Caderno Pedagógico Cabo Frio

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Caderno Pedagógico Cabo Frio

  1. 1. C a b o F r io / 2 0 0 6 O M u n ic íp io d e C a b o F r io E n s in o F u n d a m e n t a l 2 ª a 4 ª s é r ie
  2. 2. Prefeito Dr. Marcos da Rocha Mendes Secretário Prof. Paulo Machado Massa Subsecretária Profª. Laura Porto Guimarães Barreto Chefe de Gabinete Adm. Carlos Fernando Lima Silva Chefe do Departamento Técnico-Pedagógico – DETEP Profª. Tânia Maria Gomes de Ávila Chefe da Divisão de Supervisão Escolar Profª. Neide Estelita Pereira Chefe do Serviço de 1ª a 4ª série Profª. Tereza Cristina Sherman de Souza Apoio Operacional do Serviço de 1ª a 4ª série Luciana Andrade Guimarães Roseli Vidal de Oliveira Simone Pimentel Sherman Responsável pela pesquisa e elaboração de Caderno Roseli Vidal de Oliveira Apoio : Nilce Helena Dias de Castro Aragutti 2
  3. 3. Apresentação O Caderno Pedagógico, ora apresentado, destina-se à comunidade escolar, incluindo-se aí profissionais da educação e alunos do 1º segmento do Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) das escolas da Rede Municipal de Ensino de Cabo Frio. A edição simples que caracteriza este texto tem por finalidade retratar a história de Cabo Frio, resgatando um pouco da sua memória. Ressaltamos aqui um dos objetivos gerais da disciplina de história que consta na nossa Proposta Pedagógica e que nos guiou durante a elaboração deste caderno. Espera-se então, que possamos “compreender a sociedade em que vivemos e o espaço que vem sendo construído por essa sociedade no tempo que está sendo vivido; entendendo esse espaço e esse tempo não apenas em si, mas no sentido de que estão repletos de passado e, ao mesmo tempo, fecundando o futuro”. Sugerimos aos professores levar aos alunos o conhecimento da história de Cabo Frio, desde o seu surgimento, origem do seu nome e como era a vida das pessoas no passado, abrangendo o estudo dos aspectos geográficos, dados demográficos, monumentos históricos, festas religiosas e profanas, a economia do município ontem e hoje e diversidade cultural. Propomos a realização de várias atividades, como: interpretação do hino através de desenhos, criação de poesias, acrósticos, textos, confecção de maquetes, pintura em tela, pesquisas, excursões, palestras, entrevistas etc. Temos como uma de nossas metas fazer com que o aluno perceba que o presente tem grande ligação com o passado e que cada um de nós é parte ativa do processo de transformação histórica no qual está envolvido e busque desenvolver habilidades que contribuam para o seu melhor relacionamento com o meio social e histórico. Serviço de Ensino Fundamental – 1ª a 4ª série Divisão de Supervisão Escolar – Departamento Técnico Pedagógico SUMÁRIO 3
  4. 4. 1. Hino Oficial do Município de Cabo Frio 5 2. Biografia de Victorino Carriço, autor do hino 5 3. História de Cabo Frio 6 3.1 – A pré-história 6 3.2 – O indígena 7 3.3 – Os colonizadores 8 3.4 – Origem do nome Cabo Frio 8 3.5 – Cabo Frio através dos tempos 9 4. Localização do município 12 5. Limites e Distritos de Cabo Frio 12 6. Características físicas do município de Cabo Frio 13 7. Alguns bairros de Cabo Frio 14 8. Dados demográficos de Cabo Frio 14 9. Aspectos culturais 15 10 - Monumentos históricos de Cabo Frio 16 10.1 – Forte São Matheus 16 10.2 – Convento de Nossa Senhora dos Anjos 17 10.3 – Capela de Nossa Senhora da Guia 17 10.4 – Mirante do Morro da Guia 18 10.5 – Igreja Matriz Nossa Senhora da Assumpção 18 10.6 – Capela Santo Inácio 19 10.7 – O bairro Passagem / Igreja de São Benedito 19 10.8 – Charitas 20 10.9 – Fonte do Itajuru 20 10.10 – Anjo Caído 21 10.11 – Ponte Feliciano Sodré 22 10.12 – Pelourinho 22 10.13 – Palácio das Águias 22 10.14 – Câmara Municipal 23 10.15 – Corpo de Bombeiros 23 10.16 – Prédio do Instituto de Educação Professora Ismar Gomes de Azevedo 23 11. Festas religiosas e profanas 23 11.1 – Divino Espírito Santo 23 11.2 – Corpus Christi 24 11.3 – Festas Juninas 24 11.4 – Festa de São Pedro 24 11.5 – Festa de Nossa Senhora da Assunção 24 11.6 – Festa da Cidade 25 11.7 – Passagem de ano ou Reveillon na Praia do Forte 25 11.8 – Carnaval 25 11.9 – Semana Santa 25 12 - Economia do município de Cabo Frio 25 12.1 – A pesca 25 12.2 – O sal 25 12.3 – A agricultura 26 12.4 – O turismo 26 12.5 – O comércio 26 13 – Lendas de Cabo Frio 27 14 - Atividades propostas aos alunos 31 15 - Referências Bibliográfica 45 16 - Anexos 46 1 - Hino Oficial do Município de Cabo Frio 4
  5. 5. A poesia “Meu Cabo Frio” passou a ser o hino oficial deste município em 1975 sendo composta 15 anos antes (em 1960) por Victorino Carriço, o doce, sábio e amoroso poeta Santinho. Nas pesquisas realizadas pelo serviço não encontramos material que registrasse fatos históricos relacionados ao hino, porém sugerimos que cada escola faça uma interpretação imaginária do mesmo, através conversas, desenhos criados pelos alunos, excursões etc. “Cabo Frio minha terra amada, Tu és dotada de belezas mil. Escondida vives num recanto Sob o manto deste meu Brasil. Noites claras, teu luar famoso, Este luar que viu meus ancestrais O teu povo se orgulha tanto E de ti não esquecerá jamais. Tuas praias, teu Forte Olho ao longe e vejo o mar bravio, À esquerda um pescador afoito, Na lagoa que parece um rio. O teu sol, que beleza, No teu céu estrelas brilham mais. Forasteiro, não há forasteiro, Pois nesta terra, todos são iguais.” (Victorino Carriço) 2 - Biografia de Victorino Carriço, autor do hino oficial de Cabo Frio Victorino Carriço nasceu no Baixo Grande, Ponta do Ambrósio, município de São Pedro D”Aldeia, Estado do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1912. É filho de Victorino José Condeixa e Dona Marinha Gonçalves Carriço. É casado com Dona Adalgisa Barros Carriço. Completou o antigo primário no Colégio Sagrado Coração de Jesus – Cabo Frio. Estudou no Colégio Brasil, em Niterói. Victorino Carriço publicou três livros: Mar e Amar, Vidas Mortas e Se Voltares... Associação Cultural a que o poeta pertence: • Membro fundador da Academia Cabo-friense de Letras • Membro do Conselho Municipal de Cultura – Cabo Frio • União Brasileira de Trovadores • Casa do Poeta de São Paulo – São Paulo • Academia de Trovas do Rio Grande do Norte – Natal • Associação Uruguaiense de Escritores e Editores – Rio Grande do Sul • Instituto de Cultura Americana – registro – Unesco – Paris – França – sob o número 5.041, em 1942 Secção de Venezuela • Academia Internacional de Heráldica Genealogia – Rio Grande do Sul • Academia de Letras de Uruguaiana – Rio Grande do Sul • Clube de Poesia Uruguaiana – Rio Grande do Sul • Academia de Trovadores da Fronteira Sudoeste – Rio Grande do Sul • Sala do Poeta – Praia do Flamengo- Rio de Janeiro • Embaixador da Ordem dos Poetas da Literatura de Cordel – Salvador – Bahia Victorino Carriço também foi: 5
  6. 6.  O primeiro gerente de Banco, em Arraial do Cabo;  Sub-delegado de polícia (três anos) em Arraial do Cabo;  Administrador regional, no Arraial do Cabo;  Jornalista;  Vereador pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Victorino Carriço compôs;  O hino oficial da Companhia Nacional de Álcalis;  O hino oficial do Colégio Sagrado Coração de Jesus;  O HINO oficial da cidade de São Pedro D’Aldeia;  O hino do Tamoio Esporte Clube;  O hino de Arraial do Cabo. 3 - História de Cabo Frio 3.1- A pré história Os sítios arqueológicos são fragmentos da história humana a ser desenterrada. Cabe ao arqueólogo, a partir do estudo, análise e interpretação dos testemunhos dessas atividades humanas, e auxiliado por outras áreas do conhecimento (Biologia, Geologia, Arquitetura, dentre outras), a tarefa de tentar recompor a vida das sociedades desaparecidas. Isto é, definir os tipos de cultura, sua trajetória (evolução ou decadência), sua duração, o espaço geográfico que ocupou, sua adaptação ao ambiente; se houver sucessão de culturas, sua origem e difusão no tempo e no espaço, e suas relações. Resumindo, uma cultura se desenvolve em um tempo e espaço definidos, transformando-se gradativamente. É através da pesquisa arqueológica, com seus métodos e técnicas, que se escreve ou reescreve a história de um dado lugar. Cabo Frio é um município rico em vestígios arqueológicos. Possui sítios do período pré- histórico, perfazendo até então um total de mais de 50 sítios cadastrados. Destacamos, para exemplo, as pesquisas realizadas no sambaqui do Forte, sítio arqueológico localizado na Praia do Forte, denominado pela população, sabiamente, de Morro dos Índios. Chamamos de sambaqui ao tipo de sítio arqueológico cuja composição é predominantemente de carapaças de moluscos. Ele é o testemunho de uma sociedade cuja economia era baseada, principalmente, na coleta desses animais. A Existência dos sítios arqueológicos pré-históricos, leva-nos a concluir que esta região já era habitada há cerca de 6 mil anos. Os homens que habitavam nossas terras eram caçadores, coletores e viviam em pequenos grupos, explorando o ambiente e mudando de lugar quando o alimento escasseava. Muitos povos viviam do que o mar oferecia. Recolhiam vários moluscos, escolhiam um lugar bem alto para se fixarem, amontoando as conchas. Neste amontoado passavam a viver, 6 Morro do Índio (Praia do Forte) Pesquisa arqueológica no Sambaqui do Morro do Índio
  7. 7. construindo suas cabanas, fabricando seus instrumentos de osso e pedra e enterrando seus mortos. Após vários estudos, os arqueólogos constataram que esses povos eram baixos, cabeça volumosa, pescavam muitos tipos de peixes, caçavam (macacos, antas, gambás, tartarugas...), fabricavam objetos de pedra lascada e também poliam seus instrumentos, fabricando inúmeras esculturas. Eles se alimentavam de vários vegetais. Tinham uma grande diversidade de alimentos retirados do mar, da lagoa, da mata. Utilizavam canoas e redes. 3.2 - O indígena Os tupinambá A maior fonte de informação sobre os índios tupinambá nos é dada através dos relatos de viajantes do século XVI. Os tupinambá – assim chamados pelos franceses, e de Tamoios pelos portugueses – habitavam o litoral do Cabo de São Tomé até Angra dos Reis. Tinham como vizinhos: ao norte, os Goitacá; ao sul, os Tupiniquim; para o interior, os Carajá; próximos a eles, na serra, viviam os Guaianá e entre ambos os Maracajá. Todas estas tribos guerreavam entre si. Os índios Tupinambá viviam em aldeias com aproximadamente 5 a 7 cabanas que eram construídas em mutirão. Cada uma contava com 14 pés de largura por 150 pés de comprimento e duas braças de altura. Eram arredondados, cobertos por palha, com três portas. Não existia divisão interna. Várias famílias habitavam uma mesma casa. No meio da aldeia ficava o terreiro para as comemorações. Os tupinambá eram robustos, morenos, alegres; depilavam o corpo com uma espécie de grama cortante; dormiam em rede; as tarefas eram divididas pelo sexo. As mulheres plantavam, colhiam, preparavam o alimento, a bebida (cauim), cestaria, cerâmica. Os homens guerreavam, caçavam, pescavam, faziam armas etc. Os tupinambá abriam covas no chão com o “pau de cavar”, para plantar a mandioca, feijão, batata-doce, algodão, tabaco. Faziam também remédios com raízes e folhas. Usavam tempero feito com sal e pimenta. Faziam farinha de peixe, muito utilizada em época de guerra. Faziam vários objetos de cerâmica (panelas, jarros, pratos, urnas funerárias etc). Pintavam em vermelho, branco e preto, realizando inúmeros desenhos geométricos. Viviam para a guerra, por isso o sexo masculino era tão valorizado. Suas armas eram: tacape, arco e flecha, escudo, lança. Os pajés eram os curandeiros. Eles curavam usando a fumaça dos cachimbos, maracá, ervas e raízes. Os caraíbas profetizavam, interpretavam sonhos relacionados com questões de interesse geral. Os tupinambá também praticavam com seus vizinhos o comércio de penas, colares, conchas. A partir do século XVI, com a chegada dos europeus, a troca se intensifica. O escambo foi amplamente utilizado: em troca de vários produtos da terra recebiam facas, tesouras, panelas de ferro, anzóis etc. Os goitacá Donos absolutos das planícies de restinga, os índios goitacá dominavam 100 léguas de costa, desde o sul da Bahia até as proximidades de Cabo Frio. Existem dois significados para a palavra goitacá: “índios corredores” e “índios nadadores”. Tanto um como outro servem para designar esses índios que, correndo, perseguiam a caça até apanhá-la; e também viviam nadando ao redor de suas aldeias 7 Cunhambebe é o famoso morubixaba tupinambá.
