O capital da noticia

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O capital da noticia

  1. 1. O Capital da NotíciaII. Imprensa e EstruturaçãoEconômica da sociedade.
  2. 2. “O Leitor torna-se um objeto domercado que paga até mesmo pelo papel noqual ele é embrulhado.” Prospekt-Tageszeitung
  3. 3. O caráter de mercadoria daInformação• O saber tradicional• Valor de Uso e de Troca da Notícia• Imprensa e capitalismo• Marketing no jornalismo• Jornalismo e Literatura
  4. 4. O saber tradicional •Friedrich Geyrhofer investiga a fundação da informaçãona sociedade atual a partir de sua comparação com outrasformas de cultura; •Ele compara A Igreja com uma Universidade: Osacerdote e o professor sabem algo que é, primeiramente,inacessível aos estudantes e aos leigos. Não é o conteúdo,mas a autoridade do sabedor que o define.
  5. 5. •O Jornal separa a informação prática (vendável) doconjunto de fatos e dados culturais. Ele trabalha com o que éimediato e direto, separando o “disseminável” do absorvível; O professor professa. O jornalista informa. •Informação é poder. No jogo do poder estão implícitasas relações de dominação. O saber é negociável e servecomo moeda para a ascensão na sociedade. Ex.: Os escribas eram privilegiados nas antigassociedades.
  6. 6. •A “Queima de Arquivo” nos dias atuais seriam asliquidações sumárias dos “mais informados” na antiguidade; •A informação passa a ser usada como instrumento deopressão. O saber secreto passa a ser uma arma; •Informação significa Status.
  7. 7. Valor de Uso e de Troca da Notícia •Marx dizia que as notícias são a forma elementar de riquezano capitalismo e que elas são um tipo de mercadoria; •O jornal é produzido para a venda. Seu produto são asinformações transformadas em notícias. Uma informação pura esimples não tem valor antes de sua transformação; •Algo só se transforma em notícia se há alguém que podedestacar os aspectos positivos ou negativos do fato ocorrido.
  8. 8. •O valor de uso não é somente a notícia e ainformação, e o valor de troca não é somente acompra. As duas esferas se mesclam em algunscasos.
  9. 9. •Para o consumidor, o valor de uso se concretiza nacompra do jornal e com a sua leitura, quando ocorre o usopropriamente dito do jornal; •A mercadoria notícia é uma das mais perecíveis e seuvalor de uso cai rapidamente; •Para o editor, o valor só se realiza na troca, a obtençãodo dinheiro. Para ele, o valor de uso é apenas um meio paraa concretização do seu valor de troca.
  10. 10. Imprensa e capitalismo• No capitalismo, a imprensa é uma mercadoria. A ilusão, segundo Geyrhofer, é acreditar em um jornalismo objetivo;• Na teoria, uma sociedade não capitalista nos levaria a um jornalismo menos alienado e manipulador. Ou seja, um jornalismo não manipulador é uma utopia.• Não há como se libertar da forma capitalista de se fazer uma matéria. O que haveria é a mudança no tratamento
  11. 11. Marketing no jornalismo Quando falamos de jornalismo como atividade econômica, há duas maneiras de atuar para o público:3.Uma atuação arrojada, construtora de opinião crítica, com novas ideias e participação política;5.Atuar de acordo com o que é dado e esperado. (Marketing Jornalístico)• No primeiro caso, o receptor “estranha “o que é “novo”, pois acha que seu universo é “ameaçado”. Esta maneira geralmente gera insegurança e a primeira reação pode ser a rejeição imediata.
  12. 12. •No segundo caso, não há ruptura de padrões,nem crisecom o leitor. É apenas uma confirmação de informação; •A Mercadologia no jornalismo é vender a notícia comose ela fosse uma mercadoria qualquer; •O marketing nessa área investe em pesquisas e naatividade publicitária, ou seja, maior possibilidade devendas. O foco nesta indústria também é o lucro.
  13. 13. •A estratégia para se obter este lucro é a empresarial,orientando a linha editorial e a programação do jornal. •A pesquisa mercado lógica no jornalismo é um Copy-Test. Esta técnica investiga as notícias mais observadaspelo leitor, o produto indispensável; •Esta é a orientação do “correr atrás” do que está namoda, trata-se do oportunismo e do populismo. A massareceptora é quem menos ganha com esse tipo de orientaçãojornalística.
  14. 14. •Criticar o marketing não significadesconsiderar a importância do público ou doconsumidor, pois ele são a fonte de sobrevivênciada imprensa. Porém isso não justifica a abdicaçãoda imprensa do papel de agente político em trocade noticiar aquilo que já é esperado apenas porrazões de lucro imediato.
  15. 15. Jornalismo e Literatura •Marx questiona se as grandes lendas épicas nãodesapareceriam com as novas tecnologias de produçãojornalística, ele afirma que a imprensa de massa acabaria comas condições necessárias para que elas existissem. •Isso não é ligado apenas às técnicas, mas sim aapropriação do trabalho e da criação humana. Tais produçõessão marginalizadas na produção comercial do jornal. •Para se afirmar como “produção independente”, a literaturatentou fugir da estagnação da linguagem imposta pelojornalismo.
