Foucault Noções gerais e sistematização de seu pensamento

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Foucault Noções gerais e sistematização de seu pensamento

  1. 1. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss MMiicchheell FFOOUUCCAAUULLTT PPooiittiieerrss,, 1155 ddee oouuttuubbrroo ddee 11992266 PPaarriiss,, 2266 ddee jjuunnhhoo ddee 11998844 Filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984
  2. 2. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * nasceu em Poitiers, na França, em 15/10/1926. * Filho de médico, com a expectativa de seguir a tradição familiar. * Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou.
  3. 3. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. * Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, entre outros. * Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne (1948).
  4. 4. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite. * Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de "intromissões" pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio.
  5. 5. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem como alunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne. * Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em 1953.
  6. 6. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempo em que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se aplica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970.
  7. 7. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Aos 28 anos Publicou Maladie Mentale et Psychologie (1954; Doença Mental e Psicologia), mas foi com Histoire de la Folie à l’âge Classique (1961; História da Loucura), sua tese de doutorado na Sorbone, que firmou-se como Filósofo. * Neste livro, analisou as práticas dos séculos XVII e XVIII que levaram à exclusão do convívio social dos "desprovidos de razão".
  8. 8. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Foucault preferia ser chamado de "arqueólogo", dedicado à reconstituição do que mais profundo existe numa cultura - arqueólogo do silêncio imposto ao louco, da visão médica (Naissance de la clinique, 1963; Nascimento da Clínica), das ciências humanas (Les Mots et les choses,1966; As Palavras e as Coisas), do saber em geral (L’Archeologie du Savoir, 1969; A Arqueologia do Saber).
  9. 9. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa "Ordem do discurso".
  10. 10. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Surveiller et punir (1975; Vigiar e Punir) é um amplo estudo sobre a disciplina na sociedade moderna, para ele, "uma técnica de produção de corpos dóceis".
  11. 11. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Deixou inacabado seu mais ambicioso projeto, Historie de la Sexualité (História da SexualidadeO primeiro dos seis volumes anunciados foi publicado em 1976 sob o título La Volonté de Savoir (1976; A Vontade de Saber) e despertou duras críticas. Em 1984, pouco antes de morrer, publicou outros dois volumes, rompendo um silêncio de oito anos: L’Usage des plaisirs (O uso dos prazeres), que analisa a sexualidade na Grécia Antiga e Le souci de soi (O cuidado de Si), que trata da Roma Antiga.
  12. 12. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss * Foucault teve vários contatos com diversos movimentos políticos. Engajou-se nas disputas políticas nas Guerras do Irã e da Turquia. O Japão é também um local de discussão para Foucault. Várias vezes esteve no Brasil, onde realizou conferências e firmou amizades como a de Roberto Machado. Foi no Brasil que pronunciou as importantes conferências sobre A verdade e as formas jurídicas, na PUC do Rio de Janeiro. Os Estados Unidos atraem Foucault em função do apoio à liberdade intelectual e em função de São Francisco, cidade onde Foucault pode vivenciar algumas experiências marcantes em sua vida pessoal no que diz respeito à sua sexualidade. Berkeley torna-se um pólo de contato entre Foucault e os Estados Unidos. Definitivamente, Foucault sentia-se em casa nos EUA.
  13. 13. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Em junho de 1984, em função de complicadores provocados pela AIDS, Foucault tem septicemia e isso provoca sua morte por supuração cerebral no dia 25. Discutido e estudado por várias áreas do saber, Foucault mostra-se como um pensador arrojado, um intelectual que, preocupado com o presente em que se encontra inserido, percorre os saberes em busca de uma crítica que subverta os esquemas de saberes e práticas que nos subjugam.