  8. 8. lacustres. Eles moravam em choupanas construídas sobre as águas, com portas tão pequenas que só conseguiam entrar nelas com o corpo abaixado. Os goitacá eram altos, fortes e usavam o cabelo comprido. Viviam em campo aberto com abundância de caça e pesca. Eles utilizavam como arma o arco e a flecha. Como meio de transporte, em vez de canoas, preferiam as jangadas. No mar, chegavam a caçar tubarões, enfiando-lhes um pau pela garganta. O que lhes interessava nos tubarões não era a carne, mas os dentes, que colocavam nas pontas das flechas. 3.3 - Os colonizadores Alguns historiadores acreditam que quando Américo Vespúcio veio ao Brasil em 1501, em sua 1ª expedição (comandada por Gonçalo Coelho) veio conhecendo a costa, descobrindo portos. Ele menciona características de local semelhante a Cabo Frio nas cartas datadas daquela época. Durante a 2ª expedição, Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio se separam na Ilha de São Lourenço, atual Fernando de Noronha. Américo Vespúcio viaja para a Baía de Todos os Santos e de lá parte para o sul. Chega à região de Cabo Frio, onde funda uma feitoria e ali permanece por uns cinco meses, explorando a região. Ao retornar para Portugal, deixa em Cabo Frio João Braga e mais 24 homens com a finalidade de defender o litoral e aprender a língua e hábitos dos habitantes. A feitoria foi constante alvo de pirataria, não tendo assim condições de prosperar. O contrabando de pau-brasil tornou-se intenso na nossa região. Os franceses comercializavam com os tupinambá, seus aliados. Praticavam o escambo: em troca dos produtos da terra recebiam espelhos, anzóis, facas, machados etc. Os franceses fundam, na boca da barra, no Morro do Arpoador, uma Casa de Pedra. A presença francesa é tão ameaçadora que Portugal dá ordem ao governador do Rio de Janeiro, Antonio de Salema, em 1575, para organizar uma tropa e atacar a região (Guerra do Cabo Frio). Antonio de Salema organizou uma expedição formada por portugueses e índios para expulsar os invasores. Após o cerco e a rendição da fortaleza, franceses e índios foram mortos. As tropas portuguesas vencedoras ainda entraram pelo sertão, queimando aldeias, matando muitos índios e aprisionando outros tantos. Cabo Frio, entretanto, continuou abandonado pelos colonizadores portugueses e sujeito aos ataques de corsários estrangeiros: franceses, holandeses, ingleses, todos queriam contrabandear o pau-brasil. Essa situação perdurou até o ano de 1615, quando o então governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, veio a Cabo Frio com o objetivo de expulsar definitivamente os invasores e fundar a povoação de Santa Helena, o que fez a 13 de novembro do mesmo ano. Para defender o território ele ergueu o Forte de Santo Inácio. O território de Cabo Frio abrangia: Campos, Macaé, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Rio Bonito, Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo. Em 1616, o capitão-mor Estevão Gomes transferiu o sítio da povoação original para o atual bairro Passagem, rebatizando a cidade como Nossa Senhora d’Assunção de Cabo Frio. Ele inicia a construção do Forte de São Matheus, no morro em frente ao do Arpoador, destruindo o primeiro. Cabo Frio, enfim, começou a povoar-se com colonos vindos da Guanabara (Rio de Janeiro). 3.4 – Origem do nome de Cabo Frio Os índios que aqui habitavam chamavam o lugar de Gecay (sal e pimenta) devido à existência desses produtos na região, largamente utilizados em sua alimentação como tempero. Segundo o livro de Abel Beranger: “A denominação Cabo Frio deve datar da viagem de Gonçalo Coelho em 1504, e surge pela primeira vez no mapa de Kunstmann III, em 1506”. 8
  9. 9. Deve ter nascido o nome do contraste: região fria em zona quente. Notavam os navegantes, ao passarem neste ponto da costa, mudança brusca de temperatura, a ponto de os macacos que levavam a bordo, morrerem ou se sentirem mal. Tem Cabo Frio quase a mesma idade histórica do Brasil. 3.5 – Cabo Frio através dos tempos Apesar de ter sido formada com o título de cidade, Cabo Frio não passava de um simples povoado habitado por alguns portugueses, religiosos e indígenas, reunidos em uma cidade administrada pelos jesuítas e um Forte com alguns soldados. As casas eram simples, feitas de barro e cobertas de palha. As pessoas viviam da caça, da pesca e praticavam a agricultura para o seu próprio sustento. “Em 1629 foi criada a Capitania Real de Cabo Frio. Os limites eram: da Ponta Negra, entre Macaé e Saquarema, ao Rio Macaé. A cidade não se desenvolve. Em 1648 apenas 24 moradores habitavam a região e o Forte encontrava-se estagnado. Entre os anos de 1661/62 o prédio da Câmara foi erguido e foi aberta a atual Rua Érico Coelho. A Igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção foi inaugurada em 1666 e o governo fincou o pelourinho para que se fixassem os editais e ordens portuguesas. Em 1664 os beneditinos recebem uma sesmaria urbana e em 1668 o convento dos franciscanos começa a ser construído, sendo inaugurado em 1696. Nesse período constrói-se a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, em Arraial do Cabo. Em 1690 a fazenda Campos Novos servia para a engorda de gado proveniente de Campos. O sal era retirado pelo sistema de cacimbas; a região interiorana produzia mandioca, feijão. Em 1728, João de Almeida constrói uma armação de baleia em Búzios, sendo ampliada em 1729/1748 pelo novo contratador Brás Pina, que funda a Capela Nossa Senhora de Sant’ Anna, em 1740. Em 1761 foi construída a Igreja de São Benedito, na Passagem. Em 1797 a Câmara Municipal arrendou as praias da região para pescaria. Neste período Cabo Frio possuía 5408 escravos que produziam feijão, mandioca, farinha, milho etc. A partir de 1799 Cabo Frio começa a perder território: Rio Bonito e Araruama (1799), Juturnaíba (1801), Macaé (1811), São Pedro D’ Aldeia (1892), Mataruna (1859), São Vicente (1860), Saquarema (1860), Maricá (1814), Arraial do Cabo (1985) e Armação dos Búzios (1995). Por todo o período colonial o desenvolvimento da nossa região foi restrito. Na área rural, pequena produção de alimentos e criação de gado; na área urbana, uma pequena cidade, basicamente de pescadores. Esta situação não se modifica muito com a proclamação da independência, ocorrida em 07 de setembro de 1822. O alemão Luiz Lindenberg vem para o Brasil para fazer parte do quadro de prdenanças de D. Pedro I. em visita a nossa região fica encantado com a produção natural de sal em trechos da Lagoa de Araruama. Retornando ao Rio de Janeiro, solicita a D. Pedro I terras para produzir sal. E, em 1824 D. Pedro I concede “meia légua de terras, dita devolutas, no lugar denominado Ponta do Costa”. Em 1829, Lindenberg consegue a exclusividade da extração do sal por 6 anos. Utilizava caldeirões para obtenção do sal, através de evaporação. Em 1846 o presidente da província, Aureliano Coutinho,convida negociantes e fazendeiros do Rio de Janeiro para explorarem o sal da região, criando uma companhia exploradora de sal. Arrendam terrenos à MARGEM DA Lagoa de Araruama e passam a produzir sal também pela fervura da água, o que acaba encarecendo a produção. Em 1851 esses empreendedores abandonam a região. Em 1847, D. Pedro II visita a nossa região. A Câmara Municipal de Cabo Frio melhora as estradas, pintam a igreja e a Câmara e, no dia 24/04/1847, às 17 horas, recebem D. Pedro com as chaves da cidade, as bandas Euterpe e Bertioga tocam o Hino Nacional. O imperador visita as salinas de Luiz Lindenberg, vai a Arraial do Cabo e retorna ao Rio de Janeiro em 26/04/1847. Deixa dinheiro para a construção da casinha da Fonte do Itajurú. Em 1850 a nossa região é assolada por uma epidemia de febre amarela e o Forte São Matheus torna-se lazareto. Novas ondas de epidemias ocorrem em 1870 a 1878. 9
  10. 10. Leger Palmer compra a salina dos índios em São Pedro e, como ela se situava afastada da lagoa, constrói canais de 1500m de comprimento, onde a água chegava através de uma calha até um tanque natural e, de lá, ia para um outro poço para cristalizar. Para facilitar o escoamento de sua produção, Palmer abriu dois canais: Canal Palmer I e II. Em 1881 implantou a navegação a vapor em nossa região; em 1882 criou uma olaria, também a vapor, uma caieira, uma fábrica de conservas de pescado. Construiu sua segunda salina: Trapiche. Com as obras de abertura da barra de Cabo Frio (1880), Palmer consegue do governo provincial a concessão para instalar armazéns em terrenos próximos à Boca da Barra. Neste período, duas indústrias se estabelecem nas margens do Canal do Itajuru: a da cal e a da construção naval. Muitos imigrantes sírio-libaneses vêm para a nossa região, instalando casas comerciais. Em 1885, o português João Gago, antigo conhecedor das salinas do Aveiro (Portugal), constrói a salina Acahira, nos moldes portugueses (técnica francesa), impermeabilizando o solo com algas cionofícias e utilizando os moinhos de vento para puxarem as águas dos canais para os quadros de sal, que era obtido pela evaporação natural. Em 1887, Dr. Adolpho Lindenberg constrói novas salinas. Desta época em diante, a exploração da indústrua salineira se desenvolve. Para melhorar o transporte de sal era necessário melhorar a barra de Cabo Frio. O Major Bellegard melhora a barra, o que acaba permitindo a entrada de navios maiores. Faz também projetos de arruamentos, funda a irmandade de Santa Isabel e constrói a Charitas. Toda a produção agrícola de nossa região é levada ao Rio de Janeiro através de lanchas. Levam mandioca, farinha, café, feijão, arroz, madeiras, aguardentes, telhas, tijolos etc. O porto de Cabo Frio era o mais utilizado para este tipo de transporte a vapor. O de Búzios e o de Arraial do Cabo eram usados para abrigar embarcações em trânsito. Os transportes mais utilizados nesse período eram as lanchas a vapor, carroças, cavalos. No período imperial o sal é a grande mola propulsora do desenvolvimento da nossa cidade. Estaleiros, companhias de navegação a vapor, caieiras, melhoramentos nas ruas, iluminação pública no porto da barra, criação da casa de Caridade e do Hospital acontecem com o dinheiro vindo do sal. Com a abolição da escravatura e a proclamação da república, muitas transformações ocorrem. Algumas atividades produtivas são substituídas: o café pelo gado; ex-escravos fundam povoações na praia da Raza (Búzios), enquanto que escravos urbanos fundam a povoação Abissínia (Vila Nova) e continuam trabalhando na retirada de carvão da restinga para fornecer lenha para os navios a vapor. Em 1890 o trem chega a Marica; de lá até Cabo Frio a viagem continua em lombo de burro ou lanchas de passageiros pela Lagoa de Araruama. Melhora o fornecimento de água, em 1892, com a instalação de uma caixa d’água no Morro da Guia, de onde saíam os canos para as bicas (1897), onde a população se abastecia. A cidade crescia e era necessário uma ponte que ligasse a parte continental à restinga. Em 1898 foi inaugurada a ponte de ferro, construída por funcionários espanhóis. Mas ela acaba desabando em 1920. Em 1913 o trem chega a Araruama e Iguaba. Ao longo do Canal do Itajuru inúmeros estaleiros e caieiras são instalados. Cabo Frio possuía 48 salinas, 6 caieiras, 3 fábricas de conservas de camarão e peixe, 2 olarias, 38 casas comerciais (padarias, farmácias, tavernas, bilhares, alfaiates, sapateiros, hotel, o Cinema Recreio) o abastecimento de água é por poços artesianos, a iluminação é de lampião e nenhuma casa possuía instalações sanitárias. A luz só chegou em 1915, com a usina de Alberto Mazur, e só funcionava por algumas horas. Os primeiros sindicatos surgiram em 1918 e 1921 – o dos Estivadores e o dos Arrumadores. Nova epidemia de varíola assola a região, a ponte de concreto é inaugurada em 14/07/1926. Inaugura-se a estrada São Pedro – Cabo Frio, iniciando um serviço de ônibus diário. Somente em 1922 Cabo Frio passa a ser governado por prefeito, o Sr. Francisco Vasconcelos Costa. Em 1923 dois prédios são construídos em estilo neoclássico: o Grupo 10
