O slideshow foi denunciado.
Utilizamos seu perfil e dados de atividades no LinkedIn para personalizar e exibir anúncios mais relevantes. Altere suas preferências de anúncios quando desejar.

Jb news informativo nr. 2105

97 visualizações

Publicada em

.

Publicada em: Arte e fotografia
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Jb news informativo nr. 2105

  1. 1. JB NEWS Filiado à ABIM sob nr. 007/JV Editoria: Ir Jeronimo Borges Academia Catarinense Maçônica de Letras Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente O JB News está sendo editado em Maceió participando da XLV CMSB 2016 Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 2.105– Maceió (AL) - quinta-feira, 7 de julho de 2016 Bloco 1 -Almanaque Bloco 2 -IrMarcos Coimbra – Desenvolvimento: Política e Estratégias de Curto Prazo Bloco 3 –Padres na Maçonaria: Prisões e Delações no Santo Ofício – (do Site: O Ponto Dentro do Círculo) Bloco 4 -IrCristiano Roberto Sclai – Aleijadinho, um Maçom? Bloco 5 -IrRui Bandeira – A Identidade da Loja Bloco 6 -IrJosé Maurício Guimarães – Trechos do Livro “Gande Loja Maçônica de Minas Gerais...” Bloco 7 - Destaques JB – CMSB: A Carta de Maceió - Breviário Maçônico - Versos do Ir e Poeta Raimundo Corado
  2. 2. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 2/41 Santa Joana d’Arc  1456 — Joana d'Arc é absolvida (após ter sido executada).  1515 — As Cortes de Castela declaram formalmente a anexação do Reino de Navarra à Coroa de Castela.  1520 — Ocorre a Batalha de Otumba.  1769 — Guilherme Stephens recebe a administração da Fábrica de Vidros da Marinha Grande.  1877 — Parte para Angola, a bordo do paquete Zaire, a primeira expedição geográfica portuguesa ao sertão africano, chefiada porSerpa Pinto e Hermenegildo Capelo.[1] Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. 1 – ALMANAQUE Hoje é o 180º dia do Calendário Gregoriano do ano de 2016– (Lua Nova) Faltam 177 para terminar este ano bissexto Dia do 11º aniversário de fundaçãpo da Loja Templários da Nova Era nr. 91 Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebeu a presente mensagem, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias. Obrigado. Colabore conosco para evitar problemas na emissão de nossas mala direta diária. EVENTOS HISTÓRICOS (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
  3. 3. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 3/41  1925 — Fundação da cidade de Candelária, no Rio Grande do Sul.  1942 — Himmler decide dar início aos experimentos com prisioneiros em Auschwitz.  1947 — Um disco voador, que teria caído na cidade de Roswell, nos Estados Unidos, provocou um dos maiores mistérios do século.  1957 — Pelé estreou na seleção brasileira de futebol, aos 16 anos, e marcou um dos gols da partida da Copa Rocca contra a Argentina, no Maracanã. Os oponentes levaram o jogo por 2x1, mas o Brasil conquistou o título.  1974 — A Alemanha Ocidental conquista sua segunda Copa do Mundo, jogando em casa.  1977 — Inaugurada a TV Bandeirantes no Canal 7 do Rio de Janeiro começou das 07h00 da manhã.[2]  1978 — Independência das Ilhas Salomão.  1990 — Morre o poeta, cantor e compositor Cazuza.  2005 — Londres, capital da Inglaterra, sofre uma série de atentados terroristas, com explosões em um ônibus (autocarro) e no sistema de metrô (metro).  2007  O Live Earth é realizado em diversas cidades do mundo simultaneamente.  É promulgado o motu proprio Summorum Pontificum, que liberaliza a Missa Tridentina.  2011 — O Jornal britânico News of The World encerra após o escândalo do seu envolvimento em escutas telefónicas. 1793 Assume o governo da capitania de Santa Catarina o coronel João Alberto de Miranda Ribeiro, em substituição ao tenente coronel Manoel Coimbra 1850 Nasce, em São Paulo, Antonio Moreira Cesar, militar, foi interventor em Santa Catarina d abril a setembro de 1894. Morreu na campanha de Canudos, a 14 de março de 1897 1876 Assume a presidência da província de Santa Catarina Alfredo do D’Escragnole Taunay, substituindo a Capistrano Bandeira de Melo Filho. 1892 Promulgada, nesta data, a segunda Constituição do Estado de Santa Catarina 1897 Fundada, nesta data, a colônia Hansa, hoje município de Corupá. 1962 Morre, em Itajaí, Marcos Konder. Era natural daquela cidade, onde nasceu a 5 de janeiro de 1882. Foi prefeito e deputado estadual. Dedicou-se aos estudos históricos e publicou vários trabalhos, entre o0s quais uma biografia de Lauro Muller. 1181 Publicada pela primeira vez Le Avventure di Pinochio, de autoria de Ir.'. Carlos Collodi , jornalista e patriota italiano. 1823 Foi instalada a Assembleia Constituinte, em 7 de julho de 1823,tendo sido desfeita a condenação contra os líderes maçônicos e eles puderam voltar. José Bonifácio se afastou do governo em 17 de julho. 1957 Fundação da Loja Apolinário Moreira nr. 21, de Belém, da Grande Loja do Pará. 1999 Fundação da Loja Solidariedade Içarense nr. 73, de Içara (GLSC) 2005 Fundação da Loja Templários da Nova Era nr. 91, de Florianópolis (GLSC) históricos de santa Catarina Extraído de “Datas Históricas de Santa Catarina” do Jornalista Jali Meirinho e acervo pessoal Fatos maçônicos do dia Fonte: O Livro dos Dias 20ª edição (Ir João Guilherme) e acervo pessoal
  4. 4. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 4/41 O Irmão Marcos Coimbra é Secretário de Educação e Cultura do SCRM – do GOB e MI da Loja Maçônica União e Tranquilidade nr. 2 do GOB/RJ, Economista e Professor, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano “Na minha página www.brasilsoberano.com.br existem cerca de hum mil artigos de minha lavra , publicados nos últimos quinze anos.” Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br DESENVOLVIMENTO: POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS DE CURTO PRAZO Dando sequência aos dois últimos artigos publicados neste jornal, apresentamos abaixo algumas sugestões de políticas e estratégias de curto prazo: A) Eleger como principal variável meta da política econômica brasileira o pleno emprego dos fatores de produção (trabalho), com digna remuneração. Estratégias correlatas: A1) Estimular o "agronegócio", eliminando a capacidade ociosa da economia e procurando fortalecer o setor terciário: I) Criar incentivos para acoplar o setor secundário ao setor primário; II) Investir em Ciência e Tecnologia, produtividade e qualidade: III) Aplicar recursos vultosos em educação básica e no ensino profissionalizante; A2) Colocar o Brasil num patamar mais avançado de sua industrialização, com relativo domínio das tecnologias de ponta, capacidade de exportação de manufaturados, assegurada por sua inserção competitiva no mercado internacional e garantia de atendimento, com produção nacional, da maior parte da demanda interna, por manufaturas; I) Empreender programas setoriais integrados prioritários não só no que concerne a segmentos industriais, que permitem crescente domínio das tecnologias industriais avançadas, como também os voltados para o consumo interno, em larga escala; II)Dar ênfase para as indústrias extrativas minerais onde o país tenha vantagens comparativas ou das quais depender a autonomia energética nacional; III) Executar ações que mantenham a indústria como atividade mais dinâmica da economia; A3) Priorizar as atividades dos setores secundário e terciário capazes de criar emprego, com o retomo do BNDES às suas verdadeiras funções: qualificação de mão-de-obra, turismo, construção civil, micro, pequenas e médias empresas e outras; A4) Diminuir expressivamente a taxa de juros, colocando-a em níveis adequados à realidade internacional; 2 – Desenvolvimento: Políticas e Estratégias de Curto Prazo Marcos Coimbra
  5. 5. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 5/41 B) Recuperar a capacidade nacional de investimento, com rigorosa seletividade da alocação dos recursos (acréscimo de 10% na formação bruta de capital fixo), mais integração de propostas com a iniciativa privada e reformulação de políticas sociais em vigor. Estratégias correlatas: B1) Executar política fiscal capaz de propiciar ao setor público condições de aumentar o nível de investimentos para retomada do desenvolvimento (6% do PIB) fazendo com que a receita tributária bruta seja no mínimo 30% do PIB, diminuindo as alíquotas tributárias, combatendo a sonegação fiscal (no mínimo, 100% da arrecadação), diminuindo o grau de informalidade da economia (40% do PIB) e as despesas correntes do governo reduzindo-se para 24% diminuindo subsídios, incentivos fiscais, transferência de recursos para Estados e Municípios e, principalmente, diminuindo o pagamento de juros da dívida; B2) Utilizar reservas financeiras das empresas (cerca de 4% do PIB); B3) Obter o reingresso dos recursos adicionais emigrados para o exterior; B4) Manter poupanças externas de risco para empreendimentos específicos (reequipamento, reaparelhamento, setores de ponta etc.) pelo menos em 2% do PIB; B5) Tornar o setor público cada vez mais superavitário mobilizando capital privado para investimentos nos setores básicos da economia; C) Implementar Política Cambial, de Comércio Exterior, de Administração da Dívida Externa, destinada a inserir o Brasil na Economia Internacional, de modo favorável aos interesses nacionais: Estratégias correlatas: C1) Assegurar a expressividade da taxa de câmbio; C2) Supervisionar administrativamente o orçamento cambial; C3) Acompanhar oficialmente o comércio exterior; C4) Fixar o nível de proteção aduaneira à produção interna sem prejuízo da política anti- inflacionária; C5) Estimular o ingresso de capital de risco estrangeiro no país e o reingresso de capital que tiver saído, em especial com residentes; C6) Adotar solução racional para renegociação da dívida externa, com redução do seu montante (cerca de 50%), na realidade retirando parcela substancial não utilizada efetivamente. Na realidade, a dívida externa bruta representa atualmente mais de US$ 330 bilhões, segundo relatório do Bacen. Contudo, segundo o Prof. Ricardo Bergamini, especialista em Contas Públicas este valor era de US$ 669 bilhões em dez/2015. - continua na próxima semana -
  6. 6. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 6/41 O Ponto Dentro do Círculo https://opontodentrodocirculo.wordpress.com Autora: Virgínia Maria Trindade Valadares* Padres na Maçonaria: Prisões e Delações no Santo Ofício (Parte 1) Publicado pelo Irmão Luiz Marcelo Viegas O caso de D. André de Moraes Sarmento 1. Introdução Este artigo que ora apresento é resultante de pesquisa realizada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo[1], localizado em Lisboa, Portugal. Tal investigação foi tema do Pós-doutoramento feito na Universidade Nova de Lisboa, com acolhimento do Centro de História d’Aquém e d’ Além Mar – CHAM, pertencente à mesma Universidade. O Pós-doutoramento foi realizado no período entre 2008 a 2012 sendo este, financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), órgão de fomento da União Europeia em Lisboa, Portugal. Inicialmente, parece contraditório falar em padres maçons, quando essa associação era proibida pela Igreja, em função dos seus membros serem acusados de praticar heresia. Tal proibição ocorreu a partir 3 – Padres na Maçonaria: Prisões e Delações no Santo Ofício Parte I – (do site O Ponto Dentro do Círculo)
  7. 7. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 7/41 de 27 de Abril de 1738, quando o papa Clemente XII proibiu aos católicos de participarem das lojas maçônicas, e em Portugal D. João V, na mesma época, ameaçou punir gravemente quem fosse iniciado na Sociedade dos Pedreiros Livres. Apesar de tal proibição, e, de acordo com o nosso banco de dados, os eclesiásticos formavam o segundo maior grupo de seguidores da maçonaria, no Portugal de finais dos setecentos. Tal grupo era antecedido em número, apenas pelos militares. No entanto, é importante ressaltar que o Santo Tribunal foi instalado em Portugal a pedido do rei D. João III, via solicitação ao Vaticano, em 1533. O Papa, porém não deliberou de pronto a instalação do Santo Oficio em terras lusitanas, demorando 14 anos para que o pedido do Rei fosse atendido. Assim, após muita insistência da diplomacia real, a Inquisição se tornou realidade em terras portuguesas, com a emissão da bula papal em 16 de Julho de 1547. O Tribunal do Santo Ofício era uma instituição eclesiástica de carácter “judicial”, ávida por perseguir judeus e mouros, mas também os que adotavam a doutrina dos Pedreiros Livres, por considerá-los heréticos e libertinos. Prendiam-nos aos Estãos do Santo Oficio, de forma secreta, objetivando inquiri- los para que se autodenunciassem heréticos da doutrina católica. Tal inquirição era detalhada e constante, diria mesmo que, representava uma forma de tortura para que o reo falasse o que eles, inquisidores desejavam ouvir, – daí o Santo Ofício ser também conhecido como Inquisição. As origens desta instituição podem ser encontradas na Idade Média, embora nesse período da História assumisse contornos bem distintos dos da época moderna. A repressão aos movimentos heréticos foi, desde sempre, uma preocupação que afligia os senhores laicos e também os eclesiásticos, tanto é que os maçons ao serem presos nunca sabiam a razão da sua prisão. Não obstante, antes de serem trancafiados nas celas do Santo Oficio, vasculhavam lhes a casa e recolhiam todo material que encontrassem. Nunca, porém lhes confessavam que a razão de estarem sendo detidos era por praticarem o crime de adoção da doutrina dos Pedreiros Livres. Quando, no entanto, examinei os processos inquisitoriais, alguns até com 150 páginas, percebi que em primeiro lugar são condenados pela acusação do crime de heresia e somente no final do depoimento é que os inquisidores lhes diziam que praticavam a doutrina maçônica. Nesse artigo, analisarei o processo inquisitorial do Padre André, tendo como base o seu depoimento, durante o período em que esteve nas garras dos inquisidores. 2. André de Moraes Sarmento—Padre Arrebanhador Natural de Vinhaes, freguesia da Junta Marinha de Quintela, e habitante da cidade de Lisboa, com aproximadamente 30 anos de idade. Seu pai, Caetano de Morais Sarmento, já falecido, vivia das suas fazendas, e era também nascido na mesma freguesia da Marinha de Quintela. Sua mãe Isabel Teixeira, já defunta, era natural de Cesnande, pertencente à Sintra. No que diz respeito aos seus avós, os paternos se chamavam Ignácio de Morais Sarmento e Marianna Rego Maria da Nóbrega, e os maternos Antônio Fernandes e Domingas Teixeira. O avô, tal qual sua mãe, era nascido em Cesnande e a avó natural do Idral.