  16. 16. •A poesia e a literatura não se subordinam à ditaduradas formas jornalísticas e a lógica da mercadoria quetrabalha com o facilmente inteligível, com o direto e“mastigado”. Elas são uma expressão subjetiva, ummanifesto humano; •Na elaboração de notícias não há espaço para oindivíduo, o para o ser humano com um criador deinformação.
  17. 17. As Formas de encobrimento efalseamento O jogo com o texto noticioso • A fragmentação da realidade • A personificação dos processos sociais • Outros Processos  O uso da linguagem e da técnica  A política do destaque e da supressão de informações
  18. 18. As Formas de encobrimento e falseamento •A edição de uma matéria é o principal modo demanipulação. É nessa fase que se opera a adaptaçãoideológica da notícias e sua estruturação com fins deinteresse de classe e valorização; •Normalmente, este falseamento não é intencional. Namaior parte das vezes ele vem da forma que o jornalistaestrutura os fatos, de maneira inconsciente.
  19. 19. •A uniformização da notícia no estilo do jornal podemoldá-la ideologicamente. As normalizações técnicas decomo fazer uma notícia tiram grande parte do potencialcrítico que ela pode vir a ter; •O Autor caracteriza três formas de falsear ou encobriruma notícia: Visão Fragmentada Uso das técnicas de linguagem Sonegação das informações indesejáveis
  20. 20. O jogo com o texto noticioso – A fragmentação da realidade •O Autor pega o conceito de Alienação de Marx e oune ao conceito de Fracionamento de Atividade Primitivade Brückener para gerar o conceito de “ConsciênciaDividida”. O trabalhador não reconhece o produto finalcomo uma “obra sua”; •Conceitos como Estado Moral e Igreja não são obrasda humanidade, estes conceitos têm vida própria.
  21. 21. •A consciência e o relacionamento do indivíduo sãomediados pelo processo fragmentador; •A fragmentação (disposição do mundo numaperspectiva burguesa) produz mentalidades fragmentadasque veem o contexto social (realidade) sem nexo eordem; •Para uma mente fragmentada, uma notícia fragmentada.
  22. 22. •Na notícia fragmentada os fato não tem lógica entresi. Não tem algo que os explique. A fragmentação indicaimediaticidade; •A produção d notícias fragmentadas é uma técnicamercadológica. Apaga-se o contexto histórico e social danotícia e ela é colocada no mercado com determinadosaspectos destacados. Não é transmitido um processo detrabalho. É um fato sem origem e vinculação com algoque o explique.
  23. 23. •O contexto da noticia é dividido e transmitido a um públicoque não consegue selecionar os fotos fragmentados eentendê-los no contexto original; •A história da notícia é compartimentada, reduzida afragmentos desconexos para que o público não consigaanalisar o processo de evolução da notícia; •Isto também acontece na política e na história. A Fragmentação da estrutura da notícia torna o homeminconsciente de sua dominação.
  24. 24. A personificação dos processos sociais • A Personalização dos fatos e das notícias estáassociada à intimização das questões públicas,banalização dos fatos e do culto à personalidade; •Está técnica faz o público questionar as vantagens eas desvantagens das pessoas e não as condições dosistema social; •Os fatos não tem relação com a realidade.
  25. 25. •A fragmentação pode ser interpretada com umestratégia: “ dividir para vender mais”; •O Autor salienta que a história não é feita de grandenomes, apenas. Os grandes nomes faziam parte de umaclasse e defendiam seus interesses. Quando oshistoriadores os separam da classe de origem eles aisentam de culpa. A guerra não é o interesse de uma classee sim de uma única pessoa, com se ela possuísse poderessobre naturais e se impusesse diante da sociedade comoum todo.
  26. 26. •Um exemplo desta situação é o populismo na AméricaLatina: Políticos como figuras fortes, paternais e populares; •Isto cria a ideologia do destino - os problemas não têmuma organização específica, eles simplesmente “caem docéu”; •A personificação “positiva” como produto, é aperseguição dos agentes dos males sociais. Os bodesexpiatórios.
  27. 27. •O Bode Expiatório serve para pregar a desconfiança ea falta de solidariedade. Tem um efeito ideológico; •O Terrorismo é um filho da ideologia da notícia. Seriauma maneira de divulgar de maneira forçada uma notícia; •Grupos extremistas utilizam de ataques terroristas,porém causam uma reação oposta da população e dogoverno, que responde com um bloqueio de notícias.
  28. 28. • Neste processo a política se separa da população e se torna um assunto apenas de especialistas;• A personificação, aliada à fragmentação desinforma as pessoas;• A notícia passa a ser dada com algo para o entretenimento e recreação para as horas vagas.