  11. 11. Escolar Francisco Sá (atual Instituto de Educação Profª Ismar Gomes de Azevedo) e a Delegacia (atual Corpo de Bombeiros). O Hospital Santa Izabel atendia a toda a população. Em 1930 cria-se a primeira fábrica de gelo e torna-se viável a venda de peixe fresco para o Rio de Janeiro. Em 1932 Paes de Abreu cria a usina de luz, cujo fornecimento continua sendo precário. Finalmente, em 1937, o trem chega a Cabo Frio, sua estação era onde hoje funciona o camping da Estação, na Estrada dos Passageiros. Em 1943 a Álcalis é criada pelo governo federal para a produção de barrilha. Somente em 1960 inicia-se a produção de barrilha, a partir do sal marinho+ calcário e da amônia. É insumo básico para diversas indústrias: vidro, química, sabão, detergente, metalúrgica de alumínio, indústria mineral, papel, celulose, fertilizantes, indústria têxtil, petróleo, cerâmica, siderurgia, fotografias, indústria do couro etc. Em 1992 a companhia foi privatizada e, em 1995, faz uma série de modificações e passa a produzir também cloreto de sódio, de cálcio e carbonato de cálcio. Na década de 60, a fazenda Campos Novos passa para o Sr. Henrique da Cunha Bueno que, desde então, tenta expulsar os antigos moradores. O conflito de terra continua até hoje. Em 1964 a atriz Brigitte Bardot descobre Búzios, vila de pescadores, e turistas estrangeiros passam a visitar o local, colocando Búzios no cenário turístico internacional. Na década de 70 as transformações ocorrem na rede de telefonia, melhoramentos de vias de acesso, de água e luz. O turismo passa a ser uma nova fonte de renda para o município que já começa, nesse período, a enfrentar o início da queda da produção salineira.” (Apostila: História Regional – Profª Laura Barreto) Em 1974, com a inauguração da Ponte Costa e Silva, ou, como é mais conhecida, Ponte Rio Niterói, facilitando o acesso e diminuindo o tempo de viagem entre o Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras, como a cidade de Cabo Frio, despertou o interesse em várias empreiteiras de investir na construção de casas, apartamentos e condomínios para temporada em nossa cidade . As primeiras construtoras que começaram a erguer prédios eram das cidades de Juiz de Fora/MG, Petrópolis e Teresópolis. Como a mão de obra local era pouca, foram contratados homens de outras cidades, principalmente de Campos. Ao final das construções, vários destes homens que vieram trabalhar em nosso município foram ficando por aqui, pois não tinham opções de emprego em suas cidades. E por acreditarem que trabalhando em Cabo Frio, principalmente no comércio ambulante na praia, poderiam ganhar mais... Mas o maior problema encontrado por eles foi a moradia, já que não tinham condições financeiras de comprar, alugar ou até mesmo construir sua própria residência. Começaram, 11 Família Salles – década de 30
  12. 12. então, a invadir terrenos e áreas, que até então eram valorizadas e construíram suas moradias, feitas principalmente de madeira, formando as favelas. “Na década de 80 a maior parte da população de Cabo Frio (80%) está concentrada na área urbana. Começa o êxodo rural, por falta de incentivos e de rede distribuidora da produção. Na década de 90 ocorrem privatizações no setor público – CERJ, CEDAE, TELERJ. Grande número de pessoas escolhem a nossa região, fugindo da violência das grandes cidades. Mas ela também está presente em nosso município. Assaltos a bancos, roubos, estupros, violência doméstica, passam a ser notificações corriqueiras na Delegacia de Cabo Frio.” (Apostila: História Regional – Profª Laura Barreto) 4. Localização do município O município de Cabo Frio está localizado a sudoeste do Rio de Janeiro, na região das Baixadas Litorâneas e possui duas frentes aquáticas: • o Oceano Atlântico (a leste do litoral) • a Lagoa de Araruama (que o separa da parte meridional do município de São Pedro da Aldeia) . 5. Limites e distritos de Cabo Frio Cabo Frio limita-se:  Ao Norte: Casimiro de Abreu;  Ao Sul: Arraial do Cabo;  À Leste: Oceano Atlântico / Armação de Búzios;  À Oeste: Araruama e São Pedro da Aldeia. O município de Cabo Frio não é formado só pelo centro da cidade e seus bairros. Nos arredores da cidade existem outros lugares onde são produzidos alimentos e moram muitas 12
  13. 13. pessoas que trabalham em várias atividades. Esses lugares, juntamente com o centro da cidade, são os distritos que formam o município de Cabo Frio.  1º distrito : CABO FRIO (sede do município) – é formado por vários bairros, distribuídos pela parte continental e pela restinga. No primeiro distrito estão localizados os bancos, as lojas comerciais, o cinema, as repartições públicas, os restaurantes, hospitais, o fórum, o corpo de bombeiros etc. Alguns bairros do 1º distrito: Jacaré, Gamboa, Jardim Esperança, Jardim Caiçara, Palmeiras, Passagem, Centro, Braga, Vila Nova, Algodoal, Palmeiras, São Cristóvão, Célula Máter etc  2º distrito : TAMOIOS - é uma área menos povoada em alguns bairros. É a zona rural onde predomina a pecuária de gado leiteiro e de corte. Suas principais culturas agrícolas são: mandioca, milho, feijão, cana-de-açúcar, laranja, banana, etc. 6. Características físicas do município de Cabo Frio • Relevo: O relevo do município de Cabo Frio apresenta planícies, que ocupam grande área do município e pequenas elevações. As planícies podem ser classificadas quanto à sua origem em:  planícies marinhas, localizadas ao longo do litoral leste e sudeste do município; elas formam praias, cordões de areia, brejos, dunas, restingas.  planícies fluviais, correspondentes aos depósitos feitos pelos rios São João e Una. As elevações correspondem às colinas e aos maciços, localizadas entre os rios Una e São João. Entre os morros localizados em nosso município destacam-se: do Arpoador (Boca da Barra), do Telégrafo (Gamboa) , da Guia (Centro), do Vigia (Praia das Conchas), do Peró (Praia do Peró) e da Lajinha (Boca da Barra). • Clima: O município de Cabo Frio apresenta um clima saudável do tipo tropical - quente e úmido. O vento sopra sempre do mar para a terra, fazendo com que se mantenha uma temperatura anual agradável, não havendo meses só quentes ou frios demais. O vento constante também contribui para a diminuição das chuvas, fazendo com que Cabo Frio tenha sol durante quase todo o ano, o que atrai visitantes do mundo inteiro. • Vegetação: por causa do relevo quase plano e do clima semi-árido, a vegetação dessa região apresenta-se diferenciada em relação ao Sudeste brasileiro. A densa floresta que ocupava as colinas e as encostas na margem norte da lagoa era local onde predominava o pau-brasil e leguminosas. A presença de vegetais como salsa-da-praia e gramíneas, desempenha um papel marcante, pois constituem um obstáculo ao deslocamento de grãos de areia, dando lugar à formação de dunas. As palmeiras dos coqueirais já cobriram grande parte do município, notadamente nos bairros do Portinho e Palmeiras e hoje, com o avanço da urbanização, estão diminuindo cada vez mais. São frutas nativas do município e da região: gabiroba, bajuru, caju, araçá, cambucá, cambuim, pitanga, coco do guriri, guapeba. • Ilhas: Temos em Cabo Frio muitas ilhas, sendo as mais conhecidas: - Ilha dos Papagaios - Ilha dos Pargos - Ilha dos Cabritos - Ilha do Japonês - Ilha da Âncora - Ilha dos Franceses 13
  14. 14. • Dunas: As dunas em tempos passados eram enormes, altas, com sua vegetação de restinga. Hoje, nem tanto exuberantes, mas ainda importantes e lutando pela sobrevivência. - Dunas do Peró (localizada na Praia do Peró) - Dunas da Praia do Forte (situadas nesta praia, estendem-se pela terra, chegando a atravessar a rodovia que liga Cabo Frio ao Arraial do Cabo. Destaca-se a Duna Dama Branca, a mais alta da região). • Hidrografia: possui três principais bacias hidrográficas: a do Rio Una e a bacia drenante à Lagoa de Araruama, desaguando no Oceano Atlântico. Cabo Frio tem ainda o Canal do Itajuru que faz ligação da lagoa e o mar. • Litoral: O município de Cabo Frio possui 30 km de litoral, com 12 lindas praias. Caracteriza-se pela presença marcante das águas da Lagoa de Araruama, o Canal do Itajuru e o Oceano Atlântico formando várias praias. As principais praias, formadas por águas do Oceano Atlântico, são as seguintes: • PRAIA DO FORTE • PRAIA DO PERÓ • PRAIA DAS CONCHAS • PRAIA BRAVA • PRAIA DO FOGUETE • PRAINHA OU LIDO • PRAIA DAS DUNAS As mais importantes formadas por águas da Lagoa de Araruama são: • PRAIA DO SUDOESTE • PRAIA DO COQUEIRAL • PRAIA DO SIQUEIRA • PRAIA DE SÃO BENTO • PRAIA DAS PALMEIRAS 7. Alguns bairros de Cabo Frio São eles: Centro, Passagem, São Bento, Vila Nova, Itajuru, São Cristóvão, Jardim Esperança, Tangará, Eldorado, Jacaré, Jardim Caiçara, Guarani, Braga, Manoel Correa, Porto do Carro, Marlim, Algodoal, Ogiva, Gamboa, Recanto das Dunas, Parque Burle, Algodoal, Portinho, Palmeiras, Praia do Siqueira... 8. Dados demográficos de Cabo Frio A partir da colonização a população de Cabo Frio foi sendo formada pelos descendentes dos primeiros habitantes indígenas, europeus, africanos e, posteriormente, de vários imigrantes europeus e não-europeus. 14 Praia do Peró e das Conchas
  15. 15. A população de Cabo Frio aumentou muito de 1970 até hoje devido à chegada de pessoas vindas de outros lugares do Brasil para trabalhar na construção civil. Com a exploração das atividades turísticas, a população de Cabo Frio aumenta cada vez mais. A construção civil desenvolve-se, muitas pessoas vêm trabalhar nesse setor, e não tendo condições de acesso a boas moradias passam a residir em favelas. Ano Total Urbana Rural Homens Mulheres 1970 33.375 27.646 5.729 17.029 16.346 1980 55.593 44.081 11.512 28.352 27.241 1991 84.915 79.217 5.698 42.541 42.374 1994 92.912 90.125 2.787 45.527 47.385 1996 101.142 101.142 - 50.388 50.754 1998 115.759 - - - - Fonte: Plano Mar Azul Hoje somos aproximadamente 126.894 habitantes. 9. Aspectos Culturais Cabo Frio destaca-se como o mais desenvolvido e conhecido município da Região das Baixadas Litorâneas e famoso por suas praias de águas claras, dunas de areia branca e fina, além do seu respeitável patrimônio histórico. Nosso município tem em sua tradição, grandes e talentosos artistas, tanto filhos da terra, como os de coração, que escolheram a cidade por suas encantadoras belezas. Ao longo de seus 391 anos de existência, tem filhos famosos na cultura cabo-friense e brasileira. Dentre os já falecidos, destacamos: • Poeta e prosador Teixeira e Souza, “o Pai do Romance Brasileiro”; • Poeta Antonio de Gastão compositor, pescador e grande contador de histórias do município; • Poeta Victorino Carriço; • Poeta Waldemir Terra Cardoso – também jornalista e pintor • Dr. Abel Beranger – conhecido médico, autor da obra “Dados Históricos de Cabo Frio”; • Professor Márcio Werneck da Cunha - pesquisador que recebeu o prêmio “Golfinho de Ouro” na área de Patrimônio Histórico e Cultural, profundo estudioso dos sítios arqueológicos do município; • Adail Bento Costa - restaurador dos templos católicos como Convento e Igreja Matriz; • Professora Lair Gago - artista plástica; • Artista plástico José de Dome – cujo nome está perpetuado no museu da cidade Cabo Frio ainda conta com uma infinidade de artistas plásticos, poetas e prosadores, intelectuais e homens do povo, conhecidos por sua sabedoria popular. Destacamos apenas alguns, na certeza de que poderemos escrever páginas e páginas daqueles “criadores” da cultura em nosso município. • Poeta José Casimiro dos Santos; • Poeta Célio Guimarães; • Hilton Massa – autor do livro “Nossa Terra, Nossa gente”, fonte preciosa de informações da vida do município; • Dr. Demócrito Jônatas de Azevedo – membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores e da Academia Fluminense de Letras. Médico, poeta e escritor, voraz defensor da nossa cultura. • Professor Rudnei Queiroz – autor do busto de Teixeira e Souza; • Empresário Ernesto Galioto – grande amigo da cultura cabofriense; • Artista plástico Gago Pereira; • Artista plástico Carlos Lima; • Artista plástico José Novaes; 15
