Canção do exílio intertextualidade

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Canção do exílio - intertextualidade; Gonçalves Dias; Colégio Gênesis.

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Canção do exílio intertextualidade

  1. 1. GONÇALVES DIAS
  2. 2. Canção do Exílio
  3. 3. Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
  4. 4. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
  5. 5. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá..
  6. 6. OUTRAS VERSÕES
  7. 7. Carlos Drummond de Andrade NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO Um sabiá na palmeira, longe. Estas aves cantam um outro canto. O céu cintila sobre flores úmidas. Vozes na mata, e o maior amor. Só, na noite, seria feliz: um sabiá, na palmeira, longe. Onde é tudo belo e fantástico, só, na noite, seria feliz. (Um sabiá, na palmeira, longe.) Ainda um grito de vida e voltar para onde tudo é belo e fantástico: a palmeira, o sabiá, o longe.
  8. 8. Oswald de Andrade CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase tem mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que eu veja a rua 15 E o progresso de São Paulo
  9. 9. Murilo Mendes – CANÇÃO DO EXÍLIO Minha terra tem macieiras da Califórnia Onde cantam gaturamos de Veneza Os poetas da minha terra São pretos que vivem em torres de ametista, Os sargentos do exército são monistas, cubistas, Os filósofos são polacos vendendo a prestações. A gente não pode dormir Com os oradores e os pernilongos Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado Em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas Nossas frutas são mais gostosas Mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade E ouvir um sabiá com certidão de idade !
  10. 10. Jô Soares – CANÇÃO DO EXÍLIO ÀS AVESSAS Minha Dinda tem cascatas onde canta o curió Não permita Deus que eu tenha De voltar pra Maceió. Minha Dinda tem coqueiros Da ilha de Marajó As aves, aqui, gorjeiam, não fazem cocoricó. O meu céu tem mais estrelas Minha várzea tem mais cores. Este bosque reduzido Deve ter custado horrores. E depois de tanta planta, Orquídea, fruta e cipó Não permita Deus que eu tenha De voltar pra Maceió.
  11. 11. Minha Dinda tem piscina, Heliporto e tem jardim Feito pelas Brasil’s Garden Não foram pagos por mim. Em cismar sozinho à noite Sem gravata e paletó Olho aquelas cachoeiras Onde canta o curió. No meio daquelas plantas Eu jamais me sinto só. Não permita Deus que eu tenha de voltar pra Maceió. Pois no meu jardim tem lago Onde canta o curió E as aves que lá gorjeiam São tão pobres que dão dó.
  12. 12. Minha Dinda tem primores de floresta tropical Tudo ali foi transplantado Nem parece natural Olho a jabuticabeira Dos tempos da minha avó. Não permita Deus que eu tenha de voltar pra Maceió. Até os lagos das carpas São de água mineral. Da janela do meu quarto Redescubro o Pantanal Também adoro as palmeiras Onde canta o curió Não permita Deus que eu tenha De voltar pra Maceió.
  13. 13. Finalmente, aqui na Dinda, Sou tratado a pão-de-ló Só faltava envolver tudo Numa nuvem de ouro em pó. E depois de ser cuidado Pelo PC com xodó, não permita Deus que eu tenha de voltar pra Maceió.

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