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Deficiência auditiva refere-se à perda parcial ou total da audição.
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Deficiência motora caracteriza-se por um distúrbio da estrutura anatômica ou da função,
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  1. 1. 1 Texto de apoio ao curso de Especialização Atividade física adaptada e saúde Prof. Dr. Luzimar Teixeira DEFICIÊNCIAS E SEUS TIPOS: ATIVIDADES MOTORAS, ESPORTIVAS E RECREATIVAS PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA MOTORA Elisabeth de Mattos INTRODUÇÃO: Ate a década de 70 não havia proposta definida para definir e classificar as consequências das doenças. Essa falta de padronização ocasionava uma enorme gama de termos utilizados. Em 1976 a Organização Mundial de Saúde publicou uma classificação das deficiências e desvantagens, a qual foi modificada em 1980, porém sua versão oficial era na língua inglesa. Em 1989 uma publicação do Secretariado Nacional de Reabilitação de Portugal publicou uma versão na língua portuguesa, para tal classificação, onde se encontra a seguinte definição: Deficiência é qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. Por envolver uma perda, pode significar prejuízo ou dano. Representa a exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico. O termo “pessoas deficientes” refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual normal, em decorrência de uma deficência congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais (ONU, 1975). CLASSIFICAÇÃO DOS DISTÚRBIOS QUE LEVAM À DEFICIÊNCIA: Podemos dividir os distúrbios em congênitos (quando as anormalidades da estrutura ou da função são aparentes ao nascimento) ou adquiridos, permanentes ou temporários, crônicos (quando ocorrem no decorrer da vida mas tem pouca possibilidade de reversão do estado
  2. 2. 2 patológico) ou agudos (quando o indivíduo se encontra em um período de manifestação intensa do quadro patológico mas este tende a permanecer por um certo período de tempo e depois pode se reverter) e progressivos e não progressivos. As condições adquiridas ou agudas são aquelas que resultam de um trauma, doença ou problemas de crescimento e desenvolvimento. Os problemas temporários são aqueles que terminam, depois de um certo espaço de tempo, devolvendo a condição anterior do indivíduo ou mesmo melhorando após sua ocorrência (distúrbios do crescimento, correções cirúrgicas ou aparelhos). Já as condições permanentes são aquelas que não regridem e deixam seqüelas por toda a vida do indivíduo. Os problemas progressivos são aqueles que se agravam com o decorrer do tempo, tornando as seqüelas mais severas. Os distúrbios não progressivos não aumentam as seqüelas com o decorrer do tempo. _________________________________________________________________________ * Professora Doutora do Departamento de Esporte da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo(EEFEUSP). Coordenadora do Grupo de Estudos Esporte e Deficiência da EEFEUSP. ETIOLOGIA E INCIDÊNCIA DAS DEFICIÊNCIAS: A etiologia dos distúrbios do nascimento é freqüentemente desconhecida. Estima-se que 20% sejam causados por fatores hereditários, 20% causado por fatores ambientais (vírus, parasitas, bactérias ou infecções da mãe) e 60% seja o resultado de uma interação da hereditariede e dos fatores ambientais. As deficiências podem ser consequências de traumas, tumores, patologias congênitas ou adquiridas. Algumas destas patologias serão descritas mais adiante. Segundo a Organização Mundial de Saúde 10% da população mundial é portadora de algum tipo de deficiência. Dois terços desta população vive em países do terceiro mundo. No Brasil sabe-se que esta porcentagem é confirmada, segundo dados do IBGE de 1996. CLASSIFCAÇÃO DAS DEFICIÊNCIAS:
  3. 3. 3 Segundo SEAMAN e DePAUW (1982) consideramos a seguinte classificação das pessoas portadoras de necessidades especiais (nas quais se incluem as portadoras de deficências): a) Deficiência mental b) Deficiência sensorial b1) Deficiência auditiva b2) Deficiência visual c) Deficiência física (ou motora) d) Distúrbios de saúde e) Distúrbios de fala ou linguagem f) Distúrbios de aprendizagem g) Combinações das categorias anteriores Neste trabalho descreveremos apenas os principais distúrbios que levam aos três primeiros grupos de deficiência, cognitiva, sensorial e motora, onde haverá ênfase para este último. DEFICIÊNCIA MENTAL: Também conhecido como retardo ou atraso mental, o termo refere-se às limitações substanciais em certas capacidades pessoais. Manifesta-se com um funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, coexistindo com dificuldades relacionadas em duas ou mais das seguintes áreas de aptidões adaptativas: 1- Comunicação 6- autonomia 2- cuidados pessoais 7- saúde e segurança 3- aptidões sociais 8- habilidades acadêmicas funcionais 4- vida doméstica 9- lazer 5- uso de recursos da comunidade 10- trabalho O atraso aparece antes dos 18 anos de idade. Atualmente o grau de acometimento divide este grupo em duas categorias: leve e grave. A patologia que mais leva à deficiência mental é a Síndrome de Down.
