Uma Introdução à     Filosofia         Palavras-Chave: filosofia – metafísica – espanto – embaraço – problema             ...
consta terá sido o fundador de uma espécie de seita no século VIantes da nossa Era, e a sua filosofia não se distinguia fa...
Referências   1. A filosofia como QUESTIONAMENTO CRÍTICO=>Contra a      Uma filosofia não é uma opinião, mas, pelo contrár...
filosóficas.”Pensar por si   Mas, o que dizer das ciências? Não serão elas “a verdade”? Husserlvi ,mesmo                se...
sempre impessoal.O embaraço     Em qualquer caso, como poderíamos adoptar a opinião de outros? Ase o problema             ...
o que se sabe e o que se não sabe.” x (Platão) Com efeito, o exercício"Tem a          do pensar filosófico implica um trab...
Aquele que não se espanta com nada, não duvida de coisa nenhuma.              A dúvida filosófica tem, no entanto, um sign...
para compreender o mundo.A razão       Deste ponto de vista, a filosofia pode parecer mais próxima da religião            ...
verdade.” (Kierkegaard)              Podemos, então, dizer simplificadamente que há dois tipos de              filosofia: ...
razoabilidade, ou comportam-se como crianças?xiv Será que a maior                                        parte dos homens ...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
 	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	  	...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Uma Introdução à Filosofia

2.271 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação, Espiritual
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.271
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
51
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
25
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Uma Introdução à Filosofia

  1. 1. Uma Introdução à Filosofia Palavras-Chave: filosofia – metafísica – espanto – embaraço – problema Recursos filosóficos | Dossier 2011 Uma introdução à filosofia – JORGE BARBOSAConceito No seu significado moderno, a filosofia designa uma forma de abordagem intelectual distinta da ciência e da religião. Com efeito, a filosofia não é um conhecimento científico, nem é uma fé. A abordagem filosófica pode, todavia, apresentar alguma semelhança com a ciência, na medida em que é um conhecimento racional, e com a religião na sua ambição de apreender o real na sua totalidade. O que distingue mais claramente a filosofia é o seu carácter reflexivo. Reflectir é “debruçar-se sobre si mesmo”, “pensar-se a si mesmo”. Assim, por exemplo, resolver uma equação exige um trabalho matemático, mas questionar-se sobre o que são as matemáticas já é uma reflexão filosófica. Neste sentido, a filosofia não tem objecto próprio, pois tudo pode ser objecto de reflexão. A filosofia pode também ser definida pela sua história: a filosofia é, neste caso, a história da filosofia, a história do pensamento.Referências A tradição filosófica, a que nos referimos no ocidente, nasceu na Grécia (ou, para ser mais exacto, nas colónias gregas da Ásia menor), há mais de 25 séculos. Desde então, os filósofos distinguem-se pela sua maneira de ser e de pensar. Pitágoras foi o primeiro a utilizar o termo filósofo para designar aquele que se dedica à filosofia. Segundo
  2. 2. consta terá sido o fundador de uma espécie de seita no século VIantes da nossa Era, e a sua filosofia não se distinguia facilmente dareligião. No entanto, as concepções religiosas dos pitagóricosincorporavam características singulares: não tinham origem numatradição colectiva ou numa cultura; apoiavam-se, pelo contrário, numaespécie de mística do número, prefigurando, assim, a importância dologos, sem o qual as matemáticas não teriam nascido. Ser-se filósofoé, com efeito, fazer uso da razão (em grego: logos), e não submeter-se simplesmente a uma autoridade externa, a uma tradição, à opiniãodominante.Esta má relação da filosofia com as ideias com origem na autoridadeou nas crenças populares, e mais globalmente com as ideias pré-fabricadas, adquire com Sócrates (falecido em -399) toda a suaexpresão. Na origem da filosofia, há, com efeito, uma insatisfação e,podemos dizê-lo, uma contestação radical: a filosofia começa por seruma crítica das ideias vulgarizadas e da ordem estabelecida. Estafunção crítica da filosofia é uma constante na história dopensamento no Ocidente. No entanto, a filosofia nunca se reduziu àcrítica: ela procura também a inteligibilidade. Ela é também umatentativa para pensar o mundo como um todo, um empreendimento detotalização intelectual, tendo por objectivo compreender o mundonuma ideia. Mas, poderemos questionarmo-nos, para que servepensar o mundo deste modo? A resposta a esta pergunta está, dealgum modo, contida na palavra filósofo: a sua etimologia esclareceque filósofo é aquele que gosta de saber, é o “amigo da sabedoria”.Assim, os 3 grande objectivos que perseguem aqueles que têm aambição de ser filósofos, são os seguintes: 1. Pensar melhor, procedendo a uma análise reflexiva crítica; 2. Compreender melhor, no sentido de constituir um saber unificado e coerente, e 3. Agir melhor, comportando-se como sábios.
  3. 3. Referências 1. A filosofia como QUESTIONAMENTO CRÍTICO=>Contra a Uma filosofia não é uma opinião, mas, pelo contrário, um pensamentoopinião que realizou uma superação da opinião. A opinião, com efeito, é tanto mais segura de si mesma quanto mais insegura for de facto: "Ter uma opinião, diz Adorno, é afirmar, mesmo que de forma sumária, a validade de uma consciência subjectiva limitada no seu conteúdo de verdade”.i Eliminando "de forma enganosa o fosso entre o sujeito que conhece e a realidade que lhe escapa”, “a opinião apropria-se daquilo que o conhecimento não consegue alcançar, tomando o seu lugar”. Ela é, portanto, essencialmente um facto subjectivo, uma verdadeira “profissão de fé”, e aquele que adere à opinião adere de facto a si mesmo (Alainii), sem preocupações de objectividade, podendo mesmo aderir a posições dogmáticas, ou até fanáticas. A opinião não é, portanto, um conhecimento, mas, pelo contrário, um desconhecimento e uma ignorância. A opinião é, portanto, falsa por natureza (e não por acidente), quanto mais não seja por se fundar no interesse e em critérios estranhos à preocupação com a verdade. Como diz Bachelardiii, “a opinião pensa mal; ela não pensa: traduz necessidades de conhecimento. Designando os objectos pela sua utilidade, impede-se a si mesma de aceder a ele (conhecimento). Não podemos fundamentar nada na opinião: é preciso, primeiro, destruí-la. Ela é o primeiro obstáculo a superar”. “Tal como consideramos homem livre aquele que existe para si mesmo e não para outro, assim também esta ciência (a filosofia) é a única de todas as ciências que é livre, pois só ela é, para si mesma, a sua própria finalidade”. (Aristótelesiv) O pensamento livre, a filosofia deve, portanto proceder, antes de mais, a um questionamento que ponha em causa a opinião, ou, como sugere a língua grega, adoptar uma abordagem paradoxal. Como diz Hegelv “não há opiniões
  4. 4. filosóficas.”Pensar por si Mas, o que dizer das ciências? Não serão elas “a verdade”? Husserlvi ,mesmo seguindo o método de Descartes como modelo, afirma que “quem quer que queira verdadeiramente tornar-se filósofo deverá, pelo menos uma vez na vida, debruçar-se sobre si mesmo e, dentro de si, tentar virar do avesso todas as ciências admitidas até aqui e tentar reconstruí-las”. Com efeito, os conhecimentos ditos científicos podem muito bem “ser certos”, mas a verdade é que eles só são conhecidos por nós de forma incerta: a não ser que tenhamos estudado verdadeiramente a questão, ainda que só sob o ângulo da história das ciências, é por ouvir dizer que sabemos que a terra é um planeta que se move em torno do Sol. O nosso saber, a respeito deste movimento, não difere, neste caso, da opinião. Esta é a razão pela qual todos os conhecimentos, mesmo os “que consideramos como os mais seguros” (Descartes), portanto, também os conhecimentos científicos, devem ser examninados de forma crítica: fazer filosofia é sempre esforçarmo- nos por pensar por nós próprios. A filosofia começa, então, com esta dúvida sobre o valor das opiniões, e com uma forte suspeita sobre o valor das nossas próprias opiniões. A filosofia tem a ambição de superar a opinião e a crença: “Pensar não é crer.” “Pensar é dizer não. (...) Quem se contenta com o seu pensamento já não pensa nada.” (Alain vii ) Sejamos claros, isto não é o mesmo que um convite para que adoptemos a opinião dos outros. Em boa verdade, em certo sentido, as nossas opiniões nunca são verdadeiramente pessoais: Não sabendo como pensar com clareza, nem sabendo o que pensar, o homem da opinião consulta os mais experientes, os seus pares, os comunicadores, os meios de comunicação social, enfim, todas as autoridades que, obviamente, fazem o mesmo. Daqui resulta, como diz Alain, “os pensamentos (de opinião) decidem tudo, e ninguém pensa.”viii Segundo esta análise, podemos dizer que a opinião é
