O C a o s C a r i s m át i c o6“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, masenchei-vos do Espírito, falando...
Introdução.......................................................................................11A experiência é um test...
O C a o s C a r i s m át i c o8Como devemos interpretar a Bíblia?................................108Três erros que devem s...
9S u m á r i oO que acontecia na igreja primitiva?................................226A doutrina carismática da subseqüênci...
O C a o s C a r i s m át i c o10Agostinho também escreveu:..............................................311O derramamento ...
IntroduçãoEm 1978,1quando a edição original deste livro foi publicada,eu não estava preparado para as reações amplas e div...
O C a o s C a r i s m át i c o12idéia que imaginam, mas os que tentam examinar de forma críticaesses ensinos, à luz da Esc...
13I n t ro d u ç ãoposicionamento não é unidade e paz, apenas confusão e conten-da. A prova disso por ser vista nas centen...
O C a o s C a r i s m át i c o14bíblico. O apóstolo Paulo sentiu, algumas vezes, a necessidade derepreender certas pessoas...
15I n t ro d u ç ãoConcordo que ambos os exemplos são bizarros. Talvez seja injustocaracterizar o movimento carismático co...
O C a o s C a r i s m át i c o16penetrar de forma subconsciente em seu cérebro, enquanto dezenas de milharesde passagens b...
17I n t ro d u ç ãoEsse acontecimento resume a tendência carismática de testar adoutrina de acordo com a experiência, em v...
O C a o s C a r i s m át i c o18Sul, Oriente, África, Índia, Pacífico Sul, Europa Oriental e Rússia. Onome de Cristo é con...
19I n t ro d u ç ãoSinais e Maravilhas (ver Capítulo 6). Essa recente variação do velhotema carismático tem atraído muitos...
O C a o s C a r i s m át i c o20com clareza: “O teste de qualquer coisa identificada como cristã nãoé seu significado, suc...
21I n t ro d u ç ãoparte dos carismáticos define o batismo do Espírito como uma ex-periência posterior à salvação, a segun...
O C a o s C a r i s m át i c o22é tentado a exagerar, dramatizar ou mesmo fingir algum milagre ouexperiência especial, por...
23I n t ro d u ç ãocriam uma ênfase exagerada em evidências externas e, por isso, es-timulam afirmações mirabolantes, fals...
O C a o s C a r i s m át i c o24que algumas pessoas alegarão não terem sido citadas corretamen-te. Entretanto, tendo pesqu...
Certa mulher escreveu-me em tom raivoso: “Você recorre a tra-duções gregas e as palavras pomposas para explicar o que o Es...
O C a o s C a r i s m át i c o26“As experiências com Deus fornecem-lhes a base da fé”.1Isto é exatamente o contrário do qu...
27A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?essas experiências se tornam o fundamento da fé pess...
O C a o s C a r i s m át i c o28Um boletim que detalha, de modo exageradamente entusiasta,a jornada do Dr. Collett ao céu ...
29A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Ele acrescenta um detalhe macabro: “Quando viajava d...
O C a o s C a r i s m át i c o30Tudo começa com o batismo do EspíritoUm dos motivos por que a experiência constitui o crit...
31A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?forma perfeita de uma figura, com o reflexo na água,...
O C a o s C a r i s m át i c o32Andamos um pouco mais — e esta é a parte mais importante de minha histó-ria. Vi três armaz...
33A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?que Jesus fez comigo? Ele jogou água em mim! Eu volt...
O C a o s C a r i s m át i c o34Ele olhou para mim e disse: “Roberts, desejo que você estude a vida dosgenerais do meu gra...
35A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?De acordo com o Dr. Eby, ele caiu da sacada, bateu a...
O C a o s C a r i s m át i c o36dois olhos dos seres humanos representam as duas testemunhasde Apocalipse 11.1. Verifiquei...
37A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Procura a verdade por meio de sentimentos, intuição ...
O C a o s C a r i s m át i c o38Poroutrolado,oconceitosubjetivoéametodologiadocatolicismoromano histórico. Intuição, exper...
39A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?a leitura consecutiva do assunto, à medida que surgi...
O C a o s C a r i s m át i c o40O interesse de Parham por essas questões determinou o cur-rículo da classe. Ele convocou o...
41A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Depois disso, outros relataram o recebimento do Espí...
O C a o s C a r i s m át i c o42Em resumo, o pentecostalismo deseja ser considerado cristianismo experi-mental, cuja exper...
43A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Uma melhor tradução do texto grego, no versículo 19,...
O C a o s C a r i s m át i c o44cheia de glória” (1 Pe 1.8 — ênfase acrescentada). É evidente que Pe-dro não acreditava na...
45A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Não devemos dizer que a Escritura é suficiente? O pr...
O C a o s C a r i s m át i c o46solitários, de coração aflito, que andaram com o Senhor a caminhode Emaús (Lc 24.13-35)? À...
47A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?lidade à mensagem do evangelho do que a simples preg...
O C a o s C a r i s m át i c o48em rhema quando fala pessoalmente a você. O logos histórico e ob-jetivo, no sistema de Far...
49A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?deliberadamente às pessoas expressões ininteligíveis...
O C a o s C a r i s m át i c o50influências,todasanticristãs,contribuíramparaaformaçãodoconceitoda teologia experimental: ...
51A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?O humanismo é a filosofia que preconiza o poder ilim...
O C a o s C a r i s m át i c o52O historiador Samuel Angus escreveu: “O devoto poderia, emêxtase, sentir-se acima das limi...
53A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?to de experiências de nossos dias. O legado do misti...
O C a o s C a r i s m át i c o54... Essacrescentetentativamodernaéoreversodaabordagem[dosreformado-res] quanto à fé cristã...
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
O caos carismático
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

O caos carismático

1.092 visualizações

Publicada em

ótimo..........

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.092
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
6
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
15
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O caos carismático

  1. 1. O C a o s C a r i s m át i c o6“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, masenchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoandoe louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espiritu-ais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nomede nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros notemor de Cristo” (Ef 5.18-21).“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade,benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).
  2. 2. Introdução.......................................................................................11A experiência é um teste válido da verdade?..................... 25A viagem insuperável.............................................................31Duas abordagens básicas do cristianismo.............................36O historiador carismático Vinson Synan registrou: ............39Pedro era carismático?...........................................................42Paulo confiava na experiência?..............................................46Entusiasmados, mas ingênuos..............................................48A origem da teologia experimental.......................................49A batalha pela Bíblia se intensifica........................................53Deus ainda concede revelações?........................................ 57O que significa a inspiração?..................................................63Conceitos modernos sobre a inspiração................................64Revelação progressiva?..........................................................67O cânon está terminado.........................................................74Como o cânon bíblico foi escolhido e terminado..................76Profetas, fanáticos ou hereges?........................................ 82Os profetas de Kansas City....................................................82Montanismo...........................................................................92Catolicismo romano...............................................................94Neo-ortodoxia........................................................................98As seitas...............................................................................101Do Sola Scriptura a “algo mais”...........................................103Sumário
  3. 3. O C a o s C a r i s m át i c o8Como devemos interpretar a Bíblia?................................108Três erros que devem ser evitados......................................111Cinco princípios para a interpretação correta da Bíblia.....117Só mais uma coisa é necessária...........................................122Quatro textos bíblicos comumente mal interpretados......124Corte-a reto..........................................................................135Deus realiza milagres hoje?.............................................137O que são milagres?.............................................................137O que podemos dizer sobre os milagres modernos?..........141O que aconteceu com a era dos milagres?...........................144Quando e por que Deus usou milagres?..............................145Milagres são necessários hoje?............................................152Deus promete milagres para todos?....................................155O que tornou os apóstolos pessoas singulares?..................157O poder de Deus diminuiu?.................................................164O que está por trás da “Terceira Onda”e aonde ela está indo?.....................................................167Sinais e maravilhas?.............................................................171Evangelismo de poder?........................................................178Uma orientação bíblica?.......................................................183Uma herança evangélica?.....................................................194Como atuam os dons espirituais?....................................200Dons espirituais e a mente humana....................................201Dons espirituais ou desventuras espirituais?.....................207Dons na igreja de Corinto....................................................212Paganismo em Corinto.........................................................214A influência das religiões de mistério..................................215Visita à Primeira Igreja de Corinto......................................218Desencaminhados pelos falsos dons...................................220Apenas o que tem valor é falsificado...................................224
  4. 4. 9S u m á r i oO que acontecia na igreja primitiva?................................226A doutrina carismática da subseqüência.............................228Um exame mais detalhado de Atos 8..................................238Um exame mais detalhado de Atos 10................................241Um exame mais detalhado de Atos 19................................244Busque o poder ou libere-o?................................................248O batismo do Espírito é um fato ou um sentimento?........250Qual a diferença entre o batismoe o ser cheio do Espírito?............................................................254Deus ainda cura?.............................................................257O que era o dom bíblico de milagres?..................................264Doença — um problema universal......................................267Um exame mais detalhado sobre curandeiros ...................271e curas...................................................................................271O que nos diz a evidência?...................................................275Deus cura — à maneira dEle................................................279Como Jesus curava?.............................................................279Como os apóstolos curavam?...............................................282O dom de curar acabou,mas o Senhor continua a curar............................................286Qual a explicação para as curas carismáticas?....................287Por que os cristãos adoecem?..............................................288Deus prometeu curar todo os que tiverem fé?....................290Os cristãos devem ir ao médico?.........................................291O dom de línguas é para hoje? .........................................293O dom de línguas bíblico......................................................298As línguas são um idioma celestial?....................................300Línguas falsificadas..............................................................302O abuso das línguas em Corinto..........................................303Línguas cessarão...................................................................306
  5. 5. O C a o s C a r i s m át i c o10Agostinho também escreveu:..............................................311O derramamento final?........................................................313Que tipos de línguas são faladas hoje?................................316Por que as línguas são bastante populares?........................325O que é a verdadeira espiritualidade?..............................327Os “renovados” e os “não-renovados”.................................331O homem natural versus o homem espiritual....................333Marcas da verdadeira espiritualidade.................................335Dons não garantem espiritualidade....................................336Santificação ou superficialidade?........................................338Paulo versus os superapóstolos...........................................339O que significa ser cheio do Espírito Santo?.......................341Você não é cheio progressivamente, e sim de uma vez.......343Como ser cheio do Espírito Santo.......................................344O que acontece quando alguém é cheio do Espírito?.........345Pedro: um padrão de ser cheio do Espírito..........................346Como você pode saber que está cheio do Espírito?............348Deus Promete Saúde e Prosperidade?..............................351A religião falsa e a verdadeira..............................................352O deus errado.......................................................................358O Jesus errado......................................................................367A fé errada............................................................................374Consciência cristã ou ciência cristã?...................................384EpílogoComo devemos responder ao movimento carismático?.....389Confrontar o erro.................................................................389Uma palavra final.................................................................391
  6. 6. IntroduçãoEm 1978,1quando a edição original deste livro foi publicada,eu não estava preparado para as reações amplas e diversas que elaproduziria. É claro que esperava alguma reação. Quase todo livro pu-blicado sobre este assunto tem provocado divergências. As questõesenvolvidas parecem estimular as emoções mais profundas das pes-soas. Talvez não seja possível tomarmos qualquer posição sobre omovimento carismático sem incomodarmos alguém.No entanto, de forma muito curiosa, as expressões de concor-dância que recebi pegaram-me desprevenido. Literalmente, milharesde pessoas escreveram-me para agradecer pela tentativa de tratarbíblica e doutrinariamente da questão carismática. Entre elas, diver-sos pastores e outros líderes cristãos agradecidos pela abordagembíblica de um assunto que eles temiam abordar. Fiquei perplexo como número de cristãos que consideram o movimento carismático semapoio bíblico, mas relutam em afirmar isso em voz alta.Nos anos seguintes ao lançamento do livro, obtive uma novacompreensão do motivo de existir tanta confusão a respeito dosdons carismáticos na igreja. Um poderoso fator de intimidação tra-balha contra os que tentam abordar esses assuntos de modo bíblico.A crítica à doutrina ou à prática carismática é vista, comumente,como algo divisivo ou grosseiro. Carismáticos extremistas podempromover, por meio de televisão e rádio cristãos, quase qualquer1 Os carismáticos. São José dos Campos, SP: Fiel, 1981.