  4. 4. 4 Apresentamos algumas sugestões de ensino de atividades motoras através das seguintes orientações encontradas em Pedrinelli, 1991 e Seaman & DePauw, 1982. A progressão das atividades deve ser lenta, onde se oferece inicialmente atividades familiares. As informações devem ser fornecidas de maneira clara e objetiva, utilizando exemplos concretos. Esteja ciente do nível de atenção dos alunos, mantendo uma abordagem firme e positiva. Baseie as novas experiências em movimentos aprendidos previamente. Apresente idéias de forma lenta, fornecendo poucas informações de cada vez. Utilize demonstrações. Ofereça experiências que permitam a participação de cada indivíduo e elogie as tentativas, reforçando o bom desempenho. Inclua estrutura e rotina nas aulas, oferecendo oportunidades de tomadas de decisão e ações independentes. Mantenha um equilíbrio entre as atividades vigorosas e menos vigorosas. No caso da síndrome de Down, procure informar-se a respeito da instabilidade atlanto-axial que pode determinar a limitaçao de algumas atividades. As atividades esportivas são corrdenadas pela Federation for Intelectual Disability – International Association of Sport (INAS- FID), a qual é filiada ao Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) e pela Special Olympic International (SOI), ligada à Fundação Kennedy, que tem filiais e sucursais em diversos países do mundo. No Brasil a Associação Brasileira de Desportos para Deficientes Mentais (ABDEM) é filaida à INAS-FID e temos uma sucursal da SOI. DEFICIÊNCIA VISUAL: Refere-se à perda parcial ou total da visão. A classificação é feita em relação ao déficit da acuidade visual à distância e ao campo visual. Caracteriza-se como cego aquele que possui uma acuidade visual de até 6/60 ou um campo visual de até 10%. Aquele que tem visão residual (amblíope) possui acuidade visual entre 6/60 até 18/60 ou um campo visual entre 10 e 20%. Existe também uma classificação esportiva para essa acuidade e para o campo visual, que ira dividir os competidores em 3 classes: B1, B2 e B3. Inicialmente é necessário uma avaliação das diferenças básicas perceptivas, intelectuais e emotivas para se iniciar um programa de atividades motoras. Eles possuem habilidades desiguais. Os cegos de nascença revelam uma maior falta de discriminação direita-esquerda
  5. 5. 5 em seu campo de ação, porém percebem melhor as inclinações do solo. A percepção de obstáculos é conseguida através da reflexão dos indícios auditivos. Por isso é fundamental a utilização desse canal sensorial, procurando desenvolver a aula em um ambiente sem ruídos sonoros para facilitar a identificação dos sinais auditivos. Sem ele não é possível executar giros com precisão. O treinamento tátil sistemático facilita a estruturação do esquema corporal e da estruturação espaço-temporal. A mobilidade do cego depende de uma boa orientação. Existem cursos para treinamento de orientação e mobilidade, que são indicados para estes fins. Os profissionais que venham a trabalhar com grupos específicos de portadores de deficiência visual devem conhecer os princípios e orientações desenvolvidos nestes cursos. Este recurso facilitará no planejamento e desenvolvimento do ensino de pratica de atividades motoras com este grupo. Uma estratégia muito utilizada é o aumento das dimensões dos objetos para os alunos com baixa acuidade. A inclusão de objetos sonoros e que estimulem a manipulação geralmente facilita o desenvolvimento e o progresso motor.. Ao organizar o espaço em que irá trabalhar, certifique-se de que não existem obstáculos desnecessários. Quanto aqueles que eventualmente venham existir, informe os alunos e deixe-os senti-los orientando como lidar com os mesmos. Informe a respeito dos cuidados a serem tomados na orientação do espaço. Isso facilita o reconhecimento e o mapeamento mental do local. Utilize pistas ambientais como: vento, sinais sonoros, odores e para os que possuírem resíduo visual, refira-se em relação à área mais iluminada ou à direção da fonte luminosa. Dirija-se aos alunos sempre pelo nome. Nesse sentido, converse com eles a respeito de como eles costumam se identificar. Geralente preferem o termo "cego" ao portador de deficiência visual. Essa conversa pode abrir oportunidade para se identificar muitas caracteristicas emocionais do indivíduo e principalmente sua aceitaçao da deficiência. Permita o desenvolvimento da memória cinestésica através de tarefas dirigidas e expontâneas. As atividades rítmicas devem ser oferecidas visando melhora da expressão corporal. As atividades esportivas são coordenadas pela International Blind Sports Association (IBSA), filiada o IPC e no Brasil, pela ABDC, filiada ao CPB. DEFICIÊNCIA AUDITIVA:
  6. 6. 6 Deficiência auditiva refere-se à perda parcial ou total da audição. A audição serve, além da identificação de estímulos sonoros, para avaliação de distâncias e manutenção e orientação do estado de alerta. A classificação da perda auditiva (FERREIRA, 1994) se faz de acordo com a localização, onde temos surdez: condutiva e neurosensorial, e de acordo com a perda auditiva, onde temos a seguinte divisão: Leve: 25 a 40 dB Moderada: 40 a 55 dB Acentuada: 55 a 70 dB Grave: 70 a 90 dB Profunda acima de 90 dB O equilíbrio dos deficientes auditivos estará alterado se os canais semicirculares forem afetados. Isto resulta em distúrbios vestibulares, o que dificulta o desenvolvimento de muitas ações, dentre elas as mudanças de direção. As atividades no meio líquido são úteis, pois permitem treinar as reações de equilíbrio pelas informações cinestésicas e visuais. Cuidado apenas com as infecções de ouvido. Em alguns casos, estes indivíduos são mais sensíveis a este tipo de distúrbio.A mímica e a facilitação da leitura labial devem ser garantidas nas situações de aula e treinamentos. Durante competições se utilizam sinais luminosos que substituem o sinal de partida sonoro. O favorecimento da estruturação espaço-temporal é importante para o desenvolvimento das atividades. Geralmente a percepção rítmica está prejudicada. A capacidade cognitiva está preservada mas é preciso que se ofereça estimulação adequada. Pode haver uma dificuldade em abstrair, rigidez de pensamento e menor amplitude de significado dos símbolos verbais. Isso resulta geralmente em desempenho acadêmico inferior, problemas com sintaxe na expressão e comunicação, além de sinais de dificuldades de raciocínio lógico. Os aspectos emocionais também devem ser levados em consideração. As atividades grupais devem ser oferecidas e estimuladas. As atividades esportivas são coordenadas no nível internacional pela Confederation International des Sports des Surds (CISS) e no Brasil pela Confederção Brasileira de Desportos para Surdos (CBDS).
