NO Mundo, Mas não DO Mundo 
No Mundo, Mas não Do Mundo 
Pr. Davi Merkh 
Como est rangeiro no Brasil, sinto muito que serei...
podia comer o que ele queria, quando ele queria, mesmo se fosse 
comida est ragada? E assim ele fez. O papagaio se tornou ...
têm seu lugar, mas não deve constar a totalidade do nosso 
envolvimento com o mundo. O problema com o crente gavião é que ...
igrejas que prat icamente excluem descrentes. O crente águia não 
reflete o que Jesus quis dizer quando nos chamou para es...
1) Não somos DO mundo (14,16) 
2) Estamos NO mundo (15) 
3) Somos enviados PARA o Mundo (18) 
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No mundo mas não do mundo

  1. 1. NO Mundo, Mas não DO Mundo No Mundo, Mas não Do Mundo Pr. Davi Merkh Como est rangeiro no Brasil, sinto muito que serei sempre um "peixe fora da água". Não t enho um “RG” mas um “RNE”—Regist ro Nacional de Est rangeiro”. Esse meu "visto permanente" me ident ifica como “est ranho” em t odos os sent idos: além de ser uma cor esquisit a (laranja), sempre me ident ifica como alguém permanentemente carimbado como "diferente". Não importa quanto eu me esforço, nunca ficarei completamente contextualizado. Não gosto quando pessoas olham para minha roupa-camisa xadrez com bermuda amarela e meia branca-e logo dizem "eis aí, mais um gringo". Odeio quando pessoas perguntam logo depois de conversarmos alguns minut inhos: "Você não é daqui, né?" Ninguém gosta de ser diferente. Há forte pressão para se conformar . ..mas ao mesmo tempo, uma tensão por saber que nunca será igual aos out ros. No meu caso, estou no Brasil sem ser totalmente do Brasil. Como crentes em Cristo Jesus, sofremos uma out ra tensão: a de sermos conformados com a imagem de Jesus (Rm 8.29) e não conformados com o mundo (Rm 12.1,2), mas ao mesmo tempo, ser tudo para todos para ganhar alguns (1 Co 9.22). Jesus caracterizou bem essa tensão quando disse que estamos "no mundo, mas não do mundo." Como podemos estar no mundo sem permit ir que o mundo esteja em nós? Uma pequena fábula ilust ra o desafio de sermos equilibrados, em nossa convivência com o mundo. Era uma vez, uma família de Urubus vivia na fenda de uma rocha numa montanha. Um dia foi descoberto que a família passava mal, pois pegara uma doença comendo carne podre. Quando o Gavião soube disso, ficou muito crít ico. "É problema deles" ele falou. "Vivem comendo animais mortos o tempo todo. Merecem t udo que recebem. Eles nunca aprendem." O Gavião, indignado pelo est ilo de vida podre dos Urubus, em vez de ajudá-los, iniciou uma campanha cont ra eles. Enquanto os Urubus se tornaram cada vez mais fracos, o Gavião advert iu aos out ros pássaros a não se aproximarem da casa deles. Passava baixo-assinados para expulsá-los da vizinhança. Quando os Urubus estavam mal mesmo, o Gavião contava piadas a custo deles. A Águia lidou com o problema dos Urubus de forma totalmente diferente. Nunca um fã deles, a Águia simplesmente os ignorava. Const ruiu seu ninho muito mais alto do que o deles (e muito acima dos out ros pássaros também) e os olhou com nariz (ou bico) empinado. Ficou isolada dos out ros pássaros e dos seus problemas, formando sua própria comunidade exclusivista, com suas próprias regrinhas e regulamentos. O Papagaio foi diferente--o oposto da Águia. Sempre fascinado pelo Urubu, ele admirava sua independência e liberdade. Mesmo sabendo o risco de viver como um Urubu, ele não se importava muito com isso. Por que ele também não
  2. 2. podia comer o que ele queria, quando ele queria, mesmo se fosse comida est ragada? E assim ele fez. O papagaio se tornou como um Urubu. Ele voou como Urubu, comeu como Urubu. Infelizmente, também pegou doença como o Urubu. Certamente não ajudou em nada os Urubus, fora o fato de que a miséria gosta de companhia. Esta fábula ilust ra como alguns respondem de formas diferentes ao desafio de estar "no mundo, mas não ser do mundo". A maioria de nós adota uma de três atitudes no nosso envolvimento com o mundo. Vamos considerar estas respostas, e depois propor uma maneira bíblica de lidar com a sociedade em que vivemos. O Crente Gavião: Ataca o Mundo O gavião é um pássaro bonito, porém agressivo e orgulhoso, que vive a custo dos out ros. Parece majestoso, mas não é tão sofist icado que não pode comer animais mortos. O cristão "gavião" tem como lema de sua vida Judas 3b: "batalhar diligentemente pela fé uma vez por todas ent regue aos santos". Ele nunca se esquece do fato de que estamos numa guerra-uma luta de unhas e dentes cont ra o paganismo, secularismo, humanismo, modernismo, liberalismo e comodismo. Infelizmente, o crente gavião gasta tanta energia combatendo inimigos ou tentando "concertar o mundo" at ravés de suas crít icas, que não at rai