  29. 29. Outros Processos •A falsidade também é outra técnica deturpar arealidade em uma notícia; •A Burguesia manipula os fatos, selecionando as fontesconvenientes e as favorecem de acordo com a suaperspectiva; •As fontes geralmente “são as testemunhas da multidãohistórica” e seus depoimentos são distorcidos.
  30. 30. • A Saturação para se animar o consumo e ondas de opinião, histerias públicas e mitologias ideológicas são divulgadas nos veículos de massa;• A Polarização de conceitos e o maniqueísmo forçam ao leitor a optar entre dois extremos. Bem e Mal, Certo e Errado.
  31. 31. O uso da linguagem e da técnica •O uso de linguagens técnicas com um tom oficial emformulações anônimas favorecem um comportamento receptivoda população; •A notícia que se utiliza destes artifícios passa imagensneutras e sociais, mas na maioria das vezes possuem tom direto,restritivo e imperativo; •O uso de termos técnicos, gráficos e tabelas, onde asinformações podem ser encobertas e manipuláveis dificultam oentendimento.
  32. 32. •A “técnica redacional” é quem opera a transformação danotícia nos padrões da empresa. •A padronização do pensamento e da redação do jornal e asubmissão delas ao “modo de exposição” ou “estilo do jornal”podem ser caracterizados como deturpação da notícia •A subimissão dos fatos à uma ordem, o faz perder seucaráter explosivo. Esta padronização domestica o jornal. •Isto atravessa vários filtros. O primeiro é quando editordecide o enfoque, o assunto da notícia e o que é convenienteser mencionado no jornal.
  33. 33. A política do destaque e da supressão deinformações •As formas anteriores de distorção não são exclusivas dojornalismo e podem ser usadas num discurso geral paraadaptá-lo à interesse ou conveniências; •A pauta reflete apenas o que está acontecendo ou o quepreocupa o público em geral, porém numa segunda análiseela pode refletir muito mais do que os jornais estãopublicando.
  34. 34. •O Jornalista extrai da matéria o que lhe interessa ouinteressa aos leitores e transforma isso em notícia. Darealidade é extraída a “parte útil”, segundo a avaliação deobjetivos particulares; •O Editor decide o enfoque, o tamanho (em linhas), otamanho do título e a colocação na página. Está nas mãosdo editor a definição política de como a matéria vai repercutirna sociedade.
  35. 35. •O Editor pode transformar algo pequeno em umescândalo e abafar um fato importante. Ele traduz etransforma a realidade, a adaptando de acordo com suasconvicções. Ele trabalha a opinião pública. Esta intervençãoé chamada de Downplay; •Nesta forma de manipulação há uma intervençãodirecionada a reprodução dos fatos sociais e históricos.
  36. 36. •O papel do jornal, aqui, não é noticiar, informar, divulgaro que interessa, mas moldar, esticar e comprimir os fatospara a sociedade. Montar uma segunda natureza dos fatossociais, muitas vezes opostas à verdadeira natureza dascoisas reais; •Jornalismo não é divulgar as notícias orientadasideologicamente, mas redimensionar os fatos de acordocom uma natureza artificial. É criado um outro mundo, comoutros fatos e outras atribuições de importância. O produto é a Cristalização Ideológica.
  37. 37. Telejornalismo •Além de obedecer as técnicas gerais de produção e distorçãodos fatos, o telejornalismo tem alguns aspectos adicionais quereforçam a superficialização da transmissão dos fatos e recepçãoacrítica; •No jornal impresso, a capa é como uma vitrine, onde osartigos são expostos separadamente para a venda do jornal. Notelejornalismo não há primeira página e manchetes na ruas parachamar a atenção das pessoas; •O que existe são as pequenas chamadas durante aprogramação que convida o público para assistirem o jornal.
  38. 38. •O consumo do telejornal é prefixado no espaço e édeterminado à ele um horário na programação. Ele sepreocupa em cativar a audiência daquele horário daprogramação e com isso perde a sua possibilidade de“venda”; •A produção deste tipo de jornal obedece a critérios deatratividade e interesse. Os elementos de fragmentação epersonalização devem ser radicais. Só elementos e peçassoltas.
  39. 39. •A manipulação ocorre com mais facilidade na escolhado destaque, do enfoque e na expressão do apresentador; •A televisão transmite a ilusão da verdade utilizandoimagens que garantem o estatuto de verdade absoluta einocenta a deturpação; •A notícia tem um status de espetáculo, propagandismo ede circo de atrações.
  40. 40. •O cenário, o apresentador e as informações paralelasproduzidas para o veículo formam o pano de fundoneutralizador do telejornalismo; •Mesmo que as notícias sejam de caráter anticapitalista,elas funcionam para vender o jornal e garantir o lucro. •O valor de troca se concretiza no telejornalismo com aaudiência. E no telespectador se desligar dos própriosproblemas e ver uma oferta mínima no programa que osensibiliza e o liga ao mundo.
  41. 41. • A produção de notícias baseia-se na ligação, mesmo que pequena e elementar, entre produtor e receptor. Isso cria a ponte entre experiência e comunicação que torna a recepção da informação possível.

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