  7. 7. 7 DEFICIENCIA FÍSICA (OU MOTORA): Deficiência motora caracteriza-se por um distúrbio da estrutura anatômica ou da função, que interfere na movimentação e/ou locomoção do indivíduo (TELFORD & SAWREY, 1978; SEAMAN & DE PAUW, 1982). Refere-se aos problemas ósteo-musculares ou neurológicos que afetam a estrutura ou a função do corpo, interferindo na motricidade. Ela é caracterizada por um distúrbio na movimentação e/ou locomoção do indivíduo (MATTOS, 92). Essa categoria é extremamente heterogênea, pois as causas da deficência são diversas, apresentando uma variedade de quadros motores. Algumas características gerais podem ser destacadas, embora generalizações não sejam tão recomendadas. A extensão e a natureza da deficiência também são variáveis que levam à níveis diferentes de ajustes sociais e emocionais. No Brasil quase não conhecemos escolas especiais para pessoas portadoras de deficiência física ou motora (termo que será utilizado neste texto por definir e destacar mais claramente qual a área afetada em questão). Quando existem, elas costumam se destinar à crianças com deficiências múltiplas, com componente marcante na área motora (MATTOS, 94). Isto no faz acreditar que a parte da população infantil portadora de deficiência motora deve frequentar escolas regulares, uma vez que o programa de disciplinas teóricas não precisa ser alterado. Na realidade não é isto que acontece. As escolas em sua maioria não estão preparadas para receber alunos com disfunções motoras, possuindo diversas barreiras arquitetônicas, ou até dispensando-os das aulas de educação física por diversas razões. Isto produz uma série de reações emocionais e socias tornando o desenvolvimento desses indivíduos também alterado. Surgem então problemas com a auto-imagem, consciência corporal, motivação e avaliação real das capacidades e limitações, tanto por parte dos professores como por parte dos próprios alunos. A partir de então procura-se destacar os princiapis problemas que se relacionam com a prática de atividades físicas das pessoas portadoras de deficiência motora, bem como apresentar as oportunidades e adaptações já efetuadas para facilitar o acesso destas pessoas à prática de atividades físicas, nos seus vários níveis. SUB-CLASSIFICAÇÕES: Quanto à natureza, podemos dividir em:
  8. 8. 8 1- Distúrbios ortopédicos - que referem-se a problemas originados nos músculos, ossos e/ou articulações. 2- Distúrbios neurológicos - que referem-se a deterioração ou lesão do sistema nervoso. Terminologia: As pessoas que usam próteses, muletas, cadeira de rodas ou necessitam do auxílio de órteses, carregam muitos rótulos: aleijado, deficiente, impedido, inábil. Cada um tem preferência pessoal que deseje ser chamado e isto deve ser perguntado. Alguns autores descrevem leves diferenças de significado, mas deficiência física é a designação genérica. Ficaria mais claro se fosse utilizado a designação "motora", ao invés de "física", indicando que existe um distúrbio nessa área especificamente (MATTOS, 94). Estes problemas podem ter diversas origens, das quais serão descritas apenas as patologias mais comuns. Fisiopatologia de algumas doenças e situações que levam à deficiências motoras: Dentro dos distúrbios neurológicos que podem levar à deficiência motora podemos destacar: Paralisia cerebral (encefalopatia crônica da infância): É um distúrbio não progressivo da motricidade, que evidencia-se na movimentação e postura. Esse distúrbio é causado por uma lesão ou mal funcionamento do cérebro, o qual ocorre antes dos 3 (três) anos de idade. Exemplifica o grupo dos distúrbios neurológicos da deficiência motora. Geralmente refere-se ao portador de “PC” (paralisia cerebral|). Causas: 86% são provenientes de fatores pré e peri-natais
  9. 9. 9 14% são provenientes de fatores pós-natais. A incidência diminui conforme melhora o conhecimento e o desenvolvimento dos serviços de saúde. Cada distúrbio é classificado de acordo com alguns fatores que são citados no diagnóstico. Podemos dizer que temos três tipos de classificação: Classificação fisiológica (ou quanto ao tônus muscular): a) rigidez : os músculos dos membros são tensos e se contraem fortemente quando se tenta movimentá-los ou alongá-los, onde mesmo os reflexos exacerbados são inibidos. É uma forma severa de espasticidade. b) espasticidade: o termo espástico é usado para descrever o tipo de paralisia cerebral onde o tônus muscular é muito alto (tenso). Os portadores de PC espástica têm movimentos desajeitados e rígidos porque seus músculos são muito tensos. Eles têm dificuldade ao modificar sua posição ou ao tentar pegar algo com suas mãos. Este é o tipo mais comum de PC. Os autores referem que cerca de 50% a 75% dos portadores de paralisia cerebral têm o tipo espástico (Bleck, 1981; Souza, 1998). Há uma hiperreflexia dos tendões profundos dos músculos dos membros envolvidos. Os indivíduos ficam sujeitos a contraturas e deformidades que se desenvolvem durante o crescimento. c) atetose: caracterizada por movimentos involuntários e variações do tônus muscular resultante de lesões dos núcleos situados no interior dos hemisférios cerebrais (sistema extra-piramidal). O tônus muscular flutua gerando movimentos involuntários e os movimentos voluntários se deformam ficando retorcidos. O termo atetóide é utilizado para descrever o tipo de paralisia cerebral onde o tônus muscular se apresenta flutuante - às vezes muito alto e às vezes muito baixo. d) ataxia: caracterizada por diminuição do tônus muscular, incoordenação dos movimentos e equilíbrio deficiente, devido a lesões no cerebelo ou das vias cerebelares. Este tipo de PC apresenta um indivíduo com tônus muscular baixo e dificuldade coordenação de movimentos. Os portadores de PC atáxica parecem muito instáveis e trêmulos. e) tremor: aparece apenas na movimentação involuntária. Chamado também de tremor intencional.