muitos para sua causa. Adota métodos como: marchas, envolvimento polít ico, greves, protestos e boicotes para demonst rar sua força, para que pessoas o respeitem. Força humana, mesmo em nome de Jesus, não efetua muitas mudanças eternas. Nos dias de Jesus, os zelotes adotaram a mesma filosofia ao lidar com o odiado jugo romano. Muitos seguidores de Jesus queriam que ele quebrasse aquele jugo como Messias-Libertador. Mas não foi o caminho escolhido pelo Mest re "manso e humilde de coração". Na história, as cruzadas e a Inquisição são exemplos de tentat ivas sinceras, mas enganadas de "gaviões" se relacionarem com o mundo. Há elementos de verdade nesta posição do gavião. Estamos numa guerra espiritual (Ef 6.12)-só que não é cont ra carne e sangue, fato que muitos gaviões esquecem em suas denúncias. Os profetas do Velho Testamento eram muito capazes de condenar pecado em sua sociedade, mas também sabiam minist rar graça e compaixão, diferente dos gaviões modernos que bombardeiam clínicas de aborto em nome de Jesus. O reino de Jesus não é deste mundo, e não será tomado por força, nem poder, mas por meios espirituais (Zc 4.6). Jesus ensinava os discípulos a serem pescadores de homens; o gavião prefere jogar uma bomba no lago e colher os peixes mortos que sobem. Jesus nos chama para odiar o pecado, mas amar ao pecador. Nossa luta é cont ra "potestades e principados", não cont ra homens. A ênfase do nosso ministério tem que ser espiritual. Os meios do nosso ministério têm que ser espirituais. Jesus e Paulo nunca passaram baixo-assinados ou marcharam cont ra Roma. Não que estes métodos nunca
  3. 3. têm seu lugar, mas não deve constar a totalidade do nosso envolvimento com o mundo. O problema com o crente gavião é que ele ataca o mundo, sem perceber que o mundo está nele. O Crente Águia: Isola-se do Mundo De todos os pássaros, talvez a águia seja o mais nobre, o mais majestoso. Mas a águia também simboliza orgulho, arrogância, inacessibilidade. O texto-base do crente águia é 2 Co 6.17 "ret irai-vos do meio deles, separai-vos". Ele resolve a tensão ent re "estar no mundo, sem ser do mundo" por isolar-se do mundo. "Talvez", pense ele, "se eu ignorar o mundo ele desapareçerá." O cristão águia é separat ista de tudo e de todos, e tem orgulho de ser assim conhecido. Ele se acha puro, santo, por não se contaminar com o mundo e seus problemas. O crente águia geralmente não reconhece que se tornou irrelevante para o mundo, pois gosta de pensar que, por ser tão diferente, está sendo sal e luz. De fato, fica tão distante, que não tem nenhum impacto naqueles ao seu redor! Nos tempos de Jesus, os essênios, grupo separat ista, criou sua própria comunidade no deserto, longe do mundo real. Ao longo da história, muitos out ros grupos tentaram escapar da poluição do mundo sendo monges ou eremitas. Mas muitos descobriram que é impossível escapar do mundo, pelo fato do mundo estar dent ro deles. "Aonde tu fores, tu te levas cont igo." De todos os crentes "águias", os fariseus eram os piores. Eles enganavam-se com suas t radições e leis, que evitavam contato com a sociedade e os problemas das pessoas, pensando que assim se sant ificariam. Mas Jesus reservou para eles suas condenações mais quentes (Mt 23). Um grupo chamado os "Amish" nos Estados Unidos exemplifica o ext remo desta est ratégia separat ista. Os Amish formam suas próprias comunidades, mantendo os padrões de vida de séculos passados. Não usam luz elét rica, não dirigem carros, não costuram botões em suas roupas, que por sinal são todas pretas e roxas. Sua rigidez e seu legalismo os colocam "acima" daqueles ao seu redor, ou assim pensam eles. Mas são poucos que, at raídos pelo seu est ilo de vida se tornam Amish. Pelo cont rário, muitos jovens Amish deixam a cultura de seus pais. Há aspectos posit ivos do cristão águia. Deus nos chamou para sermos santos, como ele é santo (Mt 5.48). "Sant idade" significa separação da impureza. De fato, somos sal e luz (Mt 5.13-16), chamados para não sermos contaminados pelo mundo (Fp 2.15,16; Tg 1.27). Mas isso não significa que precisamos nos ret irar do mundo. Não foi isso que Jesus e Paulo t inham em mente. 1 Co 5.9,10 deixa isso claro: Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me com isto não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos arvarentos, ou roubadores, ou idólat ras; pois, neste caso teríeis de sair do mundo." Não é possível separar-se do mundo e assim tornar-se santo. Alguém tem que ver as nossas boas obras, para poder glorificar a Deus (Mt 5.13-16). Há perigo nas comunidades e sub-culturas evangélicas, "clubes" nas