  8. 8. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 8/41 Cristão batizado tinha como padrinho um tio, chamado Antônio Teixeira e, como madrinha sua irmã Maria Antónia. Foi crismado pelo Bispo de Miranda, D. Francisco Aleixo. Ignora o nome do padrinho de crisma. Desde que atingiu a adolescência nunca deixou de frequentar a Igreja, assistir a santa missa e cumprir todas as obrigações de um verdadeiro católico, e até fez-se sacerdote. Em Santa Cruz de Coimbra, tornou-se Cônego Regular de Santo Agostinho[2]. Depois que saiu de Coimbra foi para Mafra, onde permaneceu por um período entre 8 a 9 anos. Estudou filosofia, teologia e tinha algumas noções de hebraico. Até ser preso pelo Santo Oficio em 1791, nunca tinha sido apresentado e nem penitenciado pelo mesmo. Aos 08 dias do mês de outubro de 1791, D. André foi surpreendido em sua residência, com a presença dos não convidados, Joaquim Antônio Cabral e Doutor Alexandre Barbosa de Albuquerque, este juiz do crime no bairro do Limoeiro. Tal visita inesperada deu-se em observância de uma ordem vocal, despachada pelo Desembargador Intendente Geral da Polícia da Corte e Reino, Diogo de Pina Manique. Por este despacho, o referido Juiz tinha autorização, para dar uma busca geral na casa do Padre mencionado, e averiguar os seus pertences quais sejam: papéis, livros, manuscritos ou insígnias pertencentes á maçonaria. Pela denuncia que dele foi feita a Inquisição, constava que ele era maçom, e que tinha em seu poder prova de que era doutrinário da “seita” (ANTT, 1791) Após vasculharem e remexerem nos guardados de D. André foi encontrado em um pequeno baú, onde ele arrumava sua roupa de uso pessoal, os seguintes objetos: entre as cartas de ordens do mesmo, um manuscrito com o titulo seguinte: Explicação da maçonaria aos recém-recebidos e igualmente foram encontrados no baú quatro embrulhos e em um dos quais se achava hum pedaço de pelica branca á maneira de pequeno avental com umas fitas azuis nas pontas, tendo todos os quatro aventais as insígnias e distinções e dísticos seguintes estampados nos mesmos a saber: de um lado a figura do sol, de outro a da lua e no meio hum compasso e um triangulo e por baixo um dístico = Lux Mundi = e da outra parte nas costas dos mesmos aventais a figura de uma caveira com dois ossos que demonstra a morte e por baixo o dístico= Memento Mortis= porém em um dos aventais em tudo semelhante aos três, não tinha estampada a dita figura da morte nem o seu dístico (ANTT, 1791). Entretanto, ainda, foi encontrado no mesmo baú “uma fita larga de seda azul feita á maneira de banda[3] com seus laços nas extremidades”. (ANTT, 1791). Além de todos os objetos citados, por mais que continuassem as buscas não foram encontrados, nenhum papel impresso ou manuscrito que o comprometesse. Ao terem a certeza que, nada mais havia na morada de D. André que lhes interessassem o juiz do crime Doutor Alexandre Barbosa, por ordem de Pina Manique prendeu o Padre, e o conduziu até a Cadeia da Corte, onde ficou num quarto secreto, à espera da ordem do dito Desembargador. Junto aos autos foi anexado, todo o material recolhido na casa do Cônego. Nota-se, claramente, que o delator de D. André era alguém das suas relações pessoais e que muito o conhecia, na medida em que, a diligência foi bem sucedida, e foram encontradas as provas de que o Santo Oficio precisava para trancafiá-lo na cadeia.
  9. 9. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 9/41 No dia 31 de Outubro, de acordo com a certidão do decreto, António Gomes, notário do Santo Oficio da Inquisição de Lisboa, entregou o Padre D. André ao Cárcere Inquisitorial, transferindo-o da Cadeia da Corte. A exemplo do que ocorreu, aquando da sua prisão na cadeia da corte, a sua transferência de cárcere, também foi feita de forma sigilosa com um aviso no seguinte teor: O Excelentíssimo e Reverendíssimo senhor Bispo Inquiridor Geral manda remeter a Vossa Senhoria o Auto Judicial do que se achou ao Padre D. André de Moraes Sarmento com o mais de que o mesmo auto faz menção e ordena que o dito Padre seja recebido no competente cárcere dessa Inquisição e proceda na forma de direito. Lxa. 31 de Outubro de 1791 (ANTT, 1791). Ao ser transferido para os Estãos do Santo Oficio, D. André se desposou de todos os seus pertences e recebeu do Inquiridor Álvaro Xavier Botelho, doze folhas rubricadas para que nelas escrevesse a sua defesa. Ao recebê- las ele escreveu na parte superior das páginas rubricadas: “JMJ[4] sejam comigo” (ANTT, 1791, p. 12). Iniciando o seu depoimento fez o juramento, com a mão direita pousada na Bíblia, aberta no Evangelho de São João, e logo foi mandado por de joelhos e depois de benzer disse a doutrina cristã, a saber, padre nosso, ave- maria, salve rainha, credo, os mandamentos da lei de Deus, e os da Santa Madre Igreja, que tudo soube (ANTT, 1791). O Padre diante do Inquisidor diz que, em nome da fé que professava, e da verdade que jurava perante os Santos Evangelhos; e por ser obrigado, revelaria com toda sinceridade, tudo o que sabia sobre a maçonaria. Todo o homem, por mais convicto, e destemido que fosse diante de um inquisidor do Santo Oficio tornava -se um delator, fraco e medroso, em função da perversidade e suplício que, inevitavelmente lhe seria aplicado pelo Santo Tribunal. Não é sem motivo que, ao receber as folhas do inquisidor, para escrever seu depoimento o Padre pede socorro a Sagrada Família. Os “cães do senhor”[5] arguiram D. André varias vezes, em dias e seções diferenciadas, ou duas vezes no mesmo dia, tudo dependendo do sabor e bom alvitre do inquisidor. Dando continuidade ao seu depoimento esclareceu que, seguindo os cânones da ordem dos cônegos regrantes, e com a sua permissão, foi para o Funchal dirigir o Novo Seminário da Ilha, onde também era professor de Teologia. Neste Seminário, conheceu Francisco Manoel de Oliveira, Professor de Filosofia, com quem estabeleceu grande amizade, ao ponto deste lhe apresentar e ser seu padrinho para iniciar na maçonaria. O diálogo entre Francisco Manoel e D. André nos interessa, na medida em que, através dele, há demonstração do apologismo, do conceito e temores que cerqueava a maçonaria. O filósofo perguntou ao padre se ele sabia o que era maçonaria? Este, não entendeu a pergunta do outro, por não saber o que significava tal pergunta. No entanto, aquele retruca: e Pedreiros Livres? No que D. André respondeu: “tenho ouvido falar de Pedreiros Livres como gente celebre, unidas huns com os outros, e que tinha suspeita da sua Religião; Sendo que, Na História das Heresias, Nem no que tinha lido achei nunqua tal matéria” (ANTT, 1791, p.12). A sua opinião é confirmada por seu interlocutor ao afirmar que, a maçonaria não tinha oposição, nem a Igreja, e nem ao Estado, e que seu compromisso era somente com a caridade mutua. Acrescenta, ainda, que na Ilha da Madeira, os maçons eram homens de bem, e os
  10. 10. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 10/41 mais importantes da terra, porque a sociedade maçônica era honrada e virtuosa. Alertava a D. André, que ele por ser um homem esclarecido não deveria acreditar em “tantas patranhas como se contão a este respeito” (ANTT, 1791, p.12). Ao final dessa interlocução, Francisco Manoel convidou D. André a entrar na maçonaria prometendo-o avisar e conduzi-lo, assim que tivesse o dia e a hora confirmados. Desta forma, o Padre começou o seu relato ao inquisidor: detalhou a sua iniciação como maçom, assim como, delatou os nomes de todas as pessoas com as quais tinha convivido nas reuniões maçônicas. Porem faz-se necessário esclarecer, que, antes de ser um delator, o Padre foi um entusiasta da doutrina dos Pedreiros Livres, tornando-se um prosélito e um arrebanhador de muitas pessoas, que através do seu convencimento, também se tornaram maçons. Assim como, no seu depoimento, ele revela todos os nomes e os supostos “segredos” da sociedade, também durante a inquirição daqueles que ele apadrinhou todos o acusaram. Ao Santo Tribunal era só o que lhe interessava: que contassem os segredos maçônicos e os nomes de quem frequentavam os ajuntamentos. O não cumprimento desta ordem significava ficar muito tempo na prisão, sem que ninguém soubesse o paradeiro do preso, e sofrer tortura de várias naturezas. Tal constatação, nos mostra que, a prisão dos maçons era mais motivada por razões políticas do que religiosas. Eram fóbicos com relação à ação da Maçonaria por acreditarem que, o seu objetivo era destruir o Estado Monárquico e a Igreja. Dai, o seu desejo era destruir a organização dos Pedreiros Livres assim como seus componentes, antes que fossem por eles destruídos. Desta forma, os mandatários do Alto Clero, que integravam a estrutura funcional hierárquica do Santo Oficio no século XVIII português, transformaram-se em agentes de dominação, e para dissimular a usurpação, valiam-se do titulo de servidores da Igreja em nome de Deus (VALADARES, 2004). Bourdieu, interpretando Nietzsche, afirma que os mandatários se apropriam de valores e requisitam a moral, imputando a si mesmos os valores considerados universais e açambarcando, dessa forma as noções de Deus, de verdade, de sabedoria, de povo, de mensagem, de liberdade, transformando-as em sinônimo de si próprios, auto sacralizando-se e consagrando-se, ao mesmo tempo em que vão impondo fronteiras entre eles e os restantes. Tornam-se nome do poder e do mando, a medida de todas as coisas. Bourdieu deu a essa duplicação de personalidade, bem característica dos inquisidores, o nome de efeito de oráculo: “a pessoa individual, o eu, anula-se em proveito de uma pessoa moral transcendente” (BOURDIEU, 1989, p. 196), ou seja, o individuo comum morre, tornando-se uma instituição com seus ritos. Tal assertiva confere-se também aos maçons, pois estes enquanto presentes nos seus ritos simbólicos deixam-se morrer enquanto indivíduo social. E assim, continuando o seu depoimento, D. André fala aos inquisidores como foi a sua iniciação, os ritos e sinais que aprendeu como Aprendiz, Companheiro e Mestre, além de explicar a representação simbólica de cada objeto utilizado numa cerimônia maçônica. Como havia combinado com o filósofo foram os dois até a casa de Carlos Aldre, negociante inglês, onde permaneceu numa sala, que se encontravam pessoas, que se frequentavam, e outras que mal se conheciam. Dai, foi levado a um quarto ou sótão superior da casa, onde permaneceu fechado por algum tempo. Depois, foi ao seu encontro um militar, Major de Auxiliares, chamado Francisco João Barreto, que era pessoa nobre na cidade. Este fez-
