confecção de concreto autoaadensavel

690 visualizações

Publicada em

Congresso Ibracon

Publicada em: Engenharia
0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
690
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
18
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

confecção de concreto autoaadensavel

  1. 1. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 1 CONFECÇÃO DE CONCRETO AUTOADENSAVEL COM A UTILIZAÇÃO DO RESÍDUO PROVENIENTE DO BENEFICIAMENTO DE GRANITO E MÁRMORE MAKING SELF-COMPACTING CONCRETE WITH WASTE FROM THE PROCESSING OF MARBLE AND GRANITE Thyciano Sangalli(1) , Bruno Gindri Brites(2) , Matheus Piazzalunga Neivock(3) , Sidiclei Formagini(4) (1) Engenheiro Civil, Curso de Engenharia Civil, thyciano@hotmail.com (2) Aluno,Curso de Engenharia Civil, bruno.brites@anhanguera.com (3) Professor Mestre, Curso de Engenharia Civil, neivock@gmail.com (4) Professor Doutor, Curso de Engenharia Civil, sidiclei@yahoo.com.br Curso de Engenharia Civil, Universidade Anhanguera – Uniderp – Fone: (67) 3348-8222 Rua Ceará, 333, Miguel Couto, Campo Grande, MS, Caixa Postal 2153 - CEP 79003-010 Resumo A utilização de resíduos provenientes da industrialização de produtos da construção civil é apresentada como uma eficiente forma para redução do impacto ambiental, pois leva em conta que a Construção Civil é uma atividade que utiliza elevadas quantidades de recursos naturais. Por esta razão, esta atividade se mostra como um apropriado e eficiente meio para a reutilização e reciclagem destes resíduos. O beneficiamento dos blocos de granitos e mármores gera uma grande quantidade de material pulverulento que pode ser reutilizado. Cerca de até 30% do bloco da rocha é demudado em pó, que na maioria das vezes acaba sendo descartado na natureza como lixo, sem o devido cuidado ambiental. Neste trabalho, foram confeccionados traços de concreto auto adensável (CAA) utilizando este material. Os resultados demonstram que é possível a obtenção de um CAA com a utilização deste resíduo, sendo este classificado de acordo com a NBR 15823/2010, nas seguintes classes: SF2 (espalhamento), PL2/PJ2 (caixa L) e VS1/VS2 (funil V). Aos 28 dias obteve-se resistência mecânica a compressão de 43 MPa, o que demonstra o potencial deste material. Conclui-se que este material pode ser uma alternativa interessante para a confecção de CAA, sendo necessário, portanto, novos estudos sobre resistência mecânica, durabilidade e concentração deste na composição final do traço. Palavra-Chave: Concreto auto adensável, caa, mármore, granito, resíduo. Abstract The use of waste from the manufacturing of construction products is presented as an efficient way to reduce the environmental impact, because the construction activity is an activity that uses large amounts of natural resources. For this reason, this activity shows up as an appropriate and efficient way for the reuse and recycling of waste. The processing of blocks of granite and marble generates a large amount of powdery material that can be reused. Approximately 30% of the rock block is transformed into powder, which most often ends up being discarded as waste in nature, without due environmental care. In this work, were fabricated self-compacting concrete (SCC) mixtures (SCC) using this material. The results demonstrate that it is possible to obtain a SCC using this residue, which is classified according to ABNT NBR 15823/2010, as the following classes: SF2 (flow test), PL2/PJ2 (L box) and VS1/VS2 (V funnel). At 28 days there was obtained a compressive strength of 43 MPa, thus demonstrating the potential of this material. It is concluded that this material can be an interesting alternative for the preparation of SCC, being necessary, further studies on mechanical strength, durability and concentration of this material in the final mixture. Keywords: Self-compacting concrete, scc, marble, granite, waste
