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DEDICATÓRIA:Dedico o meu trabalho aos meus pais Luiz Felix de Li-ma (in memoriam) e Luiza Felix de Lima, que me pro-porcio...
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RESUMOEsta monografia trata sobre a adolescência, principalmente do papel que desempe-nha a sexualidade neste período, mos...
ABSTRACT This monograph about adolescence, mainly of the role of sexuality in this period,showing the transformations in b...
LISTA DE ILUSTRAÇÃOFIGURA 1 – EFEITOS DOS HORMÔNIOS SEXUAIS SOBRE O DESENVOLVI-MENTO DA PUBERDADE.
SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO......................................................................................          102. O...
101 INTRODUÇÃO        Falar da adolescência nos tempos atuais é uma tarefa muito difícil. É falarde sexualidade, drogas, v...
11uma tempestade de angústia, que os deixam vulneráveis, longe dos pais, da família,como se alheios fosse.
12               2 O ADOLESCENTE: UMA VISÃO BIOLOGICISTA2.1 – ADOLESCÊNCIA        A adolescência, um estágio de início e d...
132.1.1. Puberdade        O início da puberdade é ativado pela maturação do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal-gonadal,...
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15        Na adolescência intermediária, o comportamento sexual e a experimentaçãocom uma variedade de papéis sexuais são ...
162.2.   O TÉRMINO DA ADOLESCÊNCIA        O término da adolescência ocorre quando o indivíduo começa a assumir astarefas d...
17          3    DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA PERSONALIDADE3.1. A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE DO ADOLESCENTE        Seguindo...
18        De acordo com Erik Erikson, a principal tarefa da adolescência é adquirir aidentidade do ego, que ele definiu co...
19ceiro e o mais alto nível é o da moralidade dos princípios morais auto-aceitos, noqual existe uma obediência voluntária ...
20      4 ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE: UMA VISÃO PSICANALÍTICA4.1. TEORIA DA SEXUALIDADE INFANTIL4.1.1. – Teoria Estrutural...
21rerá na necessidade de uma estrutura controladora do id. Freud denominou esta se-gunda estrutura, de EGO que em latim si...
224.1.2. Fases do desenvolvimento da sexualidade4.1.2.1.    Fase Oral           A primeira fase, que Freud chamou de Fase ...
23vista que nem toda a quantidade de libido armazenada no ego, poderá se satisfazercom os alimentos, a libido excedente pa...
244.1.2.2.    Fase Anal           A segunda fase descrita por Freud é denominada de anal. Aqui os impulsosda libido se des...
25zona anal se torna muito ativa e a criança passa a obter prazer pela estimulação damembrana mucosa retal e das partes im...
26de neurose anal: o caso do avaro que junta dinheiro, o colecionador que compraquadros valiosos e não os exibe e nem mesm...
27indivíduo terá inconscientemente um sentido normal de poder, e conseqüentementeuma atitude adequada diante da sujeira e ...
28órgão sensível e prezado chama-se angústia de castração; medo que se atribui pa-pel tão significativo no desenvolvimento...
29criança vai afastar o complexo de Édipo se igualando e se identificando com o pai.Mas qual seria a relação entre a ident...
30        É nesta fase que desperta nas crianças de ambos os sexos o desejo de veros genitais umas das outras, bem como mo...
31pressionante, na infância, do tamanho do pênis de outrem, quando o deles era real-mente pequeno. Nos meninos a “feminili...
32sem qualquer significado sexual imediato, já que para ele, a mãe representa confor-to, afeto e proteção para o seu filho...
334.1.1.2. Teoria Topográfica        Para entendermos o conjunto inter-relacionado que Freud propôs, precisa-mos fazer uma...
34      5    ADOLESCÊNCIA: UMA NOÇÃO DE TEMPESTADE E TORMENTA5.1. UMA ABORDAGEM DE ANNA FREUD          Para Anna Freud a a...
35        Segundo ela os conflitos da infância são solucionados sob a influência ex-terna, ou melhor sob a atitude orienta...
36                     podemos entender que há uma ligação entre a renúncia de roupas                     bonitas e atraen...
37verá ocasionar um profundo vazio interior, que poderá ser substituído por romancesintempestivos ou por episódios de ador...
38                           6 CONSIDERAÇÕES FINAIS        Dentro das metas propostas pela pesquisa a qual teve como objet...
39                               BIBLIOGRAFIAABERASTURY, ARMINDA. Psicanálise da Criança. Teoria e Técnica. Porto Ale-gre:...
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Monografia do curso de teoria da psicanálise3

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Monografia do curso de teoria da psicanálise3

  1. 1. SOCIEDADE UNIVERSITÁRIA REDENTOR FACULDADE REDENTOR PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃOCURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM TEORIA DA PSICANÁLISE IVANILDO FELIX DE LIMAADOLESCÊNCIA X SEXUALIDADE X PSICANÁLISE: UMA NOÇÃO DE TEMPESTADE E TORMENTA ITAPERUNA-RJ 2004
  2. 2. IVANILDO FELIX DE LIMAADOLESCÊNCIA X SEXUALIDADE X PSICANÁLISE: UMA NOÇÃO DE TEMPESTADE E TORMENTA Área de concentração: Psicanálise Infantil Monografia apresentada a Faculdade Redentor, como parte das exigências para a conclusão do Curso de Especialização em Teoria da Psicanáli- se. Orientadora: Profa. Francisca Lopes das N. Ca- listrato ITAPERUNA-RJ 2004
  3. 3. IVANILDO FELIX DE LIMA “ADOLESCÊNCIA X SEXUALIDADE X PSICANÁLISE” UMA NOÇÃO DE TEMPESTADE E TORMENTAMonografia aprovada como parte das exigências para a conclusão do Curso de Es-pecialização em Teoria da Psicanálise, pela seguinte banca: _____________________________________ Prof. Dr. _____________________________________ Prof. Dr. _____________________________________ Profa. Ms. Itaperuna-RJ, 14 de fevereiro de 2004.
  4. 4. DEDICATÓRIA:Dedico o meu trabalho aos meus pais Luiz Felix de Li-ma (in memoriam) e Luiza Felix de Lima, que me pro-porcionaram a vida e me oportunizaram conhecer asmaravilhas do conhecimento. A minha gratidão!A meus filhos Ivanildo Felix de Lima Filho e Sabrina Ma-ria Belarmino de Lima (esta chegando ao final do curso)que foram a razão que me impulsionou a terminar ocurso. Vocês são a razão do meu viver.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus que me conservou a vida até o presente momento,íntegro, com saúde e com disposição de bem servir aos outros. Depois a minha esposa e companheira Severina Belarmino Neves de Lima(Minininha), que por vezes me acompanhou até Natal, me fazendo companhia naviagem, um tanto perigosa, pelo fato de noturna e também pelo apoio nos estudos, omeu obrigado! Aos meus companheiros de classe, que insistentemente lutaram para umcurso de qualidade, enriquecendo meus conhecimentos nos debates, discussões etrabalhos. Vocês hão de ficar registrados na minha memória. A minha Psicanalista Pessoal Dra. Neide que soube me ouvir e a Psicanalis-ta Didata Dra. Francisca, que soube me apoiar, aconselhar, criticar, chamar atençãoe me ensinar como uma boa mãe, minha eterna gratidão! Aos funcionários do Instituto de Educação e Cultura Dom Pedro II em Tan-gará-RN, que em alguns momentos se dispuseram a escutar minhas explanaçõessobre o conhecimento psicanalítico. Ao Sr. Dedé, Presidente da Associação dos Deficientes Físicos da Cidadede São Tomé-RN- ADEFIST, que me convidou para proferir a primeira palestra so-bre Psicanálise, em Encontro Regional dos deficientes físicos da região Potengi. Agradeço a Socorro Pereira e Mona Lisa que abriram as portas da ClínicaMentalis, em Santa Cruz-RN, para que pudesse trabalhar com pacientes pilotos. Osmeus sinceros agradecimentos! A colaboradora Célia, que se dispôs a abrir a clínica, marcar e desmarcarsessões, enfim a dar todo apoio administrativo para o bom funcionamento da mes-ma, o meu obrigado.
  6. 6. A todos os meus pacientes pilotos, que por questões éticas, não podereimencionar seus nomes aqui. A todos os professores que transmitiram seus conhecimentos com a maiorserenidade e sinceridade possível, a minha gratidão. Enfim a todos que direta ou indiretamente, foram companheiros e estiveramcomigo em mais essa batalha. Vocês todos ficarão comigo!
