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Jb news informativo nr. 2087

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Jb news informativo nr. 2087

  1. 1. JB NEWS Filiado à ABIM sob nr. 007/JV Editoria: Ir Jeronimo Borges Academia Catarinense Maçônica de Letras Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia de B. Horizonte Loja Templários da Nova Era nr. 91(Florianópolis) - Obreiro Loja Alferes Tiradentes nr. 20 (Florianópolis) - Membro Honorário Loja Harmonia nr. 26 (B. Horizonte) - Membro Honorário Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas (J. de Fora) -Correspondente Loja Francisco Xavier Ferreira de Pesquisas Maçônicas (P. Alegre) - Correspondente Nesta edição: Pesquisas – Arquivos e artigos próprios e de colaboradores e da Internet – Blogs - http:pt.wikipedia.org - Imagens: próprias, de colaboradores e www.google.com.br Os artigos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião deste informativo, sendo plena a responsabilidade de seus autores. Saudações, Prezado Irmão! Índice do JB News nr. 2.087 – Melbourne (Vic) - domingo, 19 de junho de 2016 Bloco 1 -Almanaque Bloco 2 -IrNewton Agrella – Você queria ser nobre? (editorial de domingo) Bloco 3 -IrJoão Ivo Girardi – Os Autores mais Criativos da História (Última Parte-) Coluna do Ir Bloco 4 -IrJosé Ronaldo Viega Alves – Estudo sobre as estrelas; símbolos recorrentes no universo ... Bloco 5 -IrHercule Spoladore – Velas e seu significado na Maçonaria Bloco 6 -IrJoão Anatalino Rodrigues – A Maçonaria e a Alegoria da Torre de Babel Bloco 7 - Destaques JB – Breviário Maçônico – versos do Irmão e Poeta Sinval Santos da Silveira & outras informações
  2. 2. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 2/39 Iluminura do cerco a Niceia  1097 - Fim do Cerco de Niceia na Primeira Cruzada.  1846 - É realizada, em Hoboken (Nova Jérsia), nos Estados Unidos, a primeira partida oficial de beisebol.  1850 - A Princesa Luísa dos Países Baixos casa-se com Carlos XV da Suécia do Reino da Suécia e Noruega.  1856 - Fundação do município brasileiro de Ribeirão Preto, São Paulo.  1867 - São executados em Santiago de Querétaro o Imperador do México Maximiliano I e os seus generais Tomás Mejía e Miguel Miramón, por ordem de Benito Juárez.  1938 - A Itália é a vencedora da Copa do Mundo FIFA de 1938.  1944 - Segunda Guerra Mundial: Começa a Batalha do Mar das Filipinas.  1970 - O Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes é assinado.  1978 - A tirinha de história em quadrinhos Garfield é publicada pela primeira vez. 1 – ALMANAQUE Hoje é o 171º dia do Calendário Gregoriano do ano de 2016– (Quarto Crescente) Faltam 195 para terminar este ano bissexto Dia do Cinema Brasileiro Se o Irmão não deseja receber mais o informativo ou alterou o seu endereço eletrônico, POR FAVOR, comunique-nos pelo mesmo e-mail que recebeu a presente mensagem, para evitar atropelos em nossas remesssas diárias. Obrigado. Colabore conosco para evitar problemas na emissão de nossas mala direta diária. EVENTOS HISTÓRICOS (fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki) Aprofunde seu conhecimento clicando nas palavras sublinhadas
  3. 3. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 3/39  1961 - A independência do Kuwait sobre a Grã-Bretanha.  2000 - Criação da Região Metropolitana de Campinas.  2004 - Roy Tucker, David Tholen e Fabrizio Bernardi descobrem o asteróide Apophis.  2007 - O site de vídeos YouTube, lançado originalmente em inglês, passa a ter mais idiomas.  2014 - O então Príncipe de Astúrias, Felipe de Bourbon, é proclamado Rei da Espanha, reinando com o nome de Felipe VI. 1750 Provisão, desta data, criou a freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, na ilha de Santa Catarina. 1891 Nasce, em Itajaí, Olímpio Falconiére da Cunha. Fez carreira militar alcançando o generalato, posto em que participouda Força Expedicionária Brasileira, em ação na Itália, durante a 2ª Grande Guerra Mundial. Morreu no Rio de Janeiro, a 11 de agosto de 1967, no posto de marechal da reserva. 1892 Morre, no Rio de Janeiro, o conselheiro Diogo Duarte Silva, que foi presidente do Banco do Brasil. 1818 Fundação do Grande Conselho dos Maçons do Real Arco de Delaware (USA) 1921 Fundação da Grande Loja do Equador 1949 A Maçonaria alemã renasce das cinzas: criada a Vereinnigte Grosslogen von Deutschland (Greande Loja Unida da Alemanha) tendo como Grão-Mestre o Ir Theodor Vogel. 1973 Fundação do Supremo Conselho da Finlândia 1981 Fundação da Loja Maçônica José de Souza Marques nr. 2098 (GOB/RJ) 2009 Fundação da Loja de São João nr. 63 de Campo Grande (GLMEMS) Fatos maçônicos do dia Fonte: O Livro dos Dias 20ª edição (Ir João Guilherme) e acervo pessoal históricos de santa Catarina Extraído de “Datas Históricas de Santa Catarina” do Jornalista Jali Meirinho e acervo pessoal
  4. 4. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 4/39 Ir Newton Agrella - Cim 199172 M I Gr 33 membro ativo da Loja Luiz Gama Nr. 0464 e Loja Estrela do Brasil nr. 3214 REAA - GOSP - GOB newagrella@gmail.com "VOCÊ QUERIA SER NOBRE ? Senão vejamos algumas curiosidades que a história nos revela especialmente entre os anos 1600 a 1700 para se entender alguns costumes. Ao se visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o suntuoso palácio não tem banheiros. Na Idade Média, não havia dentifrícios ou mesmo escovas de dente, perfumes, desodorantes e tampouco papel higiênico. As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio. Em ocasiões festivas, a cozinha do palácio conseguia preparar banquetes para cerca de 1500 pessoas, sem a mínima noção de higiene. Vemos nos filmes de hoje, as pessoas sendo abanadas. A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalava por baixo das saias (que eram propositalmente confeccionadas para conter o odor das partes íntimas, posto que não havia higiene e nem as mínimas noções de assepsia). Igualmente à época não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e ao rigoroso inverno europeu bem como à quase inexistência de água encanada. O mau-cheiro era dissipado pelo abanador. Somente os Nobres tinham lacaios para abaná-los, e para aliviar o mau cheiro que o corpo e a boca exalavam, além também de espantar os insetos. Quem já esteve em Versailles certamente ficou admirado com os jardins enormes e belos que , na época não eram apenas contemplados, mas "utilizados" como vaso sanitário nas exuberantes festas, posto que simplesmente não havia banheiros. 2 – Editorial de domingo – Você queria ser nobre? – Newton Agrella
  5. 5. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 5/39 Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de Junho (no Hemisfério Norte, o Início do Verão). A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em Maio; assim, em Junho, o cheiro das pessoas ainda era relativamente tolerável. Entretanto, como determinados odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores, junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro. Daí termos Maio como o "Mês das Noivas" e a origem do buquê de noiva explicada. Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade, e finalmente as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, era possível "perder" um bebê lá dentro. É por isso que existe a expressão em Inglês: "Don´t throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente: "Não jogue o bebê fora junto com a água do banho", que mais tarde tornou-se uma metáfora utilizada para os mais apressadinhos. Vale lembrar que os telhados das casas não tinham forros e as vigas de madeira que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a pularem para o chão. Assim a nossa expressão em língua portuguesa "está chovendo canivete" (hoje em desuso) tem o seu equivalente na língua inglesa como: "it´s raining cats and dogs" (está chovendo gatos e cachorros). Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente acabasse morrendo envenenada. Lembremo-nos novamente que os hábitos de higiene da época eram sofríveis. Os tomates, por exemplo, sendo ácidos, foram considerados durante muito tempo, venenosos.
  6. 6. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 6/39 Os copos de estanho utilizados pelas classes mais abastadas da sociedade eram utilizados para tomar cerveja ou whisky. Essa combinação às vezes deixava o indivíduo "prostrado no chão" - numa espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com o óxido de estanho. Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então, colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo e bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Surgindo assim o Velório, que é a vigília junto ao caixão. Na Inglaterra por exemplo, sendo um País relativamente pequeno, onde nem sempre havia espaço para se enterrarem todos os mortos, na época, os caixões eram abertos, os ossos retirados, depositados em ossários e o túmulo utilizado para outro cadáver. Às vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, havia sido enterrado vivo. Diante disso, surgiu a ideia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante alguns dias, Caso o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar e ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão utilizada por nós até os dias de hoje. Você ainda queria ser Nobre ? Fraternalmente Newton Agrella
  7. 7. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 7/39 O Ir. João Ivo Girardi joaogira@terra.com.br da Loja “Obreiros de Salomão” nr. 39 de Blumenau é autor do “Vade-Mécum Maçônico – Do Meio-Dia à Meia-Noite” Premiado com a Comenda do Mérito Cultural Maçônico “Aquiles Garcia” 2016 da GLSC. Escreve dominicalmente neste 3º. Bloco. Os Autores Mais Criativos da História – 4ª e Última Parte Texto extraído e condensado do livro: Gênio, de Harold Bloom. Editora: Objetiva. Ed. 2002. Sobre a Organização do Livro: O autor dividiu a centena de gênios da linguagem em conjuntos, denominados Lustros, nesse sentido, refere-se ao brilho decorrente da luz refletida, o lustre, o esplendor de um gênio refletido em outro. Lustros 16 George Eliot: Ficcionista inglesa, cujo verdadeiro nome era Mary Ann Evans Cross. Inicialmente crente no Cristianismo, acabou por converter-se ao ateísmo racionalista. Da sua vasta obra, que inclui alguns dos mais importantes romances ingleses do século XIX. Sua obra-prima é Middlemarch. O segundo romance mais apreciado pela maioria dos leitores é O Moinho à Beira Mar. George Eliot talvez seja a imaginação moral mais eminente em toda a história do romance. Willa Cather: (1873-1947): Escritor norte-americano cujos romances refletiram o espírito dos colonizadores e a vida dura e simples dos desbravadores das planícies dos Estados Unidos. Willa Cather está incluída entre os principais escritores americanos do século XX, ao lado de Theodore Dreiser, Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald. Entre os contemporâneos de Cather, apenas William Faulkner lhe é superior. O gênio da escritora fica evidente em dois breves romances líricos, Minha Antônia e Uma Dama Perdida. Edith Wharton: (1862-1937): Escritora norte-americana pertenceu a uma tradicional família americana. A Era da Inocência foi seu maior sucessor popular e de crítica. Prêmio Pulitzer de 1921 é um retrato dos desejos, paixões e frustrações das pessoas que a autora conheceu de perto, e da velha Nova York que ela amou tanto. F. Scott Fitzgerald: (1896-1940): Francis Scott Fitzgerald, escritor norte-americano. Principal cronista da alta sociedade dos Estados Unidos nos anos 20, por ele definido como era do jazz. Pelo estilo de vida boêmio, torna-se espécie de ídolo da chamada geração perdida, que proclama a falência do sonho norte-americano de uma sociedade harmônica. Este Lado do Paraíso (1920) é o primeiro romance. O livro é um sucesso e ele ganha muito dinheiro. Escreve na França O Grande Gatsby (1925), que é hoje é considerada sua obra-prima, mas vende pouco na época. Em 3 – Coluna do Irmão João Gira – “Os Autores Mais Criativos da História” (4ª. parte) - João Ivo Girardi