  2. 2. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 2 1. Introdução Com avanço do setor da construção civil no Brasil cresce o uso das matérias primas, o que leva o setor a procurar novos materiais e novas tecnologias para suprir a demanda do mercado, podendo ser estes produtos oriundos do mesmo como é o caso do bloco verde e das indústrias que podem ser a sílica ativa, escória de alto forno, casca de arroz. Esse crescimento em 2010 representou aproximadamente 15,5% do PIB brasileiro, e apesar de toda a sua importância, esta parte da economia é muito atrasada, com baixos índices de produtividade e gerador de cerca de 25% de resíduos. O pó mármore e o pó de granito são uns dos materiais descartados pela indústria e que já apresentam estudos realizados nesta área e mostram que estes resíduos de atividades do seu beneficiamento podem ser utilizados na construção civil como substituição ou incorporação, reduzindo impactos ambientais decorridos da produção, bem como a destinação do descarte deste material. Com construções cada vez maiores e esbeltas foi preciso buscar mais formas e técnicas de adensamento e compactação do concreto, que são para o caso de uma estrutura com uma grande quantidade de armadura que dificulta o seu acesso e que torna cada vez mais difícil garantir a qualidade do produto final. Os produtos cimentícios são um dos materiais mais importantes de toda a história, pois só com eles foi possível a execução de grandes obras da civilização. A explicação para essa constatação é simples e ISAIA define como: a natureza forneceu matérias-primas abundantes e o homem, pela sua inerente capacidade de elaborar relações de causa-efeito, estabeleceu interações entre as necessidades existentes e as possibilidades de aplicação que esses materiais disponibilizaram para solução de seus problemas imediatos (ISAIA, 2005).
  3. 3. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 3 Cetin (1997) e Terzi Karasahin (2003) também confirmam que os resíduos do pó de mármore podem ser utilizados como material para construção de um asfalto de baixo tráfego. Resíduos de mármore podem atender a demanda de agregados para as aplicações da construção civil (Zorluer, 2003). Portanto, a utilização deste resíduo na construção civil constitui uma resposta inteligente na melhoria da gestão ambiental. De um modo geral, a utilização destes resíduos vem crescendo em todo o mundo. Geralmente, a adição do fíler do mármore e granito proporciona concretos de melhor desempenho, tanto no estado fresco, relacionado á trabalhabilidade, como endurecido, relacionado á resistência. CAA (concreto autoadensável) uma evolução do concreto tradicional no qual está associada a vantagens, como por exemplo, a alta capacidade de fluidez, coesividade e resistência à segregação em seu estado fresco, e alta capacidade de preenchimento das formas, mesmo na presença de altas taxas de armadura e sem vibração. Essa busca por produtos inovadores deve ter à luz do conceito de desempenho, a adição do pó de mármore ao concreto auto adensável visa melhorar a qualidade e o seu desempenho. Diante desse contexto, a substituição deste resíduo favorece a produção de um CAA, que tornará o elemento mais denso e com mínimos vazios, dificultando que agentes nocivos externos ataquem o material. No território brasileiro existem grande reservar de mármores, granitos e outras rochas ornamentais, com os mais variados aspectos estéticos. De acordo com Filho e Rodrigues (1990), em relação a produção destes materiais pode-se destacar os estados do Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Paraíba Dentre os estados produtores. Deve-se ressaltar após a lavra das rochas, o material bruto, deve ainda passar por uma etapa de beneficiamento, este processo fabril, transforma as rochas em placas, ladrilhos e outros produtos para o consumo final da indústria da construção civil e demais envolvidos. Esta etapa de transformação pode ocasionar a perda de cerca de 30% da massa inicial, sem incluir nesta estimativa os rejeitos provenientes ainda da etapa de polimento. (NEVES, 2002)