  7. 7. RESUMOEsta monografia trata sobre a adolescência, principalmente do papel que desempe-nha a sexualidade neste período, mostrando as transformações ocorridas na biolo-gia do mesmo, e como estas transformações físicas e hormonais desempenham pa-pel fundamental na formação da personalidade e da sexualidade do adolescente.Trata ainda, da adolescência como período de tempestade e tormenta, devido àsinquietações próprias do momento, numa visão psicanalítica e principalmente numaabordagem de Anna Freud.Palavras Chave: Psicanálise – Adolescência – Sexualidade – Teoria da Sexualida-de – Freud – Anna Freud.
  8. 8. ABSTRACT This monograph about adolescence, mainly of the role of sexuality in this period,showing the transformations in biology, and how these hormonal and physical trans-formations play key role in the formation of personality and adolescent sexuality.This is still, of adolescence as the period of storm and storm, due to the concerns ofthe time, in a vision and psychoanalytic approach primarily of Anna Freud.Keywords: Psychoanalysis – Teens – Sexuality – Theory of sexuality- Freud – AnnaFreud.
  9. 9. LISTA DE ILUSTRAÇÃOFIGURA 1 – EFEITOS DOS HORMÔNIOS SEXUAIS SOBRE O DESENVOLVI-MENTO DA PUBERDADE.
  10. 10. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO...................................................................................... 102. O ADOLESCENTE: UMA VISÃO BIOLOGICISTA................................ 122.1. Adolescência..................................................................................... 122.1.1. Puberdade........................................................................................ 132.1.1.1. Idade de início da puberdade e alterações hormonais............ 132.1.1.2. Desenvolvimento puberal-sexual............................................... 142.2. O término da adolescência................................................................... 163. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA PERSONALIDADE................. 173.1. A formação da personalidade do adolescente..................................... 173.2. Desenvolvimento moral....................................................................... 184. ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE: UMA VISÃO PSICANALÍTICA. 204.1. Teoria da Sexualidade Infantil.............................................................. 204.1.1. Teoria Estrutural.............................................................................. 204.1.2. Fases do desenvolvimento da sexualidade.................................. 224.1.2.1. Fase oral........................................................................................ 224.1.2.2. Fase anal....................................................................................... 244.1.2.3. Fase fálica..................................................................................... 274.1.2.4. Período de latência....................................................................... 324.1.2. Teoria Topográfica.......................................................................... 335. ADOLESCÊNCIA: UMA NOÇÃO DE TEMPESTA DE E TORMENTA 345.1. Uma abordagem de Anna Freud...................................................... 346. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................. 38BIBLIOGRAFIA....................................................................................... 39
  11. 11. 101 INTRODUÇÃO Falar da adolescência nos tempos atuais é uma tarefa muito difícil. É falarde sexualidade, drogas, violência e também das transformações físicas e biológicas,que permeiam a vida do adolescente. Entretanto, preferi falar da adolescência, en-quanto período de transição, de angústias e de conflitos. Por vezes mal compreen-dido, o adolescente passa por um duplo sentimento de rejeição e tormenta: seja noperceber as transformações ocorridas no seu corpo e no seu pensar, seja no não serbem aceito pelos adultos, por seus pares e pela sociedade. Escolhi esta temática porque lido com jovens e na análise de pacientes pilo-tos, defrontei-me com vários jovens adolescentes, que passaram seus problemas,suas angústias e seus conflitos e pude perceber o sofrimento vivido pelos mesmos. No primeiro capítulo foi analisado o tema adolescência, conceituado o que éa adolescência, e suas transformações físicas e biológicas. Foi tratado da puberda-de, idade de início da puberdade e alterações hormonais, desenvolvimento puberal-sexual e o término da adolescência, produção de autores que escreveram sobre atemática: Kaplan e Sadock. O segundo capítulo expõe aspectos do desenvolvimento cognitivo da per-sonalidade, usando como referencial a obra de Judith Gallatin, mostrando váriospensamentos comparativos, seja na visão de Hall, Rosseau, Piaget e Erik Erikson.Discorre ainda sobre o desenvolvimento moral do adolescente. No terceiro capítulo expus uma visão psicanalítica do adolescente e suasexualidade, enfatizando a Teoria da Sexualidade Infantil de S. Freud e as fases dodesenvolvimento da sexualidade, como também uma resumida visão das tópicas,destacando-se o papel que as fases do desenvolvimento da sexualidade exerce so-bre o desenvolvimento do adolescente. Por fim numa visão de Anna Freud, analisamos a adolescência enquantomomento de profundas transformações, uma vez que as forças da libido reprimidasou adormecidas na latência voltam a tona, com força total, sempre como um refe-rencial dos conflitos das fases iniciais. Por ser um período de passagem, de desco-berta, principalmente da sexualidade e de ajustamento, os adolescentes enfrentam
  12. 12. 11uma tempestade de angústia, que os deixam vulneráveis, longe dos pais, da família,como se alheios fosse.
  13. 13. 12 2 O ADOLESCENTE: UMA VISÃO BIOLOGICISTA2.1 – ADOLESCÊNCIA A adolescência, um estágio de início e duração variáveis, é o período situa-do entre a infância e a idade adulta. Caracteriza-se por profundas alterações do de-senvolvimento biológico, psicológico e social. O início biológico da adolescência émarcado pela rápida aceleração do crescimento esquelético e primórdios do desen-volvimento sexual; o início psicológico se caracteriza por uma aceleração do desen-volvimento cognitivo e uma consolidação da formação da personalidade; socialmen-te, a adolescência é um período de preparo intensivo para a idade adulta jovem, quevem a seguir.(KAPLAN & SADOCK, 1997) Em muitas culturas, o início da adolescência é claramente assinalado porritos de passagem que, em geral, envolvem testes de força e coragem. Nas socie-dades tecnologicamente avançadas, entretanto, o final da meninice e os requisitospara a idade adulta não estão claramente definidos. Em tais circunstâncias, o ado-lescente passa por um conflito mais prolongado e, às vezes, confuso, para atingiruma situação de adulto independente. A adolescência, geralmente é dividida em três períodos: 1) inicial(dos 11aos 14 anos); 2)intermediária (dos 14 aos 17 anos); e 3) tardia (dos 17 aos 20 anos).Entretanto, essas divisões são arbitrárias: o crescimento e o desenvolvimento ocor-rem ao longo de uma linha de continuidade que varia de pessoa para pessoa. Deve-se distinguir entre a puberdade, que é um processo de mudança física, caracterizadopelo desenvolvimento das características sexuais secundárias, e a adolescência queé, em grande parte, um processo psicológico de mudança. Entretanto, os processossão sincronizados, quando não simultâneos. Como acontece muitas vezes, o ado-lescente precisa dar conta deste desequilíbrio e o estresse adicional. (KAPLAN &SADOCK, 1997)