  16. 16. • Artista plástico Carlos Mendonça • Artista plástico Ivan Cruz • Pesquisadora e ambientalista Meri Damaceno • Pesquisador Elísio Gomes da Silva Para engrandecer cada vez mais a cultura da cidade, o município possui:  Conselho Municipal do Patrimônio Cultural,  Conselho Municipal de Educação,  Conselho Municipal de Cultura,  Academia Cabofriense de letras,  Espaço Cultural de Cabo Frio,  Coral “Canta-Vento” (FERLAGOS),  Museu de Artes Religiosas (Convento de Nossa Senhora dos Anjos),  Museu José de Dome (Charitas)  Bandas musicais: Sociedade Musical Santa Helena e Sociedade Musical 13 de Novembro.  Scliar – Casa de Cultura A educação do município conta com: - Escolas de Educação Infantil, - Escolas públicas de Ensino Fundamental, - Escolas de Ensino Médio, - Escola Municipal de Ensino Profissionalizante - Escolas Públicas Estaduais, - Rede Particular de Ensino, - FERLAGOS - Universidade Veiga de Almeida, - Universidade Estácio de Sá, - Cursos profissionalizantes do SENAC, - Cursos de línguas estrangeiras. 10. Monumentos históricos do município de cabo frio 10.1 – Forte São Matheus Em 1615 o governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau recebeu ordens do rei de Portugal para combater os ingleses que freqüentavam o litoral de Cabo Frio. A expulsão acontece e é estabelecida a povoação de Santa Helena, e erguido o Forte de Santo Inácio instalado na boca da barra da Lagoa de Araruama. Respondendo a uma consulta Real sobre a melhor maneira de se fortificar Cabo Frio, em 20 de abril de 1617, Martim de Sá - governador do Rio de Janeiro – conclui ser necessário desfazer o forte existente por ser fácil de ser tomado por naus inimigas. A aprovação dessa conclusão é afirmada pela CARTA RÉGIA de 18 de julho de 1617, dirigida ao governador do Brasil, D. Luís de Souza. E em 14 de abril de 1618, a carta régia transfere a responsabilidade das obras de construção para o governador do Rio de Janeiro. Em 1620, verifica-se a conclusão da nossa fortaleza, na carta enviada ao governador do Brasil pelo jesuíta superior da Aldeia dos Índios de São Pedro 16
  17. 17. No século XVIII, a fortificação estava guarnecida por uma tropa auxiliar composta de um superior e 7 soldados, sendo que um destes era de cavalaria, e todos sujeitos às ordens do oficial do terço de regimento de milícia em Cabo Frio. (Abel Beranger) Em 1818 era guardado por 6 soldados de milícia que se renovavam de 15 em 15 dias e eram comandados por um Cabo, que era obrigado a dar aviso ao Coronel do distrito da entrada e saída de embarcações que passavam pela boca da barra. (Abel Beranger). Em 1899 o Forte tornou-se lazareto recolhendo doentes portadores de varíola. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) tombou o Forte São Matheus em 30/11/1977. Em 1980, o então presidente do clube de Regatas Flamengo, Márcio Braga, instala na frente da sede do clube, no Rio de Janeiro, um canhão retirado do Forte SÃO Matheus. 10.2 – Convento de Nossa Senhora dos Anjos O conjunto Arquitetônico do Convento de Nossa Senhora dos Anjos é composto pela igreja e cemitério da Ordem Terceira de São Francisco e Capela de Nossa Senhora da Guia. A idéia da construção do Convento data de 1617, logo após a fundação da cidade. Coube a tarefa a Frei Agostinho da Conceição, provincial entre 1684 e 1687, que mandou a Cabo Frio, em 13 de abril de 1684, dois religiosos incumbidos de assistirem o povo e reunirem material para a obra. Frei Agostinho da Conceição tinha conseguido “pessoa abastada” para ser o padroeiro do Convento. Chamava-se José de Barcelos Machado. O benfeitor era possuidor de fazendas e extensos campos. Comprometeu-se através de escritura, a doar anualmente 25 bois, para sustento dos religiosos, cumprindo uma graça alcançada. A pedra fundamental do Convento foi colocada em 2 de agosto de 1686. As obras progrediram lentamente. Somente em 13 de janeiro de 1696 foi inaugurado dando posse como primeiro guardião ao Frei Serafino de Santa Rosa. Em 1707, o Convento passou à Casa de Noviciado e, logo depois, em suas dependências foram ministradas aulas de “primeiras letras” (ler, escrever, contar) às crianças do local e aulas de gramática para os coristas. Em 1898 uma explosão acidental num depósito de pólvora do Convento, por ocasião das obras de construção da primeira ponte de Cabo Frio, destruiu parcialmente o monumento. Em 1950 foi restaurado parcialmente pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Esse magnífico conjunto arquitetônico situa-se no centro da cidade, em frente ao Largo de Santo Antônio, na base do Morro da Guia, cujo topo pode ser alcançado através de uma estrada que serpenteia suas encostas. Lá em cima ergue-se a Capela de Nossa Senhora da Guia, de onde descortina-se o mais lindo cenário de toda a região. Todo conjunto natural arquitetônico está tombado e protegido pelo SPHAN, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O Convento de Nossa Senhora dos Anjos é sede do Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio. Na condição de um dos marcos da arquitetura religiosa do período colonial, encontra- se hoje, o monumento, recuperado e aberto à visitação pública. Através do Museu, diversas atividades de caráter educativo-cultural são desenvolvidas, tais como: exposições temporárias, lançamento de livros, apresentação de corais, cursos. São realizadas ainda, visitas orientadas a estudantes. 10.3 – Capela de nossa Senhora da Guia A Capela só foi construída depois de 1740. Era local de passeio dos frades, com a restrição porém, de 17
  18. 18. serem sempre dois deles para cima e não poderem apartarem-se da vista do Convento. Uma lenda conta que os franciscanos colocavam a Santa Nossa Senhora da Guia no altar da Capela no alto do Outeiro. No dia seguinte ela aparecia no Convento. Era levada à Capela e novamente aparecia no Convento. Por várias vezes este fato sucedeu-se. Essa lenda está relacionada a do misterioso túnel subterrâneo que ligaria a Capela ao Convento. Alguns afirmam que Nossa Senhora da Guia alcançava o Convento através desse túnel. Ao lado da Capela de Nossa Senhora da Guia, foram localizados alicerces do antigo posto meteorológico. De acordo com a tradição oral da cidade, sua função era a de alertar os navios das condições meteorológicas através de sinais codificados, bandeiras, cone etc que eram hasteados em torre metálica de 12 m. Segundo pesquisas orais na cidade, consta que sob o altar existia um túnel que saía dentro do Convento e este túnel era usado para guardar peças valiosas do Convento que piratas vinham roubar em nossa cidade. Do alto do morro era possível ver os navios piratas chegando em nossa costa e rapidamente as peças eram guardadas no suposto túnel. 10.4 – Mirante do Morro da Guia Centro de emanações energéticas, santuário espiritual, sítio predestinado, espelho onde o homem pré-histórico mira-se, memória viva feita de pedra e fé. Com essa obra o povo cabo-friense resgata um dos locais culturalmente mais importantes do Brasil. O que era esquecimento ontem, revela hoje o conhecimento, a inteligência e o deslumbramento. O homem do passado integra-se ao homem do presente, que projeta o futuro. 10.5 - Igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção A fundação da cidade de Cabo Frio propriamente dita deu-se em 1616, no bairro Passagem, mas, a partir de 1660 criou-se o novo centro urbano denominado de São Francisco. Nele, traça-se a praça (atual Porto Rocha) e constrói-se o prédio da Câmara Municipal, entre 1661 e 1662. O poder religioso acompanha esse deslocamento e, em 1666 é criada pelo Vigário Bento de Figueiredo a Igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção. No altar mor foi colocada a imagem da Padroeira de Cabo Frio, Nossa Senhora da Assunção – recomendada a Lisboa nos princípios da ereção e fundação da igreja, e que sem dúvida foi a devoção dos primeiros habitantes da cidade. Consta que essa imagem é uma das mais antigas o Brasil. À direita de quem entra na Igreja Matriz, há uma capela, erguida em 1731, onde está a imagem da Virgem Aparecida, que foi encontrada entre uns penedos no mar de Arraial do Cabo, pelo pescador Domingos André Ribeiro, no ano de 1721. A igreja matriz foi restaurada em 1966, sob a direção artística do professor Adail Bento Costa. Porém, no início da década de 70, os religiosos responsáveis pela matriz construíram um anexo na parte posterior que se tornou um elemento arquitetônico altamente perturbador ao estilo do monumento do século XVII. No início do ano de 1984 a Igreja Matriz foi assaltada. Além das imagens de Nossa Senhora da Aparecida e Nossa Senhora da Conceicão, os ladrões levaram: 3 cálices com patenas (2 cálices dourados e 1 prateado), 2 estensórios (1 grande dourado e 1 pequeno prateado), 1 crucifixo de arte sacristia, coroa, punhal de prata e broche de Nossa Senhora da Assunção, 2 crucifixos laterais , espada e coroa de Nossa Senhora das Dores, 3 túnicas de celebração, 2 anjos, e coroa do Sr. dos Passos. Até os dias de hoje, essas peças não foram recuperadas. 18
  19. 19. 10.6 – Capela Santo Inácio Construída por padres jesuítas no final do século XVII, a fazenda agropecuária Campos Novos abriga uma capela dedicada a Santo Inácio de Loyola e um pequeno cemitério, que originalmente serviu aos jesuítas. Após graves conflitos de terra, a área foi desapropriada pelo governo municipal em 1993. 10.7 – O bairro da Passagem Igreja de São Benedito O Bairro da Passagem está situado na margem de restinga do Canal do Itajuru e próximo à barra da Lagoa de Araruama. Ao chegar em Cabo Frio, em 1616, Estevão Gomes dirigiu-se à fortaleza de Santo Inácio para assumir o comando e passar a tropa em revista. Provavelmente foi, em seguida, para o local onde pretendia dar início à cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio, o Bairro Passagem. Ele é então, a área de população portuguesa mais antiga da cidade de Cabo Frio e o único núcleo urbano entre 1616 e cerca de 1660. A denominação PASSAGEM provém do ponto de embarque e desembarque de pessoas e mercadorias que atravessavam o canal do Itajuru. Após a transferência do centro administrativo da cidade para o Largo da Matriz (atual Praça Porto Rocha), em cerca de 1660 e 1662 o porto e Bairro da Passagem consolidaram-se como locais de moradia e trabalho dos pescadores interessados na pesca oceânica e navegação costeira, além dos artífices construtores de embarcações, em função da proximidade do porto na Boca da Barra. Os patrões da pesca oceânica e navegação costeira eram homens ricos, proprietários de lanchas e possuíam escravos africanos, empregados nas atividades marítimas. Através da provisão de 9 de abril, João Botelho da Ponte foi autorizado a construir a Igreja de São Benedito na Passagem . Até o fim do Período Imperial, o porto e o Bairro Passagem continuaram centralizando as atividades ligadas à construção de embarcações, à pesca oceânica e à navegação costeira de Cabo Frio, além de empregar novos escravos africanos na produção de cal e estiva do sal. A festa em Homenagem ao Santo Padroeiro da raça negra no Brasil era promovida pela Irmandade de São Benedito até as décadas iniciais de século XX. Tinha a participação majoritária da população negra da cidade de Cabo Frio. Em meio a barraquinhas, prendas e leilões, cantava-se e dançava-se o “jongo”. 19
