Escravidão em roma

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Escravidão em roma

  1. 1. Escravidão em Roma- Número de escravos aumentou muito com as conquistas territoriais.- Com o passar do tempo, o trabalho familiar foi gradativamente substituído e a sociedade tornou-se dependente da mão-de-obraescrava. Roma se tornou uma sociedade escravista.- Pessoas endividadas (até a publicação da Lei Poetelia) e prisioneiros de guerra exerciam funções variadas: administração pública,mineração, agricultura, construção, artesanato e ocupações domésticas.- Pessoas ricas tinham milhares de escravos. Só as mais miseráveis não tinham pelo menos um escravo.- Para manter a oferta de mão-de-obra escrava, o exército estava empenhado na conquista de mais e mais territórios, fazendo mais emais guerras, e conseguindo mais e mais prisioneiros de guerra.Na sociedade romana existiam escravos desde operíodo arcaico, mas eles encontravam-seintegrados na organização familial, sob o poder dopai de família, assim como a mulher e os filhos. Suafunção econômica também não se diferenciava muito dados demais, pois trabalhavam como lavradores oupastores na propriedade familiar, junto com os "livres".Existia ainda a escravização por dívidas: o devedor davaa própria pessoa como garantia ao credor.No século IV a.C. a proibição da escravidão pordívida garantiu que legalmente um cidadão romano nãopoderia mais ser reduzido à condição de escravo dentrodo território romano. Como se tornara uma comunidadede cidadãos com plenos direitos, de proprietáriossoldados,a sociedade romana passou então a escravizarestrangeiros para a agricultura e todo tipo de trabalho.Os grandes proprietários necessitavam de mãode-obra barata para suas plantações, mas não podiamcontar com os camponeses locais; mesmo porque oscidadãos podiam ser convocados para o serviço militar.Assim, preferiam usar escravos, encontrados a baixopreço graças à escravização de milhares de prisioneirosde guerra.Após cada campanha militar, massas de escravoschegavam à Itália.Autores antigos falam dos números deprisioneiros: 30 mil em Tarento em 209 a.C., 150 mil noEpiro em 167 a.C., 50 mil em Cartago em 146 a.C. Osescravos tanto podiam ser prisioneiros de guerra comoproduto de saques e raptos. Eram enviados a grandesmercados como Delos, onde, dizia-se, eram vendidosdiariamente até 10 mil escravos destinados à Itália.Esse escravo-mercadoria era considerado umobjeto (res). Sendo propriedade de um senhor (dominus),este tinha direito total sobre aquele e sobre os filhos queesse escravo viesse a ter. Sem sua liberdade original erecém-chegado do exterior, tornava-se um elementodesenraizado, que não podia contrair casamentolegalmente. Embora existisse a união informal deescravos (o contubernium), o senhor podia retirar esseprivilégio quando quisesse.Na sociedade romana a importância daescravidão aumentou rapidamente no século II a.C., quando vários setores produtivos daeconomia romana passaram ase basear no trabalho escravo. Na agricultura, uma nova forma de propriedade sedesenvolveu: a villae escravista.Tratava-se de uma empresa agrícola, racionalmente organizada, que podemos conhecerespecialmente através da obraescrita por Catão em meados do século II a.C. Seu livro sobre a agricultura consiste em umacoletânea de preceitos
  2. 2. baseados na experiência direta dele ou de seus contemporâneos. É um testemunho notáveldas condições daagricultura nessa época.Catão refere-se ao cultivo de oliveiras numa propriedade de 240 jeiras (60 hectares) deextensão e a um vinhedocom 100 jeiras (25 hectares), o que configurava propriedades de tamanho médio para ospadrões romanos. A produçãodo azeite ou do vinho era destinada à comercialização. O trigo e outros cereais, cujo preço nãocompensava, eramproduzidos apenas para as necessidades de consumo dos trabalhadores. No entanto, sehouvesse um excedente, estepoderia ser vendido.A vilia catoniana é o oposto da pequena propriedade camponesa que existia anteriormente naItália, e sua mãode-obra permanente era formada por escravos. Em sua obra, Catão recomenda usar um total detreze escravos para umoliveiral e dezesseis para um vinhedo.Assim, evitava-se manter trabalhadores desocupados durante boa parte do ano, explorando demodo eficiente otrabalho escravo. Para a época da colheita ou outros trabalhos temporários eram contratadosnas vizinhançastrabalhadores livres assalariados, pagos por jornada. Nessa nova forma de propriedadeagrícola