  14. 14. 132.1.1. Puberdade O início da puberdade é ativado pela maturação do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal-gonadal, levando à secreção dos esteróides sexuais. Esta ativi-dade hormonal produz as manifestações da puberdade. Tradicionalmente categori-zadas como características sexuais primárias e secundárias. As características pri-márias são aquelas diretamente envolvidas no coito e na reprodução, a saber, ór-gãos reprodutores e genitália externa. As características secundárias incluem o de-senvolvimento dos seios e alargamento dos quadris, nas mulheres, e o crescimentode pelos faciais e mudança no tom de voz, nos homens. Em ambos os sexos, a mai-oria dos níveis hormonais adultos é atingida em torno dos 16 anos, mas as garotascomeçam a puberdade, em média, aos 11 anos, e os meninos aos 13 anos. Os au-mentos característicos de peso e altura também ocorrem mais cedo nas meninas doque nos meninos, de modo que aos 12 anos, as meninas são mais altas e pesadasdo que os meninos. Crescimento precoce ou retardado, acne, obesidade e aumento das glându-las mamárias em meninos, e seios pequenos ou grandes demais em meninas, sãoalguns desvios dos padrões esperados do amadurecimento. (KAPLAN & SADOCK,1997)2.1.1.1. Idade de Início da Puberdade e alterações hormonais O início da puberdade varia, com as meninas ingressando na puberdade 12a 18 meses antes dos meninos. A idade média é 11 anos para as meninas (comuma faixa etária dos 8 a 13) e 13 para os meninos (com uma faixa dos 10 a 14). Os hormônios sexuais aumentam lentamente durante toda a adolescência ecorrespondem às alterações corporais. O hormônio folículo-estimulante(FSH) e hor-mônio luteinizante (LH) também aumentam durante toda a adolescência, mas o LHfreqüentemente está elevado acima dos valores adultos entre os 17 e os 18 anos.Os níveis de LH característicos do funcionamento adulto começam ao final da ado-lescência. Dos 16 aos 17 anos, um grande aumento parece ocorrer nos níveis mé-
  15. 15. 14dios de testosterona, que, então, diminuem, para estabilizarem-se em um nível adul-to. A testosterona é o hormônio responsável pela masculinização dos meninos,ao passo que o estradiol é o hormônio responsável pela feminização das garotas.Os dois hormônios também influenciam o funcionamento do sistema nervoso central,incluindo o humor e o comportamento. Níveis diminuídos de estrógeno podem estarassociados com um humor deprimido (como ocorre no período pré-menstrual emalgumas mulheres). Altos níveis de testosterona têm sido correlacionados com a-gressão e impulsividade em alguns homens. Em garotos adolescentes, os níveis detestosterona correlacionam-se com a libido e são manifestados por impulso sexual,masturbação e impulso para o coito. As garotas adolescentes também são influenci-adas pelos andrógenos, mas em grau muito menor do que os meninos. (KAPLAN &SADOCK, 1997)2.1.1.2. Desenvolvimento puberal-sexual O impulso sexual é desencadeado por certos andrógenos, como a testoste-rona, que estão em níveis mais altos durante a adolescência do que em qualqueroutro período da vida. Segundo William Masters e Virgínia Johnson, o pico do impul-so sexual masculino ocorre entre 17 e 18 anos de idade. O pré-adolescente descar-rega suas necessidades libidinais mais freqüentemente através da masturbação, ummodo seguro de satisfazer os impulsos sexuais. Uma vez que as meninas ingressam na puberdade 2 anos mais cedo doque os meninos, podem começar a namorar e a ter intercurso sexual mais cedo doque seus pares do sexo oposto. Entretanto, as garotas desta idade são menos se-xualmente ativas do que os garotos. Estes são facilmente excitados por estímulos, eas ereções são freqüentes. Para as garotas, o impulso sexual está mais associadocom outros sentimentos; elas tendem a ver o sexo e o amor como sentimentos rela-cionados, enquanto que os homens consideram o desejo e o amor sentimentos maisdissociáveis.(KAPLAN & SADOCK, 1997)
  16. 16. 15 Na adolescência intermediária, o comportamento sexual e a experimentaçãocom uma variedade de papéis sexuais são comuns. A masturbação ocorre comouma atividade normal, quase com a mesma intensidade nos dois sexos, neste perío-do; contudo, uma criação rigidamente religiosa pode engendrar fortes sentimentosde culpa. São comuns as paixões heterossexuais, freqüentemente com uma pessoainatingível da mesma idade ou mais velha. Experiências homossexuais podem também ocorrer neste período, mas,geralmente, são temporárias. Muitos adolescentes precisam de garantias acerca danormalidade de uma experiência homossexual isolada e confirmação de que não setrata de um indício de uma orientação homossexual permanente. Para outros, umaorientação homossexual já se encontra predeterminada neste momento. Esses ado-lescentes (estima-se que compreendem entre 1 a 4% de todos os meninos adoles-centes e 0,5 a 2% de todas as meninas adolescentes) podem necessitar de aconse-lhamento, acerca de como lidar com sua orientação sexual. Embora muitos adolescentes experimentem o sexo em uma idade precoce,pesquisas recentes indicam que a idade média para o primeiro intercurso sexual emambos os sexos é 16 anos. Uma década atrás, por exemplo, a idade média para oprimeiro intercurso sexual era de 18 anos, e apenas 55% das mulheres haviam tidointercurso sexual nesta idade. Atualmente, 80% dos homens e 70% das mulheres játiveram relações sexuais ao atingir 19 anos. (KAPLAN & SADOCK, 1997) O aparecimento da menarca é uma das alterações puberais nas meninas. Atendência atual é no sentido de uma menarca mais precoce do que no passado. NosEstados Unidos da década de 20, a idade média para a menarca era de 14,5 anos,nos anos 80, ela caiu para os 13 anos. As atitudes culturais para com a menarcavariam desde vê-la como uma maldição em um extremo, até encará-la como umaafirmação prazerosa da própria feminilidade, no outro extremo. A maioria das adolescentes não é informada sobre a menstruação por seuspais. Elas baseiam-se em informações das colegas, escola e meios de comunica-ção. A menarca pode ser atrasada por vários fatores: fraco estado nutricional, exer-cícios excessivos, treinamentos para maratonas e estresse psicológico. (KAPLAN &SADOCK, 1997)
  17. 17. 162.2. O TÉRMINO DA ADOLESCÊNCIA O término da adolescência ocorre quando o indivíduo começa a assumir astarefas da idade adulta jovem, que envolvem a escolha de uma profissão e o desen-volvimento de um senso de maturidade que leva, na maioria dos casos, a casar e terfilhos. Daniel Levinson descreveu uma transição na idade adulta precoce entre ado-lescência e idade adulta, na qual o jovem começa a sair de casa e a levar uma vidaindependente. Este período envolve um pico do desenvolvimento biológico, a assun-ção de novos papéis, que envolve as capacidades de aprendizado e atitudes neces-sárias para o bom desempenho desses papéis, e, por fim, a assunção de um self eestrutura de vida adulta. (KAPLAN & SADOCK, 1997) FIGURA 01 – EFEITOS DOS HORMÔNIOS SOBRE O DESENVOLVIMENTO NA PUBERDADE FONTE: COMPÊNDIO DE PSIQUIATRIA DE KAPLAN E SADOCK
  18. 18. 17 3 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA PERSONALIDADE3.1. A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE DO ADOLESCENTE Seguindo o esquema de Judith Gallatin, usarei como referencial dois auto-res que se dedicaram ao estudo da adolescência. O primeiro deles é G. Stanley Hallque, sob influência do evolucionismo Darwiniano de Harckel e do “pré-suposto” didá-tico de Rousseau, considerava o desenvolvimento da personalidade como uma re-capitulação do desenvolvimento das espécies. Hall formulou a teoria de que, duranteos anos entre a infância e a maturidade sexual, a criança também repete a históriadas espécies, mas não toda a história, ao invés de repetir todo o processo da evolu-ção, a criança procedia em estágios cada um dos quais espelhando um estágio pri-mitivo. Observa que o nascimento do intelecto acompanha o nascimento da sensua-lidade. Enquanto na meninice o indivíduo se depara com as bases para a memoriza-ção e exercícios de rotina, na adolescência ele adquire verdadeiramente a capaci-dade de raciocinar. “São estas habilidades intelectuais que, em última instância, capaci- tarão o adolescente a tomar seu lugar na sociedade civilizada.” (GALLATIN, 1978) Quanto a Rousseau, ele assimilou a idéia de que, durante a meninice, o in-telecto é, a grosso modo, semelhante ao de um selvagem e que, neste período acriança ainda não possui a capacidade de captar princípios geométricos, assim co-mo os significados abstratos do tipo “justiça” e “liberdade”. Entretanto quando bemtalhado e utilizado, pode levar o jovem além de seus antecedentes animais. (GAL-LATIN, 1978) Já segundo Piaget, no início da adolescência, o pensamento torna-se abs-trato, conceitual e orientado para o futuro: ele chamou esta etapa de estágio das o-perações formais. Neste momento, muitos adolescentes exibem uma notável criati-vidade, que expressam em textos, música, arte e poesia. A criatividade também éexpressada nos esportes e nos interesses do adolescente pelo mundo das idéias –questões humanitárias, morais, éticas e religiosas. A manutenção de um diário é umescape criativo comum durante este período.