  20. 20. A herança negra finalmente tornou a Passagem um dos berços do CARNAVAL cabo- friense. A pequena Igreja de São Benedito é um primor de arquitetura religiosa colonial. O seu interior é modesto: além da imagem de São Benedito, existem ainda as imagens de São João Batista, São Bento, Nossa Senhora dos Navegantes em seu barco, São Pedro em seu pequeno barco e o menino Jesus. Até a Segunda metade do século XIX os membros da Irmandade eram enterrados sob o piso da nave. 10.8 – Charitas Cabo Frio viveu um período em que era agravante o estado de abandono de crianças, frutos de união entre brancos, escravos e índias. Em 21 de julho de 1834 foi criada uma comissão provisória que deu origem à Irmandade de Santa Isabel. Um ano depois, o major do Imperial Corpo de Engenheiros, Henrique Luiz Memeyer Belegard, apresenta a planta do projeto do edifício “Casa da Caridade”, que seria construída com um orçamento de 2 contos de réis e complementado com contribuições voluntárias dos habitantes. Lançada a pedra fundamental em 27 de julho de 1836, as obras iniciaram-se em 1837, mas por falta de recursos foram interrompidas no ano seguinte. Para obter recursos, o Major Bellegard criou a Irmandade de Misericórdia, em 1938, e junto com mais 26 pessoas confere o título de Protetor da Irmandade ao Imperador D. Pedro II. Com auxílio de Assembléia Provincial da CÂMARA MUNICIPAL as obras reiniciaram em 1839 e foi inaugurada a Charitas em 16 de fevereiro de 1840. A razão de ser da Casa de Caridade era acolher as crianças abandonadas na calada da noite. Foi popularmente denominada de “Casa da Roda”, devido a existência de uma roda na porta de entrada onde era colocada a criança e por onde a “dona” da Charitas, a matrona, retirava esta criança, sem sair do interior da casa, usando esse mecanismo que ao rodar fazia a criança entrar. Em virtude das inúmeras epidemias que assolaram a cidade do século XIX, a Charitas passou a funcionar, também, como hospital. Na 2ª Guerra Mundial a Charitas foi abrigo do primeiro grupo de artilharia de Dorso, sediado em Cabo Frio. O estabelecimento já foi usado também como Fórum, Escola, Biblioteca Municipal. Hoje, com a finalidade de divulgar as artes plásticas no município a CHARITAS abriga a Casa da Cultura José de Dome. Este espaço é aberto a todas as manifestações artísticas da comunidade cabo-friense, visando promover intercâmbio cultural no âmbito nacional e internacional. 10.9 – Fonte do Itajuru Os primeiros povoadores de Cabo Frio já se utilizavam das águas da fonte do Itajuru. Mas é somente a partir de 1845 que é criado o serviço de proteção e vigia da fonte, pois o local era utilizado pelos escravos que aí iam buscar água para seus senhores. Existia em Cabo Frio alguns poços d’água: o do Soldado, da Pedra, do Convento, da Passagem e do Zé Ferro. A água do Itajuru provinha de uma nascente, de cor cobre e gosto de terra, devido a presença de raízes de tatagiba na área, sendo conduzida por valas de pedras 20
  21. 21. até o poço da Fonte. A Fonte do Itajuru foi construída por ordem de D. Pedro II, quando de sua passagem em Cabo Frio, no ano de 1847. Em 1892, por ordem da CÂMARA MUNICIPAL foi construída uma caixa d’água na encosta do morro da GUIA e a casa de máquina, junto à fonte onde uma bomba impulsionava a água até a caixa. Em 1896 foi construída a rede distribuidora da água do Itajuru, formada por dois ramais. Um na rua da Praia – Major Belegard e o outro pela rua Direita – Érico Coelho, que passava pala Praça Porto Rocha e ia até o Largo de São Benedito, na Passagem. A população que não possuía água encanada, retirava a água para o consumo nas várias bicas que foram instaladas em seu percurso. Com o crescimento da cidade, a água do Itajuru passou a ser insuficiente para atender todo o consumo. Vários poços foram perfurados nas residências e a água passou a ser retirada com o bombeamento manual para as caixas d’água. A Fonte do Itajuru foi caindo no abandono. Em 1845 estudos foram iniciados pelo Estado para a captação do lençol freático do Braga. Em 1948 foi construída a estação de tratamento d’água e a caixa no alto do Morro da Guia. Em 1951 foi inaugurado o serviço de abastecimento de água mantido pelo estado. Com o aumento da população este serviço também tornou-se insuficiente, sendo necessário utilizar a rede distribuidora da Álcalis. Mais tarde, o Estado constrói sua própria adutora com estação de tratamento na Lagoa de Juturnaíba. Em 1979 a Prefeitura Municipal de Cabo Frio comprou de particulares a área da Fonte do Itajuru, criando no seu entorno o primeiro Parque Municipal de Cabo Frio; e contratou o Professor Adail Bento Costa para o serviço de restauração. 10.10 – Anjo Caído Em função do incremento da produção salineira de Cabo Frio, no início do século XX, tornou-se necessária a abertura de canais, que fizessem escoar a produção de sal do município pelo interior da Lagoa de Araruama até o porto de Cabo Frio. A questão passa a ser discutida devido ao assoreamento dos canais de navegação da lagoa. O engenheiro Leger Palmer, que na época tinha a concessão para transportar o sal através da lagoa, inicia e conclui os trabalhos de abertura dos canais I e II, sendo assim canalizadas as águas da Lagoa de Araruama, tornando franca a navegação da mesma, e dando ensejo à organização de uma companhia de navegação a vapor. Em 1904, por intermédio do então vereador Anastácio Novellino, esses canais receberam da Câmara Municipal de Cabo Frio a denominação de Canais Palmer. Em comemoração à abertura dos mesmos, é erguido o monumento do “Anjo” (1907). O Anjo Caído é uma escultura (9 metros de altura) de um anjo com asas abertas sobre uma coluna de capitel em estilo coríntio. Com o tempo, devido à força da correnteza das marés, a torre inclinou de modo acentuado tornando motivo de espanto e admiração, passando a ser conhecido como o “Anjo Caído”. Em 1979, às vésperas do aniversário da cidade, o anjo caiu totalmente dentro da lagoa. Mas foi restaurado e recolocado em seu lugar (1980). O monumento do Anjo Caído, apesar de sua grande importância para o Canal do Itajuru é pouco visitado por turistas e desconhecido de alguns moradores devido a sua localização. É interessante ressaltar que o Anjo Caído era chamado de “Boneca” pelos moradores mais antigos de Cabo Frio. 21
  22. 22. 10.11 – Ponte Feliciano Sodré Com o desenvolvimento da indústria salineira em nossa região fez-se necessário a travessia permanente do Canal do Itajuru. Em 7 de julho de 1898, graças ao empenho do presidente da Câmara, Jonas Garcia da Rosa Terra, que mantinha estreitas relações políticas no Rio de Janeiro, como também aos esforços do farmacêutico Porto Rocha, inaugura-se a Ponte de Ferro, construída por operários espanhóis. Essa ponte ficava entre o Morro da Guia e do Telégrafo. Ela acabou por desabar em 1920. Em 14 de julho de 1926, foi inaugurada a Ponte Feliciano Sodré, cujo nome foi dado em homenagem ao presidente do Estado que se empenhou para sua construção. Durante meio século foi a única ponte da cidade, sendo duplicada em 1981, no governo de José Bonifácio, então prefeito da cidade. A ponte duplicada foi entregue à comunidade em 31/10/82. 10.12 – Pelourinho Erguido em 1660 em frente à Igreja Matriz, na atual Praça D. Pedro II. Trata-se de uma coluna de pedra, símbolo “das armas e as insígnias costumadas por bem da justiça”. Nele afixava-se os editais da Câmara e expunha-se às vistas do povo os criminosos que teriam de ser castigados. 10.13 – Palácio das Águias O palácio das Águias é tradicionalmente chamado de “Sobrado do Tutu”, nome que provém do seu primeiro proprietário, Tertuliano Ferreira. O nome Palácio das Águias é porque no alto do telhado existem 3 águias. As telhas foram trazidas da França. Além das águias, o sobrado constitui-se de 3 janelas, 3 portas, escada de meta e tem traços de arquitetura da época do romantismo, de influência européia, predominantemente francesa, mas denunciando também alguns traços arabescos e portugueses. 22
  23. 23. 10.14 – Câmara Municipal Foi durante o governo do Capitão-Mor José Varela, sucessor de Estevão Gomes, que se ergueu o primeiro prédio da Câmara Municipal de Cabo Frio, entre 1661 e 1662 na Rua Direita, atual Rua Érico Coelho. Era local de vereanças e para audiência do juiz, além de cadeia. 11.15 – Corpo de Bombeiros Antiga Cadeia Pública de Cabo Frio, inaugurada no ano de 1923. Em 1980 passou por reformas e abriga a Corpo de Bombeiros, inaugurado em 1981. seu estilo de construção é o neoclássico. 10.16 – Prédio do Instituto de Educação Profª Ismar Gomes de Azevedo Construído em 1923/24, funcionava inicialmente com o nome de Grupo Escolar Francisco Sá; posteriormente o grupo recebeu o nome de Jansen de Mello. Em 1944 o grupo escolar passa a ser denominado Miguel Couto QUE em 1958 transfere-se para a Av. Treze de Novembro, onde funciona até hoje. O prédio ficou abandonado entre 1959 e 1967, quando foi restaurado, e reinaugurado com o nome de Escola Estadual Profª Ismar Gomes de Azevedo. Em 1998 foi transformada em Instituto de Educação. Seu estilo de construção é o neoclássico. 11. Festas religiosas e profanas 11.1 – Divino Espírito Santo A festa em louvor ao Divino Espírito Santo foi incorporada aos costumes cabo-frienses em meados do século XVIII, vinda da Corte. É uma festa móvel, realizada ao calendário da Igreja Católica, variando de acordo com a Semana Santa. O primeiro dia de festa acontece no primeiro Domingo da Ressurreição, quando é feito o levantamento do mastro, também chamado de bandeira – diz a tradição que para o lado que 23
  24. 24. o mastro tombar é de onde sairá o novo festeiro. À noite, a coroa é conduzida pelo Imperador e sua corte – esposa, filhos, parentes e amigos – até a igreja, onde é depositada em almofada de veludo vermelho, em trono armado na lateral do altar-mor, e tem início a novena, que se repete durante 8 dias, ao final dos quais os folguedos anunciam a quermesse, o leilão e o sorteio do novo Imperador do Divino, que recebe a coroa do anterior. São sorteados, ainda, o pai do estoque, que cuida dos donativos, o alferes da bandeira, encarregado de levar a bandeira e o mordomo, encarregado de auxiliar o festeiro. Foi extinta dessa festa a cerimônia do anúncio, onde a bandeira fazia o giro dois meses antes, percorrendo todos os cantos do município, acompanhada pela folia do Divino - constituída por 7 membros: o bandeireiro, 2 violeiros, 1 rabequeiro, o mestre e 2 garotos denominados salva, que recebiam os donativos – entravam nas casas, recolhendo as mais diversas prendas dando em troca pedaços de fitas da bandeira para abençoar a casa e a família. 11.2 – Corpus Christi Essa festa de data móvel, celebrada na primeira Quinta-feira que se segue ao Domingo da Santíssima Trindade, tem a participação de toda a comunidade que, ao amanhecer, se encontra no centro da cidade, riscando ruas, misturando tintas ao sal, ao calcário e a outras matérias-primas, transformando o centro da cidade em um imenso tapete colorido, com os mais diversos motivos – religiosos, históricos, ecológicos etc. À tarde, a procissão solene passa, vagarosamente, por cima dos tapetes e é acompanhada pela a população e por um grande número de turistas que aqui chegam para participar dessa festa que a todos encanta. 11.3– Festas Juninas A festa de Santo Antonio comemora-se em 13 de junho e abre os festejos juninos que passam por São João, em 24 de junho e São Pedro, em 29 de junho . Neste período, são armados arraiás em diversos pontos da cidade, com barracas de comida e bebidas típicas, bandeirinhas, fogos, dança de quadrilha e o casamento na roça. 11.4- Festa de São Pedro É uma festa dos pescadores, comemorada no dia 29 de junho, com desfile de barcos e traineiras embandeiradas pelo Canal do Itajuru, saindo barra a fora, percorrendo a frente da Praia do Forte, retornando pelo mesmo canal, até o desembarque na Gamboa. A imagem de São Pedro, então, é carregada pelos fiéis em procissão terrestre até o porto, onde acontece a missa com a participação da comunidade. 11.5- Festa de Nossa Senhora da Assunção Durante 15 dias, o povo de Cabo Frio homenageia sua Santa padroeira, que tem no dia 15 de agosto o seu grande dia, quando a imagem de Nossa Senhora da Assunção – Padroeira do município de Cabo Frio – é carregada pelos fiéis pelas ruas centrais da cidade, recebendo por onde passa palmas e choros dos seus devotos. Depois de procissão, é rezada missa, onde são feitas as louvações à santa que, em seu andor, dentro da igreja, recebe o povo, vindo dos mais diversos recantos do município. Na Praça Porto Rocha realiza-se uma típica festa com barraquinhas, que vendem comidas e bebidas tradicionais, prendas, leilões, artesanato. Também são realizados shows com músicos locais e grupos famosos. 24