  5. 5. sempre impessoal.O embaraço Em qualquer caso, como poderíamos adoptar a opinião de outros? Ase o problema opiniões são múltiplas: alguns pensam de um modo, outros pensam de outro modo. Se uns têm “boas razões” para pensar o que pensam... os outros também têm as suas “boas razões”. Então, a que opinião devemos aliar-nos? Que devemos pensar? Quem tem razão? A este sentimento incómodo, os gregos chamaram embaraço, isto é, a tomada de consciência de um problema filosófico. Segundo Epictetoix: “este é o ponto de partida da filosofia: a consciência do conflito que coloca os homens em divergência uns com os outros, a busca da origem deste conflito, a condenação da simples opinião (...) uma espécie de crítica da opinião para determinar se temos razão em a manter.”O espanto Esta tomada de consciência da diversidade das opiniões é uma oportunidade que nos faz pensar que, de facto, não sabemos: o que considerávamos ser desde sempre “evidente”, afinal não o é. Ficamos então espantados. Através do espanto, tomamos consciência da insuficiência do nosso conhecimento: “aquele que se espanta pensa ignorar”, diz Aristóteles. Esta consciência da ignorância não é, ela própria, a ignorância: tomar consciência da sua ignorância é já um primeiro passo para sair da ignorância. A ignorância, propriamente dita, manifesta-se de duas formas: por um lado o ignorante não sabe, mas também não sabe que não sabe... de resto, é por isso mesmo que tem tanta confiança nas suas crenças. O espanto que o acorda do seu “sono dogmático”, para utilizar uma expressão de Kant, é um estado intelectual e não somente afectivo, como a surpresa."Conhece-te Esta reorientação do pensamento faz com que o filósofo tenha dea timesmo" atribuir a si mesmo a tarefa de se conhecer: “a atitude e a virtude da sabedoria, tal como o conhecimento de si mesmo, consistem em saber
  6. 6. o que se sabe e o que se não sabe.” x (Platão) Com efeito, o exercício"Tem a do pensar filosófico implica um trabalho de auto-crítica que supõe acoragem de adopção da célebre divisa de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”.te servir doteu próprio Este é também o sentido que deve ser dado à reflexão: reflectir (comoentendimento” fazem os raios luminosos quando batem num espelho), é voltar-se para si. Reflectir não é tão natural ou espontâneo quanto se pensa vulgarmente, pois o pensamento conduz-nos sobretudo e antes de tudo o mais para o objecto, para as coisas exteriores, para o mundo. Sendo reflexiva, a abordagem filosófica implica, então, um esforço, “a coragem de se servir do seu próprio entendimento” (Kant) e uma espécie de “paciência intelectual”. A reflexão filosófica não é, então, “natural”, mas a razão, sim, é natural no Homem. Por outras palavras, embora a razão seja “natural” no ser humano, o seu uso manifestamente não o é. “Nascemos crianças antes de sermos homens”, lembra Descartes: se não quisermos viver e pensar como crianças, se não quisermos permanecer na “menoridade" (Kant) durante toda a nossa vida, então devermos fazer esse esforço, pois “viver sem filosofar é, em bom rigor, ter os olhos fechados, sem nunca nos preocuparmos em os abrir.” xi (Descartes)A filosofia Mas pode acontecer que não seja necessário depararmo-nos comcomointerrogação esse conflito de opiniões para nos dedicarmos à filosofia, para nosmetafísica espantarmos: talvez possamos dizer, como escreveu Schopenhauer, que, de algum modo, o homem é um animal metafísicoxii, isto é, um animal que se espanta com a sua própria existência. Segundo Schopenhauer, “a filosofia nasce do nosso espanto a respeito do mundo e da nossa própria existência, que se impõem à nossa inteligência como um enigma, cuja solução não deixou alguma vez de preocupar a humanidade.”Dúvida ou De qualquer modo, a filosofia é, como diz Platão, “filha do espanto”.cepticismo?
  7. 7. Aquele que não se espanta com nada, não duvida de coisa nenhuma. A dúvida filosófica tem, no entanto, um significado crítico e não deve ser compreendida como uma simples “atitude”: a contestação do dogmatismo não implica de forma alguma a adopção do cepticismo. Não nos referimos aqui ao cepticismo filosófico, que se situa numa outra ordem de ideias, mas à atitude céptica, actualmente tão em voga. Esta atitude é a de um homem que renunciou à verdade. O homem céptico não atribui nenhum poder à razão, e o seu nihilismo condu-lo a negar a possibilidade dos valores: tudo é relativo, nada vale coisa alguma. A sabedoria de que o filósofo gosta (de que é amigo) supõe, pelo contrário, que ele tenha como objectivo o saber e o bem, através de um uso apropriado da razão: a dúvida filosófica é uma dúvida racional, fecunda, uma dúvida de luz, como diz Malebranche, porque tem origem na razão e procura a verdade.Referências A filosofia como ESFORÇO DE COMPREENSÃO => A filosofia, no entanto, não poderia reduzir-se a uma actividade puramente crítica, negativa. A crítica, com efeito, não é um fim em si mesma: o objectivo da filosofia é compreender o mundo e a situação do homem no mundo.O que é Compreender é apreender o sentido. A filosofia apresenta-se,compreender? portanto, como uma interpretação do mundo e do homem. Mas compreender significa também “apreender o conjunto”, abarcar a totalidade de um conjunto, através do pensamento: a filosofia vive assim animada pela preocupação de constituir uma visão de conjunto capaz de dar conta da totalidade do real. A este respeito, será oportuno notar que, se as ciências tendem a analisar a realidade, isto é, a dividi-la, isolando os fenómenos uns dos outros para os explicar, a filosofia, pelo contrário, esforça-se por operar uma síntese,
  8. 8. para compreender o mundo.A razão Deste ponto de vista, a filosofia pode parecer mais próxima da religião do que da ciência: como a religião, a filosofia pretende propor uma chave que nos permita apreender o real na sua totalidade. No entanto, a filosofia opõe a razão (em grego: logos) à fé, a racionalidade do discurso (logos) à narrativa mítica (mythos): assim, para aceder à ordem do mundo, os filósofos pré-socráticos (Tales, Anaximandro, Heraclito, Empédocles...) fazem apelo a princípios naturais elementares (o fogo, a terra, o ar, a água), e não às acções dos deuses. Para estes filósofos, deve ser possível compreender o real sem recorrer à mitologia religiosa. Esta representa os deuses como se fossem humanos. “Se os bois (e) os cavalos (...) também tivessem mãos, e se com essas mãos soubessem desenhar, e soubessem modelar as obras que, com arte, só os homens conseguem realizar, os cavalos forjariam deuses equinos, e os bois dariam aos deuses forma bovina.” (Xenófanes)A filosofia A filosofia é, então, uma síntese compreensiva racional. É precisocomosistema compreender que esta ambição implica uma concepção unitária do real, baseada NUMA (uma única basta) ideia central. É esta exigência que identifica o carácter sistemático dos grandes filósofos: uma grande filosofia é, de uma forma ou de outra, um sistema conceptual que permite compreender o mundo. Todavia,alguns filósofos têm criticado esta ambição, considerando-a rígida e abstracta: não será o real, antes de tudo o mais, a vida, sempre em mudança (Bergson), e qualquer sistema que pretenda apreender a existência não será, ele próprio, o sistema de um existentexiii ? (Kierkegaard) O “real concreto” seria, segundo Kierkegaard, o ser singular, isto é, o sujeito: “a subjectividade é a