  8. 8. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 8/39 1934, publica Suave é a Noite, outro fracasso de vendagem. De volta aos Estados Unidos, em 1937, Fitzgerald escreve roteiros para filmes de Hollywood. Enfraquecido pelo álcool, morre em 1940, após duas tentativas de suicídio. Íris Murdoch: (1919-1999): Escritora e filósofa inglesa era uma referência na Inglaterra. Ficou conhecida por sua militância de esquerda e o espírito libertário. Morreu em consequência do mal de Alzheimer. Seus maiores sucessos são: O Sonho de Bruno, O Príncipe Negro, O Mar. Essa personagem admirável ganhou um filme, Íris, dirigido por Richard Eyre e interpretado por Kate Winslet (de Titanic). Lustros 17 Gustave Flaubert: (1821-1880): Escritor francês. È um dos representantes do romance realista. Em 1856 publica Madame Bovary, seu romance mais importante, no qual critica os valores românticos e burgueses da época. O livro conta a história de Emma Bovary, que se entrega a sucessivos casos de adultério para fugir da vida medíocre que julgava levar ao lado do marido, um médico de província. O romance, que termina com o suicídio de Bovary, causa escândalo na França. Flaubert é acusado de imoralidade e submetido a julgamento. José Maria Eça de Queirós: (1845-1900): O principal romancista português, antes de Saramago, é bastante conhecido e muito pouco lido no mundo anglófono. Devemos louvar Eça de Queirós como um mestre que, em A Relíquia, realizou o improvável. Reuniu Voltaire e Robert Luis Stevenson em um só corpo, propiciando-nos um romance genial e, ao mesmo tempo, uma sátira extraordinária, um triunfo literário singular. Necessitando de um instrumento verbal dúctil, viu-se obrigado a submeter à língua portuguesa a uma profunda mutação, tão profunda como nunca antes acontecera, criando assim sua obra em uma estética nova. Algumas de suas obras: O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, O Mandarim, Os Maias, entre outros. Machado de Assis: (1839-1908): Considerado o mais importante escritor da prosa realista da literatura brasileira. Fundou com outros intelectuais a Academia Brasileira de Letras (1896), da qual foi eleito o seu primeiro presidente. Embora tenha cultivado quase todos os gêneros literários: poeta, teatrólogo, cronista, crítico literário, etc., destacou-se essencialmente como contista, onde produziu algumas obras-primas como: Helena, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Alienista, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó. Machado de Assis é uma espécie de milagre, mais uma demonstração da autonomia do gênio literário, quando os fatores como tempo e lugar, política e religião, e todo o tipo de contextualização que supostamente produz a determinação dos talentos humanos. Eu já havia lido e me apaixonado por sua obra, especialmente Memórias Póstumas de Brás Cubas, antes de saber que Machado era mulato e neto de escravos, em um Brasil onde a escravidão só foi abolida em 1888, quando o escritor estava com 50 anos. Jorge Luis Borges: (1890-1986): Escritor argentino. Filho de uma família de origem portuguesa por parte de pai e britânica por parte de mãe adquire desde criança um perfeito domínio da língua inglesa. Entre 1914 e 1921 reside e estuda na Itália e na Suíça. Em 1946 tem um confronto com o regime de Perón, cujo populismo choca a sua atitude conservadora e elitista. Após a queda de Perón é nomeado diretor da Biblioteca Nacional. Doente da vista desde a sua juventude, a partir de 1956 fica totalmente cego. É nos anos 60 que Borges começa a ser reconhecido internacionalmente como grande escritor. Aos 87 anos, sentindo a morte chegar, vai para Genebra, onde morre. Entre as principais obras de Jorge Luis Borges destacam-se Ficções, El Aleph, História Universal da Infâmia e História da Eternidade, que condensa a eternidade em 16
  9. 9. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 9/39 páginas. O rigor, a ironia, as associações de palavras são recursos que domina com inigualável facilidade. Ítalo Calvino: (1923-1985): Nascido em Cuba, Ítalo mudou-se para a Itália, meses antes de seu primeiro aniversário, ainda no berço. Em sua juventude, participou do movimento de resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até o ano de 1956. Autor de obras consagradas pela crítica literária de vários países, como O Castelo dos Destinos Cruzados, O Cavaleiro Inexistente e O Visconde Partido ao Meio em que Calvino modela motivos narrativos populares e medievais, foi a ele quem coube a tarefa de compilar os contos populares do seu país. A obra-prima de Calvino é considerada As Cidades Invisíveis. Frase de Calvino: O que a terminologia romântica designa de genialidade ou talento ou ainda inspiração não é nada mais do que encontrar a estrada certa seguindo o faro de alguém, só que pegando atalhos. Lustros 18 William Blake: (1757-1827): O inglês William Blake conjugou à sua brilhante poesia, influenciador de clássicos como Pound, Yeats e Eliot, um raro talento para a pintura e - o dado mais ignorado atualmente - um profundo conhecimento esotérico, onde se percebem conceitos utilizados pelos gnósticos, neoplatônicos e pelo místico alemão Jakob Boehme. Inocência (1789) e Cantos da Experiência (1794) são livros de profundo caráter metafísico. América (1793) e Europa (1794) celebram respectivamente as revoluções americana e francesa. O Livro de Urizen é uma paródia do Gênesis bíblico. As obras As Quatro Loas e Jerusalém são consideradas clássicas na língua inglesa. Blake, mais do que qualquer outro homem, combinou as qualidades que pertenciam tanto ao homem de ação como ao sonhador, o guerreiro e o santo, o mágico e o místico. O poeta entendia a criação artística como fundamentalmente para o ser humano. Ele acreditava que havia uma possibilidade de se chegar à redenção, à salvação do espírito, através da arte. Dizia que o próprio Cristo fora um artista, pois pregara recorrendo a parábolas, formas poéticas de expressão por excelência. Uma de suas famosas frases: Ver o mundo num grão de areia e o céu numa flor silvestre detém o Infinito na palma da mão e a Eternidade numa hora. D. H. Lawrence: (1885-1930): David Herbert Lawrence, que viria a ser universalmente conhecido como D. H. Lawrence nasceu no Reino Unido. Sua obsessão por mulheres, sexo e amor, revelou- se desde cedo. Embora ele custasse a se decidir sobre quem amar, tendo perdido a virgindade só com 23 anos, conseguiu traduzir esses temas numa obra literária magnífica. Em 1910, Lawrence encontra Frieda, uma aristocrata prussiana, casada e com três filhos. Os dois apaixonam-se. Ela larga o marido e as crianças. Em 1915 Lawrence publica O Arco-Íris, romance que a crítica classificou de nauseabundo. O livro foi considerado obsceno, apesar de não conter uma palavra de baixo calão. Lawrence caminhava para escrever um grande romance erótico, mas antes desse ápice criou outra obra-prima Mulheres Apaixonadas, em que dois casais são confrontados diante dos dilemas da paixão e um deles fracassa, por não encarar sua realidade sexual como principal meta. Em 1926 vivendo perto de Florença, Lawrence começa a escrever sua obra máxima O Amante de Lady Chatterley, a história de Constance, uma bela mulher que se casa com Clifford Chatterley, um oficial inglês. Após a lua de mel ele é chamado para uma frente de batalha da Primeira Guerra. Retorna inválido, numa cadeira de rodas. Sir Chatterley é um homem refinado e compreensivo. Vendo a situação da jovem esposa, autoriza-a a encontrar um amante que ela deseje de todo coração. O livro apareceu em 1928 e a imprensa o qualificou de uma latrina. Um dos matutinos afirmou que os esgotos da pornografia francesa não tinham produzido nada de comparável. O futuro se encarregou de apagar essas críticas.
  10. 10. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 10/39 Tennessee Williams: (1911-1983): Batizado como Thomas Lanier Williams, nasceu em Columbus, no Missouri. Em 1914 foi viver em St. Louis, Mississipi, para acompanhar o pai. Ali, por causa do sotaque sulino, os amigos lhe deram o nome de Tennessee. Em homenagem à sua origem, bem como ao sobrenome dos pais, ele passou a se assinar Tennessee Williams. Tornou-se conhecido do público com À Margem da Vida, escrita em 1944, estudo sobre a decadência de uma família aristocrática do sul dos Estados Unidos, cenário habitual de suas obras. A atmosfera de cortesia hipócrita que dissimula a brutalidade das relações humanas é uma constante nas peças de Tennessee. Brilhantes exemplares do gênero dramático americano conhecido como tragédia do homem comum. Blanche Du Bois, Um Bonde Chamado Desejo, é a própria imagem da decadência e um dos personagens mais pungentes da história do teatro. À Margem da Vida escrita em 1945, é, basicamente, uma elegia a Rose, sua irmã que viveu parte de sua vida num sanatório. Seu último desejo foi ter seus restos mortais lançados no Mar do Caribe, no local onde Hart Crane desapareceu, em 1932. Rainer Maria Rilke: (1875-1926): Nasceu em Praga. Foi secretário do escultor Auguste Rodin, que ensinou ao poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Em sua prosa mais importante, Os Cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), emprega imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provoca em um jovem escritor muito parecido com ele. Elegias de Duino (1923), obra que se percebe uma certa aproximação dos conceitos existenciais de Kierkegaard. A obra de Rilke com seu hermetismo, solidão e ociosidade chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinquenta tanto na Europa como na América. Eugenio Montale: (1896-1981): Nasceu em Gênova. Foi oficial do exército italiano durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1948 escolhe Milão para viver. Ao longo desta vida, a poesia jorra em 1925 com Ossos de Siba, despedida lírico-subjetiva dos anos iludidos da mocidade. Só em 1939, aparece o segundo livro: As Ocasiões, que reúne textos escritos entre 1928 e 1939 e em que a poesia se torna abstrata e metafísica. Outras obras: Finisterre (1943), Xênia (1966) e depois Satura (1971). È talvez este o Montale, cantor ecumênico do desengano do nosso século, em que o mundo internacional se reconhece e identifica. A verdadeira poesia é semelhante a certas pinturas cujos proprietários são desconhecidos e das quais apenas alguns iniciados têm ciência. (Discurso de aceitação do Prêmio Nobel de 1975). Lustros 19 Honoré de Balzac: (1799-1850): Nasceu em Tours. Filho de camponês teve uma infância infeliz. Viveu de 1822 a 1829 na mais obscura pobreza. Em 1829 escreveu seu primeiro livro. Trabalhador infatigável, Balzac produziu cerca de 95 novelas e inúmeros relatos curtos, obras de teatro e artigos para a imprensa nos 20 anos seguintes. São célebres as palavras de Baudelaire, Balzac, tanto quanto Victor Hugo, era dominado por um gênio, uma vontade demoníaca que o impeliu ao longo dos 90 romances que constituem A Comédia Humana, rival propositado de A Divina Comédia, de Dante. Foi em 1834 que Balzac concebeu a ideia de fundir todos os seus romances em uma obra única. Sua intenção era oferecer um grande retrato da sociedade francesa em todos os seus aspectos, desde a Revolução até a sua época. A Comédia Humana incluiu 150 novelas, divididas em três grupos principais: Estudos dos Costumes, Estudos Filosóficos e Estudos Analíticos. Morreu esgotado em 1850, em Paris. Admirável e prolixo retratista dos costumes deixou com sua obra um insuperável marco do realismo na literatura do século XX.