  7. 7. O C a o s C a r i s m át i c o12idéia que imaginam, mas os que tentam examinar de forma críticaesses ensinos, à luz da Escritura, são compelidos a silenciar.Falo com base em experiência pessoal. Nosso programa de rá-dio Grace to You é ouvido diariamente em uma rede com centenas deemissoras. Quase todas elas compartilham de nosso entendimentodoutrinário e compromisso com a suficiência absoluta das Escrituras.Contudo,amaioriadelashesitaemtransmitirsériesdeestudosquetra-tam de 1 Coríntios 12 a 14, Atos 2, Romanos 12 ou outras passagensque confrontam as discrepâncias carismáticas. Várias das emissoraspossuem filosofias de trabalho que proíbem explicitamente qualquerensino que desafia as crenças de seus ouvintes carismáticos.O diretor de uma rádio escreveu-me isto: “Por favor, reconsideresua política de lidar com o movimento carismático e outros temas con-troversos em seus programas de rádio. Apesar de compartilharmos desuas convicções a respeito destes assuntos, muitos de nossos ouvintesnão o fazem. Eles são queridos irmãos em Cristo, e não consideramosútilàcausadeCristoatacarsuascrenças.Comprometemo-nosamantera paz entre os irmãos e a unidade no corpo de Cristo. Obrigado por suasensibilidade para com estas preocupações”.Esse tipo de raciocínio sacrifica a verdade em favor de umapaz superficial. Essa atitude permeia a igreja contemporânea. Naverdade, ela concedeu aos carismáticos extremados liberdade paraapresentarem conceitos fantasiosos, enquanto impõe uma mordaçaàqueles que lhes fazem objeção. Quem se pronuncia é inevitavel-mente tachado de divisivo, violento ou desamoroso.2O legado desse2 Parece irônico que os críticos do extremismo carismático sejam tão freqüente-mente repreendidos por serem insensíveis e divisivos. Prestem atenção a estescomentários feitos pelo líder carismático Benny Hinn: “Alguém está me atacandopor algo que ensino. Quero dizer-lhe algo, irmão: Cuidado!... Procurei um versí-culo na Bíblia, mas não consegui achá-lo. O versículo que diz: ‘Se você não gostadeles, mate-os’. Gostaria muito de tê-lo encontrado!... Francamente, você meenoja — é isso o que penso!... De vez em quando eu gostaria que Deus me desseuma metralhadora do Espírito Santo; eu arrancaria sua cabeça!” (Do programa
  8. 8. 13I n t ro d u ç ãoposicionamento não é unidade e paz, apenas confusão e conten-da. A prova disso por ser vista nas centenas de igrejas, diretoriasde missões, escolas e outras organizações cristãs que permitirama infiltração da influência carismática sem lhe darem resposta. Emúltima análise, elas devem sacrificar completamente sua posiçãonão-carismática ou sofrer os efeitos devastadores de uma divisão.Assim, o caos carismático se espalha, pois as vozes que pro-pagam ensinos excêntricos superam os fracos sussurros de quemdesafia os cristãos a examinarem as Escrituras, para certificarem-sede tudo (At 17.11).Não é indelicado analisar diferenças doutrinárias à luz daEscritura. Não é necessariamente faccioso expressar desacordocom o ensino de alguém. Na verdade, recebemos o imperativomoral de examinar o que é proclamado em nome de Jesus, deexpor e de condenar os falsos ensinos e o comportamento não-Praise-a-thon, da Trinity Broadcasting Network, em de novembro de 1990.)Paul Crouch não é muito mais caridoso. Ele disse a respeito de seus críticos:“Creio que eles estão condenados e a caminho do inferno; não acredito que hajaredenção para eles... Digo: Vão para o inferno! Saiam da minha vida! Saiam domeu caminho!... Desejo dizer a todos os escribas, fariseus e caçadores de here-sias — todos vocês que vivem expondo pequenos erros doutrinários aos olhosde todos... Saiam da frente de Deus; parem de bloquear as pontes de Deus, ou Eleos fulminará, se seu não... Saiam da minha vida! não quero falar com vocês nemouvi-los! Não quero ver a cara feia de vocês! Saiam da minha frente em nome deJesus”. (Do programa “Praise the Lord”, da Trinity Broadcasting Network, em 2de abril de 1991.)A cólera de Hinn e de Crouch foi dirigida contra homens e mulheres piedosos(muitos dos quais também carismáticos) que suscitaram questionamentos bíbli-cos válidos sobre alguns ensinos novos dos mestres da Palavra da Fé (ver Capítu-lo 12), propagados pela rede de televisão de Crouch. Crouch chamou a análise doscríticos de “esterco doutrinário”.Não conheço um único incidente, em nenhum lugar — e certamente não em umcanal de televisão internacional que transmite programas ao vivo —, em que algumapessoa tenha falado publicamente, com tanto desprezo pelos carismáticos, usandoo mesmo tipo de linguagem rude e severa como a desses dois exemplos. Por quealguém deveria considerar insensível e desagradável o ser examinado quanto à suadoutrina, mas considera aceitável defender-se com ameaças tão grosseiras?
  9. 9. O C a o s C a r i s m át i c o14bíblico. O apóstolo Paulo sentiu, algumas vezes, a necessidade derepreender certas pessoas por meio das epístolas que deveriamser lidas em público (Fp 4.2,3; 1 Tm 1.29; 2 Tm 2.17). João, oapóstolo do amor, condenou, por escrito, de forma contundente,a Diótrefes líder eclesiástico que ignorava o ensino apostólico (3Jo 9,10). Como demonstra sua segunda epístola, o conceito deJoão a respeito do amor verdadeiro estava inseparavelmente li-gado à verdade. De fato, o amor divorciado da verdade nada maisé do que sentimentalismo hipócrita. Esse sentimentalismo é pre-dominante no evangelicalismo contemporâneo.O desafio bíblico não é evitar a verdade controversa, e simfalar a verdade em amor (Ef 4.15). Esforcei-me para agir dessemodo. Tenho vários amigos carismáticos que amam o Senhor comsinceridade e, apesar de discordarmos em alguns assuntos fun-damentais, considero-os irmãos preciosos. Entristece-me o fatode alguns deles acreditarem que minhas críticas ao movimentocarismático sejam ofensivas. No entanto, a Escritura é o padrãopelo qual todo ensino deve ser avaliado, e meu único desejo é fo-calizar a luz da Palavra de Deus sobre um movimento que invadiua igreja contemporânea.Ainda que algumas resenhas tenham imaginado a existênciade zombaria ou sarcasmo nos meus comentários da primeira ediçãodeste livro, asseguro-lhes que meu propósito não era ridicularizar,nem naquele momento, nem agora. Alguns carismáticos sentiramque eu retratei mal seu movimento, ao escolher os exemplos maisgrotescos e esquisitos da ingenuidade do movimento. Por exemplo,a primeira edição incluía este relato:Recentemente vi, na televisão, uma senhora contar como o pneu de seucarro fora “curado”. Não faz muito tempo, recebi uma carta de alguém da Flóridaque ouvira um testemunho maravilhoso de uma mulher que ensinou seu cão alouvar o Senhor num latido estranho.
  10. 10. 15I n t ro d u ç ãoConcordo que ambos os exemplos são bizarros. Talvez seja injustocaracterizar o movimento carismático com exemplos como estes. Gosta-ria que isso fosse verdade. Gostaria que esses dois exemplos fossem raros,mas não são. E a razão pela qual não o são é que, nas fileiras carismáticas,nenhuma experiência tem de ser testada pelas Escrituras.3Creio que as décadas passadas confirmaram esta avaliação. Osexemplos absurdos da imprudência dos carismáticos são crescentes,à medida que se perde o controle dos grupos que estão à margem domovimento. Apesar disso, carismáticos radicais crescem perceptivel-mente em influência e visibilidade.• Jan Crouch, que, com o marido, Paul, lidera a Trinity Broad-castingNetwork(TBN),disseaovivonaCostaRica:“Deusrespondeuas orações de duas crianças de doze anos para ressuscitar pintinhosdentre os mortos”!4A sra. Crouch contou a mesma história em umaprograma da TBN que é transmitido em todos os Estados Unidos eao redor do mundo.• A revista Charisma, o principal periódico do movimento,apresenta em páginas inteiras e duplas o Rapha Ranch, um cen-tro de saúde que trata câncer com “fitas de áudio que contêmmensagens bíblicas subliminares”. “Você não tem que morrer” é otítulo de uma fita de vídeo que pode ser adquirida no Rapha Ran-ch. Parte da propaganda descreve a estância como o lugar ondepacientes que têm câncer podem “vir e ser curados”. O anúncioproclama os poderes curadores das fitas da “terapia de mensa-gens subliminares da Palavra”:Relatam-se às centenas testemunhos de cura, salvação e libertação! Emnossa série de Fitas de Terapia da Palavra, a Palavra de Deus é lida em voz alta,para ser ouvida não só de modo consciente pelos ouvidos, mas também para3 Os carismáticos. São José dos Campos, SP: Fiel, 1981. p. 534 Coruch, Jan. Costa Rica say ‘thank you for sending chrstian television! Praisethe Lord (newsletter), p. 4, Sept. 1991.
  11. 11. O C a o s C a r i s m át i c o16penetrar de forma subconsciente em seu cérebro, enquanto dezenas de milharesde passagens bíblicas subliminares são ouvidas em apenas uma hora. A leitura daPalavra é acompanhada de lindas músicas ungidas que criam a atmosfera de fé,pela qual se pode receber de Deus. Todos os dias chegam ao nosso ministério tes-temunhos surpreendentes a respeito de curas, vidas transformadas, salvação emilagres, à medida que a mente das pessoas é renovada para a Palavra de Deus.5• O evangelista Robert Tilton enviou pelo correio uma “moedamiraculosa” (na verdade, um amuleto inútil) a centenas de milhares depessoas, com a promessa de um “milagre financeiro” àquele que seguis-se suas instruções e lhe enviasse “um cheque com a melhor oferta quevocêpuderdar!”Umlembreteameaçadorestavagravado,emletrasma-nuscritas, na superfície inferior do folheto: “Apenas você e Deus sabemqual é sua melhor oferta”. Um jornal secular designa o programa de te-levisãoSuccess-N-Life(SucessonaVida)—deRobertTilton—como“oimpério de crescimento mais rápido na televisão cristã”.6• Um de meus assistentes participou de um encontro de homensdenegóciocarismáticos,emChicago,noqualumsacerdotecatólicotes-temunhou que Maria lhe dera o dom de línguas, enquanto ele rezava oterço. A seguir, um pastor carismático, líder do encontro, levantou-se eexclamou: “Que testemunho maravilhoso! Vocês não se sentem felizespor que Deus não se prende às nossas idéias do que é doutrinariamenteaceitável? Algumas pessoas tentariam desmerecer o testemunho des-te irmão, porque esse testemunho não se harmoniza com o sistemateológico delas. Entretanto, não importa como vocês foram cheios doEspírito Santo, conquanto que tenham recebido o batismo!” Os pre-sentes, centenas deles, irromperam em aplauso fervoroso e contínuo.Nenhum deles parecia questionar o caráter espúrio do testemunho queestava tão evidentemente em conflito com a verdade bíblica.5 Choose your weapons, saints of God. Charisma, p. 14-, 15, Sept. 1989.6 The Prophet of prosperity. Dallas Times Herald, Dallas, 24 June 1990, Cad-erno A, p. 1.
  12. 12. 17I n t ro d u ç ãoEsse acontecimento resume a tendência carismática de testar adoutrina de acordo com a experiência, em vez de agir de modo contrá-rio. As celebridades carismáticas mais notáveis e influentes raramenteconfessamlealdadesinceraàautoridadedaBíblia.Oslíderescarismáticospreocupados com a verdade bíblica — estou convencido de que existemmuitos — deveriam ser a voz mais distinguível que clama contra essesabusos pelos quais são identificados. Infelizmente, poucos têm agidodesse modo. Os que denunciaram o erro fizeram um serviço valioso;no entanto, eles mesmos têm sido atacados com crueldade por outroscarismáticos.Elessãoabordadosporpessoasquecitamotextode1Crô-nicas 16.22 (“Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meusprofetas”),7comoseoversículosilenciassetodoodebatedoutrinário—como se todas as pessoas que alegam possuir a unção divina falassem averdade! Em decorrência disso, a maioria dos carismáticos tem falhadoem não expor e rejeitar as influências mais obviamente antibíblicas eanticristãs do movimento.Emvezdisso,amaioriadoscarismáticosretrocedeaoargumen-to de defesa mais fácil — quase todas as críticas ao seu movimentosão injustas e duras. Os não-carismáticos, intimidados pela acusa-ção, são silenciados com eficácia. Alguém ainda se espanta com ofato de que tantos membros das igrejas estejam confusos?Visto que os não-carismáticos se tornam cada vez mais teme-rosos de questionar as alegações carismáticas, a influência dessemovimento se espalha quase sem contestação. Valendo-se dos meiosde comunicação modernos — especialmente a televisão —, o mo-vimento carismático alcançou todo o planeta, expandindo-se comvelocidade admirável. O ensino carismático ultrapassou os EstadosUnidos e Europa, chegando às partes mais remotas da América do7 No contexto, este versículo proíbe a violência física contra os reis. De modoalgum ele condena o escrutínio cuidadoso ou a crítica dirigida a pregadores emestres. Essa aplicação viola a ordem inequívoca de 1 Ts 5.21: “Julgai todas ascoisas, retende o que é bom”.