  9. 9. verdade.” (Kierkegaard) Podemos, então, dizer simplificadamente que há dois tipos de filosofia: as que inscrevem a verdade no universal, e que, por conseguinte, se constituem como sistemas; e aquelas que reivindicam um lugar para o individual, para a singularidade, nomeadamente a do sujeito existente. Por exemplo, Platão e Hegel são filósofos do universal: para Platão, as coisas singulares não são mais do que as imagens das essências – ou ideias – universais; Para Hegel, o real é a realização da Razão. Estes dois filósofos, com séculos de distância entre si, pretenderam fundamentar um saber absoluto. Pelo contrário, filósofos como Pascal, Kierkegaard ou Gasset, dão relevo ao individual, à experiência singular irredutível. De qualquer modo, mesmo quando um filósofo recusa “encerrar todo o real num sistema”, mesmo quando vê na exigência de inteligibilidade total uma negação da realidade existencial, sempre singular, ainda conserva a ambição de compreender de forma sintéctica a vida, a existência, a subjectividade.Referências A filosofia como ARTE DE VIVER=> A etimologia assim o diz: o filósofo é o amigo da sabedoria, o que gosta de saber. Com efeito, a actividade filosófica não é exclusivamente “abstracta” e “teórica”: em última análise, a filosofia tem uma finalidade prática, e filosofar é também esforçar-se por agir melhor.A sabedoria O homem, diz-se, é um animal dotado de razão. Mas será que dá sempre provas disso? Todos os homens desejam ser felizes: mas será que são mesmo? Dão-se a si mesmos realmente os meios necessários para serem felizes? Em suma, conduzem a sua vida com
  10. 10. razoabilidade, ou comportam-se como crianças?xiv Será que a maior parte dos homens já se perguntou a si mesmo o que é o bem? Muitos só conseguem ver o mundo e ver-se a si próprios sob o domínio da imaginação, “essa fantástica força inimiga da razão” "xv (Pascal). Ora, ser-se filósofo é precisamente colocar este tipo de questões, e empenhar-se em responder-lhes fazendo uso da razão afim de agir, tanto quanto possível, com sabedoria. Ser-se filósofo é, então, compreender que o bem não é nenhum bem em particular, e sobretudo não é um bem exterior a si (dinheiro, poder...): o bem é a própria sabedoria (sophia, em grego) – e a sabedoria é o saber que merece dominar todos os outros. xvi (Aristóteles).A felicidade, Mas em que consiste a sabedoria? Seremos sábios, se nãoo dever, aliberdade soubermos o que fazer, ou como proceder? Claro, o sábio não sabe tudo, e é mesmo daqueles que confessam a sua ignorância, mas ser sábio, como diz Descartesxvii, é ter em vista, em todas as circunstâncias, o fazer bem: este é o sentido da generosidade. O homem sábio conhece-se a si mesmo como dotado de razão e de vontade, faculdades que dependem de nós, e que devemos atribuir a todos os outros.Uma arte de O filósofo não é, então, “somente” um pensador. Ele age eviver compreende que as suas acções, como as de todos os outros, comprometem escolhas éticas. A filosofia é, portanto, também uma arte de viver, não simplesmente no sentido de uma arte de bem viver, mas no sentido de uma tentativa para viver bem, fazendo uso da razão.                                                                                                                  NOTAS  E  CITAÇÕES  COMPLEMENTARES:    i   Avoir   une   opinion,   cest   affirmer,   même   de   façon   sommaire,   la   validité   dune   conscience  subjective  limitée  dans  son  contenu  de  vérité.  La  manière  dont  se  présente  une  telle  opinion  
  11. 11.                                                                                                                peut  être  vraiment  anodine.  Lorsque  quelquun  dit  quà  son  avis,  le  nouveau  bâtiment  de  la  faculté   a   sept   étages,   cela   peut   vouloir   dire   quil   a   appris   cela   dun   tiers,   mais   quil   ne   le   sait  pas   exactement.   Mais   le   sens   est   tout   différent   lorsque   quelquun   déclare   quil   est   davis  quant   à   lui   que   les   Juifs   sont   une   race   inférieure   de   parasites,   comme   dans   lexemple  éclairant   cité   par   Sartre   de   loncle   Armand   qui   se   sent   quelquun   parce   quil   exècre   les  Anglais.   Dans   ce   cas,   le   "je   suis   davis"   ne   restreint   pas   le   jugement   hypothétique,   mais   le  souligne.   Lorsquun   tel   individu   proclame   comme   sienne   une   opinion   aussi   rapide,   sans  pertinence,  que  nétaye  aucune  expérience,  ni  aucune  réflexion,  il  lui  confère  -­‐  même  sil  la  limite  apparemment  -­‐  et  par  le  fait  quil  la  réfère  à  lui-­‐même  en  tant  que  sujet,  une  autorité  qui   est   celle   de   la   profession   de   foi.  Et   ce   qui   transparaît,   cest   quil   simplique   corps   et   âme;  il  aurait  donc  le  courage  de  ses  opinions,  le  courage  de  dire  des  choses  déplaisantes  qui  ne  plaisent   en   vérité   que   trop.   Inversement,   quand   on   a   affaire   à   un   jugement   fondé   et  pertinent   mais   qui   dérange,   et   quon   nest   pas   en   mesure   de   réfuter,   la   tendance   est   tout  aussi  répandue  à  le  discréditer  en  le  présentant  comme  une  simple  opinion.  [...]              Lopinion  sapproprie  ce  que  la  connaissance  ne  peut  atteindre  pour  sy  substituer.  Elle  élimine  de  façon  trompeuse  le  fossé  entre  le  sujet  connaissant  et  la  réalité  qui  lui  échappe.  Et  laliénation  se  révèle  delle-­‐même  dans  cette  inadéquation  de  la  simple  opinion.  [...]  Cest  pourquoi  il  ne  suffit  ni  à  la  connaissance  ni  à  une  pratique  visant  à  la  transformation  sociale  de   souligner   le   non-­‐sens   dopinions   dune   banalité   indicible,   qui   font   que   les   hommes   se  soumettent   à   des   études   caractérologiques   et   à   des   pronostics   quune   astrologie  standardisée  et  commercialement  de  nouveau  rentable  rattache  aux  signes  du  zodiaque.  Les  hommes  ne  se  ressentent  pas  Taureau  ou  Vierge  parce  quils  sont  bêtes  au  point  dobéir  aux  injonctions  des  journaux  qui  sous-­‐entendent  quil  est  tout  naturel  que  cela  signifie  quelque  chose,   mais   parce   que   ces   clichés   et   les   directives   stupides   pour   un   art   de   vivre   qui   se  contentent  de  recommander  ce  quils  doivent  faire  de  toute  façon,  leur  facilitent  -­‐  même  si  ce   nest   quune   apparence   -­‐   les   choix   à   faire   et   apaisent   momentanément   leur   sentiment  dêtre  étrangers  à  la  vie,  voire  étrangers  à  leur  propre  vie.              La   force   de   résistance   de   lopinion   pure   et   simple   sexplique   par   son   fonctionnement  psychique.   Elle   offre   des   explications   grâce   auxquelles   on   peut   organiser   sans  contradictions   la   réalité   contradictoire,   sans   faire   de   grands   efforts.   A   cela   sajoute   la  satisfaction  narcissique  que  procure  lopinion  passe-­‐partout,  en  renforçant  ses  adeptes  dans  leur  sentiment  davoir  toujours  su  de  quoi  il  retourne  et  de  faire  partie  de  ceux  qui  savent.  Theodor  W.  ADORNO  Modèles  critiques,  "Opinion,  illusion,  société"  tr.  fr.  M.  Jimenez  &  E.  Kouflhoz,  éd.  Payot,  pp.  114-­‐119    ii   Préjugé.   Ce   qui   est   jugé   davance,   cest-­‐à-­‐dire   avant   quon   se   soit   instruit.   Le   préjugé   fait  quon   sinstruit   mal.   Le   préjugé   peut   venir   des   passions   ;   la   haine   aime   à   préjuger   mal   ;   il  peut  venir  de  lorgueil,  qui  conseille  de  ne  point  changer  davis  ;  ou  bien  de  la  coutume  qui  ramène  toujours  aux  anciennes  formules  ;  ou  bien  de  la  paresse,  qui  naime  point  chercher  ni   examiner.   Mais   le   principal   appui   du   préjugé   est   lidée   juste   daprès   laquelle   il   nest   point  de   vérité   qui   subsiste   sans   serment   à   soi   ;   doù   lon   vient   à   considérer   toute   opinion  nouvelle   comme   une   manoeuvre   contre   lesprit.   Le   préjugé   ainsi   appuyé   sur   de   nobles  passions,  cest  le  fanatisme.   ALAIN  Définitions  in   Les   Arts   et   les   Dieux,   éd.   de   la   Pléiade,  p.  1081    iii  La  science,  dans  son  besoin  dachèvement  comme  dans  son  principe,  soppose  absolument  à  lopinion.  Sil  lui  arrive,  sur  un  point  particulier,  de  légitimer  lopinion,  cest  pour  dautres  raisons  que  celles  qui  fondent  lopinion  ;  de  sorte  que  lopinion  a,  en  droit,  toujours  tort.  