  11. 11. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 11/39 Lewis Carroll: (1832-1898): Lewis Carrol, cujo verdadeiro nome é Charles Lutwidge Dogson era eclesiástico de profissão e professor de matemática. È considerado o maior mestre da fantasia literária, modalidade de narrativa romanesca ainda em voga. È lembrado por três obras literárias originais: As Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865), Alice no País dos Espelhos (1871) e A Caçada de Snark (1876). A categoria Literatura Infantil já não me parece útil, neste início do terceiro milênio. Literatura medíocre faz mal as crianças, e os livros de Harry Potter (sei que sou a única pessoa que pensa assim) são obras datadas, cheias de clichês, e haverão de acabar em cestas de lixo. Segundo alguns estudiosos da vida de Carrol, supõem que ele era homossexual, com uma grande preferência pelos meninos pré-adolescentes. No entanto, consideram que Carrol nunca passou ao ato, limitando-se em sua obra em insistir no lado romântico das meninas, e teria gostado que nunca crescessem. Se poucas crianças admitem ter apreciado Alice no País das Maravilhas na primeira leitura, pela surpresa dos personagens, a obra que escapa às normas da moral vitoriana sempre foi um êxito desde sua publicação. No entanto, alheio ao seu desejo de dissociações (não reconhece nenhuma relação entre si próprio e os livros publicados) ou aos delírios moralistas da sociedade burguesa, suas criações sobrepuseram-se ao tempo, inseminando a obra de James Joyce (Ulisses e Finnegans Wake, onde ecoam seus vertiginosos experimentos de linguagem), com influências inclusive na cultura pop, a exemplo da canção carroliana Lucy in the Sky with Diamonds, de John Lennon. Henry James: (1843-1916): Henry James é o ficcionista mais eminente que os Estados Unidos já produziram. James tem poucos rivais na literatura de sua nação. Whitman e Dickinson, entre os poetas, e Ralph Waldo Emerson, entre os profetas. Hawthorne e Faulkner são os únicos autores de narrativas romanescas que se aproxima de James, mas a sutileza da arte deste último é mais rica em nuanças e mais universal do que a dos primeiros. A Volta do Parafuso é simplesmente uma das melhores histórias de fantasmas jamais escritas. James, em 1898, já era um escritor consumado com várias obras-primas no currículo e estava prestes a atingir o auge com As Asas da Pomba, Os Embaixadores, Retrato de Uma Senhora e O Púcaro Dourado. Até hoje Estados Unidos e Grã-Bretanha brigam para se apropriar de James, já que embora nascido em Nova York, morou bom tempo em Londres e se naturalizou inglês. Robert Browning: (1812-1889): Há outros grandes autores fora de moda neste momento nefasto, mas dentre os principais poetas da língua inglesa, Browning parece-me, inexplicavelmente o mais esquecido. Seu talento só foi reconhecido postumamente e produziu uma obra baseada na convicção de que a arte tinha valor superior, como expressão mais pura da emoção humana, e de que a tarefa do artista seria unir o ideal ao real. Entre suas principais obras destacam-se: Minha Última Duquesa, o poema mais conhecido, Paracelsus, Sordello entre outros. William Butler Yeats: (1865-1939): Poeta irlandês, escritor e místico. A exemplo de Victor Hugo, anteriormente, Yeats era ocultista, tendo mesmo participado de sessões espíritas. Segundo Yeats, os espíritos forneciam-lhe metáforas poéticas. Seu primeiro livro publicado em 1886 foi Mosada, seguido de The Wanderings of Oisin e The Wind Among the Reeds. A figura de Maudd Gone, a mulher por quem foi fissurado, teve grande influência em suas poesias. Mas eles nunca se casaram. È lembrado como um dos maiores dramaturgos e poetas do mundo. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1923. Lustros 20 Charles Dickens: (1812-1870): Se pensarmos a questão do gênio, no que concerne a romancistas de língua inglesa, começamos e terminamos com Dickens. Na atual Era da Informação, Dickens
  12. 12. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 12/39 une-se a Shakespeare, na condição de únicos escritores patentemente capazes de sobreviver ao domínio dos novos meios de comunicação. Suas principais obras foram: As Aventuras do Senhor Pickwick, David Copperfield, Grandes Esperanças, A Pequena Dorrit, Casa Desolada, entre outros. Fiodor Dostoievski: (1821-1881): Nasceu em Moscou e morreu em S. Petersburgo. O suposto assassinato de seu pai pelos próprios servos de sua propriedade rural exerce enorme influência sobre o futuro do jovem. Aos 25 anos publica seu primeiro romance Pobre Gente, onde trata a vida simples dos pobres funcionários da burocracia russa, com extraordinário sucesso em toda a Rússia. Em 1849 é preso por participar de reuniões subversivas. Condenado à morte, é submetido, juntamente com seus companheiros, a fuzilamento simulado, experiência que irá marcá-lo para o resto dos seus dias, cuja impressão deixará registrado em O Idiota. Deportado para a Sibéria cumpre nove anos de exílio. Na prisão coleta dados e histórias que constituirão As Recordações da Casa dos Mortos, romance autobiográfico que somente será publicado depois do seu exílio siberiano. Epiléptico, suas crises se agravam na prisão. A doença - motivo de intermináveis dissabores para o escrito - vai marcar alguns dos seus principais personagens. O reconhecimento como escritor universal surge somente depois dos anos 1860, com a publicação dos grandes romances: Crime e Castigo e Irmãos Karamazov, que Freud considerou o maior romance de todos os tempos. Quando perguntaram a Lênin sua opinião sobre a obra de Dostoievski, o líder da revolução russa retrucou: Não tenho tempo para ler esse lixo. Talvez, se o tivesse feito, a história do seu império soviético poderia ter sido outra, pois ninguém entendeu melhor a alma russa - e o homem, universal e atemporal - do que o criador de Crime e Castigo. Frase de Dostoievski: Um homem inteligente, em minha opinião, é aquele que se chama de tolo pelo menos uma vez por mês. Isaac Babel: (1894-1940): O autor do clássico, Cavalaria Vermelha e dos Contos de Odessa, foi vítima do stalinismo ao lado de centenas de intelectuais russos. Preso e acusado de cooperação com potências estrangeiras foi fuzilado em 1940. Na condição de contista, Babel equipara-se a Tchekhov, Joyce, Hemingway, Borges: em vários sentidos, ele, tanto quanto os demais é o gênio da forma. Babel é um mestre da literatura russa. Paul Celan: (1920-1970): Filho de judeus, nasceu na Romênia. Em 1941, Celan é enviado a um campo de trabalhos forçados; seus pais morrem em um campo de concentração. Terminada a guerra, Celan começa a trabalhar em Bucareste como assistente editorial e tradutor, atividade em que se destacou ao longo da vida. Apesar da origem judaica, de ter nascido na Romênia e das décadas em Paris, Celan sempre se fez entender como escritor alemão. Salmo, Eclusa, Bumerangue, Canteiro de Neve é o que existe de melhor em Celan. Em seu isolamento e receio de loucura, Celan matou-se aos 49 anos. Ralph Ellison: (1914-1994): Escreveu em 1952 O Homem Invisível, obra-prima de romance, em que o título anuncia o conteúdo: como o negro é o homem invisível nos Estados Unidos, porque os brancos não querem vê-lo. Os críticos babaram. Ganhou todos os prêmios possíveis. Nunca mais escreveu nada. -------------------------------------
  13. 13. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 13/39 A 1ª, 2ª e 3ª partes podem ser lidas, respectivamente em: http://www.jbnews33.com.br/informativos/JB_News-Informativo_nr_2066.pdf http://www.jbnews33.com.br/informativos/JB_News-Informativo_nr_2073.pdf http://www.jbnews33.com.br/informativos/JB_News-Informativo_nr_2080.pdf Finalizando: A genialidade literária, difícil de ser definida, para ser constatada, depende de uma leitura profunda. O leitor aprende a se identificar com aquilo que lhe parece uma grandeza que pode ser somada ao eu, sem com isso violar a integridade do ser. A noção de ‘grandeza’ está fora de moda, assim como a ideia de transcendência, mas é difícil continuar vivendo sem alguma esperança de se deparar com o extraordinário. Encontrar o extraordinário em outra pessoa é experiência cujas propensões são enganosas ou ilusórias. A isso chamamos ‘apaixonar-se’; deparar-se com o extraordinário em um livro - seja a Bíblia, ou as obras de Platão, Dante, Proust - é benefício, praticamente sem custo. Os escritos dos gênios constituem o melhor caminho em direção à sabedoria, que é, creio eu, a verdadeira utilidade da literatura para a vida. O historiador vitoriano Froude observou que gênio é uma fonte cujo conteúdo é sempre mais caudaloso do que o líquido que jorra. (HB). Sempre entendi que se um dia a Maçonaria tiver que ser nivelada, intelectualmente, que ela seja por cima e não por baixo. (JIG).
  14. 14. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 14/39 O Ir.·. José Ronaldo Viega Alves* escreve aos domingos. ESTUDO SOBRE AS ESTRELAS: SÍMBOLOS RECORRENTES NO UNIVERSO MAÇÔNICO. AS ESTRELAS DE CINCO E SEIS PONTAS. A “MAGUEN DAVID” OU ESTRELA DE DAVID É UM SÍMBOLO MAÇÔNICO? (PARTE 1) *Irmão José Ronaldo Viega Alves ronaldoviega@hotmail.com Loja Saldanha Marinho, “A Fraterna” Oriente de S. do Livramento – RS. Via Láctea Soneto XIII "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?" E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas". (Poema de autoria de Olavo Bilac) 4 – ESTUDO SOBRE AS ESTRELAS: SÍMBOLOS RECORRENTES NO UNIVERSO MAÇÔNICO. AS ESTRELAS DE CINCO E SEIS PONTAS. A “MAGUEN DAVID” OU ESTRELA DE DAVID É UM SÍMBOLO MAÇÔNICO? (PARTE 1) José Ronaldo Viega Alves
  15. 15. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 15/39 INTRODUÇÃO As estrelas sempre despertaram imensa fascinação no homem desde as eras mais primitivas. Com o transcorrer do tempo, filósofos, cientistas e poetas tem dedicado um ou vários momentos das suas vidas em contemplações, imaginações, além de se perguntarem sobre os mistérios que guardam, também enaltecerem a sua beleza num céu noturno, por exemplo. Sem dúvida, uma simples menção ou referência a palavra ‘ESTRELA” poderá nos remeter a uma série de significados, inferências, além de vários tipos de ligações, pois, aí vão aparecer: astros com luz própria, estrelas de cinema, pessoas iminentes, magia, viagens siderais, condecorações, insígnias, classificações, estrela guia, estrela cadente, boa ou má estrela..., enfim, a lista é interminável. A poesia que abriu este trabalho é uma das mais belas da língua portuguesa e da autoria do poeta brasileiro, Olavo Bilac. Prova inconteste da beleza que o poeta pode alcançar em seus devaneios, sem falar que tal citação neste começo, faz com que viajemos no tempo, de volta à época de colégio, onde declamávamos este tipo de poesia, assim como, outras daqueles nossos poetas ditos clássicos. A poesia acima tem então esse poder de resgate, e isso por si só já daria um trabalho, claro, do ponto de vista literário, do ponto de vista da Educação, mas, o objetivo é outro e o motivo mesmo de publicá-la na abertura é fazer despertar no leitor aquele fascínio antigo que todos nós devotamos a estes astros, e a partir daí, deixar que ela cumpra essa função que até poderíamos classificar de ilustração, metáfora ou recurso, ou uma mistura de todas elas. E não é na Maçonaria, onde devemos procurar captar o que os símbolos nos falam (ou entender que os interpretamos de acordo com nosso entendimento, que é tão parco quando chegamos), mas, que na medida em que o tempo vai transcorrendo, e evoluímos, o nosso entendimento sobre cada um dos símbolos sofrem mudanças também? Em se tratando de um símbolo especial, tão presente no universo maçônico, onde o mesmo é passível de ser encontrado em várias modalidades, nomes e formatos diferentes... O que será que elas nos dizem? Podemos, a exemplo do poeta, ouvir estrelas? No riquíssimo simbolismo da Maçonaria, pelo que sabemos, as estrelas são bastante utilizadas e também são símbolos recorrentes, ou seja, aparecem em vários Ritos, Graus e em inúmeras representações, até pelo fato, de que estão associadas diretamente à Luz. Mas, há também interpretações e alusões à Magia e às tradições esotéricas antigas que, acabam despertando então algumas dúvidas ou no mínimo a curiosidade em saber o porquê de elas estarem na Maçonaria. A resolução do problema estaria em conhecer com a devida fundamentação sobre quais os símbolos que sempre foram maçônicos, sobre os símbolos que foram adotados pela Maçonaria, e ainda sobre aqueles que sofreram mutações ao longo do tempo, mas, seria uma tarefa impossível de ser realizada. E por que no título deste trabalho consta em primeiro lugar a palavra “Estudo”? A resposta é: pelo simples fato, de que, uma de suas acepções no dicionário, é “esboço”, o que deixa um espaço para complementações num