  25. 25. 11.6 – Festa da Cidade Comemora-se a 13 de Novembro, data da fundação da cidade, que ocorreu no ano de 1615. Nesta data, tradicionalmente, realizam-se desfiles comemorativos com a participação de escolas do município, bandas, polícia militar, cavalaria, Corpo de Bombeiros etc. Paralelamente, são realizadas exposições de arte, apresentação de grupos musicais, folclóricos, teatrais, dentre outros eventos culturais. 11.7 – Passagem de ano ou Reveillon na Praia do Forte Com milhares de turistas, manifestações religiosas, fogos de artifício especiais e shows de artistas conhecidos no cenário nacional e internacional o povo comemora a passagem de ano em 31 de dezembro. 11.8 – Carnaval Nos últimos anos milhares de turistas dirigem-se ao município de Cabo Frio, atrás dos trios elétricos e dos blocos carnavalescos. O bloco que marcou a vida dos cabofrienses e encantou os turistas por longos anos foi o Bloco da Rama, que tinha como homenagem Otília, uma mulher do povo que se tornou figura folclórica com seus cães, sua cruz e seu lugar de repouso: a porta do Convento Nossa Senhora dos Anjos. Hoje, blocos e escolas de samba alegram o nosso carnaval e a prefeitura patrocina o desfile, premiando também os vencedores. 11.9 – Semana Santa Na Sexta-feira Santa, católicos, numa demonstração maravilhosa de fé, realizam a Via- Crucis de Jesus Cristo, com passagens da Bíblia, num trabalho emocionante de artistas amadores. O ponto alto da festa é a ressurreição de Jesus Cristo, no alto do Morro da Guia. 12. Economia do município de Cabo Frio 12.1 – A pesca Atividade que em tempos passados atraiu bandos nômades à região, ainda é um setor importante na economia do município. Mesmo enfrentando problemas diversos como a destruição de criadouros naturais, pesca predatória, ainda há em Cabo Frio uma quantidade expressiva de embarcações e profissionais ativos no setor, graças, por um lado, ao empenho e organização dos pescadores, e por outro, à riqueza marinha que ainda impera na região. 12.2 – O sal Outra economia da região, é industrializado há mais de 100 anos. A sua formação natural e o seu cultivo primitivo datam de muito antes da conquista de nossas terras pelos portugueses e teve períodos altos e baixos. Em 1797 eram nove os lugares próprios de salinas que se formavam nas pontas de terras que adentram o centro da lagoa. Naquela época, o sal tirado das salinas era conduzido 25
  26. 26. para lugares altos, e cobertos com folhas de guriri que, queimadas, formava um cascão que preservava o monte das chuvas. Em 1824 foram feitas as primeiras exportações para o Rio de Janeiro. Nesse ano foi construída a primeira salina de Cabo Frio no lugar denominado Perinas. Em 1868, depois de um ano promissor, a exploração de sal foi quase abandonada. Só em 1895 o sal de Cabo Frio toma impulso. Em 1962 existiam 41 salinas com a produção anual de 102.000 toneladas. Atualmente, a industrialização e comercialização de sal na região tornou-se sem importância, as áreas de salinas foram e continuam sendo aterradas e loteadas, dando assim lugar a indústria do turismo. 12.3 – A agricultura Apesar de ter um bom solo para o plantio, essa atividade não foi devidamente instaurada em Cabo Frio. Os conflitos de terras, são um dos problemas, a falta de estímulos aos agricultores, que acabam reduzindo o seu cultivo, quando não os abandonam para abraçarem outras atividades para melhorar a sua subsistência, é outro grande problema. Atualmente, antigas plantações dão lugar a fazendas de criação de cavalos e gado. A atividade rural na região é conflituosa e insignificante, ficando limitada a algumas áreas na zona rural, destacando-se Campos Novos. 12.4 – O Turismo Cabo Frio tem muitos atrativos ideais para a exploração do turismo. Dotado de micro- clima especial e riquezas naturais abundantes o município passa a atrair, a partir do início da década de 50, mergulhadores, caçadores submarinos que vinham nos fins de semana, à procura do paraíso pesqueiro e, junto destes, vinham suas famílias. Assim passaram a veranear, dando início à área do lazer moderno na região. A abertura da rodovia Amaral Peixoto e o desenvolvimento da indústria automobilística brasileira, na década de 60, fortalecem a vocação turística de Cabo Frio. Começava-se assim o processo de transformação ecológica e cultural da cidade. Aterros para loteamento, construções diversas, assimilação superficial de culturas e até mudanças de costume, foram-se dando na cidade e no povo. Após 1971, quando foi inaugurada a ponte Rio-Niterói, a especulação imobiliária tomou conta da região. Cabo Frio é uma cidade acolhedora e aconchegante que conta com a presença do sol, praticamente o ano inteiro, que parece ser uma exigência de turistas para se deliciarem das belas praias de águas cristalinas e areias finas e brancas. Suas belezas naturais e sua rica história estão exigindo da Prefeitura, nos últimos anos, maiores investimentos em infra-estrutura e transformação urbana. Com um espetacular acervo histórico esta é uma cidade que conta com uma enorme quantidade de patrimônios. Uma beleza histórica que deve ser valorizada e propagada. Infelizmente, “nem tudo são flores”! Hoje temos uma cidade bonita, mas que sofreu as conseqüências das transformações. O turismo mal empreendido ocasionou danos irreparáveis ao meio ambiente e prejuízos à atividade pesqueira. 12.5 – O Comércio Enquanto que a comercialização de sal vem acabando, notamos o crescimento acelerado das micros empresas especializadas na confecção de roupas de banho, práticas de esportes, vestuário para uso diário etc. 26
  27. 27. 13. Lendas de Cabo Frio A LENDA DE SANTO INÁCIO DE OURO Local: Fazenda de Campos Novos (Cabo Frio) A fazenda de Campos Novos, no distrito de Araçá, do Município de Cabo Frio, é uma zona de colonização jesuíta muito antiga. O prédio sede da fazenda continua de pé e forma com a capela e o cemitério um dos mais belos exemplos de arquitetura colonial do município. Sobre os padres e os tempos de seu domínio sobre aquelas terras correm várias histórias. Uma das mais interessantes conta sobre a estátua do padroeiro da Fazenda Santo Inácio. que estaria enterrada em local desconhecido, nas terras outrora pertencente aos sacerdotes. A estátua, toda em ouro maciço, teria sido enterrada pelos próprios padres. Tempos atrás, quando a família Honold era a proprietária do lugar, realizaram uma reforma nas dependências atrás do prédio. Quando os operários cavaram, o terreno cedeu de repente, revelando a existência de um túnel. O proprietário foi chamado às pressas, pois todos achavam que afinal seria descoberto o paradeiro da estátua desaparecida. Com cuidado desobstruíram o trajeto do túnel que teria sido uma passagem ligando a capela ao sopé do morro. A estátua de ouro porém não apareceu. (Depoimento recolhido com Sr. Amâncio, dono de uma venda à beira do asfalto, em frente à fazenda.) Em entrevista realizada com D. Emerenciana, uma senhora de mais de 120 anos, antiga feitora da fazenda, cujos pais e avós foram escravos dos jesuítas, recolhemos uma versão bastante realista da origem da lenda. Contou-nos a velhinha que, logo após a Proclamação da República, em 1889, o então proprietário da fazenda, Pe. Constantino, preocupado com a mudança política, resolveu tomar certas medidas de proteção ao patrimônio. Com esse objetivo, despertou no meio da noite dois antigos escravos, um dos quais pai de D. Emerenciana e, vedando-lhes os olhos, colocou-os sobre o lombo de cavalos. Cavalgaram então durante algum tempo, parando em local desconhecido. O padre então tirou a venda dos olhos dos empregados e ordenou-lhes que cavassem ali mesmo um buraco bem fundo. Terminada a tarefa, Pe. Constantino ordenou-lhes que enterrassem dois fardos que estavam no chão. Qual não foi a surpresa dos dois ao verem a estátua do padroeiro da fazenda, diante da qual tantas vezes tinham se ajoelhado na capela e um quadro valioso, também representando o padroeiro. Consternados, os dois negros executaram a contragosto o trabalho, mas ao depositar a estátua de ouro na cova, o pai de D. Emerenciana falou: _ Ah! meu Santo Inácio! Me perdoa do que estou fazendo, mas é certo que se hoje eu lhe estou enterrando, não vai demorar muito para que eu vá atrás! _ E foi o que aconteceu, acrescenta D. Emerenciana, um mês depois, tanto seu pai como o outro negro morriam de desgosto. A anciã seria então, na lucidez dos seus cento e vinte anos a testemunha única da origem desta lenda. A LENDA DO PICA-PAU EDA FOLHA ENCANTADA Local: Arraial do Cabo, em dezembro de 1977. Conta-se que existe no mato uma folha de uma árvore encantada que pode resolver todo problema de pessoas que a possuir. Mas não é qualquer um que a encontra: é preciso um pica-pau. A pessoa que está com algum problema, que perdeu uma coisa importante, tem de fazer o seguinte: vai pro meio da mata e anda, anda, até encontrar o ninho do pica-pau, que fica no oco de uma árvore velha. Depois que acha, fica escondida atrás do mato, esperando o pica-pau sair. É preciso paciência porque isso às vezes demora pra acontecer, mas ele sempre acaba saindo pra buscar comida pros filhotes. Quando o pica-pau sai, a pessoa sai detrás da moita, pega uns pedaços de pau, um martelo e tapa bem o buraco do ninho. Daí, volta prá detrás da moita e fica esperando. Quando o pica-pau volta e vê o ninho tapado, os filhotes piando lá dentro, fica desesperado. Então ele volta pro mato e vai buscar a folha da árvore encantada que só ele sabe onde se encontra. 27
  28. 28. O sujeito, enquanto isso, está lá, bem quietinho, atrás da moita. Fica esperando o pica- pau voltar. Quando ele chega, vem com a folha no bico. Bate com ela nos pedaços de pau e eles caem no chão, mesmo se estiverem pregados com o melhor prego do mundo.” Fonte: Manoel Pimenlel dos Santos, pescador. (Observação: apesar de recolhida no Arraial, essa lenda não parece ler tido origem e nem é comum no município). HISTÓRIA DO MORRO DO CAIXÃO Existe para os lados da Massambaba, na restinga entre o Mar e a Lagoa de Araruama, um morro sobre o qual correm várias histórias - é o Morro do Caixão. Dizem que ele esconde muitas riquezas debaixo das areias de que é feito. Há vários casos sobre o assunto, inclusive o de um tesouro incalculável enterrado lá, que estaria a espera da pessoa certa para vir à luz do dia. Sobre o Morro, recolheu-se a seguinte experiência: “Eu estava acampada perto da Praia Seca, quando um homem, morador naquela localidade há vários anos, me falou da existência do Morro do Caixão. _ É um morro alto, diferente das outras dunas, e tem esse nome porque quando a pessoa caminha sobre ele, abrem-se uns buracos (caixões) aos pés da gente, e o morro geme. Querendo visitá-lo, perguntei ao homem como encontrar o morro. _Não é a gente que acha o morro: é ele que descobre a gente, respondeu: No dia seguinte, saí a passeio pelas dunas, e embora ficasse pensando no que o homem me dissera, não estava procurando o morro, especialmente. Fui seguindo pelos pequenos vales entre as dunas cobertas de vegetação característica da restinga, percorrendo o que me pareceu um caminho natural, escolhido ao deus dará. Logo, eu só via dunas à minha volta, chegando a perder qualquer orientação. De repente, quando já começava a me preocupar com a volta, vi-me diante de uma duna branca, completamente despida de vegetação, o que indicava que ela era móvel. Pensei imediatamente em escalá-la e descobrir lá de cima o caminho de volta. Comecei a subida, e logo, para minha surpresa, senti o chão se abrir a cada passo que eu dava, enquanto saia de dentro da terra um som cavo, como um gemido mesmo. O Morro do Caixão tinha me achado...” O LOBISOMEM Quem tem sete filhas, uma - a mais velha - é bruxa. Quem tem sete filhos homens, um - o mais velho - é lobisomem. Pra evitar a sina é preciso que o irmão mais velho batize o mais novo, e a irmã mais velha, a mais nova. Trata-se de um cachorrão grande, ou lobo, que ataca as pessoas nas quintas-feiras de lua cheia. A aparição do lobisomem era muito freqüente em toda região. Há vários casos relatados em Cabo Frio, Campos Novos e no Arraial. Há inclusive um personagem vivo em Arraial do Cabo que todos dizem tratar-se de lobisomem: Chaco - pescador que percorre as ruas do Arraial apregoando com seu vozeirão tremendo a venda do pescado (geralmente bastante embriagado). Alguns dizem que ele herdou a tara do pai, S. Martiniano. Sobre ele, lia os seguintes “causos”. Um homem voltava da pescaria de madrugada, na Praia Grande, quando foi seguido por um lobisomem. Correu para casa, o lobisomem atrás. Conseguindo chegar cm casa, entrou logo, deixou a porta aberta e escondeu-se atrás dela. Ficou esperando o lobisomem com um porrete na mão. Assim que o bicho entrou, trancou a porta e começou a bater-lhe com o pau. No meio da surra, o lobisomem grita: _ Não me mate que eu sou Chaco! _ O homem (Juvenal Zé Amancio) espantado, largou o pau e o lobisomem fugiu. No dia seguinte, Chaco estava todo quebrado. De outra feita, aconteceu que viram o lobisomem mordendo e rasgando algumas roupas esquecidas no varal de uma mulher. Na manhã seguinte, Chaco estava com os dentes cheios de fiapos de linha. 28