  12. 12.                                                                                                                Lopinion  pense  mal  ;  elle  ne  pense  pas  :  elle  traduit  des  besoins  en  connaissances.  En  désignant  les  objets  par  leur  utilité,  elle  sinterdit  de  les  connaître.  On  ne  peut  rien  fonder  sur  lopinion  :  il  faut  dabord  la  détruire.  Elle  est  le  premier  obstacle  à  surmonter.            Il  ne  suffirait  pas,  par  exemple,  de  la  rectifier  sur  des  points  particuliers,  en  maintenant,  comme  une  sorte  de  morale  provisoire  *  ,  une  connaissance  vulgaire  provisoire.  Lesprit  scientifique  nous  interdit  davoir  une  opinion  sur  des  questions  que  nous  ne  comprenons  pas,  sur  des  questions  que  nous  ne  savons  pas  formuler  clairement.  Avant  tout,  il  faut  savoir  poser  des  problèmes.  Et  quoi  quon  dise,  dans  la  vie  scientifique,  les  problèmes  ne  se  posent  pas  deux-­‐mêmes.  Cest  précisément  ce  sens  du  problème  qui  donne  la  marque  du  véritable  esprit  scientifique.  Pour  un  esprit  scientifique,  toute  connaissance  est  une  réponse  à  une  question.  Sil  ny  a  pas  eu  de  question,  il  ne  peut  y  avoir  connaissance  scientifique.  Rien  ne  va  de  soi.  Rien  nest  donné.  Tout  est  construit.  BACHELARD  La  Formation  de  lEsprit  Scientifique,  Chap.  I,  §.  I,  éd.  Vrin,  p.  14      iv   Ce   fut   létonnement   qui   poussa,   comme   aujourdhui,   les   premiers   penseurs   aux  spéculations   philosophiques.   Au   début,   ce   furent   les   difficultés   les   plus   apparentes   qui   les  frappèrent,  puis,  savançant  ainsi  peu  à  peu,  ils  cherchèrent  à  résoudre  des  problèmes  plus  importants,  tels  les  phénomènes  de  la  Lune,  ceux  du  Soleil  et  des  Étoiles,  enfin  la  genèse  de  lunivers.   Apercevoir   une   difficulté   et   sétonner,   cest   reconnaître   sa   propre   ignorance   (et  cest   pourquoi   aimer   les   mythes   est,   en   quelque   manière   se   montrer   philosophe,   car   le  mythe  est  composé  de  merveilleux).  Ainsi  donc,  si  ce  fut  pour  échapper  à  lignorance  que  les  premiers   philosophes   se   livrèrent   à   la   philosophie,   il   est   clair   quils   poursuivaient   la   science  en  vue  de  connaître  et  non  pour  une  fin  utilitaire.  Ce  qui  sest  passé  en  réalité  en  fournit  la  preuve  :  presque  tous  les  arts  qui  sappliquent  aux  nécessités,  et  ceux  qui  sintéressent  au  bien-­‐être   et   à   lagrément   de   la   vie,   étaient   déjà   connus,   quand   on   commença   à   rechercher  une   discipline   de   ce   genre.   Il   est   donc   évident   que   nous   navons   en   vue,   dans   la   Philosophie,  aucun  intérêt  étranger.  Mais,  de  même  que  nous  appelons  homme  libre  celui  qui  est  à  lui-­‐même  sa  fin  et  nexiste  pas  pour  un  autre,  ainsi  cette  science  est  aussi  la  seule  de  toutes  les  sciences   qui   soit   libre,   car   seule   elle   est   à   elle-­‐même   sa   propre   fin.  ARISTOTE  Métaphysique,  A,  2,  982  b10-­‐25    v   En   ce   qui   concerne   dabord   cette   galerie   dopinions   que   présenterait   lhistoire   de   la  philosophie  -­‐  sur  Dieu,  sur  lessence  des  objets  de  la  nature  et  de  lesprit  -­‐  ce  serait,  si  elle  ne  faisait   que   cela,   une   science   très   superflue   et   très   ennuyeuse,   alors   même   quon   invoquerait  la  multiple  utilité  à  retirer  dune  si  grande  animation  de  lesprit  et  dune  si  grande  érudition.  Quy  a-­‐t-­‐il  de  plus  inutile,  de  plus  ennuyeux  quune  suite  de  simples  opinions  ?  On  na  quà  considérer  des  écrits  qui  sont  des  histoires  de  la  philosophie,  en  ce  sens  quils  présentent  et  traitent  les  idées  philosophiques  comme  des  opinions,  pour  se  rendre  compte  à  quel  point  tout   cela   est   sec,   ennuyeux   et   sans   intérêt.   Une   opinion   est   une   représentation   subjective,  une   idée   quelconque,   fantaisiste,   que   je   conçois   ainsi   et   quun   autre   peut   concevoir  autrement.   Une   opinion   est   mienne   ;   ce   nest   pas   une   idée   en   soi   générale,   existant   en   soi   et  pour   soi.   Or   la   philosophie   ne   renferme   pas   des   opinions   ;   il   nexiste   pas   dopinions  philosophiques.  HEGEL    vi   Quiconque   veut   vraiment   devenir   philosophe   devra   "une   fois   dans   sa   vie"   se   replier   sur  soi-­‐même  et,  au-­‐dedans  de  soi,  tenter  de  renverser  toutes  les  sciences  admises  jusquici  et  tenter   de   les   reconstruire.   La   philosophie   -­‐   la   sagesse   -­‐   est   en   quelque   sorte   une   affaire  personnelle   du   philosophe.   Elle   doit   se   constituer   en   tant   que   sienne,   être   sa   sagesse,   son  
  13. 13.                                                                                                                savoir  qui,  bien  quil  tende  vers  luniversel,  soit  acquis  par  lui  et  quil  doit  pouvoir  justifier  dès   lorigine   et   à   chacune   de   ses   étapes,   en   sappuyant   sur   ses   intuitions   absolues.   Du  moment  que  jai  pris  la  décision  de  tendre  vers  cette  fin,  décision  qui  seule  peut  mamener  à  la   vie   et   au   développement   philosophique,   jai   donc   par   là   même   fait   voeu   de   pauvreté   en  matière   de   connaissance.   Dès   lors   il   est   manifeste   quil   faudra   alors   me   demander   comment  je  pourrais  trouver  une  méthode  qui  me  donnerait  la  marche  à  suivre  pour  arriver  au  savoir  véritable.   Les   Méditations   de   Descartes   ne   veulent   donc   pas   être   une   affaire   purement  privée   du   seul   philosophe   Descartes,   encore   moins   une   simple   forme   littéraire   dont   il  userait   pour   exposer   ses   vues   philosophiques.   Au   contraire,   ces   méditations   dessinent   le  prototype  du  genre  de  méditations  nécessaires  à  tout  philosophe  qui  commence  son  oeuvre,  méditations  qui  seules  peuvent  donner  naissance  à  une  philosophie.  HUSSERL  Méditations  cartésiennes,  tr.  fr.  G.  Peiffer  et  E.  Lévinas,  éd.  Vrin,  p.15    vii  Penser  nest  pas  croire.  Peu  de  gens  comprennent  cela.  Presque  tous,  et  ceux-­‐là  même  qui  semblent   débarrassés   de   toute   religion,   cherchent   dans   les   sciences   quelque   chose   quils  puissent  croire.  Ils  saccrochent  aux  idées  avec  une  espèce  de  fureur  ;  et  si  quelquun  veut  les  leur  enlever,  ils  sont  prêts  à  mordre.  [...]  Lorsque  lon  croit,  lestomac  sen  mêle  et  tout  le  corps   est   raidi.   Le   croyant   est   comme   le   lierre   sur   larbre.   Penser,   cest   tout   à   fait   autre  chose.  On  pourrait  dire  :  penser,  cest  inventer  sans  croire.              Imaginez   un   noble   physicien,   qui   a   observé   longtemps   les   corps   gazeux,   les   a   chauffés,  refroidis,   comprimés,   raréfiés.   Il   en   vient   à   concevoir   que   les   gaz   sont   faits   de   milliers   de  projectiles   très   petits   qui   sont   lancés   vivement   dans   toutes   les   directions   et   viennent  bombarder   les   parois   du   récipient.   Là-­‐dessus   le   voilà   qui   définit,   qui   calcule   ;   le   voilà   qui  démonte   et   remonte   son   gaz   parfait,   comme   un   horloger   ferait   pour   une   montre.   Eh   bien,   je  ne  crois  pas  du  tout  que  cet  homme  ressemble  un  chasseur  qui  guette  une  proie.  Je  le  vois  souriant,   et   jouant   avec   sa   théorie   ;   je   le   vois   travaillant   sans   fièvre   et   recevant   les  objections   comme   des   amies   ;   tout   prêt   à   changer   ses   définitions   si   lexpérience   ne   les  vérifie  pas,  et  cela  très  simplement,  sans  gestes  de  mélodrame.  Si  vous  lui  demandez  Croyez-­vous  que  les  gaz  soient  ainsi  ?  il  répondra  :  Je  ne  crois  pas  quils  soient  ainsi  ;  je  pense  quils  sont  ainsi.  ALAIN  Propos  dun  Normand,  15  janvier  1908    viii   Chacun   a   pu   remarquer,   au   sujet   des   opinions   communes,   que   chacun   les   subit   et   que  personne  ne  les  forme.  Un  citoyen,  même  avisé  et  énergique,  quand  il  na  à  conduire  que  son  propre  destin,  en  vient  naturellement  et  par  une  espèce  de  sagesse  à  rechercher  quelle  est  lopinion  dominante  au  sujet  des  affaires  publiques.  [...]  Remarquez  que  tous  raisonnent  de  même,   et   de   bonne   foi.   Chacun   a   bien   peut-­‐être   une   opinion   ;   mais   cest   à   peine   sil   se   la  formule  à  lui-­‐même  ;  il  rougit  à  la  seule  pensée  quil  pourrait  être  seul  de  son  avis.            Le   voilà   donc   qui   honnêtement   écoute   les   orateurs,   lit   les   journaux,   enfin   se   met   à   la  recherche  de  cet  être  fantastique  que  lon  appelle  lopinion  publique.  "La  question  nest  pas  de   savoir   si   je   veux   ou   non   faire   la   guerre".   Il   interroge   donc   le   pays.   Et   tous   les   citoyens  interrogent  le  pays,  au  lieu  de  sinterroger  eux-­‐mêmes.            Les   gouvernants   font   de   même,   et   tout   aussi   naïvement.   Car,   sentant   quils   ne   peuvent  rien  tout  seuls,  ils  veulent  savoir  où  ce  grand  corps  va  les  mener.  Et  il  est  vrai  que  ce  grand  corps  regarde  à  son  tour  vers  le  gouvernement,  afin  de  savoir  ce  quil  faut  penser  et  vouloir.  Par  ce  jeu,  il  nest  point  de  folle  conception  qui  ne  puisse  quelque  jour  simposer  à  tous,  sans  que   personne   pourtant   lait   jamais   formée   de   lui-­‐même   et   par   libre   réflexion.   Bref,   les  pensées   mènent   tout,   et   personne   ne   pense.   Doù   il   résulte   quun   Etat   formé   dhommes  raisonnables   peut   penser   et   agir   comme   un   fou.   Et   ce   mal   vient   originairement   de   ce   que  
  14. 14.                                                                                                                personne   nose   former   son   opinion   par   lui-­‐même   ni   la   maintenir   énergiquement,   en   lui  dabord,   et   devant   les   autres   aussi.   ALAIN  Mars   ou   la   guerre   jugée,   Chap.   LXIX,   in   Les  Passions  et  la  Sagesse,  coll.  La  Pléiade,  p.  665    ix   Voici  le  point  de  départ  de  la  philosophie  :  la  conscience  du  conflit  qui  met  aux  prises  les  hommes   entre   eux,   la   recherche   de   lorigine   de   ce   conflit,   la   condamnation   de   la   simple  opinion  *  et  la  défiance  *  à  son  égard,  une  sorte  de  critique  de  lopinion  pour  déterminer  si  on   a   raison   de   la   tenir,   linvention   dune   norme   *   ,   de   même   que   nous   avons   inventé   la  balance  pour  la  détermination  du  poids,  ou  le  cordeau  pour  distinguer  ce  qui  est  droit  et  ce  qui  est  tordu.              Est-­‐ce  là  le  point  de  départ  de  la  philosophie  :  est  juste  tout  ce  qui  paraît  tel  à  chacun  ?  Et  comment   est-­‐il   possible   que   les   opinions   qui   se   contredisent   soient   justes   ?   Par   conséquent,  non   pas   toutes.   Mais   celles   qui   nous   paraissent   à   nous   justes   ?   Pourquoi   à   nous   plutôt  quaux  Syriens,  plutôt  quaux  Égyptiens  ?  Plutôt  que  celles  qui  paraissent  telles  à  moi  ou  à  un  tel  ?  Pas  plus  les  unes  que  les  autres.  Donc  lopinion  de  chacun  nest  pas  suffisante  pour  déterminer  la  vérité.              Nous   ne   nous   contentons   pas   non   pl,s   quand   il   sagit   de   poids   ou   de   mesur,s   de   la   simple  apparence,   mais   nous   avons   inventé   une   norme   pour   ces   différents   cas.   Et   dans   le   cas  présent,   ny   a-­‐t-­‐il   donc   aucune   norme   supérieure   à   lopinion   ?   Et   comment   est-­‐il   possible  quil  ny  ait  aucun  moyen  de  déterminer  et  de  découvrir  ce  quil  y  a  pour  les  hommes  de  plus  nécessaire  ?  Il  y  a  donc  une  norme.  Alors,  pourquoi  ne  pas  la  chercher  et  ne  pas  la  trouver,  et   après   lavoir   trouvée,   pourquoi   ne   pas   nous   en   servir   par   la   suite   rigoureusement,   sans  nous  en  écarter  dun  pouce  ?  Car  voilà,  à  mon  avis,  ce  qui,  une  fois  trouvé,  délivrera  de  leur  folie   les   gens   qui   se   servent   en   tout   dune   seule   mesure,   lopinion,   et   nous   permettra,  désormais,   partant   de   principes   connus   et   clairement   définis,   de   nous   servir,   pour   juger   des  cas  particuliers,  dun  système  de  prénotions.   EPICTETE  Entretiens,  II,  XI,  tr.  fr.  G.  Budé,  Les  Belles  Lettres    x   CRITIAS   -­‐   Jaurais   même   presque   envie   de   dire   que   se   connaître   soi-­‐même,   cest   cela   la  sagesse,   et   je   suis   daccord   avec   lauteur   de   linscription   de   Delphes.   [...]   Voilà   en   quels  termes,  différents  de  ceux  des  hommes,  le  dieu  sadresse  à  ceux  qui  entrent  dans  son  temple  si  je  comprends  bien  lintention  de  lauteur  de  linscription.  