  10. 10. 10 f) hipotonia: o tônus muscular é baixo. Também chamada de atonia, flacidez ou frouxidão. Geralmente evolui para uma atetose. g) mista: em alguns casos observa-se uma variação do tônus de acordo com o grupo muscular envolvido - em alguns ele é muito baixo e em outros muito alto. A combinação mais comum é a PC espática-atetóide. Estima-se que 25% dos portadores de PC apresentem um quadro misto. Classificação topográfica: a) monoplegia / monoparesia (acometimento de um único membro) b) hemiplegia / hemiparesia (acometimento de um hemicorpo – um lado do corpo) c) paraplegia / paraparesia (acometimento do tronco e membros inferiores) d) diplegia / diparesia (membros inferiores mais afetados que os superiores) e) quadriplegia / quadriparesia (quatro membros afetados de forma semelhante) f) dupla hemiplegia / dupla hemiparesia (quatro membros afetados, sendo um hemicorpo mais afetado). Classificação quanto ao grau de acometimento: a) leve b) moderada c) grave Seus portadores apresentam problemas como sialorréia, dificuldade para engolir, permanência de reflexos primitivos. Podem surgir outros distúrbios associados como: distúrbios da fala, distúrbios sensoriais (visão, audição e outros), convulsões, deficiência mental, distúrbios percepto-motores como ocorrências mais freqüentes. Hidrocefalia: Caracterizada por retenção do líquido céfalo raquidiano (LCR) nos ventrículos ou no espaço aracnoideano. Pode ser congênita (devido à uma anomalia) ou adquirida devido à tumores, por exemplo). Resulta numa macrocefalia. Os principais cuidados são relativos aos drenos, colocados cirurgicamente, para derivar o excesso de líquor (LCR). Mesmo assim, o
  11. 11. 11 excesso de líquor pode levar à compressões no encéfalo levando à lesões, causando deficiências motoras, sensoriais ou cognitivas e distúrbios comportamentais. As principais implicações são: dificuldade de alinhamento corporal, alteração na sensibilidade cinestésica, alteções no equilíbrio e postira, e dificuldades no movimento e alinhamento da cabeça. Acidente vascular cerebral (AVC): Definido como uma interrupção na circulação cerebral, levando à lesão de células de áreas sensoriais e/ou motoras deixando sequelas correspondentes à área lesada. Sua classificação topográfica e neuroanatômica é igual ao da paralisia cerebral. Poliomielite: É uma doença infecciosa causada por um vírus que ataca o tecido nervoso (medula e/ou cérebro), geralmente as células motoras do corno anterior da medula. Acomete principalmente crianças e adolescentes. Causa paralisia flácida. O vírus entra pelo tracto intestinal se difundindo pela corrente sangüínea, se instalando nas células motoras. Pode deixar fraqueza muscular, paralisia chegando a deformidades esqueléticas (atrofias). Fases: a) aguda: dura de 1 (uma) semana a 10 (dez) dias. O indivíduo apresenta tosse, febre, náuseas, vômitos e fraqueza muscular. Apresenta como sinal um espasmo doloroso. b) convalescença: dura de algumas semanas até alguns meses, terminando com a recuperação muscular ou a definição das seqüelas . c) crônica: inicia-se após o 18o mês. A lesão é no sitema nervoso levando a seqüelas também no sitema ósteo muscular. Há permanência da sensibilidade e ausência ou diminuição dos movimentos e da força muscular. Este sinal é considerado como diferencial da lesão medular congênita ou por trauma. Lesão medular:
  12. 12. 12 É uma condição adquirida resultante de um trauma, lesão ou problemas de crescimento e desenvolvimento. Geralmente ocorre em consequência de traumas, tumores, lesões por armas, quedas, explosivos, acidentes com veículos motorizados, e algumas anormalidades congênitas. Está se tornando cada vez mais freqüente. A maior incidência está entre indivíduos entre 15 e 28 anos de idade (40% em consequência de acidentes automobilísticos, 20% por quedas, 40% por disparos, acidentes esportivos, industriais e agrícolas). As lesões das vértebras cervicais é a mais comum (C5 e C6) ea das vértebras toráxicas vem em segundo lugar (T12 a L1). Há perda de movimentos e sensibilidade abaixo do nível da lesão. São divididas em lesões completas (totais) onde há perda das funções (motoras e de sensibilidade) abaixo do nível da lesão; e incompletas (parciais) onde há permanência de alguma função muscular residual além do local da lesão. A sensibilidade fica alterada. São chamadas de paraplegia quando a lesão ocorre abaixo de T2 (quando os membros inferiores - e as vezes também o tronco - são afetados totalmente) e de paraparesia (quando os membros inferiores - e as vezes o tronco - são afetados parcialmente -lesões incompletas). As tetraplegias são as lesões cervicais (quando os membros superiores, o tronco e os membros inferiores são afetados totalmente) e as tetraparesias são aquelas onde os membros superiores, o tronco e os membros inferiores são parcialmente afetados ( lesões incompletas). Apresentam alterações secundárias como a perda ou alteração do controle urinário, excretor e sexual. A tetraplegia leva à perda ou alteração do controle do sistema nervoso simpático afetando a termorregulação, freqüência cardíaca, pressão sangüínea e outras funções vitais. Há uma alta incidência de infecções renais, e urinárias onde os sinais mais comuns são: face corada, febre, etc.. Deve-se evitar: - contraturas, úlceras de decúbito e diminuição do gasto energético diário, o que pode levar a obesidade. - barreiras arquitetônicas, que dificultam o contato social normal e independente, dificultando a integração do indivíduo na sociedade. Epilepsia:
  13. 13. 13 O estado de mal epiléptico é definido como duas ou mais convulsões sem um intervalo de retorno à consciência. Representa verdadeira emergência por causa de possíveis conseqüências de convulsões incontroladas, incluindo desidratação, aspiração, coma, anóxia e lesão cerebral. O tratamento, além da manutenção das vias aéreas, prevenção de outras lesões e reposição de líquido, deve incluir reposição eletrolítica, quando conveniente, antibióticos para a infecção e drogas anti-convulsivantes por via parenteral. Também não caracteriza uma deficiência motora, mas muitas vezes pode estar associada às patologias que lesam o cérebro. Convulsões: São manifestações de disfunção cerebral transitória caracterizadas por descargas neuronais hipersíncromas paroxísticas. Uma convulsão, porém, é apenas um sinal ou sintoma de uma doença, não caracterizando portanto, uma deficiência. Elas são os distúrbios mais comuns do sistema nervoso e podem ser indicativas de uma condição relativamente benigna ou de uma doença fatal. As convulsões se classificam em generalizadas ou focais (nas quais o mecanismo básico é a irritação da córtex cerebral e geralmente indicam patologia estrutural). Classificação: 1) Corticais focais motoras: a) Jacksoniana, onde há uma progressão ordenada de eventos motores, iniciando-se por uma extremidade ou pela face; b) Adversiva, onde os movimentos são unilaterais nas extremidades e acompanhados de um desvio da cabeça e do pescoço; 2) Corticais focais psicomotoras: onde o estado psíquico fica alterado, caracterizado por automatismos motores bem organizados e estereotipados. São geralmente precedidos por aura olfatória, visceral ou vertiginosa.