  11. 11. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 11/41 lhe um discurso que mais “parecia hum missionário pelo seu modo de falar” (ANTT, 1791,13). Dizia o Major que se ele queria entrar para a sociedade maçônica deveria passar por algumas provas, e se desejasse se confessar antes, isto seria feito, pois que deveria estar com uma consciência pura para o que viesse acontecer. Acrescentava porem, que a intenção deles não era lhe fazer nenhum mal, mas poderiam quebrar-lhe uma perna ou um braço. Se não estivesse disposto a passar pelos trabalhos exigidos para se tornar maçom, estava em tempo, e ele poderia se retirar. D. André, no entanto, permaneceu firme no seu propósito, porque o seu padrinho já havia lhe alertado que tudo aquilo não passava de uma cerimonia. No dizer do Padre, ele respondeu ao Major, que iria prosseguir e que passaria por todas as provas, desde que, não houvesse ofensa a sua religião, ao direito natural e as leis do seu Rei. Depois de tranquiliza-lo que não haveria nenhuma ofensa ao que ele acreditava, taparam-lhe os olhos com um lenço, despojaram-lhe de todos os metais e descobriram-lhe um ombro e um joelho. Permanecendo nestes trajes viu que havia mais uma pessoa ao seu redor, que ora lhe mandava saltar, ora lhe mandava abaixar-se para passar um buraco, e sempre lhe segurando pelo braço. Alguns minutos depois, junto a uma porta fechada, deram três pancadas, e de dentro responderam com outras três, perguntando quem era ao que respondeu o seu condutor: um amigo que queria entrar naquela sociedade. De dentro perguntaram se já tinham informado delle, dos seus costumes, honra e reputação para o abonar e se tinham contratempo nos trabalhos que tinha passado, dito, que queria entrar, ou se hûa por mera curiosidade ou com tensões más (ANTT, 1791, p.13). Diante de tais perguntas o seu condutor disse que lhe abonava, e dai fizeram-no entrar por três pancadas nas costas. Ainda de olhos vendados deram-lhe uma espada para pegá-la pela ponta, e lhe fizeram dar uma volta ao redor da casa, até chegar a quem presidia à mesa que novamente o alertou que, ainda estava em tempo dele desistir. No entanto, prosseguiu e deu três voltas, as quais findas lhe falou o Presidente[6], Francisco Xavier de Ornellas, morgado de primeira nobreza daquela terra: Já que vos tendes mostrado Constança nos vossos trabalhos sereis recebido maçon: porem como amigo vos aconselho que se tendes algum receio ou não haveis produzir honra na sociedade livremente vos podeis ir embora. Eu prometi ser homem de bem. Nisto mandou que me levassem a parte e que me destapasse os olhos (ANTT, 1791, p.13). O Presidente ou Venerável tem no Esquadro o instrumento que o representa e em Minerva a sua figura. Simbolicamente, representa o Oriente de onde vem à luz, ou seja, a sabedoria. Com os olhos desvendados, D. André observou que estava em um quarto interior da casa, bem ornado com cortinas de damasco, e que havia duas alas de maçons com suas insígnias, e espadas que foram desembainhadas, e apontadas para ele. Ao final das duas alas estava o Presidente de chapéu na cabeça, e uma mesa para ele virada. Sobre a mesa três castiçais com luzes postas em triangulo. Diante deste cenário ornado, repetiu ao Padre que aquelas espadas estariam a seu favor se praticasse o bem, e que ele deveria fazer um juramento prometendo guardar segredo de tudo o que ali lhe foi ensinado.
  12. 12. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 12/41 O segredo exigido tanto pelo Santo Oficio quanto pela Maçonaria representa o poder de forma intima e oculta. O detentor do poder que se vale do segredo fá-lo de acordo com o seu significado, escolhendo quem e como espreitar. Todo o individuo que guarda sozinho um segredo é vigiado por quem deseja arrancá-lo das suas entranhas, ou seja, quem vigia é também vigiado. (VALADARES, 2004). Desta forma o detentor de poder está sempre a par da confiabilidade e da segurança dos recipientes nos quais deposita seus segredos, e é capaz de avaliar quais desses recipientes estão repletos e que podem, por isso, transbordar. Se o confia inteiramente a alguém sente-se em perigo (CANETTI, 1995, p.281). O poderoso indaga o que se passa com os outros para dominá-los a partir das suas próprias informações, mas impede que se perceba o que ele pensa e abriga. Era exatamente nesta proporção, que o Inquisidor estabelecia sua relação de poder com o maçom. Esse, porem na sua esfera também era poderoso, na medida em que era o grande silenciador e detentor do segredo que o Santo Oficio desejava saber para dominá-lo. As relações humanas estabelecem-se principalmente por meio da fala; alguém que se protege no silencio do segredo torna essas relações rígidas: “Sucinta e isolada sua fala aproxima-se mais da transmissão de uma ordem”. (CANETTI, 1995, p.295). Assim, fica claro que as relações entre o Santo Tribunal e a Maçonaria eram tensas e fóbicas. Retomando o que D. André declarou no seu processo, o Presidente ou Venerável disse que ele iria saber os segredos que regem os maçons, mas que estes nunca podiam ser revelados, ao que ele prometeu mediante juramento. Dai, o Padre esclareceu que ele ajoelhou sobre uma almofada em frente ao Presidente, e sobre uma mesa estava um Esquadro, um Compasso e uma Bíblia aberta no Evangelho de São João. Ele colocando a mão sobre tudo isto, jurou guardar segredo e não revelar sinais, palavras e toques maçônicos; jurou, ainda, estimar, amar e ajudar os seus irmãos maçônicos em qualquer necessidade. Tal juramento foi ditado pelo Presidente, e repetido por ele, porque não havia nada escrito. Após este juramento fizeram-no vestir-se, e lhe apresentaram no plano da casa o Templo de Salomão[7] que estava riscado com giz. D. André descreveu o Templo de Salomão e revelou o sinal de Aprendiz: Fui levado à entrada delle que tinhão sete degraus que eu contei com sete passos e logo passei para a Colluna da Esquerda das duas que estavão riscadas e tinha hum J=: Disserão-me, que aquella era a coluna de J∴, donde os Aprendizes, que trabalhavão no Templo de Salomão, recebião o salário de seu trabalho. Dahi ensinarão-me, que o toque porque me faria conhecer erão ∴ pancadas sobre a junta do dedo ∴; que o sinal, era fazer hua Esquadra em ar de Cortejo, passando com a mão Direita do lado Esquerdo ao seu lugar e deixando-a cahir; porque assim descreve hua perfeita Esquadra. Quanto a palavra era uma sagrada, outra de Páz. A sagrada era J∴, mas que esta nunqua se dava, senão soletrada alternadamente: a outra podia se dar livremente, sem reserva: a saber = T∴ (ANTT, 1791, p.14). Simbolicamente, a figura de pedra tosca que estava no risco do chão do Templo de Salomão, significava que o Aprendiz tinha que desgastá-la, poli-la, pois que neste grão o homem, ainda era inculto, grosseiro e carregado de vícios. Dai a obrigação dele era se polir e se aperfeiçoar até se tornar uma “pedra digna do
  13. 13. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 13/41 Templo pela virtude.” (ANTT, 1791, p. 14). O Compasso e o Esquadro deviam acompanhar o verdadeiro maçom para que ele se lembrasse de sempre medir e regular as suas ações tomando como base, a razão e as leis. A lua, o sol e as estrelas que estavam por cima do Templo, significava o céu, debaixo de cujo pavilhão habitava todos os maçons do planeta terra, e que estes eram testemunhas das regras e ações, porque nada ficava encoberto aos olhos de Deus. Faz também uma comparação simbólica, na qual, assim como o sol e a lua iluminavam e nutriam a natureza, era obrigação maçônica iluminar uns aos outros e os nutrir com a caridade. Logo após tais explicações, lhe foi dado um avental de pelica branca sem nenhuma pintura o que significava que, com ele devia ter assiduidade no trabalho, e evitar os acidentes funestos da vida. Depois lhe colocaram uma fita ao pescoço com um laço, a qual definia que ele estava ligado em caridade a todos os seus irmãos. Em seguida, lhe deram um par de luvas de pelica branca, as quais representavam que todos os maçons deviam conservar as suas mãos sempre limpas do crime, com ações de candura e inocência. Desta forma, D. André foi ornado com as insígnias maçônicas, recebendo do presidente um abraço e dois beijos acompanhados da declaração que se até ai ele o estimava como amigo, a partir de então ele lhe amava como um irmão. O Padre afirma que chorou de emoção, e que abraçou todos os outros irmãos que estavam nas duas alas em completo silêncio. Continua… Autora: Virgínia Maria Trindade Valadares* Virgínia Valadares tem Pós-Doutorado em História Moderna pela Universidade Nova de Lisboa; Doutorado em História da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses pela Universidade de Lisboa; Mestrado em História da Expansão e dos Descobrimentos Portugueses pela Universidade de Lisboa; Graduação em História pelo UNIBH – Centro Universitário de Belo Horizonte. É pesquisadora do Centro de História dAquém e dAlém-mar (CHAM), Universidade Nova de Lisboa, professora aposentada da UFMG-COLTEC e atualmente Professora Adjunta IV da PUC-MG.. Fonte: Revista Ciência e Maçonaria