  16. 16. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 16/39 futuro, já que o tema é muito vasto, além de abrir possíveis discussões salutares, com certeza. Ainda, há que se ter cuidado para não entrar em aspectos do simbolismo que são inerentes somente ao Grau onde ela aparece, o que, não envolve certamente a história da mesma. Como disse o Irmão Xico Trolha, em seu livro “Símbolos Maçônicos e suas Origens”: “A Estrela, no Simbolismo Maçônico, assume várias modalidades e vários nomes e formas. Sendo ela um Símbolo quase que exclusivamente do Grau de Companheiro, devemos ter um pouco de cuidado ao comentá-lo. Senão os puristas não regatearão criticas severas.” O objetivo é mostrar o seu uso genérico, digamos assim, pela Maçonaria, assim como, as suas várias espécies, os seus significados, ainda que, restringindo os comentários quando elas estão inseridas em Graus que extrapolam o de Aprendiz-Maçom, ficando mais na condição de destacá-las somente. FALA A CIÊNCIA: O QUE SÃO ESTRELAS? A título de ilustração, vejamos uma definição acerca do que são as estrelas, do ponto de vista da ciência, na descrição do renomado astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão: “ESTRELAS: Globos de gases incandescentes. O Sol é uma estrela. Existe uma grande variação física entre as estrelas. Algumas irradiam energia cerca de mil vezes (em certos casos bilhões de vezes) mais intensa que a do Sol. Existem estrelas frias que irradiam na cor vermelha, com temperatura entre 1600° a 2.000°, e as estrelas quentes com temperatura superficial superior a 100.000°C. A variação entre os diâmetros das estrelas é enorme. Existem as anãs brancas com dimensões inferiores à da Terra (com uma densidade média de 100.000 vezes maior que a água) e as supergigantes cujo diâmetro pode ser de 3.000 vezes o diâmetro do Sol e com uma densidade de 10-9 vezes a densidade do Sol. A energia irradiada pela estrela é na maioria dos casos oriunda da fissão nuclear desencadeada no interior da estrela devido às altas temperaturas. (...) Na realidade, o que chamamos estrelas são sóis _ em geral muito maiores e muito mais quentes do que o Sol. O número de estrelas visíveis a olho nu é cerca de 7 mil, distribuídas por toda a esfera celeste. Elas se diferenciam umas das outras quanto ao seu brilho. Assim, são classificadas de acordo com seu brilho e conhecidas como estrelas de primeira magnitude, de segunda, de terceira, até a 27ª magnitude. Uma estrela de qualquer magnitude é cerca de 2,5 vezes mais luminosa do que outra da ordem de magnitude seguinte. A magnitude das estrelas varia de acordo com seu poder de emissão de luz e também com sua distância ao nosso planeta.” ESTRELAS: DEFINIÇÕES E COMENTÁRIOS DE ALGUNS DICIONÁRIOS MAÇÔNICOS “ESTRELA: No que concerne à estrela, costuma-se reter, sobretudo, sua qualidade luminar, de fonte de luz. As estrelas representadas na abóbada de um Templo ou de uma igreja dizem respeito, especificamente, ao significado celeste desses astros. Seu caráter celeste faz com que sejam símbolos do espírito e, particularmente, do conflito entre forças espirituais (ou de luz e as forças materiais (ou das trevas). As estrelas transpassam a obscuridade; são faróis projetados na noite do inconsciente. Tanto para o Antigo Testamento quanto para o Judaísmo, as estrelas obedecem à vontade de Deus e eventualmente as anunciam (Isaías, 40:26;. Salmos 19:2). Portanto, elas não são criaturas inanimadas. Em Maçonaria, a palavra Estrela tem duas acepções: a) Luz, tocha, que porta o maçom, membro de uma comissão que recepciona um visitante de Grau elevado, uma autoridade com alto cargo; b) Paramento dos Templos, estrelas de 5,6,7 e 9 pontas.” (“Maçonaria de A a Z”, págs. 121/122, 2013)
  17. 17. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 17/39 “2. Nas lojas Maçônicas aparecem diversas espécies de estrelas, cujo significado convém considerar; no Templo nada existe por mera ornamentação; ao contrário, cada coisa, mesmo a mais simples, tem ali um objetivo e um significado. Além da Estrela constituir um astro, ela é usada nos Emblemas como polígonos; as luminárias da Loja também são denominadas de Estrelas. 3. Em certos atos, para homenagear visitantes ilustres, é feito no interior da Loja um corredor, munindo-se os bastões cuja extremidade finda em uma tocha (ou vela acesa); esses bastões denominam-se de estrelas. Esta tradição vem dos tempos da Maçonaria de Ofício, pois, naquela época seu uso era eminentemente prático, já que elas eram utilizadas para iluminar os caminhos dos que se apresentavam aos trabalhos. Em respeito à tradição, estas estrelas devem, mesmo ser representadas por velas de cera. Simbolizam a luz que emana desses obreiros. 4. Além dessas estrelas interessam, também, maçonicamente, as Estrelas Pentagonal e a Hexagonal, que dependendo do Rito, é chamada de Estrela Flamejante.” (“Vade-Mécum Maçônico”, pág. 186, 2008) ESTRELA DE CINCO PONTAS (PENTAGRAMA) E ESTRELA FLAMÍGERA, OU FLAMEJANTE Para dirimir algumas confusões e discussões que giram em torno dos nomes acima, se eles possuem iguais significados no que tange à simbologia, ou se existem diferenças quando no âmbito de um rito ou outro em particular, vamos ver na sequência algumas informações que são parte do verbete ESTRELA DE CINCO PONTAS, que constam no “Vade- Mécum Maçônico”, do Irmão João Ivo Girardi: “ESTRELA DE CINCO PONTAS: 1. Chamada de Stella Pitágoris. Autores há que afirmam ser a Estrela Flamígera e a Estrela de Cinco Pontas, um mesmo símbolo. Contudo, ousamos divergir, afirmando que constituem dois símbolos distintos. Começando pela colocação das referidas Estrelas, uma sobre a Porta de Entrada, e a outra, sobre o Trono do 2º Vigilante. A Estrela de Cinco Pontas é comum à Loja de Companheiro e à Loja de Aprendiz; o seu estudo, porém, torna-se mais minucioso no 2º Grau, face ser a estrela de Cinco Pontas, o Pentagrama e considerado o número cinco, como estudo específico do 2º Grau.” COMENTÁRIOS: Em primeiro lugar, sobre a questão dos dois símbolos distintos, Estrela Flamígera e Estrela de Cinco Pontas, veremos na segunda parte deste trabalho uma parte sobre as questões mais polêmicas. Em segundo lugar, sobre alguns autores que sustentam que a Estrela de Cinco Pontas ou Pentagrama é a mesma Estrela Flamígera ou Flamejante, aqui dou como exemplo, ainda, o Irmão Nicola Aslan, como bem podemos ver quando ele escreveu sobre o respectivo verbete no seu “Grande Dicionário Enciclopédico...”: “ESTRELA DE CINCO PONTAS – A Estrela, também chamada Estrela da Beleza, contém cinco Alfas. Em outras épocas, dizia-se que era o símbolo da saúde e pretendia-se que fosse um poderoso talismã contra a Feitiçaria. Em Maçonaria é e a Estrela Flamejante ou Flamígera.” Também o Irmão Theobaldo Varoli Filho, que dá ênfase ao fato de que na Maçonaria ela é de origem pitagórica, como veremos no texto a seguir: “Por outro lado, a estrela de cinco pontas sempre foi desde tempos remotos e até hoje, o distintivo de comandantes militares, de generais. Talvez por isso ela tenha sido confundida com a Estrela de Davi. (Grifo meu!) Nas Cruzadas, com a letra ‘G’, no seu interior distinguia os comandantes dos generais. Porém, mo símbolo maçônico, a E. Flamígera, Flamejante ou Flamante é rigorosamente de origem pitagórica, pelo menos quanto ao seu formato e significado, este muito mais antigo do que aqueles que lhe deram a Alquimia, a Magia e o Ocultismo, durante a a Idade Média. O seu sentido mágico, alquímico e cabalístico e o seu aspecto flamejante foram imaginados ou copiados por Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533), jurista, médico e teólogo, professor em diversas cidades europeias. O papa Leão X o chamava de ‘filho querido’.
  18. 18. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 18/39 A Magia, dizia ele, permite a comunicação como o superior para dominar o plano inferior. Para conquistá-la seria preciso morrer para o mundo (iniciação).” Agora, retornando ao texto anterior, transcrito do “Vade-Mécum Maçônico”: “4. A Estrela Pentagonal é conhecida desde os tempos mais remotos. É também um dos símbolos da magia e já foi usada como tal em Ritos místicos. Sua orientação, ou melhor, a maneira de orientar suas pontas significa, eventualmente, operação de magia branca ou magia negra. Com uma ponta voltada para cima ela significa teurgia e conclama as influências celestes, que, através de seu poder mágico, virão em apoio do invocador; com uma ponta virada para baixo ela significa goécia, e de acordo com as intenções do invocador, atrai as influências maléficas. A Estrela Flamejante foi introduzida na Maçonaria nos fins do séc. XVIII, na França, pelo barão de Tschoudy; maçonicamente, o símbolo é relacionado com os pitagóricos. Sendo a Maçonaria uma obra de luz, é evidente que nela a Estrela Pentagonal tenha apenas um dos raios voltados para cima, simbolizando a figura de um homem em sua alta espiritualidade, sendo por isso chamada de Estrela Hominal; na posição invertida, nela se inscreve a figura de um bode, ou de um homem de cabeça para baixo, simbolizando a materialidade, ou a animalidade. 5. De qualquer maneira, é bom que se saiba que os primeiros maçons especulativos, assim como os operativos, não conheciam o pentagrama como símbolo maçônico; além disso, não são todos os ritos que adotaram o pentagrama como Estrela Flamejante (só o Adoniramita e aqueles que o imitam). O Rito de York, por exemplo, adota a Estrela de Seis Pontas (a Blazing Star do rito, ou a Maguen Davi* do Judaísmo), formada por dois triângulos equiláteros cruzados e em oposições opostas: o de ápice superior é o símbolo das atividades espirituais, enquanto o ápice inferior é o símbolo das obras materiais. A conclusão que se pode tirar, embora alguns afirmem o contrário, é que a estrela Flamejante não é um puro símbolo maçônico, sendo, a sua origem, encontrada na magia, desde os tempos mais remotos.” * No texto transcrito do “Vade-Mécum”, a grafia utilizada é “Magsen David”, sendo que tomei a liberdade de optar pelo hebraico onde a grafia é “Maguen Davi”, até pela relação direta que existe aí, com o Judaísmo. A ESTRELA DE DAVI DO JUDAÍSMO TEM ALGUMA CORRELAÇÃO DIRETA NA MAÇONARIA? Ainda que o último parágrafo do texto anterior pertença também ao verbete “Estrela de Cinco Pontas”, há uma referência ali à “Estrela de Seis Pontas”, ou Estrela de Davi, utilizada no Rito de York (outro nome errôneo, segundo o Irmão Joaquim da Silva Pires, pois, os ingleses praticam um Rito inominado que não tem a denominação de Rito de York, e que é um sistema norte-americano sem nenhuma vinculação com a Maçonaria da Inglaterra), no entanto, o objetivo é bem claro, ou seja, evidenciar qual o tipo de Estrela Flamejante adotada, já que são admitidas duas. A título de informação, mesmo no Judaísmo, a Estrela de Davi não é tida como um símbolo de origem propriamente judaica, tanto que não é feita qualquer tipo de menção à ela, nem mesmo nos livro sagrados. Mas, vejamos o que diz a clássica “JUDAICA” sobre este assunto: “Embora a ‘Maguen David’ – a ‘Estrela de David’ ou a ‘Estrela Judaica’ – venha sendo usada, universalmente, nos tempos modernos, quer pelos judeus, quer por seus inimigos, como símbolo gráfico da identidade nacional judaica, o mesmo não aconteceu nos períodos primitivos da história judaica. Então, a representação da menorah de sete braços era o motivo pictórico tradicional. Em parte alguma das obras pós-bíblicas hebraicas – nem mesmo na vasta literatura do Talmud da Babilônia e do de Jerusalém – o Maguen David (um hexagrama formados por dois triângulos equiláteros) não é mencionado nem descrito. É verdade que se pode encontrar o mesmo motivo incrustado na ornamentação arquitetônica da Sinagoga helenística de Cafarnaum (Kefar Nachum), mencionada no Evangelho Cristão como tendo sido o local onde Jesus pregou; o mesmo motivo também está entalhado numa pedra tumular judaica do século III excavada em Tarento, na Itália. Esses exemplos, porém, são exceções.
