do universo, que é a sua porção espiritual. Pois como dizem os mestres cabalistas, a nossa mente é "um telefone" com a qual nós podemos nos comunicar com Deus. O único problema, diria-mos nós, é discar o número certo, já que há tanta gente ocupada em nos passar números errados. Mas talvez se os cientistas não fossem tão teimosos eles já teriam descoberto como o universo nasceu na descrição que o cronista bíblico faz da criação do mundo e assim não precisaríamos gastar tanto tempo, fosfato e dinheiro para comprovar o que a in-tuição taumatúrgica já sabe desde o princípio dos tempos.
  28. 28. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 28/33 Um respeitado cientista, ao explicar a importância do bóson de Higgs para a formação da matéria universal, utilizou uma interessante comparação: “ele é como a água para os peixes”. (12) Assim, bastaria observar a expressão bíblica que diz, textualmente, que no início “o Espírito de Deus movia-se sobre as águas”. E com isso chegar-se-ia mais fácil á com-clusão de que céu e terra (ou seja, o universo) nasceram com o surgimento da luz. Que a luz foi a primeira manifestação da Existência Positiva de Deus (na linguagem da Cabala), e essa luz é o “Espírito de Deus” promovendo a fecundação da vida sobre as “águas primordiais” (o caos de partículas energéticas liberadas pelo Big-Bang). Tudo isso nos mostra que o universo não é caótico e que Deus não é indiferente ao seu destino. Que existe um processo regulando a sua criação, orientando o seu desen-volvimento. Há uma “Ordo ab Chaos” (uma ordem no caos), da qual participamos, talvez inconscientemente. Por enquanto sabemos apenas que existem duas margens nesse imenso rio que precisam ser ligados por uma ponte. Algumas pilastras já foram postas pelos grandes sábios do passado e do presente. Uma boa parte delas é obra dos mestres da Cabala e da Gnose. Sobre elas caminham os maçons, os rosa-cruzes, os gnósticos, os teosofistas e os cientistas que não perderam a sua espiritualidade. É só andando sobre elas que nós podemos, com muito cuidado, encetar esta nossa aventura espiritual. Para, um dia, nos integrarmos a essa Grande Mente Universal, que é o nosso Sublime Arquiteto do Universo. O bóson de Higgs-“partícula Deus”- Fonte: Wikipédia Fundation. 1.O universo em expansão- Fonte: Revista Científica Universal. 2. O Fenômeno Humano, citado, pg. 96. 3. Ordo ab Chaos. Expressão latina que designa o processo de organização que vem ocorrendo no universo físico que saiu da explosão do Big-Bang. Por isso ela é usada na Maçonaria para simbolizar a esperança maçônica de congregar em uma única proposta filosófica todas as diferentes concepções políticas e religiosas, gerando uma ordem social perfeita, que sirva a todos os povos do mundo. 4. Segundo Teilhard de Chardin (O Fenômeno Humano, citado), a evolução do universo físico obedece á duas grandes leis: a lei da união, pela qual as partículas elementares que formam a matéria tendem a se unir para formar átomos e estes se unem para formar os elementos químicos; e a lei da complexificação, segundo a qual essa união vai produzindo compostos cada vez mais complexos, dando um sentido á evolução. 5. É nesse sentido que Einstein disse que “Deus não joga dados”. Que dizer, Deus não constrói o universo aleatoriamente, testando alternativas para ver no que vai dar. 6. Teilhard de Chardin- op. citado pg. 27. 7. Religiões reveladas são aquelas cuja doutrina, supostamente, foram transmitidas aos seus fundadores pela própria Divindade. O Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo são exemplos de religiões reveladas. Já o Budismo, o Taoísmo, o Espiritismo são exemplos de religiões metafísicas, pois seus pressupostos são deduzidos a partir de especulações filosóficas ou de experiências psíquicas feitas pelos seus fundadores. 8. O que Teilhard de Chardin chama de “estofo do universo” é a energia primordial que atua na base de todas as coisas existentes no universo. 9. Gênesis, 1: 1,2. 10. Werner Karl Heisenberg (1901 —1976) físico teórico alemão, Prêmio Nobel de Física em 1932, pela descrição dos princípios da mecânica quântica. 11..Sepher Há Zhoar, I 15, a. 12. O “bóson de Higgs” é a partícula atômica que segundo os teóricos da física nuclear é responsável pelo surgimento da massa física do universo. Essa partícula essencial, apelidada de “partícula Deus”, foi descoberta pelo cientista Peter Higgs em 1964. Em 2013, a existência e atuação desse padrão energético foi observada e comprovada pela primeira vez através de pesquisas realizadas nos laboratórios do CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares).