  4. 4. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 4 1.1Objetivos Como demonstrado, o estado de Mato Grosso do Sul figura no cenário nacional entre os maiores produtores de mármore e pedras ornamentais, por esta razão justifica-se o estudo do emprego dos resíduos gerados por esta indústria. O objetivo deste trabalho é demonstrar que é possível a produção de CAA com a utilização de resíduo do beneficiamento mármore e granito (RBMG) e caracterizar as propriedades deste nos estados fresco e endurecido. 2. Programa Experimental Esta pesquisa utiliza um traço já dosado e caracterizado por Alcântara (2012) e Carvalho (2012) de acordo com o método de Gomes, Gettu e Agulló, (GOMES; BARROS, 2009), onde confeccionaram traços de CAA contendo cinza volante, sílica ativa e com caráter inovador, utilizaram os agregados regionais disponíveis no município de Campo Grande, MS. Dentre estes agregados pode-se destacar a areia lavada disponível na região que apresenta módulo de finura de 0,95 a 1,15 e dimensão máxima média de 1,2mm. O CAA confeccionado neste trabalho propõe substituição total do particulado fino (cinza volante e sílica ativa) utilizados nos trabalhos citados pelo RBMG e adequação do traço, para obtenção do caráter autoadensável do concreto final. Esta substituição será realizada em função de semelhança granulométrica, entre os particulados utilizados por Alcântara (2012) e Carvalho (2012) e o RBGM. Após substituição serão realizados ensaios de resistência a compressão, espalhamento, caixa L e funil V, para caracterização do concreto produzido. Como limitação do estudo foi utilizado RBMG fornecido por uma única empresa, caracterizando-se assim apenas um lote, com o intuito de aumentar a precisão e
  5. 5. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 5 homogeneidade dos resultados, minimizando, portanto, as variáveis independentes da pesquisa. Os demais materiais utilizados foram o Cimento Portland CP II F 32 (Itaú, saco de 50 kg), areia de quartzo natural lavada (mineração Campo Grande) e brita 0 de origem basáltica (mineração Campo Grande). O aditivo químico escolhido foi o Tec-Flow 7000 (Rheoset), aditivo superplastificante de terceira geração, cujo objetivo é reduzir a relação água/cimento e melhorar a trabalhabilidade, tornando o concreto autoadensável. A característica do aditivo está representado no quadro 1. Quadro 1 – Dados técnicos do aditivo superplastificante TEC-FLOW 7000 Principal função Superplastificante Base química Policarboxilatos Aspecto Líquido Cor Castanho Claro Densidade 1, 095 ± 0,02% g/cm³ Teor de Sólidos 36,0% ± 2,0% Fonte: Rheoset Indústria e Comércio de Aditivos Ltda. 2.2 Ensaios Neste trabalho foram determinadas as massas específicas do cimento, agregados miúdo e graúdos conforme NBR NM 23 (ABNT, 2000), NBR NM 52 (ABNT, 2003) e NBR NM 53 (ABNT, 2003) respectivamente, e a granulometria do RBMG de acordo com a NBR NM 248 (ABNT, 2003).
  6. 6. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 6 Quanto ao CAA, foram escolhidos 3 (três) ensaios para serem realizados com o concreto no estado fresco e 1 (um) no estado endurecido, são eles: a) Ensaio de espalhamento, a fim de avaliar o autoadensamento do concreto, de acordo com a NBR 15.823-2 (ABNT, 2010); b) Caixa “L”, a fim de avaliar a capacidade de passar por obstáculos e analisar a capacidade de fluidez, de acordo com a NBR 15.823-1 (ABNT, 2010) e NBR 15.823-4 (ABNT, 2010); c) Funil “V”, a fim de caracterizar a viscosidade e a capacidade de fluidez, de acordo com a NBR 15.823-1 (ABNT, 2010) e NBR 15.823-5 (ABNT, 2010); d) Ensaios de compressão (para as idades de 3, 7, 14, 21 e 28 dias) de acordo com a NBR 5739 (ABNT, 1994) e NBR 5738 (ABNT, 1994). 3. Resultados 3.1 Massa Específica Os ensaios foram feitos de acordo com os procedimentos estabelecidos pelas normas técnicas vigentes e foram compilados no quadro 2. Quadro 2 – Massas específicas dos materiais utilizados. Material ρ (g/cm³) Método de ensaio Cimento Portland CP II F 32 (Itaú) 3,05 ABNT NBR NM 23 RBMG 2,88 ABNT NBR 52 Areia natural 2,63 ABNT NBR 52 Brita zero 2,94 ABNT NBR NM 53 Fonte: SANGALLI, 2012
