A atitude estética

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A atitude estética

  1. 1.   Filosofia   Professor:  Jorge  Barbosa     10ºAno:   Turma:7ª  A  atitude  estética  John Hospers1. AtitudesA atitude estética, ou a «forma estética de contemplar o mundo», é geralmente contraposta àatitude prática, na qual só interessa a utilidade do objecto em questão. O verdadeironegociante de terrenos, que contempla uma paisagem só a pensar no possível valor monetáriodo que vê, não está a contemplar esteticamente a paisagem. Para a contemplar dessa maneirateria de «a observar por observar», sem qualquer outra intenção — teria de saborear aexperiência de observar a própria paisagem, tomando atenção aos seus detalhes, em vez deutilizar o objecto observado como um meio para atingir um certo fim.A atitude estética distingue-se também da atitude cognitiva. Os estudantes, familiarizadoscom a história da arquitectura, são capazes de identificar rapidamente um edifício, ou umasruínas, no que diz respeito à sua época de construção e lugar de origem, ou ao seu estilo e aoutros aspectos visuais. Contemplam o edifício sobretudo para aumentar os seusconhecimentos, e não para enriquecer a sua experiência perceptiva.Este tipo de habilidade pode ser útil e importante, mas não está necessariamentecorrelacionado com a capacidade de desfrutar a própria experiência da contemplação doedifício. A capacidade analítica pode eventualmente melhorar a experiência estética, maspode também inibi-la.Quem se interessa por arte devido a um objectivo profissional ou técnico está particularmentesujeito a afastar-se da contemplação estética. Isto conduz-nos directamente a outra distinção.
  2. 2. A forma estética de observar é também diferente da forma personalizada de o fazer, na qual oobservador, em vez de contemplar o objecto estético para captar o que este lhe oferece,considera antes a relação desse objecto consigo próprio. Quem não dá atenção a uma obramusical, usando-a apenas como estímulo para uma fantasia pessoal, acaba por não estar aouvir esteticamente, mesmo que pareça o contrário.Disto segue-se que muitos tipos de respostas aos objectos, incluindo às obras de arte, ficam àmargem do campo da estética. O orgulho de possuir uma obra de arte, por exemplo, podeinterferir na resposta estética. A pessoa que reage com entusiasmo perante os seusconvidados, ao ouvir uma sinfonia no seu próprio equipamento estereofónico, mas que nãoreage à interpretação da mesma sinfonia quando a ouve através de um equipamento idênticona casa do seu vizinho, não está a ter uma resposta estética.O antiquário ou o director de museu — que, ao escolher uma obra de arte, tem que terpresentes o seu valor histórico, fama e época — pode sentir-se parcialmente influenciado pelaapreciação do valor estético, mas a sua atenção desvia-se necessariamente para factores nãoestéticos. Do mesmo modo, se uma pessoa aprecia uma peça de teatro ou um romance, porqueespera encontrar informações relativas à época e ao lugar em que a obra foi escrita, está asubstituir o interesse pela experiência estética pelo interesse em adquirir conhecimentos.Se uma pessoa aprecia favoravelmente uma determinada obra de arte, por esta ser moralmenteedificante ou por «defender uma causa justa», está a confundir a atitude moral com a estética,o que também ocorre, se a condenar por motivos morais e não conseguir separar essa censurada apreciação estética.2. Relações internasO termo «desinteressado» usa-se muito para descrever a atitude estética. O desinteresse é umaqualidade do bom juiz, que se manifesta quando este é imparcial. O juiz pode estarpessoalmente envolvido num certo caso, no sentido em que estuda profundamente a suasolução, mas ao julgar o caso não pode estar pessoalmente envolvido, no sentido em que deveevitar que os seus sentimentos ou simpatias pessoais o influenciem ou afectem de qualquerforma.
  3. 3. A imparcialidade em matérias morais e jurídicas certamente caracteriza o chamado «ponto devista moral», mas não é nada claro de que forma temos que nos mostrar desinteressados (ouseja, imparciais) ao contemplar um quadro ou escutar um concerto. Teremos de ser imparciaiscomo num conflito entre duas partes litigantes? «Julgar imparcialmente» faz sentido, mas oque significa observar ou escutar imparcialmente?«Imparcial» é um termo relacionado com situações, em que existe um conflito entre parteslitigantes, mas não parece ser um termo útil quando tentamos descrever a forma estética decontemplar as coisas. Um modo menos confuso de descrever a experiência estética é fazê-loem termos de relações internas versus externas. Quando contemplamos esteticamente umaobra de arte ou a natureza, fixamo-nos apenas nas relações internas, ou seja, no objectoestético e nas suas propriedades, e não na sua relação com nós próprios, nem sequer na suarelação com o artista que o criou ou com o nosso conhecimento da cultura em que surgiu.A maior parte das obras de arte são muito complexas e exigem toda a nossa atenção. O estadoestético pressupõe uma concentração intensa e completa. É preciso ter uma consciênciaperceptiva intensa, e tanto o objecto estético como as suas diversas relações internas têm deconstituir o único foco da nossa atenção.3. Valor estéticoNão poderemos compreender o importante conceito de forma na arte, sem mencionar algunsdos critérios principais que são utilizados pelos críticos e filósofos na análise da formaestética. Quais serão, então, os princípios formais a partir dos quais devemos apreciar umaobra de arte, pelo menos no seu aspecto formal?Muitos autores ofereceram diversas sugestões a este respeito, mas o critério central e maisuniversalmente aceite é o da unidade. A unidade é o oposto do caos, da confusão, dadesarmonia: quando um objecto está unificado, podemos dizer que tem consistência e não temnada de supérfluo. No entanto, há que especificar mais esta condição. Uma parede brancavazia ou uma superfície uniformemente azul tem unidade, no sentido em que nada ainterrompe. Mas apenas se deseja a unidade nas obras de arte que têm uma grandecomplexidade formal. Assim, a fórmula habitual é a da «diversidade na unidade».O objecto unificado deve conter dentro de si um amplo número de diversos elementos, ondecada um contribui em alguma medida para a total integração do todo unificado, de modo a
  4. 4. que não exista confusão apesar dos elementos díspares que o integram. No objecto unificado,todas as coisas são necessárias, e nenhuma é supérflua. Geralmente, ao substantivo «unidade»acrescenta-se o adjectivo «orgânica». Como uma obra de arte não é um organismo, o termo éclaramente metafórico. Esta analogia baseia-se no facto de nos organismos vivos a relaçãoentre as diversas partes ser interdependente, e não independente.Nenhuma parte actua isolada: cada parte ou elemento colabora com os outros, de tal modoque uma mudança num elemento torna o todo diferente. Por outras palavras, as partesrelacionam-se internamente, e não externamente. Deste modo, se numa certa obra de arte umamancha amarela estivesse noutro lugar, isso alteraria todo o carácter da obra pictórica, e omesmo aconteceria numa obra teatral se uma determinada cena não estivesse precisamenteonde está. Evidentemente, a ideia de unidade é uma ideia de valor. Significa, por exemplo,que numa boa melodia, pintura ou poema não se poderia mudar uma parte sem prejudicar (enão simplesmente mudar) o todo.John HospersTexto retirado de Estetica: Historia y Fundamentos, de John Hospers, Cap. 1 (selecção).  

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