  4. 4. igrejas que prat icamente excluem descrentes. O crente águia não reflete o que Jesus quis dizer quando nos chamou para estar "no mundo, mas não ser do mundo." O problema com o crente águia é que ele não está no mundo, mas o mundo cont inua nele. O Crente Papagaio: Imita o Mundo O papagaio é o "Maria-vai-com-os-out ros" do reino animal. Este conformista adota os padrões do mundo, imaginando que assim vai ganhar seus colegas para Cristo. Sua lema é "Ser tudo para com todos para ganhar alguns" (1 Co 9.22). O papagaio sacrifica a verdade e a sant idade em nome do amor. "Por que ser diferente?" ele pensa. "Se for aceito por eles, terei uma uma audiência para o evangelho." Os saduceus e Herodianos nos tempos de Jesus eram assim. Assimilaram-se aos padrões romanos e assim ganharam poder polít ico. Mas t inham pouca influência espiritual. Tornaram-se sal sem sabor. O problema com o crente papagaio em relação ao mundo é que ele não tem muito para oferecer. Para ter valor, sal tem que ter um sabor especial, senão não presta para nada. Se não há nenhuma diferença ent re o crente e o mundo, como at rair o mundo para Jesus? (cf. 1 Pd 3.15, Rm 12.1,2, 1 Jo 2.15-17) Infelizmente, muitos jovens estão se tornando papagaios, procurando aceitação no mundo. Seu est ilo de vida, não os diferencia dos seus amigos não-crentes. Seu falar é igual, sua música é a mesma, seus padrões de namoro são idént icos. Igualmente preocupante são os movimentos evangélicos que adotam os padrões do mundo para "ganhar alguns". Suas técnicas de "market ing", sua mensagem diluída, sua ét ica em nada difere do mundo. Por que seus colegas devem dar ouvidos? O problema com o crente papagaio é que ele está no mundo, e o mundo está nele. Existe um out ro t ipo de cristão, que melhor exemplifica o equilíbrio ent re "estar no mundo" sem que o mundo esteja nele. O Crente Pomba: No Mundo, mas não Do Mundo O fim da nossa fábula ilust ra como ser um crente no mundo, sem permit ir que o mundo esteja em você: A Pomba foi o único pássaro que realmente ajudou a família Urubu. Sem condenar ou atacá-los, e sem comer carne podre como eles comiam, a Pomba assumiu o compromisso de visitá-los e levar carne fresca para eles. Pouco a pouco os Urubus se sent iram melhor. Percebendo algo diferente na Pomba, logo aprenderam o segredo da sua saúde. Aprenderam a sua higiêne, seus hábitos de vida. Depois de algumas semanas, os Urubus estavam se comportando como Pombas. E os Urubus e as Pombas viveram felizes para sempre. A pomba é um pássaro calmo, gent il, bondoso, t ranqüilo. Sempre está no meio dos out ros pássaros, mas nunca causa tumultos como as out ras aves. A pomba sabe como estar no mundo (ent re os out ros pássaros) sem ser contaminado pelo mundo (adotar seus padrões de vida). Foi isso que Jesus t inha em mente em Jo 17.13-20. Neste texto ele t raça t rês verdades sobre o envolvimento do cristão "pomba" com o mundo:
  5. 5. 1) Não somos DO mundo (14,16) 2) Estamos NO mundo (15) 3) Somos enviados PARA o Mundo (18) A história de Daniel no Velho Testamento ilust ra estes princípios na vida de um crente "pomba". Com 17 anos Daniel foi exilado para Babilônia, longe de seus familiares, de sua terra, de sua língua e cultura. Em áreas não-morais, Daniel ent rou na nova cultura para valer. Aceitou uma mudança de nome, foi para suas escolas, desenvolveu uma carreira no serviço civil. Em áreas morais, porém, no tocante à lei de seu Deus, ele colocou seus pés no chão e recusou comer e beber o que foi proibido, mesmo que custasse sua carreira, e talvez sua vida. Ele e seus amigos não se isolaram da cultura, pondo suas cabeças na areia, mas se envolveram até o ponto de comprometer seus ideais. Foi assim na vida de Jesus. Em áreas não-morais, ele se ident ificava com pecadores (comia com eles, ia para suas festas de casamento, pescava com eles.) Mas ele t raçou uma linha em áreas morais-e não foi influenciado pelos padrões de vida daqueles ao seu redor. Fazia parte de sua cultura, sem ser contaminado por ela. Confesso que não é fácil achar este equilíbrio! A luta é constante, e a tentação de cair para um lado ou out ro exist irá sempre. O segredo é também a moral da fábula: O cristão precisa achar equilibro para estar no mundo, sem permitir que o mundo esteja nele.*Não sejamos crentes gaviões, atacando e crit icando o mundo ao redor, esperando que as pessoas se comportem como cristãos, quando não têm a capacitação do Espírito de Deus. *Não sejamos cristãos águias, distantes, isolados, aquém dos problemas e do dia-a-dia do "povão". Senão, nunca vamos alcança-los.*Não sejamos papagaios, em nada diferentes do mundo, e por isso, em nada at raentes para ele. Vivamos, sim, como est rangeiros na terra. Não será fácil, pois ninguém gosta de ser diferente. Mas a recompensa está "fora deste mundo".

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