  14. 14. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 14/41 Irmão Cristiano Roberto Scali Loja “Fraternidade Acadêmica Rui Barbosa”, Tupã-SP, publicado na Revista A Trolha de nº 223 de maio de 2005 “in” Dádivas Maçônicas do Ir. Adalberto Rigueira Viana Aleijadinho: um maçom? I – Introdução O presente trabalho tem como objetivo mostrar um pouco da vida de um dos mais destacados artistas (escultor, pintor e arquiteto) brasileiro. Pretende, ainda, levantar dados sobre ter sido ou não o Aleijadinho um Maçom, sendo que à época em que o mesmo viveu, era uma época em que a Igreja Católica ditava as regra no País e, como acontece até nos dias de hoje, a Maçonaria, apesar de um grande abrandamento, sofre restrições por parte da Igreja. Por tal motivo, não existem dados concretos, como veremos adiante, de ter sido ou não, um Maçom. II – Biografia do Aleijadinho ANTONIO FRANCISCO LISBOA – o Aleijadinho, nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 29 de agosto de 1730. Era filho de Manuel Francisco da Costa Lisboa (arquiteto português) e de uma humilde escrava que atendia pelo nome de Izabel –esta fora liberta por ocasião do batizado da criança. Teve dois outros irmãos da mesma mãe e um irmão oriundo do legítimo casamento do seu pai – o Padre Feliz Antonio Lisboa. O Aleijadinho teve um filho, aos quarenta e sete anos de idade, a quem deu o nome do pai – Manuel Francisco. A certidão de óbito de Aleijadinho, conservada no Arquivo da Paróquia de Antonio Dias de Ouro Preto, diz que “Antonio Francisco Lisboa, pardo, solteiro, de setenta e seis anos, faleceu a 18 de novembro de 1814”. Apesar de se tratar de um dos mais destacados artistas coloniais brasileiros, ainda pairam muitas dúvidas sobre a vida e a obra do Aleijadinho. De concreto sabe-se que no ano de 1766 (tinha então 28 anos de idade), recebeu a encomenda do projeto da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e que no ano seguinte (1767), perdeu o pai. A partir de 1777, a moléstia que iria atormentar-lhe a vida, começava a manifestar-se. Em 1780, recebeu diversas encomendas em Sabará, dentre estas a da ornamentação interna e externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. O artista, já com a doença em estado avançado, trabalhou em Ouro Preto, Sabará, Mariana, Congonhas do Campo, Barão de Cocais e Caetés. As suas obras são encontradas também em São João Del Rei, Catas Altas, Santa Rita Durão, Nova Lima, Tiradentes e em vários outros lugares das Minas Gerais. Sabe-se que ganhou muito dinheiro, entretanto, não reuniu fortuna – não era um homem rico – apesar as inúmeras obras para que fora contratado e dos altos valores pagos pelos trabalhos. Dele diz-se que era descuidado na guarda do seu dinheiro e que de contínuo lhe roubavam. Parte do que ganhava dividia com Maurício – escravo que o acompanhava – e gostava de dar esmolas aos pobres. 4 – Aleijadinho, um Maçom? Cristiano Roberto Scali
  15. 15. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 15/41 III – A doença do Aleijadinho Os primeiros sintomas da doença apareceram por volta de 1776/1777, quando Antonio Francisco Lisboa tinha 39 anos de idade. Nesta oportunidade, já era conhecido nos círculos artísticos da região das minas, mas a partir desta data tornara-se arredio, irritadiço e agressivo, porém nunca parou de trabalhar – só que o fazia à noite e com o auxílio dos seus ajudantes, todos escravos ou ex-escravos. Maurício (escravo) que conhecia a arte do entalhe, o acompanhava por toda a parte, era ele quem adaptava os ferros (formão) e o macete (malho) às mãos imperfeitas do Aleijadinho. Além de Maurício, tinha outros escravos: Januário e Agostinho, que o auxiliavam em seus trabalhos. Segundo consta da biografia elaborada em 1858 por Rodrigo José Ferreira Brêtas, sobre a doença do Aleijadinho, “... as pálpebras inflamaram-se e permanecendo neste estado, oferecia à visa sua parte interior, perdeu quase todos os dentes e a boca entortou-se, como sucede freqüentemente ao estuporado; o queixo e o lábio inferior abateram-se um pouco, o eu lhe emprestou uma expressão sinistra e de ferocidade, que chegava a assustar a quem o encarasse inopinadamente. Perdeu todos os dedos dos pés, o que resultou não poder andar, senão de joelhos: os dedos das mãos atrofiaram-se e curvaram-se, chegando alguns a cair, restando nas mãos os dedos polegares e os índices”. A sua nora, Joana Lopes, que cuidara do artista nos seus últimos dias, disse que ele tinha “enormes tumores pelo corpo e uma lesão corto-contusa na pele do abdome”. A propósito da doença, os autores mais prudentes e com maior consciência, não emitem opinião. Outros admitem hipóteses e apontam ter sido “Zamparina”, “Lepra Nervosa”, “Hipertireoidismo”, “Ictus Cerebral” ocasionada pela “Sífilis”, “Framboesa Tropical” ou “Bouba”. IV – O Maçom Aleijadinho Não há registro documental afirmando ter sido Antonio Francisco Lisboa Iniciado Maçom (essas coisas aliás, à época, não se divulgavam. Segundo o Irmão Luiz Gonzaga da Rocha, membro efetivo e fundador da Loja “Aleijadinho nº 24, em Brasília, não se alimenta nenhuma dúvida a esse respeito, e se não o foi, não desmerece o preito de gratidão que lhe presta a Loja Maçônica “Antonio Francisco Lisboa”. Quem observa atentamente as obras do Aleijadinho, notará uma gama de impressões e detalhes de cunho maçônico ou identificadores da presença maçônica na vida do artista. É comum, na obra do Aleijadinho, a presença de abóbadas celestes, colunas, romãs, garras, prumo, níveis, adros e a presença das letras “M”, “G”, “I”, “N”, “H” e “C”, entre outras, encontradas nos mantos, túnicas e estolas dos profetas; em púlpitos, lavabos e nos inúmeros entalhes escultórios em madeira e em pedra sabão, matéria-prima de suas obras. Algumas dessas letras sugerem abreviaturas de grande significado maçônico, como por exemplo, “I.N.R.I”, “G.C” (Grau de Companheiro) de “G” (Geômetra”. A obra de Marilei Moreira Vasconcelos (“Aleijadinho – Iconografia Maçônica”), destaca muitos desses sinais identificadores e diz que o Aleijadinho foi Iniciado na Loja Maçônica “Vida Eterna” do Tejuco (Diamantina atual), quando os sinais da moléstia não tinham s manifestado. Ainda da obra da mesma autora, transcrevemos o seguinte trecho: Chamado a compor imagens para a Igreja Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, Mestre Lisboa (Aleijadinho) pensou: Começa com a feitura da Ceia dos Passos. Sessenta e seis figuras comporão as Capelas. Trinta e três de cada lado. Trinta e três! O número de Graus da Maçonaria. Sete serão as capelas. Novamente o número simbólico, e estarão, ao final, dispostas por tal forma, que para se as visitar terá o passante que seguir em ziguezague, exatamente o modo de andar enviesado dos Maçons, com o qual se dão a conhecer uns aos outros. Mas fazem apenas seis capelas... À figura dos legionários romanos coloca o nariz grande e adunco, como
  16. 16. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 16/41 uma máscara de teatro. Com isto, qualquer que os olhe ficará com raiva e também representa a farsa do julgamento da Conjuração Mineira. Judas tem as mãos por tal forma, que é um símbolo do aperto de mãos dos Maçons. Não fora Silvério também um deles? Agora, o que diria aquele pernicioso homem ao ver-se assim retratado? ... Eu os trarei de volta um a um na rocha e na madeira. Os poderosos hão de render- lhes homenagens! Depois de muitos anos, mais ou menos no ano de 1800, vem-lhe a encomenda dos profetas do Adro. Doze profetas. Doze apóstolos, doze principais da Irmandade Maçônica! Representarei o Grão-Mestre, o Venerável, o Companheiro, os doutores, os militares. Todos. Pena não serem mais! Terei que escolher. Consta da obra “Sociedades Secretas” de A. Tenório de Albuquerque, em texto intitulado “Maçonaria e a História do Brasil” que: “Há de ressaltar também a grande contribuição de um maçom ilustre, Francisco Antonio Lisboa, o Aleijadinho. Este grande gênio da humanidade. Maçom do Grau 18, Aleijadinho, autor de obras sacras, fez questão de secretamente homenagear a Maçonaria em suas esculturas. Ao bom observador e conhecedor da Maçonaria, não passará despercebido, ao conhecer a obra do grande mestre, detalhes, pequenos que sejam que lembram a instituição maçônica. Os três anjinhos formando um triângulo,o triângulo maçônico, tornaram-se sua marca registrada”. V – Conclusão ANTONIO FRANCISCO LISBOA – o ALEIJADINHO – foi um exemplo constante de dedicação ao trabalho sério e construtivo, autor de obras que constituem motivo de orgulho para Minas Gerais, para o Brasil e para a Maçonaria. Quanto ao fato de ser ou não Maçom, a certeza não existe, mas as evidências levam a crer que sim. Pelas suas obras em que secretamente homenageava a Maçonaria, com a utilização de símbolos; pelos dados históricos encontrados, tanto é que levaram a Augusta e Respeitável Loja “Simbólica nº 24” em Brasília, a ter o nome de ANTONIO FRANCISCO LISBOA, levam a crer que Aleijadinho foi Maçom, ou, pelo menos, um grande conhecedor e admirador da Maçonaria. Certamente, a ausência de dados concretos sobre ter sido ou não um Maçom, deve-se ao fato da não aceitação da Maçonaria pela Igreja Católica que, à época, ditava as normas no País, agravando-se o fato do Aleijadinho ter a maior parte de suas obras vinculadas à Igreja Católica. Entretanto, a maior das lições que o Aleijadinho nos legou foi, sem dúvida, a de ter perseverado nos seus trabalhos, mesmo depois de atacado pela enfermidade, mesmo aleijado, mesmo como deficiente físico, mesmo quando tinha que ser conduzido para o local de trabalho, de ter, para trabalhar, que adaptar os ferros e o macete às mãos imperfeitas, e lá está ele, esculpindo paredes, talhando a pedra, moldando a madeira e demonstrando coragem e persistência, quando, a exemplo do que se vê hoje e com toda certeza se via à época, seria muito mais fácil desistir e viver à custa da caridade pública. Esta perseverança no trabalho, apesar de suas deficiências físicas, essa tenacidade e quase obstinação em realizar seus trabalhos, lutando com tamanhas dificuldades, foi, indubitavelmente, a maior das lições que nos legou o ALEIJADINHO e que nós temos como obrigação ensinar às gerações de hoje e do amanhã. Bibliografia. ALBUQUERQUE, A. Tenório de. Sociedades secretas – A maçonaria e a História do Brasil. ROCHA, Luiz Gonzaga da. Antonio Francisco Lisboa (Breve síntese histórica). Publicado n`O Aleijadinho nº 7, edição de junho de 1997. ________________________. O Aleijadinho. Quarto de hora apresentado no décimo primeiro aniversário de Fundação e Instalação da Loja Aleijadinho, em Brasília-DF. ________________________. Um gênio chamado Aleijadinho. Publicado n`O Aleijadinho nº 8, edição de julho/agosto de 1997..