escravista, oproprietário era um homem de recursos que buscava um investimento lucrativo para seudinheiro. Ela era acessívelsomente a ricos senhores que podiam investir na aquisição de terras, escravos, equipamentopara a fabricação de azeitee vinho e aguardar anos antes que as plantações começassem a produzir. O senhor vivia nacidade e deixava aadministração da villa a um feitor, o vilicus, geralmente um escravo de confiança. Catãoaconselhava no entanto que odono fizesse freqüentes visitas de inspeção, interrogando o feitor sobre o andamento dotrabalho. A idéia básica deCatão era conter as despesas e explorar ao máximo as forças de trabalho, a fim de obter omaior ganho possível nessaagricultura comercial. Os escravos eram submetidos a severa disciplina. Duramente castigadospor qualquer falta, nãodeviam jamais ficar ociosos, nem em dias de mau tempo, nem em feriados. Aos escravosdoentes diminuía-se aquantidade de alimento; os velhos e enfermos deviam ser colocados à venda pelo proprietário,juntamente com a lã, aspeles, os animais, as carroças e asferramentas velhas. Com seu pequenonúmero de escravos, submetidos aestreita vigilância, a villa era semdúvida eficiente na exploração dotrabalho escravo, pois oferecia boarentabilidade e segurança contrarevoltas.A cultura de cereais tornou-seuma das atividades econômicas menoslucrativas. Como o Estado dispunha degrande quantidade de cereaisproveniente das províncias, ele erausado para abastecer as legiões e acidade de Roma. Porém, devido àdificuldade de transporte, não eraviável abastecer as outras áreas comtrigo vindo do exterior. Assim, a maioria
  3. 3. da população itálica continuou a seralimentada pela produção local decereais, o que sustentou a pequenapropriedade camponesa em muitaspartes da Itália, especialmente nonorte, até a época imperial. Nesse tipode propriedade, a terra era cultivadapor mão-de-obra livre, pelo proprietário, seus familiares e alguns escravos, desenvolvendo-selavouras de subsistência.Embora o trigo oferecesse um rendimento baixo, os pequenos lavradores, que não podiam serproprietários de viliae oucriadores de gado, continuaram a se dedicar ao cultivo desse cereal.A partir do século II a.C., os escravos tornaram-se a principal fonte de trabalho produtivo naeconomia romana.Mas eles não formavam uma massa homogênea, pois suas condições de vida eram muitodiversas, já que eram usadosnas minas, nas villae, trabalhavam como capatazes e até no serviço público. Nos centrosurbanos trabalhavam comoartesãos especializados, ao lado de homens livres e libertos. Nas residências dos maisabastados, as tarefas domésticaseram desempenhadas por escravos. Havia ainda escravos desempenhando funçõesintelectuais: eram médicos,pedagogos, secretários. A situação dos escravos urbanos geralmente era melhor do que a dosque trabalhavam nocampo e nas minas. Nas viliae as possibilidades de resistência contra seus donos eramescassas. Em muitaspropriedades os escravos eram mantidos sob severa vigilância, por vezes acorrentados e compoucas chances de secomunicarem entre si.Aos poucos desenvolveu-se um novo costume entre os romanos: confiar a escravos a gestãode propriedadesou bens do senhor, permitindo que ficassem com uma parte dos ganhos. Embora legalmenteos bens fossem do senhor,na prática o escravo acumulava um peculium, que podia incluir até a posse de outros escravos.Com suas economias,ele ainda podia comprar sua liberdade. Muitas vezes, para estimular o rendimento no trabalho,os senhores prometiam aliberdade como recompensa.Muitos escravos eram provenientes da Grécia ou do Oriente helenizado. Tinham culturaelevada, conhecimentoscomerciais e de línguas, capacidade técnica; outros eram hábeis artesãos. Esses escravosinstruídos tinham maiorespossibilidades de serem libertados.Os libertos, isto é, os escravos que recebiam a manumissão, formavam um importante gruposocial em Roma, pois oliberto de um cidadão também tornava-se um cidadão, e não um meteco (estrangeiro), comoocorria na Grécia. Apesardisso, sofriam algumas limitações, pois tinham certas obrigações em relação a seu ex-dono (opatrono) e eram excluídosdas magistraturas. Mas os filhos dos libertos já não tinham essas limitações, integrando-se nasociedade. O poetaHorácio, por exemplo, era filho de liberto. Percebemos, portanto, que esse novo costume foiinstituindo certa mobilidadesocial, desconhecida em outras sociedades da Antiguidade.

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