  7. 7. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 7 3.2 Granulometria do RBMG O gráfico 1 mostra a curva granulométrica do RBMG. Gráfico 1- Curva Granulométrica do RBMG Fonte: SANGALLI, 2012 3.3 Apresentação e Adaptação do Traço O traço base para este trabalho é apresentado no quadro 3, entretanto é válido ressaltar que este trabalho propõe a substituição total da cinza volante por RBMG. Quadro 3 – Traço base do CAA MATERIAL Kg/m³ Cimento CPII E 32 ITAÚ 347,44 Cinza Volante Pozofly 122,50 Areia 814,80 Brita 0 936,50 Aditivo Tec-Flow 7000 3,02 Água 156,34
  8. 8. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 8 Fonte: Alcântara, 2012 No primeiro ensaio com a substituição acima proposta, ou seja, utilizando os mesmo parâmetros estabelecidos pelo autor citado, o concreto não apresentou reologia adequada para ser classificado como um CAA, mesmo após a correção do traço com a adição de 1/3 a mais da água inicialmente proposta. O que demonstra que o agregado utilizado consome mais água, provavelmente devido a uma elevada área superficial, uma vez que os componentes do RBMG não apresentam elevada porosidade. A figura 1 demonstra o teste de espalhamento da primeira substituição proposta. Figura 1 – Teste de espalhamento do traço padrão Fonte: SANGALLI, 2012 Após o primeiro resultado optou-se pelo aumento na dosagem do aditivo superplastificante e manutenção da quantidade de água já estabelecida pelo traço inicial. Na segunda tentativa, foram adicionados 4,0 kg/m³ ao invés dos 3,02 kg/m³ inicialmente propostos. Este novo traço apresentou exsudação, consequentemente a pasta não apresentou consistência adequada para arrastar os agregados, ficando a grande maioria concentrada no centro da placa, conforme pode ser verificado na figura 2, após o teste de espalhamento.
  9. 9. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 9 Figura 2 – Teste de espalhamento com excesso de aditivo Fonte: SANGALLI, 2012 Desta forma, ficou estipulado que a quantidade de aditivo estaria entre 3,02 kg/m³ e 4,0 kg/m³. A próxima tentativa foi adicionando 3,2 kg/m³. Houve pouca mudança com relação á fluidez se for comparado á primeira tentativa. Nas duas tentativas seguintes, com adição de 3,2 kg/m³ e 3,4 kg/m³ e a pasta apresentou maior fluidez, entretanto ainda não atendeu aos 55 cm mínimos estabelecidos em norma. Para a adição de 3,7 kg/m³, o teste de espalhamento acabou por superar os 55 cm de diâmetro que é requerido pela norma, conforme mostra figura 3. Figura 3 – Teste de espalhamento do CAA
  10. 10. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 10 Fonte: SANGALLI, 2012 Desta forma, ficou estipulado o seguinte traço para esta pesquisa, apresentado no quadro 4. Quadro 4 – Traço do CAA com RBMG MATERIAL Kg/m³ Cimento CPII E 32 ITAÚ 347,44 RBMG 122,50 Areia 814,80 Brita 0 936,50 Aditivo Tec-Flow 7000 3,70 Água 156,34 Fonte: Sangalli, 2012 3.4 Caracterização do Concreto Foram realizados ensaios de espalhamento, Caixa “L” e Funil V”, para determinar as propriedades no estado fresco, ensaios de resistência à compressão, para avaliação no estado endurecido. 3.4.1 Ensaio de Espalhamento No ensaio de espalhamento, o concreto ficou dentro da faixa necessária para ser considerado autoadensável, tendo como resultado médio um espalhamento de 660 mm num tempo de aproximadamente 5 segundos. Conforme norma, para o concreto ser considerado auto adensável, o mínimo de espalhamento é 550 mm. Portanto é considerado como auto adensável com base neste ensaio, sendo classificado segundo a norma como um concreto SF2.