  19. 19. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 19/39 Tudo indica que o Maguen David como símbolo judaico tornou-se mais difundido quando os caraítas e os praticantes de Cabala da Europa o introduziram ao final da Idade Média. Sua popularidade ampliou-se muito, incrementada pelos cabalistas de épocas posteriores, que dele fizeram o desenho central de amuletos e talismãs protetores. Ao iniciar-se este século, o Maguen David foi adotado pelos sionistas como símbolo nacional judaico, e embora ainda continue a sê-lo, é interessante observar que o Estado de Israel retornou ao antigo símbolo tradicional da identidade judaica – a menorah – como motivo de decoração em seu selo oficial.” COMENTÁRIOS Para deixar bem claro: a Estrela de Davi ou Maguen Davi que em hebraico significa ‘escudo de Davi’, possui seis pontas, o que é conhecido também por hexagrama, pois, é feita de dois triângulos entrelaçados. Aparece mais em amuletos cabalísticos e está associada a procedimentos mágicos judaicos do período medieval. A questão é que em determinados ritos da Maçonaria, a Estrela Flamejante é um pentágono e em outros é um hexagrama. Aí residem então, algumas das confusões que são feitas seguidamente. Por exemplo, no Rito de York, ela é um hexagrama. Sendo assim, no universo da Cabala judaica medieval, no que se refere à Estrela de Davi, foi atribuída um poder mágico, tanto que ela passou a ser utilizada como um amuleto contra mau-olhado, contra a feitiçaria, além de, contra o mal que seria causado por supostos demônios. Eu diria que a Estrela de Davi, o seu nome (Maguen David) e a sua representação dentro do universo judaico, o que acabamos de ver, principalmente por estar atrelada às tradições judaicas envolvendo magia e superstições, não tem ligações então com a Maçonaria, ou não deveria ser associada à Maçonaria, já que está ligada à magia. Sem querer suscitar qualquer polêmica, mas, ao estabelecer qualquer analogia com o nome da Estrela de Davi, quer queira ou não, estaríamos entrando no terreno das contradições, ou de que outra maneira deveremos entender que magia não condiz com a Maçonaria? Então, o pentagrama, a figura geométrica, este seu outro nome, relativo aos dois triângulos entrelaçados, é o que seria mais adequado para uso no ambiente maçônico, e não o epíteto Estrela de Davi. Antes de dar prosseguimento, não custa refletir sobre este parágrafo extraído pelo Irmão Theobaldo Varoli Filho da obra “Geschichte des Freimaurerei”, que é de autoria de Findel, onde lemos: “Por vaidade e preocupação de que a origem da Instituição é antiquíssima, muitos maçons deixaram-se arrastar pelo erro dos símbolos e pelos costumes das Lojas. Em vez de investigar como se introduziram tais costumes na Maçonaria, preferiram abraçar a ideia de que eles derivavam da instituição.” (Grifo meu!) ESTRELA DE SEIS PONTAS OU HEXAGRAMA Como vimos anteriormente, essa estrela é conhecida como Escudo de Davi, mas, ainda pode levar o nome também de Selo ou Timbre de Salomão. A Estrela de Seis Pontas é outro símbolo que está relacionado à magia. Vejamos o que consta no “Dicionário Enciclopédico do Pensamento Esotérico Ocidental”: “Um dos principais símbolos da prática mágica ocidental, o hexagrama costuma ser usado como símbolo do Sol ou de um dos sete planetas tradicionais. Como o pentagrama, com o qual geralmente faz par, tem uma longa e complexa história; sob o rótulo de “Estrela de Davi”, tornou-se o mais conhecido símbolo do judaísmo, e aparece na bandeira de Israel. (...)” ***Na próxima semana veremos mais aspectos envolvendo as estrelas e o seu simbolismo na Maçonaria, complementando a sequência desenvolvida neste primeiro trabalho. Também abordaremos assuntos que versam sobre a Estrela que está no topo da Escada de Jacó, a Abóbada Celeste e outros.
  20. 20. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 20/39 Consultas Bibliográficas: ASLAN, Nicola. “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia” – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. Volume 2 – 3ª Edição – 2012 AUSUBEL, Nathan. “JUDAICA“ Conhecimento Judaico II - Volume 6 - A. Koogan Editor – 1989 CARVALHO, Francisco de Assis. “Símbolos Maçônicos e suas Origens”- Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. - 3ª Edição - 2009 DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO VEJA LAROUSSE – Volumes 7 e 9 - Editora Abril S/A – 1ª Edição - 2006 FISCHER, Luís Augusto & FISCHER, Sérgio Luís Fischer. “POESIA BRASILEIRA - Do Barroco ao Pré- Modernismo” - Editora Novo Século – 1ª Edição – 2001 GIRARDI, João Ivo. “Do Meio-Dia à Meia-Noite Vade-Mécum Maçônico” – Nova Letra Gráfica e Editora – 2ª Edição – 2008 GREER, John Michael. “Dicionário Enciclopédico do Pensamento Esotérico Ocidental” – Editora Pensamento – 1ª Edição - 2012 MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. “EXPLICANDO O COSMOS” – Editora Tecnoprint S.A. 1984 NAMI, Antônio. “Maçonaria de A a Z” – Madras Editora Ltda. 2013 PIRES, Joaquim da Silva. “Ritos Moderno e Adonhiramita” – Editora maçônica “A Trolha” Ltda. 1ª Edição - 2006 UNTERMAN, Alan. “Dicionário Judaico de Lendas e Tradições” – Jorge Zahar Editor – 1992 VAROLI FILHO, Theobaldo. “Curso de Maçonaria Simbólica” – II Tomo – Companheiro – Editora “A Gazeta Maçônica” 1ª Edição – 1976 VAROLI FILHO, Theobaldo. “Curso de Maçonaria Simbólica” – III Tomo – Mestre – Editora “A Gazeta Maçônica” - 1992
  21. 21. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 21/39 O Ir Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”- Londrina – PR – escreve aos domingos hercule_spolad@sercomtel.com.br VELAS E SEU SIGNIFICADO NA MAÇONARIA Um ensaio sobre as Velas e seus usos na Ordem. Toda vela ao ser acesa, ou será como iluminação, ou como ornamentação do ambiente ou então fará parte de um ritual onde a concentração mental e a chama como elementos simbólicos comporão um processo especial onde acontecerá uma intenção, como por exemplo, um desejo, uma promessa, uma oferta votiva uma invocação quer com fins religiosos ou mágicos. Na Maçonaria, nos ritos em que elas existem, participam de um simbolismo muito profundo quando da invocação de Deus, no inicio e durante e no final de uma sessão ritualística. É importante o uso do poder da mente e o desejo de se obter algo quando se acende uma vela. Uma das velas usada na Maçonaria é uma vela grande chamada círio a qual deverá ter em sua composição mais de 50% de cera de abelha, o que lhe garantirá uma chama pura. As velas são usadas desde a mais remota antiguidade, inclusive sendo usadas pelos pagãos e pelos povos primitivos ou como iluminação ou com fins iniciáticos ou religiosos. Somente a partir do século V foi que seu uso se generalizou na Europa. A vela não é, portanto, um símbolo criado pela Maçonaria, sendo emprestado da Igreja Católica adotado por ela, e que também copiou dos antigos e deu sua própria versão. As verdadeiras velas são constituídas por um bastonete de cera de abelhas, ou então as fabricadas hoje industrialmente não sendo, portanto, as verdadeiras velas de outrora, onde usam uma composição de acido esteárico ou de parafina que envolve uma mecha luminosa, cuja combustão fornece uma chama luminosa. A matéria prima mais empregada era a fabricação de velas era cera de abelha, sebo, óleo de baleia, gordura animal. Posteriormente a indústria mais desenvolvida passou a usar produtos de destilação do petróleo, xisto betuminoso (parafina) bem como ésteres esteáricos da glicerina (estearina). Nas funções religiosas da Igreja Católica são usados os círios que é em realidade, uma vela grande. A maçonaria adotou o mesmo critério. Durante séculos os círios foram fabricados em cera de abelha pura. Isto é, sem mistura. 5 – Velas e seu significado na Maçonaria Hercule Spoladore
  22. 22. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 22/39 A chama de um círio é para os Maçons, pura, viva e ritualística e há nela uma profunda espiritualidade. Enquanto que a chama produzida a gás, ou por velas de estearina ou parafina, que fazem parte das velas comuns, e ainda por lâmpadas elétricas imitando uma chama de vela são estranhas artificiais e impuras, mas substituem as velas de cera, porque tudo mudou no mundo. Os tempos mudaram a Maçonaria, não em seus princípios que continuam duradouros, mas mudou e os maçons de hoje também mudaram, mas a essência deste simbolismo não mudou e através da imaginação e do seu poder mental os maçons podem sentir que as ditas velas chamadas impuras possam fazer o mesmo efeito simbólico das velas puras, pois tudo é simbolismo. É tudo uma questão de reprogramação mental Hoje as velas de cera de abelha são bastante caras e não se tem mais a certeza de que sejam totalmente de cera de abelha. Então que se imagine e que se que a chama de uma vela atual tenha o mesmo valor simbólico e espiritual, mas o maçom terá que senti-lo como tal, e que as sempre lembradas velas de cera de abelha e a essência dos princípios maçônicos continuarão os mesmos. Antes do advento da luz elétrica as velas eram usadas com fins litúrgicos na Maçonaria simbolicamente, e também como iluminação dos locais onde os maçons se reuniam. Hoje fabricam lâmpadas elétricas que simulam artificialmente a chama de uma vela. Atualmente uma grande maioria de lojas substituíram as velas de cera por lâmpadas imitando velas. Uma rica tradição, simbólica e poderosa foi aos poucos sendo abandonada em favor do modernismo. Felizmente muitas Lojas, para o bem da tradição ainda conservam os costumes antigos usando velas de cera de abelha. Segundo Boucher, a cera de abelhas, quando faz parte de uma vela acesa apresentam dentro da ritualística maçônica os seguintes símbolos: Trabalho, Justiça Atividade e Esperança. Há ainda outro símbolo, muito usado na Maçonaria Americana, a Colmeia que significa o Trabalho e a Diligência. No Catolicismo o uso das velas é antigo, apesar dos primeiros cristãos ridicularizarem os pagãos que empregavam velas em seus ritos, e passaram a usa-las. As velas foram oficializadas quando no século V em Jerusalém foi feita a primeira procissão de velas. No século XI a Igreja adotou o uso das velas sobre os altares, já que até então elas eram dispostas a frente dos altares para uso litúrgico e atrás dos mesmos para ornamentação e iluminação. Para alguns autores sacros o Pai seria a cera, o Filho, o pavio e a chama seria Espirito Santo. Ainda representaria outro ternário: corpo alma e espirito. Se observarmos atualmente os círios na Igreja Católica eles contem inúmeros símbolos gravados no bastonete da vela de cera que usam. As velas são usadas em festas judaicas em especial na festa de Hanukhah ou Festa da Dedicação ou ainda das Luzes, que dura oito dias, e são acesas progressivamente oito velas, uma cada dia, do chanukiá, que é um candelabro de nove braços, no centro do qual existe uma pequena vela, que serve para acender as outras 8 velas. Um dos símbolos importantes do judaísmo é um candelabro de sete braços chamado menorah. Não será necessário dizer que durante as cerimônias cada braço será o suporte de uma vela acesa.