  14. 14. 14 3) Centrencefálicas motoras generalizadas: caracterizadas por perda de consciência, fases tônica e clônica. O indivíduo pode morder a língua, Ter incontinência, confusão mental, automatismos motores ou amnésia. 4) Centrencefálicas do Pequeno Mal: caracterizadas por perda do tônus. Fenômenos motores biliares menores, sempre de curta duração e alta freqüência diária. Ocorre em crianças mas raramente constitui uma emergência. Nos adultos que parecem apresentar tais manifestações geralmente tem convulsões psicomotoras focais. 5) Convulsões histéricas: parecem uma convulsão motora generalizada, porém, os movimentos são mais bizarros, podendo ser interrompidos por voz de comando ou outro estímulo. Sempre há uma “platéia”. A crise de Grande Mal típica tem a seguinte seqüência: Aura (eventos sensoriais ou motores durando poucos segundos), perda de consciência, fase motora tônica (durando entre 15 a 20 segundos), tetania completa (durando cerca de 5 segundos), tetania incompleta (cerca de 15 segundos), fase clônica (com perda de controle esfincteriano), descarga autonômica (respiração aumentada, sialorréia e taquicardia), embotamento pós-convulsivo e confusão mental (as vezes acompanhado de dor de cabeça). 6) Convulsões hipóxicas: geralmente são de natureza tônica, mas podem tornar-se generalizadas dependendo do tempo e grau de hipóxia. Tratamento: 1) A pessoa que presta os primeiros socorros deve manter-se calma, sem interferir nos movimentos do indivíduo em crise. 2) Tire os objetos da área circundante para evitar ferimentos. 3) Vire-o de lado, impedindo que se engasgue ou sufoque, liberando vias aéreas. 4) Afrouxe as roupas. 5) Se não cessar em até 10 minutos, chame um médico. 6) Após cessar a crise, informe os pais ou responsáveis. Avaliação do paciente convulsivo:
  15. 15. 15 1. Se possível, observe cuidadosamente uma convulsão com especial atenção às características assinaladas acima e o modo de aparecimento. Muitas convulsões generalizadas tem um início focal. 2. Obtenha uma história do paciente ou de um informante digno de crédito. Descrição da convulsão: sinais focais, aura, incontinência, etc.; Freqüência das convulsões; Relação com a mensuração, “stress”, etc.; História pregressa de convulsões ou outros distúrbios neuropsiquiátricos; Terapia com anticonvulsivantes; Consumo de álcool; Antecedentes pessoais, com referência especialmente ao diabetes e doenças cardiovasculares. 3. Realize um exame físico com atenção a sinais de trauma craniano e/ou de outras partes do corpo. 4. Ao final, informe o responsável ou ao médico. Dentro dos distúrbios ortopédicos que podem levar à deficiência motora podemos destacar: Amputação: Definida como ausência congênita ou retirada, de um ou mais membros. Podemos ter congênita (amielia, dismielia ou focomielia), ou adquirida (cirurgia, traumas, etc.). Distrofia muscular: Caracterizada pela deterioração progressiva da musculatura esquelética voluntária, levando à incapacitação pela dificuldade ou ausência de contração muscular. Existem diversos tipos, sendo o mais conhecida e o mais incapacitante o Ducchenne.
  16. 16. 16 a) Duchenne – o tipo mais severo e precoce. Os primeiros sintomas aparecem em torno dos 5 anos de idade e sua estimativa de vida não é de alcançar a vida adulta, devido a atrofia da musculatura respiratória. b) Becker - mais lenta que o tipo Duchenne, deixando maior estimativa de vida. c) Distal – rara, porém menos deletéria. d) Cintura-membros – inicia na região da cintura escupular e pélvica, depois envolve a musculatura paraespinal. O indivíduo não paresenta problemas respiratórios, porem pode adquirir deformidades ortopédicas. e) Ocular – inicia pelos olhos e se espalha pela face, diminuindo a mímica facial. f) Escapulo-peroneal – inicia na musculatura proximal dos membros superiores (MMSS) e na musculatura dista pelos membros inferiores (MMI). Caua diversas deformidades ortopédicas. Esclerose múltipla: É uma doença neurológica crônica e degenerativa que atinge adolescentes e adultos (20-40 anos). Há uma desintegração (lenta) da camada de mielina que resulta no endurecimento ou cicatrização do tecido que substitui a bainha de mielina. Resulta numa incapacidade motora e eventualmente leva à morte. Apresentam sintomas como tremores, problemas sensoriais variados; fraqueza muscular; tonturas; distúrbios emocionais leves; paralisias e outras dificuldades motoras. Geralmente as doenças músculo-esqueléticas são congênitas (distúrbios genéticos, distúrbios do desenvolvimento) ou adquiridas (doenças infecto contagiosas, acidentes e distúrbios do desenvolvimento). Artrite: Significa inflamação de uma articulação. É uma inflamação articular que causa dor intensa na articulação e suas adjacências. Aparece em qualquer idade. A forma mais comum é a artrite reumatóide, definida como uma doença sistêmica, onde o principal sintoma é o envolvimento dos músculos e articulações. A forma mais grave da doença é a artrite reumatóide juvenil que aparece antes dos 7 anos de idade, acometendo mais os indivíduos do sexo feminino. Sua causa é desconhecida. Varia na severidade. Apresenta uma inflamação