  11. 11. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 11 A figura 4 mostra detalhes do espalhamento do concreto, mostrando que não houve exsudação, segregação ou acúmulo de agregados no centro. Figura 4 – Detalhe do Teste de Espalhamento Fonte: SANGALLI, 2012 3.4.2 Ensaio de Fluidez na Caixa “L” O segundo ensaio foi a caixa “L”, para o concreto apresentar características satisfatórias de habilidade passante, este concreto deve estar posicionado entre 8 e 10 mm da relação entre a altura h2 e altura h1. O traço do presente trabalho apresentou para esta relação o valor de 8,2 mm. A caixa “L” possui três barras de 12,5 mm e é vista na figura 5. O concreto analisado passou no segundo item para ser considerado um CAA e foi caracterizado como PL2/PJ2. Figura 5 – Caixa L Fonte: SANGALLI, 2012
  12. 12. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 12 3.4.3 Ensaio de Viscosidade e Fluidez do Funil “V” O último ensaio foi o funil “V” (figura 6), que fornece um parâmetro sobre a fluidez do concreto, este foi aprovado como CAA na ultima etapa, pois fluiu aproximadamente em seis segundos e o limite era de até 25 segundos, nesta etapa o concreto é classificado com VS-1/VF-1. Figura 6 – Funil V Fonte: SANGALLI, 2012 O quadro 5 compila as informações obtidas ao final de cada ensaio. Quadro 5 – Traço do CAA com RBMG Método de ensaio Classe de Viscosidade Espalhamento SF2 Caixa “L” PL2/PJ2 Funil “V” VS-1/VF-1 Fonte: Sangalli, 2012 3.4.4 Ensaio de Resistência a Compressão O desempenho mecânico do concreto foi analisado através de rompimento de 10 corpos de prova para cada idade, a fim de estabelecer uma curva de resistência média e calcular o desvio padrão. Os resultados são apresentados na tabela 1.
  13. 13. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 13 Tabela 1 – Resistência à compressão Idade (dias) Resistência à Compressão (MPa) Desvio padrão1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 3 26,74 22,91 28,01 27,75 27,50 27,62 27,25 26,74 27,50 27,88 1,4957 7 38,20 33,10 37,81 37,68 38,45 33,74 38,83 38,70 38,75 38,70 2,1188 14 39,47 39,47 39,47 39,72 34,37 38,96 39,47 39,21 39,47 39,21 1,5972 21 41,38 40,74 40,48 39,97 39,97 40,74 40,74 40,48 40,99 40,10 0,4553 28 44,31 43,54 43,29 44,56 38,20 43,29 42,14 42,65 42,01 43,29 1,7908 Fonte: SANGALLI 2012 Os valores médios de resistência à compressão são apresentados no quadro 6. Quadro 6 – Resistência Média Idade (dias) Resistência à compressão média (MPa) 3 27,50 7 38,32 14 39,47 21 40,61 28 43,29 Fonte: Sangalli, 2012 Para estado endurecido o CAA e o concreto convencional podem se diferenciar principalmente por causa do lançamento do concreto no estado fresco, onde as falhas de adensamento podem influenciar na qualidade final do concreto convencional. 4. Conclusão O trabalho demonstrou que é possível a obtenção de CAA com a incorporação de RBMG, entretanto é necessário um cuidado adicional no controle dos teores de aditivos químicos e na relação água/cimento.