  14. 14. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Qual Escola? "Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo“ Primeiros trabalhos sobre o conhecimento são denominados estruturalistas (História da Loucura, As palavras e as coisas, etc.) Já os trabalhos posteriores são chamados de pós-estruturalistas (Vigiar e Punir, Hist. Da Sexualidade) Considerado Pós-moderno
  15. 15. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss ARAÚJO, Inês Lacerda de. Foucault e a crítica do sujeito. Curitiba: Editora da UFPR, 2001 1ª) FASE – Discursos e Saberes (Arqueologia) de conhecimento (ser-saber) 2ª) FASE – Práticas e Poderes (Genealogia) de ação (ser-poder) 3ª) FASE – Si – sujeito (Ética) constituídos pela moral (ser-consigo)
  16. 16. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 1ª FASE Discursos e Saberes (Arqueologia) conhecimento (ser-saber) 2ª FASE Práticas e Poderes (Genealogia) ação (ser-poder) 3ª FASE Si – sujeito (Ética) moral (ser-consigo) A ordem do Discurso (1971) Vol. 3 da His. Sexualidade Prox. morte (1984)
  17. 17. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 1ª FASE Discursos e Saberes (Arqueologia) conhecimento (ser-saber) Ligação com Escola do Annales Idéias estruturalistas C. Lévi-Strauss * História da Loucura * O nascimento da Clínica * Arqueologia do Saber * As palavras e as coisas
  18. 18. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 1) Epistemes “Estruturas discursivas” Cidades Soterradas! Teias discursiva s.                   Método Arqueológico
  19. 19. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Discurso 1) * Não tem origem. *Não está relacionado aos sujeitos. * Não sai de um sujeito para outro! 2) Tem uma materialidade – opera proibições, exclusões ele acaba delimitando áreas de privilégio (locais específicos) ONDE? COMO? QUEM? ESPECIALIDADE? Regras da ABNT Autor – Quando foi criado a idéia de autor – quem tem o direito de dizer que é dono de uma idéia?
  20. 20. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss O termo discurso, em Foucault, tem valor diferente do que lhe atribuem teorias lingüísticas: discurso, no quadro teórico do pensamento do autor, faz referência ao conjunto de regras e práticas que constroem uma versão da realidade ao produzirem representações sobre certos objetos e conceitos e definirem aquilo que se pode dizer sobre aqueles objetos e conceitos, num momento histórico específico (FOUCAULT, Arqueologia do Saber, 1987).
  21. 21. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss “O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar". (A Ordem do Discurso, p.10) – Ex. Disputatio
  22. 22. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss “Meu objetivo será mostrar-lhes como as práticas sociais podem chegar a engendrar domínios de saber que não somente fazem aparecer novos objetos, novos conceitos, novas técnicas, mas também fazem nascer formas totalmente novas de sujeitos e de sujeitos de conhecimento. O próprio sujeito de conhecimento tem uma história, a relação do sujeito com o objeto, ou, mais claramente, a própria verdade tem uma história.". (A verdade e as formas jurídicas, p.8)
  23. 23. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 2ª FASE Práticas e Poderes (Genealogia)ação (ser-poder) Vigiar e Punir A verdade e as formas jurídicas Microfísica do Poder História da Sexualidade 1 e 2 Em defesa da sociedade Outros cursos
  24. 24. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Poderes e Práticas Poder  feixe de força (comparado a física) Está em todas as partes.  Família  Mídia  Emprego  Estado 
  25. 25. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Poder soberano – Poder antigo (visto a partir de um olhar tradicional) Poder normalizador ou poder da norma – disciplinar + biopoder + outros Poder soberano + Poder normalizador ou poder da norma disciplinar + biopoder + outros Poder
  26. 26. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss “O primeiro modelo é chamado por Foucault ‘jurídico-discursivo’, porque o modo de ação por excelência de tal poder é o enunciado da regra ou da lei – logo, um ato de linguagem, de discurso – que fixa o lícito e o ilícito, o permitido e o proibido. Este tipo de poder, essencialmente apto a colocar limites e cujos efeitos se voltam todos à obediência, se exerce segundo a modalidades uniformes, quaisquer que sejam as relações que ele rege: monarca-súditos, Estado-cidadãos, pais-filhos...” LOSCHAK, Danièle. A questão do Direito...