  17. 17. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 17/41 Ir Rui Bandeira Lisboa, Portugal http://a-partir-pedra.blogspot.com.br A identidade da Loja http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/search?updated-min=2016-01-01T00:00:00Z&updated-max=2017-01- 01T00:00:00Z&max-results=28 Cada Loja maçónica adquire ao longo do tempo uma identidade própria, que a distingue, sem dificuldades, das restantes. Essa identidade começa a construir-se pelas circunstâncias do seu aparecimento (Loja essencialmente com obreiros oriundos de outra Loja: decisão consensual ou conflitual?; Loja de caráter genérico ou Loja criada com um objetivo específico? Loja criada a partir de um grupo coeso que se expandirá normalmente ou Loja de implantação numa zona, cujos fundadores a virão a abandonar quando estiver implantada e firme?), prossegue com a forma como se relacionam os seus elementos (relações de amizade ou cordiais ou existência de tensões que vão sendo dirimidas e aplainadas?) e com a forma como é gerida a Loja e efetuadas as escolhas que tiverem de ser tomadas (Loja habitualmente coesa ou Loja com grupos estabelecidos que se vão confrontando e sucedendo nas tomadas de decisão)? A forma como a Loja adquire e molda a sua identidade determina a sua maior ou menor aproximação ao arquétipo modelar de uma Loja maçónica: espaço de harmonia, de tolerância, de cooperação, de mútuo auxílio e propiciatório do crescimento e aperfeiçoamento individual de todos e cada um dos seus obreiros. Não tenhamos ilusões: não há Lojas maçónicas perfeitas, tal como não há maçons perfeitos (se o fossem, não precisavam de se aperfeiçoar, logo não eram maçons...). Mas cabe a cada maçom e a cada conjunto de obreiros agrupado numa Loja permanentemente trabalhar para que a sua Loja se aproxime o mais possível do desejado arquétipo. Vários caminhos, várias formas, vários estilos podem ser e são utilizados nessa busca. Não há fórmulas mágicas nem pretensas unicidades. Cada Loja, em função da sua circunstância, vai adquirindo a sua identidade, estabelecendo a sua forma de trabalhar, o seu estilo de se gerir, a abordagem que mais lhe 5 – A Identidade da Loja Rui Bandeira
  18. 18. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 18/41 convém para melhorar e tornar melhores os seus obreiros. É isso que eu designo por identidade de cada Loja. Essa identidade vai-se estabelecendo naturalmente, no bom, no assim-assim e no menos bom que ocorrer e gradualmente a Loja vai ganhando caraterísticas próprias, facilmente adotadas pelos seus obreiros e identificadas pelos seus visitantes. Questão essencial para o estabelecimento da identidade de uma Loja é a da escolha da sua liderança. A identidade da Loja Mestre Affonso Domingues assenta, quanto à escolha da sua liderança, em três vetores que lhe são essenciais: 1) Não há nela luta ou querela quanto à questão da sua liderança: ressalvada a ocorrência de (sempre possível) qualquer imponderável que o impeça, o Primeiro Vigilante de um ano é o Venerável Mestre do ano seguinte, e ponto final parágrafo! Todos os anos a eleição do Venerável Mestre da Loja Mestre Affonso Domingues é uma mera formalidade, escrupulosamente cumprida nos termos regulamentares! (Quem quiser saber ou recordar a origem deste princípio identitário da Loja, procure e leia neste blogue o texto A eleição do Terceiro Venerável Mestre). Com este princípio identitário não se perde tempo em lutas estéreis, não se formam artificialmente grupos, não se estabelecem quezílias. Acordos e desacordos estabelecem-se e discutem-se em relação a opções a tomar, a tarefas a realizar, a projetos a desenvolver. Isso, sim, debate-se o tempo que for preciso até se nos tornar evidente qual o melhor (às vezes, qual o menos mau...) caminho a seguir. Porque não perdemos tempo em questiúnculas de (ilusório!) poder, podemos mais utilmente gastá-lo a debater o que vamos e como vamos fazer. 2) Cada Venerável Mestre é eleito para exercer um ano de mandato e depois dá lugar a outro. O Regulamento Interno da Loja prevê a possibilidade uma (única) reeleição para um segundo mandato, por maioria qualificada. Mas esta é uma possibilidade ali colocada apenas em face da eventualidade de sobrevir um "dia de chuva" tal que nos obrigue a recorrer ao guarda-chuva de uma excecional reeleição. O exercício do ofício de Venerável Mestre por um ano e basta tem duas evidentes vantagens: todos os obreiros interessados e intervenientes na Loja exercem, a seu tempo, o ofício de Venerável Mestre; não se sacrifica demasiado ninguém, pois, como todos os que se sentaram na Cadeira de Salomão sabem, exercer este ofício permite ao seu titular duas alegrias: a primeira quando é instalado para exercer o ofício, a segunda quando (finalmente, ao fim de um loooongo ano...) vê instalado o seu sucessor e é aliviado da responsabilidade de dirigir a Loja. 3) O Segundo Vigilante de um ano é o Primeiro Vigilante do ano seguinte. Este princípio identitário é crucial, pois impede que se criem cliques de direção da Loja, impedindo o Venerável Mestre recém-eleito de ser ele a escolher o seu sucessor. Com efeito, o Primeiro Vigilante é
  19. 19. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 19/41 (ver princípio identitário 1) o sucessor natural do Venerável Mestre e, consequentemente, não deve ser por ele escolhido, ao contrário da esmagadora maioria dos demais Oficiais da Loja - as exceções são o Tesoureiro (eleito) e o Guarda Interno (que, salvo os inevitáveis imponderáveis é o Ex-Venerável do ano anterior). O Venerável Mestre, na Loja Mestre Affonso Domingues tem o dever de designar para Primeiro Vigilante o Segundo Vigilante do ano anterior, que foi escolhido para essa função pelo seu antecessor, com a expectativa do próprio, do Venerável Mestre que o nomeou e de toda a Loja, de ser no ano seguinte Primeiro Vigilante e , no subsequente, Venerável Mestre. Assim não proceder, para além de ser uma condenável forma de se arrogar o direito de escolher o seu sucessor, seria uma tremenda falta de respeito pelo seu antecessor, uma forma de lhe dizer meu caro, foste um palerma, fizeste uma má escolha para Segundo Vigilante, eu é que vou ser o Cavaleiro Branco que vai emendar o teu erro e escolher o homem certo para o lugar certo... O incumprimento deste princípio identitário da Loja abriria uma Caixa de Pandora de consequências imprevisíveis, correndo-se o risco de deitar a perder tudo o que a Loja foi e construiu ao longo de mais de um quarto de século: uma vez que alguém se arrogue o direito de escolher o seu sucessor (exceto quando o Segundo Vigilante, por qualquer razão, renuncie a exercer o ofício de Primeiro Vigilante - sucedeu recentemente e o problema resolveu-se aberta e consensualmente), cai pela base a confiança no princípio de que o Primeiro Vigilante de um ano é o Venerável Mestre do ano seguinte e cai-se, para o futuro, na pura e dura pugna eleitoral. A partir daí, a Loja não seria mais a mesma, teria perdido a sua identidade, deixava de ter a questão da escolha do seu líder como uma pacífica e natural sucessão de obreiros, passava a ter anualmente de resolver o problema de dirimir disputas eleitorais entre obreiros. A partir de então, a Loja poderia conservar a designação de Loja Mestre Affonso Domingues, mas não seria mais a Loja Mestre Affonso Domingues, seria uma mera caricatura dela! A Loja Mestre Affonso Domingues é o que é porque, pura e simplesmente, nunca admitiu que no seu seio a questão da escolha da sua liderança fosse um problema ou sequer um fator de temporária desestabilização. Ao longo de mais de vinte e cinco anos, nunca tivemos uma disputa eleitoral, nunca tivemos de apanhar os cacos decorrentes de uma luta dessa natureza. Conseguimos e soubemos identificar, estabelecer e aplicar as condições necessárias e suficientes para tal, os três princípios identitários que atrás enunciei. O preço de abandonar qualquer deles seria muito elevado, seria a senda para mudar a Loja Mestre Affonso Domingues que construímos, de que gostamos e em que nos sentimos bem noutra coisa qualquer. Tão simples como isso! Estou há longos anos na Loja, há já um tempo significativo que vou escrevendo neste blogue, procuro deixar nele registada a Memória da Loja, conhecimento do passado que serve de lição, guia e inspiração para o futuro. Mas nada na vida é eterno nem definitivo - um dia, não sei quando, necessariamente que deixarei de escrever aqui, inevitavelmente deixarei de estar na Loja. Por isso me apeteceu hoje deixar esta mensagem, este testemunho, para ilustração presente e para memória futura. Talvez este seja porventura o texto mais importante para a Loja Mestre Affonso Domingues que publiquei neste blogue! Rui Bandeira
  20. 20. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 20/41 Ir José Maurício Guimarães Belo Horizonte – MG Trechos do livro "GRANDE LOJA MAÇÔNICA DE MINAS GERAIS, HISTÓRIA, FUNDAMENTOS E FORMAÇÃO" Trechos do livro "GRANDE LOJA MAÇÔNICA DE MINAS GERAIS, HISTÓRIA, FUNDAMENTOS E FORMAÇÃO" (excluídas as notas de pé rodapé). [...] “Quanto menos as pessoas sabem do passado e do presente, tanto mais impreciso será o juízo que farão sobre o futuro”. Coincidentemente, Freud escreveu esse texto no mesmo ano da criação das Grandes Lojas e da fundação da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais – 1927. Isso se aplica ao esforço de reconstrução da memória maçônica que vinha se degradando de forma acentuada nos últimos anos. Na certa, uma opinião sobre o futuro provável da Maçonaria brasileira obriga o maçom de hoje a indagar qual destino as últimas gerações prepararam para a Maçonaria e, principalmente, de que forma estamos encarando os desafios e as transformações que a Ordem está fadada a experimentar. [...] Mesmo assim, as tentativas de escrever a história maçônica encontram obstáculos quase irremediáveis como, por exemplo, a “perda” de arquivos da Maçonaria. Essa indigência vem desde a Inquisição e não é privilégio do Brasil. A privação das fontes históricas avançou pelo século XVI e XVII na Europa e nas Américas. Prejuízos de alta conta, como os do incêndio de Londres, ocorrido entre os dias 2 e 5 de setembro de 1666, que destruiu dezenas de igrejas e milhares de casa em Londres, repercutiram na cultura maçônica. Nesse episódio, pedreiros de toda a Inglaterra foram convocados para a reconstrução da cidade sob as ordens do arquiteto da Loja central de Londres, Christopher Wren. James Anderson, escocês nascido em Aberdeen em 1679, cita esse fato nas Constitutions of the Free-Masons de 1723 – conhecidas 6 – Trechos do livro “Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, História, Fundamentos e Formação” – José Maurício Guimarães Pedro Juk
  21. 21. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 21/41 entre nós como as Constituições de Anderson. Ao expor sobre os Reis da Escócia e da Inglaterra, diz Anderson: Após as guerras, tendo sido recuperado o domínio da Família Real, a maçonaria também foi restaurada, particularmente após o infeliz incêndio de Londres, Ano 1666. José Braga Gonçalves fala de outro incêndio ocorrido em 15 de julho de 1927, em Viena, que destruiu uma coleção de documentos referentes aos primórdios da Maçonaria (mais uma vez, o ano de 1927). O sinistro foi atribuído aos participantes da malfadada tentativa de golpe dos nazistas cognominada Putsch da Cervejaria de Munique. Na Espanha, o Generalíssimo Francisco Franco consolidou, a partir do início da Segunda Guerra Mundial, um Estado autoritário e corporativo que reprimiu a Maçonaria e incorporou grande parte da documentação das Lojas aos arquivos do governo. Contudo, nada impediu que o historiador e sacerdote jesuíta, José Antônio Ferrer Benimeli, professor de História Universal Contemporânea da Universidade de Zaragoza e um dos maiores conhecedores da Maçonaria espanhola, produzisse entre 1968 e 2007 a maior obra sobre história da Maçonaria antiga e moderna, principalmente em solo espanhol. A obra principal de Benimeli é uma tese de doutorado em oito volumes, com mais de 3.000 páginas ao todo, apresentada em 1972 na Universidade de Zaragoza. Um resumo desse trabalho foi publicado por Éditions Dervy com o título de Les archives secrètes du Vatican et la fran-maçonerie: histoire d’une condamnation pontificale. Todavia “o destino bateu à porta” do jesuíta, literalmente. O noticiário do jornal El País, de 1º de setembro de 1983, relata que desconhecidos entraram na Faculdade de Artes, quebraram a porta do escritório do padre Benimeli, jogaram em seu interior substâncias inflamáveis e atearam fogo. Todos os documentos e os manuscritos de trinta livros, mais de cem artigos, teses de doutorado, revistas e jornais, enfim, o trabalho de quinze anos foi reduzido a cinzas. [...] Grande Loja é uma estrutura conjunta de Lojas cuja extensão é maior que a das unidades que a compõem. O adjetivo grande em Maçonaria não significa ser exímio ou soberbo como faz supor o entendimento do senso comum. Grande aqui se refere àquilo que é fundamental, principal, primordial, ou seja, a Potência, unidade política tomada em determinada área, ou com outras que se acham natural ou administrativamente ligadas a ela etc. – significados que constam igualmente dos dicionários. Grande e Grão, aplicados aos cargos e Graus, significam magnânimo e digno naquilo que alcançou ou faz. Grande Loja é a denominação dada às Assembleias Gerais e, por extensão, às Potências que as abrigam. Modernamente, na Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, essas Assembleias são chamadas Assembleias Gerais Plenárias com duas reuniões solsticiais e duas equinociais. Albert Gallatin Mackey em The Principles of Masonic Law: a Treatise on the Constitutional Laws, Usages and Landmarks of Freemasonry, publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1856, leva- nos a entender que a atual organização das Grandes Lojas, se considerada a antiguidade da Maçonaria, é fruto do pensamento iluminista. O Iluminismo se originou na passagem do século XVII para o XVIII a partir do pensamento de Baruch Spinoza (1632-1677) seguido, trinta anos depois, por John Locke, Pierre Bayle e pelo matemático Isaac Newton. Nos primórdios da Maçonaria não se falava sobre tais organismos “Grandes Lojas”. As cópias que temos da Carta de Bologna de 1248 (um dos mais antigos textos da Maçonaria operativa), da Anglo-Norman Charges de 1356 ou dos The Anglo-Norman Constitutions II, The Cooke MS de 1450, Watson MS series de 1535 e mesmo o Inigo Jones MS de 1655 não citam “Grande Loggia” nem “Grand Lodge”. [...] De acordo com Oswald Wirth, os landmarks são uma criação moderna e seus partidários nunca puderam chegar a um acordo quanto à sua recomendação precisa, fato que nunca impediu os anglo-saxões de considerarem esses limites sagrados, ainda que extremamente variáveis conforme o interesse peculiar de cada Potência. As Grandes Lojas fixam esses landmarks segundo suas maneiras de compreenderem a Maçonaria. O primeiro ponto a ser considerado é que, da compilação dos antigos deveres do ofício (The Old Charges of Craft Freemasonry), resultaram as Constituições de Anderson, de 1723. Cento e trinta e cinco anos mais tarde, em 1858, é que surgiu uma lista de landmarks proposta por Albert Gallatin Mackey.