A  chaque  visiteur,  il  ne  dit  rien  dautre,  en  vérité,  que  :  "Sois  sage  !"  Certes,  il  sexprime  en  termes  un  peu  énigmatiques,  en  sa   qualité   de   devin.   Donc,   selon   linscription   et   selon   moi,   "connais-­‐toi   toi-­‐même"   et   "sois  sage",  cest  la  même  chose  !  [...]      SOCRATE  -­‐  Dis-­‐moi  donc  ce  que  tu  penses  de  la  sagesse.      CRITIAS   -­‐   Je   pense   que   seule   entre   toutes   les   sciences,   la   sagesse   est   science   delle-­‐même   et  des  autres  sciences.      SOCRATE  -­‐  Donc  elle  sera  aussi  la  science  de  lignorance,  si  elle  lest  de  la  science  ?      CRITIAS  -­‐  Assurément.      SOCRATE  -­‐  En  ce  cas,  le  sage  seul  se  connaîtra  lui-­‐même  et  sera  capable  de  discerner  ce  quil  sait   et   ce   quil   ne   sait   pas   ;   et   de   même   pour   les   autres,   il   aura   le   pouvoir   dexaminer   ce   que  chacun  sait  et  a  conscience  à  juste  titre  de  savoir,  mais  aussi  ce  quil  croit  à  tort  savoir.  De  cela,  aucun  autre  homme  nest  capable.  Finalement,  lattitude  (sôphronein  =  être  sage)  et  la  vertu   (sôphrosunè)   de   sagesse,   de   même   que   la   connaissance   de   soi-­‐même   consistent   à  savoir  ce  quon  sait  et  ce  quon  ne  sait  pas.  Est-­‐ce  bien  là  ta  pensée  ?  PLATON  Charmide,  164d-­‐167a    
  15. 15.                                                                                                                xi   Jaurais   ensuite   fait   considérer   lutilité   de   cette   philosophie,   et   montré   que,   puisquelle  sétend   à   tout   ce   que   lesprit   humain   peut   savoir,   on   doit   croire   que   cest   elle   seule   qui   nous  distingue  des  plus  sauvages  et  barbares,  et  que  chaque  nation  est  dautant  plus  civilisée  et  polie   que   les   hommes   y   philosophent   mieux   ;   et   ainsi   que   cest   le   plus   grand   bien   qui   puisse  être  dans  un  Etat  que  davoir  de  vrais  philosophes.  Et  outre  cela  que,  pour  chaque  homme  en  particulier,  il  nest  pas  seulement  utile  de  vivre  avec  ceux  qui  sappliquent  à  cette  étude,  mais  quil  est  incomparablement  meilleur  de  sy  appliquer  soi-­‐même  ;  comme  sans  doute  il  vaut   beaucoup   mieux   se   servir   de   ses   propres   yeux   pour   se   conduire,   et   jouir   par   même  moyen  de  la  beauté  des  couleurs  et  de  la  lumière,  que  non  pas  de  les  avoir  fermés  et  suivre  la   conduite   dun   autre   ;   mais   ce   dernier   est   encore   meilleur   que   de   les   tenir   fermés   et  navoir   que   soi   pour   se   conduire.   Or,   cest   proprement   avoir   les   yeux   fermés,   sans   tâcher  jamais   de   les   ouvrir,   que   de   vivre   sans   philosopher   ;   et   le   plaisir   de   voir   toutes   les   choses  que  notre  vue  découvre  nest  point  comparable  à  la  satisfaction  que  donne  la  connaissance  de   celles   quon   trouve   par   la   philosophie   ;   et,   enfin,   cette   étude   est   plus   nécessaire   pour  régler  nos  moeurs  et  nous  conduire  en  cette  vie,  que  nest  lusage  de  nos  yeux  pour  guider  nos  pas.  Les  bêtes  brutes,  qui  nont  que  leur  corps  à  conserver,  soccupent  continuellement  à   chercher   de   quoi   le   nourrir   ;   mais   les   hommes,   dont   la   principale   partie   est   lesprit,  devraient   employer   leurs   principaux   soins   à   la   recherche  de  la  sagesse,  qui  en  est  la  vraie  nourriture  ;  et  je  massure  aussi  quil  y  en  a  plusieurs  qui  ny  manqueraient  pas,  sils  avaient  espérance  dy  réussir,  et  quils  sussent  combien  ils  en  sont  capables.  Il  ny  a  point  dâme  tant  soit   peu   noble   qui   demeure   si   fort   attachée   aux   objets   des   sens   quelle   ne   sen   détourne  quelquefois   pour   souhaiter   quelque   autre   plus   grand   bien,   nonobstant   quelle   ignore   *  souvent   en   quoi   il   consiste.   Ceux   que   la   fortune   *   favorise   le   plus,   qui   ont   abondance   de  santé,   dhonneurs,   de   richesses,   ne   sont   pas   plus   exempts   de   ce   désir   que   les   autres   ;   au  contraire,  je  me  persuade  que  ce  sont  eux  qui  soupirent  avec  le  plus  dardeur  après  un  autre  bien,   plus   souverain   que   tous   ceux   quils   possèdent.   Or,   ce   souverain   bien   *   considéré   par   la  raison  naturelle  sans  la  lumière  de  la  foi,  nest  autre  chose  que  la  connaissance  de  la  vérité  par   ses   premières   causes,   cest-­‐à-­‐dire   la   sagesse,   dont   la   philosophie   est   létude.   Et,   parce  que  toutes  ces  choses  sont  entièrement  vraies,  elles  ne  seraient  pas  difficiles  à  persuader  si  elles  étaient  bien  déduites.  DESCARTES    Principes  de  la  philosophie,  lettre-­‐préface    xii   Excepté   lhomme,   aucun   être   ne   sétonne   de   sa   propre   existence   ;   cest   pour   tous   une  chose   si   naturelle,   quils   ne   la   remarquent   même   pas.   [...]   Lhomme   est   un   animal  métaphysique.  Sans  doute,  quand  sa  conscience  ne  fait  encore  que  séveiller,  il  se  figure  être  intelligible   sans   effort   ;   mais   cela   ne   dure   pas   longtemps   :   avec   la   première   réflexion,   se  produit  déjà  cet  étonnement,  qui  fut  pour  ainsi  dire  le  père  de  la  métaphysique.  Cest  en  ce  sens  quAristote  a  dit  aussi  au  début  de  sa  Métaphysique  :  «  Propter  admirationem  enim  et  nunc  et  primo  inceperunt  homines  philosophari  »   *  .  De  même,  avoir  lesprit  philosophique,  cest  être  capable  de  sétonner  des  événements  habituels  et  des  choses  de  tous  les  jours,  de  se  poser  comme  sujet  détude  ce  quil  y  a  de  plus  général  et  de  plus  ordinaire  ;  tandis  que  létonnement   du   savant   ne   se   produit   quà   propos   de   phénomènes   rares   et   choisis,   et   que  tout   son   problème   se   réduit   à   ramener   ce   phénomène   à   un   autre   plus   connu.   Plus   un  homme  est  inférieur  par  lintelligence,  moins  lexistence  a  pour  lui  de  mystères.  Toute  chose  lui  paraît  porter  en  elle-­‐même  lexplication  de  son  comment  et  de  son  pourquoi.  Cela  vient  de   ce   que   son   intellect   est   encore   resté   fidèle   à   sa   destination   originelle,   et   quil   est  simplement  le  réservoir  des  motifs  à  la  disposition  de  la  volonté  ;  aussi,  étroitement  uni  au  monde  et  à  la  nature,  comme  partie  intégrante  deux-­‐mêmes,  est-­‐il  loin  de  sabstraire  pour  ainsi  dire  de  lensemble  des  choses,  pour  se  poser  ensuite  en  face  du  monde  et  lenvisager  