  13. 13. O C a o s C a r i s m át i c o18Sul, Oriente, África, Índia, Pacífico Sul, Europa Oriental e Rússia. Onome de Cristo é conhecido em quase todos os lugares. Milhões depessoas em todo o mundo crêem, literalmente, que Deus tem conce-dido sinais, maravilhas e milagres em uma escala sem precedentes,desde os tempos bíblicos. Essas alegações continuam a se multipli-car a uma velocidade tão incrível, que mal podem ser catalogadas e,menos ainda, verificadas.Encontros fantásticos com Jesus e com o Espírito Santo sãotratados como algo comum. Mensagens pessoais da parte de Deusjá integram a rotina. Curas de todos os tipos são alegadas. É comumouvirmos testemunhos comoventes a respeito de como Deus, emresposta à fé, corrigiu problemas de coluna, fez pernas crescereme removeu tecido canceroso. Aparentemente, os apresentadores deprogramas cristãos são oniscientes e discernem que milagres e curasdeváriostiposocorremdurantesuasapresentações.Elesincentivamos telespectadores a participarem e tomarem posse dos milagres.Alguns desses milagres são muito bizarros: a nota de um dólartransforma-se em outra nota de vinte dólares, máquinas de lavare outros utensílios domésticos são “curados”, tanques de combus-tível vazios tornam-se sobrenaturalmente cheios, e demônios sãoexorcizados de máquinas de auto-atendimento. Pessoas “caem” noEspírito; outras alegam ter estado no céu e regressado. Algumas afir-mam ter ido ao inferno e voltado!Experiências incríveis parecem ser a agenda do dia, ao passo queDeus — em um rompante hipercinético —, age de forma sobrenatural,equiparada apenas com os seis dias da Criação e as pragas do Egito!Alguns chegam a negar a eficácia do evangelismo sem milagres.Afirmam que a mensagem do evangelho é enfraquecida ou anulada,se não é acompanhada de sinais e maravilhas. Crêem que algumaspessoas necessitam versinaisemaravilhas, antes de crer. Esse concei-to gerou um novo movimento, designado pomposamente “a TerceiraOnda do Espírito Santo”, também conhecido como Movimento de
  14. 14. 19I n t ro d u ç ãoSinais e Maravilhas (ver Capítulo 6). Essa recente variação do velhotema carismático tem atraído muitos evangélicos e outras pesso-as das principais denominações que anteriormente se mostravamcautelosas a respeito da influência pentecostal e carismática. Caris-máticos e não-carismáticos precisam avaliar com clareza as questõesbíblicas em jogo.Alguns argumentam que as pessoas de fora do movimento ca-rismático não têm direito de avaliá-lo. O batista carismático HowardErvin escreveu:A tentativa de interpretar as manifestações carismáticas do Espírito Santosem a experiência com os carismas é tão irreal quanto a aplicação da “ética cristãà parte da dinâmica da regeneração... Compreender a verdade espiritual é umpredicado da experiência espiritual. O Espírito Santo não revela segredos espi-rituais aos descomprometidos e, francamente, a experiência pentecostal exigecomprometimento total”.8J. Rodman Williams tem a mesma opinião:A informação, a instrução e o ensino concernentes a eles tornam-se rele-vantes no contexto de participação no Espírito Santo e dos dons conseqüentesdo Espírito Santo. Uma tese fundamental pode ser estabelecida: qualquer infor-mação vital a respeito dos dons do Espírito, os carismas pneumáticos, pressupõe aparticipação neles. Sem essa participação, tudo o que for dito a respeito dos donspode resultar apenas em confusão e erro.9Contudo, a experiência não é o teste da verdade bíblica; pelocontrário, a verdade bíblica julga a experiência. Esse é o tema centraldeste livro. Também é o argumento-chave da resposta às alegaçõesdo movimento carismático. Frederick Dale Bruner expressou isso8 Ervin, Howard M. These are not drunken, as ye suppose. Plainfield, N.J.: Logos,1968. p. 3-4.9 Williams, J. Rodman. Renewal theology. Grand Rapids: Zondervan, 1990.p. 326. Ênfase no original.
  15. 15. O C a o s C a r i s m át i c o20com clareza: “O teste de qualquer coisa identificada como cristã nãoé seu significado, sucesso ou poder, isso apenas torna o teste impe-rativo. O teste é a verdade”.10Tornou-se quase impossível definir o movimento carismático emtermosdoutrinários.Nosanosseguintesàprimeiraediçãodestelivro,omovimento cresceu assustadoramente. Na verdade, ele alcançou o queomovimentoecumênicofoiincapazdeconseguir—aunidadeexterior,de modo geral indiferente a qualquer preocupação teológica. O movi-mento carismático abriu as porta para quase todas as denominações eseitas que aderem a algum tipo de manifestação dos dons carismáticos.Também conhecido como neopentecostalismo, o movimento ca-rismático é herdeiro do pentecostalismo, surgido por volta de 1900.O pentecostalismo, até 1959, era representado nos EUA principal-mente pelas seguintes denominações: Assembléia de Deus, Igreja doEvangelhoQuadrangulareaIgrejaPentecostalUnida.Noentanto,em1959, o pentecostalismo ultrapassou as barreiras denominacionaisquando Dennis Bennett, reitor da Igreja Episcopal de São Marcos,em Van Nuys (Califórnia), experimentou o que ele cria ter sido obatismo do Espírito Santo e o dom de línguas.11Depois disso, comodeclarou John Sherrill, os muros sucumbiram. 12E o movimento ca-rismático espalhou-se entre episcopais, metodistas, presbiterianos,batistas e luteranos. E tem crescido desde então, incorporando cató-licos, teólogos liberais e vários grupos pseudocristãos.Portanto, é dificil (ou impossível) de definir o movimento caris-mático por meio de alguma doutrina ou ensino advogado por todosos adeptos do movimento. O que os carismáticos têm em comum éa experiência — que crêem ser o batismo do Espírito Santo. A maior10 Bruner, Frederick D. A heology of the Holy Spirit. Grand Rapids: Eerdmans,1970. p. 33.11 Quanto a esse relato, cf. Bennett, Dennis. Nine o’clock in the morning. Plain-field, N.J.: Logos International, 1970.12Sherrill,JohnL.Theyspeakwithothertongues.OldTappan,N.J.:Spire,1964.p. 51.
  16. 16. 21I n t ro d u ç ãoparte dos carismáticos define o batismo do Espírito como uma ex-periência posterior à salvação, a segunda bênção que acrescenta algovital ao que os cristãos receberem na salvação. O batismo do Espíri-to, crêem eles, é comumente acompanhado da evidência de falar emlínguas ou, talvez, de outros dons carismáticos. Essa experiência éconsiderada essencial para todo cristão que deseja conhecer na suaprópria vida a plenitude do poder divino e miraculoso.Se você é um cristão que não tem experimentado alguns fenôme-nos carismáticos sobrenaturais, talvez se sinta excluído. Talvez estejapensando que Deus o considera um cristão de segunda classe. Se Elese interessasse mesmo por você, você não teria experimentado um mi-lagre ou manifestado algum dom espetacular? Por que você não subiua um nível superior de bem-aventurança espiritual? Por que não ouviuJesusfalar-lhecomvozaudível?PorqueElenãolheapareceufisicamen-te? Nossos amigos carismáticos andam mesmo mais perto de Deus epossuem um conceito mais profundo do poder do Espírito Santo, umaexperiência de louvor mais completa, uma motivação mais forte paratestemunhar e maior devoção pelo Senhor Jesus Cristo? Talvez nós, osnão-carismáticos, apenas não estamos à altura deles?Quando converso com cristãos que não passaram por experi-ências carismáticas, sinto freqüentemente certa apreensão, medo ealarme. Parece que o movimento carismático separou os cristãos em“agraciados” e “não-agraciados” espirituais.Apesar de haver dedicado minha vida à pregação da sã doutrinabíblica, centrada na obra do Espírito Santo na vida de cada crente, devoconfessar que, de acordo com a definição carismática, encontro-me en-tre os “não-agraciados”. Admito ter perguntado a mim mesmo: todos osque passam supostamente por essas experiências incríveis estão falando averdade? Estou perdendo aquilo que Deus está fazendo? Meus irmãos caris-máticosestãoemumnívelmaiselevadonacaminhadacomCristo?Creio que ansiedades semelhantes também ocorrem entre ospróprios carismáticos. Será que algum participante dessas reuniões
  17. 17. O C a o s C a r i s m át i c o22é tentado a exagerar, dramatizar ou mesmo fingir algum milagre ouexperiência especial, por causa da necessidade de acompanhar os ir-mãos aparentemente mais espirituais?Estoucertodequeissoéverdade.Percebosuaocorrênciadiaria-mente nas emissoras de televisão cristãs, à medida que as alegaçõescarismáticas tornam-se mais fantasiosas. De quando em quando,desvenda-se alguma fraude. Certo evangelista conhecido nacional-mente foi encontrado usando um receptor de som no ouvido; pormeiodessereceptor,aesposalhepassavainformaçõessupostamentereveladas pelo Espírito Santo. Outro curandeiro, menos conhecido,caiu em descrédito quando foi provado que ele incluía no auditóriopessoas saudáveis que vinham com muletas e cadeiras de rodas parareceber “cura”.Ainda piores são os consecutivos escândalos de natureza sexu-al ocorridos entre os líderes carismáticos aparentemente “cheios doEspírito” — uma “epidemia” nas décadas de 80 e 90. Esses aconteci-mentos foram catastróficos para a causa de Cristo em todo o mundo,minando o testemunho corporativo de todos os cristãos perante omundo. Esses escândalos são o legado do movimento que se aprovei-ta de sinais e maravilhas como única prova irrefutável da verdadeiraespiritualidade. Para autenticar essas afirmações, alguns líderescarismáticos recorrem a “milagres” fraudulentos ou simulados. Aespiritualidade é considerada uma questão externa; a santidade decaráter não é essencial para quem crê que os fenômenos sobrenatu-rais validam sua reivindicação de falar em nome Deus. Esse sistemaproduz hipocrisia, trapaça, charlatanismo e fraude.Por favor, entenda: não estou dizendo que todos os líderes ca-rismáticos são corruptos — sei que isso não é verdade. Vários demeus amigos carismáticos estão comprometidos genuinamente comCristo e são exemplos da piedade verdadeira. Tampouco alego queseu movimento é o único que produz hipócritas. Estou convencido,porém, de que os ensinos fundamentais do movimento carismático
  18. 18. 23I n t ro d u ç ãocriam uma ênfase exagerada em evidências externas e, por isso, es-timulam afirmações mirabolantes, falsos profetas e outras formasde embuste espiritual.13Onde essas coisas florescem, o escândalo éinevitável — e o movimento carismático foi marcado, na década de80, por uma exagerada quantidade de escândalos.Agradeço a Deus pelos carismáticos que amam nosso Senhorcom sinceridade e desejam obedecer-Lhe. Paulo escreveu: “Uma vezque Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado... com isto me re-gozijo, sim, sempre me regozijarei” (Fp 1.18). Alegro-me pelo fatoque Cristo está sendo anunciado em muitos ministérios carismáti-cos e de que pessoas estão sendo ganhas para Ele. Contudo, isso nãodeve eximir o movimento carismático ou seus ensinos de passar peloexame bíblico criterioso. A Escritura nos adverte: “Julgai todas ascoisas, retende o que é bom” (1 Ts 5.21).À primeira vista, este livro talvez pareça acadêmico demaispor causa do número de notas. Por favor, não se deixe levar pela im-pressão. Garanto-lhe que não achará o livro monótono ou abstrato.Porém, considerei importante apresentar os ensinos carismáticosem suas próprias palavras (sempre que possível) e ser meticuloso nadocumentação de todas as citações.Em quase todos os exemplos, citei material impresso em lugarde conversas pessoais, cartas e outras fontes informais. Somente noCapítulo 12, onde lido com o movimento Palavra da Fé, citei fitascassetes de ensino e programas de televisão. Ao proceder assim, sei13 Não estou afirmando que os carismáticos estimulam a dubiedade ou a hipo-crisia de modo voluntário ou conscientemente. Em qualquer filosofia que tende amediar a espiritualidade por meio de padrões exteriores — quer se trate do lega-lismo fundamentalista, ascetismo hipócrita, pietismo comunitário, instituciona-lismo religioso, farisaísmo crônico, misticismo idealista ou monasticismo rígido— manter as aparências tende a tornar-se prioridade, ignorando a franqueza e ahonestidade. No movimento carismático, as experiências espirituais extraordi-nárias são mais valorizadas do que a devoção moderada. Ainda nos admiramosdo fato de que algumas pessoas sentem-se tentadas a exagerar ou a fingir?