  22. 22. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 22/41 A palavra inglesa landmark tem o sentido de limite, ponto de referência, marco divisório ou fronteira: land (terra) + mark (marca). A Bíblia, de onde o conceito foi tirado, estabelece uma cláusula pétrea implícita no livro dos Provérbios, capítulo 22, versículo 28: “nolumus leges mutari”, ou seja: que essas leis não sejam alteradas. Na versão inglesa King James: “Remove not the ancient landmark which thy fathers have set” – não removas os marcos divisórios que teus antepassados estabeleceram – o que dá à teoria landmarkiana um fundamento bíblico, para não dizer religioso. No livro Illustrations of Masonry, de 1775, o inglês William Preston usa landmark como sinônimo de usos e costumes estabelecidos na Arte Real, acepção mais correta (principalmente por ser a mais antiga), uma vez que o Direito inglês é eminentemente consuetudinário. Como se sabe, os Landmarks propostos por Mackey não são universalmente aceitos pelo fato de não definirem uma totalidade de limites necessários em todos os tempos e lugares onde a Maçonaria exerce seu ofício civilizatório. Por exemplo, os pesquisadores da Grande Loja de “British Columbia and Yukon” (Canadá) apontam o fato de o sistema de três graus da Maçonaria (Landmark II na compilação de Mackey) não ser histórico, pois não existiria o Grau de Mestre antes da formação das primeiras Lojas da Inglaterra. Em termos de história, não podemos perder de vista o fato de a Maçonaria operativa e a dos primeiros especulativos não terem praticado uma lista de landmarks; houve apenas uma primitiva compilação em 1720 (Regulamentos Gerais), formulada pelo Grão-Mestre George Payne, onde se lê: “Cada Grande Loja tem o poder e autoridade para fazer novos regulamentos, ou alterar estes, em vista de beneficiar esta antiga Fraternidade, cuidando de preservar cuidadosamente os antigos Land-Marks.” À teoria landmarkiana se opõe o sistema “dos três poderes” que, ao contrário do que muitos pensam, não começou em Montesquieu. Platão já se preocupava em formular um governo que não oferecesse proveitos às tiranias ou absolutismos, de forma a se aproximar o máximo possível da igualdade entre todos os cidadãos. Aristóteles buscava uma composição ideal com três poderes: o poder deliberativo de uma assembleia análoga aos nossos legislativos, o poder da magistratura governamental (executivo) e o poder judicial. A partir do século XVII, com René Descartes, a capacidade de discriminar o verdadeiro do falso foi erigida como máxima filosófica, tornando todas as pessoas iguais em direitos e oportunidades, independentemente de sexo, cor, ou religião, uma vez que a razão é formalmente igual em todos. Descartes inicia assim o Discours de la méthode: O bom senso é a coisa melhor partilhada no mundo, pois cada pessoa se julga tão bem abastecida dele, que mesmo os mais difíceis de contentarem em qualquer outra coisa não desejam ter mais bom senso do que já possuem. [...] Entre 1730 e 1760 a Maçonaria tornou-se mais atuante na França do que na Escócia ou Inglaterra. Em 1715 os Stuarts se exilaram na cidade francesa de Bar-le-Duc sob a proteção de jacobitas e católicos. Em 1725 foi fundada a primeira Loja no continente conhecida como escocesa. Não podemos perder de vista que a Grande Loja da Inglaterra teve como principais fundadores um escocês, James Anderson, e um francês, Jean Théophile Desaguliers. Em 1727 foi fundada em Lisboa uma Loja cuja maioria de seus membros era protestante, Loja esta regularizada em 1735 na Grande Loja de Londres. Em 1733 surgiu uma segunda Loja de católicos chamada Casa Real dos Pedreiros-Livres da Lusitânia, e a terceira, em 1741, formada por maioria de origem francesa. Mas a Maçonaria portuguesa só tomou força entre 1760 e 1770 com sua transformação em instrumento do Estado. Em 1798 havia quatro Lojas inglesas em Lisboa filiadas à Grande Loja de Londres. O movimento maçônico do período pombalino reforçou a influência da Maçonaria francesa sobre a Maçonaria portuguesa. Até 1804 outras Lojas foram criadas a partir de vários grupos sociais e homens de letras, ciências e artes – entre os quais Domenico Vandelli, de quem falaremos adiante em relação aos movimentos separatistas e republicanos do Brasil. As opiniões divergem sobre quando e como a Maçonaria chegou no Brasil. Sabemos que estudantes brasileiros foram à Europa, principalmente a Portugal e França, onde teriam sido iniciados. De volta ao Brasil, eles criavam grupos maçônicos clandestinos. A primeira atividade de cunho maçônico no Brasil data de 1724 na Academia Brasílica dos Esquecidos, onde foi iniciado o padre Gonçalves Soares de França, o historiador Sebastião da Rocha Pitta e Caetano de Britto. Em 1735 aparece o nome de um Grão- Mestre Provincial para a América do Sul, Randolph Took, e em 1741 uma carta do inglês Robert Young,
  23. 23. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 23/41 da Loja de São João, de Buenos Aires, recomendava Richard Lindsey, que se encontrava no Brasil. Contrapondo-se a essas administrações tipicamente inglesas, surgiu um Grande Oriente com tendências republicanas em Salvador no ano de 1750, vinculado ao Grande Oriente da França. Já existiam Lojas às escondidas anteriores à criação de uma “Potência nativa” brasileira. Caminhavam lado a lado com elas as academias e associações literárias às quais pertenceram muitos dos Inconfidentes, atuando como sustentáculo para a ação silenciosa da Maçonaria. [...] Expandir os ideais republicanos para a América do Norte e Latina não bastava ao projeto iluminista que se impunha além das formas de governo. O movimento maçônico na Europa pregava uma mudança de paradigma. Assim, o expansionismo foi apenas a consequência natural do processo civilizatório gerado no interior da Maçonaria. Os anos da presença da Família Real no Brasil e a transformação da colônia em reino coincidiram como o predomínio velado do Grande Oriente Lusitano sobre os assuntos da colônia e a ferrenha vigilância sobre a Maçonaria herdada no Brasil pelos seguidores do pensamento francês. Portugal tinha que escolher entre a França e a Inglaterra e, por consequência lógica, entre um Grand Orient e uma Grand Lodge. Simulou uma submissão voluntária à França e não obedeceu a nenhum dos dois. Fugiram para o Brasil. Napoleão, teria dito: “O único homem que conseguiu me enganar foi esse João de Portugal”. A primeira mobilização de que se tem notícia para a criação de uma Potência Maçônica no Brasil aconteceu em 1813 por iniciativa de Lojas da Bahia e do Rio de Janeiro. Com a abertura dos portos às nações amigas em 28 de janeiro de 1808, o Brasil foi elevado à condição de participante do sistema internacional de comércio e cultura. A Bahia e o Rio de Janeiro, portos históricos, foram os primeiros a receber a Maçonaria vinda da Europa. Três anos depois, outro movimento despontou no Recife, a Grande Loja Provincial. Mas essas duas iniciativas encerraram suas atividades em 1817. Não havia ambiente favorável para a criação de uma Potência maçônica no Brasil enquanto D. João VI aqui permanecesse sob o olhar atento do Grande Oriente Lusitano. A Revolução Pernambucana (6 de março de 1817), supostamente sob o controle da “Grande Loja Provincial”, foi uma das causas da represália de D. João VI. Em 30 de março do ano seguinte, foi editado o Alvará Real no qual foram colocadas na ilegalidade todas as sociedades secretas em solo brasileiro – especialmente a Maçonaria. [...] Bastou que a corte virasse as costas e D. João VI retornasse a Portugal, na madrugada de 25 de abril de 1821, para que, um ano e dois meses depois, fosse fundado o Grande Oriente, formado pelas Lojas “Comércio e Artes”, “União e Tranquilidade” e “Esperança de Niterói”. A fundação aconteceu no dia 28 do terceiro mês do ano da Verdadeira Luz de 5822 – 17 de junho de 1822 –, portanto a menos de três meses da Proclamação da Independência. No Primeiro Reinado os maçons José Bonifácio de Andrada e Silva, paulista, e o carioca Joaquim Gonçalves Ledo assumiram o primeiro plano no cenário político brasileiro. Nessa época o Grande Oriente Brasiliano reproduziu alguns aspectos do modelo europeu que fazia da Maçonaria uma ferramenta para aproximar a burguesia ascendente da aristocracia insatisfeita com o velho regime. José Castellani e William Almeida de Carvalho reconhecem a nascença do Grande Oriente do Brasil “como filho espiritual do Grande Oriente da França”, fato natural, pois como já foi dito, desde o final do século XVIII a Maçonaria tornara-se mais atuante na França do que na Inglaterra. O Rito adotado foi o Francês Moderno de 1783 e, imediatamente após ser criado, D. Pedro I foi admitido em suas Colunas. Dessa forma, o Grande Oriente empenhava-se ardorosamente no campo da política objetivando o primeiro grande projeto da Maçonaria brasileira: a República. [...] Os preliminares dos Supremos Conselhos do Rito Escocês situam-se na longínqua Criação do Capítulo de Clermont em Paris em 1754, de duração efêmera. Mas há evidências de que até 1730 havia na Inglaterra, “mestres maçons escoceses” após o Terceiro Grau e, dez anos mais tarde, na Alemanha falava-se do “mais alto Grau chamado Maçonaria Escocesa.” Porém os graus além de Mestre se expandiram quando introduzidos na Maçonaria francesa.