  17. 17. 17 leve, inchaço, rigidez articular e do tecido conjuntivo, chegando até a atrofia e deformidade articular. O envolvimento geralmente é simétrico. Inicia-se nas pequenas articulações (mãos e pés) com uma sensibilidade extrema chegando à dor. Geralmente ocorrem degenerações articulares sendo necessário substituiçao cirúrgica de algumas articulações. Artrogripose: É uma condição congênita onde algumas articulações estão rígidas e deformadas. Pode ser por fraqueza ou ausência de um músculo ou mesmo parte dele. Várias articulações podem se tornar fixas ao nascimento. Não causa dor, mas limita os movimentos. A correção cirúrgica não é possível. Nanismo: É o crescimento retardado (mais de 3 SD para qualquer faixa etária). Acondroplasia é uma doença cromossômica autossômica, causada por um gene dominante que tem como principal característica a ausência da cartilagem de crescimento dos membros. Nestes casos há uma desproporção de tronco, membros e cabeça. Osteomielite: É uma infecção óssea, prevalente no ocidente, chamada de doença da infância. Pode ser causada por “stafilococcus”, “streptococcus” ou “pneumococcus”. Acomete mais freqüentemente a tíbia, fêmur ou úmero de um só membro. Ela pode ser aguda ou crônica. Seus sintomas e severidade variam com o local de acometimento e o tempo de acometimento. Osteogeneisi imperfecta: É causada por um gene mutante (herança). O osso se torna leve e quebradiço resultando em diminuição da densidade. Ao nascimento podem ocorrer fraturas que depois se tornam recorrentes. As deformidades ocorrem como conseqüência das fraturas. Ocorrem muitas contusões que diminuem com a adolescência. Geralmente estes indivíduos tem baixa estatura.
  18. 18. 18 Espinha bífida: É um defeito congênito da coluna vertebral onde um ou mais arcos vertebrais não se fecham completamente durante o desenvolvimento fetal. A natureza e a magnitude da lesão e da paralisia dependem da severidade e da localização do defeito. A causa é desconhecida. Sabe-se que quando o tubo neural não se desenvolve completamente, acaba fechando-se nos primeiros 30 dias de gravidez. Tipos: a) oculta: marcada por uma "covinha", sinal ou tufo de pêlos. Pode passar desapercebida sem o aparecimento de problemas neurológicos. b) meningocele: é a forma tumoral com protrusão sacular junto a coluna vertebral, a qual contém líquor, mas a medula e raízes nervosas permanecem em posição normal. É indicada a remoção cirúrgica após o nascimento ou na primeira infância. Raramente deixa seqüelas. c) mielomeningocele: é o tipo mais comum, mais severo. Há uma protrusão sacular contendo líquor, porções medulares e fibras nervosas. É fechada cirurgicamente logo após o nascimento. Quase sempre apresenta problemas neurológicos, hidrocefalia e deficiência mental. Resulta em paralisia total ou parcial, distúrbios esfincterianos e falta de sensibilidade abaixo do nível da lesão. Histórico do esporte para pessoas portadoras de deficiência motora e suas classificações: O desenvolvimento do esporte para pessoas portadoras de deficiências físicas teve sua origem na reabilitação dos veteranos da II Guerra Mundial, particularmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Na Inglaterra, Ludwig Guttmann (neurologista e neurocirurgião alemão radicado naquele país) foi convidado, em 1944 pelo govêrno Britânico, para dirigir um centro para lesados medulares no Hospital de Stoke Mandeville. Nos programas de tratamento dos pacientes internados foi incluído uma série de modalidades esportivas, as quais foram adaptadas.
  19. 19. 19 Posteriormente este centro se tornou centro de campeonatos mundiais da categoria (os quais ocorrem até hoje). Nos Estados Unidos o conceito de esporte competitivo foi dominante, marcado pela direção e organização executada pelas próprias pessoas portadoras de deficiência. Mais tarde o trabalho esportivo vinculado à reabilitação, que sempre foi divulgado pelo Dr. Guttmann, tomou novos rumos com o aparecimento de outras organizações que dirigiam os esporte para portadores de outras deficiências (que não a causada pela lesão medular). No Brasil a história mostra a influência do esporte adaptado desnvolvido nos Estados Unidos (divulgado por Sérgio Del Grande e Robson Sampaio de Almeida) e também do conceito de reabilitação desnvolvido na Europa, uma vez que os fisioterapeutas tendem a encaminhar mais pacientes para estas atividades, além de ministrá-las, uma vez que os profissionais de Educação Física e Esporte pouco tem se dedicado à esta área. Hoje o Brasil possui diversas entidades que dirigem o Esporte para pessoa portadoras de deficências motoras: ANDE, ABRADECAR e ABDA. Cada uma delas tem filiação internacional correspondente: ISMGF, ISOD, CP-ISRA. Em épocas de Paraolimpíadas formava-se um comitê com representantes de cada entidade, constituindo o IPC, que hoje é um órgão permanente. Cada uma dessa entidades normatiza a participação dos atletas, procurando promover a competição justa e o mais adequada quanto o possível às possibilidades deos participantes. Inicialmente foi criada a classificação que se baseava em critérios médicos (IA, IB, IC, II, III, IV, V e VI). Mais tarde outras entidades procuraram criar um sistema de classificação para cada tipo de sequela segundo sua origem, ou seja, para amputados (A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7, A8, A9), para paralisados cerebrais (CP1, CP2, CP3, CP4, CP5, CP6, CP7 e CP8), para "Les Autres" (LA1, LA2, LA3, LA4, LA5 E LA6). Mais tarde, iniciou-se um movimento no basquete em cadeira de rodas que pretendia modificar o conceito da classificação, baseando-a na funcionalidade motora do indivíduo com relação às demandoas motoras da modalidade. Essa classificação é dinâmica e ainda recentemente sofreu modificações (1; 1,5; 2; 2,5; 3; 3,5; 4; 4,5) para adequar as capacidades dos indivíduos às solicitações do jogo, procurando criar uma competição mais justa. Seguindo a experiência do basquete, outras modalidades procuram seguir o mesmo conceito, até mesmo numa tentativa de promover a integração entre os portadores das várias deficiências motoras. Por este motivo essas classificações ainda estão passando por