  19. 19. O C a o s C a r i s m át i c o24que algumas pessoas alegarão não terem sido citadas corretamen-te. Entretanto, tendo pesquisado o movimento, asseguro-lhes queminhas citações são precisas e representam fielmente o que os pre-gadores da Palavra da Fé têm ensinado.Minha oração é que Deus use este livro para recordar a todosos cristãos, carismáticos ou não-carismáticos, a nossa responsabili-dade de examinar cuidadosamente todas as coisas à luz da Escritura,a fim de deixarmos a Palavra de Deus ser o juiz de nossa experiência— não o contrário — e nos apegarmos apenas ao que é bom.
  20. 20. Certa mulher escreveu-me em tom raivoso: “Você recorre a tra-duções gregas e as palavras pomposas para explicar o que o EspíritoSanto tem realizado na igreja hoje. Quero dar-lhe um conselho quepode salvá-lo da ira vindoura do Deus todo-poderoso: ponha de ladosua Bíblia e seus livros e pare de estudar. Peça ao Espírito Santo quevenha sobre você e lhe conceda o dom de línguas. Você não tem odireito de questionar algo que nunca experimentou”.Um ouvinte do programa de rádio escreveu, após minha expo-sição de 1Coríntios 12 a 14: “Você e, especialmente, os ministrosdo evangelho que afirmam que o falar em línguas não é para hojeestão, na minha opinião e na de todos os que as falam, entristecendoo Espírito Santo e perdendo uma bênção de Deus. Para mim isso étão ridículo quanto uma pessoa não-salva tentar persuadi-los de quevocês não pode ter certeza absoluta de entrar no céu... Se vocês nãoo experimentaram, não podem dizer a alguém que já o experimen-tou que ele não existe”.As duas cartas refletem a tendência de avaliar a verdade por meioda experiência pessoal, e não pelas Escrituras. Há pouca dúvida de queos carismáticos, se forem honestos consigo mesmos, terão de reconhe-cer que a experiência pessoal — e não a Escritura — é o fundamentode seu sistema de crenças. Apesar de vários carismáticos desejarematribuir à Bíblia uma posição destacada de autoridade em sua vida, asEscrituras, com muita freqüência, ocupam segundo lugar em definir oque eles crêem (o primeiro é a experiência). Como certo autor declarou:Capítulo 1A experiência é umteste válido da verdade?
  21. 21. O C a o s C a r i s m át i c o26“As experiências com Deus fornecem-lhes a base da fé”.1Isto é exatamente o contrário do que deveria ser. A nossa fédeveria constituir a base das nossas experiências. A experiência ver-dadeiramente espiritual será o resultado da vivificação da verdadena mente cristã — ela não ocorre em um vácuo místico.É comum os não-carismáticos serem acusados de oposição àemoção e experiência. Permita-me declarar, de forma tão clara quantopossível, que creio na emoção e na experiência como resultados essen-ciais da fé genuína. Muitas de minhas experiências espirituais têm sidoacontecimentos profundos, arrebatadores, que mudaram minha vida.Por favor, não pense, nem por um instante, que defendo uma religiãofria, inanimada, baseada em um credo estéril ou em algum ritual vazio.Na experiência espiritual autêntica, a emoção, os sentimen-tos e os sentidos intensificam-se freqüentemente, transcendendoo normal. Isso pode incluir fortes sensações de remorso pelo pe-cado, o poderoso sentimento de confiança que ultrapassa a dor deuma situação traumática, a paz inextinguível em meio às dificulda-des, o sobrepujante sentimento de alegria relacionado à confiançae à esperança em Deus, a aflição intensa por causa dos perdidos,o louvor alegre pela compreensão da glória de Deus e zelo maisintenso pelo ministério. A experiência espiritual é, por definição,uma conscientização íntima que envolve fortes emoções em res-posta à verdade da Palavra de Deus, ampliada pelo Espírito Santo,que é aplicada pessoalmente a nós.Os carismáticos erram por tentarem alicerçar seus ensinosna experiência, em vez de entenderem que a experiência autênticaocorre como resposta à verdade. Muitas experiências carismáticasacontecem de modo independente do — e, às vezes, contrário ao —plano revelado e à operação divina indicada nas Escrituras. Quando1 Anderson, Gordon L. Pentecostals believe in more than tongues. In: Smith, Ha-rold B. (Ed.). Pentecostals from the inside out. Wheaton, Ill.: Victor, 1990. p. 55.
  22. 22. 27A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?essas experiências se tornam o fundamento da fé pessoal, quase nãohá limitação para esse tipo de falsa doutrina.Vemos isso em muitos livros e programas de televisão. Vi-sões, sonhos, profecias, “palavras de conhecimento”, mensagensdivinas particulares e outras experiências pessoais determinamo ensino. A Bíblia — quando consultada — é usada apenas comotexto-prova ou distorcida para corroborar alguma interpretaçãonova. Não é incomum as passagens bíblicas serem tão distorcidas,que recebem um significado contrário ao que realmente ensi-nam. Kenneth Copeland, por exemplo, alega ter recebido muitasde suas interpretações exclusivas mediante revelação direta. Aoensinar sobre o relato do jovem rico, em Marcos 10, Copelandbuscava apoio para a afirmação do desejo divino de que seu povotenha muitos bens materiais. As palavras de Jesus, no versículo21, são bastante claras: “Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo oque tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem esegue-me”. No entanto, Copeland afirma haver Deus lhe reveladoque, na verdade, esse versículo promete dividendos monetáriosdeste mundo. Copeland disse: “Esta foi a maior oportunidade denegócio já oferecida ao jovem, mas ele a recusou por desconhecero sistema financeiro divino”.2Às vezes o suposto profeta desenvolve todo um conjunto deensinos baseados na experiência — ou no capricho. O Dr. Percy Col-lett, por exemplo, um médico missionário carismático, desenvolveuuma grande série de mensagens celestiais detalhadas, todas basea-das em sua experiência pessoal extraordinária. Ele afirmou ter sidotransportado ao céu durante cinco dias e meio, em 1982. Ele disseter visto Jesus, o supervisor celestial da construção de mansões, ealegou que foi capaz de conversar face a face com o Espírito Santo.2 Copeland, Kenneth. Laws of Prosperity. Fort Worth: Kenneth Copeland Publi-cations, 1974. p. 65.
  23. 23. O C a o s C a r i s m át i c o28Um boletim que detalha, de modo exageradamente entusiasta,a jornada do Dr. Collett ao céu começa, por incrível que pareça, comestas palavras:Embora haja no cristianismo relatos abundantes de vislumbres da “outra”dimensão, por parte de pessoas que tiveram experiências “extracorpóreas”, o queaconteceu com o Dr. Collett difere dessas experiências. Ele foi “arrebatado aoterceiro céu”, como o foi o apóstolo Paulo. A diferença é que não foi permitido aPaulo dizer o que ele vira e ouvira, ao passo que ao Dr. Collett, quase 2.000 anosdepois, foi ordenado fazê-lo.3Collettoferecefitasdevídeoquenarramospormenoresdesuaper-manência no céu; e seus relatos são peculiares: “Tudo que Deus criou naterraexistenocéu:cavalos,gatosecães.Tudoqueelecriounaterraexis-te no céu; mas, com relação aos animais, eles são perfeitos. Por exemplo,oscãesnãolatem...Nãoháencanamento.Pode-seiràCasadeBanquetese comer o quanto desejar, sem qualquer tipo de encanamento”.4Ele descreve: “O Departamento da Misericórdia é o lugar ao qualse dirige as almas dos bebês abortados, bem como as de alguns bebêscom retardamento mental agudo. Ali, as pequeninas almas são treina-dasporumperíodo,antesdecompareceremperanteoTronodeDeus”.5Também afirma ter visto a Sala dos Registros “uma área imensa ondetodasaspalavrasvãsproferidaspeloscristãossãomantidas,atéqueelesprestem conta delas ou sejam julgados; então, naquele momento elasserão lançadas no Mar do Esquecimento”.6Collett descreve a “Sala dovestuário” (onde anjos costuram nossas vestes), mansões em constru-ção, um “Elevador do Espírito Santo” e muitas outras visões incríveis.73 Relfe, Mary S. Interview with Dr. Percy Collett. Relfe’s Review, report 55, p. 3,Aug. 1984.4 Ibid. p. 1-8.5 Ibid. p. 5.6 Ibid.7 Ibid. p. 5-6.
  24. 24. 29A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Ele acrescenta um detalhe macabro: “Quando viajava de volta à Terra,vi duas meninas: uma morena e a outra ruiva. Paramos para conversarcom elas — seus corpos espirituais — no caminho de volta. Nós lhesperguntamos o que lhes acontecera. Elas afirmaram terem morrido emum acidente de carro numa rodovia da Califórnia. Seus corpos (físicos)estavam em sendo velados. Disseram que sua mãe chorava por causadelas e me pediram que lhe contasse”.8O Dr. Collett acredita possuir a prova conclusiva para confir-mar sua história: “Cerca de um ano depois, dirigi-me à região ondevivia a mãe e estava contando esse testemunho. Uma mulher pre-sente levantou-se e afirmou tratar-se da descrição de suas filhas. Eulhe disse que não se inquietasse, porque suas filhas estavam em umlugar maravilhoso. Ela disse que jamais choraria outra vez”.9Depois que o Dr. Collett terminou o discurso sobre o céu para asua terceira audiência em Montgomery (Alabama), abriu uma seçãode perguntas formuladas pela audiência. A primeira pergunta, admi-to, foi uma surpresa: “Sou peão boiadeiro. Existem rodeios no céu?”Entretanto, o Dr. Collett respondeu prontamente: “Há cavalosno céu, cavalos lindos. Todos eles louvam a Deus. Não existe toliceno céu. Não estou dizendo que um rodeio seja tolice, mas, no céu,não há ações do tipo Will Rogers”.10Os carismáticos não têm meios para julgar ou impedir testemu-nhos como esse, porque a experiência valida-se a si mesma. Em vez decompararem essas experiências com a Bíblia, para constatarem suavalidade, os carismáticos tentam fazer com que a Bíblia amolde-seà experiência ou, na impossibilidade, apenas a ignoram. Quantos ca-rismáticos, ensinados a crer que Deus lhes dá, a eles ou a seus líderes,novas revelações, deixam a Bíblia permanentemente na prateleira?118 Ibid. p. 7.9 Ibid.10 Ibid.11 Alguns líderes carismáticos reconhecem o problema. Kenneth Hagin, defen-
  25. 25. O C a o s C a r i s m át i c o30Tudo começa com o batismo do EspíritoUm dos motivos por que a experiência constitui o critériodos carismáticos é a ênfase indevida no batismo do Espírito San-to como experiência posterior à salvação (v. Capítulo 8). De modogeral, os carismáticos acreditam que, após alguém se tornar cris-tão, ele deve procurar com diligência o batismo do Espírito. Osrecipientes do batismo experimentam diversos fenômenos, comofalar em línguas, sentir-se eufórico, ter visões e arroubos emocio-nais de diversos tipos. Quem não experimentou o batismo e osfenômenos subseqüentes não é considerado cheio do Espírito; ouseja, são pessoas imaturas, carnais, desobedientes — em outraspalavras, cristãos incompletos.Esse tipo de ensino abre as comportas para a crença de que ocristianismovitalésomenteexperiênciassensoriais,umaapósoutra.Estabelece uma competição para saber quem recebeu a experiênciamais vívida ou espetacular. E as pessoas que têm os testemunhosmais impressionantes são reputadas como pessoas de um nível espi-ritual mais elevado. Fazem-se declarações incríveis, que geralmentenão são questionadas.Por exemplo, o seguinte anúncio foi publicado diversas vezes,em 1977, nos diferentes exemplares do jornal carismático The Na-tional Courier:Uma fotografia genuína de nosso Senhor. Sim, creio tê-la registrado nofilme. Em meados do verão, levantei-me às 3h30 da madrugada, por causa daforte sensação de ter ouvido uma voz: “Vá e fotografe o meu nascer do sol”. Pre-parei a câmera ao lado do rio e esperei o sol. Naquele momento, antes da aurora,senti-me muito próximo de Deus... paz absoluta. Sobre um dos negativos, há asor do movimento Palavra da Fé (ver Capítulo 12), escreveu: “Certo ministro,anteriormente bastante sólido na fé, disse: ‘Não preciso mais daquele livro. Jáo ultrapassei’. A seguir, lançou a Bíblia ao chão. ‘Tenho o Espírito Santo. Souprofeta. Deus me envia instruções de forma direta’”. (The gift of prophecy. Tulsa:Kenneth Hagin Ministries, 1969. p. 24.)