  24. 24. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 24/41 Em 1756 foi criado o Knights of the East e dois anos depois o Soberano Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente ou Scottish Mother Lodge. Em 1761 Stephen Morin recebeu uma patente da Grande Loja da França autorizando-o a estabelecer os Altos Graus do Rito Escocês em todas as partes do mundo que ele iniciou a partir de Santo Domingo, República Dominicana (1763). Mais tarde, Stephen Morin e Henry Andrew Francken criaram em Albany, Nova York, uma Loja de Perfeição – Graus 4º ao 14º (1767). O Supremo Conselho de Charleston no Estado da Carolina do Sul/EUA e Supremo Conselho “Mãe do Mundo” declarou sua existência em 1801 com o lema de “Ordo ab Chao” (Ordem sobre o Caos ou Ordem Vinda do Caos) anunciando o sistema de 33 Graus. No Brasil, o desenvolvimento do Supremo Conselho do Rito Escocês começou em 1829 quando Francisco Gomes Brandão, o Visconde de Jequitinhonha, recebeu do Supremo Conselho para o Reino dos Países Baixos do Rito Escocês Antigo e Aceito a autorização para instalar aqui um Supremo Conselho. [...] O Grande Oriente do Brasil viveu constantes desafios devido à contradição entre os interlocutores mais comprometidos com o fortalecimento de seus postos avançados no governo do país e os que se empenhavam na segurança da própria instituição. Essa contradição sistêmica teve consequências entrópicas – uma instituição de grande porte fundamentada na liberdade de seus membros e sendo avariada por eles. As primeiras cisões aconteceram durante o processo de reinstalação dos trabalhos do Grande Oriente do Brasil: o surgimento do Grande Oriente do Passeio, em 1831 (nome alusivo à sede situada na Rua do Passeio nº 36, no Rio de Janeiro), e em 1863, o Grande Oriente do Vale dos Beneditinos (local em que se instalou, na Rua dos Beneditinos nº 22). Houve outros desentendimentos internos: em 1893, a formação do Grande Oriente do Estado de São Paulo, que se declarou independente da potência central, a criação do Grande Oriente e Supremo Conselho do Rio Grande do Sul e um Grande Oriente Mineiro em 1894. [...] A Maçonaria brasileira, que teve seu auge no Império sob o comando obstinado de José Bonifácio, “mudou de perfil a partir de meados do século XX”, dizem Morel e Souza, sem citarem 1927 e a figura de Mário Behring. Foi a partir das Grandes Lojas de Mário Behring que a Maçonaria brasileira deixou de interferir na política, passando a se preocupar com ações de suporte à cidadania, à cultura e à educação – noutras palavras: uma Maçonaria que volta sua atenção para a política de Estado e não para projetos políticos de poder. [...] As Grandes Lojas não nasceram de repente. Estiveram em gestação durante mais de três décadas, desde a eleição do maçom Campos Sales para a presidência da República contra seu principal oponente Lauro Sodré, também maçom. Campos Sales escolheu seu ministério entre técnicos não ligados à política partidária nem diretamente à Maçonaria. Criou a manobra conhecida como “política dos governadores”, afastando também os militares das decisões governamentais. Foi um modelo de República oligárquica com o revezamento entre mineiros e paulistas na presidência e vice-presidência da república, a política do “café com leite”. Esse parece ter sido o “sinal verde” para o desencadeamento do movimento de Grandes Lojas no Brasil. Com a República Nova instaurada sob a chefia de Getúlio Dorneles Vargas no início dos anos 1930, a Maçonaria brasileira sofreu a mais violenta retração de sua história. O Estado Novo, regime instaurado por Vargas no golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, centralizou o poder ao máximo, sustentado no autoritarismo e numa espécie de nacionalismo inspirado por alguns comandantes militares que a princípio eram simpáticos ao nazismo. [...] O movimento de 1927 não foi um fenômeno isolado do contexto que vinha se desenvolvendo na Maçonaria brasileira desde os conflitos entre as alas de José Bonifácio e Gonçalves Ledo. De 1864 até 1926 o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito funcionou confederado ao Grande Oriente do Brasil. Pelas normas deste, a suprema autoridade da Maçonaria no Brasil estava numa só pessoa, ou seja, o maçom eleito Grão-Mestre do Simbolismo era, ispo facto, investido no cargo de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho. Nesse sistema, quase todas as lojas do Grande
  25. 25. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 25/41 Oriente do Brasil eram Lojas Capitulares trabalhando, além dos rituais dos Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, nos Graus 15 ao 18. [...] Em 1925 Mário Behring – Grão-Mestre e, portanto, pelas leis do Grande Oriente do Brasil, Soberano Grande Comendador – apontou a irregularidade dessa acumulação de cargos propondo a separação das duas jurisdições. Behring não se candidatou mais ao cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente. Passou para Vicente Saraiva de Carvalho Neiva o exercício do cargo de Grão-Mestre, optando por conservar o de Grande Comendador. Essa escolha de Behring foi mais do que um desapego ou firme decisão de não se envolver em querelas sobre eleições e supostas fraudes. Seu afastamento seria inconstitucional se analisado pelas normas do Grande Oriente, mas foi coerente com as leis que regem o Rito Escocês nos demais países […] que obrigam ao Supremo Conselho do Brasil, porque nelas se baseia a sua regularidade, a sua existência, o seu reconhecimento como parte da Federação Maçônica Internacional, têm de ser separadas as administrações dos dois corpos – Grande Oriente, que ficará adstrito exclusivamente ao Simbolismo e Supremo Conselho com soberana administração de todos os Graus acima de Mestre e Oficinas que os praticam: Lojas de Perfeição, Areópagos e Consistórios. [...] Além da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, as outras seis primeiras Grandes Lojas foram fundadas no mesmo ano de 1927: Grande Loja do Rio de Janeiro (22 de junho), Grande Loja do Amazonas (24 de junho), Grande Loja do Pará (28 de julho), Grande Loja de São Paulo (29 de julho), Grande Loja da Paraíba (24 de agosto). A Grande Loja de Minas Gerais foi fundada em 25 de setembro e instalada no dia seguinte, sob o título de “Grande Loja Symbolica de Minas Gerais”. No ano seguinte, foram criadas a Grande Loja do Rio Grande do Sul e a Grande Loja do Ceará. Todas receberam do Supremo Conselho suas Cartas Constitutivas. Cada Grande Loja tem sua respectiva Constituição, sendo governadas por seus Grão-Mestres como Potências estaduais independentes umas das outras, sem nenhuma ligação de dependência com o Supremo Conselho, mantendo as leis, os rituais e as tradições do Rito, as Constituições de Anderson e demais características da Maçonaria Universal. Após a separação foi realizada em Paris, em 1929, a Quarta Conferência Internacional dos Supremos Conselhos do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, onde compareceu o Supremo Conselho fundado por Francisco Gomes Brandão, representado por Mário Behring. A informação circulava com lentidão naqueles tempos: telegramas, cartas que às vezes se extraviavam e mensageiros que colocavam as Américas em contato com a Europa por prolongadas viagens de navio. Mesmo assim, três maçons do Grau 33, José Maria Moreira Guimarães, Lourival Jorge Masaredo Souto e Hyppolito Hermes de Vasconcelos foram nomeados por Octávio Kelly para representar o Supremo Conselho Reconstituído do Grande Oriente do Brasil. Mais uma vez a evidente interferência da administração dos Graus Simbólicos nos Altos Graus e vice-versa, pois já ficara estabelecida a soberania de cada Supremo Conselho, apenas um em cada país e livre de quaisquer inferências por parte de Grandes Lojas, Grandes Orientes ou quaisquer corporações maçônicas. No dia 30 de abril, a comissão assim nomeada por Octávio Kelly não logrou ser recebida pelo encarregado da Assembleia dos Supremos Conselhos, René Raymond, que alegou já estar presente na Conferénce o Supremo Conselho do Brasil representado por Mário Behring. Os três representantes rejeitados enviaram um protesto à Conferénce no dia seguinte. Não obtiveram sucesso, pois pesou contra o Supremo Conselho do Grande Oriente do Brasil o fato de ele não ser soberano – isto é, estava adstrito a uma Potência Simbólica. Durante a Conferénce ficou decidido que o único Supremo Conselho regular, reconhecido e única autoridade legal e legítima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil era aquele fundado por Francisco Gomes Brandão e representado, na ocasião, por Mário Behring. [...] Trinta anos depois, a vocação literária e cultural da capital atraiu para Belo Horizonte o idealismo dos jovens intelectuais que frequentavam a principal via da cidade naquela época – a Rua da Bahia. Floresceu em Belo Horizonte uma geração de escritores oriundos de outras cidades mineiras, a produzir obras inovadoras na literatura brasileira: Abgar Renault (Barbacena), Alberto Campos e Emílio Moura (Dores
  26. 26. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 26/41 do Indaiá), Belmiro Ferreira Braga (Vargem Grande), Carlos Drummond de Andrade (Itabira), Ciro dos Anjos (Montes Claros), João Alphonsus de Guimaraens (Conceição do Mato Dentro) e Pedro Nava (Juiz de Fora). Local de excitação cultural e política, a Rua da Bahia era a porta de entrada da cidade, começando no contorno do Bairro Floresta e ligando a Estação Ferroviária da Praça Rui Barbosa ao Palácio da Liberdade, sede do governo do Estado. No percurso, o centro: o Bar do Ponto, o antigo Teatro Municipal (Praça Professor Alberto Deodato) e o Grande Hotel (hoje, Edifício Maletta), o Conselho Deliberativo (atual Centro Cultural de Belo Horizonte), o Café Estrela, charutarias, a confeitaria Suíça, o Trianon, a Gruta Metrópole, o Clube Belo Horizonte, as leiterias da moda e a Livraria Francisco Alves, pontos de encontro da intelectualidade. [...] Dia 25 de setembro de 1927, primavera. Vinte e cinco maçons preparavam-se, desde as primeiras horas daquele dia de domingo, para a assembleia convocada por Manoel dos Reis Corrêa na capital dos mineiros. A convocação circulara nas Lojas do Grande Oriente do Brasil jurisdicionadas em Minas Gerais, conforme orientação de Mário Behring, obtendo a adesão de oito Lojas e seus legítimos representantes. Meio dia em ponto. No Templo da Loja “Bello Horizonte” nº 574, situado na Rua Rio de Janeiro nº 987, reuniram-se aqueles maçons para fundar uma Grande Loja, contando, para este fim, com o apoio do Supremo Conselho do Grau 33, Potência máxima para o Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil. As oito Lojas, representadas por irmãos do Supremo Conselho, eram: Loja “Bello Horizonte”, da capital, pelo seu Venerável Manoel dos Reis Corrêa, Grau 32; Loja “Aspasia-Hiran do Parahyba”, de Porto Novo do Cunha; Loja “Fraternidade Universal”, de São Sebastião do Paraíso, por Pedro Jorge Brandão, Grau 33; Loja “União Sertaneja”, de Sete Lagoas, por Ricarte Normando, Grau 30; Loja “Labor, Força e Virtude”, de Muriaé, por José Pinheiro Guedes, Grau 30; Loja “Charitas”, de São João del-Rei; “Loja Guilherme Dias”, de Machado, por J. de Mello Teixeira, Grau 18, e Loja “Alfenas Livre”, de Alfenas, por Laurindo Chaves, Grau 18. Outros dezesseis membros dos Graus Superiores assistiram à reunião: do Grau 30, Conselho de Cavaleiros Kadosh, os Irmãos Afonso Couto e Geraldo Magela Fernandes Villela; do Grau 18, Capítulo Rosa-Cruz, os Irmãos Anielo Anastasia, Aurélio Pazzini, Benjamim Guimarães, Braz Serpa, Domingos Moutinho Teixeira, Francisco Narbona Gimenes, Gibraltar de Souza, João da Cruz, José Chaves Júnior, Manoel Olinto de Magalhães, Menotti Ciano, Serafim Rodrigues Pinheiro, Walfrido Andrade e Caetano Veronez. A reunião foi presidida por J. de Mello Teixeira. [...] Para a implantação das Grandes Lojas, a administração do Supremo Conselho preservou o direito sobre a autenticidade dos rituais dos Graus do Simbolismo (Aprendiz, Companheiro e Mestre) que foram entregues às Grandes Lojas em 1928 por Mário Behring sem, no entanto, ingerir na administração exercida pelas Grandes Lojas no comando desses Graus. Compõem o Rito Escocês Antigo e Aceito os seguintes Corpos: Loja de Perfeição (Graus 4 ao 14), Capítulo Rosa-Cruz (Graus 15 ao 18), Conselho Kadosh (Graus 19 ao 30, propriamente denominados Graus Filosóficos) e Consistório dos Príncipes do Real Segredo (Graus 31 ao 32), mais o Supremo Conselho (Grau 33). Nos primeiros quinze anos da atividade adjacente das duas Potências – o Supremo Conselho e a Grande Loja Maçônica de Minas Gerais – os Graus Superiores foram ministrados por Iniciações e Comunicações especialmente autorizadas por Mário Behring e seu sucessor Joaquim Moreira Sampaio. Em Belo Horizonte, após a preparação dos dirigentes para os Corpos Subordinados, foi fundado o “Capítulo Rosa-Cruz Reis Corrêa” em 6 de junho de 1942, nas dependências da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, com o apoio logístico do Grão-Mestre Luiz Sayão de Faria. Em 16 de junho de 1949 foi criada a “Loja de Perfeição Visconde de Jequitinhonha”. O “Conselho de Cavaleiros Kadosh Jacques DeMolay” e o “Consistório de Príncipes do Real Segredo Gonçalves Ledo” foram criados em 14 de fevereiro de 1950. À VENDA NO SITE DA GLMMG: http://www.glmmg.org.br/app/
  27. 27. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 27/41 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GLSC - http://www.mrglsc.org.br Data Nome Oriente 01.07.1977 Alferes Tiradentes, nr. 20 Florianópolis 07.07.1999 Solidariedade Içarense, nr. 73 Içara 07.07.2005 Templários da Nova Era, nr. 91 Florianópolis 10.07.2007 Obreiros da Maravilha, nr. 96 Maravilha 12.07.1980 XV de Novembro, nr. 25 Imbituba 21.07.1993 Liberdade Criciumense, nr. 55 Criciuma 28.072006 Anhatomirim, nr. 94 Florianópolis 31.07.1975 Obreiros de Hiram, nr. 18 Xanxerê 31.07.2007 Acácia Palhocense, nr. 97 Palhoça GOB/SC – http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Loja Oriente 02.07.01 Renovação - 3387 Florianópolis 03.07.78 Flor da Acácia - 2025 Itajaí 08.07.10 Lealdade - 3058 Florianópolis 13.07.01 Frat. Alcantarense - 3393 Biguaçú 14.07.2006 Acadêmica Razão e Virtude nr. 3786 (Rito Moderno) Brusque - SC 17.07.02 Colunas da Serra - 3461 Joinville 17.02.02 Mestres da Fraternidade-3454 Florianópolis 17.07.97 Compasso das Águas -3070 São Carlos 23.07.1875 Luz e Caridade - 327 São Francisco do Sul 26.07.05 Frat. Acad. Ciência e Artes - 3685 Jaraguá do Sul 29.07.96 Estrela Matutina - 2965 Florianópolis Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mês de julho 7 – Destaques (Resenha Final)
  28. 28. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 28/41 GOSC https://www.gosc.org.br Bênção "Que vocês sejam um doador que semeia sementes de bons votos em todas as almas. Não esperem pelo fruto, mas simplesmente continuem a semear sementes de seus bons votos em todas as almas. Todas as almas definitivamente têm de acordar na hora certa. Mesmo que alguém esteja se opondo a vocês, vocês não devem abandonar seu sentimento de misericórdia. Oposição, insulto e difamação funcionarão como fertilizante e farão com que bom fruto emerja. Na extensão em que eles insultarem vocês, eles também cantarão o seu louvor. Portanto, tornem- se um doador e continuem a ter bons votos por cada uma das almas por meio de sua atitude, vibrações e palavras." José Aparecido dos Santos TIM: 044-9846-3552 E-mail: aparecido14@gmail.com Visite nosso site: www.ourolux.com.br "Tudo o que somos é o resultado dos nossos pensamentos". Data Nome da Loja Oriente 04/07/1999 Giuseppe Garibaldi Florianópolis 04/07/2002 Léo Martins São José 11/07/2009 Universitária Luz de Moriah Chapecó 11/07/2009 Passos dos Fortes Xaxim 12/07/2006 Colunas Da Concórdia Concórdia 18/07/2003 Ardósia do Vale Rio do Sul 21/07/1973 Silêncio de Elêusis Chapecó 22/07/1981 Acácia da Ilha Florianópolis 24/07/2013 Triângulo Força e União Cocal do Sul 25/07/1995 Gitahy Ribeiro Borges Florianópolis 26/07/1980 União da Fronteira São Miguel do Oeste 27/07/1981 Arquitetos do Oriente Xanxerê 27/07/2009 Luz da Acácia Capivari de Baixo
  29. 29. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 29/41 Loja Templários da Nova Era: Onze anos de Cultura, Glórias e Conquistas! A Loja Templários da Nova Era nr. 91, de Florianópolis (GLSC) completa nesta quinta-feira, dia 7 de julho, onze anos de existência e de bons frutos creditados à Maçonaria Universal. Aos obreiros templários, cunhadas, sobrinhos e colaboradores, os cumprimentos do JB News e a homenagem à própria Loja nesta data tão significativa, O Irmão e poeta Adilson Zotovici, um dos colaboradores há anos do JB News, regozija-se em versos dedicados à Loja.