  19. 19. 18 De acordo com Erik Erikson, a principal tarefa da adolescência é adquirir aidentidade do ego, que ele definiu como a consciência de quem se é e para onde seestá indo. Erikson descreveu a luta normal da adolescência como identidade contraconfusão de papéis. Identidade é um senso seguro de si mesmo. Confusão, tambémchamada de difusão de identidade, é um fracasso em desenvolver um self ou cons-ciência coesa de si mesmo. Parte da resolução da crise de identidade diz respeito a deixar de ser umapessoa dependente para tornar-se independente. As lutas iniciais freqüentementegiram em torno dos conceitos estabelecidos de papéis sexuais e identificação com ogênero. (KAPLAN & SADOCK, 1997)3.2. DESENVOLVIMENTO MORAL Um senso bem definido de moralidade é uma importante conquista, para amaioria das pessoas no estágio da adolescência tardia e idade adulta. A moralidadeé definida como uma conformidade a padrões compartilhados, direitos e deveres.Existe, entretanto a possibilidade de conflito entre dois critérios socialmente aceitos,e a pessoa aprende a fazer julgamentos com base em um senso individualizado deconsciência. Há uma obrigação moral de obedecer a regras estabelecidas, mas, a-penas, até onde servem aos fins humanos. Este estágio de desenvolvimento interna-liza os princípios éticos e o controle da conduta. Piaget via o desenvolvimento da moralidade como um processo lento, emconjugação com os estágios do desenvolvimento cognitivo. No estágio pré-operatório, a criança simplesmente obedece a regras estabelecidas pelos pais; noestágio das operações concretas, as regras são aceitas pela criança, mas existeuma incapacidade de permitir exceções; no estágio das operações formais, as re-gras são reconhecidas em termos do que é bom para a sociedade em geral. La-wrence Kohlberg integrou os conceitos de Piaget e descreveu três níveis principaisde moralidade. O primeiro nível é o da moralidade pré-convencional, no qual a puni-ção e a obediência aos pais são os fatores determinantes; o segundo nível é o damoralidade da conformidade ao papel convencional, no qual a criança tenta confor-mar-se com o fim de obter aprovação e manter boas relações com os outros; o ter-
  20. 20. 19ceiro e o mais alto nível é o da moralidade dos princípios morais auto-aceitos, noqual existe uma obediência voluntária às regras, com base em uma noção de princí-pios éticos e no qual podem ser feitas exceções às regras, sob certas circunstâncias.(KAPLAN & SADOCK,1997)
  21. 21. 20 4 ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE: UMA VISÃO PSICANALÍTICA4.1. TEORIA DA SEXUALIDADE INFANTIL4.1.1. – Teoria Estrutural Na verdade considerar, pura e simplesmente, a teoria da sexualidade infantilseria uma tarefa difícil, já que o próprio Freud, no decorrer de sua vida, deixou emaberto aspectos que paulatinamente foram recebendo acréscimos. O que podemosvislumbrar atualmente, na bibliografia são três sistemas teóricos que se inter-relacionam. O primeiro que trata dos três estágios significativos do desenvolvimentoda personalidade – a Teoria da Sexualidade – o segundo que trata do desenvolvi-mento constitutivos da personalidade – a Teoria Estrutural – e o terceiro que trata dadescrição do funcionamento da mente – Teoria Topográfica. Para compreendermos os processos da dinâmica adolescente na teoria psi-canalítica, precisamos passar pela inter-relação desses três sistemas. Para Sigmund Freud “...longe de ser frágil, inocente, pura, imaculada e semvícios, o recém-nascido humano, era uma criança assediada por desejos e necessi-dades imperiosas. Ele poderia ser frágil, mas não inocente, ao menos no sentidoconvencional da palavra...” (GALLATIN, 1978) A criança de Freud se apresenta cheia de desejos e necessidades que lhesão imperiosas e que exigem satisfação imediata. Para Freud a criança nos lustresde sua vida era invadida por um conjunto de impulsos, dados como possuidora deum reservatório básico com os quais o bebê vinha dotado ao nascimento e em últi-ma instância, fonte central de toda a vida que denominou pela abreviação teóricacom derivação latina de ID. Com a emergência da vida e, também destes impulsos herdados, a criançatorna-se escrava do princípio do prazer, já que a satisfação de suas necessidadestêm que se dar de forma imediata e, sendo que, ela por si só, está impossibilitada,dependendo então diretamente de outros indivíduos, começa então aí o desenvolvi-mento da segunda estrutura de sua personalidade, isto é, quando a gratificação deseus impulsos não se dá de forma imediata, a criança passa por uma grande frustra-ção o que lhe provoca um sentimento de desproteção, ansiedade e dor o que decor-
  22. 22. 21rerá na necessidade de uma estrutura controladora do id. Freud denominou esta se-gunda estrutura, de EGO que em latim significa eu. O ego representará a parte ra-cional necessária ao indivíduo para amenizar a ação impulsiva do id. O ego consistede: “Um conjunto de funções que os seres humanos desempenham para manter-se mais ou menos em contato com a realidade: percebendo acuradamente qualquer evento que ocorra, lembrando o que ocorreu no passado, pensando logicamente, agindo apropriadamente...” (GALLATIN, 1978)é claro que estas funções, durante os primeiros anos de vida é frágil, mas a relaçãode confronto entre as forças animais do id e as racionais do ego, possibilitarão a in-teração e o choque da criança com o mundo. E nessa relação conflituosa não há umdomínio total do segundo sobre o primeiro como o próprio Freud antecipou: “A relação do ego com o id é fundamentalmente a de um cavaleiro e seu cavalo. Há pouca dúvida sobre qual deles é o mais razoável e sensível, mas é sempre possível que o cavaleiro fique excessiva- mente preocupado e distraído, a ponto do cabalo fugir-lhe das ré- deas”. (S. FREUD, 1969) A perda do controle permanece perpetuamente como uma ameaça e assim,a criança adquire uma outra agência para assistir o ego e lidar com o id, nasce as-sim uma terceira estrutura que Freud denominou de Superego. Freud considerava o aspecto desenvolvimental da personalidade divididoem etapas definidas, só que ao invés de considerá-las breves recapitulações dosestágios iniciais da história da evolução do homem (HALL) ele acreditava que cadauma delas era representada pela emergência de um aspecto diferente da sexualida-de humana. Se o Id é considerado como reservatório de impulsos involuntários, poderí-amos interrogar: Como se daria a procedência desses eventos? Freud teorizou quedurante o desenvolvimento dos primeiros cinco ou seis anos de vida da criança trêsfases relacionadas a três aspectos distintos da sexualidade se dariam e se fixariamintegrando-se à vida adulta. Para Freud estes eventos estariam ligados a questõesbasicamente biológicas, intrínsecas a existência do indivíduo.
  23. 23. 224.1.2. Fases do desenvolvimento da sexualidade4.1.2.1. Fase Oral A primeira fase, que Freud chamou de Fase Oral, se dará no período maisinicial da vida em torno do décimo oitavo mês. É muito comum ao observarmos umacriança pequena percebermos que tudo que lhe vem a mão, imediatamente é intro-duzido na boca. Segundo Freud, nessa fase, as energias da libido estão todas con-centradas nas atividades que envolvem a boca do bebê. Observando uma criança,poderíamos dizer que ela se interessa por alimentos em função de sua libido oral,mas não é bem assim, vez que, mesmo saciado, ela põe tudo o que alcança na bo-ca; suga sua própria língua; chupa os dedos e até os artelhos, parando de chorarquando lhe dão uma chupeta. Logo após nascer, mantém-se a criança inteiramentealheia ao mundo exterior, revelando suas sensações por meio de choro, sossego,risos e encontrando prazer apenas no seio materno ou no seu próprio corpo, semsaber ainda como localizar estes elementos. É por isso mesmo que o seio, que lhecausa tanto prazer, é entendido como parte do seu ego. É, também, por isso mesmoque dizemos que esta superposição seio-ego, que descreve uma ausência de obje-to, é a imagem perfeita do narcisismo. (UYRATAN, 2000). A seguir começa a criançaa perceber que as repetidas experiências de alívio lhes foram fornecidas por meio doseio, o que é determinante para que ela possa entender que há algo fora dela, esta-belecendo uma diferença mais ou menos definida entre os mundos interno e exter-no. Como resultado do instinto de auto-preservação, o indivíduo é levado a contac-tos prazerosos com o mundo exterior e como resultado da união entre libido e o ego,estes instintos se tornam carregados de energia sexual desde o princípio, devendovir a se dirigir ao mundo exterior em busca de gratificação. O fato, porém, é que co-mo para a criança pequena ainda não existe uma separação muito bem definida en-tre ela mesma e o mundo exterior, a libido permanece ligada ao ego. Entretantochega o momento em que ela se dá conta que nem sempre lhe é oferecido o seioem caso de desconforto: é o contacto com a privação, com que ela acaba se familia-rizando, levando-a a reter a libido, que produz sensações de tensão e de desprazer,que a levam a deixar a posição narcisista e dirigir-se a um objeto no mundo exterior,premido pela necessidade de alimento. Aí começa algo interessante: tendo-se em
  24. 24. 23vista que nem toda a quantidade de libido armazenada no ego, poderá se satisfazercom os alimentos, a libido excedente passa a se tornar independente das satisfa-ções com a nutrição. Começa, então, o desenvolvimento de outras necessidadeslibidinais: o tocar, o ver, o ouvir a mãe, o que representa um “deslocamento” da libidoem relação ao ego, determinando uma desassociação da libido com a alimentação.É quando a criança, já muscularmente mais desenvolvida, pega objetos. Mas elacontinua a sugar tudo o que pode, mas quando lhe aparecem os dentes, ela morde emachuca o seio, quadro que descrevemos como uma tendência à incorporação pordevorá-lo. Na fase oral, este momento é chamado de “canibalística”. Mas isto logose atenua, porquanto a vontade de devorar passa apenas a ser esboçada. (UYRA-TAN, 2000). A relação entre a boca e o impulso sexual fica mais evidente se imaginar-mos que entre os adultos, a boca é um instrumento erógeno, os adultos se beijam eusam a boca como objeto de captação e doação de prazer. (GALLATIN, 1978). A “introjeção oral” é, do mesmo passo o executivo da “identificação primá-ria”. As idéias de que se come um objeto ou de que por ele se é comido vêm a seros modos pelos quais se pensa, inconscientemente, em qualquer reunião objetal. Acomunhão mágica que consiste em “transformar-se na mesma substância”, ou co-mendo o mesmo alimento, ou misturando os sangues respectivos, bem como acrença mágica de que nos tornamos semelhantes ao objeto que comemos baseiam-se no mesmo fato. (GALLATIN, 1978) Como este período, segundo Freud, é um período de vulnerabilidade e de-pendência, qualquer distúrbio neste momento poderá acarretar situações semelhan-tes na idade adulta, daí a ligação que se faz, em termos psicanalíticos, da oralidadecom o estado de dependência. Algumas manifestações de neuroses orais são: beber e comer em excesso,problemas da linguagem e fala, agressão com palavras – correspondente ao morder- xingamentos, gozações, escrúpulos exagerados para não “incomodar”, desejo in-consciente de se instalar e desalojar todas as pessoas, incapacidade de aceitar fa-vores e receber presentes. O afã de saber, o estudo de idiomas, o cantar, a oratória,a declamação, são exemplos de sublimação das tendências orais.