  20. 20. 20 modificações constantes, dificultando o aprendizado e divulgação das mesmas para as pessoas não envolvidas nos movientos esportivos. Barreiras arquitetônicas: Para que se consiga um desenvolvimento sócio-afetivo adequado é necessário que as pessoas portadoras de deficiências tenham acesso aos locais de educação, saúde, recreação e lazer. Muitas vezes observamos que apesar de se procurar desnvolver programas de atendimento e recuperação, o governo e a sociedade em geral esquecem de facilitar o acesso dessas pessoas às situações comuns da vida. Existe uma legislação que determina normas de construção de prédios públicos os quais devem permitir o acesso às pessoas portadoras de deficiências motoras. Mas o que se observa é que o prório governo é que deixa de cumprir essa legislação, dificultando a divulvação e o incentivo particular de respeitar tais critérios. Isso garantiria a concientização da sociedade da existência dessas pessoas, procurando preservar os direitos básicos de cidadania eliminando as formas excludente de acesso aos benefícios sociais, bem como eliminando a discriminação. O símbolo internacional de acesso (fig.1) aparece em qualquer lugar do mundo onde tenham sido removidas as barreiras ambientais. Essas barreiras ambientais são: escadas, portas estreitas, degraus de calçadas, banheiros estritos e sem apoio adequado, maçanetas, torneiras, interruptores de luz, telefones públicos, meios de tranporte públicos, estacionamentos e muitos outros. Figura 1 - Símbolo internacional de acesso.
  21. 21. 21 No caso de escolas e centros esportivos é necessário que o técnico ou professor de educação física que pretenda trabalhar com pessoas portadoras de deficiências motoras conheça as barreiras arquitetônicas existentes em seu local de trabalho e procure superá-las facilitando o acesso de seus alunos. O símbolo internacional de acesso deve ficar colocado em todo local reservado ou adaptado para pessoas portadoras de deficiências motoras. Atividades em cadeira de rodas e as regras adaptadas: A maioria das crianças inicia a prática regular de atividades físicas dirirgidas durante a fase escolar. Aquelas que são portadoras de deficiências motoras muitas vezes são dispensadas dessa atividades, privando-se da experimentação de suas potencialidades e limitações no plano motor. Além disso, poucos profissionais da Educação Física e do Esporte estão habilitados a entender e atender as necessidades dessas crianças. Inicialmente aquelas que se utilizam de cadeira de rodas para sua locomoção já devem estar habituadas a manejar esta cadeira para participar de programas de atividades motoras, uma vez que este treinamento inicial deve ser feito nos centros de reabilitação. Na escola, a criança deve explorar os locais para a prática de atividades físicas, desenvolver agilidade no manejo da cadeira, bem como procurar vencer obstáculos que, até então eram pouco explorados ou desconhecidos. Podemos citar algumas habilidades básicas: - posicionamento - empunhadura ou pegada - deslocar-se para frente e para trás com ambas as mãos - frenagem - girar para esquerda e para a direita de 45o até 360o - deslocar-se entre obstáculos - subir e descer degraus - empinar a cadeira e executar giros nesta posição - deslocar-se com a cadeira na posição empinada - desenvolver agilidade e destreza na cadeira visando mudanças de direção rápidas - aprender a manejar a cadeira com apenas uma das mãos
  22. 22. 22 - manejar a cadeira com uma das mãos e manipular outro objeto com a outra mão (ex: lançar e receber uma bola) - passar entre obstáculos e executar giros durante o trajeto visando ocupar o menor espaço para o deslocamento. - aumentar a capacidade de resistência ao deslocamento - aumentar a velocidade do deslocamento A partir daí o indivíduo estará pronta para iniciar o conhecimento das regras de modalidades esportivas, adaptadas ou não para a prática em cadeira de rodas. Muitas vezes, percebe-se que os adolescentes e adultos nunca passaram por estas experiências, limitando- se à um deslocamento precário na cadeira de rodas o que limita suas possibilidades de acesso às atividades profissionais, educacionais, esportivas, de recreação e de lazer. Dentro das modalidades esportivas podemos encontrar adaptações de regras para a prática em cadeira de rodas no basquete, no volei, no atletismo (pista e campo), arco e flecha, bocha, esgrima, tiro ao alvo, tênis de mesa e tenis de campo, dentre outros. Existem também as modalidaes esportivas que são adaptadas para quem é dependente da cadeira de rodas, mas pode se libertar dela para praticar tais atividades, com por exemplo o volei sentado, a natação, halterofilismo. Existem também modalidades que foram criadas exclusivamente para os dependentes da cadeira de rodas, utilizando o equipamento e a limitação motora como determinantes da prática, como o rugby em cadeira de rodas. As adaptações procuram se adequar ao máximo as regras já existentes, minimizando assim a segregação já imposta pela condição deficiente. Os locais a serem utilizados devem ser na maioria das vezes os mesmos que os utilizados pela modalidade sem adaptações. A construção de novos locais ou transformação dos já existentes encontra muita resistência, sendo o principal motivo alegado a dificuldade de se conseguir recursos financeiros ou de se investir muito para tão poucos, uma vez que a parcela da população portadora de deficiências que procura ou sabe da possibilidade da prática esportiva é bastante reduzida. Mesmo assim, quando uma modificação se torna necessária, procura-se planejar a atividade com aproveitamento dos recursos já existentes e poucas modificações a serem executadas. Em geral o tempo, o número de jogadores e alguns fundamentos são modificados a fim de permitir e facilitar a execução da modalidade.