  23. 23. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 23/39 Na umbanda e no candomblé como são conhecidos atualmente, também usam as velas como oferendas ou como pedidos. Os adeptos destas religiões costumam acender velas de cores de acordo com as entidades invocadas. Adeptos do ocultismo, ou também como são conhecidos atualmente como bruxos ou simplesmente magos utilizam velas para realizar seus rituais, com fins mágicos. Segundo manuais de ocultismo os magos visam através destas práticas, liberar seu subconsciente. Trabalham em silêncio e seus trabalhos exigem muita concentração. Costumam antes das sessões de magia, queimar incenso para despertar a mente. A seguir usam um óleo especial para untar a vela visando desta forma criar um elo entre a vela e o mago através do tato. Ainda ao passar as mãos na vela acreditam que transmitam a ela as suas próprias vibrações que passaria a atuar como um magneto psíquico. Enquanto o mago unta a vela, ele dirige a mente ao que está desejando. Citam os manuais de magia que todo trabalho perfeito do mago é realizado em primeiro lugar na sua mente. “O que sem tem na mente torna-se realidade” afirma uma escola parapsicológica. Como se pode observar o uso das velas nestas situações é importante até na Magia. Segundo autores maçônicos a velas da época das corporações de oficio e das guildas seriam ofertas votivas. Não nos dão a ideia de que os maçons operativos promoviam a guarda de votos de gratidão, por graças recebidas. Mas como a maçonaria operativa era totalmente católica e a Igreja já existia há mil anos antes dos maçons operativos se acredita que estes seguiam a mesma tradição católica em relação ao uso das velas. Seria apenas a continuação de um costume já antigo no mundo, religioso ou não. A tradição maçônica está ligada a todas as filosofias antigas às religiões, inclusive a Católica, e em especial em muitos dos seus símbolos. Um fato que chama a atenção é que após a fundação da Grande Loja de Londres fundada em 24/06/1717, quando a Maçonaria ilusoriamente se tornou Especulativa ou Moderna, pois desde 1600 já estavam recebendo “maçons aceitos”, a orientação católica enfraqueceu a Ordem dela passou a contar com a participação muito grande de pastores principalmente de anglicanos e luteranos. Foi nesta fase que a Ordem além da influência evangélica, começou a receber um novo contingente de alquimistas, cabalistas, rosacrucianos e ocultistas que enriqueceram os nossos símbolos, em nossos rituais. Somos obrigados a raciocinar que estes novos tipos de maçons introduziram algum simbolismo a mais às velas, além dos sentidos espirituais. Mas de qualquer forma as velas que desde as épocas mais distantes representam para certas correntes espiritualistas a Sabedoria, Iluminação, Conhecimento e Realização espiritual e ainda a alma imortal. Sabemos que os maçons pertencentes à Grande Loja e Londres eram chamados de Modernos e que tiveram por muito tempo influência grande no mundo maçônico. Eles acendiam velas, provavelmente círios (vela grande) em seus candelabros e as chamavam de as Três Grandes
  24. 24. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 24/39 Luzes que representavam as posições do Sol em seu trajeto diário e noturno nas vinte e quatro horas. Diziam também que elas significavam o Sol, a Lua e o Venerável da Loja. Este conceito temos até hoje em nossas instruções em Loja. Entretanto a grande rival da Grande Loja de Londres, ou seja, a Grande Loja dos Antigos e Franco Maçons, fundada em 1753, consagrada aos Antigos obedeciam às Antigas Obrigações (Old Charges) que até então respeitavam os “maçons livres em loja livre” isto, é lojas sem potência. Somente em 1813 é que se uniram a Grande Loja de Londres e a Grande Loja dos Antigos e Franco Maçons e fundaram a Grande Loja Unida da Inglaterra como é conhecida hoje. Os Antigos admitiam as três velas como Pequenas Luzes que representavam o Venerável e os dois Vigilantes E as Grandes Luzes que seriam o Livro da Lei o Esquadro e o Compasso. Os círios ou velas são também chamados de Estrelas. Por isso usa-se em Maçonaria a expressão “Tornar as estrelas visíveis” quando o Venerável ordena em alguns ritos que se acendam as velas. Quando uma Loja recebe visitantes ou Dignitários ilustres e que serão recebidos de acordo com o protocolo de recebimento com tantas estrelas conforme sua importância na Ordem. Todavia segundo um antigo costume as estrelas (velas) não serão usadas para iluminar os visitantes, mas sim para representar Luz que eles representam. O número e a disposição das velas em Loja variam, conforme o costume, grau, rito e até à potência à qual pertencem. Desde o inicio da Maçonaria Especulativa ou Moderna foram usadas três velas grandes (círios) colocando-as em cima de grandes candelabros. Está claro que deveriam existir outros tipos de velas ou candeeiros com finalidade de iluminação, ou fonte de luz já que não já nesta época não se tinha descoberto o uso da energia elétrica. Em algumas Lojas eram colocados no chão em forma de triângulo. No fim do século XIX as velas foram colocadas ao lado do Venerável e dos Vigilantes (tocheiros como são chamados no Trabalho de Emulação). Atualmente dependendo do Rito usa-se uma vela em cima do Altar das Luzes e além das três citadas, usa-se três círios ao lado do Altar dos Juramentos, ou painel das Lojas ou como no caso do Rito de Schröder que não tem Altar dos Juramentos, mas estende-se o seu maior símbolo, o Tapete entre três círios. O modernismo fez com que quase em todas as Lojas, a velas fossem substituídas por lâmpadas de luz elétrica imitando os bastonetes das velas. Portanto, não há mais parâmetros de comparação ou um estudo mais sério a respeito. E com o modernismo veio normalmente a alteração das interpretações, e eisto é um fato, mas ao lado este detalhe, os inventores, “achistas” irmãos que gostam de aparecer, fazendo suas fantasias virarem procedimentos, trataram de alterar ainda mais a Ordem. E estas mudanças feitas pelo próprio maçom, acabam tornando-se verdades para principalmente os que foram iniciados na Ordem após elas terem disso realizadas. Posteriormente com a criação de novos Ritos foram criados procedimentos ritualísticos, diga- se de passagem, alguns deles muito lindos como é o caso do Rito Adonhiramita e o Rito de Schröder (Alemão).
  25. 25. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 25/39 Já o Rito Francês ou Moderno aboliu-se definitivamente o uso das velas, do Altar dos Juramentos e da Bíblia. O REAA usa as velas com finalidade litúrgicas. Além das velas sobre os altares do Triângulo Dirigente, é comum observar velas acesas em cima dos altares do Orador e Secretário e das Luzes Místicas que triangulam o Altar dos Juramentos onde deve estar a Bíblia aberta. Estas três velas representariam simbolicamente os três aspectos da Divindade: Onisciência, Onipresença e Onividência. No Trabalho de Emulação usam-se os chamados tocheiros que são um tipo de coluna pequena sobre a qual um círio permanece aceso durante a sessão. São três tocheiros, um à direita do Venerável e um ao lado de cada um dos Vigilantes. As cerimônias de acendimento das velas deveriam obedecer alguns princípios que seguem as antigas tradições Sempre o Fogo Sagrado deverá vir do Oriente, pois toda Sabedoria, e toda Luz vem do Oriente. As velas não podem ser acesas com isqueiros, gasolina fósforos enxofrados, ou qualquer outro meio que produza fumaça ou cheiro fétido. A vela do Altar do Venerável deverá ser acesa através de outra vela intermediaria, para que a chama recebida possa ser pura. Igualmente ao apaga-la não poderá ser com o hálito que é considerado impuro, ou com dois dedos se tocando, abafando a chama como é comum ocorrer. Esta tradição a Maçonaria foi buscar na Antiga Pérsia segundo Boucher que afirma que o culto ao Fogo dos persas era tão sagrado que jamais empregavam o hálito ou sopro para apagar a chama, bem como jamais usavam agua para apagar o fogo. Isto quando estavam executando uma cerimonia sagrada ou ritualística. Provavelmente usavam o sopro e a agua para apagarem o fogo fora dos seus templos ou lugares sagrados. Devemos usar um velador, adaptado com um abafador. Um velador é um suporte fino de uns 30 cm de comprimento feito de madeira ou metal na extremidade do qual existe um disco para a vela ou candeeiro. Perto da extremidade adapta-se um abafador pequeno de metal para apagar a vela. Todavia nem sempre o velador deverá ter um abafador ou apagador de velas, acoplado. Um abafador ou apagador de velas poderá ser uma peça de madeira ou de ferro, tendo presa a uma das suas extremidades uma espécie de campânula que se usará para abafar ou apagar a chama da vela, mas nunca com sopro ou outro meio. Alguns autores sugerem que o Venerável e Vigilantes utilizem o próprio malhete para apagar a vela de seus altares. Não nos parece esta prática, uma maneira adequada para se apagar uma vela dentro de uma sessão ritualística que tem um simbolismo tão profundo. E ainda tem que se considerar que o malhete não foi feito para dar pancadas em velas para apaga-las. Isto é um absurdo. Três dos Ritos existentes no Brasil têm uma ritualística própria e especial muito interessante com relação às velas, que merecem ser mencionadas. São muito lindas, e repleta de espiritualidade, que vale a pena serem descritas como está no Ritual porem de maneira sintética só descrevendo suas etapas mais importantes, onde mostram o trajeto das velas durante esta cerimônia de abertura e fechamento da Loja.
  26. 26. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 26/39 No Rito Adonhiramita esta passagem ritualística chama-se Cerimônia do Fogo. Antes do inicio da sessão o Arquiteto, Mestre de Cerimônia e 1º Experto acendem o Fogo Eterno ( Reavivamento da Chama Sagrada) que é uma grande vela um círio portanto, que fica situado no Oriente entre o Altar dos Juramentos e o Altar do Venerável. Após iniciada a sessão é realizada a Cerimônia da Incensacão que é uma parte da ritualística. A seguir, o Venerável ordena ao Mestre de Cerimônia que realize a Cerimônia do Fogo. O Mestre de Cerimônias com um velador ou acendedor apanha a Chama Sagrada junto ao Fogo Eterno, que está entre o Altar dos Juramentos e o Altar da Sabedoria ou do ou do Venerável e o conduzirá ao Altar do mesmo. Este, ao receber o velador, ergue-o com as duas mãos à altura de sua face e diz: “Que a Luz da Sabedoria ilumine nossos trabalhos” Em seguida acende sua vela e diz ”Sua Sabedoria é infinita” o Mestre de Cerimônia leva a chama ao Altar do Primeiro Vigilante Este igualmente ergue o velador à altura da face e diz” Que a Luz de sua Força nos assista em nossa Obra”. Acende sua vela e diz: “Sua Força é infinita” Repete-se o mesmo procedimento com o 2° Vigilante e este dirá: ”Que a Luz de sua Beleza manifeste-se em nossa Obra”. Acende sua vela e diz: “Sua Beleza é infinita”. O Mestre de Cerimônia apaga a Chama do velador com o abafador ou apagador e comunica ao Venerável que terminou a cerimônia. Este no final da sessão após vários procedimentos ritualísticos determina ao Mestre de Cerimônia que proceda o adormecimento do Fogo. O Mestre de Cerimônias vai até o 2° Vigilante e entrega-lhe o abafador ou apagador. Este adormece a Chama dizendo “Que a Luz de sua Beleza continue a flamejar em nossos corações”. Devolve o apagador para o Mestre de Cerimônias vai ao Altar do Primeiro Vigilante entrega-lhe o apagador : “Que a Luz de sua Força permaneça em nossos corações” e adormece a sua chama. É devolvido ao Mestre de Cerimônia o apagador que vai até o Venerável e este ao apagar ou adormecer a sua Chama dirá: “Que a Luz da Sabedoria prossiga habitando nossos corações”. O Mestre de Cerimônia volta ao seu lugar a e avisa que procedeu a Cerimônia de Adormecimento do Fogo. O Venerável termina a sessão, todos saem, permanecem no Templo apenas o Irmão Cobridor Interno, Mestre de Harmonia e Arquiteto, sendo este o ultimo a sair do templo após adormecer a Chama Sagrada o que fará em companhia do Mestre de Cerimonia e 1° Experto que se colocam numa posição a formar um triangulo. O Arquiteto fechará o templo No Rito de Schröder ou Rito Alemão no centro do Templo há um Tapete o qual contem todos os símbolos do Rito e que é desenrolado no inicio dos trabalhos de uma sessão, sendo enrolado no final com uma ritualística especial. Ao lado do tapete junto às bordas estão três Colunas Dórica Jônica e Coríntia de 90 cm a 120 cm em cima das quais estão três círios, um em cada coluna. Já antes do inicio da sessão deverá estar acesa uma vela fixa, chamada de Luz do Mestre, no Altar do Venerável o qual entregará ao Primeiro Diácono uma pequena vela que foi acesa na Vela do Mestre. O Primeiro Diácono vai até o Altar do Segundo Vigilante e acende sua vela e a seguir vai até o Altar do Primeiro Vigilante e acende também sua vela. A seguir o Primeiro Diácono segue pelo Norte e vai até o Altar do Primeiro Vigilante e vai até a Coluna Jônica que está ao lado Tapete e aguarda o Venerável que chega em seguida e lhe entrega sua pequena Vela. O Venerável acende com esta pequena vela o círio da Coluna Jônica e diz