  27. 27. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss “A lei não nasce da natureza, junto das fontes freqüentadas pelos primeiros pastores; a lei nasce das batalhas reais, das vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror; a lei nasce das cidades incendiadas, das terras devastadas; ela nasce com os famosos inocentes que agonizam no dia que está amanhecendo” FOUCAULT, Em defesa ... p. 58-9.
  28. 28. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Do Suplício Público a Prisão
  29. 29. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Decadência do Poder Soberano (Poder régio) Não é mais a forma principal de poder na sociedade contemporânea. “(...) nas sociedades ocidentais, e isto desde a Idade Média, a elaboração do pensamento jurídico se fez essencialmente em torno do poder régio. Foi a pedido do poder régio, foi igualmente em seu proveito, foi para servir-lhe de instrumento ou de justificação que se elaborou o edifício jurídico de nossas sociedades” FOUCAULT, Em defesa da sociedade. p. 30.
  30. 30. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Foucault aponta que o modelo jurídico não consegue mais dar conta da sociedade pois os “novos procedimentos de poder que funcionam, nnããoo ppeelloo ddiirreeiittoo, mmaass ppeellaa ttééccnniiccaa, não pela lei mas pela normalização, não pelo castigo mas pelo ccoonnttrroollee, e que se exercem em níveis e formas que extravazam do Estado e de seus aparelhos. Entramos, já há séculos, num tipo de sociedade em que o jurídico pode codificar cada vez menos o poder ou servir-lhe de sistema de representação” FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade Vol. 1...
  31. 31. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Corpos Dóceis “Houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e algo de poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo – ao corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou cujas forças se multiplicam” (Vigiar e Punir) Recruta  soldado a ser adestrado Treinamento militar
  32. 32. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Corpos Dóceis Arte da Distribuição 1) Cerca (colégios, quartéis, conventos, concentrações...) 2) Clausura (espaços individuais) 3) Localizações funcionais (no tabalho...) 4) Filas (organização e distribuição) Controle de atividades 1) Horário 2) Elaboração temporal do ato 3) Articulação Corpo-objeto Controle sobre os elementos do corpo...
  33. 33. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Exigem certas técnicas de DISCIPLINA Poder disciplinar – exerce sobre os corpos disciplina 1)VIGILÂNCIA HIERÁRQUICA Ex. Prédios, Prisões, Escolas, Supermercados, etc.
  34. 34. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 1) VIGILÂNCIA HIERÁRQUICA
  35. 35. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 1) VIGILÂNCIA HIERÁRQUICA
  36. 36. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss PANOPTISMO Sociedade do controle Livro 1984 de George Orwell Filme THX 1138 G. Lucas 35:16 – condenação ao uso do corpo 38:36 – uso do corpo 46:07 – prisão sem grades 54:00 – fuga Sociedade do controle onde as pessoas são adestradas...
  37. 37. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 2) SANÇÃO NORMALIZADORA (pena por descumprir um determinado aspecto de controle) - Pequenos sistemas penais Tempo Atividade Maneira de ser Discurso Corpo Sexualidade Possibilidades de sanções positivas
  38. 38. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 3) EXAME (hierarquia mais sanção que normaliza através de um controle exterior) Inverte a invisibilidade da economia do poder Individualidade num campo documentário Indivíduo como “caso” Exame criminiológico?
  39. 39. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Biopoder – Taxa de mortalidade e natalidade (controle de patente – remédio de AIDS) PS – Mandar Matar ou Deixar Viver BP – Deixar morrer ou Mandar Viver
  40. 40. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Sujeito – sem ter nas mãos as rédeas da história – o homem está mais sujeitado do que é sujeito. Comprar Pipoca? Antes Agora
  41. 41. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss 3ª FASE Si – sujeito (Ética) moral (ser-consigo) História da Sexualidade 3 Algumas aulas de Ditos e Escritos Hermenêutica do Sujeito
  42. 42. MMiicchheell FFoouuccaauulltt –– NNooççõõeess GGeerraaiiss Resistência  força que o sujeito pode tentar efetivar, mesmo que com maior dificuldade, para evitar ser dominado. Ética está pautada na resistência “Vida como obra de arte” Ética... Um contra-poder ressaltando a independência a construção do si.

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