  16. 16.                                                                                                                objectivement,   comme   si   lui-­‐même,   pour   un   moment   du   moins,   existait   en   soi   et   pour   soi.  Au   contraire,   létonnement   philosophique,   qui   résulte   du   sentiment   de   cette   dualité,  suppose  dans  lindividu  un  degré  supérieur  dintelligence,  quoique  pourtant  ce  nen  soit  pas  là  lunique  condition  :  car,  sans  aucun  doute,  cest  la  connaissance  des  choses  de  la  mort  et  la  considération   de   la   douleur   et   de   la   misère   de   la   vie   qui   donnent   la   plus   forte   impulsion   à   la  pensée  philosophique  et  à  lexplication  métaphysique  du  monde.  Si  notre  vie  était  infinie  et  sans   douleur,   il   narriverait   à   personne   de   se   demander   pourquoi   le   monde   existe,   et  pourquoi  il  a  précisément  telle  nature  particulière  ;  mais  toutes  choses  se  comprendraient  delles-­‐mêmes.  [...]              Suivant   moi,   la   philosophie   naît   de   notre   étonnement   au   sujet   du   monde   et   de   notre  propre   existence,   qui   simposent   à   notre   intellect   comme   une   énigme   dont   la   solution   ne  cesse  dès  lors  de  préoccuper  lhumanité.   SCHOPENHAUER  Le  Monde  comme  Volonté  et  comme  Représentation  Seconde  partie,  chap.  XVII,  tr.  fr.  A.  Burdeau  éd.  Alcan,  tome  2,  pp.  294-­‐295  &  304    xiii   Pour   lexistant,   le   suprême   intérêt,   cest   dexister,   et   lintérêt   à   lexistence   est   la   réalité.  Cest  que  la  réalité  ne  se  laisse  pas  exprimer  dans  le  langage  de  labstraction.  La  réalité  est  un  inter-­esse  entre  lunité  abstraite  hypothétique  de  la  pensée  et  lêtre.  Labstraction  traite  de   la   possibilité   et   de   la   réalité,   mais   sa   conception   de   la   réalité   est   une   fausse  interprétation,   car   le   plan   sur   lequel   nous   sommes   nest   pas   celui   de   la   réalité,   mais   celui   de  la   possibilité.   Labstraction   ne   peut   se   rendre   maîtresse   de   la   réalité   quen   labolissant,   mais  labolir   signifie   justement   la   transformer   en   possibilité.   Tout   ce   qui   est   dit   de   la   réalité   dans  le   langage   de   labstraction   se   rapporte   en   effet   comme   une   possibilité   à   la   réalité   et   non   à  une   réalité   qui   se   trouverait   à   lintérieur   de   labstraction   et   de   la   possibilité.              La   réalité,  lexistence,  est  le  moment  dialectique  dans  une  trilogie  dont  le  commencement  et  la  fin  ne  sont   pas   là   pour   un   homme   existant   qui,   en   tant   quexistant,   se   trouve   dans   le   moment  dialectique.  Labstraction  ferme  la  trilogie.  Parfait.  Mais  comment  le  fait-­‐elle  ?  Labstraction  est-­‐elle   donc   quelque   chose,   ou   bien   plutôt   nest-­‐elle   pas   un   acte   de   celui   qui   abstrait   ?   Mais  celui   qui   abstrait   est   bel   et   bien   un   être   existant   et   donc,   en   tant   quexistant,   il   se   trouve  dans  le  moment  dialectique  quil  ne  peut  réduire  ou  clore,  et  encore  moins  clore  dune  façon  absolue  aussi  longtemps  quil  existe.              Quand  donc  il  le  fait,  il  faut  que  cela  se  rapporte  à  lexistence,   dans   laquelle   il   est   lui-­‐même,   comme   une   possibilité   à   la   réalité.   Il   faut   quil  explique   comment   il   se   comporte   en   loccurrence,   cest-­‐à-­‐dire   comment   il   se   comporte   en  tant   quexistant,   ou   sil   cesse   dexister,   et   si   cela   est   permis   à   un   homme   existant.   A   linstant  même   où   nous   commençons   à   questionner   ainsi,   nous   sommes   sur   le   plan   de   léthique   et  nous   faisons   valoir   auprès   de   lhomme   existant   lexigence   de   léthique   qui   ne   peut   consister  à   faire   abstraction   de   lexistence,   mais   au   contraire   à   devoir   exister,   ce   qui   est   aussi   le  suprême   intérêt   de   celui   qui   existe.   KIERKEGAARD  Post-­scriptum   aux   miettes  philosophiques,  éd.  Gallimard,  p.  220    xiv  Les  enfants  [...]  ne  sont  doués  daucune  raison  avant  davoir  acquis  lusage  de  la  parole  ;  mais  on  les  appelle  des  créatures  raisonnables  à  cause  de  la  possibilité  qui  apparaît  chez  eux  davoir  usage  de   la   raison   dans   lavenir.   Et   la   plupart   des   hommes,   encore   quils   aient   assez   dusage   du  raisonnement  pour  faire  quelque  pas  dans  ce  domaine  (pour  ce  qui  est,  par  exemple,  de  manier  les  nombres  jusquà  un  certain  point)  nen  font  guère  dusage  dans  la  vie  courante  :  dans  celle-­‐ci,  en  effet,   ils   se   gouvernent   les   uns   mieux,   les   autres   plus   mal,   selon   la   différence   de   leurs   expériences,  la  promptitude  de  leur  mémoire,  et  la  façon  dont  ils  se  sont  inclinés  vers  des  buts  différents  ;  mais  surtout  selon  leur  bonne  ou  mauvaise  fortune,  et  les  uns  daprès  les  erreurs  des  autres.  Car  pour  
  17. 17.                                                                                                                ce  qui  est  de  la  science,  et  de  règles  de  conduite  certaines,  ils  en  sont  éloignés  au  point  de  ne  pas  savoir  ce  que  cest.  La  géométrie,  ils  lont  prise  pour  de  la  magie.  Et  pour  les  autres  sciences,  ceux  à  qui   on   nen   a   pas   enseigné   les   commencements,   et   quon   ny   a   pas   fait   progresser   dans   une  certaine   mesure,   de   telle   sorte   quils   puissent   voir   comment   elles   sont   acquises   et   engendrées,  sont   sur   ce   point   comme   les   enfants   qui   nont   aucune   idée   de   la   génération,   et   auxquels   les  femmes  font  croire  que  leurs  frères  et  soeurs  nont  pas  été  enfantés,  mais  trouvés  dans  le  jardin.  HOBBES  Léviathan,  I,  chap.5,  éd.  Folio,  p.119  (éd.  Sirey,  p.  43)    xv   Cest  cette  partie  dominante  dans  lhomme,  cette  maîtresse  derreur  et  de  fausseté,  et  dautant  plus   fourbe   quelle   ne   lest   pas   toujours,   car   elle   serait   règle   infaillible   de   vérité,   si   elle   létait  infaillible   du   mensonge.   Mais,   étant   le   plus   souvent   fausse,   elle   ne   donne   aucune   marque   de   sa  qualité  marquant  du  même  caractère  le  vrai  et  le  faux.  