  25. 25. 244.1.2.2. Fase Anal A segunda fase descrita por Freud é denominada de anal. Aqui os impulsosda libido se deslocam das relações orais para centrarem-se na região anal. Segundoele este deslocamento se dá preferencialmente seguindo as características biológi-cas, mas deve-se considerar que as relações de socialização que frustram a faseoral, a exemplo da repressão da mãe quanto ao fato de a criança executar a sucçãodos dedos, podem encaminhar a energia para outro objeto. Embora o prazer anal seache presente desde o início da vida, é no segundo ano que a zona erógena-analparece tornar-se o executivo principal de toda excitação, a qual, então onde querque se origine, tende a descarregar-se pela defecação. É a fase em que a libido seconcentra na região anal, que se torna uma área carregada de emoção agradável,sendo que em primeiro lugar está a satisfação física do “vazio” que sentimos após asaída das fezes, o esvaziar o intestino e em seguida na satisfação mental que a cri-ança sente na execução desta função para os seus pais. Essa região compreende ajunção da pele e a membrana mucosa anu-retal. As junções de pele e mucosas docorpo são sensíveis e ao receberem suave estimulação, produzem sentimentos deprazer. O objetivo primário do erotismo anal, certamente, é o gozo de sensaçõesprazerosas na excreção. A estimulação da mucosa retal pode aumentar com a re-tenção anal, exemplificando bem as combinações de prazer erógeno e a segurançacontra a ansiedade. O medo da excreção originalmente prazerosa leva à retenção eà descoberta do prazer que esta última produz. A possibilidade de realizar estimula-ção mais intensa da mucosa – além de sensação mais intensa pelo aumento da ten-são de retenção – é responsável pelo prazer tensional, que é maior no erotismo analdo que em qualquer outro. (FREUD, 1969). Aqueles que, nas suas satisfações, pro-curam prolongar o pré-prazer e estender o prazer final são sempre, latentemente,eróticos anais. Freud argumenta: “Há algo intrínseco a criança que a torna especialmente interessada em suas funções de eliminação, por volta da idade de um ano e meio ou mais”. ( FREUD, 1969) Nesta fase percebemos a agressividade, que nada tem a ver com o sadismoda fase anal. É no transcurso do surgimento e da instalação da agressividade, que a
  26. 26. 25zona anal se torna muito ativa e a criança passa a obter prazer pela estimulação damembrana mucosa retal e das partes imediatamente adjacentes, passando a ser afunção do ânus preponderantemente prazerosa, tanto quanto o era a entrada no tra-to digestivo. É quando começam as manobras de retenção das fezes, ou freqüentesevacuações, que estimulam a mucosa retal e a região glútea, o que resulta em pra-zer. A recusa de uma criança em defecar, é um modo de desafiar a autoridadeparental e reafirmar que as fezes “são delas”, tendo um prazer adicional na sensa-ção em manter o reto cheio. Elas consideram que as fezes são parte integrante de simesma, com as quais presenteia os pais e os adultos que a envolvem, sendo muitoprecioso, pois é dado de dentro do seu próprio corpo, do seu ser. O manuseio dasfezes pela criança é proveniente desta fase, sendo reprovadas pelos pais como algonojento, sujo. Apesar deste valor – indesejado – que é transmitido pelos pais paraas crianças no seu consciente, para o inconsciente irá uma mensagem de repressãodevido ao valor atribuido as fezes pela criança. (FREUD, 1969). É a fase do desenvolvimento da libido, em que a evacuação e a tendência àagressão se encontram saturadas de impulsos sexuais: é a fase denominada de sá-dico-anal, que chega até aos 2 ou 3 anos mais ou menos de idade. Esta fase, peladesimportância dos órgãos genitais, é chamada de pré-genital da organização dalibido. Freud argumenta que existe uma ligação estrita entre a função de elimina-ção e a sexualidade. O exercício da socialização, novamente vai se instaurar, para que a criançaaprenda a controlar suas funções que ele denomina de “Treinamento do Toalete”.Este treinamento poderá ser muito doloroso já que a criança não tem na sua forma-ção egoíca, argumentos que a possibilite entender tal treinamento, o que deverápropiciar uma relação de bloqueios ainda maior que na fase anterior. Estes bloquei-os poderão ser responsáveis por diversos reflexos na vida adulta. A excessiva de-terminação da mãe em relação ao asseio e a limpeza, poderão refletir na idade adul-ta numa personalidade anal, ou melhor, uma personalidade com uma fixação portudo limpo, asseado e ordeiro. Onde ocorreu a fixação anal – neurose anal – mesmo que as fezes nãopossam ser acumuladas indefinidamente, o indivíduo acumulará o que de valor pu-der adquirir, entesourando, sem contudo, atingir o seu uso apropriado. Alguns casos
  27. 27. 26de neurose anal: o caso do avaro que junta dinheiro, o colecionador que compraquadros valiosos e não os exibe e nem mesmo os olha; dos indivíduos obssessivos,que insistem longo tempo e improdutivamente em tarefas não completadas; pontua-lidade exagerada; tendência ao uso de roupa íntima suja; sede de poder; prazer nadescarga de uma linguagem chula. As crianças que foram obrigadas a defecar pormeio de ordens, quando adultas apresentam acentuada tendência a terem seus pro-blemas solucionados por outras e tendem a realização de várias atividades simulta-neamente, que se manifesta numa obsessão à leitura durante a defecação. A origem e o caráter da conexão que existe entre impulsos anais e sádicos,a que se alude na expressão usada para designar o nível de organização – sadismoanal - são análogas à oralidade e sadismo: em parte, deve-se a influências frustrado-ras e, em parte, ao caráter dos objetivos de incorporação. Acresçam-se, contudo,dois fatores: em primeiro lugar, o fato de a eliminação ser, objetivamente, tão “des-trutiva” quanto a incorporação; o objeto do primeiro ato sádico-anal são as própriasfezes, cuja expulsão se percebe como uma espécie de ato sádico. Posteriormente,as pessoas são tratadas como já o foram as fezes; em segundo lugar, o fator de“poder social” que se envolve no controle dos enfíncteres; exercitando-se no asseio,a criança encontra oportunidade efetiva para exprimir oposição contra os adultos. Razões fisiológicas existem para a conexão de erotismo anal, de um lado, ede outro lado, ambivalência e bissexualidade. O erotismo anal faz que a criança trate um objeto, a saber, as fezes, de ma-neira contraditória: expele a matéria para fora do corpo e a retém como se fosse umobjeto amado; aí está a raiz fisiológica da “ambivalência anal”. Por outro lado ainda,o reto é órgão oco excretório; órgão excretório que é, pode expelir ativamente algu-ma coisa; órgão oco, pode ser estimulado por um corpo estranho que penetre. Astendências masculinas derivam da primeira faculdade; as tendências femininas, dasegunda; temos aí a raiz fisiológica da conexão existente entre erotismo anal e a“bissexualidade”. Quando a criança tem uma educação de higiene pessoal prematura, o indi-víduo posteriormente quando adulto poderá ter um comportamento hostil e rebelde.Porém em seu aspecto formal apresenta-se asseado, obediente, passivo e medroso.Quando o indivíduo tem uma educação de higiene tardia, tenderá a ser desasseado,desleixado e irresponsável. Quando tem uma educação no momento adequado, o