  27. 27. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 27/39 “Sabedoria dirija nossa Obra”. O Primeiro Vigilante acende o círio da Coluna Doria e dirá: “Força, execute-a” e o Segundo Vigilante acende em seguida o círio da coluna Coríntia e diz: “Beleza, adorne-a”. No final da Sessão, O Venerável e os Vigilantes se colocarão junto às suas colunas representativas já citadas, que estão localizadas nos três cantos ao lado Tapete. Os círios vão sendo apagados e as Luzes da Loja dirão: Primeiro Vigilante - “A Luz se apaga, mas que, em nós atue o fogo da Força”. 2° Vigilante – “A Luz de apaga, mas que fique, em torno de nós o brilho da Beleza”. Venerável: – “A Luz se apaga, mas que, sobre nós continue a brilhar a Luz da Sabedoria” O Rito Brasileiro não nega que tenha emprestado as cerimônias mais lindas dos demais ritos praticados no Brasil e colocadas no seu ritual. Tem também a cerimônia do acendimento das Luzes Místicas que é uma adaptação das cerimônias usadas nos Ritos Adonhiramita e de Schröder, mais simples, porem também muito bonita. O Criador dos mundos emite continuadamente Sabedoria Força e Beleza. Para nós Maçons, compete apenas abrirmos o canal espiritual para recebermos esta Energia. Uma vela dentro da nossa ritualística, quando acesa funciona como um emissor repetidor das vibrações mentais nela enfocadas e concentradas. Enquanto estiver ardendo a chama estará se repetindo o propósito pelo qual a vela foi acesa. Ela é, pois o símbolo do Fogo Sagrado emitido pelo GADU. Mas não esqueçamos que através tão somente do poder mental que todos nós possuímos, verdadeira dádiva de Deus, poderemos desde que nossa mente devidamente sintonizada em ondas alfa ou téta, e programada para esse fim, conseguir o mesmo efeito que uma vela acesa dentro de um Templo maçônico. Tudo dependerá do grau de concentração no Criador. Mas de qualquer forma as velas sagradas usadas nas nossas ritualísticas, tem um valor muito grande para que nossa mente fique focada totalmente no GADU e a Maçonaria soube de maneira tão profunda e linda, usar o poder mágico das Velas. Hercule Spoladore – Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil” – Londrina – PR Referências ASLAN, Nicola - Grande Dicionário Enciclopédico da Maçonaria Simbólica Vol. 4 BOUCHER, Jules - La Symbolique Maçonique CASTELLANI, José – Liturgia e Ritualística do Aprendiz Maçom CHARLIER, René Joseph – Pequeno ensaio da Simbólica Maçôni’ca HOWARD, Michael - Uso mágico das Velas e seu significado oculto
  28. 28. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 28/39 O Irmão João Anatalino Rodrigues escreve aos domingos jjnatal@gmail.com - www.joaoanatalino.recantodasletras.com.br A MAÇONARIA E A ALEGORIA DA TORRE DE BABEL Em Gênesis 11:1;9, encontramos a informação de que a diversidade de línguas existente na terra tem origem em uma malograda obra de maçonaria operativa. Essa teria sido uma obra intentada pelos descendentes de Cam, um dos filhos de Noé, após o dilúvio. Essa obra, que teria sido iniciada num lugar chamado Senaar, supostamente no sítio onde hoje se localizam as ruínas da antiga cidade da Babilônia, foi idealizada por um rei chamado Nenrod, referido na Bíblia como sendo o “grande caçador perante o Senhor” (Gênesis 10; 9). Era uma enorme torre escalonada, construída bem no meio da cidade, feita de tijolos de barro cozidos, usando betume por argamassa. Essa torre, segundo os cronistas bíblicos, revelaria uma intenção vaidosa dos seres humanos, pois estes queriam “tornar célebres seus nomes”. Historicamente, não se nega que a Torre de Babel pode ter, de fato, existido. Restos de construções do tipo citado pela Bíblia e pelos historiadores antigos que trataram desse assunto foram desenterrados em vários sítios arqueológicos do Oriente Médio, especialmente nos lugares onde se supõe que o modelo que teria servido para a história bíblica, foi erguido. São as torres conhecidas como “zigurats”, que segundo os historiadores modernos servia tanto para serviços religiosos como para observações astrológicas. Bem antes dos templos em que a Bíblia começou a ser compilada (provavelmente no século VII a.C, no reinado do Rei Josias, de Judá), 1 os povos habitantes da Mesopotâmia, região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), já ostentavam uma adiantada civilização. Lá havia cidades bastante urbanizadas e populosas, tais como Ur, Eridu, Uruk e a famosa Babilônia, que já nos tempos de Heródoto era considerada a maior e mais bela cidade do mundo. Segundo esse historiador, em 440 a C, ele viu em Babilônia os restos de “uma torre sólida, feita de tijolos cozidos, de 201 metros em comprimento e largura, sobre a qual estava erguida uma segunda torre, e nessa uma terceira, e assim até oito. A ascensão até ao topo é feita pelo lado de fora, por um caminho que rodeia todas as torres. Quando se está a meio do caminho, há um lugar para descansar e assentos, onde as pessoas podem sentar-se por algum tempo no seu caminho até ao topo. Na torre do topo há um templo espaçoso, e dentro do templo está um sofá de tamanho invulgar, ricamente adornado, com uma mesa dourada ao seu lado”.2 De uma forma geral, os historiadores concordam que a inspiração bíblica para a história da Torre de Babel deve estar nesses famosos “zigurats”, que os povos dessa região construíam para servir de templos e observatórios astrológicos, e que ainda estavam em voga nos tempos de Heródoto e Alexandre. Na literatura encontrada na famosa Biblioteca de Assurbanipal, rei assírio do século VII a C., que sitiou e destruiu o reino de Israel, são encontradas muitas referências a esse tipo de construção e sobre sua utilização. Ali estão registradas várias lendas da literatura suméria que se referem a esse assunto. Uma delas, por exemplo, diz que Amar-Sin (2046-2037 a.C.), o terceiro monarca da Terceira dinastia de Ur, tentou construir um zigurat na cidade de Eridu, o qual nunca foi terminado. Ali se encontra também outra informação que pode ter servido de inspiração para os cronistas bíblicos, não 1 Bíblia não Tinha Razão- Finkerman e Asher, Ed. Girafa, 2003 2 Heródoto- História- Editora Edições 70 6 – A Maçonaria e a Alegoria da Torre de Babel João Anatalino Rodrigues
  29. 29. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 29/39 só para o episódio da Torre de Babel, como também para a criação do personagem chamado Ninrod, que por suposto teria sido o idealizador da Torre de Babel. É a história do rei Enmerkar (conhecido como Enmer, o Caçador) rei de Uruk, que teria construído um grande “zigurat” naquela cidade. Essa história também se refere á briga entre dois deuses rivais, Enki e Enlil, que disputam as honras desse templo construído por Enmerkar, o Senhor de Aratta, e em razão disso acabam por confundir a línguas dos povos que trabalharam nessa construção. Existem vários registros na literatura suméria e babilônica sobre esse assunto, os quais levaram os estudiosos a pensar que a inspiração bíblica vem dessas fontes. O rei Nabopolassar, por exemplo, também citado na Bíblia pelas incursões que realizou contra os judeus, é referido como sendo um grande construtor e um dos principais reis a fazer da Babilônia a cidade mais importante do mundo em seus dias. Ruínas do magnífico palácio residencial que ele construiu e do suntuoso templo para o deus Ninurta, podem ser vistas ainda hoje. Porém o seu mais ambicioso empreendimento arquitetônico foi a reconstrução do zigurat Etemenanki, conhecido como “Fundação do Céu e da Terra”, gigantesca torre escalonada que servia de templo e observatório astrológico. Em termos linguísticos o nome Babel é o correspondente grego do termo acadiano Bãb-ilu, que significa o “Portal de Deus”. Dai vem a conotação luciferina que a Bíblia dá á essa obra. Como pode ser constatada pela leitura da crônica bíblica, a postura adotada pelos cronistas judeus e aceita pelos comentadores da Bíblia, especialmente os compiladores da Mishná, conjunto de comentários rabínicos à Bíblia, é a de que a Torre de Babel está na raiz de uma rebelião contra Deus. Em alguns desses mishnás encontramos inclusive a idéia de que a Torre de Babel foi construída para desafiar não só o poder de Deus, mas também para contrariar Abraão, um dos principais sacerdotes da Caldéia, na época. Este vivia criticando seus pares e concitando-os a reverenciar Deus ao invés de desafiá-lo. Uma passagem da literatura rabínica que se refere a esse assunto diz que os construtores falavam palavras afiadas contra Deus. Essas palavras não foram registradas na Bíblia, mas os comentaristas informam que nessa época o céu era sacudido por Deus para provocar chuva, por isso eles iram construir essa torre e suportá-la com colunas fortes, para que ela fosse capaz de resistir a qualquer outra inundação que Deus quisesse mandar sobre a terra. Também os cronistas do Talmud e o historiador Flávio Josefo se referem á essas tradições em seus comentários à Bíblia, se referindo a Ninrod como o principal articulador dessa obra.3 A Torre de Babel também é referida no Apocalipse de Baruque, livro apócrifo da Bíblia, onde esse visionário profeta, á semelhança de Dante em sua Divina Comédia, vê os construtores da Torre de Babel, na forma de cães, sofrendo o castigo que Deus lhes infringia.4 Em antigas tradições místicas os zigurats eram vistos como portais por onde os deuses poderiam entrar na terra e pelos quais o homem poderia também entrar no céu. Eram consideradas “escadas” que ligavam a terra ao céu. Da mesma forma que os habitantes do céu poderiam vir á terra através desses portões, os homens poderiam também entrar no céu por eles, daí o temor dos Elohins ( os verdadeiros construtores do universo e criadores do homem), de que o céu fosse invadido por essa raça degenerada, que eram os humanos gerados pelos arcanjos rebeldes que haviam sido expulsos do céu. Por isso se diz na Bíblia “vinde pois, e confundamos de tal sorte sua linguagem, para que um não compreenda o outro”. Essa fala, no plural, mostra que não foi Deus quem confundiu as línguas, mas sim um grupo de arcanjos (Elohins), como sugere a tradição cabalística. A ideia da existência de uma língua única na terra, nos tempos em que a Bíblia identifica a construção da Torre de Babel não é aceita pela maioria dos estudiosos. A tendência é ver esse mito como memórias de um processo de organização dos reinos mesopotâmios, os quais passaram por uma série de ascensões e quedas, com diversos povos se sucedendo no poder e as dinastias reais, cada uma procurando superar as anteriores em fausto e grandeza. Daí a construção de obras suntuosas, que, aliás, era comum entre todas as grandes civilizações do passado. Assim, um megaprojeto de construção na Mesopotâmia pode ter usado trabalho forçado de diversas populações escravizadas, pois a Babilônia, no apogeu da sua história de conquistas, dominava a maioria dos povos do Oriente médio, com suas diferentes línguas. Algumas delas eram, inclusive, não semitas, tais como a Hurrita, a Cassita, o Sumeriano, e o Elamita, que eram línguas cananeias. Provavelmente foi o desmoronamento do grande império babilônico, conquistado pelo rei persa Ciro, o Grande, em 525 3 Talmud Sanhedrin 109a. Sefer ha-Yashar, Noah, ed. Leghorn, 12b 4 Apocalipse grego de Baruque, 3:5-8