  23. 23. 23 Atividades físicas com amputados, paralisados cerebrais e "Les Autres": De forma geral os portadores de deficiências motoras devem ser estimulados a praticar atividades físicas desde cedo, procurando assim tomar consciência de suas limitações mas também de suas potencialidades. Cada patologia apresenta características particulares que podem se tornar um impediemnto na vida do indivíduo com podem ser facilmente superads ou ser motivo de prover a busca da independência e desnvolvimento. Entre os médicos é de consenso que os amputados podem executar qualquer atividade desde que a prótese esteja bem adaptada. Quando atividades vigorosas forem desenvolvidas recomenda-se que a prótese seja adequada à essas sobrecargas e impactos, além de se desenvolver o equilíbrio, coordenação, agilidade, resistência e velocidade. O equilíbrio é o aspecto da performance motora que tras maiores problemas aos amputados. Aqules que possuem amputação unilateral dos membros inferiores devem aprender a utilizar o membro remanescente a chutar bola enquanto o protetisado mantém o peso do corpo; ao subir degraus deverá iniciar com o membro remanescente; ao descer degraus executar exatamente da maneira inversa. O amputado bilateral tem amis dificuldades nas mesmas atividades, às vezesnecessitando do auxílio de muletas. Com relação aos membros superiores apresentam dificuldades nas habilidades manipulativas e nas modalidades esportivas que se utilizem de implementos, pois o membro superior amputados não promove o equeilíbrio necessário pelo princípio da oposição. Sugere-se o desenvolvimento de atividades que promovam o equilíbrio, provam a postura e agilidade. As atividades desenvolvidas sem a utilização da prótese também são recomendadas, uma vez que podem promover e desenvolver uma maior conhecimento corporal e até descobrir novas amplitudes e limitações dos movimentos. Existem também atividades desenvolvidas com muletas, como futebol. Os esportes que são praticados pelos amputados à nível de competições internacionais são: futebol de muletas, atletismo (pista - com prótese ou cadeira de rodas e campo - com e sem prótese ou cadeira de rodas), natação, basquete em cadeira de rodas, voleibol sentado, voleibol em pé (com prótese), halterofilismo, tenis de mesa (sentado ou em pé), tenis de campo (entado e em pé), ciclismo (com e sem prótese), e muitas outras modalidades. Os portadores de lesões medulares, poliomielite, mielomeningocele locomovem-se em cadeira de rodas, por isso parte de seu sucesso nas atividades físicas depende da cadeira
  24. 24. 24 adequada, com encosto, inclinações e tamnhos adequados. As modalidades esportivas desenvolvidas com cadiras de rodas são: basquete, tenis de mesa e campo, atletismo (pista e campo), e muitas outras atividades coletivas ou individuais podem ser desenvolvidades com cadeiras de rodas. Algumas atividades como dança e ginástica podem ser desenvolvidas com e sem a utilização da cadeira de rodas. Outras atividades são desenvolvidas sem a utilização de qualquer auxílio, seja em cadeira de rodas, muletas ou órteses como a natação. Os portadores de distúrbios de origem neurológica também podem passar pelas cituações descritas acima. Sua dificuldade maior está na coordenação e execução de movimentos harmônicos, ritimados e suaves. As alterações de tônus levam à limitações da amplitude dos movimentos bem como no rítimo dos mesmos. Normalmente aqueles que possuem um aumento de tônus, precisam trabalhar suas amplitudes de movimento bem como procurar promover relaxamento para facilitar a execução de movimentos, deslocamentos e transferências posturais. Vencida esta etapa as habilidades manipulativas devem ser exploradas e desenvolvidas. Num terceiro momento a integração destas atividades pode ser estimulada facilitando a coordenação e procurando desenvolvera agilidade. Os esportes para paralisados cerebrais mais comuns são: bocha, natação , atletismo, futebol de salão, futebol de 7, ciclismo, além de atividades desenvolvidas especificamente para esses indivíduos. De maneira geral muitas são as possibilidades já conhecidas, mas a inteiração professor/aluno, aluno/aluno promove novas descobertas que somente situações particulares desse entrosamento é que farão surgir novas possibilidades. Cabe aos profissionais que tiverm essa oportunidade soltar sua imaginação e a criatividade, dando oportunidade aos alunos de expressarem ao máximo suas potencialidades, colocando, à medida do possível, desafios maiores. Bibliografia: BLECK, E. Cerebral palsy. In Physically handicapped children - A medical atlas for teachers. Grune and Stratton - A subsidiary of Harcourt Brace Jovanovich Publisher, 1982. BLOWMQUIST, B. Classificação funcional da natação. Texto não publicado, 1988.
  25. 25. 25 DE PAUW, K. P. Sport for individuals with disabilities. Adapted Physical Activity Quarterly, 5(2):119-124, 1988. DE PAUW, K. P. & GRAVON, S. Disability Sport. Champaign, Human Kinetics. 1995. EICHSTAEDT, C. B. e KALAKIAN, L. H. Developmental/adapted physical education: making ability count. New York, Mac Millan Publishing Company, 1987. MATTOS, E. Adaptação ao meio líquido para crianças portadoras de paralisia cerebral: uma proposta de avaliação. Dissertação de mestrado, São Paulo, EFEUSP, 1994. NUGENT, T. Y.. Research and demonstration needs for the physically handicapped. Journal of Health, Physical Education and Recreation, maio, 47-48, 1969. PEDRINELLI, V. J. Educação física adaptada: a criança portadora de DM, DA, DV,DF e a prática de atividada física. São Paulo, Apostila do Departamento de Ginástica da Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo, 1991. SEAMAN, J. A. e DE PAUW, K. P. The new adapted physicall education - a developmental approach. Palo Alto, California Mayfield Company, 1982. STAINBACK, S., STAIBACK, W., WEHMAN, P., SPANGURS, L. Acquisition and WINNICK, J. P. e SHORT, F. X. Physical fitness testing for disabled. Champaign, Human Kinetics Publisher Inc., 1985. WINNICK, Joseph P. Adapted physical education and sport. Champaign, IL, Human Kinetics, 1995.

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