  29. 29. “Diolha”, pescador do Arraial, conta outro caso: Uma noite, estava pescando nas pedras do Pontal, quando Chaco se aproximou. Chegou, ficou lá, olhando o outro pescar. Diolha pescava e jogava o peixe pra trás. De repente, “cadê” o Chaco? “Cadê” os peixes? Depois de algum tempo, Chaco aparece, com a boca toda ensanguentada e a compostura estranha, como que acabasse de “desencantar” de bicho em homem... (Recolhido em outubro de 1977). Local: Arraial do Cabo O CASO DO TESOURO DA ILHA DO FAROL A Ilha de Cabo Frio, chamada pelos cabistas de Ilha do Farol, é palco de muitas histórias e casos fantásticos, entre os quais está o seguinte, recolhido em Arraial do Cabo, com o próprio protagonista dos fatos. Sr. Benjamim: "Uns tempos atrás, estava eu jogando uma pelada com alguns companheiros lá na ilha. quando apareceu uma caveira desenterrada da areia. Os outros começaram a chutar a caveira, fazendo ela de bola. Achando aquilo um desrespeito, pedi que eles parassem e enterrei de novo a caveira no areal. Naquela mesma noite, tive um sonho. O defunto, dono da caveira, me aparecia e agradecia o favor de lhe ter enterrado novamente. Dizia também que eu voltasse lá na Ilha sozinho, no dia seguinte, que como recompensa, ele ia me ensinar onde encontrar uma grande riqueza. Era pra eu subir o areal até chegar na beira do mato, aí eu veria umas abelhas voando. Eu devia seguir as abelhas, até que elas parassem e fizessem um oito no ar. Neste lugar, eu deveria cavar até achar um tesouro. Acordei impressionado com o sonho e resolvi ir lá e tirar a prova. Mas levei um amigo comigo. Chegando lá subimos os cômoros, e lá, na beirinha do mato, encontramos as abelhas voando. Nessa altura, eu já estava impressionado demais. Cavamos então, ali mesmo onde as abelhas estavam. Cavamos, cavamos, mas o tal tesouro não apareceu. Tenho pra mim, que foi porque eu não segui o que o defunto pediu e fui acompanhado ..." Local: Arraial do Cabo A LENDA DO LINGUADO O linguado é um peixe que tem os dois olhos de um lado só. Conta-se que no princípio das coisas ele não era assim, tinha um olho de cada lado, como os outros peixes. Um dia, porém, a mãe de Deus entrou no mar. Todos os peixes se afastaram para deixar que ela tomasse banho sem testemunhas. Mas o linguado, muito curioso veio e ficou olhando. Deus, então, como catigo, fez com que ele ficasse assim do jeito que é hoje: o olho que viu o banho da virgem subiu e o linguado ficou com um olho torto e um cego por causa do desrespeito. Fonte: Pescador da Praia dos Anjos A MULA SEM CABEÇA Nas noites de quinta feira, a Mula-sem-cabeça assombrava. O povo ouvia ao longe galope forte e corriam todos para suas casas à vista do fogo que lhe saía das ventas. A mula era a “Mulher do Padre” que, como castigo de suas ligações pecaminosas, transformava-se em assombração. Antes da luz elétrica chegar ao Arraial era coisa comum ver o bicho passar em seu galope furioso nas noites de quinta feira. A LENDA DA JARARACUÇU DA IGREJINHA N. S. DA GUIA Contam os Antigos que era uma cobra jararacuçu que guardava N. S. da Guia. Essa cobra ficava atrás do altar da santa que era em cima de uma pedra. Quando havia missa na Igrejinha, a cobra saia de seu esconderijo e passava perto dos fiéis sem mordê-los e ficava enrolada num canto da Igreja. 29
  30. 30. Quando a missa terminava, ela voltava para o mesmo lugar. Fonte: Adelir NoveltnoMarques (Zizinho) 65 anos A CRUZ DA CABOCLA Dizem ser a sepultura de uma índia morta em naufrágio. Contam que depois de sepultada, misterioso vulto vagava na Praia do Forte das 11 da noite ao terceiro canto do galo, perguntando com voz sepulcral : Pra onde irei? A PROCISSÃO DAS ALMAS Saia do convento de N. S. dos Anjos, à meia noite de 6ª feira, dava volta no Morro da Guia e retornava ao convento. Eram muitos padres, vestindo túnicas brancas com velas acesas nas mãos. A LUZ DA TÁBUA DO SOARES O pescador que vai de noite pros lados da Massambaba vê uma luzinha pela praia, na beira da lagoa ou por entre os caminhos das salinas. É a luz da tábua do Soares, assombração que aparece por lá. Conta-se que ela é a alma de um jesuíta que há muito tempo viveu isolado no lugar por esse nome. Diz-se que ele veio fugido da perseguição do Marquês de Pombal, refugiando-se naquele sítio pouco povoado. À noite, gostava de sair passeando pelas dunas da praia e levava uma lanterna para guiar seus passos através da vegetação da restinga. Depois da morte, sua alma ainda percorre o caminho tantas vezes palmilhado nas madrugadas escuras. O pescador solitário ao ver aproximar-se aquela luz, guarda depressa seus aparelhos e foge assustado com a assombração. Local: Massambaba - Arraial do Cabo Fonte; Wilson Simas, pescadores da Praia Grande e outros. A MÃE DO OURO A Mãe-do-Ouro é uma luz que aparecia, vinda dos cômodos da Massambaba. Passava riscando o céu e ia se “assentar” na Ilha dos Franceses ou no Farol. De lá vinha clarear a praia. Alguns a descrevem como uma “Tocha de Fogo”, uma “Bola de Luz”, parecendo um cometa. Sua existência aparece ligada a riquezas subterrâneas, consistindo numa espécie de guardiã de tesouros escondidos. (de fato há várias referências à existência de tesouros enterrados ou submersos nas Ilhas mencionadas e no mar que as circunda. Sr. Ismael, dono de um bar onde tradicionalmente se reúnem os pescadores da Praia dos Anjos, diz que “depois de sete anos a Mãe-do-Ouro se muda para a serra de Sepetiba”. Há tempos atrás, esta aparição era muito comum na região. Várias pessoas declaram ter presenciado o fenômeno que era tão corriqueiro a ponto de não mais provocar medo a quem o assistia. Local: Arraial do Cabo Fonte: Pescadores da Praia Grande e dos Anjos, Wilsom Sintas, S. Ismael. O BOI - TATÁ O Boi-Tatá é uma cobra de fogo azulada que assombra os matos e os alagados. Quem passa tarde da noite, atravessando os charcos e matagais, vê aquela serpente de luz agitando pra todo lado, alumiando tudinho. Pra onde ela vai fica tudo claro e os animais fogem assustados da assombração. Uns dizem que o Boi-Tatá é a alma penada dos que fizeram pecado. Compadre e comadre que tiveram amor pecaminoso, quando morrem viram Boi-Tatá, fica cada um dum lado dos caminhos, nos matos, assustando e matando quem passa entre os dois. Aqui, em Campos Novos e lá pros lados de Araçá, Surucucu, era coisa comum. Muita gente via aquele fogo azulado correndo dum lado pra outro por entre as macegas.” 30
  31. 31. Local: Arraial do Cabo Fonte: S. Amâncio (barzinho da beira da estrada, em frente à Fazenda Campos Novos, ele próprio viu várias vezes, D. Théa (no Arraial do Cabo). A LENDA DOS CAVALEIROS Nas noites de vento sibilante as aparições assombram o coração e a mente do povo do Arraial. Em meio à canção do sudoeste era comum ouvirem um tropel desenfreado percorrendo os caminhos empoeirados da cidade. _ São os cavaleiros! Dizem as mães de olho colado nas frestas da janela. E o coração das pessoas se encolhia de medo à vista da cavalaria fantasma. (Resumo dos depoimentos recolhidos em Arraial, com Cleide Simas e outros). Pelé, rapaz, de 17 anos, descendente de família tradicional do município, conta o seguinte caso que lhe foi confiado por seu avô, Chico Estevão, pessoa muito respeitada e que segundo o neto e outros jamais mentia. “Uma noite, meu avô ia de Cabo Frio a Arraial pela praia com alguns companheiros. Quase chegando a Arraial, na parte conhecida como Praia do Pontal. Todos olharam para o mar e viram aparecer de dentro dele. uma cavalaria. Todo mundo ficou com medo e meu avô que era corajoso, começou a rezar a Ave Maria. Logo às primeiras palavras, o cavaleiro que ia na frente falou: _ Essa eu já conheço ! Meu avô começou o Padre Nosso. De novo, o cavaleiro cortou-lhe a palavra dizendo: _ Essa eu já conheço ! Assim por diante, com a Salve Rainha e outras orações. Outro caso; este, cômico: Numa noite enluarada de quinta-feira, Chaco saiu para pescar com a “companhia” de uma canoa. No meio da pescaria, o pessoal resolveu descer até a praia para comer. Fizeram uma fogueira num canto da praia da Ilha do Farol, bem afastado da Figueira, que é lugar de assombração, e ficaram ali, conversando e comendo. De repente, Chaco some. Procura que procura e lá vem vindo ele de trás dos cômoros, metade virado lobisomem, os pelos cobrindo a cara toda e as mãos já fechadas em garra. O pessoal ficou paralisado de medo, mas o chefe da companhia, rapaz corajoso, enfrentou a situação à altura: _ Chaco, gritou _ volte para trás dos cômoros e só saia de lá desencantado! Com cara de gente! O bicho titubeou, mas acabou obedecendo. Voltou para trás das moitas e algum tempo depois apareceu, para alívio geral. com a cara de sempre - feia, mas humana. Fonte: S. Benjamim, Cleide Simas e outros. 14. Atividades propostas aos alunos  Existem informes sobre o seu bairro? • Coletar jornais da região. • Fazer uma colagem sobre o bairro (ou o do aluno, ou o da escola).  Será que todos os alunos de sua turma residem no mesmo bairro? • Faça um levantamento do local de moradia de seus alunos. Número de alunos BAIRRO 31
  32. 32.  Organize um gráfico com os dados obtidos.  Conhecendo um pouco mais sobre o seu bairro: Ruas principais Tipos de construção Áreas de lazer Ônibus que circulam pelo bairro Informações históricas Problemas  Discuta com os colegas alguns problemas dos bairros e de quem é a competência para resolvê-los.  Organize um quadro. Problemas: Soluções Quem deverá resolvê-los:  Faça uma entrevista com um morador do seu bairro Ex.: Morador: _________________________________________________________ Quando veio para o bairro ____________________________________________ Problemas _________________________________________________________ Soluções __________________________________________________________ Fatos históricos _____________________________________________________ “Causos” __________________________________________________________  Agora você poderá fazer: • um texto sobre seu bairro • um desenho • uma colagem • um mural • uma representação teatral • Crie um slogan (uma frase para o seu bairro)  Tente descobrir a história do seu bairro. De que maneira? • através de entrevistas com os moradores mais antigos; • através de pesquisas em jornais, fotos; • tente escrever a história do seu bairro em outro tempo.  Reúna os alunos por bairro e apresente para a turma as histórias dos bairros.  Trabalhar com o mapa dos bairros • Marque o bairro de sua casa (com uma cor) o da sua escola (com outra cor). 32
  33. 33. • Marque as ruas vizinhas à escola (de uma cor). • Escreva o nome da rua localizada ao norte, ao sul, a leste e a oeste da sua escola. • Faça legenda.  Vamos completar o quadro O que vou fazer (atividades) Onde (bairro) Quando (dias da semana) Trabalho Compras Serviços médicos Lazer Cursos Outros  Como você se desloca de um lugar para outro? • Quais as linhas de ônibus que passam pelo seu bairro? • Quais os meios de transportes utilizados em seu bairro?  Realizando uma excursão (da escola até um local escolhido) • elaborar trajeto utilizando mapas; • anotações durante a excursão: tipos de construção, vias de circulação, atividades econômicas, elementos naturais, outras observações: • na volta da excursão relatório fazer: relatório, mural, representação teatral etc  Localização • Com mapas - as crianças contornarão com um lápis de cor: o bairro (no mapa do município) o município (no mapa do Estado) o Estado (no mapa do Brasil)  Brincando com o mapa • Pinte de azul o Oceano, o Canal do Itajuru e a Lagoa de Araruama. • Pinte de marrom os morros e de verde as praças. • Circule de vermelho o nome de seu bairro. • Assinale de verde um bairro vizinho. • Circule de amarelo todos os bairros de moradia dos alunos da turma. • Circule de marrom o bairro da escola.  Onde começa e termina a Avenida Assunção?  Se você estivesse na Praça Porto Rocha e quisesse ir até a rodoviária, qual o percurso mais curto que você poderia fazer?  Qual o sentido do trajeto Forte São Matheus – Convento Nossa Senhor dos Anjos?  Escolha duas ruas que, com as ruas Raul Veiga e Rui Barbosa, formam um quarteirão.  Você está na Praça Porto Rocha e caminha dois quarteirões para leste. Que rua importante você encontra?  Escreva o nome de duas ruas paralelas à Avenida Assunção.  Descubra: O bairro mais distante da sua escola. Utilize um barbante para medir. Escreva o nome de um bairro localizado ao norte do bairro onde você mora. 33