  28. 28. 27indivíduo terá inconscientemente um sentido normal de poder, e conseqüentementeuma atitude adequada diante da sujeira e da limpeza. Como sublimação das tendências da fase anal, ou seja, os desvios das pul-sões para fins aceitos pela cultura, temos as atividades de artes plásticas, que sãotransformações mais ostensivas do prazer infantil de brincar com as fezes.4.1.2.3. Fase Fálica A fase fálica ou Fase edipiana, se dá segundo Freud por volta dos três aquatro anos de idade. É a fase precursora da forma final assumida pela vida sexuale que muito se assemelha a ela. Mais uma vez a energia da libido se desloca, agorapara os órgãos sexuais. É quando o menino percebe que seu pênis lhe dá prazer e amenina de uma forma mais tímida descobre seu clitóris. Nesta fase a criança desco-bre o prazer da região genital, seja pelo contato do vento, ou da mão de quem reali-za sua higiene, ainda que inconsciente. Assim, os garotos passam a pegar com maisfreqüência no pênis e as meninas no clitóris. O ego da criança de três a quatro anosé mais experiente, mais desenvolvido, mais integrado e, conseqüentemente, diferen-te sob muitos aspectos do ego da criança de um ou dois anos. Essas diferenças seevidenciam no aspecto do funcionamento do ego. Nessa idade a criança já não maispossui relações parciais de objeto, se seu desenvolvimento foi normal. Assim porexemplo, as diferentes partes do corpo da mãe, seus diferentes humores, e seuspapéis contraditórios de mãe “boa” que satisfaz os desejos da criança e da mãe “má”que os frustra, são todos reconhecidos pela criança dessa idade como compondoum objeto único chamado mãe. No caso do menino, onde foi centrado o interesse doestudo de Freud, começam a apresentar certos sentimentos dele em relação a mãe,esses sentimentos provocam na criança uma disputa triangular, onde o pai é o rivale a mãe o objeto de prazer, originando assim o chamando complexo de Édipo, emreferência ao mito grego que matou o pai e desposou a mãe. Esta relação de disputa é profundamente perturbadora e deverá transcorrernum período muito curto de tempo, já que a criança fantasia uma punição terrívelde seu pai por causa de seus sentimentos pela sua mãe. Esta punição foi descritapor Freud como Complexo de Castração. O medo de alguma coisa acontecer a este
  29. 29. 28órgão sensível e prezado chama-se angústia de castração; medo que se atribui pa-pel tão significativo no desenvolvimento total do menino. A angústia de castração nomenino do período fálico pode comparar-se ao medo de ser comido do período oral,ou ao medo de ser despojado do conteúdo corporal do período anal; é o medo reta-liatório do período fálico, que representa o clímax dos temores fantásticos de lesãocorporal. Em última análise, pode-se rastrear a idéia de castração no antigo reflexobiológico da autonomia; menos profunda, porém, certamente, baseia-se ela na idéiaretaliatória arcaica de Talião: o próprio órgão que pecou tem de ser punido. Vê-seentretanto, que o ambiente das crianças lhes reforça idéias fantásticas de punição,muitos adultos ainda ameaçam o menino de “cortar-lhes isto”, quando o surpreen-dem masturbando-se. Em geral, a ameaça é menos direta, mas há outros castigosque se sugerem, a sério ou brincando e a criança interpreta-os como ameaças decastração. Todavia, mesmo as experiências que, objetivamente, não contêm qual-quer ameaça podem ser falsamente interpretadas neste sentido pelo menino quetenha a consciência culpada; por exemplo, a experiência de que existem realmentecriaturas sem pênis na observação dos genitais femininos. Há vezes em que umaobservação desta ordem empresta caráter sério a uma ameaça anterior a que nãose dera maior atenção; noutros casos, a realização da fase fálica basta, só ela, paraativar ameaças passadas que não haviam feito impressão excessivamente intensadurante os períodos pré-genitais. Também varia a natureza do perigo que se acredi-ta esteja ameaçando o pênis. Há quem pense estar o pênis ameaçado por um inimi-go masculino, ou seja por um instrumento penetrante, pontudo; ou por um inimigofeminino, isto é, instrumento que envolve, isso conforme se apresente o pai ou amãe como a pessoa que mais ameaça; ou conforme as fantasias especiais que temo menino no tocante ao contato sexual. Como o ego da criança é muito fraco paradistinguir entre o que é fantasioso e o que é real, o pavor da punição forçará umaterceira estrutura que Freud vai chamar de Superego. O fato de os adultos ameaçarem ou brincarem de castração com tanta faci-lidade e animação constitui, certamente, expressão dos seus próprios complexos decastração; porque amedrontar os outros é meio ótimo de acalmar os próprios temo-res, donde resulta que os complexos de castração vão passando de geração emgeração. Com os conflitos provocados pelo complexo de Édipo a criança se vê dianteda necessidade de construir uma nova estrutura, partindo do pavor da punição, a
  30. 30. 29criança vai afastar o complexo de Édipo se igualando e se identificando com o pai.Mas qual seria a relação entre a identificação ao pai com a criação do superego?Freud argumenta que como a criança toma ciência de que jamais terá sua mãe emdetrimento de seu pai, deverá, ela se assemelhar ao pai, seguindo o ditado popular“se você não pode com ele, junte-se a ele”. E ao se igualar ao pai, a criança começaa desenvolver os valores e padrões que lhe permitirão a socialização. O que lhe ga-rantirá não transgredir os ditames da sociedade, e mesmo se o fizer, deverá se arre-pender ou se auto criticar. Com o passar do tempo estes preceitos vão sendo incor-porados a sua própria personalidade, passando a ser o seu protetor interno ou a suavoz da consciência o que poderá ser comparada a necessidade que a criança temde ser orientada pelo adulto, quanto ao que é certo e errado. É necessário argumen-tar que até agora fica evidente a canalização das preocupações para o desenvolvi-mento da personalidade do menino. Com a abordagem do Complexo de Édipo, estasituação é mais acentuada, já que o próprio Freud assumiu suas dificuldades de es-tabelecer um paralelo entre os meninos e meninas. Se o medo da castração é, nopensamento freudiano, o grande responsável pela formação do superego, como ficaentão a formação desta estrutura entre as meninas, que não passam por este está-gio fantasioso? Freud afirma que na menina a formação do superego se dá de formamais tímida, e além de estar associada ao que ele chamou de inveja do pênis. Emum determinado momento a menina descobre a diferença existente entre ela e osexo oposto, isto faz com que a culpa da diferença recaia sobre sua mãe. Ela passa-rá então a desejar ter um filho com seu pai, para suprir esta falta, este conflito, a e-xemplo do menino, tem um pequeno período de duração, e por ver que será impos-sível sua fantasia, ela encaminhará para a construção do superego. Nem mesmoFreud ficou muito convicto desta formulação. (GALLATIN, 1978) Nos casos, porém, em que se desenvolveram certas fixações, operam for-ças que resistem a deslocamento desta ordem, de modo que, por exemplo, as fixa-ções pré-genitais dos neuróticos obstam a concentração genital progressiva da exci-tação durante o ato sexual. O prazer se encontra basicamente nessas regiões, ondepermanecerá, embora haja na garota um deslocamento, diríamos parcial, para a va-gina e na puberdade para o clitóris-vaginal. Nenhuma catexia libidinal forte será ja-mais completamente abandonada. É possível que grande parte da libido flua paraoutros objetos, porém, pelo menos certa quantidade permanece ligada ao objeto deorigem.