Je  ne  parle  pas  des  fous,  je  parle  des  plus  sages,  et  cest  parmi  eux  que  limagination  a  le  grand  droit  de  persuader  les  hommes.  La  raison  a  beau  crier,  elle  ne  peut  mettre  le  prix  aux  choses.              Cette  superbe  puissance  ennemie  de  la  raison,  qui  se  plaît  à  la  contrôler  et  à  la  dominer,  pour  montrer   combien   elle   peut   en   toutes   choses,   a   établi   dans   lhomme   une   seconde   nature.   Elle   a   ses  heureux,   ses   malheureux,   ses   sains,   ses   malades,   ses   riches,   ses   pauvres.   Elle   fait   croire,   douter,  nier  la  raison.  Elle  suspend  les  sens,  elle  les  fait  sentir.  [...]              Qui  dispense  la  réputation,  qui  donne  le  respect  et  la  vénération  aux  personnes,  aux  ouvrages,  aux   lois,   aux   grands,   sinon   cette   faculté   imaginante?   Toutes   les   richesses   de   la   terre   [sont]  insuffisantes   sans   son   consentement.   Ne   diriez-­‐vous   pas   que   ce   magistrat   dont   la   vieillesse  vénérable  impose  le  respect  à  tout  un  peuple  se  gouverne  par  une  raison  pure  et  sublime  et  quil  juge   des   choses   par   leur   nature   sans   sarrêter   à   ces   vaines   circonstances   qui   ne   blessent   que  limagination   des   faibles   ?   Voyez-­‐le   entrer   dans   un   sermon   où   il   apporte   un   zèle   tout   dévot  renforçant  la  solidité  de  sa  raison  par  lardeur  de  sa  charité  ;  le  voilà  prêt  à  louïr  avec  un  respect  exemplaire.  Que  le  prédicateur  vienne  à  paraître,  si  la  nature  lui  a  donné  une  voix  enrouée  et  un  tour   de   visage   bizarre,   que   son   barbier   lait   mal   rasé,   si   le   hasard   la   encore   barbouillé   de   surcroît,  quelque  grandes  vérités  quil  annonce,  je  parie  la  perte  de  la  gravité  de  notre  sénateur.              Le   plus   grand   philosophe   du   monde   sur   une   planche   plus   large   quil   ne   faut,   sil   y   a   au-­‐dessous  un  précipice,  quoique  sa  raison  le  convainque  de  sa  sûreté,  son  imagination  prévaudra.  Plusieurs  nen  sauraient  soutenir  la  pensée  sans  pâlir  et  suer.              Je  ne  veux  pas  rapporter  tous  ses  effets  ;  qui  ne  sait  que  la  vue  des  chats,  des  rats,  lécrasement  dun   charbon,   etc,   emportent   la   raison   hors   des   gonds.   Le   ton   de   voix   impose   aux   plus   sages   et  change  un  discours  et  un  poème  de  force.  [...]  Je  voudrais  de  bon  coeur  voir  le  livre  italien  dont  je  ne   connais   que   le   titre,   qui   vaut   lui   seul   bien   des   livres,   Dellopinione   regina   del   mondo   *   .   Jy  souscris   sans   le   connaître,   sauf   le   mal   sil   y   en   a.   PASCAL Pensées, Brunschvicg 82/ Lafuma 44    xvi  Nous   concevons   dabord   le   sage   comme   possédant   la   connaissance   de   toutes  les  choses,  dans  la  mesure   où   cela   est   possible,   cest-­‐à-­‐dire   sans   avoir   la   science   de   chacune   delles   en   particulier.  Ensuite,   celui   qui   est   capable   de   connaître   les   choses   difficiles   et   malaisément   accessibles   à   la  connaissance   humaine,   on   admet   que   celui-­‐là   est   un   sage   (car   la   connaissance   sensible   étant  commune   à   tous   les   hommes,   est   facile,   et   na   rien   à   voir   avec   la   Sagesse).   En   outre,   celui   qui  connaît  les  causes  avec  plus  dexactitude,  et  celui  qui  est  plus  capable  de  les  enseigner  sont,  dans  toute   espèce   de   science,   plus   sages.   De   plus,   parmi   les   sciences,   celle   que   lon   choisit   pour   elle-­‐même   et   à   seule   fin   de   savoir,   est   considérée   comme   étant   plus   vraiment   Sagesse   que   celle   qui   est  choisie  en  vue  de  ses  résultats.  Enfin  une  science  dominatrice  est,  à  nos  yeux,  plus  une  sagesse  que  la  science  qui  lui  est  subordonnée  :  ce  nest  pas,  en  effet,  au  sage  à  recevoir  des  lois,  cest  à  lui   den  
  18. 18.                                                                                                                donner   ;   ce   nest   pas   lui   qui   doit   obéir   à   autrui,   cest   à   lui,   au   contraire,   que   doit   obéir   celui   qui   est  moins  sage. ARISTÓTELES  xvii  153. En quoi consiste la générosité.Ainsi   je   crois   que   la   vraie   générosité,   qui   fait   quun   homme   sestime   au   plus   haut   point   quil   se  peut   légitimement   estimer,   consiste   seulement   partie   en   ce   quil   connaît   quil   ny   a   rien   qui  véritablement  lui  appartienne  que  cette  libre  disposition  de  ses  volontés,  ni  pourquoi  il  doive  être  loué  ou  blâmé  sinon  pour  ce  quil  en  use  bien  ou  mal,  et  partie  en  ce  quil  sent  en  soi-­‐même  une  ferme  et  constante  résolution  den  bien  user,  cest-­‐à-­‐dire  de  ne  manquer  jamais  de  volonté  pour  entreprendre   et   exécuter   toutes   les   choses   quil   jugera   être   les   meilleures   ;   ce   qui   est   suivre  parfaitement  la  vertu.   154. Quelle empêche quon ne méprise les autres.Ceux  qui  ont  cette  connaissance  et  sentiment  deux-­‐mêmes  se  persuadent  facilement  que  chacun  des  autres  hommes  les  peut  aussi  avoir  de  soi,  parce  quil  ny  a  rien  en  cela  qui  dépende  dautrui.  Cest   pourquoi   ils   ne   méprisent   jamais   personne   ;   et,   bien   quils   voient   souvent   que   les   autres  commettent  des  fautes  qui  font  paraître  leur  faiblesse,  ils  sont  toutefois  plus  enclins  à  les  excuser  quà  les  blâmer,  et  à  croire  que  cest  plutôt  par  manque  de  connaissance  que  par  manque  de  bonne  volonté  quils  les  commettent  ;  et  comme  ils  ne  pensent  point  être  de  beaucoup  inférieurs  à  ceux  qui  ont  plus  de  bien  ou  dhonneurs,  ou  même  qui  ont  plus  desprit,  plus  de  savoir,  plus  de  beauté,  ou   généralement   qui  les   surpassent   en   quelques   autres   perfections,   aussi   ne   sestiment-­‐ils  point  beaucoup   au-­‐dessus   de   ceux   quils   surpassent,   à   cause   que   toutes   ces   choses   leur   semblent   être  fort   peu   considérables,   à   comparaison   de   la   bonne   volonté,   pour   laquelle   seule   ils   sestiment,   et  laquelle   ils   supposent   aussi   être   ou   du   moins   pouvoir   être   en   chacun   des   autres   hommes.  DESCARTES Les Passions de lâme, articles 153 & 154    

×