  34. 34. 34
  35. 35. 1. Pça. Porto Rocha 2. Ponte Feliciano Sodré 3. Fonte do itajuru 4. Capela do Morro da Guia 5. Convento Nossa Sra. dos Anjos (Museu de Arte Religiosa e Tradicional) 6. Igreja Nossa Sra. da Assunção 7. Pavilhão de Turismo (informações) 8. Rodoviária 9. Charitas 10. Forte São Matheus 11. Espaço Cultural 12. Mercado Municipal 13. Secretaria da Fazenda 14. Corpo de Bombeiros 15. Clínica Santa Helena 16. Hospital Santa Isabel 17. Museu do Mar 18. Câmara Municipal 19. Fazenda Campos Novos 20. Largo São Benedito 21. Estádio Aracy Machado 22. Museu Hist. Marítimo 23. Rua da Gamboa 35
  36. 36.  Introduzir o assunto sobre aspectos físicos de Cabo Frio (utilize mapas, fotos...) • relevo • hidrografia • vegetação • clima  Como é a natureza de Cabo Frio?  Organize seu material: Desenho ou gravura O que é Morro Planície Restinga Lagoa Praia Rio Mangue Campo Floresta • Pintar no mapa o que foi estudado  Com a ajuda do professor é possível elaborar uma maquete representando os aspectos físicos de Cabo Frio.  Atividades – Sociedade indígena Caracterizar: • Modo de vida do indígena /Nosso modo de vida atual. • Instrumentos de trabalho da sociedade indígena X instrumentos de trabalho na nossa sociedade atual. • Utilização da natureza. TEXTO: ÍNDIOS DA NOSSA REGIÃO. “Os tupinambás habitam defronte da citada grande serra, bem junto ao mar, mas além da montanha se estende o seu território por cerca de sessenta milhas. No Rio Paraíba, que nasce nesta serra e corre paralelo à costa, desembocando então no mar, têm eles também a serra, quando habitam, beirando uma região de vinte e oito milhas de comprimento. São acossados de contrários de todos os lados. Ao norte é seu vizinho uma tribo de gentios chamados Goitacás. São-lhes adversos. Seus inimigos ao sul chamam-se Tupiniquins, os que habitam mais ao interior são chamados Carajás, próximo a eles, na serra, vivem os Guaianás e entre outros há ainda uma outra tribo, os Maracajás. Todas estas tribos se guerreiam entre si, e quando alguém apanhar um inimigo, come-o”. (Hans Staden, 2 viagens ao Brasil (1557) “Fazem fogo com uma espécie de madeira, chamada ubaçú-iba. “Dormem em redes que são feitas com fios de algodão”. “Caçam e pescam com arco e flecha. Além disso têm pequenas redes. “Plantam a mandioca - fazem farinha, bolinhos preparam também uma farinha de carne e peixe. A maioria dos índios não comem com sal, utilizam cozinhar com carne com pimentas verdes”... 36
  37. 37.  Atividades econômicas do município • Levantamento das atividades econômicas do Município - O que se planta, quais os tipos de animais criados, o que é extraído da natureza, o que se fabrica, consumo etc  Após a pesquisa, preencher o quadro: ATIVIDADES PRODUTIVAS PRINCIPAIS PRODUTOS LOCAIS OU ÁREAS Agricultura Pecuária Extração (mineral e vegetal) Indústria Comércio Turismo • Estes dados poderão ser obtidos na Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Cabo Frio • EMATER – Cabo Frio • IBGE • Pesquisas com os próprios alunos  Construindo nossa identidade Material: Folhas de papel, cola, fotos diversas (jornais, revistas) que procurem retratar diferentes categorias (pessoas, lugares, comidas, situações, etc), hidrocor, cartolina. Atividades. Num primeiro momento, o professor vai dar início a um debate em sala de aula com o objetivo de construir um texto coletivo em cima da seguinte questão: O que é ser cabofriense? Após a construção do texto coletivo, as figuras coladas em folhas de papel serão espalhadas pelo chão e ao redor delas os alunos circularão procurando observá- las. O passo seguinte é pedir que os alunos selecionem uma imagem que responda à seguinte questão: O que me faz sentir cabo-friense? Cada aluno vai apresentar a figura que escolheu relacionado-a com a questão. Quando todos concluírem a apresentação, as figuras retornarão para o centro da roda e novamente os alunos vão circular e observar, selecionando uma que responda a questão: O que não me faz sentir cabo-friense? repetindo-se todo o processo. Como fechamento, sugere-se uma comparação entre o texto coletivo e as falas dos alunos.  Sensações da História Material: Papel, lápis de cor, hidrocor ou giz de cera, caneta, lápis. Atividades: Essa atividade pode ser realizada com qualquer recorte da história de Cabo Frio. Pergunta-se aos alunos sobre que sons, cores, gosto e cheiro representariam determinado fato histórico de Cabo Frio (passado ou presente). Os alunos escreverão as respostas. Numa plenária, cada um poderá falar sobre o que escreveu, inclusive pintando suas cores e reproduzindo seus sons. 37
  38. 38.  Teatralizando Nossa História. Material: Varia de acordo com o cenário, figurino e músicas escolhidas. Atividades: Dividir a turma em grupos e sugerir uma breve dramatização. As cenas deverão retratar algo que represente a Cabo Frio do passado, presente e futuro. Apresentar, se possível, para a comunidade educativa.  Cabo Frio em Cordel Material: Caneta, matriz (carbex), mimeógrafo, barbante. Atividades: Explicar para os alunos o que é a literatura de cordel, se possível, exemplificando com algum livrinho. Os alunos serão divididos em grupos, sendo que cada grupo receberá duas folhas ofício para rascunho e duas matrizes divididas em quatro partes por linhas. Em cada divisão, os alunos poderão ilustrar partes da história de Cabo Frio, trabalhar com causos ou com qualquer outro aspecto relevante de sua realidade.  Cinema no Papel. Material: Lápis, caneta, lápis de cor, giz de cera ou hidrocor. Xerox ou cópia mimeografada dos filmes de papel, caixa de papelão (sapato), palito de churrasco e fita crepe. Atividades: Sugerir aos alunos (individualmente ou em grupos) que retratem uma sequência de desenhos (em cada um dos espaços determinados), sobre um tema da história de Cabo Frio ou sobre algum aspecto de sua realidade. Nessa atividade os alunos somente usarão desenhos. Ao final, as tiras podem ser coladas umas às outras (selecionar por temas ou desenhos afins). Os desenhos serão presos nos palitos de churrasco e enrolados. Os palitos serão afixados nas caixas de papelão e exibidos.  Cabo Frio em Quadrinhos Material: Papel, lápis, lápis de cor ou hidrocor, régua e grampeador. Atividades: Dobrar três folhas de papel oficio pela metade e grampear todas juntas no centro, formando um livreto. Os alunos deverão escolher o tema da história que pode ser tirado de qualquer recorte histórico de Cabo Frio, passado ou atualidade. Confeccionar a capa e orientar os alunos a dividir cada página da revista em quatro partes; criar as personagens e as falas.  Um olhar sobre o meu bairro. Material: Máquina fotográfica, papel madeira, fita adesiva, hidrocor. Atividades: Estimular os alunos a fotografar aspectos que, na sua visão, caracterizariam o seu bairro. Reunir as fotos para a montagem de um grande painel. Os alunos deverão, ao colar as fotos 38
  39. 39. no papel madeira, elaborar a legenda e um comentário sobre elas. Na apresentação, pessoas antigas no bairro ou personagens marcantes podem ser convidadas para falar sobre a evolução do bairro e curiosidades.  Minha Cidade é Campeã! Material: Papel, caneta, hidrocor, cartolina, máquina fotográfica, medalhas (caso se realize jogos). Atividades: Levar os alunos para uma visita aos principais clubes esportivos de Cabo Frio, onde eles realizarão uma pesquisa sobre quais modalidades e atletas que tiveram destaque nos cenários municipal, estadual, nacional e internacional. Se possível, convidar atletas para conversar com os alunos nas escolas. No final, procurar elaborar uma síntese com os alunos, um histórico ou uma linha do tempo do esporte de Cabo Frio. Se possível, promover mini-jogos dentro da escola, escolhendo uma ou mais modalidades estudadas.  Monumentos em cores e Versos. Material: Papel ofício ou papel cartão, lápis, lápis de cor, giz de cera ou hidrocor. Atividades: Selecionar um ou mais pontos turísticos do município e levar os alunos para uma visitação no local e explicar sua história. Os alunos poderão realizar esboços caso desejem, mas o importante não é a reprodução fiel e sim o olhar do aluno. Em sala, os alunos vão elaborar, segundo suas preferências, desenhos e poesias, montando um grande painel, incluindo o histórico do local visitado.  Formas e números de nossa história. Material: Papel oficio, giz de cera, lápis de cor ou hidrocor, caneta, lápis, cartolina. Atividades: A primeira proposta é de que os alunos redesenhem algum ponto de interesse histórico, ou de relevância para o aluno, utilizando formas geométricas. O mesmo pode ser feito através de fotos, mas visitas de campo são sempre um atrativo a mais. Na legenda do desenho pode ser colocada a história do local desenhado. Uma outra forma de trabalhar a matemática é através de entrevistas na comunidade feita pelos alunos, com perguntas pertinentes às condições de vida e características sócio-familiares (como número de filhos, quantidade de determinados bens, etc), formando uma espécie de mini censo. Os resultados serão quantificados e apresentados em cartazes, sempre acompanhados de um texto construído pelos alunos sobre a leitura realizada. Gráficos podem ser confeccionados. Dependendo da turma, noções de porcentagem ou frações podem ser trabalhadas. Noções de distância também podem ser trabalhadas, através da comparação das dimensões de diferentes monumentos ou paisagens de Cabo Frio. Um recorte igualmente interessante seria o de partir do seguinte tema: A Matemática Utilizada na Minha História, onde o aluno pode fazer uma leitura comparada dos usos da matemática em seu dia a dia e das aplicações matemáticas utilizadas ao longo da história do município (cálculo de terras, ângulos e polegadas dos canhões, planejamento urbano e construções, etc.)  Como é governado o município de Cabo Frio? a) Você conhece o prefeito do município de Cabo Frio? Qual o seu nome? b) O que faz o prefeito? c) O prefeito não trabalha sozinho. Ele tem auxiliares, que são secretários. Cada um deles é responsável por um setor da administração: educação, saúde, esporte, transporte, turismo etc. Recorte de jornais notícias referentes ao prefeito e seus auxiliares e discuta em sala de aula. 39
  40. 40. d) O governo também é exercido pela Câmara dos Vereadores. Você conhece algum vereador? Como ele foi eleito? O que faz um vereador? Recorte de jornais notícias sobre a Câmara dos Vereadores e discuta em sala de aula. e) Procure com seus colegas e professora visitar a Câmara dos Vereadores. f) De que modo a população do município participa do governo?  Faça desenhos que mostrem os aspectos turísticos de Cabo Frio.  O que é necessário fazer para incentivar o turismo em nosso município?  Quais os problemas que o turismo traz para o nosso município?  Nosso município está estruturado para o turismo nos meses do verão?  Será que tudo que você utiliza no seu dia-a-dia é produzido no município de Cabo Frio? Sua tarefa é completar o quadro abaixo, escrevendo o nome de indústrias do município de Cabo Frio que produzem o que aparece relacionado. Produtos Indústrias (nomes) Lajes pré-moldadas Roupas, biquínis Móveis, artigos de madeira Artesanatos de mármore Cosméticos Gelo Portões de ferro, grades Construções, prédios, casas, hotéis etc... Pães, biscoitos, massas, bolo Telhas, tijolos Álcool combustível  A população de Cabo Frio • Quem são as pessoas que vivem em Cabo Frio? • Quantas são? Onde vivem? Como vivem? • Cole gravuras de diferentes pessoas que vivem em Cabo Frio. • Entreviste cinco moradores de Cabo Frio que não sejam parentes. Procure descobrir sobre a origem de seus pais, avós e bisavós. Nome Origem da família Razão da Chegada em Cabo Frio  Pinte as letras do nome do nosso município: T C B G A M S O F W D I J O R Y O nome do nosso município é ____________________________. 40

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