  31. 31. 30 É nesta fase que desperta nas crianças de ambos os sexos o desejo de veros genitais umas das outras, bem como mostrar os seus, incluindo neste ato de curi-osidade e exibicionismo outras partes do corpo e também outras funções corporais. A masturbação, ou seja a estimulação dos genitais próprios para obtençãodo prazer sexual é normal na infância; nas condições culturais atuais, também énormal na adolescência e até na idade adulta como substituto, quando não se dis-põe de objeto sexual. Se um indivíduo cujas atividades sexuais são bloqueadas porcircunstâncias exteriores se recusa a usar deste expediente, a análise sempre revelamedo inconsciente ou sentimento de culpa na raiz da inibição. Os pacientes que nãose masturbaram na adolescência também revelam haverem sido seus desejos sexu-ais esmagados em alto grau pelo medo e por sentimentos de culpa, caso em que oprognóstico é mau, resultando, em geral, de repressão especialmente profunda damasturbação infantil. A excessiva identificação com o genitor do sexo oposto pode estar associa-da ao desenvolvimento de características de inversão sexual no menino, ou mesmonas meninas. O medo do genitor do sexo oposto, pode prejudicar a capacidade indi-vidual de lidar com pessoas deste sexo em fase ulterior da vida. Um estágio edipianoparcialmente solucionado pode resultar num superego mal formado ou mesmo defi-ciente, o qual pode vir a ser determinante de alterações sociopáticas do caráter edas neuroses. O acesso ao período edipiano com conflitos na fase oral, anal, ou fálica, quesão do período pré-edipiano, trazendo para período novo, alguém sem energia sufi-ciente para enfrentar as novas circunstâncias. A ausência de um dos genitores –sem também haver um substituto a altura – devido a divórcio ou qualquer outro tipode separação, são causas de uma solução não satisfatória deste estágio. Meninos ou pessoas com uma neurose com medo de castração podem de-senvolver fantasias de que o pênis lhe voasse do corpo, micróbios devorando o pê-nis, sonhos com calvície, cortar cabelos, extração ou queda de dentes, decapitação.O medo preventivo da castração pode ser representado em um sonho como umalagartixa – que perde o rabo e cresce novamente – ou quando um símbolo fálico pe-niano aparece mutilado. Há indivíduos com fixações orais que temem lhes seja opênis arrancado a mordidas, de onde resultam idéias confusas, compostas de ele-mento tanto orais quanto genitais. Existem homens que têm medo obsessivo consci-ente de terem o pênis pequeno demais, cujo resultado foi alguma observação im-
  32. 32. 31pressionante, na infância, do tamanho do pênis de outrem, quando o deles era real-mente pequeno. Nos meninos a “feminilidade” nem sempre significa “acho que jáestou castrado”, mas, pelo contrário, uma evolução para a feminilidade – que repre-senta desvio do uso ativo do pênis – muitas vezes se tenta como tranqüilização con-tra castração futura possível: “Se proceder como se já não tivesse pênis, não o cor-tarão”, ou até “Se não há meio algum de evitar a castração, prefiro praticá-la ativa-mente na previsão a poder acontecer, e pelo menos terei a vantagem de ficar nasboas graças de quem me ameaça...” A intensidade da “angústia de castração” à va-lorização intensa do órgão durante a fase fálica, valoração esta que faz o meninodecidir em benefício da desistência da função. Um adulto perguntará: “Para queserve um órgão, quando me proíbem de usá-lo?”. No período fálico, contudo os fato-res narcisísticos contrabalançam os sexuais, de modo que a posse do pênis vem aser o objetivo principal. Segundo Freud, o menino desta idade ainda não toma possede um pênis como questão de determinação sexual; diferencia não em função dehomem e mulher, mas em função de portador de pênis e castrado. Quando obrigadoa aceitar existência de pessoas sem pênis, fica presumido que elas um dia tiveram oórgão, mas o perderam. Os analistas, que tem confirmado os achados desta ordem,cogitam que este modo de pensar talvez resulte de repressão anterior. Talvez que omenino tenha razão mais primária de temer os genitais femininos do que o medo decastração – angústias orais de uma vagina dentada – (FENICHEL, 1972), significan-do temor retaliatório de impulsos sádicos-orais; daí tentar negar-lhes a existência. A idéia de que as meninas tiveram um pênis, mas de que este lhes foi cor-tado representaria tentativa no sentido desta negação. Certo é que vem, ao mesmotempo, a angústia: Isto pode acontecer também comigo”, com a vantagem, porém,de que se nega a existência primária dos temidos genitais femininos. Não se tem aimpressão, contudo, de que os meninos se consolem, de qualquer modo, por saberque certas criaturas tiveram o pênis cortado; pelo contrário, esta idéia afigura-semuito assustadora. De mais a mais, parece natural que o menino presuma, enquantonão lhe ensinam o contrário, que todas as pessoas sejam construídas tal qual ele oé, de modo que esta presunção não se baseia, necessariamente no medo; mas sim,a idéia de que a presunção é incorreta é que cria o medo. Jung, contemporâneo e discípulo dissidente de Freud, argumentará maistarde que independentemente do sexo, a mãe é o primeiro objeto de amor, porém
  33. 33. 32sem qualquer significado sexual imediato, já que para ele, a mãe representa confor-to, afeto e proteção para o seu filho.4.1.2.4. Período de Latência Para a Psicanálise, este período decorre entre a resolução do complexo deÉdipo e o atingimento da puberdade. Sabemos que Freud não deu muita importân-cia a adolescência por acreditar ser apenas uma recapitulação dos eventos ocorri-dos na infância, mas acreditava que a latência era primordial para a fixação de umsuperego forte e bem determinado. “...um conjunto de padrões morais que a tornavam menos dependen- te das autoridades adultas no que concerne aos julgamentos do que é certo ou errado.”(FREUD, 1969) Para Anna Freud, a responsável por uma abordagem mais específica, a la-tência tinha como característica a “imutabilidade do id e a mutabilidade do ego”. “A única esperança da humanidade, o único atributo que pode elevar o homem acima dos animais é permitir-lhe um melhor controle sobre seus impulsos, é sua própria racionalidade e é, portanto, este aspec- to egoíco que deve ser fortalecido durante a meninice”.(GALLATIN, 1978) Freud compara a latência a um rio represado, onde a presença de qualquerabalo poderá liberar a represa e o indivíduo será torrenciado por seus impulsos re-presados. Perturbações sexuais muitíssimo acentuadas, ocorrendo no período de la-tência, realmente ultrapassam a normalidade, que é aquele em que a criança, desin-teressada pela sexualidade, precisa viver num ambiente que lhe assegure repousonesta área. Quando isso não é assim, tornando-se ela alvo de contínuos estímulos,vai acontecer que ela não poderá manter os seus desejos sob controle, em funçãoda imaturidade do seu Ego, mas mesmo assim, não se pode afirmar que se instalaráum quadro de neurose, vez que o seu desenvolvimento sexual poderá ser recom-posto no transcurso da puberdade. (UYRATAN, 2000).
  34. 34. 334.1.1.2. Teoria Topográfica Para entendermos o conjunto inter-relacionado que Freud propôs, precisa-mos fazer uma breve exposição da teoria topográfica. Perguntamos: Para onde teriaido todos os impulsos repreensíveis e todas as fantasias assustadoras? Para enten-der estas questões Freud usou a sua vasta experiência clínica. Já com os experi-mentos de Charcot, ele pode identificar que deveria existir um conjunto de imagensque as pessoas ou lembravam vagamente ou nada lembravam em estado de vigília.Estas imagens e lembranças foram colocadas a parte da consciência por represen-tarem perigos a socialização, chamando-a de inconsciente. Freud chamou de re-pressão a técnica mais simples encontrada pelo ego de defender-se do id. Outraforma encontrada pelo ego, nesta batalha foi o que Freud chamou de Forma Reati-va, onde o indivíduo se lembra de apenas uma versão do evento reprimido, guarda-do no pré-consciente. Essas e outras defesas, poderão a qualquer momento serevelar de outra maneira, como por exemplo a menina que reprimira a sua noção desexualidade e expressa todo o erotismo em suas vestimentas provocantes e sensu-ais. Aquele executivo que mantém uma vida promíscua durante parte de sua vida eao mesmo tempo torna-se um defensor ardoroso do moralismo.