  26. 26. 31A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?forma perfeita de uma figura, com o reflexo na água, de braços erguidos, como seabençoasse — do lado oposto de qualquer outra sombra. Acredito que Deus meconcedeu uma imagem de Si mesmo para compartilhar.Esse item é assinado por “Dudley Danielson, fotógrafo”. Dud-ley forneceu o endereço e também informou que cópias em tamanhonormal, em cores naturais, estavam disponíveis por dez dólares (ta-manhos maiores poderiam ser encomendados). Ele afirmou que oretrato abençoaria quem o recebesse.OqueaBíbliadiznãopareceincomodarDudley:“Ninguémjamaisviu a Deus” (Jo 1.18). Tampouco parece perturbá-lo o fato de que a Es-critura declara: “Deus é espírito” (Jo 4.24) e: “Homem nenhum verá aminhafaceeviverá”(Êx33.20).Evidentemente,oqueaBíbliadiznãoétãoimportanteparaelecomoa“sensaçãodeouvirumvoz”,osentimen-todepazeaproximidadedeDeus.DudleycrêpossuirumafotografiadeDeus e por dez dólares ele está disposto a compartilhá-la.A viagem insuperávelPercy Collett não é o único carismático que crê haver estado nocéu e retornado para falar sobre ele. No verão de 1976, no programa“Clube 700”, Marvin Ford contou sua experiência de morte, ascen-são ao céu e retorno. Ford afirma que a gravata usada naquele diareteve o aroma do céu. Ele a guardava para cheirá-la todas as vezesque quisesse refrescar a memória a respeito dessa experiência.UmlídercarismáticoqueestásedestacandoéRobertsLiardon.Eleafirma ter feito um grande passeio pelo céu, quando tinha apenas oitode idade, e o próprio Jesus Cristo o guiou pessoalmente. Ele recorda:Várias pessoas perguntaram-me sobre a aparência de Jesus. Ele tem cercade 1,80m a 1,83m de altura; o seu cabelo tem um tom de castanho claro, nemmuito longo, nem muito curto. Ele é o homem perfeito. Não importa o que vocêpensa sobre homem perfeito, Jesus o é. Ele é perfeito em tudo — em sua aparên-cia, conversa — tudo. Lembro-me dEle assim...
  27. 27. O C a o s C a r i s m át i c o32Andamos um pouco mais — e esta é a parte mais importante de minha histó-ria. Vi três armazéns a cerca de 450 ou 550 metros da Sala do Trono de Deus. Elessão compridos e bem amplos... Entramos no primeiro. Assim que Jesus fechou aporta atrás de nós, olhei ao redor com grande admiração!Em um lado do prédio, havia braços, dedos e outras partes externas docorpo. Pernas pendiam das paredes, mas a cena parecia natural, e não bizarra.Do outro lado do prédio, havia prateleiras repletas de pequenos pacotes de olhosperfeitos: verdes, castanhos, azuis, etc.Esse armazém continha todas as partes do corpo humano que as pessoas neces-sitavam na terra, mas elas não haviam percebido que essas bênçãos esperam porelas no céu... Estão disponíveis tanto para santos e como para pecadores.Jesus me disse: “Essas são as bênçãos que ainda não foram reivindicadas. Esteprédio não deveria estar abarrotado. Deveria ser esvaziado todos os dias. Você devechegar aqui com fé e obter as partes necessitadas por você e pelas pessoas de seucontato diário”.12Liardon descreve muitas outras visões incríveis, testemunha-das no céu: o Rio da Vida, um estádio repleto de pessoas que eleafirmou constituírem a “nuvem de testemunhas” mencionada emHebreus 12.1, e um armário com frascos de pílulas rotulados: “Paz”e “Overdose do Espírito Santo”.13Eis a descrição extraordinária de Liardon sobre o que aconte-ceu junto ao rio da Vida:Jesus e eu visitamos um braço do rio da Vida. Esse braço tinha aprofundidade do joelho; era transparente como o cristal. Tiramos nos-sos sapatos e entramos na água. Vocês sabem qual foi a primeira coisa12 Liardon, Robert. I saw heaven. Tulsa: Harrison House, 1983. p. 6, 19. Ênfaseno original.13 Ibid. p. 16-20. Sobre esse item, Liardon escreveu: “Pensei: que coisa! Overdosesmatam pessoas. Mas, em seguida, raciocinei: bem, o Espírito Santo não matará você,ele o traduzirá!” E acrescentou: “Quando Jesus me viu junto àquele frasco, ele riu.E quando Ele ri, é a coisa mais hilária que alguém já viu ou ouviu. Ele se inclinapara trás com a gargalhada, e você pensa que Ele vai cair de tanto rir. Ele ri deverdade! Essa é uma das razões de sua força: Ele ri bastante. A alegria do Senhorá a força dEle, entende?” (Ibid. p. 20).
  28. 28. 33A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?que Jesus fez comigo? Ele jogou água em mim! Eu voltei e o molhei; eparticipamos de uma luta com água. Nós nos molhávamos e ríamos...Era significativo para mim o fato de que o Rei da Glória, o Filhode Deus, usava seu tempo com o Roberts, de oito anos, e o molhavano rio da Vida!Ao regressar do céu, colocarei uma marca histórica nesse acon-tecimento, que dirá: “Esse foi o momento em que Jesus Cristo setornou não só meu Senhor e Salvador, mas também meu amigo”.Sim, Ele se tornou meu Amigo. Agora caminhamos juntos e conver-samos. Quando ouço uma boa piada, corro até Jesus e o ouço rir porcausa dela. E, quando ele ouve uma boa piada, conta-a a mim.14Liardon também alega que, enquanto estava no céu, foi or-denado ao ministério pelo próprio Jesus. “Andamos um pouco eestávamos calados. Então, Jesus se voltou e tomou ambas as minhasmãos em uma das suas. Colocou a outra mão no alto da minha ca-beça e disse: ‘Roberts, eu o estou chamando para uma grande obra.Você terá de ministrar e pregar como nenhuma outra pessoa; e serádiferente de todos os outros... Vá, vá, vá como ninguém jamais foiaté hoje. Vá e faça como eu fiz’”.15A viagem de Liardon ao céu aconteceu supostamente em 1973.Seja como for, ele disse não ter contado nada a ninguém duranteoito anos. Ele afirma que Jesus lhe apareceu mais duas vezes. A se-gunda vez é descrita como extremamente sagrada, e não pode falarsobre ela. Entretanto, a terceira vez foi um pouco mais mundana:A terceira vez em que vi a Jesus, eu tinha cerca de onze anos. Jesus entroupela porta da frente de minha casa, enquanto eu assistia ao programa de televi-são Laverne & Shirley. Ele se aproximou e sentou-se no sofá, ao meu lado, olhoupara a TV, e tudo neste mundo natural parou, como em um “clique”. Eu não con-seguia ouvir o som do telefone ou da televisão — escutava apenas a Jesus e tudoo que enxergava era a sua glória.14 Ibid. p. 16-17.15 Ibid. p. 22.
  29. 29. O C a o s C a r i s m át i c o34Ele olhou para mim e disse: “Roberts, desejo que você estude a vida dosgenerais do meu grande exército no decorrer dos séculos. Conheça-os como apalma de sua mão. Saiba por que eles foram bem-sucedidos. Descubra por queeles falharam, e nada lhe faltará nessa área”.Ele se levantou, voltou pela porta, e, em um “clique”, a televisão voltou afuncionar. Eu continuei assistindo ao programa Laverne & Shirley.16Liardon chegou à fase adulta e, agora, é uma pessoa de desta-que no meio carismático. Grandes propagandas de seu ministériofiguram quase todos os meses na revista Charisma. No entanto, osrelatos de Liardon sobre o céu são bizarros, chegando ao ponto detolice. É inconcebível alguém ver Jesus face a face e voltar a assistira um episódio de Laverne & Shirley.Amaiorpartedoscristãosconsiderará,deimediato,ashistóriasdeLiardon como algo imaginário ou absurdo, quando não completamenteblasfemo. No mundo carismático, esses relatos não são rechaçados compresteza. Multidões ouvem esses relatos e desejam ter experiências se-melhantes.Emconseqüência,excursõesaocéutornaram-sealgochique— a “experiência suprema” para quem deseja algo incomum — e mui-tas pessoas alegam ter realizado essa viagem.17Em 11 de abril de 1977,uma canal de televisão carismático, sediado na região de Los Angeles,transmitiu uma entrevista com o Dr. Richard Eby — que afirmava termorrido, ido ao céu e retornado.16 Ibid. p. 26.17 Para não ser superada, Aline Baxley, “ex-alcoólatra e viciada em drogas”, dizter ido ao inferno e que “Deus a trouxe de volta para contar sua história”. Eladivulgou um folheto para contar sua história: “I Walked in Hell and There Is LifeAfter Death”. Charisma, p. 145, Nov. 1990. Anúncio.O testemunho de Aline Baxley pode ter sido a vanguarda de uma nova tendênciacarismática. Recentemente assisti a um episódio do programa “Clube 700” noqual uma mulher afirmava ter sentido o inferno, em uma experiência de quasemorte, durante uma cirurgia. Na semana seguinte, um amigo carismático en-viou-me um livro que asseverava ser divinamente inspirado e detalhava as visõesde uma mulher e suas experiências extracorpóreas no inferno. Baxter, Mary K.A divine revelation of hell. Washington: National Church of God, [19--].
  30. 30. 35A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?De acordo com o Dr. Eby, ele caiu da sacada, bateu a cabeça e,supostamente,morreu.Elerelataterexperimentadoo“Paraíso”.Suavista, anteriormente fraca, não precisavam mais de óculos; agora eleera capaz de enxergar centenas de quilômetros à frente. Seu corporecebeu uma qualidade maravilhosa — era capaz de se locomoveraonde desejasse; tornara-se visível, mas transparente.O Dr. Eby disse ter encontrado algumas flores, partiu-as e per-cebeu não haver água no caule, porque “Jesus é a água viva”.O aroma do céu era especialmente impressionante, por cau-sa do odor adocicado dos sacrifícios, o Dr. Eby falou. Ele disse queo cérebro humano possui doze nervos cranianos e acrescentouque os doze nervos representam as doze tribos de Israel. Alémdisso, ele declarou que o nervo principal do crânio de Deus é o doolfato. Eby disse ter aprendido que o propósito dos sacrifícios eraenviar um doce aroma ao céu, para satisfazer o nervo principal docrânio de Deus.Enquanto o Dr. Eby falava, o apresentador do programa deentrevistas dizia, repetidamente: “Maravilhoso! Fantástico! Isto ésubstancioso”.Substancioso? Nas Escrituras nada indica que o Dr. Eby ouqualquer pessoa que esteve no céu tenha recebido um corpo trans-parente que flutua no ar. O Cristo ressurreto não possuía um corpodesses. De acordo com a Bíblia, no céu os crentes não terão corposaté à sua ressurreição, quando Jesus voltar.18A respeito do doce aroma dos sacrifícios, o Dr. Eby expressouum entendimento completamente errado do sistema de sacrifíciosda Bíblia. A principal característica dos sacrifícios era a morte doanimal, não o odor de carne queimada (cf. Hb 9.22).Quanto à afirmação de que os doze nervos cranianos repre-sentam as doze tribos de Israel, também seria justo dizer que os18 Cf. Jo 5.28-29; 1 Ts 4.16-17.