  30. 30. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 30/41 TEMPLÁRIOS DA NOVA ERA Onze anos Entre sonhos sobranceiros E tão forte união Viviam bons livres pedreiros Da Sublime Instituição! Ansiavam irmãos vanguardeiros Erigir templo seguro Dos alvenéus aos canteiros A um promissor futuro Foram tempos alvissareiros Alçados por bons arcanos Noites e dias inteiros E hoje...já faz dez anos ! Nomearam abnegados obreiros Como homenagem sincera Tal antigos companheiros... “Templários da Nova Era ! “ Adilson Zotovici ARLS Chequer Nassif-169 São Bernardo do Campo - GLESP
  31. 31. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 31/41 Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil – XLV CMSB – Maceió Após se reunirem desde domingo, durante XLV Assembleia Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, na capital alagoana, os 27 Grão-Mestres das Grandes Lojas brasileiras aprovaram, nesta quarta-feira, 6 de julho, a seguinte Carta de Maceió. CARTA DE MACEIÓ A Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil – CMSB, instituição que congrega as 27 Grandes Lojas Maçônicas dos Estados brasileiros e do Distrito Federal, reunidas na XLV Assembleia Geral Ordinária, no período de 2 a 6 de julho de 2016, em Maceió-AL, consoante as Declarações de Princípios que norteiam a Maçonaria Universal e, Considerando um dos momentos mais críticos por que passa o país, no que tange à crise que hodiernamente se vive, sobretudo no que diz respeito aos valores morais e éticos que, inevitavelmente, apresentam como consequência procedimentos rotineiros de corrupção, suborno, tráfico de influência, e outros, que inviabilizam a vida proba e correta no Brasil; Considerando o respeitável e extraordinário trabalho que a Polícia Federal vem desempenhando, que se traduz nos subsídios necessários para que o Ministério Público Federal e a Justiça Federal exemplarmente adotem medidas rígidas contra aqueles que se locupletam ilegalmente do erário; Considerando que a nação brasileira recentemente manifestou-se, por intermédio da imensa maioria do seu povo, pela indignação em relação aos vexatórios e comprometedores comportamentos que norteavam inúmeros dos principais dirigentes do país, os quais agiam em completa deturpação do arcabouço legal do Brasil; Considerando que as apropriações indevidas das finanças públicas por parte de pessoas e grupos, bem como o envolvimento de corporações privadas neste sistema, geraram profundo desgaste para a confiança e o conceito do Brasil perante a comunidade internacional; Considerando que, em decorrência da indignação da população, repercutiu na classe política nacional a necessidade de providências, o que provocou como principal ação o transcurso de um processo de impedimento da Presidente da República; Considerando que a partir deste processo instalou-se um governo interino que tem demonstrado inúmeras iniciativas no afã de restabelecer o crescimento do Brasil, imputando-lhe credibilidade tanto para os seus cidadãos quanto para os países estrangeiros, permitindo que ele retome seu desenvolvimento; Resolve, Reconhecer a excelência do trabalho desenvolvido pela Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Receita Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, mormente nas ações de combate à corrupção; Manifestar apoio institucional às autoridades constituídas, especialmente à Presidência da República Federativa do Brasil, na medida em que promova ações que garantam o restabelecimento da “confiança nos valores que formam o caráter de nossa gente, na vitalidade da nossa democracia, na recuperação da economia nacional, nos potenciais do nosso país, em suas instituições sociais e políticas”, como bem citou no seu discurso de posse o Sr. Presidente da República em exercício;
  32. 32. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 32/41 Postular para que se iniciem as tão sonhadas reformas política, tributária, trabalhista e previdenciária, a fim de que o país tenha condição de trilhar novos caminhos que outrora existiram de maneira regular, aperfeiçoando o sistema democrático do Brasil, com ênfase na meritocracia; Pleitear para que se adotem medidas no sentido de que as obrigações do Estado privilegiem as áreas da educação, saúde, segurança e a inclusão social, eixos fundamentais para o bom desenvolvimento de uma nação. Maceió, Alagoas, em 6 de julho de 2016. IVANILDO MARINHO GUEDES Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado de Alagoas e Presidente da XLV Assembleia Geral Ordinária da CMSB ETEVALDO BARCELOS FONTENELE –PGM Secretário-Geral Fernando Álvares Zamora Acre Giovanni Tavares Maciel Filho Amapá Élzio Duarte Alecrim Amazonas Jair Tércio Cunha Costa Bahia Cassiano Teixeira de Morais Distrito Federal Sílvio de Paiva Ribeiro Ceará Walter Alves Noronha Espírito Santo Adolfo Ribeiro Valadares Goiás Ubiratan João de Castro Maranhão Geraldo de Souza Macedo Mato Grosso Jordão Abreu da Silva Júnior-PGM Mato Grosso do Sul Geraldo Eustáquio C. de Freitas Minas Gerais Wagner Spíndola de Ataíde Pará José Reinaldo C. de Sousa Paraíba Valdemar Kretschmer Paraná Janduhy Fernandes Cassiano Diniz Pernambuco Pedro Alexandre de C. Mota Piauí José Ricardo Salgueiro de Castro - GMA Rio de Janeiro Roberto Di Sena Rio Grande do Norte Paulo Roberto Pithan Flores Rio Grande do Sul Aldino Brasil de Souza Rondônia Sérgio Cordeiro Santiago Roraima João Eduardo Noal Berbigier Santa Catarina Ronaldo Fernandes São Paulo Jorge Henrique P. Prata Sergipe Izelmon de Sousa Barbosa Tocantins
  33. 33. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 33/41 Vem aí a XXI Jornada Maçônica do Estado de São Paulo Em 25 de Setembro de 2.016, na Uni Sant´Anna, situada à R. Voluntários da Pátria, 257 Bloco I - 6º Andar, estaremos realizando a XXI Jornada Maçônica do Estado de São Paulo. O objetivo da tradicional Jornada Maçônica é o de oferecer um espaço para a integração sócio cultural de Maçons, oriundos de várias Lojas da Capital e do Interior de São Paulo e de diversas cidades do país, através de quatro Conferências e 29 Palestras, realizadas por doutores, pesquisadores, historiadores, doutrinadores e formadores de opinião, os quais abordam uma variedade de assuntos relevantes. Aos que possuem a saudável sede de conhecimento e estudo. O programa abrange uma apurada análise da conjuntura brasileira atual com ênfase para os temas litúrgicos, doutrinários e ritualísticos da Ordem. Mais um evento promovido pela Associação Cultural e Assistencial Obreiros do Leste ENTRE NO SITE:jornadamaconica.com.br INSCREVA-SE Jose Renato dos Santos PAST GRÃO MESTRE ADJUNTO DA GLESP tel 011 29411621 Edson Sales Junior SECRETARIO EXECUTIVO
  34. 34. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 34/41 Conclave Demolay na Chapada da Diamantina – BA. 01, 02 e 03/julho/2016 (do Irmão Edward Santos) - O Grande Conselho da Ordem DeMolay para o Estado da Bahia, sob a Presidência do Grande Mestre Estadual Társis Valentim Pinchemel Alves, realizou nos dias 01, 02 e 03 de Julho o Conclave de Lideres da Ordem DeMolay edição 2016.2 no Vale do Capão, Chapada Diamantina, Bahia. O Evento contou com vários Maçons do GOEB e da GLEB e o objetivo do Conclave é capacitar os Mestres Conselheiros e os Conselhos dos Capítulos de DeMolays de toda Bahia. O Venerável Mestre Halailton Soares Santana esteve representando o Complexo Maçônico de Feira de Santana onde no dia 09 de Julho de 2016, será instalado o Capitulo DeMolay Ariano Suassuna patrocinado por todas as Lojas do Complexo. O Jovem Daniel Carvalho Freitas Santana estará sendo empossado como Mestre Conselheiro do Capitulo DeMolay Ariano Suassuna no dia 09/07/2016, às 15 horas, quando também será iniciados 17 novos DeMolays. O Capitulo DeMolay Ariano Suassuna funcionará no Complexo Maçônico, com reuniões todos os Sábados pela Manha. Veja alguns registros fotográficos:
  35. 35. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 35/41
  36. 36. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 36/41
  37. 37. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 37/41
  38. 38. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 38/41
  39. 39. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 39/41 Estamos, com muito prazer, encaminhado o nosso Boletim Especial de nº 100, de junho de 2016, na esperança de estar contribuindo com a divulgação da cultura Maçônica. Informamos que todos os Boletins da Chico podem ser acessados no site: http://www.guiamaconicors.com.br/chico.da.botica/chico.da.botica.htm O Irmão também pode acessar todas as edições do Informativo JB News no site http://www.jbnews33.com.br/informativos/ Caso seja de vossa liberalidade, solicitamos divulgar o mesmo em vossas listas de Maçons, Lojas e Grupos. Com nossos agradecimentos deixamos um TFA Marco Antonio Perottoni Loja Cônego Antonio das Mercês – GORGS Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas – GORGS Porto Alegre - RS  Antes de imprimir pense em seu compromisso com o Meio Ambiente
  40. 40. JB News – Informativo nr. 2.105 – Maceió (AL) quinta-feira, 7 de julho de 2016 Pág. 40/41 Ir Marcelo Angelo de Macedo, 33∴ MI da Loja Razão e Lealdade nº 21 Or de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI Tel: (65) 3052-6721 divulga diariamente no JB News o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO, cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 - Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014 - ISBN 978-85.370.0292-6) BREVIÁRIO MAÇÔNICO – 7 de julho TOLERÂNCIA Do latim tolerare, que sugere suportar ou aceitar um ato ou uma presença. Intolerar será deixar de suportar. Por sua vez, suportar sugere aceitar como sacrifício uma determinada situação. Quem tolera estará, ao mesmo Tempo, abrindo mão de um direito, de uma reposta. A tolerância é um dos esteios da Maçonaria, uma das suas colunas mestras. O maçom que pratica qualquer ato que os demais devam “tolerar” indubitavelmente está incorrendo em transgressão; porém, um irmão sempre perdoa e suporta. É muito difícil a prática da tolerância, que por isso resulta ser uma virtude. A tolerância deve ser praticada e usada a qualquer custo em toda oportunidade. A intolerância é irmã do radicalismo simples ou “pirrônico”, sendo a fonte de discórdias e desamor. Mesmo que resulte sacrifício, o maçom tem o dever de tolerar os defeitos, as agressões e as falhas de seus Irmãos. Para que algum maçom possa aspirar ser tolerado, é necessário que aprenda e se exercite a tolerar. RIZZARDO DA CAMINO Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 206.

×