  14. 14. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 14 O CAA produzido atende às premissas da sustentabilidade, por possuir em sua composição o RBMG, que é caracterizado com um resíduo industrial, podendo ser incorporado como mais uma opção de adição mineral na indústria da construção civil, por exemplo, na substituição ao cimento. Ao produzir o CAA com o traço padrão estabelecido por Alcântara (2012) e Carvalho (2012), os resultados iniciais não foram satisfatórios, entretanto após a modificação do mesmo, o espalhamento atingiu 650 mm de diâmetro com tempo de aproximadamente 5 segundos, na caixa “L”, o concreto auto adensável teve o índice h2/h1 de 8,2 mm, obtendo a fluidez prevista em norma e no que diz respeito ao funil “V”, o tempo do fluxo chegou próximo de 6 segundos. Quanto a resistência à compressão, o concreto ultrapassou a marca de 43 MPa aos 28 dias e apresentou uma adequada trabalhabilidade para moldagem dos corpos de prova. Estudos indicam que a utilização de pó de mármore e granito reduz em 70% a penetração de íons cloreto. O objetivo geral de obter concreto autoadensável, utilizando o resíduo RBMG foi atingido. Segundo a NBR 10823 (ABNT, 2010), o material produzido neste estudo pode ser utilizado em paredes, paredes diafragma, pilares, pilares vigas, lajes, pré-moldados e concreto aparente, é adequado para elementos estruturais que requerem alta densidade de armaduras e embutidos, mas exige controle da segregação e exsudação. 5. Referências AKBULUT, H., CAHIT, G. Use of aggregates produced frommarble quarry waste in asphalt pavements. Build. Environ. 42,1921–1930, 2007; ALCÂNTARA, L. N. Dosagem de concreto autoadensável com cinza volante. Monografia (Graduação em Engenharia) – Curso de Graduação em Engenharia Civil. Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, 2012. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 23 – Cimento portland e outros materiais em pó – Determinação da massa específica. Rio de Janeiro, 2000;
  15. 15. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 15 _____. NBR NM 53 – Agregado graúdo – determinação massa específica, massa específica aparente e absorção de água. Rio de Janeiro, 2003; _____. NBR NM 248 – Agregados – determinação da composição granulométrica. Rio de Janeiro, 2003; _____. NBR 5739 – Concreto – Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994; _____. NBR 7222 – Argamassa e concreto – Determinação da resistência à tração por compressão diametral de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994; _____. NBR 15823 – Concreto auto adensável – Parte 1: Classificação, controle e aceitação no estado fresco. Rio de Janeiro, 2010; _____. NBR 15823 – Concreto auto adensável – Parte 2: Determinação do espalhamento e do tempo de escoamento – Método do cone de Abrams. Rio de Janeiro, 2010; _____. NBR 15823 – Concreto auto adensável – Parte 4: Determinação da habilidade passante - Método da caixa L. Rio de Janeiro, 2010; _____. NBR 15823 – Concreto auto adensável – Parte 5: Determinação da viscosidade - Método do funil V. Rio de Janeiro, 2010; CARVALHO, G. Dosagem e uso de concreto autoadensável em fábrica de pré- moldados. Monografia (Graduação em Engenharia) – Curso de Graduação em Engenharia Civil. Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, 2012; CETIN, A. Assessment of industrial wastes in asphalt concrete pavement mixtures. M. Sc. Thesis – Department f Civil Engineering , Natural Science Institute, Anadolu University, Eskisehir, p. 266 (in Turkish), 1997; GOMES, P. C. C., BARROS, A. R. Métodos de dosagem de concreto autoadensável. Ed. Pini, São Paulo, 2009; NEVES, G. de A., Reciclagem de resíduos de serragem de granitos para uso como matéria-prima cerâmica. Tese (Doutorado em Engenharia) – Curso de Pós Graduação em Engenharia de Processos. Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2002;
  16. 16. ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO – CBC2013 – 55CBC 16 RODRIGUES, E. P.; FILHO, C. C. Rochas Ornamentais e de Revestimento: Quadro Setorial Brasileiro. Geovisão, Informativo SBG/SP, ano I, nº. III, 1999; SANGALLI, T. Influência do fíler proveniente do beneficiamento de granito e mármore em concreto auto adensável. Monografia (Graduação em Engenharia) – Curso de Graduação em Engenharia Civil. Universidade Anhanguera – Uniderp, Campo Grande, 2012; TERZI, S. KARASAHIN, M., Use of marble dust in the hot mix asphalt as a filler material. J. Tech. Chamber Civil Eng. Turk. 14, 2903–3022 (in Turkish), 2003; ZORLUER, I. Stabilization of soils by waste marble dust. In: Proceedings of the Fourth National Marble Symposium, Afyonkarahisar, pp. 297–305 (in Turkish), 2003.

×