  31. 31. O C a o s C a r i s m át i c o36dois olhos dos seres humanos representam as duas testemunhasde Apocalipse 11.1. Verifiquei, com um médico, a informação so-bre os doze nervos cranianos e descobri que se trata, na verdade,de doze pares de nervos, ou seja, vinte e quatro nervos. Talvezseja melhor dizer que eles correspondem aos vinte e quatro anci-ãos mencionados em Apocalipse 4!Esse tipo de adulteração negligente da palavra de Deus deve-ria incomodar o coração de qualquer cristão. No entanto, o Dr. Ebyfoi questionado no programa a respeito de suas bases bíblicas? Não!Disseram-lhe que suas informações eram “substanciosas” — ou seja,significavam substancialmente algum tipo de verdade mais profun-da. Mais profunda em comparação ao quê? À Bíblia? Certamente,não. O Dr. Eby teve uma experiência, e pelo fato de que a aborda-gem carismática permite que a experiência valide-se a si mesma,ninguém questionou as afirmações dele. As idéias do Dr. Eby foramouvidas em milhares, talvez milhões, de lares como exemplos das“coisas maravilhosas que Deus tem operado hoje”.Duas abordagens básicas do cristianismoCom certeza, Percy Collett, Dudley Danielson, Marvin Ford,Roberts Liardon, Aline Baxley e Richard Eby são, todos, exemplosextremos, mas não são incomuns. O testemunho deles representa oque se ouve comumente entre nossos irmãos carismáticos. Visto quegrande quantidade de experiências é relatada, na literatura e na mí-dia religiosa, um padrão sutil e sinistro está se desenvolvendo. Emvez de corresponder à interpretação adequada da Palavra de Deus, ocristianismoestácolecionandoexperiênciasfantásticaseinsensatas.A Bíblia é manipulada para adaptar-se a essas experiências ou com-pletamente ignorada. O resultado é o misticismo pseudocrístão.O misticismo é um sistema de crenças que almeja percebera realidade espiritual à parte de fatos objetivos e comprováveis.
  32. 32. 37A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Procura a verdade por meio de sentimentos, intuição e outras sen-sações interiores. As informações objetivas são freqüentementedescartadas; portanto, o misticismo deriva sua autoridade de simesmo. O sentimento espontâneo torna-se mais importante queo fato objetivo. A intuição sobrepuja a razão; a impressão inte-rior, a realidade externa. Veremos em breve que o misticismo é oâmago do existencialismo moderno, do humanismo e de muitasformas de paganismo — destacando-se o hinduísmo e seu aliado,a filosofia da Nova Era.O misticismo irracional encontra-se no âmago da experiênciacarismática. Ele subverteu a autoridade bíblica dentro desse movi-mento, substituindo-a por um novo padrão: a experiência pessoal.Não se deixe enganar, o efeito prático do ensino carismático é elevara experiência pessoal a um plano superior, em detrimento do en-tendimento correto das Escrituras. Isto corresponde exatamente àadvertência da mulher mencionada no início deste capítulo: “Ponhade lado sua Bíblia e seus livros e pare de estudar”. As “revelações” parti-culares e as sensações pessoais são mais importantes para ela do quea verdade eterna da Palavra inspirada de Deus.Existem apenas duas abordagens básicas da verdade bíblica.Uma é a abordagem histórica e objetiva, que enfatiza a ação deDeus entre os seres humanos — conforme as Escrituras ensinam.A outra abordagem é pessoal e subjetiva — enfatiza a experi-ência humana de Deus. Como devemos formar nossa teologia?Devemos nos dirigir à Bíblia ou às experiências de milhares depessoas? Se nos dirigirmos às pessoas, teremos tantas opiniõesquantos forem os indivíduos. Isto é exatamente o que aconteceem todo o movimento carismático moderno.A teologia objetiva e histórica é teologia da Reforma, é o evan-gelicalismo histórico, é a ortodoxia histórica. Começamos pelasEscrituras. Nossos pensamentos, idéias ou experiências são valida-dos ou não mediante a comparação com a Palavra.
  33. 33. O C a o s C a r i s m át i c o38Poroutrolado,oconceitosubjetivoéametodologiadocatolicismoromano histórico. Intuição, experiência e misticismo sempre tiverampapel central na teologia católica.19O conceito subjetivo também jaz nocoraçãodoliberalismoedaneo-ortodoxia(v.meuscomentáriossobreoassunto no Capítulo 3). Nesses sistemas, a verdade é determinada pelaintuição e pela sensação. A verdade é o que sucede ao intérprete.O conceito subjetivo também é a metodologia do pentecos-talismo histórico, surgido nos primeiros anos do século XX. Oshistoriadores carismáticos traçam a origem do movimento moder-no a um pequeno seminário bíblico em Topeka (Kansas), dirigidopor William Parham. Parham era adepto do movimento Holiness, oqual ensina que a santificação completa — o estado espiritual capazde alcançar a perfeição absoluta nesta vida — pode ser obtida peloscristãos mediante a “segunda bênção”, uma experiência marcante detransformação, subseqüente à salvação. Parham era um propagan-dista entusiasmado da cura pela fé. Após uma experiência na qualele afirmou ter sido curado de “uma doença cardíaca em sua piorforma”, jogou fora todos os remédios, cancelou seu seguro e recusouqualquer forma de tratamento médico pelo resto da vida.20Parham fundou o College of Bethel em 1900, e o estabeleci-mento encerrou suas atividades no ano seguinte. Todavia, o queaconteceu nesta escola em 1ode janeiro de 1901 espalhou-se portodo o cristianismo no decorrer do século XX.A metodologia bíblica usada pelo Bethel College era peculiar;empregava o conceito de “cadeia de referências temáticas”, popularnaqueles dias. Os tópicos principais deviam ser estudados mediante19 Quanto a uma abordagem edificante sobre o relacionamento entre a teolo-gia católica romana e o pensamento carismático, ver Clark, Gordon H. I Corin-thians: a contemporary commentary. Philadelphia: Presbyterian and Reformed,1975. p. 223-227.20 Synan, Vinson. The touch felt around the world. Charisma, p. 80, Jan. 1991.
  34. 34. 39A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?a leitura consecutiva do assunto, à medida que surgiam na Bíblia”.21Em outras palavras, estudavam-se tópicos usando uma concordân-cia para descobrir os termos-chave; jamais se estudou integralmenteum livro da Bíblia. Assim, nenhum versículo era considerado partedo contexto maior. Estudavam-se doutrinas por meio do exame doíndice das Escrituras, coligidos e isolados dos respectivos contextos.Portanto, a hermenêutica sadia e a exegese cuidadosa eram impossí-veis. Todavia, Parham possuía objetivos claros: “Quando o semináriofoi aberto, os alunos começaram a estudar as principais doutrinas domovimento Holiness”.22O historiador carismático Vinson Synanregistrou:Durante alguns anos, Parham se interessou especialmente pelas opiniõesdivergentes quanto ao recebimento do batismo no Espírito Santo. Por volta de1890, a maior parte das pessoas ligadas ao movimento Holiness equiparava obatismo no Espírito ao recebimento da experiência da santificação. Ensinavamque o fogo do Espírito Santo purificava o coração do pecado natural, capacitandoo receptor a testemunhar a outras pessoas e a viver de maneira vitoriosa. Entre-tanto, desde a época de John Wesley, o primeiro a enfatizar a segunda bênção,não havia nenhuma evidência comumente aceita do recebimento dessa bênção.Ao apresentar essa dificuldade aos alunos, Parham explicou que os adeptosdo movimento Holiness ensinavam teorias diferentes a respeito do recebimento dobatismo. “Alguns”, ele observou como exemplo, “afirmam ter recebido bênçãos ouevidências, como gritar ou saltar”. Ao mesmo tempo, durante vários anos, Parham vi-veu impressionado com a possibilidade de que a glossolalia [o falar em línguas] fosserestaurada na forma de facilidade para falar línguas estrangeiras, concedida a missio-nários,paraquenãomaistivessemdegastartempocomestudonormaldelínguas.2321 Ibid. p. 81-82.22 Ibid. p. 82.23 Ibid.
  35. 35. O C a o s C a r i s m át i c o40O interesse de Parham por essas questões determinou o cur-rículo da classe. Ele convocou os alunos e suas concordâncias paraajudá-lo a resolver o enigma.Nos últimos dias de novembro de 1900... Parham entregou aos alunosuma tarefa de casa incomum. Visto que tinha um compromisso de pregar emuma igreja de Kansas City, no final de semana, ele instruiu a classe:Os dons encontram-se no Espírito Santo; e, com o batismo do EspíritoSanto, os dons, bem como todas as graças, devem se manifestar. Portanto, alu-nos, enquanto eu estiver fora, percebam se não há alguma evidência do batismo,para não haja dúvidas sobre o assunto”.Aoretornar,em30dedezembro,Parhamencontrouoveredictounânime.Foi-lherelatado:“EmborahajacoisasdiferentesqueocorreramquandoabênçãodoPentecostesfoiderramada...aprovainequívoca,emtodasasocasiões,foiadequeaspessoasfalaramem outras línguas”. À luz desta conclusão, todo o seminário concordou em buscar umarestauraçãodopoderdoPentecostes,comaevidênciadefalaremlínguas.24Assim, a primeira pessoa dos tempos modernos a procurar obatismo do Espírito Santo com a evidência das línguas (e suposta-mente a recebê-lo) era uma aluna de Parham. O primeiro dia do anode 1901 foi escolhido como a data em que os alunos deveriam buscaro batismo. Bem cedo, na manhã do primeiro dia do século XX, umpequeno grupo de estudantes de Topeka deu início à reunião de ora-ção. Durante várias horas, nada incomum aconteceu. Então,Naquele dia, mais tarde, uma aluna de 30 anos, chamada Agnes Ozman,aproximou-se de Parham e pediu-lhe que impusesse as mãos sobre ela para orecebimento do Espírito Santo com o sinal apostólico de falar em línguas. Elatestemunhou: “Enquanto ele orava e impunha as mãos [sobre] minha cabeça,comecei a falar em línguas, glorificando a Deus. Falei diversas línguas. Isso setornou evidente quando [um dialeto] era falado. Glória a Deus!”2524 Ibid. p. 83.25 Ibid.
  36. 36. 41A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Depois disso, outros relataram o recebimento do Espírito San-to. A maior parte das pessoas testemunhou que não podia impediro falar as línguas; quando tentavam falar inglês, outras línguas flu-íam. Todos os presentes acreditavam que estavam falando línguasterrenas reconhecíveis. De fato, Agnes Ozman afirmou ter escritoem chinês, apesar de nunca ter estudado o idioma.26Essas experiências foram amplamente avaliadas à luz de todo ocontexto da Bíblia? A a exegese cuidadosa das passagens bíblicas sobrelínguas foi usada para interpretar alguma das experiências dos alunos?Atentou-se à possibilidade de ter sido um fenômeno demoníaco? Pelocontrário, Synan registrou: “Essa experiência confirmou o testemunhoe ensinamento de Parham, de que as línguas eram a evidência inicialdo batismo no Espírito Santo”.27Nenhum outro estudo bíblico sobre oassunto foi considerado necessário. Assim nasceu o pentecostalismo.Sessenta anos depois, o movimento carismático surgiu coma experiência de Dennis Bennett, reitor da Igreja Episcopal de SãoMarcos, em Van Nuys (Califórnia).28Hoje, tanto o movimento pen-tecostal como o carismático baseiam-se em experiências, emoções,fenômenos e sentimentos. Como escreveu Frederick Dale Bruner:26 Ibid.27 Ibid. Com relação à aplicação a missões, Synan acrescentou: “O significadomaior desse acontecimento para Parham jazia na crença de que as línguas eram‘xenoglossolalia’, ou seja, línguas estrangeiras conhecidas, que o Senhor poderiaconceder a futuros missionários, para a evangelização de outros países. Isso, maistarde, solidificou-se na mente dele quando lingüistas e intérpretes estrangeirose governamentais visitaram a escola e disseram que pelo menos vinte línguas edialetos eram falados e compreendidos com perfeição”. (Ibid.)Entretanto, nenhuma dessas afirmações foi confirmada de modo independen-te. Se fossem verdadeiras, tornar-se-ia difícil explicar o fracasso do seminárionaquele mesmo ano. Segundo as expectativas, Bethel deveria ter se tornado omaior centro de treinamento missionário da história da igreja. Porém, desconhe-ço qualquer missionário — de Bethel ou de outra organização carismática — quetenha usado as línguas na maneira concebida por Parham.28 Bennett, Dennis. Nine o’clock in the morning. Plainfield, NJ: Logos, 1970.