  30. 30. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 30/39 a.C,. que proporcionou a derrocada da “Torre” (a Babilônia) e a dispersão dos povos que a constituíam. Dessa forma, a história da Torre de Babel teria sido inserida na Bíblia após a volta dos judeus do cativeiro da Babilônia e o chamado Etemenanki, o zigurat dos reis babilônicos, principal santuário da “abominável religião de Babel”, foi estigmatizada pelos cronistas judeus como sendo responsável pela grande confusão de línguas existente sobre a terra. A Bíblia não menciona o que aconteceu á Torre de Babel, mas escritores antigos de várias procedências informam que Deus a teria destruído. Relatos contidos no Livro dos Jubileus, em obras de Cornelius Alexandre, de Abydenus, e principalmente Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas 1.4.3), e os Oráculos Sibilinos (iii. 117-129) informam que Deus teria derrubado a torre com um grande vento. Isso mostra o quanto esse relato foi apropriado pelos cronistas judeus para justificar a sua teologia e a sua ideologia racial, sendo a primeira consubstanciada na idéia da existência de um único Deus e que seria Israel o único povo a adorá-lo. E a segunda para afirmar a supremacia do povo de Israel sobre seus vizinhos. Pois segundo os cultores dessa tradição, a língua de Israel, e o seu alfabeto, o hebraico, é uma língua criada no céu, falada pelos Elohins, os arcanjos que fizeram o homem á sua imagem e semelhança. As outras línguas seriam todas bárbaras, nascidas da “confusão” provocada pela derrocada pela Torre de Babel. A história da Torre de Babel, como as demais lendas e tradições referidas na Bíblia, não é exclusiva dos povos mesopotâmicos, nem é a literatura bíblica a única a se referir a ela. Entre os povos da América Central existem várias histórias similares. Entre os astecas temos a história de Xelhua, um dos sete gigantes que se salvaram do dilúvio, construindo a Grande Pirâmide de Cholula para desafiar o Céu. Os deuses a destruíram com fogo e confundiram a linguagem dos construtores. Também os toltecas, povo anterior aos astecas no rol das civilizações que povoaram o antigo México, tinham uma lenda similar que dizia que os homens se multiplicaram após o grande dilúvio e começaram a erguer um alto zacuali (torre), para se abrigarem caso os deuses mandassem outro dilúvio sobre a terra. Dizem também que a torre não foi acabada porque suas línguas foram confundidas e eles foram espalhados para diferentes partes da terra. Também na Índia, no Nepal, entre os habitantes da Estônia e os aborígenes da Austrália e da Nova Zelândia já foram recenseadas histórias similares, que mostram ser a Torre de Babel um arquétipo compartilhado pela memória comum da humanidade. E como tudo que se refere á Bíblia, essa história também se tornou um artigo de fé. Não são poucos o que defendem a literalidade do episódio da Torre de Babel como origem das diversas línguas falada na terra. E como se diz, a história pode ser discutida, mas a fé não. Na antiga maçonaria operativa, era Ninrod e não Hiram Abiff o patrono da Maçonaria. A arte da construção tinha nesse mitológico rei a sua figura mais representativa. Foi provavelmente a influência da Reforma Protestante e sua conhecida aversão por tudo que, na visão protestante, representava contaminação da doutrina cristã por ideias pagãs, que apeou Ninrod desse pedestal, substituindo-o por Hiram Abiff, o suposto arquiteto do Templo do Rei Salomão. No entanto, as referências ao construtor da Torre de Babel são encontradas em várias Old Charges, antigos manuscritos dos maçons operativos ingleses, mostrando o apreço que os antigos Irmãos operativos tinham por esse tema.5 Por fim, cabe lembrar que em termos simbólicos, o episódio da Torre de Babel é uma alegoria de grande significado iniciático. Ele se conecta, de um lado, á arte do maçom, que se refere ao seu ofício de construtor, e de outro ao significado esotérico da “Escada de Jacó”, já que esta é, na mística da Maçonaria, uma “via” pela qual os anjos descem á terra e os homens ascendem ao céu. Na simbologia da Arte Real ela significa a escalada do espírito humano pelos degraus do aperfeiçoamento espiritual. Por isso ela será invocada no catecismo maçônico dos graus superiores como designativo de um importante ensinamento. Nesse sentido, a diversidade de línguas significa o universo pelo qual a arte maçônica se dissemina, e a Maçonaria a argamassa que o integra e unifica. A Torre de Babel é o Caos, e a arte do maçom, como sabemos, é a ação que coloca Ordo ab Chaos (Ordem no Caos). 5 Especialmente o Manuscrito Dunfries. Ver, a esse respeito, Alex Horne- O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica- Ed. Pensamento, 1986
  31. 31. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 31/39 (as letras em vermelho significam que a Loja completou ou está completando aniversário) GOB/SC – http://www.gob-sc.org.br/gobsc Data Loja Oriente 01.06.1998 Fritz Alt - 3194 Joinville 01.06.1993 Acquarivs - 2768 Florianópolis 03.06.1996 Luz Esotérica - 3050 Porto União 05.06.2001 Vigilantes da Verdade - 3398 Tubarão 08.06.1984 União E Trab. do Iguaçu-2243 Porto União 08.06.1987 União Mística - 2440 Videira 10.06.1910 Aurora Joinvilense - 4043 Joinville 14.06.1909 Renascer do Vale - 4007 Penha 20.06.2005 Luz de Correia Pinto - 3687 Lages 21.06.2010 Cavaleiros da Paz - 3948 São José 23/06/1930 Luz e Verdade Iii- 1066 Joinville 24.06.1997 São João Batista - 3061 São João Batista 24.06.2004 Acácia do Oriente - 3596 Joaçaba 29.06.2010 Ouroboros - 4093 Florianópolis 30.06.2003 Acácia de Imbituba 3506 Imbituba GLSC - http://www.mrglsc.org.br Data Nome Oriente 03.06.2009 Elimar Baumgarten nr. 101 Timbó 06.06.1984 Obreiros de Salomão nr. 39 Blumenau 06.06.1985 República Juliana nr. 40 Laguna 21.06.1994 Harmonia Brusquense nr. 61 Brusque 24.06.1911 Acácia Itajaiense nr. 01 Itajaí 24.06.1999 Luz nr. 72 Jaraguá do Sul 24.06.2002 Elos da Fraternidade nr. 84 Concórdia 24.06.2005 Amizade ao Cruzeiro do Sul II nr. 90 Joinville 24.06.2005 Cinzel nr. 89 Curitibanos Lojas Aniversariantes de Santa Catarina Mês de junho 7 – Destaques (Resenha Final)
  32. 32. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 32/39 GOSC https://www.gosc.org.br Data Nome da Loja Oriente 03/06/1985 Obreiros da Luz Lages 06/06/2003 Livres Pensadores Joaquim José Rodrigues Lages 07/06/2010 Livres Telúricos Maravilha 09/06/1975 Ordem e Progresso Brusque 14/06/1993 Tordesilhas Laguna 20/06/1979 Luz do Oriente Itajaí 21/06/1999 João de Deus São Francisco Do Sul 26/06/2001 Jacques DeMolay Itajaí
  33. 33. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 33/39 Loja Seixas Neto - GOSC – Florianópolis Reinaugura Templo no Albergue Noturno Na última quinta-feira, 17 de junho, a Loja Seixas Neto nº 45 – GOSC, com a presença do Grão- Mestre Adjunto, Ir Sérgio Martinho Nerbass, do Sereníssimo Grão-Mestre de Honra, Ir José Carlos Pacheco e diversas autoridades maçônicas, realizou a reinauguração de seu templo localizado no Albergue Noturno Manoel Galdino Vieira. A Loja Seixas Neto, uma das pioneiras do Rito York em Santa Catarina, reformou seu templo devido a grande necessidade de reestruturação visto que sua edificação é quase centenária. Em virtude desta necessidade de reforma, aproveitou-se para refazer o templo nos moldes do ritual do Rito de York. Na ocasião, houve palestra do Irmão José Carlos Pacheco sobre os primórdios do templo do Albergue Noturno, citando inclusive os valorosos e saudosos Irmãos, que hoje se encontram no Oriente Eterno, por ali passaram e por ali deixaram feitos à Maçonaria Catarinense e em especial as causas filantrópicas, uma delas a Caixa de Esmolas aos Indigentes de Florianópolis, mantenedora do Albergue Noturno, que completa no próximo mês, 90 anos de existência. Após a palestra, o Venerável Mestre Ir George Alexandre Silva, prestou homenagens a diversos Irmãos que contribuíram com a reforma. Faço a citação especial ao Irmão Emílio Espíndola, obreiro da Loja Samuel Fonseca, nº 79, que laborou incansavelmente para a concretização desta magnífica reforma, bem como ao Venerável da Loja Samuel Fonseca, Ir. José Carlos e obreiros do seu quadro. Antes do término da sessão, o Ir Francisco Pacheco, atual Presidente da Caixa de Esmolas aos Indigentes de Florianópolis, fez um apelo aos presentes para que reflitam na importância desta casa de albergado e de como sua história esta vinculada diretamente a Maçonaria Catarinense, necessitando assim, da ajuda e contribuição das três potenciais maçônicas para continuar atendendo 40 indigentes diariamente. Com os trabalhos encerrados, a Loja ofereceu um saboroso carreteiro fraternal em seu novo e amplo espaço de confraternização. Acompanhe os registros fotográficos clicando aqui: https://goo.gl/photos/oFS19SbA9NdDY6th7 Fraternalmente, Ir Fernando Fernandes ARLS Perseverança nº 3005 - GOB/SC - Correspondente do JB News
  34. 34. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 34/39 (O Irmão Marcelo Ângelo de Macedo, (33º) - Mestre Instalado da Loja “Razão e Lealdade” nr. 21 (COMAB-CMI) de Cuiabá, comparece diariamente no JB News repassando o Breviário Maçônico, Obra de autoria do saudoso IrRIZZARDO DA CAMINO, cuja referência bibliográfica é: Camino, Rizzardo da, 1918-2007 Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014. ISBN 978-85.370.0292-6) BREVIÁRIO MAÇÔNICO - 19 de junho Humanidade Provém da palavra “humano”, ou seja, significa os habitantes da terra; mística e esotericamente existem duas humanidades; os habitantes vivos da terra e os habitantes “desencarnados”, que permanecem em “órbita” na própria Terra e que construíram o “Oriente Eterno” ou a parte da Fraternidade Branca Universal. Humanidade é também o sentimento de piedade, de caridade para com o próximo. A Maçonaria é uma instituição humanitária no seu mais amplo sentido. Quando passamos pelo centro de uma cidade, ao notar crianças maltrapilhas e que demonstram ser abandonadas, criadas à própria sorte, sempre seguindo maus caminhos, somos tomados por uma curiosidade momentânea e lamentamos o quadro. Bastam alguns passos, porém, para que essa visão constrangedora desapareça de nossa retina e logo adiante esquecemos o infortúnio. Esse comportamento que é o normal de todos não deve ser para o maçom. A Maçonaria já não é operativa, mas o maçom forçosamente continuará sendo-o! Deixar tudo como está torna-se, para o maçom, “desumano” e mesmo que ele não possa solucionar o problema, tende fazer a sua pare; não custa acariciar a cabeça de um menino de rua e dar-lhe um sentimento de amor. RIZZARDO DA CAMINO Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p.189. Marcelo Angelo de Macedo, 33∴ MI da ARS RAZÃO E LEALDADE nº 21 Or∴. de Cuiabá/MT, GOEMT-COMAB-CMI Tel: (65) 3052-6721
  35. 35. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 35/39 Loja Maçônica Belmiro Teixeira Pimenta Situada no Oriente de São Silvano - Cidade de Colatina GLMEES
  36. 36. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 36/39 Os vídeos são pesquisados ou repassados, em sua maioria, por irmãos colaboradores do JB News. 1 – Esta é para quem gosta de boa música e humor! 2 – Já ouviu esta? Como Você Chegou Aqui?
  37. 37. JB News – Informativo nr. 2.087– Melbourne (Vic.) domingo, 19 de junho de 2016 Pág. 37/39 3 – Não é Só Para Espantar Vampiros Que o Alho é Bom! 4 – Esses Pensamentos da Filosofia Zen Vão Iluminar Seu Dia! 5 – INTERATIVO: Faça um incrível safári sem sair de casa! 6 - Essas Animações Felinas Vão Fazer Você Chorar de Rir! 7 – Filme do Dia: “O Túnel do tempo - Episódio 1 Volta ao Passado ” – dublado (pra matar a saudade...) O episódio conta como os cientistas ficaram perdidos no tempo, tendo como primeira parada uma estada no transatlântico Titanic em 1912, pouco antes dele afundar. Outro ponto salientado durante todo o episódio é o heroísmo americano. Primeiro, a atitude de Tony ao embarcar numa máquina que transporta matéria no tempo, mas que nunca transportou seres humanos. https://www.youtube.com/watch?v=3B0Quxqte70

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