  35. 35. 34 5 ADOLESCÊNCIA: UMA NOÇÃO DE TEMPESTADE E TORMENTA5.1. UMA ABORDAGEM DE ANNA FREUD Para Anna Freud a adolescência, apesar de ser uma recapitulação dos es-tágios da infância, se dará de forma que os conflitos do passado e, especialmente oComplexo de Édipo voltarão com força total a pressionar as formas racionais desen-volvidas durante o período de latência. A. Freud acreditava que os impulsos do idadormecidos na latência, em função das mudanças hormonais e fisiológicas sofreum aumento em sua força. Os conflitos Orais, por exemplo, poderão reaparecer naforma de uma profunda e exagerada dependência. Os conflitos anais poderão de-sencadear momentos de um indivíduo extremamente sujo e outros de extrema lim-peza. Os conflitos edípicos poderão desencadear um profundo interesse pelas ques-tões sexuais. As forças da libido reprimidas ou adormecidas durante a latência deve-rão voltar a tona sempre como um referencial dos conflitos das fases iniciais. (GAL-LATIN, 1978) Anna Freud argumenta que a adolescência não é, pura e simplesmente umprocesso de recapitulação, em função das diferenças específicas entre esse períodoe a infância. Segundo ela, nem a luta, nem as estratégias de defesa são as mesmas,as tensões da infância e da adolescência podem ser semelhantes, mas as situaçõesno qual se desenvolvem mudaram substancialmente. Com o período de latência acriança adquire uma estrutura de caráter. “O ego do período inicial da infância é sub-desenvolvido e indetermi- nado, impressionável e sujeito às influências do id; no período pré- puberal, pelo contrário ele se encontra rígido e firmemente consolida- do. E ele conhece sua mente. O ego infantil era capaz de repentina- mente revoltar-se contra o mundo exterior e se aliar com o id na ob- tenção da gratificação instintiva mas, se o ego do adolescente faz isso, ele se envolve num conflito com o superego. Suas relações firmemen- te estabelecidas com o id por um lado e com o superego pelo outro – que nós chamaremos de caráter – torna o ego inflexível. Ele só tem um desejo: represar o caráter desenvolvido durante o período de la- tência, re-estabelecer a relação primitiva entre suas próprias forças e as do de responder às grandes urgências das demandas instintivas com redobrado esforço de autodefesa.” (A. FREUD)
  36. 36. 35 Segundo ela os conflitos da infância são solucionados sob a influência ex-terna, ou melhor sob a atitude orientadora dos pais quanto ao acerto ou ao erro dasatitudes. Na adolescência isso também ocorre, porém agora sob o julgo de dimen-sões internas, de conceitos próprios, o que fará despertar nos indivíduos um profun-do sentimento de culpa frente aos desejos proibidos. O equilíbrio destas forças de-pende de diversas outras variáveis, tais como a força dos impulsos do id condiciona-dos pelos processos fisiológicos durante a puberdade e a qualidade do caráter de-senvolvido durante a latência que atuarão na repressão dos impulsos do id ou nasubstituição deles por objetos socialmente desejáveis. “O id, agora com força crescente, pode vencer o ego, e neste caso não se manterá qualquer traço do caráter prévio do indivíduo, e sua entrada na vida adulta será marcada por um excesso de gratificação desinibida do instinto. Ou o ego pode ser vitorioso, e neste caso o ca- ráter do indivíduo durante o período de latência se declarará para sempre. Quando isto ocorre, os impulsos do id do adolescente se confinam dentro dos limites já prescritos para a vida instintiva da cri- ança.” (A. FREUD) Uma vez que os fatores que determinam estes ajustamentos são principal-mente uma questão de experiências anteriores a adolescência, aqui, passa a repre-sentar um mero campo de batalha e, por isso passa a ter um papel secundário naformação da personalidade adulta. Outro aspecto que diferencia a adolescência da infância são os mecanismosde defesa que o adolescente desenvolve para conter a ação dos impulsos do id. Oascetismo adolescente aparece como um mecanismo inusual de defesa do ego paraconter o id. (GALLATIN, 1978) Os jovens que passam por esse tipo de fase ascética que eu tenho em mente, parecem ter medo mais da quantidade do que da qualida- de de seus instintos. Eles suspeitam dos divertimentos em geral e assim sua segurança parece resultar simplesmente da contraposição de seus desejos mais presentes, por meio das mais severas proibi- ções. Toda vez que o instinto diz “Eu quero”, o ego retruca “Tu não deves”, mas ou menos como nas restrições paternas, quando do treinamento da criancinha. Esta desconfiança do instinto do adoles- cente tem uma perigosa tendência a se difundir; ela começa com os desejos instintivos propriamente ditos e se estende às necessidades físicas comuns. Todos nós já encontramos jovens que renunciam se- veramente a qualquer impulso que possa ser sensual e que evitam a sociedade das pessoas de sua própria idade, não querendo partici- par de qualquer diversão e, de uma forma verdadeiramente puritana, recusam qualquer ligação com o teatro, a música ou a dança. Nós
  37. 37. 36 podemos entender que há uma ligação entre a renúncia de roupas bonitas e atraentes e a proibição da sexualidade. Mas nós começa- mos a nos inquietar quando a renúncia se estende a coisas que são inofensivas e necessárias, como p. ex., quando um jovem se recusa a usar a mais simples proteção contra o frio, mortifica seu corpo de todas as formas possíveis e expõe sua saúde a riscos desnecessá- rios, quando ele não só não se permite tipos específicos de prazer oral, mas também, “por princípio” reduz sua alimentação diária a um mínimo, quando reluta em sorrir ou rir, ou quando, em casos extre- mos, ele adia o defecar ou o urinar tanto quanto possível, a fim de não satisfazer imediatamente a todas as suas necessidades físicas.” ( A. FREUD) Anna Freud enunciou uma explicação para tal ascetismo. O id que agora sefaz mais impertinente que na infância, requer o uso de medidas defensivas inusuais,ao passo que na infância estas medidas eram comuns. O ascetismo aqui funcionacomo um abandono de todos os prazeres, uma certa indulgência, não simplesmentecomo um treinamento social mas até certo ponto como uma herança filogênica, ouseja, se historicamente a humanidade teve que se precaver de tais impulsos, elaprópria, misteriosamente incutiu esta situação nas futuras formações genéticas. (GALLATI, 1978) Outro mecanismo de defesa desenvolvido pela adolescência é a intelectua-lização. Ana Freud vai descrever este evento como uma atitude protetora do egopara controlar os impulsos do id. Neste caso a relação conflituosa da infância será oda fase édipica. Há um florescimento da inteligência que estará a serviço dos inte-resses da defesa. A luta interna do adolescente, assim, poderá ser canalizada paraa evocação de argumentos abstratos, como p. ex., quando um jovem se vê atormen-tado pela hostilidade do pai e passa a condenar, em discurso, toda e qualquer tipode tirania de autoridade. Para A. Freud a sexualidade é o motivo de toda a curiosi-dade intelectual. Por fim trataremos do amor adolescente e a relação de tempestade e tor-menta, segundo a interpretação psicanalítica de Anna Freud. Como filha do criadorda Psicanálise, argumenta, que este período é marcado por amizades e amorespassionais, às vezes tão consumidores e em outras tão breves. Os adolescentessegundo A. Freud, são muito volúveis em função da necessidade de ajustamento ede controle da recapitulação da sexualidade infantil. Os jovens pressentindo o perigode tais desejos procuram se afastar de seus pais, vivendo praticamente como umestranho dentro de sua residência. A perda deste tão duradouro objeto de amor, de-
  38. 38. 37verá ocasionar um profundo vazio interior, que poderá ser substituído por romancesintempestivos ou por episódios de adoração de heróis. (GALLATIN, 1978) Anna Freud não considerava que a adolescência fosse um período total-mente desprovido de significado, pelo contrário, para ela a tempestade e tormentaera inteiramente desejável. O indivíduo necessita destes transtornos para que possaentrar na idade adulta de uma forma genuinamente madura.
  39. 39. 38 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Dentro das metas propostas pela pesquisa a qual teve como objetivo falarda adolescência, de uma forma generalista, entretanto enfatizando o papel da se-xualidade e do desenvolvimento das fases da sexualidade do adolescente, enquantomomento de transformações, angústias e tormentas, somos apontados a fazer al-gumas considerações. Ainda que haja divergências acerca do desenvolvimento da personalidadepor parte de pensadores, é certo que não é fácil para o adolescente passar por esteperíodo a que chamamos de adolescência/puberdade. Bombardeado por alteraçõeshormonais que reclamam uma demanda, principalmente na esfera sexual, é aomesmo tempo, impedido de exercê-la em sua plenitude, porque alvo de proibição erecriminação por parte dos adultos, descarregando quase sempre seu alvo libidinalatravés da masturbação, que para o adolescente representa um misto de permitido ebom e proibido e mau. Para S. Freud a adolescência representaria tão somente uma recapitulaçãodos eventos ocorridos na infância, entretanto para Anna Freud a adolescência re-presentaria muito mais do que isto, uma vez que nem as lutas, nem as estratégiasde defesa são as mesmas da infância em virtude de que as situações no qual sedesenvolvem mudaram substancialmente. Agora o adolescente pensa por si só,questiona, experimenta, porque possui um ego mais consolidado, apesar que ainda,se conflitua com o superego. Deixei de analisar as obras de Melanie Klein, que tão bem discorre sobre ainfância e adolescência, pela urgência e adiantado do tempo, que me impediram defazer uma leitura mais acurada das suas obras, muito embora, o meu objetivo tenhasido, falar tão somente da adolescência e de sua sexualidade e o que isto represen-ta no processo de socialização e convivência no mundo dos adultos. Por certo que o tema não está acabado, uma vez que é grande o número depensadores e pesquisadores que debruçaram-se sobre o assunto e produziram umagama de obras, que comportaria um tempo maior de estudo e pesquisa, mais espe-ro, ter contribuído para sintetizar algum material que possa ajudar a quem se dedicaao tema.
  40. 40. 39 BIBLIOGRAFIAABERASTURY, ARMINDA. Psicanálise da Criança. Teoria e Técnica. Porto Ale-gre: Artmed, 1992.CARVALHO, UYRATAN. Psicanálise I. SPOB, 2000.FENICHEL, OTTO. Teoria Psicanalítica das Neuroses. Fundamentos e Bases daDoutrina Psicanalítica. São Paulo: Atheneu, 2001.FREUD, SIGMUND. Três ensaios sobre a sexualidade. Obras Completas eletrôni-cas. Vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1969.GALLATIN, JUDITH ESTALLE. Adolescência e Individualidade. Uma abordagemconceitual da psicologia da adolescência. São Paulo: Harper & Row do BrasilLtda, 1978.HORACIO, R. Fundamentos da Técnica Psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 1989.KAPLAN & SADOCK. Compêndio de Psiquiatria. Ciências do Comportamento ePsiquiatria Clínica. Porto Alegre: Artmed, 1997.LAPLANCHE E PONTALIS. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fon-tes, 2001.MULLAHY, PATRICK. Édipo, mito e complexo – Uma crítica da teoria psicanalí-tica. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.

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