  37. 37. O C a o s C a r i s m át i c o42Em resumo, o pentecostalismo deseja ser considerado cristianismo experi-mental, cuja experiência mais elevada é o batismo do crente no Espírito Santo...É importante observar que não é a doutrina, e sim a a experiência com oEspírito Santo que os pentecostais fazem questão de salientar.29Pedro era carismático?É interessante especular se Pedro seria um carismático, sevivesse hoje entre nós; porque ele mesmo falou em línguas, curoupessoas e profetizou. Também passou por experiências fantásticas.Por exemplo, ele testemunhou com os próprios olhos a transfigura-ção de Cristo, conforme relatou em 2 Pedro 1.16-18.Essa experiência o deixou atordoado e o levou a balbuciar algoa respeito de fazer três tendas naquele lugar: uma para Jesus, outrapara Elias e outra para Moisés — porque estar ali era agradável atodos eles (Mt 17.1-4). Ele estava tão emocionado, por causa da ex-periência, que, como sempre, disse a coisa errada.Apesar disso, foi uma experiência incrível. Jesus pôs de lado o véuda sua carne e revelou sua glória, a glória a ser manifestada em sua se-gunda vinda. Pedro, Tiago e João vislumbraram a segunda vinda. Essafoi a “majestade” a respeito da qual Pedro falou em 2 Pedro 1.16.No entanto, Pedro baseou sua teologia em experiências seme-lhantes a essa? Leia 2 Pedro 1.19-21:Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem ematendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia cla-reie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: quenenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nun-ca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens[santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.29 Bruner, Frederick D. A Theology of the Holy Spirit, Grand Rapids: Eerdmans,1970. p. 21. Ênfase no original.
  38. 38. 43A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Uma melhor tradução do texto grego, no versículo 19, seria: “Te-mos a confirmadíssima palavra profética”. Outra tradução mais claraseria esta: “Temos ainda mais firme a palavra profética”. Mais firme emcomparação ao quê? À experiência. Na verdade, Pedro estava dizendoque, embora a transfiguração tivesse sido uma experiência maravilho-sa, a Escritura era o teste mais fidedigno de sua fé. Ainda que houvessecontemplado o próprio Senhor em sua glória, Pedro estava certo de quea palavra de Deus, registrada por homens movidos pelo Espírito Santo,era um fundamento mais sólido para sua fé.O principal ensino de Pedro era exatamente aquilo que tan-tos carismáticos não conseguem entender: toda experiência tem deser testada pela palavra mais firme da Escritura. Quando procuramosa verdade sobre a vida e a doutrina cristã, não podemos descansarapenas na experiência de alguémpessoal. Temos de alicerçar todo onosso ensino na Palavra de Deus revelada. A maior deficiência domovimento carismático é dar mais valor à experiência do que à Pala-vra de Deus, para determinar o que é verdade.A maior parte dos carismáticos crê que o progresso na vidacristã significa possuir algo mais, algo melhor, alguma experiênciaeletrizante. Um ex-carismático, membro de nossa igreja, disse-mepor que sua frustração crescia no movimento carismático: “Passa-se o resto da vida à procura de outra experiência”. A vida cristã setransforma em uma peregrinação de experiência em experiência; e,se cada experiência não for mais espetacular que a anterior, muitaspessoas começarão a imaginar que algo está errado.Ouvi certo homem na televisão dizer que guiava o carro quando,repentinamente, ele olhou e viu Jesus sentado a seu lado, em forma fí-sica.Ohomemdisse:“Issofoimaravilhoso.EudirigiaeconversavacomJesus;Eleestavasentadoameulado”.Emseguida,eleafirmou:“Setiverfé suficiente, poderá conversar com Jesus — Ele aparecerá para você!”A Bíblia diz a respeito de Cristo: “Aquem,nãohavendovisto,amais;no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e
  39. 39. O C a o s C a r i s m át i c o44cheia de glória” (1 Pe 1.8 — ênfase acrescentada). É evidente que Pe-dro não acreditava na possibilidade de que seus leitores vissem a Jesus;tampouco achava que essas visões eram necessárias à fé, esperança,amor ou alegria. Apesar disso, vários carismáticos concluíram que vocêpode experimentar a presença física de Jesus, se tiver fé suficiente.Não são apenas carismáticos mal informados ou imaturos queconcebem essas experiências. Há alguns anos, almocei com um pastorcarismático muito conhecido e influente. Era também um autor mui-to lido e uma pessoa freqüente nos meios de comunicação dos EstadosUnidos. Ele me disse: “De manhã, quando me barbeio, Jesus entra nobanheiro, põe o braço à minha volta e conversamos”. Ele pausou paraavaliar minha reação e disse-me: “John, você acredita nisso?”“Não, não acredito”, respondi. “Porém, o que mais me incomo-da é o fato de que você acredira.”“Por quê?”, ele perguntou. “Por que é tão difícil você aceitar aidéia de que Jesus vem visitar-me pessoalmente a cada manhã?”Eu pensei: será que ele continua fazendo a barba?Ou cai de temore tremor na presença do Senhor santo e glorificado? Quando Isaías viuo Senhor no trono, ele disse: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6.5) Pe-dro viu o Senhor e prostrou-se, dizendo: “Senhor, retira-te de mim,porque sou pecador” (Lc 5.8). Não creio que alguém pudesse conti-nuar a barbear-se na presença do Senhor ressurreto!A razão pela qual tantos carismáticos parecem ser atraídos porsupostas visões de Jesus e passeios pelo céu é o fato de cometeremo mesmo erro promovido por Henry Frost, em seu livro MiraculousHealing (Cura Miraculosa):Podemos afirmar com certeza: à medida que a apostasia se desenvolve, Cristomanifestará sua divindade e senhorio, em medida crescente, por meio de sinais emilagres, incluindo curas. Não devemos dizer, portanto, que a palavra é suficiente.3030 Frost, Henry. Miraculous healing. New York: Revell, 1939. p. 109-110.
  40. 40. 45A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?Não devemos dizer que a Escritura é suficiente? O próprio Deusafirma a suficiência de sua Palavra! (Sl 19.7-14; 2Tm 3.15-17). Quemé Henry Frost para dizer o contrário?Emboramuitoscarismáticosnãoafirmemsuaposiçãotãoclaramen-tecomoFrost,averdadeéque,noâmagodoseusistemadecrenças,existea negação da suficiência da Bíblia. Eles são culpados do mesmo tipo depensamentoqueFilipeexpressouemJoão 14.6-9.Jesusestavacomosdis-cípulosnaúltimaceiaedeclarou:“Eusouocaminho,eaverdade,eavida;ninguémvemaoPaisenãopormim.Sevósmetivésseisconhecido,conhe-ceríeistambémameuPai.Desdeagoraoconheceiseotendesvisto”.Jesus disse algo maravilhoso nessa ocasião. Ele mostrara aosdiscípulos que os deixaria. Agora, os consolava ao dizer que não la-mentassem; eles tinham visto o Pai nEle e conheceram a Deus porintermédio dEle. Tudo ficaria bem.Contudo, Filipe não estava satisfeito. Não lhe era suficienteouvir as palavras de Jesus. Aparentemente, Filipe precisava de algomais — uma visão, um milagre, um sinal, qualquer coisa — porqueafirmou: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta” (Jo 14.8). Emoutras palavras: “O que disseste e fizeste não é suficiente. Tua pro-messa não é o bastante. Prova-a. Faze algo mais por nós — dá-nosuma visão de Deus; dá-nos uma experiência”.Jesus ficou visivelmente ofendido com o pedido de Filipe. Eledisse, com tristeza: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não metens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai” (14.9). Isso equivale a:“Filipe, eu não sou suficiente? Você me viu, tem observado minhasobras, tem ouvido minhas palavras e precisa de mais?”As palavras de Filipe foram um insulto a Deus, o Filho. É triste,masmuitaspessoashojerepetemomesmoinsulto,aoprocuraremalgomais. Insultam a Deus, que se revelou de modo suficiente na Escritura.Ninguém deveria preferir experiências à Palavra de Deus. TodaexperiênciadeveserexaminadaevalidadapelasEscrituras.Qualqueroutro tipo de experiência é falso. Lembram-se dos dois discípulos
  41. 41. O C a o s C a r i s m át i c o46solitários, de coração aflito, que andaram com o Senhor a caminhode Emaús (Lc 24.13-35)? À medida que prosseguiam pelo caminho,Jesus lhes abriu as Escrituras. Começando por Moisés e pelos Pro-fetas, ensinou-lhe o que se referia a Ele mesmo. Mais tarde, elesdeclararam: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelocaminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (24.32).Esses discípulos tiveram uma experiência; o coração lhes ardiano peito. Contudo, antes da experiência, o Senhor lhes abriu as Es-crituras. A Bíblia descrevem, repetidas vezes, a alegria, a bênção ea experiência (v. Sl 34.8; Ml 3.10). Todas essas experiências, casodetenham valor, conformam-se totalmente com o plano de Deus re-velado nas Escrituras e procedem do estudo e da obediência à Palavrade Deus — e não da busca por algo além do que Deus nos revelou.Paulo confiava na experiência?O que dizer do apóstolo Paulo? À semelhança de Pedro, eletambém foi alguém dotado de maneira incomum. E, com certeza,passou por experiências espantosas, como a conversão súbita na via-gem para Damasco. Viu uma luz tão brilhante que o cegou. Ouviuuma voz. Caiu ao chão. Num instante, ele foi transformado de assas-sino de cristãos em escravo do Senhor Jesus Cristo (At 9).Quando Paulo começou a pregar e ensinar, fez de sua experi-ência o ponto central da mensagem? O texto de Atos 17.2 e 3 tornaclara a origem bíblica de seu discurso: “Paulo, segundo o seu costume,foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Es-crituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristopadecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo,Jesus, que eu vos anuncio” (ênfase acrescentada).MesmodepoisquePaulofoilevadoaoterceirocéu(2Co 12.1-4),Ele não teve permissão de falar o que viu. Evidentemente, que Deusnão achava que essa experiência causaria mais impacto ou credibi-
  42. 42. 47A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?lidade à mensagem do evangelho do que a simples pregação de suaverdade. Isso contrata profundamente com a abordagem do movi-mento contemporâneo de sinais e maravilhas (ver Capítulo 6).Perto do final de sua vida, Paulo teve uma argumentação sobrea Palavra de Deus. Enquanto era mantido preso em Roma, “vieramem grande número ao encontro de Paulo na sua própria residência.Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em tes-temunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito deJesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas” (At 28.23).É lastimável que muitos carismáticos não sigam os passosde Paulo. Em vez disso, seguem a trilha dos teólogos liberais eneo-ortodoxos, existencialistas, humanistas e pagãos. É inques-tionável que a maior parte dos carismáticos faze isso de modoinvoluntário. Eles diriam: “Cremos na Bíblia. Não queremos con-tradizer as Escrituras; desejamos defender a Palavra de Deus”.Apesar disso, os carismáticos são vítimas de uma terrível tensão,enquanto tentam defender a Bíblia e, ao mesmo tempo, fazemda experiência a autoridade prática. Os conceitos dos líderes eteólogos carismáticos demonstram esse conflito.Por exemplo, Charles Farah tentou harmonizar a tensão entre apalavra de Deus e as experiências. Atentando ao fato de que existemdois vocábulos gregos traduzidas por “palavra”, ele criou a teoria deque logos é a Palavra objetiva e histórica, e rhema é a Palavra pessoal,subjetiva. O problema com essa conceituação é que nem o significa-do do grego nem o uso neotestamentário fazem qualquer distinçãodesse tipo. Logos, disse Farah, transforma-se em rhema quando sedirige a você. O termo logos é forense, ao passo que rhema é expe-rimental. Farah escreveu: “O logos nem sempre se transforma emrhema, a Palavra de Deus para você”.31Ou seja: o logos se transforma31 Farah, Charles. Toward a theology of healing. Christian Life, v. 38, p. 78, Sept.1976.