  29. 29. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 29/33 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GLSC - http://www.mrglsc.org.br Data Nome Oriente 01.07.1977 Alferes Tiradentes, nr. 20 Florianópolis 07.07.1999 Solidariedade Içarense, nr. 73 Içara 07.07.2005 Templários da Nova Era, nr. 91 Florianópolis 10.07.2007 Obreiros da Maravilha, nr. 96 Maravilha 12.07.1980 XV de Novembro, nr. 25 Imbituba 21.07.1993 Liberdade Criciumense, nr. 55 Criciuma 28.07.2006 Anhatomirim, nr. 94 Florianópolis 27.07.2012 Aliança, Verdade e Justiça nr. 106 Florianópolis 31.07.1975 Obreiros de Hiram, nr. 18 Xanxerê 31.07.2007 Acácia Palhocense, nr. 97 Palhoça GOB/SC – http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Loja Oriente 02.07.01 Renovação - 3387 Florianópolis 03.07.78 Flor da Acácia - 2025 Itajaí 08.07.10 Lealdade - 3058 Florianópolis 13.07.01 Frat. Alcantarense - 3393 Biguaçú 14.07.2006 Acadêmica Razão e Virtude nr. 3786 Brusque - SC 17.07.02 Colunas da Serra - 3461 Joinville 17.07.02 Mestres da Fraternidade-3454 Florianópolis 17.07.97 Compasso das Águas -3070 São Carlos 23.07.1875 Luz e Caridade - 327 São Francisco do Sul 26.07.05 Frat. Acad. Ciência e Artes - 3685 Jaraguá do Sul 29.07.96 Estrela Matutina - 2965 Florianópolis 7 – Destaques (Resenha Final) Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mês de julho
  30. 30. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 30/33 GOSC https://www.gosc.org.br Visite o novo Site da Loja Templários da Nova Era http://www.templarios91.com.br Data Nome da Loja Oriente 04/07/1999 Giuseppe Garibaldi Florianópolis 04/07/2002 Léo Martins São José 11/07/2009 Universitária Luz de Moriah Chapecó 11/07/2009 Passos dos Fortes Xaxim 12/07/2006 Colunas Da Concórdia Concórdia 18/07/2003 Ardósia do Vale Rio do Sul 21/07/1973 Silêncio de Elêusis Chapecó 22/07/1981 Acácia da Ilha Florianópolis 24/07/2013 Triângulo Força e União Cocal do Sul 25/07/1995 Gitahy Ribeiro Borges Florianópolis 26/07/1980 União da Fronteira São Miguel do Oeste 27/07/1981 Arquitetos do Oriente Xanxerê 27/07/2009 Luz da Acácia Capivari de Baixo
  31. 31. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 31/33 Ir Marcelo Angelo de Macedo, 33∴ MI da Loja Razão e Lealdade nº 21 Or de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI Tel: (65) 3052-6721 divulga diariamente no JB News o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO, cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 - Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014 - ISBN 978-85.370.0292-6) BREVIÁRIO MAÇÔNICO – 17 de julho LEMA Uma simples frase pode expressar toda uma filosofia. Assim, maçonicamente, cada Grau possui o seu lema peculiar. A Maçonaria Simbólica usa o lema da Revolução Francesa, com leve alteração: “liberdade, igualdade e Fraternidade”; a Maçonaria Filosófica adota: Deus Meumque Jus. Outros lemas ou divisas podem ser nomeados: Ordo ab Cha; Lux ex Tenebris; In Hoc Signo Vinces; Ne plus ultra; Spes mea in Deo est. Esses lemas são enunciados em latim e, por uma questão de tradição, permanecem nessa língua. De uma forma geral, os lemas são escritos nos estandartes ou nos logotipos de papéis de correspondência. O efeito esotérico de um lema é o som vibratório de cada palavra, quando emitido em templo. Cada vibração penetra no ser como se fora uma poça mágica, curando enfermidades. Todo maçom deveria selecionar para si, após a Iniciação, paralelamente com o nome simbólico recebido, um lema. “Hei de vencer!” “Serei um vencedor”, são lemas que incentivam à vitória. O maçom jamais se desespera, porque tem meios para reagir contra todo infortúnio. Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 217.
  32. 32. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 32/33 O Irmão e poeta Sinval Santos da Silveira * escreve aos domingos no “Fechando a Cortina” Habitas as sombras da noite. Sorris, não sei se de felicidade, ou por desprezo à quem te olha admirado. Teu semblante me assusta... Sinto medo do teu jeito de ser. Lembra-me um predador que haje igual a ti, na solidão de um mundo silencioso,
  33. 33. JB News – Informativo nr. 2.115 – Florianópolis (SC) - domingo, 17 de julho de 2016 Pág. 33/33 difícil de entender. Usas a beleza irrecusável, como isca do pecado, atingindo o coração. Tua formosura, travestida de ternura, ilumina as trevas na esperança de vender amor. A forte maquiagem e as roupas atrevidas, vestem a fantasia dos desejos reprimidos. Nem precisas falar, és escolhida pelo olhar... Flor da noite, fugitiva dos jardins e dos jardineiros, chegaste para alimentar os sentimentos, perfumando o mundo inteiro ! Como zumbis, desfilam os homens a tua frente, querendo amor comprar. São súditos teus que, obedientes, beijam, incontinentes, os teus pés. E, agora, também te reverencio, minha linda rainha, quase de verdade ! Veja mais poemas do autor, Clicando no seu BLOG: http://poesiasinval.blogspot.com * Sinval Santos da Silveira - MI da Loja Alferes Tiradentes nr. 20 – Florianópolis

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