  43. 43. O C a o s C a r i s m át i c o48em rhema quando fala pessoalmente a você. O logos histórico e ob-jetivo, no sistema de Farah, carece de impacto transformador, atétransformar-se em rhema — a palavra divina pessoal para você.Isso soa perigosamente semelhante ao que os teólogos neo-or-todoxos têm dito há anos: a Bíblia se torna a Palavra de Deus apenasquando se dirige a você. Todavia, a Palavra de Deus é a Palavra deDeus, quer alguém experimente o seu poder, quer não. A Bíblia nãodepende da experiência de seus leitores, para que se torne a Palavrade Deus inspirada. Paulo afirmou que a Escritura era capaz, em e porsi mesma, de tornar Timóteo “sábio para a salvação” (2 Tm 3.15). Elanão precisava da experiência de Timóteo para validá-la.E Paulo acrescentou: “Toda a Escritura é inspirada por Deus eútil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educa-ção na justiça” (3.16). Ele declarou que as Escrituras eram inspiradas eúteis, e não que elas se tornariam inspiradas e úteis, dependendo daexperiência do leitor. Evidencia-se que a Palavra de Deus é completa-mente suficiente.Entusiasmados, mas ingênuosEm sua maioria, os carismáticos parecem ser sinceros. Mui-tos deles parecem os judeus sobre os quais Paulo afirmou: “Porquelhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não comentendimento” (Rm 10.2). Os carismáticos têm zelo sem conheci-mento; são entusiasmados, mas falta-lhes esclarecimento. Comoafirmou John Stott: “Eles são entusiasmados, mas ingênuos”.32Ao fazerem da experiência o principal critério da verdade, re-velam o que Stott designa “antiintelectualismo deliberado”.33Elesabordam a vida cristã sem a mente, sem pensar, sem usar o en-tendimento. De fato, alguns carismáticos dizem que Deus concede32 Stott, John R. W. Your mind matters. Downers Grove, Ill.: IVP, 1972. p. 78.33 Ibid. p. 10.
  44. 44. 49A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?deliberadamente às pessoas expressões ininteligíveis, a fim de me-nosprezar e humilhar o orgulhoso intelecto humano.Entretanto, o conceito de que Deus deseja suplantar ou matarnossa mente racional é evidentemente antibíblico. Deus afirmou: “Vin-de,pois,earrazoemos”(Is 1.18);e:“Transformai-vospelarenovaçãodavossa mente” (Rm 12.2 — ênfase acrescentada). Deus deseja a renova-çãodenossamente,nãooseudesprezo.Elesedeuaconhecermedianteuma revelação racional que exige o uso da razão e o entendimento daverdade histórica e objetiva (cf. Ef 3.18; 4.23; Fp 4.8; Cl 3.10).Toda a revelação divina é dirigida à percepção, ao pensamen-to, ao conhecimento e ao entendimento. Esse é o principal ensinode Paulo em 1 Coríntios 14 — passagem-chave da questão caris-mática. Ele conclui esse grande capítulo com as seguintes palavras:“Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendi-mento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua”(14.19). Quem conhece a Cristo deve usar a mente para apreendera verdade divina. Não somos instruídos a confiar nas emoções e atentar extrapolar a verdade com base nas experiências. Como escre-veu James Orr: “A religião divorciada do pensamento sério e nobresempre demonstrou, em todo o curso da história da igreja, a tendên-cia de tornar-se fraca, estéril e prejudicial”.34Com certeza, devemosresponder à verdade por meio das emoções, mas devemos, em pri-meiro lugar, apreendê-la com o entendimento e nos submetermos aela com a vontade.A origem da teologia experimentalO misticismo, o conceito de que a teologia pode proceder da ex-periência pessoal, não se originou nos carismáticos. Diversas outras34 Orr, James. The christian view of god and the world. New York: Scribner’s,[19--]. p. 21.
  45. 45. O C a o s C a r i s m át i c o50influências,todasanticristãs,contribuíramparaaformaçãodoconceitoda teologia experimental: existencialismo, humanismo e paganismo.O existencialismo é um ponto de vista filosófico que afirma o ca-ráter absurdo e a falta de significado da vida.35Ensina que devemosser livres para agir segundo nossos desejos, desde que estejamosdispostos a assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Os exis-tencialistas se preocupam primariamente com a maneira como elesse sentem. Não prestam conta a nenhuma autoridade; na verdade,eles se tornam fonte de autoridade para si mesmos. Crêem que averdade é tudo o que nos arrebata e nos põe em movimento.
  46. 46. 51A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?O humanismo é a filosofia que preconiza o poder ilimitado dahumanidade.37Dêem às pessoas tempo e educação suficientes, e elaspoderão solucionar qualquer problema. Sendo meio-irmão do exis-tencialismo, o humanismo estimula as pessoas a se auto-afirmareme a serem alguém. Nesta era tecnológica, em que muitas pessoas sesentem apenas como um número, destituídas de um nome verda-deiro, o humanismo é muito atraente. Vivemos nos dias de fórunsdos ouvintes, dos programas de entrevistas e de trivialidades. Todosquerem se fazer ouvir e acham uma oportunidade.O humanista, à semelhança do existencialista, não reconheceuma autoridade suprema. A verdade é relativa. A verdade é o quemenos importa; a questão é: “O que você acha?” Inexistem absolutos,e cada um faz o que é certo aos próprios olhos (cf. Jz 21.25).38O paganismo é outro exemplo de teologia experimental. A maiorparte das crenças e práticas pagãs têm raízes nas religiões de mistériosurgidas em Babel. No tempo de Cristo, as pessoas, em todo o mundogreco-romano,participavamdereligiõesdemistério,comseusmúltiplosdeuses, orgias sexuais, idolatria, mutilação e, talvez, sacrifícios huma-nos. Os historiados afirmam que os participantes dessas práticas pagãsexperimentavam sentimentos de paz, alegria, felicidade e êxtase.37 Quanto a uma avaliação do humanismo, ver Geisler, Norman L. Is man themeasure? Grand Rapids: Baker, 1983.38 Quanto a um debate sobre a natureza absoluta da verdade, ver:- Barrett, William. Irrational man. Garden City, N.Y.: Doubleday, 1962.- Schaeffer, Francis A. How should we then live? Old Tappan, N.J.: Revell, 1976.
  47. 47. O C a o s C a r i s m át i c o52O historiador Samuel Angus escreveu: “O devoto poderia, emêxtase, sentir-se acima das limitações comuns, para contemplar avisão beatífica [Deus] ou, entregue ao entusiasmo, crer que estavainspirado por ou cheio de Deus — esse fenômeno é, em alguns as-pectos, similar às experiências dos primeiros cristãos a respeito doderramamento do Espírito”.39De acordo com Eugene H. Peterson, a teologia experimentaltambém era o cerne do culto a Baal, a religião dos cananeus:A ênfase do baalismo era a ligação psicológica e a experiência subjetiva... Atranscendência da divindade era sobrepujada no êxtase das sensações...O baalismo é a adoração reduzida à estatura espiritual do adorador. Seuscânones são: ser interessante, relevante e estimulante...O javismo [o judaísmo do Antigo Testamento] estabeleceu uma forma deadoração centrada na proclamação da palavra do Deus da aliança. O javismo ape-lava à vontade. A racionalidade do ser humano inteligente era destacada, quandoeste era convocado pessoalmente a corresponder à vontade de Deus. No javismodizia-se algo: palavras que chamavam os homens a servir, amar, obedecer, agir demodo responsável, decidir...A distinção entre a adoração culto a Baal e a adoração a Javé equivale àdistinção entre a abordagem da vontade do Deus da aliança, que deveria sercompreendida, conhecida e obedecida, e a abordagem da força cega e vital danatureza, que poderia ser apenas sentida, absorvida e imitada.40Atualmente, com a ênfase exagerada na experiência, muitosadeptos do movimento carismático encontram-se perigosamentepróximos de um tipo de neobaalismo! A experiência pode ser umaarma perigosa nas mãos de Satanás. Ele se deleita em fazer cristãosprocurarem experiências em detrimento da Palavra de Deus.O cristianismo está em perigo. Temos sido vítimas do espíri-39 Angus, S. The mistery-religions and christianity. New York: Dover, 1075. p. 66-67.40 Peterson, Eugene H. Baalism and yahwism updated. Theology for Today,p. 139-41, July 1972.
  48. 48. 53A e x pe r i ê n c i a é u m t e s t e vá l i d o d a v e rd a d e ?to de experiências de nossos dias. O legado do misticismo, com suaprole filosófica e religiosa — existencialismo, humanismo e paga-nismo — se alastrará por toda a igreja, se não formos vigilantes.As experiências podem ser produzidas por fenômenos psicológicos,fisiológicos ou demoníacos. O único teste verdadeiro para toda expe-riência é este: está de acordo com a Palavra de Deus?A batalha pela Bíblia se intensificaO aclamado livro de Harold Lindsell The Battle for the Bible (ABatalha pela Bíblia)41foi bem intitulado. A batalha pela Bíblia temdurado séculos e intensificou-se há pouco mais de cem anos. Desdeo final do século XIX até o início da década de 1920, teólogos liberaise neo-ortodoxos lançaram um ataque frontal contra a autoridadebíblica, acusando, abertamente, a Bíblia de erro. Agora o segundoataque, mais sutil, vem da porta de trás, e as pessoas enredadas pelocristianismo de experiências parecem liderar a investida, atacando aBíblia por questionarem a sua suficiência. Esse tipo de experimenta-lismo mina a autoridade da revelação divina, do mesmo modo comoo liberalismo o tem feito durante várias décadas.Um artigo escrito por Robert K. Johnson, publicado na revistaChristianity Today (Cristianismo hoje), descreve a recente mudançana teologia evangélica:Os evangélicos estão começando a... analisar a viabilidade de uma teologiabaseada na experiência. Influenciados pelos defensores da abordagem carismática(por exemplo, Michael Harper, Robert Mumford, Dennis Bennett, David Wilkerson,Larry Christenson) ou da abordagem relacional (por exemplo, Bruce Larson, KeithMiller,CharlieShedd,WesSeeliger,RalphOsborne),osevangélicosestãocomeçandoaelaborarsuasteologiasemtornodoquesignificaparaohomemoestarnapresençade Deus [e não em torno da verdade objetiva da Palavra de Deus].41 Lindsell, Harold. The battle for the Bible. Grand Rapids: Zondervan, 1976.
  49. 49. O C a o s C a r i s m át i c o54... Essacrescentetentativamodernaéoreversodaabordagem[dosreformado-res] quanto à fé cristã. Os evangélicos estão sugerindo que a teologia deve passar doEspírito para a Palavra, e não da palavra para o Espírito — o padrão de sua herança.Influenciados pelo mundo cristão, os evangélicos que adotaram a abor-dagem relacional (“incarnacional”) ou carismática (“neopentecostal”) para a suateologia desafiam cada vez mais seus irmãos na fé a reconsiderarem o evangelhocom base em sua própria experiência com ele. Eles alegam que a teologia evangé-lica tradicional é, em grande parte, irrelevante ou inadequada...A prescrição para a saúde que tem sido crescentemente anunciada noevangelicalismo é: a igreja deve estabelecer uma teologia relevante e adequada,que não comece com a reflexão sobre a pessoa de Cristo, e sim com a reflexãosobre nossa experiência com Ele, por intermédio do Espírito Santo.42Em outras palavras, alguns evangélicos contendem agora quea teologia relevante deve começar pela experiência subjetiva, e nãopela revelação objetiva. Vista dessa forma, a teologia é apenas umaexplicação da experiência. A verdade objetiva não tem qualquer sen-tido, se não a experimentarmos.Esse é o tipo de pensamento que levou Larry Christenson, umluterano carismático famoso, a escrever: “Existe a sã teologia bíblicado batismo com o Espírito Santo. Todavia, o batismo com o EspíritoSanto não é uma teologia que deve ser debatida ou analisada. É umaexperiência na qual entramos”.43Admitoqueessamaneiradeconsideraradoutrinapossuicertoape-lo. A ortodoxia fria, sem vida é o resultado inevitável de isolar a verdadeobjetiva da experiência vibrante. Mas a resposta à ortodoxia fria não é aelaboraçãodeumateologiabaseadanaexperiência.Aexperiênciagenuínadeve proceder da sã doutrina. Não devemos basear o que cremos naquiloquetemosexperimentado.Ocontrárioéverdadeiro.Nossasexperiências42 Johnson, Robert K. Of tidy doctrine and truncated experience. ChristianityToday, p. 11, Feb. 1977.43 Christenson, Larry. Speaking in tongues. Minneapolis: Dimension Books,1968. p. 40.

×